quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Natal no século XIX, segundo Henry Koster

Natal no século XIX segundo Henry Koster

Dois estrangeiros estiveram no Brasil no inicio do século XIX. A passagem deles aqui pelo Nordeste gerou duas obras que todos deveriam ler: Louis-Francois Tollenare escreveu Notas Dominicais e Henry Koster escreveu Viagens ao Nordeste do Brasil, este último com tradução de Luis da Câmara Cascudo. Tollenare foi testemunha da Revolução Republicana de 1817. Ele morou em Recife e em Salvador. Koster chegou ao Brasil em 7 de dezembro de 1809 e, viajou com destino ao Ceará, em 1810. Mas, vamos aos comentários de Henry Koster quando veio a Natal.
Nos preparos para a viagem ao Rio Grande escreveu: "Tinha muitas esperanças de que o Senhor Joaquim me acompanhasse até ao Rio Grande, mas ele mudou de parecer e tomei, então, as providências para viajar sozinho. Comprei mais três cavalos, contratei um guia para o sertão, homem branco da região, e dois indígenas, com certa de 16 anos". 
Koster passou por Goiana, Mamanguape, Cunhaú, no engenho do Coronel André dÁlbuquerque Maranhão, e  Papari, onde fez o seguinte comentário: "Papari é situada num vale estreito e profundo, mas de lindo aspecto". Estando lá, informa que o Senhor Dionísio apresentou sua mulher, ele português e ela brasileira. Na verdade, estava falando dos pais de nossa Nísia Floresta, Dionísio Gonçalves Pinto Lisboa e Mônica da Rocha Bezerra. Seguiu depois para São José e, por fim, partiu para Natal.
 Quando da chegada a Natal fez, inicialmente, o seguinte comentário: "Um estrangeiro que, por acaso, venha a desembarcar nesse ponto, chegando nessa costa do Brasil, teria uma opinião desagradável do estado da população nesse País, porque, se lugares como esse são chamados cidades, como seriam as vilas e aldeias?" Mais adiante diz: "As construções foram feitas numa elevação a pequena distância do rio, formando a cidade propriamente dita porque contém a Igreja Matriz. Consiste numa praça cercada de residências, tendo apenas o pavimento térreo, as igreja que são três, o palácio, a câmara e a prisão. Três ruas desembocam nesta quadra, mas elas não possuem senão algumas casas de cada lado. A cidade não é calçada em parte alguma e anda-se sobre uma areia solta, o que obrigou alguns habitantes a fazerem calçadas de tijolos ante suas moradas. Esse lugar contará seiscentos ou setecentos habitantes."
 Continua em outro trecho: "À tarde, saímos passeando para ver a cidade baixa. É situada nas margens do rio e as casas ocupam as ribas meridionais e não há, entre elas e o rio, senão a largura da rua. Essa parte pode conter 200 a 300 moradores e aí residem os negociantes do Rio Grande".
Sobre o porto fez o seguinte comentário: Enfim, o porto é de acesso difícil. O rio é muito seguro, quando se haja vencido a barra. A água é profunda e completamente tranqüila, e nesse ponto há amplitude para que dois navios possam entrar. Adiante o fundo é raso e, num espaço de algumas milhas, a profundeza é extremamente diminuída. Imagino que sei ou sete navios podem estar perfeitamente no porto. Não se deve penetrar em barras formadas entre bancos de areia, como esta, senão com bons pilotos, porque elas mudam sempre de lugar e de fundura."
Na época governava o Rio Grande Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque e a nossa Capitania era sujeita ao governador de Pernambuco. Comenta que quando Francisco de Paula Chegou ao Rio Grande: "raras eram as pessoas que se vestiam bem, mas ele conseguiu persuadir uma família a mandar comprar no Recife tecidos manufaturados na Inglaterra. Uma vez introduzidas, essas mercadorias fizeram sucesso e como ninguém queria ser excedido por outro, no curso de dois anos, o uso se tornou geral."
Continua Koster: "Visitamos a Igreja à tardinha. Todas as senhoras estavam elegantemente vestidas com sedas de várias cores, com véus negros cobrindo-lhes a cabeça e o rosto. Um ano antes, as mesmas pessoas teriam comparecido à igreja, de saiotes de algodão, feitos em Lisboa, panos de tecido grosseiro na cabeça, sem meias e com chinelos nos pés."
Sobre nossa força militar disse que se compunha de 140 homens, mas estava em melhor ordem que as de Pernambuco ou Paraíba e gozava de perfeita calma e os roubos eram raros.
Depois de Natal, Koster passou por Ceará - Mirim e seguiu na direção do Ceará.
Hoje, Natal é constituída por uma população de aproximadamente 800 mil habitantes e todos os viajantes que aqui chegam, tanto do exterior como do Brasil, falam com admiração de nossa cidade.

Uma lástima, com diria Dom Adelino Dantas

Uma lástima, como diria Dom Adelino Dantas.
Minhas pesquisas com os livros de Santana do Matos, Angicos, Macau e Açu esbarraram na falta de registros anteriores a 1823. Procurei em vão informações sobre o paradeiro deles, mas ninguém soube responder.  Um provável lugar seria em Olinda. De qualquer forma, para suprir essas lacunas procurei os livros aqui de nossa Catedral que contém registros mais antigos. Tanto na Cúria como no Instituto Histórico, há livros do século XVIII. Talvez nesses livros encontrasse elos perdidos que suprissem algumas lacunas das minhas pesquisas.
Dom Adelino Dantas, no livro Homens e Fatos do Seridó Antigo, faz dois comentários que me fez ficar menos inconformado.
No primeiro deles disse: "De 1748 a 1788 abre-se um vácuo enorme, uma zona de silêncio em assuntos de referência paroquial. São quarenta anos sem um assento sequer de batizados, de casamentos ou óbitos. Tudo se perdeu, deixando fechados os caminhos aos teimosos."
No segundo, quando discorria sobre o Visitador Manoel José Fernandes, comentou: "Nascêra nas eras de 1800, na fazenda Pedra Lisa, da antiga freguesia de São João Batista do Açu, hoje da paróquia de Augusto Severo, informa Barôncio Guerra. Em seu testamento, ele mesmo escreveu que era natural da freguesia do Açu e nela batizado. Em vão procurei essa certidão de batismo no arquivo dessa paróquia. Não existe mais  livro nenhum, ali, daquele tempo. Uma lástima!"
Nos livros daqui da Catedral encontrei alguns personagens que casaram aqui ou que foram depois para o interior do Rio Grande do Norte. Encontrei, por exemplo, o casamento de Francisco Xavier da Cruz, um dos meus ancestrais, cujo único registro que tinha sobre ele, era na árvore desenhada por Jacob Avelino, da genealogia do escritor Afonso Bezerra. A partir das informações contidas em um único registro de casamento consegui preencher algumas lacunas existentes nas minhas pesquisas.
Mas, nem tudo está perdido. Fábio Arruda, de quem Reinaldo Carneiro Leão diz, "Não conheço ninguém neste Brasil, no passado ou no presente que saiba mais sobre os senhores de engenho e suas propriedades neste Nordeste, pertinente aos séculos XVI, XVII e XVIII", colega de pesquisas genealógicas, me passou umas transcrições de imagens que ele tirou no Instituo Arqueológico, Histórico e Geográfico  Pernambucano, de batismos aqui da Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, a partir de 1688. Procurei saber onde ele tinha encontrado tais relíquias, e ele me respondeu como transcrevo aqui:
"Prezado João Felipe. Você havia me perguntado de onde teriam vindo os antigos Livros das Igrejas do RN, correto? Agora já tenho uma boa noção do que aconteceu...
Os antigos Livros das Igrejas do Nordeste eram recolhidos para o Bispado, com sede no Recife/Olinda. Ficavam guardados na Câmara Eclesiástica, que ainda existe hoje, porém os Livros não existem mais. Segundo "informes" (informação sujeita à comprovação), os Livros estavam se estragando na Câmara Eclesiástica, por causa da umidade presente no ambiente. O funcionário, à época, achou que era algo contagioso e foi jogando fora na medida em que surgiam os mofos. Não sei de que forma, mas alguém salvou apenas os Livros do Rio Grande do Norte. Eis o motivo de os Livros ainda existirem e estarem a salvos no IAHGP."
Além disso, disse mais: "Em fins do Século XIX, o Sócio Salvador Coelho de Drumond e Albuquerque, descendente de João Fernandes Vieira, nos idos de 1871, para fins de conservação, efetivou uma cópia de vários dos registros dos antigos Livros, incluindo CASAMENTOS E ÓBITOS. (Nota: Lembre-se que só temos no IAHGP os Livros de BATISMOS.)
Em forma de 02 volumosos Livros, manuscritos, datados de 1871, temos, no IAHGP, cópia de transcrições destes antigos casamentos, onde encontrei, por exemplo, o casamento de Manoel Raposo da Câmara e Antônia da Silva. Não preciso dizer que fotografei na íntegra os 02 Volumes dos referidos Livros do Major Salvador Coelho de Drumond e Albuquerque. O que dizer sobre o Major?... Homem de muita visão!
Estou colocando à sua disposição, não só estes 02 Livros do Major, mas também as fotografias dos antigos Livros das Igrejas do RN (1688-1710), incluindo um outro que encontrei relativo a escravos e seus senhores, de 1710 a 1720. Santo Major!"
Francisco Xavier da Cruz, meu ancestral já citado acima,  que casou em Natal com Lourença Dias da Rosa, descendia de Antonio Dias Machado, que por sua  vez descendia de João Machado de Miranda. Pois bem, fui encontrar nos documentos transcritos por Fábio Arruda, dois batismos de filhos de João Machado de Miranda e Leonor Duarte de Azevedo. Eram Felizarda que nasceu em 1706 e João que nasceu em 1709. João Machado de Azevedo (João) casou em 1743.
Nesses documentos, ainda, encontramos personagens como: Teodósio da Rocha, João Martins de Sá, Capitão Teodósio Grasciman, Manoel Gonçalves Branco, Afonso de Albuquerque Maranhão, Manoel Raposo da Câmara, Domingos Paes Botão, José Porrate de Moraes Castro e Tomé Lostao.
Os batismos vão de 1688 até 1711.

Frei Miguelinho, da Revolução dos Padres

Frei Miguelinho, da Revolução dos Padres

Escreve Tavares de Lira no livro História do Rio Grande do Norte:
"Um dos espíritos mais cultos do seu tempo, Miguelinho era fervoroso adepto das idéias liberais; e para propagá-las, preparando o seu advento, filiou-se às associações secretas que havia no Recife, sendo, pela ascendência natural de sua inteligência, ilustração e virtudes, um dos vultos primaciais dessas associações, em que se conspirava abertamente em favor da Independência. Realizado o movimento revolucionário de 1817, foi o secretário do governo aclamado a 6 de março daquele ano e, como tal, o seu principal colaborador. Foi quem redigiu a proclamação em que o novo governo explicava aos habitantes de Pernambuco as causa da revolução e vantagens que dela adviriam."
Em um termo de arrematação datado de 28 de fevereiro de 1751, na Secretaria de Governo, estavam presentes o Capitão Mor e Governador da Província Joaquim Felis de Lima, o Provedor da Fazenda Real Manoel Teixeira de Moraes, o Almoxarife da Fazenda Real Felis Barbosa Tinoco, o Escrivão da Fazenda Real Francisco Pinheiro Teixeira, e o Secretário de Governo Manoel Pinto de Castro.
Anos mais tarde, precisamente, em 1764,   Manoel Pinto de Castro casa com uma filha de Francisco Pinheiro Teixeira, como transcrevemos a seguir:
"Aos vinte e quatro de Janeiro de mil setecentos e sessenta e quatro nesta Matriz de Nossa Senhora da Apresentação da Cidade do Rio Grande do Norte dispensados os Nubentes nos banhos pelo Muito Reverendo Senhor Doutor Visitador Manoel Garcia Velho do Amaral para se casarem depois como consta do despacho que fica em meo poder com os mais documentos, que tudo ficam em meu poder para os ajuntar aos meus depois de corridos os banhos de vez, não se descobrindo impedimento algum até  a hora de seu recebimento em presença do Muito Reverendo Senhor Doutor Visitador Manoel Garcia Velho do Amaral, e sendo presente por testemunhas, que abaixo assinaram o Capitão Mor desta Capitania Joaquim Felis de Lima, homem casado, e Doutor Provedor da Fazenda Real desta dita Capitania Manoel Teixeira de Moraes homem casado, pessoas de mim reconhecidas, fregueses e moradores desta freguesia, se casaram em face da Igreja Manoel Pinto de Crasto, natural da Freguesia de Sam Veríssimo de Valbon Bispado do Porto, filho legitimo de Francisco Pinto de Crasto e de Isabel Pinto de Almeida, e Francisca Antonia Teixeira natural desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação filha legitima do Tenente Francisco Pinheiro Teixeira, e de Bonifácia Antonia de Mello fregueses, e moradores desta freguesia, e lhes deu as Santas Bençãos conforme os ritos, e cerimonias  da Igreja; de que logo fiz este assento, em que por verdade me assino. Miguel Pinheiro Teixeira, Pro vigário do Rio Grande, Joaquim Felis de Lima e Manoel Teixeira de Moraes."
No documento acima, o sobrenome está grafado Crasto como no próximo que apresentaremos, posteriormente. O casal Manoel Pinto de Castro e Francisca Antonia Teixeira teve os seguintes filhos: Padre Manoel Pinto de Castro;  Padre Miguel Joaquim de Almeida e Castro; Padre Inácio Pinto de Almeida Castro; Padre José Joaquim de Almeida Castro; Francisco Pinheiro de Almeida Castro; Joaquim Felício Pinto de Almeida Castro; Damião Pinto Castro; D. Bonifácia Pinto Garcia de Almeida; D. Clara Joaquina de Almeida Castro.
O mais famoso deles foi o Padre Miguel Joaquim de Almeida e Castro, mais conhecido por Frei Miguelinho, devido a sua pequena estatura. Ele teve uma participação ativa na Revolução de 1817, também conhecida como a Revolução dos Padres, por conta da participação de muitos padres nela. Transcrevemos a seguir o seu batismo:
"Miguel filho legitimo do Capitão Manoel Pinto de Crasto natural de Sam Veríssimo de Valbon Bispado do Porto e de Francisca Antonia Teixeira natural desta cidade neto paterno  de Francisco Pinto de Crasto e de Izabel Pinto de Almeida naturais de Sam Veríssimo de Valbon Bispado do Porto, e pelo materno do Capitão Francisco Pinheiro Teixeira e de Bonifácia Antonia de Mello, naturaes desta Freguesia nasceu aos dezessete de Novembro deste presente ano de mil setecentos e sessenta e oito; e foi batisado com os Santos Óleos nesta Matriz de Licença minha pelo Reverendo coadjutor Bonifacio da Rocha Vieira aos três de Dezembro do dito ano. Foram seus Padrinhos Francisco Pinheiro  Teixeira por procuração do Capitam Mor Manoel Dias Palheiros, Dona Angélica Maria e Maria Teixeira do que mandei, por impedimento meu lançar este assento em que por verdade me assinei. Pantaleão da Costa Araújo, Vigário do Rio Grande."
É ainda Tavares de Lira que conta no livro História do Rio Grande do Norte:
"Fracassado o movimento, Miguelinho retirou-se para Olinda, onde residia em companhia de sua irmã D. Clara, que o recebeu em prantos. Mana, disse ele, nada de choros; estás órfã, tenho enchido os meus dias, logo me vêm buscar para a morte; entrego-te à vontade de Deus, nele terás um pai que não morre; mas aproveitemos a noite, imita-me; ajuda-me a salvar a vida de milhares de desgraçados. E com a irmã extremosa, ocupou-se durante a noite de 20 para 21 de maio a queimar todos os  papéis  e documentos que,  como secretario do governo, tinha em seu poder, papéis e documentos que, se apreendidos pelos agentes da realeza, comprometeriam  ou agravariam a sorte dos seus companheiros e daqueles que haviam aderido à Republica."
Pelo Decreto nº 45 de 25 de Agosto de 1890, do Governador Joaquim Xavier da Silveira Junior, o dia 12 de Junho era feriado consagrado a comemoração da morte de Frei Miguelinho, que foi arcabuzado nessa data, no Campo da Pólvora, na Bahia, juntamente com Domingos José Martins e José Luis de Mendonça.

Um posto de Capitão para Antonio da Rocha Bezerra

Um posto de Capitão para Antonio da Rocha Bezerra

Na Nobiliarquia Pernambucana, Borges da Fonseca dá noticias dos  Rocha Bezerra. É lá que encontramos que Antonio da Rocha Bezerra casou com Maria de Holanda. Eram pais de Antonio da Rocha Bezerra que casou   com Isabel de Prado. Depois, Antonio da Rocha Bezerra casou com Maria Bezerra. Do último casamento nasceu Balthasar da Rocha Bezerra.
Depois, vamos encontrar, ao longo do tempo, várias pessoas aqui no Rio Grande do Norte com os nomes de Antonio da Rocha Bezerra e Balthasar da Rocha Bezerra. Somente um trabalho muito cuidadoso é que pode identificar quem é quem nessa cadeia.
Na Sesmaria de número 552 concedida ao Sargento Mor do Estado José Pedro Tinoco na Ribeira do Assú, em 12 de Abril de 1787, encontramos o que se segue: "Diz o Sargento mor de estado desta cappitania José Pedro Tinouco que ele suplicante he senhor e possuidor de huma légua de terras .em uma data que haviam tirado de três legoas o capitão mor Balthasar da Rocha Bezerra e seu irmão o Coronel Miguel Barbalho Bezerra e cunhado Pedro da Rocha Bezerra pegando do posso da Pata Choca pelo Rio a baixo com  hua legoa de largo pela parte do norte...."
Através de uma Carta Patente de Capitão de Cavalllos da Ribeira do Assú, que foi concedida, em 30 de julho de 1748, a Mathias Antonio Affonso, no lugar de Felix Barbosa Tinoco que passou para Tenente Coronel, tomamos conhecimento que  quem comandava o  Regimento era o  Coronel Miguel Barbalho Bezerra.
Em 1751, foi concedida uma Carta Patente de Capitão a Antonio da Rocha Bezerra, que transcrevemos aqui a partir de uma cópia, existente no IHGRN, feita  por Petronillo Joffily, em 23 de janeiro de 1922.
"Registro de uma Carta Patente do posto de Capitam do Regimento de Cavallaria da Ribeira do Assú a Antonio da Rocha Bezerra.
Pedro de Albuquerque Mello, Capitão mor e governador da Cidade de Natal Capitania do Rio Grande do Norte por sua Majestade que Deus guarde. Faço saber aos que esta minha Carta Patente virem, que porquanto é preciso e conveniente ao serviço de sua Majestade reenxer o Regimento da Cavallaria da Ribeira do Assú de que é Coronel Antonio da Rocha Bezerra por se achar o dito Regimento com Coatro Companhias tamsomentes e convir ao serviço do dito senhor por o dito Regimento com dez Companhias e ser preciso prover os ditos postos com pessoas de merecimento capacidade e serviços; porque estes requisitos concorrem na pessoa de Antonio da Rocha Bezerra, tanto por ser filho do dito Coronel como das principaes famílias desta Cappitania e abastado de bens e pelo bem que tem servido a sua Majestade nas tropas do dito Regimento sempre com louvável procedimento, e por esperar delle que d'aqui em diante se haverá da mesma forma conforme a confiança que faço de sua pessoa: Hey por bem de o prover e nomear como pela presente o faço no referido posto de Capitam do Regimento de Cavallaria de que é Coronel Antonio da Rocha Bezerra em virtude de Ordem de sua Majestade de vinte e dois de Dezembro de mil setecentos e quinze, com o qual posto não haverá saldo algum da Real Fazenda, mas gosará de todas as honras, graças, franquezas, previlegios, liberdades e exençõens que em razão do dito posto lhe pertencem; o qual tem a sua Companhia na dita Ribeira do Assú distante desta Cidade secentas léguas, a qual se comporá de cincoenta homens inclusiveis os officiaes della. Pelo que ordeno ao dito seu Coronel lhe de posse e juramento na forma do estilo de que se fará assento nas Cartas desta e aos officiaes maiores o conheçam, honrem e estimem como tal e aos subalternos e soldados lhe obedeçam, cumpram e guardem suas ordens de palavras e por escripto tão pontual e inteiramente como devem e são obrigados; que para firmeza de tudo lhe mandei  passar a presente por mim assignada e sellada com o signete de minha armas, que se registrará nos livros desta Secretaria, Câmara desta Cidade e Vedoria Geral. Dada e passada nesta sobredita Cidade do Natal aos onze de Setembro// Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo// de mil setecentos e cincoenta e um. Eu Antonio de Albuquerque Mello, por ausência do Secretário, a fiz escrever e sobescrevi: // Pedro de Albuquerque Mello// Carta Patente pela qual Vossa Senhoria houve por bem prover a Antonio da Rocha Bezerra no  posto de Capitam do Regimento de Cavallaria da Ribeira do Assú de que é Coronel Antonio da Rocha Bezerra e pelos respeitos acima declarados// para vossa Senhoria ver//e não se continha mais em dita patente que eu Antonio de Albuquerque Mello aqui registrei bem e fielmente."
Em 1752, há a confirmação de posto de Tenente Coronel para Felix Barbosa Tinoco, por baixa de um Antonio da Rocha Bezerra, por se achar criminoso, do Regimento que era Coronel, Miguel Barbalho Bezerra. Não parece ser o mesmo que comandava o Regimento acima.
Vamos encontrar outro Antonio da Rocha Bezerra, aqui em Natal, que participou da Revolução de 1817 e foi preso. Não sabemos se era um dos acima. Como disse, anteriormente, somente um trabalho feito com muita paciência e rigor pode identificar os diversos personagens com nomes iguais da família dos Rocha Bezerra.

Os Teixeira de Carvalho

Os Teixeira de Carvalho
Muitos sobrenomes em dupla como os Pereira Pinto, os Rocha Bezerra, os Teixeira de Sousa e tantos outros atravessam séculos e estão presentes em vária regiões. Um desses sobrenomes é Teixeira de Carvalho que encontramos em nossos registros, já em 1825, na Freguesia de Santa Anna do Mattos, através do casamento de Manoel Florêncio Teixeira de Carvalho que transcrevemos a seguir:
"Aos sete dias do mês de janeiro de mil oitocentos e vinte e cinco nesta Matriz de Santa Anna do Mattos pelas dez horas da manhã, tendo precedido as Canônicas denunciações sem impedimento, confissão, e exame de doutrina Cristã, ajuntei em Matrimonio e dei as bênçãos Nupciais  aos meus Parochianos Manoel Florêncio Teixeira de Carvalho, e Josefa Martins de Oliveira; ele natural da Freguesia de Nossa Senhora da Guia, ela natural desta Freguesia, e na mesma moradores; ele filho legitimo de Manoel Teixeira de Carvalho, e Tereza Maria de Jesus, já falecida; ela filha natural de Francisco Antonio de Oliveira, e Tereza Maria de Jezus, já falecida; sendo testemunhas Luis da Rocha, casado, e José Thomaz, solteiro, desta Freguesia, do que para constar fiz este assento, que com as ditas testemunhas assino. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva, Luiz da Rocha e José Thomaz.
Outro registro que encontro é do ano de 1827, de Ritta, filha de Cosme Teixeira de Carvalho e Aldonsa da Fonseca Pita.
"Aos doze de Fevereiro de mil oitocentos e vinte e sete nesta Matriz de Santa Anna do Mattos pelas onze horas da manhã, sendo obtida a dispensa de segundo grau de sanguinidade, e tendo precedido as Canônicas denunciações sem impedimento, confissão, Comunhão, e exame de doutrina Cristã, ajuntei em matrimonio, e dei as bênçãos nupciais aos meus Paroquianos José Thomaz Pereira, e Rita Teixeira de Carvalho, naturais e moradores nesta Freguesia , ele filho legitimo do Alferes Antonio Thomaz Pereira, e sua mulher Joanna Quitéria, ela filha legitima de Cosme Teixeira de Carvalho, e Aldonsa da Fonseca Pita, já falecida, sendo testemunhas Antonio da Silva Carvalho, solteiro e João Tavares da Silva, Casado, ambos desta Freguesia, do que para constar  fiz este assento, que  com as ditas testemunhas assino. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. Antonio da Silva Carvalho."
A testemunha Antonio da Silva Carvalho, nessa data solteiro,  casou-se no dia 27 do mesmo mês com Maria da Silva Velosa. Eram os pais do Barão de Serra Branca, Felipe Néri de Carvalho e Silva. Observe a inversão no sobrenome.
Depois encontro o registro de casamento de outra filha de Cosme Teixeira de Carvalho. Em 1840, casou-se Maria Ignácia Rosalinda Brasileira, filha de Cosme e Maria Ignácia da Conceição, com Vicente Ferreira Xavier da Cruz, viúvo de Maria Francisca Duarte. A primeira esposa de Cosme Teixeira de Carvalho, Aldonsa, era falecida em 1827, como vimos no registro anterior. As testemunhas do casamento de Vicente e Maria Ignácia foram as mesmas do casamento de Manoel Florêncio: Luiz da Rocha Pita e José Thomaz Pereira.
Os filhos de Vicente e Maria Ignácia não mantiveram o sobrenome Teixeira de Carvalho em sua totalidade. Encontramos Cosme  Teixeira  Xavier de Carvalho, Francisca Paula Maria de Carvalho e Maria Ignácia Teixeira do Carmo. Maria Ignácia casou  com José Francisco Alves de Sousa e todos os seus filhos adotaram como sobrenome Alves de Sousa, como, por exemplo, o Capitão José da Penha Alves de Sousa e José Anselmo Alves de Sousa. Já Maria das Neves quando casou com o Jornalista Pedro Avelino, os filhos passaram a usar com mais freqüência o sobrenome Avelino.
Francisca de Paula casou-se com Francisco Martins Ferreira e a única filha, Maria Josefina Martins Ferreira, não adotou o sobrenome Teixeira de Carvalho. Ela casou com Miguel Francisco da Trindade e não foi preservado nem o Martins Ferreira.
Já Cosme Teixeira Xavier de Carvalho casou com Francisca Bella Carneiro de Mello, esta filha de João Gomes Carneiro de Mello. Dos filhos dele, parece que o único que preservou o sobrenome Teixeira de Carvalho foi Gonçalo. Maria Ignácia Xavier de Carvalho casou com José Tito Teixeira de Sousa e ai prevaleceu os Teixeira de Sousa. Cosme Teixeira Xavier de Carvalho Filho casou com Joanna Gomes da Costa Torres; Vicente Ferreira Xavier da Cruz casou com Maria Segunda Pereira Pinto e  Anna  Teixeira Xavier de Carvalho casou com Francisco de Sousa Monteiro.
A partir do livro "Servatis Ex More Servandis", nosso colega da UFRN, Xavier ( Padre Xavier) começou a descobrir alguns descendentes, até os dias atuais, de Cosme Teixeira de Carvalho. Com a proliferação de nomes que se repetiam havia muita confusão. João Batista de Mello Pinto repetia que nossa avó falava em Cosme Velho e Cosme. O nome Maria Ignácia vem se repetindo desde a mãe de Maria Ignácia Rosalinda Brasileira. Vejamos alguns descendentes.
Antonio Xavier (Padre Xavier) é Teixeira de Carvalho, através de Maria Francisca, filha de Maria Ignácia Xavier de Carvalho e José Tito Teixeira de Sousa. Valdomiro e Tarcisio de Carvalho Dantas descendem através de Maria Joaquina de Carvalho Dantas, esposa de Afonso Avelino Dantas. Antes sabia do parentesco com Valdomiro e Tarcisio, apenas por serem descendentes de Emygdia Avelino. Maria Joaquina era filha de Cosme Teixeira Xavier de Carvalho Filho e Joanna Gomes da Costa Torres, esta filha de meu trisavô Francisco Xavier Torres Junior. Outro que sabia do parentesco apenas pelo Avelino e que agora é parente através dos Teixeira de Carvalho é o Monsenhor LuciloIgnácia e José Tito.

Eles também tinham escravos

Eles também tinham escravos
Nas margens dos registros vão aparecendo ao lado dos nomes, como complementos, as palavras brancos, pardos, cabras, índios ou escravos. Vamos passeando pelos registros em busca de parentes. Não podemos dispensar nem as testemunhas nem os padrinhos. Precisamos saber com quem conviviam e como viviam nossos ancestrais. Por isso, os registros dos escravos não podiam ser desprezados. Nos registros de casamento desses escravos, na maioria das vezes, só constava o primeiro nome dos nubentes. As testemunhas, na maioria dos casos, eram da família a quem pertenciam os escravos. Da mesma forma nos batizados, os padrinhos eram da família dos "Senhores".
Na escritura de terras compradas por Domingos Afonso Ferreira e o Tenente Coronel Bento José da Costa a D. Francisca Rosa da Fonseca, que iam de Guamaré às proximidades do Rio Mossoró, entre os pertences, que faziam parte da venda,  estavam os escravos como veremos  a seguir: "... com todos os seus pertences de matas, pastos, logradouros, fontes, vertentes, águas, pesqueiros e salinas, casas de vivenda, todos os gados vacum, cavalar, de ferros e sinais, cabras e ovelhas, e com todos os seus acessórios de ferramentas, selas, tachos, oratório com suas imagens e demais móveis pertencentes às referidas fazenda, com dezessete escravos, de nomes João Francisco, Antonio Viégas, Custódia, mulher, Antônio José, Antônio, cabra, Pedro, Bento, Manuel Benedito, André, Manuel Raposo, Joaquim, Francisco, Manuel, Antonio, cabra, Francisco, Caetano, Belchior, e todos os bois manso que se acharem, onze carros, quatro canoas grandes e duas pequenas, uma casa de telha no lugar Oficinas e todo o sal que houver por compra a José Lopes Reis".
Em um  registro de batismo, encontramos um relato singular: "Joaquim filho natural de Antonio Álvares da Costa, e de Maria, Escrava de Joaquim Álvares da Costa, de idade de dois meses, batizada na Capela de Guamaré aos vinte e sete de Setembro de mil oitocentos e trinta e cinco pelo Reverendo David Martins Gomes Delgado Freires de minha licença; cuja criança foi batizada com os Santos Óleos,e forra por preço e quantia de cem mil réis, os quais o dito Senhor recebeu antes de se  batizar, e o mesmo mandou que fizesse esta declaração para o todo tempo constar, e para firmeza do referido assinou comigo. Foi Padrinho André de Sousa Miranda, casado: do que mandei fazer este assento, e por verdade assinei. O Vigário João Theotonio de Souza e Silva."
No movimento através dos livros sentimos um mal estar, que perdurou por muito tempo,  quando encontramos alguns ancestrais que tinham escravos. Tudo ia acontecendo com naturalidade por conta da realidade do passado, mais não se deu do mesmo jeito quando o escravo era de um parente. Entre os registros encontramos o seguinte de escravos de uma pentavó: "Vicente filho legitimo de João e Maria escravos de Claudiana Francisca Bizerra nasceu a 2 de janeiro de 1844 e foi baptizado solenemente pelo Reverendo Paroco Manoel Januário Bezerra Cavalcanti a 9 de Abril do mesmo ano na fazenda Carapebas. Sendo P.P José Felix Alves Cantalicia e Anna Francisca Xavier, e para constar fiz este assento p mim assinado. Pe Felis Alves de Sousa, vigário Interino de Angicos." Na margem a observação Vicente, preto.
Depois vou encontrando outros registros onde outros ancestrais são donos de escravos: em 1827, na Fazenda Santa Cruz, meu trisavô João Miguel da Trindade e João de Barros são testemunhas do casamento de dois escravos, João e Maximiana, de Claudiana Francisca Bezerra; em 1845, Miguel e Bonifácia, escravos de meu tetravô Vicente Ferreira da Costa e Mello do O' são padrinhos de batismo de  Vicência; em 1837, na Povoação de Macao,  há o batismo de João, pardo, filho natural de Ângela, escrava de meu trisavô José Martins Ferreira;
Para finalizar o registro de um óbito, onde aparece como proprietário de uma escrava, meu trisavô Vicente Ferreira Xavier da Cruz: "Aos dez de Outubro de 1877 foi sepultado no Cemitério Público o cadáver de Ritta Maria da Conceição residente no Sítio São Romão d'esta Freguesia, Solteira, liberta, filha natural de Maria, escrava de Vicente Ferreira Xavier da Cruz, e falecida de epilepsia sem sacramentos aos nove do dito mês e ano com trinta e oito anos de idade; foi amortalhada, e por mim encomendada; do que faço este termo em que assino. O vigário Felis Alves de Sousa."
No livro de Henry Koster, "como melhorar a escravidão", editado pela  UFRN, há o seguinte comentário: "Os escravos brasileiros que se mantém a si próprios têm um dia na semana para esse propósito: mas se espera que eles não precisem de nenhuma ajuda do senhor. A vantagem, entretanto, está do lado do brasileiro, quando comparado com o negro da Jamaica, pois o primeiro tem aves e porcos e pode obter peixe dos riachos sem qualquer dificuldade, e além dessa vantagem possui outra infinitamente maior: tem no decorrer do ano cerca de 30 dias livres, afora os domingos."

Os filhos naturais

Os filhos naturais

Dom Frei João da Purificação Marques Perdigão, numas de suas visitas ao Rio Grande do Norte ( O Rio Grande do Norte sob  o olhar dos Bispos de Olinda, de Francisco Fernandes Marinho, nosso colega de UFRN), faz o seguinte relato referente ao dia 18 de outubro  de 1839, quando de sua passagem por Açu. "Nesta freguesia, como em outras, tem recorrido a mim muitos pais de família para que eu obrigue a casar com suas filhas os moços, que delas tem abusado com promessa de casamento, fazendo-lhes ver por  essa ocasião  quais deviam ter sido os seus deveres, e como se deviam conduzir segundo as leis existentes."
Os livros de registros de batismo, do século XIX, na região que pesquisei, vão revelando, de momento a momento, um número razoável de filhos naturais. Em sua grande maioria, constava tão somente o nome da mãe, raramente o nome do pai, e mais raramente ainda o reconhecimento de paternidade por parte do pai. Um desses casos raro de reconhecimento é o que fez meu trisavô, José Martins Ferreira, de quatro filhos naturais com Delfina Maria dos Prazeres, nascidos entre 1830 e 1834. Manoel, José , Josefa e Joaquim foram reconhecidos como filhos perante o Vigário de Santana do Mattos João Theotonio de Sousa e Silva.
A pesquisa nesse aspecto fica difícil, a não ser a partir de documentos, ou por um relato perdido de alguém que teve acesso às informações. Muitas vezes ao longo dos anos esses acontecimentos vão sendo ocultados dos familiares. Outro aspecto interessante é que os descendentes parecem querer se afastar da região onde ocorreram tais fatos. Em alguns casos não se consegue muitas informações a partir dos familiares.
No caso de José Martins Ferreira, embora já tenha algumas pistas, não consegui encontrar ainda  o destino dos quatro filhos naturais. Alguns registros de casamento sem o nome dos pais são dificultadores de nossa pesquisa. José Martins teve no seu casamento com Josefina Maria Ferreira, um filho com o nome de José. Sem o nome dos pais no registro de casamento fica difícil saber se era o natural ou o legitimo. No casamento de Francisco Martins Ferreira, um filho legitimo de José Martins, uma das testemunhas era Joaquim José. Poderia ser o Joaquim filho natural.
Quando estava tentando descobrir o parentesco de Pedro Avelino com Francisco Avelino, meu bisavô tive dificuldades por conta de uma série de empecilhos. Em alguns documentos aparece o nome do pai de Pedro Avelino, Vicente Maria da Costa Avelino. Encontrei por fim o registro de batismo de Pedro e lá constava Vicente Ferreira da Costa Avelino. Daí achei o casamento de Vicente. Nele constava que ele era filho natural de Alexandre Avelino da Costa Ferreira e Maria Rodrigues da Costa. Precisei pesquisar muito mais para ter certeza que esse Alexandre era o meu trisavô, e esse Vicente era mesmo o pai de Pedro Avelino e que, portanto Vicente Avelino era irmão de meu bisavô. A conversa com José Nazareno Avelino foi fundamental. Fechou o firo como se diz por aqui.
Agora, estou com outra pesquisa  a mais para fazer. Há notícias que Domingos José Martins, o revolucionário de 1817, que casou com Maria Teodora, tenha deixado descendentes de um relacionamento anterior. Fala-se que Domingos José Martins, um riquíssimo traficante de escravos que vivia na África, era filho natural dele.  Através da internet, recebo um apelo: "Gostaria de saber se Domingos José Martins deixou descendentes. Minha avó dizia ser bisneta dele - provavelmente uma linha bastarda - e eu gostaria de obter informações a respeito. Obrigado, Heloisa."
Informei a ela da existência desse descendente acima. Com essas informações ela fez as seguintes considerações, que vale a pena colocar aqui: "Finalmente começou a ter sentido o que a minha avó contava  sobre a sua família materna. Domingos José Martins tinha 3 filhas que frequentavam a sociedade baiana,  apesar de serem de um ramo ilegítimo, por terem um  pai rico. Este Domingos  José  Martins  deveria  ser o filho e não o líder da Revolução Pernambucana. Sempre estranhei, pois um revolucionário que morreu jovem  não teria tempo para essa  atividade. Assim fiquei  muito feliz quando constatei o elo que estava faltando. Mesmo tendo uma profissão nada nobre ele passa a ser importante para mim  por ter de alguma  maneira contribuído para a minha vinda a vida. Minha bisavó, Maria Angélica,  conviveu pouco com sua mãe que morreu jovem. Não acho que tenha recebido  herança. Casou cedo com Manoel Duarte D'Oliveira, senhor de engenhos (Cravaçu e Quindu) e que foi prefeito de Salvador no governo de J.J.Seabra.  Minha avó  veio para o Rio  no final dos anos 30 com as duas  filhas ainda meninas. Minha mãe e tia, ainda lúcidas, creio que não  gostariam de se aprofundar neste ramo bastardo e não pertencente a Casa Grande. Mas sou fascinada por genealogia mesmo acabando na Europa, África ou na selva. E você? Qual o interesse de sua pesquisa? Por que Domingos José Martins? Obrigado pelos esclarecimentos, pelos e-mails, pela atenção, e sobretudo pela descoberta do Domingos José Martins filho."
A volta ao passado traz muitas surpresas. Meu pai contava que Bento José da Costa, tia da sua bisavó, por exemplo, tomou terras de dois bisavós dele. Além disso, dizem que Bento era um grande traficante de escravos.

Os Martins dos Santos de Angicos

Os Martins dos Santos de Angicos
O desenho da árvore genealógica enviada de Carapebas para Epitácio Pessoa, da Loja de Jacob Avelino Bezerra, traz em um dos seus ramos, o nome do português  Antonio Martins dos Santos e como esposa desse, Marianna Martins filha de Antonio Lopes Viégas e Anna Barbosa da Conceição. Com relação a esposa de Antonio Martins dos Santos o que encontramos, nos registros, era que se chamava Felippa Maria Duarte.
Pela árvore, aparecem duas filhas de Antonio e Felippa: Anna Martins e Joaquina Maria do Rosário que casaram respectivamente com os irmãos João Manoel da Costa e Mello e  Vicente Ferreira da Costa e Mello do O´, filhos de João Manoel da Costa e Angélica Maria da Conceição.  Os  casamentos dessas duas filhas  devem ser anteriores ao ano de  1823, pois, não foram encontrados seus registros. Sabina Martins dos Santos e Alexandre Avelino da Costa Martins, filhos uma de Sabina e outro de Vicente eram, portanto, primos carnais. Sabina casou com Agostinho Barbosa da Silva, filho de Balthazar da Rocha Bezerra e Josefa Maria da Silva. Daí nasceram mais de dez filhos, embora Sabina tenha morrido com 37 anos. Alexandre Avelino da Costa Martins casou com Anna Francisca Bezerra e daí nasceram todos os Avelino da região de Angicos e Afonso Bezerra. Outros dois filhos respectivos de Sabina e Vicente, primos carnais, eram João Martins Pedroso ( ou Pedrosa) da Costa e  Vicência Ferreira da Costa. O primeiro casou também com uma filha de Balthazar da Rocha Bezerra, Isabel Francisca Bezerra,  a segunda casou com o tenente-coronel Antonio Francisco Bezerra da Costa, filho de Antonio Barbosa da Costa e Claudiana Francisca Bezerra. Os Martins Pedroza da região descendem de João Martins. Antonio Francisco casou com Vicência depois de ficar viúvo de Agostinha Monteiro de Sousa, irmã de Vicente Ferreira da Costa e Mello do O' e tia de Vicência. Antonio Francisca e Agostinha Monteiro eram os pais de Anna Francisca esposa de Alexandre Avelino. O sogro, portanto, casou com a irmã do genro e ao mesmo tempo sobrinha da ex-mulher. 
Já nos  registros da Igreja encontramos outros filhos de Antonio Martins dos Santos e  Felippa Maria Duarte. Inicialmente, Antonio Martins dos Santos cujo casamento transcrevemos: Aos vinte e seis dias dos mês de outubro de mil, oitocentos e vinte e nove, nesta Matriz de Santa Anna dos Mattos, depois de obtida a dispensa de impedimentos de segundo grau de sangüinidade, e tendo precedido as canônicas denunciações sem impedimento, confissão, e exame de doutrina cristã ajuntei pelas sete horas da manhã, em matrimônio, e dei as bênçãos nupciais aos meus paroquianos Antonio Martins dos Santos, e Bernarda Álvares da Conceição, naturais e moradores nesta Freguesia; ele filho legitimo de Antonio Martins dos Santos, e Felippa Maria Duarte, já falecida, ela filha legitima de Bernardo Álvares da Conceição, já falecido, e Maria Francisca, sendo testemunhas Alexandre Lopes Viégas e Azevedo, e Antonio Bernardo Álvares, casados, do que para constar fiz este assento, que com as ditas testemunhas assino. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. Alexandre Lopes Viégas e Azevedo. Antonio Bernardo Álvares.
Felippa Maria Duarte e Maria Francisca Duarte, acima,  eram irmãs e, portanto os nubentes eram primos.
Outra filha  era Francisca Maria Duarte cujo registro transcrevemos: Aos vinte e três dias do mês de outubro de mil oitocentos e vinte e quatro pelas cinco horas da tarde na Capela de São José de Angicos, filial desta freguesia de Santa Anna do Mattos, tendo sido alcançada as dispensas de segundo e terceiro graus duplicados de consanguinidade, e tendo precedido as canônicas denunciações sem impedimento, confissão e exame de Doutrina Cristã, o Reverendo Padre Cosme Damião Fernandes, de minha licença, ajuntou em matrimônio e deu as bênçãos nupciais a meus paroquianos José Honório de  Azevedo, e Francisca Maria Duarte, naturais e moradores nesta Freguesia: ele, filho legítimo de Francisco Lopes Viegas, e Anna Joaquina da Conceição, ela, filha legítima de Antonio Martins dos Santos, e Felippa Maria Duarte, sendo testemunhas Antonio Teixeira de Sousa, casado, e Antonio Martins dos Santos Junior, solteiro, moradores nesta mesma Freguesia, do que para constar fiz este assento por outro, que me remeteu o dito Padre, e que assino. O Vigário João Theotônio de Sousa e Silva.

Nos registros acima, Felippa era falecida em 1829, mas não em 1824, portanto, faleceu entre esses anos.
 
Francisco Lopes e Felippa eram irmãos e, portanto, os nubentes eram primos e deveria haver outro parentesco por conta do grau de consanguinidade.
 
Na data supra, Constância Maria da Conceição, outra filha de Antonio Martins dos Santos e Felippa Maria Duarte, casou com Alexandre Lopes Viegas, filho de Antonio Lopes Viegas Junior e Francisca Pereira da Conceição. Conforme consta no registro  houve " dispensa do segundo e terceiro graus duplicados de consanguinidade. Na verdade, Felippa e Antonio Lopes Viegas Junior eram irmãos e, portanto esses  nubentes eram primos também.

Os Teixeira de Sousa de Angicos

Os Teixeira de Sousa de Angicos
No artigo anterior falamos sobre os Pereira Pinto a partir de um questionamento de Alfredo Ferreira Cabral de Melo. É a partir do mesmo questionamento que vamos falar dos Teixeira de Sousa, pois o avô de Ediusa, avó dele, era José Paulino de Sousa. Encontramos seu casamento no ano de 1877:

"Aos quinze Maio de 1877 pelas seis horas da tarde no sítio Poço Salgado desta Freguesia, precedendo dispensa de sangüinidade, as Canônicas Denunciações sem impedimentos, confissão, e exame de Doutrina Christã, em minha presença e das testemunhas, João Felippe Teixeira de Sousa, e Francisco Germano da Costa Ferreira, se uniram em matrimônio, e ti verão as bênçãos nupciais os nubentes José Paulino Teixeira de Sousa, e Anna Irinea da Costa Pinheiro, naturais e moradores n'esta mesma Freguesia, e filhos legítimos, ele de José Vitaliano Teixeira de Sousa e Urbana Maria Teixeira de Sousa, e viúvo por falecimento de sua mulher Adelaide Amélia Xavier de Menezes, e ela, de José Ireneo da Costa Pinheiro, e Josefa Cândida de Azevedo Santos, finada: do que faço este termo, em que assino. O Vigário Felis Alves de Sousa."

Antes de Anna Irinea, José Paulino casou com Adelaide que era filha do Major Francisco Xavier de Menezes que dirigiu a Câmara de 1853 a 1855 e foi secretário da mesma por vários anos. Adelaide era irmã do Professor Juvêncio Tassino Xavier de Menezes, ascendente dos Doutores Márcio e Marcos Tassino. Francisco Germano, que aparece como testemunha, era filho de Florêncio Otaviano da Costa Ferreira que foi Presidente da Câmara por 12 anos. O Professor José Irineo, foi vereador, por diversos mandatos, da Câmara. Sua filha Maria Irinéia casou com Emygdio Avelino, avô de Gilberto Avelino.

José Vitaliano Teixeira de Sousa casou, em 7/1/1847, com Urbana Joaquina Teixeira. Nesse registro não constava os nomes dos pais. Outra filha de José Vitaliano, Anna Leopoldina Teixeira de Sousa casou, em 23/5/1876, com José Irineu da Costa Pinheiro Filho, de José Irineu da Costa Pinheiro e de Josefa Cândida de Azevedo. Quanto a João Felippe Teixeira de Sousa era mestre-escola, rábula e foi secretário da Câmara por diversas vezes. Registremos seu primeiro casamento:

"Aos vinte cinco dias do mês de Novembro de mil oito centos e cinquenta e seis, as quatro horas da tarde, n'esta Matriz de São José d'Angicos, tendo precedido Dispensa de sangüinidade, as Canônicas Denunciações, sem impedimento, Confissão, Comunhão, e Exame de Doutrina Cristã, em minha presença e das testemunhas = José Vitaliano Teixeira de Sousa e Antonio Martins dos Santos Junior, casados, e moradores n'esta Freguesia, se unirão em matrimonio, por palavras de presente, e tiveram as Benções Nupciais meus Fregueses = João Felippe Teixeira de Sousa, e Josefa Carolinda Maria Rosalinda, naturais, e moradores nesta Freguesia, filhos legítimos: ele, de José Teixeira de Sousa, e Maria Manoella da Conceição; e ela, de Alexandre Francisco Pereira Pinto, e Damásia Francisca dos Santos Leal, falecida: do que para constar, faço este termo , em que assino com as referidas testemunhas. O vigário Felis Alves de Sousa; Antonio Martins dos Santos Junior; José Vitaliano Teixeira de Sousa."

Depois, João Felippe enviuvou e casou, em 29/9/1861, em Oratório Particular, com Quitéria Olímpia de Deus Gonçalves, filha de João de Deus Gonçalves e Francisca das Chagas de Deus Gonçalves. Foram testemunhas Francisco Justiniano Teixeira de Sousa e Antonio Martins dos Santos Junior. Nasceu desse casal, João de Deus Gonçalves (Janjão), que casou com Maria Jovelina Bezerra Torres, irmã de meu avô, Cícero Torres Avelino. É desse Teixeira de Sousa que descende através de Janjão, o senador Carlos Alberto de Sousa.

O mais velho desses Teixeira de Sousa que encontrei e do qual descendem muitos Teixeira de Sousa é Francisco Antonio Teixeira de Sousa que casou com Marianna Lopes, filha do tenente Antonio Lopes Viégas, fundador de Angicos. Depois Francisco Antonio casou com Joaquina Lúcia da Conceição. Francisco Antonio Teixeira de Sousa faleceu em 1888, de velhice, com 102 anos de idade e já viúvo. Os  filhos de Francisco Antonio com Joaquina Lúcia são: Josefa Maria Bella Teixeira que casou com Luis Maria Bernardo Alves Suassuna, filho de Antonio Bernardo Alves e Joaquina Maria da Conceição; Antonio Maria Teixeira de Sousa que casou com Maria Rosa de Jesus; Francisco Inácio Teixeira de Sousa que casou com Ana Rosa de Jesus,  irmã de Maria Rosa de Jesus; Anna Alexandrina Teixeira de Sousa que casou com Manoel Antonio Pereira Pinto, de Antonio Pereira Pinto e Antonia Martins dos Santos; Generosa Bela Teixeira de Sousa que casou com Manoel Antonio Pereira Pinto (viúvo de Anna Alexandrina); Florinda Maria Emília Teixeira que casou com Luiz Martins Honório de Azevedo, de José Antonio de Azevedo e  Francisca Maria Duarte; Maria Joaquina Teixeira de Sousa que casou com Francisco Bernardo Alves, de Antonio Bernardo Alves e Joaquina Maria da Conceição.

 Os filhos de Francisco Antonio com Marianna Lopes, sua primeira esposa, são Manoel Barbalho Teixeira de Sousa que casou com Francisca Olímpia da Anunciação, de Francisco Lopes Viégas e Maria Josefa Oliveira; José Ames Teixeira de Sousa que casou com Maria Cardolina do Amor Divino de Antonio Lopes Viégas e Anna Manoela.
Registramos ainda José Tito Teixeira de Sousa que casou com Maria Ignácia Xavier de Carvalho, filha de Cosme Xavier Teixeira de Carvalho e Francisca Bella Carneiro de Mello. Embora no registro não apareçam os pais, suspeito que José Tito era filho de João Felippe

Os Pereira Pinto de Angicos

Os Pereira Pinto de Angicos
Alfredo Ferreira Cabral de Melo (sobrinho de João Cabral de Melo Neto), morador em Recife, e pertencente a um grupo de genealogia da Internet, lança a pergunta: Alguém teria alguma informação sobre os Pereira Pinto de Angicos ou que pesquise algo sobre eles? Perguntei a ele o queria saber. Aí ele respondeu dizendo  que era neto de Ediusa Pereira Pinto, irmã de José Paulino Pereira Pinto, que foi comandante da Polícia do Rio Grande do Norte, e que os pais dela eram Agostinho Barbosa Pereira Pinto e Otilia de Sousa. Dizia mais que Ediusa era neta paterna de Joaquim Pereira Pinto e Maria Martins dos Santos e materna de José Paulino de Sousa e Anna Cândido Pinheiro. Esses nomes me chamaram a atenção e desconfiei de saída que ia encontrar alguma coisa e, portanto, parti para a  pesquisa nos meus registros. Encontrei, então, uma imagem que fotografei do registro de casamento de Agostinho Barbosa Pereira Pinto com Othília Olívia Pinheiro de Sousa, em 1898, que enviei para ele:
"Aos vinte de Fevereiro de mil oitocentos noventa e oito, na Matriz, servatis servandis, assisti com as testemunhas José Horácio Pereira Pinto e José Alexandre Pereira Pinto, ao recebimento matrimonial de Agostinho Barbosa Pereira Pinto e Othília Olívia Paulino de Sousa, ambos naturais e moradores desta Freguesia. Do que para constar lavro este termo que assino. O Vigário Antonio Rodrigues do Rego, Encarregado da Freguesia."
No registro acima não aparecem os nomes dos pais dos nubentes. Fui atrás de Joaquim Pereira Pinto e Maria Martins dos Santos, pais dos nubentes acima e avós de Ediusa  e encontrei mais esse registro:
"Aos vinte e nove de Outubro de mil oitocentos e setenta e dois no Sítio Joaseiro, d'esta Freguesia, precedendo dispensa de sangüinidade, as  canônicas denunciações, sem impedimento, confissão, e exame de doutrina cristã, e minha licença, em presença das testemunhas Manoel Fernandes da Rocha Beserra, e João Capistrano Pereira Pinto, uniu e abençoou, o Reverendo  Manoel Jerônimo Cabral, os nubentes Joaquim Francisco Pereira Pinto, e Maria Martins Beserra, naturaes e moradores n'esta Freguesia, filhos legítimos, ele de Alexandre Francisco Pereira Pinto e Damasia Francisca dos Santos Leal, finada, e ela de Agostinho Barbosa da Silva, e Sabina Martins dos Santos, também falecida. Do que fiz assento, e pelo qual faço este termo, em que assigno. O Vigário Felis Alves de Sousa."
Manoel Fernandes era irmão de Maria Martins e João Capistrano, irmão de Joaquim Francisco. O famoso Capitão Antas (Alexandre Francisco Pereira Pinto Junior), também  era irmão de Joaquim Francisco. Outro irmão de Joaquim Francisco era Francisco Alexandre Pereira Pinto. No registro acima vale salientar que Agostinho Barbosa da Silva era filho de Balthasar da Rocha Bezerra, e Sabina Martins dos Santos era neta de Antonio Martins dos Santos e também de João Manoel da Costa. Um outro detalhe é que o sobrenome da esposa de Joaquim Francisco aparece nos mais variados registros de outra forma. Tanto aparece Martins dos Santos, Martins Bezerra, como Martins de Assis Bezerra. Nos meus registros, Joaquim Francisco quando enviuvou voltou a casar, desta vez com Maria Florência da Costa Ferreira, em 1886 e depois com Luiza Teixeira de Sousa, filha de Joaquim Teixeira de Sousa Pinheiro e Josefa Belarmina Lopes Viégas.
Continuando nosso estudo sobre os Pereira Pinto, temos que Alexandre Francisco Pereira Pinto, pais de Joaquim Francisco, era neto de Antonio Lopes Viégas, segundo o livro "Personalidades Históricas do Rio Grande do Norte". Como na relação dos genros do fundador de Angicos, o único Pereira Pinto que aparece é João Pereira Pinto, é de se supor que Alexandre era filho deste último. João Pereira Pinto era casado com Michaela Archangela Lopes. Além de Alexandre Francisco, encontramos outros filhos de João Pereira Pinto: João Pereira Pinto Junior que casou, em 1824, com Francisca Xavier da Cruz; João Ignácio Pereira Pinto que casou com Anna Xavier da Cruz, em 1833; Damásia Francisca Pereira que casou com o primo Antonio Lopes Viégas e Azevedo; e Josefa Maria da Conceição que casou com Antonio Severino dos Santos Leal em 1834.
Um filho do Capitão Antas com Francisca Guilhermina Xavier de Sousa, Horácio Elpídio Pereira Pinto, casou em primeiras núpcias com uma prima co-irmã Maria Rosa Teixeira de Sousa, neta  de Luis Teixeira de Sousa e Joana Maria da Conceição.
Uma filha de Joaquim Francisco e Maria Martins, Maria Segundo Pereira Pinto, casou-se com Vicente Ferreira Xavier da Cruz, filho de Cosme Teixeira Xavier de Carvalho e neto de meu tetravô de mesmo nome.
Entre outros Pereira Pinto mais antigos citamos, ainda: Gonçalo Pereira Pinto casado com Maria Angélica da Conceição, e  Antonio Pereira Pinto casado com Antonia Martins dos Santos.

Domingos José Martins

Domingos José Martins

Uma coisa leva a outra. A idéia  da árvore genealógica me levou a Miguel Trindade que me levou a Bento José da Costa. Daí fui até  a Revolução de 1817 e ao seu personagem maior Domingos José Martins, fuzilado, no dia 12 de junho de 1817, junto com José Luis de Mendonça e nosso Padre Miguelinho.
Aumentou meu interesse por tudo que dizia respeito à Revolução de 1817, e comecei  com  o livro de Paulo Santos intitulado  "A Noiva da Revolução". Em seguida, pesquisei o nome de Domingos José Martins na internet. Descobri uma cidade no Espírito Santo, Domingos Martins, em homenagem ao herói capixaba. Embora Domingos José Martins tenha nascido em Itapemirim, no Espírito Santo, a cidade que leva seu nome é outra a 46 quilômetros de Vitória.
No dia 12 de março parti para Vitória para participar do 46º Fórum de Secretarias de Administração de Capitais, na cidade de Vitória. Devido a proximidade, aproveitei  o intervalo de tempo que existia até a abertura do evento para ir em busca de mais informações sobre um dos mártires da Revolução de 1817. A curta viagem foi proveitosa. Visitei a Biblioteca que leva o seu nome, onde existe um exemplar do livro escrito por Norbertino Bahiense, cujo título é "Domingos Martins e a Revolução Pernambucana de 1817". Aí uma mão lava outra. Deixei um exemplar do meu livro Servatis Ex More Servandis para Biblioteca e foi autorizada uma cópia do livro de Norbertino para mim, que chegou até ao hotel que estava hospedado, no dia 14 de março, que por coincidência é a data do casamento de Maria Teodora da Costa com Domingos José Martins.
Procurei a praça onde havia uma estátua de Domingos, mas  infelizmente estava em obras e por isso tinham tirado, temporariamente,  o busto do herói. Daí fui até a Casa de Cultura em busca de mais  informações. Lá, tomei conhecimento de outro livro  cujo título era Domingos Martins, da Coleção "Grandes Nomes do Espírito Santo", escrito por Renata Santos. Mais tarde comentando com um dos participantes do Fórum, ele me informou que tinha recebido esse livro e no dia seguinte me presenteou.
Alguém no Fórum também comentou que o Palácio da Assembléia Legislativa do Espírito Santo levava o nome de Domingos Martins, e por isso, no intervalo do almoço, fui até lá, onde encontrei uma estatua de corpo inteiro dele. Aproveitei o momento e fotografei.
Renata Santos, em seu livro, comenta: "Já para outros historiadores, e confesso que para mim também, a Revolução Pernambucana liderada pelo intrépido Domingos Martins ganha em importância, abrangência e conteúdo se comparada a movimentos como a Inconfidência Mineira de 1789, e a Conspiração Republicana na Bahia, em 1792. Longe de tirar os méritos de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que tem em sua homenagem o dia 21 de abril declarado feriado nacional, o fato é que o movimento revolucionário mineiro ficou apenas em teoria, não chegando a se realizar. Ao contrário da Revolução Pernambucana, que viveu vitoriosos 75 dias de República." Mais adiante, "protesta pelo esquecimento de Domingos José Martins que  independente  de qualquer construção simbólica, é verdadeiramente o maior vulto da luta republicana."
Há no livro de Norbertino Bahiense uma carta de Domingos Martins para o nosso André de Albuquerque Maranhão, datada de 19 de Abril de 1817, que diz em um dos seus trechos: "... tenho agora de acusar o recebimento de vossa prezada de 10 do corrente e agradecer-vos a parte  que tomais em felicitar o meu consorcio, devendo ficares certo que só o amor procriado e oculto a 5 anos hé que me fez garantir os justos deveres que, igualmente, me apertavam a gratidão; minha consorte fiel patriota  como eu, vos envia seus cumprimentos; ela vos conhece  como herói que faz apreciável o clima  em que nascemos, e quando tiver a fortuna de vos avistar, recebereis de sua própria boca os mais elogios  de que sois credor." Dizem que Bento José da Costa era contra o casamento e só deu o consentimento depois que Domingos tomou o poder.
Norberto, após citar o soneto escrito por Domingos para Teodora, conta ainda em seu livro: "Não foi em vão a sublimidade das derradeiras manifestações de Domingos Martins.  Elas atingiram, em parte, o seu destino, com tal intensidade que, no instante exato em que caminhava para o Campo de Pólvora para ser espingardeado, sem que a sua amada disto soubesse, a 120 léguas de distancia, na Ponte d'Uchoa, de repente teve uma convulsa e violenta crise de choro. Perguntaram-lhe o motivo e Maria Teodora, entre soluços, respondeu: Vejo meu marido, com a vestimenta dos condenados, caminha para o patíbulo."
Maria Teodora casou-se três anos depois que enviuvou com o Capitão Antonio José Pires e, em 1842, foi madrinha de João, irmão do meu bisavô Francisco Martins Ferreira, por procuração que deu a João Martins Ferreira, avô do batizado.

Servatis ex more Servandis: o Livro

Servatis Ex More Servandis: o Livro

A frase em latim acima faz parte do registro de casamento de João Felippe da Trindade e Francisca Ritta Xavier da Costa, ocorrido em 1851. Embora, neste país, não seja de costume conservar o que tem que ser conservado, é isso que faço quando resolvi construir a àrvore genealógica da minha família. Escolhi, por esse motivo, essa frase latina para ser o título do meu livro de genealogia.
As memórias do passado vão se extinguindo. Os documentos da Igreja, das Câmaras e dos cartórios estão se destruindo ou foram parar no lixo. Dessa forma, uma parte da história deste país vai ficar oculta para sempre se não agirmos com rapidez.
Após meses e meses de pesquisas em documentos envelhecidos pelo tempo, alguns datados de 1823, consegui um bom banco de dados sobre minha família e outras famílias relacionadas com ela. Fiz artigos a partir dessas informações, construí um blog sobre genealogia, e finalmente, está pronto o livro que registra parte desse trabalho de pesquisa. Resolvi não esperar dez anos para divulgar meus achados. Prefiro ir comunicando por partes, a fim de que outras pessoas possam ter acesso a essas informações da nossa historia, e a partir daí construir elos que reconstituam parte da história das famílias do Rio Grande do Norte.
O trabalho foi estafante, exigiu muita paciência, mas foi também emocionante e cheio de surpresas. Uma caligrafia rebuscada, muitas abreviaturas, medo de fungos, registros incompletos ou já apagados, páginas ausentes ou faltando pedaços dificultavam o trabalho. As lembranças dos mais velhos estavam limitadas a períodos mais recentes. Fiz viagens ao interior, visitei Igrejas e cemitérios em busca de informações. Os limites dos meus conhecimentos se ampliaram, lendas foram desfeitas, e elos perdidos foram recompostos. A origem da minha família não era só Angicos. Ela se ampliava para Carapebas, Porto de Touros, Ilha de Manoel Gonçalves, Macau e outras cidades mais. Sítios, fazendas e até ilhas se situavam no inicio da história de minha família. Sítio Santa Luzia, Sítio São Romão, Fazenda Carapebas e Ilha de Manoel Gonçalves entre outras eram localidades onde estavam presentes alguns de meus familiares.
Não era só Trindade ou Avelino. Havia Martins, Martins Ferreira, Costa, Costa Bezerra, Torres, Xavier, Cruz, Lopes Viégas, Barbosa, Teixeira de Carvalho, Mello, Garcia, Costa Machado, Martins dos Santos e outros ainda ocultos. Aparecem no meio da viagem ao passado outras famílias que se entrelaçam com a nossa:  Os Pereira Pinto, os Teixeira de Sousa, os Rochas Bezerra, os Alves, os Fernandes, os Costa Ferreira, os Antas, os Batista de Oliveira, os Pereira de Brito, os Alves de Sousa e outras mais.
Os óbitos, batismos e casamentos iam revelando os hábitos, os costumes, as doenças e as relações entre as pessoas daquele período estudado que foi de 1823 a 1898.
Em um livro o batismo do Capitão José da Penha, em outro o do Jornalista Pedro Avelino. Vão surgindo ano a ano, os muitos irmãos de Pedro Avelino e do Capitão José da Penha. Tios, pais, avós e bisavós do escritor Afonso Bezerra surgem em uma árvore desenhada por Jacob Avelino e se confirmam nos registros da Igreja. O Senador Georgino Avelino é filho do Jornalista Pedro Avelino, sobrinho do Capitão José da Penha e primo segundo de Afonso Bezerra.
Surgem as esposas dos primeiros povoadores de Macau. Josefa Clara Lessa é a esposa de João Martins Ferreira. José Martins Ferreira, filho de ambos, casou-se com Josefina Maria Ferreira. As filhas de João Martins Ferreira são Thomásia Martins Ferreira, Maria Martins Ferreira, Maria Martins de Pureza e Anna Martins Ferreira.
Vou descobrindo, com orgulho, que meus  ascendentes e parentes tiveram participação ativa nas localidades onde se situavam. Eram vereadores, prefeitos, deputados, senadores, delegado de polícia, Juiz de Paz, Juiz Municipal,  membros da Guarda Nacional, jornalistas, escritores, poetas e membros de Academia de Letras
Parte dessas informações está presente no livro que será lançado dia 10 de março no Midway Mall. Ainda resta muita informação que não foi possível ser colocada nesta primeira obra. Alguns dados ainda estão sendo trabalhados. Alguns elos ainda precisam ser construídos. Com o lançamento, possivelmente, muitas informações complementares virão à tona e poderão  nos auxiliar na montagem de alguns quebra-cabeças.
Não é um romance. É um livro contendo muitos registros e informações. Não é para ser lido de uma vez. É para ser consultado e lido por partes. A mesma paciência que tive para ler os registros da Igreja deve ser usada para consultar o livro.
Por fim, uma lamentação. Grande parte dos livros de óbitos, batismos e casamentos que se encontra na Cúria foi microfilmado pela Sociedade Genealógica de Utah. Uma cópia ficou na Igreja, mas se encontra guardada em um armário por não haver equipamentos de leitura disponível, nem haver um projeto para digitalizá-los. Seria muito importante para as Universidades, os Institutos e a Historia do Rio Grande do Norte  se todo esse material estivesse facilmente disponível para todos. Que todos se unam para refazermos nossa História!

Porto de Touros: o provimento do Pe. Francisco de Brito Guerra

Porto de Touros: O provimento do Pe. Francisco de Brito de Guerra

A viagem genealógica a Macau e Pendências foi muito proveitosa. Fui procurar os Avelinos que tinham saído de Angicos para lá. Além de Emygdio e Irinéia, encontrei Edinor, Gilberto, Anna dos Prazeres, Balbina, Biluca e Tarcisio de Carvalho Dantas, este último descendente de Emygdia Avelino e do macauense Manoel Olímpio Dantas Cavalcanti. Tentava encontrar o elo entre Georgino Avelino e Cícero Torres Avelino. Afonso Avelino Dantas Neto me aconselhou  procurar Tarcisio. Conversei com Tarcisio, Gilda Avelino, Maria Avelino, irmã de Gilberto e José Nazareno Avelino.Consegui encontrar o elo e ainda tive o prazer de conhecer os meus ancestrais, os Martins Ferreira, que viviam na Ilha de Manoel Gonçalves. Satisfeito, parti para o Porto de Touros em busca de mais informações sobre o avô de Cícero, Francisco Xavier Torres Junior. Não encontrei o casamento dele com Maria Joaquina Lúcia da Costa, nem em Angicos e nem em Santana do Mattos. Cheguei a Touros e tudo era diferente, o livro de registro, o papel, a tinta, a grafia, e a forma de registro. O começo foi difícil, mas logo a mente se acostumou. Encontrei alguns conhecidos, entre os quais, Jacinto José da Ora que devia ser irmão do brasileiro que veio da Ilha de Manoel Gonçalves e André de Sousa Miranda como transcrito a seguir:
"Aos cinco de Setembro de mil oitocentos e trinta e cinco depois de feitas as diligencias do estilo, e não aparecer impedimento algum Canônico, e nem Civil de licença minha o Reverendo Fr. José de Santo Alberto, da ordem dos Carmelitas assistiuao recebimento Matrimonial, e Sacramental dos Nubentes Francisco Lopes Galvão, filho legitimo de Cipriano Lopes Galvão, e de sua mulher Anna Francisca, falecida, com Felippa Maria da Conceição, filha legítima de José de Sousa Galvão, e de sua mulher Silvana Maria da Conceição, os Abençoou, presentes as testemunhas José Ignácio de Miranda, e André de Sousa Miranda e Silva, solteiros e moradores na Ilha de Manoel Gonçalves, onde se fez este sacramento. e para constar fiz este assento em que me assino. O Vigário p oposição Felis Alves da Cruz"
Durante a viagem genealógica a região salineira não tinha encontrado, até o presente, nenhum registro de casamento na Ilha. Esse foi o primeiro.
No meio das dificuldades por conta, principalmente, de alguns registros com poucas informações, encontrei a mãe de Francisco Xavier Torres Junior e três irmãos. Ela era Úrsula Cordola do Sacramento e eles Felix Gomes Torres, Isabel Francisca Torres e Rita Cordola do Sacramento. Um dos registros continha como testemunhas, "Felis Gomes Torres e seu mano Francisco Xavier Torres Junior". Transcrevo a seguir o registro de Isabel.
"Aos dois do mês de Janeiro de mil oitocentos e quarenta e três nesta Matriz do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, pelas cinco horas da tarde, depois de corridos os banhos sem impedimento, confessados, examinados em Doutrina, se receberão em Matrimonio, por palavras de presente em mutuo consenso os nubentes Felisberto Martins de Macedo, viúvo, que ficou pelo falecimento de Maria Francisca dos Santos, com Isabel Francisca Tourres, filha legitima de Francisca Xavier  Tourres, mulher Ursula Cordola do Sacramento, já falecida, brancos, meus Paroquianos, em minha presença que lhes dei as bênçãos nupciais, e das testemunhas assinadas ao pé da certidão João Antunes da Costa, e Francisco Ferreira da Rocha, brancos, casados moradores nesta Freguesia, e para constar fiz este assento, em que assino. Vigário Antonio Carmello Valcacer."

Mas não era só eu que estava insatisfeito com a forma dos registros. Por motivos diferentes, o Visitador fez um Provimento, começando em Latim. Eu tinha sido um bom estudante de Latim de irmão Clemente, no Marista, mas com receio das abreviaturas me vali da internet, grande auxiliar nas minhas pesquisas. Acreditava que aquela era uma frase usual e entrei com um pedaço dela: "ore duórum" e la veio a frase toda para meu deleite. Transcrevo o provimento do Vigário Visitador, Francisco de Brito Guerra, nosso futuro Senador e tio de uma pessoa que conheci nessas viagens, o Barão de Assú, Luiz Gonzaga de Brito Guerra:
"Provimento".
"Vistas em Visita. In ore duórum vel trium testium stet omne verbum*. O R Parocho d'ora em diante faça assignar tão bem duas, ou trez testemunhas, que assistirem ao acto do casamento, nos Assentos, que lancar neste livro, na conformidade das leis Civis, e Canônicas, e Segundo o disposto na nossa Constituição Diocesana. Devem se declarar nos Assentos as naturalidades, e moradias dos contrahentes, como tão bem haver precedido, além dos proclamas / se não forem estes dispensados por Autoridade Superior / confissão sacramental, e exame de Doutrina Christã. Villa do Porto dos Touros em Visita aos 23 de Dezembro de 1835. Francisco de Brito Guerra, Vigário Visitador".
*Toda afirmação deverá firmar-se na palavra de duas ou três testemunhas.
Continuo minhas buscas por mais informações sobre os Torres que vieram de Porto de Touros. Há um Francisco Xavier Torres que ajudou financeiramente a construção da Capela de Guamaré. Não sei se é o mesmo. Procuro ainda os Alves Fernandes. Papai dizia que eles eram do Clã do Martins Ferreira. Três genros de João Martins Ferreira eram Fernandes. Resta comprovar.

João Manoel da Costa e Mello e os hábitos de uma época

João Manoel da Costa e Mello e os hábitos de uma época

Comenta Nestor Lima, no capítulo Angicos, do livro Municípios do Rio Grande do Norte: “A moral foi sempre o apanágio dos angiquenses. Consta-se que, certa vez, tendo vindo ahi residir uma mulher de costume reprovados, a população se levantou una voce e a expulsou  do logar.

Havia, porém, uma tradição sinistra e lamentável, referente à grande copia de fallecimentos de senhoras em conseqüência de partos, isto desde os começos do seu povoamento. Cita-se, como exemplo, o facto de o cidadão Antonio Honório de Azevedo, aos 52 annos, ter por esse motivo enviuvando pela 5ª vez.”

Antonio Honório de Azevedo era filho de José Honório Lopes Azevedo, neto de Francisco Lopes Viégas e bisneto de Antonio Lopes Viégas.

 João Barbosa da Costa gerou João Manoel da Costa. João Manoel da Costa e Angélica Maria da Conceição geraram João Manoel da Costa e Mello. Do casamento de João Manoel com  Anna Martins dos Santos nasceu João Martins Pedroso da Costa. Em alguns registros aparece Pedroza ou Pedrosa.

Ao comentário inicial de Nestor de Lima acrescentamos outro de nossa observação e comprovação: o casamento entre familiares. Vamos ver alguns registros que comprovam as afirmativas acima. João Manoel da Costa e Mello casou-se três vezes. A primeira com Anna Martins dos Santos, neta de sua tia Anna Barbosa da Conceição; a segunda com Joanna Evangelista da Costa, que morreu com 25 anos de parto; e a terceira, em 1828, com Josefa Cândida da Rocha Bezerra, filha de Balthasar da Rocha Bezerra(Silveira)
Começamos com o registro do casamento de um filho de João Manoel da Costa e Mello. Em muitos registros, que a Igreja fez, o Mello não aparece. Ele casou-se com a irmã de sua madrasta Josefa Cândida.

“Aos vinte e oito dias do mez de Novembro de mil oito centos e trinta e dous na Fazenda denominada Carapebas, desta Freguesia, pelos onze horas da manhã, tendo precedido as Canônicas denunciações sem impedimentos, confissão, comunhão, e exame de doutrina christan, ajuntei em matrimonio, e dei as bênçãos nupciaes á os meos Parochianos João Martins Pedroso da Costa, e Izabel Francisca Bezerra, naturaes, e moradores nesta Freguesia, elle filho legitimo de João Manoel da Costa, e de Anna Martins dos Santos, já falecida, ella filha legitima  de Balthasar da Rocha Silveira, e de Josefa Maria da Silva, sendo testemunhas o Alferes Antonio Francisco Bezerra, e Vicente Ferreira da Costa e Mello, casados, desta Freguesia; do que para constar fiz este assento que com as ditas testemunhas assigno. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva.”

No casamento acima, Vicente Ferreira era irmão de João Manoel, enquanto Antonio Francisco era primo. Nos registros seguintes vamos ver que João Manoel e seu filho João Martins tiveram filhas no mesmo dia e as batizaram, também, no mesmo dia, dando o mesmo nome para as duas párvulas.

“Joanna, filha legitima de João Manoel da Costa, e Josefa Cândida da Rocha, naturaes,e moradores nesta Freguesia, nasceu a os seis de Maio de mil oito centos e trinta e três, e foi baptizada pelo Reverendo Francisco Antonio de Sousa, de licença minha, na Capella de São José de Angicos, filial desta Matriz, com os Santos Óleos a os vinte e quatro  de junho do dito anno; forão Padrinhos Agostinho Barbosa da Silva, e Anna Joaquina Bezerra, também, casada, do que para constar fis este assento, que assigno. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva.”

“Joanna, filha legitima de João Martins Pedroso, e de Isabel Francisca Beserra, naturaes, e moradores nesta Freguesia, nasceu aos seis  de Maio de mil oito centos, e trinta e três, e foi baptizada  com os Santos Óleos  na Capella de São José de Angicos, filial desta Matriz, pelo Reverendo Francisco Antonio de Sousa, de licença minha, aos vinte e quatro de junho do dito anno; forão Padrinhos João Manoel da Costa, casado, e Josefa Maria da Silva, também casada, por procuração que sua apresentou Josefa Cândida Rocha, do que para constar fiz este assento que assigno. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva.”


Nos registros acima, Agostinho Barbosa da Silva era irmão de Josefa Cândida e de Isabel Francisca e era casado com Sabina, filha de João Manoel e Anna Martins. Era, portanto, genro do cunhado. Manoel Vieira da Costa, um irmão de João Manoel da Costa e Mello, casou-se com Anna Joaquina de Santiago que era neta do seu tio Francisco Xavier da Cruz. No segundo batismo, Josefa Maria da Silva era mãe de Agostinho, Josefa Cândida e Isabel, e esposa de Balthasar da Rocha Bezerra(Silveira). A primeira Joanna era prima e tia da segunda, além de ser cunhada e sobrinha da mãe da segunda.