quarta-feira, 2 de março de 2011

Auto de arrematação para Antonio Dias Machado

Auto de arrematação para Antonio Dias Machado
Dando sequencia as publicações dos documentos, trago mais esse de auto de arrematação de gado do vento, nas Ribeiras do Rio Grande do Norte. Como são documentos que superam o número de linhas de uma publicação de artigo de Jornal, coloco aqui nesse Blog. Lembro aos que visitam este blog, que Antonio Dias Machado era meu pentavô, casado que era com minha pentavó Francisca Lopes Xavier. Deles nasceu minha tetravó Lourença Dias da Rosa que foi casada com meu tetravô o Alferes Francisco Xavier da Cruz. Este último casal gerou dois trisavôs para mim, a saber: Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Miguel Fancisco da Costa Machado.
Termo para os lanços dos gados do vento da Ribeira desta Capitania pelo triênio de 1799 a 1801.Aos vinte e oito dias do mês de Junho de mil setecentos e noventa e oito anos nas casas da Provedoria da Cidade do Natal, Capitania do Rio Grande do Norte, onde se tratam os negócios da Fazenda Real, estando presentes o Sargento Mor Governador Caetano da Silva Sanches, o Doutor Provedor da Fazenda Real Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, o Doutor Ouvidor, Desembargador Gregório José da Silva Coutinho, o Almoxarife da Fazenda Real Manoel Pinto de Castro e comigo Escrivão ao diante nomeado para efeito de se receberem os lanços de gado do vento das Ribeiras do Assu, Apudi, Seridó, Norte e Sul pelo triênio de mil setecentos e noventa e nove  a mil oitocentos e um para que mandou o Adjunto ao Porteiro do C, Francisco Gomes apregoar, que o fazendo lançou o Capitão Antonio dos Santos de Araújo no gado do vento da Ribeira do Sul, dezenove mil réis, Antonio Dias Machado, no do Norte sessenta mil réis e não houve quem mais lançasse nestas e nas mais Ribeiras coisa alguma pelo que mandou o Adjunto que ficasse tudo para a seguinte noite de...de que fiz este termo em que assino com opostos lançadores Luiz José Rodrigues Pinheiro, Escrivão Ajudante da Fazenda Real o que fiz por impedimento do primeiro serventuário. Varias assinaturas entre as quais as de Antonio Dias Machado e Antonio dos Santos Araújo.
Aos vinte e nove dias do mês de Junho de mil setecentos e noventa e oito anos, nas casas da Provedoria da Cidade do Natal, Capitania do Rio Grande do Norte, onde se tratam os negócios da Fazenda Real, estando presentes o Sargento Mor, Governador da Capitania, Caetano da Silva Sanches, o Doutor Provedor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, o Doutor Desembargador Ouvidor Geral  Gregório José da Silva Coutinho, o Almoxarife Manoel Pinto de Castro, comigo Escrivão adiante nomeado para efeito de se receberem os lanços de gado do vento das Ribeiras do Assú, Apudi e Seridó, Norte e Sul pelo triênio de mil setecentos e noventa e nove a mil oitocentos e um para que mandou o Adjunto ao Porteiro do C. Francisco Gomes apregoasse as Ribeiras do Norte e Sul nos lanços em que ficaram na noite de ontem e as das mais Ribeiras será que nelas lance aqueles que mais der o que satisfaz o dito Porteiro, dizendo dezenove mil reis se deve pelo gado do vento da Ribeira do Sul, lanço do Capitão Antonio dos Santos de Araújo, sessenta mil réis se deve pelo gado do vento da Ribeira do Norte, lanço de Antonio Dias Machado e que mais se venha aceitar a mesa dar o seu lanço quem quiser lançar nos gados do vento das Ribeiras do Assú. Apudi, e Seridó venha a esta mesa dar o seu lanço, e logo lançou Antonio da Trindade Barbosa no gado do vento da Ribeira do Sul, vinte mil réis e João Luis da Silva nos da Ribeira do Norte setenta mil réis e  sobre quantos houverem  no gado do vento da dita Ribeira do Norte lançou Antonio Dias noventa e seis mil réis e apareceu João Luis da Silva e disse não queria mais lançar e sobre quantos lanços houverem no gado do vento da Ribeira do Sul fez lanço Antonio Dias Machado, digo Antonio dos Santos de Araújo de cinqüenta mil réis e apareceu  Antonio da Trindade Barbosa e disse não fazer mais lanço nesta Provedoria....faria na Fazenda Real de Pernambuco e nos mais contratos não houve  quem lançasse coisa alguma pelo que mandou o dito ajudante se desse parte a referida junta e ficou entendidos os lançadores é de se ultimassem as novas anotações e para constar fiz termo em que assinam o Adjunto, lançadores e Porteiro: Antonio José de Sousa e Oliveira, escrivão da Fazenda Real subscrevi. Sanches, Antonio Dias Machado, João Luis dos Santos, Antonio da Trindade Barbosa.
Auto de Arrematação de gado do vento da Ribeira do Norte pelos triênios de 1799 a 1801.
Ano de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e noventa e oito. Aos vinte e oito dias do mês de Agosto do dito ano nas casas da Provedoria da Fazenda Real da Cidade do Natal, Capitania do Rio Grande do Norte, onde se tratam os negócios da Fazenda Real, estando presentes o Sargento Mor, Governador da Capitania, Caetano da Silva Sanches, o Doutor Provedor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, o Almoxarife Manoel Pinto de Castro, comigo Escrivão adiante nomeado e sendo ai para efeito de se arrematar o contrato de gado do vento da Ribeira do Norte pelo triênio que há de principiar  de primeiro de Janeiro de mil setecentos e noventa e nove e finda em trinta e um de Dezembro de mil setecentos, digo, mil oitocentos e um, apareceu Antonio Dias Machado e por ele foi dito que fizera lanço e como com efeito fez no dito contrato da quantia de noventa e seis mil réis para cuja arrematação se precederam Editais nos lugares públicos,,,,,desta Capitania e no Recife de Pernambuco e andaram esses pregões e lanços públicos....pelo Porteiro do C da Francisco Gomes e por não haver quem mais lanço oferecesse, tendo-se executado todos as diligencias necessárias para esse efeito, sendo.......Antonio Dias Machado para a quantia de noventa e seis mil reis com as condições seguintes.
1º. Que poderá ele contratado haver a si tudo o que pertença cobrar- se para Real Fazenda do rendimento do dito contrato na mesma forma que até o presente se tem observado sem alteração alguma pelo tempo dos ditos três anos.
2º   Que será ele contratado obrigado e seus sócios que tiver a pagar o preço do dito contrato ao Almoxarife da Fazenda Real a boca do Real Cofre em três pagamentos iguais no fim de cada um dos três anos, cujo pagamento será em dinheiro de contado até completar o preço de sua arrematação, e também pagará as Propinas que de estilo paga-se, e faltando  ao primeiro pagamento será executado sem que pela 2ª execução possa receber cousa alguma a Real Fazenda.
3ª  Que não poderá ele contratado alegar danos nem usar de encopamento algum para o  que renuncia todos os casos fortuitos ordinários ou extraordinários sólítos ou insólitos, cogitados ou não cogitados, porque em todos, e em cada um deles ficam sempre obrigados  sem  deles se poderem valer para efeito algum, qualquer que seja.
4º  Que ele contratado e seus sócios que tiver, ainda que não assinem esta arrematação ficam obrigados todos e cada um in solidem ao preço do dito contrato e suja condições, um por todos e todos por um, como iguais co-réus de bens para que a Fazenda Real  possa haver a si o seu pagamento em observância das suas condições por aquele ou aqueles que melhor lhe parecer até inteira satisfação  da mesma Real Fazenda pela qualidade de interessados  os constituem sempre fiadores legais, e pelo mero fato da sociedade que o contratou ficam igualmente sujeitos as mesmas obrigações.
5º  Que ele contratado e seus sócios que tiver gozarão de todos os privilégios  concedidos pelas ordenanças do Reino e Regimento da Fazenda aos Rendeiros das Rendas Reais, não sendo derrogadas em parte ou em todo: se lhe dará toda ajuda e favor lícito como é permitido os contratadores. E sendo visto pelo Sargento Mor, Governador, e mais pessoas declaradas, o conteúdo deste contrato e condições dele houveram por bem e se obrigaram, em Nome de Sua Majestade, a lhe dar inteiro cumprimento, e ao dito arrematante, que presente estava, disse que aceitava e ficava obrigado a cumprir inteiramente o dito contrato e condições nele expressadas, e que não cumprindo pagará toda a perda que a Fazenda Real receber por todos os seus bens móveis e de Raiz, os quais para isso obrigava, e nomeava por seu fiador ao Capitão José Luis Pereira que foi aceito por todo o Adjunto;e por firmeza de tudo se mandou fazer este assento em que assinou o Adjunto, Arrematante e Porteiro: Antonio José de Souza e Oliveira. Escrivão da Fazenda Real o fiz escrever.
 Assinaturas de Sanches, Albuquerque Gondim, Manoel Pinto de Castro, Antonio Dias Machado, Francisco Gomes. 

Prof. José Melquíades, Padre Zé Veinho e eu

Um dia, pesquisando na Cúria, me veio a idéia de ir atrás do meu batismo. Assim, pedi ajuda ao Diácono Leilson para localizá-lo. Com a ajuda dele, encontrei o dito batismo lá na Igreja de Bom Jesus das Dores, na Ribeira. De imediato tirei uma foto do mesmo, como fazia com os meus defuntinhos, como chama Dona Maria das Graças. E lá estava escrito, como segue:
Aos doze de Maio de 1946, na Matriz, o Pe. José Biesinger batizou solenemente a João, nascido a três de Fevereiro de mil novecentos e quarenta e seis, filho legítimo de Miguel Trindade Filho e Dalvanira Avelino Trindade, sendo Padrinhos Francisco Pinto e Áurea Pinto. Pe. José Winterhalter, vigário.
Meus pais moravam na Ribeira e eu nasci lá, na casa de número 90, na Rua Ferreira Chaves. Há pouco tempo fui revê-la.
Estranhei tantos nomes estrangeiros, mas fiquei por aí. Meus padrinhos Francisco de Mello Pinto (Chiquito Pinto) e Áurea Trindade Pinto eram primos legítimos, sendo que Áurea era irmã de meu pai. Eles eram os pais de João Batista de Mello Pinto, morador no Recife, que me ajudou tanto nas minhas pesquisas genealógicas.
Ocorre, que agora, no veraneio, li o livro do meu antigo professor de Inglês, José Melquíades, História de Santos Reis, a Capela e o Bairro. Foi lá nesse livro que encontrei informações sobre os dois padres acima e mais o padre Frederico Pastors, todos alemães.
Padre Winterhalter, alemão nascido em Gruninger, em 1890, chegou ao Brasil em 1936. Morreu em Natal aos 80 anos. Viveu 30 anos no Brasil, 24 dos quais na paróquia da Ribeira.
Padre Biesinger, conhecido como Padre Zé Veinho, era de uma simplicidade edificante; paciente e tranqüilo: a humildade em pessoa. Um santo homem. Identificava-se com os humildes, expressava-se fluentemente num português claro e simples, na leveza do sotaque nordestino, sem a xenofonia dos seus irmãos de pátria. Esses padres curavam a Igreja de Bom Jesus das Dores, na Ribeira, a Igreja da Sagrada Família, nas Rocas, e a Capela de Santos Reis. Viviam humildemente em vida reclusa e de uma pobreza extrema. Moravam na casa paroquial na "subida da ladeira de Bom Jesus", Rua Gustavo Cordeiro de Farias. Ali se recolhiam em orações. Padre Biesinger morreu aos 90 anos. Tinha a alma de uma criança, na pureza de suas intenções e na inocência de seu comportamento.
Segundo, ainda, Prof. Melquíades, Padre Frederico tinha quase dois metros de altura. Alem das suas virtudes sacerdotais, foi sempre a preocupação dos sapateiros, uma dor-de-cabeça que descia aos pés: calçava 44. Os três, em sua pátria de origem, serviram na Grande Guerra de 14 a 18. Ordenados padres, exerceram dignamente o seu ministério a partir do momento em que receberam as ordens sacras e o bispo lhes impôs na alma, o caráter sacerdotal pela repetição das palavras ritualísticas; sacerdos eris in aeternum.
Continua Prof. Melquíades: Estou certo de que cumpriram corretamente a missão que Deus lhes reservou, aqui na terra. Mas foi muito triste o fim da vida desses sacerdotes que fizeram de nossa cidade sua segunda pátria. Laura Leite de Oliveira, zeladora da casa paroquial onde eles moraram e que os acompanhou durante muitos anos, em depoimento escrito do próprio punho afirma: passaram eles, isolamento, desprezo e abandono por parte do clero local, além da penúria e a pobreza de Jó.
O livro do Professor José Melquíades, ex-seminarista, é muito rico de informações históricas da cidade do Natal, como da Igreja Católica. Vale a pena conhecê-lo.
A Igreja do Senhor Bom Jesus das Dores é bem antiga. Vejamos dois batismos feitos lá.
Joanna nasceu a dezesseis de Maio de mil setecentos e setenta e um anos, e foi batizada aos vinte e oito de Junho do dito ano, pelo Reverendo Padre João Tavares da Fonseca, de licença minha, na Capela do Senhor Bom Jesus, sita na Ribeira desta cidade, filha do Capitão João de Barros Coelho, natural de Santo Antonio do Recife, e Luiza Maria do Espírito Santo, natural desta cidade do Rio Grande; neta por parte paterna do Capitão José Coelho Barros, e de Maria Alves de Lima, naturais do Recife, e pela materna de Antonia Maria do Sacramento, mulher solteira, natural e moradora nesta Freguesia. Foram padrinhos o Capitão José Baptista Freire, e Antonia Maria do Sacramento, moradores nesta cidade, do que fiz este assento para constar, e teve os santos óleos. Francisco de Sousa Nunes, Vice Vigário do Rio Grande.
Ignez, filha de Luiza, crioula, escrava do Capitão Joam Duarte de Sá, morador nesta cidade, de pai incógnito, nasceu aos vinte e cinco de Janeiro de mil setecentos e oitenta e dois, e foi batizada aos oito de Fevereiro do dito ano na Igreja do Senhor Bom Jesus das Dores, desta Ribeira, por mim, digo pelo Reverendo Padre Joam Tavares da Fonseca, de licença minha, com os santos óleos, foram padrinhos Estevam da Cunha, morador na dita Ribeira, e sua mulher Maria Manoela, e não se continha mais no dito assento, que para constar, aqui o mandei lançar e me assino. Francisco de Sousa Nunes, Vice Vigário do Rio Grande.
Foi nesta Capela que foram enterrados o Capitão Silvério Martins de Oliveira e sua mulher Dona Joanna Nepomuceno de Oliveira, respectivamente, nos anos de 1849 e 1850. No artigo anterior, Cartas da Ilha de Manoel Gonçalves, eles foram citados.

Termo de abertura de pilouros do ano de 1753

Cada época tem seus costumes,  as suas formas de governo e as formas próprias para suas eleições . É sempre interessante saber de que forma aconteciam as coisas na nossa Capitania. Como não aprendi sobre isso nas diversas escolas que passei, somente agora, vasculhando os papéis velhos do nosso velho Instituto Histórico e Geográfico, pude aprender mais sobre a nossa História. Aqui, hoje, vamos falar sobre abertura de pilouros que nunca na minha vida soube que existia.
Aos vinte e um dias do mês de Novembro de mil setecentos e cinqüenta e três anos, nesta Cidade do Natal, Capitania do Rio Grande, em casas deputadas para nela se fazerem vereações, e o mais que pertencem ao Serviço de Sua Majestade, onde se ajuntaram o Juiz Ordinário, o Capitão João Marinho, e os vereadores, Alferes Manoel da Costa Coimbra, o Coronel Gonçalo Freire de Amorim, o Sargento mor Francisco de Araújo Correa, e o Procurador Capitão Estevão Ribeiro Leitão, para efeito de se abrir o Pilouro e saber-se os oficiais da Câmara que hão de servir o ano vindouro de mil setecentos e cinqüenta e quatro, e abrindo-se o cofre deles mandaram vir um menino de menor idade e de dentro do dito cofre se tirou o saco donde tinha três pilouros, e metendo o menino a mão dentro do dito saco e tirando um pilouro, e abrindo-se saíram para servir: de Juízes do dito ano próximo vindouro de mil  setecentos e cinqüenta e quatro José Teixeira da Sylva, Francisco da Costa de Vasconcelos, vereadores Carlos de Azevedo, Felix Ferreira, Theodósio Freire de Amorim, e para procurador Antonio Martins Praça, e para Juiz de Órfãos Francisco Xavier de Souza, cuja pauta dos ditos novos oficiais estava escrita e assinada pelo Doutor Ouvidor Geral e Corregedor desta Câmara José Ferreira Gil, pelo haver como era uso e costume, sendo a tudo presentes algumas pessoas, e homens respúblicos que costumavam andar na Ordenança dela, e por estar no dito saco mais dois pilouros que se hão de abrir no ano de mil setecentos e quarenta, digo cinqüenta e quatro, e do seguinte de mil setecentos e cinqüenta e cinco, se tornou a recolher o dito saco ao dito cofre o qual se fechou na forma costumada com as três chaves que tem as quais se entregaram uma ao Juiz Ordinário, outro ao Coronel Manoel Teixeira Casado, e a outra a mim escrivão, e de tudo mandaram os ditos oficiais da Câmara e Juiz fazer este assento em que assinam, eu Manoel Antonio Pimentel de Mello, escrivão da Câmara o escrevi. Seguem as assinaturas.
Agora vamos apresentar o documento de posse e juramento dos dois juízes escolhidos no pilouro acima.
Ao primeiro dia do mês de Fevereiro de mil setecentos e cinqüenta e quatro anos nesta Cidade do Natal, Capitania do Rio Grande, em casas deputadas para nela se fazerem vereações com as que pertencem ao serviço de Sua Majestade onde estava o Juiz Ordinário, o Capitão Luiz Teixeira da Sylva e foi vindo o Capitão Francisco da Costa de Vasconcelos e José Teixeira da Sylva, e requereram ao dito Juiz lhe desse posse e juramento do cargo de Juiz Ordinário para servirem no presente ano por haverem saído no Pilouro que se abriu a vinte e um de Novembro do ano próximo, como é costume, apresentando com os ditos seus requerimentos a confirmação do dito cargo passado pelo Doutor Ouvidor Geral e Corregedor desta Comarca Joseph Ferreira Gil, o qual Juiz Ordinário vendo os seus requerimentos, e as suas cartas de usanças, lhes deferiu a cada um o juramento dos Santos Evangelhos em um livro deles sob cargo do qual lhes encarregou que bem e verdadeiramente servissem o dito cargo guardando em tudo o serviço de Deus, e de sua Majestade, Segredo  de Justiça e direito as partes, os quais recebendo os ditos juramentos assim prometeram obrar segundo lhes ditam suas consciências, de que mandou o dito Juiz  fazer este termo em que assinei com os ditos empossados, eu Manoel Antonio Pimentel de Melo, escrivão da Câmara o escrevi. Luiz Teixeira Silva, José Teixeira Sylva, Francisco da Costa de Vasconcelos.
Na internet é possível ver mais matérias sobre pilouros que aparecem em vários blogs ou trabalhos de pesquisas da nossa UFRN.

Retrato falado de nossos antepassados

Os assentamentos de praça trazem duas informações importantes, a descrição física dos assentados, bem como o nome do pai deles. Por isso, vamos colocar aqui o resumo desses assentamentos com essas informações. E vamos começar com o Capitão Theodósio da Rocha.
Theodosio da Rocha, natural do Rio São Francisco, Vila de Penedo, filho do Capitão Damião da Rocha, de estatura ordinária, trigueiro, cara redonda, olhos pardos, cabelo crespo, já pinta de branco, de idade de cinqüenta e um anos pouco mais ou menos, senta praça, em 2 de Janeiro de 1708.
É bom destacar que o Capitão Theodósio já vinha atuando na Guerra dos Bárbaros.Em 15 de Junho de 1696 foi nomeado pelo Capitão mor da Cidade do Natal, Capitania do Rio Grande, e Governador da Fortaleza dos Santos Reis Magos, Bernardo Vieira de Mello, no posto de  Cabo do presídio da Invocação de Nossa Senhora dos Prazeres, da Ribeira do Assú, para regê-lo e governá-lo. Anteriormente, foi Alferes e Capitão de Infantaria das Ordenanças da Capitania de São Francisco.
  Outro detalhe é que alguns assentamentos são de pessoas bem jovens, havendo deles com 12 anos de idade.
A seguir os assentamentos de quatro filhos do Capitão Theodósio da Rocha, onde os documentos são assinados por Manoel Gonçalves Branco.

Bonifácio da Rocha Vieira, de idade de dezesseis anos, filho do Capitão Theodósio da Rocha, cabelo acastanhado, rosto redondo, um sinal de ferida grande na face esquerda e outro do canto do olho esquerdo, de alta estatura, não muito encorpado, natural desta Capitania do Rio Grande, senta praça de soldado nesta Companhia, desde  5 de janeiro de 1699.
Antonio Vaz Gondim, de idade de quinze anos, natural desta Capitania do Rio Grande, filho do Capitão Theodosio da Rocha, cabelo acastanhado, de rosto um tanto comprido, trigueiro, olhos acastanhados, um sinal de ferida no canto do olho direito, de estatura pequena, é soldado desta Companhia desde 5 de janeiro de 1699.
João da Rocha Vieira, de idade de quatorze anos, filho do Capitão Theodosio da Rocha, natural desta Capitania do Rio Grande, cabelo louro, alvo de cor, o olho direto mais pequeno e o esquerdo com uma neve por cima, o rosto comprido, de mediana altura, é soldado desta Companhia desde 5 de janeiro de 1699.
O Capitão Damião da Rocha Pimentel, filho do Capitão Theodósio da Rocha, de idade de dezenove anos, natural desta Capitania do Rio Grande, olhos pardos, cabelo preto, alvarinho de rosto, e dele comprido, de boa estatura, é soldado desta Companhia desde 5 de Janeiro de 1699.
Vejamos agora assentamentos de praça de filhos do Tenente Gaspar Rebouças Malheiros, português de Viana do Castelo, Portugal, que era casado com Úrsula Leite de Oliveira. Em 1688, era procurador do povo e foi encaminhado junto com o Capitão Francisco Berenger de Andrade, através do Senado da Câmara, para levar os protestos ao General de Pernambuco, pelo estado em que se achava a Capitania.
Antonio Leite de Oliveira, filho do Tenente Gaspar Rebouças Malheiros, natural desta Capitania, de idade de quarenta e cinco anos, de estatura ordinária, cheio de corpo, cabelo louro e crespo, com muitos brancos, cara redonda e cor trigueira, senta praça nesta Companhia do Capitão Francisco Ribeiro, desde dez de março de 1724.
Antonio, acima, tinha uma diferença de idade para os outros a seguir, bastante significativa. É tanto que não encontrei o seu batismo.
Lourenço de Oliveira (batizado em 13 de Setembro de 1708), filho do Tenente Gaspar Rebouças Malheiros, natural desta Capitania, de idade de dezesseis anos, cheio de corpo, cara redonda, cor alva, olhos pardos, cabelo acastanhado e corredio, senta praça nesta Companhia do Capitão Francisco Ribeiro Garcia , de sua própria vontade deste quatorze de Dezembro de 1724.
Gaspar Pereira Leite (batizado em 30 de março de 1705), filho do tenente Gaspar Rebouças, natural desta Capitania, de idade de vinte anos, espigado de corpo, cor alva, e sardo do rosto, cabelo acastanhado, e corredio, senta praça nesta Companhia do Capitão Francisco Ribeiro Garcia, desde seis de Março de 1724.
Ponciano Gonçalves (batizado em 30 de novembro de 1706), natural desta Capitania, filho do Tenente Gaspar Rebouças, de idade de dezesseis anos, espigado de corpo, rosto alegre, e alvo de cor, cabelo e olhos pretos, senta praça na Companhia de sua própria vontade desde oito de fevereiro de 1724.
No blog http://trindade.blog.digi.com.br/ transcrevemos os assentamentos de dois filhos de Bernardo Vieira de Mello, a saber: Bernardo Vieira de Mello Junior e Antonio Arnoso Leitão.

Rodrigo Guedes Alcoforado Mousinho

No dia dois de Julho de 2010, foi assinado um ajuste de conduta pela 41ª Promotoria de Justiça e a Fundação José Augusto com vistas à implantação de um sistema de proteção contra incêndios no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e, também, para digitalização de documentos deste último. Entretanto, o IHGRN precisa de mais outras atenções. Mas, enquanto a digitalização não chega, vamos trazendo para conhecimento do público em geral, alguns registros de documentos históricos do Rio Grande do Norte.
Em artigo anterior, alguns registros de assentamentos de praça tinham a assinatura de Bento Ferreira Mousinho. Por isso, começamos nossos registros com um filho dele.
Rodrigo Guedes Alcoforado Mousinho, filho do Capitão Bento Ferreira Mousinho, de idade de quatorze anos, natural desta Capitania do Rio Grande, cabelo acastanhado e corredio, cara redonda, cor trigueira, olhos grandes e pardos escuros, sobrancelhas curtas, espigado e seco de corpo, senta praça nesta Companhia do Capitão Matheus Mendes Pereira de seu moto próprio, mandato do governador e Capitão General de Pernambuco, Duarte Sodré Pereira Tibao, e intervenção do Provedor e Vedor Geral, o Capitão Domingos da Silveira, em primeiro de Setembro de mil setecentos e trinta anos, vencendo soldo por mês, dois mil quatrocentos réis e por ano vinte e quatro mil e oitocentos réis. Em dinheiro quinze mil trezentos e sessenta réis; e em farda treze mil quatrocentos e quarenta réis, na forma da ordem de Sua Majestade que Deus Guarde, registrada no Lº 1º desta Vedoria a fl. 142.
Em outra parte desse livro acima, encontramos outro registro para Rodrigo que transcrevo por haver  informações sobre Matheus Mendes Pereira.
Rodrigo Guedes Alcoforado Mousinho, Cabo de Esquadra que até agora foi desta Companhia, e tem assento neste Livro a fl. 25, passa a Sargento supra dela por nomeação do Tenente Alferes Manoel da Costa Coimbra que alega inabilidade do seu Capitão Matheus Mendes Pereira que se acha louco do juízo e criminoso, em virtude de ordem de Sua Majestade. Registrada no Livro primeiro desta Vedoria a fl. 0425 e vence soldo por mês de dois mil e oitocentos réis e por ano trinta e três mil e seiscentos réis, a saber: em dinheiro dezenove mil duzentos réis e em farda catorze mil e quatrocentos réis, três de abril de mil setecentos e trinta e oito na forma da ordem de Sua Majestade. Registrada no dito livro primeiro a fl. 142.
Nesse mesmo registro, há uma anotação que passou a servir em Pernambuco, a partir de três de Junho de 1738.
Encontrei pouca coisa sobre Rodrigo, mas que merece registro. Segue, pois, dois registros de netos, onde encontramos o nome de sua esposa.
Francisco, filho legitimo de Agostinho Rodrigues Gomes, e de Antonia Maria naturais desta cidade, neto por parte paterna de David Rodrigues de Oliveira, natural da Vila de Igarassu, e de Narcisa Gomes, e pela materna de Rodrigo Guedes Alcoforado Mousinho, e de Quitéria de Bom Jesus da Silva, todos naturais desta cidade, nasceu a quinze de Junho do ano de mil setecentos e setenta de dois e foi batizado por mim com os Santos Óleos nesta Matriz, aos dois de Julho do dito ano; e foram padrinhos o Reverendo Francisco de Sousa Nunes, vigário de Extremoz, e Josefa Lourença Bezerra, mulher do Capitão João Cavalcanti Bezerra desta Freguesia; do que mandei lançar este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.
Joaquim, filho legitimo de Agostinho Rodrigues Gomes e de Antonia Maria, naturais desta cidade, neta por parte paterna de David Rodrigues de Oliveira, natural de Igarassu, e de Narcisa Gomes, e pela parte materna de Rodrigo Guedes Alcoforado e de Quitéria da Silva de Bom Jesus, naturais desta cidade, nasceu aos vinte e oito de Setembro do ano de mil setecentos e sessenta e nove, e foi batizado com os Santos Óleos, nesta Matriz, de licença minha, pelo Reverendo Vigário de Extremoz, Francisco de Sousa Nunes, aos doze de outubro do dito ano; foram seus padrinhos o Tenente José Batista Freire, e Dona Antonia Maria Soares de Mello, solteira. Do que mandei fazer este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo. Vigário do Rio Grande.
Encontrei outro Guedes Alcoforado, em um registro de casamento, que deve ser parente de Rodrigo, pois, Bento Ferreira Mousinho aparece como testemunha.
Aos vinte e seis de Novembro de mil setecentos e trinta e três anos na Capela de Nossa Senhora do O' da Missão do Mipibu desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações nesta Matriz e na dita Missão supra donde a contraente é moradora e na Catedral de Olinda onde o contraente foi morador, apresentando banhos corridos sem se descobrir impedimento, de licença minha, em presença do Muito Reverendo Padre Mestre Frei Boaventura de Pontremoli, Missionário Napolitano em dita Missão, sendo presente por testemunhas o Capitão Bento Ferreira Mousinho, o Alferes Antonio Barbosa de Aguiar, Luzia Ribeiro, mulher do Sargento Maior José Barbosa de Góis, defunto, e Anna de Macedo, mulher do Capitão João Marinho de Carvalho, pessoas todas conhecidas e meus fregueses, se casaram em face da Igreja, solenemente, Felipe Guedes Alcoforado, natural da Ilha de Itamaracá, filho de Manoel Guedes Alcoforado e de Eusébia Ferreira, já defunta, e Marcelina Borges, natural desta Freguesia, filha de Manoel de Borges Almeida, e de Maria Borges (ilegível), moradores todos nesta Freguesia, e logo lhes deu as bênçãos, guardando em tudo a forma do Sagrado Concílio Tridentino. Do que mandei fazer este assento em que por verdade assinei. Manoel Correa Gomes.

Os cem anos de seu Pindoba

Nesse dia 23 de Outubro, próximo passado, completou cem anos do nascimento de Francisco Umbelino Neto (Seu Pindoba), meu sogro. Falecido em 5 de Outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, a família resolveu fazer uma homenagem a este homem simples e incomum. Por isso, nesse dia 23, fomos todos, filhos, genros, noras, netos, bisnetos, outros familiares e amigos para Santa Cruz (antiga Santa Rita da Cachoeira).

A primeira providência concreta para homenageá-lo foi restaurar o túmulo lá do Cemitério de Santa Cruz, onde estão enterrados os seus restos mortais. Nada mais justo do que preservar para a História os nomes de nossos antepassados que ajudaram a construir esse Rio Grande do Norte. Junto com seu Pindoba estão nesse túmulo, sua esposa Maria Stela, seu irmão João Umbelino e esposa Severina Lopes de Morais, seu filho José Edmilson (Neném), seus sobrinhos Ubiratan e Sandoval (Vavá) e, seus pais, José Umbelino  de Macedo Gomes e Maria do O' de Medeiros.

As bênçãos foram conduzidas por Monsenhor Assis que tinha um irmão que era casado com Tereza, irmã de Mara Stela, nomeada acima. Na oportunidade, Monsenhor Assis revelou que sua irmã Maria do Céu, presente ao evento, com seus noventa anos, foi namorada de Seu Pindoba.  

Em seguida fomos para a missa do Agricultor que é realizada todos os sábados, no horário de 10 horas da manhã, onde sempre esteve presente Seu Pindoba, quando era vivo. A missa, também foi conduzida por Monsenhor Assis. Na oportunidade fiz uma pequena biografia de Seu Pindoba e Aurino, outro genro, leu uma carta da neta Kalina para o avô.

Seu Pindoba nasceu na Fazenda Chapado, em 23 de Outubro de 1910. Casou no civil, em 29 de Janeiro de 1944, com Maria Stela Rodrigues de Medeiros, filha de sua prima Felismina Rodrigues de Medeiros e de José Rodrigues de Medeiros (Zé Rodrigues do Bagé). Felismina era filha de Salvina irmã de José Umbelino, esses dois últimos filhos de Francisco Umbelino Gomes de Melo e Felismina Sidalina Maria de Macedo. A partir desse último casal vamos encontrar como ancestrais de Seu Pindoba vários desbravadores do Seridó, com Thomaz de Araújo Pereira, Antonio Paes Bulhões, José Gomes de Melo, e os irmãos do Barão de Araruna, Antonio Ferreira de Macedo e Vicente Ferreira de Macedo.

Francisco Umbelino Neto foi membro do Grêmio Literário Castro Alves que se reunia na Rua Indaleto de Freitas e foi presidido por Rômulo Wanderlei, no ano de 1937, e tinha ainda como agremiados as seguintes pessoas: Joaquim Pinheiro de Oliveira, vice, Clodoaldo Xavier da Silva, Secretário, Lauro Pires Galvão, Tesoureiro, Fernando Umbelino Gomes, irmão de Seu Pindoba, Bibliotecário, José Orantes Pires Galvão, Ernani Cezar Cabral, Edgar Bezerra Salustino, Edmo Medeiros, Joaquim Arnaud e José Góis de Lima. Na ata de 10 e outubro de 1937, consta um ato de louvor proposto por José Chaves, pela ação esforçada e inteligente do agremiado Francisco Umbelino Neto.

Seu interesse pela Literatura o fez anotar frases de personagens célebres como Fradique Mendes, Cascudinho, Castelo Branco, Humberto de Campos, Hermes Fontes, José Américo, Montesquieu, William Penn, Machado de Assis, La Fontaine, Goethe, Wagner, Rousseau e Napoleão entre outros. Para exemplificar anotou de Goethe: Uma vida ociosa é uma morte antecipada; e de José Américo, a frase: Não há deserto maior do que uma casa deserta.

De Cascudinho cita uma frase dita no Instituto Histórico pela passagem do Aniversário de Moreira Brandão, dizendo que era um homem que não plantava couves para a sopa, mas sim carvalhos para sombra dos netos.

Há, também, uma anotação das dez coisas que gostava e das dez que não gostava o Juiz de Direito de Santa Cruz, Dario Jordão de Andrade. Dario era tio de Valério Mesquita e pai de Ivan Maciel.

Era leitor assíduo da Bíblia. Dela anotou a frase de Salomão que ele adotou no seu dia a dia: As repreensões suaves quebram o furor da ira; as palavras duras excitam o furor.

Uma frase de sua autoria está presente em uma das suas anotações: Cada homem deve colocar-se ao lado das coisas sérias, úteis e belas.

Como fazendeiro mantinha muitas anotações do seu ofício. Encontramos uma seqüência de experiências de chuvas começada em 1954, de várias pessoas. Como exemplo citamos a de João Dadá que disse que o ano de 1954 seria bom de inverno porque os Pereiros e a Jaramataia safrejaram muito. De Domingos Pereira anotou que o ano de 1954 seria bom de inverno, pois, uma carnaúba que observava desde 1929 não frutificou em 1953.

Tinha um carinho especial pelos netos que era reconhecido por todos eles. Em um dos cadernos está anotado "Notas do gado dos netos", onde relacionou o gado de cada um deles: Soninha, Baiana e suas crias; Juninho, Manchada e suas crias; Adriano, o garrote de Açúcar; Déia, Faixa Branca, Lua Cheia e suas crias; Fabian, Baezinha e suas crias; Miguel Felipe, Condessinha e suas crias; Thiago, a garrota que foi de Belarmino; Larissa, o filho de Vermelhinha; Ariane, a filha de Balaio; Andressa, a novilhota de Simpatia; Estelinha de Tetê, a bezerra de Jardineira; Laís Elena, o bezerro de Redonda; Estelinha de Neném, o filho de Ritinta; Vanessa, a garrota de  Baiana; Fabian, a garrota de Simpatia; Airton, o filho de Melindrosa; Kalina, a enjeitada filha de Vermelhinha; Vitor Hugo, a filha de Azeitona.

O casal Pindoba e Maria Stela criaram os seguintes filhos: Felix Antonio, João Eduardo, Joana Darque, Uilame, José Edmilson, Maria das Graças (nascida 1 dia depois dele completar 41 anos), Tereza Neuma, Ruth, Raquel e por adoção Selma.

Seu Pindoba era muito religioso. Devoto de São Francisco, anualmente seguia viagem com os romeiros para Canindé. Tinha agradecimento por conta de uma hérnia que curou sem cirurgia. À Nossa Senhora fez um pedido para que lhe concedesse mais anos de vida , a fim de criar sua filha caçula Raquel. No ano que completou o prazo solicitado, avisou que sua partida para o eterno seria breve. Faleceu no mesmo ano do aviso. Sempre rezava o terço com os moradores no mês de Maio. Trabalhou durante a vida para seguir os preceitos de sua religião. Era um homem bondoso, carinhoso e de muitos amigos. Ajudou muitas pessoas ao longo da vida. Por isso teve muitos afilhados.
Encontramos na sua carteira uma contração como agente comprador de algodão da Usina de Beneficiar Algodão.

O Sargento mor Manoel da Silva Vieira

Voltando aos documentos salvos pelo Major Salvador Drumond, que contém registros da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, encontramos registros onde está presente o Sargento mor Manoel da Silva Vieira. Vamos começar com o documento de nº 215.
Aos 4 de Novembro de 1696 se receberam por palavras de presente, em minha presença, o Capitão Domingos Gonçalves de Souza, filho do Capitão mor João Gonçalves, já defunto, e de sua mulher Maria Gonçalves, natural da Cidade de Olinda, com Maria Leite Ferreira, filho de Domingos Vaz e de sua mulher Seraphina Mendes, já defuntos. Foram testemunhas D. Francisca Ponce de Leon e o Sargento mor Manoel da Silva Vieira e D. Grácia, sua mulher. Do que fiz este assento e me assinei. Paulo Rocha Figueredo.
Não encontramos mais nenhuma informação sobre os nubentes em outros documentos, mas diversas sobre a testemunha, o Sargento mor Manoel da Silva Vieira. Vejamos o documento de nº 215 que trata do casamento de uma filha de Manoel.
Em 20 de Abril de 1697 se receberam por palavras de presente em minha presença Gonçalo Ferreira, filho de Manoel Ferreira, natural de Pernambuco com D. Maria da Silva, filha do Sargento mor Manoel da Silva Vieira, natural da Ilha da Madeira e de D. Grácia do Rego, natural da Cidade de Olinda. Foram Padrinhos D. Francisca Ponce de Leon, Bernardo Vieira de Mello e Antonio Tavares de Mello. Do que fiz este assento e me assinei. Paulo da Rocha de Figueredo.
O nome completo do nubente era Gonçalo Ferreira da Ponte. Encontramos em outros registros dois batismos de filhas do casal acima, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação: Josefa, batizada em 24 de Maio de 1699, tendo como padrinhos o Capitão José Barbosa Leal e D. Gracia de Barros Rego, avó da batizada; e Joana, batizada em 20 de Julho de 1703, tendo como padrinhos o avô, o Sargento mor Manoel da Silva Vieira e a tia D. Joana de Barros.
O documento de nº 217 traz o casamento de outra filha de Manoel da Silva Vieira. Pela transcrição, o Major Salvador não conseguiu captar os nomes completos dos pais do noivo.
Em 8 de Setembro de 1697 se receberam por palavras de presente, em minha presença, Manoel Rodrigues Taborda, natural da Vila de Buarcos, dando fiança aos banhos na Cidade de Olinda, filho legitimo de ......Maria de Sá, natural da dita Vila da Freguesia de São Pedro, Bispado de Coimbra, com D. Joana de Barros Coutinho, filha do Sargento mor Manoel da Silva Vieira e de Grácia de Barros Rego, moradores na Cidade do Rio Grande do Norte. Foram Padrinhos o Capitão mor Bernardo Vieira de Mello e Pedro da Costa Faleiros e D. Catharina Leitão. De que fiz este assento e me assinei, Paulo da Rocha Figueredo.
Não encontramos nenhum filho do casal acima. Entretanto o casal aparece como padrinhos em vários outros batizados.  O Major Salvador, na seqüência, dá notícia de um casamento que ocorreu em 1 de Novembro de 1698, no Rio Grande do Norte, de Violante Bezerra, da casa do Capitão  Bernardo Vieira de Mello, com o Ajudante Luiz Real de Goveia, onde foram Padrinhos o dito Capitão Bernardo Vieira de Mello e sua mulher D. Catharina Leitão. O documento de nº 212 traz o casamento de Lázaro de Barros Rego com uma filha do Sargento mor Manoel da Silva Vieira. Está lá:
Em 28 de Maio de 1703, nesta Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação, em minha presença, se receberam com palavras de presente Lázaro de Barros Rego, filho de Manoel Pereira Viégas e de sua mulher D. Izabel de Barros, fregueses da Cidade de Olinda de Santa Sé, com D. Anna do Rego, filha do Sargento Mor Manoel da Silva Vieira e de sua mulher D. Grácia do Rego Barreto (Barros), fregueses desta Freguesia: testemunhas Manoel Ferreira de Andrade, Manoel Rodrigues Taborda, D. Joanna de Barros Coutinho sua mulher e D. Maria de Barros mulher do Alferes Gonçalo Ferreira de Ponte, foram dispensados os banhos pelo Ilmo. Senhor Bispo, em o 2º que estavam ligados  em parentesco de consanguinidade. Do que fiz este assento em que me assinei. O vigário Simão Rodrigues de Sá.
Do casal acima encontramos os batismos, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, de Luis, em 17 de Abril de 1704, tendo como padrinhos Gonçalo da Costa Faleiros e a tia Joana Coutinho; e Manoel, em 30 de Abril de 1707, tendo como padrinhos Manoel Rodrigues Taborda e Maria Magdanela.
Manoel da Silva Vieira, que nasceu em 30 de Abril de 1707, neto do Sargento mor de mesmo nome, faleceu em 7 de Julho de 1771. Ele foi Capitão de Infantaria e teve um filho natural com Francisca Gomes de nome Lázaro de Barros Rego, que casou em 24 de Outubro de 1781 com Maria Plácida do Nascimento. Esse Lázaro sentou praça em 8 de Agosto de 1767, com a idade de 16 anos.
Além dos filhos encontrados nos registros do Major Salvador, encontramos nos  assentamentos de Praça, aqui da nossa Capitania, o do Sargento mor reformado, Mário da Silva Vieira, natural de Pernambuco, que assentou praça desde 1707.

O progresso da ciência e a Genealogia

No período de 25 a 30 de Julho de 2010, a UFRN sediará a 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O tema proposto para essa reunião é Ciências do Mar: herança para o futuro.
O tema foi escolhido para que os cientistas e a população em geral tivessem uma preocupação maior para essa maravilha que é o mar. Fomos privilegiados, tanto o Brasil como o Rio Grande do Norte, com uma grande costa que nos traz várias riquezas como o petróleo, o sal e os frutos do mar.
Foi através do mar que vieram para o Brasil muitos dos nossos ascendentes. Para aqui vieram também os holandeses, os franceses, os espanhóis, os ingleses e outros estrangeiros em busca de nossas riquezas. Daqui carregaram o pau-brasil, o sal, o açúcar, o peixe, o ouro e muitas outras preciosidades.
Não podemos esquecer-nos da questão ambiental quando se trata do mar. Talvez mais do que as florestas, ele seja o pulmão da Terra. Dele, também, além da alimentação que pode nos prover, podemos extrair ainda uma das formas de energia através das marés. É, também, de nossas praias que geramos riquezas através do turismo.
Outra preocupação vem do avanço do mar sobre nossas terras. Com o esquentamento da Terra e os possíveis degelos ficamos vulneráveis. Em algumas regiões do Brasil o mar tem destruído alguns pontos mais avançados.
O avanço da ciência tem nos trazidos muitos benefícios: A telefonia celular, a informática, novos equipamentos que facilitam os diagnósticos e que aumentam mais ainda a nossa expectativa de vida.
Na área da Genealogia, onde faço minhas pesquisas, tudo fica mais fácil por conta do uso de diversas tecnologias. Fico admirado da vasta obra deixada por Câmara Cascudo sem as condições tecnológicas dos dias de hoje.  Vamos exemplificar.
Vou ao Instituto Histórico e pego uma caixa com assentamentos de praça. Retiro cuidadosamente os velhos documentos ali existentes. Aí, com o máximo de cuidado, vou passando e fotografando cada página com uma câmera digital. Em casa descarrego todas as fotos no computador. Depois, quando tiver tempo, vou renomeando cada imagem para facilitar as pesquisas posteriores.
Na hora de fazer um artigo, procuro no computador várias imagens relativas ao personagem sobre o qual vou escrever. Nem sempre a leitura de um documento desses é fácil. Alguns têm uma caligrafia que é preciso um tempo para entender. Outros estão esmaecidos pelo tempo, ou têm partes rasgadas.  Com a ajuda de alguns programas ou mesmo da internet consigo contornar alguns desses problemas. Façamos uma transcrição de um desses ricos documentos que fotografei.
Francisco Pereira do Amaral, natural desta Cidade do Natal, Capitania do Rio Grande, moço solteiro, filho legitimo do Capitão Manoel Raposo da Câmara, de idade de dezesseis anos, pouco mais ou menos, espigado de corpo, e seco, cara redonda, salpicado bastantemente de sardas, olhos pardos, sobrancelhas abertas, barba partida, cabelo castanho, senta praça nesta Companhia do Capitão Matheus Mendes Pereira, de soldado raso, por sua vontade e mandado do Senhor Governador e Capitão General de Pernambuco Duarte Sodré Pereira, e intervenção do Doutor Provedor e Vedor Geral da Gente de Guerra, Thimóteo de Brito Quinteiro, em vinte e seis de Julho de mil setecentos e trinta e sete, vencendo de soldo, por mês dois mil e quatrocentos réis e por ano vinte e oito mil oitocentos réis. Em dinheiro, quinze mil trezentos e sessenta réis, em farda treze mil quatrocentos e quarenta réis, na forma da ordem de Sua Majestade, registrada no livro 1º da Vedoria e p 142. Bento Ferreira Mousinho.
Esse filho do Capitão Manoel Raposo da Câmara e de dona Antonia da Silva recebeu esse nome em homenagem ao avô. Os pais do Capitão eram Francisco Pereira do Amaral e Josefa da Câmara. Essa informação veio de um documento salvo pelo Major Salvador Coelho Drumond de Albuquerque, e existente, hoje, no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Outro documento que fotografei traz a seguinte informação:
Matheus Tavares Guerreiro, solteiro, filho de Matheus Tavares, digo, filho de Manoel Tavares Guerreiro, natural desta Capitania do Rio Grande, de idade de vinte e sete anos pouco mais ou menos, de estatura corpulenta, cabelo corredio e meio acastanhado, cara redonda e larga, olhos pardos, e pequenos, cor branca, sobrancelhas abertas, alguns sinais de bexigas, senta praça nesta Companhia do Capitão Matheus Mendes Pereira, raso, por sua vontade, e mandado do Senhor Governador e Capitão General de Pernambuco Duarte Sodré Pereira, e intervenção do Doutor Provedor da Gente de Guerra Thimóteo de Brito Quinteiro, em dezoito de Setembro de mil setecentos e trinta e cinco anos, vencendo soldo por mês dois mil e quatrocentos réis, e por ano vinte e oito mil e oitocentos réis, em dinheiro quinze mil trezentos e sessenta réis, em farda treze mil e quatrocentos e quarenta reis, na forma da Ordem de Sua Majestade, registrada no livro 1º da Vedoria, a p 142. Bento Ferreira Mousinho.
Fábio Arruda, estudioso de Genealogia, lá das Alagoas, me enviou um DVD com diversos documentos importantes. Alguns desses documentos foram fotografados no IAHGP. Um deles foi um trabalho de cópia feito pelo Major Salvador citado acima. Outro foi de um livro de batismos da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do período de 1688 a 1712. É nesse segundo livro que encontramos o registro de Matheus Tavares Guerreiro. Está lá escrito:
Em 16 de 8bro (outubro) de 1703 anos na Capela de São Gonçalo do Potegi, batizei Matheus, filho de Manoel Tavares Guerreiro e de sua mulher Dona Joana Gomes (de Abreu); foram padrinhos o Capitão Nicácio da Costa de Abreu e a viúva Domingas Gomes de Abreu. Tem os Santos Óleos. Padre Simão Rodrigues de Sá.
Outro documento anterior, de assentamento de praça, de Matheus Tavares Guerreiro, semelhante a este apresentado acima, tinha na parte superior uma informação que ele passou a Tenente de Cavalos da Ribeira do Assu, por patente do Capitão mor desta Capitania João de Barros Braga, em 4 de Fevereiro de 1734.
Vamos aproveitar mais a Ciência em favor do progresso do ser humano! É com a Ciência que poderemos diminuir as desigualdades. É, também, com uso da Ciência e de novas Tecnologias que podemos melhor nosso desempenho nos Esportes! No futebol, os pés não são suficientes. Tem que usar a cabeça.

O preço de um escravo, 250$000

Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG.
No Inventário de Dona Mariana Lopes Viégas, inicialmente, o Juiz interino, Manoel Felippe Raposo da Câmara, intimou Francisco Antonio Teixeira de Souza para declarar debaixo de juramento os bens do casal. Depois nomeou João de Deus Gonçalves para tutor dos órfãos menores. Foram ainda designados Alexandre Pereira Pinto e Francisco de Paula Rodrigues de Paiva para avaliadores dos bens e José Teixeira de Souza e José Alexandre Solino da Costa para serem os partidores dos bens.
Alexandre Francisco Pereira Pinto, e Francisco de Paula Rodrigues de Paiva, os quais foi por dito Juiz deferido o juramento dos Santos Evangelhos, encarregando-lhes que por bem deste fizessem as avaliações dos bens que dados fossem a escrita do presente inventário, sem ódio, malícia, e nem afeição a parte alguma, tudo conforme as circunstancias do tempo, qualidade dos bens, e costumes da terra que eles, ambos recebendo o juramento, assim o prometeram cumprir como lhes foram encarregados.
O valor total dos bens era de 2.986$720 (dois contos e novecentos e oitenta e seis mil setecentos e vinte réis). A dívida passiva era de 200$00 (duzentos mil réis). O monte partível ficou em 2.786$720 (dois contos e setecentos e oitenta e seis mil réis). Metade para Francisco Antonio Teixeira de Sousa e a outra metade para dividir igualmente com os filhos herdeiros.
Aqui não dá para relacionar todos os bens, mas vamos colocar alguns para que sirvam de parâmetros para comparar o que valia cada coisa naquela época. Comecemos com as dívidas ativas e passivas. Essas dívidas eram altas quando comparamos com os valores de cada bem. Pena que no inventário não haja explicação mais explicita para o motivo das ditas dívidas.
Declarou o Inventariante dever o seu casal a José dos Santos Neves negociante da Praça de Pernambuco a quantia de duzentos mil réis.
Declarou o inventariante dever ao seu casal Alexandre José da Trindade, morador em Santana do Matos, por obrigação corrente, a quantia de duzentos e trinta e um mil réis. Assim mais deve Francisco Lopes Viégas, morador em Santa Cruz, deste Distrito, a quantia de trezentos e um mil réis.
A  seguir alguns  bens que foram relacionados pelo inventariante.
Uma parte de terra que houve por herança no sitio São José, deste Distrito, avaliada no mesmo valor que a houve de dezesseis mil réis.
Outra parte de terra que também houve por herança no Sítio Santa Cruz, deste mesmo Distrito, avaliada no mesmo valor, que já tinha, de doze mil réis.
Uma morada de casa, nesta Vila, vizinha a morada do Vigário levantada de taipa, coberta de telha, tendo duas salas em frente uma da outra, com três camarinhas, um corredor e uma cozinha, com cinco portas e uma janela, sendo parte dela atijolada, avaliada na quantia de duzentos mil réis. Nessa época era vigário, o português Manoel Antonio dos Santos Moraes Pereira Leitão, que deu trabalho a Dom Frei João da Purificação Perdigão, 18º bispo de Olinda, em sua visita a Angicos, pois vivia embriagado.
Uma morada de casa principiada, dentro desta Vila, vizinha ao oitão da casa do Tenente Coronel Antonio Francisco Bezerra da Costa da parte Norte, tendo somente as duas frentes levantadas de tijolo dobrado, avaliada na quantia de cinqüenta mil réis. Antonio Francisco era meu tetravô, sogro do meu trisavô Alexandre Avelino da Costa Martins, e ao mesmo tempo genro do pai de Alexandre, Vicente Ferreira da Costa e Mello do O'. Coisas daquela época.
Uma morada de casa levantada de taipa, coberta de telha, com cinco quartos, quatro portas e uma janela, firmada na sua Fazenda São José, avaliada na quantia de setenta mil réis.
 Quarenta e cinco vacas  avaliada, cada uma delas, na quantia de dez mil réis por quatrocentos e cinqüenta mil réis.
Vinte e duas éguas avaliada, cada uma delas, na quantia de vinte mil réis por quatrocentos e quarenta mil réis.
Sete cavalos inteiros novos avaliado, cada um, deles na quantia de trinta mil réis por duzentos e dez mil réis.
Um carro em bom uso avaliado na quantia de quinze mil reis.
Um Oratório de boa formatura com três imagens, sendo uma de Nossa Senhora da Conceição, e outra de Cristo, e outro de São Urbano, avaliado por vinte mil réis.
Uma mesa grande de madeira de Caraúba, já precisando de conserto, avaliada na quantia de oito mil réis.
Uma Dita pequena, velha, sem gavetas que os avaliadores avaliaram na quantia de mil duzentos e oitenta réis.
Um São Braz de ouro com o peso de uma oitava e dezoito grãos avaliada cada oitava a mesma razão de dois mil réis por mil trezentos e sessenta réis.
Um copo de prata com o peso de noventa e seis oitava, avaliada cada oitava na quantia de cento e vinte réis por dois mil e oitocentos réis.
Um par de estribeiras de prata com o peso de duas libras avaliada, a mesma razão, de cento e vinte réis a oitava por trinta mil setecentos e vinte réis.
Não havia nada de latão, estanho, chumbo e ferro. De cobre – uma cafeteira que os avaliadores avaliaram na quantia de mil e cento e vinte réis. De flandre – uma bandeja pequena avaliada na quantia de um mil réis.
Um escravo Alexandre, mulato, de idade de quarenta e cinco anos, sem achaques, que os avaliadores avaliaram por duzentos e cinqüenta mil reis.
O casal tinha somente esse escravo, e seu valor era um dos maiores dentre os bens avaliados.

O Capitão Alexandre Lopes Viégas

Quem tenta escrever alguma coisa sobre os Lopes Viégas corre sério risco de cometer enganos, principalmente por conta das repetições, inversões e trocas de nomes nos livros de registros da Igreja. Há diversos equívocos nos relatos sobre a família Lopes Viégas. No livro Angicos, Aluizio Alves relaciona Alexandre Lopes Viégas, que foi casado com Francisca Clara Bezerra, e depois com Constancia Maria do Nascimento, como filho do fundador de Angicos. Na verdade, o Alexandre Lopes Viégas, que casou com Constancia Maria do Nascimento, era filho de Antonio Lopes Viégas e Francisco Pereira da Conceição. O que casou com Francisca Clara da Rocha Bezerra (às vezes escrito Clara Francisca Bezerra) foi Alexandre Lopes Viégas Junior, filho do Capitão Alexandre Lopes Viégas e Maria Francisca da Conceição. Este último, sim, era o Alexandre, filho do fundador. Os outros dois eram netos. Foi o neto, casado com Constancia, que fez a doação de uma sorte de terra para o Glorioso São José de Angicos, além dos outros filhos Antonio Lopes Viégas e Damásia Lopes Viégas.
No ano de  1844, em um documento de inventário de Maria Francisca da Conceição encaminhado ao Juiz Municipal, Luiz Gonzaga de Brito Guerra, estava escrito:
Diz o Capitão Alexandre Lopes Viégas, e mais herdeiros, filhos, e genros, que tendo falecido sua mulher, mãe, e sogra Maria Francisca da Conceição, e por não deixarem filhos órfãos, fizeram os suplicantes entre si seu inventário amigável, que juntaram por documento, e porque querem que o inventário assim feito tenha força de lei como se fosse judicialmente feito,  requerem por isso a V. Sª sirva-se de mandar que autuada esta, suba a conclusão para ser por V. Sª julgado por Sentença, o citado inventário amigável, uma vez que os suplicantes estão satisfeitos com a partilha assim feita. Autuado, suba a conclusão. Princesa, 1º de julho de 1844. Gonzaga. Seguem as assinaturas de Alexandre Lopes Viégas, Antonio Gualberto Lopes Viégas, Pedro Alexandre Lopes Viégas, Manoel Francisco Lopes Viégas, Guilherme Lopes Viégas, José Francisco Vieira, Luiz Francisco Lopes Viégas, Alexandre Lopes Viégas Junior, Felis Policarpo Lopes Viégas e João Avelino Lopes Viégas.
A partir do inventário podemos afinar nossas informações sobre os Lopes Viégas. Identifiquemos agora filhos e genros na relação acima. Eram noves filhos, seis homens e três mulheres.
Alexandre Lopes Viégas Junior foi casado com Francisca Clara da Rocha Bezerra; Felis Policarpo Lopes Viégas casou com a sobrinha Maria Rosa Lopes, filha de seu irmão Alexandre e de Francisca Clara da Rocha Bezerra, em 26/6/1839; João Avelino Lopes Viégas casou, também, com a sobrinha, Anna Francisca Bezerra, filha de seu irmão Alexandre e de Francisca Clara, em 26/6/1839; Manoel Francisco Lopes Viégas era casado com Joanna Francisca Lopes.
 Antonio Gualberto, por um registro de um filho, era casado com Maria Izabel. Mas quando encontro o casamento de João Gualberto Lopes Viégas, vejo que ele também era filho de Alexandre e Maria Francisca, e sua esposa era Maria Izabel. Por isso, suspeito que João Gualberto e Antonio Gualberto eram as mesmas pessoas. Maria Izabel era filha de Guilherme Lopes Viégas e Izabel Maria. Assim Antonio Gualberto casou com a prima legítima.
Quanto a Pedro Alexandre Lopes Viégas não encontrei, até agora maiores informações sobre ele; Vejamos agora quem eram as filhas do Capitão Alexandre Lopes Viégas e Maria Francisca da Conceição.
Francisca Ezequiel Lopes Viégas casou, em 8/1/1842, com seu sobrinho Luiz Francisco Lopes Viégas, filho de Alexandre Lopes Viégas Junior e de Francisca Clara da Rocha Bezerra; Maria do O' casou, em 23/11/1834, com seu primo Guilherme Lopes Viégas Junior, filho de Guilherme Lopes Viégas e Izabel Maria; e Anna Maria Lopes Viégas casou com José Francisco Vieira Ximbinha.
Delfina, uma filha do Capitão Alexandre e de Maria Francisca, faleceu em 26 de fevereiro de 1822 com a idade de 14 anos.
Em um assentamento de praça de 19 de outubro de 1794, há uma informação que o Porta Estandarte Alexandre Lopes Viégas passou a Alferes da Companhia.
Alexandre Lopes Viégas Junior parece ser o filho mais velho do Capitão, pois, em três de agosto de 1825, faleceu uma filha dele com Francisca Clara, nascida no mesmo ano.
Em 31 de outubro de 1882, Francisco Laurênio Lopes Viégas, filho de Alexandre e Francisca Clara casou com Maria Jacintha Bezerra Souto, filha de Francisco Antonio Ferreira Souto e Anna Simplício de Nazareth.

Notas avulsas de Genealogia (III)

Nos registros da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, encontramos vários casamentos de portugueses. Vamos trazer, hoje, para este artigo, dados de alguns desses casamentos. Para apresentar maior número de registros, eliminarei os trechos que se repetem em todos os registros. Vamos começar com o casamento de Domingos de Araújo Pereira que não sei se tinha algum parentesco com o Patriarca do Seridó, Thomaz de Araújo Pereira.
Aos seis de Janeiro de mil setecentos e trinta anos, na Igreja de Nossa Senhora do O' da Missão de Mipibu, desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, onde é moradora a contraente, em presença do Padre Francisco Xavier de Barros, Missionário da dita Missão, de licença do Reverendo Coadjutor, e presentes por testemunhas o Sargento Mor Manoel Palhares Coelho, viúvo, morador na Freguesia de Goianinha, o Alferes Antonio Barbosa Aguiar, viúvo, Anna de Macedo mulher do Capitão João Marinho de Carvalho, Izabel de Barros mulher do Coronel Carlos de Azevedo do Vale, moradores desta freguesia, se casaram o Coronel Domingos de Araújo Pereira, natural de Coura, Freguesia de São João do Bico, Arcebispado de Braga, filho legitimo de Domingos de Arahujo Pontes e de sua mulher Luiza Barrera, já defunta, e Bibiana Barbosa Sampayo, filha legitima do Coronel Bento Correa da Costa, e de sua mulher Jacinta Pereira Barbosa, moradora desta Freguesia e natural a contraente. Sem as bênçãos por ser em tempo proibido. Assinaturas do Vigário Manuel Correa Gomes e da testemunha Manuel Palhares Coelho.
 Vejamos agora um casamento onde alguns dos personagens acima aparecem. Tanto no registro acima, como no abaixo, as noivas eram filhas de Bento Correa Costa.
Aos seis de Agosto de mil setecentos e trinta e dois anos, na Igreja de Nossa Senhora da Missão de Mipibu, da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, sendo presentes por testemunhas o Sargento Mor Joam Rodrigues Seyxas, o Coronel Domingos de Araújo Pereira, Bibiana Barbosa de Sampayo , mulher do dito, e Damásia Gomes da Camera, mulher do Coronel Theodósio Freire de Amorim,  o Reverendo Padre Mestre Frei Boaventura, Missionário Apostólico, se casaram  Manuel Fernandes da Sylva, filho de João Duarte e de sua mulher Catherina Fernandes, natural da Freguesia de São Miguel de Gandra do Bispado do Porto, e Quitéria Barbosa de Moraes, filha legitima do Coronel Bento Correia da Costa, e de sua mulher Jacinta Pereira Barbosa, moradores na Freguesia do Rio Grande. Manuel Correa Gomes, vigário. Domingos de Araújo Pereira (assinatura sem h no Arahujo).
Vejamos agora o casamento de duas filhas de Antonio Dias Pereira com dois portugueses. Em outro registro há noticia de um Manoel Dias Pereira, morador em Jaguaribe, também filho de Antonio Dias e Maria Freire.
Aos nove de Dezembro de mil setecentos e trinta e nove anos, na Igreja de Nossa Senhora da Soledade de Aldeia Velha, desta Freguesia de N. S. da Apresentação do Rio Grande do Norte, na presença do Reverendo Padre Mestre Antonio de Amorim da Companhia de JESUS (geralmente escreviam o nome de Jesus com todas as letras maiúsculas), de licença do Reverendo Coadjutor, o Licenciado João Gomes Freyre, sendo presentes por testemunhas o dito Reverendo Coadjutor, o Reverendo Licenciado Antonio de Andrade Arahujo, cura de Goianinha, se casaram o Sargento Mor Manuel de Palhares Coelho, filho legitimo do Capitão Manuel Palhares Coelho e sua mulher Dona Francisca Barbosa Barcelar, já defuntos, naturais da Vila de Caminha, Freguesia de Nossa Senhora das Neves, Arcebispado de Braga, viúvo que ficou de Dona Rosa Maria Baracho, morador na freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres de Goianinha com Maria Gomes Freyre, filha legitima do Coronel Antonio Dias Pereira e de sua mulher Maria Gomes Freyre, defuntos, viúva que ficou do Tenente Coronel Francisco Xavier Ribeiro, natural e moradora de Aldeia Velha desta Freguesia e Paróquia. Assinam Manuel Gomes Correa, Antonio de Andrade Arahujo e João Gomes Freyre.
Aos sete de Janeiro de mil setecentos e trinta e três anos, na Capela de Nossa Senhora da Soledade de Aldeia Velha da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações na Capela de Santo Antonio do Potegi, na Matriz de Nossa Senhora do Rosário de Russas do Jaguaribe, donde é morador o contraente, e apresentando o dito um mandado do muito Reverendo Doutor Vigário Geral, diante de quem justificou ter vindo de seu natural, de menor idade, sendo presentes por testemunhas o Capitão Mor da Capitania João de Barros Braga, o Provedor da Fazenda Real, o Capitão Domingos da Sylveira, Plácida da Sylva Freire, mulher do Tenente Faustino da Sylveira e Catherina de Amorim Freyre, mulher do Sargento Mor Joseph Martins de Oliveira, em presença do Reverendo Coadjutor João Gomes Freyre, se casaram o Tenente Coronel Mathias Simoens Coelho, filho legitimo de João Simoens Coelho, e de sua mulher Maria Francisca, naturais da Freguesia de São Pedro de Tamengos, Bispado de Coimbra, e Clara Gomes Freyre, filha legitima do Coronel Antonio Dias Pereira, já defunto, e de sua mulher Maria Gomes Freyre, natural desta dita Freguesia, nela todos moradores e pessoas conhecidas. Assinam Manuel Correa Gomes e João de Barros Braga.
Encontramos dois registros de óbitos de Dona Clara Gomes Freire, sendo um colocado de forma equivocada em um livro de casamento. Segundo esses registros, Dona Clara era casada com Manoel Palhares Coelho e faleceu em 21 de Dezembro de 1787, com a idade aproximada de 53 anos. Há várias contradições nesses registros de óbitos com os registros acima, a menos que tanto Manoel Palhares Coelho, como Clara Gomes Freire, que aparecem no óbito, não fossem as pessoas acima.  Não encontrei filhos do casal, apenas um exposto, Francisco Xavier dos Santos que casou com Catherina Duarte de Azevedo, filha de José Rodrigues Santiago e Marcelina de Abreu Soares.

Notas avulsas de Genealogia (II)

Vimos em outro artigo, neste jornal, que Cipriano Lopes Galvão ocupou o posto de Coronel da Ribeira do Seridó na vaga que era do Coronel Alexandre Rodrigues da Cruz. Por Alexandre ser meu heptavô, procurei a carta patente de Coronel que ele tinha recebido anteriormente. Encontrei no Projeto Resgate, acessando o Centro de Memória Digital da UNB, www.cmd.unb.br, o requerimento pedindo confirmação da carta patente de Coronel de Cavalaria da Ribeira do Seridó, concedida pelo Capitão mor Pedro de Albuquerque e Mello. No pedido de confirmação da carta patente estava anexada a carta concedida, em 1755, onde encontramos o seguinte trecho:
Alexandre Rodrigues da Cruz tanto pelo bem que tem servido a S. Majestade de Soldado de Cavalos do Regimento do Ceará Grande e aos depois passando a Tenente do mesmo Regimento, e passar a Capitão de Cavalos do Regimento desta Cidade de que é Coronel Manoel Teixeira Casado, e passar a Sargento Mor de Infantaria de Ordenança da Ribeira de Goianinha desta Capitania, e atualmente ocupando o posto de Tenente Coronel do dito Regimento da Ribeira do Seridó, o que tudo me constou pelos documentos que me apresentou, como por ser um homem nobre, e de conhecida nobreza e das principais famílias e dos mais afazendados daquela Ribeira e esperar dele que daqui em diante se haverá na mesma forma muito como deve a confiança que faço de sua pessoa:hei por bem de eleger, e nomear como pela presente faço, o dito Alexandre Rodrigues da Cruz, no posto de Coronel do Regimento da Cavalaria da Ribeira do Seridó, que vagou por deixação que do dito posto fez João Gonçalves de Mello...
Pelo que consta no documento acima, observamos que o Coronel Alexandre Rodrigues da Cruz antes de ir para o Seridó morou no Ceará e outras localidades. Ele era casado com Dona Vicência Lins de Vasconcelos.  Cipriano Lopes Galvão, filho do Coronel de mesmo nome que ocupou a vaga de Alexandre, casou com uma neta deste último, filha de Teresa Lins de Vasconcelos e Antonio Garcia de Sá Barroso. A esposa de Cipriano, segundo do nome, tinha o mesmo nome da avó materna, Vicência Lins de Vasconcelos.
Outro fato noticiado nesse mesmo artigo citado acima, foi a  determinação de soltura de Anselmo José de Faria pela Rainha de Portugal, datada de 1780. Quem era essa Rainha?
 Encontramos uma correspondência, datada de 24 de março de 1781, de José Cesar de Menezes, Capitão General e Governador de Pernambuco Paraíba e mais Capitanias anexas, dando notícia da morte da Rainha Mãe. Segue trecho da carta. Esse documento, cópia do original, está no IHGRN. Alguns documentos possuem palavras de difícil leitura. Talvez haja equívocos em algumas palavras aqui transcritas. Vejamos trechos da carta.
Foi Deus servido chamar a sua Santa Glória a Fidelíssima Senhora Mãe no dia quinze de Janeiro do corrente ano, pelas sete horas da manhã, com tristes sinais de predestinação e com tão heróicos atos de amor a Deus que correspondem na morte às grandes e excelentes virtudes da sua vida
Estas no seguram estará gozando de Bem Aventurança.
Sua Majestade me manda participar a triste notícia desta perda para que pelo militar se façam nesta Capitania aquelas demonstrações publicas de sentimentos praticados em semelhantes ocasiões.
A mesma...se.. para oito dias e tomará luto por seis meses, três rigorosos e três aliviados, o qual manda tomar não só na Corte mas em todo o Reino, sendo os primeiros três meses de Capa Comprida, o que for servido dispensar na pragmática de 28 de Maio de 1779, determinando-me que na sobredita conformidade mande regular o dito luto nas capitanias, de que faço ciência a V. Mercê, ordenando-lhe que assim a façam executar no Distrito de jurisdição do seu Governo.
Como no documento não mencionava o nome da Rainha mãe, utilizei mais uma vez a internet para descobrir quem era a dita. Mariana Vitória nasceu em 1718, sendo filha de Felipe V, da Espanha, e Isabel de Parma. Foi casada com o Rei de Portugal, Dom José I. Assumiu a regência, no período de 1776/1777, por doença do Rei. Em 1777, com a morte de Dom José I, assumiu o trono de Portugal, sua filha D. Maria I (Maria Francisca Isabel Josefa Antonia Gertrudes Rita Joana de Bragança, princesa do Brasil, conhecida entre nós como D. Maria, a Louca.
Assim quem determinou a soltura do Alferes Anselmo José de Faria, foi a Rainha Dona Maria I, filha de Dom José I e Dona Mariana Vitória. Por coincidência a esposa de Anselmo se chamava Mariana da Rocha, filha do Capitão Antonio da Rocha Bezerra e irmão do Coronel Antonio da Rocha Bezerra.
Acrescento a esses dois comentários acima, um registro do requerimento que fez o Capitão João Manoel da Costa, meu pentavô, solicitando o registro de uma carta de confirmação. Vejamos
Diz o Capitão João Manoel da Costa que ele é senhor de três léguas de terras de comprido e uma de largo no lugar de Olho D'Água que correm por testadas do Hitu buscando o nascente entre o Rio do Assu e do Amargoso pegando das nascenças do dito Olho D'Água com légua e meia para o nascente, e légua e meia para o poente, com meia de largo para cada banda, por título de compra (é o que parece) que fez das ditas terras; e porque os seus primeiros antepossuidores obtiveram de S. Majestade Carta de Confirmação das referidas terras e nunca tiveram a lembrança de registros nesta Provedoria da Real Fazenda, que, portanto, o suplicante para conservação do seu Direito, faça registrar a dita Carta de Confirmação nestes termos = Para o fim. Provedor da Real Fazenda, lhe faça mercê mandar registrar a sobredita Carta de Confirmação para...
A carta que não foi registrada na Provedoria da Real Fazenda era de Mathias da Silva. Ela está anexada no requerimento do Capitão João Manoel da Costa. Foi concedia em 2 de Julho de 1753.

Notas avulsas de Genealogia (I)

Em vários documentos pesquisados, encontramos pequenas informações interessantes sobre a História do Rio Grande do Norte. Por isso, aproveito este espaço para dar notícias delas. Uma das famílias mais presentes em nossa História é a dos Cardoso Batalha e o mais antigo deles é o Sargento Mor Sebastião Cardoso Batalha. Sua assinatura está presente em vários documentos da Província do Rio Grande do Norte. Um dos filhos dele era Antonio Cardoso Batalha. Vejamos o assentamento de praça dele.
Antonio Cardoso Batalha, filho legitimo do Sargento Mor Sebastião Cardoso Batalha, natural da Cidade do Natal, de idade de dezoito anos, de ordinária estatura, e seco de corpo, cara redonda, cor trigueira, olhos e cabelo preto... crespo, senta praça de soldado raso nesta Companhia do Capitão Francisco Ribeiro Garcia por sua vontade e mandato do dito Capitão desde o primeiro de Dezembro de (mil) setecentos e vinte e seis, vencendo dois mil e quatrocentos reis de soldo por mês, e por ano vinte e oito mil e oitocentos réis a saber: quinze mil trezentos e sessenta réis em dinheiro, e em farda treze mil e quatrocentos e quarenta réis na forma da ordem de sua majestade em que também acrescentam dos soldos, que se acha registrada nesta Provedoria. Estevão Velho de Mello.
O batismo de Antonio Cardoso Batalha foi em 21 de Setembro de 1709, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, sendo seus padrinhos Manoel Rodrigues Taborda e sua mulher Joana de Barros Coutinho. A mãe de Antonio era Flávia Rodrigues de Sá. A data de seu óbito é 17 de Fevereiro de 1761, onde se informa que faleceu com 50 anos pouco mais ou menos. Na verdade, pelo batismo, já teria nessa data uns 51 anos.
 Encontramos outro Antonio Cardoso Batalha que pela data pode descender do anteriormente citado. A repetência de nomes em uma família cria uma serie de dificuldades de identificação.  Essa nota é colocada aqui por conta das vários registros que tenho encontrado sobre a localidade de Ponta do Mel, com outra grafia. Fica a dúvida se o nome original era Mel ou Mello.
Diz Antonio Cardoso Batalha soldado da Infantaria paga de uma das Companhias de que foi Capitão Manoel da Silva Vieira, da guarnição deste Presídio, e Fortaleza da Barra..., que ele suplicante é muito pobre, e serve a Sua Majestade sem ser pago, por esse motivo roga a V. Mercê lhe conceda dois meses de licença com registro em seu assento para ir as Salinas de Ponta do Mello tratar de suas pescarias, para assim se  poder sustentar; p..
Outro assento interessante diz respeito a Anselmo José Faria, marido de Mariana da Rocha Bezerra, esta última filha do Capitão Antonio da Rocha Bezerra e Josefa Leite de Oliveira. É o registro de uma Carta do Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor General de Pernambuco aos Senhores Capitães Mores para a soltura de Anselmo José de Faria. Não encontrei registro de sua prisão.
"Logo que Vossas Mercês receberem esta farão soltar e por em sua liberdade a Anselmo José de Faria, Alferes da Companhia auxiliar dessa Capitania pelo assim ordenar a Rainha Nossa Senhora cuja Real ordem me foi participada pelo Governador e Capitão General da Cidade da Bahia, e da sua execução me remeterão Vossas Mercês certidão com a brevidade possível.
Deus Guarde a Vossas Mercês. Recife 24 de Janeiro de 1780. José Cezar de Menezes.
Senhores Capitães Mores interinos do Rio Grande do Norte, Registrada nos livros desta Capitania para a todo tempo constar. Cidade do Natal, 4 de Fevereiro de 1780/Freire/Bezerra//."
Documentos importantes editados pela Coleção Mossoroense são as "Falas e Relatórios dos Presidentes da Província do Rio Grande do Norte". Neles encontramos informações úteis para as pesquisas genealógicas entre outras.
Em um dos registros encontrados consta a contratação, em cinco de Maio de 1882, de Francisco Avelino da Costa Bezerra, meu bisavô, pela arrematação do dízimo dos gados das freguesias de São Gonçalo, Santa Anna do Mattos e Pau dos Ferros, na importância de 4:101$00. Fico a pensar como alguém naquela época, vivendo em Angicos, poderia fazer a cobrança de dízimos em locais tão distantes.
Em outro documento há o registro da nomeação como promotor  interino, pelo Juiz de Direito, em 10 de Dezembro de 1882, para o Termo de Macau, de Joaquim José Martins Ferreira Junior. Joaquim nasceu nas Cacimbas do Viana, em três de Setembro de 1856, tendo como padrinhos o tio Manoel José Martins e Dona Josefina Maria Ferreira, minha bisavó. Eram seus pais Joaquim José Martins Ferreira e Maria Isabel da Conceição. Eram seus avós paternos o Major José Martins Ferreira e Delfina Maria dos Prazeres.
 O Major José Martins Ferreira casou com Dona Josefina depois de ter cinco filhos naturais com Delfina Maria dos Prazeres. No registro de batismo de Joaquim José, nascido em oito de abril de 1834, um dos filhos naturais, consta Delfina, casada e José Martins, solteiro. Não sei que destino tomou Delfina, mas acredito que os filhos naturais do Major foram criados por Dona Josefina. Segundo meu pai, Dona Josefina era sobrinha do Tenente Coronel Bento José da Costa, da Praça do Recife.