domingo, 11 de abril de 2021

Cascudo e o Revolucionário Misterioso de 1817.

 Por João Felipe da Trindade

jfhipotenusa@gmail.com

    Em um artigo, datado de 10 de junho de 1959,  publicado no "Livro das Velhas Figuras",  com o título "Um Misterioso Revolucionário de 1817" Câmara Cascudo escreveu: Na lista de pessoas do Estado que foram soltos no dia 26 de outubro de 1818 em virtude da lista que o Juiz de Alçada fez entrega ao Ilmo. Exmo. Sr. Conde Governador, para assim se executar, o terceiro é um Pe. Francisco Xavier Garcia, do Rio Grande do Norte. 

    Segundo Cascudo, o único Francisco Xavier Garcia que vivia então no Rio Grande do Norte não era sacerdote secular ou regular. Era um português, casado, pai de muitos filhos, morigerado, quieto no seu lugar e Professor Régio de Gramática Latina. Disse mais o mestre Cascudo, que ele, Francisco Xavier Garcia, não se meteu, de forma nenhuma, na revolução de 1817, embora fosse cunhado do Padre Miguelinho.

    Cascudo argumenta que o Professor Régio tinha um filho Padre, mas era Antônio Xavier Garcia de Almeida, e naquela data de 1817, tinha apenas 20 anos, e não podia ser sacerdote ainda.    

    Reabro aqui a discussão para uma nova pesquisa, por conta de uma possibilidade, que tem como partida a existência de um filho do Professor Régio com o mesmo nome dele: Francisco, filho legítimo de Francisco Xavier Garcia, natural de Lisboa e de Bonifácia Nolasco de Almeida, natural desta Freguesia, neto paterno de Francisco Xavier Garcia, natural da Cidade de Lisboa, e de Antônia Joaquina, natural de Lisboa, e pela materna do capitão Manoel Pinto de Castro, natural do Bispado de Penafiel, e de Francisca Antônia Teixeira, natural desta Freguesia, nasceu aos 29 de março de 1789, e foi batizado, com os santos óleos pelo Padre Bonifácio da Rocha Vieira; foram padrinhos  os avós, e não se continha mais em dito assento, do que mandei fazer este em que por verdade me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.

    Esse Francisco, do batizado, se vivo estivesse, em 1817, teria 28 anos, e pode ter seguido o caminho dos 4 tios padres. Alguns parentes de Miguelinho viveram em Pernambuco e no Ceará, havendo possibilidade desse sobrinho do Padre Miguelinho nunca ter voltado para cá, tendo permanecido incógnito para nós do Rio Grande do Norte. Clara, irmã do Padre Miguelinho, após a Revolução de 1817, foi para o Ceará, tendo se casado com um sobrinho, e por lá falecido, com testamento. Outro irmão do Padre Miguelinho já vivia no Ceará, em 1802.