Por João Felipe da Trindade
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Meu
trisavô, Vicente Ferreira Xavier da Cruz, viúvo de Maria Francisca Duarte, se casou, em 1840, no Sítio São José, da
Freguesia de Santana do Matos, com Maria Inácia Rosalinda Brasileira, filha
legítima de Cosme Teixeira de Carvalho, já defunto, e de sua mulher Maria Inácia de Carvalho, e
estavam presentes José Tomaz Pereira e Luiz da Rocha Pita. Cosme Teixeira de
Carvalho, por um assentamento de praça de 1789, era casado e tinha 35 anos. Em
1827, Rita Teixeira de Carvalho, filha de Cosme Teixeira de Carvalho e de Aldonsa
da Fonseca Pita, se casou com o primo José Tomaz Pereira, filho do alferes
Antônio Tomaz Pereira e sua mulher Joana Quitéria, e nessa data sua mãe era
falecida. Outro filho de Cosme e Aldonsa, de nome João Teixeira de Carvalho, se
casou em 1850, com sua prima, Cipriana
Maria de Jesus, filha de João Crisóstomo e sua mulher Francisca Xavier. Em 1833, Ana
Catarina da Conceição, filha de Cosme Teixeira de Carvalho e Aldonsa da Fonseca
Pita, (no registro Aldonsa Maria), se casou com João Tavares da Silva, filho de
Manoel Tavares da Silva e Joana Quitéria Olaia de Lima, presentes Antônio Tomaz
Pereira e Vicente Ferreira de Lima, casados.
Esses
sobrenomes Fonseca Pita e Rocha Pita me chamaram a atenção, pois no século
XVIII, Antônio da Rocha Pita, Aldonsa de La Penha Deusdará, Francisco da Rocha
Pita, Simão da Fonseca Pita, Luiz da Rocha Pita Deusdará e Maria Joana, da
Bahia, eram sesmeiros aqui no Rio Grande
do Norte. Assim, procuro a relação desses sesmeiros com a primeira esposa do
meu tetravô Cosme Teixeira de Carvalho.
Antônio
da Rocha Pita era natural de Portugal, tendo vindo para o Brasil, segundo
testemunhas, quando tinha 20 anos de idade. Se casou a primeira vez com Maria
da Rocha Pita, e enviuvando se casou com Aldonsa de La Penha Deusdará. Do primeiro
casamento consta apenas Francisco da Rocha Pita, que equivocadamente aparece em
alguns trabalhos como filho da segunda mulher.
Francisco
da Rocha Pita, filho de Antônio da Rocha Pita e de sua mulher Maria da Rocha,
neto de Valentim da Rocha Pita, requereu mercê do hábito de Cristo, em 1713.
Era sobrinho de Cristóvão da Rocha Pita. No seu assentamento de praça, em 18 de
fevereiro de 1704, como soldado, na Companhia do Mestre de Campo, João
Honorato, do terço novo do presídio da cidade da Bahia, constava que era filho de Antônio da Rocha
Pita, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Encarnação de Passé, de idade de
17 anos, alvarinho, cara redonda, olhos grandes e azuis, com um golpes de
feridas no queixo da parte esquerda, e alguns
sinais pardos pelo rosto, tendo
permanecido 3 anos, 5 meses e 10 dias, conforme extraiu o capitão Francisco
Dias do Amaral, do livro de matrículas, em 27 de julho de 1707. Mas adiante,
consta, através de testemunhas, que Maria da Rocha, primeira mulher de Antônio
da Rocha Pita, era irmã de Cristóvão da Rocha Pita, sendo os dois filhos únicos
de Valentim da Rocha Pita. Para conseguir o hábito da Ordem de Cristo,
Francisco da Rocha Pita usou os serviços prestados pelo seu avô Valentim da
Rocha Pita, e o seu tio Cristóvão da Rocha Pita, por doação deste.
Francisco
da Rocha Pita, homenageou esse seu tio através de um filho: Aos 12 de julho de
1721, foi batizado na Igreja Matriz, a criança Cristóvão, filho legítimo de
Francisco da Rocha Pita e sua mulher Rosa Maria Magalhães, tendo sido padrinho
o padre batizante e Dona Micaela. O Capitão-mor Cristóvão da Rocha Pita,
natural da Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Matoim, filho legítimo de
Francisco da Rocha Pita e de sua mulher Rosa Maria Magalhães, renunciou o
hábito da Ordem de Cristo em favor do seu sobrinho e afilhado o coronel Estácio
da Rocha Pita Brandão, filho do seu irmã capitão Tomé Lançarote Pereira Pita. O
Coronel Estácio era muito querido de seu tio e padrinho, que o criou como um
filho. Em 8 de dezembro de 1758, na Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de
Matoim, foi batizado Estácio, filho de Perpétua Pereira Marinho e de Tomé
Lançarote Pereira Pita, sendo padrinhos Cristóvão da Rocha Pita e dona Ana
Maria de Jesus Uzeda e Luna.
Antônio
da Rocha Pita, quando faleceu era devedor de Mateus Rodrigues, e por isso essa
dívida se transferiu para os filhos. Na sequência essa dívida se deslocou até o
neto Cristóvão da Rocha Pita, como coerdeiro, testamenteiro e sobrinho de Simão da Fonseca Pita. Em 1768,
Cristóvão recebeu uma patente de capitão-mor de um terço de ordenança da parte
Norte da capitania da Bahia. Filho de
Francisco da Rocha Pita, o capitão-mor Cristóvão da Rocha Pita, deve ter se
casado, para ser coerdeiro, com uma filha de Simão da Fonseca Pita.
Ainda
da família de Francisco da Rocha Pita, o que segue: No registro de batismo de
Francisco da Rocha Pita Gomes de Sá, consta: aos 12 de outubro de 1768, na
Capela de Nossa Senhora do Crato, freguesia da Matriz de Nossa Senhora da
Piedade de Matoim, de licença do Muito Reverendo Doutor Vigário Geral, Gonçalo
de Sousa Falcão, cura da Sé da Bahia, batizei e pus os santos óleos a
Francisco, nascido na sobredita Freguesia da Sé, em 28 de agosto, próximo
passado, filho legítimo do Mestre de Campo Antônio Gomes de Sá, e de sua mulher
Dona Francisca da Rocha Pita, foram padrinhos o capitão-mor Cristóvão da Rocha
Pita, viúvo, e sua irmã Dona Rosa Leonor Pereira Marinho, solteira, tios do
mesmo menino, moradores nesta Freguesia. Vigário João Martins da Silva.
Para
ir mais longe nessa família vamos começar com um processo do esposo de Maria
Joana, filha de Antônio da Rocha Pita e Aldonsa de La Penha Deusdará:
As
disputas de terras entre Manoel Nogueira Ferreira e Antônio da Rocha Pita
perduraram ainda por muito tempo após a morte deles, através dos filhos de
ambos. Margarida de Oliveira Nogueira, viúva de Gaspar de Araújo Maciel, e
Antônia de Freitas, viúva de Manoel de Carvalho Tinoco, a primeira filha do
dito Manoel Nogueira Ferreira com sua primeira mulher Maria de Oliveira Correia,
e a segunda, com a segunda mulher Luzia de Freitas, peticionaram contra o
coronel Luiz da Rocha Pita Deusdará e seus irmãos Simão da Fonseca Pita e
Francisco da Rocha Pita, filhos de Antônio da Rocha Pita, e as suas respectivas
mulheres quando houvesse.
Nesse
processo aparecem os nomes dessas mulheres do filhos de Antônio da Rocha Pita:
Ana Luz de Vasconcelos, mulher de Simão
da Fonseca Pita, morador no Engenho Caboto, em um primeiro momento, e Antônia
Vilas Boas, posteriormente, no ano de 1742, e como esposa de Francisco da Rocha
Pita, Dona Leonor Pereira. A certa
altura do processo, maio de 1740, foi
passada uma certidão de Francisco da Costa das Almas, Escrivão da Freguesia de Passé, termo da
Cidade da Bahia, certificando, que
diferentemente do que constava nos autos,
Francisco da Rocha Pita não era filho de Aldonsa de La Penha Deusdará,
mas da primeira mulher de Antônio da Rocha Pita, sem destacar o nome dela, que
já sabemos ser Maria da Rocha Pita.
Vale
salientar que lá no Apodi, encontramos os seguintes requerimentos de sesmarias, por parte do coronel Luiz da Rocha Pita
Deusdará, Francisco da Rocha Pita, Simão da Fonseca Pita e Maria Joana, filhos
e herdeiros do capitão Antônio da Rocha Pita: Sitio Malhada Vermelha, Passagem
Velha e São Miguel, na Ribeira do Apodi.
Em
História de um Engenho do Recôncavo, Wanderley Pinho conta que Luiz da Rocha
Pita Deusdará, morreu solteiro, enquanto Simão da Fonseca Pita se casou com a
prima Antônia da Fonseca Vilas Boas, nascendo daí outra Aldonsa de La Penha
Deusdará, que foi casada com Amaro de Sousa Coutinho. Esta última Aldonsa
faleceu como também os filhos do casal. Em 1739, Simão da Fonseca Pita e sua
mulher Antônia Luiza de Vasconcelos Vilas Boas fez escritura de doação como
dote para essa filha, Aldonsa Maria de La Penha Deusdará, que se casou com Amaro.
Com
relação a outros Pitas, encontramos Luiz da Rocha Pita, requerendo Sesmaria em
São José do Piauí, no ano de 1802; em 1726, aparece como provedor-mor da
Alfandega da cidade da Bahia, Sebastião da Rocha Pita; em São João do Morro
Grande, um padre de nome Manoel Antônio da Rocha Pita; no Rio Grande do Sul, em
1799, surge Luiz Caetano da Rocha Pita Deusdará, cunhado de Antônio Rodrigues
de Macedo; em 1699, Dom João da Rocha Pita, Chanceler da Relação da Bahia.
Aqui,
os mais antigos que encontrei, depois dos filhos de Antônio da Rocha Pita
foram, Aldonsa da Fonseca Pita, José Antônio da Fonseca Pita, Luiz da Rocha
Pita e Simão da Fonseca Pita. Vejamos alguns detalhes que possam nos ajudar a
encontrar o elo com os velhos sesmeiros.
De
Aldonsa da Fonseca Pita, já citamos três filhos com Cosme Teixeira de Carvalho.
De
José Antônio da Fonseca Pita e Maria Ludovina da Apresentação o filho Simão da
Fonseca Pita, de 20 anos, natural de Santana do Matos, que se casou na Matriz
do Assú, em 29 de setembro de 1830, com Maria Jacinta de Sousa, de 15 anos,
filha natural de Inácia Joaquina de Jesus, do Assú, presentes o alferes João
Pegado de Siqueira, casado, e Antônio
Ferreira Souto, viúvo.
Luiz
da Rocha Pita, casado, e minha trisavó, Maria Inácia Rosalinda Brasileira, filha
de meu tetravô Cosme Teixeira de Carvalho, e ainda solteira, foram padrinhos em
1837, de Maria, filha de João Ferreira de Miranda e Joaquina Maria da
Conceição; de Luiz da Rocha Pita, possível filho de Aldonsa da Fonseca Pita, os
filhos com Leonarda Maria da Apresentação:
1
- Luiz Valcácer da Rocha Pita, que se casou com Antônia Ferreira de Miranda, em
alguns registros Antônia Joaquina de Miranda, filha de João Ferreira de Miranda
e Joaquina Maria da Conceição, não encontrei o casamento. Luiz Valcácer da
Rocha Pita, em 1868, no Sítio São José, teve um escravo batizado, sendo
padrinhos Galdino Evaristo da Silva Guimarães, solteiro e Belmira Leopoldina de
Araújo, por sua procuradora Maria Cândida Guimarães. Essa Belmira deve ser a que
aparece casada com Francisco da Circuncisão Pita Deusdará, em 1874, sendo madrinha.
2
- João Luiz da Rocha Pita, que se casou, no Sítio São José, em 2 de outubro de
1850, com Maria Francisca Nobre, filha de João Ferreira de Miranda e Joaquina
Maria da Conceição, presentes Manoel da Silveira Borges, casado e Felipe Neri
de Carvalho e Silva, solteiro.
3
- Maria Genérica Francelina, que se casou em 1 de março de 1840, em Santana do
Matos, com Manoel da Silveira Borges,
filho de Joaquim da Silveira Borges e Ana Joaquina da Trindade, presentes
Hermenegildo Pinheiro de Vasconcelos e João Martins de Macedo, tendo havido
dispensa de consanguinidade.
4
– Isabel Vivina da Rocha Pita, que se casou com Joaquim Inácio Pereira. Em
1868, nasceu e foi batizada Marcionila, filha de Joaquim Inácio Pereira e
Isabel Vivina da Rocha Pita, sendo padrinhos Manoel Ernesto de Araújo,
solteiro, e Maria Cândida Guimarães, solteira. Marcionila Maria da Conceição, filha de
Joaquim Inácio Pereira e Isabel Vivina da Rocha Pita, se casou, em 16 de
novembro de 1883, na Matriz, com José Leonardo Pereira, filho de Manoel Inácio
Pereira e Antônia Maria da Conceição, presentes Victorino José de Sousa e
Marcolino José da Trindade.
5
– Maria Leonarda da Rocha Pita, freira, não localizei registros.
6
– Aldonsa Salvina Ludovina, que se casou
com Joaquim Nóbrega de Assunção.
7
– Torcato da Rocha Pita, este nasceu em 1832, tendo sido batizado em Angicos, sendo
padrinhos José Tomaz Pereira, casado, e Maria Inácia, casada.
8
– Francisco da Circuncisão Pita Deusdará. Talvez seja Circuncisão, filho de
Luiz da Rocha Pita e Leonarda Maria da Apresentação, que nasceu em 1842, sendo
seus padrinhos Manoel da Silveira Borges e Maria Genérica Francelina sua tia. Francisco
da Circuncisão Pita Deusdará, foi padrinho, por seu procurador João Joaquim de
Assunção, de João, filho de Francisco Joaquim de Assunção e Maria Honorata de
Macedo, em 1867, sendo a madrinha Luiza do Coração de Maria; nesse mesmo ano,
ainda solteiro, foi padrinho junto com Delfina Fausta da Conceição. Manoel
Antônio de Assunção, filho de Francisco Joaquim de Assunção e Maria Honorata de
Miranda, se casou, no Sítio São José, com Ana Emiliana de Miranda, filha de
Luiz Valcácer da Rocha Pita e Antônia Maria de Miranda, presentes Josino da
Silveira Barros e José Felipe dos Santos Bulcão, dispensados no 4º grau e 3º
atingente ao 2º, laterais de consanguinidade.
9 - Manoel Serapião da Rocha Pita que se casou,
em 20 de novembro de 1854, em oratório privado de Santana do Matos, com Jesuína Marfisa Fernandes da Silva, filha
de Antônio Fernandes da Silva e sua mulher Sabina Maria da Silva, presentes
Francisco Luiz da Circuncisão Pita e Absalão Fernandes da Silva. Jesuína
faleceu em 1871, na idade de 36 anos. Ela tinha nascida em 1835, com o nome de
Marfisa, sendo madrinha Rita Teixeira, e quando se crismou mudou o nome para
Jesuína. Manoel Serapião da Rocha Pita, viúvo, e José Maria da Silveira Borges,
foram testemunha em São Vicente, do casamento de João Marcos da Silva, filho de Marcolino Teixeira da Silva e Josefa
Fortunato da Silva, falecida, com Júlia Minervina da Fonseca, filha de Luiz
Pedro da Fonseca Pita e Margarida Catarina da Fonseca Pita, falecida,
dispensados nos 3º e 4º graus laterais iguais duplicado de consanguinidade.
Manoel Serapião tinha ficado viúvo, em 1871, pois sua esposa Jesuína Adalgisa
Fernandes e Silva foi sepultada nesse ano, na idade de 36 anos.
10
– Luiz Pedro da Fonseca Pita, que se casou, no Sítio Tostado, em 4 de outubro
de 1850, com Margarida Ferreira da
Silva, filha de João Tavares da Silva e Ana Catarina da Silva, presentes Manoel
da Silveira Borges, casado, e Felipe Neri de Carvalho e Silva, solteiro. Luiz
Pedro da Fonseca Pita foi padrinho, em um batismo, junto com Maria Cândida da Fonseca Pita, por
seus procuradores José Francisco Alves de Sousa, este casado com minha tia bisavó,
Maria Inácia, e Francisca de Paula Maria
de Carvalho, minha bisavó.
11
– Josefina da Rocha Pita, que se casou com Francisco das Chagas de Carvalho. Não
encontrei registro dessa relação.
Francisco,
filho de Simão da Fonseca Pita e Maria Jacinta, nasceu em 1841; Hermano, outro
filho de Simão e Maria Jacinta, nasceu em 1843; Ludovina, é de 1840, e foi
batizada no Sítio Rossa, sendo seus padrinhos Luiz da Rocha Pita, casado, e sua
filha Aldonsa Salvina Ludovina. Esse batizado deve ser Francisco Simão da
Fonseca Pita, que se casou, em 25 de abril de 1865, em Santana do Matos, sendo
testemunhas João Martins Ferreira da Costa, casado, e Absalão Fernandes da
Silva, solteiro.
Outro
Pita, que não sei de onde veio era Manoel Pita de Vasconcelos, casado com
Manoela Teixeira de Vasconcelos; em 1843, foram batizados, Victo e Francisco,
filho de Manoel Pita de Vasconcelos e Manoela Teixeira de Vasconcelos, sendo
padrinhos Antônio Teixeira de Sousa e Ana Teixeira de Vasconcelos, de um e
Francisco Xavier Torres e Joaquina Florentina Teixeira de Sousa, do outro.
Teófilo, outro filho é de 1845, e foram seus padrinhos Antônio Teixeira de
Sousa e Ana Teixeira de Vasconcelos. Manoela faleceu em 1867, com 57 anos de
idade.