quarta-feira, 3 de outubro de 2012

João Felipe na Memória Viva da TVU


Nesta quinta-feira, estarei sendo entrevistado na TV Universitária – UFRN, no programa Memória Viva, no horário abaixo. No domingo dia 07.10.2012 será reprisado no horário de 16 horas, excepcionalmente, por conta da programação nacional das eleições, que ocupará o horário das 17 horas.

QUINTA-FEIRA: DIA 04.10.2012

19h00 – TVU NOTÍCIAS

19h30 – MEMÓRIA VIVA: “João Felipe da Trindade (Mestre em Matemática)”

20h30 – HORÁRIO POLÍTICO – LOCAL

O Massacre de Uruassú, na carta do capitão Lopo Curado



Essa carta está no livro "Valeroso Lucideno" de Frei Manuel Calado. Foi escrita 20 dias após o massacre de Uruassú.
 
“Relação das últimas tiranias, e crueldades, que os pérfidos holandeses usaram com os moradores do Rio Grande, escrita pelo Capitão Lopo Curado aos dois mestres de campo, e governadores da liberdade de Pernambuco, João Fernandes Vieira, e André Vidal de Negreiros, cujo traslado de verbo ad verbum, é o seguinte:

Em particular aviso a Vossas Senhorias do memorável sucesso do Rio Grande, depois das duas matanças que fizeram os tiranos Flamengos, acompanhados de bárbaros Tapuias e Pitiguares, e nesta derradeira, certo que é incrível a tirania, no qual servirá de maior exemplo, e que escureça todas quantas têm sucedido no mundo em tempo dos imperadores romanos antigos; memória que haverá enquanto durar o dito; pois o sangue derramado de tantos inocentes, clama aos céus justiça, e aos príncipes da terra favor, a tomar vingança de tais tiranos: e para relatar os sucessos, e modos que houve entre os ditos Flamengos de suas deslealdades, e traições, é tomar o tempo a Vossas Senhorias, ainda que o mesmo o há de manifestar; porque tais tiranos quer Deus que os conheçam, para que a cristandade veja, que mais vale passar por todos os tormentos da morte, que viver morrendo entre o nome de tal gente. Patente é a Deus, e ao mundo, e o será daqui em diante às mais remotas nações dele, a traição que usaram os ditos holandeses com os pobres moradores do Rio Grande, estando em uma cerca recolhidos por se livrarem dos bárbaros Tapuias, e Brasilianos, passando, e padecendo nela havia três meses notáveis misérias, nos quais foram acometidos por muitas vezes dos tais inimigos, que ainda não fartos do sangue, que fizeram derramar ao povo de Cunhaú, e casa forte de João de Lostao, pretenderam esgotar o desta pobre gente cercada, para que nela se acabasse o nome português daquela Capitania, para o que dezesseis dias, e noites os tiveram em cerco, assim Tapuias, como Brasilianos e Flamengos, nos quais lhes deram terríveis batarias sem as poderem levar, usando de um ardil, para com ele fazer a obra que pretendiam. E foi, que armaram uns carros emadeirados, levando-os diante de si, com mosquetaria, e outros instrumentos de guerra para chegarem à dita cerca, mas não foi bastante este artifício, porque setenta portugueses que havia nela, ainda que poucos no número, mais muitos no esforço, os arredaram de si de maneira com quinze armas de fogo, e os mais com paus tostados, que lhe quebraram os carros, e os puseram em fugida com perda do dito inimigo de vinte homens, sem da nossa parte perigar nenhum, e vendo os ditos Flamengos que os não podiam render, lhes cometeram que se entregassem, pois eles eram ali vindos da fortaleza, e seu tenente, para os guardarem assim dos ditos selvagens, como dos Flamengos moradores, que com os ditos estavam, os quais lhes tinham feito aquela guerra. E vendo os ditos moradores o tão pouco que se podiam fiar da palavra de tiranos, disseram, que enquanto ali estivessem Tapuias, e Brasilianos, queriam antes morrer, que se entregar; e que tinham bom exemplo na traição das mortes, que fizeram no Cunhaú na casa forte de João de Lostao, ao que lhes responderam, que em nome de S. Alteza o Príncipe de Orange, lhes requeriam se entregassem, e não usassem mais de armas, prometendo-lhes vidas, e fazendas, na maneira que até então os gozavam, e fazendo o contrário que mandariam vir uma peça de artilharia da fortaleza, e com ela os bateriam, e não escaparia nenhum, e os teriam por alevantados. E considerando os ditos cercados, que já não tinham mantimentos nenhuns, nem munições para sustentar as armas, fiados nas palavras dos ditos Flamengos, lhes disseram que fizessem disso um papel, o qual fez o tenente, e os mais oficiais de guerra, em que se assinaram, e nele lhes prometeram de os guardar dos ditos selvagens Tapuias, e Brasilianos, e conservar com a vida, e fazenda; e feito o sobredito, pediram que em reféns haviam de levar cinco moradores para a fortaleza, o que lhes foi concedido: os quais foram Estêvão Machado de Miranda. Vicente de Souza Pereira, Francisco Mendes Pereira, João da Silveira, Simão Correia, deixando eles dez soldados de guarda da dita cerca, e gente que nela estava; e tomaram todas as armas de fogo, e paus tostados com que os moradores se tinham defendido. Estavam mais recolhidos para segurarem suas vidas na fortaleza o P. Vigário Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela o Moço, Joseph do Porto, Francisco de Bastos, e Diogo Pereira, e prisioneiros João Lostao Navarro, Antônio Vilela Cide. Em dois do presente mês de outubro chegou uma lancha do Recife ao Rio Grande, e conforme a execução que se fez, trouxe ordem para matar a todos os moradores de dez anos para cima, como ao diante se verá; em três do dito mês véspera de S. Francisco mandaram os Flamengos da fortaleza sair a todos os moradores que nela estavam, que foram os acima nomeados dizendo que já estavam seguros dos Tapuias, porquanto se tinham ido para o sertão, e que fossem em companhia da tropa que ia em sua guarda para a cerca aonde estavam os outros moradores, visto haver lá muitos mantimentos com que se podiam sustentar, e não estando na dita fortaleza passando fomes por falta de mantimentos, e que iam seguros porquanto tinham lá na dita cerca aos ditos dez soldados, que lhes tinham deixado para sua guarda. No mesmo ponto lançaram aos ditos, que estavam na fortaleza, e em batéis os levaram pelo rio acima três léguas, acompanhados dos soldados, e os lançaram fora no porto do dito rio, chamado de Huruauassu meia légua da dita cerca, na qual acharam passante de duzentos Brasilianos bem armados com Antônio Paraupaba escaramuçando em um cavalo, e tanto que estiveram em terra, os Flamengos despiram nus aos ditos moradores, e os mandaram pôr de joelhos (o que eles receberam com muna paciência, e os olhos em Deus) e logo chamaram aos Brasilianos para os matar, o que se executou logo, fazendo nos corpos destes mártires tais anatomias, que são incríveis; e não contentes com elas, os ditos Flamengos os ajudaram a matar, assim arrancando os olhos a uns, e tirando as línguas a outros, e cortando as partes vergonhosas, e metendo-lhas nas bocas. No mesmo instante que os acabaram de matar, foram os ditos Flamengos à cerca deixando os Brasilianos no lugar em que tinham feito os martírios nomeados para a segunda execução; e aos moradores disseram, que os senhores do Concelho do Recife os mandavam chamar, para o que estava um barco logo para partirem, e que fossem em sua companhia para os embarcarem, e vendo os sobreditos que era a viagem tão apertada, sem lhes darem demora alguma, e sem saberem dos que eram mortos, e disseram todos juntos, e cada um por si, que eles iam morrer, porque seus corações lhos diziam; e despedindo-se com lágrimas, e suspiros de mulheres, filhos, irmãos e irmãs, foram todos dando graças a Deus, e mui conformes, por morrerem por seu Deus, e por seu Rei, e sua pátria, e dizendo estas mesmas palavras aos tiranos algozes que os levavam; e chegando aonde estavam os sobreditos Brasilianos lhos entregaram, e com a tirania, e desumanidade que em seus corações habita, os mataram, sem ficar nenhum; na qual execução se fizeram as maiores anatomias, e martírios nos corpos destes mártires, que são coisas que a boca não pode pronunciar. E acabante as ditas mortes deixaram os corpos postos ao sol, e sobre a terra, e sem sepultura nenhuma, e os membros tão divididos em partes, que não se conhecia quais eram os de cada um dos ditos mártires. No mesmo instante foram os mesmos tiranos Flamengos, e Brasilianos à cerca, aonde somente ficaram as pobres viúvas, e órfãos, e as acabaram de despojar de todos seus bens, deixando-as a muitas nuas, e com outros opróbrios, que passo em silêncio. Julguem agora Vossas Senhorias o que fariam as pobres viúvas, quando souberam dos mesmos algozes, que todos os homens eram mortos, e tão cruelmente, para que os olhos se aprestaram a fontes, e as bocas, para as funerais lamentações de seus consortes, pois é de ver (meus senhores) que até isto estes tiranos tiraram a esta pobre gente, porque querendo lamentar com suspiros, e lágrimas seus desventurados dias; estes tais lho não queriam consentir, e as fizeram calar, ora com ruins palavras, ora com pés, e mãos, dando-lhe de bofetadas, e coices, e ameaçando-as, que as haviam de matar se choravam; e por não passar em silêncio nas pessoas, e nomes de alguns mártires, os declararei por a constância que tiveram em suas mortes, e martírio, Antônio Baracho casado o amarraram em um poste, e vivo lhe arrancaram a língua, e depois o coração, e desta maneira morreu, cortando-lhe suas partes secretas, e metendo-lhas na boca ainda em vivo. A Mateus Moreira o abriram por as costas, e lhe tiraram também o coração, e as últimas palavras, estando neste martírio, que disse, foram louvar a Deus, dizendo: Louvado seja o Santíssimo Sacramento. E porque na morte destes Inocentes, houvessem admiráveis circunstâncias, relatarei a Vossas Senhorias algumas coisas que sucederam mais milagrosas que humanas. Um mancebo por nome João Martins o levaram para morrer com os mais, e sendo todos mortos à vista do sobredito, lhe cometeram que dariam a vida se tomasse armas contra sua nação, a que ele respondeu com alegre rosto: Não me desampara Deus desta maneira, essas tomei sempre contra os tiranos, e não contra minha Fé, Pátria, e Rei. E que o matassem logo porque estava invejando as mortes de seus companheiros, e a glória que tinham recebido, e quando o não quisessem matar, ele mesmo os persuadiria a que o fizessem.
Dois mancebos casados, um chamado Manuel Álvares Ilha, e outro Antônio Femandes, depois de estarem em terra cheios de feridas, e nus da cinta para cima, meteram as mãos nas algibeiras, e puxando cada um por sua faca, e investindo com os Brasilianos mataram logo a três deles, e feriram a quatro ou cinco, fazendo isto com as ânsias da morte, e logo caíram mortos outra vez. Estêvão Machado de Miranda tinha uma menina de sete anos sua filha na fortaleza em sua companhia, e trazendo-a consigo a receber o martírio, vendo a dita menina que os Flamengos queriam matar a seu pai, como aos outros presentes, se abraçou com ele, pedindo a vida do pai com as lamentações, e entendimentos de mulher de muitos anos, e os Flamengos a tiraram dos braços do dito pai, ao que lhe disse o dito: Filha, dize a tua mãe que se fique embora, que no outro mundo nos veremos. E desta maneira o mataram, e a menina tirou a saia depois do pai morto, e se foi para ele, e cobrindo-lhe o rosto, e chorando, e pedindo que a matassem também, a quem os ditos algozes lançaram mão da dita saia, e trouxeram a menina a sua mãe, e ela, e os mais contaram o caso. Uma filha de Antônio Vilela o Moço mataram sendo criança pequena, pegando-lhe os Tapuias à vista dos Flamengos em uma perna, e dando-lhe com a cabeça em um pau, e a fizeram em dois pedaços. E a outra filha de Francisco Dias o Moço a mataram também, e a abriram em duas partes com um alfanje. E a uma mulher casada com Manuel Rodrigues Moura, depois do dito morto, lhe cortaram as mãos, e os pés, e a sobredita mulher em três dias naturais esteve deitada no chão viva, e acabou dando a alma ao Criador.
Diversos martírios deram neste dia aos corpos dos mártires, e houve nele muitos milagres patentes, e vistos, que quis Deus mostrar que os tais iam a gozar da bem-aventurança.
Sucedeu pois que aquela noite que padeceram se ouvisse uma música no céu sobre a fortaleza do Rio Grande, e ouvindo-a a mulher de um flamengo chamado Gesman (Joris Garstman) governador das armas nesse Recife, se levantou chamando por algumas mulheres, e também por suas escravas para que ouvissem a música que ia no céu, o qual caso testificou a sobredita; certo presságio que foram os anjos que acompanhavam as almas destes mártires para o céu. Na cerca donde tinham saído os ditos mártires estava entre outras meninas uma filha de Diogo Pinheiro de idade de oito anos, chamada Adriana, e dando-lhe vontade de chorar, entrou para uma camarinha por não ser vista, aonde achou uma mulher com um azorrague na mão, e lhe disse: Cala-te filha, que com este azorrague que aqui vês, hão de ser castigados estes que fazem estas crueldades, como logo saberás.
Atribulada a menina saiu para fora, e vendo as mulheres a mudança dela, lhe perguntaram o que tinha? E como assombrada contou o sucesso, e dai a pouco chegou a nova dos inocentes mortos, que certo bem parece que a Virgem Senhora Nossa tem tomado o castigo destes tiranos à sua conta. Naquela mesma noite houve grande cheiro de incenso na dita cerca, que durou muito tempo, e foi patente a todos, sem se saber donde o dito cheiro procedia senão do céu. Houve também entre estes mártires grandes penitências, sem saberem uns dos outros, e ao dia que padeceram, jejuavam todos a pão, e água, assim os da fortaleza, como os da cerca, não sabendo uns dos outros, ao outro dia por manhã pediram licença as mulheres para irem a enterrar os corpos mortos, e não lh'o consentiram; o que os escravos fizeram às escondidas, e não se achou um palmo de pano para os amortalharem a nenhum, por deixarem as ditas mulheres em estado que ficaram despidas de todo, achou-se que todos estes corpos estavam com cilícios, e os que os não tinham com cordas cingidas, e algumas tão metidas por a carne que mal apareciam. E sabe-se que durante o tempo que estavam cercados houve extraordinárias penitências, e até os meninos as faziam, sendo todos nus, e com cordas cingidas, e todos os dias se faziam procissões com um Santo Crucifixo, esperanças claras destas almas estarem gozando da bem-aventurança. Sobre a sepultura aonde foi enterrado o P. Vigário Ambrósio Francisco Ferro se achou quinze dias depois da sua morte uma posta de sangue fresca sem corrupção, como se naquela hora fosse derramado, mostras bastantes, que o tal brada ao céu justiça. Muitas outras coisas milagrosas sucederam, dignas de se recontarem, que deixo ao tempo, no qual fio não passará, e todas acima declaradas foram vistas, e juradas, e autênticas por vinte cinco mulheres que o inimigo botou nesta Paraíba, com suas famílias, as ditas chegaram de maneira, e tão transfiguradas que mais parecem pessoas ressuscitadas que viventes corpos.
O Bolestrate as mandou deitar aqui, e a algumas lhes concedeu alguma roupa que traziam sobre os corpos, mas em as querendo desembarcar em terra as despiram de maneira que apenas trouxeram camisas, as quais lhe largaram por já não terem préstimo para serviço de outro corpo. Vossas Senhorias perdoem o compêndio da carta, que lhes afirmo que se houvera de relatar o que se tem passado naquela Capitania houvera mister muitas mãos de papel, contudo o faço destas sobre ditas coisas acima, que não faltarão curiosos para o fazer do mais que falta, porque Deus o permite, e manda que sejam públicas as maldades destes tiranos.
Deus guarde a Vossas Senhorias, hoje vinte e três de outubro de mil e seiscentos e quarenta e cinco anos. Lopo Curado Garro”.
Parte de uma Genealogia de Antonio Vilela Cid e Estevão Machado de Miranda



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Você aguenta um 2º turno?

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
É difícil se falar em democracia em um país onde a ignorância e a injustiça social ainda estão presentes e tornam seus habitantes presas fáceis dos espertos. As propagandas não são apresentadas de forma correta para se fazer uma boa escolha. A ideia do marketing não é mostrar os candidatos como são de verdade, mas induzir o eleitor a acreditar em um candidato fabricado. E nós não fomos preparados para ver a verdade no falso, como diria Krishnamurti. Lógica, percepção, atenção e compreensão não são ensinadas nas nossas escolas para nossas crianças. Diferentemente do que pensa Amanda Gurgel, é na sala de aula que podemos mudar o mundo. Nas Câmaras Municipais de hoje, isso é impossível, como ela vai perceber se for eleita. Lá o que muda de verdade é o eleito, que é cooptado por um sistema de trocas. Nenhum projeto sobre educação dará certo, se não houver mudanças dentro da sala de aula. Estímulos externos, tipo bolsas, escola modelo, horário integral não resolvem coisa alguma. Tudo isso é periférico e não concorre para transformar a capacidade de compreensão das pessoas ou dos eleitores.
Uma coligação que leva ao ar a informação que o fracasso de dois mandatários, nos seus respectivos governos, é resultado de eleição em primeiro turno, não respeita a lógica, ou então usa o livro de Shopenhauer: Como vencer um debate sem precisar ter razão.
Usar as decisões da justiça, erradamente, ou as manchetes montadas dos jornais para confundir o eleitor é puro malabarismo eleitoral. Parece coisa combinada – você monta a manchete ou grava a declaração de fulana que nós replicamos na nossa propaganda.
Ninguém está suficientemente preparado para governar uma cidade com muitas dificuldades. Quem for eleito terá que fazer escolhas e pagará por isso. Os programas são meros esboços de vontade. Eles estão na mente e no papel, mas esbarram na realidade crua de um mundo que cresce desordenadamente, onde as capitais são privilegiadas e as cidades do interior são esquecidas. Não cabe amadorismo na administração municipal.
Há uma crise no mundo, no Brasil, no Rio Grande do Norte e nos municípios que alguns candidatos ignoram. Eles não conhecem a relação despesas/receitas, não conhecem as regras a que está sujeito o serviço público, e em particular a Prefeitura da Cidade do Natal. No dia que um eleito tomar posse, tomará conhecimento das muitas dificuldades de uma administração pública, bombardeada o tempo todo pelos diversos Ministérios Públicos, Justiça, Tribunais de Contas, Câmara Municipal, sindicatos, líderes comunitários e jornalistas. Nem com a boa vontade do governo federal ou estadual, teremos mudanças significativas. Todos sabem disso.
Fui presidente do Conselho de Saneamento Básico da Cidade do Natal. Conheci de perto a nossa Companhia de Águas e Esgotos (CAERN). Naquela data, 2003, estava completamente endividada e comprometida com toda a manutenção da estrutura do programa de recurso hídricos herdada do Governo Garibaldi. O esgotamento sanitário, as drenagens, não são coisas fáceis que se resolvam de uma hora para outro. As lagoas de captação e o destino dos dejetos são constantemente contestados pelos moradores ou o ministério público.
A regularização fundiária, tão prometida, não se resolve só com dinheiro. Quem tem terreno e casa sabe as dificuldades, principalmente, se há pendengas jurídicas ao longo dos anos.
Somente se colocará os postos de saúde em funcionamento total, equipando-os com materiais e servidores habilitados. Como fazer isso, se a folha de pagamento do município já atravessou o limite prudencial, e, atualmente, são feitos cortes em coisas essenciais.
A manutenção das praças por si só, tem um custo alto. Se houver opção por novas praças, se comprometerão as praças já existentes; os formigueiros já começam a aparecer em alguns canteiros de algumas avenidas; a guarda municipal, hoje existente, não é suficiente para cobrir todos os próprios da Prefeitura, e mais, não é suficiente nem para cobrir as escolas públicas municipais, e, por isso, há necessidade de se contratar novos guardas, aumentando consequentemente a folha, já exaurida; para melhorar a coleta de lixo, tem que se pagar as contas das empresas, em primeiro lugar, e isso não é fácil; as calçadas levarão anos para serem corrigidas, a menos que haja uma legislação mais precisa sobre elas; a malha viária não é tão fácil de  recuperar em pouco tempo, pois os muitos buracos acabaram por comprometer toda a sua extensão; a dívida ativa que a Prefeitura tem a receber e atinge a casa de 1 bilhão de reais não é fácil de entrar nos cofres municipais.
Janeiro de 2013 é um mês de acomodação, transição, conhecimento do que está ocorrendo de verdade. E o futuro gestor não poderá usar mais o retrovisor e correrá o risco de se desgastar rapidamente.
Um segundo turno não trará novidades sobre os candidatos e seus programas. Pior, ainda, é que começaria uma série de negociatas que o eleitor não tomaria ciência de suas cláusulas. Os debates na televisão não dariam uma visão correta dos candidatos, pois seriam semelhantes ao que estamos vendo agora. Você já conhece esse povo que está aí ou seus partidos. Você aguenta um segundo turno?

domingo, 30 de setembro de 2012

Um Lopes Galvão na Ilha de Manoel Gonçalves e outras localidades

João Felipe da  Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Vez por outra, encontro um Lopes Galvão onde menos espero. Transcrevo aqui o casamento de um deles que encontrei em livros de Touros, mas  que foi celebrado na Ilha de Manoel Gonçalves e outros registros em outras localidades.
- Aos cinco de setembro de mil oitocentos e trinta e cinco, depois de feitas as diligências de estilo, e não aparecer impedimento algum, canônico, e nem civil, de licença minha, o Reverendo Frei José de Santo Alberto, da ordem dos Carmelitas, assistiu ao recebimento matrimonial e sacramental dos nubentes Francisco Lopes Galvão, filho legítimo de Cipriano Lopes Galvão, e de sua mulher Anna Francisca, falecida, com Felipa Maria da Conceição, filha legítima de José de Sousa Galvão, e de sua mulher Silvana Maria da Conceição, e os abençoou perante as testemunhas José Ignácio de Miranda, e André de Sousa Miranda e Silva, solteiros, e moradores na Ilha de Manoel Gonçalves, onde se fez este Sacramento. E para constar fiz este assento em que me assino. O vigário por oposição, Felis Alves da Cruz.
Outro filho de Cipriano e Anna casou em Guamaré como podemos ver na transcrição a seguir:
- Aos dez dias do mês de maio, de mil oitocentos e trinta e oito na Capela de Guamaré, corridos, digo, pelas cinco horas da tarde, corridos os banhos, sem impedimento, na forma do direito, precedendo exame de Doutrina e Confissão Sacramental, de minha licença, o Reverendo David Martins Gomes, presente as testemunhas Francisco José Soares e Antonio Ferreira de Brito, assistiu ao recebimento matrimonial dos meus paroquianos José Galvão de Sousa, e Maria Freire da Silva, moradores nesta Freguesia, ele filho legítimo de Cipriano Lopes Galvão, e da falecida Anna Francisca de Sousa, e ela filha legítima de João Freire da Silva, e de Gertrudes Gomes da Rosa, e lhe deu as bençãos nupciais, na forma do estilo, do que para constar fiz este assento, em que me assino. Felis Alves da Cruz, vigário colado.
Mais um registro de filho de Cipriano e Anna Francisca.
- Aos seis dias do mês de setembro de mil oitocentos e quarenta e dois, no Sítio das Bicudas, em desobriga, pelas onze horas do dia, depois de corridos os banhos, sem impedimento, confessados e examinados em Doutrina Cristã, se receberam em matrimônio, por palavras de presente, e mútuo consenso, os nubentes Alexandre Lopes de Sousa, filho legítimo de Sipriano Lopes Galvão, e de Anna Francisca, já falecida, e Fausta Maria, filha de Luis Correa Xaves, e de sua mulher, Joanna Maria da Soledade, brancos, meus paroquianos, em minha presença que lhes dei as bençãos nupciais, e das testemunhas assinadas ao pé da certidão, José Bezerra da Costa, e Francisco Ferreira da Costa, brancos, casados, moradores nas Bicudas; e para constar fiz este assento em que me assino. Antonio Camello Valcácer, Vigário Apresentado.
Nos registros acima aparece Cipriano Lopes Galvão, viúvo. Na sequência o casamento dele com a segunda esposa, Francisca Freire.
-Aos três dias de agosto de mil oitocentos e quarenta e quatro, na povoação de Caissara, desta Freguesia, em desobriga, depois de corridos os banhos sem impedimento, confessados e examinados em Doutrina, pelas quatro horas da tarde, se receberam em matrimônio por palavras de presente, em mútuo consenso, os nubentes Sipriano Lopes Galvão, viúvo de sua finada mulher Anna Francisca de Sousa, com Francisca Freire da Silva, filha legítima de José Nunes de Oliveira, já falecido, e de sua mulher Izabel Correa de Brito, brancos, meus paroquianos, em minha presença, que lhes dei as bençãos nupciais e das testemunhas assinadas ao pé dos banhos, Jerônimo Freire de Queiroz, e Vicente Ferreira de Brito, brancos, casados, moradores em Caissara, e para constar fiz este assento em que me assino. O Vigário Antonio Camello Valcácer.
Em Caissara casou outro filho de Cipriano e Anna Francisca
-Aos dois dias do mês de setembro de mil oitocentos e quarenta e dois na povoação de Caissara, em desobriga, depois de corridos os banhos sem impedimento, pelas três horas da tarde, depois de confessados, e examinados na Doutrina Cristã, se receberam em matrimônio por palavras de presente, e mútuo consenso, os nubentes Manoel Galvão Lopes de Sousa, filho legítimo de Sipriano Lopes Galvão, e de sua mulher Anna Francisca de Sousa, já falecida, com Florinda Maria da Soledade, filha legítima de Luis Correa Chaves, e de sua mulher Joanna Maria da Soledade, brancos, meus paroquianos, em minha presença, que lhes dei as bençãos nupciais, e das testemunhas assinadas ao pé da certidão, Pedro José dos Santos, e João Francisco Caxo, casados, moradores em Caissara, e para constar fiz este assento, em que me assino. Antonio Camello Valcácer, Vigário Apresentado.
Em Papari, aparece outro Francisco Lopes Galvão, já falecido, cuja relação com o anterior não foi encontrada. 
- Aos treze de novembro de mil oitocentos e quarenta e seis, pelas onze horas do dia, nesta Matriz de Nossa Senhora do O' de Papari, feitas as denunciações do Sagrado Concílio Tridentino, de que não resultou impedimento algum, em presença do celebrante Reverendo Gregório Ferreira Lustosa, vigário da cidade de São José de Mipibú, com licença de mim, pároco abaixo assinado, e das testemunhas Bernardo da Costa Lustosa e Francisco Chavier Carneiro, casado, moradores na (ilegível) casaram-se em face da Igreja solenemente, Joaquim Lopes Guarin, branco, de idade de vinte e cinco anos, filho legítimo de Francisco Lopes Galvão, falecido, e Theresa Maria de Jesus,  com Violante Rozalinda da Silva, branca, de idade de vinte anos, filha legítima de Francisco Chavier de Macedo, falecido, e Catharina Barbosa da Silva. O nubente é natural  da Freguesia do Assú, donde veio de menoridade para a Freguesia da cidade de São José, onde era morador, e a nubente natural da Freguesia de Brejo de Areia, donde veio criança para esta de Papari, onde é moradora, de cujas naturalidades e domicílios demonstraram habilitados, com consta de documentos que ficam recolhidos no arquivo desta Matriz, foram abençoados conforme os ritos cerimoniais da Santa Igreja; e igualmente examinados em Doutrina Cristã. Estão dispensados do segundo grau simples de afinidade ilícita contraído pelo nubente, no que se achavam ligados. E para constar faço este termo em que me assino com o Reverendo Assistente e testemunhas. Vigário José Marcos do Santos Brígido, Gregório Ferreira Lustosa.
O registro a seguir não trás as informações sobre os pais dos nubentes, mas pelo sobrenome do noivo deve ser um dos filhos de Francisco Lopes Galvão e Anna Francisca de Sousa.
- Aos dezessete de janeiro de mil oitocentos e quarenta e nove em Oratório privado da casa do nubente, assisti ao contrato matrimonial de Trajano Lopes Galvão de Sousa, com Luzia Maria da Conceição, e nenhum impedimento apareceu e lhe dei as bençãos nupciais conforme o ritual romano, sendo testemunhas o tenente Vicente Ferreira de Brito, e capitão Jerônimo Freire de Queiroz, casados. E para constar mandei fazer este assento, em que me assino. Vigário Amaro José de Carvalho.
O registro a seguir é colocado aqui por fazer referência a esposa do velho Cypriano Lopes Galvão, Dona Adriana de Olanda de Vasconcellos.
-Aos vinte e oito de setembro de mil setecentos e cinquenta e seis, de licença do Reverendo Vigário Doutor Manoel Correa Gomes, na Matriz desta cidade, batizou e pôs os santos óleos, o Reverendo Padre Francisco de Albuquerque de Mello a Philippa, filha do capitão Manoel Gomes da Silveira, e de sua mulher D. Maria de Albuquerque de Mello; foram padrinhos  o capitão Manoel de Oliveira e Mello, casado, e Dona Adriana de Olanda de Vasconcellos, mulher do sargento-mor Cypriano Lopes Galvão, por seu bastante procurador capitão Faustino da Silveira, de que mandou lançar este assento, o Muito Reverendo Senhor Doutor Visitador que abaixo assina. Marcos Soares de Oliveira, visitador

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Câmara ruim, cidade pior ainda


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
João Felippe foi o último intendente de Angicos do período monárquico. No novo regime, todas as Câmaras Municipais foram dissolvidas por causa do estado de decadência em que se achavam essas instituições. Naquele tempo não havia a figura do Prefeito. Eram eleitos 7 vereadores e o mais votado era, automaticamente, o presidente da Câmara e  Intendente da Cidade. Além disso, eles não eram remunerados, mas multados se faltassem às sessões sem justificativas. As novas Câmaras Municipais não se tornaram melhores com o advento da República.
Hoje, muitas vezes, os eleitores fazem as escolhas do prefeito com mais cuidado do que a escolha para vereador, sem se dar conta que uma cidade depende da Câmara em muitos aspectos, e, por isso, é tão importante a escolha de um bom legislador.
O Plano Plurianual do Município, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, e o Orçamento Anual são aprovados pela Câmara Municipal. É nesse momento da votação desses instrumentos que os fiscais do povo apreciam os projetos e a aplicações dos recursos da cidade. Neste ano de 2012, os atuais vereadores vão examinar o orçamento para o ano de 2013, atualmente na Câmara. Caberá aos novos vereadores, eleitos agora em 2012, a responsabilidade pelo Plano Plurianual que vigerá de 2014 até 2017, e pelos orçamentos anuais de 2014 até 2016. Portanto, é importante que os novos membros da Câmara sejam pessoas preparadas, pois o destino da cidade estará em suas mãos. Se elas não entenderem de orçamento, de projetos, de finanças, de leis, e não conhecerem as necessidades da cidade, os munícipes serão penalizados.
O primeiro momento do prefeito, eleito agora em 2012, com a Câmara Municipal, já se dá na votação do orçamento para o ano que se segue. É a Câmara atual que vota o dito orçamento. Em virtude da situação atual da Prefeitura, há necessidade de muita lucidez com relação a aprovação desse orçamento para o ano seguinte, pois há um prefeito em exercício que encaminhou e um prefeito eleito que vai executar.  Sem bom senso, quem vai perder será a cidade do Natal. Há uma copa no meio disso tudo.
No ano de 2013, o novo Prefeito deverá encaminhar o Plano Plurianual com base, principalmente, no programa que apresentou na campanha.
É também a Câmara quem aprecia toda proposta de lei do executivo, como também as que lhe são pertinentes. As regras que regem a cidade e seus habitantes são apreciadas pelos vereadores. O Plano Diretor da Cidade, por exemplo, está nas mãos dos vereadores, como todos conhecem. Câmara ruim, cidade pior. Por isso os eleitos devem ser os melhores. Eles devem ser pessoas que tenham domínio sobre os problemas da cidade e sejam capazes de votar com conhecimento de causa.
Lembre-se que eleger é escolher. Este ano temos em vários partidos vários candidatos bons, mas sem tanta visibilidade ou recursos. É uma espécie de concurso, onde não há provas de conhecimento e títulos, e, por isso, a responsabilidade de cada um é fundamental. Você, que reclama o tempo todo dos problemas da cidade, vai fazer sua escolha de forma estritamente pessoal? Vai votar no seu vizinho, no pastor da sua Igreja, no seu primo, na mulher do seu amigo, no filho do candidato que você sempre votou, no jogador do seu time preferido ou no candidato que lhe dava coisas de graça e agora está cobrando?
A lei eleitoral tem, ainda, muitos defeitos. Um suplente de senador sem nenhum voto pode chegar ao Senado; um vice-qualquer coisa pode chegar ao poder, sem se saber nada sobre a vida dele; um candidato medíocre pode ser vereador arrastado por um campeão de votos da sua coligação.
 Você está lembrado como se comportaram os eleitos de 2008? Tem consciência do que eles aprontaram? Por que a maioria estava com a Prefeita da Cidade do Natal se a população não aprovava a administração dela? O que levou esses eleitos a permanecerem ligados a ela? Há uma explicação razoável para isso? Eles são ou não os representantes do povo? Ajudaram a mudar o destino da cidade?
Lembre-se que são 29 vagas para este concurso eleitoral, onde os aprovados começam ganhando mais que um médico, uma enfermeira, um professor, um advogado e tantos outros concursados da Prefeitura. Sei que, se não tivessem que passar por uma eleição, muitos de vocês gostariam desse emprego maravilhoso, que realizaria seus sonhos de uma Land Rover, de uma Hilux, de uma casa de praia, de um novo apartamento, de vários assessores, e tudo em meio expediente.
Vaca de presépio fica para o dia de Natal, e não para a cidade do Natal.
Neste fim de período eleitoral, muito cuidado com o fermento dos fariseus. Há muita manipulação com os resultados das pesquisas. Cada um escolhe a forma mais conveniente, para si, de apresentá-la ao povo. Teses aparentemente lógicas em cima de hipóteses completamente falsas!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Cuidado, política causa perda de memória

Parque da Cidade, a testemunha
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
No mundo todo esse fenômeno deve ocorrer. Os políticos vão se esquecendo de fatos de suas carreiras, de seus partidos, e da história. Quando mudam de partido a coisa piora. Perdem os discursos anteriores e se transformam em novos idealistas do socialismo, do trabalhismo, do humanismo, do comunismo, da democracia ou da ecologia. Surpreendem até os velhos militantes. Quando há eleições, a impressão que tenho é que eles se transformam em marionetes dos coordenadores de suas campanhas. Perdem a racionalidade e a memória. Às vezes, penso que eles viviam noutros lugares ou não prestavam atenção ao que acontecia por aqui.
Fiz parte da administração municipal da cidade do Natal do começo de 2003 até final de 2008. Sem nenhum vínculo partidário ou pessoal, fui convidado pelo Prefeito para conduzir a Secretaria de Planejamento no ano de 2003 e nos anos seguintes, a Secretaria de Administração. Por isso, posso lembrar, neste pequeno espaço, algumas coisas daquele período, embora um exame dos Diários Oficiais do Município revele muito mais. Foi um período rico de realizações, mesmo com os parcos recursos orçamentários.
Natal teve bons prefeitos, mas nenhum solucionou boa parte dos problemas da cidade. Digo mais, nenhum que assumir, proximamente, vai conseguir, mesmo que tenha 20 anos de mandato. A cidade é um ser vivo que se modifica a cada momento, muitas vezes contra a própria vontade dos seus moradores. Nenhum prefeito pode eleger todas as áreas como prioritárias, é materialmente impossível. Ademais, questões maiores como Educação, Saúde, Segurança e Saneamento (incluindo aí todos os seus componentes) atingem a maioria das cidades brasileiras. Muitos brasileiros saíram da condição de miséria, mas continuam pobres e sem acesso decente aos serviços básicos. Gozam de alguns benefícios como acesso aos equipamentos eletroeletrônicos e meios de transportes como bicicletas, motos e carros de pequeno porte. Vão se divertindo com seus celulares e antenas parabólicas.
As obras físicas são mais fáceis de perceber do que outras que modificam a vida do cidadão. O programa eleitoral na televisão, do PDT, poderia explorar mais as obras realizadas por seu candidato. O que não é visto não é lembrado.
  A Prefeitura Municipal da Cidade do Natal, no período que estive lá, avançou muito internamente. Instituímos o protocolo eletrônico, a licitação por registro de preços e por pregão eletrônico; disponibilizamos o resumo mensal da folha de pagamento no site da prefeitura (atualmente só aparecem lá, os anos de 2007 e 2008); implantamos o Bussiness Object-BO, para auditoria permanente da folha de pessoal, atualmente desativado; o DOM (Diário Oficial do Município) foi colocado no site desde 2003, facilitando a vida de todos que querem acessar os atos e decisões da administração municipal, incluindo aí a Câmara Municipal); foram realizados concursos públicos em 2004, 2006 e 2008 para admissão de novos servidores, principalmente na área da saúde; realizamos censo previdenciário; foi criada uma secretaria para regularização fundiária; mensalmente a administração municipal, como um todo, se fazia presente em alguns bairros de Natal, levando respostas para questões propostas previamente pelos seus moradores; o prefeito, quase que diariamente, fazia visitas às obras em andamento, além de semanalmente cobrar em reunião com as empresas construtoras o andamento das mesmas; reformas administrativas foram realizadas; vários planos de cargos e salários foram revistos; o Plano Plurianual, que se iniciou em 2005, já foi baseado no plano integrado que construímos junto com a sociedade nos anos anteriores, levando em conta os planos Natal 2015, o 3º Milênio, e o Estatuto das Cidades; foram criados instrumentos para revitalização da Ribeira; o arquivo municipal deixou de ser um mero setor de descarte de papéis e processos das secretarias; houve um esforço para recebimento da dívida ativa do município, com reforço da Procuradoria.
Na parte política, a memória histórica é totalmente esquecida. O PMDB é o mais esquecido de todos. Em 1978, o grande Aluízio Alves e o filho Henrique abandonaram o candidato do partido, Radir Pereira, para apoiar Jessé Freire, sem sair do partido. Hermano, Henrique e Garibaldi não se lembram disso? Em 1992, os gêmeos Henrique e Ana Catarina disputavam a prefeitura de Natal, cada um de um lado. Esqueceram? O grande Garibaldi apoiou Rosalba do DEM para senadora e depois para governadora. Por que, Garibaldi apoiou o candidato do partido que mais batia em Lula, seu aliado? O que diz, hoje, publicamente, o nosso ministro, de 1 milhão de votos, do desempenho da sua governadora? Enildo é Alves da gema e já está no DEM.
A exploração da reação de Carlos Eduardo no debate sobre saúde é pura propaganda dos adversários políticos e jornalísticos. Qualquer pessoa que tenha sangue nas veias se irritaria, a menos que seja cínico.
Sempre me lembro de Jesus sendo provocado pelos Doutores da Lei, escribas e fariseus, que procuravam com suas questiúnculas colocar o mestre em contradição e contra o povo. Jesus, humano, sempre prevenia seus apóstolos sobre o fermento dos fariseus e chamava os seus opositores de raças de víboras, sepulcros caiados (ou como se diz por aqui: por fora bela viola, por dentro pão bolorento).
As primeiras colocações nas pesquisas sobre vereadores revelam que a cidade não se dá conta que a Câmara Municipal pode ser uma grande aliada para a recuperação da cidade do Natal! Lembrem-se, mesmo com índice baixíssimo de aprovação, a maioria dos vereadores estava com ela. Incrível.

domingo, 16 de setembro de 2012

Emília Pinto de Abreu e Silva e João Martins e Silva

João Martins da Silva e Emília Pinto de Abreu e Silva

Em 2007, João Batista de Melo Pinto me enviou algumas fotos dos seus álbuns. Entre elas havia uma que ele não sabia identificar quem eram aquelas pessoas. Nas costas da foto estava escrito uma dedicatória nos seguintes termos: Aos prezados compadres Miguel e Sinhá muita amizade de J. Martins da Silva e Emília P.A. e Silva.

Depois de muitas pesquisas, somente agora identifiquei esses personagens que eram compadres do nossos avós Miguel Francisco da Trindade e Maria Josefina Martins Ferreira. Ele era João Martins da Silva e ela Emília Pinto de Abreu e Silva. Há pouco tempo eu tinha localizado o esposo de minha tia-avó, Águida Avelino Torres (Tia Dona). Ela casou com o viúvo Bernardo Pinto de Abreu, pernambucano que tinha ido para Angicos cuidar da saúde e que por ela se encantou. Pois bem Emília era filha do primeiro casamento de Bernardo. Era irmã de Francisco Pinto de Abreu, trazido para o Rio Grande do Norte por Pedro Velho. Foi Secretário de Instrução Pública e, também, Diretor do Atheneu.

Agora em janeiro de 2016, sou surpreendido por uma mensagem do Facebook, de Maria Semvergonha (nome de uma planta), em nome de Diana, nos seguintes termos: Prezado Senhor João Felipe, bom dia. Segue a certidão de casamento do Senhor João Martins da Silva com Dona Emília Pinto de Abreu. Espero que seja uma boa contribuição para suas pesquisas. Saudações. Diana.
Na Sequencia, a imagem da certidão, cujo teor era o seguinte:

Aos vinte dias do mês de janeiro do ano de mil oitocentos e noventa e quatro, nesta cidade distrito da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário do Município de Goiana do Estado de Pernambuco, pelas cinco horas e meia da tarde, à rua das Parteiras, desta cidade de Goiana, na residência do senhor Mathias Pinto de Abreu, aí presente o juiz do  primeiro Distrito do Município de Goiana , o Doutor  Samuel Benvindo Correia de  Oliveira, comigo escrivão do seu cargo abaixo, as testemunhas o capitão Antonio Idelfonso Albuquerque e Antonio Cesar de Albuquerque, receberam-se em matrimônio o senhor João Martins da Silva, com idade de vinte e dois anos, filho legítimo de João Evangelista da Silva e sua mulher D. Laurentina Francisca Martins,  natural da Freguesia  de Victoria do Estado de Pernambuco, e residente nesta cidade de Goiana Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, do mesmo Estado, e a  Senhora D. Emília Pinto de Abreu, com idade de dezesseis anos, filha legítima de Bernardo Pinto de Abreu e sua mulher D. Cândida Leopoldina Gonçalves e Abreu, natural desta cidade de Goiana. Em firmeza do que eu, Manoel dos Santos Leal, oficial do Registro Civil, lavrei o presente assento em que assinam o juiz, contraentes e testemunhas. Eu Manoel dos Santos Leal, oficial do Registro Civil.
Samuel Benvindo Correia de Oliveira
João Martins da Silva e  Emilia Pinto de Abreu
Antonio Idelfonso de Albuquerque Melo, casado, 37 anos, professor empregado público, residente nesta cidade

 Antonio Cesar de Albuquerque, idade de 20 anos, casado, agricultor e residente na Comarca de Itambé.
Agradeço a Diana, por valorosa contribuição.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os escândalos de cada um, desde 1598

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Nildo é um boneco cara de pau, cínico e debochado, de uma coligação que disputa a Prefeitura da Cidade do Natal, que cuida exclusivamente de falar de escândalos que envolvem candidatos de outra coligação. Esquece do que acontece ao redor dele. Tudo isso me fez lembrar escândalos que ocorreram desde que os portugueses resolveram tomar conta do nosso Rio Grande.
Já em 1598, a primeira obra desta cidade, a construção da Fortaleza da Barra do Rio Grande, gerou a primeira denúncia para Manoel Mascarenhas Homem, que teve que devolver a verba de 8:992$333 dos cofres dos defuntos e ausentes, pois não conseguiu demonstrar como empregou o dinheiro na dita obra, como conta Hélio Galvão no seu livro sobre a Fortaleza.
O Rei Filipe, em 1612, em carta ao Governador Gaspar de Sousa, informa que tomou conhecimento que Jerônimo de Albuquerque, que dirigiu a Fortaleza por um tempo, e depois foi capitão-mor do Rio Grande, exorbitou na quantidade de terras que concedeu aos seus dois filhos, e, por isso, determinou a redução pela metade dessas mesmas terras.
Na época dos holandeses, Joris Garstman, que chefiou por um tempo a Fortaleza do Rio Grande, foi acusado de mandar assassinar Jacob Rabe, vingando a morte do sogro, segundo uns, ou por ter se interessado pelos tesouros que o facínora tomou de suas vítimas, segundo outros.
Bernardo Vieira de Mello, que foi capitão-mor de nosso Rio Grande e Manoel Álvares de Moraes Navarro, que chefiou o Terço dos Paulistas na Guerra dos Bárbaros receberam acusações recíprocas um do outro.
Francisco Xavier de Miranda Henriques, que também foi capitão-mor desta capitania do Rio Grande, foi suspenso por quatro 4 meses, e chamado a Pernambuco para ser repreendido  da parte do Rei, tudo  por uma conta menos verdadeira, que o Provedor da Fazenda, que era daquela capitania deu contra  ele.
Alberto Maranhão, que governou o Rio Grande do Norte, foi duramente acusado pelo capitão José da Penha, entre outras coisas: que o  ano  passado  contraiu  na  Europa  um  empréstimo  de  cinco  mil contos  ao  tipo  de  69. Os juros foram  os  mais  exorbitantes do  mundo.  As  gorjetas  para os  intermediários  foram  elevadíssimas e  o  prazo de  cinquenta  anos.  Em suma:  o  Estado  venturoso  do  Rio Grande  do  Norte  recebeu  três  mil  e tantos  contos  de réis,  vai  pagar fatalmente perto  de  dez  mil  e  sobrecarregou  o  seu  orçamento, que era  de mil  e  duzentos  contos,  com  os  pesadíssimos  ônus  desse  empréstimo  tão malbaratado. Alberto  reemprestou-o quase todo aos  seus  queridos  parentes e com  eles então  contratou  uns  tantos  melhoramentos    duvidosos para o  Natal dos Pobres,  relativamente,  alguns  desses felizardos  ofereceram  como garantia, o  seu  parentesco rendoso  e  a  indiferença  do povo  por  esses  arranjos ilícitos. Não  contente  de  tamanhas  desenvolturas,  Alberto  comprou  a  si  próprio e  aos  seus  cunhados, por cem vezes  mais do que  devia,  terrenos  tão valorizados  que  até  nunca  tiveram dono.  É  impossível  ser  mais  imprudente  de  que  esse governador  traficante.
Aqui, mais recentemente, sofreram denúncias, principalmente, em campanhas eleitorais, alguns até sem serem julgados ou indiciados, além dos citados pelo boneco Nildo, os seguintes, entre muitos: José Agripino, pelo famoso rabo de palha; Garibaldi, pela venda da Cosern, por pagamento de pessoal com recursos da dita da venda, por conta do escândalo da merenda escolar (pobre Rosário!), e pelo programa de erradicação das casas de taipa; Elias Fernandes pelos escândalos no DNOS; João Maia por conta de escândalos no DNIT; Geraldo Melo, por ter colocado recursos do SUS na Conta Única; Aldo Tinoco por conta do FNDE; Fernando Bezerra por conta da Metasa; Fernando Freire pela operação gafanhoto; Gilson Moura pela operação Pecado Capital; Heráclito Noé, em plena campanha eleitoral, por concessão de favores; e mais João Faustino, Edson Faustino, Cortez Pereira, Ney Lopes, Múcio Sá, Enildo Alves, Laire Rosado e diversos vereadores, em outros episódios.
Henrique Alves sempre que se candidata para cargo executivo é fruto de muitas denúncias. A eleição para Câmara Maior não vai ser fácil.
Mais de um cento de prefeitos do Rio Grande do Norte e presidentes de Câmara, dos mais diversos partidos, foram condenados a devolver dinheiro aos cofres públicos. Estão devolvendo?
As eleições, em si, são exemplos de atos impróprios de compras de votos. Pessoas totalmente desconhecidas dos eleitores se elegem com uma facilidade enorme, sem que a justiça eleitoral perceba as suas tramoias.
Quando se observa os primeiros números das pesquisas para vereadores, se percebe, facilmente, que nada tem mudado nesta taba. Os eleitores tapuias continuam trocando apoios por bugigangas. A justiça, cega, está engolindo elefantes e se engasgando com pequenas moscas. Fundações e outras organizações de fundo de quintal continuam fazendo como reféns os carentes dos serviços públicos necessários. Líderes comunitários e alguns candidatos ao luxuoso cargo de vereador são cabos eleitorais de outros vereadores. Até Jesus é usado como moeda de troca por religiosos de araque. O Homem se voltasse a terra iria usar o chicote mais vezes, pois encontraria aqui mais vendilhões do templo, sepulcros caiados e novas raça de víboras.
Muitos são fichas limpas porque não tiveram suas vidas políticas devidamente devassadas, ou usaram de suas práticas para comprar silêncios. Outros, porque não experimentaram a areia movediça do serviço público.
A campanha eleitoral é um exemplo de falta de educação, aqui e no mundo todo. Nela não há santos.