quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Cordeiros e Carneiros


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
As mesmas águas, que fizeram submergir a Ilha de Manoel Gonçalves, expulsaram de lá seus habitantes e visitantes para diversas localidades, como Macau, Pendências, Oficinas, Rosário, Cacimbas do Viana, Curralinho e outras tantas. As coisas da natureza e a natureza das coisas vão tecendo o destino das pessoas, juntando-as e separando-as, tudo ao mesmo tempo. A cada instante, o mundo é redesenhado. O caos reordena a natureza.

Aquele porto, no meio do mar, onde tantas embarcações ancoravam e por onde tantas pessoas, das mais diversas nacionalidades e localidades circulavam, com seus negócios e afazeres, jaz submerso no oceano e esquecido pelas autoridades. Nem um farol e nem um marco está presente onde foi a nossa Atlântida. Por onde andam os remanescentes daquele povo que transitava ou residia na Ilha esquecida? Quantos sabem que seus antepassados passaram por lá?

Pesquisando em velhos livros da Cúria, vou repassando a antiga história do nosso povo e dos nossos heróis esquecidos. Vez por outra encontro, através de seus descendentes, velhos conhecidos. Em uma dessas viagens, nos livros da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, encontro o batismo de Eliziário, que me fez recordar o lisboeta Eliziário Antonio Cordeiro, lá da Ilha de Manoel Gonçalves. Paro e vou examinar o registro, em busca de algum elo com o povo que lá vivia.

Aos vinte e três dias de junho de mil oitocentos e setenta e três, o Reverendo Coadjutor Pro-Pároco Joaquim Francisco do Nascimento batizou solenemente Eliziário, nascido a seis de maio do mesmo ano, filho legítimo de Manoel Martins de Oliveira e Rita Xavier Bezerra. Padrinhos, o Reverendo Padre Francisco Constâncio da Costa e Francisca Jeracina Cordeiro. E para constar fiz este assento. José Herôncio da Silveira Borges, Coadjutor Pro-Pároco.

Esse Manoel, acima, deve ser o filho de Eliziário Antonio Cordeiro e Antonia Silvéria de Oliveira, ele de Lisboa, ela da Serra de Martins, que nasceu aos trinta de outubro de mil oitocentos e trinta, e foi batizado na Ilha de Manoel Gonçalves. Nas minhas hipóteses, Antonia Silvéria de Oliveira era filha do capitão Silvério Martins de Oliveira e Joanna Nepomucena. Dona Joana, que viúva residiu um tempo na Ilha, era filha do capitão Manoel Ignácio de Carvalho e Anna Josepha Joaquina de Albuquerque, residentes na Serra de Martins. Lembramos que o capitão Silvério e Dona Joana  foram sepultados na Igreja do Bom Jesus das Dores, aqui na Ribeira do Potengi.

Um dos filhos de Eliziário, com o mesmo nome, casou em 1869, na Barra de Mossoró, com sua parenta Antonia Cordeiro de Carvalho, filha de Gorgonio Ferreira de Carvalho e Anna Joaquina Cordeiro.

Em outro registro encontro que aos vinte e oito de dezembro mil oitocentos e três, era batizado Raymundo, que nasceu aos vinte e sete de novembro do mesmo ano, filho de José Martins Cordeiro e Victoriana Joaquina Pinheiro, tendo como padrinhos Pedro Liberato Bimont e dona Maximiana Synphronia da Costa. Esse José Martins deve ser, também, um dos filhos de Eliziário Antonio Cordeiro e Antonia Sivéria.

Raymundo, que virou Raymundo Rodrigues Cordeiro, casou em 30 de novembro de mil oitocentos e noventa e cinco, aqui na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, com Francisca Viterbina Gomes Carneiro, filha de João Viterbino Gomes Carneiro e Maria Florentina Carneiro de Mello, perante as testemunhas Nicoalu Bigois e Luis Ferreira França.

Esses Carneiros são velhos conhecidos nossos. João Viterbino e Maria Florentina casaram em 1871, com dispensa de consanguinidade, ele filho de Manoel Gomes Carneiro e Francisca Xavier de Miranda Henriques, e ela filha de João Gomes Carneiro de Melo e Anna Joaquina Teixeira de Souza, que viveram um tempo em São Gonçalo e, depois, foram para Cacimbas do Viana. Francisca Bela, uma irmã de Maria Florentina, foi batizada em Macau, em 1848, e casou na Fazenda Conceição, em 1864, com meu tio-bisavô Cosme Teixeira Xavier de Carvalho. Maria Leocádia, outra irmã de Maria Florentina, casou em Angicos, em 1861, com José Odorico da Costa Ferreira, filho de Antonio Martins Wladislau da Costa e Antonia Teixeira de Sousa.

Em outro artigo já discutimos que João Gomes Carneiro de Melo descendia do lisboeta João Gomes Carneiro e de dona Anna Ferreira de Miranda.
Você que é Cordeiro ou Carneiro pode descender desses portugueses. Você já encontrou seus passos no passado?





2 comentários:

  1. Meu nobre Amigo e Confrade João Felipe. Bom dia.
    Como pesquisador da nossa genealogia potiguar, suscitou-me interesse em informá-lo de que em Apodi existe uma vetusta e vasta família conhecida popularmente como "OS ELIZIÁRIO", cujo patriarca ELIZIÁRIO ANTONIO CORDEIRO nasceu na Ribeira do Panema (Que acredito seja hoje do município do Assu-RN) no ano de 1835, cujo óbito deu-se no sítio "Córrego" (Apodi) a 15.11.1890, filho legítimo de João Batista de Macedo (do Assu) e de Leonor Maria da Conceição, que é a mesma Leonor Felícia Batista Perpétua, filha do vetusto casal radicado em Apodi Manoel Pereira do Canto e Cipriano de Jesus Barrêto (Falecida no seu sítio "do Mina" a 09.11.1833, e Inventariada em Apodi no ano de 1833, em cujo documento oficial consta um testamento em que a mesma afirma ser filha de João Pereira da Costa e Vicência Maria, e que era natural da Freguesia das Várzeas do Apodi.
    Eliziário era casado com MARIA JOAQUINA DA PENHA, que faleceu no sítio "Córrego" (Apodi) a 27.04.1916 aos 86 anos de idade, filha de Manoel da Silva Pereira e Joana Caé das Dores. DEixou uma vasta prole de 15 filhos, cuja descendência posso lhe enviar via E-mail para quem interessar possa. Faço-lhe uma indagação: Qual a explicação quanto ao liame genealógico desse Eliziário radicado em Apodi,repetindo o nome do Eliziário oriundo de Portugal ? já que o pai era da vetusta família CABRAL do Assu e a mãe era Apodiense ?. Solicito aos lídimos amigos pesquisadores da genealogia potiguar que, se puderem me forneçam subsídios para descobrir o liame genealógico em epígrafe.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Meu amigo Marcos Pinto
      Anteriormente, você já tinha me informado sobre esse Eliziário. Até agora, não encontrei nenhuma relação dele com o português. Nenhum dos pais dele parece ter alguma coisa a ver com o da Ilha de Manoel Gonçalves. Somente, se conhecermos os mais ascendentes poderia surgir uma luz.
      Talvez esse nome Eliziário venha se repetindo na família e um dos ascendentes seja parente do português.

      Excluir

Seu comentário ajudará na correção dos artigos e fotos, bem como na construção de novas informações.