terça-feira, 21 de maio de 2013

Maria Antonia Fontes Taylor, matriarca dos Tassinos


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Francisco Xavier de Menezes, que presidiu a Câmara Municipal de Angicos no período que vai de 1853 até 1855, era casado com Dona Maria Antonia Fontes Taylor. Segundo Aluízio Alves, no livro “Angicos”: angicano dos mais esforçados, e que, na época, desempenhou notável influencia, político-social no município. Filho de Francisco Alexandre Xavier, a quem não eram tão minguados os recursos financeiros, pôde cursar a Faculdade de Medicina da Bahia, até o 4º ano, deixando de concluir o curso por motivos ignorados. Foi ainda, segundo Aluízio, secretário da Câmara, Escrivão Público Judicial de Notas, Professor, Agrimensor, Vacinador Oficial, Capitão-cirurgião-mor do Comandante Superior da Guarda Nacional, em Angicos e Macau, e finalmente licenciou-se advogado pela Relação da Província.

Há um registro de batismo, faltando partes, onde encontramos a naturalidade de Maria Antonia. Nele estava escrito: Gerôncio, filho legítimo de Francisco Xavier de Menezes e de Maria Antonia de Fontes Taylor, falecida, naturais, ela do Reino da Inglaterra, e ele, desta freguesia de Angicos, aqui falta a parte baixa do registro, mas no verso continua com, foi por mim batizado com os santos óleos nesta matriz de São José de Angicos, aos vinte e oito do mesmo ano; foram padrinhos Jerônimo Cabral Pereira de Macedo por seu procurador Antonio Bernardo Alves, casado, e Damásia Lopes Viégas, solteira, moradores nesta mesma freguesia. Do que para constar faço este assento que assino. O vigário Felis Alves de Sousa.

Pelos registros próximos, isso se deu no ano de 1854. Como no batismo, Dona Antonia já não existia, suspeitei logo, que tivesse falecido de parto, e fui atrás do seu óbito nesse ano, o que encontrei: aos dez dias do mês de maio de mil oitocentos e cinquenta e quatro, foi sepultado nesta Matriz do Glorioso São José de Angicos, acima das grades, o cadáver de Maria Antonia Fontes Taylor, falecida de parto, sem sacramentos, na idade de quarenta e seis anos, foi envolta em branco, por mim encomendada, do que para constar faço este termo e assino, o vigário Felis Alves de Sousa.
Pela informação acima, se não houve erros, Maria Antonia teve o filho com mais de 40 anos. Vejamos que outros filhos ela teve. Comecemos com os gêmeos João e Manoel.

João, branco, filho legítimo de Francisco Xavier de Menezes e de Maria Antonia de Fontes Taylor, nasceu a 23 de outubro de 1851, e foi batizado, na matriz, a 27 de dezembro do dito ano, sendo padrinhos José Alves da Costa Machado e Constância Maria da Conceição, casados; Felis Alves de Sousa, vigário Colado de Angicos.

Manoel, filho legítimo de Francisco Xavier de Menezes, e de Maria Antonia de Fontes Taylor, nasceu a 23 de outubro de 1851, e foi batizado, na matriz, a 27 de dezembro do dito anos, sendo padrinhos Alexandre Xavier da Costa e Joanna Maria da Conceição, casados; Vigário Felis Alves de Sousa, vigário Colado de Angicos.

João Domício Xavier de Menezes, um dos gêmeos, casou, em 26 de agosto de 1876, com Anna Francisca de Azevedo, filha de Vicente Ferreira Xavier de Azevedo e Francisca Rosalina de Vasconcelos. Esse Vicente, meu tio bisavô, era filho de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e da sua primeira esposa Maria Francisca Duarte. Vicente, pai de Anna, faleceu moço, com apenas 30 anos, de febre amarela.

Adelaide, filha legítima de Francisco Xavier de Menezes, e D. Maria Antonia de Fontes Taylor, nasceu aos nove de agosto de mil oitocentos e quarenta e cinco, e foi batizado a vinte e um de dezembro do mesmo ano, em oratório privado, na cidade do Assú, sendo padrinhos o reverendo Vigário Manoel Januário Bezerra Cavalcanti, e Francisca Rodrigues da Costa por procuração que apresentaram aquele do capitão Jacinto João da Ora, e esta de D. Rita Virginia de Santa Ana. Adelaide Angélica Xavier de Menezes foi a primeira esposa de José Paulino Teixeira de Sousa, filho de José Vitaliano Teixeira de Sousa e Urbana Teixeira de Sousa. Eles casaram em 12 de janeiro de 1874.

Emília, branca, filha legítima de Francisco Xavier de Menezes, e D. Maria Antônia de Fontes Taylor, nasceu a vinte e dois de junho de mil oitocentos, e quarenta e sete, e foi batizada, a vinte e três do dito mês pelo padre Francisco Theodósio de Seixas Baylon, in articulo mortis, recebeu os santos óleos, que lhe impôs, a dois de abril de quarenta e nove; foram padrinhos, o mesmo padre Baylon, e por procuração de José Joaquim Bezerra Cavalcanti. Emília Victorina Xavier de Menezes casou com Francisco Germano da Costa Ferreira, filho de Florêncio Octaviano da Costa Ferreira e Ignez Lucania da Costa Ferreira. O casamento foi em 31 de maio de 1874.

O Professor, Juvêncio Tassino Xavier de Menezes, natural da Vila de Imperatriz, outro filho do casal Francisco Xavier e Maria Antonia, casou, em 18 de setembro de 1864, com Theresa Maria de Jesus, viúva de Francisco Pedro Xavier da Costa. Dona Theresa faleceu de parto em 1869, com a idade de 36 anos. Com um mês faleceu a filha do casal, Maria. Thereza era irmã da minha bisavó, Francisca Rita Xavier da Costa. Em 7 de janeiro de 1855, o pai de Juvêncio, viúvo de Maria Antonia, tinha se casado com Bernarda Francisca da Costa, irmã de Theresa.

Juvêncio casou outras vezes. Eu conheci na Fazenda de Paulo Leitão de Almeida, em Lagoa Salgada, Maria da Conceição Tassino de Araújo, mais conhecida por Mary, filha de Luiz Tassino, e neta paterna de Juvencio Tassino e Marcolina Gouveia Varela. Dona Mary é a mãe de Marcos, Márcio e Maurício Tassino.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Um poema para Francisco, meu tio-avô

O poema abaixo foi escrito por Leonardo Cavalcanti, e foi dedicado ao seu primo Luiz Carlos Avelino da Trindade. Faz parte do livro "Poesia sem perdão", editado em Recife, 1998. Leonardo é filho do Doutor Francisco Ivo Cavalcanti e Martha Trindade. Francisco, que dá título ao poema, era irmão de meu avô Miguel Francisco da Trindade e de André Avelino Trindade, ambos filhos de João Felippe da Trindade e Francisca Ritta Xavier da Costa. Gente de Angicos.
Luiz Carlos é filho de André Avelino da Trindade, segundo do nome, e Lourdes Batista.
André completa em 2013, a idade de 102 anos, muito lúcido.

De Maria da Penha, meu avô teve quatro filhos.
Viúvo dela, da Penha, com Izabel teve muitos.
João morreu ao casar-se, em plena lua-de-mel, 
e a viúva Pureza (pureza de corpo e alma)
preservou-se - vive pura.
Alfredo foi de Chiquinha,
Francisca, de Zacharias,
Onofre casou com Ana Firmino
e ao depois com Concebida,
que naqueles ermos fôra, 
é possível e é provável, 
concebida sem pecados.
José, chamado Dedé, esposou sua Didi.
David dormiu com Margot
durante anos seguidos.
Pedro desposou Betinha e André, Lourdes Batista,
que, vejam (mundo pequeno), era prima do meu pai.
Mário se deu a Tereza,
irmã da moça Elita com que se casou Joaquim.
Manoel encarou Judith, 
durou pouco, não deu certo
-deu certo com Nazareth.
Josefa ficou viúva bem cedo, fatalidade,
e destinou-se com Cícero.
Maria Rita, que teve na hora de seu batismo
o nome da sua avó,
aboliu Rita do nome,
casou com Antonio Tibúrcio,
mas foi sempre e só Trindade.
Maria tem sete filhos,
meus primos apreciados.
Martha, a caçula, se uniu ao doutor Francisco Ivo,
homem maduro e preclaro.
Miguel firmou com Lourdinha,
depois de rodado e gasto,
pacto perante o juiz.
Mas foi a irmã Izabel, 
por batismo é Anna,
quem deu o lance mais certo
-entregou-se a Jesus Cristo,
homem declarado e visto
como o dono do universo.
Cinco manos teve ele, meu avô André Trindade:
Miguel, Joaquim, Francisco, Ana e Maria Rosa. 
Francisco nasceu doente,
menino ausente ou distante do mundo
que era seu (do mundo ausente ou distante?),
e entre nós, os Trindade,
Francisco é sempre presente em todas as gerações.
Como admiro Francisco!
Tenho o sentir de que Francisco é o resumo de tudo,
de toda a formidável inevitabilidade da sucessão.
Somos tantos, hoje, absurdamente lúcidos e sãos.
entretanto, sem piedade de mim, sou racionalmente
FRANCISCANO.

Postado por João Felipe da  Trindade

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Francisco Xavier de Sousa, lá do Sertão Central Cabugi (III)


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Meu amigo e parente, promotor aposentado, Pedro Avelino Neto, é quem nos guia, inicialmente, na direção do velho Francisco Xavier de Sousa. Segundo Pedro, seus pais eram José Avelino Monteiro e Lídia Avelino de França, sendo seus avós paternos Pedro Avelino Monteiro e Militana Xavier Avelino. Pedro Avelino Monteiro era filho de Manoel Antonio da Costa Monteiro e Agostinha Maria Martins Bezerra, minha tia bisavó.

Militana, filha de Francisco Xavier de Jesus Maria e Antonia Regina Maria das Virgens, nasceu aos 10 de março de 1883, e teve como padrinhos de batismo Ildefonso Virgulino e sua mulher Olímpia Olívia Ferreira, moradores em Macau, por seus procuradores José Francisco Alves de Sousa e Maria Ignácia Alves de Sousa. Seu pai, Francisco Xavier de Jesus Maria, outro filho do velho Francisco Xavier e Josefa Francisca, casou, no Curral dos Padres, em 9 de novembro de 1864, com Antonia Regina Maria das Virgens, natural de Extremoz, filha de José Pedro da Silveira e Catarina Maria da Assumpção, sendo testemunhas Trajano Xavier da Costa e Antonio Valério da Costa Maria.  Francisco, em vários registros, aparece como Francisco Xavier de Souza Filho.

Entres os filhos de Francisco e Antonia Regina ou Régia, citamos: Francisco, nascido aos 27 de março de 1878, sendo padrinhos de batismo, Francisco Ribeiro de Sousa e Maria Senhorinha Barbalho Bezerra; Abílio, nascido aos 5 de junho de 1879,  tendo como padrinhos José Avelino Martins Bezerra e Josefa Maria da Costa Bezerra; Cândida,  nascida aos 4 de setembro de 1880,  foi batizada no sítio Curral dos Padres,  sendo padrinhos Onofre José Soares e sua mulher Maria do Carmo do Amor Divino, por seus procuradores Antonio Valério da Costa Maria e sua mulher Leonídia Francisca Xavier; Maria,  nascida em 6 de março de 1872, em Curral dos Padres,  foi batizada nesse mesmo local,  pelo missionário frei Serafim de Catania, sendo padrinhos Vicente Verdeixa Xavier de Sousa e Ana Francisca Maria da Anunciação; Luiz,  nascido aos 7 de janeiro de 1874, foi batizado, na Matriz,  sendo padrinhos José Marianno Xavier de Sousa e Francisca das Chagas de Sousa Monteiro.

Outro filho de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca da Costa é José Mariano.

José Mariano Xavier de Souza casou, em 28 de junho de 1859, com Belízia Francisca Bezerra, filha do tenente-coronel Antonio Francisco Bezerra da Costa (ele meu tetravô) e Vicência Ferreira da Costa (ela minha tia trisavó), com os testemunhos de Miguel Ribeiro Dantas Jr. e Torquato Álvares Bezerra. José Mariano tinha ficado viúvo de sua primeira mulher, Maria Catharina de Sena Virgem.

Entre os filhos do seu primeiro casamento com Maria Catharina, encontramos: Vicente, nascido aos 29 de julho de 1852, batizado no sítio São Paulo, sendo padrinhos Antonio Barbosa Xavier de Sousa e Josefa Leocádia Francisca Bezerra, casados; Maria, nascida aos 24 de março de 1858, e batizada no sítio Carapebas, tendo como padrinhos Manoel Xavier de Sousa, solteiro, e Joanna Cordulina Xavier Ferreira, casada; Josefa Francisca Xavier Bezerra, que casou, em Gaspar Lopes, em 15 de agostos de 1866, com meu tio bisavô, Manoel Jacintho da Trindade, filho de João Miguel da Trindade e Maria Rosa da Conceição; Francisco Anacleto Xavier de Sousa, que casou no sítio Carapebas, em 30 de setembro de 1871, com Joanna Martins Bezerra, minha tia bisavó, filha de Alexandre Avelino da Costa Martins e Anna Francisca Bezerra.  Esta última era filha do tenente-coronel Antonio Francisco Bezerra da Costa e sua primeira esposa Agostinha Monteiro de Sousa, falecida de parto em 2 de julho 1827. Três meses depois, em 2 de outubro de 1827, o tenente-coronel casa com a sobrinha de Agostinha, Vicência Ferreira da Costa, irmã de Alexandre Avelino. Naquela época, ninguém ficava solteiro por muito tempo, e, na maioria das vezes, casava com familiares seus ou da primeira esposa.

Belízia, a segunda esposa do José Mariano, tinha nascido aos 22 de dezembro de 1839, e sido batizada, em 1 de janeiro de 1840, tendo como padrinhos Alexandre Avelino da Costa Martins, meu trisavô, e Maria Xavier da Costa, casada.

Para José Mariano Xavier de Sousa e Belízia encontramos os filhos: Maria, nascida aos 25 de maio de 1860, e batizada no sitio Gaspar Lopes, tendo como padrinhos os avós de cada lado, Antonio Francisco Bezerra da Costa, viúvo, e Josefa Francisca da Costa, casada; Seríaco, nascido aos 16 de março de 1862, e batizado na Matriz, tendo como padrinhos Francisco Xavier de Sousa Filho e Clara Francisca Bezerra, solteira; Josefa nascida aos 1 de junho de 1873,  em Gaspar Lopes, e batizada no sítio São Pedro,  tendo como padrinhos Joaquim Soares Raposo da Câmara e Josefa Francisca da Costa Bezerra por seus procuradores Trajano Xavier da Costa e Joanna Maria Xavier Bezerra; Antonia, nascida aos 24 de janeiro de 1875, e batizada no sítio São Paulo,  tendo como padrinhos Miguel Ribeiro Dantas Junior e sua mulher  Maria Angélica Ribeiro Dantas, por seus procuradores Trajano Xavier da Costa e Maria do O’ Xavier da Silva; Maria Ritta Xavier Bezerra, que casou, em 1 de julho de 1883, com Prisciliano Genário da Costa Bezerra, filho de Alexandre Francisco da Costa Bezerra e Josefa Leocádia da Costa Bezerra.

Manoel, outro filho de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca Bezerra, nasceu aos 25 de dezembro de 1839, e foi batizado na Matriz, aos 6 de janeiro de 1840, sendo padrinhos Manoel da Silveira Borges, solteiro, e Sabina Maria da Silva, casada. Como adulto, seu nome era Manoel Xavier da Costa, que casou, na fazenda Juazeiro, em 22 de outubro de 1862, com Maria Francisca Bezerra, filha de Agostinho Barbosa da Silva e Sabina Maria dos Santos sob os testemunhos de José Maria da Silva Grillo e Vicente Verdeixa Xavier de Souza.



quinta-feira, 9 de maio de 2013

A vida curta de Francisca de Paula Maria de Carvalho

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Antigamente, por conta da precariedade em que viviam nossos ascendentes, a  morte chegava mais cedo para as mulheres, principalmente, as casadas e as crianças. Os homens que iam sobrevivendo as agruras da vida casavam, sucessivmente, a cada morte de sua sem sorte.

Francisca de Paula Maria de Carvalho era minha bisavó. Natural de Angicos, foi casada com Francisco Martins Ferreira, natural de Macau. Há poucos dias, encontrei o registro de batismo dela, antes desconhecido por mim, que tive notícia, apenas,  do seu casamento, em 1869, e de seu óbito, em 1873.

Minha avó, Maria Josefina Martins Ferreira, filha de Francisco e Francisca, tinha nascido em Cacimbas de Vianna, em 1870. Em, 26 de junho de 1873, Francisca de Paula, com 25 anos de idade,  quando foi ter o seu segundo filho José, nascido nessa mesma data, faleceu de parto. Está sepultada em Macau. José ainda sobreviveu onze meses e 21 dias, tendo falecido de incômodos de dentição aos 17 de junho de 1874. Francisco Martins Ferreira, voltou a casar em 1874, dessa vez com Antônia Lourença Dias da Rosa, prima legítima da primeira esposa. Maria Josefina, ficou órfã de pai aos 7 anos, pois, Francisco Martins Ferreira faleceu em 1877, antes de completar 36 anos.

Vejamos o registro de nascimento de Francisca de Paula:
Francisca, branca, filha legítima de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Maria Ignácia Rosalinda Brasileira, nasceu aos 13 de fevereiro de 1848, e foi batizada no Sítio São Romão, aos 30 de março do mesmo ano, pelo Reverendo Felis Alves de Sousa, sendo padrinhos João Luis da Rocha, solteiro, e Izabel Francisca de Sousa, viúva, do que para constar mandei fazer este assento, em que me assino. Felis Alves de Sousa, Vigário Colado de Angicos.

Minha avó, Maria Josefina Martins Ferreira, herdou o nome da avó, Josefina Maria Ferreira. Antigamente, havia o hábito de se nomear as crianças com  o nome invertido de uma avó, ou da mãe. Uma tia bisavó, Rosa Maria, herdou o nome da mãe Maria Rosa; minha trisavó, Maria Joaquina, herdou o nome da mãe  Joaquina Maria. Maria Josefina morava, quando a conheci, em São Romão, hoje Fernando Pedroza.
Casa de meus avós em São Romão

terça-feira, 7 de maio de 2013

Josefa Clara Lessa

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Na relação dos fundadores de Macau só aparecem homens, todos portugueses, com exceção de Jacinto João da Ora que era brasileiro. Nenhuma menção é feita sobre as mulheres desses homens. A invasão da Ilha de Manoel Gonçalves, pelo mar, obrigou seus moradores a partir para outros locais. O capitão João Martins Ferreira capitaneou essa saída, com seu filho José Martins Ferreira,  seus quatro genros e mais outros moradores da Ilha.

Mas quem era a esposa do capitão João Martins Ferreira?
Quando o tenente-coronel Bento José da Costa, como inventariante, conduziu o inventário do seus sogros Domingos Afonso Ferreira e Maria Theodora Moreira de Carvalho, falecidos, quem administrava as terras, no sertão do Assú, era José Álvares Lessa, isso no ano de 1810. No livro Questão de Limites aparece a informação que Lessa era falecido em 1815. Já em 1818, com a invasão da Ilha de Manoel Gonçalves por corsários ingleses, João Martins Ferreira dá notícias, em carta para José Ignácio Borges, governante do Rio Grande do Norte,  dos navios de Bento que iam para a Ilha de Manoel Gonçalves. Talvez nessa época ele já fosse o administrador das terras herdadas por Bento José da Costa. Sei que há um documento, sem data, onde o capitão João Martins Ferreira era o administrador das terras que Bento herdou.

Um amigo genealogista encontrou e mandou para mim, a seguinte informação:
José Alves Lessa era natural da Freguesia de Lessa da Palmeira, Portugal, filho de Manoel Alves da Costa e de Clara Rodrigues da Purificação, nascido aos 30 de agosto de 1754, foi batizado aos 02 de setembro de 1754, pelo Padre Antonio Caldeira, e os padrinhos de batismo foram Manoel do Sacramento, e Mariana Quaresma, e servira de testemunhas do batizado D. João das Neves e José Correia.

Não sei se esse José Alves Lessa, da Freguesia de Lessa,  é o mesmo que administrava as terras de Bento, no Sertão do Assú, em 1810. É possível que sim. Nesse caso, surge a possibilidade dele ser o pai de Josefa Clara Lessa,  esposa do capitão João Martins Ferreira. O nome Josefa poderia ser um homenagem ao pai e Clara à avó. Não tenho documentos para comprovar. Alguns netos de João Martins Ferreira e Josefa Clara Lessa, filhos do major José Martins Ferreira, tinham Alves como um dos sobrenomes, como era o caso de João Alves Martins e José Alves Martins. Esse sobrenome talvez viesse de José Álvares Lessa, através de Josefa Clara. Vejamos o registro de óbito de Josefa Clara, minha tetravó.

Aos 12 de março de 1851, foi sepultada na Capela de Macau, de grades acima, a adulta Josefa Clara Lessa, branca, viúva do finado João Martins Ferreira, com 66 anos de idade, amortalhada em preto, e encomendada pelo Reverendo Silvério Bezerra de Menezes; do que faço este termo, em que assino. Felis Alves de Sousa, Vigário Colado de Angicos.

Por esse registro, Dona Josefa Clara deve ter nascido por volta de 1785, mesmo ano em que o navio Intrepid, do Conde Benyowosky, esteve na Ilha de Manoel Gonçalves.

Localização da Ilha de Manoel Gonçalves

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Francisco Xavier de Sousa, lá do Sertão Central Cabugi (II)



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Francisco das Chagas Sousa, mais conhecido por Chico Sousa, foi um grande fazendeiro de Afonso Bezerra. Admirado por muitos moradores dessa cidade, há quem defenda a substituição do nome do escritor Afonso Bezerra, que antes já foi Carapebas, pelo dele. Os sites, que tratam de sua vida, ressaltam que teve mais de 50 fazendas e, além disso, possuía dois aviões para pulverização das plantações. Entretanto, não encontrei, até agora, nenhum trabalho maior sobre esse grande fazendeiro.


Quando estive na Secretaria de Administração da Prefeitura Municipal de Natal, pedi ajuda a uma das bisnetas de Chico Sousa, que trabalhava lá, a fim de descobrir a ascendência dele. Hoje vamos escrever, principalmente, sobre o elo que vai até ao velho Francisco Xavier de Sousa e sua esposa Josefa Francisca da Costa. Começamos com o casamento de Chico Sousa.

Aos vinte e seis dias do mês de dezembro de mil novecentos e vinte e três, no Sítio Juazeiro, desta Freguesia, depois das denunciações canônicas, sem impedimento algum, na presença das testemunhas José Lopes Bezerra e João Gomes da Trindade, assisti ao recebimento matrimonial dos meus paroquianos: Francisco das Chagas Sousa, com Maria da Penha Bezerra, filhos legítimos: ele de Bibiano Xavier de Souza, e Antonia Eulália Xavier de Souza, e ela de Martinho Barbalho Bezerra, já falecido, e Zenebra da Rocha Bezerra. ambos desta Freguesia  e residentes.

Bibiano nasceu aos 2 de dezembro de 1866, filho de João Inocêncio Xavier de Sousa e Maria Martins Ferreira da Costa, tendo como padrinhos Felippe Brasiliano da Costa e Josefa Francisca Xavier da Costa. Esse Felippe Brasiliano era irmão de Maria Martins, portanto tio de Bibiano. Vejamos o batismo de João Inocêncio.

João, filho legitimo de Francisco Xavier de Sousa, e de sua mulher Josefa Francisca da Costa, moradores nesta Freguesia de Santa Ana do Matos, nasceu aos quatro de janeiro de mil oitocentos e trinta e seis, e foi batizado, solenemente, com os santos óleos aos nove de fevereiro do dito ano, na capela de São José de Angicos, filial a esta matriz, pelo padre Manoel Antonio dos Santos Pereira Leitão; foram padrinhos Vicente Ferreira Barbosa, viúvo, e Anna Francisca Xavier, casada.
João Inocêncio Xavier de Sousa, casou em 7 de Janeiro de 1859, no sítio Carapebas, com Maria Martins Ferreira, filha de João Evangelista da Costa e Anna Ferreira de Morais, tendo como testemunhas José Mariano Xavier de Sousa (irmão do nubente) e Antonio Valério da Costa Bezerra (casado com Leonídia Francisca Xavier, irmã do nubente). Leonídia, quando casou, em 1851, no Sítio Curral dos Padres, com Antonio Valério, houve dispensa de 2º e 3º graus de consanguinidade, denunciando forte parentesco entre eles. Os pais de Antonio Valério eram Vicente Ferreira Barbosa e Francisca Xavier da Costa. Observe que Vicente Ferreira foi padrinho de João Inocêncio.
 Os pais de Maria Martins, João Evangelista da Costa e Anna Ferreira de Moraes eram filhos respectivamente de Antonio Barbosa da Costa e sua mulher Claudiana Francisca Bezerra, e Antonio Ferreira de Moraes e sua esposa Antonia Theresa. Dona Maria Martins faleceu jovem, com 32 anos de idade.
De João Inocêncio e Maria Martins Ferreira, encontramos registros de  outros filhos: Francisco, nascido aos 30 de novembro de 1859, e batizado no sítio Carapebas, aos 25 de dezembro do mesmo ano, tendo como padrinhos Francisco Xavier de Sousa, e Anna Ferreira de Morais, casados; José, nascido aos 19 de março de 1861, e batizado, no sítio Santa Luzia, aos 25 de agosto de 1861, tendo como padrinhos João Evangelista da Costa e Josefa Francisca da Costa, ambos casados; Vitalino, nascido aos 28 de abril de 1862, teve como padrinhos Antonio Evangelista da Rocha Bezerra e sua esposa Leocádia Francisca Xavier Bezerra; Adriano, nascido ao 1 de março de 1864, teve como padrinhos Vicente Verdeixa, viúvo, e Júlia de Maria Ferreira da Costa; Miguel nascido aos 22 de fevereiro de 1870, teve como padrinhos Francisco Xavier de Jesus Maria e Maria Joaquina da Costa; Theodorico, nascido em 1 de julho de 1874, e batizado aos 26 de dezembro do mesmo ano, teve como padrinhos Onofre José Soares, por seu procurador Francisco Xavier de Sousa, e Maria Francisca Xavier Bezerra.
No próximo artigo vamos tratar dos outros irmãos de Vicente Verdeixa e João Inocêncio, filhos de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca da Costa.
Casamento de Chico Souza






domingo, 5 de maio de 2013

O óbito de Manoel Rodrigues Ferreira

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Em 7 de novembro de 1963, o escritor Manoel Rodrigues de Melo escreveu para seu parente, em Recife, Ricardo Rodrigues Ferreira. Logo no início disse: Estou escrevendo um livro sobre a Família Rodrigues Ferreira, começando do velho "marinheiro"/Manoel Rodrigues Ferreira, da Boa Vista.
Você é neto do velho Manoel Rodrigues Ferreira, como eu sou bisneto. Gostaria que você me mandasse umas notas bem completas sobre o velho Manoel Rodrigues Ferreira, da Boa Vista, falando sobre a vinda dele de Portugal, a província em que nasceu, o ano que chegou a Ilha de Manoel Gonçalves, com quem casou, de que vivia, na Boa Vista, o caso da onça, quando nasceu, aonde, quantos filhos teve, se esteve em Recife se tratando do ferimento que sofreu na luta com a onça, em que hospital, enfim tudo o que você puder registrar será importante para o meu estudo.
Não sei se Ricardo tinha todas as informações que Manoel Rodrigues de Mello queria, nem muito menos se chegou alguma coisa para nosso escritor. Sei que o livro não foi publicado e, até agora, não tenho notícias onde foram parar os rascunhos do livro que estava sendo escrito. Já tentei localizar, mas sem sucesso. Nem no Solar João Galvão, onde estão algumas anotações de Manoel Rodrigues, deram notícias de tais documentos.
Mas, há pouco tempo, encontrei o registro de óbito do bisavô daquele que foi presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Nele aparece o nome de sua esposa, bem como a idade que tinha. Pela dados, ele deve ter nascido por volta de 1798.

Aos 2 de junho de 1850 foi sepultado na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Macau, de grades acima, o adulto Manoel Rodrigues Ferreira, branco, casado com Izabel Martins Ferreira, com 52 anos de idade; amortalhado em preto, e encomendado pelo Reverendo Silvério Bezerra de Menezes; do que para constar faço este assento que assino. Felis Alves de Sousa.

Pena, que no registro de óbito não tenha sido informado a causa da morte, pois nosso personagem, que está na lista dos moradores da Ilha de Manoel Gonçalves  que fundaram Macau, morreu relativamente moço. Talvez, consequência dos ferimentos da onça.
Igreja onde está sepultado Manoel Rodrigues Ferreira

sábado, 4 de maio de 2013

Em 1842, ele ainda morava na Ilha

Não se sabe precisar quando a Ilha de Manoel Gonçalves estava totalmente coberta ou incapacitada para abrigar algum morador. Ninguém teve o cuidado de escrever sobre como se deu, de verdade, o desaparecimento da Ilha ao longo do tempo. Se alguma coisa foi escrita, por algum dos seus moradores, deve está ainda perdida e não chegou até nós. Não sabemos como era de fato a ilha, quantos foram seus moradores, que atividades eram exercidas nela. 

Quando José Alvares Lessa fez a descrição da Ilha de Manoel Gonçalves, em 1810, para o inventário de Domingos Afonso Ferreira e sua esposa, pouco coisa revelou. Quando da invasão, por corsários ingleses, em 1818, pouco coisa foi descrita na carta de João Martins Ferreira. 

Tenho feito vários artigos sobre a Ilha de Manoel Gonçalves, a partir dos registros da Igreja. Por eles tomamos conhecimento dos seus vários moradores.
Hoje trazemos um registro de batismo feito em Touros , onde ficamos sabendo que  em 1842, ainda morava gente por lá, embora eu tenha obtido um registro de batismo datado de novembro de 1843, nessa mesma ilha.Vejamos o registro de 1842.

Rita, branca, filha de José Ignácio d Miranda, já falecido e de sua mulher Josefina Ignácia de Miranda, moradores nesta Vila, nasceu aos seis de março de mil oitocentos e quarenta e dois, batizada no primeiro de julho de mesmo ano, nesta Matriz  do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, por mim que lhe administrei os sagrados óleos: padrinhos Jacinto João da Ora, e sua filha Rita Floriana de Miranda, moradores na Ilha de Manoel Gonçalves, por procuração que deles apresentaram Manoel Modesto Pereira do Lago e sua mulher Francisca das Chagas de Miranda, moradores nesta Vila, e para constar fiz este assento em que me assino. Antonio Camelo Valcácer, vigário aposentado.

Jacinto João da Ora consta da lista das pessoas que deixaram a Ilha de Manoel Gonçalves e fundou Macau, mas pelo registro acima, ainda permaneceu na dita ilha, pelo menos até 1842

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Francisco Xavier de Sousa, lá do Sertão Central Cabugi (I)




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
No universo genealógico, alguns nomes se repetem com muita frequência. Entre as mulheres aparecem, entre outras, as Terezas de Jesus e as muitas Marias: da Natividade, do Espírito Santo, da Conceição, do Perpétuo Socorro, além de Delfina Maria da Conceição. Entre os homens temos João Batista, André Corsino, André Avelino, Felipe Santiago e Francisco Xavier.

Em artigos anteriores, vimos que Manoel Varella Barca Jr. casou com Thereza de Jesus Duarte, filha de Francisco Xavier de Sousa Jr, e neta de outro de mesmo nome. Este último era natural da Vila de Cachoeira, na Bahia. Lá, em Gaspar Lopes, Angicos, Afonso Bezerra e Santana do Matos, encontramos muitos registros de descendentes de um Francisco Xavier de Sousa, que não identificamos sua naturalidade, principalmente, por omissão da Igreja, embora haja vários registros onde ele está presente. Em 1859 ele aparece como tenente-coronel, em um desses registros. Desconfio que Josefa Francisca da Costa, esposa de Francisco Xavier de Sousa, seja neta do patriarca João Barbosa da Costa. Veremos que os descendentes de Francisco e Josefa se entrelaçam com muitos dos meus familiares.

Manoel Américo de Carvalho Pita, quando escreveu o livro “Monsenhor José Edson Monteiro – Do pé da serra aos pés da santa”, deu as seguintes informações: José Edson Monteiro nasceu a 28 de Setembro de 1927, na então Vila de São Romão, hoje cidade de Fernando Pedroza, no sertão central do Rio Grande do Norte. Filho do Sr. Zacharias Monteiro e D. Maria da Conceição Monteiro. São seus avós paternos Francisco Monteiro de Sousa, conhecido por Bembem, e D. Ana Amélia Cruz Monteiro, e avós maternos Vicente Verdeixa de Sousa e D. Francisca Verdeixa de Sousa, trabalhadores na agricultura, na fazenda São José, de Miguel Pinheiro, no Município de Angicos. São seus irmãos Vicente Monteiro e Maria Monteiro.

Vamos escrever sobre os descendentes do tenente-coronel Francisco Xavier de Sousa, a partir de Vicente, avô de Monsenhor Monteiro.  Vicente, filho de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca da Costa, nasceu aos 17 de junho de 1832, e foi batizado aos 30 de novembro do mesmo ano, e teve como padrinhos José Alexandre Solino da Costa e Vicência Francisca de Aquilar Bezerra. Estes padrinhos casaram dois anos depois, aos 13 de agosto, na fazenda Carapebas, dispensados do impedimento de segundo grau duplicado de sanguinidade e, atingente ao primeiro, sendo ele filho de Antonio Barbosa da Costa e Claudiana Francisca Bezerra. Não aparecem os pais de Vicência.

O batizado que se assinava, posteriormente, como Vicente Verdeixa Xavier de Souza, casou pelo menos três vezes.

O primeiro casamento de Vicente Verdeixa foi, no Curral dos Padres, em 12 de novembro de 1856, com Elísia Francisca Solino Bezerra, filha dos seus padrinhos José Alexandre Solino da Costa e Vicência Francisca de Aquilar Bezerra, tendo como testemunhas José Pedro da Silveira e Antonio Valério da Costa Bezerra. Elisia faleceu em 1871 com 34 anos de idade, pouco mais ou menos.

Viúvo de Elísia, Vicente casou, na Fazenda Santa Luzia, em 13 de novembro de 1872, com Rosa Maria da Trindade, filha de João Miguel da Trindade e Maria Rosa da Conceição, na presença de Francisco Xavier de Jesus Maria e de José Bezerra Xavier da Costa. Rosa Maria da Trindade era irmã do meu bisavô, tenente João Felippe da Trindade. Francisco Xavier de Jesus Maria era irmão de Vicente. Rosa Maria faleceu em 1877, com 47 anos de idade.

Novamente viúvo, Vicente casa, em 7 de janeiro de 1883, na Matriz de São José de Angicos, com Francisca Maria Xavier da Costa, filha de José Pedro Xavier da Costa e Maria Ritta de Azevedo, sendo testemunhas João Felippe da Trindade e Manoel Carlos Xavier da Costa. José Pedro, pai de Francisca, era filho de Pedro Francisco da Costa e Joaquina Maria de Santana, esta última irmã de meus trisavós, Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Miguel Francisco da Costa Machado. Ele casou a primeira vez com Anna Xavier de Azevedo. Viúvo de Anna, José Pedro casa em 1860 com Maria Rita de Azevedo, que vem a ser a mãe de Francisca, terceira esposa de Vicente Verdeixa. Maria Rita era filha de José Honório Lopes de Azevedo e Francisca Maria Duarte. Talvez essa segunda esposa de José Pedro fosse irmã da primeira.

Vicente Verdeixa, embora tenha casado três vezes, teve poucos filhos. Somente encontrei, até agora, uma filha de nome Maria, já do terceiro casamento. Ela nasceu aos 25 de março de 1889, e foi batizada aos 12 de maio do mesmo ano, tendo como padrinhos o Barão e a Baronesa de Serra Branca. Talvez essa Maria seja, justamente, a mãe do Monsenhor Monteiro.

No próximo artigo escreveremos sobre outros filhos de Francisco Xavier de Sousa.









terça-feira, 23 de abril de 2013

Capitão Manoel Varella Barca, lá de de Assú (III)


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Manoel Varella Barca fez seu testamento em 10 de abril de 1844, na Fazenda Sacramento, tendo sido escrito por João Martins de Sá Junior. Nas suas disposições destacou uma sorte de terras, chamada Sítio Caeira ou Mutamba, herdada dos seus pais, para Maria Beatriz e Manoel de Mello Montenegro Pessoa, em atenção a fiel amizade que ambos dedicaram a ele. Fez, também, um destaque especial para a neta e afilhada Lusia Leopoldina, casada com Felis Francisco da Silva, em atenção à pobreza em que se achavam.
O segundo casamento do capitão Manoel Varella Barca foi com Dona Francisca Ferreira Souto, como vimos no primeiro artigo desta série. Vamos, pois, escrever um pouco sobre os filhos desse casal.
Domingos Varella Barca, com a idade de 20 anos, casou, em 9 de abril de 1823, na Fazenda Estreito, com Dona Gertrudes Lins Pimentel, 22 anos, filha de João de Souza Pimentel e Dona Josefa de Mendonça Lins. Houve dispensa pelo parentesco em que estavam ligados. Estavam presentes João Maurício Pimentel e Francisco Varella Barca, ambos casados.
Rosa Francisca Ferreira Souto, outra filha de Manoel e Francisca, com 29 anos de idade, casou, também, na Fazenda Estreito, em 11 de maio de 1833, com José da Fonseca Silva, de 28 anos, filho legítimo de João da Fonseca Silva, falecido, e dona Anna Maria de Jesus. Estavam presentes João Pegado de Sirqueira Cortez, casado, e Gaspar Freire de Carvalho, solteiro.
De Dona Maria Beatriz Paz Barreto não encontrei o registro de casamento. Era casada com Manoel de Mello Montenegro Pessoa, natural de Goianinha. Ovídio, filho desse casal, nasceu aos 16 de novembro de mil oitocentos e trinta e cinco, e foi batizado, pelo Vigário Colado do Seridó, na época visitador, Francisco de Brito Guerra, em 6 de janeiro de 1836, na Matriz de São João Batista do Assú. Teve como padrinhos José Varella Barca, solteiro, e Angela Garcia de Araújo Freire, viúva; Manoel, outro filho de Maria Beatriz e Manoel de Mello, nasceu aos vinte e quatro de outubro de 1836, e foi batizado pelo vigário de Santana do Matos, Padre João Theotonio de Sousa e Silva, na Matriz de Assú, aos trinta do mesmo mês e ano. Foram padrinhos o capitão Manoel Varella Barca, casado, e Maria Hermelinda de Albuquerque Montenegro.
Maria Francisca Silvina Souto tinha 26 anos quando casou, em 22 de Agosto de 1833, no oratório de José Varella Barca, com o português João Rodrigues de Mesquita, 30 anos, filho legítimo de Antonio Rodrigues de Mesquita e Maria Joaquina, ambos falecidos. Estiveram presentes João Pio Lins Pimentel e Francisco Varella Barca, casados.
João Pio Lins Pimentel, citado acima, filho de João de Sousa Pimentel e Josefa de Mendonça Lins, casou, em 30 de janeiro de 1826, na Matriz de Assú, com Francisca Ferreira Souto, outra filha de Manoel e Francisca Ferreira Souto. Foram dispensados por impedimento no terceiro grau de consanguinidade, atingente ao segundo. Estavam presentes José Varella Barca, ainda solteiro, e Francisco de Sousa Caldas, casado. João Pio era irmão de Gertrudes, esposa de Domingos Varella.
Na época do inventário Dona Francisca Ferreira Souto, a esposa de João Pio, já falecida, foi representada pelos filhos João Pio Lins Pimentel Junior, maior de 21 anos, Francisca Victorina casada com Tertuliano de Alustau Lins Caldas, Irene, Maria, Josefa, Manoel, Júlia e Luis, com 11 anos de idade..
Manoel Varella Barca Junior, outro filho do segundo casamento, tinha o mesmo nome do primogênito de Manoel Varella Barca. Era, também, falecido, na época do inventário do pai. Com vinte e dois anos de idade, casou, em 23 de fevereiro de mil oitocentos e trinta, no sítio (ou fazenda) Estreito, com Ignácia Theodósia de Mendonça, de 22 anos de idade, filha de João de Sousa Pimentel e Dona Josefa Lins de Mendonça, dispensados, também, dos impedimentos que estavam ligados. Estavam presentes, o capitão Manoel Varella Barca e João Maurício Pimentel, casados. Ignácia, como se pode ver dos registros anteriores, era irmã de João Pio Lins Pimentel e Gertrudes.
No inventário, Manoel Varella Barca Junior foi representado por sua filha Francisca Theodósia de Mendonça Caldas, viúva. Não encontrei mais informações sobre essa neta do capitão. Foi seu procurador no inventário, Luiz Gonzaga de Brito Guerra.
José Varella de Sousa Barca, foto enviada por descendente Francisco Varela Barca

EDUFRN lança livro Mais Notícias Genealógicas do RN

A agência de comunicação da UFRN publicou:

O livro “Mais Notícias Genealógicas do Rio Grande do Norte” será lançado na quinta-feira, 25, às 11h, na galeria do Núcleo de Arte e Cultura (NAC). A obra é de autoria do professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, João Felipe da Trindade.

A publicação dá sequência a outro livro, que foi lançado anteriormente, intitulado “Notícias Genealógicas do Rio Grande do Norte”, que traz para os leitores as bravas famílias que ajudaram a construir a história do estado. O conteúdo é constituído de artigos, em sua maioria, genealógicos e históricos que foram e continuam sendo publicados semanalmente no Jornal de Hoje.

Segundo o autor, a obra retrata um pouco mais sobre alguns lugares, algumas famílias, alguns indivíduos e alguns hábitos do estado. “Espero que os leitores, com as informações passadas para eles, se interessem mais pelas histórias das suas famílias, dos seus municípios e dos seus estados. Espero, também, que as escolas e os governos estimulem, desde cedo, o interesse de nossas crianças pela história pregressa de suas vidas”, completa ele.

O lançamento da obra tem o apoio da Editora Universitária da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EDUFRN) e da Cooperativa Cultural Universitária. 

João Felipe é professor aposentado da UFRN, foi chefe do Departamento de Matemática, diretor do Centro de Ciências Exatas e vice-reitor na Gestão de Geraldo Queiróz e atualmente realiza pesquisas genealógicas e históricas.

Convite: Lançamento de livro, dias 22 e 25 de abril

Convite
Nesta semana, o livro Mais Notícias Genealógicas do Rio Grande do Norte está sendo lançado. Foi preciso separar em dois momentos: um, que foi no dia 22, no salão de festas do prédio que moro, onde os convites são limitados por ser em um condomínio; o outro será dia 25, no NAC, Centro de Convivências da UFRN, por ter sido editado pela nossa editora cinquentenária e, por ser esse lançamento patrocinado pela Cooperativa Cultural. 
Se você não puder comparecer em um desses dois dias, mas desejar adquirir o livro desse lançamento, bem como o anterior, entre em contato comigo nos endereços abaixo.
João Felipe
Telefone: 84 9982-7116
e-mail: jfhipotenusa@gmail.com

terça-feira, 16 de abril de 2013

Capitão Manoel Varella Barca, lá do Assú (II)



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
O fato de José Varella de Sousa Barca, filho de Manoel Varella Barca Junior, e neto do capitão Manoel Varella Barca, estar preso na cadeia de Natal, na época do inventário, em 1850, me deixou intrigado e fui investigar.  Na internet descubro que na Câmara alta, no ano de 1864, José Castelo Branco de Moreira Brandão e Amaro Carneiro Bezerra Cavalcanti, protagonizaram um intenso duelo verbal, por várias sessões consecutivas, onde o presidente da província, Olyntho Meira, estava na berlinda.
Amaro reclamava que Olynto tinha demitido o delegado de polícia de São Gonçalo, um cidadão prestante e honrado, o tenente-coronel José Varella de Sousa Barca, e nomeado para o seu lugar um homem que já tinha sido processado pelo fato de ter tentado roubar a urna em uma eleição. Esse novo delegado era cunhado de Moreira Brandão. Lembro, ainda, que Moreira Brandão era genro de Estevão José Barbosa de Moura, mencionado no artigo anterior.
Na sua resposta, Moreira Brandão disse que o Sr. José Varella foi por vezes processado, sendo um por crime de homicídio, e que seu processo achava--se munido de provas, embora ele depois conseguisse livrar-se. Já Bezerra Cavalcanti contestou as informações de Moreira Brandão dizendo que tudo que se imputava ao tenente-coronel José Varella tinha sido armado pelos seus adversários, semelhante ao que já tinha ocorrido com ele.
José Varella de Sousa Barca era casado com Dona Antonia da Rocha Bezerra Cavalcanti. Não localizei filhos desse casal. Aparecem nos registros de batismos de São Gonçalo como padrinhos.
Sobre Manoel Varella de Souza Barca, a única informação que encontrei foi uma nomeação para exercer uma cadeira em Santana do Mattos, em 1894.
Luzia, que aparece como esposa do tenente João Gomes Freire, era na verdade Luzia de Jesus Xavier. O tenente João Gomes Freire era filho de Thedósio Freire de Amorim e de Dona Sebastiana Dantas Xavier, irmã de Thereza de Jesus Xavier, esposa de Manoel Varella Barca Junior. Portanto, Luzia e João Gomes eram primos legítimos. Essas utinguenses são descendentes dos mártires de Uruassú, Antonio Vilela Cid e Estevão Machado de Miranda. Sebastiana foi batizada na capela de Jundiaí, em 22 de abril de 1781, sendo um dos padrinhos o Padre Lourenço Gomes Freire, tio do seu futuro esposo. João Gomes Freire era irmão de Theodósio Freire de Amorim Junior e Anna Freire de Amorim. Anna nasceu em 1808, na Utinga, tendo como padrinhos os avós maternos Francisco Xavier de Sousa Junior e Bernarda Dantas.
Na capela de Nossa Senhora do Socorro de Utinga, encontrei, na base de uma das paredes, uma placa confeccionada pela esposa de João Gomes Freire, referente ao seu jazigo, onde estão escritas as datas de nascimento, casamento e falecimento dele. A data de nascimento foi 23 de dezembro de 1811 (Segundo Cascudo, 1813, o último algarismo não é fácil de ler). Seu casamento foi em fevereiro de 1837 e seu falecimento, em 20 de outubro de 1877. Essas datas não pude conferir, pois não encontrei nenhum desses registros. Faltam páginas de alguns livros, e outros registros são de difícil leitura. Encontro o casal João Gomes Freire e Luzia de Jesus Xavier como padrinhos em vários batismos, mas não encontrei nenhum registro de filhos.
João Gomes Freire, vice-presidente da província, exerceu o cargo de presidente por poucos dias, de 15 junho a 1 de julho de 1872.
Encontro, também na internet, que Maria Senhorinha Varella Barca, viúva, de Antonio Barbalho Bezerra Junior, e mãe do alferes do 1º Corpo de Voluntários da Pátria da Província do Rio Grande do Norte, Manoel Barbalho Bezerra, morto em campanha, recebeu uma pensão mensal, a partir de 1867, do Império.
Placa do Jazigo do capitão João Gomes Freire

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