segunda-feira, 6 de maio de 2013

Francisco Xavier de Sousa, lá do Sertão Central Cabugi (II)



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Francisco das Chagas Sousa, mais conhecido por Chico Sousa, foi um grande fazendeiro de Afonso Bezerra. Admirado por muitos moradores dessa cidade, há quem defenda a substituição do nome do escritor Afonso Bezerra, que antes já foi Carapebas, pelo dele. Os sites, que tratam de sua vida, ressaltam que teve mais de 50 fazendas e, além disso, possuía dois aviões para pulverização das plantações. Entretanto, não encontrei, até agora, nenhum trabalho maior sobre esse grande fazendeiro.


Quando estive na Secretaria de Administração da Prefeitura Municipal de Natal, pedi ajuda a uma das bisnetas de Chico Sousa, que trabalhava lá, a fim de descobrir a ascendência dele. Hoje vamos escrever, principalmente, sobre o elo que vai até ao velho Francisco Xavier de Sousa e sua esposa Josefa Francisca da Costa. Começamos com o casamento de Chico Sousa.

Aos vinte e seis dias do mês de dezembro de mil novecentos e vinte e três, no Sítio Juazeiro, desta Freguesia, depois das denunciações canônicas, sem impedimento algum, na presença das testemunhas José Lopes Bezerra e João Gomes da Trindade, assisti ao recebimento matrimonial dos meus paroquianos: Francisco das Chagas Sousa, com Maria da Penha Bezerra, filhos legítimos: ele de Bibiano Xavier de Souza, e Antonia Eulália Xavier de Souza, e ela de Martinho Barbalho Bezerra, já falecido, e Zenebra da Rocha Bezerra. ambos desta Freguesia  e residentes.

Bibiano nasceu aos 2 de dezembro de 1866, filho de João Inocêncio Xavier de Sousa e Maria Martins Ferreira da Costa, tendo como padrinhos Felippe Brasiliano da Costa e Josefa Francisca Xavier da Costa. Esse Felippe Brasiliano era irmão de Maria Martins, portanto tio de Bibiano. Vejamos o batismo de João Inocêncio.

João, filho legitimo de Francisco Xavier de Sousa, e de sua mulher Josefa Francisca da Costa, moradores nesta Freguesia de Santa Ana do Matos, nasceu aos quatro de janeiro de mil oitocentos e trinta e seis, e foi batizado, solenemente, com os santos óleos aos nove de fevereiro do dito ano, na capela de São José de Angicos, filial a esta matriz, pelo padre Manoel Antonio dos Santos Pereira Leitão; foram padrinhos Vicente Ferreira Barbosa, viúvo, e Anna Francisca Xavier, casada.
João Inocêncio Xavier de Sousa, casou em 7 de Janeiro de 1859, no sítio Carapebas, com Maria Martins Ferreira, filha de João Evangelista da Costa e Anna Ferreira de Morais, tendo como testemunhas José Mariano Xavier de Sousa (irmão do nubente) e Antonio Valério da Costa Bezerra (casado com Leonídia Francisca Xavier, irmã do nubente). Leonídia, quando casou, em 1851, no Sítio Curral dos Padres, com Antonio Valério, houve dispensa de 2º e 3º graus de consanguinidade, denunciando forte parentesco entre eles. Os pais de Antonio Valério eram Vicente Ferreira Barbosa e Francisca Xavier da Costa. Observe que Vicente Ferreira foi padrinho de João Inocêncio.
 Os pais de Maria Martins, João Evangelista da Costa e Anna Ferreira de Moraes eram filhos respectivamente de Antonio Barbosa da Costa e sua mulher Claudiana Francisca Bezerra, e Antonio Ferreira de Moraes e sua esposa Antonia Theresa. Dona Maria Martins faleceu jovem, com 32 anos de idade.
De João Inocêncio e Maria Martins Ferreira, encontramos registros de  outros filhos: Francisco, nascido aos 30 de novembro de 1859, e batizado no sítio Carapebas, aos 25 de dezembro do mesmo ano, tendo como padrinhos Francisco Xavier de Sousa, e Anna Ferreira de Morais, casados; José, nascido aos 19 de março de 1861, e batizado, no sítio Santa Luzia, aos 25 de agosto de 1861, tendo como padrinhos João Evangelista da Costa e Josefa Francisca da Costa, ambos casados; Vitalino, nascido aos 28 de abril de 1862, teve como padrinhos Antonio Evangelista da Rocha Bezerra e sua esposa Leocádia Francisca Xavier Bezerra; Adriano, nascido ao 1 de março de 1864, teve como padrinhos Vicente Verdeixa, viúvo, e Júlia de Maria Ferreira da Costa; Miguel nascido aos 22 de fevereiro de 1870, teve como padrinhos Francisco Xavier de Jesus Maria e Maria Joaquina da Costa; Theodorico, nascido em 1 de julho de 1874, e batizado aos 26 de dezembro do mesmo ano, teve como padrinhos Onofre José Soares, por seu procurador Francisco Xavier de Sousa, e Maria Francisca Xavier Bezerra.
No próximo artigo vamos tratar dos outros irmãos de Vicente Verdeixa e João Inocêncio, filhos de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca da Costa.
Casamento de Chico Souza






domingo, 5 de maio de 2013

O óbito de Manoel Rodrigues Ferreira

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Em 7 de novembro de 1963, o escritor Manoel Rodrigues de Melo escreveu para seu parente, em Recife, Ricardo Rodrigues Ferreira. Logo no início disse: Estou escrevendo um livro sobre a Família Rodrigues Ferreira, começando do velho "marinheiro"/Manoel Rodrigues Ferreira, da Boa Vista.
Você é neto do velho Manoel Rodrigues Ferreira, como eu sou bisneto. Gostaria que você me mandasse umas notas bem completas sobre o velho Manoel Rodrigues Ferreira, da Boa Vista, falando sobre a vinda dele de Portugal, a província em que nasceu, o ano que chegou a Ilha de Manoel Gonçalves, com quem casou, de que vivia, na Boa Vista, o caso da onça, quando nasceu, aonde, quantos filhos teve, se esteve em Recife se tratando do ferimento que sofreu na luta com a onça, em que hospital, enfim tudo o que você puder registrar será importante para o meu estudo.
Não sei se Ricardo tinha todas as informações que Manoel Rodrigues de Mello queria, nem muito menos se chegou alguma coisa para nosso escritor. Sei que o livro não foi publicado e, até agora, não tenho notícias onde foram parar os rascunhos do livro que estava sendo escrito. Já tentei localizar, mas sem sucesso. Nem no Solar João Galvão, onde estão algumas anotações de Manoel Rodrigues, deram notícias de tais documentos.
Mas, há pouco tempo, encontrei o registro de óbito do bisavô daquele que foi presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Nele aparece o nome de sua esposa, bem como a idade que tinha. Pela dados, ele deve ter nascido por volta de 1798.

Aos 2 de junho de 1850 foi sepultado na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Macau, de grades acima, o adulto Manoel Rodrigues Ferreira, branco, casado com Izabel Martins Ferreira, com 52 anos de idade; amortalhado em preto, e encomendado pelo Reverendo Silvério Bezerra de Menezes; do que para constar faço este assento que assino. Felis Alves de Sousa.

Pena, que no registro de óbito não tenha sido informado a causa da morte, pois nosso personagem, que está na lista dos moradores da Ilha de Manoel Gonçalves  que fundaram Macau, morreu relativamente moço. Talvez, consequência dos ferimentos da onça.
Igreja onde está sepultado Manoel Rodrigues Ferreira

sábado, 4 de maio de 2013

Em 1842, ele ainda morava na Ilha

Não se sabe precisar quando a Ilha de Manoel Gonçalves estava totalmente coberta ou incapacitada para abrigar algum morador. Ninguém teve o cuidado de escrever sobre como se deu, de verdade, o desaparecimento da Ilha ao longo do tempo. Se alguma coisa foi escrita, por algum dos seus moradores, deve está ainda perdida e não chegou até nós. Não sabemos como era de fato a ilha, quantos foram seus moradores, que atividades eram exercidas nela. 

Quando José Alvares Lessa fez a descrição da Ilha de Manoel Gonçalves, em 1810, para o inventário de Domingos Afonso Ferreira e sua esposa, pouco coisa revelou. Quando da invasão, por corsários ingleses, em 1818, pouco coisa foi descrita na carta de João Martins Ferreira. 

Tenho feito vários artigos sobre a Ilha de Manoel Gonçalves, a partir dos registros da Igreja. Por eles tomamos conhecimento dos seus vários moradores.
Hoje trazemos um registro de batismo feito em Touros , onde ficamos sabendo que  em 1842, ainda morava gente por lá, embora eu tenha obtido um registro de batismo datado de novembro de 1843, nessa mesma ilha.Vejamos o registro de 1842.

Rita, branca, filha de José Ignácio d Miranda, já falecido e de sua mulher Josefina Ignácia de Miranda, moradores nesta Vila, nasceu aos seis de março de mil oitocentos e quarenta e dois, batizada no primeiro de julho de mesmo ano, nesta Matriz  do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, por mim que lhe administrei os sagrados óleos: padrinhos Jacinto João da Ora, e sua filha Rita Floriana de Miranda, moradores na Ilha de Manoel Gonçalves, por procuração que deles apresentaram Manoel Modesto Pereira do Lago e sua mulher Francisca das Chagas de Miranda, moradores nesta Vila, e para constar fiz este assento em que me assino. Antonio Camelo Valcácer, vigário aposentado.

Jacinto João da Ora consta da lista das pessoas que deixaram a Ilha de Manoel Gonçalves e fundou Macau, mas pelo registro acima, ainda permaneceu na dita ilha, pelo menos até 1842

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Francisco Xavier de Sousa, lá do Sertão Central Cabugi (I)




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
No universo genealógico, alguns nomes se repetem com muita frequência. Entre as mulheres aparecem, entre outras, as Terezas de Jesus e as muitas Marias: da Natividade, do Espírito Santo, da Conceição, do Perpétuo Socorro, além de Delfina Maria da Conceição. Entre os homens temos João Batista, André Corsino, André Avelino, Felipe Santiago e Francisco Xavier.

Em artigos anteriores, vimos que Manoel Varella Barca Jr. casou com Thereza de Jesus Duarte, filha de Francisco Xavier de Sousa Jr, e neta de outro de mesmo nome. Este último era natural da Vila de Cachoeira, na Bahia. Lá, em Gaspar Lopes, Angicos, Afonso Bezerra e Santana do Matos, encontramos muitos registros de descendentes de um Francisco Xavier de Sousa, que não identificamos sua naturalidade, principalmente, por omissão da Igreja, embora haja vários registros onde ele está presente. Em 1859 ele aparece como tenente-coronel, em um desses registros. Desconfio que Josefa Francisca da Costa, esposa de Francisco Xavier de Sousa, seja neta do patriarca João Barbosa da Costa. Veremos que os descendentes de Francisco e Josefa se entrelaçam com muitos dos meus familiares.

Manoel Américo de Carvalho Pita, quando escreveu o livro “Monsenhor José Edson Monteiro – Do pé da serra aos pés da santa”, deu as seguintes informações: José Edson Monteiro nasceu a 28 de Setembro de 1927, na então Vila de São Romão, hoje cidade de Fernando Pedroza, no sertão central do Rio Grande do Norte. Filho do Sr. Zacharias Monteiro e D. Maria da Conceição Monteiro. São seus avós paternos Francisco Monteiro de Sousa, conhecido por Bembem, e D. Ana Amélia Cruz Monteiro, e avós maternos Vicente Verdeixa de Sousa e D. Francisca Verdeixa de Sousa, trabalhadores na agricultura, na fazenda São José, de Miguel Pinheiro, no Município de Angicos. São seus irmãos Vicente Monteiro e Maria Monteiro.

Vamos escrever sobre os descendentes do tenente-coronel Francisco Xavier de Sousa, a partir de Vicente, avô de Monsenhor Monteiro.  Vicente, filho de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca da Costa, nasceu aos 17 de junho de 1832, e foi batizado aos 30 de novembro do mesmo ano, e teve como padrinhos José Alexandre Solino da Costa e Vicência Francisca de Aquilar Bezerra. Estes padrinhos casaram dois anos depois, aos 13 de agosto, na fazenda Carapebas, dispensados do impedimento de segundo grau duplicado de sanguinidade e, atingente ao primeiro, sendo ele filho de Antonio Barbosa da Costa e Claudiana Francisca Bezerra. Não aparecem os pais de Vicência.

O batizado que se assinava, posteriormente, como Vicente Verdeixa Xavier de Souza, casou pelo menos três vezes.

O primeiro casamento de Vicente Verdeixa foi, no Curral dos Padres, em 12 de novembro de 1856, com Elísia Francisca Solino Bezerra, filha dos seus padrinhos José Alexandre Solino da Costa e Vicência Francisca de Aquilar Bezerra, tendo como testemunhas José Pedro da Silveira e Antonio Valério da Costa Bezerra. Elisia faleceu em 1871 com 34 anos de idade, pouco mais ou menos.

Viúvo de Elísia, Vicente casou, na Fazenda Santa Luzia, em 13 de novembro de 1872, com Rosa Maria da Trindade, filha de João Miguel da Trindade e Maria Rosa da Conceição, na presença de Francisco Xavier de Jesus Maria e de José Bezerra Xavier da Costa. Rosa Maria da Trindade era irmã do meu bisavô, tenente João Felippe da Trindade. Francisco Xavier de Jesus Maria era irmão de Vicente. Rosa Maria faleceu em 1877, com 47 anos de idade.

Novamente viúvo, Vicente casa, em 7 de janeiro de 1883, na Matriz de São José de Angicos, com Francisca Maria Xavier da Costa, filha de José Pedro Xavier da Costa e Maria Ritta de Azevedo, sendo testemunhas João Felippe da Trindade e Manoel Carlos Xavier da Costa. José Pedro, pai de Francisca, era filho de Pedro Francisco da Costa e Joaquina Maria de Santana, esta última irmã de meus trisavós, Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Miguel Francisco da Costa Machado. Ele casou a primeira vez com Anna Xavier de Azevedo. Viúvo de Anna, José Pedro casa em 1860 com Maria Rita de Azevedo, que vem a ser a mãe de Francisca, terceira esposa de Vicente Verdeixa. Maria Rita era filha de José Honório Lopes de Azevedo e Francisca Maria Duarte. Talvez essa segunda esposa de José Pedro fosse irmã da primeira.

Vicente Verdeixa, embora tenha casado três vezes, teve poucos filhos. Somente encontrei, até agora, uma filha de nome Maria, já do terceiro casamento. Ela nasceu aos 25 de março de 1889, e foi batizada aos 12 de maio do mesmo ano, tendo como padrinhos o Barão e a Baronesa de Serra Branca. Talvez essa Maria seja, justamente, a mãe do Monsenhor Monteiro.

No próximo artigo escreveremos sobre outros filhos de Francisco Xavier de Sousa.









terça-feira, 23 de abril de 2013

Capitão Manoel Varella Barca, lá de de Assú (III)


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Manoel Varella Barca fez seu testamento em 10 de abril de 1844, na Fazenda Sacramento, tendo sido escrito por João Martins de Sá Junior. Nas suas disposições destacou uma sorte de terras, chamada Sítio Caeira ou Mutamba, herdada dos seus pais, para Maria Beatriz e Manoel de Mello Montenegro Pessoa, em atenção a fiel amizade que ambos dedicaram a ele. Fez, também, um destaque especial para a neta e afilhada Lusia Leopoldina, casada com Felis Francisco da Silva, em atenção à pobreza em que se achavam.
O segundo casamento do capitão Manoel Varella Barca foi com Dona Francisca Ferreira Souto, como vimos no primeiro artigo desta série. Vamos, pois, escrever um pouco sobre os filhos desse casal.
Domingos Varella Barca, com a idade de 20 anos, casou, em 9 de abril de 1823, na Fazenda Estreito, com Dona Gertrudes Lins Pimentel, 22 anos, filha de João de Souza Pimentel e Dona Josefa de Mendonça Lins. Houve dispensa pelo parentesco em que estavam ligados. Estavam presentes João Maurício Pimentel e Francisco Varella Barca, ambos casados.
Rosa Francisca Ferreira Souto, outra filha de Manoel e Francisca, com 29 anos de idade, casou, também, na Fazenda Estreito, em 11 de maio de 1833, com José da Fonseca Silva, de 28 anos, filho legítimo de João da Fonseca Silva, falecido, e dona Anna Maria de Jesus. Estavam presentes João Pegado de Sirqueira Cortez, casado, e Gaspar Freire de Carvalho, solteiro.
De Dona Maria Beatriz Paz Barreto não encontrei o registro de casamento. Era casada com Manoel de Mello Montenegro Pessoa, natural de Goianinha. Ovídio, filho desse casal, nasceu aos 16 de novembro de mil oitocentos e trinta e cinco, e foi batizado, pelo Vigário Colado do Seridó, na época visitador, Francisco de Brito Guerra, em 6 de janeiro de 1836, na Matriz de São João Batista do Assú. Teve como padrinhos José Varella Barca, solteiro, e Angela Garcia de Araújo Freire, viúva; Manoel, outro filho de Maria Beatriz e Manoel de Mello, nasceu aos vinte e quatro de outubro de 1836, e foi batizado pelo vigário de Santana do Matos, Padre João Theotonio de Sousa e Silva, na Matriz de Assú, aos trinta do mesmo mês e ano. Foram padrinhos o capitão Manoel Varella Barca, casado, e Maria Hermelinda de Albuquerque Montenegro.
Maria Francisca Silvina Souto tinha 26 anos quando casou, em 22 de Agosto de 1833, no oratório de José Varella Barca, com o português João Rodrigues de Mesquita, 30 anos, filho legítimo de Antonio Rodrigues de Mesquita e Maria Joaquina, ambos falecidos. Estiveram presentes João Pio Lins Pimentel e Francisco Varella Barca, casados.
João Pio Lins Pimentel, citado acima, filho de João de Sousa Pimentel e Josefa de Mendonça Lins, casou, em 30 de janeiro de 1826, na Matriz de Assú, com Francisca Ferreira Souto, outra filha de Manoel e Francisca Ferreira Souto. Foram dispensados por impedimento no terceiro grau de consanguinidade, atingente ao segundo. Estavam presentes José Varella Barca, ainda solteiro, e Francisco de Sousa Caldas, casado. João Pio era irmão de Gertrudes, esposa de Domingos Varella.
Na época do inventário Dona Francisca Ferreira Souto, a esposa de João Pio, já falecida, foi representada pelos filhos João Pio Lins Pimentel Junior, maior de 21 anos, Francisca Victorina casada com Tertuliano de Alustau Lins Caldas, Irene, Maria, Josefa, Manoel, Júlia e Luis, com 11 anos de idade..
Manoel Varella Barca Junior, outro filho do segundo casamento, tinha o mesmo nome do primogênito de Manoel Varella Barca. Era, também, falecido, na época do inventário do pai. Com vinte e dois anos de idade, casou, em 23 de fevereiro de mil oitocentos e trinta, no sítio (ou fazenda) Estreito, com Ignácia Theodósia de Mendonça, de 22 anos de idade, filha de João de Sousa Pimentel e Dona Josefa Lins de Mendonça, dispensados, também, dos impedimentos que estavam ligados. Estavam presentes, o capitão Manoel Varella Barca e João Maurício Pimentel, casados. Ignácia, como se pode ver dos registros anteriores, era irmã de João Pio Lins Pimentel e Gertrudes.
No inventário, Manoel Varella Barca Junior foi representado por sua filha Francisca Theodósia de Mendonça Caldas, viúva. Não encontrei mais informações sobre essa neta do capitão. Foi seu procurador no inventário, Luiz Gonzaga de Brito Guerra.
José Varella de Sousa Barca, foto enviada por descendente Francisco Varela Barca

EDUFRN lança livro Mais Notícias Genealógicas do RN

A agência de comunicação da UFRN publicou:

O livro “Mais Notícias Genealógicas do Rio Grande do Norte” será lançado na quinta-feira, 25, às 11h, na galeria do Núcleo de Arte e Cultura (NAC). A obra é de autoria do professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, João Felipe da Trindade.

A publicação dá sequência a outro livro, que foi lançado anteriormente, intitulado “Notícias Genealógicas do Rio Grande do Norte”, que traz para os leitores as bravas famílias que ajudaram a construir a história do estado. O conteúdo é constituído de artigos, em sua maioria, genealógicos e históricos que foram e continuam sendo publicados semanalmente no Jornal de Hoje.

Segundo o autor, a obra retrata um pouco mais sobre alguns lugares, algumas famílias, alguns indivíduos e alguns hábitos do estado. “Espero que os leitores, com as informações passadas para eles, se interessem mais pelas histórias das suas famílias, dos seus municípios e dos seus estados. Espero, também, que as escolas e os governos estimulem, desde cedo, o interesse de nossas crianças pela história pregressa de suas vidas”, completa ele.

O lançamento da obra tem o apoio da Editora Universitária da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EDUFRN) e da Cooperativa Cultural Universitária. 

João Felipe é professor aposentado da UFRN, foi chefe do Departamento de Matemática, diretor do Centro de Ciências Exatas e vice-reitor na Gestão de Geraldo Queiróz e atualmente realiza pesquisas genealógicas e históricas.

Convite: Lançamento de livro, dias 22 e 25 de abril

Convite
Nesta semana, o livro Mais Notícias Genealógicas do Rio Grande do Norte está sendo lançado. Foi preciso separar em dois momentos: um, que foi no dia 22, no salão de festas do prédio que moro, onde os convites são limitados por ser em um condomínio; o outro será dia 25, no NAC, Centro de Convivências da UFRN, por ter sido editado pela nossa editora cinquentenária e, por ser esse lançamento patrocinado pela Cooperativa Cultural. 
Se você não puder comparecer em um desses dois dias, mas desejar adquirir o livro desse lançamento, bem como o anterior, entre em contato comigo nos endereços abaixo.
João Felipe
Telefone: 84 9982-7116
e-mail: jfhipotenusa@gmail.com

terça-feira, 16 de abril de 2013

Capitão Manoel Varella Barca, lá do Assú (II)



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
O fato de José Varella de Sousa Barca, filho de Manoel Varella Barca Junior, e neto do capitão Manoel Varella Barca, estar preso na cadeia de Natal, na época do inventário, em 1850, me deixou intrigado e fui investigar.  Na internet descubro que na Câmara alta, no ano de 1864, José Castelo Branco de Moreira Brandão e Amaro Carneiro Bezerra Cavalcanti, protagonizaram um intenso duelo verbal, por várias sessões consecutivas, onde o presidente da província, Olyntho Meira, estava na berlinda.
Amaro reclamava que Olynto tinha demitido o delegado de polícia de São Gonçalo, um cidadão prestante e honrado, o tenente-coronel José Varella de Sousa Barca, e nomeado para o seu lugar um homem que já tinha sido processado pelo fato de ter tentado roubar a urna em uma eleição. Esse novo delegado era cunhado de Moreira Brandão. Lembro, ainda, que Moreira Brandão era genro de Estevão José Barbosa de Moura, mencionado no artigo anterior.
Na sua resposta, Moreira Brandão disse que o Sr. José Varella foi por vezes processado, sendo um por crime de homicídio, e que seu processo achava--se munido de provas, embora ele depois conseguisse livrar-se. Já Bezerra Cavalcanti contestou as informações de Moreira Brandão dizendo que tudo que se imputava ao tenente-coronel José Varella tinha sido armado pelos seus adversários, semelhante ao que já tinha ocorrido com ele.
José Varella de Sousa Barca era casado com Dona Antonia da Rocha Bezerra Cavalcanti. Não localizei filhos desse casal. Aparecem nos registros de batismos de São Gonçalo como padrinhos.
Sobre Manoel Varella de Souza Barca, a única informação que encontrei foi uma nomeação para exercer uma cadeira em Santana do Mattos, em 1894.
Luzia, que aparece como esposa do tenente João Gomes Freire, era na verdade Luzia de Jesus Xavier. O tenente João Gomes Freire era filho de Thedósio Freire de Amorim e de Dona Sebastiana Dantas Xavier, irmã de Thereza de Jesus Xavier, esposa de Manoel Varella Barca Junior. Portanto, Luzia e João Gomes eram primos legítimos. Essas utinguenses são descendentes dos mártires de Uruassú, Antonio Vilela Cid e Estevão Machado de Miranda. Sebastiana foi batizada na capela de Jundiaí, em 22 de abril de 1781, sendo um dos padrinhos o Padre Lourenço Gomes Freire, tio do seu futuro esposo. João Gomes Freire era irmão de Theodósio Freire de Amorim Junior e Anna Freire de Amorim. Anna nasceu em 1808, na Utinga, tendo como padrinhos os avós maternos Francisco Xavier de Sousa Junior e Bernarda Dantas.
Na capela de Nossa Senhora do Socorro de Utinga, encontrei, na base de uma das paredes, uma placa confeccionada pela esposa de João Gomes Freire, referente ao seu jazigo, onde estão escritas as datas de nascimento, casamento e falecimento dele. A data de nascimento foi 23 de dezembro de 1811 (Segundo Cascudo, 1813, o último algarismo não é fácil de ler). Seu casamento foi em fevereiro de 1837 e seu falecimento, em 20 de outubro de 1877. Essas datas não pude conferir, pois não encontrei nenhum desses registros. Faltam páginas de alguns livros, e outros registros são de difícil leitura. Encontro o casal João Gomes Freire e Luzia de Jesus Xavier como padrinhos em vários batismos, mas não encontrei nenhum registro de filhos.
João Gomes Freire, vice-presidente da província, exerceu o cargo de presidente por poucos dias, de 15 junho a 1 de julho de 1872.
Encontro, também na internet, que Maria Senhorinha Varella Barca, viúva, de Antonio Barbalho Bezerra Junior, e mãe do alferes do 1º Corpo de Voluntários da Pátria da Província do Rio Grande do Norte, Manoel Barbalho Bezerra, morto em campanha, recebeu uma pensão mensal, a partir de 1867, do Império.
Placa do Jazigo do capitão João Gomes Freire

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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Capitão Manoel Varella Barca, lá do Assú (I)



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Nas minhas pesquisas genealógicas, uma personagem sempre presente, na vida de Assú, foi sem dúvida o capitão Manoel Varella Barca. Entretanto, não encontrei, até agora, maiores referências sobre sua vida por parte de nossos escritores. Está esquecido pelos seus e pelos outros. Faleceu aos dez de setembro de 1850.

Pelos assentamentos de praça, vemos que passou a tenente em 3 de março de 1791 e a capitão em 18 de agosto do mesmo ano. Quando da invasão da Ilha de Manoel Gonçalves, por corsários ingleses, em 1818, foi o capitão Manoel Varella Barca quem recebeu a primeira informação do Comandante do Degredo da Ilha, Alexandre José Pereira.

Foi procurador e administrador das várias fazendas de Cristovão da Rocha Pitta, morador na Bahia, e da viúva Costa, da praça de Pernambuco.

No seu testamento, escreveu que era natural da Vila do Cabo, da Província de Pernambuco, filho de José Varella Barca e Dona Brites Paz Barreto, na época, já falecidos. Cita alguns irmãos, já falecidos, José, Rosa Josefa, Maria, Anna e Brites. Não fala sobre irmãos vivos.

Disse mais que foi casado três vezes. O primeiro casamento foi com Dona Luzia Florência da Silva, da qual teve quatro filhos, a saber: Manoel Varella, Maria Juliana, José Varela e Francisco Varella, todos falecidos; seu segundo casamento foi com Dona Francisca Ferreira Souto, da qual teve seis filhos, a saber: Domingos Varella, Manoel Varella, falecido, Rosa, Maria Beatriz, Maria Francisca, Francisca Ferreira Souto, já falecida; seu último casamento foi com Dona Bertholeza Cavalcanti Pessoa, da qual não teve filhos.

Dona Luzia Florência da Silva, primeira esposa do capitão Manoel Varella Barca, era filha do capitão João Ferreira da Silva e Brites Maria de Mello. Os quatro filhos desse casamento eram falecidos quando do testamento do capitão. Francisco e José morreram conforme o relato a seguir.

Em seu discurso pronunciado na abertura da segunda sessão da terceira legislatura da Assembleia Legislativa Provincial, do Rio Grande do Norte, do dia 7 de setembro de 1841, o vice-presidente da Província, coronel Estevão José Barboza de Moura, faz o seguinte relato: dia 13 de dezembro de 1840, se apresentou pelas nove horas da manhã no campo fronteiro à Matriz na qual tinha de celebrar-se o ato de eleição, um concurso de setenta pessoas, mais ou menos, armadas e capitaneadas pelo tenente da extinta segunda linha, José Varella Barca, e por seu irmão Francisco Varella Barca. Por aquela mesma hora teve de seguir para o lugar destinado o destacamento do Corpo Policial, que ali existe, e havia sido requerido pela autoridade competente para guardar e manter o sossego, na forma da lei; e quando passava este em pequena distância do grupo recebeu tiros de mosquetaria; à vista do que o seu digno comandante, o tenente de Polícia José Antonio de Souza Caldas, mandou fazer também fogo contra o inimigo, que então reconheceu, repelindo assim a força, que o guerreava; de cuja luta, que durou por espaço de três quartos de hora, resultou morrer imediatamente o segundo chefe Francisco Varella, e ficar gravemente ferido em um perna o primeiro José Varella; serem baleados um sargento, e um guarda de Polícia, ambos gravemente, uma mulher que chegava à sua porta na ocasião do fogo, e alguns outros do inimigo, ao número de dez ou doze, os quais todos escaparam, menos o infeliz tenente José Varella, que faleceu de um mês de padecimentos.

Francisco Varella Barca foi representado no testamento pelos seus filhos: Manoel Varella Barca, casado; Pio Pierres Varella Barca, maior de 21 anos; Maria Senhorinha Varella Barca, casada com Antonio Barbalho Bezerra Junior; Senhorinha, casada com Luis Felis da Silva; Francisca, e mais Luzia Maria, Maria Josefa e José, menores.

José Varella Barca foi representado pelos seus filhos legitimados Maria Clara, casada com Manoel Tavares da Silva (no registro de casamento, em 1835, ela aparece como filha natural de Clara Francisca Bezerra); José, Manoel, Luzia e Maria, esses menores.

Maria Juliana, já falecida em 1835, era casada com Francisco de Souza Caldas, e foi  representada pelos filhos Manoel Lins Caldas, Francisco Lins Caldas e Tertuliano de Alustau Lins Caldas, todos casados; Luiz Lucas Lins Caldas, solteiro e maior de 21 anos; Maria Genoveva Lins Caldas casada com Felis Nobre de Medeiros; Luzia Leopoldina casada com Felis Francisco da Silva.
Em um assentamento de praça, consta que Manoel Varella Barca Junior, filho do capitão Manoel Varella Barca, era natural das várzeas do Apodi, idade de 20 anos, de altura 5p e 6p, cabelos pretos, olhos pardos, sentou praça em 23 de junho de 1806, solteiro e criador de gados.

Manoel Varella Barca Junior, o mais velho deles, era casado com Thereza de Jesus Xavier, filha de Francisco Xavier de Souza Junior e Dona Bernarda Dantas da Silveira. Esse casamento foi na capela da Utinga, em 30 de outubro de 1817. No testamento foi representado por seus filhos Francisco Xavier Varella Barca, nascido na Utinga, batizado em 20 de novembro de 1820, casado com Josefa Jovina Pimentel Varella Barca; Manoel Varella de Souza Barca; José Varella de Souza Barca (na época do inventário, preso na cadeia de Natal); e Luzia, nascida na Utinga, batizada em 29 de outubro de 1819, casada com João Gomes Freire.

Trecho de um debate na Câmara Federal entre José Moreira Brandão Castelo Branco e Amaro Carneiro Bezerra Cavalcanti


segunda-feira, 1 de abril de 2013

D. Clara Joaquina e o senador Pompeu



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Lá de Fortaleza, nosso primo, Luciano Klein, descendente de Balthazar de Moura e Silva, natural de Portugal, e que viveu um tempo em Macau, nos manda testamento de D. Clara Joaquina de Almeida e Castro, hoje arquivado no Arquivo Público do Ceará. Em artigo anterior, já tínhamos dado algumas informações extraídas do mesmo. Hoje, completamos, com mais alguns detalhes.

Dona Clara Joaquina, aos vinte e cinco de julho de 1855, fez seu testamento. Nessa data, como declarou o tabelião, estava doente de cama, mas regendo seu entender, em seu perfeito juízo. Disse que sabia ler e escrever, mas pelo estado de fraqueza, e enfermidade, rogou a pessoa de sua confiança, no caso, Doutor Thomaz Pompeu de Souza Brasil, que escrevesse seu testamento, conforme ela fosse ditando. Doutor Thomaz, que foi padre e senador do Império dá nome ao município cearense Senador Pompeu.

Senador Pompeu nasceu em Santa Quitéria, Ceará, filho do capitão de milícias do Ceará, Thomas de Aquino de Sousa e D. Geracina Izabel Pompeu, neto paterno de Antonio José de Souza e Oliveira (escrivão da Fazenda Real, aqui no Rio Grande do Norte) e D. Joanna Ferreira de Mello, primos legítimos, naturais do Rio Grande do Norte, e neto materno de Polinardo Caetano César de Ataíde e de Izabel Pinto de Mesquita. D. Joanna Ferreira de Mello era irmã de Francisca Antonia Teixeira, e, portanto, o capitão Thomas de Aquino era primo legítimo de D. Clara e do nosso frei Miguelinho. Câmara Cascudo e outros escritores escreveram, por equívoco, como mãe de Thomas de Aquino, D. Anna Teixeira de Mello. Na verdade Antonio de Souza casou com Joanna, em 1779, e daí nasceu Thomas de Aquino, em 1780.

Esse Polinardo acima se chamava José Luis Pestana de Vasconcellos. Mudou de nome para se casar. Depois de certo tempo, sua invenção foi descoberta e acabou preso em Lisboa por bigamia.

Dona Clara disse ter nascido no Rio Grande do Norte, filha legítima de Manoel Pinto de Almeida e Castro, e D. Francisca Antônia Teixeira, ambos falecidos; disse mais, que era casada à face da Igreja, segundo o Concílio Tridentino e leis do Império, com seu sobrinho Ignácio Pinto de Almeida e Castro; afirmou mais ainda, que tinha naquela data 75 anos.

Aqui, um parêntese: em nenhum registro que encontrei, havia o sobrenome Almeida, para o pai de D. Clara, que sempre se escrevia Manoel Pinto de Castro (às vezes Crasto); além disso, ela se equivocou com relação a própria idade, pois nasceu em 12 de agosto de 1787. Teria 68 anos, portanto.

Pediu que se falecesse em Fortaleza, fosse enterrada no Cemitério, no quadro comum, sem pompa, ou solenidade alguma e que seu corpo fosse levado, envolto em branco, por alguns pobres, em uma rede, com a esmola de mil réis a cada um dos carregadores.

Nas suas disposições determinou que fossem declaradas libertas e gozando de sua perfeita liberdade as suas escravas Felícia, mulher de José, escrava velha; Maria, mulher de Fernando, também velha; Olegária, nova e solteira; Carlota, mulata de 12 anos, filha de Jesuína, liberta; Chilidonia, de 2 para 3 anos, filha da escrava Antonia. Pediu para elas serem libertadas de imediato, e se não houvesse tempo de assinar as suas cartas, elas seriam passadas em virtude da sua disposição acima, na forma das leis, porquanto essas escravas muito lhe serviram, e não lhes podia dar outra prova maior do seu reconhecimento.

Outra determinação interessante de Dona Clara era que se seu marido lhe sobrevivesse e passasse a segundas núpcias, que só para esta parte ficassem livres as seguintes escravas: Januária, crioula, que teria idade de 45 anos; Aristarca, filha de Januária, com 22 anos; Antonia, crioula de 30 anos; Maria da Cruz, crioula de 15 anos; Rosa, crioula de 40 anos. Essas escravas seriam computadas, também, na sua meação, pertencendo ao seu marido até que ele passe a segundas núpcias. Caso seu marido não passasse a segundas núpcias, que ele por sua morte deixe-as forras. Já vimos em artigo anterior que o marido de Dona Clara casou, depois, com uma sobrinha.

Além disso, deixou duzentos mil réis a cada um dos seus afilhados, Guilherme, e Ignácio, filhos legítimos de Guilherme dos Santos Sazes e de sua mulher D. Rita Catharina de Almeida e Castro; deixou, também, cem mil réis a sua afilhada Francisca, filha de Bernardo Pinheiro Teixeira; mais cem mil para seu afilhado José, filho legítimo de João Baptista da Castro e Silva; deixou mais algumas recomendações de esmola a alguns afilhados e outras coisas que seu marido sabia e  ela confiava que ele encontraria, sem precisar fazer no testamento expressa menção.

Deduzidas as importâncias dessas doações, o terço do que restou da  sua meação destinou  para o seu sobrinho, e afilhado, Joaquim, seu filho de criação, e filho legítimo de Joaquim Felício de Almeida e Castro.

Instituiu, deduzidas as doações, o seu marido com herdeiro, sendo ele, também, primeiro testamenteiro e, como segundo testamenteiro João Batista de Castro e Silva. Esse João Baptista acredito que foi Inspetor de Fazenda em vários estados, tendo inclusive sido oficial maior da contadoria da Tesouraria da província do Rio Grande do Norte, em 1835.

terça-feira, 26 de março de 2013

+ Bezerra Cavalcanti


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Leonardo Bezerra Cavalcanti, em 1691, pedia registro de uma marca de ferro, aqui no Rio Grande do Norte. Em 1734, aqui em São Gonçalo do Potengi, João Bezerra Cavalcanti, preto forro, natural de Angola, escravo que foi do coronel Leonardo Bezerra Cavalcanti, morador no Assú, assistente na fazenda Oytu, há muitos anos, casou com Luiza da Costa Monteira, forra, filha de Joanna da Costa, tapuia forra, solteira, e de Jacinto Monteiro, escravo do alferes Pascoal Gomes de Lima, natural e moradora no sítio São Gonçalo.
A Guerra dos Mascates, nos anos de 1710 e 1711, foi liderada por Bernardo Vieira de Mello, que foi capitão-mor do Rio Grande, e Leonardo Bezerra Cavalcanti, que não sei se era o mesmo que tinha terras no Assú. Muitos moradores de outros estados tinham fazendas para criação de gado lá. Sei, também, que esse nome se repete com frequência na família Bezerra Cavalcanti. Já vimos, no artigo anterior, que um desses Leonardo, filho de Antonio Cavalcanti Bezerra, lá do Assú, era avô de Antonio da Rocha Bezerra Cavalcanti. Lá mesmo no Assú, vamos encontrar outros membros da família Bezerra Cavalcanti ou Cavalcanti Bezerra.
No Assú, vamos encontrar os batismos dos seguintes filhos de Leonardo Bezerra Cavalcanti e Izabel Alexandrina Bezerra Cavalcanti: Maria, que nasceu em 7 de fevereiro de 1847, batizada aos 27 de dezembro do mesmo ano, tendo como padrinhos, o major José Joaquim Bezerra Cavalcanti e D. Francisca Rodrigues da Costa; Manoel, que nasceu em agosto de 1840, batizado aos 31 do mesmo mês e ano, tendo como padrinhos tenente-coronel Antonio Barbalho Bezerra e Ignácia Francisca Bezerra.
Outro, que está presente no Assú, é André Avelino Bezerra Cavalcanti. Ele e sua mulher Luiza Leocádia Bezerra Cavalcanti batizaram na Fazenda Riacho, o filho André, em 27 de março de 1841, que nasceu aos 18 de março de 1841, e teve como padrinhos José Joaquim Bezerra Cavalcanti e sua mulher D. Francisco Rodrigues da Costa; outro filho de André e Luiza, de nome Manoel, foi batizado em 1845, tendo como padrinhos o Reverendo Manoel Januário Bezerra Cavalcanti e D. Francisca Rodrigues da Costa, por procuração de Francisca Alexandrina Bezerra.
Esse José Joaquim Bezerra Cavalcanti, que possuía uma fazenda de gados denominada Riacho, na parte poente do rio Paraú, teve registro de  uma data de sesmaria, requerida ao governador José Ignácio Borges, em 22 de setembro de 1819. Registramos, ainda, que em 26 de junho de 1838, na Fazenda Riacho, José Alexandre Bezerra, natural da Freguesia de São José, filho de João Martins e Josefa Maria, casou com Francisca Bezerra Cavalcanti, natural do Seridó, filha de José Joaquim Bezerra (Cavalcanti) e Francisca Rodrigues da Costa; foram testemunhas Basílio Quaresma Torreão e o capitão Antonio Bezerra Carneiro, ambos casados.
Aqui na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, em 7 de janeiro de 1831, Gonçalo Francisco da Rocha, casou com Maria Bezerra Cavalcanti da Rocha, de Extremoz, sendo ele filho de Leonardo Bezerra Cavalcanti e Bernardina Josefa de Moraes, e ela de Antonio da Rocha Bezerra e Dona Joanna Ferreira de Mello, falecidos, sendo testemunhas o Reverendo Felis Francisco Correa Barros, vigário de Extremoz, e o comandante de armas, Pedro José da Costa Pacheco. Foram dispensados no 3º grau atingente ao 2º duplicado de sanguinidade.
Outro Bezerra Cavalcanti, que encontramos, vem descrito em um assentamento de praça, onde se lê: José Bezerra Cavalcanti, natural da freguesia de Muribeca, capitania de Pernambuco, filho de Francisco Dias Bezerra Cavalcanti, de idade de vinte anos, pouco mais ou menos, de ordinária estatura, homem pardo, cabelo preto e frisado, feio de cara, nariz grande, senta praça de soldado raso, nesta companhia por sua vontade, em vinte de junho de mil setecentos e vinte e três.
Entre os Bezerra Cavalcanti, encontramos um padre que faleceu novo. Aos trinta e um de abril de 1797 faleceu o Reverendo Coadjutor, Francisco de Sá Bezerra Cavalcanti, com a idade de trinta anos. Não encontrei o elo desse padre com os nossos estudados.
Detalhes que devemos estar atentos são as repetições de nomes, a inversão de sobrenomes, bem como os casamentos entre familiares. No registro a seguir observamos isso: em 21 de novembro de 1804, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, dispensados no 2º e 3º graus de sanguinidade, Antonio Bezerra Cavalcanti casou com Gertrudes Thereza de Souza, ele, filho de João Cavalcanti Bezerra e Gertrudes Thereza Ignácio de Oliveira, falecida; ela, filha do capitão Antonio José de Souza e Oliveira e Joanna Ferreira de Mello, falecida. Esse Antonio José era filho de Francisco de Sousa e Oliveira e Tecla Rodrigues Pinheiro, nossos conhecidos de outro artigo.
Muitas informações importantes da nossa história, oriundas do Assú, se perderam, tanto registros da Igreja como dos cartórios. Alguns dos livros da Freguesia do Assú, já são cópias de outros livros. Não encontramos maiores informações antes de 1800.