terça-feira, 9 de outubro de 2012

As pesquisas e o futuro de Natal


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Eu não acredito que tenha havido manipulação por parte dos institutos de pesquisas com relação à eleição para prefeito da cidade do Natal. Acho, na verdade, que há necessidade de introduzir novas variáveis nas pesquisas que ajudem perceber as migrações de votos de um candidato para outro. Por que em pouco tempo um quadro quase consolidado se transforma em uma situação não esperada? Não foi somente a fé de Mineiro que fez o quadro mudar. Alguma coisa a mais aconteceu que não conseguimos perceber e que precisa ser estudada, caso contrário, os institutos ficarão totalmente desacreditados.
O mundo é outro e as comunicações entre as pessoas se dão de forma rápida. Não me parece que tenha havido um acontecimento inesperado que fez a população se manifestar diferente do que era esperado. Os institutos devem imediatamente ir atrás da pesquisa real e descobrir onde se deu a maior migração de votos e como isso aconteceu. Para a pesquisa de segundo turno, uma pergunta bem formulada, também, pode ter uma indicação dessa modificação.
Havia uma avaliação positiva da participação de Mineiro no último debate. Mas, a boa performance em um debate não é suficiente para que um eleitor faça a escolha do futuro governante da cidade. Alguma informação perversa circulou entre os eleitores? Alguma propaganda subliminar atingiu em cheio a mente dos votantes?
Os buracos, o lixo, o trânsito mais difícil, os problemas na saúde são reflexos de problemas de administração da cidade. O que aconteceu que penalizou a cidade em poucos anos? Quais as causas que deram origem a essa transformação? É possível reverter isso em pouco tempo? Se nós não sabemos a origem disso, não saberemos, com efeito, fazer uma boa escolha.
Não tive oportunidade de examinar a proposta orçamentária para 2013, antes de fazer este artigo, pois, não encontrei no site da Prefeitura, mas examinei o orçamento de 2012. Por ele tive acesso a evolução da receita do tesouro e da despesa, desde 2008. Um detalhe importante que me chamou a atenção foi a evolução da despesa com pessoal e encargos. Segundo os dados da Secretaria de Planejamento do Município de Natal, a despesa realizada com esse ítem foi, em 2008, de R$ 503.610.000,00 e, em 2010, de R$ 733.106.000,00, isto é, no ano de 2010, a prefeitura já gastava, com pessoal e encargos, 229 milhões reais a mais por ano. Imagine o impacto desse valor sobre o orçamento municipal, considerando que a receita total (incluindo aí recursos federais), deste último ano, foi R$ 1.194.394.000,00. Com uma receita tão pequena e com outras obrigações, sobrou pouco para manutenção e investimento de toda a cidade. Na verdade em 2008, o investimento foi de mais de 227 milhões, enquanto no ano de 2010 foi de aproximadamente 84 milhões.
Outro detalhe que tomamos conhecimento são as dívidas que Prefeitura está acumulando com os fornecedores. Além disso, neste segundo semestre, usando a justificativa da lei eleitoral e da lei de responsabilidade, nenhuma vantagem legal está sendo dada ao servidor. Com isso, entraremos o ano de 2013 com muitas despesas represadas que causarão grande pressão ao futuro governante. Mais uma coisinha: a Prefeitura não tem um terreno para construir uma escola ou uma unidade de saúde. Teria que desapropriar. E o dinheiro para isso?
A situação em 2013 não se modificará substancialmente, mesmo que o futuro Prefeito tome uma série de providências. Não vislumbro nenhuma medida que possa reduzir a despesa com pessoal e encargos, em valores significativos. Uma receita que poderia ajudar seria proveniente da dívida ativa, mas não é fácil. Outra, a proveniente dos inadimplentes do IPTU, também de difícil solução. Não é com o governo federal ou com o governo estadual que as contas da Prefeitura serão equilibradas. O mundo permanecerá em crise por um bom tempo. Neste segundo semestre, como já sabemos, o Fundo de Participação caiu significativamente, penalizando os municípios.
Os balanços da prefeitura deste ano são boas fontes para exame dos candidatos, como também o orçamento de 2013 já encaminhado para a Câmara Municipal.
Como resolver os problemas que afetam nossa cidade, se o equilíbrio das contas da prefeitura não é uma questão simples de resolver? Que candidato tem mais condições de comandar essa falência?
Boa sorte Natal.
Visite nosso blog http://putegi.blogspot.com onde continuamos postando assuntos genealógicos como, por exemplo, Dr. Cipriano Galvão da Trindade, médico cuja família está entrelaçada com os Lopes Galvão e os Trindade de Papari.

sábado, 6 de outubro de 2012

PARA PENSAR NESTE MOMENTO

Outro texto que recebemos e que merece nosso acolhimento tem como referência principal o Parque da Cidade

Meus caros e caras
Segue um texto * que recebi, para nossa reflexão. Acho que precisamos meditar um pouco com muita frieza nesse momento para tomarmos a decisão certa. Eu também já cometi erros, confiando em candidatos que não honraram meu voto. Mas acho que está na hora de pensarmos mais com a razão do que com a emoção.
A situação de nossa cidade é crítica. Vi há pouco tempo uma declaração sobre o "desperdício de dinheiro público aplicado no Parque da Cidade". Pensei: Porque que todo o investimento em meio ambiente é contestado, especialmente por engenheiros civis, que por desconhecimento ou conveniência (conivência?) política, não enxergam a dimensão e importância de uma cidade como Natal, ter uma Unidade de Conservação da Natureza, do grupo de proteção integral, da categoria Parque, totalmente dentro de seu território. Uma área de recarga de aquífero, para uma cidade onde praticamente metade da água de abastecimento vem do aquífero, e sendo a região do Parque da Cidade já reconhecido por várias instituições como a principal área de recarga do aquífero. Uma área onde uma espécie endêmica, talvez única no planeta foi descoberta naturalmente convivendo naquele habitat. O que para a biologia mundial é uma grande descoberta, para o engenheiro desinformado é uma "obra faraônica". Um monumento arquitetônico feito por um dos mais renomados arquitetos do mundo - Oscar Niemeyer, brasileiro, que em qualquer lugar do mundo receberia acolhimento como PATRIMÔNIO público, o pobre engenheiro chama de desperdício de dinheiro... 
Entendo que está chegando a hora de tomarmos uma posição. Sem sectarismos, nem devaneios.
Como contribuição envio o texto abaixo*, que recebi de pessoas que defendem a campanha de Carlos Eduardo, e que achei bem interessante para refletirmos.
Abraços a todos e a todas.
Leo
* Nota: O texto ao qual Leonardo se refere e que reproduziu em seguida, é “Você aguenta um 2º turno?”,  do Prof. João Felipe da Trindade.

A favor do voto útil em Carlos Eduardo

Recebi este texto de Dr. Ion que reproduzo aqui. Mais uma reflexão para a campanha em Natal
Ion Mascarenhas de Andrade
A eleição municipal da cidade mais importante do estado coloca muita coisa em jogo; o futuro dos natalenses e o futuro do Rio Grande do Norte. Levando esta verdade em conta, o mínimo que se pode esperar  das candidaturas em disputa é que elas sejam projetos autênticos focados na questão municipal.
Vamos considerar todas as graves  implicações do risco da continuidade de um modelo conservador e descomprometido com a cidade na área da saúde, nas grandes questões postas pelos projetos de mobilidade e das grandes obras, no Plano Diretor, na educação, na Assistência social….Vivemos uma crise profunda de gestão, mas também de valores.
Se o lançamento de uma candidatura inviável à prefeitura com o propósito de fortalecer um projeto político pessoal poderia ser considerada antiética e lesiva aos interesses da cidade, a profundidade da crise e os riscos   relacionados ao projeto conservador emergem como fatores agravantes, pois se joga com efeitos potencialmente desastrosos para todos.
Sabemos que cada etapa comporta ameaças e se houver segundo turno teremos todos que lutar para fazer valer a alternativa mais progressista para a cidade, se não houver um segundo turno a luta será a de reconstruir a cidade, portanto, seja como for é a luta é que é a variável permanente.
A opção por tentar resolver para o lado mais progressista a eleição no primeiro turno não é uma desistência de lutar, mas o desejo, aí sim ardente, de que a próxima etapa seja a da luta construtiva e do preparo para a recuperação da cidade.
Ninguém sabe de que o futuro é feito, mas as alternativas dadas e o que elas projetam como consequências são bem diferentes. A Câmara Municipal projetada pelas pesquisas deve renovar uma  expressiva maioria conservadora, o fim da campanha para vereadores liberará uma força política de forte magnitude, (os vereadores e candidatos conservadores já fora das campanhas pessoais), para a conversão dos seus votos em eleitores do projeto conservador, uma razão a mais para a reflexão quanto às dificuldades que o segundo turno oferecerá.
É bom refletirmos, pois a vida é dura e as derrotas são perdas mesmo. Por Natal o meu voto é por decidir para o campo progressista o quanto antes, Por isto não há lugar para dúvidas. O voto útil é o voto em Carlos Eduardo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dr. Cipriano Galvão da Trindade

Um amigo do Rio de Janeiro, Carlos Beserra, sabendo do minha procura pela origem dos Trindade, me manda uma reportagem sobre Dr. Cipriano Galvão da Trindade que posto aqui, socializando a informação. Pelo que observo nesse artigo, ele deveria ser da mesma família do escritor, membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras, Virgílio Trindade.
Já coloquei neste blog algumas informações sobre os Lopes Galvão. Esta agora com certeza é de um descendente dessa família. Espero que as pessoas que estejam acessando este blog façam comentários contribuindo para que avancemos mais na genealogia no Brasil.
Sempre deixo meu e-mail para que as pessoas possam se comunicar também de outra forma.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

João Felipe na Memória Viva da TVU


Nesta quinta-feira, estarei sendo entrevistado na TV Universitária – UFRN, no programa Memória Viva, no horário abaixo. No domingo dia 07.10.2012 será reprisado no horário de 16 horas, excepcionalmente, por conta da programação nacional das eleições, que ocupará o horário das 17 horas.

QUINTA-FEIRA: DIA 04.10.2012

19h00 – TVU NOTÍCIAS

19h30 – MEMÓRIA VIVA: “João Felipe da Trindade (Mestre em Matemática)”

20h30 – HORÁRIO POLÍTICO – LOCAL

O Massacre de Uruassú, na carta do capitão Lopo Curado



Essa carta está no livro "Valeroso Lucideno" de Frei Manuel Calado. Foi escrita 20 dias após o massacre de Uruassú.
 
“Relação das últimas tiranias, e crueldades, que os pérfidos holandeses usaram com os moradores do Rio Grande, escrita pelo Capitão Lopo Curado aos dois mestres de campo, e governadores da liberdade de Pernambuco, João Fernandes Vieira, e André Vidal de Negreiros, cujo traslado de verbo ad verbum, é o seguinte:

Em particular aviso a Vossas Senhorias do memorável sucesso do Rio Grande, depois das duas matanças que fizeram os tiranos Flamengos, acompanhados de bárbaros Tapuias e Pitiguares, e nesta derradeira, certo que é incrível a tirania, no qual servirá de maior exemplo, e que escureça todas quantas têm sucedido no mundo em tempo dos imperadores romanos antigos; memória que haverá enquanto durar o dito; pois o sangue derramado de tantos inocentes, clama aos céus justiça, e aos príncipes da terra favor, a tomar vingança de tais tiranos: e para relatar os sucessos, e modos que houve entre os ditos Flamengos de suas deslealdades, e traições, é tomar o tempo a Vossas Senhorias, ainda que o mesmo o há de manifestar; porque tais tiranos quer Deus que os conheçam, para que a cristandade veja, que mais vale passar por todos os tormentos da morte, que viver morrendo entre o nome de tal gente. Patente é a Deus, e ao mundo, e o será daqui em diante às mais remotas nações dele, a traição que usaram os ditos holandeses com os pobres moradores do Rio Grande, estando em uma cerca recolhidos por se livrarem dos bárbaros Tapuias, e Brasilianos, passando, e padecendo nela havia três meses notáveis misérias, nos quais foram acometidos por muitas vezes dos tais inimigos, que ainda não fartos do sangue, que fizeram derramar ao povo de Cunhaú, e casa forte de João de Lostao, pretenderam esgotar o desta pobre gente cercada, para que nela se acabasse o nome português daquela Capitania, para o que dezesseis dias, e noites os tiveram em cerco, assim Tapuias, como Brasilianos e Flamengos, nos quais lhes deram terríveis batarias sem as poderem levar, usando de um ardil, para com ele fazer a obra que pretendiam. E foi, que armaram uns carros emadeirados, levando-os diante de si, com mosquetaria, e outros instrumentos de guerra para chegarem à dita cerca, mas não foi bastante este artifício, porque setenta portugueses que havia nela, ainda que poucos no número, mais muitos no esforço, os arredaram de si de maneira com quinze armas de fogo, e os mais com paus tostados, que lhe quebraram os carros, e os puseram em fugida com perda do dito inimigo de vinte homens, sem da nossa parte perigar nenhum, e vendo os ditos Flamengos que os não podiam render, lhes cometeram que se entregassem, pois eles eram ali vindos da fortaleza, e seu tenente, para os guardarem assim dos ditos selvagens, como dos Flamengos moradores, que com os ditos estavam, os quais lhes tinham feito aquela guerra. E vendo os ditos moradores o tão pouco que se podiam fiar da palavra de tiranos, disseram, que enquanto ali estivessem Tapuias, e Brasilianos, queriam antes morrer, que se entregar; e que tinham bom exemplo na traição das mortes, que fizeram no Cunhaú na casa forte de João de Lostao, ao que lhes responderam, que em nome de S. Alteza o Príncipe de Orange, lhes requeriam se entregassem, e não usassem mais de armas, prometendo-lhes vidas, e fazendas, na maneira que até então os gozavam, e fazendo o contrário que mandariam vir uma peça de artilharia da fortaleza, e com ela os bateriam, e não escaparia nenhum, e os teriam por alevantados. E considerando os ditos cercados, que já não tinham mantimentos nenhuns, nem munições para sustentar as armas, fiados nas palavras dos ditos Flamengos, lhes disseram que fizessem disso um papel, o qual fez o tenente, e os mais oficiais de guerra, em que se assinaram, e nele lhes prometeram de os guardar dos ditos selvagens Tapuias, e Brasilianos, e conservar com a vida, e fazenda; e feito o sobredito, pediram que em reféns haviam de levar cinco moradores para a fortaleza, o que lhes foi concedido: os quais foram Estêvão Machado de Miranda. Vicente de Souza Pereira, Francisco Mendes Pereira, João da Silveira, Simão Correia, deixando eles dez soldados de guarda da dita cerca, e gente que nela estava; e tomaram todas as armas de fogo, e paus tostados com que os moradores se tinham defendido. Estavam mais recolhidos para segurarem suas vidas na fortaleza o P. Vigário Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela o Moço, Joseph do Porto, Francisco de Bastos, e Diogo Pereira, e prisioneiros João Lostao Navarro, Antônio Vilela Cide. Em dois do presente mês de outubro chegou uma lancha do Recife ao Rio Grande, e conforme a execução que se fez, trouxe ordem para matar a todos os moradores de dez anos para cima, como ao diante se verá; em três do dito mês véspera de S. Francisco mandaram os Flamengos da fortaleza sair a todos os moradores que nela estavam, que foram os acima nomeados dizendo que já estavam seguros dos Tapuias, porquanto se tinham ido para o sertão, e que fossem em companhia da tropa que ia em sua guarda para a cerca aonde estavam os outros moradores, visto haver lá muitos mantimentos com que se podiam sustentar, e não estando na dita fortaleza passando fomes por falta de mantimentos, e que iam seguros porquanto tinham lá na dita cerca aos ditos dez soldados, que lhes tinham deixado para sua guarda. No mesmo ponto lançaram aos ditos, que estavam na fortaleza, e em batéis os levaram pelo rio acima três léguas, acompanhados dos soldados, e os lançaram fora no porto do dito rio, chamado de Huruauassu meia légua da dita cerca, na qual acharam passante de duzentos Brasilianos bem armados com Antônio Paraupaba escaramuçando em um cavalo, e tanto que estiveram em terra, os Flamengos despiram nus aos ditos moradores, e os mandaram pôr de joelhos (o que eles receberam com muna paciência, e os olhos em Deus) e logo chamaram aos Brasilianos para os matar, o que se executou logo, fazendo nos corpos destes mártires tais anatomias, que são incríveis; e não contentes com elas, os ditos Flamengos os ajudaram a matar, assim arrancando os olhos a uns, e tirando as línguas a outros, e cortando as partes vergonhosas, e metendo-lhas nas bocas. No mesmo instante que os acabaram de matar, foram os ditos Flamengos à cerca deixando os Brasilianos no lugar em que tinham feito os martírios nomeados para a segunda execução; e aos moradores disseram, que os senhores do Concelho do Recife os mandavam chamar, para o que estava um barco logo para partirem, e que fossem em sua companhia para os embarcarem, e vendo os sobreditos que era a viagem tão apertada, sem lhes darem demora alguma, e sem saberem dos que eram mortos, e disseram todos juntos, e cada um por si, que eles iam morrer, porque seus corações lhos diziam; e despedindo-se com lágrimas, e suspiros de mulheres, filhos, irmãos e irmãs, foram todos dando graças a Deus, e mui conformes, por morrerem por seu Deus, e por seu Rei, e sua pátria, e dizendo estas mesmas palavras aos tiranos algozes que os levavam; e chegando aonde estavam os sobreditos Brasilianos lhos entregaram, e com a tirania, e desumanidade que em seus corações habita, os mataram, sem ficar nenhum; na qual execução se fizeram as maiores anatomias, e martírios nos corpos destes mártires, que são coisas que a boca não pode pronunciar. E acabante as ditas mortes deixaram os corpos postos ao sol, e sobre a terra, e sem sepultura nenhuma, e os membros tão divididos em partes, que não se conhecia quais eram os de cada um dos ditos mártires. No mesmo instante foram os mesmos tiranos Flamengos, e Brasilianos à cerca, aonde somente ficaram as pobres viúvas, e órfãos, e as acabaram de despojar de todos seus bens, deixando-as a muitas nuas, e com outros opróbrios, que passo em silêncio. Julguem agora Vossas Senhorias o que fariam as pobres viúvas, quando souberam dos mesmos algozes, que todos os homens eram mortos, e tão cruelmente, para que os olhos se aprestaram a fontes, e as bocas, para as funerais lamentações de seus consortes, pois é de ver (meus senhores) que até isto estes tiranos tiraram a esta pobre gente, porque querendo lamentar com suspiros, e lágrimas seus desventurados dias; estes tais lho não queriam consentir, e as fizeram calar, ora com ruins palavras, ora com pés, e mãos, dando-lhe de bofetadas, e coices, e ameaçando-as, que as haviam de matar se choravam; e por não passar em silêncio nas pessoas, e nomes de alguns mártires, os declararei por a constância que tiveram em suas mortes, e martírio, Antônio Baracho casado o amarraram em um poste, e vivo lhe arrancaram a língua, e depois o coração, e desta maneira morreu, cortando-lhe suas partes secretas, e metendo-lhas na boca ainda em vivo. A Mateus Moreira o abriram por as costas, e lhe tiraram também o coração, e as últimas palavras, estando neste martírio, que disse, foram louvar a Deus, dizendo: Louvado seja o Santíssimo Sacramento. E porque na morte destes Inocentes, houvessem admiráveis circunstâncias, relatarei a Vossas Senhorias algumas coisas que sucederam mais milagrosas que humanas. Um mancebo por nome João Martins o levaram para morrer com os mais, e sendo todos mortos à vista do sobredito, lhe cometeram que dariam a vida se tomasse armas contra sua nação, a que ele respondeu com alegre rosto: Não me desampara Deus desta maneira, essas tomei sempre contra os tiranos, e não contra minha Fé, Pátria, e Rei. E que o matassem logo porque estava invejando as mortes de seus companheiros, e a glória que tinham recebido, e quando o não quisessem matar, ele mesmo os persuadiria a que o fizessem.
Dois mancebos casados, um chamado Manuel Álvares Ilha, e outro Antônio Femandes, depois de estarem em terra cheios de feridas, e nus da cinta para cima, meteram as mãos nas algibeiras, e puxando cada um por sua faca, e investindo com os Brasilianos mataram logo a três deles, e feriram a quatro ou cinco, fazendo isto com as ânsias da morte, e logo caíram mortos outra vez. Estêvão Machado de Miranda tinha uma menina de sete anos sua filha na fortaleza em sua companhia, e trazendo-a consigo a receber o martírio, vendo a dita menina que os Flamengos queriam matar a seu pai, como aos outros presentes, se abraçou com ele, pedindo a vida do pai com as lamentações, e entendimentos de mulher de muitos anos, e os Flamengos a tiraram dos braços do dito pai, ao que lhe disse o dito: Filha, dize a tua mãe que se fique embora, que no outro mundo nos veremos. E desta maneira o mataram, e a menina tirou a saia depois do pai morto, e se foi para ele, e cobrindo-lhe o rosto, e chorando, e pedindo que a matassem também, a quem os ditos algozes lançaram mão da dita saia, e trouxeram a menina a sua mãe, e ela, e os mais contaram o caso. Uma filha de Antônio Vilela o Moço mataram sendo criança pequena, pegando-lhe os Tapuias à vista dos Flamengos em uma perna, e dando-lhe com a cabeça em um pau, e a fizeram em dois pedaços. E a outra filha de Francisco Dias o Moço a mataram também, e a abriram em duas partes com um alfanje. E a uma mulher casada com Manuel Rodrigues Moura, depois do dito morto, lhe cortaram as mãos, e os pés, e a sobredita mulher em três dias naturais esteve deitada no chão viva, e acabou dando a alma ao Criador.
Diversos martírios deram neste dia aos corpos dos mártires, e houve nele muitos milagres patentes, e vistos, que quis Deus mostrar que os tais iam a gozar da bem-aventurança.
Sucedeu pois que aquela noite que padeceram se ouvisse uma música no céu sobre a fortaleza do Rio Grande, e ouvindo-a a mulher de um flamengo chamado Gesman (Joris Garstman) governador das armas nesse Recife, se levantou chamando por algumas mulheres, e também por suas escravas para que ouvissem a música que ia no céu, o qual caso testificou a sobredita; certo presságio que foram os anjos que acompanhavam as almas destes mártires para o céu. Na cerca donde tinham saído os ditos mártires estava entre outras meninas uma filha de Diogo Pinheiro de idade de oito anos, chamada Adriana, e dando-lhe vontade de chorar, entrou para uma camarinha por não ser vista, aonde achou uma mulher com um azorrague na mão, e lhe disse: Cala-te filha, que com este azorrague que aqui vês, hão de ser castigados estes que fazem estas crueldades, como logo saberás.
Atribulada a menina saiu para fora, e vendo as mulheres a mudança dela, lhe perguntaram o que tinha? E como assombrada contou o sucesso, e dai a pouco chegou a nova dos inocentes mortos, que certo bem parece que a Virgem Senhora Nossa tem tomado o castigo destes tiranos à sua conta. Naquela mesma noite houve grande cheiro de incenso na dita cerca, que durou muito tempo, e foi patente a todos, sem se saber donde o dito cheiro procedia senão do céu. Houve também entre estes mártires grandes penitências, sem saberem uns dos outros, e ao dia que padeceram, jejuavam todos a pão, e água, assim os da fortaleza, como os da cerca, não sabendo uns dos outros, ao outro dia por manhã pediram licença as mulheres para irem a enterrar os corpos mortos, e não lh'o consentiram; o que os escravos fizeram às escondidas, e não se achou um palmo de pano para os amortalharem a nenhum, por deixarem as ditas mulheres em estado que ficaram despidas de todo, achou-se que todos estes corpos estavam com cilícios, e os que os não tinham com cordas cingidas, e algumas tão metidas por a carne que mal apareciam. E sabe-se que durante o tempo que estavam cercados houve extraordinárias penitências, e até os meninos as faziam, sendo todos nus, e com cordas cingidas, e todos os dias se faziam procissões com um Santo Crucifixo, esperanças claras destas almas estarem gozando da bem-aventurança. Sobre a sepultura aonde foi enterrado o P. Vigário Ambrósio Francisco Ferro se achou quinze dias depois da sua morte uma posta de sangue fresca sem corrupção, como se naquela hora fosse derramado, mostras bastantes, que o tal brada ao céu justiça. Muitas outras coisas milagrosas sucederam, dignas de se recontarem, que deixo ao tempo, no qual fio não passará, e todas acima declaradas foram vistas, e juradas, e autênticas por vinte cinco mulheres que o inimigo botou nesta Paraíba, com suas famílias, as ditas chegaram de maneira, e tão transfiguradas que mais parecem pessoas ressuscitadas que viventes corpos.
O Bolestrate as mandou deitar aqui, e a algumas lhes concedeu alguma roupa que traziam sobre os corpos, mas em as querendo desembarcar em terra as despiram de maneira que apenas trouxeram camisas, as quais lhe largaram por já não terem préstimo para serviço de outro corpo. Vossas Senhorias perdoem o compêndio da carta, que lhes afirmo que se houvera de relatar o que se tem passado naquela Capitania houvera mister muitas mãos de papel, contudo o faço destas sobre ditas coisas acima, que não faltarão curiosos para o fazer do mais que falta, porque Deus o permite, e manda que sejam públicas as maldades destes tiranos.
Deus guarde a Vossas Senhorias, hoje vinte e três de outubro de mil e seiscentos e quarenta e cinco anos. Lopo Curado Garro”.
Parte de uma Genealogia de Antonio Vilela Cid e Estevão Machado de Miranda



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Você aguenta um 2º turno?

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
É difícil se falar em democracia em um país onde a ignorância e a injustiça social ainda estão presentes e tornam seus habitantes presas fáceis dos espertos. As propagandas não são apresentadas de forma correta para se fazer uma boa escolha. A ideia do marketing não é mostrar os candidatos como são de verdade, mas induzir o eleitor a acreditar em um candidato fabricado. E nós não fomos preparados para ver a verdade no falso, como diria Krishnamurti. Lógica, percepção, atenção e compreensão não são ensinadas nas nossas escolas para nossas crianças. Diferentemente do que pensa Amanda Gurgel, é na sala de aula que podemos mudar o mundo. Nas Câmaras Municipais de hoje, isso é impossível, como ela vai perceber se for eleita. Lá o que muda de verdade é o eleito, que é cooptado por um sistema de trocas. Nenhum projeto sobre educação dará certo, se não houver mudanças dentro da sala de aula. Estímulos externos, tipo bolsas, escola modelo, horário integral não resolvem coisa alguma. Tudo isso é periférico e não concorre para transformar a capacidade de compreensão das pessoas ou dos eleitores.
Uma coligação que leva ao ar a informação que o fracasso de dois mandatários, nos seus respectivos governos, é resultado de eleição em primeiro turno, não respeita a lógica, ou então usa o livro de Shopenhauer: Como vencer um debate sem precisar ter razão.
Usar as decisões da justiça, erradamente, ou as manchetes montadas dos jornais para confundir o eleitor é puro malabarismo eleitoral. Parece coisa combinada – você monta a manchete ou grava a declaração de fulana que nós replicamos na nossa propaganda.
Ninguém está suficientemente preparado para governar uma cidade com muitas dificuldades. Quem for eleito terá que fazer escolhas e pagará por isso. Os programas são meros esboços de vontade. Eles estão na mente e no papel, mas esbarram na realidade crua de um mundo que cresce desordenadamente, onde as capitais são privilegiadas e as cidades do interior são esquecidas. Não cabe amadorismo na administração municipal.
Há uma crise no mundo, no Brasil, no Rio Grande do Norte e nos municípios que alguns candidatos ignoram. Eles não conhecem a relação despesas/receitas, não conhecem as regras a que está sujeito o serviço público, e em particular a Prefeitura da Cidade do Natal. No dia que um eleito tomar posse, tomará conhecimento das muitas dificuldades de uma administração pública, bombardeada o tempo todo pelos diversos Ministérios Públicos, Justiça, Tribunais de Contas, Câmara Municipal, sindicatos, líderes comunitários e jornalistas. Nem com a boa vontade do governo federal ou estadual, teremos mudanças significativas. Todos sabem disso.
Fui presidente do Conselho de Saneamento Básico da Cidade do Natal. Conheci de perto a nossa Companhia de Águas e Esgotos (CAERN). Naquela data, 2003, estava completamente endividada e comprometida com toda a manutenção da estrutura do programa de recurso hídricos herdada do Governo Garibaldi. O esgotamento sanitário, as drenagens, não são coisas fáceis que se resolvam de uma hora para outro. As lagoas de captação e o destino dos dejetos são constantemente contestados pelos moradores ou o ministério público.
A regularização fundiária, tão prometida, não se resolve só com dinheiro. Quem tem terreno e casa sabe as dificuldades, principalmente, se há pendengas jurídicas ao longo dos anos.
Somente se colocará os postos de saúde em funcionamento total, equipando-os com materiais e servidores habilitados. Como fazer isso, se a folha de pagamento do município já atravessou o limite prudencial, e, atualmente, são feitos cortes em coisas essenciais.
A manutenção das praças por si só, tem um custo alto. Se houver opção por novas praças, se comprometerão as praças já existentes; os formigueiros já começam a aparecer em alguns canteiros de algumas avenidas; a guarda municipal, hoje existente, não é suficiente para cobrir todos os próprios da Prefeitura, e mais, não é suficiente nem para cobrir as escolas públicas municipais, e, por isso, há necessidade de se contratar novos guardas, aumentando consequentemente a folha, já exaurida; para melhorar a coleta de lixo, tem que se pagar as contas das empresas, em primeiro lugar, e isso não é fácil; as calçadas levarão anos para serem corrigidas, a menos que haja uma legislação mais precisa sobre elas; a malha viária não é tão fácil de  recuperar em pouco tempo, pois os muitos buracos acabaram por comprometer toda a sua extensão; a dívida ativa que a Prefeitura tem a receber e atinge a casa de 1 bilhão de reais não é fácil de entrar nos cofres municipais.
Janeiro de 2013 é um mês de acomodação, transição, conhecimento do que está ocorrendo de verdade. E o futuro gestor não poderá usar mais o retrovisor e correrá o risco de se desgastar rapidamente.
Um segundo turno não trará novidades sobre os candidatos e seus programas. Pior, ainda, é que começaria uma série de negociatas que o eleitor não tomaria ciência de suas cláusulas. Os debates na televisão não dariam uma visão correta dos candidatos, pois seriam semelhantes ao que estamos vendo agora. Você já conhece esse povo que está aí ou seus partidos. Você aguenta um segundo turno?

domingo, 30 de setembro de 2012

Um Lopes Galvão na Ilha de Manoel Gonçalves e outras localidades

João Felipe da  Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Vez por outra, encontro um Lopes Galvão onde menos espero. Transcrevo aqui o casamento de um deles que encontrei em livros de Touros, mas  que foi celebrado na Ilha de Manoel Gonçalves e outros registros em outras localidades.
- Aos cinco de setembro de mil oitocentos e trinta e cinco, depois de feitas as diligências de estilo, e não aparecer impedimento algum, canônico, e nem civil, de licença minha, o Reverendo Frei José de Santo Alberto, da ordem dos Carmelitas, assistiu ao recebimento matrimonial e sacramental dos nubentes Francisco Lopes Galvão, filho legítimo de Cipriano Lopes Galvão, e de sua mulher Anna Francisca, falecida, com Felipa Maria da Conceição, filha legítima de José de Sousa Galvão, e de sua mulher Silvana Maria da Conceição, e os abençoou perante as testemunhas José Ignácio de Miranda, e André de Sousa Miranda e Silva, solteiros, e moradores na Ilha de Manoel Gonçalves, onde se fez este Sacramento. E para constar fiz este assento em que me assino. O vigário por oposição, Felis Alves da Cruz.
Outro filho de Cipriano e Anna casou em Guamaré como podemos ver na transcrição a seguir:
- Aos dez dias do mês de maio, de mil oitocentos e trinta e oito na Capela de Guamaré, corridos, digo, pelas cinco horas da tarde, corridos os banhos, sem impedimento, na forma do direito, precedendo exame de Doutrina e Confissão Sacramental, de minha licença, o Reverendo David Martins Gomes, presente as testemunhas Francisco José Soares e Antonio Ferreira de Brito, assistiu ao recebimento matrimonial dos meus paroquianos José Galvão de Sousa, e Maria Freire da Silva, moradores nesta Freguesia, ele filho legítimo de Cipriano Lopes Galvão, e da falecida Anna Francisca de Sousa, e ela filha legítima de João Freire da Silva, e de Gertrudes Gomes da Rosa, e lhe deu as bençãos nupciais, na forma do estilo, do que para constar fiz este assento, em que me assino. Felis Alves da Cruz, vigário colado.
Mais um registro de filho de Cipriano e Anna Francisca.
- Aos seis dias do mês de setembro de mil oitocentos e quarenta e dois, no Sítio das Bicudas, em desobriga, pelas onze horas do dia, depois de corridos os banhos, sem impedimento, confessados e examinados em Doutrina Cristã, se receberam em matrimônio, por palavras de presente, e mútuo consenso, os nubentes Alexandre Lopes de Sousa, filho legítimo de Sipriano Lopes Galvão, e de Anna Francisca, já falecida, e Fausta Maria, filha de Luis Correa Xaves, e de sua mulher, Joanna Maria da Soledade, brancos, meus paroquianos, em minha presença que lhes dei as bençãos nupciais, e das testemunhas assinadas ao pé da certidão, José Bezerra da Costa, e Francisco Ferreira da Costa, brancos, casados, moradores nas Bicudas; e para constar fiz este assento em que me assino. Antonio Camello Valcácer, Vigário Apresentado.
Nos registros acima aparece Cipriano Lopes Galvão, viúvo. Na sequência o casamento dele com a segunda esposa, Francisca Freire.
-Aos três dias de agosto de mil oitocentos e quarenta e quatro, na povoação de Caissara, desta Freguesia, em desobriga, depois de corridos os banhos sem impedimento, confessados e examinados em Doutrina, pelas quatro horas da tarde, se receberam em matrimônio por palavras de presente, em mútuo consenso, os nubentes Sipriano Lopes Galvão, viúvo de sua finada mulher Anna Francisca de Sousa, com Francisca Freire da Silva, filha legítima de José Nunes de Oliveira, já falecido, e de sua mulher Izabel Correa de Brito, brancos, meus paroquianos, em minha presença, que lhes dei as bençãos nupciais e das testemunhas assinadas ao pé dos banhos, Jerônimo Freire de Queiroz, e Vicente Ferreira de Brito, brancos, casados, moradores em Caissara, e para constar fiz este assento em que me assino. O Vigário Antonio Camello Valcácer.
Em Caissara casou outro filho de Cipriano e Anna Francisca
-Aos dois dias do mês de setembro de mil oitocentos e quarenta e dois na povoação de Caissara, em desobriga, depois de corridos os banhos sem impedimento, pelas três horas da tarde, depois de confessados, e examinados na Doutrina Cristã, se receberam em matrimônio por palavras de presente, e mútuo consenso, os nubentes Manoel Galvão Lopes de Sousa, filho legítimo de Sipriano Lopes Galvão, e de sua mulher Anna Francisca de Sousa, já falecida, com Florinda Maria da Soledade, filha legítima de Luis Correa Chaves, e de sua mulher Joanna Maria da Soledade, brancos, meus paroquianos, em minha presença, que lhes dei as bençãos nupciais, e das testemunhas assinadas ao pé da certidão, Pedro José dos Santos, e João Francisco Caxo, casados, moradores em Caissara, e para constar fiz este assento, em que me assino. Antonio Camello Valcácer, Vigário Apresentado.
Em Papari, aparece outro Francisco Lopes Galvão, já falecido, cuja relação com o anterior não foi encontrada. 
- Aos treze de novembro de mil oitocentos e quarenta e seis, pelas onze horas do dia, nesta Matriz de Nossa Senhora do O' de Papari, feitas as denunciações do Sagrado Concílio Tridentino, de que não resultou impedimento algum, em presença do celebrante Reverendo Gregório Ferreira Lustosa, vigário da cidade de São José de Mipibú, com licença de mim, pároco abaixo assinado, e das testemunhas Bernardo da Costa Lustosa e Francisco Chavier Carneiro, casado, moradores na (ilegível) casaram-se em face da Igreja solenemente, Joaquim Lopes Guarin, branco, de idade de vinte e cinco anos, filho legítimo de Francisco Lopes Galvão, falecido, e Theresa Maria de Jesus,  com Violante Rozalinda da Silva, branca, de idade de vinte anos, filha legítima de Francisco Chavier de Macedo, falecido, e Catharina Barbosa da Silva. O nubente é natural  da Freguesia do Assú, donde veio de menoridade para a Freguesia da cidade de São José, onde era morador, e a nubente natural da Freguesia de Brejo de Areia, donde veio criança para esta de Papari, onde é moradora, de cujas naturalidades e domicílios demonstraram habilitados, com consta de documentos que ficam recolhidos no arquivo desta Matriz, foram abençoados conforme os ritos cerimoniais da Santa Igreja; e igualmente examinados em Doutrina Cristã. Estão dispensados do segundo grau simples de afinidade ilícita contraído pelo nubente, no que se achavam ligados. E para constar faço este termo em que me assino com o Reverendo Assistente e testemunhas. Vigário José Marcos do Santos Brígido, Gregório Ferreira Lustosa.
O registro a seguir não trás as informações sobre os pais dos nubentes, mas pelo sobrenome do noivo deve ser um dos filhos de Francisco Lopes Galvão e Anna Francisca de Sousa.
- Aos dezessete de janeiro de mil oitocentos e quarenta e nove em Oratório privado da casa do nubente, assisti ao contrato matrimonial de Trajano Lopes Galvão de Sousa, com Luzia Maria da Conceição, e nenhum impedimento apareceu e lhe dei as bençãos nupciais conforme o ritual romano, sendo testemunhas o tenente Vicente Ferreira de Brito, e capitão Jerônimo Freire de Queiroz, casados. E para constar mandei fazer este assento, em que me assino. Vigário Amaro José de Carvalho.
O registro a seguir é colocado aqui por fazer referência a esposa do velho Cypriano Lopes Galvão, Dona Adriana de Olanda de Vasconcellos.
-Aos vinte e oito de setembro de mil setecentos e cinquenta e seis, de licença do Reverendo Vigário Doutor Manoel Correa Gomes, na Matriz desta cidade, batizou e pôs os santos óleos, o Reverendo Padre Francisco de Albuquerque de Mello a Philippa, filha do capitão Manoel Gomes da Silveira, e de sua mulher D. Maria de Albuquerque de Mello; foram padrinhos  o capitão Manoel de Oliveira e Mello, casado, e Dona Adriana de Olanda de Vasconcellos, mulher do sargento-mor Cypriano Lopes Galvão, por seu bastante procurador capitão Faustino da Silveira, de que mandou lançar este assento, o Muito Reverendo Senhor Doutor Visitador que abaixo assina. Marcos Soares de Oliveira, visitador