terça-feira, 28 de julho de 2015

Os Morenos do Rio Grande do Norte




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
O mais famoso Moreno, que passou aqui pelo Rio Grande do Norte, foi Martim Soares Moreno, que em 1609 era tenente desta Capitania, servindo na Fortaleza dos Reis Magos ao capitão-mor Lourenço Peixoto. Foi um grande guerreiro na conquista do Ceará e Maranhão, bem como na luta contra os holandeses.

Mas é nos registros paroquiais da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação que vamos encontrar membros da família Moreno. Nos velhos registros, que hoje estão no Instituto Histórico de Pernambuco, encontramos dois membros dessa família batizando filhos no final do século XVII.

 Aos 25 de setembro de 1693, batizou o Padre Manoel Dias Santiago, de licença minha, a Eugênia, filha de Mathias Moreno e de sua mulher Maria da Assunção. Foram padrinhos João da Costa Marinho, e Izabel de Andrade. Do que fiz este assento, em que me assinei, Basílio de Abreu e Andrada.

Aos 8 de dezembro de 1694, batizou o padre Jerônimo de Albuquerque, da Companhia de Jesus, a Izabel, filha de João Moreno e de sua mulher Joanna da Costa. Foram padrinhos o capitão Afonso de Albuquerque Maranhão e D. Izabel de Barros.

De um registro confuso e de difícil leitura extraímos, resumidamente, o casamento de mais um Moreno que segue: Aos 21 de junho de 1747 anos, na Capela de Nossa Senhora do O’ de Mipibu, desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações, na forma do Sagrado Concílio Tridentino, nesta Matriz, e nas partes necessárias desta Freguesia e na Freguesia do Assú, onde assistiu o contraente, em presença do Reverendo Padre Antonio Araújo e Souza, de licença minha, e dos presentes por testemunhas, o capitão Francisco de Souza Gusmão, e Felis de Souza, pessoas conhecidas, os quais vinham assinados junto com o Reverendo assistente no assento, se casaram em face da Igreja solenemente, por palavras Matheus Moreno, filho legítimo de José Raposo, já defunto, e  de sua mulher Eugenia de Andrade, com Antonia Dias de Barros, filha de Ana de Barros, já defunta, ambos naturais e moradores da Ribeira de Mipibu, desta Freguesia e lhes deu as bênçãos conforme os ritos e cerimônias da Santa Madre Igreja, e pelo assento que veio do dito Reverendo mandei faze este que por verdade me assino, Manoel Corria Gomes. 

Não deu para descobrir, mas essa Eugenia, mãe desse Matheus, pode ser aquela batizada em 1693.
Vejamos, agora, o casamento de Estevam Moreno, que no registro tem acrescentado o sobrenome Assunção, que deve ter vindo da esposa de Mathias Moreno.

Aos 17 de julho de 1748 anos, na Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, da Aldeia de Guajiru, desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações na forma do Sagrado Concílio Tridentino, nesta Matriz e nas mais partes necessárias desta Freguesia, sem se descobrir impedimento algum, como consta dos banhos, que ficam em meu poder, em presença do Reverendo Padre Mestre José de Amorim, da Companhia de Jesus, superior da dita Aldeia, de licença do Reverendo Coadjutor que fazia vezes de Pároco, em minha ausência, e sendo presentes por testemunhas o sargento-mor Manoel de Souza Jardim, e João da Silva, pessoas conhecidas, se casaram em face da Igreja, solenemente, por palavras Estevão Moreno da Assunção, filho legítimo do Alferes João Moreno, e sua mulher Antonia Machado de Miranda, natural desta  dita Freguesia, com Adriana Freire, filha legítima de Feliciano Carneiro, e de sua mulher Leandra da Sylva, natural da Freguesia de São Lourenço da Mata de Capibaribe, que veio de menor idade para esta dita Freguesia do Rio Grande, e logo lhes deu as bênçãos conforme os Ritos e Cerimônias da Santa Madre Igreja, e pelo assento que veio do dito Reverendo mandei fazer este, em que assino. Manoel Correia Gomes, Vigário.

A testemunha Manoel de Souza Jardim foi casado com minha tia-pentavó, Felizarda Coelho Marinho, filha de João Machado de Miranda e Leonor Duarte de Azevedo. Talvez essa  mãe de Estevão fosse, também, filha desse meus hexavós.

Nos assentamentos de praça encontramos  Estevão Moreno, que neste trabalho é o eixo de uma genealogia dessa família.

Estevão Moreno, homem pardo, casado, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação e morador na mesma, filho legítimo de João Moreno, da Assunção, de idade de que representa ter de cinquenta anos, pouco mais ou menos, de estatura ordinária, grosso de corpo, cor trigueira, nariz grande, de ventas abertas, cara comprida, olhos pequenos, e as sobrancelhas grossas, com todos os dentes, assenta praça por portaria dos sucessores do governo desta capitania, o tenente José Baptista Freire e Antonio da Câmera Silva, e intervenção do Vedor Geral o Doutor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, em 8 de fevereiro de 1777 anos.

Pelo documento acima, Estevão deve ter nascido por volta de 1727, pouco mais ou menos. Naquele tempo as pessoas pareciam não saber da própria idade. Vejamos alguns filhos de Estevão e de Adriana, que foi possível encontrar. Em alguns registros o nome dele é escrito Estevam, e o nome a esposa é escrito Anna, no lugar de Adrianna. Outro detalhe é que os lugares de nascimento, para uma mesma pessoa, variam de registro para registro.

Leandra, filha legítima de Estevão Moreno, natural desta Freguesia, e de Adriana Freire, natural de Goianinha (?), neta por parte paterna de João Moreno da Assunção e de sua mulher Antonia Machado naturais desta Freguesia, e pela parte materna de Faustino Freire (Feliciano Carneiro) e de sua mulher Leandra da Silva, naturais da Freguesia de Santo Tracunhaém, nasceu aos 25 de julho e foi batizada com os santos óleos, de licença minha, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, pelo padre Lourenço Gracy de Mello, aos 10 de agosto do 1766. Foram seus padrinhos José da Costa Valerino, casado, e Eleutéria Freire, mulher de João da Silva, moradores nesta Freguesia, Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.

Bernarda, filha legítima de Estevão Moreno, natural desta Freguesia e de Anna Fernandes (Adriana Freire), natural de Santo Antão da Mata, neta por parte paterna de João Moreno e de Antonia Machado, naturais desta Freguesia, e pela materna de Feliciano Carneiro e Leandra da Silva, de Santo Antonio da Mata, nasceu aos 8 de julho de 1773, e foi batizada com os santos óleos, de licença minha na Capela de Santo Antonio desta Freguesia pelo padre Manoel Antonio de Oliveira, aos 29 de agosto do dito ano; foram padrinhos Manoel de Melo Andrade, solteiro, e dona Rosa Maria, filha do capitão Jerônimo Teixeira da Costa, moradores nesta Freguesia.Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.

Nos dois registros de batismo a seguir, encontramos dois filhos de Estevão e Adrianna, com o mesmo nome.

Francisco, filho legítimo de Estevão Moreno, e de Anna (Adrianna) Freire, neto por parte paterna de João Moreno e de Antonia Machado, naturais desta Freguesia e pela parte materna de Feliciano Carneiro e Leandra da Silva, ambos naturais de Santo Antão da Mata, nasceu aos 9 de maio de 1771, e foi batizado sem os santos óleos, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, de licença minha, pelo padre João Tavares da Fonseca aos 20 do dito mês e ano; foram padrinhos  o capitão Francisco Delgado Barbosa e Anna Maria Soares, mulher do dito, Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.

Francisco, filho legítimo de Estevão Moreno, natural desta Freguesia e Anna (Adrianna) Freire da Freguesia de São Lourenço, neto por parte paterna de João Moreno e Antonia Machado, naturais desta Freguesia, e materno de Feliciano Carneiro, natural da Bahia, e Leandra da Silva, natural de São Lourenço, nasceu aos 13 de junho e foi batizado com os santos óleos na capela de Jundiaí, de licença minha, pelo padre Manoel de Aragão Cabral, aos 19 de agosto, foram padrinhos José Bezerra de Lira e  sua mulher Jenoveva Bezerra. Pantaleão da Costa de Araújo. Embora não tivesse ano, mas pelos batismos próximos, era 1775.

Francisco Freire, que aparece a seguir, dever ser o segundo, nascido em 1775.

Antonio, filho legítimo de Francisco Freire e de Maria do Nascimento, naturais e moradores desta Freguesia, neto paterno de Estevão Moreno e de sua mulher Adriana Freire, naturais desta Freguesia, e pela materna de João Rodrigues da Costa, natural da Paraíba, e de Anna Maria dos Prazeres, naturais desta Freguesia, nasceu aos oito de setembro de 1796, e foi batizado com os santos óleos, por mim na capela de São Gonçalo do Potigi, aos 28 de outubro do dito ano, foram padrinhos Manoel Rodrigues Machado e sua mulher Maria Pereira, moradores desta freguesia, do que para constar fiz este assento em que me assino. Ignácio Pinto de Almeida Castro. Vigário Encomendado do Rio Grande.

Aos 4 de junho de 1798, o padre José Gonçalves de Medeiros, de minha licença, batizou e pôs os santos óleos a inocente Joanna, filha legítima de Francisco Freire e Maria do Nascimento, neto por parte paterno de Estevão Moreno e de Adrianna Freire, e pela materna de João Rodrigues da Costa e Anna Maria dos Prazeres, todos desta Freguesia, foram padrinhos Domingos Fernandes Veras e Bernarda Maria. Felicano José Dornelles. Na lateral do registro o nome é Anna em vez de Joseph

Feliciano, filho legítimo de Estevão Moreno, natural desta Freguesia e de Anna (Adrianna) Freire, natural desta Freguesia de Santo Antão, neto por parte paterna de João Moreno e de Antonia Machado, naturais desta Freguesia, e pela materna de Feliciano Carneiro e de Leandra da Silva, naturais da Freguesia de Santo Antonio, nasceu aos 27 de fevereiro de 1770 e foi batizado com os santos óleos, de licença minha, na Capela de Nossa Senhora da Conceição  desta Freguesia pelo Padre João Tavares  da Fonseca, aos 21 de março do dito ano; foram padrinhos o capitão Jerônimo Teixeira casado e D. Luzia de Mello de Andrade, sua mulher. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.

Feliciano Carneiro Cabral, solteiro, e morador na Serrinha, filho de Estevão Moreno, de idade de dezoito anos, senta praça por ordem dos Presidentes interinos desta Capitania e intervenção do Doutor Vedor Geral em 7 de dezembro de 1788.

Aos 22 de dezembro de 1754, de licença do Reverendo Vigário Doutor Manoel Correa Gomes, na Capela de Santo Antonio, batizou e pôs os santos óleos, o Reverendo padre Theodosio da Rocha Vieira, a Joseph, filho legítimo de Estevam Moreno e de sua mulher Anna (Adrianna) Freire. Foram padrinhos Joseph Mendes, solteiro, e Leandra da Silva, viúva.  Marcos Soares de Oliveira. Visitador.

José Mendes, homem pardo, solteiro, natural e morador desta Freguesia, filho legítimo de Estevão Moreno, de estatura ordinária, cara redonda, cor alva, olhos pequenos, sobrancelhas delgadas, sem falta de dentes, assenta praça por portaria dos sucessores do governo desta capitania, o tenente José Baptista Freire e o alferes Antonio da Câmera Silva e intervenção do Vedor Geral, o Doutor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, em 8 de fevereiro de 1777 anos. (consta como falecido, abaixo do registro, sem especificar a data). 

Vejamos, agora, o casamento de José Mendes: Aos 4 dias do mês de maio de 1781 anos, pelas quatro horas da tarde, corridos os banhos de suas naturalidades, nesta Matriz, e na capela do Senhor São Gonçalo filial da mesma, onde os contraentes são naturais e moradores sem se descobrir impedimento algum até a hora de seu recebimento, examinados em doutrina cristã, e confessados, se casaram por palavras de presente José Mendes, filho legítimo de Estevão Moreno e de Adrianna Freire da Conceição, com Anna Bezerra de Mello, filha natural de José de Mello da Cruz, todos naturais e moradores nesta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande; e cujo sacramento assistiu, de licença minha, o Reverendo Padre Luiz Felis de Vasconcellos, Administrador em São Gonçalo, e logo lhes deu as bênçãos na forma dos Sagrados Ritos da Santa Madre Igreja, sendo presentes por testemunhas Domingos Rodrigues da Silveira, e João Gomes da Silveira, casados, moradores no mesmo lugar de São Gonçalo, e pessoas conhecidas de mim. Francisco de Souza Nunes, vice-vigário do Rio Grande.

Outra filha de Estevão e Adrianna, que não encontramos o batismo, foi Eleutéria, cujo casamento segue: Ao primeiro de agosto de 1764, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, dispensados no terceiro grau de consanguinidade com que se achavam ligados, satisfeito tudo, o que estava disposto na sua sentença de dispensa, e corridos dos banhos dos seus domicílios, juxta tridentinum, sem se descobrir impedimento algum, fora do que já estava dispensado, na presença do Padre Lourenço Gracy de Mello, de licença minha, se casaram com palavras de presente João da Sylva Gomes, filho legítimo de Manoel dos Santos, e de Marcelina Gomes, naturais da Freguesia de Santo Antão da Mata, com Eleutéria Freire, filha legítima de Estevão Moreno da Assunção, e de Anna (Adrianna) Freire, naturais e moradores desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação e, logo lhes deu as bênçãos nupciais, conforme os ritos da Santa Madre Igreja, presentes por testemunhas Francisco de Araújo Correia e Manoel Álvares Correia, que vinham assinados na certidão que fica em meu poder. Pantaleão da Costa de Araújo.

Segue alguns registros de netos de Estevão e Adrianna, filhos de João da Silva e Eleutéria.

Florência, filha legítima de João da Silva, natural de São Lourenço da Mata, e de Eleutéria Freire, natural desta Freguesia, neta por parte paterna de Manoel dos Santos, e de Marcelina da Costa, naturais de São Lourenço da Mata e pela materna de Estevam Moreno, natural desta Freguesia e de Anna (Adrianna) Freire, natural de Santo Antão da Mata, nasceu aos 13 de agosto de 1769, e foi batizada com os santos óleos, de licença minha, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, pelo Padre Miguel Pinheiro Teixeira, aos 3 de setembro do dito ano, foram padrinhos Estevam Moreno e sua mulher Anna (Adriana) Freire. Pantaleão d Costa de Araújo.

João, filho legítimo de João da Silva, natural de Engenho Novo de Capibaribe e de Eleutéria Freire, natural desta Freguesia, neto por parte paterna de Manoel dos Santos e de Marcelina da Costa, natural da Freguesia de Santo Antão, e pela materna de Estevam Moreno e Anna (Adrianna) Freire, naturais desta Freguesia, nasceu aos 13 de maio de 1771, e foi batizado com os santos óleos, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, de licença minha, pelo Padre João Tavares da Fonseca, que no assento que mandou lançar declarou a quantos foram padrinhos o capitão Francisco Xavier de Souza e sua mulher Bernarda Dantas da Silveira. Pantaleão da Costa de Araújo

Manoel, filho legítimo de João da Silva Gomes e de Eleutéria Freire da Conceição, naturais desta Freguesia, neto por parte paterna de Manoel dos Santos, natural da Freguesia de São Lourenço da Mata, e de Anna Ferreira (Marcelina da Costa), desta Freguesia, e pela materna de Estevam Moreno e Marcelina da Costa (Adrianna Freire), naturais desta Freguesia, nasceu ao primeiro de maio do ano de 1773 e foi batizado com os santos óleos de licença minha, na Capela de Santo Antonio desta Freguesia, pelo Padre Bonifácio da Rocha Vieira, Coadjutor, aos 18 do dito mês e ano, foram padrinhos o capitão João de Moura com procuração do capitão Jerônimo Teixeira da Costa e Dona Rosa Maria, filha deste, moradores nesta Freguesia. Pantaleão da Costa de Araújo.

Alexandre, filho de João da Silva e de sua mulher Eleutéria Freire, natural desta Freguesia e, ele de Pernambuco, neto paterno de Manoel dos Santos e Marcelina da Costa, e materna de Estevão Moreno, natural desta Freguesia e de Anna (Adrianna) Freire, de Pernambuco, nasceu aos 10 de dezembro de 1774, e foi batizado com os santos óleos de licença minha, na Capela de Jundiaí, pelo padre Manoel de Aragão Cabral aos 11 de janeiro de 1775, foram padrinhos Manoel Carneiro, solteiro e Thereza, filha de Estevão Moreno. Pantaleão da Costa de Araújo.

Aos 25 de dezembro de 1788, faleceu da vida presente João da Silva, casado com Eleutéria Freire, tão somente confessado, de idade que representava de quarenta e oito anos, pouco mais ou menos, e foi envolto em mortalha branca, encomendado pelo padre José Gonçalves Bezerra, foi sepultado na Capela de São Gonçalo aos 26 do dito mês e ano, e não se continha mais no dito assento. Pantaleão da Costa de Araújo.

Vejamos mais um filho de Estevão, de nome Manoel Cabral: Aos 23 dias do mês de agosto de 1784 anos, sendo às três horas da tarde, do dito dia, na capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, filial desta Matriz, de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, corridos os banhos de suas naturalidades, os do nubente na Freguesia de Extremoz, e os da nubente nesta Freguesia, onde é moradora, sem se descobrir impedimento algum, até a hora de seu recebimento, de licença minha, em presença do Reverendo Administrador Manoel Antonio de Oliveira, se casaram por palavras de presente, na forma do Sagrado Concílio Tridentino, Manoel Cabral, filho legítimo de Estevão Moreno, e de Adrianna Freire, naturais e moradores nesta Freguesia de Extremoz, com Constantina de Freitas Amorim, filha legítima de João da Silva Gonçalves, e de Maria José da Rocha, naturais e moradores nesta Freguesia, e logo lhes deu as bênçãos, na forma dos Sagrados Ritos e Cerimônias, da Santa Madre Igreja, confessados e examinados na doutrina cristã, sendo presentes por testemunhas Francisco Anselmo José de Faria, e Gonçalo Barbosa de Moura, solteiros, moradores nesta Freguesia, pessoas conhecidas de mim, do que fiz este assento pelo próprio que veio do Reverendo Administrador sobredito, e fica em meu poder. Francisco de Souza Nunes, vice-vigário do Rio Grande.

Essa nubente teve seu batismo como segue: Constantina, filha legítima de João da Silva Gonçalves, natural da Freguesia de Santo Antonio de Tracunhaem, e de Maria José, natural da Freguesia, neta por parte paterna de Antonio Gonçalves de Atalaia, e de Joanna Mendes da Silva, natural da Freguesia de Santo Antonio de Tracunhaém, e pela materna de Antonio Gomes Monteiro, natural do Rio São Francisco, e de Constantina de Freitas, natural desta Freguesia, nasceu a 27 de dezembro de 1765, e foi batizada, com os santos óleos, de licença minha, pelo Reverendo Padre Miguel Pinheiro Teixeira, na Capela de São Gonçalo do Potigi, aos 19 de janeiro de 1766, foram padrinhos João Pedro de Sá Bezerra e Manoella Freire de Amorim, sua mulher. Pantaleão da Costa de Araújo.

Uma irmã de Constantina era: Anna, filha legítima de João da Silva Gonçalves, natural da Freguesia de Tracunhaém, e de Maria José da Rocha, desta Freguesia, neta por parte paterna de Antonio Gonçalves Atalaia e Joanna Mendes da Silva, naturais da Freguesia de Tracunhaém, e pela materna de Antonio Gomes Monteiro, natural do Rio São Francisco, e de Constantina de Freitas desta Freguesia, nasceu aos 19 de dezembro de 1773, e foi batizada com os santos óleos, de licença minha, na Capela de Santo Antonio do Potigi, pelo Padre Manoel Antonio de Oliveira, aos 6 de janeiro de 1774, foram padrinhos Prudente de Sá Bezerra Junior, casado e Anna Maria, filha de Manoel Cruz, moradores desta Freguesia. Pantaleão da Costa de Araújo.

Vejamos, também, o batismo de outro irmão de Constantina: Bonifácio, filho de João da Sylva Gonçalves, natural da Freguesia de Santo Antonio de Tracunhaém, e de Maria José da Rocha, neto por parte paterna de Antonio Gonçalves de Atalaia, e de Joanna Mendes da Silva, naturais da Freguesia de Santo Antonio de Tracunhaém, e pela materna de Antonio Gomes Monteiro, natural do Rio São Francisco, e de Constantina de Freitas, natural desta Freguesia, nasceu aos 10 de abril de 1768, e foi batizado com os santos óleos, na Capela de Santo Antonio do Potegi, de licença minha, pelo Padre Manoel Antonio de Oliveira, aos vinte e oito do dito mês e ano, foram padrinhos José de Araújo (Pereira) e sua mulher Elena Bezerra. Pantaleão da Costa de Araújo.

Antonio José Moreno era outro filho de Estevão e Adrianna. Não encontramos seu batismo, mas a prova documental vem do registro dos seus filhos, como podemos ver a seguir.

Eleutéria, filha de legítima de Antonio José Moreno e Antonia de Freitas, neta por parte paterna de Estevão Moreno e Adriana de Freitas(Freire), e pela materna de Maria José e João da Silva Gonçalves, moradores no Guajiru foi batizado aos 5 de julho de 1788 com os santos óleos, pelo padre José Gonçalves de Medeiros, foram padrinhos João Gonçalves, solteiro, filho do sargento-mor Prudente de Sá Bezerra e Anna Maria filha do dito. E não continha mais no dito assento. Pantaleão da Costa de Araújo.

Nosso personagem principal, faleceu no começo do século XIX: Aos seis do mês de agosto do ano de 1807, faleceu sem sacramentos Estevam Moreno, viúvo, morador no Tabuleiro Cramisso, de idade de 76 anos, pouco mais ou menos, foi sepultado na capela de São Gonçalo em hábito branco, encomendado de minha licença pelo Padre Antonio Pedro de Alcântara, e para constar mandei fazer este assento em que me assinei. Feliciano José Dornelles. Vigário Colado.

Encontro um Gervásio Moreno, filho de João Moreno, e de Antonia Machado, padrinho no ano de 1754. Não encontro outros registros para ele.

Pelo interior do Rio Grande do Norte, há vários membros da família Moreno, que não foi possível incluir aqui.

Eugenia de Matheus Moreno

sexta-feira, 24 de julho de 2015

João Teixeira de Souza, das Cacimbas do Viana para Macau




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)

Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.


Escreveu Câmara Cascudo, em uma nota inédita, no trabalho do Comandante Eugênio de Castro sobre a Ilha de Manoel Gonçalves: Quando estive em Macau (dezembro de 1935) conheci João Teixeira de Souza, nascido em 1847, decorador de tradições e gostando de evocá-las. Seu sogro, Manoel da Rocha Bezerra, nascera na ilha de Manuel Gonçalves. O velho João Teixeira reviveu as existências passadas na ilha que o mar devorou.


F.F Araújo, no livro comemorativo dos 100 anos de Ordenação Sacerdotal do Monsenhor Joaquim Honório, escreveu sobre João Teixeira de Souza e, desse trabalho extraímos, alguns trechos: apraz-me ocupar de uma figura respeitável, humanitária e digna que foi João Teixeira de Souza. Quem não o conheceu em Macau? Eis uma regra sem exceção: - todos o conheciam porque seus ótimos predicados de homem de bem davam lugar a isto. Tive a felicidade de conhecê-lo também pessoalmente, logo que em 1900 cheguei àquela cidade. 


Era o doutor e homeopata da terra, sem médico naquele tempo. Seus serviços nunca os negou a quem quer que o solicitasse, - ainda que fosse ir a pé ao porto do Rosado, para atender ao pobre que precisava medicar o filhinho doente.


Nasceu aos 12 de fevereiro de 1849, em Cacimba do Vianna, do município do Assú. Foram seus pais Manoel José de Souza e Dona Cosma  Maria de Souza.


Desse casal acima temos o casamento: Aos vinte e quatro de fevereiro de mil oitocentos e quarenta e oito, as (ilegível) horas do dia na Fazenda Cacimbas do Vianna uni em matrimônio e abençoei aos contraentes Manoel José de Souza e Cosma Maria do Espírito Santo, meus fregueses servatis servandis: Assistiram como testemunhas o major José Martins Ferreira e João Teixeira de Souza: do que para constar fiz este termo em que assino. Manoel Januário Beserra Cavalcante, Pároco Colado do Assu.


Vários membros da família Teixeira de Souza viviam nas Cacimbas do Vianna. Não deu para descobrir se Manoel José Teixeira era dessa família, mesmo vendo que uma das testemunhas tinha o nome do seu futuro filho João Teixeira de Souza.


Não encontrei o batismo de João, mas os de duas irmãs dele: Maria, parda, filha legítima de Manoel José de Souza, e de Cosma Maria da Conceição, do Assú, nasceu à 6 de março de 1851, e foi solenemente batizada pelo Reverendo Silvério Beserra de Menezes na Capela de Macau aos 19 de julho do dito ano, sendo padrinhos João Gomes Carneiro e Anna Maria da Conceição, do que para constar faço este assento, em que me assino. Félis Alves de Sousa, Vigário  Colado d’Angicos.


Esse João Gomes Carneiro era daqui de São Gonçalo do Potengi, sendo sua esposa uma legítima Teixeira de Souza: era Anna Joaquina Teixeira de Souza, lá dos Angicos.


Vejamos o batismo da outra irmão de João Teixeira de Souza: Anna, filha legítima de Manoel José de Souza, e Cosma Maria da Conceição, nasceu aos quatro de maio de 1852, e foi batizada aos 15 de novembro do dito ano, no sítio das Cacimbas, pelo padre Ignácio Damazo Correa Lobo, com os santos óleos, de minha licença; foram padrinhos Francisco Lins Wanderley e Ana Maria Wanderley, casados. Do que para constar fiz este termo em que assino. O vigário Manoel Januário Bezerra Cavalcante, Vigário Colado do Assú.


Manoel José faleceu cedo, pelo que escreveu F.F Araújo: Transportando-se, em 1859, para Macau, ano em que faleceu seu pai, aí passou a residir, casando-se, pela primeira vez, em 1869, com dona Veneranda Bezerra da Rocha. Ficou viúvo em 1879 (equívoco), e casou-se segunda vez com Dona Ana Bezerra da Rocha.


Grande, numerosa mesmo, foi a prole dos dois casamentos: 31 filhos, sendo 10 do primeiro e 21 do segundo.


Entre os filhos de João Teixeira de Souza com Veneranda, encontramos os seguintes registros: Francisca, nascido aos 10 de março de 1874 e batizada aos 5 de maio do mesmo ano, tendo como padrinhos Francisco Frazão de Barros e sua mulher Josefa Francisca de Barros; Januário que nasceu aos 19 de setembro de 1875, e foi batizado aos 24 do mesmo mês e ano, tendo como padrinhos Joaquim José de Souza e sua mulher Maria Joaquina da Conceição; Maria, que nasceu aos 25 de março de 1877 e foi batizada aso 18 de maio do mesmo ano, tendo como padrinhos Julião Barbosa Leça e Joana Francisca de Souza Vianna; Celina nasceu aos 9 de julho de 1880 e foi batizada aos 27 do mesmo mês e ano, sendo padrinhos José Vieira de Mello e Maria Gertrudes de Mello; Francelina que nasceu aos 7 de junho de 1881, e foi batizado aos 11 de (ilegível) do mesmo ano, tendo como padrinhos Malaquias Pereira e Francisca Cordulina; outra Francisca, que nasceu aos 28 de dezembro de 1883 e foi batizada aos 2 de abril do ano seguinte,  tendo como padrinhos Padre José Joaquim Fernandes e D. Olímpia Olívia Rodrigues de Souza; 


Descreveu mais F. F. Araújo: Suas atividades em Macau foram na indústria do sal e no comércio, dedicando-se também a criação.


Foi político, e por merecimento e confiança ocupou vários cargos públicos, desempenhando-os sempre com habilidade e máxima honestidade.


Faleceu em 8 de novembro de 1942, deixando vários filhos, dentro os quais cito com prazer, o farmacêutico Alfredo Teixeira de Souza, residente na terra do sal. Aí ficam macauenses, em ligeiros traços, quem foi João Teixeira de Souza bem merecedor de que seu nome ao menos posto numa das ruas de Macau, como lembrança e gratidão de um povo reconhecido.


Entre os documentos encontrados no Museu José Elviro, está um que noticia a morte de Manoel da Rocha Bezerra Junior: João Teixeira se apresentou aos 12 de dezembro de 1907 em Macau para informar que seu sogro tinha falecido, naquela madrugada, aos 77 anos de idade, deixando viúva Dona Francelina Francisca de Medeiros. Fazendo as contas ele dever ter nascido, lá na Ilha, como comentou João Teixeira, com Cascudo, por volta de 1830. Acredito que fosse filho de Manoel da Rocha Bezerra e Josefa Jacinta que casaram na Ilha de Manoel Gonçalves em 1828.


domingo, 12 de julho de 2015

Sobre o batismo de Tobias do Rego Monteiro

O historiador Tobias do Rego Monteiro, também, teve problemas com seu registro de batismo.

Você conhece alguém com este sobrenome Solsona?




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.

O imortal Cláudio Galvão, que ainda não está na Academia Norte-Rio-grandense de Letras, me escreveu, via e-mail: Felipe, Marcos Pinto quer me convencer que minha avó, Umbelina Caldas Solsona (depois Solsona Ferreira Pinto) nasceu em Açu. Pode até ter razão, mas isso é fato nunca referido em família. Minha mãe nunca falou nisso. Agora, por falar com você me ocorreu a ideia de que é possível tirar essa dúvida. Os documentos da Igreja de Açu estão lá ou aqui na Arquidiocese? Vou aproveitar para lhe perguntar se o material de Touros, 1875, está aqui em Natal. Procuro notícias do Dr. Varela Santiago, nascido lá naquela data.
Pedindo mais informações, ele me respondeu, que Umbelina Carolina de Caldas Solsona era casada com João Batista Ferreira Pinto, coletor de rendas estaduais, que nasceu em 24 de junho de 1871 e faleceu a 8 de julho de 1907, com a idade de 36 anos. Disse mais, que Dona Umbelina faleceu em Natal, em 1913, com a idade de 42 anos, sendo filha de Maria Carolina de Caldas Solsona e do farmacêutico Solsona, que tinha uma botica na Rua da Conceição, era compositor e teve uma obra tocada em 1922, durante as festa do centenário da Independência.
Na certidão de óbito de Umbelina, enviada por Cláudio Galvão,  constava que ela era viúva, mas não dizia de quem, e que era filha do farmacêutico Solsona. Investigando, descubro que este se chamava, na verdade, João José Solsona. Encontro ainda, no Correio Mercantil e Instrutivo, que em uma exposição nacional, entre os expositores, ele aparece premiado, com menção honrosa, com vinho de ananaz. Não há informação sobre que tipo de exposição era essa. Encontro ainda João José de Solsona, como contínuo da Secretaria de Polícia, mas esse era filho, como veremos adiante.
Os livros de registros da Igreja, hoje, são incompletos, e, muitos deles têm páginas com trechos ilegíveis. Tudo isso torna a composição de uma genealogia mais difícil e, por isso, com falta de vários elos. Baseando-me na idade de dona Umbelina, fui procurar no entorno de seu nascimento, o casamento dos seus pais. Transcrevo para o cá o que foi possível ler. Pena que não tinha os nomes dos pais dos nubentes.
Aos dezesseis de junho de mil oitocentos e sessenta e nove, feitas as denunciações e não constando impedimento, no Oratório Privado de Pompeu Ezequiel de Souza Santiago, e na presença das testemunhas José Antonio de Souza Caldas Junior e Joaquim Francisco de Oliveira Relâmpago, casou Juxta Tridentino João José de Solsona, natural da Vila de Buarcos (parece ser isso) do Reino de Portugal, viúvo de D. Trisfina Rosalina de Paz Solsona, com D. Maria Carolina de Souza Caldas, natural desta Freguesia, e nela moradora; e logo dei as bênçãos na forma do Ritual Romano, e para constar fiz este assento em que assinei. Bartholomeu da Rocha Fagundes, Vigário Colado.
Na “Nação”, de 4 de julho de 1873, está uma informação do Ministério da Guerra: foi aprovada a nomeação pela presidência da Província do Rio Grande do Norte, do farmacêutico João José Solsona, para servir como encarregado da enfermaria militar ali existente; devendo ele ser dispensado logo que se apresente naquela Província o 2º cirurgião do corpo de saúde do Exército Dr. José Marques da Silva Bastos.
Nos registros de Assú, que foi possível fotografar, não encontro nada referente a dona Umbelina. Vou para a internet, onde encontro que ela era professora.
Na Gazeta do Natal, de 13 de junho de 1888, encontro a informação, que foi concedida por ato de 11 do corrente, à professora pública da povoação de Ponta-Negra, D.Umbelina Carolina de Caldas Solsona, uma licença de 3 meses, como respectivo ordenado, para tratar de sua saúde, onde lhe convier. Pelos “Relatórios dos Presidentes”, vejo que sua antiguidade como professora data de 10 de julho de 1886,
O Diário do Natal de 9 de junho de 1906 noticia que: consorciaram-se nesta capital, no dia 7 do corrente, o nosso digno correligionário e amigo capitão João Guilherme de Souza Caldas e a  senhora Dona Zulima Solsona Caldas. Não encontrei o registro da Igreja.
Outra informação que encontro, nas buscas pelos caminhos percorridos pelos Solsonas, é um casamento de uma filha de Umbelina (no registro aparece como Ubaldina): Aos vinte e quatro de julho de 1920 em oratório privado, depois de dispensados os habituais canônicos, assisti o enlace matrimonial de Clinea Solsona Ferreira Pinto e José Romeiro Valle, ele com vinte e quatro anos de idade, e filho legítimo de Abel Domingos Ferreira Valle e Acácia Marcondes Pereira Valle, e ela com vinte e três anos de idade, filha legítima de João Baptista Pinto Ferreira e Ubaldina Solsona Ferreira Pinto, ele natural do Rio de Janeiro e ela natural de Macahyba, residente na capital. Testemunhas Thedorico Guilherme e Jerônimo Moreira. Para constar etc... o pároco Pedro Barbosa.
Agora o casamento do filho de João José e de Trisfina: aos vinte e sete de março de mil oitocentos e oitenta e sete, na Igreja Matriz desta cidade, sendo testemunhas Manoel Gabriel de Carvalho Pinto e João Ferreira Nobre, havendo precedido os proclamas, servatis, servandis, o padre José Paulino de Andrade, de minha licença, assitiu a celebração do sacramento do matrimônio dos meus paroquianos João José Solsona e Joana Baptista Pereira do Lago, ele natural da Paraíba, filho legítimo de João José Solsona e Trisfina Rosalina da Paz Solsona; ela natural desta Freguesia, filha de Antonio Luiz Pereira do Lago e Hermina Cerula Pereira do Lago. Fiz escrever este termo e assinei.
Não foi possível descobrir a naturalidade de Dona Umbelina, mas é possível que este artigo gere caminhos para novas descobertas.