terça-feira, 29 de março de 2016

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

FRANCISCA TEIXEIRA DE CARVALHO E O ESPAÇO DA MEMÓRIA




Por  Arlan Eloi Leite

Aos 16 e 17 de janeiro de 2016, mês do centenário de nascimento da minha avó materna Maria dos Prazeres de Carvalho (1916-2001), visitei pela primeira vez o sertão de Santana do Matos, onde foi radicada a família Teixeira de Carvalho quando veio da Paraíba para o Rio Grande do Norte em meados do século XIX. Desfrutei da agradável companhia e receptividade do meu primo Francisco Cipriano de Carvalho e sua família, o qual me levou aos lugares da memória desses nossos ancestrais, bem como pude conhecer os muitos parentes nossos por aquelas terras. Do velho sertão de Angicos ao sertão de Santana do Matos, às vezes é difícil encontrar quem não seja descendente das antigas famílias Tomaz Cavalcanti, Barbosa do Nascimento e Teixeira de Carvalho. Eu pertenço as três. Há muitos casamentos entre primos e primas.
O sertão esteve sob a chuva e sol. E havia uma neblina pulverizava no amanhecer santanense. As serras que serpenteiam e circundam os vales surgiam de repente recobertas pela vegetação enverdecida. O inverno parece recomeçar depois da sequidão. Os campos, os tabuleiros e os serrotes recortavam uma paisagem de beleza sem igual. Meus passos seguiram os velhos caminhos que traçavam as antigas terras do patriarca Vicente Teixeira de Carvalho e sua esposa Luiza Laduvina de Carvalho. Agora sim posso afirmar que ambos são, de fato, meus tetravôs. Esses espaços me recontavam, em cada detalhe e conversa com os primos que me acompanhavam, a memória de nossos antepassados dos tempos oitocentistas. Assim, o espaço da paisagem pode ser compreendido em sua articulação das lembranças com os estratos de rochas e campos, como percebeu o historiador Simon Schama em sua obra Paisagem e Memória (1996).
Os espaços materiais são depositários das nossas lembranças muitas vezes preservadas pela oralidade dos descendentes daqueles avoengos. Mas essa memória pode sofrer interferências, variações, confusões e incoerências. Contudo, podemos eleger as informações convergentes depois de confrontadas e eliminar, por sua vez, os dados confusos. Um número suficiente de informações convergentes aliado a provas materiais, sobretudo espaciais, podem nos conceder informações bem mais precisas do que aconteceu no passado longínquo. A falta de certos documentos escritos, perdidos no tempo, exige de nós um esforço maior para diminuirmos as muitas dúvidas no trabalho genealógico. Estou reescrevendo o texto anterior quando no primeiro artigo não sabia sobre meus tetravôs Teixeira de Carvalho.
E, para concluir a busca pelos pais da minha trisavó Francisca Teixeira de Carvalho, nascida por volta de 1870 nesse sertão de Santana do Matos, devo agradecer imensamente à minha tia-avó Francisca Eloi Barbosa, 90 anos, e à minha velha prima Josefa Fernandes, octogenária, ambas netas da minha terceira avó. As duas senhoras me contaram sobre a memória, quase esquecida, daquela ancestral morta precocemente de parto. Mas ainda persistia a dúvida sobre quem seriam os pais de Francisca Teixeira. Porém, a minha viagem ao sertão de Santana do Matos me fez mergulhar no tempo e no espaço da memória dessa família originária da Paraíba. Ao visitar a senhora Maria Carmem Rocha Macedo, 80 anos, professora aposentada daquele município, e filha de Sofia Rocha, que era filha de Antônia Teixeira de Carvalho, uma das filhas do patriarca Vicente Teixeira, consegui dirimir essa dúvida tormentosa.
No alpendre da casa de Maria Carmem, perguntei se ela teria alguma informação sobre a minha trisavó Francisca. E, para minha surpresa, Carmem disse que conhecia essa história porque sua mãe Sofia lhe contou há muito tempo. Sofia era sobrinha da minha trisavó. No calor da minha emoção, Carmem ainda acrescentou que o local exato da casa dos meus trisavôs Manoel Barbosa do Nascimento (1864-1968) e Francisca Teixeira de Carvalho (1870-1895) ficava por trás da casa onde estávamos. Além disso, o local onde foi a residência do patriarca Vicente ficava a poucos metros dali também. Minutos depois fui aos locais, fotografei-os e gravei um vídeo. Não podia me conter de tanta alegria.
Descobri, desta feita, que a minha trisavó era irmã de Antonia Teixeira de Carvalho (avó de Maria Carmem), Luiza Umbelina de Carvalho, Manoel Teixeira de Carvalho, Cipriano Teixeira de Carvalho (bisavô do meu primo Francisco Cipriano) e Pedro Teixeira de Carvalho (este último se estabeleceu em Macaíba onde lá deixou descendência). Pelo menos eles são os rebentos do casal paraibano que pudemos documentar até então. Portanto, a minha trivó era filha de Vicente Teixeira e Luiza Laduvina, e não filha de Manoel Teixeira como houve essa informação que não se sustentou diante dos outros testemunhos orais e provas espaciais. Na distribuição das casas dos filhos casados de Vicente em suas terras, as residências das filhas Antônia e Francisca ficavam bem próximas da morada do pai, enquanto a casa de Manoel Teixeira, por exemplo, distava dessas residências.
Eis o casamento de uma das filhas do casal Vicente Teixeira e Luiza Laduvina:

Aos oito de maio de mil oitocentos e setenta e um, pelas quatro horas da tarde, no Sítio São Bento da Freguesia de Santa Anna do Matos, precedida as canônicas denunciações, sem impedimento, confissão e exame de doutrina cristã, em minha presença, e das testemunhas Francisco Marques da Silveira Borges e Francisco Sabino da Silva Braga, se uniram em matrimônio, por palavras de presente, e receberam as bênçãos nupciais, os contraentes José Thomaz Cavalcanti e Luiza Umbelina de Carvalho, naturais, ele da Freguesia da Vila de Bananeiras da Província da Paraíba, e ela da de Santa Anna do Matos, e moradores, ele desta de São José de Angicos, e ela moradora de Santa Anna do Matos; e filhos legítimos, ele de Francisco Thomaz Cavalcanti e Donata Maria da Conceição; e ela de Vicente Teixeira de Carvalho e de Luiza Laduvina de Carvalho. Do que fiz este termo em que assino. O Vigário Felis Alves de Sousa.

Francisco Cavalcanti e Donata Maria são meus pentavôs, uma vez que ambos são os avôs maternos de Manoel Barbosa, meu trisavô.
Em 1895, aproximadamente porque não encontramos o registro de óbito até então, a minha trisavó teve uma morte precoce quando por complicações do parto de gêmeos agonizou até falecer. A sua irmã Antônia, que morava a poucos metros da casa (comprovei os locais das antigas moradas) esteve presente o tempo todo assistindo, sem poder fazer nada, o sofrimento da minha trisavó até os seus instantes finais, conforme assegurou Maria Carmem. Para a professora Carmem, a lembrança é reforçada pelo fato da sua avó Antônia ter sentido muito pela morte da irmã tão jovem. Sem falar de que o local exato onde repousou a casa da minha trivó Francisca fica por trás da casa de Carmem hoje.
Depois do óbito, o corpo de Francisca Teixeira foi mortalhado e conduzido por familiares, a pé, até o cemitério público de Santana do Matos, distante a alguns quilômetros do antigo sítio de Vicente Teixeira. E, em 1910, a minha tia-trisavó Antônia Teixeira faleceu juntamente com uma das suas filhas vitimadas pela provável febre amarela. Na mesma prática e ritual fúnebre, os corpos de mãe e filha foram transportados num longo caminho ao cemitério público daquele município.
Rememorando, os meus trisavôs Manoel e Francisca conceberam seis filhos, dos quais sobreviveram Tereza Teixeira de Carvalho, Maria Francisca de Carvalho e Luiz Barbosa de Carvalho. Esses três também deixaram uma frondosa descendência pelo Brasil. Tereza Teixeira (1889-1950) foi a que mais contou a história da sua mãe morta tragicamente de parto. Maria Francisca de Carvalho (1893-1979), minha bisavó, foi uma grande matriarca que gerou quinze filhos. E Luiz Barbosa de Carvalho é uma memória fugidia. A última vez que o vi na documentação foi no batizado da sobrinha dele, Vitalina Teixeira de Carvalho (1910-1997), minha tia-avó, cuja cerimônia ocorreu em 21 de dezembro de 1910. No demais, os filhos de Francisca Teixeira que morreram ainda na infância foram Maria Donata de Carvalho, falecida aos seis anos, e os gêmeos que faleceram no parto, os quais não receberam nomes.

Arlan Eloi Leite
Historiador e pesquisador em Genealogia
Servidor da UFRN
Local, apontado pela professora Maria Carmem Rocha, onde existiu a casa da minha trisavó Francisca Teixeira de Carvalho. Há vestígios de que no passado houve realmente uma construção nesse espaço. Antigo sítio de Vicente Teixeira de Carvalho. Santana do Matos-RN.
A relação do espaço material com a nossa memória pode contribuir para a preservação da história dos nossos antepassados.

Casamento dos meus velhos tios José Thomaz Cavalcanti e Luiza Umbelina de Carvalho, em 8 de maio de 1871. Sítio São Bento. Município de Santana do Matos.
Província do Rio Grande do Norte.


Parte da ata do casamento civil dos meus bisavôs Firmino Eloi Leite e Maria Francisca de Carvalho, em 22 de março de 1946. Lajes-RN. Conforme o documento, bisavó nasceu em Santana do Matos no dia 15 de agosto de 1893. (Ato lavrado no Livro nº B-12, às fls. 69v, sob o nº 651, em data de 22/03/1946).

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Pedro de Barros Dantas, lá do Assú




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)

Os assentamentos de praça, muitas vezes, cobrem lacunas deixadas pelo desaparecimento de alguns livros de registros da Igreja. Neste artigo sobre Pedro de Barros Dantas, vamos começar, pois, por registros de praça.

Pedro de Barros Dantas, filho de Antonio Dantas, natural da Paraíba, morador nesta Ribeira de Assú, branco, casado, de estatura ordinária, barba fechada, olhos azuis, cor rosada, testa grande, de idade de quarenta e cinco anos, assenta praça em revista de 27 de julho de 1789. Há uma anotação na margem desse assento, que ele passou para Cabo de Esquadra.

Pelas informações acima, Pedro era natural da Paraíba e deve ter nascido por volta de 1744. Pelas informações, a seguir, era casado em 1777, e já estava em Assú: Joaquim de Barros Franco, filho de Pedro de Barros Dantas, natural e morador nesta Ribeira do Assú, olhos azuis, cor trigueira, nariz pequeno, cabelo corredio, branco, solteiro, de idade de 12 anos, assenta praça em revista de 27 de julho de 1789.

No assentamento a seguir, se observa que Pedro teve uma passagem por Portalegre: Pedro de Barros Dantas Junior, filho de Pedro de Barros Dantas, natural da Vila de Portalegre, idade de 13 anos, cabelos e olhos castanhos, altura 5p e 2p, praça em 29 de abril de 1797, agricultor, solteiro.

José da Cunha Cavalcante filho de Pedro de Barros Dantas, natural da Freguesia do Assú, idade de 15 anos, cabelo preto, olhos castanhos, altura 5p e 2p, praça em 29 de abril de 1797, solteiro, agricultor.

Vejamos agora o registro de casamento de um filho de Pedro, como o mesmo nome do avô: Aos quatro dias do mês de fevereiro de mil oitocentos e vinte e seis, no Sítio Itu, pelas oito horas da manhã, na Freguesia de Santa Ana do Matos,  em minha presença e das testemunhas abaixo nomeadas, se receberam por esposos presentes, Antonio Dantas, freguês da Freguesia de Santa Ana, donde apresentou  carta do seu vigário, João Theotonio, em que declara não ter ele impedimento, e Josefa Francisca, minha freguesa; o esposo de idade de 30 anos, filho legítimo de Pedro de Barros, e de Antonia Felis; a esposa de idade de 28 anos, filha legítima de Manoel Ignácio Cavalcante e Maria do Carmo, já falecidos, naturais e moradores no Assú, onde se fizeram as denunciações necessárias, sem impedimento; e logo lhes dei as bênçãos matrimoniais, sendo presentes por testemunhas o capitão, Comandante Geral, Manoel Varella Barca, casado, e João Amâncio, solteiro, todos desta Freguesia de Santa Ana do Matos.

Vejamos, agora, o casamento, de um filho, já bem maduro,  de Pedro de Barros Dantas: aos nove dias do mês de julho de mil oitocentos e vinte e oito, pelas cinco horas da tarde nesta Matriz de São João Batista do Assú, em minha presença e das testemunhas abaixo nomeadas, se receberam por esposos presentes, Manoel Correa Felis e Josefa Maria da Silva, meus fregueses, dispensados os proclamas por sua Excelência Reverendíssima. O esposo tem de idade cinquenta anos, filho legítimo de Pedro de Barros Dantas, já falecido, e Antonia Felis de Vasconcelos; a esposa de vinte anos, filha legítima de Pedro José da Silva, e Ana Thereza de Jesus; o nubente natural do Assú e a nubente da Vila do Pilar; e logo lhes dei as bênçãos matrimoniais, sendo primeiramente confessados e examinados na Doutrina Cristã, presentes por testemunhas José Francisco de Sousa, casado, e José Ribeiro Moreira, solteiro, todos deste Assú. 

Manoel Correa Felis, que não apresenta sobrenome do pai, mas da mãe,  deve ter nascido por volta de 1778.

Outro filho de Pedro de Barros Dantas casou, também, bem maduro, e, também, com uma nubente jovem, como se pode ver do registro a seguir: Aos vinte e dois de fevereiro de mil oitocentos e vinte e oito, pelas oito horas da manhã, no Sítio Estevão, em minha presença, e das testemunhas abaixo nomeadas, se receberam por esposos presentes, João Amâncio de Barros, e Maria José do Espírito Santo, meus fregueses, por se acharem dispensados no impedimento que os ligavam: o esposo tem idade de quarenta anos, filho legítimo de Pedro de Barros Dantas, já falecido, e Dona Antonia Felis de Vasconcelos, morador na Freguesia de Santa Ana do Matos, donde apresentou banhos desimpedidos; a esposa de vinte anos, filha legítima de Joaquim Felis de Lima e Rita Thereza de Jesus, naturais e moradora desta dita Freguesia do Assú, onde se fizeram as denunciações necessárias, sem impedimento, e logo lhes dei as bênçãos matrimoniais, sendo primeiramente confessados e examinados em Doutrina Cristã,  presentes por testemunhas o capitão, Comandante Geral, Manoel Varella Barca, e Francisco de Sousa Caldas, casados.

Um registro de óbito dá notícia do falecimento de uma esposa de Pedro de Barros Dantas, que deve ser aquele natural de Portalegre e que assentou praça em 1797: aos quatro de dezembro de mil oitocentos e quarenta e sete nesta Matriz de São João Batista do Assú, se deu sepultura ao cadáver da adulta Thereza da Trindade Nobre, branca, de idade de cinquenta e três anos, viúva de Pedro de Barros Dantas. Ela deve ter nascido por volta de 1794.

Aos 10 de maio de 1831, faleceu José, filho de Pedro de Barros Dantas, falecido, e de Thereza da Trindade, com 12 anos de idade.

Em 5 de março de 1832, na Matriz de Santa Ana do Matos, se receberam por esposos, Pedro José Ferreira e Thereza da Trindade Nobre,  filhos legítimos, ele,  de João Fernandes Galvão e Ana Joaquina de Góis, e ela de Pedro de Barros Dantas, falecido, e Thereza da Trindade Nobre, na presença de João Carneiro da Cunha e Antonio da Silva Carvalho, ambos casados.

Em 17 de maio de 1835, nascia Luiz, filho de Pedro José Ferreira, natural de Manguape (?), e de Thereza da Trindade Nobre, em 7 de julho do mesmo ano era batizado, tendo como padrinho Antonio Dantas Cavalcante.

Em 20 de agosto de 1870, na Capela do Rosário, Martiniano Egídio Ferreira Nobre, filho de Pedro José Ferreira e Thereza da Trindade Nobre, casou com Francisca Xavier da Cunha Vasconcelos, filha de Francisco Trajano Xavier da Cunha e Senhorinha Clara dos Anjos, na presença de Felis Rodrigues Ferreira e Luiz Ferreira Nobre. Este Luiz pode ser o batizado acima, em 1835. Essa Senhorinha tinha duas irmãs que casaram na Ilha de Manoel Gonçalves: Josefa Jacinta de Vasconcelos com Manoel da Rocha Bezerra e Antonia Bernarda Achiolis  com Paulino Álvares Pessoa.

Em 1 de fevereiro de 1883, na Matriz, José Florêncio de Moraes Barreto desposou Maria de Jesus da Trindade Nobre, aquele filho legítimo de Antonio José de Sousa e Josepha Maria de Oliveira, e esta, filha legítima de Pedro José Ferreira e Thereza da Trindade Nobre, sendo testemunhas Manoel Honório Barbalho Bezerra e Francisco Antonio de Moraes Barreto.
Em 21 de novembro de 1833, no Sítio Picada, da Freguesia de Santa Ana do Matos, José de Araújo da Cunha, desposou Antonia da Trindade Nobre, ele, filho legítimo do tenente Alexandre da Cunha Calheiros e Ignez Neta Pereira, e ela, filha legítima de Pedro de Barros Dantas e Thereza da Trindade Nobre, sendo testemunhas Manoel Varella Barca e Antonio Caetano Monteiro, houve dispensa de impedimento do terceiro grau de consanguinidade. Aos 15 de janeiro de 1880, na Matriz do Assú, com dispensa de consanguinidade, João Julião da Cunha desposou Ana da Trindade Nobre, aquele filho legítimo de José da Cunha Cavalcante, falecido, e Joana da Cruz, esta filha legítima de José de Araújo Cunha  e Antonia da Trindade Nobre, foram testemunhas Antonio Dantas Cavalcante, solteiro, e Pedro de Barros Dantas.

Aos 5 de março de 1837, nascia José, filho legítimo de Pedro de Barros Dantas e Ana da Trindade, tendo sido batizado aos 26 do mesmo mês e ano, tendo como padrinhos José da Cunha Cavalcante, casado, e Thereza da Trindade Nobre, viúva.

Aquilina, filha de Pedro de Barros Dantas, e Ana da Trindade Nobre, nasceu aos 2 de setembro de 1848, e foi batizada na Matriz do Assú, aos 11 de março de 1849, tendo como padrinhos o tenente Manoel de Melo Montenegro Pessoa, e  sua mulher Maria Beatriz Paz Barreto, por procuração que apresentou Ângela Garcia freire de Araújo, viúva.

Francisco, filho legítimo de Francisco Dantas Cavalcante, e Vicência Maria, naturais do Assú, nasceu aos 28 de fevereiro de 1836, e foi batizado aos 25 de março  do dito ano, na Matriz do Assú, sendo padrinhos Pedro de Barros Dantas e Ana da Trindade Nobre, casados, estes de Santana do Matos, aqueles do Assú.

Manoel, filho legítimo de Pedro de Barros Dantas, e de Ana da Trindade Nobre, nasceu a 8 de julho de 1842, e foi batizado na Matriz, a 14 de agosto do mesmo ano, sendo padrinhos Sebastião Nobre de Almeida e D. Alexandrina  Cavalcante Pessoa, solteiros. Nesta mesma data, Pedro de Barros Dantas e Ana da Trindade Nobre, foram padrinhos de um escravo de Sebastião Nobre de Almeida.

Esse mesmo casal acima teve outro filho, 22 anos depois, com o mesmo nome de batismo: Manoel, branco, filho legítimo de Pedro de Barros Dantas e Ana da Trindade Nobre, naturais e moradores nesta Freguesia, nasceu a 2 de março de 1864, e foi batizado no Sítio Cuó, desta Freguesia aos 8 de maio do mesmo ano, sendo padrinhos o capitão Thomaz José de Sena e sua mulher Dona Francisca Beatriz de Sena Montenegro, por sua procuradora Dona Maria Marcina de Barros Nobre, solteira, todos deste Assú.

Pedro, branco, filho legítimo de Pedro de Barros Dantas, e de Maria do Carmo de Moura, moradores nesta Freguesia, nasceu aos 3 de julho de 1832, e foi batizado, na Fazenda Capivaras, aos 24 de agosto do dito anos, sendo padrinhos José Joaquim de Barros Dantas, solteiro.

Aos vinte e oito de fevereiro de mil oitocentos e setenta e cinco, sepultou-se, no Cemitério Público da Cidade do Assú, o cadáver de Pedro de Barros Dantas, idade de sessenta e quatro anos, morador nesta Freguesia, casado que era com Anna da Trindade Nobre; morreu de hepatite, com os sacramentos da penitência, e Santíssimo Viático, envolto o cadáver em preto e de licença minha, encomendado solenemente pelo Reverendíssimo Vigário do Assú, José de Matos Silva, do que tudo, para constar, fiz este assento e nele me assino. O Vigário Antonio Germano Barbalho Bezerra.

Pelo registro acima, esse Pedro de Barros Dantas deve ter nascido por volta de 1811, não sendo, portanto, aquele filho do velho Pedro de Barros, de mesmo nome, que assentou praça em 1797.

Essas repetições de nomes e a falta de alguns registros dificultam o estabelecimento de elos entre algumas dessas pessoas acima.


sábado, 13 de fevereiro de 2016

A Família Lopes Galvão no Oeste Potiguar

Por Jose Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

A Família Lopes Galvão no Oeste Potiguar

Uma das mais tradicionais famílias potiguares, os Lopes Galvão, tiveram atuação relevante no Oeste Potiguar, deixando raízes, especialmente, em Mossoró, como no caso de Romualdo Lopes Galvão, Clemente Lopes Galvão, Olinto Lopes Galvão e Petronilo Lopes Galvão.
Romualdo Lopes Galvão nasceu em 7 de fevereiro de 1853, na residência de seus avós maternos, no sítio Alto dos Patacões, na cidade de Campo Grande-RN. Era filho primogênito de João Lopes Galvão, Coletor de Rendas Gerais naquela localidade e Maria Ferreira de Melo, da família Cascudo. Neto paterno de Cipriano Lopes da Rocha, natural de Currais Novos-RN e Rosaura Albuquerque Galvão, natural de Campo Grande-RN. Neto materno de Antônio Ferreira de Almeida (Cascudo), natural de Catolé do Rocha-PB e Maria Vieira de Melo Almeida, natural de Campo Grande-RN.
Eram irmãos de Romualdo Galvão: João Crisóstomo Galvão, Clemente Lopes Galvão, Emília Galvão Vieira de Melo, Amélia Galvão de Oliveira, Izabel Galvão de Miranda (Bela), Maria Lopes Galvão de Oliveira (Liquinha), Bonifácio Lopes Galvão e Olinto Lopes Galvão.
Romualdo Galvão foi membro destacado da Loja Maçônica “24 de junho”, onde justamente com seus pares desempenharam importante participação na abolição dos escravos, em 1883. Romualdo Galvão foi um dos mais ardorosos e influentes abolicionistas, juntamente com sua esposa Amélia Dantas de Souza Galvão e seu sogro, o jornalista e poeta português, José Damião de Souza Melo. Comerciante de destaque na cidade, com a firma Romualdo Lopes Galvão – casa de fazendas, exportadora de algodão e de peles, situada na Praça 06 de Janeiro, atual Praça Rodolfo Fernandes.
Participou ativamente do movimento. Em 6 de janeiro de 1883, é criada a Sociedade Libertadora Mossoroense, entidade pioneira da nobre causa congregava em seu meio os abolicionistas locais, sob a presidência de Joaquim Bezerra da Costa Mendes, tendo Romualdo Galvão como vice-presidente.
Foi um dos sete diretores da Sociedade Libertadora Mossoroense. Nessa época, o próspero empreendedor cearense Miguel Faustino do Monte (1858-1952), gerenciava a firma Souza Nogueira & Cia. (em sociedade com o mossoroense Alexandre de Souza Nogueira) subscreveu o manifesto conhecido como Pacto de Honra, juntamente com Romualdo Galvão, gerente da Casa Mayer, do operoso comerciante suíço Conrado Mayer (1844-1897), para, se for preciso, lançar mãos de todo o dinheiro de seus patrões para ajudar a libertar os escravos em Mossoró.
No ano de 1883, Mossoró estava sendo administrada por Romualdo Galvão em seu primeiro período, pois exerceu novo mandato entre os anos de 1892 a 1895. Em seguida, transferiu residência para Natal, ocupando cargos públicos diversos: prefeito de Natal, diretor do Banco de Natal e deputado estadual por duas vezes. Matrimoniou-se com Amélia de Souza Melo, em 05 de dezembro de 1882, em Fortaleza-CE, passando a se chamar, Amélia de Souza Melo Galvão. Dessa união com Amélia Galvão, como ela ficou mais conhecida, não houve filhos. Com o seu falecimento, em Mossoró, no dia 14 de novembro de 1890 casou novamente com Antônia Monteiro Galvão, tendo os filhos: maestro José Monteiro Galvão, Romualdo Galvão Filho e João Monteiro Galvão. Romualdo Galvão faleceu em 1 de agosto de 1927, em sua chácara, situada na Avenida Hermes da Fonseca, onde atualmente funciona o Instituto Maria Auxiliadora, no bairro de Petrópolis. Está sepultado no Cemitério do Alecrim.
Em sua homenagem, na cidade de Mossoró, é nome de rua, localizada nos bairros Alto da Conceição e Belo Horizonte. Amélia Galvão é nome de rua, localizada no bairro Lagoa do Mato.
No dia 15 de novembro de 2001 foi criada a Associação das Samaritanas “Amélia de Souza Galvão”, também denominada de Clube de Samaritanas. O seu quadro de associados é composto das esposas dos maçons da Loja Maçônica “24 de Junho” e tem por finalidade a pratica da filantropia, de forma ampla e irrestrita.
Clemente Lopes Galvão nasceu em 23 de novembro de 1860, também, em Campo Grande. Da mesma forma que o seu ilustre irmão Romualdo Galvão foi um abolicionista mossoroense e maçom integrante da Loja Maçônica 24 de Junho. Comerciante mantinha a firma Clemente Galvão & Cia. - negociante de fazendas que funcionava no local onde estava situada a firma Romualdo Lopes Galvão e tinha como sócios os irmãos Clemente Lopes Galvão e Olinto Lopes Galvão.
Clemente matrimoniou-se com Mafalda Miranda Galvão nascida em 2 de maio de 1858 e falecida em 2 de julho de 1925, filha de Antero Frederico Borges de Miranda Henriques1 nascido em 19 de abril de 1819 na cidade de Areia-PB e falecido em 23 de abril de 1915 na cidade de Parelhas-RN e de Zeferina Maria da Cunha de Miranda Henriques nascida em 26 de agosto de 1828 na cidade de Jardim do Seridó-RN e falecida em 3 de novembro de 1890 na cidade de Mossoró. Dessa união, tiveram sete filhos: João, Francisco, Solon, Maria, Ismênia, Zeferina e Raimunda. Anteriormente, Mafalda Galvão havia sido casada com um parente de Clemente, Joaquim Fontes Galvão, com dois filhos: Cândida e Antônio. Clemente Galvão tomou o mesmo caminho de Romualdo Galvão, ao se mudar para Natal, onde faleceu em 2 de julho de 1925, no mesmo dia de sua esposa.
Olinto Lopes Galvão, do mesmo modo que os seus irmãos, Romualdo e Clemente Galvão manteve atividades comerciais. Em 18 de julho de 1903, Olinto Galvão recebe do Poder Público Municipal a concessão de fornecer água à Mossoró, no período de 50 anos, através de poços artesianos.
Olinto Galvão teve atuação política. Foi suplente de intendente (vereador) na legislatura de 1892 a 1895, assumindo o cargo de intendente, em 23 de julho de 1894, por ocasião da saída do Presidente da Intendência (Prefeito), Romualdo Galvão, que se transferiu para Natal e pela renúncia de Horácio de Azevedo Cunha. Matrimoniou-se com Cândida de Miranda Fontes Galvão, filha do casal anteriormente citado (Joaquim Fontes e Mafalda), natural de Lavras de Mangabeira-CE, tendo os filhos: Joaquim de Fontes Galvão, Antônio, Ercílio, Ester, Dalila de Fontes Galvão, José Olinto Galvão, Olinto Galvão Filho e João Batista Galvão.
Petronilo Lopes Galvão foi aquele dos membros familiares pesquisados que encontrei menores informações a respeito. Foi suplente de intendente, no período de 1911 a 1913. Contraiu núpcias com Elvira do Couto Galvão, filha de Jeremias Soares do Couto e sua terceira esposa Belisária Alves do Couto, com descendência. Anteriormente, Jeremias era casado com Maria da Penha de Melo, tendo os filhos Antônio2, Luiz, Enéas, Francisca e Josefa. Depois, casou com Maria Gamelo de Oliveira, havendo os filhos Delmira e Alexandre. Da terceira união com Belisária, teve além de Elvira, Enéas, Virgília, Adélia3, Guiomar, Odília e João Capistrano do Couto, avô materno do conceituado jornalista Dorian Jorge Freire.
Entre 1928 a 1933, Petronilo Galvão, juntamente com a família passaram a residir em Macau, em virtude da incumbência de administrar a salina Trapiche Furado, pertencente ao seu cunhado, Antônio Soares do Couto (Totô Reis).
Notas Explicativas
1 - Antero Frederico era o filho primogênito do casal Francisco Xavier de Miranda Henriques Filho e Joana do Rego Bezerra. Depois do casamento passou a se chamar Joana de Miranda Henriques. O casal constituiu uma extensa prole de 18 filhos.
2 – Antônio Soares do Couto nasceu em 10 de fevereiro de 1866, na cidade de Mossoró. Industrial salineiro de larga projeção. Presidente da Intendência, no período de 1908 a 1910. Matrimoniado com a sua parente Justa Nogueira da Costa, filha de Joaquim Nogueira da Costa e Maria Idalina do Couto. Depois de casada passou a se chamar Justa Nogueira do Couto. O casal teve um filho adotivo, Francisco Nogueira do Couto, que fez época, em Natal, com o seu Cine Rex. Totó Reis como era carinhosamente conhecido faleceu em 27 de fevereiro de 1933.
3- Adélia Couto foi casada com Manoel Benício de Melo Filho. Benicio Filho era mossoroense e nasceu no dia 4 de outubro de 1886, sendo filho de Manoel Benício de Melo e de Maria Ericina da Cunha Melo. Concluiu o curso de Direito da Faculdade do Ceará, em 1910. Ocupou as várias funções públicas: 1918: Juiz de Distrital em Jardim do Seridó; 1919: Juiz de Direito da Comarca de Jardim do Seridó; 1926: Comissário de Chefe de Polícia do governo de José Augusto;1928: Promovido ao cargo de Desembargador; 1934: Procurador Geral do Estado; 1943: Eleito Presidente do Tribunal de Justiça; 1946: Eleito suplente do Tribunal Regional Eleitoral - TRE. Em 1949 aposentou-se das funções de magistrado. Faleceu em 16 de julho de 1949. Informações extraídas do site: http://www.mprn.mp.br/memorial/pgj16.asp





Referências Bibliográficas:

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BRITO, R. S. Legislativo e Executivo de Mossoró numa viagem mais que centenária. Mossoró-RN: Coleção Mossoroense, 1985. 247 p.
BRITO, R. S. Ruas e Patronos de Mossoró. Mossoró-RN: Coleção Mossoroense. Volume II, 2003. 263 p.
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CASCUDO, L. C. Notas e Documentos para a História de Mossoró. 5ª edição. Mossoró-RN: Coleção Mossoroense, 2010. 299 p.
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LIMA, O. M. Loja Maçônica 24 de Junho 130 anos (Do pó dos Arquivos). Mossoró-RN. Edição do autor, 2003. 110 p.
SILVA, R. N. Negociantes & Mercadores Mossoró e suas velhas firmas. Natal-RN: Sebo Vermelho, 2010. 40 p.
SILVA, R. N. Terra e Gente de Mossoró. 2ª edição. Rio de Janeiro-RJ: Editora Pongetti, 1967. 89 p.
SOUZA, F. F. História de Mossoró. 4ª edição. Mossoró-RN: Coleção Mossoroense, 2010. 284 p.






DADOS BIOGRÁFICOS

 

José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo (Mossoró-RN, 1976), filho de José Edilson de Albuquerque Guimarães e Deodina Silveira de Albuquerque Guimarães, graduado em Ciências Biológicas (UFRN) e Mestre em Geociências, pela mesma universidade, é servidor da Prefeitura Municipal de Mossoró. Iniciou suas atividades literárias, em 2012, na Revista Oeste, com a publicação do artigo Reminiscências: Alto da Conceição, um exemplo de fé cristã, em coautoria com Edimar Teixeira Diniz Filho. Em 2013, publicou, também, na Revista Oeste, outro artigo intitulado: Deoclides Vieira de Sá: um dos mais bem-sucedidos comerciantes mossoroenses. Em 2014, em parceria com o professor Doutor David de Medeiros Leite, publicou o livro: Mossoró e Tibau em versos: antologia poética (Ed. Sarau das Letras). No ano seguinte, publicou o livro: Nas trilhas de meu avô (Ed. Sarau das Letras).

 
José Edilson

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O preço da liberdade


João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Os seres humanos exploram seus semelhantes das mais diversas formas: física, mental e espiritual. As ideologias, as religiões, as tiranias e os partidos políticos mantém, debaixo de escravidão, milhões de pessoas em todo o mundo. E isso, parece que nunca vai acabar.

Nas nossas pesquisas genealógicas, encontramos os rastros da escravidão praticados pelos nossos ancestrais. Algumas pessoas, consideradas libertadoras, eram na verdade vendedores de liberdade. Trazemos exemplos através dos registros da Igreja.

Em 1864, no mesmo dia e ano, foram batizadas duas Marias, filhas das escravas Izabel e Ignácia, ambas pertencentes ao mesmo casal. Vejamos um desses registros: Aos trinta e um de junho de mil oitocentos e sessenta e quatro, batizei solenemente, nesta Matriz, da Gloriosa Senhora Santa Ana do Matos, a párvula Maria, parda, filha natural de Izabel, escrava de Vicente Ferreira de Lima, e sua mulher Joana Quitéria Veloso da Silveira, nascida a vinte e cinco de novembro de mil oitocentos e sessenta e três, cuja escravinha Maria os ditos senhores forraram na Pia, pelo preço e quantia de cem mil réis, cujo dinheiro receberam da mãe da dita criança, e, por isso, lhe deram plena, e geral liberdade, para que a goze para si, e seus descendentes, como se de ventre livre nascesse; foram padrinhos Miguel Francisco de Paula, e Izabel Emiliana da Silva, ambos solteiros, e desta Freguesia, e de como assim o disseram em minha presença, e das testemunhas abaixo assinadas, fiz este termo em que por verdade assinei, com eles libertadores, e as referidas testemunhas.  Antonio Germano Barbalho Bezerra, Coadjutor Pró Pároco, Vicente Ferreira de Lima, e por Joana Quitéria Veloso da Silveira, Absalão Fernandes da Silva, e como testemunha Manoel Lopes Idalino.


Mas antes da data acima, no ano de 1851, houve outra libertação, onde os pagadores foram os padrinhos: Francisca, parda, filha legítima de Francisco e Joaquina, escravos ambos de Antonio Dantas Cavalcante, casado, morador desta Freguesia de Santa Ana do Matos, nasceu aos nove de junho de mil  oitocentos e cinquenta e um, e foi batizado com os Santos Óleos, no Sítio Itu Velho, desta Freguesia, perante muitas pessoas, que se achavam presentes em Desobriga, como se nascesse de Vente Livre, por preço, e quantia de cinquenta mil réis, que receberam, seus senhores, dos padrinhos, na ação de batismo que foi aos dezesseis de julho do mesmo ano, pelo Coadjutor desta Freguesia Ignácio Damazo Correa Lobo, de minha licença, o que pediram os ditos senhores fizesse essa mesma declaração em Livro, para o todo tempo constar; foram padrinhos Manoel de Melo Montenegro Pessoa, casado, e Bertholeza Dantas Cavalcante, viúva, do que para constar mandei fazer este assento, e por verdade assinei. Vigário João Theotonio de Sousa e Silva.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Manoel Pegado de Siqueira e parentes




João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com
Neste artigo pretendo fazer o registro do que encontrei de Manoel Pegado Siqueira e possíveis parentes. Com a falta de alguns livros, não foi possível estabelecer alguns elos entre as pessoas com mesmos sobrenomes. Por isso, cuidei apenas de transcrever dados contidos nos registros sem maiores preocupações. Na verdade, tento apenas dar uma diretriz que pode posteriormente ser trabalhada pelos seus descendentes.
Em 18 de outubro de 1753, foi passada uma carta patente do posto de capitão de Infantaria da ordenança da Freguesia de Goianinha do Regimento desta Capitania, de que era capitão-mor Gaspar de Albuquerque Maranhão a Manoel Pegado de Siqueira.
Encontro, ainda, nos assentamentos de praça, que: Manoel Pegado de Siqueira, solteiro, morador em São Gonçalo, filho de Aurélio José Gomes, de idade de 12 anos, senta praça por ordem do Governador Interino e intervenção do senhor Vedor Geral, em 27 de dezembro de 1788; que João Pegado dos Santos, homem branco, natural de São Gonçalo, filho de Aurélio José, solteiro, de idade de 22 anos, senta praça, por ordem do senhor governador desta capitania em 27 de novembro de 1791.
Alguns filhos de Aurélio José Gomes tinham sobrenome Pegado, por conta da ascendência de sua mulher, como podemos ver do batismo a seguir: No dia primeiro de junho de 1772, nascia Josefa, filha legítima de Aurélio José Gomes e Antonia Camelo, neta pela parte paterna de Hipólito de Sá Bezerra, natural de Viana, e Joanna Barbosa de Albuquerque, desta Freguesia, e pela materna de Manoel Pegado de Siqueira e Violante Camelo, que foi batizada na Capela de São Gonçalo, aos 18 do mesmo mês e ano, tendo como padrinhos Antonio da Silva de Carvalho, casado, e Joana Maria Bezerra, filha de Antonio José de Lemos.
Outro assentamento dá conta que: João Francisco de Salles, filho de João Pegado de Siqueira, natural e morador nesta Ribeira do Assú, branco, solteiro, de estatura baixa, boca pequena, nariz grande, olhos fundos, com pouca barba, com idade de 19 anos, assenta praça, em Revista de 27 de julho de 1789.
Aos 24 de novembro de 1774, na Capela de São Gonçalo, na presença de Manoel Álvares de Morais Navarro, solteiro, e João de Oliveira Casado, Francisco Pereira de Brito, da Freguesia de Extremoz, filho legítimo de Antonio Pereira de Brito e Arcângela Teixeira, casou com Ana da Rocha, filha legítima de Manoel Pegado de Siqueira e Marcelina Barbosa.
Luis, com um mês, filho do capitão-mor Jerônimo Teixeira da Costa, natural desta e de Thereza de Jesus Maria, natural de Area, neto paterno de Manoel Teixeira Casado, natural de (ilegível) e dona Rosa Maria Josefa, natural desta, e materno de João Pegado de Siqueira, natural de Goiana Grande, e Theodosia Pereira de Jesus, natural de Cunhaú, foi batizado na Capela de São Gonçalo aos 24 de janeiro de 1782, sendo padrinhos o Doutor Provedor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim por procuração que apresentou na pessoa do Reverendo Coadjutor Luis Pedro de Vasconcelos, e Rosa Isabel Joaquina de Albuquerque Gondim, filha solteira do dito Provedor por procuração na pessoa de Dona Rosa Maria Josefa, viúva, moradora no Coité.
Em 6 de abril de 1785, era batizada Rosa, com 12 dias de nascida, filha legítima de Jerônimo Teixeira  da Costa e Thereza de Jesus Maria, neta paterna de Manoel Teixeira Casado e Rosa Maria Josefa, e pela materna de João Pegado de Siqueira e Theodósia Pereira de Jesus Maria, na Capela do Ferreiro Torto, sendo padrinhos João de Moura e Mello e Maria de Góis Vasconcelos.
Em 1798, na Capela de Santa Ana do Engenho Arraial, vamos encontrar o tenente Manoel Pegado de Siqueira e sua filha Maria Francisca de Jesus, sendo padrinhos em um batizado.
Aos 21 de agosto de 1801, na capela de São Gonçalo do Potengi, na presença das testemunhas tenente Antonio Bezerra Cavalcante e Hipólito Freire de Albuquerque, ambos casados, se receberam por esposos, José Domingos Bezerra, filho legítimo de Pascoal Gomes e Catarina Freire de Amorim, com Ana Maria Vitória, filha do capitão Manoel Pegado de Siqueira e Izabel Maria Barbosa, já defunta.
Em junho de 1802, nascia Vicente, que foi batizado aos 13 de julho de 1802, na Igreja de São Gonçalo, e que tinha sido batizado em casa, em perigo de vida, pelo alferes Pascoal Gomes de Lima, sendo filho legítimo de José Domingos de Sá Bezerra, e Dona Ana Maria Vitoria, moradores na Guanduba, neto paterno do alferes Pascoal Gomes de Lima e sua mulher Catharina Freire de Amorim, e neto materno do capitão Manoel Pegado de Siqueira e de sua mulher Izabel Maria Bezerra, naturais de São José, foram padrinhos o sargento-mor Antonio José Soares e Gertrudes Thereza Ignácia, solteiros.
Aos 14 de julho de 1802, na Igreja de São Gonçalo, foi batizada Izabel, nascida aos 30 de junho do dito ano, filha de Hipólito Freire de Albuquerque natural desta Freguesia, e de sua mulher D. Maria Thereza dos Prazeres, natural da Freguesia de São José, moradores na Guanduba, neta paterna do alferes Pascoal Gomes de Lima e de sua mulher Catharina Amorim Freire, naturais desta Freguesia, e pela materna do capitão Manoel Pegado de Siqueira e de sua mulher D. Izabel Maria Bezerra, natural de São José, foram padrinhos Gonçalo Freire de Amorim e Ana Maria Vitória, casada.
Em 6 de setembro de 1804, na Capela de São Gonçalo, Pascoal Gomes de Lima, por procuração de João Pegado de Siqueira, e Antonia Gomes Carneiro, mulher de Bento Luis Gomes de Melo, foram padrinhos de Pascoal, filho de Hipólito Freire de Albuquerque e Maria Thereza dos Prazeres.
Aos nove do mês abril de 1804, na residência do capitão Manoel Pegado de Siqueira, em seu oratório no Engenho da Guanduba, foi realizado o casamento de José Ambrósio Alves da Silva, natural da Freguesia dos Santos Velhos da Cidade de  Lisboa, filho de José Alves da Silva e Izabel Alves da Encarnação, com Francisca Maria Joaquina, filha do capitão Manoel Pegado de Siqueira Cortez e Rosaura Maria da Conceição.Testemunharam o capitão-mor desta capitania, Lopo Joaquim  de Almeida Henriques e o coronel de milícias Joaquim José do Rego Barros, ambos casados. Dos casados acima, registramos que: Aos 7 de junho de 1809, na Capela de São Gonçalo do Potengi, foi batizado José, filho de José Ambrósio da Silva, natural de Santos Velhos da Cidade de Lisboa,  e Francisca Maria Cortez, neto paterno de Manoel (na verdade, José)  Alves da Silva e Izabel Ignacia da Encarnação, e neto materno de Manoel Pegado de Siqueira e Rosaura Maria da Conceição, foram padrinhos, o capitão Manoel Pegado e sua mulher Rosaura Maria.
Vale salientar que Dona Rosaura Maria, esposa do capitão Manoel Pegado de Siqueira, faleceu em 12 de setembro de 1810, com a idade de 50 anos, pouco mais ou menos. Deve ter nascida, portanto, ao redor de 1760. Talvez, tenha sido a última esposa do capitão. Aqui começa a aparecer o sobrenome Cortez.
Há um João Pegado de Souto Maior, que faleceu aos 19 de novembro de 1772, com a idade de 58 anos, tendo sido sepultado na Capela de São Gonçalo do Potengi.
Em 30 de julho de 1811, na Capela de São Gonçalo, era batizado João, branco, com 2 anos, filho de João Pegado e Mariana de Tal, sendo padrinho José Domingos da Silveira, casado, por procuração que apresentou José Antonio dos Santos, e madrinha, Maria Teixeira de  Amorim.
Em 6 de junho de 1813, na Capela de São Gonçalo, era batizada Rita, filha de Manoel Pegado e Maria Anacleta, tendo como padrinhos José Antonio e sua mulher Francisca Cortez.
Em 19 de março de 1814, na Capela de São Gonçalo, o capitão Manoel Pegado de Siqueira e sua filha Rita Maria Cortez foram padrinhos.
Em 5 de julho de 1830, João Pegado de Siqueira e Antonio Caetano Monteiro foram testemunhas do casamento, lá no Assú, de Francisco José de Macedo, filho do falecido tenente José Francisco de Macedo e dona Francisca Dantas Cavalcante, com Maria Francisca da Purificação, filha do capitão Francisco Varella Barca e dona Bibiana Maria de Jesus.
Ismael, filho legítimo de João Pegado de Siqueira Cortez, natural do Rio Grande, e de Dona Francisca Dantas Barbalho, natural do Assú, nasceu aos 19 de julho de 1833, e foi batizado aos 11 de agosto do mesmo ano, por mim nesta Matriz de São João Batista do Assú, e lhe conferi os sagrados óleos, foram padrinhos José da Fonseca Silva e Rosa Francisca Ferreira Souto, casados, todos deste Assu. Joaquim José de Santa Ana, pároco do Assú. Em 1862, Ismael de Siqueira Cortez aparece com padrinho em um batizado no Assú, juntamente com Cândida Maria da Fonseca.
Em 17 de junho de 1862, nascia Manoel, filho de Ismael Maria de Siqueira Cortez e Cândida Maria da Fonseca, tendo sido batizado aos 7 de agosto do mesmo ano, sendo padrinhos José Correia de Melo e Joaquina Maria da Conceição, lá no Assú; em 5 de setembro de 1860, nascia Antonio, filho de Ismael Lucas de Siqueira e Cândida Francisca da Fonseca, sendo batizado aos 17 de outubro do mesmo ano, tendo como padrinhos o Vigário José de Matos Silva e Francisca Teodora Lins Caldas.
Lá no Assú, no batizado de Josefa, filha de José Francisco dos Santos e Francisca Maria do Nascimento, nascida aos 28 de maio de 1836, apareceram como padrinhos o capitão João Pegado de Siqueira Cortez, casado, e Laurinda de Siqueira Barbalho, solteira.
Aos 8 de setembro de 1844, na Vila da Princesa, em Oratório Privado, casava Francisco José de Siqueira Barcelar com Senhorinha Theodora Lins Caldas, na presença do coronel Manoel Lins Wanderley e do delegado Gonçalo Lins Wanderley.
Lá no Assú, aos 30 de setembro de 1848, no Sítio Comboeiro, casava Manoel Antonio de Siqueira Cortez com Rosa Joaquina do Amor Divino, na presença do coronel Manoel Lins Wanderley e João Patrício da Fonseca.
Na Matriz do Assú, em 3 de outubro de 1853, Manoel Thomaz Pereira, filho legítimo de Thomaz Pereira de Albuquerque e Felícia Rosa Maria da Conceição, casava com Luiza Brasiliana Soares da Paixão, filha legítima de João Pegado de Siqueira e Damasia Soares da Paixão, na presença de Manoel de Melo Montenegro Pessoa e Antonio Barbalho Bezerra Junior.
Em 3 de fevereiro de 1852, na Fazenda Camboeiro, Joaquim Targino de Siqueira Cortez desposava Salvina Leocádia Targino de Castro, na presença de João Patrício da Fonseca Silva, solteiro, e José Antonio da Fonseca Silva, casado; deste casal,  nasceu aos 6 de julho de 1863, Joaquim, que foi batizado no Sítio Forquila do Rio, no dia 9 de dezembro do mesmo ano, tendo como padrinhos Francisco Manoel de Moura e Rosa Maria da Conceição.
Em 1894, em uma apuração para deputado ao congresso estadual, João Pegado Cortez Filho, obteve 110 votos.
Na Freguesia de Angicos, no Sítio Lages, em 30 de agosto de 1866, e na presença das testemunhas José Francisco Bezerra e Antonio Fernandes da Rocha, João Pegado de Siqueira, natural da Freguesia de Santa Rita, do Trairi, casou com Maria da Conceição de Jesus, natural de Angicos, ele, filho legítimo de Manoel Pegado de Siqueira e Antonia Maria de Sousa, ela de Manoel Fernandes da Rocha e Mathildes Ludovina  da Conceição.
Em 18 de junho de 1867 nascia Maria, filha de João Pegado de Siqueira e Maria da Conceição de Jesus, que foi batizada no Sítio Boa Vista, ao seis de agosto do mesmo ano, tendo como padrinhos Manoel Fernandes da Rocha e Mathildes Ludovina da Conceição.
Em 31 de agosto de 1879, nasceu Manoel, filho legítimo de João Pegado de Siqueira e Maria da Conceição de Jesus, e foi batizado em artigo de morte, por D. Mathildes Ludovina da Conceição, e pelo padre ex causa, foi batizado condicional, no Sítio Lages, em 29 de setembro do dito ano, tendo como padrinhos João de Melo Tavares e sua mulher Joana Antonia da Conceição, por seus procuradores Benjamim Fernandes da Rocha e a dita Mathildes Ludovina
Na Freguesia de Angicos, no Sítio Lages, Joaquim Pegado de Siqueira Galvão, casa, aos 25 de setembro de 1876, com Francisca Maria, filhos legítimos, ele de José Pegado de Siqueira Galvão e Fulana Monteiro da Rocha, ela filha de João Carneiro do Nascimento e Antonia Carneiro do Nascimento.
Ainda na Freguesia de Angicos, em 1884, Luis Pegado de Siqueira, com 26 anos, natural de Macaíba, casa com Maria Francisca da Conceição, de 20 anos, sendo ele filho de Gonçalo de Siqueira e Alexandrina Maria da Conceição, e ela, filha de Thomaz Clementino da Silva e Francisca Maria da Conceição.
Em Angicos, em data de 19 de agosto de 1903, era batizada Maria, filha de João Pegado de Siqueira e Amélia Maria da Conceição, tendo como padrinhos Francisco José da Silva e Maria Francisca de Jesus.
Em 18 de dezembro de 1853, era batizada Emília, branca, nascida no dia primeiro do mesmo mês e ano, filha legítima de Manoel Pegado de Siqueira e Elvira Leopoldina Fernandes Barros, tendo como padrinhos Manoel Gomes Carneiro e sua mulher D. Francisca das Chagas de Miranda Henriques.
Em 7 de abril de 1859, Alexandre Pegado de Siqueira casou com Francisca Hemenergilda de Oliveira Mendes, ele filho de Jerônimo Pegado de Siqueira e Maria Thereza de Jesus, falecida, e ela de Joaquim Mendes de Oliveira, falecido e Joaquina Teixeira de Moura Mendes, na presença de Ignácio Julino Mendes e João Batista Soares.
Em 7 de janeiro de 1834, na Capela do Ferreira Torto, foi batizado Herocina, nascida aos 24 de dezembro de 1833, filha legítima de Jerônimo Pegado de Siqueira e Maria Teixeira de Moura, moradores na Jacobina, sendo padrinhos Manoel Teixeira de Moura Junior e Josefa Teixeira de Moura, solteiros.
Em 2 de outubro de 1866, aqui na Matriz, era batizado Francisco, mulato, filho de Alexandre Pegado de Siqueira e Francisca Hermenegilda Pegado de Siqueira.
Em 30 de junho de 1860 era batizada Izabel, filha de Jerônimo Pegado de Siqueira e Maria Francisca dos Prazeres, tendo como padrinhos Alexandre Pegado de Siqueira e Izabel Maria de Moura Mendes.
Em 9 de janeiro de 1865, era batizado em Ceará Mirim, Jerônimo, filho de Manoel Pegado de Siqueira e Francisca Pegado de Siqueira, tendo como padrinhos Francisco Tavares Pessoa de Araújo Junior e D. Izabel Maria de Oliveira Mendes
Já do século vinte, encontramos que: aqui, na Matriz, em 27 de novembro de 1918, Marcos, filho de João  Pegado Cortez e Ana Benigna Pegado Cortez, é batizado, tendo como padrinhos Jorge Barreto de Albuquerque Maranhão e Dona Maria Augusta de Albuquerque Maranhão.
Clivaneide, filha de Lucrécio Pegado Cortez e Anália Campos Cortez, nascida aos 20 de março de 1931, era batizada aos 28 de junho do mesmo ano, tendo como padrinhos Antonio Batista Malheiros e Rosita Pugliazi Malheiros.
Aos 31 de julho de 1932 era batizado Cleóbulo, filho de Manoel Genésio Cortez Gomes e Maria da Natividade Cortez Gomes, tendo nascido aos 28 de janeiro do mesmo ano, sendo seus padrinhos José Borges de Oliveira e Maria Neiva Borges de Oliveira; Aos 2 de janeiro de 1940, era batizada Margarida Cortez Gomes, filha de Manoel Genésio Cortez Gomes e Maria de Natividade Cortez Gomes, neta paterna de José Gomes de Melo e Ana Gomes Cortez, e materna de Manoel Marcolino da Silva e Maria Gomes da Silva, que nasceu aos 18 de novembro de 1939, tendo com padrinhos Dr. Ewerton Dantas Cortez e D. Genura Ramalho Cortez; ainda do casal Manoel Genésio e Maria da Natividade, nascia Marta Cortez Gomes de Melo, aos 5 de novembro de 1946, tendo sido batizada aos 11 de dezembro do mesmo ano, tendo como padrinhos Aras Cortez Gomes e sua esposa D. Joana Cortez Gomes.
Em nove de agosto de 1945, nascia meu colega de Marista, João Eduardo Cortez Barros, filho legítimo de Oton Ozório de Barros e Inês Cortez Barros, neto paterno de Manoel Ozório de Barros e Guilhermina Dantas Cortez Barros, e materno de João Elias Cortez e Alexandrina Gomes Cortez, tendo sido batizado aos 14 de outubro do mesmo ano, tendo como padrinhos Manoel Umbelino Gomes de Macedo e D. Elita Cortez Gomes. Nas margens do registro consta que casou aos 2 de março de 1973, com Eva Cristina Maciel Arruda Câmara.