terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Flores, as tragédias de Zé Leão e João Porfírio




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Desde pequeno que a expressão “mata e queima” povoa a minha mente, sem que eu tivesse maiores detalhes do que ocorreu no passado, na minha família. Ademais, fatos ocorridos, em anos mais distantes, vão se tornando lendas com todos os acréscimos e variações que a mente é capaz de produzir.
Encontro, agora, em velhos jornais, o fio da meada. No “Jornal da Tarde”, de 9 de maio de 1877, havia um elogio a ação do Chefe de Polícia, Ernesto Chaves, exemplificado pela proposição da demissão de João Porfírio do Amaral, subdelegado do distrito de Flores, termo de Acari, em virtude dessa autoridade está envolvida no assassinato de José de Souza Leão, aos 5 de janeiro do ano de 1877. Segundo o jornal, João Porfírio foi pronunciado no art. 192 do código penal, como mandante, e Francisco Nunes da Silva e Antonio da Costa com mandatários.
Nos jornais do Rio de Janeiro, daquele ano, consta nas informações sobre José Leão, que esse indivíduo nutria indisposição com pessoas da família Toscano ali residente, por causa de uma questão de terras.
É fato que João Porfírio foi casado na família Toscano, como podemos ver do registro a seguir: Aos quatro de fevereiro de 1862, pelas oito horas da manhã no Sítio Quixodé, desta Freguesia de Acari, uni em matrimônio, e dei as bênçãos nupciais servatis servandis, sem impedimento algum, obtendo dispensa de parentesco, meus paroquianos João Porfírio do Amaral, e Maria Joaquina de Jesus, filhos legítimos, ele de Alexandre Garcia do Amaral e Maria Angélica do Rosário, e ela de Joaquim Toscano de Medeiros, e Antonia Alexandrina de Jesus; foram testemunhas Joaquim Thomaz de Aquino e Joaquim Urbano de Araújo. Vigário Thomaz Pereira de Araújo.
Posteriormente, encontro, no jornal “Gazeta do Natal”, de 16 de fevereiro de 1889, uma notícia relacionada a João Porfírio, que transcrevo para cá.
No distrito de Flores, termo da Vila de Acari, na noite de 31 de janeiro para amanhecer do dia 1º do corrente, após o estampido de forte descarga elétrica, por entre os clarões dos relâmpagos, caiu um raio sobre a casa de um tal João Porfírio, ali morador, matando instantaneamente as duas filhas deste, já moças.
Esta lamentável ocorrência nos foi transmitida em carta de 4 de abril deste mês, na qual  se nos faz as seguintes reflexões:
Realmente, a morte das duas moças, filha de João Porfírio, fulminadas por uma chama elétrica no meio de uma trovoada animadora, com prenuncio de um bom inverno, tem produzido sérias cogitações no espírito daqueles que acreditam no “castigo dos pais até a sétima geração”.
João Porfírio assassinou José Leão cujo corpo ele, com outros corréus, lançou às chamas de uma fogueira quando ainda estava vivo.
Esse fato assustador, medonho e de descomunal ferocidade, fez espécie em toda província e acha-se registrada nos relatórios e importantes peças oficiais desde o tempo do ex-presidente Satyro Dias.
João Porfírio e seus comparsas foram processados naquele tempo, mas hoje se acham livres de pena e culpa pela escandalosa proteção que lhes foi dispensada no Tribunal de Júri do Acari, figurando como protagonista de todo este cortejo de mais revoltante moralidade o protetor ostensivo dos réus denominados queima gente, o coronel José Bezerra compadre e intimo de João Porfírio!
O Dr. Juiz de Direito, Francisco Clementino Chaves, sabe bem dessa história, e o promotor interino, o deputado Santa Rosa (Cipriano), escolhido a dedo para o gloriosos triunfo de seu irmão José Bezerra (da Aba da Serra), também pode referi-lo com a isenção e pureza do seu caráter.
Passaram-se os tempos, a impunidade foi exultada pelos “homens sérios” desta terra, até que agora, diz o povo, aparece o castigo do céu sobre inocentes criaturas que pagaram com usura as culpas de ferozes assassinos, altamente protegidos. A notícia do jornal “Gazeta do Natal” termina com a frase: São insondáveis os decretos de Deus.
Três irmãs de João Porfírio foram casadas com três filhos de meus tetravós, Thomaz Lourença da Cruz e de Maria Rosa do Nascimento: Maria Alexandrina de Jesus (2º casamento) com Ignácio Rodrigues da Cruz (2º casamento), gerando minha bisavó, Rita Maria da Conceição; Ritta Joaquina de Medeiros com Joaquim Theodoro da Cruz, gerando o tenente Laurentino Theodoro da Cruz, que dá nome a um município do Rio Grande do Norte; e Ignácia Maria da Conceição com Manoel Rodrigues da Cruz, gerando meu bisavô Alexandre Garcia da Cruz. Um filho dos meus bisavós, Alexandre e Ritta, listados acima, casou com uma neta de João Porfírio, como podemos ver do registro a seguir.
Aos dez dias do mês de outubro de 1923, no Sítio Trapiá, desta Freguesia, depois das denunciações canônicas, e sem aparecer impedimento algum, nas presenças das testemunhas Thomaz Garcia da Cruz, e João Porfírio Netto, assisti ao recebimento matrimonial de meus paroquianos Celso Mariano da Cruz, com Corina Clotildes do Amaral, filhos legítimos, ele de Alexandre Garcia da Cruz e Ritta Maria da Conceição, e ela de João Porfírio do Amaral (Filho)), já falecido, e Maria Purificação da Senhora: os nubentes foram dispensados do impedimento do 3º grau igual e simples de consanguinidade; o nubente é natural desta Freguesia, e a nubente é natural de Flores, e ambos residentes nesta Freguesia. O vigário Ulisses Maranhão.
Zé Leão virou símbolo de adoração, e até ganhou uma capela em Florânia. Até a data do seu passamento foi alterada. Nos vários artigos que encontramos na internet, é dado seu assassinato, como se fosse 20 de janeiro, dia de São Sebastião.
Capela de Zé Leão

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Cândida da Natividade e Maria Christina




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Recebi, por e-mail, um pedido do Dr. Geraldo Pereira, nos seguintes termos: meu caro João Felipe da Trindade, encontrei a sua bem organizada página na Internet, tratando de história e genealogia.  

Eu estou procurando um detalhe de meu bisavô, Vicente Ignácio Pereira, que foi médico no Ceará-Mirim; detalhe que francamente não tenho obtido sucesso em minhas buscas, navegando por blogs e ligando para amigos no RN. Sou filho de Nilo Pereira, historiador e escritor, nascido no verde vale do Ceará-Mirim. Vejo que você é meu colega duplo, porque professor como eu - aposentado da UFPE - e membro do Instituto Histórico. Eu encontrei por aqui no Recife, um trabalho de meu bisavô sobre cólera e sendo eu médico, como ele, achei por bem escrever sobre a publicação, aliás, com algumas antecipações dele. 

O claro em meu ensaio, que deve ser apresentado na Academia Pernambucana de Medicina e publicado na Revista do IAHGP, é o da doença de uma das filhas de Vicente, falecida aos 15 anos de idade e que fez o pai jurar, diante do esquife, que deixaria a medicina, como aconteceu. Não sei de que doença essa moça morreu e quando foi isso. Na sua página não existe nada sobre isso, mas pode ser que me ajude. Eu tinha por aqui o livro de Cascudo sobre o RN, mas não há jeito de encontrar. Pode ser que exista alguma referência sobre isso, pois o meu bisavô foi Vice-Presidente da Província e assumiu a Presidência por pouco tempo.

Com as informações passadas pelo Dr. Geraldo, fui vasculhar livros de óbitos de Ceará-Mirim, mas não encontrei nada. Mas, pela importância que teve na nossa Província, Dr. Vicente Ignácio, fui procurar nos velhos jornais, digitalizados pela Hemeroteca Nacional, alguma indicação sobre a filha falecida. No Correio do Natal, de 16 de novembro de 1878, cujo redator era João Carlos Wanderley, encontrei uma informação que transcrevo, em parte, para este artigo, a seguir.
Ela foi receber no céu a recompensa que o Altíssimo lhe tinha destinado, como galardão de suas reconhecidas virtudes.

Ao gélido sopro da morte, crestou-se para sempre uma das mais belas e esperançosas flores de Ceará-Mirim!

Como uma rosa que emurchece, ou como uma estrela que de súbito se oculta no ocaso, assim finou sua precoce existência, no infausto dia 8 corrente, pelas 5 horas da manhã, no Engenho Guaporé, do município de Ceará-Mirim, a Exma. Sra. D. Maria Christina Varella Pereira, muito digna e virtuosa filha do nosso prestimoso amigo o Sr. Dr. Vicente Ignácio Pereira.

Tais eram os predicados da ilustre finada, e tais os dotes que a recomendavam, que vacilamos em descrevê-los!

Na idade de 13 para 14 anos, quando se sentia estremecida e cercada dos afetos e carícias de seus pais, irmãos e parentes, uma hemorragia nasal veio roubar-lhe prematuramente a preciosa existência, e separá-la do mundo terreno para ir  na pátria celestial receber das mãos do Altíssimo a recompensa destinada à suas preclaras e reconhecidas virtudes.

Sim, a negra mão da morte não quis que aquela que tinha tantos e tão invejáveis predicados naturais, herança de seus dignos progenitores, permanecesse por mais tempo na terra!

Conhecendo de perto a mágoa que eflige neste momento o coração de seus pais, irmãos e parentes, causada por aquele infausto passamento, o qual veio sem dúvida abrir no seio da família da ilustre donzela uma lacuna impreenchível, e como prova de amizade e estima que lhe consagramos, viemos também por este meio na gélida porta do seu túmulo, no cemitério do Engenho  São Francisco, onde foi dado seu corpo à sepultura pelas 5 horas da tarde do mesmo dia, um ramo de roxas saudades, suplicando ao Altíssimo coloque sua alma na mansão dos anjos.

Foi o link dessa página do Correio do Natal, que passei para Dr. Geraldo, acreditando ser essa informação o detalhe que ele tanto procurava para completar o claro no seu trabalho.

Feita a apresentação, descobri, posteriormente, um registro de óbito na Freguesia de São José de Angicos, que me surpreendeu, pois a mesma doença levou a óbito, outra filha do Dr. Vicente Ignácio Pereira e de sua esposa, filha do barão de Ceará-Mirim.

Aos 13 de maio de 1885, faleceu Cândida da Natividade Varella Pereira, filha legítima do Dr. Vicente Ignácio Pereira e Izabel Augusta Varella Pereira, da Freguesia de Ceará-Mirim, livre, solteira, e brasileira, com 15 anos de idade, sem profissão, sendo a causa morte hemorragia nasal, e o lugar do óbito, no domicilio; o seu cadáver, por mim encomendado, foi sepultado no Cemitério Público desta Vila, em catacumba, no dia 14 do dito mês, e ano; do que mandei fazer este termo em que assino. O Vigário Felis Alves de Souza.

O Barão de Ceará-Mirim tinha uma fazenda em Angicos, denominada Santa Luzia. É possível que Cândida tenha ido para lá a fim de se tratar da sua doença, pois, para Angicos foram várias pessoas cuidar da saúde. Talvez, essa segunda morte na família é que tenha levado Dr. Vicente a decidir por abandonar a medicina.

Continuo conversando, via e-mail, com Dr. Geraldo Pereira, que ultimamente me passou mais a seguinte informação: Um fato, porém, importante é a frequente alusão em casa, por parte dele (Nilo Pereira), ao fato de ser descendente de uma família na qual havia uma doença hematológica, que ele, meu pai, dizia que era hemofilia, mas não era. Talvez isso justificasse os dois óbitos! É que falei com uma hematologista lá do Recife, por duas vezes, obtendo dela a informação de que pode ter sido uma discrasia sanguínea, seja de cunho celular propriamente, isto é, em termos de doença das plaquetas ou da coagulação mesmo.
Cândida da Natividade




terça-feira, 2 de dezembro de 2014

João Evangelista da Costa, lá em Mangue Seco




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Angicos e Macau estiveram, durante algum tempo, ligados, umbilicalmente. Cada um pertenceu a Freguesia do outro, em algum momento. Vários angicanos tiveram interesses na região salineira. Frei Aníbal de Genova, por volta de 1762, viajou pelo interior do Rio Grande do Norte e, quando saiu de Caiçara, seguiu para Mangue Seco (era neste distrito que residiam, antigamente, Francisco Xavier Torres e sua esposa Maria Gomes da Silva, doadores das terras para a construção da Capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré), terra deserta e arenosa do litoral atlântico, onde viviam algumas famílias de criadores, onde a água era de mau paladar e semi-salgada. Passou quatorze dias lá, onde confessou 834 comungantes, ficando edificado com a piedade desses pobres moradores.

Foi nesse Sítio de Mangue Seco que casou o angicano João Evangelista da Costa, irmão do meu tetravô, o tenente-coronel, Antonio Francisco Bezerra da Costa, e de Vicente Ferreira Barbosa. Vejamos o registro.

Aos dezessete dias de novembro de mil oitocentos e vinte e nove no Sítio Mangue Seco desta Freguesia de Santa Anna do Mattos, depois de obtida a dispensa do impedimento do terceiro grau de sanguinidade atingente ao segundo, e tendo precedido as canônicas denunciações sem impedimento, o Reverendo José Berardo de Carvalho, de minha licença, ajuntou em matrimônio, e deu as bênçãos nupciais aos meus paroquianos João Evangelista da Costa, e Anna Ferreira de Moraes, naturais e moradores nesta Freguesia: ele, filho legítimo de Antonio Barbosa da Costa, já falecido, e Claudiana Francisca Beserra; ela, filha legítima de Antonio Ferreira de Moraes, e Antonia Theresa (de Jesus), sendo testemunhas João Manoel da Costa, Francisco Chavier de Sousa, e José Alexandre da Costa, que com o dito Reverendo assinaram o assento, que me foi remetido, pelo qual fiz o presente, que assino. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva.

Anna Ferreira de Moraes era irmã de Claudiana Evarista Ferreira de Moraes, 3ª esposa de Vicente Ferreira Barbosa, irmão de João Evangelista. João Manoel da Costa (e Mello), meu tio-trisavô, era primo legítimo do noivo. E José Alexandre (Solino) da Costa, era outro irmão do noivo.

Entre os filhos de João Evangelista da Costa e de sua esposa Anna Ferreira de Moraes, encontramos os registros de casamento de alguns, que, em sua maioria, casaram com parentes.

Na Matriz de São José de Angicos: Maria Joaquina Evangelista da Costa casou, com dispensa de consanguinidade e afinidade lícita, em 1 de novembro de 1862, com Gonçalo Maciel de Abreu, viúvo de Josefa Clara da Costa,  e filho de Gonçalo Maciel de Abreu e Maria da Conceição, finada; Maria Ferreira Evangelista da Costa casou, em 1 de setembro de 1879, com José Gomes da Silva, filho de Bernardo Gomes da Silva e Valéria Libânia  da Silva Xavier; Agostinha Monteiro Maria de Souza casou, com dispensa de consanguinidade, aos 25 de setembro de 1872, com Antonio Thomaz de Aquino de Souza, filho de Luiz Pinheiro Nunes de Souza, falecido, e Marianna Clementina Nunes de Souza.

No Sítio Curral dos Padres: Manoel Evangelista da Costa casou, com dispensa de consanguinidade, em 8 de janeiro de 1868,  com Maria Francisca da Conceição, filha de Paulo Gomes de Mello e Margarida Maria da Conceição; Júlia Evangelista da Costa casou, com dispensa de consanguinidade,  em 2 de dezembro de 1865,  com José Bezerra Xavier da Costa, filho de Antonio Francisco Bezerra da Costa e Vicência Ferreira da Costa.

No Sítio Lages: José Evangelista da Costa casou, com dispensa de consanguinidade, em 7 de janeiro de 1866, com Maria Francisca Xavier, filha Ignácio Pereira de Abreu e Joanna Francisca da Trindade.

No Sítio Angico Caído, da Freguesia de Macau: Felipe Brasiliano da Costa casou, em 30 de novembro de 1866, com Maria Joaquina da Conceição, filha de Vicente Aires de Sousa Monteiro e Joaquina Maria da Conceição.

No Sítio Carapebas: Maria Martins Ferreira casou, com dispensa de consanguinidade, em 7 de janeiro de 1859, com João Inocêncio Xavier de Sousa, filho de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca da Costa.

Dona Anna Ferreira de Moraes faleceu aos 2 de dezembro de 1883, de reumatismo, com a idade de 75 anos. Deve ter nascido por volta de 1808. Um dos pais de Anna Ferreira de Morais era primo legítimo de João Evangelista da Costa. Não consegui descobrir qual deles, se Antonio Ferreira de Moraes ou Antonia Thereza de Jesus.
Casamento de João Evangelista e Anna Ferreira

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Rufino Álvares de Clavasino Costa


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e INRG
Rufino foi dono do Sítio Sacco da Freguesia de Macau, e vendeu uma parte de terras nas sobras desse mesmo Sítio, que se tornou depois o Alto do Rodrigues, para o capitão Joaquim Rodrigues Ferreira.

Para conhecê-lo melhor, vejamos o seu casamento: Aos oito dias do mês de fevereiro de 1853, às onze horas da manhã, na capela de Nossa Senhora da Conceição da Vila de Macau, na presença do Reverendo Ignácio Damazo Correa Lôbo, de minha licença, e das testemunhas Nicolau Vieira de Mello e José Correa de Mello, casados, e moradores nesta Freguesia, se uniram em matrimônio por palavras de presente, e receberam as bênçãos nupciais, os meus paroquianos Rufino Álvares de Clavasino Costa e Josefa Maria da Fonseca, naturais: ela, da Freguesia de São João Baptista do Assú;e ele desta de São José de Angicos, onde moram, filhos legítimos: ele, de Vicente Ferreira Barbosa, e de Francisca Xavier, falecida; ela de José Antonio da Fonseca e Maria Magalona de Jesus, falecidos: do que fez o dito padre este assento, que remeteu-me, e pelo qual faço este termo, em que me assino. O vigário Felis Alves de Sousa.

A testemunha Nicolau Vieira de Mello tinha casado, na Ilha de Manoel Gonçalves, com uma irmã da nubente, de nome Maria Francisca da Fonseca.

O pai do noivo, Vicente Ferreira Barbosa, foi figura de destaque em Angicos e vizinhanças. Casou três vezes: a primeira com Francisca Xavier da Costa, filha de Alexandre Barbosa e Joana Barbosa, como se vê da árvore genealógica desenhada por Jacob Avelino; a segunda com Francisca Xavier da Cruz, filha de José Antonio de Mello e Mathildes Quitéria da Cruz, e nessa época viúva de João Pereira Pinto Junior; e a terceira com Claudiana Evarista Ferreira de Moraes, filha de Antonio Ferreira de Moraes e Antonia Thereza de Jesus. Todas as suas esposas eram suas parentas.

Pela simplificação do registro de casamento, não se pode inferir qual das duas Franciscas era a mãe de Rufino, pois ambas eram falecidas quando ele casou. Talvez, Rufino seja filha da segunda, Francisca Xavier da Costa, com quem Vicente Ferreira casou em 1827.

Entre seus irmãos destacamos: Joanna Cordulina Xavier Ferreira, que foi casada com Francisco Machado de Azevedo Costa; Anna Francisca Xavier, que casou com João Ignácio Pereira Pinto, em 1833, cunhado da segunda esposa de Vicente Ferreira Barbosa; Antonio Valério da Costa Bezerra, que foi casado com uma filha de Francisco Xavier de Souza e Josefa Francisca da Costa.
Vejamos um registro de um filho de Rufino, com nome incomum: Neophito, filho legítimo de Rufino Álvares de Clavasino Costa e Josefa Maria da Conceição, nasceu a vinte e um de novembro de mil oitocentos e cinqüenta e seis, e foi batizado, solenemente, nesta Matriz do Assú, pelo Reverendo Coadjutor Elias Barbalho Bezerra, a 12 de março de mil oitocentos e cinqüenta e sete, e foram padrinhos, o major Vicente Ferreira Barbosa e Maria Joaquina da Fonseca, casados, e para constar mandei fazer este assento em que assino. Manoel Januário Bezerra Cavalcanti, Vigário Colado do Assú.

Pelos registros da Igreja, onde aparece como padrinho, como também através de jornais antigos, vemos que Rufino casou uma segunda vez. Não encontramos esse registro de casamento, mas sua esposa, Maria Joaquina da Fonseca, que tinha o mesmo nome da madrinha de Neophito, possivelmente, era irmã da primeira esposa, como era comum naquela época. Um filho do casal Rufino Álvares Clavasino da Costa e Maria Joaquina da Fonseca, nasceu no ano de 1861.
Neophito

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Nossa Senhora da Apresentação, Igreja, Freguesia e Imagem



João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Toda capela ou igreja tem o seu orago, isto é, o seu santo da invocação. Nossa Senhora da Conceição era o orago das capelas da Ilha de Manoel Gonçalves, de Jundiaí e de Guamaré; Nossa Senhora do Socorro era a de Utinga; enquanto São Miguel e Nossa Senhora dos Prazeres da matriz de Extremoz.
O dia 21 de novembro é celebrado como do dia em que Joaquim e Ana fizeram a apresentação da filha Maria ao templo de Jerusalém, segundo tradição da Igreja Católica. Diz Cascudo: foi nesse dia do ano de 1753 que Nossa Senhora da Apresentação procurou sua freguesia. Segundo o mestre: nessa época, numa manhã, foi visto, encalhado numa pedra que as marés respeitam, um caixão. Trazido para a praia, aberto numa curiosidade de terra menina, encontraram a imagem duma Nossa Senhora. Pequena e simples, o manto cobrindo-lhe a cabeça na convenção ritual para a cercadura da coroa simbólica, a Santa sustinha o Deus Menino na curva do braço esquerdo e estendia a destra, dedos unidos e vazios, num gesto de suspender o rosário ou de abençoar, timidamente.
Quando do início da colonização, após a construção do Forte dos Santos Reis Magos, em 1598, começou o trabalho de pacificação dos nossos índios a fim de garantir a fundação da nossa cidade do Natal, que se concretizou em 25 de dezembro de 1599. Nessa data nossa Matriz, na sua forma primitiva estava concluída. Não se sabe a data exata em que foi criada a Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, mas ela já existia muitos anos antes da aparição da imagem, coisa que muita gente não sabe.
Já tive oportunidade de apresentar, em vários artigos publicados no “O Jornal de Hoje”, batismos realizados na nossa Matriz, antes de 1700.
Aqui, para efeito de confirmação documental, apresento a imagem de um batismo que foi realizado no ano de 1691, na nossa Matriz de Nossa Senhora da Apresentação. O livro, de onde foi tirada essa imagem, está hoje no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano.
Batismo na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, 1691