terça-feira, 2 de setembro de 2014

Joaquim Alves Martins e o rapto de D. Joanna Lins




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Em 1871, quando seu pai foi assassinado, em Rosário, distrito de Assú, Joaquim Alves Martins tinha apenas 11 anos, e sendo já órfão de mãe, foi criado, em Cacimbas do Vianna, pelo seu tio e tutor, Manoel José Martins, e a sua esposa Prudência Maria Teixeira.

No ano de 1876 fez petição dirigida ao Juiz de Órfãos, nos seguintes termos: diz Joaquim Alves Martins, deste termo do Assú, órfão púbere, filho legítimo dos finados José Alves Martins e Dona Francisca Martins de Oliveira, que estando contratado para casar-se com D. Joanna Lins Teixeira de Sousa, e achando-se esta raptada e depositada pelo suplicante em casa do Dr. Ignácio Dias de Lacerda, sendo pessoa de sua igualha, e tendo já o suplicante obtido licença de seu tutor para casar-se com ela, vem impetrar de V. S. a graça de confirmar essa licença dando a sua autorização para o consórcio do suplicante, ouvido o seu tutor e o respectivo Curador Geral dos Órfãos: nestes termos pede  a V. S. lhe defira. Joaquim Alves Martins.

Foram ouvidos, então, o Curador de Órfãos e o tio tutor, que se manifestaram conforme transcrição abaixo.

É de justiça que a petição retro seja favoravelmente deferida, porquanto, além do alegado em relação ao tutor e iguala de que fala o suplicante, para mim tem todo peso de razão, o achar-se raptada a moça e depositada na casa, em que está. Cidade do Assú, 28 de abril de 1876, o Curador Geral dos Órfãos, João Francisco Barbalho Bezerra.

Em reverência do respeitável despacho de V. S. tenho a dizer que é verdade que dei licença de que trata a petição retro, para realizar-se o competente casamento, visto ser o meu sobrinho e tutelado igual a moça e também por que a raptou, depositando-a em casa de pessoa distinta do lugar. Fazenda das Cacimbas, 3 de maio de 1876, o Tutor Manoel José Martins.
Posteriormente, Joaquim Alves Martins dá recibo dos bens que recebeu, apto que estava por conta do casamento, nos seguintes termos: recebi do meu tio tutor, o Snr. Manoel José Martins, meus bens e trastes que tive de herança de meus pais e paguei a ele o alcance de 49.514 réis das contas que prestou em juízo em 7 de março de 1876, assim como recebi meus rendimentos desta data em diante, quando tomei conta de tudo que me pertencia por me ter casado com dezessete anos de idade, e com licença do juiz e do meu tutor, e por estarem recebidos passo este que me assino, Fazenda das Cacimbas, 11 de julho de 1876. Joaquim Alves Martins.

Nos meus registros encontro os batismos, somente, de dois filhos de Joaquim e Joana, ambos de nome Manoel, talvez em homenagem ao tio. Devem ter falecido, pois não aparecem na relação dos herdeiros, quando da morte de D. Joana, como podemos ver adiante. Observe como ficou modificado o nome dela.

Em 1922, dez anos após o falecimento de sua esposa, apresenta o seguinte requerimento: Diz Joaquim Alves Martins, que tendo falecido sua mulher Joanna Teixeira Martins, no dia 9 de abril de 1912, no Sítio Água Branca, deste distrito, onde moravam, sem testamento, deixando herdeiros menores e maiores, quer o suplicante, como meeiro inventariante, cabeça de casal, dar a inventário os bens existentes no monte do casal, e assim requer a V. S. que se digne marcar dia e hora para se proceder ao mesmo inventário, no Sítio Água Branca supracitado, em casa de sua residência, com ciência do doutor Curador Geral de Órfãos. Assú, 11 de novembro de 1922, Joaquim Alves Martins.

No título de herdeiros, foram listadas as seguintes pessoas; o viúvo, Joaquim Alves Martins, inventariante, cabeça de casal; Maria Alves da Câmara, casada, não constando com quem, 42 anos de idade; Rita Alves Martins, já falecida depois da inventariada, solteira; Amélia Alves Martins, já falecida, representada por seus filhos menores, José, Joaquim e Sabina.

Manoel José Martins, tutor e tio de Joaquim Alves Martins, casou com Prudência Maria Teixeira, na Fazenda Cacimbas do Vianna, no dia 28 de novembro de 1850, tendo como testemunhas, o major José Martins Ferreira, seu pai, e João Gomes Carneiro e Mello, de São Gonçalo, mas casado com Anna Joaquina Teixeira de Sousa, de Angicos, e criador na dita Fazenda. Essa Prudência, pode ser a filha de Francisco Antonio Teixeira de Sousa e Marianna Lopes Viegas, que pelo inventário da mãe, tinha 6 anos em 1839. Sendo verdadeiro, ela seria irmã de João Lins Teixeira de Sousa, que foi casado com Izabel Felippina, filha de Antonio Gualberto Lopes Viegas, criador na Fazenda Cacimbas do Vianna. É possível, também, que Joanna Lins, esposa de Joaquim Alves Martins, fosse filha de João Lins e Izabel Felippina, e, portanto, sobrinha de Prudência. Meu tio-bisavô, Miguel Francisco da Costa Machado Junior, foi casado com Maria Izabel, filha de João Lins Teixeira de Souza, e no batizado de Maria filha deles, em 1875, foram padrinhos Joaquim Teixeira de Sousa Pinheiro, irmão do dito João Lins, e Joanna Lins, que nessa época era solteira.

Antonio, filho de João Lins e Izabel, foi batizado em Cacimbas do Vianna, em 1857. Os padrinhos foram Francisco Antonio Teixeira de Sousa, avô, e Anna Joaquina Teixeira de Sousa, esposa de João Gomes Carneiro. Quando Manoel Barbalho, irmão de João Lins, casou em 1856, foram testemunhas Manoel José Martins e João Gomes Carneiro. Mais ainda, Manoel José Martins e Izabel Felippina foram padrinhos, em 1857, de João, filho de Francisco Antonio Teixeira de Sousa, e sua segunda esposa Joaquina Lúcia. Assim, me parece, que a família Alves Martins estava entrelaçada com a família Teixeira de Sousa.

Para conhecimento dos nossos leitores, informo que Joaquim Alves Martins era tio-avô de Diúda e José Gobat.
No documento acima vemos as assinaturas de João Lins Teixeira de Souza e de Manoel José Martins Ferreira, no casamento de escravos de João Gomes Carneiro e de João Teixeira de Souza. Vemos também o Visitador condenando o hábito de usar abreviaturas. Sugere que os assentos sejam como o acima.
Na relação acima dos filhos de José Alves Martins, além de Joaquim Alves Martins, estão: José Alves Martins, João Alves Martins, Francisco Alves Martins, Militão Alves Martins, Josefina Emília Alves Martins, Delfino Alves Martins, Maria e Manoel Alves Martins.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Paiacus da Missão do Padre Phelipe Bourel

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Atendendo pedidos do amigo Marcos Pinto, posto mais imagens de assentamentos de índios Paiacus da Missão do Reverendo Padre Phelipe Bourel.




terça-feira, 26 de agosto de 2014

Guilherme Lopes Viegas e sua descendência




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Os inventários são documentos importantes para os estudos genealógicos. Eles recompõem elos perdidos. Marcos Pinto nos enviou um documento, extraído do auto de arrolamento da falecida Anna Jovina Lopes Viegas, que nos ajudou a encontrar os filhos de Guilherme Lopes Viegas, filho do tenente Antonio Lopes Viegas e Anna Barbosa da Costa. Por Anna Jovina ser solteira os bens dela, que faleceu aos dezenove de setembro de 1870, no Sítio Castelo, foram herdados pelos irmãos ou sobrinhos. A mãe de Anna Jovina é citada nesse auto. Com essa informação, e pela relação apresentada, concluímos que Anna Jovina e os herdeiros, seus irmãos, eram filhos de Guilherme Lopes Viegas e Izabel Maria da Conceição. 

Os herdeiros, segundo o documento enviado por Marcos Pinto, foram os descritos abaixo, que complemento com informações de outros documentos.

Manoel Guilherme Lopes Viegas, que era viúvo em 1870, tinha casado com Maria Francisca Romana, no sítio Castelo, em 1848; em dois de agosto de 1849, nascia o filho Pedro, batizado na Matriz no mesmo ano, tendo como padrinhos Francisco José da Silva e Romana Thereza da Conceição. Ana Jovina morava com Manoel Guilherme.

Antonio Lopes Viegas, que casou, em Poço da Lavagem, em 1829, com Joaquina Gonçalves, filha de Antonio José de Lemos e Joanna Maria de Jesus; um filho de Antonio e Joaquina, de nome João, nasceu em 1841.

Damazia Maria Lopes Viegas, que era casada com João Freire de Amorim, moradores no sítio Castelo; o casamento foi na Fazenda do Saco, em 1847, sendo ele filho de Gonçalo Freire de Amorim e Josefa Francisca da Costa, ambos falecidos.

Guilherme Lopes Viegas (Jr.) que era casado com Maria Belizária Ferreira Ximbinha, moradores no Sitio Saco. Guilherme foi casado, anteriormente, com sua prima legítima, Maria do O’ de Jesus, filha do capitão Alexandre Lopes Viegas e Maria Francisca da Conceição. Esse casamento foi em 1834, na Fazenda do Saco. Nessa mesma localidade, conhecida também como Saco dos Lopes, foi batizado, em 1876, Francisco, filho de Guilherme e Maria Ximbinha, tendo como padrinhos Manoel Geminiano Lopes Viegas e sua mulher Rita Maria Teixeira Ximbinha.

Josefa Maria, viúva, moradora nos Grossos; não localizei seu marido, e pelo visto não tiveram filhos.

Maria do Carmo Lopes Viegas, já falecida em 1870, foi casada com João Reinaldo da Fonseca. Foi representada por seus três filhos: Florência Maria, solteira, 16 anos; Luiz Antonio da Fonseca, de doze anos; João Reinaldo, de dez anos, moradores no Paraú; Florência nasceu, na verdade, em 27 de setembro de 1852, e teve com padrinhos, Manoel Guilherme Lopes Viegas e Josefa Francisca Lopes Viegas.

Joana Francisca Lopes Viegas, já falecida em 1870, foi casada com seu primo legítimo Manoel Francisco Lopes Viegas, filho do capitão Alexandre Lopes Viegas e Maria Francisca da Conceição. Foi representada por seus cinco filhos: Manoel Francisco Lopes Viegas Junior, solteiro, de vinte sete anos; Maria Jovina Lopes Viegas, de vinte e seis anos, solteira; José Francisco Lopes Viegas, solteiro, de 22 anos; Alexandre Francisco Lopes Viegas, solteiro de quinze anos; Guilhermina Maria Lopes Viegas, solteira, de 14 anos, moradores no sítio Acauã.

Maria Izabel da Conceição, falecida em 1870, foi casada com seu primo legítimo João Gualberto Lopes Viegas, como consta no registro a seguir: Aos vinte e seis dias do mês de novembro de mil oitocentos e vinte e sete, pelas nove horas da manhã, nesta Matriz de São João Baptista do Assú, em minha presença, e das testemunhas abaixo nomeadas, se receberam por esposos presentes João Gualberto Lopes Viegas e Maria Izabel, meus fregueses, por se acharem dispensados no parentesco que os ligava e terem cumprido as penitências que lhe foram impostas: o esposo de idade de vinte e cinco anos, filho do capitão Alexandre Lopes Viegas e Maria da Conceição, moradores na Freguesia de Santa Anna do Mattos, donde apresentou banhos desembaraçados: a esposa de idade de vinte anos, filha de Guilherme Lopes Viegas, e Izabel Maria, já falecida, naturais e moradores nesta mesma Freguesia, onde se fizeram as denunciações nupciais sem impedimento, e logo lhes dei as bênçãos matrimoniais, sendo primeiramente confessados, e examinados na doutrina cristã, presentes por testemunhas o alferes Alexandre Lopes Viegas e Alexandre Rodrigues da Costa, casados, este da Freguesia de Santa Anna, e aquele desta do Assú. Joaquim José de Santa Anna, pároco do Assú.

Maria Izabel foi representada por seus noves filhos: Izabel Felippina Lopes Viegas, viúva de João Lins Teixeira de Souza; João Marcolino Lopes Viegas, solteiro, 38 anos; Manoel Januário Lopes Viegas casado com Rita Maria; Francisco Antonio Lopes Viegas, de 27 anos; Francisca Maria da Conceição, solteira, de 18 anos; Josefa Bellarmina Lopes Viegas, casada com Joaquim Teixeira de Souza; Maria Francisca Martins, casada com Joaquim José Martins; Manoel Antonio, solteiro de dez anos, moradores na Fazenda Santa Úrsula; Joana Maria da Conceição, casada com João Nicolau de Souza, moradores em Aracati.

No inventário de Maria Francisca o nome do filho dela com o capitão Alexandre Lopes Viegas era Antonio Gualberto. O nome João só aparece no casamento. Antonio Gualberto foi criador lá em Cacimbas do Vianna.


A naturalidade de Balthazar de Moura e Silva

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Em uma das minhas visitas a Macau, tive acesso a um conjuntos de documentos que estão no Museu João de Aquino. Entre esses documentos estão livros da Câmara Municipal de Macau, de vários anos do século XIX. Em um deles encontrei o que se segue referente a naturalidade de Balthazar de Moura e Silva, que foi casado com duas netas do capitão João Martins Ferreira, lá da Ilha de Manoel Gonçalves e Macau.
Balthazar era natural de Mondim de Basto, Freguesia de São Pedro de Athei, Arcebispado de Braga.




segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Notícias de Juvêncio Tassino

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

O Caixeiro era um dos nossos jornais antigos. Tinha como redator o jornalista Pedro Avelino, pai do senador Georgino Avelino. Vez por outra passo a vista nesse antigo jornal.
Foi de lá que tirei essa notícia sobre o professor Juvêncio Tassino Xavier de Menezes, natural de Imperatriz (hoje Martins). Ele foi casado com uma tia-bisavó, a viúva Thereza Maria de Jesus, irmã de minha bisavó, Francisca Ritta Xavier da Costa, que era casada com o tenente João Felippe da Trindade, meu bisavô. Esse Tassino é ascendentes dos Tassinos aqui de Natal. Segue a imagem.

domingo, 17 de agosto de 2014

Cariris ou Cararis = Um assento de praça

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Há muito que escrever sobre a História do Rio Grande do Norte, embora muitos documentos já desapareceram e outros continuam enfurnados em ambientes de pouco acesso por parte das pessoas. Quem cuida de levar mais conhecimentos para as pessoas? De quem é a obrigação? Por que todos os órgãos que detém informações da História do Rio Grande do Norte não facilitam o acesso e a divulgação desses documentos?

Encontramos muitos assentamentos de praça no IHGRN, que já deveriam ter sido  digitalizados. Nossos índios e negros, também, fizeram parte da nossa força de defesa.

Segue um assento de praça de um índio em 1699.

No documento acima está escrito, que : Manuel, tapuio forro da nação Cararis tem sua Aldeia na jurisdição da capitania da Paraíba, senta praça de soldado nesta companhia desde 22 de outubro de 1699 anos. E vence  mil oitocentos e sessenta e seis de soldo por mês, na forma do assento do Conselho da Fazenda. Lançado no livro 2º a folha 79 verso, e não vencerá mais coisa alguma. Manuel Gonçalves Branco.

Na parte superior consta que houve baixa, por ter falecido em 4 de agosto de 1706. Queiroz

sábado, 16 de agosto de 2014

Notícias do meu bisavô, cirurgião Francisco Martins Ferreira, 1872

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Sempre foi do meu interesse saber o que faziam meus ascendentes. Vasculho, continuamente,  jornais antigos em busca dessas informações. Quando meu bisavô paterno Francisco Martins Ferreira faleceu, em 1877, tinha o título de tenente cirurgião. Isso me deixou inculcado. Onde ele tinha adquirido essa condição de cirurgião? Até hoje não descobri.

Recentemente, encontrei no jornal "O Assuense" notícias sobre um surto de varíola na região de Angicos, no ano de 1872.  Por essa informação fica comprovada o exercício de cirurgião, por parte do meu bisavô.

Dois indivíduos chegaram da Vila de Santa Águeda, afetados com a varíola. De imediato, com providências da policia e dos Esculápios, estabeleceu-se uma casa para servir de Lazareto.  Esses dois que chegaram em 29 de dezembro, no dia 12 do mês seguinte, já saíram curados. 

O numero de acometidos da varíola foi de sete indivíduos, três foram tratados pelo homeopata Francisco Germano da Costa Ferreira e quatro pelo cirurgião Martins Ferreira (meu bisavô Francisco Martins Ferreira). Segundo a notícia, dois desses foi tratado por estipêndio, dos quais um faleceu. Dos três de Francisco Germano, dois foram tratados por recompensa pecuniária.

A varíola desenvolveu-se,  também, na casa de João Teixeira dos Santos, atacando toda a família, em número de sete pessoas, sendo tratado pelo homeopata Francisco Germano da Costa Ferreira, gratuitamente.

No Arraial de  Gaspar Lopes, onze foram acometidos, sendo tratados pelo homeopata Domingos Antônio de Araújo, residente em Macau, mediante uma módica paga, como cita o jornal.

Em toda a região o numero de acometidos chegou a vinte e cinco.

Esse homeopata Francisco Germano da Costa Ferreira era filho de Florêncio Octaviano da Costa Ferreira e Ignez Lucania da Costa Ferreira. Casou a primeira vez com Emília Victoriana Xavier de Menezes, que faleceu de parto, com 40 anos, em 1887. Casou depois com Valeriana Maria, filha do tenente coronel João Luiz Teixeira Rola. Este último casal gerou em 1902, Wanderlinden Germano da Costa Ferreira. Francisco Germano ocupou, por concurso, o cargo de Escrivão de Órfão, Cível, Judicial e Notas, que era exercido anteriormente por seu sogro Francisco Xavier de Menezes. Wanderlinden sucedeu o pai no Cartório de Angicos.



terça-feira, 12 de agosto de 2014

João de Deus Gonçalves, do Reino de Portugal para Angicos




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
João de Deus Gonçalves deixou grande descendência em Angicos e outras localidades deste Rio Grande do Norte. Para começar, vamos ao registro de batismo de um filho, onde aparece a sua naturalidade: Antonio, filho legítimo de João de Deus Gonçalves e Francisca das Chagas de Azevedo, naturais: ele, do Reino de Portugal, e ela, desta Freguesia, onde são moradores, nasceu a dezessete de março de 1853, e foi por mim batizado com os santos óleos, nesta Matriz de São José de Angicos, aos vinte e nove de junho do mesmo ano. Foram padrinhos José Joaquim Fernandes, casado, e sua filha Maria Petronilla Fernandes, solteira, por seus procuradores João Teixeira de Sousa, casado, e Francisca Joaquina de Deus Gonçalves, solteira, todos moradores nesta Freguesia. Felis Alves de Souza. 

Antonio faleceu, no ano seguinte, de sarampo. O padrinho, José Joaquim Fernandes, era português, casado com Maria Martins Ferreira, minha tia-trisavó, filha do capitão João Martins Ferreira, ambos fundadores de Macau. Maria Petronilla, sua filha, foi casada com o português Balthazar de Moura e Silva.

Outros filhos encontrados foram: Anna Florência de Deus Gonçalves, que nasceu aos dezesseis de março, de 1836, e foi batizada, aos 4 de abril do mesmo anos, na capela de São José de Angicos, sendo padrinhos Antonio Lopes de Azevedo Viegas, casado, e Maria Josefa da Conceição. Anna casou, em 21 de novembro de 1870, com Francisco Alexandre Pereira Pinto, filho de Alexandre Francisco Pereira Pinto e Damásia Francisca dos Santos Leal; João Evangelista de Deus Gonçalves, que nasceu aos 26 de dezembro de 1839, e foi batizado aos 6 de janeiro de 1840, sendo padrinhos Francisco Antonio Teixeira, por procuração que apresentou de José Brandão da Rocha, de Pernambuco, e Ignácia Maria da Conceição, por procuração de Anna Martins Ferreira, casada. João Evangelista foi sepultado aos 6 de abril, de 1870, tendo falecido em consequência de uma espinha carnal, com a idade de 31 anos incompletos; José Gorgônio de Deus Gonçalves que nasceu aos 9 de setembro de 1841, e foi batizado, em artigo de morte, por Francisco Antonio Teixeira,aos 15 de outubro do mesmo ano. Casou, em 22 de novembro de 1885, com Rita Xavier da Costa.

Joaquim Firmino de Deus Gonçalves, outro filho de João de Deus e Francisca das Chagas, nasceu aos 10 de janeiro de 1845, e foi batizado, na Matriz de São José de Angicos, aos 19 de março do mesmo ano, sendo padrinhos Cláudio Mendes Brandão, por procuração de Jerônimo Cabral Pereira de Macedo, e Ignácia Maria da Conceição.  Joaquim Firmino casou, em 23 de agosto de 1874, com Maria Pinheiro de Vasconcellos Costa, filha de Miguel Pinheiro de Vasconcellos Costa e de Antonia Egina Francelina de Vasconcelos, na presença de José Gorgônio de Deus Gonçalves. Joaquim Firmino e Maria Pinheiro geraram Joaquim Firmino de Deus Gonçalves Filho, que nasceu aos treze de novembro de 1881, e foi batizado, na Matriz, no primeiro de janeiro de 1882, sendo padrinhos Bacharel Amaro Carneiro Cavalcanti Bezerra (pernambucano) e Maria Fortunata Carneiro, e Maria Magdalena de Deus Gonçalves. Joaquim Firmino Filho casou, primeiramente, com Francisca das Chagas Gonçalves, e quando enviuvou dela, casou com tia Crináura Martins Trindade, irmã de meu pai. Desse último casal nasceu outro Joaquim Firmino, e, também Francisca (Fanny), que faleceu este ano e morava no Recife, mãe de Zelita Faro.

Outra filha de João de Deus e Francisca das Chagas, Quitéria Olímpia de Deus Gonçalves, casou, em 29 de setembro de 1861, com João Felippe Teixeira de Sousa, viúvo, por falecimento de parto, de sua esposa Josefa Carolinda Maria Rosalinda (aos 23 anos de idade, em 24 de junho de 1860). Ele era filho de José Teixeira de Sousa e Maria Manoela da Conceição. Quitéria faleceu de febre, em 27 de março de 1878, com a idade de 40 anos.

Um dos filhos de João Felippe e Quitéria Olímpia foi João de Deus Gonçalves (Janjão), mesmo nome do avô, que casou com minha tia-avó Maria Jovelina da Costa Torres. Deste último casal nasceu Maria Gonçalves, avó de João Felipe de Medeiros, e do senador Carlos Alberto.

Outro filho de João Felippe e Quitéria foi José Tito Teixeira de Souza, que casou em 1887, com Maria Ignácia Xavier de Carvalho, filha de Cosme Teixeira Xavier de Carvalho (meu tio-bisavô) e Francisca Bella Carneiro de Mello. De José Tito e Maria Ignácia nasceram, entre outros: Maria Francisca, mãe de Antonio Xavier (ex-padre); Francisco Tito, pai de Hildebrando (ex-prefeito de Santa Cruz); e José Tito Filho, pai do professor José Tito Junior.

No inventário de Marianna Lopes, esposa de Francisco Antonio Teixeira de Souza, está escrito: Aí foi por ele, juiz, nomeado curador dos órfãos deste inventário, ao tio dos mesmos, João de Deus Gonçalves. A princípio pensei que João de Deus fosse irmão de Francisco Antonio, mas depois concluí que era tio afim, e, portanto, Dona Francisca das Chagas de Azevedo era quem era irmã de Dona Marianna Lopes Viegas, ambas filhas do capitão Francisco Lopes Viegas e  Anna Joaquina de Azevedo. 

Aos 17 de dezembro de 1877, foi sepultado no cemitério público desta Vila, em Catacumba, o cadáver do tenente-coronel, João de Deus Gonçalves, morador nesta Freguesia, casado que era com Francisca de Deus Gonçalves, e falecido de hidropisia, aos dezesseis do dito mês e ano, com todos os sacramentos na idade de 75 anos. Felis Alves de Souza.
Joaquim Firmino Filho

Crinaura Trindade

Francisca (Fany)

sábado, 9 de agosto de 2014

Soldados índios paiacus, da Missão de Padre Felipe Bourel

Por João Felipe da Trindade

Nos assentamentos de praça encontramos vários índios da Missão de Padre Felipe Bourel, personagem da Guerra dos Bárbaros, Vejamos algumas imagens.
Na primeira, de Duarte, transcrevemos, para quem não consegue ler, da forma que segue:
Duarte Coutinho, tapuio forro, de nação Paiacu, da missão do Reverendo Padre Phelipe Bourel, senta praça nesta companhia desde primeiro de novembro de 1704, e vence mil oitocentos e sessenta e seis réis de soldo por mês na forma do assento do Conselho de Fazenda, lançado no livro 2ª a folha 79, verso, e não vencerá mais coisa alguma. José Freire.
Os seguintes de Manoel Amaro e Mathias Furtado são semelhantes.



quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Ascendentes de Dona Maria do Carmo Siminéa




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Recebi, por e-mail, mensagens de Ismar Siminéa e Virgínia Andrade, filhos: ele de Edmilson Siminéa e ela de Manoel Siminéa, um dos gêmeos. Agradeciam e elogiavam a publicação do artigo sobre a origem da família Siminéa. Além disso, Ismar mandou registro de nascimento do pai, Edmilson, onde encontro os pais de Maria do Carmo: eram eles João das Chagas de Azevedo Souza e Luiza Maria Teixeira de Souza. Vamos, pois, buscar a partir daí os ascendentes de D. Maria do Carmo, começando por seu casamento.

Aos quinze dias do mês de dezembro de 1923, na Matriz de Angicos, depois das denunciações canônicas, e sem aparecer impedimento algum, na presença das testemunhas: José Cândido de Souza (irmão do noivo) e Manoel Alves Filho (seu Nezinho), assisti ao recebimento matrimonial de meus paroquianos: Francisco Siminéa Filho, com Maria do Carmo de Azevedo, filhos legítimos, ele de Francisco Pedro das Chagas Siminéa, e Josefa Cândida Alves de Souza, e ela de João das Chagas de Azevedo (Souza), e Luiza Maria Teixeira de Souza, os nubentes foram dispensados do 3º grau igual e simples de consanguinidade.

Uma das filhas desse casal teve o batismo que segue: aos três de janeiro de 1904, batizei a Maria, filha legítima de João das Chagas de Azevedo Souza e Luiza Maria Teixeira de Souza, nascida a três de deste mês e ano, sendo padrinhos Tertuliano das Chagas de Souza e Donzília Alves de Souza.

Luiza, quando casou com João das Chagas, era viúva de Joaquim Francisco Pereira Pinto. Este tinha casado com ela, em 1891, depois de enviuvar de Maria Florência da Costa Ferreira, falecida em 12 de abril desse mesmo ano, com trinta e tantos anos. Com esta última, ele, Joaquim Francisco, tinha casado, em 31 de janeiro de 1886, após ter enviuvado de Maria Martins de Assis Bezerra, filha de Agostino Barbosa da Silva e Sabina dos Santos Martins. Maria Martins tinha falecido em 27 de janeiro de 1885, com 36 anos de idade, de hidropisia.

Os pais de Luiza eram Joaquim Teixeira de Souza e Josefa Belarmina  Lopes Viegas, portanto, mais um Viegas na ascendência de Crisan Siminéa. O casamento deles foi na Fazenda Cacimbas do Vianna, onde nasceu minha avó, Maria Josefina Martins Ferreira. 

Às três horas da tarde do dia dezenove de novembro de mil oitocentos e cinquenta e cinco, na Fazenda Cacimbas do Vianna, o Reverendo Elias Barbalho Bezerra, de licença minha, uniu em matrimônio, e deu as bênçãos nupciais aos contraentes Joaquim Teixeira de Souza e Josefa Bellarmina Lopes Viegas, o nubente da Freguesia de Angicos, e a nubente desta do Assú, servatis servandis: testemunharam Antonio Lopes Viegas Junior e João Lins Teixeira de Souza, casados. 

Nesse casamento não apareceu o nome dos pais dos nubentes. Acredito que esse Joaquim era filho de Francisco Antonio Teixeira de Souza e Marianna Lopes Viegas, pois quando ela morreu, um dos seus filhos era Joaquim de 7 anos, conforme inventário de 1839. Esse João Lins Teixeira de Souza consta, também, na lista dos filhos de Francisco Antonio e Marianna, e tinha na data do falecimento da mãe, a idade de 18 anos. 

Luiza teve o seguinte batismo: filha legítima de Joaquim Teixeira de Souza e Josefa Bellarmina Lopes Viegas, moradores nesta freguesia, nasceu aos dez de dezembro de 1866, e foi por mim solenemente batizada na Matriz de São José de Angicos aos dez de janeiro de 1867, sendo padrinhos Miguel Francisco da Costa Machado e Bernarda Francisca Xavier da Costa. Outra  filha de Joaquim e Josefa Bellarmina era Josefa, que nasceu em 1860, e teve como padrinhos Manoel Martins Ferreira, por seu procurador João Gomes Carneiro e Francisca Batista (Bela) Carneira, solteira. João Gomes Carneiro tinha fazenda em Cacimbas do Vianna e Manoel Martins Ferreira (também Manoel José Martins) era morador dessa mesma localidade (era irmão do meu bisavô, Francisco Martins Ferreira).

No auto de arrolamento (1870) da falecida Anna Jovina Lopes Viegas, o inventariante e, também, herdeiro, foi seu irmão Manoel Guilherme Lopes Viegas. Por ser solteira os outros irmãos, também,  foram  seus herdeiros. Na lista aparecem alguns filhos comprovados de Guilherme Lopes Viegas e Izabel Maria da Conceição. Uma delas, Maria Izabel Conceição, que foi casada com João Gualberto Lopes Viegas, já era falecida em 1870, e, portanto, foi representada pelos filhos, entre eles, Josefa Bellarmina Lopes Viegas, esposa de Joaquim Teixeira de Souza.

Portanto, Josefa Bellarmina era bisneta do fundador de Angicos, tenente Antonio Lopes Viegas. Por isso, Luiza Maria Teixeira de Souza era trineta, e Maria do Carmo Siminéa, tetraneta.
casamento de Francisco Siminéa Filho e Maria do Carmo Azevedo

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