quarta-feira, 22 de abril de 2015

José Gomes Camello e Elena da Paixão


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Nem todos os registros do passado são confiáveis. Vários deles contêm erros de transcrição. Alguns assentos da Igreja eram baseados em termos que vinham dos padres que celebravam as cerimônias. Estes já continham erros e aqueles transcritos, mais equívocos ainda. Em cada registro de um filho de determinado casal, encontramos informações diferentes. Nos registros referentes ao nosso personagem de hoje, José Gomes Camello, encontramos informações diferentes sobre sua naturalidade ou sobre a legitimidade de sua filiação. Vamos começar, inicialmente, com o casamento de José e Elena.

Aos nove de junho de 1766 anos, na capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiahi, filial desta Matriz, corridos os banhos nesta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, naturalidade da nubente, e na Capela do dito Jundiahy, (ilegível) da naturalidade por parte do nubente, de licença minha, se casaram, pelas três horas da tarde, Joseph Gomes Camello, natural da Cidade de Olinda, filho ilegítimo de João Gomes Camello, e de Cosma de Olanda, já defuntos, naturais da mesma Freguesia, com Elena da Paixão, e Souza, natural desta Freguesia, filha legítima de Theodósio de Mendonça Luna, e de sua mulher Joanna Gomes de Oliveira, todos naturais desta Freguesia, na presença de Reverendo Padre Joseph Rodrigues Ferreira, e logo lhes deu as bênçãos nupciais, conforme os Ritos da Sagrada Igreja, sendo presentes por testemunhas que na certidão vieram assinadas, e que fica em meu poder, o tenente Bartholomeu Peres de Gusmão, e Manoel Carvalho de Paiva, do que mandei fazer este termo pelo Reverendo Padre Coadjutor João Tavares da Fonseca, por me achar enfermo, pelo teor do dito assento, em que por verdade me assino. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.

O primeiro filho do casal acima foi Manoel, que nasceu em 1 de novembro de 1767 e foi batizado aos 21 de dezembro do mesmo ano, na Capela de São Gonçalo do Potigi, tendo como padrinhos José Gomes de Mendonça e Maria José da Conceição, mulher de João da Silva. Nesse documento, José Gomes aparece como exposto e natural da Freguesia de  Nossa Senhora do Rosário da Várzea, e os avós paternos não são citados. Em um assentamento de praça, encontro que: Manoel dos Santos Camello, pardo, solteiro, morador no Ferreiro Torto, de idade de vinte e oito anos, filho legítimo de José Gomes Camello, senta praça, por ordem do governador interino, e intervenção do Doutor Vedor Geral, em 27 de dezembro de 1788. Mais adiante, encontro registros de filhos de Manoel dos Santos Camelo, com sua mulher Francisca da Conceição, moradores da Mangabeira, já nos anos de 1800.

Em 5 de julho de 1769, era batizado Floriano, na Capela de Jundiahy, tendo como padrinhos o capitão Francisco Costa Teixeira e sua filha Josefa, não disseram o dia do nascimento, nem os nomes dos avós paternos.

Em 20 de dezembro de 1771 nascia Domiciano, mesmo nome do avô. Seu batizado foi no dia 17 de janeiro de 1772, na Capela de Jundiahy, e teve com padrinhos o capitão Francisco da Costa Teixeira e sua filha Dona Francisca Bezerra.

Francisco nasceu aos 14 de janeiro de 1774, e foi batizado aos 5 de fevereiro do mesmo ano, na Matriz, tendo como padrinhos Theodósio de Mendonça e a filha Leocádia. Sua naturalidade é dada como sendo a Cidade de Olinda.

Miguel nasceu aos 11 de outubro de 1874, e foi batizado, não diz em qual Igreja,  aos 13 de novembro do mesmo ano, sendo padrinhos o alferes Domingos João Campos, e dona Maria Joanna, filha de Bartholomeu Peres. Nesse batismo José e seus pais são dados como naturais de Apipucos, em Pernambuco.

Bonifácia nasceu aos 4 de janeiro de 1781 e foi batizada, em São Gonçalo,  aos 11 de fevereiro do mesmo ano, tendo como padrinhos o capitão Francisco da Costa Jr., solteiro, e Anna Rosa, filha de Thomé de Sousa.

Elias nasceu aos 26 de novembro de 1784, na Capela da Senhora de Santa Anna do Ferreiro Torto, tendo como padrinhos o tenente-general José da Costa, filho do coronel Francisco da Costa de Vasconcellos, e Josefa Maria. Não é citado o dia do batismo.

José foi batizado aos 20 de junho de 1886, na Capela da Senhora de Santa Anna do Ferreiro Torto, tendo como padrinhos José Fernandes, filho de Nicácio Sousa, e Anna Antonia, mulher do dito Nicácio. Nesse batismo José Gomes Camello é dado como natural do Recife, filho de João Gomes Camello e Luisa Cavalgante.

Maria Angélica da Conceição, filha de José Gomes Camello e Elena da Paixão, casou com Luiz Gonzaga de Freitas, natural da Freguesia de São Pedro Gonçalves do Recife, filho legítimo de José Gomes Pinheiro e sua mulher Josefa da Paz de Freitas, aos 18 de maio de 1803, na Matriz, na presença do Padre Simão Judas Tadeu, e tendo como testemunhas, o  sacristão Gonçalo José Dornelles e o tenente Alexandre de Mello Pinto.

Agora, o registro de um neto do casal, José e Elena: Pedro, branco, filho de João Gomes de Oliveira e de Rita Francisca Tavares, nascido em 31 de março de 1798, foi batizado na Capela de Santa Anna do Engenho Ferreiro do Torto, em 22 de abril do mesmo ano, neto paterno de José Gomes Camello e de Elena da Paixão, e pela materna de João Cardoso e Anna Tavares. Foram padrinhos Balthazar de Souza e sua esposa Joanna Batista. Sua naturalidade é dada como da Freguesia da Sé.

Theodósio de Mendonça Luna, pai de Elena, era filho natural de Domiciano da Gama Luna e de Francisca da Costa, e casou, em 1 de setembro de 1739, na Matriz, com Joanna Gomes de Oliveira, que era filha de David Rodrigues de Oliveira e Narcisa Gomes da Costa. Domiciano era filho de Francisco da Gama Luna e de Paula Barbosa. José Barbosa de Sousa, irmão de Domiciano, foi casado com Maria de Oliveira e Mello, filha de Francisco de Oliveira e Mello e de Leonor de Mello e Albuquerque. Em 1710, Francisco da Gama foi padrinho de um filho de Manoel da Costa Bandeira. Suspeito que Francisco da Gama Luna era filho de Antonio da Gama Luna e Maria Borges.
 
David Rodrigues de Oliveira e sua mulher Narcisa Gomes faleceram no mesmo ano de 1771, ele com cerca de 80 anos, e ela com mais de 70 anos. Entre os irmãos de Joana Gomes de Oliveira, encontramos, através de assentamentos de praça, Antonio Rodrigues Sepúlvida, Eugenio Gomes Sepúlvida e Agostinho Rodrigues Gomes. Antonio Rodrigues Sepúlvida foi casado com Thereza Antonia de Jesus, filha de Maria José de Mello, segundo o batismo de David, filho do casal. Uma irmã de Joana, de nome Thereza Maria, foi casada com João da Cruz, filho de João Lins da Silva e Leonor Lins da Silva, todos de Olinda. No registro do filho Felis, consta que David Rodrigues de Oliveira (também Sepúlvida), era natural de Igarassú.

Não encontrei irmãos de José Gomes, mas de Elena da Paixão, sim: Francisco Gomes de Mendonça que era casado dom Ignácia Gomes da Anunciação, filha de Nicácio Gonçalves e Joanna Francisca Gomes (Tracunhaém); Maria Gomes, casada com Bernardo Gonçalves, também filho de Nicácio e Joanna; José Rodrigues Gomes, que casou com Joanna Francisca, filha de Nicácio Gonçalves e Joana Francisca; Manoel da Costa de Mendonça, que casou com Maria Felipa, filha de Agostinho Cardoso Batalha e de Thereza de Jesus. Ainda, em 29 de junho de 1754, nascia Joana, filha Theodósio e Joanna Gomes.
Domiciano Gama Luna



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Quem era Bento Teixeira?


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.

Lá das Alagoas, Fábio Arruda me enviou um e-mail contendo um documento datado de 1711, onde constava o nome de Bento Teixeira e queria saber quem era ele e qual era o nome de sua esposa. Nesse documento, certo João Coelho de Araújo, morador na Capitania da Paraíba do Norte, requereu a cobrança de uma dívida contraída por empréstimo, por Christovão de Olanda Figueroa, que se encontrava preso na cadeia da dita Capitania, e sem bens. Como seu principal fiador era Francisco Camello Valcacer, já falecido, solicitava demandar os herdeiros, os genros por cabeça de suas duas filhas, Hierônimo Cavalcanti de Albuquerque, morador na capitania de Itamaracá, e Bento Teixeira, morador na capitania do Rio Grande.

Sobre Hierônimo, informou que era pessoa muito poderosa, aposentado, rico e afazendado, e aparentado na dita capitania, por ter exercido o posto de  capitão-mor e várias vezes o lugar de Juiz Ordinário e ter assentado praça de soldado só a fim de não ser demandado perante o Corregedor da Comarca, que ia em Correição; e naquela capitania havia Ouvidor e Auditor Donatário e tanto este com as mais justiças da dita Capitania lhes eram subordinados.

Quanto a Bento Teixeira, disse que era sargento-mor, na Capitania do Rio Grande, e que também exerceu várias vezes o posto de Juiz Ordinário, sendo pessoa poderosa, rica e afazendada.

Fui, então, procurar, entre os documentos que fotografei, notícias desse Bento Teixeira. Achei, apenas, quatro informações sobre Bento, todas em documentos que me foram enviados, anos atrás, pelo próprio Fábio Arruda.

No primeiro registro, Bento foi padrinho: Em 12 de junho de 1698 anos, na Capela de Nossa Senhora do O’ da Aldeia de Mipibú, com licença minha, batizou o Reverendo Manoel de Jesus a Phelippe, filho de Miguel da Rosa (Leitão) e de sua mulher Maria Dias; foram padrinhos o capitão Bento Teixeira Ribeiro e Maria de Moraes. Tem os santos óleos. Vigário Simão Rodrigues de Sá.

No documento seguinte, encontramos o batismo de um filho, cujo nome não foi transcrito para o registro: Em 10 de setembro de 1699, na Capela de Nossa Senhora do O’ da Aldeia de Mipibú, com a minha licença, batizou o Reverendo Padre Manoel de Jesus a (em branco), filho do sargento-mor Bento Teixeira Ribeiro e de sua mulher Joanna Camello Valcacer, padrinhos o capitão-mor Bernardo Vieira de Mello e (seu filho) o alferes tenente André Vieira de Mello. Não tem os santos óleos. O coadjutor Antonio Rodrigues Frazão.

O terceiro documento, com partes ilegíveis, datado de 5 de julho de 1693, trata  do batismo, em Mipibú, de Joanna, filha de Domingos Camelo e sua mulher Leonor do Rego, escravos de Bento Teixeira .

O quarto documento é um batismo, também, em Mipibú, de uma escravinha de Bento: em 27 de dezembro de 1707 anos, na capela de Nossa Senhora do O’ da Aldeia de Mipibú, de licença minha, batizou o Padre Antonio de Araújo e Sousa a Luzia, filha de Sebastiana, escrava de Bento Teixeira Ribeiro, e de Manoel Martins de Sá; foram padrinhos o mesmo padre Antonio de Araújo e Sousa e Violante Dias. Tem os santos óleos. Vigário Simão Rodrigues de Sá.

Nada mais encontrei sobre Bento e Joanna. Segundo Fábio Arruda, a única filha que apareceu para Francisco Camelo Valcacer e sua esposa Catarina de Vasconcelos, na Nobiliarquia Pernambucana, foi a esposa de Jerônimo Cavalcante de Albuquerque, com o mesmo nome da mãe, ou seja, Catarina de Vasconcelos. Joanna Camelo Valcacer não foi citada.

Quando Dona Anna da Silveira, mãe de Francisco Camelo Valcacer, fez seu testamento não citou entre os netos beneficiados, o nome de Joanna, É possível que na data desse dito testamento, Joanna ainda não tivesse nascido.

Por aqui, encontramos outras pessoas com sobrenome Valcacer, mas não foi possível estabelecer nenhum parentesco com os membros das família de Francisco Camelo Valcacer: o sargento-mor Manoel Camello Valcacer, como testemunha em um casamento,em 1727, de uma escrava do capitão João Leite de Oliveira; Manoel Valcacer de Morais, padrinho em 1833, lá no Assú; Antonio Camello Valcacer, Vigário Encomendado em Touros, por volta de 1840; Luiz Valcacer da Rocha Pitta; lá em Santana do Matos; e Francisca Barbosa Valcacer, natural de Igarassú, esposa do português, da Ilha de São Miguel, Simão Pereira da Costa; Francisco Carvalho Valcacer, que foi sesmeiro neste Rio Grande, e era casado com Dona Joana Maria da Fonseca.

 
Batismo de filho de Bento e Joanna



terça-feira, 7 de abril de 2015

As dúvidas do Dr. Pares


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Recebi do Dr. Pares Ferreira Pompeu de Sousa Brasil, o seguinte e-mail: Caro Professor João Felipe da Trindade. Lí com especial interesse seu artigo sobre o testamento de D.Clara Joaquina escrito pelo Senador Thomaz Pompeu de Sousa Brasil. Causou-me grande surpresa o comentário sobre a avó do senador que seria Joanna de Melo, casada com o Cel. Antonio José de Sousa Oliveira, filho de Francisco de Sousa e Oliveira e Tecla Rodrigues Pinheiro.Em todos os trabalhos sobre o assunto sempre vejo como esposa de Antonio José a senhora Ana Teixeira de Melo. Gostaria de saber de seu estudo sobre o nome de Joana de Melo, com sobrenome muito parecido com o de Ana Teixeira de Melo, seriam filhas do mesmo casal?

Para resolver as dúvidas de Pares, enviei imagens do casamento de Antonio José com Joanna Ferreira, como também do batismo de Thomas de Aquino, filho desse casal, e pai do senador.

Pelo registro de casamento, Antonio José de Souza e Joanna Ferreira contraíram matrimônio, em 21 de maio de 1779, sendo ele filho de Francisco de Souza e de Tecla Rodrigues, e ela de Francisco Pinheiro Teixeira e Dona Bonifácia Antonia de Mello. Foram testemunhas o tenente e capitão-mor José Baptista Freire, solteiro, e Antonio Carneiro Gondim de Albuquerque.

O registro de batismo de Thomas de Aquino traz os nomes mais completos: Thomas, filho legítimo de Antonio José de Souza e Oliveira, e de Joanna Ferreira de Mello, neto pela parte paterna de Francisco de Souza e Oliveira, e de Tecla Rodrigues Pinheiro, pela materna de Francisco Pinheiro Teixeira e Dona Bonifácia Antonia de Mello, viúva, todos naturais desta Freguesia, nasceu aos sete de março de 1780, batizado pelo Vigário de Extremoz Francisco Nunes de Souza (o mesmo que casou Antonio e Joanna), na Matriz; foram padrinhos o Padre Bonifácio por procuração do Vigário desta Freguesia, Pantaleão da Costa de Araújo, e Bonifácia Antonia de Mello, aos 20 do mesmo mês e ano.

O nome Joanna Ferreira de Mello foi herdado da avó, mãe de Dona Bonifácia, que era casada com Estevão Velho de Mello. Dona Bonifácia faleceu aos 4 de fevereiro de 1807, com 80 anos. Pouco tempo depois, em 2 de abril de 1807, falecia o capitão Antonio José de Souza.  Maria Joaquina de Souza, que nasceu em 1782, uma irmã de Thomas de Aquino, casou em 1804, com Estevão José Dantas, filho do coronel Miguel Ribeiro Dantas e de Antonia Xavier de Barros. Getrudes Tereza de Souza, outra irmã de Thomas de Aquino, foi casada com o primo, Antonio Bezerra Cavalcante, filho de João Cavalcante Bezerra, natural de Olinda, e de sua segunda esposa, Getrudes Tereza Ignácia de Oliveira. Esta Getrudes era irmã de Antonio José de Souza e Oliveira.

Escreveu depois Pares: consta no diário do senador Pompeu que seu pai Thomaz de Aquino faleceu, se não me engano em Guaraciaba do Norte-Ce em 23 de novembro de 1839. Saberia algo mais sobre Francisco de Sousa Oliveira, pai de Antonio Jose de Sousa e Oliveira que alguns colocam ainda o Catunda como último sobrenome.

Em seguida, encaminhei para Pares a imagem do casamento de Francisco de Sousa e Oliveira, que transcrevo para cá: Aos dezessete de janeiro de mil setecentos e trinta e cinco anos, na capela do Senhor Santo Antonio do Potegy, desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações nesta Matriz, e na dita Capela, e na do Senhor São Gonçalo, lugares próximos aonde são moradores os contraentes, e na Matriz de Nossa Senhora do Rosário de Jaguaribe, onde foi morador o contraente, sem se descobrir impedimento, sendo presentes por testemunhas o coronel João Pereira de Veras, casado, o capitão Theodósio da Rocha, viúvo, Dona Theodósia da Rocha, filha do dito, e Paula Barbosa, dona viúva, pessoas todas conhecidas, e moradores desta dita Freguesia, de licença minha, o padre Miguel Pinheiro Teixeira assistiu ao matrimônio que entre si contraíram o tenente Francisco de Sousa de Oliveira, morador que foi na Ribeira do Jaguaribe, viúvo, que ficou da defunta Izabel da Costa, filho legítimo do capitão Felis de Souza e de sua mulher Antonia Leite de Oliveira, já defuntos, e Tecla Pinheiro de Barros, filha legítima de Francisco Pinheiro Teixeira e de sua mulher Maria de Barros da Conceição, natural desta Freguesia e nela todos moradores, e lhes deu as bênçãos, guardando-se em tudo a forma do Sagrado Concílio Tridentino, e pelo assento que veio do dito Padre, mandei fazer este assento em que por verdade assinei. Manoel Correa Gomes.

Valéria Ferreira, uma filha do tenente Francisco de Souza e de Tecla, casou com Antonio Teixeira Coelho, filho do português Antonio Teixeira Coelho e de Ignácia de Abreu. Em 1765, nasceu Mariana filha desse casal, que teve como padrinhos o tenente Francisco Pinheiro Teixeira, casado, e Antonio José de Sousa, solteiro. O padre Pantaleão reclamou do fato de serem padrinhos duas pessoas de mesmo sexo o que contrariava o disposto nos Concílios e Constituição.

Vamos encontrar Felis de Sousa, o pai de Francisco, em 1692, como padrinho de Antonia, filha do capitão Manoel da Costa Bandeira e de Anna Gomes da Costa, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação.

Em 14 de julho de 1697, Felis de Souza e sua esposa Antonia Leite batizaram o filho Felis, tendo como padrinhos João de Souza Pereira Catunda e Antonia Ferreira; em 16 de maio, batizaram, na Capela Santo Antonio do Potengi, João, sendo padrinhos o padre Francisco Bezerra de Góis e D. Margarida da Rocha, filha do capitão Theodósio da Rocha; em 22 de agosto, na mesma capela, batizaram Pascácio, sendo padrinhos Francisco Barbosa e Joanna de Freitas, filha do capitão João da Costa de Almeida.

Esse João Pereira de Souza Catunda, em 14 de dezembro de 1692, foi padrinho, junto com Dona Antonia Leite de Oliveira, de Lautério, escravinho de Jerônimo Cesar e Águeda de Albuquerque; em 1697, foi padrinho de Maria, filha de Paschoal de Freitas Costa e Anna Gomes de Almeida.

Thomas de Aquino, pai do senador Pompeu, era primo legítimo de Frei Miguelinho.

Jazigo de Thomaz Pompeu de Souza Brasil

terça-feira, 31 de março de 2015

O processo 636


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.

Durante muitos anos fiquei sem qualquer conhecimento sobre o que tinha acontecido de verdade com meu pai, de 1935 até 1939. Aqui mesmo, neste jornal, escrevi um artigo intitulado “O telegrafista extremista”, onde retratei os passos dele, Miguel Trindade Filho, após o levante de 1935, baseado em notícias de antigos jornais da época, digitalizados pela Hemeroteca Nacional.

Resumidamente, descobri que ele tinha sido transferido, ainda em janeiro de 1936, da Regional dos Correios de Pernambuco (estava em Recife desde 1926) para a de Mato Grosso, fato que não constava na sua ficha funcional. Na viagem para esse estado, no vapor Poconé, em fevereiro desse mesmo ano, foi impedido de desembarcar em Salvador, acusado de exercício de atividades comunistas. O vapor seguiu viagem para o Rio de Janeiro, tendo sido ele, e Wanderlino Vírginio Nunes, presos a bordo, por investigadores da Polícia Central, no dia 21 de fevereiro. Nesse mesmo ano, em 14 de março, chegavam presos ao Rio de Janeiro, no vapor Manaus, 116 extremistas, estando entre eles, Graciliano Ramos e duas mulheres Maria Joana de Oliveira e Leonila Félix.

Após essa prisão, a única informação que tive a mais desse ano, é que o praticante diplomado, Miguel Trindade Filho, tinha sido exonerado por exercício de atividades subversivas de ordem política e social, em ato de 25 de junho de 1936. A sua nova prisão em 1938 foi decorrente de duas cartas.

Voltei a encontrar novas notícias sobre Miguel Trindade Filho, nesses velhos jornais, somente em 1938. Havia um processo que tratava do julgamento dos participantes do levante de 1935, rolando nesse ano. Era o processo 636, que posteriormente localizei uma cópia microfilmada, no Arquivo Nacional. Fiz a encomenda desse processo, que recebi em CD. É nele que encontrei uma ficha do DOPS e um auto de declaração prestado por Miguel Trindade Filho e outros participantes. Daqui do Rio Grande do Norte, além de papai, aparecem, também, o veterinário, Dr. Raimundo Gurgel Cunha, e o estudante de Direito, José Ariston Filho.

Na ficha do DOPS constava que papai fora preso em 21 de dezembro de 1935, com suspeita de participação no movimento extremista de novembro daquele mesmo ano; que em 18 de janeiro de 1936 foi posto em liberdade e que procedida uma busca em sua residência, por ocasião da prisão, fora apreendido livros e boletins de caráter comunista e que ele confessou-se simpatizante da doutrina marxista; que em 14 de junho de 1938, fora preso em Natal, à disposição da Delegacia, em Recife, como acusado de exercer atividades extremistas.

Nessa ficha ainda constava que em 18 de junho de 1938 fora recolhido ao Presídio Especial; declarou que em fins de abril desse ano, no escritório comercial Oliveira & Cia, situado à Rua Chile, número sessenta e três, em Natal, onde trabalhava, foi procurado por um individuo desconhecido (que se identificou como Cardoso), que lhe disse que o procurava por indicação de José, pessoa que papai não sabia quem era; que tinha uma carta que era dirigida ao declarante, mas como Cardoso lhe dissera para entregá-la a quem procurasse, o declarante assim o fez; que reconhecia na fotografia que foi mostrada na Delegacia, a pessoa de Cardoso, o que sabia naquele momento ser conhecido em Recife pelo nome de Hélio Soares ou  “Amorim”.

No auto de declaração que aparece, resumidamente, na ficha, ele conta que dez dias após essa visita apareceu a pessoa, que ele descreveu como sendo um rapaz de cor morena, estatura regular, trajado modestamente, o qual solicitou a entrega da carta deixada pelo tal Cardoso.

Continuando seu depoimento (o documento tem partes de difícil leitura) Miguel Trindade declarou: que exerceu neste estado (Pernambuco) as funções de praticante diplomado da Diretoria Regional dos Correios e Telégrafos; que após o movimento subversivo de novembro de mil novecentos e trinta e cinco, o declarante foi preso como suspeito, tendo sido posto em liberdade dias depois; que ao passar ao Rio de Janeiro com destino ao Estado de Mato Grosso, para onde fora transferido, o declarante foi detido pela polícia carioca, tendo passado três meses detido, sendo posto em liberdade sem ser ouvido; que então resolveu voltar ao Rio Grande do Norte e abandonou o seu cargo; que não sabe se a carta apreendida por esta Delegacia na agência postal da Praça Maciel Pinheiro e que lhe fora dirigida por Cardoso, também fora escrita pela mesma pessoa que lhe dirigiu a carta que chegou às suas mãos; e como nada mais disse nem lhe foi perguntado, a autoridade mandou encerrar o presente, que lida e achada conforme, me assina com o declarante e comigo Heitor de Araújo de Sousa, escrivão que a escrevi. Edson Moury, Miguel Trindade Filho.

Foi no livro “China Gordo” que Andrade Lima Filho cita papai, com quem esteve preso, em 1938.
Habitavam-na três comunistas que seriam daí por diante meus companheiros de prisão por longo tempo. É curioso: o cárcere, que não conhece a aritmética, soma quantidades heterogêneas. Fizemos logo boa camaradagem. Os polos políticos se encontravam sob aquele meridiano sombrio. Tocavam-se os extremos. Dois deles eram boas praças, idealistas sinceros, a quem, apesar das nossas divergências então acirradas, afeiçoei-me logo. Um, o marinheiro José Leite, que mais tarde eu voltaria a encontrar na Assembleia Legislativa feito deputado. O outro, o Trindade Júnior (na verdade Trindade Filho), um telegrafista norte-rio-grandense, baixote, loquaz, muito lido. Trindade conhecia razoavelmente Marx e sabia de cor todo o "Eu" do Augusto dos Anjos. Mas quando ele vinha com a teoria da "Mais Valia", eu cortava logo a doutrinação, dizendo: - " Marx não, vamos ao Augusto".




quarta-feira, 25 de março de 2015

Roque Rodrigues Correia e Victoriana Maria


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Oficinas e Curralinho foram localidades importantes da História do Rio Grande do Norte. Encontramos vários registros de batismos nessas povoações. Vamos conhecer, hoje, Roque Rodrigues Correia e Victoriana Maria da Conceição, através dos registros batismais dos seus filhos.

O primeiro filho desse casal, que encontramos, foi batizado na Ilha de Manoel Gonçalves, como podemos ver a seguir.

Antonio filho legítimo de Roque Rodrigues Ferreira (na verdade Correia) e Victoriana Maria da Conceição naturais do Assú nasceu aos 27 de março de 1832 e foi batizado aos 9 de junho do dito ano pelo Padre Frei Antonio de Jesus Maria Lobo, de minha licença, no Oratório de Nossa Senhora da Conceição de Manoel Gonçalves e lhe conferiu os Sagrados Óleos; foram padrinhos Antonio Joaquim de Sousa e Thomásia Martins Ferreira casados, todos deste Assú. Joaquim José de Santa Anna, Pároco do Assú; Antonio Roque Rodrigues Correia casou em 1855, com Francisca Maria de Borges, na presença de Manoel Roque Rodrigues Correia e Vicente Rodrigues Ferreira.

O pai de Thomásia, meu tetravô, o capitão João Martins Ferreira, foi padrinho de Joanna, filha legítima de Roque Rodrigues Correia e Victoriana Maria, ambos naturais do Assú, nascida aos 12 de agosto de 1834, e batizada aos 10 de outubro do mesmo ano, no Curralinho, sendo madrinha Maria Gomes.
Aos 11 de setembro de 1835, nascia Francisco, filho de Roque e Victoriana. Ele foi batizado pelo Ilustríssimo e Reverendíssimo Senhor Visitador e Vigário Confessado no Seridó, Francisco de Brito Guerra (foi senador), na Fazenda Morro, da Freguesia de Santa Anna do Mattos, aos 3 de janeiro de 1836, sendo padrinho o mesmo capitão João Martins Ferreira. Francisco Roque Rodrigues Correia casou com Maria do O’ da Conceição.

Pio, que nasceu aos 4 de maio de 1837, e foi batizado aos 20 de agosto do mesmo ano, na Capela de Nossa Senhora da Conceição das Oficinas, teve como padrinhos Silvério Martins de Oliveira (primeiro administrador da Mesa de Rendas de Macau) e Joanna Martins de Oliveira. No registro de batismo, foi anotado, inicialmente, como esposa de Roque, Maria Joaquina dos Santos, mas, depois, corrigido para Victoriana Maria da Conceição.

Em um dos livros de batismos do Assú, encontramos mais quatro filhos de Roque, em sequência, embora os anos de nascimento e batismo fossem diferentes. Eles foram anotados de uma vez só. Acredito que essa transcrição gerou um equívoco, pois em todos eles, aparece com mãe dos párvulos, Dona Maria Joaquina dos Santos, a mesma que teve seu nome assentado, erroneamente, no batismo de Pio. Vejamos quem eram os quatro.

Roque nasceu aos 16 de agosto de 1838, e foi batizado na Capela das Oficinas, a 24 de setembro do mesmo ano, tendo como padrinhos João Baptista dos Santos e Maria Francisca da Luz, casados; Rosa nasceu aos 25 de novembro de 1839, e foi batizada na Capela das Oficinas, aos 25 de dezembro do mesmo ano, tendo como padrinhos Eliziário (Antonio) Cordeiro (português que habitava a Ilha de Manoel Gonçalves) e sua mulher Antonia Martins de Oliveira; Maria nasceu aos 9 de janeiro de 1841, e foi batizado aos 2 de fevereiro do mesmo ano, na Capela das Oficinas, tendo como padrinhos o Vigário Jorge Ferreira Nobre Formiga e Nossa Senhora; Ângelo nasceu aos 7 de julho de 1842, e foi batizado, na Capela das Oficinas, não consta a data, tendo com padrinhos o Reverendo Antonio Francisco da Silva e Nossa Senhora da Conceição.

Ângelo Rodrigues Correia casou com Maria Floripes, e gerou um filho, que batizou em 1889, com o nome de Ângelo.

Roque, que nasceu em 1838, casou em 1861, na Povoação das Oficinas, com Joanna Rodrigues Lessa, na presença de Vicente Rodrigues Ferreira e Antonio Menezes Correia. Em 1863, nasceu o filho João, que foi batizado na Capela do Rosário, tendo como padrinhos João Baptista do Espírito Santo, avô materno, e Dona Victoriana Maria da Conceição, avó paterna. Joaquim José Lessa, irmão de Joanna Rodrigues Lessa, foi casado com Rosa Carolina. É possível que essa Rosa fosse a irmã de Roque que nasceu em 1839, pois no batismo de Pio, filho de Joaquim e Rosa, os padrinhos foram os mesmos de João, filho de Roque e Joanna.

Posteriormente a esses registros, Dona Victoriana Maria volta a aparecer, como esposa de Roque Rodrigues Correia, para os filhos  Ritta e Pedro.

Ritta, filha legítima de Roque Rodrigues Correia e Victoriana Maria da Conceição, nasceu a dezesseis de setembro de mil oitocentos e quarenta e quatro e foi batizado pelo padre Francisco Theotônio de Seixas Baylon, de minha licença, na casa de oração das Oficinas, em primeiro de janeiro de mil oitocentos e quarenta e cinco, foram padrinhos Nossa Senhora e Lopo Gil Fagundes. Manoel Januário Bezerra Cavalcanti.

Pedro, branco, filho legítimo de Roque Rodrigues Correia e Victoriana Maria da Conceição, nasceu a oito de junho de mil oitocentos e quarenta e sete, e foi batizado com os santos óleos, de minha licença, pelo Padre Coadjutor Elias Barbalho Bezerra, no Sítio Curralinho, em oratório particular, aos vinte e sete de junho do mesmo ano, foram padrinhos Nossa Senhora e Lopo Gil Fagundes, por procuração que apresentou Pedro Pereira da Costa Fagundes, solteiro. Manoel Januário Bezerra Cavalcanti. Pároco do Assu.

Um possível filho de Roque e Victorianna seria João Roque Rodrigues Correia. Ele casou em 3 de março de 1851, na Fazenda do Sacco, com Anna Francisca Bezerra, tendo como testemunhas Vicente Rodrigues Ferreira e Luis Francisco Bezerra. Aos 24 de junho desse mesmo ano, nascia, João, filho desse casal, que foi batizado aos 21 de agosto do mesmo ano, tendo com padrinhos Alexandre José de Oliveira e Dona Victoriana Maria da Conceição.
Pio, filho de Roque e Victoriana



terça-feira, 17 de março de 2015

Antonio Francisco Braga, das Alagoas, e Joanna Maria, de Cabrobó


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG
Muitos dos nossos povoadores vieram das mais diversas localidades. Hoje, vamos conhecer Antonio Francisco Braga e Joanna Maria, que viviam na beira do Rio Potengi, em São Gonçalo. É através dos batismos dos seus filhos, que tivemos conhecimento deles. Observem as pequenas variações em cada registro.

Ignez, filha legítima de Antonio Francisco Braga, natural da Vila das Alagoas, e de Joana Maria da Assunção, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Sertão de Cabrobó, neta por parte paterna de Manoel Francisco, natural da Vila do Conde, Arcebispado de Braga, e de Antonia da Sylveira, natural de Santo Antonio do Recife, e pela parte materna de Joachim Pereira, natural da Vila das Alagoas, e de Úrsula Maria, natural de Santo Antonio da Vila Nova, Arcebispado da Bahia, nasceu a sete de janeiro de mil setecentos e sessenta e oito e foi batizada com os santos óleos, na Capela de São Gonçalo do Potigi, de licença minha, pelo Padre Miguel Pinheiro Teixeira, aos vinte e cinco do dito mês e ano; foram padrinhos José dos Santos Lisboa, casado, e morador em Gramació (Vila Flor), e Maria Freyre de Amorim, solteira, filha de Gonçalo Freyre de Amorim, desta Freguesia. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.

Antonia, filha legítima de Antonio Francisco Braga, natural da Vila das Alagoas, e de Joanna Maria, natural do Sertão de Cabrobó, neta por parte paterna de Manoel Francisco Braga, natural do Arcebispado de Braga e de Antonia da Sylveira, natural da Vila do Recife, e por materna de Joaquim Pereira, natural da cidade de Olinda, e de Úrsula Maria da Freguesia de Santo Antonio de Vila Nova, Arcebispado da Bahia, nasceu aos dezenove de julho do ano de mil setecentos e sessenta e nove, e foi batizada de licença minha, na Capela de Santo Antonio do Potigi, com os santos óleos, pelo Padre Manoel Antonio de Oliveira, e foram seus padrinhos o capitão Manoel Álvares de Moraes, solteiro, e Mariana da Rocha Bezerra, mulher de Anselmo José de Faria, aos doze de agosto do dito ano. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.

Domingos, filho legítimo de Antonio Francisco Braga, natural das Alagoas, e de Joana Maria, natural da Freguesia de Cabrobó, neto por parte paterna de Manoel Francisco, natural do Arcebispado de Braga, e de Antonia da Sylveira, do Recife, Freguesia de São Pedro Gonçalves, e pela materna de Joaquim Pereira de Brito, natural da cidade de Olinda, e de Úrsula Maria, natural da Vila Nova do Rio de São Francisco, nasceu aos quatro de agosto do ano de mil setecentos e setenta e um e foi batizado com os santos óleos, de licença minha, na Capela de São Gonçalo do Potigi, pelo padre Manoel Antonio de Oliveira, aos quinze de setembro do dito ano; foram padrinhos o alferes Antonio Rodrigues de Mello, solteiro, e Arcângela Micaela, mulher de Vicente Ferreira, desta Freguesia. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.

Francisco, filho legítimo de Antonio Francisco Braga, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Vila de Alagoas, e de Joana Maria da Assunção, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Cabrobó, neto paterno de Manoel Francisco Souto, natural da Vila do Conde, Arcebispado de Braga, e de Antonia da Sylveira, natural de Santo Antonio do Recife, e materno de Joaquim Pereira de Brito, natural da Freguesia de Santa Luzia da Villa de Alagoas, e de Úrsula Maria, natural da Vila Nova Real, Arcebispado da Bahia, nasceu aos vinte e nove de agosto do ano de mil setecentos e setenta e três e foi batizado com os santos óleos, de licença minha, na Capela de São Gonçalo, desta Freguesia, aos cinco de outubro do dito ano, foram padrinhos o sargento-mor Francisco de Araújo Correa, casado, e Dona Rosa Maria, filha do capitão Jerônimo Pereira da Costa, morador desta Freguesia. Pantaleão da Costa de Araújo. Vigário do Rio Grande.

Úrsula, nascida a vinte e três de setembro de mil setecentos e setenta nove, batizada a dezessete de outubro do mesmo ano, com os santos óleos, de licença minha, o Padre Luis Felis de Vasconcellos, na capela de São Gonçalo, filha legítima de Antonio Francisco Braga, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Vila de Alagoas e de Joanna Maria de Assunção, natural da Freguesia do Sertão de Cabrobó, neta por parte paterna do capitão Manoel Francisco de Souto, natural da Vila do Conde, Arcebispado da Bahia, e sua mulher Dona Antonia da Sylveira, natural da Freguesia de Santo Antonio do Recife, e pela materna de Joaquim Pereira de Brito, natural da sobredita Vila das Alagoas, e de sua mulher Úrsula Maria, natural da freguesia de Santo Antonio da Vila Nova Real, do Arcebispado da Bahia; foram padrinhos o tenente Joaquim de Moraes Navarro e sua mulher Dona Maria Soares, todos naturais desta Freguesia. Joaquim José Pereira, Pró Vigário do Rio Grande.

Antonio Francisco Braga, de idade de cinquenta anos, pouco mais ou menos, casado com Joana Maria, morador na Freguesia, na beira do Rio do Potigi, em São Gonçalo, faleceu sem sacramentos aos dezoito de maio de mil setecentos e oitenta e três anos, por não o chamar a tempo, envolto em hábito de São Francisco, encomendado por mim, e sepultado na Capela do Senhor Santo Gonçalo, sem testamento, sem acompanhamento. Francisco de Sousa Nunes, Vigário encomendado do Rio Grande.

Não encontrei mais nenhuma informação sobre o destino dessa família de Antonio Francisco.
Batismo de Antônia. Veja o estado do documento



terça-feira, 10 de março de 2015

Eu também sou Lessa


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Em artigo anterior, vimos que Silvério Martins Ramos, quando enviuvou da primeira esposa, casou com Anna Joaquina de Maria, filha de João Baptista do Espírito Santo e Maria Alves Lessa. Este último casal casou em 1836, como podemos ver do registro a seguir.

Aos (?) dias do mês de fevereiro de 1836, pelas duas horas da tarde, na Boca do Rio, em presença do Padre Frei José de Sam Gualberto, Carmelitano, e das testemunhas abaixo nomeadas, de minha licença, se receberam por esposos presentes, João Baptista e Maria Gomes Leça, meus paroquianos: o esposo de idade de 26 anos e filho de João Rodrigues do Espírito Santo, e Margarida Francisca de Oliveira; a esposa de 22 anos, filha legítima de Joaquim Álvares Lessa, já falecido e Anna Gomes, naturais e moradores nesta Freguesia de São João Baptista do Assú, onde se fizeram as denunciações nupciais, e logo lhes deu as benções nupciais, sendo presentes por testemunhas o capitão João Martins Ferreira, e Silvério Martins de Oliveira, casados; todos desta Freguesia do Assú, e para constar fiz este assento em que me assinei. Joaquim José de Santa Anna, pároco do Assú.

Os registros da Igreja não mantinham coerência com relação aos nomes dos seus fregueses. A cada momento alguns nomes eram modificados. No caso do nubente acima, omitiram o sobrenome Espírito Santo. No caso da nubente, em vários outros registros ela aparece como Maria Alves Lessa. O pai dela já era falecido em 1829, pois nesse ano houve o seguinte casamento: Aos dezoito dias do mês de janeiro de 1829, pelas cinco horas da tarde na Ilha de Manoel Gonçalves, em minha presença, e das testemunhas abaixo nomeadas, se receberam por esposos presentes Manoel Ignácio Lima, viúvo de Antonia Maria, e Anna Gomes, viúva de Joaquim Álvares Lessa. O esposo de idade de sessenta e cinco anos; e a esposa de idade de trinta e dois anos, naturais e moradores nesta freguesia de São João Baptista do Assú, onde se fizeram as diligências nupciais, sem impedimento, sendo confessados e examinados na Doutrina Cristã, presentes por testemunhas Antonio Caetano Monteiro e Manoel Fernandes Carvalho, casados, todos deste Assú, e para constar fiz este assento em que me assino Joaquim José de Santa Anna.

Esse Joaquim Álvares Lessa suponho que era irmão de Josefa Clara Lessa e, que ambos eram filhos do português de Leça da Palmeira, José Álvares Lessa, que em 1810 comandava a Ilha de Manoel Gonçalves. No inventário de Domingos Affonso Ferreira Junior consta que ele tinha falecido sem bens e com muitas dívidas, tendo essas sido herdadas pelo capitão João Martins Ferreira, meu tetravô, que foi casado com minha tetravó, Josefa Clara Lessa. Há um batismo, em 1790, em Recife, de Rita filha de José Álvares Lessa e de Francisca Xavier, onde são nomeados os avós paternos dela, como Manoel Álvares da Costa e Clara Rodrigues.

Naquele artigo anterior, citamos como filhos de João Baptista do Espírito Santo e Maria Alves Lessa: Joanna, nascida em 1843; as gêmeas Cosma e Damiana, nascidas em 1854; e Josefa Rodrigues Lessa, que casou com Idalino Tranquilino de Sousa.

Dona Maria Alves Lessa faleceu em 1860, com a idade de 51 anos. João Baptista voltou a casar como se depreende do jornal Correio do Assú, de 1873. Nele, Padre Elias Barbalho Bezerra declarou que recebeu de Joaquim José Lessa, procurador de Dona Anna Barbosa de Sousa, cinquenta mil réis, que estava em poder do seu finado marido, João Baptista do Espírito Santo, que foi separado no inventario da finada Anna Gomes da Costa (mãe de Maria Alves Lessa) para celebrar-se por sua alma, meia capela de Missas. Nesse mesmo jornal, Joaquim José Lessa, pagou a quantia de três mil e duzentos réis, de que era devedor o seu finado pai, João Baptista do Espírito Santo a Josefa Damas da Conceição.

Encontramos vários filhos de Joaquim José Lessa com Rosa Carolina Lessa: Pio, nascido em 1861, teve como padrinhos João Rodrigues do Espírito Santo e Victoriana Maria da Conceição; Aprígio, nascido em 1862, teve como padrinhos Manoel Roque Rodrigues Correa e Maria Juliana da Conceição; Luiza, nascida em 1863, teve como padrinhos José Alves Martins e Francisca Martins de Oliveira;  Maria, nascida em 1864, teve como padrinhos José Rodrigues Ferreira e Maria dos Passos Lessa.

Um registro de casamento noticia que em 1859, João Alves Lessa casou com Maria Marcelina da Costa, sendo ele filho de Joaquim José Lessa e Anna Gomes da Costa. Acredito que houve um equívoco nesse registro, pois Dona Anna Gomes da Costa foi casada com Joaquim Álvares Lessa. Nesse casamento, uma das testemunhas foi Joaquim José Lessa.  João Alves Lessa deveria ser, portanto, tio dessa testemunha.  Maria Marcelina era filha de Manoel da Costa Ramos e Lina Maria da Conceição.

Em 1860, José Alves Lessa casou com Maria do Ó Fernandes, sendo testemunhas as mesmas do casamento de João Alves Lessa, isto é, Joaquim José Lessa e José Fragoso de Medeiros. Não nomearam os pais dos nubentes. Desse casamento nasceram: Marcionila, em 1861, tendo com padrinhos Francisco Antonio Fernandes Braga e Claudina Maria do Espírito Santo; Manoel, em 1862, tendo como padrinhos João Baptista do Espírito Santo e Marciana Rodrigues Lessa; outra Maria, em 1863, cujos padrinhos foram Francisco Antonio Braga e Maria de Santana Fernandes.

Há, também, um Manoel Alves Lessa que casou com Maria Manoela da Costa e geraram Luiz em 1834, que morreu afogado, em 1855, com 21 anos.
O fato de muitos documentos não conterem os nomes dos pais dos nubentes gera dificuldades para quem quer fazer sua genealogia. O desaparecimento de antigos livros é outro empecilho para nosso trabalho. Podemos cometer erros quando deduzimos algumas relações de parentesco. 

A dívida de José Álvares Lessa a cargo de João Martins Ferreira



terça-feira, 3 de março de 2015

Silvério Martins Ramos e as dúvidas de Lúcia Tolson


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Lúcia Tolson mora nos Estados Unidos e, de lá, me enviou um e-mail nos seguintes termos: Eu acabo de topar no nome acima (Silvério Martins de Oliveira) no seu artigo “Cartas da Ilha de Manoel Gonçalves” de 2/3/2011.  Tenho uma suspeita de que ele seja meu ancestral.  Não tenho, porém, os elementos para ligá-lo a meu trisavô Silvério Martins Ramos, além da semelhança de nomes e da proximidade no tempo e no espaço em que viveram.

Silvério Martins de Oliveira parece-me ter sido um dos habitantes da Ilha de Manoel Gonçalves em seus últimos anos, entre as décadas de 1820 e 1830.

Meu trisavô Silvério Martins Ramos morreu muito velho em Curralinho na década de 1930.  Ele era casado com Leonídia de Oliveira e tinha, entre outros filhos, um filho também chamado Silvério Martins Ramos (conhecido em família como Nozinho, que morreu centenário em Pendências no começo deste milênio). 

As únicas informações que tenho sobre os pais de Silvério Martins Ramos são que seu pai ficou viúvo de sua primeira mulher e depois casou-se com Anna, a mãe de Silvério, que morreu centenária em Curralinho na década de 1930.  De ambos casamentos esse senhor teve uma prole imensa, mas hoje não resta sequer lembrança do seu nome na família.  Suspeito que ele também fosse Silvério.

Será que o Senhor teria condições, sem lhe dar demasiado trabalho, de traçar a descendência de Silvério Martins de Oliveira até ela possivelmente bater em Silvério Martins Ramos?  Creio que haja uma ou no máximo duas gerações entre os dois, se eles são de fato parentes como suspeito.

Espero não estar abusando de sua boa vontade, mas é que fico animada demais quando encontro uma possível pista de história familiar nos seus artigos.

Em outro e-mail, pergunta se Francisca Martins de Oliveira, esposa de José Alves Martins, não seria uma das filhas do capitão Silvério Martins de Oliveira.

Para responder aos questionamentos de Lúcia, tenho as seguintes informações: O capitão Sílvério Martins de Oliveira era compadre do meu trisavô major José Martins Ferreira, por ter sido padrinho de meu tio-bisavô Manoel José Martins. Esteve em muitos eventos religiosos, na companhia do meu tetravô, o capitão João Martins Ferreira. Foi o primeiro Administrador da Mesa de Rendas de Macau e, também, foi um dos representantes de Apodi, na eleição para Junta Constitucional, em 1821. Sua esposa, dona Joanna  Nepomucena, era filha de   Anna Josepha Joaquina de Albuquerque (que morou um tempo na Ilha de Manoel Gonçalves) e do capitão Manoel Ignácio de Carvalho.

Sobre a existência de filhos do capitão Silvério não tenho documentação comprobatória, mas apenas suspeitas de que seriam: Antonia Silvéria de Oliveira, natural da Serra de Martins, que foi casada com Eliziário Antonio Cordeiro, natural de Lisboa; Silvéria Martins de Oliveira, Joana Nepomucena, mesmo nome da mãe; e Francisca Martins de Oliveira, citada por Lúcia Tolson.

Sobre o outro Silvério, o que temos é o seguinte: Em 1862, viúvo de Anna Raimunda da Luz, casou na capela de Nossa Senhora do Rosário da Várzea, com Anna Joaquina de Maria, filha de João Baptista do Espírito Santo e Maria Alves Lessa, tendo como testemunhas Manoel Pinto Queiroz e Vicente Barbalho Bezerra. Do seu primeiro casamento com Anna Raimunda, encontramos os seguintes filhos, segundo registros da Igreja: Maria, nascida em 1855, em Macau, tendo como padrinhos Christovão Francisco Gomes e Thomazia Martins Ferreira (irmã do major José Martins Ferreira); Manoel, nascido em 1856, batizado em Curralinho, teve como padrinhos José Alves Martins e Maria Gomes Pinheiro; Higino, nascido em 1858, tendo como padrinhos Marcolino José de Moraes; outra Maria, nascida em 1860, teve como padrinhos João Coelho da Silva e sua irmã Josefa Clementina de Moraes; Ritta Martins dos Passos, que casou com José Alves Barbosa (3º grau de consanguinidade), filho de Manoel Alves Barbosa e Anna Francisca Xavier, no sítio Curralinho, em 1871, na presença de Manoel Alves Barbosa e Vicente Rodrigues Ferreira.

No ano de 1904, faleceu Luis Martins Ramos. Segundo sua inventariante e esposa, Cosma Porcina Lessa, não tiveram filhos. Seus bens foram herdados pela dita Cosma e os irmãos dele: Rita Martins Passos, moradora em Boa Vista, com 50 anos, citada acima; Pedro Martins Ramos, com 55, casado com Alexandrina, moradores em Recife; Manoel Martins Ramos, com 49 anos, morador em Curralinho, citado acima, e casado com Maria Gomes dos Santos; José Martins Ramos, com 46 anos, casado com Maria Silvana de Mello, também morador em Curralinho e, citado acima; e João Martins Ramos, com 57 anos, casado com Damiana Rodrigues Lessa, moradores nas Oficinas.

Do casamento com Ana Joaquina, encontramos, até agora, Silvério, que  nasceu aos 22 de outubro 1863, e foi batizado aos 13 de novembro 1863, na capela das Oficinas, tendo como padrinhos Joaquim José Lessa e Maria dos Prazeres.  Esse Silvério é justamente o trisavô de Lúcia Tolson, que ela diz que casou com Leonídia.

Não encontrei nada que fizesse ligar o capitão Silvério Martins de Oliveira com Silvério, tetravô de Lúcia.

Sobre João Baptista do Espírito Santo e Maria Alves Lessa, pentavós de Lúcia, por parte de Anna Joaquina, encontramos os seguintes filhos: Joanna, nascida em 1843; as gêmeas Damiana e Cosma, nascidas em 1854; Josefa Rodrigues Lessa, que casou, em 1869, com Idalino Tranquilino de Sousa. Essas gêmeas, irmãs de Anna Joaquina, casaram com dois filhos do primeiro casamento de Silvério, pelo que se vê do inventário de Luis Martins Ramos.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

João de Deus Fonseca e Maria da Rocha Pimentel


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
O “Levante do Gentio Tapuia” (Guerra dos Bárbaros) foi praticamente um genocídio. Dos que restaram, muitos foram escravizados pelas famílias do militares participantes.

O capitão Theodósio da Rocha era natural do Rio São Francisco, Vila de Penedo, filho do capitão Damião da Rocha. Tinha 51 anos de idade, em 1708, pelo que consta de um assentamento de praça. No ano de 1696, ele foi nomeado, pelo capitão-mor Bernardo Vieira de Mello, como cabo do Presídio, de invocação de Nossa Senhora dos Prazeres, da Ribeira do Assú. Eram seus filhos, conforme livros de batismos ou de assentamentos: João da Rocha Vieira, Bonifácio da Rocha Vieira, Damião da Rocha Pimentel, Máximo da Rocha, Antonio Vaz Gondim, Theodósio da Rocha, Margarida da Rocha, Thereza da Rocha, e Marianna da Rocha.

O alferes Damião da Rocha Pimentel, que assentou praça em 1699, filho do capitão Theodósio da Rocha, se engraçou de Bárbara da Rocha, uma tapuia, escrava de sua irmã, viúva Margarida da Rocha (foi casada com o capitão José Porrate de Morais Castro). Daí nasceu uma filha natural, Maria da Rocha Pimentel.

Em 1744, na capela do Senhor Santo Antonio do Potengi, o Reverendo Manoel Alves de Figueiredo casou Maria da Rocha Pimentel com João de Deus da Fonseca, que era filho natural do licenciado Bento da Fonseca e da tapuia, Maria Barbosa, escrava que foi do alferes de Infantaria Antonio Barbosa de Aguiar, sendo testemunhas o capitão Bonifácio da Rocha, tio da nubente, e o coronel João Pereira (ilegível). Bento da Fonseca era cirurgião e esteve no Terço Paulista comandado por Manoel Álvares de Moraes Navarro.

Encontramos o batismo de uma filha do casal acima, como também de uma neta.

Michaella, filha legítima de João de Deus da Fonseca e de sua mulher Maria da Rocha (Pimentel), naturais ambos e moradores desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, neta por parte paterna de Bento da Fonseca, natural desta Freguesia e avó incógnita (omitiram o nome de Maria Barbosa) e por parte materna de Bárbara da Rocha, de Nação Tapuia, e de Damião da Rocha, natural desta dita Freguesia, foi batizada com os santos óleos aos vinte e cinco de março de mil setecentos e sessenta e um anos, na Capela do Senhor Santo Antonio do Potengi, desta Freguesia, pelo Reverendo Padre Manoel Antonio de Oliveira, de licença minha; foram padrinhos o capitão João Marques, homem solteiro, morador na Freguesia do Assú, e Dona Ângela de Moraes, solteira, filha da viúva Dona Margarida da Rocha, freguesa e moradora desta dita Freguesia e pela certidão que veio do dito Reverendo Padre que não continha mais, fiz este assento em que por verdade assinei, João Freire de Amorim, vigário.

Ancelmo, filho natural de Anna da Fonseca, e de pai incógnito, neto por parte materna de João de Deus da Fonseca e de sua mulher Maria da Rocha, naturais desta Freguesia, nasceu no fim de novembro de mil setecentos e oitenta e sete e foi batizada com os santos óleos, de licença minha, na Capela de Santo Antonio do Potengi, aos trinta de junho de mil setecentos e oitenta e oito, pelo Reverendo Bonifácio da Rocha Vieira; foram padrinhos o alferes Anselmo José de Figueiredo (Faria) e sua mulher Mariana da Rocha Bezerra, moradores nesta Freguesia. E não se continha mais no dito assento, de que mandei fazer este, em que por verdade me assino. Pantaleão da Costa de Araújo vigário do Rio Grande.

Outros filhos, de João de Deus da Fonseca e de Maria da Rocha Pimentel, foram encontrados em alguns batismos, como padrinhos: Damião da Rocha (Pimentel) e Maria dos Santos, ainda solteiros, foram padrinhos de uma escravinha de Anselmo José de Faria, em 1773.

Dona Margarida da Rocha tinha uma escrava, que depois passou para Ângela de Morais, sua filha, de nome Ludovina, filha de Luiz de Freitas e Rufina da Cunha, cujos três filhos tiveram como padrinhos, outros filhos de João de Deus e Maria da Rocha: Hilária, em 1772, foi apadrinhada por Estanilau Pinheiro Teixeira, morador no Assú, e Úrsula Leite de Oliveira, filha de João; José, em 1769, teve como padrinhos, Lourenço da Fonseca e a mãe Maria da Rocha; Ludovina teve mais um filho, também, José, em 1771, cujos padrinhos foram Lourenço da Fonseca e a irmã Marcelina.

 Antonia de Oliveira Leite foi madrinha junto com o pai, João de Deus, de Maria, filha de Luis Pereira e Jacinta da Rocha, em 1761; os dois novamente padrinhos em 1765, de José, filho de Braz da Rocha e Maria de Figueira, sendo a mãe de Braz da Rocha, a índia dona Bárbara da Rocha.

Um filho de João de Deus da Fonseca, que aparece em um assentamento de praça, é João da Rocha da Fonseca. Outro filho, Bento da Fonseca, mesmo nome do avô, faleceu em 1789, com 26 anos de idade.
O que chama a atenção, nesses registros, são as filhas com sobrenome Leite de Oliveira.  Esse sobrenome parece vir através de Damião da Rocha Pimentel. Será que Dona Antonia Oliveira, esposa do capitão Theodósio e mãe de Damião, seria irmã de João Leite de Oliveira, e ambos filhos do capitão-mor desta capitania,  Antonio Vaz Gondim?



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Uma Felizarda que mudou de nome, na Crisma


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
Felizarda foi batizada, na Capela de São Gonçalo do Potengi, pelo Padre Francisco Bezerra de Góis, aos 15 de fevereiro de 1698. Era filha de Manoel da Costa Rego e de Theodósia da Rocha e teve como padrinhos George de Grasciman e Andrezza Soares, esposa de Francisco Pereira.

Em 20 de abril de 1706, portanto, com 8 anos, vamos reencontrá-la, na Capela de Santo Antônio do Potengi, sendo madrinha de Hilário, filho de Antônio Gonçalves de Amorim e de Perpétua de Barros, e nessa ocasião, foi citada como Felizarda Filgueira, filha da viúva Theodósia da Rocha, sendo, portanto, seu pai, Manoel da Costa Rego, falecido; três anos depois, em 11 de junho de 1709, foi madrinha, lá na Igreja de São Miguel de Guajurú, de Domingos filho de Domingos Carvalho da Silva e de sua mulher Catarina de Barros, sendo citada como Felizarda Figueira da Rocha; em 12 de abril de 1710, foi madrinha, na Igreja de São Miguel de Guajurú, de Clara, filha do capitão João Leite de Oliveira e de Damázia de Morais; em 07 de fevereiro de 1711, na mesma Igreja de São Miguel de Guajurú, foi madrinha de Felizarda filha de Bartolomeu da Costa e de Damázia de Araújo acompanhada do irmão, José Barbosa Rego, este batizado em 1694, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação.

Mas quem era Theodósia da Rocha, mãe de Felizarda? Nos registros de batismos mais antigos, desta Província do Rio Grande do Norte, são apresentadas duas Theodósia da Rocha. Uma que foi casada com Manoel da Costa Rego e outra que era filha do capitão Theodósio da Rocha. Pensei, inicialmente, que representavam a mesma pessoa, principalmente, por conta da variação que a Igreja fazia em seus registros. Mas, examinando muitos registros fui me convencendo que eram pessoas distintas. Por fim, descobri que a filha do capitão Theodósio da Rocha faleceu, em 1775, solteira, com mais de cem anos e, portanto, não podia ser a esposa de Manoel da Costa Rego.

Voltemos para dona Felizarda. Como seguiu sua vida, posteriormente? Para responder, vamos ao seu segundo casamento (não temos registros de 1712, até 1726), quando ela tinha 29 anos, e onde há referência à mudança do seu nome, por crisma.

Aos cinco de maio de mil setecentos e vinte e sete, na Igreja de São Miguel da Aldeia de Guajirú, em presença do Reverendo Padre Superior do Guajirú, Jerônimo de Sousa, da Companhia de Jesus, de licença minha, e sendo presentes por testemunhas Domingos Barreto, e o capitão João Leite de Oliveira (compadre da nubente), da Freguesia do Rio Grande, se casaram Joana Figueira, que antes da Crisma se chamava Felizarda Figueira, viúva que ficou do sargento-mor Francisco Rodrigues Coelho, natural e moradora no Rio Grande, Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, com João Rodrigues da Silva, filho de Manuel Rodrigues, e de sua mulher Cosma Gomes da Silva, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Luz, deste Bispado, e morador neste Rio Grande, Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação. Manuel Correa Gomes, Vigário.

Suponho que esse Francisco Rodrigues Coelho fosse o filho do tenente-coronel Manoel Rodrigues Coelho e Izabel de Barros, que foi batizado aos 12 de agosto de 1697, tendo com padrinhos Manoel Rodrigues Alioza e Damázia de Morais. Não há menção à Igreja, mas outros irmãos de Francisco se batizaram na Igreja de São Miguel da Aldeia de Guajirú, inclusive Maria da Conceição Barros, em 8 de dezembro (dia de Nossa Senhora da Conceição) de 1694, que foi casada com o português de Arrifana de Sousa, Francisco Pinheiro Teixeira.

Do matrimônio com Francisco Rodrigues Coelho, encontrei uma filha,  Francisca Xavier Filgueira, cujo casamento segue. Observamos que no registro o sobrenome que se escreve é Figueira no lugar de Filgueira.

Aos quinze de outubro de mil setecentos e trinta e seis anos, na Igreja do Senhor São Miguel do Guajirú, desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações nesta Matriz e na dita Missão para cuja parte é a contraente moradora, e apresentado os banhos corridos da Freguesia de Goyaninha, donde o contraente é natural e morador, sendo me apresentado um mandado do Ilustríssimo Senhor Bispo, pelo qual me mandava receber por palavras aos contraentes, tendo os ditos satisfeitos a penitência imposta pela dispensa que alcançaram para poderem casar, sem se descobrir impedimento, sendo presentes por testemunhas o Reverendíssimo Cura de Goianinha, o licenciado Antonio de Andrade de Araújo, o capitão Duarte Pinheiro Rocha, Maria Gomes, viúva do tenente-coronel Francisco Xavier Ribeiro, e Dona Maria Magdalena, mulher do sargento-mor Hilário de Castro Rocha, pessoas todas conhecidas e moradores desta dita Freguesia, de licença minha, o Reverendíssimo Senhor Padre Pedro Nogueira, superior da sobredita Missão de Guajirú, assistiu ao matrimônio que entre si contraíram o sargento-mor Jorge Lopes Galvão, natural da Freguesia de Goianinha e nela morador, filho legítimo do capitão Cipriano Lopes Pimentel, já defunto, e de sua mulher Dona Thereza da Silva, e Dona Francisca Xavier Figueira, natural desta freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, filha legitima do sargento-mor Francisco Rodrigues (Coelho), já defunto, e de sua mulher Joana Figueira, moradores desta dita Freguesia, guardando em tudo a forma do Sagrado Concilio Tridentino. E logo lhes deu as bênçãos, e pelo assento que me veio do dito Reverendíssimo Superior, mandei fazer este em que por verdade assinei. Manuel Correa Gomes.

A imagem a seguir é de um livro de batismo, da Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, que está arquivado no Instituto Histórico de Pernambuco. É o batismo de Felizarda, filha de Manoel da Costa Rego e Theodósia da Rocha.
Felizarda ou Joanna