segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Um dia auspicioso para os Martins Ferreira

Quando estive em Açu, só consegui fotografar dois livros na Casa Paroquial: um de batismo e outro de casamento. A casa Paroquial só funciona pela manhã e quando o relógio marca  onze horas e trinta minutos, Padre Canindé não perdoa, levanta-se e começa a fechar as janelas. Ele tem uma programação extensa para a parte da tarde, fora da Casa Paroquial. Usei 3 GB de memória, recarreguei a bateria por trinta minutos  e, para concluir, usei a máquina fotográfica do celular. Como eram volumes com muitas informações, saí satisfeito. Agora, depois de renomear as imagens, começo minhas buscas, priorizando tudo que se relaciona aos Martins Ferreira, a Ilha de Manoel Gonçalves e a Fazenda Cacimbas do Viana.
Feitas algumas transcrições  comecei  digitar alguns registros. Notei que o dia  27 de novembro, ou próximo dele, se repetia com certa frequência nos casamentos relacionados as minhas buscas, principalmente, as ligadas ao major José Martins Ferreira e seus descendentes. Outra observação que faço, é que em uma  parte dos registros de casamento da Freguesia de São João  Batista do Assú, não são citados os nomes dos pais dos nubentes, dificultando, por isso, o trabalho dos pesquisadores. Repetindo Dom Adelino, uma lástima. Mas vamos as informações que colhi no livro de registros.
No ano de 1848, na data de 27 de novembro, lá no "Sitio das  Cassimbas" (Fazenda Cacimbas do Vianna), com a presença do major José Martins Ferreira e Manoel José de Sousa, casaram-se Félix de Lima do Nascimento e Maria José de Medeiros. Nesse mesmo dia, mês e ano, casaram-se Manoel Lucas de Lima e Faustina Maria do Espírito Santo, com a presença das testemunhas, o major José Martins Ferreira e João Martins Ferreira.
Em 1850, no mesmo dia e mês supra,  no lugar Curralinho, com a presença de João Martins Ferreira e Antonio Fragoso de Oliveira, casaram-se José Alves Martins e Francisca Xavier de Oliveira. Eles eram os pais de Josefina Emília Alves Martins, avó de Aluízio Alves e de Aristófanes Fernandes. O sobrenome Alves de Manoel Alves Filho, vem dos descendentes do major José Martins Ferreira. Lembramos que seu Nezinho tinha um irmão que se chamava Manoel Alves Martins Filho, os dois filhos de Manoel Alves Martins, mas mães diferentes.
Em 1853, no "Sítio das Cassimbas", na mesma data, 27 de Novembro, casaram-se João Martins Ferreira e Josefa Clara Martins, dispensados do parentesco que tinham, sendo presentes por testemunhas o coronel Manoel Lins Wanderley e o tenente Francisco Lins Wanderley, ambos casados. Os pais do major José Martins Ferreira, repetimos aqui, eram João Martins Ferreira e Josefa Clara Lessa. Os nubentes deveriam ser descendentes diretos deles. Se no registro de casamento não tivessem omitido os nomes dos pais, saberíamos, exatamente, os nomes dos pais dos noivos.
Em 1855, no dia 26 de novembro, mas às sete horas da noite, no Sitio das Mercês, na Fazenda das Cacimbas, casaram-se Joaquim José Martins Ferreira e Maria Isabel da Conceição, com o testemunho de João Martins Ferreira e Manoel José Martins, casados.
Fui a internet para verificar se o dia 27 de novembro  tinha algum significado religioso. Um site informava para ter cuidado com essa data, pois, havia informações das companhias de seguro que era o dia do ano com maior quantidade de acidentes. Outro site informava que nessa data, no ano de 1830, Nossa Senhora apareceu para Catarina de Labouré. É, também,  o dia de Nossa Senhora das Graças. O Google me levou, ainda, para o meu blog, onde em um artigo, havia a informação que meu bisavô, Francisco Martins Ferreira, nessa mesma data, no ano de 1869, havia casado com Francisca de Paula Maria de Carvalho, lá em Angicos, coisa da qual não me lembrava mais e que não aparecia nesses registros de Assú, pois eles se casaram na Freguesia de São José de Angicos. Joaquim José Martins Ferreira foi testemunha.
Em 28 de Novembro de 1850, Manoel Martins Ferreira desposou Prudência Maria Teixeira  em Cacimbas do Vianna.
Em 29 de Novembro de 1876, João Alves Martins desposou Maria Agnelina Fernandes. João era filho de José Alves Martins e Francisca Xavier de Oliveira, já citados acima, e Maria Agnelina filha de João Alves Fernandes. João Alves Martins era, portanto, irmão de Josefina Emília.
Há muito ainda que se descobrir sobre a família Martins Ferreira que esteve presente na fundação de Macau. Qualquer informação é útil para se construir uma história. Essa repetição em torno do dia 27 de novembro passa a ser, também, importante.

Um certo Capitão Pedro Álvares Ferreira

No livro de Leyla Perrone – Moisés, intitulado "Vinte Luas", que conta a viagem de Paulmier de Gonneville ao Brasil, de 1503 a 1505, ela escreveu: "O relato histórico, tanto quanto o ficcional, é sem limites de extensão. As ramificações, os pormenores e as especulações são infinitos. Os limites do discurso histórico são os documentos. Mas na interpretação e na interligação dos documentos, é a imaginação que constrói a verdade possível, sobretudo quando os documentos são poucos e lacunares."
Muitos livros da Igreja que registraram os batismos, óbitos e casamentos, já não existem mais. Entre os que ainda encontramos, vários estão deteriorados. Em muitos, os registros de casamentos são incompletos, não citando os nomes dos pais dos nubentes. Assim, a tarefa de reconstituição de uma genealogia torna-se difícil. São necessários vários documentos para se imaginar uma hipótese.
Quando se conta a História de Macau ou da Ilha de Manoel Gonçalves não há nenhuma referência ao Capitão Pedro Álvares Ferreira, mas ele aparece nesses lugares, e colado com a família do Capitão João Martins Ferreira. A primeira vez que vi o seu nome, foi no batismo de José, filho do Major José Martins Ferreira e Delfina Maria dos Prazeres. Ele e Francisca Martins Ferreira foram os padrinhos, em dezesseis de Agosto de 1831, em Macau, do dito José, nascido em dois de Julho do dito ano. Fiquei intrigado com esse nome e passei a prestar atenção a todo registro onde o nome dele aparecia. Queria saber quem ele era e sua relação com a família do Capitão João Martins Ferreira. Encontramos vários registros.
Já em 1824, ele está na Ilha de Manoel Gonçalves. Nessa data ele e José Martins Ferreira eram solteiros. Foram testemunhas do casamento de Manoel Barbosa de Andrade e Maria Francisca da Conceição. O noivo, com 36 anos, e filho de Gonçalo Barbosa de Moura e Catharina Maria de Jesus. A noiva, com 20 anos, sem informações sobre os pais.
No ano seguinte, na mesma Ilha de Manoel Gonçalves, ele aparece como testemunha, juntamente, com o Capitão João Martins Ferreira, pai de José Martins Ferreira, no casamento de José Álvares Barbosa e Dionízia Ribeiro. O noivo, com vinte e três anos de idade, era filho de Miguel Teotônio de Seixas e Tereza Maria de Jesus. A noiva, com dezoito anos de idade, era filha de Joaquim José Ribeiro e Maria Anna Barbosa da Rocha.
Em 1831, na mesma Ilha, e ainda solteiro, foi padrinho junto com a mulher do Capitão João Martins Ferreira, Dona Josefa Clara Lessa, de Maria, filha de Tomás Pinto Martins e Josefa Florinda Pessoa.
No batismo de Maria, filha do Major José Martins Ferreira e Josefina Maria Ferreira, em dois de Junho de 1845, no Comissário de Cacimbas do Vianna, o Capitão Pedro Álvares Ferreira e Dona Josefa Christiniana Ferreira foram padrinhos por procuração passada por Bento José da Costa Junior e Dona Emília Júlia Pires Ferreira. Nesse ano o velho Bento José da Costa, dono das terras administradas por João Martins Ferreira, era falecido. Emília Júlia era filha de Gervásio Pires Ferreira que juntamente com o Coronel de Milícias Bento José da Costa fizeram parte de uma junta governativa de Pernambuco. O avô de Bento Junior era primo legitimo de Gervásio Pires.
Quando houve o batismo de um filho do Capitão Pedro Álvares Ferreira, o Major José Martins Ferreira é quem foi procurador como podemos ver no registro a seguir.
"João, filho legitimo de Pedro Álvares Ferreira e Maria Emília das Dores Ferreira, nasceu a vinte e quatro de Junho de mil oitocentos e quarenta e quatro: foi batizado solenemente de licença minha, na Fazenda Cacimbas, pelo Reverendo David Martins Freire Delgado a vinte e cinco de Dezembro do mesmo ano e foram Padrinhos Nossa Senhora da Conceição, e Domingos da Costa de Oliveira, por procuração ao Major José Martins Ferreira, casado; e para constar mandei fazer este termo em que assinei. Manoel Januário Bezerra Cavalcante, Pároco Colado do  Assú."
Em um trecho constante do Livro "Questão de Limites", de Vicente Lemos e Tavares de Lira, encontramos o seguinte documento:
"José Paulino Cabral, secretário da Intendência Municipal da Cidade do Açú, por titulo e nomeação legais, etc.
Certifico em virtude de petição supra que revendo e dando busca nos livros de vereação em meu poder e arquivo em um deles as folhas 202 v. e na vereção de trinta e um de Janeiro de mil oitocentos e vinte e nove encontrei, além de muitas outras nomeações e administradores de novo imposto de carne verde e subsídio literário para diversos lugares, a de Pedro Alves Ferreira para Mossoró. É o que me cumpre certificar em virtude da petição e a vista do próprio original, ao qual me reporto; dou fé. Secretaria da Intendência Municipal da Cidade do Açú, em 28 de Agosto de 1901. O Secretário, José Paulino Cabral (Estava selada)."
Acredito que seja o mesmo Pedro Álvares Ferreira que estudamos aqui, pois, próximo a essa época, o Capitão João Martins Ferreira arrematou o dízimo de sal de Mossoró.
Embora não tenha nenhuma comprovação, mas a partir dos documentos encontrados, acredito que Pedro Álvares Ferreira fosse um dos filhos do Capitão João Martins Ferreira. Aliás, alguns filhos do Major José Martins Ferreira tinham o sobrenome Alves. Um deles é justamente José Alves Martins cujo batizado noticiamos no inicio deste artigo. É dele que se origina a família Alves de Angicos.

Theodósio de Graciman no Jaguaribe e Guimarães

É Hélio Galvão no seu livro magistral sobre a nossa Fortaleza quem diz: "Teodósio de Graciman em 1701 estava no Jaguaribe e comprava à Dona Maria de Siqueira, viúva do Capitão Abreu Soares, e a sua filha Helena Barbosa de Albuquerque e seu marido Pascoal Gomes de Lima, duas léguas de terra no sitio do Aracati, ribeira do Jaguaribe." De outra forma escreveu Valdelice Carneiro Girão em "Estudos históricos e de evolução urbana da cidade de Aracati, na Revista do Instituto do Ceará – 2001, citando o historiador Antonio Bezerra: "A cidade de Aracati está encravada na data que tirou, em 23 de janeiro de 1685, o Capitão-mor Manoel Soares, e seus 14 companheiros, na parte que pertenceu ao mesmo Capitão-mor, demarcada pelo Desembargador Cristovão Soares Reymaão em Outubro de 1707 que foi vendido por sua viúva D. Maria de Siqueira e seu filho Pachoal de Lima em 6 de dezembro de 1701 ao Comissionario Geral Teodosio de Graciman. Há uma inversão quanto ao nome do filho de Manoel de Abreu Soares e Maria de Siqueira.
Para não gerar dúvidas para os pesquisadores, sobre quem era na verdade o filho de Manoel de Abreu Soares cito ainda o trabalho de Ivoncísio Meira de Medeiros, intitulado: "Documentos do Rio Grande do Norte", onde está escrito: "Requerimento do Alferes Paschoal Gomes de Lima, filho do Capitão-Mor Manoel de Abreu Soares, em que pede a S. Mag. o cargo de Escrivão da Paraíba ou de Escrivão da Fazenda da Capitânia do Rio Grande." Assim, fica clara a presença de Theodosio de Graciman no Jaguaribe e de quem era filho Pascoal Gomes de Lima, personagem da História do município  São Gonçalo do Amarante (antigo São Gonçalo do Potengi)
Um dos registros mais ricos que encontrei sobre a família Graciman (escolhi essa grafia) é o casamento de Mathias Ferreira da Costa e Paula Barbosa de Graciman, lá na Utinga, pois além de reforçar a participação dessa família na região de Jaguaribe, traz maiores  informações sobre outros familiares citados por Helio Galvão no seu livro sobre a nossa  Fortaleza. Vejamos o registro.
"Aos quatro de novembro de mil setecentos e trinta e nove anos na Capela de Nossa Senhora do Socorro de Utinga desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte feitas as denunciações nas partes necessárias da Freguesia e apresentando o contraente banhos corridos na sua Freguesia, natural e juntamente Sentença de dispensa de parentesco em que com a contraente estava ligada e pela que mandou o excelentíssimo Senhor Bispo casar, tendo satisfeito as penitências sem se descobrir impedimento sendo presentes por testemunhas o Capitão Bonifácio da Rocha Vieira, o Capitão Francisco Xavier de Souza, Isabel Rodrigues, Dona viúva, e Lourença de Araújo mulher  de Luis Soares Correa, pessoas todas conhecidas, moradores desta dita Freguesia, de licença minha, por comissão especial do Reverendo Vigário em cuja ausência fazia as vezes de Pároco o Padre Antonio de Araújo e Souza, assistiu ao matrimônio que entre si contraíram Mathias Ferreira da Costa filho legitimo  do Coronel Antonio Nunes Ferreira, e de sua mulher Catarina Barbosa já defunta natural da Ribeira do Jaguaribe freguesia de Nossa Senhora do Rosário de Russas e Paula Barbosa Graciman filha legitima do Alferes Pedro Siqueira da Costa, já defunto, e de sua mulher Custódia Barbosa Graciman, natural desta dita Freguesia, e nela moradora e logo lhes deu as benções guardando-se em tudo a forma do Sagrado Concilio Tridentino e pelo assento que veio do dito Reverendo fiz este assento e por verdade assinei. Manoel Correa Gomes, João Gomes Freire Coadjutor, Bonifácio da Rocha Vieira, Francisco Xavier de Souza."
No livro de batismos de "pretos e pardos escravos" existente no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte vamos encontrar mais outras informações e entre elas a citação da localidade de moradia da família Graciman, de nome Magalhães, que segundo Hélio Galvão ficava na localidade conhecida hoje por Igreja Nova. Observemos o hábito que tinham os senhores de colocar nos seus escravos os sobrenomes da família deles. Vejamos o registro de batismo:
"Aos quatro de julho de mil setecentos e trinta e cinco anos na Capela do Senhor São Gonçalo do Potegy desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte feitas as denunciações nesta Matriz e nas mais partes necessárias desta Freguesia, e na Matriz de Nossa Senhora do Rosário de Jaguaribe onde o contraente foi morador, sem se descobrir  impedimento, sendo presentes por testemunhas o Capitão José Figueira, o Capitão João Soares, Custódia Barbosa viúva que ficou de Pedro Figueira e Dona Adriana Siqueira viúva que ficou de Antonio Simões Moreira, pessoas todas conhecidas, moradores  desta dita Freguesia e, de licença minha,  o Padre Domingos Rodrigues  assistiu ao matrimônio, que entre si contraíram Sebastião Lustau preto forro do Gentio da Guiné morador, que foi em Jaguaribe da Ribeira de Aracati e Isabel de Graciman, escrava do Capitão Gregório Graciman Galvão, moradores no Magalhães desta dita Freguesia  guardando-se  em tudo o Sagrado Concilio Tridentino . e pelo assento que veio do dito Reverendo Padre mandei fazer este em que por verdade assinei. Manoel Correa Gomes Vigário."

Saúde e Genealogia: diálogos do além

O Tenente Cirurgião Francisco Martins Ferreira acompanha, lá de cima, a carreira médica de seu trineto Thiago. Ele, quando na terra, viveu um período curto de vida. Nasceu em 7 de outubro de 1841, em Macau e faleceu no dia 5 de outubro de 1877, de hidropisia, com menos de 36 anos. Os recursos da Medicina  eram parcos.
 Um dia desses Francisco Martins conversava com outros ascendentes de Thiago sobre a carreira médica, hoje em dia. Dizia: cada época tem as suas vantagens e desvantagens. Não parece existir uma melhor do que a outra e o que se ganha de um lado se perde do outro. Sei que se vivesse hoje, lá na terra, não teria morrido tão cedo, em virtude do avanço da medicina. Minha primeira esposa Francisca Paula morreu de parto, aos vinte e cinco anos, quando  teve seu segundo filho. Do segundo casamento com Antonia Lourença Dias da Rosa, sobreviveu apenas um filho. Vicente Ferreira Xavier da Cruz,  primeiro sogro de Francisco, entrou na conversa: Eu também tive meus percalços na vida. Fiquei viúvo da minha primeira mulher Maria Francisca Duarte e perdi meu filho Vicente Ferreira Xavier de Azevedo que faleceu de febre amarela com apenas 30 anos de idade. Depois, alem da perda de  Francisca Paula citada acima, minha outra filha Maria Ignácia teve 21 filhos, dos quais sobreviveram apenas 6. Ainda bem que não sobrevivi para ver as mortes trágicas de meus netos, José da Penha, assassinado, e José Anselmo, envenenado.
João Felippe da Trindade, cunhado de Francisco Martins e, depois, sogro de Maria Josefina, filha do Tenente, entrou na conversa. Vejam, morri de picada de cobra, aos 75 anos. Vi, durante minha vida, muitas mulheres jovens morrerem de parto. Muitos morriam tísicos, como meu pai João Miguel da Trindade, que faleceu com 75 anos de idade. Meu irmão Manoel Jacinto casou, em 1866, com Josefa Francisca que  faleceu três anos depois, de hemorragia. Em 1870, ele casa com Ana Maria da Conceição, minha cunhada. A  filha deles, Maria, morreu de garrotilho com a idade de 2 anos e três meses. Em 1871, Manoel Jacinto morre tísico, com 38 anos de idade. Em 1877, Ana casa com Manoel Olímpio Cavalcante. Este último, por sua vez fica viúvo e casa com Emygdia Avelino em 1888. Miguel Francisco da Costa Machado, irmão de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e sogro de João Felippe  e de Francisco Martins, diz: eu tive mais sorte que vocês quanto ao tempo de vida na terra, pois morri com a idade de 94 anos. No meu registro de óbito consta que a causa morte foi velhice. Entretanto, passei por outras dificuldades já citadas acima, como a morte de minha filha Anna Maria, dos meus genros Francisco Martins e Manoel Jacinto. Minha esposa Anna Barbosa, faleceu antes de mim, com a idade de 50 anos, de moléstia interior. Outra filha Theresa de Jesus  ficou viúva de seu  primeiro marido Francisco Pedro Xavier da Costa  com quem  casou, em 1855. Em 1864, casou com Juvêncio Tassino, casamento que durou 5 anos, pois,  faleceu antes de completar 40 anos de idade, em 1869. Meu filho Antonio Francisco da Costa Machado casou três vezes, por conta dos falecimentos de suas esposas.
O Tenente Cirurgião Francisco Martins  retoma a palavra, dizendo: Hoje em dia a Medicina avançou muito e as pessoas vivem mais. Entretanto, em sua grande maioria, os médicos estudam mais tempo e adquirem maiores experiências, embora, nem sempre sejam reconhecidos nos seus trabalhos no serviço público. Vejam o percurso que fez meu trineto Thiago. Passou no vestibular, com apenas 16 anos de idade. Ao terminar o curso de Medicina foi aprovado em 4 concursos para Residência Médica, no Brasil, tendo optado por Porto Alegre. Por convocação da Marinha, adiou a sua ida. Após um ano de serviço como 2° Tenente Médico RNR, casou e partiu para Porto Alegre, onde já se encontrava sua esposa, Dúcia, fazendo pós-graduação em Odontologia.
Lourença Dias da Rosa, mãe de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Miguel Francisco da Costa Machado, oriunda aqui de São Gonçalo, contribui com mais informações. Em Porto Alegre, meu pentaneto, Thiago, fez Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade no Hospital Nossa Senhora da Conceição. Especializou-se em Curso de Formação  Terapia Familiar e de Casais no Instituto de Família em Porto Alegre,  fez Mestrado em Epidemiologia e pagou créditos de Doutorado, na UFRGS.
O Tenente Coronel Antonio Francisco Bezerra da Costa informou que seu pentaneto foi aprovado como médico da Prefeitura de Gravataí onde trabalhou por mais de 2 anos, tendo, inclusive, exercido interinamente a Secretaria Municipal de Saúde daquele Município. Foi, posteriormente, aprovado e contratado como professor substituto da UFRGS, em Porto Alegre. Fez, ainda,  concurso para prestar serviço como médico do PSF da Prefeitura de Porto Alegre.
Alexandre Avelino da Costa Martins, tetravô,  explicou que Thiago tinha passado pela segunda vez em um concurso da Prefeitura de Natal, tendo assumido em outubro de 2008, o cargo de médico, e, atualmente, serve em um posto de Felipe Camarão. Thiago vem lutando para conseguir uma gratificação de atenção básica sem sucesso. Recebe liquido por seu trabalho, menos de R$ 1100,00 e a única gratificação que recebe é uma produtividade, com todo o currículo que tem.
 Doutor Téodulo Avelino, fundador da cadeira de Cardiologia da UFRN, primo carnal do bisavô de Thiago e da Trisavó da Prefeita de Natal  lembra que a mesma prometeu se dedicar de corpo e alma a questão da saúde, mas não consegue resolver uma questão tão primária para a qualidade da saúde que é a atribuição de uma gratificação inerente ao cargo.
 Maria Josefina Martins Ferreira contou que seu bisneto já tinha ido várias vezes a SMS, tendo inclusive conversado com o Secretário anterior. Seis meses sem solução, Thiago enviou uma correspondência para a Prefeita com cópia para o Secretário de Administração e outra para o Secretário da Saúde e não tinha até o presente resposta de coisa alguma.
Vicente Ferreira da Costa e Mello do O' contou que o pai de Thiago já tinha conversado com o Secretário de Administração, o Adjunto da Saúde e o Adjunto da Casa Civil, todos prometendo empenho, mas nada até agora. Mais ainda, João Felipe foi até o Palácio Felipe Camarão tentar agendar uma audiência com a Prefeita desde 21 de maio de 2009 e até agora não obteve nenhuma promessa de reunião.
Por fim, os ascendentes de Thiago suspenderam a reunião para fazer uma concentração espiritual a favor da saúde de Natal.

Ricardo Wiltshire e Caetana da Invenção da Santa Cruz

Após ter apresentado o artigo sobre o Escrivão da Fazenda Real, Manoel Gonçalves Branco, fui surpreendido, no dia seguinte, pelo artigo do Professor Juarez Chagas sobre o primeiro inglês, Ricardo Wiltshire, que morou em Natal. A surpresa veio por conta do fato da esposa de Ricardo ser, exatamente, uma bisneta de Manoel Gonçalves Branco. Fui atrás do artigo de Câmara Cascudo. Ele foi publicado no "Livro das Velhas Figuras de número 1". Em seguida fui verificar os registros da Igreja da época. Alguns documentos, até pelo tempo decorrido, são de difícil leitura. Por isso, cometemos alguns equívocos quando fazemos a sua transcrição.
Vamos, portanto, fazer algumas complementações ao trabalho do Mestre Cascudo. Começamos pela data de nascimento de Caetana, a esposa de Ricardo Wiltshire. Ela não nasceu em 1778 como escreveu Cascudo, mas em 1768 como está no registro que a seguir transcrevemos.
Caetana, filha legitima de Gonçalo Soares Raposo da Câmara, natural da Paraíba, e de Dona Anna Soares de Mello, natural desta cidade, neta por parte paterna de Vitoriano Raposo da Câmara, natural desta cidade, e de Dona Joana Maria de Jesus, natural da Paraíba, e pela materna de Dionísio da Costa Soares natural (não diz, mas era de Lisboa), e de Dona Eugenia de Oliveira e Mello natural desta cidade, nasceu aos três de Maio de mil setecentos e sessenta, e oito, e foi batizada com os Santos Óleos nesta Matriz, de licença minha, pelo Padre Bonifácio da Rocha Vieira, aos vinte e dois do dito; foram padrinhos José Barbosa da Câmara, solteiro, e Dona Eugenia de Oliveira e Mello, viúva. Do que fiz este termo e que por verdade assinei. Pantaleão da Costa de Araujo, Vigário do Rio Grande.
Depois, vamos encontrar alguns registros onde Caetana foi madrinha. O primeiro ocorreu em 23 de Julho de 1780. Era o batizado de Manoel, irmão de Caetana. Foram padrinhos José Teixeira da Silva, casado, e morador em Extremoz (Cascudo prefere Estremoz) e D. Anna Felícia da Rocha, solteira, moradora no Recife, por procuração de D. Caetana Soares, filha solteira, de Gonçalo Soares Raposo da Câmara. O segundo batizado ocorreu em 26 de Julho de 1786, de Vicente, filho legitimo de Manoel do Nascimento Junior e Tereza Maria de Jesus, na Capela de Santo Antonio, que serve de Matriz, como estava escrito. Os padrinhos foram o Tenente Gonçalo Soares Raposo da Câmara e sua filha Caetana da Invenção da Santa Cruz.
As datas acima corroboram com o fato de Caetana ter nascido em 1768. Outro detalhe é que o dia que Caetana nasceu, três de Maio, é a data que se comemora a Invenção da Santa Cruz.
Por algumas deduções, o Mestre Câmara Cascudo suspeitava que a data de casamento de Ricardo e Caetana fosse 1793. Ele, com certeza não encontrou o registro de casamento que ora transcrevo. Por sinal, não consta o nome dos pais dos nubentes. Isso talvez tenha sido o motivo pelo qual Câmara Cascudo passou por cima do mesmo, sem reconhecer, ali, uma filha de Gonçalo Soares Raposo da Câmara. Outro problema é a variação que ocorre, nesses registros, dos nomes das pessoas presentes neles. O caso de Wiltshire é um exemplo.
Aos sete de Janeiro de mil setecentos e oitenta e oito, digo oitenta e nove, pelas cinco horas da tarde, pouco mais ou menos, se casaram Ricardo Wiltshire natural da Inglaterra, tendo justificado ser solteiro por mandado que me apresentou o Reverendo Doutor Vigário Geral Manoel Garcia Velho do Amaral, com dona Caetana Maria Soares de Mello, com palavras de presente, em presença do Reverendo Padre Bonifacio da Rocha Vieira, de licença minha, sem se descobrir impedimento algum até a hora do recebimento, e logo receberam as Santas Benções, sendo presentes por testemunhas o Capitão Mor José Barbosa Goveia e o Doutor Provedor da Fazenda Real Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, pessoas de mim conhecidas, moradores nesta cidade. Do que mandei fazer este assento em que por verdade assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.
Outro documento que encontrei foi o registro de óbito de uma filha do casal. Diz o registro: Aos onze de Fevereiro de mil setecentos e noventa e um faleceu da vida presente, Maria, filha legitima de Ricardo Wiltxere, de idade de sete dias, foi envolta em mortalha de tafetá azul, encomendada de licença minha pelo Padre Ignácio Castro de Almeida, e sepultada nesta Igreja de Santo Antonio; do que mandei fazer este assento, em que por verdade me assino. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.
Pela data de casamento de Ricardo e Caetana é possível que tenha havido outros filhos além de Maria e Ricardo Junior.

Registros da Freguesia do Assu (II)

O registro que segue é um daqueles que já foi transposto para um outro livro. É, portanto,  uma transcrição do original.  Acredito que trocaram o sexo do batizado, quando foram fazer a transposição. Esse que está sendo batizado pode ser Delfino Alves Martins.
"Delfina, filha legitima de José Alves Martins e Francisca Martins de Oliveira , nasceu a oito de Abril de mil oitocentos e sessenta e dois e foi solenemente batizada na Capela do Rosário pelo Padre Elias Barbalho Bezerra a vinte e seis de Julho do mesmo ano, sendo padrinhos Roque Rodrigues Correa e Maria Emília Martins Ferreira e para consta fiz este termo em que me assino. Vigário José Matos Silva."
Defino foi padrinho de Cristovão, filho de Josefina Emilia Alves Martins, sua irmã, como de Manoel Alves Martins Filho, irmão mais velho de seu Nezinho Alves. José Alves Martins, pai de Delfino, era neto do Capitão João Martins Ferreira, um dos primeiros povoadores de Macau e filho do Major José Martins Ferreira.
"Josefina, filha de José Alves Martins, e Francisca Martins de Oliveira, nasceu a dois de junho de mil oitocentos e sessenta e três e foi solenemente batizada na Capela do Rosário pelo Padre Elias Barbalho Bezerra a vinte e três de Agosto do mesmo ano, sendo Padrinhos José Alves Martins e Francisca Martins de Oliveira e para constar fisz este assento que me assino. Vigário José de Matos Silva."
Essa é Josefina Emília Alves Martins que casou com Absalão Fernandes da Silva Bacilon, avós de Aluizio Alves e Aristófanes Fernandes. Esse batismo já é uma transcrição do original, por isso a falha nos nomes dos padrinhos.
Basílio Quaresma Torreão, natural de Olinda, foi revolucionário de 1817. Foi Presidente da Província do Rio Grande do Norte, de 31 de julho de 1833 a 1 de Maio de 1836.  Criou a Comarca de Assu, cujo primeiro Juiz de Direito foi o filho Basílio Quaresma Torreão Junior. Além disso, fundou, em 3 de fevereiro de 1834, o Colégio Estadual Norteriograndense.  Vejamos o batismo de uma filha do Juiz, quando esteve no Açu.
"Maria, filha legitima do Senhor Doutor Basílio Quaresma Torreão Junior, e de Josefa Enfingenia, nasceu aos vinte, e sete de Setembro de trinta, e sete, e foi bapizada pelo Reverendo Pedro José de Queiros e Sá que lhe pôs os Santos Óleos nesta Matrisz aos dezesseis de Novembro do dito ano; foram padrinhos Francisco Luiz Nogueira, casado, morador na Freguesia de Goianinha, e Anna Catharina de Barros, avó paterna, por sua procuradora, Rachel Tália de Araújo, solteira da Freguesia de Goianinha, de que para constar fiz este assento, que me assino. Luis Teixeira da Fonseca, Vigário Interino do Assu."
Segundo Aluizio Alves, no livro "Angicos", de 1853 a 1855, dirigiu a Câmara (de Angicos) o major Francisco Xavier de Menezes, angicano dos mais esforçados, e que, na época, desempenhou notável influencia político-social no município. Pois bem, em 1845, esteve batizando uma filha no Açu.
"Adelaide filha legitima de Francisco Xavier de Menezes, e D. Maria Antonia de Fontes Taylor nasceu aos nove de Agosto de mil oitocentos, e quarenta e cinco e foi batizada a vinte e um de Dezembro do mesmo ano pelo Reverendo Elias Barbalho Beserra, que lhe impôs os Santos Óleos, de minha licença, em Oratório Privado nesta Cidade do Assu. Forão Padrinhos o Reverendo Vigário Manoel Januario Bezerra Cavalcante, e Francisca Rodrigues da Costa, por procuração, que apresentaram, aquele do Capitão Jacinto João da Ora, e esta de D. Rita Virgina de Sant'Anna, do que para constar fis este assento, em que me assino. Manoel Januário Bezerra Cavalcante, Vigário do Assú."
Esse Francisco Xavier de Menezes era pai do Professor Juvêncio Tassino Xavier de Menezes, ascendentes dos Tassino. O Capitão Jacinto João da Ora é um dos que saíram da Ilha de Manoel Gonçalves, junto com o Capitão João Martins Ferreira, para povoar a cidade de Macau, citado no artigo anterior.
Outro português que saiu da Ilha de Manoel Gonçalves e é um dos fundadores de Macau é Manoel José Fernandes, genro do Capitão João Martins Ferreira. Batizou um filho na sobredita  ilha que pertencia a Freguesia do Açu. Vejamos o batismo dele.
"José, filho legitimo de Manoel José Fernandes, Eropeu, e Anna Martins Ferreira ,natural do Assu, nasceu aos vinte e um de julho de mil oitocentos e trinta e dois e foi batizado aos vinte e nove de dezembro do mesmo ano pelo Padre Frei Antonio de Jesus Maria Lobo de minha licença no Oratório de Nossa Senhora da Conceição de Manoel Gonçalves e lhe conferiu os Sagrados Óleos. Foram padrinhos, João Martins Ferreira, casado, todos deste Assu. E para consta fiz este assento em que me assinei. Joaquim José de Santa Anna, Pároco do Assu."

Registros da Freguesia do Assu (I)

Lá de Açu, nosso amigo Alzair nos questiona: amigo Joao Felippe, nunca mais apareceu gente conhecida em seu blog sobre as famílias do Assu. Quando é que vamos ter?
Entretanto, vasculhando os livros de registros da Freguesia do Açu, encontro sobrenomes como Alustau Navarro, Lopes Galvão, Moraes Navarro, Rocha Bezerra e outros tantos que vem de longe. Vejamos, pois, alguns registros feitos no Açu. Lembramos que alguns livros são transcrições de livros mais antigos, e por isso mesmo, trazem algumas falhas como inversão no sexo do batizado, falta de um dos progenitores ou erro nos nomes dos padrinhos. Comecemos com  um Lopes Galvão.
"Cipriano filho legitimo de Cipriano Lopes Galvão, natural do Seridó, e Rosa Maria da Conceição, natural de Assú, nasceu aos quatro de Março de mil oitocentos e trinta e dois e foi batizado aos oito de Abril do dito ano pelo padre Vito Antonio de Freitas de minha licença na Capela de Santa Anna de Campo Grande e lhe conferiu os Sagrados Óleos: Foram padrinhos o mesmo Reverendo Vito Antonio todos deste Assu e para constar fiz este assento em que me assinei. Joaquim José de Santa Anna, Parocho do Assu."
Esse Cipriano não encontrei entre os tantos Ciprianos lá de Currais Novos, mas deve ser descendente de Cipriano Lopes Pimentel e Tereza da Silva.
"Francisca, branca, filha legitima de João Gomes Carneiro e Anna Joaquina Teixeira nasceu a vinte de abril e foi solenemente batizada a trinta de Maio de mil oitocentos e quarenta e oito pelo Padre Silvério Bezerra de Menezes com os Santos Óleos ,de minha licença ,na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Vila de Macau: foram Padrinhos Antonio Teixeira de Sousa e Francisca Joaquina Gonçalves: do que para constar fiz lançar este termo em que me assino. Manoel Januário Bezerra Cavalcante, Vigário Colado do Assu."
Essa batizada é Francisca Bella Carneiro de Mello que casou, em 20 de Janeiro de 1864, na Fazenda Conceição, com Cosme Teixeira Xavier de Carvalho, irmão de Francisca de Paula Maria de Carvalho, minha bisavó, e de Maria Ignacia Teixeira do Carmo, mãe do Capitão José da Penha. Desconfio que esse João Gomes Carneiro de Melo era filho de João Gomes Carneiro que casou em 1800 com Maria Teresa de Melo.
Vejamos agora registros de filhos do Barão do Açu, Luiz Gonzaga de Brito Guerra, descendente de Tomás de Araújo Pereira.
"Lino filho legitimo do Doutor Luiz Gonzaga de Brito Guerra e de sua mulher dona Maria Mafalda de Oliveira nasceu aos vinte e três de Setembro de mil oitocentos e quarenta e seis, e foi batizado a um de Dezembro do dito ano na Matriz de São João Baptista de Apudi pelo Reverendo Vigário Faustino Gomes de Oliveira que lhe impôs os Santos Óleos de minha licença. Foram padrinhos Benvenuto Praxedes Benevides d'Oliveira, solteiro, e Dona Quitéria Ferreira de S. Lusia, casada, do que para constar fiz este assento em que me assino, Manoel Januário Bezerra Calvalcante Paróco Colado do Assu."
Esse é Lino Constâncio de Brito Guerra que casou com a tia, Maria Idalina de Oliveira. No registro a seguir, que já é uma transcrição, como comentado acima, não colocaram o nome da mãe e trocaram o sexo do batizado. É o batismo  de Boaventura Seráfico de Brito Guerra e a mãe dele era a segunda esposa do Barão, Josefina Agustina da Nóbrega. Algumas informações complementares foram retiradas do livro de Raimundo Nonato, "Alferes Teófilo Olegário de Brito Guerra, um memorialista esquecido."
 "Boaventura filha legitima de Luis Gonzaga de Brito Guerra e nasceu a quatorze de julho de mil oitocentos e sessenta e três, e foi solenemente batizado por seu próprio pai e tomou os santos óleos na Matriz desta a trinta e um de Agosto do mesmos ano, sendo padrinhos Luis da Fonseca Silva: e para constar fiz este assento em que me assino. Vigário Jose de Matos Silva"
Outro registro interessante é  relativo à família Raposo da Câmara. Manuel pai e Manuel padrinho eram irmãos e casaram com duas irmãs Umbelina Maria da Conceição e Francisca Xavier Professora, irmãs de minha bisavó Francisca Rita.
"Maria filha legitima de Manuel de Borja Raposo da Camara e Umbelina Maria do Espírito Santo nasceu a oito de Setembro de mil oitocentos e sessenta e sete, e foi solenemente batizada, de minha licença ,na Capela de Nossa Senhora do Rosário pelo Padre Elias Barbalho Bezerra, a cinco de Dezembro do mesmo ano, sendo Padrinhos Manuel Jerônimo Caminha Raposo da Camara e Francisca Xavier. E para constar mandei fazer este assento em que me assino. Vigário José de Matos Silva."
Por fim o batismo de uma filha do brasileiro Jacinto João da Ora, um das pessoas citadas por Cascudo que saiu da Ilha de Manoel Gonçalves para povoar Macau.
" Anna filha legitima de Jacinto João da Ora, natural do Assu, e Adriana dos Anjos ,natural de Extremôz, nasceu  aos cinco de Fevereiro de mil oitocentos e vinte e cinco e foi batizada aos nove de Dezembro do dito ano no Oratório de Nossa Senhora da Conceição de Manoel Gonçalves e lhe conferi os Sagrados Óleos. Foram padrinhos Andre de Sousa Miranda e Francisca das Chagas Miranda solteiros, todos deste Assu. E para consta fiz este assento em que me assino. Joaquim José de Santa Anna. Pároco do Assu.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Raposo da Câmara


Fábio Arruda, lá das Alagoas, incluiu no DVD que nos presenteou as imagens dos dois volumes do Major Salvador Coelho Drumond de Albuquerque, que trazem, no seu titulo, os seguintes dizeres:
"Notas Históricas e Curiosas referentes aos séculos 16°, 17° e 18º contendo assentos, escripturas, cartas  de sesmarias, doações e outros escriptos, que se achavão dispersos em fragmentos quase distruidos e innintelligiveis, os quaes vão aqui copiados, para se conservar a memoria do que eles continhão. Instituto Archeologico e Geográfico Pernambucano. 1876 e 1890.", É lá nesse trabalho memorável que vamos encontrar o casamento de Manoel Raposo da Câmara. Escreveu o Major Salvador: "Do casamento constante do assento que se segue proveio o tronco da família dos Raposo da Camara da Freguesia do Rio Grande do Norte o qual está a folha 34 e é o seguinte:
"Em 6 de Outubro de 1709 nesta Paroquia de Nossa Senhora da Apresentação em minha presença se receberam com palavras de presente Manoel Raposo da Camara natural da Cidade de Ponta Delgada da Ilha de Sam Miguel da Freguesia  do Mártir San Sebastião, filho do Capitão Francisco Pereira do Amaral e de sua mulher D. Josepha da Camara, com D. Antonia da Silva, filha do Alferes Antonio da Silva Carvalho e de sua mulher Suzana de Oliveira, fregueses desta Freguesia; testemunhas o Capitão Manoel Gonçalves Branco, o Alferes Alberto Pimentel e sua mulher Francisca de Oliveira, e D. Joana de Barros Coutinho. De que fiz este assento em que me assinei. O Vigário Simão Rodrigues de Sá."
Entre os filhos do casal, podemos citar Antonio Raposo da Câmara que casou com Constancia de Albuquerque e Mello, Antonio da Câmara e Silva que casou com Anna Maria de Torres de Vasconcelos, Marcelina do Espírito Santo que casou com Ambrosio Manoel de Albuquerque,  Victoriano da Silva e Camara que casou com Joana Maria de Jesus, Anna da Câmara e Silva que casou com Theodosio de Oliveira Leyte. Vamos transcrever o casamento deste último casal, por ser um dos mais antigos que encontramos aqui em Natal. Por ser um documento antigo tem partes quase ilegíveis. Fizemos o possível para transcrever de forma  mais precisa possível. Em quase todos os registros daqui a grafia é Camera e não Câmara.
"Aos vinte e nove de junho de  mil setecentos e vinte e nove anos nesta Matriz de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte donde os contraentes são fregueses, feitas nelas as denunciações, e na Capela de  Santo Antonio do Potigy donde é o Contrahente morador, e na Matriz de Sam Pedro Mártir da Cidade de Olynda donde é natural sem se descobrir impedimento algum, e na presença minha, sendo presentes por testemunhas o Capitão Bonifácio da Rocha Vieira homem casado, o Tenente Faustino da Sylva, Plácida da Sylva Freire mulher do dito, Dona Theodosia da Rocha, filha do Capitão Theodosio da Rocha pessoas conhecidas, e fregueses desta Freguesia se casarão em face da Igreja solenemente por palavras Theodosio de Oliveira Leyte natural da Freguesia de S. Pedro Mártir da cidade de Olynda deste Bispado filho legitimo do Capitão Thomé Leyte de Oliveira, e de sua mulher Maria das Neves já defuntos fregueses que foram da dita freguesia, e Dona Anna da Câmera e Sylva, filha legítima do Capitão Manuel Raposo da Câmera, natural da Ilha de Sam Miguel freguesia de Sam Sebastião Mártir e de sua mulher Doma Antonia da Sylva moradores e fregueses desta freguesia justificando o Contraente perante mim por comissão do muito Reverendo Senhor Vigario Geral o Senhor Antonio Pereira da Costa ser solteiro livre e desimpedido, e deu fiança aos banhos e mandattos corridos de outras freguesias por onde assitio nesses certoens, guardando em tudo a forma do ditto mandado, a do Sagrado Concilio Tridentino e logo lhes deo as bençoens. Do que mandei fazer este assento em que por verdade assino. Manuel Correa Gomes, Vigário."
Essa família está espalhada, acredito, por todo o Rio Grande do Norte. Há  entrelaçamentos dela  com a minha família lá de Angicos. Minha bisavó, Francisca Rita Xavier da Costa,  tinha três irmãs que casaram com pessoas da família Raposo da Câmara. Vamos exemplificar um desses casamentos.
"Aos sete dias do mês de Janeiro de mil oito centos e cinqüenta, e quatro, digo, e cinco, as três horas, e meia da tarde, n'esta Matriz do Glorioso São José de Angicos, tendo precedido dispensa de sanguinidade, as Canônicas Denuniciações, sem impedimento, Confissão, Comunhão, e exame de Doutrina Christã, em minha presença, e das testemunhas José Teixeira de Sousa, e João Felippe da Trindade, se uniram em Matrimonio , por palavras de presente, e tiveram as Bênçãos nupciais, os meus Fregueses Manoel Jerônimo Caminha Raposo da Camara, e Francisca Xavier Professora naturais, e moradores n'esta freguesia, filhos legítimos; ele de Francisco de Borja Soares Raposo da Camara, e Anna Francisca dos Milagres, e ela, de Miguel Francisco da Costa Machado, e Anna Barbosa da Conceição; de que para constar faço este termo em que assino com as mencionada testemunhas. O vigário Felis Alves de Sousa, José Teixeira de Sousa. João Felippe da Trindade."
Umbelina Maria do Espírito Santo, irmã de Francisca  Professora casou, em 19 de Agosto de 1859, com Manoel de Borja Raposo da Camara, irmão de Manoel Jerônimo. Outra irmã de Francisca Professora, Anna Maria da Conceição casou, em 25 de janeiro de 1877, com Manoel Olimpio Dantas Cavalcante, lá de Macau, que era filho de Manoel Dantas Cavalcante e Michaela Cândida Raposo da Câmara, também filha de Francisco de Borja e Anna Francisca, moradores em Macau.
No nosso blog http://trindade.blog.digi.com.br colocamos mais informações sobre os descendentes de Manuel Raposo da Câmara compiladas por Fábio Arruda e Daniele Cristina F. S. Há também a transcrição do casamento de Gonçalo Soares Raposo da Câmara, neto de Manuel Raposo e Antonia da Sylva.

Quem eram os pais de José de Borja

Em belíssimo artigo, publicado na "Revista  Cincoentenário (Poliantéia)", sob a direção de Manoel Rodrigues de Melo, comemorativa ao cinqüentenário de Pendências, com o título de "O advogado José de Borja", Luis da Câmara Cascudo pergunta sobre os pais de José de Borja Caminha Raposo da Câmara. Embora tenha, ele mesmo respondido que eram Francisco de Borja Raposo da Câmara e Ana Maria dos Milagres Caminha, ainda restava uma dúvida. "Por essa filiação o nosso homem não é primo dos Cabrais do Assú, colegas e chefes do Partido Conservador na Província, Otaviano, Leocádio, Jerônimo e Gabriel...". Cascudo aventava, ainda,  a hipótese de José de Borja ser filho de José Barbosa Caminha Raposo da Câmara. Veja o artigo completo no blog: http://www.trindade.blog.digi.com.br.
José de Borja Caminha Raposo da Câmara nunca casou. Por isso, ficou mais difícil encontrar o nome de seus pais, coisa comum nos registros de casamento. Entretanto, por outras vias, fica comprovada a primeira hipótese de Cascudo. Encontramos dois registros de casamento, da Freguesia de Angicos, que explicita o nome do pai de José Borja, eliminando por completo a segunda hipótese. Vejamos,inicialmente, o casamento de Thomas Vieira de Mello.
"As oito horas da noite do dia 12 d'Agosto de 1852, na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Vila de Macao uni, e logo abençoei em Matrimonio, aos contraentes, meus Fregueses, Thomas Vieira de Mello, viúvo, e Floriana Francisca das Mercês, moradores no Sitio Canafistula, d'esta Freguesia, na presença das testemunhas conhecidas, Francisco de Borja Suares Raposo da Câmera, e seu filho, José de Borja Caminha Raposo da Câmera, solteiro. As denunciações, e a hora em que foi celebrado este casamento, foram dispensados pelo Reverendo Vigário Visitador da Província, Manoel José Fernandes por despacho de 11 d'Agosto do dito ano. Do que para constar faço este assento em que assino. Felis Alves de Sousa, Vigário Colado d"Angicos."
Após o sol se por, tinha que haver autorização para se fazer o casamento. Daí a observação. Vejamos, agora, a revalidação do casamento de Francisco Martins de Miranda Junior.
"As 12 horas do dia 17 de Agosto de 1852, na Vila de Macao, na casa de morada de Francisco de Borja Soares Raposo da Camara, revalidei o Casamento nulo de Francisco Martins de Miranda Junior, filho legitimo de Francisco de Miranda , e de Felisberta Maria do Espírito Santo, com Anna Francisca da Silveira, filha legitima de Faustino José da Silveira, e de Margarida Maria da Rocha, meus fregueses, moradores na Praia de Barreiras, desta Freguesia d'Angicos, na presença das testemunhas Francisco de Borja Raposo da Camara e seu filho José de Borja Caminha Raposo da Camara, solteiro, por estarem dispensados pelo Reverendissimo Senhor Visitador Manoel José Fernandes, por despacho de 9 do referido mês e ano, do parentesco de afinidade ilícita com que estavam ligados, o que anulou o casamento dos ditos meus fregueses, celebrado aos 8 de 8bro de 1848, pelo Reverendo Vigário da Freguesia do Assu, Manoel Januário Bezerra Cavalcante, de quem eram então fregueses; do que para constar faço este assento, em que assino. Felis Alves de Sousa, Vigário Colado d'Angicos."
Em quase todos os registros que encontrei, o nome da esposa de Francisco de Borja era Anna Francisca dos Milagres. Não aparecia o sobrenome Caminha como cita Cascudo.
Nestor Lima quando escreveu sobre Angicos, disse que Guilherme Lopes Viégas casou na família de D. Maria Cunha, ascendente dos Gabrieis ou Cabrais Raposo da Câmara. Não deu maiores detalhes. No próximo artigo vamos dar mais informações da vida de Francisco de Borja Soares Raposo da Camara, pai de José de Borja.

O óbito do Coronel André de Albuquerque Maranhão

No dia 6 de Setembro de 2009, vi publicado, no Diário de Natal, uma matéria cujo título era "Herói esquecido da Independência". Diz o artigo em um dos seus trechos: "o revolucionário André de Albuquerque Maranhão não é reconhecido como herói nacional, nem tampouco do estado e nem de Natal."
Em 6 de março de 1817 teve início, em Recife, a revolução republicana chefiada pelo capixaba Domingos José Martins  que contou, também, com a participação do nosso Padre Miguelinho, ambos arcabuzados em 12 de junho de 1817, em Salvador.
Um dos documentos apresentado por Norbertino Bahiense, no seu livro "Domingos Martins e a Revolução Pernambucana de 1817", é uma carta dirigida por Domingos para André de Albuquerque Maranhão. Em um dos trechos da carta encontramos o seguinte: "minha consorte fiel patriota como eu vos envia seus cumprimentos, ela vos conhece como herói que faz apreciável o clima em que nascemos, e quando tiver a fortuna de vos avistar, recebereis de sua própria boca os mais elogios de que sois credor."
No passado encontramos diversas manifestações para homenagear nosso herói republicano. Vejamos uma delas.
Em 27 de Agosto de  1890,  Joaquim Xavier da Silveira Junior, Governador do Estado do Rio Grande do Norte,  assinou o  decreto de número 47, que trata de feriados para homenagear vários personagens da nossa História, cujo texto integral transcrevi para o blog: http:// trindade.blog.digi.com.br. No considerando de letra c, encontramos os seguintes dizeres:
Que, entre os factos históricos do Rio Grande do Norte, bem merecem da veneração e do reconhecimento da posteridade:
"O governo republicano instituído em 1817 por André de Albuquerque, o legendário patriota norte-rio-grandense e glorioso martyr da Independência e da Republica, cujo heroísmo e cujas virtudes cívicas tão volumoso affluente representam para a immensa caudal das aspirações republicanas que já de tão longe vinha trabalhando a geographia moral da communhão brazileira;"
A data escolhida como feriado para homenagear André de Albuquerque Maranhão está expressa no decreto da seguinte forma:
"19 de Março, consagrado à commemoração do Governo de André de Albuquerque".
Por último vamos transcrever o óbito do nosso herói.Tenho visto diversos registros de óbitos nas minhas pesquisas genealógicas, mas não encontrei um registro mais insignificante, pelo que ele representou na nossa História, do que o de André de Albuquerque Maranhão.
Quem não conhece a nossa História não reconhecerá naquele registro uma pessoa importante para a nossa Independência. Vamos ao registro e alguns comentários.
"Aos vinte e seis de Abril de mil oitocentos e dezasete faleceo da vida prezente nesta freguesia tendo recebido os Sacramentos de Penitencia e Unção o Coronel André de Albuquerque Maranhão branco solteiro com a idade de quarenta annos, pouco mais ou menos. Foi sepultado nesta Matriz envolto em huma esteira depois de ser encomendado pelo Reverendo Coadjutor Simão Judas Thadeo de minha licença. E para constar fiz este termo que asignei. Feliciano José Dornelles, vigário Collado.
O padre Feliciano José Dornelles que assina o registro foi um dos Secretários do governo de André de Albuquerque. Foi preso e alegou em sua defesa que foi obrigado a aceitar o convite para ser Secretário. No registro, não fez nenhuma referencia maior ao motivo da morte, nem que Andre ocupou o cargo de Governador durante a Revolução de 1817.

O Escrivão da Fazenda Real, Manoel Gonçalves Branco

É nos artigos do Barão de Studart, na Revista Trimensal do Instituto do Ceará, sobre Moraes Navarro, que encontramos uma certidão de Manoel Gonçalves Branco, como escrivão da Fazenda Real, Alfândega e Almoxarifado, matrícula na Cidade do Natal do Rio Grande do Norte, passada no Arraial do Assu, em 1699.

Encontramos no livro de registros de batismos da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, nove filhos de Manoel Gonçalves Branco e Dona Catarina de Oliveira e Mello. Dona Catarina, como citamos em artigo anterior, era irmã de Dona Suzana de Oliveira e Mello, sogra de Manoel Raposo da Câmara.

Nesse livro de registros não há a data do nascimento, mas somente a de batismo. Do período que vai de 1689 até 1709, aparecem batizados os seguintes filhos de Manoel Gonçalves e Catarina de Oliveira, e seus respectivos padrinhos; Antonio, tendo como padrinhos Domingos Madeira Diniz e Antonia Tavares de Melo; Gregório, tendo com padrinhos Manoel Rodrigues Santiago e Domingas Gomes, filha do capitão Pedro da Costa Faleiros; Maria, cujo padrinho foi Bernardo Vieira de Melo; Caetano, sendo padrinhos Padre Manoel de Jesus e Catarina Leitão; Francisco, cujos padrinhos foram Alberto Pimentel e Suzana de Oliveira de Melo, mulher de Antonio da Silva Carvalho; João, tendo como padrinhos Jerônimo Gonçalves e Francisca de Oliveira, mulher de Alberto Pimentel; Manoel, cujos padrinhos foram o coronel Manoel Gomes Torres e Maria da Silva; Valentim, tendo como padrinhos Padre Antonio Rodrigues Fontes e Tomas de Brito Ferras; Eugenia, cujos padrinhos foram Manoel Lopes Machado e Dona Antonia da Sylva, casada com Manoel Raposo da Câmara; Miguel, cujos padrinhos foram o Padre Antonio Rodrigues Fontes e Joana de Barros Coutinho, esposa de Manoel Rodrigues Taborda.

Procurando a trajetória desses filhos em outros livros, dos que sobraram, encontramos os seguintes registros que descrevo resumidamente. É interessante observar que a maioria carrega o sobrenome da mãe, Catarina de Oliveira e Mello.

A primeira é Maria. Ela aparece, com o nome de Maria da Conceição, no livro citado acima de batismo, sendo madrinha junto com o pai em duas ocasiões. Uma em 1706 e outra em 1708. Vamos encontrar Maria da Conceição Oliveira, novamente, em um casamento do filho Manoel Gonçalves Branco, mesmo nome do avô, em 1755. Manoel casou na Capela da Senhora Santa Ana da Missão de Mipibu, com Rosa Maria da Encarnação, filha legitima de Antonio Cardoso Batalha e Anna Maria da Apresentação. Por esse registro, observamos que Maria da Conceição de Oliveira casou com o português de Arrifana de Sousa, Bispado do Porto (Penafiel), José Pinheiro Teixeira.

Valentim Tavares de Melo, outro filho do Escrivão Manoel Gonçalves Branco e de Dona Catarina de Oliveira e Melo, casou, em 18 de Julho de 1735, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, com Angélica de Azevedo Leite, filha legitima do coronel Carlos de Azevedo do Vale e de sua mulher Izabel de Barros. Nessa data, dona Catarina esteve presente e já era viúva. Em 1740, Valentim aparece casado com Luiza de Albuquerque. Em 1748, essa Luiza, já viúva, casa com o viúvo Manoel Gomes da Silveira.

Miguel de Oliveira e Melo que foi batizado 29 de setembro de 1711, casou, em 23 de novembro de 1729 , na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, com Ângela Correa da Costa, filha do Coronel Fradique Correa da Costa, e de sua mulher Paula Pereira. Estiveram presentes como testemunhas, o sargento-mor Gregório de Oliveira e Mello, o tenente Francisco de Oliveira Banhos, morador em Recife, Maria da Conceição, mulher de José Pinheiro Teixeira, Maria de Abreu, mulher do capitão João Fernandes. Nesse registro, o escrivão Manoel Gonçalves Branco aparece como "homem do Reino, já falecido.

A filha Eugenia de Oliveira e Mello, que foi batizada em 6 de outubro de 1709, casou em 10 de novembro de 1734, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, com o sargento-mor Dionísio da Costa Soares, filho de Manoel Borges Soares e de sua mulher Jacinta da Costa Prodiga. Ele era natural de Lisboa. Estiveram presentes como testemunhas o capitão-mor da Capitania João de Teive Barreto de Menezes e o que foi João de Barros Braga, Dona Plácida, mulher do sargento- mor Hilário da Costa Rocha, e Antonia Sylva Freire mulher do capitão Francisco Lopes de Macedo.

Dionísio da Costa Soares e Eugenia de Oliveira e Melo tiveram uma filha de nome Jacinta Prodiga da Costa que casou com Manoel de Araújo Correa, filho de João Rodrigues Seixas e Joana Rodrigues Santiago. Em  1785,  foi batizado Ignácio, filho desse último casal, na Capela de Nossa Senhora do Socorro de Utinga.

O sargento-mor Gregório de Oliveira e Mello, que foi batizado em 17 de junho de 1692, foi padrinho, junto com a irmã Maria da Conceição, de Ana, filha de Manoel Raposo da Câmara e Antonia da Silva (prima de Gregório), em 1710. Vamos encontrá-lo como testemunha no casamento de Luciano Pinto de Araújo com Liandra Gomes da Costa, em 24 de novembro de 1727. Em vinte e seis de novembro de 1739, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, Catherina de Oliveira e Mello, uma filha natural de Gregório de Oliveira e de Suzana Brito Palhano, casou com João da Costa de Almeida, filho legitimo do capitão Manoel Correa Pestana e de sua mulher Joana de Freitas, com a presença do capitão José Pinheiro Teixeira, do sargento-mor Valentim Tavares de Mello e Ângela Correa Mello.

Esses foram alguns registros que consegui recompor de alguns descendentes do Escrivão da Fazenda Real, Manoel Gonçalves Branco.

O Capitão Theodósio da Rocha

Nos documentos escritos pelo Barão de Studart sobre o Mestre de Campo Manoel Álvares de Moraes Navarro, Comandante do Terço Paulista, o capitão Theodosio da Rocha é citado como um dos cabos principais. Fazia parte do grupo de maior responsabilidade. Theodosio também é citado através de documentos como um dos participantes ativos na briga entre o Mestre de Campo e o Capitão Mor do Rio Grande do Norte, Bernardo Vieira de Mello. No livro de batismo que cobre o período de 1688 a 1712, encontramos vários registros de filhos de Theodosio que reproduzimos aqui.
"Aos 2 de Junho de 1692 batizou o Padre Coadjutor Domingos de Araujo Pinto a Theresa filha do Capitam Theodosio da Rocha, e de sua mulher Dona Antonia de Oliveira. Foram Padrinhos eu o vigário Basílio de Abreu e Andrade e Paula Barbosa mulher do Capitam Theodosio de Graciman, de que fiz este assento em que me assignei. Basílio de Abreu e Andrade."
O Capitão Theodosio de Graciman é descendente do holandês que chefiou o forte do Reis Magos, Joris Garstman. A grafia muda de registro para registro.
"Aos 6 de Dezembro de 1694 batizou o Padre Coadjutor Eloy de Freitas em esta Matriz de Nossa Senhora da Apresentação a João filho do Capitão Theodosio da Rocha, e de sua mulher Dona Antonia de Oliveira foram Padrinhos o Capitão Gaspar Freire de Carvalho e D. Theodosia irmã do batizado, de que fiz este assento em que me assinei. Basílio de Abreu e Andrade."
Theodosia da Rocha é apresentado várias vezes no livro de batismo como filha do Capitão Theodosio da Rocha. Em alguns registros como esposa de Manoel da Costa Rego. Há um registro de batismo de uma filha deste casal de nome Felizarda, posteriormente, Felizarda Filgueira é apresentada como filha da viúva Theodosia da Rocha. 
"Em 27 de janeiro de 1698 ano na Capela de Putegi do Glorioso Sancto Antonio Batizei a Theodosio do Capitão Theodosio da Rocha e sua mulher Dona Antonia de Oliveira defunta; foram padrinhos Bernardo Vieira de Mello e sua mãe Dona Catherina Leitão; tem os Sanctos Óleos. Simão Rodrigues de Sáa."
Esse Bernardo Vieira de Mello, acima é o filho de Capitão Mor Bernardo Vieira de Mello que era casado com Dona Catherina Leitão, como aparece em outros registros.
"A 10 de Junho na Capela de Santo Antonio batizou o Reverendo Padre Manoel Lessa Rosa (esse é o nome do padre que consegui ler) a Bonifácio filho do Sargento mor Theodosio da Rocha e de  sua mulher D. Antonia. Padrinhos  o Capitão Afonso de Albuquerque e Maria de Sá. Paulo da Costa"
O capitão acima deve ser Afonso de Albuquerque Maranhão, pois, nesse mesmo livro de batismo, aparece o registro de Mathias filho de Afonso e Isabel Pacheco.
"Em 9 de Julho de 1690 batizou o Padre Frei Thomé de Jesus em a Capela de Santo Antônio a Antonio filho do  Capitão Theodosio da Rocha e de sua mulher D. Antonia de Oliveira. Padrinhos o Sargento mor Manoel de Abreu Frielas e Anna Gomes, foi de Comissão do Reverendo Paulo da Costa Barros, vigário que foi desta Igreja do que fiz este assento, em que me assinei. Basílio de Abreu e Andrade.
Esse Antonio acima deve ser Antonio Vaz Gondim, pois em um registro de casamento ele é dado como filho de Theodosio da Rocha. Em um registro de sesmaria Antonio Vaz Gondim  é apresentado como irmão de Damião da Rocha outro filho de Theodosio.
Uma outra filha de Theodosio e Antonia era Margarida da Rocha que casou em 1707 com José Porrate de Moraes Castro. Uma das testemunhas foi o Mestre de Campo, Manoel Álvares de Moraes Navarro. Quanto a Marianna da Rocha, só aparece como madrinha. Vejamos agora um casamento de um filho de Theodosio da Rocha
."Aos vinte e um de janeiro de mil setecentos e vinte e oito anos pela manhã na Capela de Nossa Senhora da Soledade de Aldeia Velha deste Rio Grande do Norte, feitas as denunciações  na forma do Sagrado Concilio Tridentino nesta Matriz de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande, donde os Contraentes são naturais e moradores, e na Capela de Otinga invocação de Nossa Senhora do Socorro e na Freguesia  do Assu, onde  assistiu  o Contraente sem se descobrir  impedimento em presença do Reverendo Licenciado João Gomes Freire Coadjutor desta Matriz do Rio Grande, sendo presente por testemunhas o Coronel João Pereira da V. o Capitão João Leite de Oliveira, casados, Damasia Gomes da Câmara mulher  do Coronel Theodosio Freire de Amorim, e Antonia da Silva Freire, mulher do Capitão Francisco Lopes de Macedo, pessoas conhecidas, se casaram em face da Igreja Solenemente por palavras o Capitão Bonifácio da Roxa Vieira, filho do Capitão Theodosio da Roxa, e de sua mulher Dona Antonia de Oliveira já defunta, natural deste dito Rio Grande, morador em Potigy e fregueses desta Matriz do Rio Grande, com Ignacia Gomes Freire, filha do Coronel Antonio Dias Pereira, já defunto, e de sua mulher  Maria Gomes Freire, natural de Aldea Velha, e nela moradora, e da dita Freguesia do Rio Grande: e logo lhes deu as Benções conforme os ritos e Cerimônias da Santa Madre Igreja , de que tudo, fiz. Manoel Correa Gomes, Vigário."

O Capitão Silvério Martins de Oliveira

Professor da UFRN e membro do IHGRN
O Capitão Silvério Martins de Oliveira não está relacionado entre as pessoas que saíram da Ilha de Manoel Gonçalves para povoar Macau. Entretanto, era uma presença constante nos atos religiosos daquela Ilha, ora como padrinho, ora como testemunha, algumas vezes na companhia do Capitão João Martins Ferreira. Veremos aqui alguns registros para comprovar sua presença naquela região do Assu.
"Aos cinco dias do mês de Maio de mil oitocentos e vinte e nove, na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Ilha de Manoel Gonçalves, em presença do Padre José Berardo e das testemunhas abaixo nomeadas, de minha licença, se receberam por Esposos presentes Manoel de Sousa Monteiro e Anna Francisca Leça meus fregueses. O Esposo, de idade de vinte e um anos, filho natural de Leonor de Tal: A esposa, de idade de vinte e seis anos, filha natural de Anna Francisca da Conceição naturais e moradores na Freguesia do Assu onde se fizeram as Denunciações Nupciais, sem impedimento, e logo lhe deu as bênçãos matrimoniais sendo primeiramente confessados e examinados na Doutrina Cristã, presentes por testemunhas, o Capitão João Martins Ferreira e o Capitão Silvério Martins de Oliveira, casados, todos deste Assu, e para constar fiz este assento, em que me assino. Joaquim José de Santa Anna, Pároco do Assu".
Entre os apadrinhados de Silvério e Joana, está um neto do Capitão João Martins Ferreira ( administrador da terras de Bento José da Costa) e de sua mulher Dona Josefa Clara Lessa. Vejamos o registro.
"Manoel, branco, filho natural de José Martins Ferreira e Delfina Maria dos Prazeres, moradores nesta Freguesa, nasceu a dezenove de Abril de mil oitocentos e trinta, e foi batizado solenemente, com os Santos Óleos, aos vinte um de Maio do mesmo ano, em Macau, pelo Reverendo José Berardo de Carvalho, de minha licença; o qual disse, em minha presença, reconhecer o dito párvulo seu filho, e me pediu fizesse essa declaração para todo tempo constar; foram padrinhos o Capitão Silvério Martins de Oliveira e sua mulher Joana Nepomucena; do que para constar mandei fazer este assento, e por verdade assinei. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva."
Esse neto do Capitão João Martins Ferreira encontramos, posteriormente, em Cacimbas do Viana, com o nome de Manoel José Martins. Casou com Prudência Teixeira Martins.
Diz F.F Araújo, no artigo Fragmentos Históricos, publicado no livro 1º Centenário da Ordenação Sacerdotal do Monsenhor Joaquim Honório da Silveira, quando tratou da Mesa de Rendas Estaduais de Macau: "Foi Silvério Martins de Oliveira o seu primeiro administrador que, no período de Julho de 1837 a Junho de 1838, arrecadou a importância de 3:682$978, como se verifica  de documentos existentes no arquivo do Departamento da Fazenda".
Outra informação, já mencionado em artigo anterior diz: Na eleição de 3 de Dezembro de 1821, para Junta Constitucional do Rio Grande do Norte, o Capitão Silvério foi um dos três representantes de Apodi, no colégio eleitoral de 43 eleitores de paróquia.
Recebo de Marcos Pinto algumas informações sobre o Capitão Silvério Martins de Oliveira. Escreveu Marcos Pinto que a esposa de Silvério, Joana Nepomucena, era filha do Capitão Manoel Ignácio de Carvalho e Anna Josepha Joaquina de Albuquerque, residentes na Serra de Martins.
Diz ainda Marcos que no inventário de Anna Josepha (ano de 1830), em Martins, e nessa época viúva, consta informação de Silvério dando conta que a falecida sogra residia na Ilha de Manoel Gonçalves, de onde saiu em setembro de 1828. Silvério era Capitão de ordenanças da Vila de Portalegre e que, em outubro de 1826, se encontrava residindo na Ilha de Manoel Gonçalves.
Nos registros de óbitos da Catedral, encontramos os de Silvério e Joana, com uma diferença de menos de seis meses, que transcrevo para cá. Nessa época já morava em Natal como se pode ver.
"Aos vinte e dois de Agosto de mil oitocentos e quarenta e nove faleceu da vida presente com todos os Sacramentos D. Joanna Nepomuceno de Oliveira, branca, casada com o Capitão Silvério Martins de Oliveira, foi sepultada na Capela da Ribeira, envolta em habito branco, e para constar fiz este assento. Bartholomeu da Rocha Fagundes. Vigário Colado".
"Aos nove de março de mil oitocentos e cinqüenta faleceu da vida presente com todos os sacramentos Silvério Martins d'Oliveira, branco, viúvo, morador na Ribeira, com a idade de Setenta e cinco anos: foi sepultado na Capela do Senhor Bom Jesus das Dores com habito preto encomendado por mim. E para constar fiz este assento. Bartholomeu da Rocha Fagundes. Vigário Colado."
Pela informação acima, o Capitão Silvério deve ter nascido por volta de 1775. Suspeito que a esposa de Elisiário Antonio Cordeiro, Antonia Silvéria de Oliveira, era filha de Silvério e Joana. Acredito, também, que o casal tinha uma outra filha de nome Joana Nepomucena de Jesus. Por fim, mais um registro da presença do Capitão Silvério na região do Assú, bem como sua convivência com o Capitão João Martins Ferreira.
Aos 3 dias do mês de Fevereiro de mil oitocentos e seis pelas duas horas da tarde na Boca do Rio, em presença do Padre Frei José de Sam Gualberto Carmilitano e das testemunhas abaixo nomeadas, de minha licença, se receberam por Esposos presentes João Baptista e Maria Gomes Leça, meus paroquianos. O Esposo de idade de vinte e seis anos, filho legitimo de João Rodrigues do Espírito Santo e Margarida Francisca de Oliveira; a Esposa de vinte e dois anos, filha legitima de Joaquim Álvares Leça, já falecido e Ana Gomes, naturais e moradores nesta Freguesia de São João Baptista do AssuAssu, e para constar fiz este assento, em que me assino. Joaquim José de Santa Ana, Pároco do Assu.

O Capitão Bernardo Vieira de Mello

Uma das maiores avenidas de nossa cidade recebeu o nome de Bernardo Vieira. O homenageado nasceu na freguesia de Muribeca, atualmente Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. Era filho do Capitão de Ordenanças Bernardo Vieira de Melo e de Dona Maria Camelo de Melo. Teve uma vida recheada de muitas lutas. Uma delas foi a participação na campanha de conquista do Quilombo de Palmares, juntamente com Domingos Jorge Velho e André Furtado de Mendonça. Dessa participação resultou sua nomeação para Capitão mor do Rio Grande do Norte, em 08 de janeiro de 1695. Aqui, fundou o Arraial de Nossa Senhora dos Prazeres, em Açu, no ano de 1696.
Encontramos vários registros da presença de Bernardo Vieira de Melo e seus familiares, como padrinhos de batismos, aqui na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação. Vejamos esses registros.
Já em 8 de dezembro de 1695, mesmo ano que chegou aqui, foi padrinho de Manoel, filho de Manoel Gonçalves Branco e de Catarina de Oliveira. Dona Catarina era tia de Antonia da Silva, esposa de Manoel Raposo da Câmara.
No ano seguinte, em 30 de Janeiro, na matriz de Nossa Senhora da Apresentação, o Capitão mor Bernarda Vieira de Mello e sua mulher Catarina Leitão foram padrinhos de Ignez, filha de Domingos Carvalho e Catarina de Barros. Dona Catarina, segunda esposa de Bernardo Vieira, era filha do Capitão Gonçalo Leitão Arnoso.
No ano de 1698, no dia 27 de Janeiro, na Capela de Santo Antonio do Potengi, um dos filhos do Capitão Bernardo, de mesmo nome, foi padrinho junto com a mãe, Dona Catarina, de Theodosio, filho de Teodósio da Rocha e sua mulher D. Antonia de Oliveira, já defunta. Dona Antonia deve ter falecido de parto, pois,  em novembro de 1697 estava viva e era madrinha em um batismo.
Em dois de Junho de 1698, na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, outro filho do Capitão Bernardo, André Vieira de Mello foi padrinho de João, filho de Antonio Henriques de Sá e de Joanna de Abreu, juntamente com Dona Catarina de Oliveira, esposa de Manoel Gonçalves Branco.
Em 21 de Junho de 1698, na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, André Vieira de Mello e Antonia Tavares de Melo foram padrinhos de Antonia, filha de Jerônimo Gonçalves e de Ângela de Oliveira Mello.
Em 10 de Setembro de 1699, na Capela de Nossa Senhora do O' da Aldeia de Mipibu, o Capitão Bernardo Vieira de Melo e o filho Alferes Tenente André Vieira de Mello foram padrinhos de um filho do Sargento Mor Bento Teixeira Ribeiro e de sua mulher Joana Camelo Valcácer.
Em 9 de Novembro de 1699, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, o Capitão Bernardo e seu filho o Alferes Tenente André Vieira de Melo foram padrinhos de José filho do Ajudante Luis Real e de Violante Bezerra Barreto.
Por fim, no mesmo ano em que terminou sua participação como Capitão Mor do Rio Grande do Norte, em 28 de Março, sua esposa, Dona Catarina Leitão foi madrinha de Caetano filho do Provedor da Fazenda Real, o Tenente Manoel de Mello Albuquerque e Dona Eugenia Rodrigues de Sá.
Um dos filhos do Capitão Mor Bernardo Vieira, que não aparece nos registros acima, era Antonio Leitão Arnoso. Casou com uma prima de nome Maria Muniz de Melo filha de Cristovão Vieira de Melo e Úrsula Leitão. Dona Úrsula era irmã de dona Catarina Leitão.
Da Guerra dos Bárbaros extraímos um trecho escrito pelo Barão de Studart, na Revista Trimensal do Instituto  do Ceará,  falando da defesa feita por Pedro Lelou pró Moraes Navarro, Mestre de Campo do terço paulista: "A de Lelou toda recheada de períodos eruditos e de reminiscências históricas, refere-se claramente a inimizade de Bernardo Vieira contra Moraes Navarro, cujo posto de Mestre de Campo ambicionava; segundo ele, e nisso concordam os partidários do Mestre de Campo, o Capitão Mor do Rio Grande do Norte induzira os Janduins a se reunir aos Payacus e irem juntos se oferecer aos Paulistas para a guerra aos Icós e que quando vissem os Paulistas em campanha despercebidos os degolassem a todos".
Bernardo Vieira de Melo já está de volta a Pernambuco no ano de 1710 e participa ativamente da Guerra dos Mascates, escolhendo o lado dos donos de engenho de Olinda. Essa sua participação gerou, posteriormente, sua prisão e a do seu filho Andre Vieira de Melo. Foi enviado para a cadeia de Limoeiro, em Lisboa, onde veio a falecer em 10 de Janeiro de 1714. Em 14 de Abril de 1715, na mesma prisão morre seu filho André Vieira de Melo.
Outra história triste da vida do nosso Capitão Mor ocorreu em Ipojuca, Pernambuco. A suspeita de que Dona Ana de Faria Souza, esposa de André Vieira de Melo, estava tendo um caso com o proprietário do Engenho Velho, João Paes Barreto desencadeou dois assassinatos. O primeiro de João Paes Barreto, em 23 de maio de 1710, segundo uns por Andre Vieira de Melo, segundo outros por determinação do Capitão Bernardo Vieira de Melo. Quanto a Dona Ana de Faria Sousa foi poupada enquanto estava grávida. Passada a gravidez, foi obrigada a tomar veneno duas vezes. Para esse último assassinato os acusados foram dona Catarina e o próprio André.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Capitão Jacinto João da Ora

Mais uma vez recorremos ao Mestre Manoel Rodrigues de Melo, que na sua introdução sobre Macau, na Revista da Academia Norteriograndense de Letras, escreveu: "Ninguém procurou ainda sondar, pesquisar, medir, esquematizar, diria melhor, sentir através da documentação existente, o quanto de labor, sacrifício, desgosto, decepção, vitória, alegria, entusiasmo, ficou no bojo silencioso da história, sem a compreensão devida pelos contemporâneos e pela posteridade.
Comerciantes, agricultores, fazendeiros, pescadores, canoeiros, salineiros, políticos, administradores, carreiros, comboeiros, trabalhadores de salinas ou de carnaubal, motoristas de automóvel ou caminhão, todos participaram e participam dessa batalha nem sempre compreendida pela grandeza e prosperidade das cidades ou dos municípios."
Quem escreve sobre os primórdios de Macau repete, sempre, as mesmas pessoas, citadas por Câmara Cascudo, que deixaram a Ilha de Manoel Gonçalves, que o oceano foi tragando ano a ano. Essa relação de pessoas precisa ser revista, pois, até Cascudo tinha dúvidas sobre os genros do Capitão João Martins Ferreira. Além disso, nesses anos todos que se passaram, desde o desaparecimento completo da Ilha, quase nada se escreveu sobre a vida e os descendentes daqueles que viveram por lá. É como se o mar tivesse tragado, também, a memória deles. Como um dos descendentes direto do Capitão João Martins Ferreira, tento nestes artigos, aqui no "O Jornal de Hoje", escrever sobre essas pessoas que de alguma forma tinham alguma relação com a Ilha ou a povoação inicial de Macau. Um deles foi o Capitão Jacinto João da Ora. Ele fazia da parte da relação acima e era o único brasileiro do grupo. Vejamos, inicialmente o registro de seu óbito, pois teremos uma idéia da provável data de seu nascimento.
"Aos vinte e cinco dias do mês de Junho de mil oitocentos e cinqüenta e três foi sepultado na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Vila de Macáo, acima das grades, filial da Matriz desta Freguesia, o Cadáver de Jacinto João da Ora, branco, viúvo, morador n'esta Freguesia, falecido de moléstia interior, com os Sacramentos, na idade de Setenta anos, foi amortalhado em preto e encomendado de minha licença pelo Reverendo Ignácio Damaso Correa Lobo; de que fiz este assento, e pelo qual, para constar, fiz este termo que assino. O Vigário Felis Alves de Sousa"
Portanto, salvo erro na idade dele, deve ter nascido por volta de 1783. Em 1825 já se encontrava na Ilha de Manoel Gonçalves, como podemos ver pelo batismo de uma de suas filhas.
 "Anna, filha legitima de Jacinto João da Ora, natural do Assu, e Adriana (Pereira) dos Anjos de Extremoz nasceu aos cinco de Fevereiro de mil oitocentos e vinte e cinco, e foi batizada aos nove de Dezembro do dito ano no Oratório de Nossa Senhora da Conceição (da Ilha) de Manoel Gonçalves e lhe conferi os Sagrados Óleos. Foram Padrinhos André de Sousa Miranda (e Silva) e Francisca das Chagas Miranda, solteiros, todos deste Assu. E para constar fiz este assento em que me assinei. Joaquim José de Santa Anna, Parocho do Assu."
Através de registros de casamentos, encontramos outros filhos de Jacinto e Adriana:
Em 6 de Julho de 1853, em Oratório Privado, em Touros, Francisco Ignácio de Miranda contraiu núpcias com Úrsula Maria das Virgens, filha legitima de João Francisco dos Santos e Maria Tavares de Mattos, com dispensa de parentesco de consanguinidade e afinidade ilícita.
Em 25 de Fevereiro de 1854, em Macau, Thereza de Jesus Miranda, contraiu núpcias, com Paulo Francisco Cardoso de Miranda, filho natural de Anna Joaquina de Miranda, tendo como testemunhas André de Sousa Miranda e Silva e Francisco José de Mello Guerra, casados. Esse último, também, da relação dos povoadores de Macau que veio da Ilha.
Em 28 de Maio de 1855, em Macau, Manoel Pedro de Miranda contraiu núpcias com Clara Francisca de Santa Anna, filha legitima do Barnabé José de Santa Anna e Anna Maria da Conceição, tendo como testemunhas José de Borja Raposo da Câmara, solteiro a vida toda, e João Alves Fernandes.
Em 28 de Julho de 1856, lá nas Oficinas, Ignácio Zacharias de Miranda contraiu núpcias com Francisca Idalina de Carvalho, filha de Gorgonio Ferreira de Carvalho e Anna Joaquina Cordeira, sendo testemunhas André de Sousa Miranda e Silva, e Manoel Roque Rodrigues Correa. No dia 26 de Maio de 1858, Ignácio Zacharias faleceu, com 39 anos de idade, de hidropisia.
Nessa mesma data, lugar e testemunhas supra, Anna Bernada de Miranda, essa filha natural do Capitão Jacinto João da Ora e de Bernarda Maria da Conceição, contraiu núpcias com José Fragoso de Medeiros, filho de Antonio Fragoso de Medeiros e Maria Fragosa.