terça-feira, 16 de julho de 2013

João Barbosa Pimentel, bisneto de João Lostau Navarro


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
Hélio Galvão listou, no seu livro “História da Fortaleza da Barra do Rio Grande”, os seguintes filhos de Francisco Lopes e Joanna Dornelles: Paula Barbosa, casada com Theodósio de Grasciman; Manoel Lopes Pimentel, casado com Maria Pinta; Joanna Lopes; Gregório Lopes Pimentel; Izabel Dornelles, casada com Manoel de Abreu Friellas; Francisco Dornelles, casado com Maria da Silva Figueiredo; e Cipriano Lopes Pimentel, casado com Tereza da Silva. Já fizemos um artigo sobre Francisco Lopes, genro de Manoel Rodrigues Pimentel e Maria Lostau, esta filha do francês João Lostau de Navarro.

 A maioria dos estudos sobre os descendentes de João Lostau de Navarro é dedicada a Cipriano Lopes Pimentel, que gerou Cipriano Lopes Galvão, ou a Paula Barbosa, por suporem, que o marido dela, Theodósio de Grasciman, era filho do holandês Joris Garstman. Entretanto, outro filho de Francisco Lopes e Joana Dorneles, não constante da lista de Hélio Galvão, deixou descendência no Rio Grande do Norte, mas seu nome escapuliu das anotações dos nossos historiadores. Seu nome, João Barbosa Pimentel.

O primeiro registro que encontro, sobre João Barbosa Pimentel, é o batismo de Constantino, filho de Felipe da Costa e Helena da Silva, em 20 de fevereiro de 1695, no qual ele foi padrinho junto com Pascoal Gomes de Lima. Nesse registro ele aparece como filho do sargento-mor Francisco Lopes. Posteriormente, nesse mesmo livro de batismos, encontro registros de três filhos do dito João Barbosa Pimentel com sua mulher Mariana de Azevedo Cerqueira, batizados na Capela de Nossa Senhora do O’, da Aldeia de Mipibú.

Francisco foi batizado, em 17 de abril de 1704, tendo como padrinhos Manoel de Abreu Friellas e o capitão João de Carvalho Marinho; Antonia foi batizada, em 14 de junho de 1708, tendo como padrinhos, o Padre Francisco Lopes e Florença de Grasciman (filha de Theodósio); Thereza foi batizada, em 5 de novembro de 1709, tendo como padrinhos Faustino Tinoco, e Catarina de Azevedo, filha da viúva Maria de Araújo Barros.

Encontramos outros filhos através de registros de casamento: Em 22 de junho de 1729, Joana Dornelles, filha do capitão João Barbosa e de Mariana, casou com o Alferes Nazário Lopes da Cunha, filho de Estevão Lopes, falecido, e Úrsula Borges; ele viúvo de Antonia Xavier e, ela de Manoel da Silva Porto; em 18 de agosto de 1734, Apolônia Dornelles de Jesus, filha de João Barbosa e Mariana, casou com o capitão Francisco de Sousa Gusmão, filho do Doutor Dionísio Peres de Gusmão e Leonarda Peres de Gusmão.

Não encontrei mais registros sobre Thereza e Francisco, mas Antonia, que se tornou Antonia Barbosa de Azevedo, em 6 de junho de 1747, casou, na Capela de Nossa Senhora do O’, com Nazário Lopes da Cunha, filho de Nazário Lopes da Cunha e Antonia Xavier. Isto é, Antonia casou com o enteado de sua irmã, Joana Dornelles. Pela idade, Antonia não deve ter tido filhos.
Dois sobrenomes aparecem na descendência de Manoel Rodrigues Pimentel e Maria da Costa Maior, filha de João Lostau, sem que se saiba de onde provinham: Barbosa e Dornelles. Um detalhe é que não se sabe, também, quem era a esposa de João Lostau.

Da mesma forma encontramos o sobrenome Barbosa Pimentel, em outras pessoas, sem descobrir sua relação com os filhos de Francisco Lopes e Joanna Dornelles. Um exemplo é o que segue: em 14 de dezembro de 1751, na capela de Nossa Senhora do O’, Manoel Barbosa, filho de João Barbosa Pimentel, e Antonia Neta, casou com Izabel Maria do Anjos, filha de Gonçalo Fernandes das Neves, falecido, e Maria Antunes, sendo testemunhas João de Oliveira Freitas e o capitão Manoel da Costa Travassos, casados. Quem era esse João Barbosa Pimentel, casado com Antonia Neta, que não se repete, posteriormente, nos registros existentes?

Outro registro diz que: em 15 de julho de 1778, nascia Helena, filha do tenente José Barbosa Pimentel e Josefa Francisca Bezerra, do Assú, neto paterno de Manoel Rodrigues Pimentel e Clara Barbosa de Sousa, e pela paterna de Francisco Calheiros e Ana Maria da Conceição, do Assú, sendo testemunhas Joaquim de Morais e sua mulher Maria Soares. Em de abril de 1778, Helena, com 7 dias, faleceu. Manoel Rodrigues Pimentel e seu filho José parecem descender de Francisco Lopes, diferentemente de  um certo Manoel Rodrigues Pimentel que foi exposto e criado na casa de Brízida Rodrigues, que talvez não tenha nenhuma relação com a família.

Como escrevemos em artigo anterior, na Fazenda Santo Antonio, da freguesia de Santana do Matos, José Barbosa Pimentel, de 30 anos, casou com Maria Rita Bezerra, de 25 anos, dispensados do parentesco em que estavam ligados, no ano de 1824. Ele era filho de José Barbosa Pimentel, mas não há no registro o nome da esposa (seria Josefa Francisca Bezerra, acima?). Era desse casal Jose Barbosa Pimentel e Maria Rita que nasceu outro José Barbosa Pimentel Junior (28 de fevereiro de 1832), que casou com Maria dos Anjos Pereira Fagundes, filho de Lopo Gil Fagundes.

José Barbosa Pimentel Junior e Maria dos Anjos geraram, entre outros, os seguintes filhos: Maria, nascida em 22 de novembro de 1851, tendo como padrinhos Major José Martins Ferreira e sua mulher Josefina Maria Ferreira (meus trisavós); Valentim, nascido em 4 de fevereiro de 1862, tendo como padrinhos Antonio Toscano Barbosa Pimentel (deve ser o irmão de José Barbosa Junior, que nasceu em 19 de abril de 1833) e Jerônimo Cabral de Oliveira Câmara; Jerônimo, nascido em 3 de maio de 1868, tendo como padrinhos Nossa Senhora e Manoel José Pereira Fagundes; Maria, nascida em 6 de Junho de 1864, tendo como padrinhos Pe. Elias Barbalho Bezerra e Francisca das Chagas de Jesus; José, que faleceu, na idade de 4 meses, em 1853.
João Barbosa Pimentel, fº de Francisco Lopes



terça-feira, 9 de julho de 2013

Lopo Gil Fagundes e a barrica de bacalhau


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG

Officinas
As lendas povoam as histórias das nossas famílias, mas sofrem, ao longo do tempo, deslocamentos verticais, horizontais e transversais, nas transmissões orais. Fábio Queiroz informa que na família da sua sogra,  Maria do Rosário Fagundes, nascida no Rosário, é corrente a informação que Lopo Gil Fagundes chegou ao Assú, em um navio, escondido em uma barrica de bacalhau. O primeiro registro que obtive de Lopo Gil data de 1827. Ele foi testemunha de um casamento nas Oficinas (povoação do Assú, onde se preparavam carnes e peixes para exportação), e nessa data já era casado. Era nessa localidade que devia morar, pois, foi de lá que eu encontrei a maioria dos registros sobre ele. Em um registro de uma filha, descubro o nome da esposa.

Em 13 de dezembro de 1831, nascia Maria, filha de Lopo Gil Fagundes, natural da Europa, e de Maria do O’ Pereira da Costa Fagundes, do Assú, que foi batizada nas Oficinas, em 4 de abril do ano seguinte, tendo como padrinhos João Martins Ferreira (meu tetravô), casado, e Josefa Maria da Conceição, viúva. Em 1833 e 1836 nasciam mais duas filhas do casal, batizadas, também, com o nome de Maria.


Pelos diversos registros que encontrei sobre o casal, Lopo Gil e Maria do O’, que dá origem aos Pereira Fagundes, e pelas informações contidas no livro de Antonio Soares de Macedo, sobre a família Casa Grande, deduzo que Maria do O’, esposa de Lopo, era uma das filhas de capitão-mor Pedro Pereira da Costa e de D. Josefa Maria da Conceição, neta por parte paterna de Pedro Pereira da Costa e Rosa Thereza de Sousa, naturais da Freguesia de Santo Antonio do Fayal, patriarcado de Lisboa; e, por parte materna de Jerônimo Cabral de Macedo e D. Maria do O’ de Faria. Portanto, Lopo Gil Fagundes era cunhado do comandante Jerônimo Cabral Pereira de Macedo. As diversas famílias do Assú eram, comumente, associadas às fazendas que possuíam. Maria do O’ mais seus irmãos constituíam a família do Morro, sendo seu membro mais destacado Jerônimo Cabral Pereira de Macedo, morador em Macau.

Os batismos, em geral, traziam somente o primeiro nome do batizado, que algumas vezes se repetiam, em uma mesma família. Em 10 de novembro de 1834, nascia Jerônimo, filho de Lopo e Maria do O’, batizado, nesse mesmo ano, “no pé do Morro”, em Santana do Matos, tendo como padrinhos José Correa de Araújo Furtado e D. Maria do O’ de Araújo Braga; em 1839, nascia outro filho, batizado, com o mesmo nome Jerônimo, na capela de São José das Oficinas e tendo como padrinhos o comandante superior Jerônimo Cabral Pereira de Macedo e D. Josefa Maria da Conceição (avó).

Um registro de casamento, que cita os pais dos nubentes, diz que em 20 de maio de 1852, na povoação das Oficinas, Josefa Maria Pereira Fagundes, filha de Lopo Gil Fagundes e Maria do O’ da Costa Fagundes, casou com José Manoel Fernandes, filho de José Fernandes Novo e de Francisca Sipriana de Arruda, ambos falecidos, tendo sido testemunhas José Barbosa Pimentel e Pedro Pereira Fagundes, ambos casados.

Encontramos diversos nomes que parecem ser de descendentes de Lopo Gil, mas as descontinuidades dos registros, bem como a pobreza das informações neles contidas, impossibilitam a comprovação. Vejamos alguns exemplos: Vicente Gil Fagundes, casado com Maria Francisca Xavier das Chagas, batizou em 13 de dezembro de 1840, Manoel, tendo como padrinhos José Francisco Viera e Maria Joaquina da Conceição; em 27 de fevereiro de 1863, nascia Leandro, filho de José Pedro Pereira Fagundes e Maria do O’ do Espírito Santo, batizado no Rosário, em 5 do  mês de junho do mesmo ano, tendo como padrinhos Lopo Gil Fagundes e Anna Fragosa de Medeiros (esta última concubina de Jerônimo Cabral Pereira de Macedo); em 28 de setembro de 1860, nascia Manoel, filho de Manoel José Pereira Fagundes e Maria Francisca Pimentel Fagundes, batizado aos 8 de janeiro de 1861, tendo como padrinhos Lopo Gil Fagundes e Maria Rita Bezerra Pimentel; Uma das Marias, filha de Lopo e Maria do O’, pode ser Maria dos Anjos Pereira Fagundes casada com José Barbosa Pimentel Junior. Este último pode ser José, nascido em 1832, filho de José Barbosa Pimentel e Maria Rita Bezerra (filha de Balthazar Barbalho Bezerra).

Em vários registros encontramos Lopo Gil já viúvo. Não encontrei um segundo casamento, entretanto encontro o seguinte registro: em 27 de novembro de 1865, nascia Maria, filha natural de Luiza Maria do Espírito Santo e de Lopo Gil Fagundes, batizada na capela do Rosário, em 22 de janeiro de 1866, tendo como padrinhos Nossa Senhora e Pedro José Pereira Fagundes.
Em 1855 há um batismo onde os padrinhos são Jerônimo Cabral Pereira Fagundes e Maria da Glória Pereira Fagundes, ambos nessa época solteiros. Ele deve ser um dos Jerônimos e ela uma das Marias, citadas no início.

Segundo Fábio Queiroz, sua sogra, Maria do Rosário Fagundes, era filha de Francisca Lopo Fagundes e Roque Pereira Fagundes, primos. Os pais de Francisca eram Manoel Fagundes e Ana Varela Barca, naturais do Assú.

Os descendentes de Lopo Gil, com as informações trocadas entre si, poderiam reconstituir uma árvore mais precisa da família.

terça-feira, 2 de julho de 2013

O telegrafista extremista


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Naveguei, novamente, nos velhos jornais digitalizados da Biblioteca Nacional. Dessa vez, em busca de novas informações sobre a participação de meu pai no levante de 1935. O que sabia, até então, veio através de Heroíso Pinheiro, João Batista de Melo Pinto, e de Andrade Lima, no seu livro China Gordo. Essa parte está no livro “Notícias genealógicas do Rio Grande do Norte”.

Uma das informações colhidas, agora, dava conta que, em ato de 29 de janeiro de 1936, ele foi transferido da Regional de Pernambuco para a de Mato Grosso. Era nessa época praticante diplomado dos Correios e Telégrafos. Nunca tive notícia disso, pois não constava na sua ficha funcional que obtive do Ministério das Comunicações. Mas, acredito que esse ato não teve consequências, pois, em 18 de fevereiro do dito ano de 1936, viajando no vapor Poconé, procedentes de Recife, Miguel Trindade Filho e Wanderlino Virgínio Nunes foram impedidos de desembarcar em Salvador, acusados de exercício de atividades comunistas. O vapor seguiu viagem até o Rio de Janeiro, e, no dia 21 de fevereiro, os passageiros Miguel e Wanderlino foram presos, a bordo do Poconé, por investigadores da Polícia Central. Em 14 de março desse mesmo ano, chegavam presos ao Rio de Janeiro, no vapor Manaus, 116 extremistas do norte, incluindo aí, Graciliano Ramos e as mulheres Maria Joana de Oliveira e Leonila Felix.

O “Diário Carioca”, de 26 de junho de 1936, informou que nos Correios e Telégrafos, o Diretor Geral tinha exonerado o praticante diplomado Miguel Trindade Filho, o mensageiro Wanderlino Virgínio Nunes e o diarista rádio Manoel Athanázio de Lima, por exercerem atividades subversivas de ordem política e social, como ficou provado em processo. O Correio Paulistano informou que tal decisão tinha sido determinada pelo Ministro da Viação Marques dos Reis, em 25 de junho do dito ano, pelo que tinham apurados os chefes dos exonerados, em virtude de participarem de atividades contra o regime. Na sua ficha funcional consta que ele, Miguel, tinha se afastado do serviço desde 1 de fevereiro de 1936.

No restante do ano de 1936 e no ano seguinte de 1937, nada sobre Miguel Trindade Filho. Vanderlino  Virgínio Nunes reaparece como jornalista  no Rio de Janeiro. Voltei a encontrar novas notícias somente no ano de 1938.

Em 15 de maio de 1938, o desembargador Barros Barreto, presidente do Tribunal de Segurança Nacional, tinha recebido do chefe de polícia de Pernambuco, Sr. Etelvino Lins, um ofício acompanhado do processo, instaurado em Pernambuco, contra elementos marxistas, presos e recolhidos à cadeia de Recife, naquele ano, acusados de conspirarem para a mudança do regime. Era um processo volumoso que apontava como responsáveis as seguintes pessoas: Hermes Carneiro Maranhão, o jornalista Nelson Firmo de Oliveira, Hélio Soares de Amorim, Antonio Bento Monteiro Tourinho, Felix Pereira de Lyra, pintor Hélio Feijó Ferreira, Casemiro Correia, Miguel Trindade Filho, José Ariston Filho, Raymundo Gurgel Cunha, arquiteto Heitor da Silva Maia Filho, José Pardal Cavalcanti, Anastácio Honório de Mello, Clóvis de Souza Caldeira, Isnard Cantalice e Antonio dos Santos Teixeira.

O inquérito acima tinha sido enviado pelo delegado Edson Moury Fernandes, chefe da Ordem Política e Social de Pernambuco, para o Secretário de Segurança. Esse documento foi amplamente divulgado na imprensa e continha trechos de depoimento de vários comunistas e outras pessoas.
O Diário de Notícias, de 23 de setembro de 1938, informou que pelo procurador adjunto, Dr. Gilberto Goulart de Andrade, foi apresentada denúncia contra os organizadores da “Frente Nacional Democrática, de Pernambuco, considerada de finalidades subversivas. A denúncia era minuciosa na análise das responsabilidades de cada acusado e continha a classificação de delito e pedido de exclusão de cinco dos que foram processados pela polícia daquele Estado. Dos denunciados, acima, pela “analise de ação dos acusados” o referido promotor requereu a exclusão do processo, dos seguintes indiciados: Hermes Carneiro Maranhão, Miguel Trindade Filho, Anastácio Honório de Mello, Nelson Firmo de Oliveira e Felix Pereira de Lyra.

No Correio da Manhã, de 4 de outubro de 1938, que tratou da sessão do Tribunal de Segurança Nacional, foi publicado que: depois de falar o procurador Campos da Paz, que pediu a agravação da pena para os acusados e condenação para os absolvidos, o presidente do Tribunal de Segurança concedeu a palavra ao advogado Sobral Pinto, seguindo-se-lhe na Tribuna os demais patronos dos réus, os advogados Evaristo de Moraes, Evandro Lins e Silva, Elmano Cruz, Onézimo Coelho, Moesia Rolim, Jamil Feres, Segadas Viana, Gastão Luz do Rego, Medrado Dias, Nelson Lourenço e Bulhões Pereira.

A sessão foi suspensa e, depois que voltaram, o desembargador Barros Barreto passou a ler a sentença proferida pelo Tribunal. Inicialmente, passou a ler as decisões contidas nos processos 636, 637 e 638. No primeiro, foi indeferida a exclusão pedida de Anastácio Honório de Mello e deferidas as exclusões de Hermes Carneiro Maranhão, Miguel Trindade Filho, Felix Pereira de Lyra e Nilson Firmo de Oliveira. Quanto aos processos 637 e 638 votaram pelo arquivamento de ambos.

Etelvino Lins, chefe de polícia de Pernambuco, depois interventor federal e, posteriormente, governador eleito de Pernambuco, foi colega de meu pai nos Correios, entre 1927 e 1929.

Agora, estou localizando o processo 636 no Arquivo Nacional. Quero ver o seu conteúdo.

domingo, 30 de junho de 2013

Chegada do Capitão J. da Penha. Desembarque em Natal

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Muitas imagens do passado continuam submersas nos mais diversos arquivos. Vez por outra encontramos uma delas. As digitalizações de velhos documentos trazem sempre novidades do nosso passado. Da Revista da Semana, Hemeroteca da BN, extraímos as fotos abaixo



terça-feira, 25 de junho de 2013

José Felix Alves de Sousa e Cynira de Vasconcelos


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Dona Maria Ignácia Teixeira do Carmo, que nasceu em 28 de fevereiro de 1846, e casou, em 1864, com José Francisco Alves de Sousa, foi mãe de José Felix Alves de Sousa, em 30 de junho de 1890. Tinha 44 anos.
José Felix, que aparece no livro “Poetas do Rio Grande do Norte”, é autor de Coroa de Espinhos. Há, também,  um artigo dele no jornal “Diário do Natal”, de 29 de dezembro de 1909, intitulado “Estadistas Hodiernos”. Sua atuação, diferentemente dos seus irmãos José Anselmo e do capitão José da Penha, se deu mais no sul do país. Trabalhou em vários jornais e em vários órgãos públicos, entre eles o Hospital Central do Exército, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo e o Tribunal de Contas da União. Mas, em 1916, veio até Natal, somente para casar. Nos livros da catedral encontramos o registro desse casamento.

Aos cinco de maio de mil novecentos e dezesseis, em oratório privado, nesta cidade, depois de habilitados canonicamente e não constando impedimento algum, presentes as testemunhas Dr. João Gurgel e coronel Alexandre de Vasconcellos, assisti ao recebimento matrimonial dos contraentes José Felix Alves de Sousa e Cynira Lima de Vasconcellos, dando-lhes as bênçãos nupciais extra missam; ele solteiro, com 26 anos de idade, filho legítimo de José Francisco Alves de Sousa, falecido, e Maria Ignácia Alves de Sousa, natural de Angicos, e residente no Rio de Janeiro, ela solteira, com dezenove anos de idade, filha legítima de Cyrineu Joaquim de Vasconcellos e Annita Lima de Vasconcellos, natural e paroquiana desta Freguesia de Natal. Do que para constar, mandei fazer este termo que assino. O vigário, Pe. Celso Cicco. 

O pai da noiva foi personagem de um artigo de Câmara Cascudo, intitulado “O Velho Cirineu”. Diz Cascudo que ele nasceu em Canguaretama, e que escreveu discreta, misteriosa, quase clandestinamente. Diz mais que nasceu oposicionista e oposicionista morreu. Amigo íntimo de Pedro Avelino e do capitão José da Penha, viveu num clima de reação, de inconformismo e rebeldia.

Cynira foi uma das diretoras da Liga Feminina pró-Penha. “A Época”, jornal do Rio de Janeiro, datado de 31 de janeiro de 1916, traz a seguinte notícia: Recebemos e agradecemos a linda Polka intitulada “Travessa” de autoria da inteligente senhorita Cynira de Vasconcellos, do Estado do Rio Grande do Norte.
A vida de Cynira foi interrompida logo cedo. No jornal “O Imparcial”, de 22 de fevereiro de 1917, saiu a seguinte notícia: foi sepultada ontem, no cemitério de São Francisco Xavier, Cynira de Vasconcellos Alves de Souza.

José Felis voltou a casar, somente em 28 de outubro de 1925, conforme o seguinte registro do jornal “O Imparcial”: Realizou-se ontem o casamento do nosso colega de imprensa Dr. José Felix, diretor do Rio-Jornal, com a senhorita Cyrenne Castello Branco, filha da Exma. viúva José Gil Castello Branco. Os atos civil e religioso marcados para 2 e 3 horas da tarde, efetuaram-se à rua Mariz e Barros, 474, em Icarahy (casa da noiva), na vizinha capital fluminense. Foram padrinhos, do noivo no ato religioso, o deputado Georgino Avelino (sobrinho do nubente) e sua Exma. Senhora, D. Maria Astengo Avelino; no civil, o engenheiro Leite Junior e sua Exma. Senhora D. Albertina Avelino Leite (irmã de Georgino). Paraninfaram a noiva, no religioso, o Dr. Fábio Carneiro de Mendonça e Exma. Senhora D. Gilda Carneiro de Mendonça; no civil, o Senhor Antonio Castello Branco e sua progenitora D. Francisca Leite Castello Branco.

 Encontrei notícia do casamento  de Maria Thereza, filha de José Felix e Cyrenne, no jornal “A Noite”, de 8 de janeiro de 1954.

Com a Senhorita Maria Thereza Castello Branco Alves de Sousa, filha do Senhor José Felix Alves de Sousa, casou-se no dia 5, o Senhor Ênio Duarte de Oliveira, filho do Sr. e Sra. João Batista Carvalho de Oliveira. O ato civil foi realizado na residência dos pais da noiva, presidida pelo Juiz da 3ª Circunscrição senhor Ferreira da Cunha, e testemunhado pelo senhor Rubens Castello Branco, e senhora Francisca Leite Castello Branco pela noiva, e pelo Senhor e Senhora Crezo Queiroz, pelo noivo. A cerimônia religiosa, realizada na Igreja Santa Luzia, foi oficiada por monsenhor Benedito Marinho, que fez bela saudação alusiva ao ato. Foram paraninfos da noiva o senador e senhora Georgino Avelino e, do noivo, o pai da noiva senhor José Felix Alves de Sousa e a mãe da noiva senhora João Batista Oliveira de Carvalho (aqui uma inversão no sobrenome).

A viúva José Gil Castello Branco que aparece nos registros acima é a mesma D. Francisca Leite (Pinto) Castello Branco, isto é, Cyrenne era filha de José Gil Castello Branco e D. Francisca Leite Castello Branco. José Gil, natural do Piauí, era filho de Mariano Gil Castello Branco e de Cândida Burlamaqui Castelo Branco (Barão e Baronesa de Castello Branco).

De Laila Vils, divorciada, em 1989,  de José Francisco Castelo Branco Alves de Sousa, outro filho de José Felix e Cyrene, recebo a informação que este casal teve quatro filhos, dos quais três são vivos. Laila e José Francisco têm duas filhas Tatiana Vils Alves de Souza e Laila Cristina Vils Alves de Souza.

sábado, 22 de junho de 2013

1913. Liga Feminina pró-Penha

Por João Felipe da Trindade

Em umas das minha leituras de velhos jornais da Biblioteca Nacional, encontrei no "O Imparcial" a seguinte notícia, sobre a candidatura do tenente Leônidas Hermes da Fonseca, filho do Presidente Hermes da Fonseca, ao governo do nosso Estado, defendida pelo capitão J. da Penha:

Natal, 13 - A Liga Feminina pró-Penha de Natal, aplaude com entusiasmo  a escolha do tenente Leônidas, cujo patriotismo lhe impõe acompanhar parte dos patrícios de sua idolatrada esposa, não havendo mister na parcialidade de seu benemérito progenitor, para que triunfe legalmente nas urnas essa candidatura de que não desistirão os rio-grandenses do norte, ameaçados de completar período inédito na história  de 29 anos de oligarquia se fosse eleito o vaidoso e vingativo parasita da República de que o Estado só recebeu três benefícios quando governou, para entregá-lo pela primeira vez a Alberto Maranhão: surras em magistrados, apólices desautorizadas e ataques às casas dos seus inimigos. Seguiremos, quando necessário, o exemplo de nossos irmãos pernambucanos e cearenses, incitando esposos, irmãos e filhos para libertarem-se do jugo ignominioso dos exploradores da pátria rio-grandense do norte e também da República. Viva o tenente Leônidas Hermes!
Pela Liga, a diretoria: Cynira Vasconcellos, Octacília Leite, Apolõnia Noronha, Joanita Gurgel, Justina Rocha e Marcionilla Medeiros.

Até hoje, não entendi como surgiu essa candidatura de Leônidas. Mais tarde, o próprio Penha se decepcionou com o tenente, que não deu a mínima para a brava luta do capitão. Se fala muito que ele, Leônidas,  era casado com uma norte-riograndense, mas  isso não era credencial para uma campanha inédita como fez o capitão J. da Penha. 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A morte de um grande jornalista

Por João Felipe da Trindade


Aqui neste blog já postamos alguns artigos sobre o jornalista Pedro Avelino. Hoje, nós trazemos para cá a notícia do seu falecimento, em 20 de julho de 1923, que foi publicada em um jornal do Rio de Janeiro, onde ele atuava nessa época.

No jornal "Gazeta de Notícias", datado de sábado, 21 de julho de 1923, foi feito um artigo que tinha o seguinte título:
A morte do grande jornalista - Quem foi Pedro Avelino e o seu enterro ontem. Vamos ao artigo:

A hora adiantada em que recebemos a dolorosa comunicação do falecimento, anteontem do grande jornalista que foi Pedro Avelino, e a angústia de espaço em que lutamos, não nos permitiram dar na nossa edição passada uma notícia mais detalhada do nefasto acontecimento.

Fazemo-lo hoje, entretanto, rendendo ao morto ilustre a homenagem a que tem direito e que conquistou  a golpes de inteligência e de trabalho.

Pedro Avelino, que era uma organização perfeita de batalhador, nasceu em Angicos, no Rio Grande do Norte, a 19 de maio de 1861, filho do advogado provisionado Vicente Avelino e de Dona Ana Bezerra Avelino; começou a lutar pela vida muito cedo, como empregado no comércio em Pernambuco, onde residiu, de 1879 a 1884, época que regressou à capital do seu Estado. As tendências do seu espírito estavam, então, perfeitamente definidas, e o moço ardoroso, em 1891, entrava para a redação de "O Caixeiro". Desde essa data, a sua atividade mental foi prodigiosamente fecunda, empenhando-se em polêmicas de caráter político e social, através dos quais conquistou a indiscutível reputação de um dos maiores jornalista de Norte, tanto no Rio Grande do Norte, como em Pernambuco, onde dirigiu " O Pernambuco" e fundou posteriormente " A Pátria".

Vindo para o Rio de Janeiro em 1910, depois de ter dirigido, em Natal, com grande brilho, a "Gazeta do Comércio", fez parte do "Comércio do Brasil", de Alfredo Varella, e fundou o "Correio do Brasil". Aqui militou no jornalismo político, escrevendo no "O Paiz", no "A Imprensa", de Alcindo. na "A Epoca", "Correio do Norte", "A Tarde" e  "A Razão". Em 1911, foi nomeado prefeito do Acre ( Departamento de Juruá), cargo que exerceu até 1912. Em 1916, foi nomeado ajudante de Tesoureiro da Central do Brasil, cargo em cujas funções ainda se achava.

Casado, em 1886 (casou, na verdade, em 27 de outubro de 1885), com Dona Maria das Neves Alves Avelino, desse consórcio deixou cinco filhos: Georgino Avelino, diretor do "Rio Jornal", Vicente Avelino, funcionário consular; D. Maria Albertina Leite, esposa do engenheiro Leite Junior; D. Isolina Avelino Waldvogel, esposa do Sr. Luiz Waldvogel, e Camilo Avelino, nosso companheiro do "Rio Jornal".

O seu enterramento realizou-se ontem as 4 horas da tarde, no cemitério São Francisco, saindo o féretro da rua Jockey Club, nº 261.
O nosso distinto colega Dr. Georgino Avelino diretor do "Rio Jornal", filho do querido jornalista desaparecido, tem recebido inúmeros telegramas, cartões e visitas pessoais de pêsame as quais juntamos os nossos.

Notícias de Albertina Avelino Leite

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Uma das filhas do jornalista Pedro Avelino e de sua esposa Maria das Neves Alves de Sousa era Maria Albertina Avelino. Vejamos o seu batismo:

Aos 4 de janeiro de 1888, nesta Matriz, batizei solenemente à Maria, natural desta Freguesia, sendo padrinhos José Francisco Alves de Sousa e sua mulher Maria Ignácia Alves da Silva, nascida a 4 de dezembro de 1887, e filha legítima de Pedro Celestino da Costa Avelino e Maria das Neves Alves Avelino, livres, brasileiros, moradores nesta Freguesia, do que mandei fazer este assento, em que assino. O vigário Felis Alves de Sousa.
Os padrinhos foram os avós, pais de Maria das Neves. 

Albertina foi aluna e professora do Colégio Americano, aqui em Natal. O nosso presidente Café Filho, em suas memórias para o Diário da Noite, de 2 de abril de 1958, conta o seguinte episódio:

Recordo-me de uma visita de grande repercussão, feita ao Colégio Americano. Tratava-se do presidente Afonso Pena. Acabara de ser eleito e realizava uma excursão pelo Norte. Diretores, professores e alunos, todos consideravam uma honra excepcional aquela presença. Promoveu-se uma festa brilhante com Hino Nacional e demais pompas do estilo. Mas verificou-se  uma ausência que produziu viva impressão: a de uma professora, Albertina Avelino, irmã do Senador Georgino Avelino, que recusou adesão às homenagens porque seu pai era oposicionista. Meu espírito de menino emocionou-se com aquele exemplo de coragem, numa época e numa província em que as vinganças e perseguições politicas costumavam ser esmagadoras. Ainda hoje, como adulto, ao evocar o episódio, sinto-me tentado a refletir com admiração nas reservas de bravura cívica e resistência política, dispersas pelo interior do país, subsistindo a quaisquer perigo e sacrifício, como que servindo de fontes de inspiração e estímulo para os homens públicos, em hora de desânimo.

O Diário do Natal, de sábado, 9 de novembro de 1907, trazia a seguinte notícia:

Realiza-se hoje a tarde o casamento do ilustre Dr. José Leite Júnior com a gentil e inteligente senhorita Maria Albertina, dileta filha do nosso prezado amigo e confrade - major Pedro Avelino.

O Jornal do Brasil de terça-feira, 10 de agosto de 1943, noticiou o falecimento de Albertina. 

Faleceu sábado último em Niterói, onde residira há longos anos e onde (ilegível) se fizera estimar pelos seus inegáveis predicados de inteligência e de coração, a Exma. D. Albertina Avelino Leite, esposa do engenheiro Leite Junior, antigo funcionário da Diretoria de Obras da Prefeitura da capital Fluminense.
A pranteada senhora que desaparece aos 56 anos de idade exerceu por muito tempo o magistério primário no Estado do Rio Grande do Norte, de onde era natural, ali deixando uma valorosa tradição de seus conhecimentos pedagógicos que eram em verdade incomuns, ao par de uma cultura clássica admirável.
Era a Exma. Sra. D. Albertina Avelino Leite mãe da Sra. Maria Antonieta Guimarães,  esposa do tenente do Exército Amadeu Queiroz Guimarães e da Srta. Maria Júlia Leite, sendo seus irmãos os Srs. Drs. Georgino Avelino, nosso confrade de imprensa  e escrivão da 3ª Vara da Fazenda Pública; Camilo Avelino e D. Isolina Avelino, causando a sua morte profunda consternação nos nossos círculos intelectuais e sociais.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Maria Ignácia Teixeira do Carmo

Por João Felipe da Trindade
Natal, Rio Grande do Norte

No Jornal O Paiz, de 6 de maio de 1927, encontramos o registro de falecimento da mãe do capitão J. da Penha.

Pelos nossos registros, ela nasceu aos 28 de fevereiro de 1846, tendo sido batizada, no sítio São Romão, aos 17 de junho do mesmo ano, sendo filha de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Maria Ignácia Rosalinda Brasileira. Os padrinhos foram o Padre Felis Alves de Sousa, por procuração passada para José Thomás Pereira, e Rita Teixeira da Conceição. Casou, em 6 de junho de 1864, na Vila de Angicos, em oratório particular, com José Francisco Alves de Sousa, natural da freguesia de Sousa, na Paraíba, filho de José Alexandre Pereira de Sousa e Maria Leopoldina Josefa Carolina, na época falecida. 

Depois do casamento, seu nome, que encontramos nos diversos registros, passou a ser Maria Ignácia Alves de Sousa (algumas vezes da Silva). Foi professora em Angicos e outras localidades do Rio Grande do Norte. Segundo Aluízio Alves, Maria Ignácia e José Francisco tiveram 21 filhos, dos quais, somente, 6 chegaram a idade adulta. Na notícia do seu falecimento consta que estava morando em Jardim de  Angicos, fato que eu desconhecia, pois acreditava que na época do óbito era moradora de Angicos. Vamos ao registro que encontramos no jornal.

O nosso antigo e ilustre colega de imprensa José Felis acaba de passar pelo rude golpe de perder a sua mãe, a Exma. Sra. Maria Ignácia Alves de Sousa, que residia em Jardim de Angicos, no Rio Grande do Norte. 

A veneranda senhora, figura do maior destaque na sociedade norte-rio-grandense, também possuía nesta capital, onde residiu algum tempo, numerosas relações de amizade.

D. Maria Ignácia Alves de Sousa, veio a falecer aos 80 anos e em plena lucidez de espiríto. Era mãe do soldado e panfletário capitão J. da Penha, morto em combate no Ceará, contra as hostes do padre Cícero  e deixou os seguintes filhos: José Anselmo Alves de Sousa, funcionário dos Telegrafos; José Felis Alves de Sousa, nosso colega de imprensa; D. Maria das Neves Alves Avelino, viúva do saudoso jornalista Pedro Avelino  e a senhorita Pureza Alves de Sousa. Entre os netos da venturosa extinta, que também deixou bisnetos, figuram o ex-deputado Georgino Avelino, o acadêmico de engenharia Murilo Penha Alves de Sousa e o sr. Lauro Alves de Sousa, funcionário da Central do Brasil, e o jornalista Camilo Avelino.

Aqui duas fotos de Maria Ignácia

terça-feira, 18 de junho de 2013

Viva a Hemeroteca da Biblioteca Nacional!


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor de Matemática da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Hoje em dia é mais fácil fazer pesquisas genealógicas, até sem sair de casa, desde que se tenha uma internet. Os mórmons vêm disponibilizando, dia a dia, os seus microfilmes na web, com registros civis, livros de batismos, casamentos e óbitos da Igreja Católica, entre outros documentos, de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. Do Rio Grande do Norte, já podemos encontrar registros do Seridó. Os diversos programas de Genealogia, e os vários trabalhos já publicados ajudam os interessados. Algumas informações complementares sobre alguns dos nossos familiares ou conhecidos podem ser encontrados, também, nos velhos jornais digitalizados pela Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Vamos exemplificar com alguns que encontrei nesses velhos jornais.

No jornal do Rio de Janeiro, A Época, de 26 de setembro de 1912, consta a seguinte notícia: vitimado por uma queda, quando passeava a cavalo, faleceu anteontem, na cidade de Angicos, Rio Grande do Norte, o jovem cirurgião-dentista José Francisco Alves de Sousa. O moço, que por sua inteligência e qualidades do coração era muito estimado no círculo de suas relações, recebeu, a meses, nesta capital, o diploma de cirurgião-dentista e achava-se no Rio Grande do Norte, de onde era natural, em visita a pessoas de sua família. Era irmão do nosso ilustre colaborador, capitão J. da Penha, que tem recebido muitas cartas, cartões e telegramas de pêsames e a quem sentimentamos.

Meu trisavô, Miguel Francisco da Costa Machado, foi nomeado agente dos Correios da Vila de Angicos, província do Rio Grande do Norte, em 1861, conforme Boletim de Expedição do Governo, e, também, no Correio da Tarde; Segundo o jornal Actualidade, de 26 de junho de 1861, ele foi nomeado coronel – comandante superior da Guarda Nacional dos municípios de Angicos e Macau, na província do Rio Grande do Norte; pelo Correio Mercantil, de 30 de setembro de 1867, ele foi reformado no mesmo posto de coronel – comandante superior da Guarda Nacional.

Pelo Jornal da Tarde, de 25 de outubro de 1870, saiu a notícia da concessão de licença, para residir no Rio Grande do Norte, ao 2º cadete 1º sargento reformado, José Avelino Martins Bezerra, devendo ser pago dos seus vencimentos de reforma pela Tesouraria da Fazenda daquela província. No Diário do Rio de Janeiro, de 24 de junho de 1870, consta que ele foi contemplado com uma pensão de 600 réis diários. No relatório do Ministério da Guerra de 1869, ele aparece como um dos feridos. José Avelino Martins Bezerra, meu tio bisavô, era do 36º corpo de voluntário da pátria, na Guerra do Paraguai.

Outro jornal digitalizado pela Hemeroteca é o Almanak Administrativo Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro. Nele há registros, de várias localidades, enviados pelas diversas intendências municipais. Em 1885, encontramos entre outras informações, as seguintes: a Câmara Municipal de Angicos era composta por João Luiz Teixeira Rola, seu presidente, José Avelino Martins Bezerra, seu vice, alferes Antonio Barbosa Xavier de Sousa, capitão José Martins Pedroza da Costa, José Gorgônio de Deus Gonçalves, Francisco Soares de Paiva Rocha e Antonio Pascoal Baylon Bezerra; o secretário era José Vitaliano Teixeira de Sousa, o procurador João Alexandre Alves de Sousa, fiscal o alferes José Bezerra da Silva Grilo, e porteiro Luiz Antonio Cabral.

No mesmo Almanak, encontramos na lista de proprietários e capitalistas: Alferes Antonio Martins Wladislao da Costa, o vigário Felis Alves de Sousa, Firmino José Porcino da Costa, alferes Florêncio Octaviano da Costa Ferreira, tenente João Felippe da Trindade, João Luiz Teixeira Rola, Joaquim Costa Alecrim, Joaquim Teixeira de Sousa Pinheiro e Manoel Rebouças de Oliveira Câmara. Era inspetor do Telégrafo elétrico, Benjamim Lopes Abath.

Foi na Gazeta de Notícias de 1 de dezembro de 1883 que tive notícia dos falecimentos de Luiz José Soares de Macedo e do Major José Martins Ferreira, este último, meu trisavô  e um dos fundadores de Macau, proveniente, e, talvez nascido na Ilha de Manoel Gonçalves.

No jornal A Província, de Pernambuco, datado de 16 de janeiro de 1874, encontramos o embarque para o Norte de Maria Martins Ferreira, sua filha Maria Fernandes Moura e Silva, esposa de Balthazar de Moura e Silva e,  Ildefonso Moura e Silva, filho do casal; nesse mesmo jornal, datado de 9 de junho de 1874,  quem embarcou  no navio Pirapama foi Balthazar de Moura e Silva.

Maria Martins Ferreira era minha tia trisavó, pois era irmã de meu trisavô, citado acima, Major José Martins Ferreira. No Jornal do Brasil e no O Paiz, ambos do Rio de Janeiro, encontramos notícias do falecimento de Balthazar de Moura e Silva, no ano de 1882, e o de Maria Martins Ferreira, em 22 de novembro de 1892. Nessa época, ela morava no Rio de Janeiro. Deve ter sido levada para lá pelo filho, Comendador Antonio Barroso Fernandes.

Outra informação, tirada do Correio Mercantil, diz que Joaquim Câmara Machado Rios era tio de Dr. Amaro Bezerra, e que Balthazar da Rocha Bezerra, delegado em São Gonçalo, era cunhado de José Varella de Sousa Barca.

Se alguém quiser conhecer melhor a participação do capitão J. da Penha na luta contra a oligarquia Maranhão e no Ceará, onde morreu, um dos jornais que tem bastante informações é A Época, do Rio de Janeiro.


Por tudo que foi relatado acima, pode-se observar que nesses velhos jornais, digitalizados pela Hemeroteca, é possível encontrar informações sobre parentes, que podem ajudar na construção da história das diversas famílias brasileiras.

Anita e Zaira, filhas do capitão J. da Penha


terça-feira, 11 de junho de 2013

Os Torres do Cururu


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Na viagem de Frei Aníbal de Genova, o filho de Francisco Xavier Torres teve oportunidade de demonstrar toda a sua experiência. Já no Cariri, há o seguinte relato: Subitamente, saíram de dentro de um bosquezito, duas onças enormes. Imediatamente foram alvejadas pelo jovem Torres e um dos índios. Rolou um dos jaguaretês. Acudiram os dois onceiros que com extraordinária bravura fizeram frente à fera ferida. Mas nisto os animais da tropa espavoridos, dispararam pelo campo a fora. Receosos de os perder partiram todos para os cercar. Ao voltarem encontraram a onça que os dois cães haviam acabado, embora um deles houvesse levado terrível munhecaço do felino que quase o matou.

Acho que o síndico do convento de Recife, Francisco Xavier Torres, que recebeu lá no Cururu, Frei Aníbal de Gênova, e foi, com a família, levá-lo até Goianinha, é o mesmo que foi testemunha em 1749, na capela de Santa Anna da Aldeia de Mipibu, do casamento de Constantino de Lima Rocha e Francisca Florência Leal de Jesus, uma filha do capitão João Fernandes de Sousa e Antonia Dias de Araújo; e que foi testemunha, na mesma capela em 1755, do casamento de Passivaldo de Freitas e Maelma Ribeiro; e que no ano de 1754, foi padrinho junto com a filha Eugenia Maria da Conceição, de João Manoel, filho de Clemente de Barros e Arcângela Pereira; Clemente de Barros casou, na capela de Santa Ana da Aldeia de Mipibu, com Arcângela, em 1753, sendo viúvo de Úrsula Pereira. Eram os pais de Arcângela, Clemente Pereira e Maria das Neves. Houve dispensa no terceiro grau de parentesco, por afinidade, e  no espiritual de compradesco. Estavam presentes como testemunhas Francisco Xavier Torres e seu filho Manoel Fernandes Torres.

Maria Caetana, filha do casal Clemente e Arcângela, foi batizada em 1756, em Mipibu, tendo como padrinhos o sargento-mor Caetano Machado Barreto e Joanna Maria Torres. Talvez o genro de Francisco Xavier, lá de Caiçara, citado por Frei Aníbal, fosse Caetano Machado e não Antonio Machado.

Por falta de outros livros, já desaparecidos, não encontramos, até agora, mais informações sobre o síndico.

Somente no ano de 1821, voltamos a encontrar novos registros sobre os Torres, na Vila de São José de Mipibu.   Naquela data, Antonio Lotério, filho de Francisco Xavier Torres e Quitéria Maria, casava com Rita Maria de Jesus, filha de Vicente Ferreira da Costa, falecido. Mas quem era esse Francisco Xavier Torres? Seria filho ou neto do síndico?

Aos 11 de outubro, de 1836, na matriz de Nossa Senhora do O’ de Papari, Joaquim José de Sousa, casou com Antonia Clara da Silva, sendo ele viúvo de Joaquina Maria de Sousa, e ela filha legítima de Francisco Xavier Torres e Maria Francisca, falecida, natural e moradora no Cururu. No ano seguinte, em 1837, Francisco Xavier Torres e Maria Joaquina foram padrinhos de Joaquina, filha de Joaquim José e Antonia (nesse novo registro foi escrito Antonia Maria do Carmo). Nenhuma informação sobre o estado civil dos padrinhos. Por coincidência, meus trisavós eram Francisco Xavier Torres Junior e Maria Joaquina Lúcia da Costa. A descontinuidade dos documentos e a falta de maiores detalhes não permitem qualquer inferência, somente suposições.

Em 1849, em Touros, Clementino Gomes Torres, filho de Francisco Xavier Torres e Joaquina Gomes da Costa, casou com Joaquina Francisca das Virgens, filha de Francisco Bezerra de Melo e Rita Maria de Medeiros. Vamos encontrar, também, no Vale do Ceará-mirim, no ano de 1860, o casamento de Manoel Xavier Torres filho de Francisco Xavier Torres e Joaquina Gomes da Costa, com Maria Francisca de Paula, filha de José Francisco de Paula, falecido, e Manoela de tal. Quem era esse Francisco, pai de Manoel e Clementino? Sabemos, pelos estudos que temos feito, que os diversos filhos de um mesmo casal colocam nos filhos o nome do avô, por isso as várias repetições de nomes.

Meu trisavó, citado acima, era filho de Francisco Xavier Torres e Úrsula Córdula do Sacramento (do Espírito Santo, em outros registros). Era natural de Extremoz, mas morador na Freguesia de Touros, segundo os registros paroquiais de Angicos. Pelo seu óbito, meu trisavô nasceu por volta de 1810. O documento de doação de terras, para Nossa Senhora da Conceição de Guamaré, é datado de 1783, sendo os doadores Francisco Xavier Torres e sua esposa Maria Gomes da Silva. Constava nesse documento que eles, os doadores, eram antigos moradores de Mangue Seco. Por outro lado, em 1762, Francisco Xavier Torres, o síndico do convento de Frei Aníbal, já era pai de um jovem Torres que acompanhou Frei Aníbal e, alem disso, tinha uma filha, casada com Antonio Machado, que morava em Caiçara. Outra informação interessante, é que um irmão de meu trisavô tem Gomes no sobrenome, como é o caso de Felis Gomes Torres que casou com Joanna Francisca da Costa, filha de Roberto da Costa Gomes e Rita Antonia do Espírito Santo, tendo sido dispensado no segundo grau de consanguinidade. Roberto da Costa Gomes devia ser irmão de Úrsula Córdula, talvez parente de Maria Gomes da Silva, doadora da Capela.

Talvez algum documento, ainda submerso nos arquivos paroquiais ou cartoriais, possa nos esclarecer a relação entre esses diversos Torres. Será que em Touros haverá um testamento que possa nos ajudar?
Casamento de Felis Gomes Torres



domingo, 9 de junho de 2013

D. Maria Martins Ferreira, de Macau para o Rio de Janeiro

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Estava em Fortaleza, no dia 6 de junho deste ano de 2013, me preparando para voltar para Natal, quando meu parente Luciano Klein, trineto de Balthazar de Moura e Silva, me telefona dando notícias de duas informações encontradas na Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Eram notícias do falecimentos  de Balthazar de Moura e Silva, seu trisavô, e o de Maria Martins Ferreira, sua tetravó, que transcrevo para cá.

 No jornal "O Paiz", datado de 20 de abril de 1882, estava lá:
Balthazar de Moura e Silva
Maria Martins Ferreira, Comendador Antonio Barroso Fernandes, Henrique de Moura e Silva e Manoel Alves Fernandes, sogra, cunhado, filho e genro do falecido tenente-coronel Balthazar de Moura e Silva, convidam aos seus parentes e amigos para assistirem à missa que por sua alma mandam celebrar na Igreja de São Francisco de Paula, hoje, 20 do corrente, às 9 horas.

No "Jornal do Brasil" de 22 de novembro de 1892, estava o registro:
Maria Martins Ferreira
Antonio Barroso Fernandes e sua mulher Anna Moura Fernandes, Henrique de Moura e Silva e sua mulher Joana Fernandes de Moura, Ana do Carmo Fernandes, Francisca Carolina Fernandes, Emília Fernandes (ausentes) e Maria Fernandes de Moura, Jesuíno Fernandes e sua mulher Izabel Leal Fernandes, transidos da mais acerba dor pelo passamento de sua idolatrada mãe e sogra D. Maria Martins Ferreira, pedem a seus parentes e amigos o piedoso obséquio de acompanhar o saimento do restos mortais da falecida, da casa de sua residência à rua do Senador Dantas nº 40, às 4 horas da tarde de hoje, para o cemitério de São João Baptista.
Por este ato de bondade antecipadamente dá seu eterno reconhecimento.

Com essas informações fui procurar nesses jornais mais detalhes sobre Balthazar e sua sogra Maria Martins. Encontro de início o registro de falecimento de Maria Martins Ferreira, na data de 29 de novembro de 1892

Faleceu ontem, a 9 1/2 horas da noite com 74 anos de idade a Exma. Sra. Dona Maria Martins Ferreira, mãe do Sr. Comendador Antonio Barroso Fernandes.
O enterro será logo às 4 horas da tarde de hoje, saindo o féretro da rua Sen. Dantas, nº 40 para o Cemitério de São João Baptista.

D. Maria Martins Ferreira era filha do Capitão João Martins Ferreira e de Dona Josefa Clara Lessa, moradores na Ilha de Manoel Gonçalves, no Rio Grande do Norte. Pela idade constante no óbito, deve ter nascida por volta de 1818, ano em que a Ilha foi invadida por corsários ingleses, como relatado em outro artigo neste  blog. D. Maria Martins, irmã de meu trisavô, Major José Martins Ferreira, era casada com José Joaquim Fernandes.

Sobre seus filhos, encontramos os seguintes registros: Emília nasceu aos 21 de fevereiro de 1860, foi batizada aos 12 de março do mesmo ano, na Matriz de N. S. da Conceição de Macau, tendo como padrinhos tenente João Alves Fernandes e Nossa Senhora; Antônia, nascida aos 19 de maio de 1856, e batizada na Matriz de N. S. da Conceição de Macau ao 6 de julho do mesmo ano tendo como padrinhos Nossa Senhora e Balthazar de Moura e Silva, casado; Josina (faleceu com 3 meses) nascida aos 15 de abril de 1852, e batizada aos 28 de julho do mesmo ano, tendo como padrinhos João Alves Fernandes e Maria Petronilla Fernandes por procuração que apresentou de  Ana Sloast da Silva Santiago; Manoel que nasceu aos 16 de março de 1846 e foi batizado aos 10 de maio do mesmo ano, sendo padrinhos José Dias da Silva e sua mulher Thereza Carlota de Jesus, por procuração suas que apresentaram João Martins Ferreira e Josefa Clara Lessa.

João Alves Fernandes, filho de José Joaquim Fernandes e Maria Martins Ferreira casou em Macau, aos 25 de agosto de 1856, com Maria Rosa Fernandes, filha de Manoel Antonio Fernandes e Maria Martins de Pureza, tendo como testemunhas Manoel Antonio Fernandes Junior, solteiro e Balthazar de Moura e Silva; Manoel Alves Fernandes, casou na casa de Balthazar de Moura e Silva, aos 27 de julho de 1879, com Ana Rosa de Moura e Silva, filha de Balthazar de Moura e Silva e Dona Josefa Martins de Sousa, sua primeira esposa, tendo como testemunhas Carlos Antonio de Araújo e Braz Marcolino de Andrade Mello. Houve dispensa de 3º grau atingente ao segundo de consanguinidade. Manoel era primo legítimo de Josefa Martins de Sousa, mãe de Anna Rosa.

Não encontrei o registro de batismo de Antonio Barroso Fernandes. Na Hemeroteca da Biblioteca Nacional, vejo que ele era comerciante, tendo atividades nos Banco de Crédito Mercantil, no Banco Emissor de Pernambuco e na Companhia Manufatura Cruzeiro do Sul, entre outras.

Um filho de mesmo nome  do Comendador, Antonio Barroso Fernandes Filho, era  diplomata e faleceu jovem, com a idade de 36 anos, em 1930. Sua morte foi por afogamento no mar, pois não sabia nadar. Deixou um filho de nome Manoel. Era cunhado do Senador Joaquim Murtinho e seu féretro saiu da residência de outro cunhado Jorge Murtinho. Antonio tinha estudado humanidades no Colégio Pedro II e concluiu Direito no Rio de Janeiro, em 1913, sendo diplomado em 1915. Em outro registro da Hemeroteca o jovem Antonio Barrosos Fernandes Filho aparece se habilitando para casar com Violeta de Lourdes Pinheiro da Cunha.

Outra notícia de falecimento, nos jornais da Hemeroteca, dá conta que o diplomata era neto de Maria Joaquina Bastos de Mattos. Na relação apareciam ainda, Maria Magdalena, Elza Barroso Fernandes, Carlos Alberto de Araújo e João José de Macedo. Esse sobrenome Barroso no nome de Antonio não sei de onde surgiu, pois não aparece no nome dos pais do Comendador.

Quanto ao português Balthazar de Moura e Silva, lembramos que fizemos dois artigos que foram postado neste mesmo blog. Ele foi casado, primeiramente, com Josefa Martins de Sousa, que faleceu em 1854, com apenas 25 anos. Ela era filha de Antonio Joaquim de Sousa e Thomasia Martins Ferreira, irmã de Dona Maria Martins Ferreira. Depois, Batlhazar casou com Maria Petronila Fernandes, filha de Dona Maria Martins Ferreira e José Joaquim Fernandes.

Entre os filhos de Balthazar, citamos dois: Henrique de Moura e Silva, filho de Balthazar e de Josefa Martins de Sousa,  nasceu aos 3 de junho de 1847, e foi batizado na Igreja de Macau, aos 16 de outubro do mesmo ano, sendo padrinhos José Antonio de Sousa, por procuração que apresentou de Henrique José Coimbra, e Maria Martins de Sousa; e Ildefonso filho de Balthazar de Moura e Silva e Maria Fernandes da Silva, nasceu aos 7 de novembro de 1860 e foi batizado aos 1 de fevereiro de 1861, tendo como padrinho João Alves Fernandes com procuração de  José Joaquim Fernandes



terça-feira, 4 de junho de 2013

Frei Aníbal de Gênova e Francisco Xavier Torres


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Uma dúvida, que persiste nas minhas pesquisas, é saber se Francisco Xavier Torres, que fez doação de terras para a construção da capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré, tem algum parentesco com Francisco Xavier Torres, meu tetravô, casado com Úrsula Córdula do Sacramento, que morava em Touros. Vamos falar sobre os vários Francisco Xavier Torres, mas em especial sobre um Francisco Xavier Torres que aparece no manuscrito, “Viaggio di Africa e America Portoghesa”, deixado por Frei Aníbal de Gênova, citado por frei Fidelis de Primério no seu livro “Capuchinhos em Terras de Santa Cruz”.

Frei Aníbal nasceu em 1723, e entrou para ordem em 1740. Faleceu em Gênova a 17 de maio de 1785.

Foi frei Aníbal de Gênova, religioso capuchinho, missionário apostólico em Missão, que fez as dispensas para o casamento do sargento-mor Antonio da Rocha Bezerra, filho do coronel Antonio da Rocha Bezerra e Josefa Leite de Oliveira, com Maria Gomes Freire, filha de Bonifácio da Rocha Vieira e Ignácia Gomes Freire, falecidos, em 1 de dezembro de 1759. Os nubentes eram parentes em 4º grau de consanguinidade.

Em 5 de outubro de 1762, Frei Aníbal de Gênova começou a sua missão volante. Quando saiu de Goiana, passou pelo Engenho Grande e tomou a direção de Goianinha no Rio Grande do Norte, devendo fazer trinta e cinco léguas. Foi parando pelo caminho em quantos lugarejos havia. Assim se deteve em Cruz das Almas, Passo D’Água, indo depois a Cururu (Nísia Floresta), a fim de se encontrar com o síndico de seu convento do Recife, Francisco Xavier Torres, por ocasião das festas do Natal. Em caminho fez comungar 643 fiéis. Recebeu-o Torres com as demonstrações de vivo afeto e acompanhou-o com toda a família a Goianinha. Ali, receberam a comunhão 2 322 moradores, assim como 1 744 na paróquia de Nossa Senhora do O’.

Depois, Frei Aníbal passou por Natal, cidade que contava pouco mais de sete mil almas, fregueses de uma paróquia única. Achou o porto espaçoso, seguro e bem defendido pelo Forte dos Santos Reis Magos. De Natal seguiu a convite para São Gonçalo, do outro lado do Potengi, onde se hospedou no engenho de Pedro de Nova (talvez Pedro Gonçalves da Nóvoa). Daí se dirigiu a Coité, e seguiu para o engenho da rica fazendeira, a viúva D. Joana Gomes, em um lugar chamado Coral da Junta.

Daí em diante era o alto sertão. Para isso, precisava tomar algumas precauções. Ofereceu-se o filho primogênito de Francisco Xavier Torres (não cita o nome, uma pena do ponto de vista genealógico) para lhe servir de guia e companheiro. Conhecia muito bem a região sertaneja. Além dos dois escravos que com ele viera de Benin, levou o padre dois grandes mastins para se defender das pintadas, abundantes naqueles desertos onde encontravam os possantes jaguaretês farta carniça.

Resolveu Frei Aníbal ir até o Assú, a 80 léguas de Natal.  Com esse destino, passaram por Caiçara, quase a beira mar, onde havia a fazenda de um Antonio Machado, genro de Torres.

De Caiçara seguiu para Mangue Seco (era neste distrito que residiam, antigamente, Francisco Xavier Torres e sua esposa Maria Gomes da Silva, doadores das terras para a Construção da Capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré), terra deserta e arenosa do litoral atlântico, onde viviam algumas famílias de criadores, onde a água era de mau paladar e semi-salgada. Passou quatorze dias lá, onde confessou 834 comungantes, ficando edificado com a piedade desses pobres moradores.

Depois esteve em Pedra Branca, onde foi hóspede de um genro do Coronel Antonio da Rocha Bezerra. Daí seguiu para Cacimbas (devia ser Cacimbas do Vianna, onde quem também tinha terras era Dona Mariana da Rocha), fazenda do Coronel Antonio Bezerra, onde moravam mais de duas mil pessoas. Grande criador e lavrador era o Coronel Antonio Bezerra, senhor de terras e gados, escreveu Frei Aníbal. Seguiu em direção a Olho d’ Água (devia ser a Fazenda Olho d’Água dos Pitta).

Chegou no Assú, onde confessou mais de 8 763 fiéis, e daí foi para Apodi a dez léguas daquela Vila. Não me estenderei mais nessa viagem que seguiu para Piancó e outros lugares.


Pelo que vimos acima, o síndico, Francisco Xavier Torres, tinha um genro morando em Caiçara, além disso, Frei Anibal e o filho de Torres demoraram 14 dias em Mangue Seco, antiga moradia do doador de terras para a capela, que tinha o mesmo nome do dito síndico. No próximo artigo, vamos ver mais informações sobre esses Torres, em busca de um elo entre eles.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Genealogia, Matemática e existência




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Cada indivíduo, que está na terra, neste momento, tem uma quantidade significativa de ascendentes, que a partir dos seus pais, cresce em progressão geométrica, se desprezarmos os casamentos entre parentes. Os pais são dois, os avós já são quatro, os bisavós, em número de 8, e os trisavós (ou terceiros avós) são 16.  É uma progressão geométrica de razão 2 que começa com dois e  que se expressa, em cada geração de ascendentes, como uma potência de 2. Assim, a quantidade de trisavós, que são dezesseis, é representada por 2 elevado a quarta potência. Quando você chega aos seus nonos avós, eles já são 1024 (2 elevado a 10 potência). Imagine a quantidade de ascendentes, em todo o mundo, se você recuar muitos anos atrás. Você, talvez, prefira que seu sobrenome seja Miranda Henriques, mas com certeza, você tem, através dos seus ascendentes passados, milhares de sobrenomes.

Qualquer que seja o evento acontecido anos atrás, você ou um seu ascendente estava vivo. Assim, quando Buda nasceu, existia em algum lugar do mundo, um ascendente seu, contemporâneo do mestre, que talvez até tenha convivido com ele. Da mesma forma quando Jesus foi crucificado, alguém, que está na sua ascendência, era vivo nesta terra, e talvez estivesse lá, naquela hora.

Em 1706, meus hexavós, João Machado de Miranda e Leonor Duarte de Azevedo, batizavam uma filha em São Gonçalo do Potengi, com o nome de Felizarda. Alguns dos ascendentes desses meus hexavós, podem ter presenciado o massacre de Uruassú, em 1645; Quando invadiram a Ilha de Manoel Gonçalves, em 1818, meu tetravô João Martins Ferreira, estava lá presente.

Acredito, pois, que carregamos dentro de nós, a história da humanidade desde o seu início. Muitas vezes, fico me perguntando se alguns fenômenos que ocorrem com algumas pessoas não são frutos desses conhecimentos que vão passando de geração a geração, através de suas descendências. A holografia revela que a parte contém o todo. Na Matemática descobrimos que um segmento de reta contém a mesma quantidade de pontos que a própria reta. Assim, creio que toda vez que um ser é gerado, traz consigo informações do mundo passado. Nosso DNA pode ser mais valioso do que pensamos!

Li durante muitos anos sobre diversos assuntos, sem nenhum preconceito científico ou de outra natureza. Mesmo como matemático que sou, li sobre astrologia, numerologia, quiromancia, rabdomancia, radiestesia e outras coisa mais. Interessei-me por espiritismo, reencarnação, zen, ioga, psicografia, e múltiplas personalidades. Sempre gostei de biografias, de estudar sobre gênios, escritores, pintores e músicos famosos. 

Muitos gênios falam de suas experiências relatando que alguns escritos, quadros, descobertas ou músicas surgiam como um todo nos seus cérebros. Por que algumas crianças se tornam geniais com poucos anos de vida? Como surge essa genialidade neles?

Quando Chico Xavier psicografava, o que acontecia de verdade dentro do seu cérebro? Quando alguém faz regressão de vidas passadas, que partes do cérebro são ativadas que dão acesso as informação por elas relatadas? Como elas conseguem descrever paisagens, costumes, roupas de uma certa época do passado?
Por que, de repente, uma pessoa, com múltiplas personalidades, acessa dentro de si, um indivíduo que fala inglês, se ela mesma não conhece nada dessa língua? O que de fato acontece lá dentro do seu cérebro que ativa um personagem, aparentemente, inexistente? De onde vêm tais informações ou ações?

O hinduísmo fala em Registos Akáshicos, uma espécie de Biblioteca Virtual, que cada indivíduo possui, onde estão registradas todas as ações pretéritas. Mas, os estudos genealógicos me convencem, a cada dia, que tudo que existia, na época dos nossos ascendentes, vai passando de geração a geração para seus descendentes. Mas, a nossa educação, ao contrário do que devia acontecer, vai podando nossas potencialidades e dificultando nossa capacidade para acessar essas informações. A ciência e a religião, muitas vezes, ao longo do tempo, mutilaram nossas capacidades naturais, tratando com desprezo e preconceitos nossas percepções. 

Acredito, também, que estamos em rede, uns com os outros. Quando alguém sente em uma determinada hora, que um parente ou amigo, que mora distante, faleceu, e depois isso se confirma, temos uma prova da existência dessa rede entre as pessoas. Por que algumas descobertas ocorrem simultaneamente em lugares distantes? Há plágio, sincronicidade, ou essas pessoas entram em rede? Por que gêmeos que foram criados em lugares diferentes tem as mesmas preferências?

A educação seria melhor se estimulasse nossas capacidades inatas. Pegue uma caneta ou um pincel, sem a menor preocupação, e, talvez você escreva uma bela poesia, um bom romance, ou pinte um quadro espetacular, sem precisar pegar carona em gente famosa que já faleceu.
Nossa existência não começou na vida presente. Estamos aqui desde o começo de tudo!