terça-feira, 25 de junho de 2013

José Felix Alves de Sousa e Cynira de Vasconcelos


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Dona Maria Ignácia Teixeira do Carmo, que nasceu em 28 de fevereiro de 1846, e casou, em 1864, com José Francisco Alves de Sousa, foi mãe de José Felix Alves de Sousa, em 30 de junho de 1890. Tinha 44 anos.
José Felix, que aparece no livro “Poetas do Rio Grande do Norte”, é autor de Coroa de Espinhos. Há, também,  um artigo dele no jornal “Diário do Natal”, de 29 de dezembro de 1909, intitulado “Estadistas Hodiernos”. Sua atuação, diferentemente dos seus irmãos José Anselmo e do capitão José da Penha, se deu mais no sul do país. Trabalhou em vários jornais e em vários órgãos públicos, entre eles o Hospital Central do Exército, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo e o Tribunal de Contas da União. Mas, em 1916, veio até Natal, somente para casar. Nos livros da catedral encontramos o registro desse casamento.

Aos cinco de maio de mil novecentos e dezesseis, em oratório privado, nesta cidade, depois de habilitados canonicamente e não constando impedimento algum, presentes as testemunhas Dr. João Gurgel e coronel Alexandre de Vasconcellos, assisti ao recebimento matrimonial dos contraentes José Felix Alves de Sousa e Cynira Lima de Vasconcellos, dando-lhes as bênçãos nupciais extra missam; ele solteiro, com 26 anos de idade, filho legítimo de José Francisco Alves de Sousa, falecido, e Maria Ignácia Alves de Sousa, natural de Angicos, e residente no Rio de Janeiro, ela solteira, com dezenove anos de idade, filha legítima de Cyrineu Joaquim de Vasconcellos e Annita Lima de Vasconcellos, natural e paroquiana desta Freguesia de Natal. Do que para constar, mandei fazer este termo que assino. O vigário, Pe. Celso Cicco. 

O pai da noiva foi personagem de um artigo de Câmara Cascudo, intitulado “O Velho Cirineu”. Diz Cascudo que ele nasceu em Canguaretama, e que escreveu discreta, misteriosa, quase clandestinamente. Diz mais que nasceu oposicionista e oposicionista morreu. Amigo íntimo de Pedro Avelino e do capitão José da Penha, viveu num clima de reação, de inconformismo e rebeldia.

Cynira foi uma das diretoras da Liga Feminina pró-Penha. “A Época”, jornal do Rio de Janeiro, datado de 31 de janeiro de 1916, traz a seguinte notícia: Recebemos e agradecemos a linda Polka intitulada “Travessa” de autoria da inteligente senhorita Cynira de Vasconcellos, do Estado do Rio Grande do Norte.
A vida de Cynira foi interrompida logo cedo. No jornal “O Imparcial”, de 22 de fevereiro de 1917, saiu a seguinte notícia: foi sepultada ontem, no cemitério de São Francisco Xavier, Cynira de Vasconcellos Alves de Souza.

José Felis voltou a casar, somente em 28 de outubro de 1925, conforme o seguinte registro do jornal “O Imparcial”: Realizou-se ontem o casamento do nosso colega de imprensa Dr. José Felix, diretor do Rio-Jornal, com a senhorita Cyrenne Castello Branco, filha da Exma. viúva José Gil Castello Branco. Os atos civil e religioso marcados para 2 e 3 horas da tarde, efetuaram-se à rua Mariz e Barros, 474, em Icarahy (casa da noiva), na vizinha capital fluminense. Foram padrinhos, do noivo no ato religioso, o deputado Georgino Avelino (sobrinho do nubente) e sua Exma. Senhora, D. Maria Astengo Avelino; no civil, o engenheiro Leite Junior e sua Exma. Senhora D. Albertina Avelino Leite (irmã de Georgino). Paraninfaram a noiva, no religioso, o Dr. Fábio Carneiro de Mendonça e Exma. Senhora D. Gilda Carneiro de Mendonça; no civil, o Senhor Antonio Castello Branco e sua progenitora D. Francisca Leite Castello Branco.

 Encontrei notícia do casamento  de Maria Thereza, filha de José Felix e Cyrenne, no jornal “A Noite”, de 8 de janeiro de 1954.

Com a Senhorita Maria Thereza Castello Branco Alves de Sousa, filha do Senhor José Felix Alves de Sousa, casou-se no dia 5, o Senhor Ênio Duarte de Oliveira, filho do Sr. e Sra. João Batista Carvalho de Oliveira. O ato civil foi realizado na residência dos pais da noiva, presidida pelo Juiz da 3ª Circunscrição senhor Ferreira da Cunha, e testemunhado pelo senhor Rubens Castello Branco, e senhora Francisca Leite Castello Branco pela noiva, e pelo Senhor e Senhora Crezo Queiroz, pelo noivo. A cerimônia religiosa, realizada na Igreja Santa Luzia, foi oficiada por monsenhor Benedito Marinho, que fez bela saudação alusiva ao ato. Foram paraninfos da noiva o senador e senhora Georgino Avelino e, do noivo, o pai da noiva senhor José Felix Alves de Sousa e a mãe da noiva senhora João Batista Oliveira de Carvalho (aqui uma inversão no sobrenome).

A viúva José Gil Castello Branco que aparece nos registros acima é a mesma D. Francisca Leite (Pinto) Castello Branco, isto é, Cyrenne era filha de José Gil Castello Branco e D. Francisca Leite Castello Branco. José Gil, natural do Piauí, era filho de Mariano Gil Castello Branco e de Cândida Burlamaqui Castelo Branco (Barão e Baronesa de Castello Branco).

De Laila Vils, divorciada, em 1989,  de José Francisco Castelo Branco Alves de Sousa, outro filho de José Felix e Cyrene, recebo a informação que este casal teve quatro filhos, dos quais três são vivos. Laila e José Francisco têm duas filhas Tatiana Vils Alves de Souza e Laila Cristina Vils Alves de Souza.

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