terça-feira, 26 de junho de 2012

O Escrivão da Fazenda Real, Estevão Velho de Mello


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Em primeiro lugar veio a Fortaleza dos Reis Magos, entregue a Jerônimo de Albuquerque em 24 de junho de 1598, há exatos 414 anos, e depois é que surgiu a cidade do Natal. Com a Fortaleza, com a invasão dos holandeses, com a guerra dos bárbaros e com o repovoamento, tínhamos muitas pessoas servindo militarmente no nosso Rio Grande do Norte, como notamos nos registros de casamento e batismos. As concessões para cargos e sesmarias eram sempre precedidas de serviços prestados, quase todos de natureza militar, ao reino de Portugal. Por isso, sempre encontramos, alferes, tenentes, capitães, cabos de esquadra, coronéis, tenentes-coronéis, sargentos-mores, nos eventos religiosos.
Em artigo anterior, escrevemos que dois filhos de Estevão Velho de Melo, Bonifácia Antonia de Melo e Manoel Antônio Pimentel de Melo, casaram respectivamente com Francisco Antonio Teixeira e Anna Maria da Conceição, filhos de Francisco Antonio Teixeira e Maria da Conceição de Barros. Hoje escreveremos sobre mais alguns descendentes dele.
Outra filha de Estevão e Joanna, de nome Ana Maria de Melo, casou com Inácio Pinheiro Teixeira, filho de Francisco Antonio Teixeira e Maria da Conceição de Barros, pois em 5 de dezembro de 1671, foi batizado Miguel, nascido, em 6 de novembro do dito ano, neto de Estevão e de Francisco Antônio, tendo como padrinho José Félix de Sousa, solteiro, e Joana Gomes, filha de Manoel Gomes da Silveira.
Estevão Velho de Melo foi casado com Joana Ferreira de Mello, sendo ele da Freguesia de Cosme e Damião de Igarassu, e ela da Paraíba. Nos registros mais antigos, dos livros de batismos, encontramos o de Manoel Antônio Pimentel de Mello, batizado em 19 de abril de 1713, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, tendo como padrinhos o capitão Domingos de Morais Navarro e Maria Magdanella, filha do coronel Gonçalo da Costa Faleiros.
Em assentamentos de praça, localizamos mais dois filhos: Aurélio Ferreira de Melo, natural da Paraíba, que assentou praça em primeiro de janeiro de 1718, com a idade de dezesseis anos, de rosto tirado, feições miúdas, e alvo, cabelo estirado e claro, seco de corpo; e Estevão Velho Cabral, natural da cidade do Natal, que assentou praça com quinze anos de idade, em 25 de maio de1735, sendo de estatura espigado, seco de corpo, olhos pardos, cara redonda, cabelo solto acastanhado, sobrancelhas abertas.
Pelos dados acima, Estevão Velho de Melo e Joana Ferreira, antes de virem para o Rio Grande do Norte, estiveram na Paraíba. No primeiro assentamento consta que Estevão era capitão, e no segundo já era tenente-coronel. Um desses assentamentos foi feito pelo próprio Estevão.
Em 26 de maio de 1727, casou na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, a filha do casal, Estevão e Joana, Florentina Tereza de Melo, natural da Paraíba, com Manuel Gomes da Silveira, natural de São Gonçalo das Salinas, em Pernambuco, filho do sargento-mor Bartolhomeu da Costa, e Teresa da Silveira, ambos falecidos; foram testemunhas o tenente Faustino da Silveira, Jerônima Guedes Alcoforado, mulher do Bento Ferreira Mousinho e o coronel Teodósio Freire de Amorim, e sua mulher Damásia Gomes da Câmara.
Em 4 de maio de 1749, Úrsula Ferreira de Melo, outra filha de Estevão e Joana, casou na Matriz, com Manoel Correa Pestana, filho do tenente-coronel Manoel Correa Pestana e Joana de Freitas da Fonseca, tendo com testemunhas, Miguel de Oliveira e Melo e João da Costa Almeida, este último irmão do nubente, cujo nome herdou do avô João da Costa Almeida. Este era casado com  Dona Domingas da Fonseca e foram os pais de Dona Joana de Freitas.
Em 21 de abril de 1762, casou Miguel Ferreira Cabral de Mello, filho de Estevão e Joana, com Engrácia Maria da Conceição, filha do alferes Leandro Rodrigues Braga, natural de Valência, Arcebispado de Braga e D. Isabel Rodrigues de Amorim, já falecida. Em 23 de julho de 1774 era batizado, na Capela de Nossa Senhora da Soledade de Aldeia Velha, Manoel filho de Miguel Ferreira Cabral de Melo e Dona Engrácia Maria da Conceição, tendo como padrinho o capitão Manoel P. da Costa com procuração do Padre Teodósio da Rocha Vieira, da Vila de São José.
Uma das filhas do casal, Estevão e Joana, tinha o mesmo nome da mãe, Joana Ferreira de Mello. Ela casou em 2 de fevereiro de 1752, na Matriz, com o tenente Bernardo Pinheiro de Oliveira, filho do tenente-coronel José Pinheiro Teixeira e Maria da Conceição de Oliveira.
Você que está lendo este artigo pode ser descendente de umas dessas pessoas aqui citadas. Já fez sua árvore genealógica?

domingo, 17 de junho de 2012

Publicação a pedido, o caso do Patacho Três de Março




É no jornal Diário Novo, digitalizado pela Biblioteca Nacional, que vamos encontrar essas preciosidades abaixo. Elas trazem para os dias de hoje, a vida de alguns moradores de Macau e da extinta Ilha de Manoel Gonçalves.
Os abaixo assinados, sabem por ser público, e alguns terem presenciado, que o patacho – Três de Março – do qual é capitão Joaquim Manoel da Costa Pereira, fôra encalhado no pontal do Amargoso de propósito para o perderem, por ser aquele lugar impróprio para se encalhar navios para se raspar, tendo por isso tomado uma porção de água pelos altos, e também por o terem arrombado no costado confronte a câmara; e tanto prova ser de propósito, que o mesmo capitão deu ao carpinteiro Manoel de Sousa Monteiro, e ao Calafate Gorgonio Ferreira de Carvalho, por suborno, a quantia de cem mil réis, para assinarem o termo de vistoria, além dos seus ganhos pelo contado, assim mais dera o dito capitão ao capitão Manoel José Fernandes, cem patacões no valor de duzentos mil réis; para julgar as vistorias, protesto e mais papéis a seu favor, como subdelegado de polícia; porque dissera o mesmo Fernandes, que sem receber essa soma nada assinava; dito isso pelo sobredito capitão Pereira, a José Luiz Correia, e ao capitão Silvério Martins de Oliveira, e estes o referiram ao capitão Jacinto João da Ora, a Antonio Alves da Silva, a Ignácio Zacarias de Miranda, a Pedro Alves Ferreira, e que dera mais a Joaquim José de Souza, trinta e dois mil réis, para assinar os mencionados papéis como homem marítimo, além de outras peitas que tem havido que por ora não podem declarar suas quantias. O referido é verdade e juraremos se for preciso. Macáo do Assú, 24 de julho de 1847. Ignácio Zacarias de Miranda, Francisco Gabriel Domingues, Antonio Alves da Silva, Manoel de Miranda Netto, Pedro Alves Ferreira, Francisco José de Mello Guerra, Jacinto João da Ora, João Martins Ferreira. Estava reconhecido.
Na sequência uma série de depoimentos que vale a pena conhecer, pelos detalhes da época e do lugar.
Eu abaixo assinado, prático 2º substituto da barra do Assú, atesto debaixo de juramento, que fui persuadido pelo capitão do patacho – Três de Março – Joaquim Manoel da Costa Pereira para afirmar que o sobredito Patacho fora encalhado em consequência de ruína, que tinha adquirido na navegação, ao que me não sujeitei, e nem me sujeito por conhecer com toda a evidência que o seu encalhe foi positivamente manobrado, uma vez que indo eu a seu bordo com o fim de o meter na barra não quiseram nem que atracasse ao navio, isto mesmo o tenho declarado publicamente, e perante inúmeras testemunhas, e por isso aparecendo qualquer documento meu em abono desta fraude é completamente falso, e eu estarei sempre pronto a dissolvê-lo em qualquer tribunal onde ele se apresente: é quanto tenho a afirmar e deponho sob juramento todas as vezes, que ele de minha exija. Macáo, 17 de agosto de 1847. A rogo de Manoel Roza da Purificação, Manoel Pedro de Miranda. Estava reconhecido.
O cidadão Vicente Ferreira dos Reis, oficial de calafate, etc. Atesto, que fui a bordo do patacho – Três de Março -, para vistoriar a sua construção, e chegando ao mesmo achei estar em muito bom estado para navegar, por estar de novo fabricado, tanto de madeiras como mesmo o costado por dentro, e fora; e o motivo que teve o mesmo patacho de tomar água, foi o terem arrombado na câmara como presenciei. O referido é verdade, e o jurarei se for preciso. Macáo, 16 de julho de 1847. Vicente Ferreira dos Reis. Estava reconhecido.
O cidadão André de Souza Miranda e Silva, marítimo, etc. – Atesto que fui a bordo do patacho  Três de Março, capitão Joaquim Manoel da Costa Pereira, no dia 16 de julho, e revendo a sua construção, achei estar toda perfeita, tanto o costado, como os madeiros, mastros, vergame, pano, massame, mesmo de calafecto, e achei mais o terem arrombado no costado confronte a câmara, e foi este o motivo de ter o dito patacho tomado água, e também por terem encalhado em um lugar aonde nunca se encalhou navio algum para se raspar, e com todos estes naufrágios que apareceram avalio toda a obra e despesa para o safar do seco para o canal na quantia de quatrocentos mil réis, e feitas estas despesas, ficava o mesmo patacho capaz de navegar bastantes anos; e isso afirmo por ser verdade, e jurarei se for preciso. Macáo, 16 de julho de 1847. – André de Sousa Miranda e Silva. Estava reconhecido.
José Antonio do Nascimento, prático 1º substituto da barra do Assú, etc. – Atesto que fui a bordo do patacho nacional Três de Março, por me fazer sinal para entrar, e chegando a bordo do mesmo houve o capitão Joaquim Manoel da Costa Pereira de me aceitar para o botar dentro da Barra, o que assim o fiz, e chegando dentro do rio, confronte o pontal do Amargoso, ali fundeei dito patacho a salvamento às 5 horas da tarde do dia 9 de julho, e na maré seguinte de madrugada do outro dia querendo vir com o navio para o ancoradouro, disse-me o mesmo capitão que não vinha por ir encalhar o dito navio na praia para o raspar, e dizendo-lhe eu que aquele lugar aonde ele determinava encalhar o mesmo navio não era próprio, por estar muito perto da barreira do rio, e mesmo por empolar alguns mares, e como o mesmo capitão a nada que lhe disse atendeu, houve eu de saltar para terra, e ele o encalhou sempre aonde tinha determinado no dia 11 do corrente; e foi este o motivo, que teve o navio de se encher de água pelos altos, por ter o mesmo capitão dito, que ele tomava água pelos ditos altos, e que o fundo estava estanque, e isto afirmo por ser a verdade, e jurarei aos santos evangelhos, se preciso for. Povoação de Macáo, 16 de julho de 1847. A rogo de José Antonio do Nascimento, Pedro Álvares Ferreira. Estava reconhecido.
O cidadão Barnabé Felix da Silva, oficial de carpinteiro etc. – Atesto que fui a bordo do patacho – Três de Março -, para ver o seu estado de construção, e chegando ao navio achei-o estar suficiente para navegar, por ter todas as madeiras, costado, mastro, e vergame em bom uso, o que afirmo por ser verdade e jurarei se for preciso. Macáo, 16 de julho de 1847. Barnabé Felix da Silva. Estava reconhecido.
O cidadão Arcenio Alves da Silva Carvalho, marítimo, etc. – Atesto, que fui no dia 16 do corrente a bordo do patacho – três de Março -, capitão Joaquim Manoel da Costa, e examinando a construção do mesmo achei estar perfeita tanto o costado, como as madeiras, mastros vergame, pano, massame, e mesmo do Calafate; achando mais o terem arrombado no costado confronte a câmara; sendo este o motivo de ter dito patacho tomado água, por o terem encalhado em um lugar aonde nunca se encalhou navio algum para se raspar; e à vista dos naufrágios, que apareceram avalio toda a obra, e despesas para o safar do seco para o canal na quantia de quatrocentos mil réis; e feitas estas despesas ficava o mencionado patacho capaz de navegar muitos anos, e isto afirmo por ser verdade, e jurarei se preciso for. Macáo do Assú, 16 de julho de 1847 – Arcenio Alves da Silva e Carvalho - abono a firma de Arsenio Alves da Silva Carvalho por ter reconhecimento. Macáo, 22 de Julho de 1847: - Pedro Alves Ferreira – Estava reconhecido.



terça-feira, 12 de junho de 2012

Recebi de Roberto Guerra para publicação o seguinte artigo.

Roberto Guerra é descendente de Thomaz de Araújo Pereira, avô do primeiro presidente da província do Rio Grande do Norte, e o único nomeado por D. Pedro I, segundo informações do Dr. Iaperí Araújo. O presidente tinha o mesmo nome do pai e do avô.
Senão vejamos:
O português Thomaz de Araújo Pereira casou com Maria da Conceição Mendonça da Bahia, uma de suas filhas Josefa de Araújo Pereira casou com Caetano Dantas Corrêa*1710+1797, um filho desse casal chamado Manoel Antônio Dantas *1760+1832 casou-se com Maria José de Medeiros II*1784+1836, duas filhas desse casal , casaram-se com dois irmãos do padre Guerra, Ana Joaquina de Medeiros *1805+1889, falecida com 84 anos, casou-se com Cap. José Carlos de Brito em 22/8/1820 e Maria Madalena de Medeiros *1795, casou-se com o Cap. Simão Gomes de Brito*1790+1827. O primeiro casal teve como primeira filha Maria Clemência de Brito que se casando com Manoel Basílio Pereira foram os pais de José Chromácio de Brito Guerra, casado com Maria da Paz de Oliveira *1865+1903, de trabalho de parto, e que são os pais de Máximo Guerra, casado com Alzira Gurgel de Araújo (Guerra), que são meus pais.
A irmã de Ana Joaquina de Medeiros, casada com o cap. Simão Gomes de Brito, são os pais de Luiz Gonzaga de Brito Guerra *1818+1896, o Barão de Açú, que casou 3 vezes teve 11 filhos do primeiro matrimônio, 6 filhos do segundo e 6 filhos do terceiro. Lino Constâncio de Brito Guerra, terceiro filho da primeira esposa do Barão, casou-se com sua tia Maria Idalina de oliveira e foram os pais de Maria a Paz de Oliveira, que casou-se com o primo José Chromácio de Brito Guerra anteriormente citado e que são os pais de Máximo Guerra, meu pai.  
Dessa forma fica descrita uma dupla ancestralidade do Português Thomaz de Araújo Pereira.

Argumentos de Enildo

Comentário enviado para Daniela Freire
Bom Dia Daniela
Com relação aos rebates do Vereador Enildo, nada melhor de que começar através do Diário Oficial de 2 de dezembro de 2008, citado por ele. Nele, se exemplifica com mais propriedades as naturezas das Gratificações.
A maioria delas, quase a totalidade, é relativa a área da saúde, que por mais que se faça sempre será carente. As gratificações de produtividade, ele sabe, são pagas com recursos do Governo Federal, recursos que não  podemos desconsiderar. As nomeações de médicos, do concurso de 2008, ainda são referentes à termo de ajustamento de conduta (TAC), todos eles já tinham sido chamados, anteriormente, e pediram para ser reclassificados, indo para o fim da fila. Mas, as necessidades da Saúde nos obrigaram a chamar de novo, sem direito a outra reclassificação . As outras gratificações que aparecem tem suas naturezas especificadas nos próprios nomes. Elas são devidas por conta do trabalho específico de cada um, como Gratificação de Risco de Via, Adicional Noturno, Gratificação por Local de Exercício, Gratificação de Plantão e etc. Examinando cada portaria de per si, se observa os considerando, os ofícios e os processos que deram origem. Quem observar os Diários do ano todo, verá que isso é comum. Por isso, Daniela, para cada um dos atos do Prefeito, haverá com certeza uma justificativa. Assim, responder cada um de per si, demandaria certo tempo, pois se buscaria mais detalhes sobre ele.
Quanto a resposta sobre o TCE, discordo. Sendo auxiliar da Câmara, não se negaria a prestar os esclarecimentos que ela solicitasse.
Outro detalhe que chama a atenção é que o terço de férias dos Professores da Educação foram pagos em Dezembro, como ter que ser, onerando a folha em mais de R$700.000,00.
Muitas dessas questões poderiam ter sido respondidas pela própria Administração Municipal, se fosse mais isenta. Encerro por aqui, caso contrário nunca vamos terminar esses questionamentos.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

As contas de Garibaldi, as minhas e as de Carlos


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
As contas do Governador Garibaldi, do seu segundo mandato, já foram aprovadas, mas alguns atos dos seus secretários ainda estão tramitando para julgamento, junto ao TCE. É essa diferença básica, entre as contas do governante e os atos de gestão dos secretários e do próprio governador, que precisa ser entendida. Vou exemplificar com um caso que está acontecendo comigo.
Dia primeiro de junho de 2012, fui citado pelo Tribunal de Contas do Estado para no prazo de vinte dias, apresentar defesa, acompanhar a instrução processual e produzir provas, em razão dos fatos apurados no convênio celebrado entre a Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura - FUNPEC e a Secretaria de Estado da Administração e dos Recursos Humanos do Rio Grande do Norte, no ano de 2000 (há doze anos). O Ministério Público daquele Tribunal manifestou-se pela não aprovação das contas desse convênio e pela aplicação de multa, para mim, como ordenador de despesa, e para Jaime Mariz, como Secretário da pasta, porque não foi apresentada cópia da lei estadual que reconhecia a utilidade pública da FUNPEC, documento necessário para se conveniar com entidades privadas. Pior do que isso, é que a própria superintendência da Fundação dizia que não era de utilidade pública.
Fui ao TCE para examinar o dito processo de convênio, tirei cópias de algumas partes do mesmo, e parti para a FUNPEC em busca de documentos. Felizmente, foram buscar no arquivo cópia da lei estadual 6.221, do ano de 1991, que reconhece como de utilidade pública a FUNPEC. Na segunda, dia 11 de junho, levei minha defesa para Tribunal com a prova a meu favor. Se não provasse seria condenado pelo TCE, sem precisar da manifestação da Assembleia, no caso especifico desse ato de gestão.
As contas de 2008, examinadas pela Câmara, com parecer do TCE, mesmo que tivessem sido aprovadas, não eximiriam os secretários municipais, e o próprio prefeito de responder processos por ato irregulares por eles cometidos, naquele ano. Essa diferença essencial precisa ser entendida por alguns vereadores, alguns jornalistas e alguns especialistas, que dão opiniões sem se aprofundarem na questão. Como a desaprovação é uma raridade por aqui, precisaria de mais tempo para um maior conhecimento das pessoas.
Mas o prefeito foi condenado antes mesmo da votação na Câmara, como se pode ver por diversas declarações antecipadas de alguns vereadores. Nesse caso específico, por não se tratar de um projeto de lei, com natureza ideológica, religiosa ou política, deveria ser examinada, tão somente, de forma técnica. Nem orientação partidária caberia aqui, a menos que tivesse sido precedida de uma análise técnica da questão.
Um vereador disse que antes tinha se reunido com o líder do seu partido que havia orientado para votar contra. Chegou a dizer, com relação à "venda da conta única", que houve um prejuízo de 12 milhões de reais (na verdade, ele deveria está se referindo a um valor que se devolveu a Caixa Econômica Federal, que não era esse) aos cofres públicos, fazendo tão somente conta de subtração, sem levar em conta o que entrou para os cofres públicos. Disse, também, que houve, ainda em relação à conta única, um empréstimo, sem pedido de autorização da Câmara. O contrato com o Banco do Brasil, nem foi um empréstimo, nem foi uma operação de crédito de que tratam as leis invocadas pelos vereadores.
Outro vereador disse que votaria contra o critério e consequentemente, pela não aprovação das contas do prefeito. Se ele era contra o critério, na tramitação dos processos de contas dos prefeitos, se abstivesse, e não, simplesmente, condenasse os gestores, injustamente.
Um vereador, que se diz evangélico, argumenta que analisou junto com os seus advogados e foi aconselhado pelos da sua igreja para votar favorável.
Já outro vereador argumentou que boa parte de sua decisão foi "política", embora a comissão da qual fazia parte não tenha encontrado nada irregular no documento enviado pelo TCE.
Outro detalhe que chamo a atenção é que a Controladoria do Estado do Rio Grande do Norte tem uma diferença, em um aspecto, da Controladoria do Município de Natal. Esta não examina os atos de pessoal, diferentemente daquela. Isso precisa ser corrigido por lei. Se assim for feito, os atos de pessoal da administração serão submetidos à Controladoria Municipal, auxiliar do TCE.
A Comissão de Finanças da Câmara quatrocentona, para ser mais justa, deveria ter proposto a aprovação do parecer do TCE, e sugerido, paralelamente, a abertura de uma CEI, para apurar os mais de 3 000 atos supostamente irregulares, e os outros itens denunciados pelo relator, assim como fez a dita Câmara com os contratos de aluguel da atual administração. Todos os envolvidos seriam ouvidos, como fez no caso dos medicamentos, a Comissão produziria seu relatório que submeteria a Câmara e, depois, enviaria para quem achasse de direito.
Um exemplo: para se concluir que houve aumento irregular da folha era preciso se examinar mês a mês, que fatores contribuíram para aquele aumento, e se estavam previstos nas leis municipais. Não é matéria para chute.
O ofício enviado para o prefeito, pela Comissão de Finanças, Orçamentos e Fiscalização, é bastante informal e solicitava apenas que ele prestasse esclarecimentos sobre três itens. Não houve provas que os atos praticados pelo Prefeito foram irregulares, apenas suposições. A decisão da Câmara não foi com base em fatos devidamente apurados, mas em cima de lista de atos praticados pelo Prefeito. Além do mais, acredito que o artigo 47 da atual lei orgânica não foi observado, ipsis literis, no ano de 2009, caso contrário, os vereadores deveriam, na época, ter questionado as contas, antes de mandar para o TCE, para emitir parecer, como está escrito.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Notícias sobre o Vigário de Angicos, Felis Alves de Souza



Encontramos no Brado Conservador, edições 65 e 66, ano de 1879, duas notícias de saúde sobre o Vigário Colado de Angicos, Felis Alves de Souza
Febres reinantes - Está grassando na Vila de Angicos, esse terrível flagelo, de que acaba de ser vítima o inteligente rábula, Vicente Maria da Costa Avelino, ali residente, achando-se em perigo de vida o vigário da respectiva freguesia, o Reverendo Felis Alves de Souza.
Damos a Exma. Família do Sr. Avelino os nossos sentidos de pêsames; e fazemos ardentes votos pelo restabelecimento do Sr. Vigário Felis, assim pela amizade que lhe tributamos, como pela falta  sensível que ele virá fazer à sociedade, e sobretudo aos seus fregueses, que hão de custar a encontrar um pastor que reúne as qualidades de que é dotado aquele virtuoso sacerdote.
Deus se amerceie  dos angicanos, e que lance o governo as suas vistas para aquele canto da província tão baldo de recursos.
Rev. Vigário Felis - É nos sobremodo agradável noticiar aos nossos leitores que este nosso amigo acha-se quase completamente restabelecido do grave incomodo que sofria, que nos apressamos em levar ao conhecimento do público.
Graças, portanto, sejam dadas ao Altíssimo que se dignou de ouvir as fervorosas súplicas dos aflitos angicanos, restituindo-lhes o seu venturoso pastor, e parabéns ao Sr. Dr. Pedro Amorim, seu ilustre médico, cujos esforços e diligências temos afinal o prazer de ver coroado de feliz êxito.

Uma lágrima vertida sobre o túmulo de Vicente Maria da Costa Avelino



Transcrevemos, para cá, uma homenagem que José Vitaliano Teixeira de Souza fez para seu amigo Vicente Maria da Costa Avelino, quando da morte do mesmo em 14 de fevereiro de 1879. Vicente era o pai do jornalista Pedro Avelino e do deputado Emygdio Avelino, também advogado,  avô de Edinor Avelino e Georgino Avelino, e bisavô do escritor Gilberto Avelino. Essa oração se encontra no Brado Conservador de 14 de abril de 1879, jornal digitalizado pela Biblioteca Nacional.
Vicente Maria da Costa Avelino era irmão do meu bisavô Francisco Avelino da Costa Bezerra. Nasceu em 23 de janeiro de 1837, morrendo, portanto, com 42 anos de idade.
Uma lágrima vertida sobre o túmulo de Vicente Maria da Costa Avelino
O anjo tutelar da negra parca, ante quem nada tem estabilidade, batendo as regaladas asas, voa das regiões celestes, e vem desfechar o prematuro golpe sobre a apreciável existência de um cidadão, que reunia em si as mais belas qualidades, quer como verdadeiro atleta do catolicismo, quer como membro prestimoso da sociedade, a qual, unida à sua inconsolável família, compartilha com ela dos profundos pesares causados por tão sensível perda.
Sim; como católico não só o vimos frequentar os atos religiosos, como recobre com seu óbolo, e até mesmo encarregar-se de agenciar donativos dos demais fiéis, promovendo assim os meios ao seu alcance para a propaganda do culto Divino; tal era o seu zelo e amor que dedicava à santa causa da Religião.
E nem jamais se pode por em olvido os seus bons desejos, desde que o seu coração era um cofre de piedade, sua alma uma dispensadora de benefícios prodigalizados àqueles que eram dignos de compaixão, exercitando-se assim na sublime virtude da caridade, e jamais o vimos ser indiferente aos clamores dos necessitados.
E assim foi a sua norma de vida com referencia a Sacrossanta Religião, esse balsamo consolador da humanidade que eleva o espírito do homem ao seio do Eterno, não menos digno de menção foi o seu preceder no desempenho da espinhosa missão de chefe de família, esposo desvelado, pai extremoso e incansável em curar da educação de seus caros filhos; era um amigo dedicado; e além destas excelentes qualidades, dispunha de uma bela inteligência, do que exibiu exuberantes provas na profissão de advogado, que honradamente exercia no foro deste Termo, aonde especialmente deixou um vácuo impreenchível.
Ah! Vida humana, quanto és precária e ilusória! E quem sou eu que falo de suas cívicas virtudes?
Oh! Com os olhos orvalhados do mais amargurado pranto, com o coração opresso da mais veemente dor, custa-me o expressar-me.
Já não existe o meu caro amigo Vicente Maria da Costa Avelino!
Tendo sido acometido de uma terrível febre gástrica, esta zombou dos recursos da ciência médica, que sem perda de tempo lhe foram ministrados, e infelizmente tornaram-se impotentes para debelar o terrível mal, que progredia de dia a dia, aproximando-o assim de seu termo final, o fez sucumbir no dia 25 do corrente (na verdade, 14 de fevereiro de 1879). E quando o sol surgiu no horizonte, sua alma recolhia-se à mansão dos justos, aonde devemos crer que receberá o premio prometido pelo Divino Mestre àqueles que como ele cumprissem os seus preceitos nesta vida de peregrinação:deixando de seu consócio dez caros penhores na orfandade.
Resta-nos pois, resignados curvar a fronte aos irrevogáveis decretos da Divina Providência, e unidos à sua inconsolável esposa e filhos penetrarmos no templo do Senhor para aí dirigirmos ao Altíssimo nossa humilde súplicas por seu eterno repouso na pátria Celeste; e, encaminhando-nos ao pé do tumulo que guarda seus inanimados restos, ali depormos uma lagrima de dor e de saudade.
Vila de Angicos, 22 de fevereiro de 1879.
José Vitaliano Teixeira de Souza.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Novas notícias de antigos jornais


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
A Biblioteca Nacional está de parabéns pelo fato de disponibilizar, na internet, as digitalizações de jornais já extintos. O acesso a esses jornais nos leva aos nossos antepassados e, por isso, temos novas notícias sobre eles e sobre fatos da época.
No periódico "O Macauense", datado de 14 de março de 1887, tomamos conhecimento de mais uma tia bisavó, através da seguinte notícia: faleceu a 4 na Fazenda Cacimbas (do Vianna), e sepultou-se a 5 nesta cidade, D. Isabel (Cândida) Martins Ferreira, filha do finado Major José Martins Ferreira.
No batismo de José, filho dos meus bisavós, Francisco Martins Ferreira e Francisca de Paula Maria de Carvalho, em janeiro de 1873, apareceram como padrinhos Vicente Ferreira Xavier da Cruz, avô do batizado, e Isabel Cândida Martins Ferreira, que não sabia, até então, que era irmã do meu bisavô.
Em uma carta que escreveu para Ricardo Rodrigues Ferreira, morador em Recife, o escritor Manoel Rodrigues de Melo pediu informações sobre seu avô João Rodrigues Ferreira, e tio paterno de Ricardo, perguntando em que ano os filhos dele voltaram para Macau. Pois bem, no mesmo jornal, citado acima, encontramos, na parte de movimentação do porto, que em 1886 os filhos do finado João Rodrigues Ferreira vieram de Recife.
Outras informações interessantes extraídas de vários jornais são as viagens constantes de membros da família Martins Ferreira. No jornal "Diário Novo", de 9 de fevereiro de 1847, encontramos entrando no Assú, pelo brigue brasileiro Paquete Pernambucano, com carga de sal, João Martins Ferreira, Antonio Joaquim de Sousa, Domingos Antonio de Azevedo, e um escravo, além de Josefa Maria dos Martírios e uma filha menor. No jornal Liberal Pernambucano, de 26 de novembro de 1853, encontramos, saindo do Rio de Janeiro, o Patacho Valente com carga de vários gêneros, e como passageiro o major José Martins Ferreira e um escravo. No mesmo Liberal Pernambucano, de 30 de março de 1854, encontramos entrando no Assú, no Iate Brasileiro Angélica, com carga de vários gêneros, e como passageiro o major José Martins Ferreira.
Outro periódico interessante é o Boletim da Sociedade Libertadora norte-riograndense. Há notícias de várias libertações de escravos, em diversas localidades, como Utinga, Fazenda Arvoredo, Goianinha, Santana do Matos, Acari, Estivas, Macaíba, Ceará-Mirim, Jardim de Angicos, Pau dos Ferros, Santa Cruz e Angicos
No Boletim de 8 de janeiro de 1888 consta a seguinte relação de libertadores de escravos, em Angicos: José Rebouças d'Oliveira Câmara, 5; João Florêncio d'Oliveira Câmara, 5; Alexandre Avelino da Costa Martins (meu trisavô), 2; José Avelino Martins Bezerra (tio bisavô), 2; Joaquim Avelino Martins Bezerra (tio bisavô), 1; José Athanazio da Costa Lima, 2; Alexandre Theodório de Mello, 1; Francisco Machado de Azevedo Costa, 1; Francisco Alexandre Pereira Pinto, 1; Alexandre Francisco Pereira Pinto, 1; Francisco Olyntho Bezerra, 2; Luis Pinheiro de Vasconcelos, 1; José Francisco Alves de Sousa (pai do capitão J. Penha), 2.
Do Boletim de 1 de abril de 1888, extraímos trechos de uma reunião abolicionista em Angicos.
Na segunda-feira, 19 do corrente (março de 1888), quando se achavam na Vila, além da população fixa, muitas pessoas gradas, residente nos arredores, e que vinham para solenizar a festa paroquial do seu santo padroeiro, foi convocada uma reunião abolicionista, que devia ter lugar após a cerimônia religiosa.
Logo por ocasião da missa o reverendo vigário dirigiu aos fiéis palavras de evangélica unção, exortando-lhes a piedade em prol dos cativos.
 À uma hora da tarde a casa do tenente João Felippe (da Trindade, meu bisavô, na época Intendente da Vila de Angicos), que graciosamente oferecera as suas salas para nela efetuar-se a reunião, estava cheia a transbordar de senhoras e cavalheiros, e as janelas disputadas por muitos espectadores, ávidos de compartilhar as generosas emoções daquele grande dia.
O Dr. Pedro Velho, tendo indicado para presidência da sessão o Reverendo Vigário (Felis Alves de Sousa), servindo-lhe de Secretários os senhores José Vitaliano (Teixeira de Sousa) e Juvêncio (Tassino Xavier) de Menezes, proferiu um discurso, dando conta dos motivos da reunião, e declarando que a honrada família, em cuja casa se achavam, já não possuía escravos, por ter o seu digno chefe, o tenente João Felippe, concedido liberdade aos 3 últimos que lhe restavam.
A lista geral de manumissões havidas na Vila de Angicos, na reunião abolicionista do dia 19 de março de 1888, constava como libertadores – tenente João Felippe da Trindade, 3; Bernardo Gama da Silva, 1; tenente-coronel Luis Teixeira Rola, 2; José Pedro da Silveira, 2; Vicente Ferreira Barbosa Neto, 1; Francisco das Chagas de Azevedo Souza, 3; tenente Florencio Octaviano da Costa Ferreira, 1; D. Bernarda Alves Martins dos Santos, 2; Bernardo Martins dos Santos, 1; Joaquim e Antonio Martins, 1; tenente José Pedro Xavier da Costa, 1; Francisco das Chagas de Jesus Maria 1; D. Leonídia Francisca Xavier da Câmara, 1; D. Júlia Francisca Bezerra, 1; José Gomes da Silva, 1; D. Francisca J. de Deus Gonçalves 2; Francisco Xavier de Jesus Maria, 2; Joaquim da Costa Alecrim, 1; capitão Manoel Pedro Maria da Costa, 1; e Cosme Teixeira Xavier de Carvalho (tio bisavô), 1.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

D. Águida Torres e o major Bernardo Pinto de Abreu

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
 Águida Torres, conhecida por tia Dona, era filha de Francisco Avelino da Costa Bezerra e D. Josefa Maria da Costa Torres, lá dos Angicos. Quando escrevi meu primeiro livro, Servatis ex More Servandis, a única informação que tive dela era que seu marido foi o pernambucano Bernardo Pinto de Abreu. Deste último não tive, durante muito tempo, nenhuma informação, por mais que procurasse.

Meu avô, Cícero Avelino, irmão de D. Águida, foi batizado em 8 de junho de 1884, em Angicos, tendo como padrinhos o Bacharel José Moreira Brandão Castello Branco, e sua filha, Justina Deodata Moreira Brandão. Resolvi descobrir quem eram esses padrinhos. Recebi das mãos do Professor Marinho uma cópia do livro "Moreira Brandão", escrito por um sobrinho de mesmo nome. Nesse livro, de ótima qualidade, aprendi muito sobre o ilustre deputado provincial, Moreira Brandão.  Além disso, encontrei referências ao Professor Francisco Pinto de Abreu, casado com Dona Maria Suzana Teixeira de Moura, que por isso, foi, durante um curto espaço de tempo, dono do Ferreiro Torto. Tentei, então, descobrir se havia alguma relação de parentesco entre Bernardo e Francisco, mas nada.

Depois de certo tempo, familiares me disseram que Bernardo era dono do Ferreiro Torto, e imaginei que havia certa confusão por parte dos informantes.
Resolvi então localizar os descendentes de Bernardo e Águida, com a ajuda dos meus tios. Tio Laércio Avelino me passou o telefone de tio Francisco Avelino, que mora no Rio, pois o mesmo convivia com Manoel e Fátima Pantoja, filhos do Raimundo Pantoja d'Oliveira, militar do exército, e Maria Pinto de Abreu, esta última filha de Bernardo e Águida.

Do contato com Fátima e Manoel Pantoja, a primeira informação que recebi era que o Professor Francisco Pinto de Abreu era filho de Bernardo Pinto de Abreu e de Cândida Gonçalves de Oliveira (não havia certeza sobre o sobrenome dela). Desse consórcio, além de Francisco Pinto de Abreu, houve mais três filhos, a saber: Emília Pinto de Abreu, João Pinto de Abreu e Manoel Pinto de Abreu.
Segundo Fátima e Manoel, Bernardo casou, depois de enviuvar de D. Cândida, com D. Águida Torres e dela teve os seguintes filhos: Maria Pinto de Abreu, José Pinto de Abreu, Rosália Pinto de Abreu, a única ainda viva, e, hoje, com 104 anos, e Benedito Pinto de Abreu.

Entrei em contato com D. Rosália, que mora em Recife. Como ela estava um pouco doente pediu para eu falar com Irene, filha dela. Segundo Irene, Bernardo Pinto de Abreu era natural de Goiana, Pernambuco, e lá dono de Usina. Ele foi residir em Angicos, por conselho médico, porque sofria de asma. Lá alugou uma casa, vizinha a de Águida, e por ela se apaixonou.

Conversei com Anderson Tavares, que eu andava no encalço da relação entre Bernardo Pinto de Abreu e o Professor Francisco Pinto de Abreu, sobre quem ele postou uma matéria no seu blog. Pouco dias depois, Anderson me enviou umas notas do antigo Jornal da Manhã, do ano de 1913, que ele trouxera do Rio de Janeiro. A primeira nota é um documento que confirma parte das informações recebidas. Estava escrito: Ontem, pela manhã (27 de fevereiro de 1913), faleceu na vila de Angicos, onde há 14 anos fixara residência, o respeitável cidadão major Bernardo Pinto de Abreu, nosso dedicado amigo e correligionário.

O Major Abreu, que gozava de geral estima pelos seus predicados de caráter e de coração, era natural de Pernambuco, tinha 72 anos de idade e casara-se em segundas núpcias, naquela vila, com a Exma. Sra. D. Águida Pinto. Deixou do primeiro consórcio quatro filhos maiores, e do segundo quatro menores.

A todos da família, enlutada, especialmente à Exma. D. Águida Pinto, Dr. Pinto de Abreu, nosso distinto colaborador, e major Manoel Pinto de Abreu, chefe da Estação Telegráfica do Apodi, viúva e filhos do extinto, apresentamos nossas condolências.

A República da época publicou nota semelhante. A segunda nota, enviada por Anderson, era um convite expedido por Francisco Pinto de Abreu e esposa para a missa, na Sé, às 8 horas do dia 5 de março, pela alma do seu estremecido pai e sogro Bernardo Pinto de Abreu.

Outra informação, extraída do livro "Moreira Brandão", que encontrei recentemente, confirma as conversas com os netos de Bernardo Pinto de Abreu. João Pinto de Abreu, filho do major Bernardo, casou com Anna da Fonseca Moura, irmã de Áurea da Fonseca Moura, que foi casada com Francisco Xavier Pereira de Brito, pais do Ministro da Saúde, no governo de Castelo Banco, Raymundo de Moura Brito.

Sobre o Professor Francisco Pinto de Abreu, que foi, também, diretor do Atheneu, recebi a informação de Irene que ele casou uma terceira vez com uma pernambucana de nome Anunciada e teve desse último consórcio dois filhos, Marcelo e Maria da Apresentação.
Francisco Pinto de Abreu criou seus irmãos menores, filhos de Bernardo e Águida. Dona Águida, depois que enviuvou, teve uma filha de nome Rita, cujo pai não descobri ainda o nome.

Observação - Por fim, encontrei o casamento de minha tia-avó com Bernardo Pinto de Abreu, donde extraio o seguinte -



Águida Avelino Torres, de 22 anos, filha de Francisco Avelino da Costa Bezerra, falecido, e Josefa Avelino Torres, tinha se casado, em 1 de julho de 1902, na Vila de São José dos Angicos, em casa de Francisco das Chagas de Azevedo Sousa, com o capitão Bernardo Pinto de Abreu, de 59 anos, viúvo, natural de Goiana, Pernambuco, filho de José Pinto de Abreu e Francisca Sales Ribeiro, falecidos, sendo testemunhas Vicente Ferreira Xavier da  Cruz, 32 anos, e Cosme Teixeira Xavier da Carvalho Filho, de 38 anos.
Testemunhas do casamento de Águida e Bernardo

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Notícias de São Romão


Notícias de São Romão
As pesquisas em jornais antigos trazem novas informações sobre nossos antepassados. O site da Biblioteca Nacional está de parabéns ao colocar a disposição do público, na internet, digitalizações de jornais já extintos.
Vejamos duas notícias tiradas do Diário de Natal, do ano de 1909.

Vende-se. No município de Angicos, um sítio excelente de plantar, e criar, com casas, currais, cercados, contendo aguadas permanentes, e muito trato para gados.
Vende-se, no mesmo município gados vacum e cavalar e quem pretender, pode dirigir-se, ao Sr. Miguel Trindade, em São Romão, que fica autorizado a fazer todo negócio.
Natal, 1 de Março de 909. José Anselmo

A esposa de Miguel Trindade, Dona Maria Josefina Martins Ferreira, era prima legítima de José Anselmo. Francisca de Paula Martins Ferreira, mãe de Maria Josefina, era irmã de Maria Ignácia Teixeira do Carmo, mãe de José Anselmo, sendo ambas filha de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Maria Ignácia Rosalinda Brasileira. Encontramos vários registros da Igreja da família de Vicente, em São Romão. Outro detalhe é que meu pai, Miguel Trindade Filho, era afilhado de José Anselmo.

Outro documento é um protesto, na coluna livre do Diário de Natal.
Venho do alto da Imprensa protestar, como protesto, contra o ato arbitrário do Sr. Miguel Baracho de, sem consentimento meu, invadir a minha propriedade, apossar-se de terrenos meus que se achavam cercados há nove anos, sem contestação de quem quer que fosse, demolindo as respectivas cercas, sem respeito ao meu direito, garantido por uma posse ininterrupta de muitos anos e por títulos legítimos, como em tempo os farei. Angicos, 20 de outubro de 1909. Miguel Trindade.

A operação descrédito



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Nós todos, como cidadãos desta cidade do Natal, não podemos deixar de acompanhar, por mais desagradáveis que sejam, as discussões sobre o julgamento das contas municipais do ano de 2008. A operação descrédito orquestrada por sentimentos pessoais não pode prevalecer sobre a lógica, o entendimento, e o conhecimento. Por isso tudo, vamos colocar aqui algumas questões para reflexão dos vereadores da Câmara Municipal de Natal, os fiscais do povo, os legisladores.
Vereadores, por que o parecer do TCE não foi devolvido, para esclarecimento, se ele está incorreto?
Vereador Maurício Gurgel, por que você achou coerente nomear para relator das contas o vereador Enildo se ele é um desafeto do gestor anterior e, portanto, não tem isenção para dar parecer?
Vereador Catarino, por que Enildo não formalizou a denúncia explicitando, um a um, todos os atos considerados irregulares? É possível se responder sobre tantos atos gerados cada um de diferentes processos?
Em 2009, a Administração Municipal se vangloriava de ter despachado mais de 650 processos, o que mereceu de ilustre escriba da nossa terra o seguinte comentário: cada detalhe retrata o passado falsamente moderno e enganador: o Secretário Roberto Lima encontrou e já despachou 650 processos engavetados na pasta da Administração. Era a masmorra dos servidores humildes.
Imaginem o que não se diria da Administração Municipal se aqueles mais de “3.000” atos não tivessem sido providenciados.
Vereador Bispo Francisco, por que a administração que assumiu em 2009 não tornou sem efeito os mais de “3000 atos” da administração anterior, do ano de 2008, se eles eram ilegais e aumentaram a folha? Se a administração que começava estava combalida financeiramente, por que despachou mais de 650 processos?
Vereador Aquino Neto, por que a Câmara Municipal de Natal, em pleno ano eleitoral, aprovou em 2008, mais de 7 leis complementares que beneficiavam os servidores? Por que os fiscais da lei não agiram contra a aprovação dessas leis? Como eles, vereadores, se comportaram diante da TV Câmara, naquela época?
Vereador George Câmara, se as leis complementares aprovadas pela Câmara, em 2008, tinham efeito imediato, e orçamento previsto, por que não se deviam aplicar as alterações previstas naquelas legislações?
Senhores vereadores, por que foi criada a Gratificação Específica de Difícil Execução (GEDE) e o que é a Gratificação Específica de Médico Especialista (GEMESP)? Sabiam que as gratificações de insalubridades são precedidas de laudo pericial?
Vereador Assis de Oliveira, por que os fiscais da lei não agiram imediatamente contra os atos da gestão anterior se tinham disponíveis na Internet, a partir das 22 horas, as edições do Diário Oficial do Município? Houve distração?
Vereador Enildo Alves, por que você insiste em classificar, do ponto de vista da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei Eleitoral, o contrato da administração das Contas da Prefeitura ao Banco do Brasil como operação de crédito, se essa ação administrativa não gerava compromissos financeiros para a Prefeitura, mas ao contrário gerava receitas para o equilíbrio das finanças? As operações de crédito de que tratam as leis citadas, senhor vereador, são aquelas que geram endividamento para o ente que a contrata.
Vereador Edivan Martins, por que a Câmara Municipal aprovou aumento dos subsídios, no início de 2009, para o prefeito, o vice-prefeito e os secretários municipais, comprometendo as finanças da administração que assumia?
Vereador Ney Lopes Junior, por que a Câmara Municipal não se manifesta, de imediato, sobre a retenção de recursos obrigatórios para Educação efetuada pela atual administração?
Vereador Raniere, os repasses da Previdência estão sendo feito regularmente? A hora de verificar é agora, pois o não repasse é apropriação indébita. Além disso, tem que corrigi-los quando enviados fora de época.
Vereador Dickson, você sabia que os enquadramentos, que foram publicados no DOM, seguiam, entre outras coisas, recomendação conjunta da 44ª Promotoria de Justiça da Comarca Natal?
Vereadora Júlia Arruda, as mudanças de níveis dos servidores, que atingiram os requisitos, só deveriam ser dadas depois de 2008?
Vereadora Sargento Regina, se o servidor preencheu os requisitos para incorporar quintos, por que adiar a concessão para 2009?
Vereadores Júlio Protásio e Alberto Dickson, por que as concessões de aumento de carga horária para as áreas de saúde e de educação tinham que esperar a virada do ano se as necessidades eram para 2008? Elas estavam previstas no orçamento de 2008?
Professor Luis Carlos e Franklin, vocês já observaram que as nomeações de concursados são feitas em vagas existentes? Sabiam que os concursos foram homologados em tempo hábil?
Pergunto aos vereadores Lucena e Adenúbio, se a Câmara, como fiscal do povo, já solicitou da Administração Municipal as providências enumeradas pela LRF, para corrigir as despesas de pessoal que ultrapassaram o limite prudencial?
Os atos que constam no Diário Oficial do Município contêm, em sua ementa, a legislação pertinente, e os processos ou ofícios que lhe deram origem. Pelo volume de processos que passavam pela Secretaria de Administração é possível que vários deles tenham erros. Seria preciso examinar um por um para descobrir tais equívocos.
Senhores legisladores, não precisa entender de contas, mas dos atos em si.
O artigo genealógico que preparei sobre Bernardo Pinto de Abreu fica para a próxima semana.






terça-feira, 15 de maio de 2012

Anna Ferreira de Miranda, ascendência em questão



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
No último artigo, neste jornal, traçamos, a partir de informações do testamento de Anna Ferreira de Miranda, a sua ascendência. Pelo referido documento, sabíamos o nome do pai, Manoel Francisco, e o sobrenome da mãe, Paiva da Rocha. Como escrevemos antes, procuramos registros que tinham o nome do pai dela e o sobrenome da mãe. Encontramos, então, Manoel Francisco Rebouças e sua mulher Bibiana de Paiva da Rocha como os mais prováveis pais de Anna. Outras informações nos registros nos levavam a convicção que eram esses os pais dela. Entretanto, um detalhe põe em dúvida tal possibilidade: a idade com que faleceu Anna Ferreira de Miranda. Segundo o registro de óbito, ela tinha cinquenta e seis anos de idade, em 1786. Por isso, o provável ano do seu nascimento seria 1730.
Mas conforme registramos no antigo anterior, Antonio de Paiva da Rocha e Úrsula Ribeiro de Macedo, pais de Bibiana e avós maternos de Anna, contraíram núpcias em 11 de Fevereiro de 1733. Assim Anna teria nascido três anos antes do casamento de seus avós. Como eu já tinha visto muitos erros nos registros de óbitos, tais como os de Antonia da Silva, esposa do capitão Manoel Raposo da Câmara e de Custódia do Sacramento, esposa do sargento-mor Antonio Rodrigues Santiago, imaginei  que fosse mais um equivoco.
Um colega genealogista observou, também,  tal incompatibilidade e aventou a possibilidade de Bibiana ter nascido em 1734, casado em 1749, com a idade de 15 anos, ter sido mãe de Anna em 1750. Com isso Anna Ferreira teria falecido com 36 anos e não 56. Aí tudo se resolveria.
Mas segundo o colega genealogista (ele não permite a sua nomeação), através da Nobiliarquia Pernambucana, Antonio de Paiva da Rocha que foi capitão-mor nesta Capitania, casado com Anna Ferreira (Colaço), tinha um filho de nome Antonio de Paiva da Rocha que casou aqui (com Úrsula Ribeiro). Tinha também uma filha de nome Ângela de Paiva da Rocha que casou com um certo Manoel Francisco. O colega aventa então a seguinte hipótese: Manoel Francisco casou primeiro com Ângela, e daí nasceu Anna Ferreira de Miranda, no tempo certo. Depois, enviuvando, casou com Bibiana, sobrinha da primeira mulher. Isto é, Anna Ferreira de Miranda, não seria neta de Antonio de Paiva e Úrsula, mas de Antonio de Paiva e Anna Ferreira. Continuaríamos no terreno das hipóteses.
Por conta de alguns registros de netos de João Gomes e Anna Ferreira, vimos que eles estiveram em Assu, por um certo tempo, pois alguns filhos nasceram lá, como Alexandre Ferreira, Ana Gomes Carneiro, Antonia e João Gomes.
Tentei mais uma vez examinar o testamento de Anna Ferreira de Miranda, depois de uma foto mais aproximada da parte que fala nos pais dela. Realmente, não se consegue ler o nome da mãe, mas não pode ser Ângela, pois não há nenhuma perna de g para baixo. Quanto ao pai, o sobrenome não parece ser Rebouças, mas algo parecido com Amaro.
Resolvi investigar, então a vida dos seus testamenteiros, em busca de algum detalhe que esclarecesse nossas dúvidas. Eram eles José Rodrigues da Rocha, compadre de Anna, Antonio Rodrigues Santiago, e o sargento-mor Prudente de Sá Bezerra. Todos esses senhores tem vários homônimos parentes, o que torna difícil saber quem era quem. Mas, vejamos os que seriam próximos de Anna Ferreira de Miranda, para situar o tempo em que ela viveu.
Antonio Rodrigues Santiago e sua mulher Ignácia Francisca de Mello casaram em 1773, e foram os pais de Maria Thereza de Mello, que casou com João Gomes Carneiro, filho de João Gomes Carneiro e Anna Ferreira de Miranda, em 4 de novembro de 1800. Foram os pais, também, de Antonia Francisca de Mello, que casou com Alexandre Ferreira, outro filho de João e Anna.
Prudente de Sá Bezerra era irmão de Manoel de Abreu Soares, genro de João Gomes e Anna Ferreira. Manoel casou em 20 de setembro de mil setecentos e oitenta com Anna Maria da Rocha (ou Anna Maria Gomes). A irmã de Anna, Antonia Gomes Carneiro casou com o filho de Manoel de Abreu, Bento Luis, nessa mesma data.
José Rodrigues da Rocha, um dos vários que encontrei, era filho de Antonio de Piava da Rocha e Úrsula Ribeiro, e casou com Izabel Theresa, filha de Prudente de Sá Bezerra e Maria Theresa de Mello.
Examinando mais os registros dessas pessoas, não conseguimos identificar qualquer informação que nos ajudasse a solucionar, por completo, os nomes dos pais de Anna Ferreira de Miranda.
Outro detalhe no testamento, é que Anna Ferreira de Miranda declara que não recebeu dote dos pais. Disse mais, que a dívida deixada pelo marido, João Gomes Carneiro, foi toda paga por ela, pois os filhos não contribuíram com as suas partes.
Assim, vamos aguardar outras informações para descobrir os nomes completos dos pais de Anna Ferreira de Miranda.