quarta-feira, 19 de junho de 2013

Maria Ignácia Teixeira do Carmo

Por João Felipe da Trindade
Natal, Rio Grande do Norte

No Jornal O Paiz, de 6 de maio de 1927, encontramos o registro de falecimento da mãe do capitão J. da Penha.

Pelos nossos registros, ela nasceu aos 28 de fevereiro de 1846, tendo sido batizada, no sítio São Romão, aos 17 de junho do mesmo ano, sendo filha de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Maria Ignácia Rosalinda Brasileira. Os padrinhos foram o Padre Felis Alves de Sousa, por procuração passada para José Thomás Pereira, e Rita Teixeira da Conceição. Casou, em 6 de junho de 1864, na Vila de Angicos, em oratório particular, com José Francisco Alves de Sousa, natural da freguesia de Sousa, na Paraíba, filho de José Alexandre Pereira de Sousa e Maria Leopoldina Josefa Carolina, na época falecida. 

Depois do casamento, seu nome, que encontramos nos diversos registros, passou a ser Maria Ignácia Alves de Sousa (algumas vezes da Silva). Foi professora em Angicos e outras localidades do Rio Grande do Norte. Segundo Aluízio Alves, Maria Ignácia e José Francisco tiveram 21 filhos, dos quais, somente, 6 chegaram a idade adulta. Na notícia do seu falecimento consta que estava morando em Jardim de  Angicos, fato que eu desconhecia, pois acreditava que na época do óbito era moradora de Angicos. Vamos ao registro que encontramos no jornal.

O nosso antigo e ilustre colega de imprensa José Felis acaba de passar pelo rude golpe de perder a sua mãe, a Exma. Sra. Maria Ignácia Alves de Sousa, que residia em Jardim de Angicos, no Rio Grande do Norte. 

A veneranda senhora, figura do maior destaque na sociedade norte-rio-grandense, também possuía nesta capital, onde residiu algum tempo, numerosas relações de amizade.

D. Maria Ignácia Alves de Sousa, veio a falecer aos 80 anos e em plena lucidez de espiríto. Era mãe do soldado e panfletário capitão J. da Penha, morto em combate no Ceará, contra as hostes do padre Cícero  e deixou os seguintes filhos: José Anselmo Alves de Sousa, funcionário dos Telegrafos; José Felis Alves de Sousa, nosso colega de imprensa; D. Maria das Neves Alves Avelino, viúva do saudoso jornalista Pedro Avelino  e a senhorita Pureza Alves de Sousa. Entre os netos da venturosa extinta, que também deixou bisnetos, figuram o ex-deputado Georgino Avelino, o acadêmico de engenharia Murilo Penha Alves de Sousa e o sr. Lauro Alves de Sousa, funcionário da Central do Brasil, e o jornalista Camilo Avelino.

Aqui duas fotos de Maria Ignácia

terça-feira, 18 de junho de 2013

Viva a Hemeroteca da Biblioteca Nacional!


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor de Matemática da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Hoje em dia é mais fácil fazer pesquisas genealógicas, até sem sair de casa, desde que se tenha uma internet. Os mórmons vêm disponibilizando, dia a dia, os seus microfilmes na web, com registros civis, livros de batismos, casamentos e óbitos da Igreja Católica, entre outros documentos, de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. Do Rio Grande do Norte, já podemos encontrar registros do Seridó. Os diversos programas de Genealogia, e os vários trabalhos já publicados ajudam os interessados. Algumas informações complementares sobre alguns dos nossos familiares ou conhecidos podem ser encontrados, também, nos velhos jornais digitalizados pela Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Vamos exemplificar com alguns que encontrei nesses velhos jornais.

No jornal do Rio de Janeiro, A Época, de 26 de setembro de 1912, consta a seguinte notícia: vitimado por uma queda, quando passeava a cavalo, faleceu anteontem, na cidade de Angicos, Rio Grande do Norte, o jovem cirurgião-dentista José Francisco Alves de Sousa. O moço, que por sua inteligência e qualidades do coração era muito estimado no círculo de suas relações, recebeu, a meses, nesta capital, o diploma de cirurgião-dentista e achava-se no Rio Grande do Norte, de onde era natural, em visita a pessoas de sua família. Era irmão do nosso ilustre colaborador, capitão J. da Penha, que tem recebido muitas cartas, cartões e telegramas de pêsames e a quem sentimentamos.

Meu trisavô, Miguel Francisco da Costa Machado, foi nomeado agente dos Correios da Vila de Angicos, província do Rio Grande do Norte, em 1861, conforme Boletim de Expedição do Governo, e, também, no Correio da Tarde; Segundo o jornal Actualidade, de 26 de junho de 1861, ele foi nomeado coronel – comandante superior da Guarda Nacional dos municípios de Angicos e Macau, na província do Rio Grande do Norte; pelo Correio Mercantil, de 30 de setembro de 1867, ele foi reformado no mesmo posto de coronel – comandante superior da Guarda Nacional.

Pelo Jornal da Tarde, de 25 de outubro de 1870, saiu a notícia da concessão de licença, para residir no Rio Grande do Norte, ao 2º cadete 1º sargento reformado, José Avelino Martins Bezerra, devendo ser pago dos seus vencimentos de reforma pela Tesouraria da Fazenda daquela província. No Diário do Rio de Janeiro, de 24 de junho de 1870, consta que ele foi contemplado com uma pensão de 600 réis diários. No relatório do Ministério da Guerra de 1869, ele aparece como um dos feridos. José Avelino Martins Bezerra, meu tio bisavô, era do 36º corpo de voluntário da pátria, na Guerra do Paraguai.

Outro jornal digitalizado pela Hemeroteca é o Almanak Administrativo Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro. Nele há registros, de várias localidades, enviados pelas diversas intendências municipais. Em 1885, encontramos entre outras informações, as seguintes: a Câmara Municipal de Angicos era composta por João Luiz Teixeira Rola, seu presidente, José Avelino Martins Bezerra, seu vice, alferes Antonio Barbosa Xavier de Sousa, capitão José Martins Pedroza da Costa, José Gorgônio de Deus Gonçalves, Francisco Soares de Paiva Rocha e Antonio Pascoal Baylon Bezerra; o secretário era José Vitaliano Teixeira de Sousa, o procurador João Alexandre Alves de Sousa, fiscal o alferes José Bezerra da Silva Grilo, e porteiro Luiz Antonio Cabral.

No mesmo Almanak, encontramos na lista de proprietários e capitalistas: Alferes Antonio Martins Wladislao da Costa, o vigário Felis Alves de Sousa, Firmino José Porcino da Costa, alferes Florêncio Octaviano da Costa Ferreira, tenente João Felippe da Trindade, João Luiz Teixeira Rola, Joaquim Costa Alecrim, Joaquim Teixeira de Sousa Pinheiro e Manoel Rebouças de Oliveira Câmara. Era inspetor do Telégrafo elétrico, Benjamim Lopes Abath.

Foi na Gazeta de Notícias de 1 de dezembro de 1883 que tive notícia dos falecimentos de Luiz José Soares de Macedo e do Major José Martins Ferreira, este último, meu trisavô  e um dos fundadores de Macau, proveniente, e, talvez nascido na Ilha de Manoel Gonçalves.

No jornal A Província, de Pernambuco, datado de 16 de janeiro de 1874, encontramos o embarque para o Norte de Maria Martins Ferreira, sua filha Maria Fernandes Moura e Silva, esposa de Balthazar de Moura e Silva e,  Ildefonso Moura e Silva, filho do casal; nesse mesmo jornal, datado de 9 de junho de 1874,  quem embarcou  no navio Pirapama foi Balthazar de Moura e Silva.

Maria Martins Ferreira era minha tia trisavó, pois era irmã de meu trisavô, citado acima, Major José Martins Ferreira. No Jornal do Brasil e no O Paiz, ambos do Rio de Janeiro, encontramos notícias do falecimento de Balthazar de Moura e Silva, no ano de 1882, e o de Maria Martins Ferreira, em 22 de novembro de 1892. Nessa época, ela morava no Rio de Janeiro. Deve ter sido levada para lá pelo filho, Comendador Antonio Barroso Fernandes.

Outra informação, tirada do Correio Mercantil, diz que Joaquim Câmara Machado Rios era tio de Dr. Amaro Bezerra, e que Balthazar da Rocha Bezerra, delegado em São Gonçalo, era cunhado de José Varella de Sousa Barca.

Se alguém quiser conhecer melhor a participação do capitão J. da Penha na luta contra a oligarquia Maranhão e no Ceará, onde morreu, um dos jornais que tem bastante informações é A Época, do Rio de Janeiro.


Por tudo que foi relatado acima, pode-se observar que nesses velhos jornais, digitalizados pela Hemeroteca, é possível encontrar informações sobre parentes, que podem ajudar na construção da história das diversas famílias brasileiras.

Anita e Zaira, filhas do capitão J. da Penha


terça-feira, 11 de junho de 2013

Os Torres do Cururu


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Na viagem de Frei Aníbal de Genova, o filho de Francisco Xavier Torres teve oportunidade de demonstrar toda a sua experiência. Já no Cariri, há o seguinte relato: Subitamente, saíram de dentro de um bosquezito, duas onças enormes. Imediatamente foram alvejadas pelo jovem Torres e um dos índios. Rolou um dos jaguaretês. Acudiram os dois onceiros que com extraordinária bravura fizeram frente à fera ferida. Mas nisto os animais da tropa espavoridos, dispararam pelo campo a fora. Receosos de os perder partiram todos para os cercar. Ao voltarem encontraram a onça que os dois cães haviam acabado, embora um deles houvesse levado terrível munhecaço do felino que quase o matou.

Acho que o síndico do convento de Recife, Francisco Xavier Torres, que recebeu lá no Cururu, Frei Aníbal de Gênova, e foi, com a família, levá-lo até Goianinha, é o mesmo que foi testemunha em 1749, na capela de Santa Anna da Aldeia de Mipibu, do casamento de Constantino de Lima Rocha e Francisca Florência Leal de Jesus, uma filha do capitão João Fernandes de Sousa e Antonia Dias de Araújo; e que foi testemunha, na mesma capela em 1755, do casamento de Passivaldo de Freitas e Maelma Ribeiro; e que no ano de 1754, foi padrinho junto com a filha Eugenia Maria da Conceição, de João Manoel, filho de Clemente de Barros e Arcângela Pereira; Clemente de Barros casou, na capela de Santa Ana da Aldeia de Mipibu, com Arcângela, em 1753, sendo viúvo de Úrsula Pereira. Eram os pais de Arcângela, Clemente Pereira e Maria das Neves. Houve dispensa no terceiro grau de parentesco, por afinidade, e  no espiritual de compradesco. Estavam presentes como testemunhas Francisco Xavier Torres e seu filho Manoel Fernandes Torres.

Maria Caetana, filha do casal Clemente e Arcângela, foi batizada em 1756, em Mipibu, tendo como padrinhos o sargento-mor Caetano Machado Barreto e Joanna Maria Torres. Talvez o genro de Francisco Xavier, lá de Caiçara, citado por Frei Aníbal, fosse Caetano Machado e não Antonio Machado.

Por falta de outros livros, já desaparecidos, não encontramos, até agora, mais informações sobre o síndico.

Somente no ano de 1821, voltamos a encontrar novos registros sobre os Torres, na Vila de São José de Mipibu.   Naquela data, Antonio Lotério, filho de Francisco Xavier Torres e Quitéria Maria, casava com Rita Maria de Jesus, filha de Vicente Ferreira da Costa, falecido. Mas quem era esse Francisco Xavier Torres? Seria filho ou neto do síndico?

Aos 11 de outubro, de 1836, na matriz de Nossa Senhora do O’ de Papari, Joaquim José de Sousa, casou com Antonia Clara da Silva, sendo ele viúvo de Joaquina Maria de Sousa, e ela filha legítima de Francisco Xavier Torres e Maria Francisca, falecida, natural e moradora no Cururu. No ano seguinte, em 1837, Francisco Xavier Torres e Maria Joaquina foram padrinhos de Joaquina, filha de Joaquim José e Antonia (nesse novo registro foi escrito Antonia Maria do Carmo). Nenhuma informação sobre o estado civil dos padrinhos. Por coincidência, meus trisavós eram Francisco Xavier Torres Junior e Maria Joaquina Lúcia da Costa. A descontinuidade dos documentos e a falta de maiores detalhes não permitem qualquer inferência, somente suposições.

Em 1849, em Touros, Clementino Gomes Torres, filho de Francisco Xavier Torres e Joaquina Gomes da Costa, casou com Joaquina Francisca das Virgens, filha de Francisco Bezerra de Melo e Rita Maria de Medeiros. Vamos encontrar, também, no Vale do Ceará-mirim, no ano de 1860, o casamento de Manoel Xavier Torres filho de Francisco Xavier Torres e Joaquina Gomes da Costa, com Maria Francisca de Paula, filha de José Francisco de Paula, falecido, e Manoela de tal. Quem era esse Francisco, pai de Manoel e Clementino? Sabemos, pelos estudos que temos feito, que os diversos filhos de um mesmo casal colocam nos filhos o nome do avô, por isso as várias repetições de nomes.

Meu trisavó, citado acima, era filho de Francisco Xavier Torres e Úrsula Córdula do Sacramento (do Espírito Santo, em outros registros). Era natural de Extremoz, mas morador na Freguesia de Touros, segundo os registros paroquiais de Angicos. Pelo seu óbito, meu trisavô nasceu por volta de 1810. O documento de doação de terras, para Nossa Senhora da Conceição de Guamaré, é datado de 1783, sendo os doadores Francisco Xavier Torres e sua esposa Maria Gomes da Silva. Constava nesse documento que eles, os doadores, eram antigos moradores de Mangue Seco. Por outro lado, em 1762, Francisco Xavier Torres, o síndico do convento de Frei Aníbal, já era pai de um jovem Torres que acompanhou Frei Aníbal e, alem disso, tinha uma filha, casada com Antonio Machado, que morava em Caiçara. Outra informação interessante, é que um irmão de meu trisavô tem Gomes no sobrenome, como é o caso de Felis Gomes Torres que casou com Joanna Francisca da Costa, filha de Roberto da Costa Gomes e Rita Antonia do Espírito Santo, tendo sido dispensado no segundo grau de consanguinidade. Roberto da Costa Gomes devia ser irmão de Úrsula Córdula, talvez parente de Maria Gomes da Silva, doadora da Capela.

Talvez algum documento, ainda submerso nos arquivos paroquiais ou cartoriais, possa nos esclarecer a relação entre esses diversos Torres. Será que em Touros haverá um testamento que possa nos ajudar?
Casamento de Felis Gomes Torres



domingo, 9 de junho de 2013

D. Maria Martins Ferreira, de Macau para o Rio de Janeiro

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Estava em Fortaleza, no dia 6 de junho deste ano de 2013, me preparando para voltar para Natal, quando meu parente Luciano Klein, trineto de Balthazar de Moura e Silva, me telefona dando notícias de duas informações encontradas na Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Eram notícias do falecimentos  de Balthazar de Moura e Silva, seu trisavô, e o de Maria Martins Ferreira, sua tetravó, que transcrevo para cá.

 No jornal "O Paiz", datado de 20 de abril de 1882, estava lá:
Balthazar de Moura e Silva
Maria Martins Ferreira, Comendador Antonio Barroso Fernandes, Henrique de Moura e Silva e Manoel Alves Fernandes, sogra, cunhado, filho e genro do falecido tenente-coronel Balthazar de Moura e Silva, convidam aos seus parentes e amigos para assistirem à missa que por sua alma mandam celebrar na Igreja de São Francisco de Paula, hoje, 20 do corrente, às 9 horas.

No "Jornal do Brasil" de 22 de novembro de 1892, estava o registro:
Maria Martins Ferreira
Antonio Barroso Fernandes e sua mulher Anna Moura Fernandes, Henrique de Moura e Silva e sua mulher Joana Fernandes de Moura, Ana do Carmo Fernandes, Francisca Carolina Fernandes, Emília Fernandes (ausentes) e Maria Fernandes de Moura, Jesuíno Fernandes e sua mulher Izabel Leal Fernandes, transidos da mais acerba dor pelo passamento de sua idolatrada mãe e sogra D. Maria Martins Ferreira, pedem a seus parentes e amigos o piedoso obséquio de acompanhar o saimento do restos mortais da falecida, da casa de sua residência à rua do Senador Dantas nº 40, às 4 horas da tarde de hoje, para o cemitério de São João Baptista.
Por este ato de bondade antecipadamente dá seu eterno reconhecimento.

Com essas informações fui procurar nesses jornais mais detalhes sobre Balthazar e sua sogra Maria Martins. Encontro de início o registro de falecimento de Maria Martins Ferreira, na data de 29 de novembro de 1892

Faleceu ontem, a 9 1/2 horas da noite com 74 anos de idade a Exma. Sra. Dona Maria Martins Ferreira, mãe do Sr. Comendador Antonio Barroso Fernandes.
O enterro será logo às 4 horas da tarde de hoje, saindo o féretro da rua Sen. Dantas, nº 40 para o Cemitério de São João Baptista.

D. Maria Martins Ferreira era filha do Capitão João Martins Ferreira e de Dona Josefa Clara Lessa, moradores na Ilha de Manoel Gonçalves, no Rio Grande do Norte. Pela idade constante no óbito, deve ter nascida por volta de 1818, ano em que a Ilha foi invadida por corsários ingleses, como relatado em outro artigo neste  blog. D. Maria Martins, irmã de meu trisavô, Major José Martins Ferreira, era casada com José Joaquim Fernandes.

Sobre seus filhos, encontramos os seguintes registros: Emília nasceu aos 21 de fevereiro de 1860, foi batizada aos 12 de março do mesmo ano, na Matriz de N. S. da Conceição de Macau, tendo como padrinhos tenente João Alves Fernandes e Nossa Senhora; Antônia, nascida aos 19 de maio de 1856, e batizada na Matriz de N. S. da Conceição de Macau ao 6 de julho do mesmo ano tendo como padrinhos Nossa Senhora e Balthazar de Moura e Silva, casado; Josina (faleceu com 3 meses) nascida aos 15 de abril de 1852, e batizada aos 28 de julho do mesmo ano, tendo como padrinhos João Alves Fernandes e Maria Petronilla Fernandes por procuração que apresentou de  Ana Sloast da Silva Santiago; Manoel que nasceu aos 16 de março de 1846 e foi batizado aos 10 de maio do mesmo ano, sendo padrinhos José Dias da Silva e sua mulher Thereza Carlota de Jesus, por procuração suas que apresentaram João Martins Ferreira e Josefa Clara Lessa.

João Alves Fernandes, filho de José Joaquim Fernandes e Maria Martins Ferreira casou em Macau, aos 25 de agosto de 1856, com Maria Rosa Fernandes, filha de Manoel Antonio Fernandes e Maria Martins de Pureza, tendo como testemunhas Manoel Antonio Fernandes Junior, solteiro e Balthazar de Moura e Silva; Manoel Alves Fernandes, casou na casa de Balthazar de Moura e Silva, aos 27 de julho de 1879, com Ana Rosa de Moura e Silva, filha de Balthazar de Moura e Silva e Dona Josefa Martins de Sousa, sua primeira esposa, tendo como testemunhas Carlos Antonio de Araújo e Braz Marcolino de Andrade Mello. Houve dispensa de 3º grau atingente ao segundo de consanguinidade. Manoel era primo legítimo de Josefa Martins de Sousa, mãe de Anna Rosa.

Não encontrei o registro de batismo de Antonio Barroso Fernandes. Na Hemeroteca da Biblioteca Nacional, vejo que ele era comerciante, tendo atividades nos Banco de Crédito Mercantil, no Banco Emissor de Pernambuco e na Companhia Manufatura Cruzeiro do Sul, entre outras.

Um filho de mesmo nome  do Comendador, Antonio Barroso Fernandes Filho, era  diplomata e faleceu jovem, com a idade de 36 anos, em 1930. Sua morte foi por afogamento no mar, pois não sabia nadar. Deixou um filho de nome Manoel. Era cunhado do Senador Joaquim Murtinho e seu féretro saiu da residência de outro cunhado Jorge Murtinho. Antonio tinha estudado humanidades no Colégio Pedro II e concluiu Direito no Rio de Janeiro, em 1913, sendo diplomado em 1915. Em outro registro da Hemeroteca o jovem Antonio Barrosos Fernandes Filho aparece se habilitando para casar com Violeta de Lourdes Pinheiro da Cunha.

Outra notícia de falecimento, nos jornais da Hemeroteca, dá conta que o diplomata era neto de Maria Joaquina Bastos de Mattos. Na relação apareciam ainda, Maria Magdalena, Elza Barroso Fernandes, Carlos Alberto de Araújo e João José de Macedo. Esse sobrenome Barroso no nome de Antonio não sei de onde surgiu, pois não aparece no nome dos pais do Comendador.

Quanto ao português Balthazar de Moura e Silva, lembramos que fizemos dois artigos que foram postado neste mesmo blog. Ele foi casado, primeiramente, com Josefa Martins de Sousa, que faleceu em 1854, com apenas 25 anos. Ela era filha de Antonio Joaquim de Sousa e Thomasia Martins Ferreira, irmã de Dona Maria Martins Ferreira. Depois, Batlhazar casou com Maria Petronila Fernandes, filha de Dona Maria Martins Ferreira e José Joaquim Fernandes.

Entre os filhos de Balthazar, citamos dois: Henrique de Moura e Silva, filho de Balthazar e de Josefa Martins de Sousa,  nasceu aos 3 de junho de 1847, e foi batizado na Igreja de Macau, aos 16 de outubro do mesmo ano, sendo padrinhos José Antonio de Sousa, por procuração que apresentou de Henrique José Coimbra, e Maria Martins de Sousa; e Ildefonso filho de Balthazar de Moura e Silva e Maria Fernandes da Silva, nasceu aos 7 de novembro de 1860 e foi batizado aos 1 de fevereiro de 1861, tendo como padrinho João Alves Fernandes com procuração de  José Joaquim Fernandes



terça-feira, 4 de junho de 2013

Frei Aníbal de Gênova e Francisco Xavier Torres


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Uma dúvida, que persiste nas minhas pesquisas, é saber se Francisco Xavier Torres, que fez doação de terras para a construção da capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré, tem algum parentesco com Francisco Xavier Torres, meu tetravô, casado com Úrsula Córdula do Sacramento, que morava em Touros. Vamos falar sobre os vários Francisco Xavier Torres, mas em especial sobre um Francisco Xavier Torres que aparece no manuscrito, “Viaggio di Africa e America Portoghesa”, deixado por Frei Aníbal de Gênova, citado por frei Fidelis de Primério no seu livro “Capuchinhos em Terras de Santa Cruz”.

Frei Aníbal nasceu em 1723, e entrou para ordem em 1740. Faleceu em Gênova a 17 de maio de 1785.

Foi frei Aníbal de Gênova, religioso capuchinho, missionário apostólico em Missão, que fez as dispensas para o casamento do sargento-mor Antonio da Rocha Bezerra, filho do coronel Antonio da Rocha Bezerra e Josefa Leite de Oliveira, com Maria Gomes Freire, filha de Bonifácio da Rocha Vieira e Ignácia Gomes Freire, falecidos, em 1 de dezembro de 1759. Os nubentes eram parentes em 4º grau de consanguinidade.

Em 5 de outubro de 1762, Frei Aníbal de Gênova começou a sua missão volante. Quando saiu de Goiana, passou pelo Engenho Grande e tomou a direção de Goianinha no Rio Grande do Norte, devendo fazer trinta e cinco léguas. Foi parando pelo caminho em quantos lugarejos havia. Assim se deteve em Cruz das Almas, Passo D’Água, indo depois a Cururu (Nísia Floresta), a fim de se encontrar com o síndico de seu convento do Recife, Francisco Xavier Torres, por ocasião das festas do Natal. Em caminho fez comungar 643 fiéis. Recebeu-o Torres com as demonstrações de vivo afeto e acompanhou-o com toda a família a Goianinha. Ali, receberam a comunhão 2 322 moradores, assim como 1 744 na paróquia de Nossa Senhora do O’.

Depois, Frei Aníbal passou por Natal, cidade que contava pouco mais de sete mil almas, fregueses de uma paróquia única. Achou o porto espaçoso, seguro e bem defendido pelo Forte dos Santos Reis Magos. De Natal seguiu a convite para São Gonçalo, do outro lado do Potengi, onde se hospedou no engenho de Pedro de Nova (talvez Pedro Gonçalves da Nóvoa). Daí se dirigiu a Coité, e seguiu para o engenho da rica fazendeira, a viúva D. Joana Gomes, em um lugar chamado Coral da Junta.

Daí em diante era o alto sertão. Para isso, precisava tomar algumas precauções. Ofereceu-se o filho primogênito de Francisco Xavier Torres (não cita o nome, uma pena do ponto de vista genealógico) para lhe servir de guia e companheiro. Conhecia muito bem a região sertaneja. Além dos dois escravos que com ele viera de Benin, levou o padre dois grandes mastins para se defender das pintadas, abundantes naqueles desertos onde encontravam os possantes jaguaretês farta carniça.

Resolveu Frei Aníbal ir até o Assú, a 80 léguas de Natal.  Com esse destino, passaram por Caiçara, quase a beira mar, onde havia a fazenda de um Antonio Machado, genro de Torres.

De Caiçara seguiu para Mangue Seco (era neste distrito que residiam, antigamente, Francisco Xavier Torres e sua esposa Maria Gomes da Silva, doadores das terras para a Construção da Capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré), terra deserta e arenosa do litoral atlântico, onde viviam algumas famílias de criadores, onde a água era de mau paladar e semi-salgada. Passou quatorze dias lá, onde confessou 834 comungantes, ficando edificado com a piedade desses pobres moradores.

Depois esteve em Pedra Branca, onde foi hóspede de um genro do Coronel Antonio da Rocha Bezerra. Daí seguiu para Cacimbas (devia ser Cacimbas do Vianna, onde quem também tinha terras era Dona Mariana da Rocha), fazenda do Coronel Antonio Bezerra, onde moravam mais de duas mil pessoas. Grande criador e lavrador era o Coronel Antonio Bezerra, senhor de terras e gados, escreveu Frei Aníbal. Seguiu em direção a Olho d’ Água (devia ser a Fazenda Olho d’Água dos Pitta).

Chegou no Assú, onde confessou mais de 8 763 fiéis, e daí foi para Apodi a dez léguas daquela Vila. Não me estenderei mais nessa viagem que seguiu para Piancó e outros lugares.


Pelo que vimos acima, o síndico, Francisco Xavier Torres, tinha um genro morando em Caiçara, além disso, Frei Anibal e o filho de Torres demoraram 14 dias em Mangue Seco, antiga moradia do doador de terras para a capela, que tinha o mesmo nome do dito síndico. No próximo artigo, vamos ver mais informações sobre esses Torres, em busca de um elo entre eles.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Genealogia, Matemática e existência




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Cada indivíduo, que está na terra, neste momento, tem uma quantidade significativa de ascendentes, que a partir dos seus pais, cresce em progressão geométrica, se desprezarmos os casamentos entre parentes. Os pais são dois, os avós já são quatro, os bisavós, em número de 8, e os trisavós (ou terceiros avós) são 16.  É uma progressão geométrica de razão 2 que começa com dois e  que se expressa, em cada geração de ascendentes, como uma potência de 2. Assim, a quantidade de trisavós, que são dezesseis, é representada por 2 elevado a quarta potência. Quando você chega aos seus nonos avós, eles já são 1024 (2 elevado a 10 potência). Imagine a quantidade de ascendentes, em todo o mundo, se você recuar muitos anos atrás. Você, talvez, prefira que seu sobrenome seja Miranda Henriques, mas com certeza, você tem, através dos seus ascendentes passados, milhares de sobrenomes.

Qualquer que seja o evento acontecido anos atrás, você ou um seu ascendente estava vivo. Assim, quando Buda nasceu, existia em algum lugar do mundo, um ascendente seu, contemporâneo do mestre, que talvez até tenha convivido com ele. Da mesma forma quando Jesus foi crucificado, alguém, que está na sua ascendência, era vivo nesta terra, e talvez estivesse lá, naquela hora.

Em 1706, meus hexavós, João Machado de Miranda e Leonor Duarte de Azevedo, batizavam uma filha em São Gonçalo do Potengi, com o nome de Felizarda. Alguns dos ascendentes desses meus hexavós, podem ter presenciado o massacre de Uruassú, em 1645; Quando invadiram a Ilha de Manoel Gonçalves, em 1818, meu tetravô João Martins Ferreira, estava lá presente.

Acredito, pois, que carregamos dentro de nós, a história da humanidade desde o seu início. Muitas vezes, fico me perguntando se alguns fenômenos que ocorrem com algumas pessoas não são frutos desses conhecimentos que vão passando de geração a geração, através de suas descendências. A holografia revela que a parte contém o todo. Na Matemática descobrimos que um segmento de reta contém a mesma quantidade de pontos que a própria reta. Assim, creio que toda vez que um ser é gerado, traz consigo informações do mundo passado. Nosso DNA pode ser mais valioso do que pensamos!

Li durante muitos anos sobre diversos assuntos, sem nenhum preconceito científico ou de outra natureza. Mesmo como matemático que sou, li sobre astrologia, numerologia, quiromancia, rabdomancia, radiestesia e outras coisa mais. Interessei-me por espiritismo, reencarnação, zen, ioga, psicografia, e múltiplas personalidades. Sempre gostei de biografias, de estudar sobre gênios, escritores, pintores e músicos famosos. 

Muitos gênios falam de suas experiências relatando que alguns escritos, quadros, descobertas ou músicas surgiam como um todo nos seus cérebros. Por que algumas crianças se tornam geniais com poucos anos de vida? Como surge essa genialidade neles?

Quando Chico Xavier psicografava, o que acontecia de verdade dentro do seu cérebro? Quando alguém faz regressão de vidas passadas, que partes do cérebro são ativadas que dão acesso as informação por elas relatadas? Como elas conseguem descrever paisagens, costumes, roupas de uma certa época do passado?
Por que, de repente, uma pessoa, com múltiplas personalidades, acessa dentro de si, um indivíduo que fala inglês, se ela mesma não conhece nada dessa língua? O que de fato acontece lá dentro do seu cérebro que ativa um personagem, aparentemente, inexistente? De onde vêm tais informações ou ações?

O hinduísmo fala em Registos Akáshicos, uma espécie de Biblioteca Virtual, que cada indivíduo possui, onde estão registradas todas as ações pretéritas. Mas, os estudos genealógicos me convencem, a cada dia, que tudo que existia, na época dos nossos ascendentes, vai passando de geração a geração para seus descendentes. Mas, a nossa educação, ao contrário do que devia acontecer, vai podando nossas potencialidades e dificultando nossa capacidade para acessar essas informações. A ciência e a religião, muitas vezes, ao longo do tempo, mutilaram nossas capacidades naturais, tratando com desprezo e preconceitos nossas percepções. 

Acredito, também, que estamos em rede, uns com os outros. Quando alguém sente em uma determinada hora, que um parente ou amigo, que mora distante, faleceu, e depois isso se confirma, temos uma prova da existência dessa rede entre as pessoas. Por que algumas descobertas ocorrem simultaneamente em lugares distantes? Há plágio, sincronicidade, ou essas pessoas entram em rede? Por que gêmeos que foram criados em lugares diferentes tem as mesmas preferências?

A educação seria melhor se estimulasse nossas capacidades inatas. Pegue uma caneta ou um pincel, sem a menor preocupação, e, talvez você escreva uma bela poesia, um bom romance, ou pinte um quadro espetacular, sem precisar pegar carona em gente famosa que já faleceu.
Nossa existência não começou na vida presente. Estamos aqui desde o começo de tudo!






O 2º casamento de José Gomes de Mello Junior, Thomaz Salustino e Francisco Umbelino

Por João Felipe da Trindade

Os registros da Igreja de Currais Novos, disponibilizados pelos mórmons, na Internet, não são tão antigos, e por isso, algumas informações não estão ao nosso alcance. Além disso, em muitos registros de casamento não foram colocados os nomes dos pais dos nubentes. Uma lástima! Mas, é possível, com outras informações, encontrar elos entre o passado e o presente. Há boas informações no livro " No roteiro dos Azevedos", mas faltam datas e os nomes não são sempre os originais. Os registros da Igreja nem sempre são confiáveis, pois, o rodízio que fazem dos nomes das pessoas, dá um nó em qualquer pesquisador genealógico.

José Gomes de Mello Junior casou duas vezes. Vejamos o 2º casamento dele:

Aos oito de outubro de mil oitocentos e noventa e dois, no Sítio São Luiz, perante as testemunhas Antonio Xavier Dantas, Francisco Vicente Dias de Araújo, assisti ao recebimento matrimonial de José Gomes de Mello Junior, viúvo por falecimento de Maria Camilla Gomes Cortez, com Anna Cantionilla Dantas Cortez, filha legítima de Manoel Pegado Cortez, já falecido, e Maria Senhorinha Dantas Cortez. Os nubentes são naturais e moradores nesta Freguesia, e já estão dispensados no 1° grau, eq,l,s. de afinidade lícita. Do que mandei fazer este assento que assino. O Vigário José Antonio da Silva Brito.

A dispensa acima revela que a segunda esposa, Dona Anna Cantionilla Dantas Cortez, era irmã da primeira, Maria Camilla Gomes Cortez.

Para exemplificar a falta de nomes dos pais dos nubentes no registro, vejamos o casamento de Thomaz Salustino:

Aos vinte e um de setembro de mil novecenteos e quatro, no Sítio Aba da Serra, desta Freguesia, casa do Sr. José Bezerra de Araújo Galvão, perante as testemunhas Juvenal Lamartine de Faria, e Napoleão Bezerra de Araújo Galvão, assiti ao matrimônio de Thomaz Salustino Gomes de Macedo e Thereza Bertina de Araújo, meus paroquianos. Do que para constar, mandei fazer este termo que assino. Padre Ignácio Cavalcanti, Encarregado da Freguesia.

Observamos que na família dos Gomes de Mello, os sobrenomes, nos registros,  aparecem como Gomes de Mello ou Macedo Gomes. Não sei quem decide essa variação.

Outro registro, que encontramos dos Gomes de Melo, é o que se segue:
Aos quatro de setembro de mil novecentos, e um, de minha licença, o vigário Joel Esdras Lins Fialho, uniu em matrimônio os contraentes Francisco Umbelino de Macedo Gomes e Leopoldina Gomes, ele filho legítimo de Francisco Umbelino Gomes de Macedo, e de Felismina Sidalina de Jesus, ela filha legítima de José Gomes de Mello,  e Maria Guilhermina da Conceição, sendo testemunhas Francisco Dias de Araújo e Francisco Rodrigues de Freitas Filho; do que para constar fiz este assento, que me assino. O Vigário Marcelino Rogério dos Santos Feire.

2º casamento de José Gomes de Mello
Casamento de um Francisco Umbelino

sábado, 25 de maio de 2013

O Thomaz de Araújo Pereira, aqui de São Gonçalo

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com
Natal, Rio Grande do Norte


O nosso Thomaz,  aqui de São Gonçalo, era neto do Adão do Seridó, Thomaz de Araújo Pereira, natural de Viana e de outro português de Viana, Hipólito de Sá Bezerra, como podermos ver do seu batismo: Thomaz, filho do capitão José de Araújo Pereira, natural da Paraíba, e de Elena Barboza de Albuquerque, desta Freguesia, neto por parte paterna de Thomaz de Araújo Pereira, natural de Viana, e de Maria da Conceição de Mendonça, da Paraíba, e pela materna de Hipólito de Sá Bezerra, natural de Viana e de Dona Joana Bezerra desta Freguesia, nasceu aos onze de dezembro do ano de mil setecentos e setenta e um, e foi batizado com os santos óleos, de licença minha, na Capela de São Gonçalo do Potengi, pelo Padre Manoel Antonio de Oliveira, ao dez de fevereiro do ano de mil setecentos e setenta e dois, foram padrinhos João Damasceno Pereira e Dona Maria dos Santos Pereira, moradores no sertão do Seridó, do que mandei lançar este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo.

Esses padrinhos eram meus hexavós. Ele, filho de Thomaz (primeiro do nome) e Maria da Conceição, ela, filha do português Rodrigo Medeiros e Dona Apolônia Barbosa. Dona Joana, avó materna do batizado, era filha de Pascoal Gomes de Lima, neta do capitão-mor Manoel de Abreu Soares, e bisneta de Jerônimo da Cunha, um dos mais antigos sesmeiros do Rio Grande do Norte.

Em março de 1796, ainda estava solteiro, pois, nesta condição, foi padrinho do seu sobrinho João, filho de sua irmã Rosa Maria e de João José de Crasto, este do Seridó. Não encontrei o casamento, mas no começo do século XIX, batizava uma filha: Aos sete de agosto de 1802, na Igreja de São Gonçalo, de minha licença, o Padre Antonio Pedro Alcântara batizou, e pôs os santos óleos a Jerônima, nascida a vinte e quatro de julho, filha legítima de Thomaz de Araújo Pereira e de sua mulher Antônia Maria Gomes, naturais desta Freguesia, e moradores na Ribeira do Rio Potengi, desta Freguesia, neto por parte  paterna de José de Araújo (Pereira), e de sua mulher Elena Barbosa, e pela materna de Manoel de Abreu (Soares), e de sua mulher, D. Ana Gomes Carneiro, naturais desta Freguesia, foram padrinhos José Eulério e sua mulher Margarida Pereira  de Jesus.

Muitas vezes, descuidadamente, os registros são feitos com abreviação do nome completo, ou com erros, o que gera problemas de reconhecimento. Vejamos o registro a seguir, que acredito seja de um filho do nosso personagem: No primeiro de janeiro de 1814, na Fazenda da Pedra do Navio, o Pare Fidélis de Paiva, solenemente, batizou a Thomaz (branco), filho legítimo de Thomaz de Araújo e Dona Antonia Maria, naturais e moradores nesta Freguesia, foram padrinhos Pedro Miguel e sua mulher D. Maria Ignácia, moradores nesta mesma Freguesia. Feliciano José Dornelles.

Manoel de Abreu Soares, viúvo de Antônia Francisca de Mello, casou com Ana Maria da Rocha (a mesma Ana Gomes Carneiro), filha do português João Gomes Carneiro e de Dona Ana Francisca de Miranda (na verdade Ana Ferreira de Miranda), em 20 de setembro de 1785.

Em 1819, Thomaz casou uma filha: aos onze de outubro de 1819, nesta Matriz de Nossa Senhora da Apresentação da cidade do Natal, depois de corridas as denunciações, segundo determina o Santo Concílio Tridentino, nesta Freguesia, donde é a nubente natural e ambos moradores, com as denunciações da naturalidade e certidão de batismo do nubente, e não constando impedimento algum canônico ou civil, como se vê dos banhos, que ficam em meu poder, e na minha presença e das testemunhas João Teixeira de Carvalho e (Osvaldo?) Pereira Neves, desta Freguesia, se casaram os nubentes João Felis Pereira das Neves, filho de João Felix Pereira e Leonor (ilegível), com Ana Francisca de Miranda, filha legítima de Thomaz de Araújo Pereira e Antônia Gomes Carneiro, todos desta Freguesia, logo lhes dei as bênçãos segundo Ritos e Cerimônias da Santa Madre Igreja, do que fiz este termo, no qual me assino. Francisco Antonio Lumachi de Mello, Vigário Interino.

Outro casamento, envolvendo as mesmas famílias do anterior, ocorreu anos depois, a diferença é que alguns sobrenomes são mudados: aos nove de junho de 1823, pela dez horas do dia, na Capela de São Gonçalo do Potengi, depois de feitas as denunciações, na forma do Sagrado Concílio Tridentino, nesta Freguesia, aonde os nubentes são moradores e a nubente natural, e não constando canônico impedimento, como se vê dos banhos que ficam em meu poer, na presença do Padre Manoel André de Paiva, e das testemunhas João Teixeira (de Carvalho), solteiro, e João Barbosa, casado, e moradores desta Freguesia, se casaram em face da Igreja, solenemente, por palavras de presente, José de Araujo Pereira (mesmo nome do avô paterno), filho legítimo de Thomaz de Araújo Pereira, e sua mulher Antônia Gomes Carneira, com Ana Maria de Jesus, natural desta Freguesia de Nossa Senhora das Mercês da Serra de Coité, donde veio de menor para esta Freguesia, filha legítima de João Felix Ferreira e Leonor da (ilegível). E logo o dito Padre lhes deu as bênçãos segundo os ritos e cerimônias da Santa Madre Igreja, Feliciano José Dornelles, vigário colado.

Nos registros há uma troca de Pereira por Ferreira. O patrimônio da capela de Nossa Senhora das Mercês foi doado por Caetano Dantas Correia e sua mulher D. Josefa de Araújo Pereira, tia avó do nubente.
Encontro mais um registro em 1821: Antonio, filho de Thomaz de Araújo e Antônia Maria, desta Freguesia, foi batizado com os santos óleos, nesta Capela, pela Administrador o Padre Manoel André Pereira, aos 8 de outubro de 1821, sendo seus padrinhos o alferes Domingos José Freire e D. Joaquina Josefa Camelo. Feliciano José Dornelles.








sexta-feira, 24 de maio de 2013

Aurélio José Gomes, filho de Hipólito de Sá Bezerra

Por João Felipe da Trindade

Aurélio José Gomes, filho do Alferes Hipólito de Sá Bezerra e Dona Joanna Bezerra de Albuquerque, casou na capela de São Gonçalo do Potengi, aos 30 de maio de 1765, com Dona Antonia Camelo, natural de Goianinha, filha legítima do capitão Manoel Pegado de Siqueira e Violante Camelo, finada, sendo testemunhas o capitão Jerônimo Teixeira da Costa, e Pascoal Gomes de Lima, solteiro. Esse Gomes  no nome de Aurélio vem do avô Pascoal Gomes de Lima, pai de Dona Joanna.

Nos assentamentos de praça, encontramos alguns filhos de Aurélio José: Hipólito de Sá Bezerra, solteiro, morador na Guanduba, 13 anos de idade, sentou praça em 10 de janeiro de 1792; João Pegado dos Santos, natural de São Gonçalo, filho de Aurélio José, com 22 anos, sentou praça aos 27 de novembro de 1791; Manoel Pegado de Siqueira, solteiro, morador em São Gonçalo, filho de Auréli Jose, com 12 anos, sentou praça em 27 de dezembro de 1788.

Marcelina, filha do capitão Aurélio José Gomes e Antonia Camelo, foi batizada no ano de 1771, não tem a data de seu nascimento, nem a data do seu batismo, como escreveu o vigário, sendo padrinhos o capitão José de Araújo Pereira, casado, e Dona Marai Egiciaca, solteira; em 1776, faleceu Josefa, com 4 anos, e, em 1788,  faleceu Joaquina, ambas filhas de Aurélio e Antonia.

Uma filha de Aurélio José Gomes e Antonia Camelo, de nome Maria Madalena, casou  em 12 de junho de 1801, na capela de Santa Ana do Arraial, com Agostinho José de Melo, filho de José Pedro de Melo e Francisca Felis da Conceição, tendo como testemunhas tenente Manoel Pegado de Siqueira, casado, e Hipólito Freire de Albuquerque, também casado.

Antonio José de Lemos, lá de Porto Calvo

Por João Felipe da Trindade

O registro de casamento de Antonio José de Lemos já tem  trechos ilegíveis e alguns buracos, mas com outros registros podemos extrair algumas informações sobre ele, que era mais um genro de Hipólito de Sá Bezerra e Dona Joanna Bezerra de Albuquerque.

Tanto Antonio José de Lemos como sua mãe Luiza Filgueira da Costa eram de Porto Calvo. O pai dele e esposo de Luiza, Roque Jacinto de Lemos, entretanto, era da cidade de Lisboa, Freguesia de São Julião. 

Aos trinta e um de março de 1749, na capela de São Gonçalo do Potengi, na presença do Coadjutor, o licenciado João Gomes Freire, sendo uma das testemunhas Ruperto de Sá Bezerra, foi celebrado o casamento de Antonio José de Lemos com Anna Maria Bezerra, filha do Alferes Hipólito de Sá Bezerra, natural da Vila de Viana, e de sua mulher Joanna Bezerra de Albuquerque.

Antonio homenageou seus pais, através dos seus filhos. Vejamos pois os batismos deles: Roque foi batizado aos 9 de janeiro de 1757, na capela de São Gonçalo do Potengi, tendo como padrinhos o tenente Bento Leite Cardoso, solteiro, e Dona Joanna Maria de Albuquerque, mulher do Alferes Hipólito de Sá Bezerra (observe que já há uma variação no nome da mãe de Anna); Luiza, nasceu aos 18 de janeiro de 1768, e foi batizada,na Matriz de São Miguel e Nossa Senhora dos Prazeres da Vila de Extremoz, aos 23 de março do dito ano, tendo como padrinhos José de Araújo Pereira (filho de Thomaz de Araújo Pereira, e genro de Hipólito), casado, e Thereza de Jesus, filha de Prudente de Sá Bezerra (tio do batizado).

Vejamos outros filhos do casal Antonio José e Anna Maria: João José foi batizado aos 30 de setembro de 1754, tendo como padrinhos Manoel de Abreu Soares,seu tio, filho de Hipólito, e Maria Bezerra de Mello, esposa de Prudente de Sá Bezerra (outro tio);  Gonçalo nasceu aos 17 de janeiro de 1766, e foi batizado aos 11 de março do mesmo ano, tendo como padrinhos Antonio da Silva de Carvalho, casado, e Elena Barboza de Albuquerque (tia do batizado), mulher de José de Araújo Pereira; Maria, nascida aos 27 de um mês não identificado, do ano de 1776, batizada na capela de São Gonçalo, aos 7 de abril do mesmo ano, tendo como padrinhos, Manoel de Mello de Andrade e Antonia Francisca de Mello, mulher de Manoel de Abreu Soares. Maria faleceu no ano de 1769.

Identificamos outra filha, de nome Joana Maria Bezerra,  através do batizado, onde foi madrinha, de Josefa, filha de Aurélio José Gomes e Antonia Camello. Esse Aurélio, filho de Hipólito de Sá Bezerra, e esta Antonia, filha de Manoel Pegado de Siqueira e Violante Camello. Joana, portanto, foi madrinho da prima. Em outros registros o nome é Joanna Bezerra de Albuquerque.

Outros registros são de assentamento de praça: Francisco Izaquiel Bezerra, branco, solteiro, morador na Guanduba, filho de Antonio José de Lemos, 25 anos, sentou praça, aos 21 de dezembro de 1788, tendo depois passado a Cabo de Esquadra; José Rodrigues de Lemos, branco, casado, filho de Antonio José de Lemos, com 33 anos, do distrito da Vila Princesa. Não há  o ano do assentamento. 

Aos 8 de abril de 1778, Dona Anna Maria Bezerra, faleceu da vida presente, com a idade de 49 anos, pouco mais ou menos; seu marido, Antonio José de Lemos, veio a falecer aos 20 de dezembro de 1788, com a idade de 68 anos.

Há um outro Antonio José de Lemos, cuja filha Agostinha foi sepultada na capela de São Gonçalo em 1809. Não sei se há alguma relação desse Antonio, com o seu homônimo, já falecido, naquela data.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Maria Antonia Fontes Taylor, matriarca dos Tassinos


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Francisco Xavier de Menezes, que presidiu a Câmara Municipal de Angicos no período que vai de 1853 até 1855, era casado com Dona Maria Antonia Fontes Taylor. Segundo Aluízio Alves, no livro “Angicos”: angicano dos mais esforçados, e que, na época, desempenhou notável influencia, político-social no município. Filho de Francisco Alexandre Xavier, a quem não eram tão minguados os recursos financeiros, pôde cursar a Faculdade de Medicina da Bahia, até o 4º ano, deixando de concluir o curso por motivos ignorados. Foi ainda, segundo Aluízio, secretário da Câmara, Escrivão Público Judicial de Notas, Professor, Agrimensor, Vacinador Oficial, Capitão-cirurgião-mor do Comandante Superior da Guarda Nacional, em Angicos e Macau, e finalmente licenciou-se advogado pela Relação da Província.

Há um registro de batismo, faltando partes, onde encontramos a naturalidade de Maria Antonia. Nele estava escrito: Gerôncio, filho legítimo de Francisco Xavier de Menezes e de Maria Antonia de Fontes Taylor, falecida, naturais, ela do Reino da Inglaterra, e ele, desta freguesia de Angicos, aqui falta a parte baixa do registro, mas no verso continua com, foi por mim batizado com os santos óleos nesta matriz de São José de Angicos, aos vinte e oito do mesmo ano; foram padrinhos Jerônimo Cabral Pereira de Macedo por seu procurador Antonio Bernardo Alves, casado, e Damásia Lopes Viégas, solteira, moradores nesta mesma freguesia. Do que para constar faço este assento que assino. O vigário Felis Alves de Sousa.

Pelos registros próximos, isso se deu no ano de 1854. Como no batismo, Dona Antonia já não existia, suspeitei logo, que tivesse falecido de parto, e fui atrás do seu óbito nesse ano, o que encontrei: aos dez dias do mês de maio de mil oitocentos e cinquenta e quatro, foi sepultado nesta Matriz do Glorioso São José de Angicos, acima das grades, o cadáver de Maria Antonia Fontes Taylor, falecida de parto, sem sacramentos, na idade de quarenta e seis anos, foi envolta em branco, por mim encomendada, do que para constar faço este termo e assino, o vigário Felis Alves de Sousa.
Pela informação acima, se não houve erros, Maria Antonia teve o filho com mais de 40 anos. Vejamos que outros filhos ela teve. Comecemos com os gêmeos João e Manoel.

João, branco, filho legítimo de Francisco Xavier de Menezes e de Maria Antonia de Fontes Taylor, nasceu a 23 de outubro de 1851, e foi batizado, na matriz, a 27 de dezembro do dito ano, sendo padrinhos José Alves da Costa Machado e Constância Maria da Conceição, casados; Felis Alves de Sousa, vigário Colado de Angicos.

Manoel, filho legítimo de Francisco Xavier de Menezes, e de Maria Antonia de Fontes Taylor, nasceu a 23 de outubro de 1851, e foi batizado, na matriz, a 27 de dezembro do dito anos, sendo padrinhos Alexandre Xavier da Costa e Joanna Maria da Conceição, casados; Vigário Felis Alves de Sousa, vigário Colado de Angicos.

João Domício Xavier de Menezes, um dos gêmeos, casou, em 26 de agosto de 1876, com Anna Francisca de Azevedo, filha de Vicente Ferreira Xavier de Azevedo e Francisca Rosalina de Vasconcelos. Esse Vicente, meu tio bisavô, era filho de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e da sua primeira esposa Maria Francisca Duarte. Vicente, pai de Anna, faleceu moço, com apenas 30 anos, de febre amarela.

Adelaide, filha legítima de Francisco Xavier de Menezes, e D. Maria Antonia de Fontes Taylor, nasceu aos nove de agosto de mil oitocentos e quarenta e cinco, e foi batizado a vinte e um de dezembro do mesmo ano, em oratório privado, na cidade do Assú, sendo padrinhos o reverendo Vigário Manoel Januário Bezerra Cavalcanti, e Francisca Rodrigues da Costa por procuração que apresentaram aquele do capitão Jacinto João da Ora, e esta de D. Rita Virginia de Santa Ana. Adelaide Angélica Xavier de Menezes foi a primeira esposa de José Paulino Teixeira de Sousa, filho de José Vitaliano Teixeira de Sousa e Urbana Teixeira de Sousa. Eles casaram em 12 de janeiro de 1874.

Emília, branca, filha legítima de Francisco Xavier de Menezes, e D. Maria Antônia de Fontes Taylor, nasceu a vinte e dois de junho de mil oitocentos, e quarenta e sete, e foi batizada, a vinte e três do dito mês pelo padre Francisco Theodósio de Seixas Baylon, in articulo mortis, recebeu os santos óleos, que lhe impôs, a dois de abril de quarenta e nove; foram padrinhos, o mesmo padre Baylon, e por procuração de José Joaquim Bezerra Cavalcanti. Emília Victorina Xavier de Menezes casou com Francisco Germano da Costa Ferreira, filho de Florêncio Octaviano da Costa Ferreira e Ignez Lucania da Costa Ferreira. O casamento foi em 31 de maio de 1874.

O Professor, Juvêncio Tassino Xavier de Menezes, natural da Vila de Imperatriz, outro filho do casal Francisco Xavier e Maria Antonia, casou, em 18 de setembro de 1864, com Theresa Maria de Jesus, viúva de Francisco Pedro Xavier da Costa. Dona Theresa faleceu de parto em 1869, com a idade de 36 anos. Com um mês faleceu a filha do casal, Maria. Thereza era irmã da minha bisavó, Francisca Rita Xavier da Costa. Em 7 de janeiro de 1855, o pai de Juvêncio, viúvo de Maria Antonia, tinha se casado com Bernarda Francisca da Costa, irmã de Theresa.

Juvêncio casou outras vezes. Eu conheci na Fazenda de Paulo Leitão de Almeida, em Lagoa Salgada, Maria da Conceição Tassino de Araújo, mais conhecida por Mary, filha de Luiz Tassino, e neta paterna de Juvencio Tassino e Marcolina Gouveia Varela. Dona Mary é a mãe de Marcos, Márcio e Maurício Tassino.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Um poema para Francisco, meu tio-avô

O poema abaixo foi escrito por Leonardo Cavalcanti, e foi dedicado ao seu primo Luiz Carlos Avelino da Trindade. Faz parte do livro "Poesia sem perdão", editado em Recife, 1998. Leonardo é filho do Doutor Francisco Ivo Cavalcanti e Martha Trindade. Francisco, que dá título ao poema, era irmão de meu avô Miguel Francisco da Trindade e de André Avelino Trindade, ambos filhos de João Felippe da Trindade e Francisca Ritta Xavier da Costa. Gente de Angicos.
Luiz Carlos é filho de André Avelino da Trindade, segundo do nome, e Lourdes Batista.
André completa em 2013, a idade de 102 anos, muito lúcido.

De Maria da Penha, meu avô teve quatro filhos.
Viúvo dela, da Penha, com Izabel teve muitos.
João morreu ao casar-se, em plena lua-de-mel, 
e a viúva Pureza (pureza de corpo e alma)
preservou-se - vive pura.
Alfredo foi de Chiquinha,
Francisca, de Zacharias,
Onofre casou com Ana Firmino
e ao depois com Concebida,
que naqueles ermos fôra, 
é possível e é provável, 
concebida sem pecados.
José, chamado Dedé, esposou sua Didi.
David dormiu com Margot
durante anos seguidos.
Pedro desposou Betinha e André, Lourdes Batista,
que, vejam (mundo pequeno), era prima do meu pai.
Mário se deu a Tereza,
irmã da moça Elita com que se casou Joaquim.
Manoel encarou Judith, 
durou pouco, não deu certo
-deu certo com Nazareth.
Josefa ficou viúva bem cedo, fatalidade,
e destinou-se com Cícero.
Maria Rita, que teve na hora de seu batismo
o nome da sua avó,
aboliu Rita do nome,
casou com Antonio Tibúrcio,
mas foi sempre e só Trindade.
Maria tem sete filhos,
meus primos apreciados.
Martha, a caçula, se uniu ao doutor Francisco Ivo,
homem maduro e preclaro.
Miguel firmou com Lourdinha,
depois de rodado e gasto,
pacto perante o juiz.
Mas foi a irmã Izabel, 
por batismo é Anna,
quem deu o lance mais certo
-entregou-se a Jesus Cristo,
homem declarado e visto
como o dono do universo.
Cinco manos teve ele, meu avô André Trindade:
Miguel, Joaquim, Francisco, Ana e Maria Rosa. 
Francisco nasceu doente,
menino ausente ou distante do mundo
que era seu (do mundo ausente ou distante?),
e entre nós, os Trindade,
Francisco é sempre presente em todas as gerações.
Como admiro Francisco!
Tenho o sentir de que Francisco é o resumo de tudo,
de toda a formidável inevitabilidade da sucessão.
Somos tantos, hoje, absurdamente lúcidos e sãos.
entretanto, sem piedade de mim, sou racionalmente
FRANCISCANO.

Postado por João Felipe da  Trindade

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Francisco Xavier de Sousa, lá do Sertão Central Cabugi (III)


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Meu amigo e parente, promotor aposentado, Pedro Avelino Neto, é quem nos guia, inicialmente, na direção do velho Francisco Xavier de Sousa. Segundo Pedro, seus pais eram José Avelino Monteiro e Lídia Avelino de França, sendo seus avós paternos Pedro Avelino Monteiro e Militana Xavier Avelino. Pedro Avelino Monteiro era filho de Manoel Antonio da Costa Monteiro e Agostinha Maria Martins Bezerra, minha tia bisavó.

Militana, filha de Francisco Xavier de Jesus Maria e Antonia Regina Maria das Virgens, nasceu aos 10 de março de 1883, e teve como padrinhos de batismo Ildefonso Virgulino e sua mulher Olímpia Olívia Ferreira, moradores em Macau, por seus procuradores José Francisco Alves de Sousa e Maria Ignácia Alves de Sousa. Seu pai, Francisco Xavier de Jesus Maria, outro filho do velho Francisco Xavier e Josefa Francisca, casou, no Curral dos Padres, em 9 de novembro de 1864, com Antonia Regina Maria das Virgens, natural de Extremoz, filha de José Pedro da Silveira e Catarina Maria da Assumpção, sendo testemunhas Trajano Xavier da Costa e Antonio Valério da Costa Maria.  Francisco, em vários registros, aparece como Francisco Xavier de Souza Filho.

Entres os filhos de Francisco e Antonia Regina ou Régia, citamos: Francisco, nascido aos 27 de março de 1878, sendo padrinhos de batismo, Francisco Ribeiro de Sousa e Maria Senhorinha Barbalho Bezerra; Abílio, nascido aos 5 de junho de 1879,  tendo como padrinhos José Avelino Martins Bezerra e Josefa Maria da Costa Bezerra; Cândida,  nascida aos 4 de setembro de 1880,  foi batizada no sítio Curral dos Padres,  sendo padrinhos Onofre José Soares e sua mulher Maria do Carmo do Amor Divino, por seus procuradores Antonio Valério da Costa Maria e sua mulher Leonídia Francisca Xavier; Maria,  nascida em 6 de março de 1872, em Curral dos Padres,  foi batizada nesse mesmo local,  pelo missionário frei Serafim de Catania, sendo padrinhos Vicente Verdeixa Xavier de Sousa e Ana Francisca Maria da Anunciação; Luiz,  nascido aos 7 de janeiro de 1874, foi batizado, na Matriz,  sendo padrinhos José Marianno Xavier de Sousa e Francisca das Chagas de Sousa Monteiro.

Outro filho de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca da Costa é José Mariano.

José Mariano Xavier de Souza casou, em 28 de junho de 1859, com Belízia Francisca Bezerra, filha do tenente-coronel Antonio Francisco Bezerra da Costa (ele meu tetravô) e Vicência Ferreira da Costa (ela minha tia trisavó), com os testemunhos de Miguel Ribeiro Dantas Jr. e Torquato Álvares Bezerra. José Mariano tinha ficado viúvo de sua primeira mulher, Maria Catharina de Sena Virgem.

Entre os filhos do seu primeiro casamento com Maria Catharina, encontramos: Vicente, nascido aos 29 de julho de 1852, batizado no sítio São Paulo, sendo padrinhos Antonio Barbosa Xavier de Sousa e Josefa Leocádia Francisca Bezerra, casados; Maria, nascida aos 24 de março de 1858, e batizada no sítio Carapebas, tendo como padrinhos Manoel Xavier de Sousa, solteiro, e Joanna Cordulina Xavier Ferreira, casada; Josefa Francisca Xavier Bezerra, que casou, em Gaspar Lopes, em 15 de agostos de 1866, com meu tio bisavô, Manoel Jacintho da Trindade, filho de João Miguel da Trindade e Maria Rosa da Conceição; Francisco Anacleto Xavier de Sousa, que casou no sítio Carapebas, em 30 de setembro de 1871, com Joanna Martins Bezerra, minha tia bisavó, filha de Alexandre Avelino da Costa Martins e Anna Francisca Bezerra.  Esta última era filha do tenente-coronel Antonio Francisco Bezerra da Costa e sua primeira esposa Agostinha Monteiro de Sousa, falecida de parto em 2 de julho 1827. Três meses depois, em 2 de outubro de 1827, o tenente-coronel casa com a sobrinha de Agostinha, Vicência Ferreira da Costa, irmã de Alexandre Avelino. Naquela época, ninguém ficava solteiro por muito tempo, e, na maioria das vezes, casava com familiares seus ou da primeira esposa.

Belízia, a segunda esposa do José Mariano, tinha nascido aos 22 de dezembro de 1839, e sido batizada, em 1 de janeiro de 1840, tendo como padrinhos Alexandre Avelino da Costa Martins, meu trisavô, e Maria Xavier da Costa, casada.

Para José Mariano Xavier de Sousa e Belízia encontramos os filhos: Maria, nascida aos 25 de maio de 1860, e batizada no sitio Gaspar Lopes, tendo como padrinhos os avós de cada lado, Antonio Francisco Bezerra da Costa, viúvo, e Josefa Francisca da Costa, casada; Seríaco, nascido aos 16 de março de 1862, e batizado na Matriz, tendo como padrinhos Francisco Xavier de Sousa Filho e Clara Francisca Bezerra, solteira; Josefa nascida aos 1 de junho de 1873,  em Gaspar Lopes, e batizada no sítio São Pedro,  tendo como padrinhos Joaquim Soares Raposo da Câmara e Josefa Francisca da Costa Bezerra por seus procuradores Trajano Xavier da Costa e Joanna Maria Xavier Bezerra; Antonia, nascida aos 24 de janeiro de 1875, e batizada no sítio São Paulo,  tendo como padrinhos Miguel Ribeiro Dantas Junior e sua mulher  Maria Angélica Ribeiro Dantas, por seus procuradores Trajano Xavier da Costa e Maria do O’ Xavier da Silva; Maria Ritta Xavier Bezerra, que casou, em 1 de julho de 1883, com Prisciliano Genário da Costa Bezerra, filho de Alexandre Francisco da Costa Bezerra e Josefa Leocádia da Costa Bezerra.

Manoel, outro filho de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca Bezerra, nasceu aos 25 de dezembro de 1839, e foi batizado na Matriz, aos 6 de janeiro de 1840, sendo padrinhos Manoel da Silveira Borges, solteiro, e Sabina Maria da Silva, casada. Como adulto, seu nome era Manoel Xavier da Costa, que casou, na fazenda Juazeiro, em 22 de outubro de 1862, com Maria Francisca Bezerra, filha de Agostinho Barbosa da Silva e Sabina Maria dos Santos sob os testemunhos de José Maria da Silva Grillo e Vicente Verdeixa Xavier de Souza.



quinta-feira, 9 de maio de 2013

A vida curta de Francisca de Paula Maria de Carvalho

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Antigamente, por conta da precariedade em que viviam nossos ascendentes, a  morte chegava mais cedo para as mulheres, principalmente, as casadas e as crianças. Os homens que iam sobrevivendo as agruras da vida casavam, sucessivmente, a cada morte de sua sem sorte.

Francisca de Paula Maria de Carvalho era minha bisavó. Natural de Angicos, foi casada com Francisco Martins Ferreira, natural de Macau. Há poucos dias, encontrei o registro de batismo dela, antes desconhecido por mim, que tive notícia, apenas,  do seu casamento, em 1869, e de seu óbito, em 1873.

Minha avó, Maria Josefina Martins Ferreira, filha de Francisco e Francisca, tinha nascido em Cacimbas de Vianna, em 1870. Em, 26 de junho de 1873, Francisca de Paula, com 25 anos de idade,  quando foi ter o seu segundo filho José, nascido nessa mesma data, faleceu de parto. Está sepultada em Macau. José ainda sobreviveu onze meses e 21 dias, tendo falecido de incômodos de dentição aos 17 de junho de 1874. Francisco Martins Ferreira, voltou a casar em 1874, dessa vez com Antônia Lourença Dias da Rosa, prima legítima da primeira esposa. Maria Josefina, ficou órfã de pai aos 7 anos, pois, Francisco Martins Ferreira faleceu em 1877, antes de completar 36 anos.

Vejamos o registro de nascimento de Francisca de Paula:
Francisca, branca, filha legítima de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Maria Ignácia Rosalinda Brasileira, nasceu aos 13 de fevereiro de 1848, e foi batizada no Sítio São Romão, aos 30 de março do mesmo ano, pelo Reverendo Felis Alves de Sousa, sendo padrinhos João Luis da Rocha, solteiro, e Izabel Francisca de Sousa, viúva, do que para constar mandei fazer este assento, em que me assino. Felis Alves de Sousa, Vigário Colado de Angicos.

Minha avó, Maria Josefina Martins Ferreira, herdou o nome da avó, Josefina Maria Ferreira. Antigamente, havia o hábito de se nomear as crianças com  o nome invertido de uma avó, ou da mãe. Uma tia bisavó, Rosa Maria, herdou o nome da mãe Maria Rosa; minha trisavó, Maria Joaquina, herdou o nome da mãe  Joaquina Maria. Maria Josefina morava, quando a conheci, em São Romão, hoje Fernando Pedroza.
Casa de meus avós em São Romão