segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A querela de Gonçalo Wanderley Lins contra José Gomes da Mota

Por João Felipe da Trindade

Através do jornal "O Nortista", editado no Ceará, e digitalizado pela Hemeroteca Nacional, do ano de 1849, encontramos uma biografia de João Carlos Wanderley, onde no final consta uma querela feita por seu pai, Gonçalo Wanderley contra o português José Gomes da Mota. Segue a transcrição da dita querela.

Pública forma – Diz Gonçalo Wanderley Lins, morador no termo desta Vila, como administrador de sua mulher Francisca Xavier de Macedo, que ele querela, e denuncia as justiças de Sua Alteza Real, e especialmente o faz perante Vmc, de José Gomes da Mota, morador no mesmo lugar: a razão de sua querela consiste em que sendo a mesma mulher do suplicante menor de 13 anos, vivendo honestamente e com sua mãe Teresa Maria da Conceição, com quem se achava então casado, o suplicado, e valendo-se este de inconsideração da dita menor, a qual é ordinária em semelhante idade para acautelar a sua ruina, entrou ele a seduzir, umas vezes com carícias, e promessas, e outras com ameaças, por muito tempo, até que vencendo o fraco e inerme coração da menor utilizou de sua honra e virgindade, e continuando nos mesmos excessos sucedeu conceber ela um filho, que parindo se acha em casa de Antônio José, ou no lugar Tapera, no riacho de Panema; e tratando de casar a mesma menor, quando ela já se achava outra vez pejada, sem que ela fosse senhora de si, pois só viveu entregue as disposições do suplicado seu padrasto, com efeito de promessa do mesmo veio a casar o suplicante com a sobredita menor estando ignorante de tudo o que veio patentear-se, por segunda vez parir a mulher do suplicante, tendo passado poucos meses depois de casada, e porque o referido caso é de querela na conformidade das ordenanças livro 5º título 17 §1ª título 23 em princípio, e o suplicante a quer dar como administrador da dita mulher, a qual sendo necessário o benefício de restituição por mulher, e por menor a fim de ser castigado o suplicado, para emendas de outras, satisfações do suplicante, e república ofendida, portanto – Pede a Sr. Juiz Ordinário, lhe faça mercê mandar que distribuído atenda ao suplicado da sua querela jurada na forma da lei, e provado quanto baste seja ao suplicado pronunciado e preso, e sendo necessário se passe todos as ordens – ERM.
Testemunhas – Testemunha 1, o ajudante Pedro de Barros Cavalcante, branco, casado, morador nesta Vila que vive de suas agências – Testemunha 2, Francisco Ferreira da Silva, branco, solteiro, morador nesta Vila, que vive de seu negócio – Testemunha 3, Antônio Ferreira  Santos, branco, solteiro, morador nos Pocinhos, vive de seus gados;
Despacho – Distribuído, e jurado se lhe tome sua querela - Carvalho
Distribuído em correição – Visto em correição, e advirto juiz com pena de culpa  de que não pronuncia querela alguma sem assessor, que assim o manda a lei, e da mesma sorte autos, porque se o fizesse não cairia no absurdo de pronunciar a querela a folhas 81; pelo que mando, que mande dar baixa na culpa, e rol de culpados a José Gomes da Mota, por o julgar sem culpa, e a querela nula por ser contra direito, e não competir ao querelante semelhante ação, senão depois de casado por fato então acontecido a ele que só é quando o direito lhe permite a sua ação pela ofensa  que se lhe faz, e não de fatos anteriores em que a ele se não ofendia. Vila da Princesa, 6 de agosto de 1803 - Radamaker.


 





sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Manoel, tapuio de nação Potengi, e Luzia, tapuia de nação Caboré.

Por João Felipe da Trindade

Com a saída dos holandeses, os tapuias ficaram desprotegidos, e muitos deles foram aprisionados e viraram escravos, durante a Guerra dos Bárbaros. Segue o casamento de dois deles, mas de nação diferentes.

Aos 2 de fevereiro de 1728, em a Capela de Nossa Senhora da Conceição, deste Rio Grande do Norte, feitas as denunciações, na forma do Sagrado Concílio Tridentino, nesta Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, da cidade do Rio Grande do Norte, onde o contraente é natural, e ambos fregueses da dita Capela de Jundiaí, onde ambos são assistentes, sem se descobrir impedimento, em presença do Padre Antônio de Araújo e Sousa, de licença minha, presentes por testemunhas  Luís da Costa, mulato, e Manoel da Costa, Maria Filha, e Felícia, crioula, escrava do alferes Roque da Costa Gomes, pessoas conhecidas, se casaram em face da Igreja, solenemente, por palavras Manoel, tapuio de nação Potengi, e Luzia, tapuia de nação Caboré,  escravos do alferes Roque da Costa Gomes. E logo lhes deu as bênçãos conforme os Ritos e Cerimônias da Santa Madre Igreja. E pelo assento que veio do dito Padre, fiz este assento, que por verdade assino. Manoel Correia Gomes, Vigário.



terça-feira, 14 de agosto de 2018

José Bonato de Paiva e José Basílio dos Reis

Por João Felipe da Trindade

Alguns registros de batismo são lançados, vários anos depois, por mandado do Reverendo Vigário da Vara, a pedido do interessado, possivelmente, por não ter sido lançado na época certa, ou talvez por ter se perdido o registro original. Vejamos o exemplos seguintes:

Aos 27 de novembro de 1838, me foi apresentado um mandado do Reverendo Vigário da Vara desta Freguesia, com o teor seguinte = Mando ao Reverendo Vigário Interino desta Freguesia, o que sendo-lhe este apresentado, por mim assinado, abra o assento no livro competente dos batizados, a José Bonato de Paiva, branco, nascido no dia 20 de fevereiro de 1832, batizado na Matriz, desta cidade, pelo Reverendo Pároco Feliciano José Dornelles, filho natural de José Donato de Paiva e Ana Joaquina da Conceição,  sendo seus padrinhos  Alexandre Felício Bandeira, e sua mulher Florência Joaquina de Melo, o que tudo justificou neste Juízo da Vara. Cumpra-se  assim. Eu o Padre João Leite do Pinho, escrivão eleito o escrevi, nesta cidade do Natal, 27 de novembro de 1838 = Dornelles = E nada mais consta do corpo do referido mandado, em vista do qual mandei fazer este assento em que assinei. Cândido José Coelho, Vigário Interino.

Aos 17 de novembro de 1838, me foi apresentado um mandado do Reverendo Vigário da Vara desta Freguesia, com o teor seguinte: Mando ao Reverendo Vigário Interino, o que sendo-lhe este apresentado, por mim assinado, abra o assento no livro competente dos batizados a José Basílio dos Reis, pardo, filho legítimo de Antônio Joaquim dos Reis, e de sua mulher Maria Joaquina, naturais e moradores nesta Freguesia, nascido em 1818, batizado na Igreja Matriz, pelo Reverendo Francisco Antônio de Sousa Praça, sendo seus padrinhos Antônio Procópio e sua mulher Joana de Jesus,  e por não saberem as testemunhas o dia e mês do seu nascimento, não vai referido; cumpra-se assim. Cidade do Natal, 17 de novembro de 1838, eu Padre João Leite do Pinho, escrivão eleito o escrevi = Dornelles = e nada mais consta do corpo do referido mandado, em virtude do qual mandei fazer este assento em que assinei. Cândido José Coelho. Vigário Interino.


terça-feira, 1 de maio de 2018

Uma Dornelles Bittencourt lá no Assú

Por João Felipe da Trindade

Dornelles Bittencourt está na minha ascendência. Por isso, quando encontrei esse registro em Assú, resolvi transcrever para o blog.

Aos 28 de julho de 1826, na Fazenda Boa Esperança, pelas onze horas da manhã, em presença do Padre Manoel Esteves do Nascimento, de minha licença, e das testemunhas abaixo nomeadas, se receberam por esposos presentes Jerônimo Emiliano de Freitas e Inácia Dornelles Bittencourt, meus fregueses, o esposo de 20 anos, filho legítimo de João de Freitas Lira e de Isabel de Barros, a esposa de 20 anos filha legítima de Paulo Gomes de Melo, falecido, e de Teresa Maria de Jesus, esta natural da Freguesia do Seridó, donde apresentou papéis desembaraçados, aquele natural, e moradores neste Assú, onde se fizeram as denunciações necessárias, sem impedimento, e logo lhes deu as bênçãos matrimoniais, sendo primeiramente confessados e examinados na Doutrina Cristã, presente por testemunhas Félix Gomes de Melo, e Félix José Dantas, casados, todos deste Assú, e para constar fiz este assento me que me assino. Joaquim José de Santa Ana, Pároco do Assú.

P. S. Ainda nos registros de Assú, mais uma Dornelles Bittencourt: em 13 de maio de 1833, Manoel Joaquim Casado, de 21 anos, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Brejo de Areia, filho de Manoel Martins Casado e de Ana Dornelles Bittencourt, casou com Rosa Maria da Conceição, de 21 anos, filha de Veríssimo Vieira de Melo e de Maria Francisca, falecida, na presença de Veríssimo Vieira Junior e de Galdino Vieira de Melo, solteiros.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Mais sobre Fernandes Pimenta

Por João Felipe da Trindade


Bento Fernandes Pimenta, filho de José Fernandes Pimenta, natural e morador nesta Ribeira do Assú, banco, solteiro, de corpo seco, cor alva, olhos fundos, com pouca barba, cabelo corredio, 17 anos, sentou praça em 27 de julho de 1789. Passou para cabo de esquadra desta Companhia, em 4 de fevereiro de 1790. Baixa por ter se mudado do distrito. 
Lá na Matriz de São João Batista do Assú, em 21 de junho de 1823, Josefa Maria, filha legítima de Bento Fernandes Pimenta e Maria Gomes, falecida, casou com Antônio Pereira, filho de José Fernandes Pereira e Anastácia Maria, natural de Manguape, tendo sido dispensados do parentesco que estavam ligados.
Outra filha Bento Fernandes e Maria Gomes, falecida, de nome Ana Joaquina, de 20 anos de idade, casou, na mesma data acima e mesma Matriz, com Hilário José Fernandes, de 24 anos, natural e morador no Apodi, e filho de José Teotônio Buenos Aires, e de Tereza de Jesus, na presença de Manoel Fernandes Pimenta e José Joaquim da Silva.