domingo, 9 de dezembro de 2012
O relançamento do batizado de Francisca, filha de uma escrava
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN,
membro do IHGRN e do INRG
Entre os vários batismos de Assú, encontrei o de Francisca, que tinha sido batizada em 1830, mas que teve novo lançamento no livro, em 1844, em virtude de novos fatos.
Aos dois de setembro de mil oitocentos e quarenta e quatro,
lanço neste livro dos assentos dos batizados que serve nesta Matriz de São João
Baptista do Assú o assento de batizamento de Francisca, parda, filha natural de
João Rodrigues da Costa Junior com Marcelina, escrava de João Baptista da Costa,
já lançado em outro livro dos batizados de folhas cento e oitenta e nove, em
sentido do despacho abaixo declarado, e é da maneira seguinte:
Ilustríssimo e Reverendíssimo
Senhor.
Diz João Rodrigues da Costa Junior, solteiro, morador no lugar
denominado Piató, desta Freguesia de São João Baptista do Assú, que ele tivera
de Marcelina, escrava de seu mano João Baptista, uma filha de nome Francisca a
qual tem tido em sua companhia desde sua tenra idade como sua filha que é, e
por que fosse batizada nesta Matriz sem declaração de quem era seu pai, por
isso requer a Vossa Senhoria a mande de novo lançar por sua própria ficha nos
livros dos batizados desta Freguesia pelo Reverendo Pároco da mesma para que em
todo tempo haja de constar o de devido = Chama-se Francisca, nasceu a vinte e oito de
janeiro de mil oitocentos e trinta batizada nesta Matiz pelo padre Joaquim José
de Santa Anna, foram seus padrinhos Miguel escravo do tenente João Rodrigues da
Costa e Tereza, escrava de João de Barros d’Oliveira, declarando igualmente ser
filha natural do suplicante, que portanto = pede ao Reverendo Senhor Vigário
interino da vara mande lançar o novo assento com a declaração que requer = E
receberá Mercê – João Rodrigues da Costa = sim = Vila de Princesa, dois de
setembro de mil oitocentos e quarenta e quatro = Montenegro
Francisca, parda, filha natural de João Rodrigues da Costa
Junior com Marcelina, escrava de João Baptista da Costa, nasceu a vinte e oito
de janeiro de mil oitocentos e trinta e foi batizada a vinte um de fevereiro do
dito ano, por mim e lhe conferi os sagrados óleos: foram padrinhos Miguel
escravo do tenente João Rodrigues da Costa e Tereza, escrava de João de Barros
d’Oliveira, todos deste Assú, e para constar fiz esta assento em que me assino.
Padre Joaquim José de Santa Anna, pároco do Assu = E para que conste em todo
tempo fiz este assento em que me assino. Padre Francisco Urbano d’Albuquerque –
Vigário Interino do Assú.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
O mestre latinista de Almino Afonso e Bezerra de Menezes
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN,
membro do IHGRN e do INRG
De Fortaleza, o prof. Luciano Klein, descendente dos capitães
João Martins Ferreira e Balthazar de Moura e Silva, portugueses que passaram
pela Ilha de Manoel Gonçalves e que moraram em Macau, me escreve com o seguinte
pedido: Gostaria de lhe solicitar a ajuda a fim de encontrar informações
sobre um dos professores do médico Bezerra de Menezes. No livro de Manoel
Onofre Jr, "Martins, a cidade e a serra", que você gentilmente me
presenteou, há ligeiras informações sobre o professor de latim Francisco
Emiliano Pereira.
Luciano está fazendo uma nova edição do seu livro sobre
Bezerra de Menezes, que morou em Martins de 1842 a 1846, entre os 11 e 15 anos.
Procurei nos meus arquivos e na internet o que existia sobre o mestre para
subsidiar meu parente.
Nestor Lima, no seu livro sobre os municípios do Rio Grande
do Norte, escreveu na parte referente ao Assú: a cadeira de Latim, criada em
1827, foi regida pelo professor Francisco Emiliano Pereira, seu instalador; já na
parte referente ao município de Martins, encontramos Francisco Emiliano Pereira,
como professor do secundário, no ano de 1843, e como administrador de Martins
nos períodos 1865-1869 e 1869-1873. Mas segundo informações de outros autores,
o professor Francisco Emiliano faleceu no ano de 1869, não concluindo o seu
mandato.
Na Revista do Instituto do Ceará, encontramos um artigo de
Carlos Feitosa com o título de “A descendência de Antonio Leite de Chaves e
Melo”. Antonio era filho de Francisco Álvares Afonso, radicado no Rio Grande do
Norte, e tinha entre seus irmãos Manoel Álvares Afonso Leite, Maria Afonso de
Chaves e Melo Pereira (Mariazinha) e Alexandre Leite de Chaves e Melo.
Diz Carlos Feitosa que Mariazinha casou-se com o português
Francisco Emiliano Pereira, latinista e educador de grandes méritos, tendo sido
professor de seu sobrinho o senador Almino Afonso. Sua filha Maria Joaquina
Chaves (Marocas) casou-se com o primo Ildefonso Leite de Araújo Chaves.
Continua Carlos Feitosa: Manoel Álvares Afonso Leite, que
não usava o restante do sobrenome, de Chaves e Melo, morava entre Patu e
Martins, no Rio Grande do Norte, tendo deixado dois filhos Francisco Manuel Álvares
Afonso e Viriato Afonso. Viriato foi coletor em Independências, Ceará, e
advogado em Martins e Francisco Manuel é pai do senador Almino.
Nos registros paroquiais de Assú, encontro o seguinte
batismo, com os nomes reduzidos: Antonio, filho legitimo de Francisco Emiliano
e D. Maria Joaquina, desta Freguesia, nasceu aos três de dezembro de trinta e
oito, e foi batizado, por mim solenemente, na Matriz, aos vinte e cinco de
março de trinta e oito; foram padrinhos Basílio Quaresma Torreão (Junior, filho
de nosso Presidente de mesmo nome), e sua mulher Josefa Enfigenia, do que para
constar, fiz este assento que assino. Luiz Teixeira da Fonseca, vigário interino
do Assú.
Acredito que o Francisco Emiliano que aparece acima é o
nosso professor, por conta dos padrinhos ilustres. Só que isso gera um
problema. Nas anotações de Carlos Feitosa a esposa era Maria Afonso de Chaves e
Melo (Mariazinha) e a que aparece no registro tem o nome da filha do casal. É
possível que tenha havido erro na nomeação dos nomes, pois houve abreviação dos
mesmos ou, então, a mãe e a filha tinham o mesmo nome.
Outro detalhe é que em um site sobre Assú consta que
Francisco Emiliano Pereira nasceu em Barriguda, hoje Alexandria, mas a Revista
das Academias de Letras diz que ele era português da Ilha de São Miguel.
Monsenhor Severino, em Levitas do Senhor, faz duas menções
ao professor Francisco Emiliano: diz que o padre Cosme Leite da Silva foi aluno
do latinista, de português, latim e outras matérias, juntamente, com os futuros
sacerdotes Antonio Dias da Cunha, Antonio Joaquim Rodrigues, Matias Fernandes
de Queiroz, Joaquim Manoel de Oliveira Costa e Candido Pereira de Oliveira; e
que por intermédio do Padre Francisco Justino Pereira de Brito foi criada, na
povoação de Jardim, a cadeira de Latim e nomeado para mesma Francisco Emiliano.
Na biografia dos
patronos de grupos escolares, Francisco Emiliano Pereira aparece como tio afim
e também como padrinho de crisma de Almino Afonso, mas pelas informações de
Carlos Feitosa o professor era casado com a tia avó do senador. Há, portanto,
problemas de geração, que se dá principalmente por falta de datas nas
informações. Precisamos aprofundar esses estudos sobre o professor de Latim,
para esclarecer e ao mesmo tempo conhecermos melhor esse personagem da nossa
História. Talvez, um inventário ou alguns registros paroquiais resolvessem nossas
dúvidas.terça-feira, 27 de novembro de 2012
As Raposas da Câmara
Professor da UFRN, membro do IHGRN e
do INRG
Antes
de vir para cá, em 1612, como governador e capitão geral do Brasil, Gaspar de Sousa
recebeu uma carta de Filipe, Rei da Espanha e Portugal com várias recomendações,
entre as quais a de nº 10 que dizia:
Sou informado que por a povoação da
capitania do Rio Grande ir em crescimento e não haver nela modo de governo nem
quem administrasse a justiça e haver disso alguma queixa, e os capitães estarem
absolutos, nem haver escrivão com que se pudesse agravar e apelar deles para a
Relação, nem se puderem remediar as coisas que faziam mal feitas, o governador
Dom Diogo Menezes com parecer da Relação ordenou que houvesse ali um juiz, um
vereador, um procurador do conselho e escrivão da câmara e um tabelião e assim
um provedor da fazenda, que era cargo que os capitães serviam e em que havia
inconvenientes para minha fazenda, os quais ofícios proveu sem ordenado dela e
que lhe não é necessário havendo câmara formada, conselho e oficiais a quem se
possa recorrer e que com isto se acode ao remédio do povo e dos soldados por os
capitães lhe acudirem com seus soldos pelo miúdo vendendo-lhe suas mercadorias
como querem e por preços excessivos e depois recolherem suas praças ficando os
soldados sem remédio, que é a causa porque pedem que se lhe mandem fazer suas
pagas a dinheiro; e porque convém ter mais particular notícia do que nisto há e
se deve guardar a ordem que o dito governador deu ou alterar se em alguma
forma, vos encomendo me aviseis de tudo com vosso parecer.
A
partir dessa data o absolutismo dos capitães-mores ficou menor e houve muitos
embates entre eles e o Senado da Câmara. Mas o tempo foi passando e,
atualmente, o poder legislativo e o executivo se unem para os benefícios de
cada um. A troca de favores garante a famigerada governabilidade, e os
mensalões ou similares se espalham pelo país. As negociações se dão tanto
através dos presidentes dos poderes legislativos como através de cada membro
desses poderes.
Aqui
em Natal, além de cargos comissionados distribuídos entre alguns vereadores da
base de apoio, havia também a prática de entregar a Companhia de Serviços
Urbanos-URBANA, ao presidente da Câmara de vereadores.
Mas
surgiu outra combinação mais nociva ao poder executivo: os convênios de cessão
de servidores da Câmara para a Prefeitura. Por ele, vários servidores são
“cedidos” à Prefeitura, e distribuídos por várias Secretárias Municipais com
ônus para estas últimas. Essas cessões são muitas vezes fictícias, pois
diversos servidores continuam trabalhando na Câmara ou não trabalhando em canto
nenhum.
Quem
acessar o Portal da Transparência da Prefeitura vai poder constatar esse
absurdo. Este mês a Prefeitura, finalmente, disponibilizou na internet a
relação dos servidores com os seus salários e lotação. É lá que encontramos
servidores da Câmara recebendo pela Prefeitura, enquanto centenas de servidores
terceirizados ou fornecedores estão sem receber um vintém.
Esse
tipo de convênio penaliza a administração municipal e favorece financeiramente
a Câmara. Com a sobra de recursos que advém do uso desse convênio, a Câmara
pratica outras ações que beneficiam todos os vereadores.
Hoje
é fácil entender porque a Prefeita da cidade tinha índices altíssimos de
desaprovação e, ao mesmo tempo, uma base aliada invejável. Ao invés de
fiscalizar o poder executivo, como era e é para ser, os vereadores,
beneficiados pelo poder executivo, foram partícipes do caos administrativo e
financeiro que deixou a cidade abandonada em seus serviços mais essenciais.
As
eleições para presidência da Câmara estão começando. O vereador Lucena
prometeu, pelo que se lê nos jornais desta cidade, que se eleito haverá uma
Câmara independente, sem pedir cargos e favores ao novo Prefeito. Diz mais que
conta com 19 votos. Não acredito, pois uma prática nociva, de muitos anos não
se acaba de uma hora para outra. Além disso, a independência da Câmara não se
dá tão somente pela presidência, ela se dá, também, através de cada vereador.
Finalizo
com um recado para o Prefeito: o Senhor suspendeu as atividades de algumas
Secretarias e exonerou vários cargos comissionados. Cortou também o pagamento
dos servidores da Câmara “cedidos” para Prefeitura?
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Frei Miguelinho e os Teixeira de Souza
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN,
membro do IHGRN e do INRG
Navegava tranquilamente pela Hemeroteca da Biblioteca
Nacional quando me deparei com uma homenagem póstuma ao coronel José Theodoro
de Souza Pinheiro, postada no Diário do Natal, pelo partido oposicionista de
Angicos, em 2 de setembro de 1906. Essa publicação transcrevi para o meu blog,
mas algumas particularidades, ali contidas, me fizeram reexaminar algumas
questões genealógicas que precisavam ser revistas.
No documento em questão constava que José Theodoro era filho
de Antonio Teixeira de Souza e Dona Anna Ritta Veiga de Azevedo, e neto paterno
do capitão Francisco Antonio Teixeira de Souza, descendente da família de Frei
Miguelinho, e materno do capitão Francisco Lopes Viégas. Por isso, resolvi
saber mais sobre o capitão Francisco Antonio Teixeira de Souza, pois já tinha
feito um artigo sobre os Teixeira de Souza e outro sobre o testamento de
Mariana Lopes Viégas, esposa do dito capitão. Encontrei mais dois documentos
importantes para o nosso trabalho: primeiro, uma homenagem póstuma para o avô
paterno de José Theodoro, na mesma Hemeroteca, e segundo, um batismo em 1795.
Antes de entrar nesses documentos vale lembrar que Nestor
Lima e Aluízio Alves escreveram que o capitão Francisco Antonio Teixeira de
Souza, descendente da família “Saco” (sem explicar que família era essa), e que
foi juiz ordinário, em Natal, casou com Florinda Lopes, filha do tenente
Antonio Lopes Viégas. Mais ainda, que Manoel Antonio de Oliveira Câmara,
sobrinho do capitão, casou com outra filha de Viégas, Marianna Francisca Lopes.
Pelas minhas pesquisas, o capitão Francisco Antonio Teixeira de Sousa tinha
casado duas vezes, uma com Marianna Lopes Viégas, e depois, com Joaquina Lúcia
da Conceição. Além disso, o registro de óbito dele informava que morreu em 27
de setembro de 1888, já viúvo de Joaquina Lúcia, com a idade de 102 anos mais
ou menos, sendo a causa da morte, velhice.
O primeiro documento que encontrei, na Gazeta do Natal,
datado de 10 de outubro de 1888, dizia que o capitão Francisco Antonio Teixeira
de Souza, tinha falecido em 27 de setembro de 1888, mas com a idade de 106
anos. Melhor ainda, informava que ele tinha nascido em 5 de janeiro de 1783
(talvez 1782, pelas contas, ou 105 anos de idade), dia em que seu pai, o
capitão Francisco Antonio Teixeira de Souza, assumia as suas funções do cargo
de Juiz Ordinário na Vila da Princesa, hoje cidade do Assú.
Com as informações acima, ficava patente que tínhamos dois
Francisco Antonio Teixeira de Souza, e parte da história sobre os Teixeira de
Souza precisava ser reescrita. Como sempre repito, a duplicação de nomes gera
problemas para os genealogistas. Vamos ao segundo documento, o batismo que
encontramos, inserido no meio de registros de batismos de 1848, transcrito pelo
Reverendo Manuel Januário Bezerra Cavalcanti. Um achado e tanto!
João, filho legítimo de Francisco Antonio Teixeira de Souza
e Florentina Lopes Viégas, nasceu em dias do ano de mil setecentos, e noventa e
seis, e foi batizado no mesmo ano, nesta matriz de São João Baptista do Assú,
pelo Reverendo Vigário Francisco de Salles Gurjão, com os santos óleos; foram
padrinhos o capitão-mor João do Rego Barros, e Anna Francisca da Conceição,
todos desta Freguesia. Do que fiz este termo em que assino. Manoel Januário
Bezerra Cavalcanti.
No registro acima, a esposa do primeiro Francisco, era
Florentina, e não Florinda como escreveram Aluízio e Nestor. Esse, portanto,
era o nome da filha do tenente Antonio Lopes Viégas, salvo equívoco no registro
de batismo.
Quanto ao segundo Francisco Antonio Teixeira de Souza, filho
do primeiro, temos as seguintes informações extraídas da Gazeta do Natal: seu
primeiro casamento teve lugar no dia 8 de janeiro de 1810 com Dona Marianna
Lopes Viégas, filha do capitão Francisco Lopes Viégas. Desse casamento teve 20 filhos, passando à
segunda núpcias, em 20 de setembro de 1840, com sua sobrinha D. Joaquina Lúcia
Viégas, filha do Alferes Francisco Lopes Viégas. Deste 2º consórcio teve 16
filhos, com os quais fez o número de 36.
Assim, Francisco Antonio (2º do nome) casou, a primeira vez,
com uma prima. Se D. Joaquina Lúcia era sobrinha de Francisco Antonio, então o
alferes Francisco Lopes Viégas devia ser irmão dele.
Por enquanto, não dá mais para fazer ilações,
principalmente, por conta das repetições de nomes. Assim, evitamos novos erros.
Agora, resta descobrir quem eram os ascendentes de Francisco Antonio Teixeira
de Souza (1° do nome) que tinha parentesco com Frei Miguelinho. Lembramos que a
mãe de Miguelinho, Dona Francisca Antonia Teixeira, era neta do português de
Arrifana de Sousa, Francisco Pinheiro Teixeira e de Dona Maria da Conceição
Barros.
O texto completo sobre o Francisco Antonio (2º do nome), que
encontramos na Gazeta, foi postado no blog.
Aproveitamos este espaço para parabenizar o Arquivo da Cúria
e o Departamento de História da UFRN pela digitalização dos microfilmes dos
livros de batismos, casamentos e óbitos, que atualmente realizam. Nota 10.
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| João de Francisco Antonio e Florentina |
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Uma poesia para meu bisavô
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do
IHGRN e do INRG
Escreveu Aluízio Alves em
“Angicos”: Manoel Geminiano Teixeira de Souza foi outro poeta humilde, em que a
poesia era menos rasgo de inteligência e mais alegria íntima, suprindo uma
vocação infelizmente perdida. Filho de José Vitaliano Teixeira de Souza e D.
Urbana Matins de Souza, teve, apenas, as letras minguadas de uma escola
rudimentar. Nascido em 1848, em Angicos, viveu sempre na penumbra, entre os
afazeres suaves de sacristão, e, por algumas vezes, promotor interino da
capela.
No livro, Aluízio apresenta
algumas poesias do poeta Manoel Geminiano. Aqui, eu apresento uma poesia que ele
mandou para o jornal “Brado Conservador”, que foi publicada em 7 de dezembro de
1877, e que tinha o título “Ao prematuro passamento de meu amigo, o tenente
Francisco Martins Ferreira”.
O tenente-cirurgião, Francisco
Martins Ferreira, meu bisavô, faleceu jovem, de hidropisia, faltando dois dias
para completar 36 anos. Com essa morte abrupta, minha avó ficou totalmente
órfã, faltando alguns meses para completar 7 anos de idade. Foi, por isso,
criada por sua tia Maria Ignácia Alves de Souza (Maria Ignácia Teixeira do Carmo,
nome de solteira).
Nessa poesia, feita pelo seu
amigo, temos a oportunidade de conhecer melhor como era meu bisavô.
Ontem...qual astro de fulgor brilhante
Hoje...na campa esquecido jaz!
Não dos amigos, que chorando o lembram
Porém da glória, quando do mundo apraz.
A parca ingrata, por demais cruel,
Sempre insensível, e sem ter clemência,
Roubou aos filhos extremoso pai,
E à sociedade uma inteligência.
Tranquilo dorme o funerário sono,
Tendo por leito a regelada lousa,
E o seu espirito de fiel cristão,
Junto ao Deus Trino lá no céu repousa
Banhada a face do sentido pranto,
Opresso o peito de pungente dor...
Prantear venho do amigo a perda,
Pois do meu pranto é merecedor.
Afável sempre conquistou estima,
De Deus cumprindo o salutar preceito,
Entregando seu espirito ao mesmo.
Viu por amigos rodeado o leito.
E da terra mesquinha desprendeu-se,
e voou à celeste eternidade,
É justo, pois verter sobre o seu túmulo
Uma lágrima de dor e de saudade.
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