terça-feira, 25 de setembro de 2012

Câmara ruim, cidade pior ainda


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
João Felippe foi o último intendente de Angicos do período monárquico. No novo regime, todas as Câmaras Municipais foram dissolvidas por causa do estado de decadência em que se achavam essas instituições. Naquele tempo não havia a figura do Prefeito. Eram eleitos 7 vereadores e o mais votado era, automaticamente, o presidente da Câmara e  Intendente da Cidade. Além disso, eles não eram remunerados, mas multados se faltassem às sessões sem justificativas. As novas Câmaras Municipais não se tornaram melhores com o advento da República.
Hoje, muitas vezes, os eleitores fazem as escolhas do prefeito com mais cuidado do que a escolha para vereador, sem se dar conta que uma cidade depende da Câmara em muitos aspectos, e, por isso, é tão importante a escolha de um bom legislador.
O Plano Plurianual do Município, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, e o Orçamento Anual são aprovados pela Câmara Municipal. É nesse momento da votação desses instrumentos que os fiscais do povo apreciam os projetos e a aplicações dos recursos da cidade. Neste ano de 2012, os atuais vereadores vão examinar o orçamento para o ano de 2013, atualmente na Câmara. Caberá aos novos vereadores, eleitos agora em 2012, a responsabilidade pelo Plano Plurianual que vigerá de 2014 até 2017, e pelos orçamentos anuais de 2014 até 2016. Portanto, é importante que os novos membros da Câmara sejam pessoas preparadas, pois o destino da cidade estará em suas mãos. Se elas não entenderem de orçamento, de projetos, de finanças, de leis, e não conhecerem as necessidades da cidade, os munícipes serão penalizados.
O primeiro momento do prefeito, eleito agora em 2012, com a Câmara Municipal, já se dá na votação do orçamento para o ano que se segue. É a Câmara atual que vota o dito orçamento. Em virtude da situação atual da Prefeitura, há necessidade de muita lucidez com relação a aprovação desse orçamento para o ano seguinte, pois há um prefeito em exercício que encaminhou e um prefeito eleito que vai executar.  Sem bom senso, quem vai perder será a cidade do Natal. Há uma copa no meio disso tudo.
No ano de 2013, o novo Prefeito deverá encaminhar o Plano Plurianual com base, principalmente, no programa que apresentou na campanha.
É também a Câmara quem aprecia toda proposta de lei do executivo, como também as que lhe são pertinentes. As regras que regem a cidade e seus habitantes são apreciadas pelos vereadores. O Plano Diretor da Cidade, por exemplo, está nas mãos dos vereadores, como todos conhecem. Câmara ruim, cidade pior. Por isso os eleitos devem ser os melhores. Eles devem ser pessoas que tenham domínio sobre os problemas da cidade e sejam capazes de votar com conhecimento de causa.
Lembre-se que eleger é escolher. Este ano temos em vários partidos vários candidatos bons, mas sem tanta visibilidade ou recursos. É uma espécie de concurso, onde não há provas de conhecimento e títulos, e, por isso, a responsabilidade de cada um é fundamental. Você, que reclama o tempo todo dos problemas da cidade, vai fazer sua escolha de forma estritamente pessoal? Vai votar no seu vizinho, no pastor da sua Igreja, no seu primo, na mulher do seu amigo, no filho do candidato que você sempre votou, no jogador do seu time preferido ou no candidato que lhe dava coisas de graça e agora está cobrando?
A lei eleitoral tem, ainda, muitos defeitos. Um suplente de senador sem nenhum voto pode chegar ao Senado; um vice-qualquer coisa pode chegar ao poder, sem se saber nada sobre a vida dele; um candidato medíocre pode ser vereador arrastado por um campeão de votos da sua coligação.
 Você está lembrado como se comportaram os eleitos de 2008? Tem consciência do que eles aprontaram? Por que a maioria estava com a Prefeita da Cidade do Natal se a população não aprovava a administração dela? O que levou esses eleitos a permanecerem ligados a ela? Há uma explicação razoável para isso? Eles são ou não os representantes do povo? Ajudaram a mudar o destino da cidade?
Lembre-se que são 29 vagas para este concurso eleitoral, onde os aprovados começam ganhando mais que um médico, uma enfermeira, um professor, um advogado e tantos outros concursados da Prefeitura. Sei que, se não tivessem que passar por uma eleição, muitos de vocês gostariam desse emprego maravilhoso, que realizaria seus sonhos de uma Land Rover, de uma Hilux, de uma casa de praia, de um novo apartamento, de vários assessores, e tudo em meio expediente.
Vaca de presépio fica para o dia de Natal, e não para a cidade do Natal.
Neste fim de período eleitoral, muito cuidado com o fermento dos fariseus. Há muita manipulação com os resultados das pesquisas. Cada um escolhe a forma mais conveniente, para si, de apresentá-la ao povo. Teses aparentemente lógicas em cima de hipóteses completamente falsas!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Cuidado, política causa perda de memória

Parque da Cidade, a testemunha
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
No mundo todo esse fenômeno deve ocorrer. Os políticos vão se esquecendo de fatos de suas carreiras, de seus partidos, e da história. Quando mudam de partido a coisa piora. Perdem os discursos anteriores e se transformam em novos idealistas do socialismo, do trabalhismo, do humanismo, do comunismo, da democracia ou da ecologia. Surpreendem até os velhos militantes. Quando há eleições, a impressão que tenho é que eles se transformam em marionetes dos coordenadores de suas campanhas. Perdem a racionalidade e a memória. Às vezes, penso que eles viviam noutros lugares ou não prestavam atenção ao que acontecia por aqui.
Fiz parte da administração municipal da cidade do Natal do começo de 2003 até final de 2008. Sem nenhum vínculo partidário ou pessoal, fui convidado pelo Prefeito para conduzir a Secretaria de Planejamento no ano de 2003 e nos anos seguintes, a Secretaria de Administração. Por isso, posso lembrar, neste pequeno espaço, algumas coisas daquele período, embora um exame dos Diários Oficiais do Município revele muito mais. Foi um período rico de realizações, mesmo com os parcos recursos orçamentários.
Natal teve bons prefeitos, mas nenhum solucionou boa parte dos problemas da cidade. Digo mais, nenhum que assumir, proximamente, vai conseguir, mesmo que tenha 20 anos de mandato. A cidade é um ser vivo que se modifica a cada momento, muitas vezes contra a própria vontade dos seus moradores. Nenhum prefeito pode eleger todas as áreas como prioritárias, é materialmente impossível. Ademais, questões maiores como Educação, Saúde, Segurança e Saneamento (incluindo aí todos os seus componentes) atingem a maioria das cidades brasileiras. Muitos brasileiros saíram da condição de miséria, mas continuam pobres e sem acesso decente aos serviços básicos. Gozam de alguns benefícios como acesso aos equipamentos eletroeletrônicos e meios de transportes como bicicletas, motos e carros de pequeno porte. Vão se divertindo com seus celulares e antenas parabólicas.
As obras físicas são mais fáceis de perceber do que outras que modificam a vida do cidadão. O programa eleitoral na televisão, do PDT, poderia explorar mais as obras realizadas por seu candidato. O que não é visto não é lembrado.
  A Prefeitura Municipal da Cidade do Natal, no período que estive lá, avançou muito internamente. Instituímos o protocolo eletrônico, a licitação por registro de preços e por pregão eletrônico; disponibilizamos o resumo mensal da folha de pagamento no site da prefeitura (atualmente só aparecem lá, os anos de 2007 e 2008); implantamos o Bussiness Object-BO, para auditoria permanente da folha de pessoal, atualmente desativado; o DOM (Diário Oficial do Município) foi colocado no site desde 2003, facilitando a vida de todos que querem acessar os atos e decisões da administração municipal, incluindo aí a Câmara Municipal); foram realizados concursos públicos em 2004, 2006 e 2008 para admissão de novos servidores, principalmente na área da saúde; realizamos censo previdenciário; foi criada uma secretaria para regularização fundiária; mensalmente a administração municipal, como um todo, se fazia presente em alguns bairros de Natal, levando respostas para questões propostas previamente pelos seus moradores; o prefeito, quase que diariamente, fazia visitas às obras em andamento, além de semanalmente cobrar em reunião com as empresas construtoras o andamento das mesmas; reformas administrativas foram realizadas; vários planos de cargos e salários foram revistos; o Plano Plurianual, que se iniciou em 2005, já foi baseado no plano integrado que construímos junto com a sociedade nos anos anteriores, levando em conta os planos Natal 2015, o 3º Milênio, e o Estatuto das Cidades; foram criados instrumentos para revitalização da Ribeira; o arquivo municipal deixou de ser um mero setor de descarte de papéis e processos das secretarias; houve um esforço para recebimento da dívida ativa do município, com reforço da Procuradoria.
Na parte política, a memória histórica é totalmente esquecida. O PMDB é o mais esquecido de todos. Em 1978, o grande Aluízio Alves e o filho Henrique abandonaram o candidato do partido, Radir Pereira, para apoiar Jessé Freire, sem sair do partido. Hermano, Henrique e Garibaldi não se lembram disso? Em 1992, os gêmeos Henrique e Ana Catarina disputavam a prefeitura de Natal, cada um de um lado. Esqueceram? O grande Garibaldi apoiou Rosalba do DEM para senadora e depois para governadora. Por que, Garibaldi apoiou o candidato do partido que mais batia em Lula, seu aliado? O que diz, hoje, publicamente, o nosso ministro, de 1 milhão de votos, do desempenho da sua governadora? Enildo é Alves da gema e já está no DEM.
A exploração da reação de Carlos Eduardo no debate sobre saúde é pura propaganda dos adversários políticos e jornalísticos. Qualquer pessoa que tenha sangue nas veias se irritaria, a menos que seja cínico.
Sempre me lembro de Jesus sendo provocado pelos Doutores da Lei, escribas e fariseus, que procuravam com suas questiúnculas colocar o mestre em contradição e contra o povo. Jesus, humano, sempre prevenia seus apóstolos sobre o fermento dos fariseus e chamava os seus opositores de raças de víboras, sepulcros caiados (ou como se diz por aqui: por fora bela viola, por dentro pão bolorento).
As primeiras colocações nas pesquisas sobre vereadores revelam que a cidade não se dá conta que a Câmara Municipal pode ser uma grande aliada para a recuperação da cidade do Natal! Lembrem-se, mesmo com índice baixíssimo de aprovação, a maioria dos vereadores estava com ela. Incrível.

domingo, 16 de setembro de 2012

Emília Pinto de Abreu e Silva e João Martins e Silva

João Martins da Silva e Emília Pinto de Abreu e Silva

Em 2007, João Batista de Melo Pinto me enviou algumas fotos dos seus álbuns. Entre elas havia uma que ele não sabia identificar quem eram aquelas pessoas. Nas costas da foto estava escrito uma dedicatória nos seguintes termos: Aos prezados compadres Miguel e Sinhá muita amizade de J. Martins da Silva e Emília P.A. e Silva.

Depois de muitas pesquisas, somente agora identifiquei esses personagens que eram compadres do nossos avós Miguel Francisco da Trindade e Maria Josefina Martins Ferreira. Ele era João Martins da Silva e ela Emília Pinto de Abreu e Silva. Há pouco tempo eu tinha localizado o esposo de minha tia-avó, Águida Avelino Torres (Tia Dona). Ela casou com o viúvo Bernardo Pinto de Abreu, pernambucano que tinha ido para Angicos cuidar da saúde e que por ela se encantou. Pois bem Emília era filha do primeiro casamento de Bernardo. Era irmã de Francisco Pinto de Abreu, trazido para o Rio Grande do Norte por Pedro Velho. Foi Secretário de Instrução Pública e, também, Diretor do Atheneu.

Agora em janeiro de 2016, sou surpreendido por uma mensagem do Facebook, de Maria Semvergonha (nome de uma planta), em nome de Diana, nos seguintes termos: Prezado Senhor João Felipe, bom dia. Segue a certidão de casamento do Senhor João Martins da Silva com Dona Emília Pinto de Abreu. Espero que seja uma boa contribuição para suas pesquisas. Saudações. Diana.
Na Sequencia, a imagem da certidão, cujo teor era o seguinte:

Aos vinte dias do mês de janeiro do ano de mil oitocentos e noventa e quatro, nesta cidade distrito da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário do Município de Goiana do Estado de Pernambuco, pelas cinco horas e meia da tarde, à rua das Parteiras, desta cidade de Goiana, na residência do senhor Mathias Pinto de Abreu, aí presente o juiz do  primeiro Distrito do Município de Goiana , o Doutor  Samuel Benvindo Correia de  Oliveira, comigo escrivão do seu cargo abaixo, as testemunhas o capitão Antonio Idelfonso Albuquerque e Antonio Cesar de Albuquerque, receberam-se em matrimônio o senhor João Martins da Silva, com idade de vinte e dois anos, filho legítimo de João Evangelista da Silva e sua mulher D. Laurentina Francisca Martins,  natural da Freguesia  de Victoria do Estado de Pernambuco, e residente nesta cidade de Goiana Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, do mesmo Estado, e a  Senhora D. Emília Pinto de Abreu, com idade de dezesseis anos, filha legítima de Bernardo Pinto de Abreu e sua mulher D. Cândida Leopoldina Gonçalves e Abreu, natural desta cidade de Goiana. Em firmeza do que eu, Manoel dos Santos Leal, oficial do Registro Civil, lavrei o presente assento em que assinam o juiz, contraentes e testemunhas. Eu Manoel dos Santos Leal, oficial do Registro Civil.
Samuel Benvindo Correia de Oliveira
João Martins da Silva e  Emilia Pinto de Abreu
Antonio Idelfonso de Albuquerque Melo, casado, 37 anos, professor empregado público, residente nesta cidade

 Antonio Cesar de Albuquerque, idade de 20 anos, casado, agricultor e residente na Comarca de Itambé.
Agradeço a Diana, por valorosa contribuição.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os escândalos de cada um, desde 1598

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Nildo é um boneco cara de pau, cínico e debochado, de uma coligação que disputa a Prefeitura da Cidade do Natal, que cuida exclusivamente de falar de escândalos que envolvem candidatos de outra coligação. Esquece do que acontece ao redor dele. Tudo isso me fez lembrar escândalos que ocorreram desde que os portugueses resolveram tomar conta do nosso Rio Grande.
Já em 1598, a primeira obra desta cidade, a construção da Fortaleza da Barra do Rio Grande, gerou a primeira denúncia para Manoel Mascarenhas Homem, que teve que devolver a verba de 8:992$333 dos cofres dos defuntos e ausentes, pois não conseguiu demonstrar como empregou o dinheiro na dita obra, como conta Hélio Galvão no seu livro sobre a Fortaleza.
O Rei Filipe, em 1612, em carta ao Governador Gaspar de Sousa, informa que tomou conhecimento que Jerônimo de Albuquerque, que dirigiu a Fortaleza por um tempo, e depois foi capitão-mor do Rio Grande, exorbitou na quantidade de terras que concedeu aos seus dois filhos, e, por isso, determinou a redução pela metade dessas mesmas terras.
Na época dos holandeses, Joris Garstman, que chefiou por um tempo a Fortaleza do Rio Grande, foi acusado de mandar assassinar Jacob Rabe, vingando a morte do sogro, segundo uns, ou por ter se interessado pelos tesouros que o facínora tomou de suas vítimas, segundo outros.
Bernardo Vieira de Mello, que foi capitão-mor de nosso Rio Grande e Manoel Álvares de Moraes Navarro, que chefiou o Terço dos Paulistas na Guerra dos Bárbaros receberam acusações recíprocas um do outro.
Francisco Xavier de Miranda Henriques, que também foi capitão-mor desta capitania do Rio Grande, foi suspenso por quatro 4 meses, e chamado a Pernambuco para ser repreendido  da parte do Rei, tudo  por uma conta menos verdadeira, que o Provedor da Fazenda, que era daquela capitania deu contra  ele.
Alberto Maranhão, que governou o Rio Grande do Norte, foi duramente acusado pelo capitão José da Penha, entre outras coisas: que o  ano  passado  contraiu  na  Europa  um  empréstimo  de  cinco  mil contos  ao  tipo  de  69. Os juros foram  os  mais  exorbitantes do  mundo.  As  gorjetas  para os  intermediários  foram  elevadíssimas e  o  prazo de  cinquenta  anos.  Em suma:  o  Estado  venturoso  do  Rio Grande  do  Norte  recebeu  três  mil  e tantos  contos  de réis,  vai  pagar fatalmente perto  de  dez  mil  e  sobrecarregou  o  seu  orçamento, que era  de mil  e  duzentos  contos,  com  os  pesadíssimos  ônus  desse  empréstimo  tão malbaratado. Alberto  reemprestou-o quase todo aos  seus  queridos  parentes e com  eles então  contratou  uns  tantos  melhoramentos    duvidosos para o  Natal dos Pobres,  relativamente,  alguns  desses felizardos  ofereceram  como garantia, o  seu  parentesco rendoso  e  a  indiferença  do povo  por  esses  arranjos ilícitos. Não  contente  de  tamanhas  desenvolturas,  Alberto  comprou  a  si  próprio e  aos  seus  cunhados, por cem vezes  mais do que  devia,  terrenos  tão valorizados  que  até  nunca  tiveram dono.  É  impossível  ser  mais  imprudente  de  que  esse governador  traficante.
Aqui, mais recentemente, sofreram denúncias, principalmente, em campanhas eleitorais, alguns até sem serem julgados ou indiciados, além dos citados pelo boneco Nildo, os seguintes, entre muitos: José Agripino, pelo famoso rabo de palha; Garibaldi, pela venda da Cosern, por pagamento de pessoal com recursos da dita da venda, por conta do escândalo da merenda escolar (pobre Rosário!), e pelo programa de erradicação das casas de taipa; Elias Fernandes pelos escândalos no DNOS; João Maia por conta de escândalos no DNIT; Geraldo Melo, por ter colocado recursos do SUS na Conta Única; Aldo Tinoco por conta do FNDE; Fernando Bezerra por conta da Metasa; Fernando Freire pela operação gafanhoto; Gilson Moura pela operação Pecado Capital; Heráclito Noé, em plena campanha eleitoral, por concessão de favores; e mais João Faustino, Edson Faustino, Cortez Pereira, Ney Lopes, Múcio Sá, Enildo Alves, Laire Rosado e diversos vereadores, em outros episódios.
Henrique Alves sempre que se candidata para cargo executivo é fruto de muitas denúncias. A eleição para Câmara Maior não vai ser fácil.
Mais de um cento de prefeitos do Rio Grande do Norte e presidentes de Câmara, dos mais diversos partidos, foram condenados a devolver dinheiro aos cofres públicos. Estão devolvendo?
As eleições, em si, são exemplos de atos impróprios de compras de votos. Pessoas totalmente desconhecidas dos eleitores se elegem com uma facilidade enorme, sem que a justiça eleitoral perceba as suas tramoias.
Quando se observa os primeiros números das pesquisas para vereadores, se percebe, facilmente, que nada tem mudado nesta taba. Os eleitores tapuias continuam trocando apoios por bugigangas. A justiça, cega, está engolindo elefantes e se engasgando com pequenas moscas. Fundações e outras organizações de fundo de quintal continuam fazendo como reféns os carentes dos serviços públicos necessários. Líderes comunitários e alguns candidatos ao luxuoso cargo de vereador são cabos eleitorais de outros vereadores. Até Jesus é usado como moeda de troca por religiosos de araque. O Homem se voltasse a terra iria usar o chicote mais vezes, pois encontraria aqui mais vendilhões do templo, sepulcros caiados e novas raça de víboras.
Muitos são fichas limpas porque não tiveram suas vidas políticas devidamente devassadas, ou usaram de suas práticas para comprar silêncios. Outros, porque não experimentaram a areia movediça do serviço público.
A campanha eleitoral é um exemplo de falta de educação, aqui e no mundo todo. Nela não há santos.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Cuidado Natal, eles estão nos enganando


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Já tivemos oportunidade, em artigo anterior, de falar sobre as dificuldades que a nossa cidade enfrentou ao longo de sua existência.  Agora mesmo, olhando para seus canteiros, suas calçadas e suas ruas, vemos que não é a mesma Natal de quatro anos atrás. Além disso, sofre as mesmas dificuldades na saúde, educação e segurança que outras cidades deste Brasil grande, mas com uma péssima distribuição de renda pessoal e municipal.
A situação que vive a cidade tem várias origens, mas houve incompetência para manter uma qualidade, pelo menos razoável, por parte da administração municipal e por conivência e omissão da Câmara Municipal.
Quando estive um tempo na Prefeitura vi o quanto era difícil construir um orçamento, pois as receitas não eram suficientes para cumprir nem o obrigatório, da mesma forma que comprovei isso no Governo do Estado por onde passei, anteriormente. Quando se preenchem os orçamentos da folha de pessoal, os percentuais obrigatórios da saúde, da educação, os precatórios, as obrigações patronais, e outras obrigações de lei, já se tem extrapolado o orçamento total. E aí, ele é refeito para se contemplar os investimentos e os custeios. Nesse refazimento, são efetuados cortes nas destinações já previstas.  As necessidades da cidade são maiores do que suas receitas. Por isso, o orçamento é uma máscara da realidade. Pior, os vereadores que deveriam ter maior conhecimento disso, não se dão conta da realidade orçamentária, nem se debruçam sobre a execução orçamentária. Nossos vereadores são, em boa parte, despreparados, e tão cedo não será diferente, pelo que se prenuncia neste momento. Eles mesmos repetem que não entendem de contas. Você deve ter ouvido ou lido isso.
Um exemplo é o orçamento da folha de pessoal, preenchido a menos do que se faz necessário, passa o ano todo recebendo remanejamentos dos orçamentos de projetos, que nunca se realizarão. Se houver um aumento fora das possibilidades gera mais remanejamentos.
A Urbana é outro caso que merece destaque, pois, há muitos anos é deficitária. Sempre vira o ano com uma dívida de exercícios anteriores, alta. Essa dívida come parte do orçamento do ano seguinte, que passa a ser deficitário e gera novas dívidas de exercícios anteriores, e assim sucessivamente.
Existem outras receitas que tem destinação específicas, e que por isso não podem ser remanejadas, como por exemplo as oriundas das multas de trânsito e da taxa de iluminação.
Se as receitas que contribuem para os percentuais da educação e da saúde forem menores, ficamos com outro problema, os percentuais são os mesmos, mas, os valores destinados a essas áreas serão menores, obviamente. Assim, quando o município inventa de renunciar receitas em trocas de alguns projetos, está prejudicando essas áreas. Algumas decisões judiciais obrigam, também, o município a alterar o seu orçamento.
Por outro lado, o município tem dificuldades em receber os recursos da dívida ativa, hoje mais de 1 bilhão.  Os prefeitos até tentam, mas a maioria esbarra na lentidão da justiça. O TCE cobra anualmente dos prefeitos, mas eles se sentem impotentes para resolver isso. Só a justiça poderia ajudar.
Os problemas da nossa cidade não se resolverão, tão somente, com diagnósticos, auditorias, vontade política, planejamento estratégico, reformas administrativas, cortes no custeio, parcerias com governo federal e estadual e consultorias. Isso tudo, repetido insistentemente pelos candidatos, já foi feito a exaustão. Precisamos construir um caminho que gere mais receitas para o nosso município, sem necessariamente aumentar os impostos. A propaganda de governo deveria ser feita somente nos sites municipais, sendo proibida na televisão.
Na Saúde e, principalmente, na Educação, onde há mais recursos, tanto municipais como federais, os problemas não são de planejamento, pois há de mais, mas de gestão. E não adianta criar ilhas de excelências, pois elas serão demandadas e em pouco tempo se tornarão ineficientes. Todas as escolas e todos os postos deviam primar pela qualidade.
O que os candidatos apresentam na televisão, no programa eleitoral, é um conjunto de promessas desintegradas sem tempo de execução e sem os custos disso. Falta modéstia da parte deles, candidatos. Falta conhecimento do dia a dia de uma Prefeitura. Por enquanto estão mais interessados em destruir os concorrentes do que discutir, de verdade, a realidade municipal. Os eleitores são bombardeados por uma série de soluções decoradas que não tem o mínimo de respaldo orçamentário e financeiro. Uma enganação. Vamos ter anos difíceis pela frente, muito difíceis, mas ele não tratam disso.
Não há nada de novo na política do Rio Grande do Norte, e muito menos na nossa cidade. Ninguém é novo por ser candidato pela primeira vez. Eles estão dentro de velhos partidos, carcomidos por interesses escusos. Aqui se agridem, no interior, se amancebam. Não pode falar em ficha limpa quem tem por trás velhas raposas e aves de rapina. Costuram nos bastidores há muito tempo. Já vivem de certa forma no poder. Os poderosos se distribuem bem pelas diversas alianças. Eles, candidatos, chegaram até aqui através de algum tipo de poder.
 Além disso, se eleitos, terão como obstáculo uma Câmara que não está interessada, de verdade, nos problemas da cidade, mas unicamente nos seus currais eleitorais. É algum tipo de poder que privilegia a chegada de muitos candidatos à Câmara. E lá chegando, vão querer retribuir os que lhe alçaram ao legislativo, usando o próprio poder executivo. Um bom vereador luta pela cidade e não especificamente por um extrato dela.
Não vote em um candidato bonzinho, pois, como diz o povo, bonzinho não presta. E muito cuidado como o fermento dos fariseus.



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Victoriano Rodrigues de Sá, de Pirituba


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Em 17 de setembro de 1753, na Capela de Nossa Senhora dos Prazeres da Aldeia e Missão de Guajirú, da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, Victoriano Rodrigues de Sá desposou Luisa de Sousa. Ele era filho natural de Leandro Rodrigues de Sá e Laura Pereira, já falecida; e ela filha do sargento-mor Manoel de Sousa Jardim, lá de Igarassú, e Felizarda Coelho Marinho, desta freguesia. D. Felizarda, era filha dos meus hexavós João Machado de Miranda e Leonor Duarte de Azevedo. Foi batizada em 1706, lá em São Gonçalo do Potengi.
Vamos conhecer melhor Victoriano através do seu testamento, que fez no dia 16 de setembro de 1797, no sítio Pirituba, de sua propriedade. Foram seus testamenteiros, o filho Manoel Rodrigues de Sá, o tenente Salvador de Araújo, e o irmão deste, tenente Alexandre Araújo. Nas suas determinações pediu para ser sepultado na Igreja de Nossa Senhora do Socorro de Utinga, em hábito de São Francisco. Antigamente, as pessoas eram enterradas nas Igrejas.
Nas suas disposições testamentárias, confirmou os pais citados acima no seu casamento, mas que na data do testamento já eram falecidos. Com Luisa de Sousa teve três filhos, Victoriano Rodrigues Junior, Manoel Rodrigues e Cordova (Córdula no batismo), todos casados. A filha Córdula foi casada com Liandro Rodrigues, contra a vontade dele, Victoriano. Informou ainda que o dito marido dela tinha feito um segundo casamento, e que os testamenteiros não dessem nada a ele de seus bens, pois deviam ser destinados aos netos, filhos dela, quando tivessem capacidade.
Cita uma filha natural de nome Anna Rodrigues que foi casada com Ignácio de Sousa (Jardim), morador no sertão de Mossoró. A essa filha já tinha dado o que lhe deveria dar, e mais nada os testamenteiros lhe deviam dar. O velho era ranzinza. Anna não era filha de Luisa de Sousa Jardim, mas casou com um irmão dela, Ignácio de Sousa Jardim.
Pelo que se nota do inventário tinha muitos bens, e acredito que foi arrematador de dízimos. Tinha vários escravos, gados cavalar e vacum que se achavam no Sitio Pirituba e Fazenda Condessa. Tinha ainda mais de meia légua de terras pelo Rio Potengi abaixo buscando a Magalhães.
Apresentou uma relação de devedores, que vale a pena citar pelos detalhes, pessoas e lugares: José de Freitas, morador em Mossoró, um cavalo que lhe emprestou há mais de um ano; Manoel Macedo, um cavalo, um boi e uma vaca; José de Araújo, morador em São Gonçalo, um cavalo que lhe tomou emprestado  para ir ao sertão do Seridó;  o capitão Manoel Ignácio Pereira do Lago, morador na cidade do Rio Grande, um cavalo que lhe tomou emprestado para ir a Pernambuco, no ano noventa; José Fidélis, um garrote que lhe emprestou; Luiz de Araújo, morador de Jundiaí, duas vacas; o Reverendo Francisco Sales, de Porto de Touros, uma vaca; Joaquim José de Barros, morador nas Bananeiras de Mipibú,  dois mil réis; José Ferreira, morador no Rio Trairi,  dois mil réis de resto de um boi; Manoel Pereira, morador de Mipibú, uma novilha que lhe vendeu por seis mil réis; o defunto Antonio Marinho, morador que foi em Papari, por ele lhe deviam os herdeiros, um boi de resto de dízimo do triênio 1761-1763; Francisco Xavier da Cruz, morador em Mipibú, uma besta braba que pegou sem ordem, desde 1791; a viúva de Francisco Tavares, morador em Pequiçaba, umas rezes, o que já foi tratado com o filho Manoel Rodrigues de Sá por vinte e cinco  mil réis; Miguel dos Anjos, morador nesta, um garrote de empréstimo e mais três meia sola por dez patacas cada uma; me deve uma vaca que já paguei ao defunto José Teixeira, por Raimundo Pereira, morador na Utinga (?); Manoel Teobaldo, uma novilha que lhe emprestou; Manoel Machado, um garrote por empréstimo; Pedro Coitinho, dezoito mil e quatrocentos réis; Hieronimo de Sousa me deve 7 patacas; o coronel Francisco da Costa, uma besta; Ignácio Barbosa, uma vaca; Anna da Rocha, mulher de Manoel dos Santos, morador no Potengi, um corte de saia e mais sete patacas que recebeu por mão do capitão Manoel Álvares Correa, que lhe mandei dar, que perfaz seis mil e duzentos e quatro réis.
Disse mais que não devia nada. Informou que para o neto João que criava, deixava uma besta, com duas crias e uma vaca na Fazenda Condessa, já ferrada. Esses bens que deixava para João que se conservassem na posse do seu filho Manoel, não entregando ao pai. Deixou ainda vinte mil réis para um neta e afilhada, filha legítima do seu filho Victoriano Rodrigues Junior. Depois de cumpridos os legados da terça dele, deixa o restante para seu filho Manoel Rodrigues, em remuneração pelo muito que lhe tem servido e acompanhado sua mãe.
Anna Rodrigues de Sá, filha natural de Victoriano Rodrigues de Sá, reaparece em um inventário de Francisco de Barros Rego (1835). Quem me dá notícia dele é Marcos Pinto, lá de Mossoró.
Por esse inventário, Francisco de Barros Rego, informa que foi casado com Anna Rodrigues de Sá, filha de Ignácio de Sousa Jardim e Anna Rodrigues de Sá. Francisco de Barros Rego, também, teve uma filha natural, de nome Helena Maria Bezerra, casada com João Rodrigues de Miranda. Os filhos de Francisco de Barros com Anna, portanto, os bisneto de Victoriano, foram Ignácio de Sousa Jardim (2º do nome); Gonçalo de Barros Rego, casado com Theresa de Jesus; Anna de Barros Rego casada com Manoel Martins Bezerra; João do Vale Bezerra, casado com Anna Maria, 1ª núpcias, e com Maria Manuela, em 2ª núpcias.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Notícias da família Valladão, lá de Macau.


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Já fizemos, anteriormente, um artigo sobre João Garcia Valladão, onde expressamos as dificuldades para encontrar maiores registros de sua descendência. No artigo apresentamos o registro do óbito de sua mulher Dona Izabel Rodrigues de São José, ocorrido em 1830, sepultada na capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré. Entretanto, não fomos capazes de descobrir se José Garcia Valladão, presente em vários documentos na Freguesia de Macau, era seu filho. Mas, agora, com o inventário do Velho João Garcia  Valladão, trazemos mais informações sobre essa família que habitou a Ilha de Manoel Gonçalves e foi uma das primeiras a povoar a Ilha de Macau, família essa homenageada com o nome de um bairro no referido município.
João Garcia Valladão, segundo seu inventário, faleceu em 10 de março de 1869, tendo sido seu inventariante herdeiro, o filho José Garcia Valladão.
Segundo o dito inventário eram seus filhos: João Garcia Valladão de Macedo, com a idade de 50 anos, que se encontrava ausente, em lugar não sabido, há mais de trinta anos; Josefa de Brito Viana, casada com Custódio José Viana, e moradores em Pernambuco; José Garcia Valladão, já mencionado acima, casado com Anna Rosa da Costa; e Francisca Izabel de Brito, já falecida, e representada por seus oitos filhos: Izabel de Brito Viana, casada com João Macedo do Amaral; Maria de Brito Viana, casada com Luis Francisco de Medeiros; Josefa de Brito Viana, solteira, com 28 anos, Rosa de Brito Viana, solteira, 23 anos, Antonio José Viana, solteiro, 22 anos; João José Viana, solteiro, 20 anos; Constância de Brito Viana, 19 anos; e Joanna Isabel Viana de Brito, 12 anos.
Segundo o inventariante que era residente em Macau, quase todos os herdeiros moravam na Praça de Pernambuco a exceção da herdeira Joana Izabel de Brito, Maria Izabel de Brito e seu marido Luis Francisco de Medeiros que moravam na Vila de Macau, e João Garcia Valladão de Macedo cujo paradeiro ignorava.
Nesse inventário o Padre Manoel Jerônimo Cabral foi curador ad bona do herdeiro ausente João Garcia Valladão de Macedo, e Lourenço Pinto Martins, o curador ad litem dos órfãos herdeiros. Além deles, atuou como Juiz de Órfãos, Thomaz Lourenço da Silva Pinto e, como Escrivão de Órfãos, João Baptista de Almeida Monteiro. O capitão Joaquim Rodrigues Ferreira foi procurador de Josefa e seu marido Custódio; Balthazar de Moura e Silva foi procurador de Izabel e seu marido João Macedo, de Josefa, Rosa, Antonio e Constancia, órfãos púberes; o herdeiro inventariante José Garcia Valladão representou a si, a sua esposa e ao herdeiro púbere João José Viana. E Dona Maria de Brito representou a si e ao seu marido Luis Francisco de Medeiros.
No inventário quem aparece, como escravo, é Nicolau, com 32 anos. No artigo sobre João Garcia Valladão, colocamos o registro do batismo dele, que foi na Ilha de Manoel Gonçalves, em 1836. Na verdade, em 1869, ele deveria completar 33 anos. Era filha da escrava Noberta, que consta agora como liberta. Aparece, também, um outro escravo de nome José, com 30 anos, filho de Noberta. Outro detalhe desse inventário, é que o nome que aparece como esposa do finado João Garcia Valladão era Izabel de Brito Macedo, diferente do registrado no seu óbito, que era Izabel Rodrigues de São José. Mas, pelo que vimos acima, alguns filhos tinham no sobrenome, Brito ou Macedo, e, portanto, esse deveria ser o verdadeiro nome de família da esposa de João Garcia Valladão.  Não há registro de que João Garcia Valladão tenha se casado novamente, e tudo indica que permaneceu viúvo até sua morte.
O inventário acima foi um dos encontrados no Fórum de Macau.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Presença dos Ferreira de Miranda em Macau

João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Encontramos a família Ferreira de Miranda, inicialmente, na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, mas os mesmos documentos que revelam essa presença na dita Freguesia, dão conta de sua passagem pelo Assú. Encontramos, também, sua presença em Santana do Mattos, através de João Ferreira de Miranda. Aqui nós trazemos registros da presença dos Ferreira de Miranda em Macau, através de Manoel Ferreira de Miranda. Vejamos alguns registros.
João, branco, filho de Manoel Ferreira de Miranda, e de Anna Ritta dos Prazeres, esta natural da Freguesia de Extremoz e aquele natural da Freguesia de Santa Anna do Mattos, nasceu aos trinta e um de julho de mil oitocentos e cinquenta e cinco, e foi batizado aos dezessete de setembro do dito ano, solenemente por mim nesta matriz; foram padrinhos João Ferreira de Miranda, casado,  e Rita Regina da Câmara, por procuração que apresentou Maria Florência Raposo da Câmara. Do que para constar fiz este assento em que me assino. Manoel Jerônimo Cabral, coadjutor pro-parocho.
Manoel, branco, filho legítimo de Manoel Ferreira de Miranda e Anna Ritta dos Prazeres, nasceu aos quinze de outubro de mil oitocentos e cinquenta e seis, e foi batizado aos dez de dezembro do mesmo ano, solenemente, por mim nesta matriz; foram padrinhos José Ferreira Nobre Câmara, solteiro, e Nossa Senhora da Conceição. Do que para constar fiz este assento em que me assino. O vigário Manoel Jerônimo Cabral.
Joanna, filha legítima de Manoel Ferreira de Miranda e Anna Ritta dos Prazeres, nasceu aos 12 de julho de mil oitocentos e cinquenta e oito, e foi batizada aos quatro de dezembro do mesmo ano, pelo Reverendo Elias Barbalho Bezerra, nesta Matriz, com os santos óleos; foram padrinhos José de Borja Caminha Raposo da Câmara, e Maria Florência Raposo da Câmara, solteira. Do que para constar fiz este assento em que me assino. O vigário Manoel Jerônimo Cabral.
Mas, Joanna não resistiu por muito tempo, pois com sete meses faleceu, como podemos ver no registro seguinte.
Aos quinze de janeiro de mil oitocentos e cinquenta e nove foi sepultada no cemitério, a parvula Joanna com idade de sete meses, filha legítimo de Manoel Ferreira de Miranda e Anna Ritta dos Prazeres, amortalhado em hábito branco, faleceu de espasmo e foi encomendada por mim. Do que para constar fiz este assento em que me assino. Manoel Jerônimo Cabral.
Para não perder o embalo, aproveitamos para apresentar o óbito de um membro da família Ferreira de Miranda, ocorrido em Natal. Diz o registro: aos vinte e seis de maio de mil oitocentos e quarenta e oito, faleceu da vida presente com todos os sacramentos, Manoel Ferreira de Miranda, branco, casado, com a idade de 30 anos, morador em Extremoz, foi sepultado na matriz envolto em habito preto, e encomendado por mim. E para constar fiz este assento em que me assino. Bartholomeu da Rocha Fagundes. Vigário Colado.
Não foi possível encontrar a relação desse Manoel Ferreira de Miranda com o de mesmo nome, lá de Macau.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Conde do Rio Grande

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
A vitória sobre os holandeses valeu muitas mercês dos Reis de Portugal aos diversos militares que dela participaram. Já vimos em artigo anterior que o capitão-mor Manoel de Abreu Soares, natural do Rio Grande, foi contemplado com um alvará, em 1681, para cargo da Justiça ou Fazenda, para filho ou filha dele. A pesquisa para provar que Manoel de Abreu Soares foi capitão-mor do Rio Grande trouxe duas informações que me chamaram a atenção, noticiadas por vários historiadores: a primeira é que em 1654, D. João IV doou, para Manoel Jordão,  parte do território do Rio Grande, que alguns dizem ter sido Natal, por isso chamado de Natalópolis, que ele não tomou posse por ter naufragado na entrada do Rio Potengi, e, por isso, o feudo retornou a Coroa; a segunda informação dava conta que D. Pedro II, de Portugal, concedeu o título de Conde do Rio Grande para Francisco Barreto de Menezes, por sua participação na luta contra os holandeses. A primeira informação fica para um futuro artigo. Nada provado até agora.
Quanto à segunda informação, escrevi, inicialmente, para o Instituto D. João VI, tendo recebido as seguintes informações: Encarrega-me o Sereníssimo Senhor Dom Filipe, Conde do Rio Grande, Presidente do Instituto Dom João VI, de lhe encaminhar um breve resumo sobre o título de Conde do Rio Grande, conforme pedido que dirigiu através do Grémio Literário. 
O Titulo de Conde do Rio Grande foi concedido cerca de 1678 por El-Rei Dom Pedro II (de Portugal) ao General Francisco Barreto e Menezes, Mestre de Campo General, Restaurador de Pernambuco, famoso General Comandante das Tropas Luso-Brasileiras que expulsaram os Holandeses do Brasil, vencendo as batalhas dos Guararapes. O Título foi-lhe dado em reconhecimento destes valiosos serviços, e depois passou para sua filha única D. Antónia Barreto de Sá, casada com Lopo Furtado de Mendóça (1661-1730), que foi Conde do Rio Grande por seu casamento. Este Lopo foi o General da Armada que venceu os Turcos no Mediterrâneo na célebre batalha de Matapão (1717). Deste casal extinguiu-se a geração, passando o título por representação para a Casa dos Condes de Vale de Reis (depois Marqueses e Duques de Loulé), pois nessa Casa está a representação dos referidos Condes, através das Famílias Barreto e Mendóça.
Em 1997 o Sereníssimo Senhor Dom Alberto de Mendóça Rolim de Moura Barreto(1923-2003), 5º Duque de Loulé, 4º Marquês de Loulé, 13º Conde de Vale de Reis, Dinasta da Casa Real de Portugal, passa todos os direitos sobre o título e representação dos Condes do Rio Grande a seu filho terceiro o Sereníssimo Senhor Dom Filipe, actual titular. 
Esperando que essas informações possam ajudar nos Vossos estudos sobre o Rio Grande do Norte, com os melhores cumprimentos, Alfredo Côrte-Real, Director do Instituto Dom João VI.
Não de todo satisfeito, por conta de alguns equívocos na informação, recorri ao arquivo da Torre do Tombo, solicitando os documentos relativos à concessão do referido título, do qual retirei alguns trechos.
Lopo Furtado de Mendonça fez representação a D. Pedro II, Rei de Portugal e Algarves, por conta de um alvará que foi passado para Francisco Barreto, seu sogro.  O alvará é datado de 14 de julho de 1678. Por esse alvará, o Príncipe Sucessor Regente dos Reinos e Senhorios (na época, o próprio D. Pedro, pois o Rei D. Afonso VI, seu irmão, era incapaz), reconhecendo o valor, prudência e boa fortuna em que Francisco Barreto, de sua casa, e mestre de campo general do exército de Pernambuco, assistiu na guerra que restaurou a capitania de Pernambuco e as mais circunvizinhas, fez-lhe mercê do "título de conde para seu filho mais velho, se houver, e tendo filha que seja herdeira de sua casa, lhe faço a mesma mercê para a pessoa com quem ela casar, contanto que o casamento será a minha vontade, e esta mercê não terá efeito no filho ou filha senão em casando, e até esse tempo estará em segredo, e não se cumprirá se se descobrir por sua parte".
Após a citação do referido alvará, continua Dom Pedro: "Pedindo-me o dito Lopo Furtado que porquanto o dito Francisco Barreto falecera sem deixar descendência masculina legítima e ficar por sua morte, primogênita de sua casa, Dona Antonia Maria Francisca de Sá, com quem ele Lopo Furtado de Mendonça estava casado de licença e aprovação minha, e como a tal lhe pertencia à mercê do título, lhe mandasse passar carta dele na forma costumada".
E o Rei, pelas habilidades que concorrem na pessoa do dito Lopo Furtado de Mendonça, resolveu: Hei por bem fazer-lhe mercê do título de conde em sua vida, e quero que daqui em diante se chame o Conde do Rio Grande em Pernambuco, e goze com o dito título de todas as honras, preeminências, prerrogativas, autoridades, privilégios, graças, liberdades e franqueza que há e tem, e de que usam e sempre usaram os Condes destes meus Reinos.
Lopo Furtado de Mendonça foi, portanto, o primeiro conde do Rio Grande, D. Alberto Nuno Carlos Rita Folque de Mendonça Rolim de Moura Barreto, 5º Duque de Loulé foi o 2º, e, atualmente, Filipe Alberto Folque de Mendonça é o terceiro.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O primeiro ano da princesa Melina


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Tenho dado preferência, nos artigos sobre Genealogia, aos registros mais antigos do nosso Rio Grande, até para recompor a nossa História, principalmente, por conta da raridade dos documentos e do estado em que eles se encontram. Os documentos mais recentes são de mais fácil acesso. Entretanto, é preciso fazer o elo entre as atuais gerações e as mais antigas. Por isso, resolvi trazer para cá informações sobre minha neta Melina.
João Felippe da Trindade quando casou já tinha 31 anos de idade, seu filho, Miguel Francisco, casou com 30, e meu pai com 40 anos. Parecia que eles queriam retardar suas descendências, talvez na expectativa que mais na frente o mundo seria melhor. Eu, mais apressado, pois do namoro ao casamento não durou nem três meses, casei com 24 anos.
A minha filha mais velha, Alessandra, que tem 40 anos, não pode me dar netos, pois, é especial, muito especial. Miguel Felipe, o segundo, parece seguir o caminho de Miguel Trindade, o avô, que só teve seu primeiro filho com 41 anos de idade. Thiago, o terceiro, e sua esposa Dúcia, só resolveram ter filhos depois de completar seus estudos de pós-graduação. Somente, recentemente, fui contemplado com a primeira neta.
Melina, minha neta, nasceu aos 12 de agosto de 2011, em Natal, filha de Thiago Gomes da Trindade e Dúcia Cosme da Trindade, neta por parte paterna de João Felipe da Trindade e Maria das Graças Gomes da Trindade, e pela parte materna de Dúbel Ferreira Cosme e Lúcia Caldas Cosme, foi batizada, na Capela de São Francisco, da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, pelo Padre Robério Camilo da Silva, aos 14 de Julho de 2012, tendo como padrinhos seus tios, Miguel Felipe Gomes da Trindade, Andréa Lúcia Cosme Lemos e seu esposo Almiro José da Rocha Lemos.
Assim, no próximo domingo, 12 de agosto, Melina vai completar seu primeiro ano de vida. Já diz algumas palavras e está próxima de dar os primeiros passos. Observa detalhadamente cada pessoa próxima dela, como se estivesse querendo conhecê-la melhor. Assim, também faz com cada objeto que vê. Com as árvores procede de modo diferente: fica totalmente absorta, como se estivesse entrando em um mundo de reminiscências. O grande perigo é que as várias escolas do mundo travem as suas capacidades e qualidades.
Seu nome poderia ser Duthia, seguindo a tradição familiar, pois a mãe Dúcia vem de Dúbel e Lúcia; o outro avô, Dúbel, vem de Duclerc e Isabel. Mas, os nomes têm suas ondas e seus momentos. Melina, em grego é: a cortês, a gentil. Espero que assim seja.
O mundo em que ela chegou não é melhor do que aquele em que viveram seus ascendentes. Veja a Grécia da outra Melina (Mercouri), em que situação se encontra. A natureza se manifesta, muitas vezes, de forma violenta. A ciência e a tecnologia trazem algumas facilidades e alguns confortos. Vivemos, aparentemente, mais anos de vida. Mas, pelo que observamos, não há muitas mudanças nas áreas de educação, saúde e segurança. A vida não parece ser mais fácil que a dos nossos ancestrais.
Se alguém fala em mudanças em educação pensa em escola de tempo integral, como se isso fosse resolver.  Passamos mais de dez anos estudando Português e Matemática, incluindo aí uma série de coisas desnecessárias, e não dominamos bem essas matérias. Em Geografia, História, Ciência e outras matérias, não aprendemos o essencial. Hoje, com o acesso mais fácil a internet, mais livros e revistas a nossa disposição, deveríamos nos aprofundar em partes mais essenciais das matérias citadas. Todo ensino deveria partir de dentro para fora. Deveríamos conhecer melhor o que está ao nosso redor e ao longo tempo conhecer as coisas mais distantes.
Há necessidade de uma revolução na saúde deste país. Deveríamos, pelo menos, por um certo tempo, dar maior atenção à saúde. As políticas públicas estão recheadas de coisas supérfluas. A droga deveria ser combatida como se fosse uma nação invadindo nosso país. No passado perdemos tempo combatendo ideologias e nos esquecemos de combater o que mina de verdade as nossas forças e gera muita violência. As religiões se proliferam como sendo um novo comércio.
Quando surge uma campanha eleitoral percebemos de saída, pela composição das chapas para prefeito e vereador, que não haverá mudanças de verdade. O discurso prometido não se coaduna com as práticas. Vejam os carros de propaganda. Todos os candidatos estão rindo. É o começo da mentira, da desfaçatez, e do engodo. Antigamente para se candidatar ao cargo de capitão-mor e outros, os pretendentes tinham que apresentar os feitos de suas vidas. Hoje, os pretendentes tentam destruir os concorrentes.
Melina, espero que as luzes e energias da vida lhe harmonizem com o Universo e que a educação lhe prepare, de verdade, para viver uma vida melhor. Parabéns pelo dom da Vida!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O gesto de Félix Rodrigues Ferreira


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG 

Muitas vezes tenho dúvidas sobre quem são as vítimas nas tragédias do dia a dia: os que ficam ou os que partem? Na tragédia do Rosário, no ano de 1871, as famílias do Major José Martins Ferreira e de Manoel Rodrigues Ferreira ficaram abaladas com o acontecido. Enquanto, José Alves Martins, viúvo, com 40 anos, partiu para eternidade deixando 9 filhos, sendo um com 4 anos de idade, João Rodrigues Ferreira foi para a cidade do Recife. Não sei o que motivou a ação de João Rodrigues, muito menos se ele foi penalizado pela justiça. 

Encontramos no Macauense, que em 7 de agosto de 1886, chegaram procedente de Pernambuco, no Iate João do Vale, do capitão Francisco Honório Canuto, os capitães Joaquim Rodrigues Ferreira, Eufrásio Alves de Oliveira e João Rodrigues Ferreira de Mello. Joaquim Rodrigues Ferreira trouxe em sua companhia os seus sete sobrinhos órfãos, filho de João Rodrigues Ferreira, há pouco falecido na Província de Pernambuco.

Esse João Rodrigues Ferreira nasceu em 1836 e era filho do português Manoel Rodrigues Ferreira e da assuense Izabel Martins Ferreira. Viveram na Ilha de Manoel Gonçalves. Nos nossos registros encontramos o registro de batismo de Carmosina, filha legítima de João Rodrigues Ferreira e Glicéria da Silveira Borges, que nasceu em 26 de março de 1868. Há vários casamentos entre os Silveira Borges e os Rodrigues Ferreira.

Felis Rodrigues Ferreira era irmão de Joaquim Ferreira Rodrigues e de João Rodrigues Ferreira, citados acima.  Ele casou duas vezes. Seu primeiro casamento, do qual não encontramos o registro, foi com Joanna Batista do Sacramento. Desse casamento só localizamos um filho: João Macário Rodrigues Ferreira. Ele nasceu em 2 de abril de 1852, e foi batizado em 15 de abril de 1852, no sítio Xambá, tendo como padrinhos Felis Antonio Medino, solteiro e Izabel Martins Ferreira, viúva.
O segundo casamento de Felis Rodrigues Ferreira foi aos sete de agosto de mil oitocentos e sessenta, na Fazenda Canto Grande, na presença do Padre Felis Alves de Sousa, e das testemunhas Francisco Lins Wanderley, e Pedro Virgulino de Sousa, com Maria Romana de Mello, filha de Antonio Joaquim de Mello, e de Joaquina Francisca de Mello. 

Encontramos alguns irmãos de Maria Romana de Mello: Joanna Francelina de Mello, que casou em 1862 com Eufrásio Alves de Oliveira Junior, na Fazenda Canto Grande; Salvina Francisca de Mello, que casou com Antonio José de Oliveira, na Fazenda Canto Grande, em 1860; Anna Joaquina de Mello, que casou na Fazenda Canto Grande com João Macário Rodrigues Ferreira, filho de Felis e Joanna, em 1874; José Florentino de Mello que casou em 1881, no sítio Malheiros, com Maria Ignácia da Apresentação.

Em 1 de junho de 1898, Félix Rodrigues Ferreira, em casa de residência do coronel Joaquim Ildefonso Virgulino de Sousa, em Macau, fez seu testamento. Instituiu como herdeira universal dos seus bens a esposa Maria Rodrigues de Mello, e como legatários da terça dos seus bens os sobrinhos João Baptista da Silveira e Maria do Carmo da Silveira, filhos do falecido João Rodrigues Ferreira e Glicéria da Silveira Borges. Nomeou como seus testamenteiros Sebastião Rodrigues Ferreira, Vicente Rodrigues Ferreira e o capitão João Rodrigues Ferreira de Mello. Não há menção no seu testamento a qualquer outro filho do primeiro casamento. No dia 10 do mesmo mês e ano, Felis Rodrigues faleceu.
Como vimos acima, João Rodrigues Ferreira e Glicéria da Silveira Borges tinham sete filhos, e esses filhos, possivelmente, já eram maiores de idade. Por isso, ele deve ter deixado sua terça somente para seus sobrinhos ainda de menor idade. Nessa época João Rodrigues da Silveira tinha 14 anos e Maria do Carmo Rodrigues da Silveira, 18 anos. Esses nomes são um pouco diferente dos que aparecem no testamento, mas são os que aparecem depois, quando o tutor deles, capitão João Rodrigues Ferreira de Mello, sobrinho de Félix, pede a liberação, em 1903, dos bens herdados pelos mesmos, por terem atingido a maioridade. D. Maria do Carmo Rodrigues da Silveira foi a segunda esposa de Manoel Carlos de Mello, que tinha enviuvado de Maria do Carmo Rodrigues de Mello.

Não tenho notícias de quando Dona Glicéria morreu. Talvez, tenha falecido pouco depois do nascimento do seu filho João, pelo que se depreende da volta dos sete filhos em 1886, e pelo fato, do dito João ter 14 anos em 1898. João Rodrigues Ferreira não deve ter deixado herança para os filhos, e, por isso, seu irmão tenha resolvido amparar os dois sobrinhos.

O escritor Manoel Rodrigues de Mello era neto de João Rodrigues Ferreira, conforme carta escrita por ele para Ricardo Rodrigues Ferreira. Os pais do escritor, conforme vários documentos encontrados, eram Manoel de Mello Andrade Filho e Maria Rodrigues de Mello.  Essa Maria deveria ser uma das outras filhas de João Rodrigues e Glicéria.

Anda não localizei as notas de Manoel Rodrigues de Mello, que pretendia escrever um livro sobre os Rodrigues Ferreira e outro sobre a História de Macau. Estou examinando alguns documentos que estão depositados no Solar João Galvão, da Fundação José Augusto. 

P.S. - 22 de abril de 2019. Passado algum tempo, tive novas informações sobre familiares de João Rodrigues Ferreira que posto aqui:
Em 5 de julho de 1898, na casa de Maria Libânia da Silveira, Currais Novos, presentes o coronel Cipriano Lopes de Vasconcelos Galvão e Cincinato Benvindo da Silveira, 30 anos, se casaram civilmente João Antônio de Miranda, 36 anos, natural de Macau, residente em Ceará-Mirim, filho de Manoel Antônio de Miranda e de Joana Quitéria da Câmara, e Carmosina Rodrigues da Silveira, de 30 anos, natural de Macau, filha de João Rodrigues Ferreira e de Glicéria da Silveira Borges.
Carmosina Rodrigues Ferreira, branca, nasceu em 26 de março de 1868, filha de João Rodrigues Ferreira e de Glicéria da Silveira Borges, e foi batizada na Fazenda Conceição, Macau, em 11 de julho do mesmo ano, sendo padrinhos Francisco Honório da Silveira Borges e sua mulher Honorina Veloso da Silveira.
Em 30 de julho, em casa de Maria Inácia da Silveira Borges, presentes Francisco Antônio de Miranda, 27 anos, e Cincinato Benvindo da Silveira, se casaram civilmente Samuel Rodrigues da Silveira, 28 anos natural do Assú, filho de João Rodrigues Ferreira e de Glicéria Rodrigues da Silveira, e Maria Silveira de  Carvalho Santa, 18 anos, natural de Touros, residente em Santana do Matos, filha de João Ernesto de Carvalho e de Sofia de Carvalho da Silveira.
João Rodrigues Ferreira e Glicéria Borges da Silveira faleceram em Pernambuco, onde residiam. Após o falecimento de ambos, os 7 filhos foram trazidos de volta para o Rio Grande do Norte, pelo tio, capitão Joaquim Rodrigues Ferreira, em 1886. Em 1941,faleceu Maria do Carmo Rodrigues de Melo, uma das filhas do casal, que era casada com Manoel Carlos de Melo, segundo noticiou o jornal desta capital, “A Ordem”.  Maria do Carmo foi criada pelo tio Félix Rodrigues Ferreira e sua mulher Maria Joaquina de Melo. Nessa data do falecimento eram vivos os irmãos de Maria do Carmo de nomes, João Rodrigues Ferreira, residente em Mossoró, e Maria Rodrigues de Melo, mãe do escritor Manoel Rodrigues de Melo.