segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Victoriano Rodrigues de Sá, de Pirituba


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Em 17 de setembro de 1753, na Capela de Nossa Senhora dos Prazeres da Aldeia e Missão de Guajirú, da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, Victoriano Rodrigues de Sá desposou Luisa de Sousa. Ele era filho natural de Leandro Rodrigues de Sá e Laura Pereira, já falecida; e ela filha do sargento-mor Manoel de Sousa Jardim, lá de Igarassú, e Felizarda Coelho Marinho, desta freguesia. D. Felizarda, era filha dos meus hexavós João Machado de Miranda e Leonor Duarte de Azevedo. Foi batizada em 1706, lá em São Gonçalo do Potengi.
Vamos conhecer melhor Victoriano através do seu testamento, que fez no dia 16 de setembro de 1797, no sítio Pirituba, de sua propriedade. Foram seus testamenteiros, o filho Manoel Rodrigues de Sá, o tenente Salvador de Araújo, e o irmão deste, tenente Alexandre Araújo. Nas suas determinações pediu para ser sepultado na Igreja de Nossa Senhora do Socorro de Utinga, em hábito de São Francisco. Antigamente, as pessoas eram enterradas nas Igrejas.
Nas suas disposições testamentárias, confirmou os pais citados acima no seu casamento, mas que na data do testamento já eram falecidos. Com Luisa de Sousa teve três filhos, Victoriano Rodrigues Junior, Manoel Rodrigues e Cordova (Córdula no batismo), todos casados. A filha Córdula foi casada com Liandro Rodrigues, contra a vontade dele, Victoriano. Informou ainda que o dito marido dela tinha feito um segundo casamento, e que os testamenteiros não dessem nada a ele de seus bens, pois deviam ser destinados aos netos, filhos dela, quando tivessem capacidade.
Cita uma filha natural de nome Anna Rodrigues que foi casada com Ignácio de Sousa (Jardim), morador no sertão de Mossoró. A essa filha já tinha dado o que lhe deveria dar, e mais nada os testamenteiros lhe deviam dar. O velho era ranzinza. Anna não era filha de Luisa de Sousa Jardim, mas casou com um irmão dela, Ignácio de Sousa Jardim.
Pelo que se nota do inventário tinha muitos bens, e acredito que foi arrematador de dízimos. Tinha vários escravos, gados cavalar e vacum que se achavam no Sitio Pirituba e Fazenda Condessa. Tinha ainda mais de meia légua de terras pelo Rio Potengi abaixo buscando a Magalhães.
Apresentou uma relação de devedores, que vale a pena citar pelos detalhes, pessoas e lugares: José de Freitas, morador em Mossoró, um cavalo que lhe emprestou há mais de um ano; Manoel Macedo, um cavalo, um boi e uma vaca; José de Araújo, morador em São Gonçalo, um cavalo que lhe tomou emprestado  para ir ao sertão do Seridó;  o capitão Manoel Ignácio Pereira do Lago, morador na cidade do Rio Grande, um cavalo que lhe tomou emprestado para ir a Pernambuco, no ano noventa; José Fidélis, um garrote que lhe emprestou; Luiz de Araújo, morador de Jundiaí, duas vacas; o Reverendo Francisco Sales, de Porto de Touros, uma vaca; Joaquim José de Barros, morador nas Bananeiras de Mipibú,  dois mil réis; José Ferreira, morador no Rio Trairi,  dois mil réis de resto de um boi; Manoel Pereira, morador de Mipibú, uma novilha que lhe vendeu por seis mil réis; o defunto Antonio Marinho, morador que foi em Papari, por ele lhe deviam os herdeiros, um boi de resto de dízimo do triênio 1761-1763; Francisco Xavier da Cruz, morador em Mipibú, uma besta braba que pegou sem ordem, desde 1791; a viúva de Francisco Tavares, morador em Pequiçaba, umas rezes, o que já foi tratado com o filho Manoel Rodrigues de Sá por vinte e cinco  mil réis; Miguel dos Anjos, morador nesta, um garrote de empréstimo e mais três meia sola por dez patacas cada uma; me deve uma vaca que já paguei ao defunto José Teixeira, por Raimundo Pereira, morador na Utinga (?); Manoel Teobaldo, uma novilha que lhe emprestou; Manoel Machado, um garrote por empréstimo; Pedro Coitinho, dezoito mil e quatrocentos réis; Hieronimo de Sousa me deve 7 patacas; o coronel Francisco da Costa, uma besta; Ignácio Barbosa, uma vaca; Anna da Rocha, mulher de Manoel dos Santos, morador no Potengi, um corte de saia e mais sete patacas que recebeu por mão do capitão Manoel Álvares Correa, que lhe mandei dar, que perfaz seis mil e duzentos e quatro réis.
Disse mais que não devia nada. Informou que para o neto João que criava, deixava uma besta, com duas crias e uma vaca na Fazenda Condessa, já ferrada. Esses bens que deixava para João que se conservassem na posse do seu filho Manoel, não entregando ao pai. Deixou ainda vinte mil réis para um neta e afilhada, filha legítima do seu filho Victoriano Rodrigues Junior. Depois de cumpridos os legados da terça dele, deixa o restante para seu filho Manoel Rodrigues, em remuneração pelo muito que lhe tem servido e acompanhado sua mãe.
Anna Rodrigues de Sá, filha natural de Victoriano Rodrigues de Sá, reaparece em um inventário de Francisco de Barros Rego (1835). Quem me dá notícia dele é Marcos Pinto, lá de Mossoró.
Por esse inventário, Francisco de Barros Rego, informa que foi casado com Anna Rodrigues de Sá, filha de Ignácio de Sousa Jardim e Anna Rodrigues de Sá. Francisco de Barros Rego, também, teve uma filha natural, de nome Helena Maria Bezerra, casada com João Rodrigues de Miranda. Os filhos de Francisco de Barros com Anna, portanto, os bisneto de Victoriano, foram Ignácio de Sousa Jardim (2º do nome); Gonçalo de Barros Rego, casado com Theresa de Jesus; Anna de Barros Rego casada com Manoel Martins Bezerra; João do Vale Bezerra, casado com Anna Maria, 1ª núpcias, e com Maria Manuela, em 2ª núpcias.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Notícias da família Valladão, lá de Macau.


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Já fizemos, anteriormente, um artigo sobre João Garcia Valladão, onde expressamos as dificuldades para encontrar maiores registros de sua descendência. No artigo apresentamos o registro do óbito de sua mulher Dona Izabel Rodrigues de São José, ocorrido em 1830, sepultada na capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré. Entretanto, não fomos capazes de descobrir se José Garcia Valladão, presente em vários documentos na Freguesia de Macau, era seu filho. Mas, agora, com o inventário do Velho João Garcia  Valladão, trazemos mais informações sobre essa família que habitou a Ilha de Manoel Gonçalves e foi uma das primeiras a povoar a Ilha de Macau, família essa homenageada com o nome de um bairro no referido município.
João Garcia Valladão, segundo seu inventário, faleceu em 10 de março de 1869, tendo sido seu inventariante herdeiro, o filho José Garcia Valladão.
Segundo o dito inventário eram seus filhos: João Garcia Valladão de Macedo, com a idade de 50 anos, que se encontrava ausente, em lugar não sabido, há mais de trinta anos; Josefa de Brito Viana, casada com Custódio José Viana, e moradores em Pernambuco; José Garcia Valladão, já mencionado acima, casado com Anna Rosa da Costa; e Francisca Izabel de Brito, já falecida, e representada por seus oitos filhos: Izabel de Brito Viana, casada com João Macedo do Amaral; Maria de Brito Viana, casada com Luis Francisco de Medeiros; Josefa de Brito Viana, solteira, com 28 anos, Rosa de Brito Viana, solteira, 23 anos, Antonio José Viana, solteiro, 22 anos; João José Viana, solteiro, 20 anos; Constância de Brito Viana, 19 anos; e Joanna Isabel Viana de Brito, 12 anos.
Segundo o inventariante que era residente em Macau, quase todos os herdeiros moravam na Praça de Pernambuco a exceção da herdeira Joana Izabel de Brito, Maria Izabel de Brito e seu marido Luis Francisco de Medeiros que moravam na Vila de Macau, e João Garcia Valladão de Macedo cujo paradeiro ignorava.
Nesse inventário o Padre Manoel Jerônimo Cabral foi curador ad bona do herdeiro ausente João Garcia Valladão de Macedo, e Lourenço Pinto Martins, o curador ad litem dos órfãos herdeiros. Além deles, atuou como Juiz de Órfãos, Thomaz Lourenço da Silva Pinto e, como Escrivão de Órfãos, João Baptista de Almeida Monteiro. O capitão Joaquim Rodrigues Ferreira foi procurador de Josefa e seu marido Custódio; Balthazar de Moura e Silva foi procurador de Izabel e seu marido João Macedo, de Josefa, Rosa, Antonio e Constancia, órfãos púberes; o herdeiro inventariante José Garcia Valladão representou a si, a sua esposa e ao herdeiro púbere João José Viana. E Dona Maria de Brito representou a si e ao seu marido Luis Francisco de Medeiros.
No inventário quem aparece, como escravo, é Nicolau, com 32 anos. No artigo sobre João Garcia Valladão, colocamos o registro do batismo dele, que foi na Ilha de Manoel Gonçalves, em 1836. Na verdade, em 1869, ele deveria completar 33 anos. Era filha da escrava Noberta, que consta agora como liberta. Aparece, também, um outro escravo de nome José, com 30 anos, filho de Noberta. Outro detalhe desse inventário, é que o nome que aparece como esposa do finado João Garcia Valladão era Izabel de Brito Macedo, diferente do registrado no seu óbito, que era Izabel Rodrigues de São José. Mas, pelo que vimos acima, alguns filhos tinham no sobrenome, Brito ou Macedo, e, portanto, esse deveria ser o verdadeiro nome de família da esposa de João Garcia Valladão.  Não há registro de que João Garcia Valladão tenha se casado novamente, e tudo indica que permaneceu viúvo até sua morte.
O inventário acima foi um dos encontrados no Fórum de Macau.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Presença dos Ferreira de Miranda em Macau

João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Encontramos a família Ferreira de Miranda, inicialmente, na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, mas os mesmos documentos que revelam essa presença na dita Freguesia, dão conta de sua passagem pelo Assú. Encontramos, também, sua presença em Santana do Mattos, através de João Ferreira de Miranda. Aqui nós trazemos registros da presença dos Ferreira de Miranda em Macau, através de Manoel Ferreira de Miranda. Vejamos alguns registros.
João, branco, filho de Manoel Ferreira de Miranda, e de Anna Ritta dos Prazeres, esta natural da Freguesia de Extremoz e aquele natural da Freguesia de Santa Anna do Mattos, nasceu aos trinta e um de julho de mil oitocentos e cinquenta e cinco, e foi batizado aos dezessete de setembro do dito ano, solenemente por mim nesta matriz; foram padrinhos João Ferreira de Miranda, casado,  e Rita Regina da Câmara, por procuração que apresentou Maria Florência Raposo da Câmara. Do que para constar fiz este assento em que me assino. Manoel Jerônimo Cabral, coadjutor pro-parocho.
Manoel, branco, filho legítimo de Manoel Ferreira de Miranda e Anna Ritta dos Prazeres, nasceu aos quinze de outubro de mil oitocentos e cinquenta e seis, e foi batizado aos dez de dezembro do mesmo ano, solenemente, por mim nesta matriz; foram padrinhos José Ferreira Nobre Câmara, solteiro, e Nossa Senhora da Conceição. Do que para constar fiz este assento em que me assino. O vigário Manoel Jerônimo Cabral.
Joanna, filha legítima de Manoel Ferreira de Miranda e Anna Ritta dos Prazeres, nasceu aos 12 de julho de mil oitocentos e cinquenta e oito, e foi batizada aos quatro de dezembro do mesmo ano, pelo Reverendo Elias Barbalho Bezerra, nesta Matriz, com os santos óleos; foram padrinhos José de Borja Caminha Raposo da Câmara, e Maria Florência Raposo da Câmara, solteira. Do que para constar fiz este assento em que me assino. O vigário Manoel Jerônimo Cabral.
Mas, Joanna não resistiu por muito tempo, pois com sete meses faleceu, como podemos ver no registro seguinte.
Aos quinze de janeiro de mil oitocentos e cinquenta e nove foi sepultada no cemitério, a parvula Joanna com idade de sete meses, filha legítimo de Manoel Ferreira de Miranda e Anna Ritta dos Prazeres, amortalhado em hábito branco, faleceu de espasmo e foi encomendada por mim. Do que para constar fiz este assento em que me assino. Manoel Jerônimo Cabral.
Para não perder o embalo, aproveitamos para apresentar o óbito de um membro da família Ferreira de Miranda, ocorrido em Natal. Diz o registro: aos vinte e seis de maio de mil oitocentos e quarenta e oito, faleceu da vida presente com todos os sacramentos, Manoel Ferreira de Miranda, branco, casado, com a idade de 30 anos, morador em Extremoz, foi sepultado na matriz envolto em habito preto, e encomendado por mim. E para constar fiz este assento em que me assino. Bartholomeu da Rocha Fagundes. Vigário Colado.
Não foi possível encontrar a relação desse Manoel Ferreira de Miranda com o de mesmo nome, lá de Macau.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Conde do Rio Grande

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
A vitória sobre os holandeses valeu muitas mercês dos Reis de Portugal aos diversos militares que dela participaram. Já vimos em artigo anterior que o capitão-mor Manoel de Abreu Soares, natural do Rio Grande, foi contemplado com um alvará, em 1681, para cargo da Justiça ou Fazenda, para filho ou filha dele. A pesquisa para provar que Manoel de Abreu Soares foi capitão-mor do Rio Grande trouxe duas informações que me chamaram a atenção, noticiadas por vários historiadores: a primeira é que em 1654, D. João IV doou, para Manoel Jordão,  parte do território do Rio Grande, que alguns dizem ter sido Natal, por isso chamado de Natalópolis, que ele não tomou posse por ter naufragado na entrada do Rio Potengi, e, por isso, o feudo retornou a Coroa; a segunda informação dava conta que D. Pedro II, de Portugal, concedeu o título de Conde do Rio Grande para Francisco Barreto de Menezes, por sua participação na luta contra os holandeses. A primeira informação fica para um futuro artigo. Nada provado até agora.
Quanto à segunda informação, escrevi, inicialmente, para o Instituto D. João VI, tendo recebido as seguintes informações: Encarrega-me o Sereníssimo Senhor Dom Filipe, Conde do Rio Grande, Presidente do Instituto Dom João VI, de lhe encaminhar um breve resumo sobre o título de Conde do Rio Grande, conforme pedido que dirigiu através do Grémio Literário. 
O Titulo de Conde do Rio Grande foi concedido cerca de 1678 por El-Rei Dom Pedro II (de Portugal) ao General Francisco Barreto e Menezes, Mestre de Campo General, Restaurador de Pernambuco, famoso General Comandante das Tropas Luso-Brasileiras que expulsaram os Holandeses do Brasil, vencendo as batalhas dos Guararapes. O Título foi-lhe dado em reconhecimento destes valiosos serviços, e depois passou para sua filha única D. Antónia Barreto de Sá, casada com Lopo Furtado de Mendóça (1661-1730), que foi Conde do Rio Grande por seu casamento. Este Lopo foi o General da Armada que venceu os Turcos no Mediterrâneo na célebre batalha de Matapão (1717). Deste casal extinguiu-se a geração, passando o título por representação para a Casa dos Condes de Vale de Reis (depois Marqueses e Duques de Loulé), pois nessa Casa está a representação dos referidos Condes, através das Famílias Barreto e Mendóça.
Em 1997 o Sereníssimo Senhor Dom Alberto de Mendóça Rolim de Moura Barreto(1923-2003), 5º Duque de Loulé, 4º Marquês de Loulé, 13º Conde de Vale de Reis, Dinasta da Casa Real de Portugal, passa todos os direitos sobre o título e representação dos Condes do Rio Grande a seu filho terceiro o Sereníssimo Senhor Dom Filipe, actual titular. 
Esperando que essas informações possam ajudar nos Vossos estudos sobre o Rio Grande do Norte, com os melhores cumprimentos, Alfredo Côrte-Real, Director do Instituto Dom João VI.
Não de todo satisfeito, por conta de alguns equívocos na informação, recorri ao arquivo da Torre do Tombo, solicitando os documentos relativos à concessão do referido título, do qual retirei alguns trechos.
Lopo Furtado de Mendonça fez representação a D. Pedro II, Rei de Portugal e Algarves, por conta de um alvará que foi passado para Francisco Barreto, seu sogro.  O alvará é datado de 14 de julho de 1678. Por esse alvará, o Príncipe Sucessor Regente dos Reinos e Senhorios (na época, o próprio D. Pedro, pois o Rei D. Afonso VI, seu irmão, era incapaz), reconhecendo o valor, prudência e boa fortuna em que Francisco Barreto, de sua casa, e mestre de campo general do exército de Pernambuco, assistiu na guerra que restaurou a capitania de Pernambuco e as mais circunvizinhas, fez-lhe mercê do "título de conde para seu filho mais velho, se houver, e tendo filha que seja herdeira de sua casa, lhe faço a mesma mercê para a pessoa com quem ela casar, contanto que o casamento será a minha vontade, e esta mercê não terá efeito no filho ou filha senão em casando, e até esse tempo estará em segredo, e não se cumprirá se se descobrir por sua parte".
Após a citação do referido alvará, continua Dom Pedro: "Pedindo-me o dito Lopo Furtado que porquanto o dito Francisco Barreto falecera sem deixar descendência masculina legítima e ficar por sua morte, primogênita de sua casa, Dona Antonia Maria Francisca de Sá, com quem ele Lopo Furtado de Mendonça estava casado de licença e aprovação minha, e como a tal lhe pertencia à mercê do título, lhe mandasse passar carta dele na forma costumada".
E o Rei, pelas habilidades que concorrem na pessoa do dito Lopo Furtado de Mendonça, resolveu: Hei por bem fazer-lhe mercê do título de conde em sua vida, e quero que daqui em diante se chame o Conde do Rio Grande em Pernambuco, e goze com o dito título de todas as honras, preeminências, prerrogativas, autoridades, privilégios, graças, liberdades e franqueza que há e tem, e de que usam e sempre usaram os Condes destes meus Reinos.
Lopo Furtado de Mendonça foi, portanto, o primeiro conde do Rio Grande, D. Alberto Nuno Carlos Rita Folque de Mendonça Rolim de Moura Barreto, 5º Duque de Loulé foi o 2º, e, atualmente, Filipe Alberto Folque de Mendonça é o terceiro.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O primeiro ano da princesa Melina


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Tenho dado preferência, nos artigos sobre Genealogia, aos registros mais antigos do nosso Rio Grande, até para recompor a nossa História, principalmente, por conta da raridade dos documentos e do estado em que eles se encontram. Os documentos mais recentes são de mais fácil acesso. Entretanto, é preciso fazer o elo entre as atuais gerações e as mais antigas. Por isso, resolvi trazer para cá informações sobre minha neta Melina.
João Felippe da Trindade quando casou já tinha 31 anos de idade, seu filho, Miguel Francisco, casou com 30, e meu pai com 40 anos. Parecia que eles queriam retardar suas descendências, talvez na expectativa que mais na frente o mundo seria melhor. Eu, mais apressado, pois do namoro ao casamento não durou nem três meses, casei com 24 anos.
A minha filha mais velha, Alessandra, que tem 40 anos, não pode me dar netos, pois, é especial, muito especial. Miguel Felipe, o segundo, parece seguir o caminho de Miguel Trindade, o avô, que só teve seu primeiro filho com 41 anos de idade. Thiago, o terceiro, e sua esposa Dúcia, só resolveram ter filhos depois de completar seus estudos de pós-graduação. Somente, recentemente, fui contemplado com a primeira neta.
Melina, minha neta, nasceu aos 12 de agosto de 2011, em Natal, filha de Thiago Gomes da Trindade e Dúcia Cosme da Trindade, neta por parte paterna de João Felipe da Trindade e Maria das Graças Gomes da Trindade, e pela parte materna de Dúbel Ferreira Cosme e Lúcia Caldas Cosme, foi batizada, na Capela de São Francisco, da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, pelo Padre Robério Camilo da Silva, aos 14 de Julho de 2012, tendo como padrinhos seus tios, Miguel Felipe Gomes da Trindade, Andréa Lúcia Cosme Lemos e seu esposo Almiro José da Rocha Lemos.
Assim, no próximo domingo, 12 de agosto, Melina vai completar seu primeiro ano de vida. Já diz algumas palavras e está próxima de dar os primeiros passos. Observa detalhadamente cada pessoa próxima dela, como se estivesse querendo conhecê-la melhor. Assim, também faz com cada objeto que vê. Com as árvores procede de modo diferente: fica totalmente absorta, como se estivesse entrando em um mundo de reminiscências. O grande perigo é que as várias escolas do mundo travem as suas capacidades e qualidades.
Seu nome poderia ser Duthia, seguindo a tradição familiar, pois a mãe Dúcia vem de Dúbel e Lúcia; o outro avô, Dúbel, vem de Duclerc e Isabel. Mas, os nomes têm suas ondas e seus momentos. Melina, em grego é: a cortês, a gentil. Espero que assim seja.
O mundo em que ela chegou não é melhor do que aquele em que viveram seus ascendentes. Veja a Grécia da outra Melina (Mercouri), em que situação se encontra. A natureza se manifesta, muitas vezes, de forma violenta. A ciência e a tecnologia trazem algumas facilidades e alguns confortos. Vivemos, aparentemente, mais anos de vida. Mas, pelo que observamos, não há muitas mudanças nas áreas de educação, saúde e segurança. A vida não parece ser mais fácil que a dos nossos ancestrais.
Se alguém fala em mudanças em educação pensa em escola de tempo integral, como se isso fosse resolver.  Passamos mais de dez anos estudando Português e Matemática, incluindo aí uma série de coisas desnecessárias, e não dominamos bem essas matérias. Em Geografia, História, Ciência e outras matérias, não aprendemos o essencial. Hoje, com o acesso mais fácil a internet, mais livros e revistas a nossa disposição, deveríamos nos aprofundar em partes mais essenciais das matérias citadas. Todo ensino deveria partir de dentro para fora. Deveríamos conhecer melhor o que está ao nosso redor e ao longo tempo conhecer as coisas mais distantes.
Há necessidade de uma revolução na saúde deste país. Deveríamos, pelo menos, por um certo tempo, dar maior atenção à saúde. As políticas públicas estão recheadas de coisas supérfluas. A droga deveria ser combatida como se fosse uma nação invadindo nosso país. No passado perdemos tempo combatendo ideologias e nos esquecemos de combater o que mina de verdade as nossas forças e gera muita violência. As religiões se proliferam como sendo um novo comércio.
Quando surge uma campanha eleitoral percebemos de saída, pela composição das chapas para prefeito e vereador, que não haverá mudanças de verdade. O discurso prometido não se coaduna com as práticas. Vejam os carros de propaganda. Todos os candidatos estão rindo. É o começo da mentira, da desfaçatez, e do engodo. Antigamente para se candidatar ao cargo de capitão-mor e outros, os pretendentes tinham que apresentar os feitos de suas vidas. Hoje, os pretendentes tentam destruir os concorrentes.
Melina, espero que as luzes e energias da vida lhe harmonizem com o Universo e que a educação lhe prepare, de verdade, para viver uma vida melhor. Parabéns pelo dom da Vida!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O gesto de Félix Rodrigues Ferreira


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG 

Muitas vezes tenho dúvidas sobre quem são as vítimas nas tragédias do dia a dia: os que ficam ou os que partem? Na tragédia do Rosário, no ano de 1871, as famílias do Major José Martins Ferreira e de Manoel Rodrigues Ferreira ficaram abaladas com o acontecido. Enquanto, José Alves Martins, viúvo, com 40 anos, partiu para eternidade deixando 9 filhos, sendo um com 4 anos de idade, João Rodrigues Ferreira foi para a cidade do Recife. Não sei o que motivou a ação de João Rodrigues, muito menos se ele foi penalizado pela justiça. 

Encontramos no Macauense, que em 7 de agosto de 1886, chegaram procedente de Pernambuco, no Iate João do Vale, do capitão Francisco Honório Canuto, os capitães Joaquim Rodrigues Ferreira, Eufrásio Alves de Oliveira e João Rodrigues Ferreira de Mello. Joaquim Rodrigues Ferreira trouxe em sua companhia os seus sete sobrinhos órfãos, filho de João Rodrigues Ferreira, há pouco falecido na Província de Pernambuco.

Esse João Rodrigues Ferreira nasceu em 1836 e era filho do português Manoel Rodrigues Ferreira e da assuense Izabel Martins Ferreira. Viveram na Ilha de Manoel Gonçalves. Nos nossos registros encontramos o registro de batismo de Carmosina, filha legítima de João Rodrigues Ferreira e Glicéria da Silveira Borges, que nasceu em 26 de março de 1868. Há vários casamentos entre os Silveira Borges e os Rodrigues Ferreira.

Felis Rodrigues Ferreira era irmão de Joaquim Ferreira Rodrigues e de João Rodrigues Ferreira, citados acima.  Ele casou duas vezes. Seu primeiro casamento, do qual não encontramos o registro, foi com Joanna Batista do Sacramento. Desse casamento só localizamos um filho: João Macário Rodrigues Ferreira. Ele nasceu em 2 de abril de 1852, e foi batizado em 15 de abril de 1852, no sítio Xambá, tendo como padrinhos Felis Antonio Medino, solteiro e Izabel Martins Ferreira, viúva.
O segundo casamento de Felis Rodrigues Ferreira foi aos sete de agosto de mil oitocentos e sessenta, na Fazenda Canto Grande, na presença do Padre Felis Alves de Sousa, e das testemunhas Francisco Lins Wanderley, e Pedro Virgulino de Sousa, com Maria Romana de Mello, filha de Antonio Joaquim de Mello, e de Joaquina Francisca de Mello. 

Encontramos alguns irmãos de Maria Romana de Mello: Joanna Francelina de Mello, que casou em 1862 com Eufrásio Alves de Oliveira Junior, na Fazenda Canto Grande; Salvina Francisca de Mello, que casou com Antonio José de Oliveira, na Fazenda Canto Grande, em 1860; Anna Joaquina de Mello, que casou na Fazenda Canto Grande com João Macário Rodrigues Ferreira, filho de Felis e Joanna, em 1874; José Florentino de Mello que casou em 1881, no sítio Malheiros, com Maria Ignácia da Apresentação.

Em 1 de junho de 1898, Félix Rodrigues Ferreira, em casa de residência do coronel Joaquim Ildefonso Virgulino de Sousa, em Macau, fez seu testamento. Instituiu como herdeira universal dos seus bens a esposa Maria Rodrigues de Mello, e como legatários da terça dos seus bens os sobrinhos João Baptista da Silveira e Maria do Carmo da Silveira, filhos do falecido João Rodrigues Ferreira e Glicéria da Silveira Borges. Nomeou como seus testamenteiros Sebastião Rodrigues Ferreira, Vicente Rodrigues Ferreira e o capitão João Rodrigues Ferreira de Mello. Não há menção no seu testamento a qualquer outro filho do primeiro casamento. No dia 10 do mesmo mês e ano, Felis Rodrigues faleceu.
Como vimos acima, João Rodrigues Ferreira e Glicéria da Silveira Borges tinham sete filhos, e esses filhos, possivelmente, já eram maiores de idade. Por isso, ele deve ter deixado sua terça somente para seus sobrinhos ainda de menor idade. Nessa época João Rodrigues da Silveira tinha 14 anos e Maria do Carmo Rodrigues da Silveira, 18 anos. Esses nomes são um pouco diferente dos que aparecem no testamento, mas são os que aparecem depois, quando o tutor deles, capitão João Rodrigues Ferreira de Mello, sobrinho de Félix, pede a liberação, em 1903, dos bens herdados pelos mesmos, por terem atingido a maioridade. D. Maria do Carmo Rodrigues da Silveira foi a segunda esposa de Manoel Carlos de Mello, que tinha enviuvado de Maria do Carmo Rodrigues de Mello.

Não tenho notícias de quando Dona Glicéria morreu. Talvez, tenha falecido pouco depois do nascimento do seu filho João, pelo que se depreende da volta dos sete filhos em 1886, e pelo fato, do dito João ter 14 anos em 1898. João Rodrigues Ferreira não deve ter deixado herança para os filhos, e, por isso, seu irmão tenha resolvido amparar os dois sobrinhos.

O escritor Manoel Rodrigues de Mello era neto de João Rodrigues Ferreira, conforme carta escrita por ele para Ricardo Rodrigues Ferreira. Os pais do escritor, conforme vários documentos encontrados, eram Manoel de Mello Andrade Filho e Maria Rodrigues de Mello.  Essa Maria deveria ser uma das outras filhas de João Rodrigues e Glicéria.

Anda não localizei as notas de Manoel Rodrigues de Mello, que pretendia escrever um livro sobre os Rodrigues Ferreira e outro sobre a História de Macau. Estou examinando alguns documentos que estão depositados no Solar João Galvão, da Fundação José Augusto. 

P.S. - 22 de abril de 2019. Passado algum tempo, tive novas informações sobre familiares de João Rodrigues Ferreira que posto aqui:
Em 5 de julho de 1898, na casa de Maria Libânia da Silveira, Currais Novos, presentes o coronel Cipriano Lopes de Vasconcelos Galvão e Cincinato Benvindo da Silveira, 30 anos, se casaram civilmente João Antônio de Miranda, 36 anos, natural de Macau, residente em Ceará-Mirim, filho de Manoel Antônio de Miranda e de Joana Quitéria da Câmara, e Carmosina Rodrigues da Silveira, de 30 anos, natural de Macau, filha de João Rodrigues Ferreira e de Glicéria da Silveira Borges.
Carmosina Rodrigues Ferreira, branca, nasceu em 26 de março de 1868, filha de João Rodrigues Ferreira e de Glicéria da Silveira Borges, e foi batizada na Fazenda Conceição, Macau, em 11 de julho do mesmo ano, sendo padrinhos Francisco Honório da Silveira Borges e sua mulher Honorina Veloso da Silveira.
Em 30 de julho, em casa de Maria Inácia da Silveira Borges, presentes Francisco Antônio de Miranda, 27 anos, e Cincinato Benvindo da Silveira, se casaram civilmente Samuel Rodrigues da Silveira, 28 anos natural do Assú, filho de João Rodrigues Ferreira e de Glicéria Rodrigues da Silveira, e Maria Silveira de  Carvalho Santa, 18 anos, natural de Touros, residente em Santana do Matos, filha de João Ernesto de Carvalho e de Sofia de Carvalho da Silveira.
João Rodrigues Ferreira e Glicéria Borges da Silveira faleceram em Pernambuco, onde residiam. Após o falecimento de ambos, os 7 filhos foram trazidos de volta para o Rio Grande do Norte, pelo tio, capitão Joaquim Rodrigues Ferreira, em 1886. Em 1941,faleceu Maria do Carmo Rodrigues de Melo, uma das filhas do casal, que era casada com Manoel Carlos de Melo, segundo noticiou o jornal desta capital, “A Ordem”.  Maria do Carmo foi criada pelo tio Félix Rodrigues Ferreira e sua mulher Maria Joaquina de Melo. Nessa data do falecimento eram vivos os irmãos de Maria do Carmo de nomes, João Rodrigues Ferreira, residente em Mossoró, e Maria Rodrigues de Melo, mãe do escritor Manoel Rodrigues de Melo.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Carta de Pedro Avelino para Emygdio Avelino


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Um dos documentos encontrados no Museu José Elviro, em Macau, foi a cópia "Xerox" de uma carta que o Jornalista Pedro Avelino escreveu para seu irmão, o advogado Emygdio Avelino (avô de Gilberto Avelino), sobre a liberdade de um escravo, no ano de 1885. Ela foi emitida em Angicos, em 10 de agosto de 1885.
Emygdio. É portador desta o escravo Pedro, pertencente ao Epiphanio, cunhado de Manoel Câmara, que para aí segue, de acordo comigo, e meus amigos, com o fim único de tratar de sua liberdade em cujo desideratum sofre positiva coação do seu senhor representado pelo mesmo Câmara. O referido escravo tem para isso o pecúlio de 100$000 e sofre de hérnia, mas padeceu ultimamente em inventário a avaliação de 300$000; e é quanto quer sem o menor abate o respectivo senhor. O Manoel Câmara julgando-se, talvez na Sibéria (é o que consigo ler) ou em pleno Jardim blasonou aqui publicamente, já ameaçando o escravo pela sua sorte futura, já atacando com o mais revoltante cinismo e petulância o direito das gentes, privilegiado em sua essência e já ofendendo grosseiramente em seu puro e legítimo melindre esse sentimento altruísta, altamente nobre, humanitário e universal, que hoje marca o característico do povo brasileiro, e faz o apanágio das nações civilizadas. Indigna e mesmo escandaliza ver ou ouvir falar a um escravagista ignorante, e que alimenta sentimentos tão baixos e mesquinhos como o de exercer vingança, munido só de bárbara prepotência, - sobre uma fraca e indefesa vítima da mais monstruosa e cruel tirania de que pode ser capaz o homem, - escravizando, inculcando os sentimentos e aspirações nativas e tantas de uma parte bem importante, mas bem infeliz da espécie humana! É preciso não termos ternura no coração para não sentirmos atraídos e interessados por esses infelizes, especialmente perante cenas puramente escravagistas!
É por esta simples, mas forte razão que me empenho em favor do escravo em questão, pedindo-lhe com muito interesse para você, que se orgulha em desposar a grande causa do abolicionismo, faça em prol do direito deste infeliz o que lhe facultarem seus recursos, e luzes – ponderando ao mesmo tempo em que vivamente lhe agradeço, associando-se a mim os amigos daqui – Deus – e a humanidade.
Sim.  O escravo foi recolhido a deposito com a audiência já marcada pela 2ª feira próxima vindoura, porém sucedendo-se um rapto por Manoel Câmara, manda-me aí o dito escravo para o fim acima declarado, porém se não for, por causa disso, possível tratar-se aí da liberdade do escravo, reitero meu pedido a você para por tudo obter atestado médico, com que se prove o mau físico do escravo, ainda(compreenda!) que este documento seja de duvidosa fé médica, mas que para o caso é um poderoso elemento: afinal muito devo esperar dos seus sentimentos generosos, já bastante conhecidos, e nos quais pouso as minhas esperanças nesta questão – o advogado escravagista é  Menezes! Vai o cavalo de tio Aureliano, que está aqui, para você vir. Nisso fazemos, todos, grande empenho, inclusive Padre Vigário, que neste sentido escreveu pelo escravo ao Padre Tote, e alguém a Elias Souto.
Desejava imenso que você Emygdio aparecesse ainda que não se demorasse, em último caso não podendo vir, mande o cavalo pelo mesmo escravo, e mande-me cópia de requerimento, prevenindo um despacho desfavorável, ou outro qualquer incidente nesta questão, que você melhor do que eu pode prever.
Tio Aureliano pede-lhe para você tomar prestado por poucos dias o violão encordoado do filho de Zeza, ou o de Galdino, e tio Aureliano manda-lhe dizer que esperava encontrar você aqui, porém como infelizmente não encontrou, pede-lhe com urgência para você vir cá que tem negócio sério com você.
Diga-me, que do meu remédio? Pois preciso tanto dele. Adeus. Tome em atenção o que lhe vim de dizer nesta, e disponha da vontade do seu mano e amigo, Pedro Avelino.
P.S. Entenda-se com Tote sobre a questão do escravo. Talvez seja preciso. As cartas vão por seu intermédio.
Esse Aureliano, citado acima, é Aureliano da Rocha Bezerra, nascido ao 16 de junho de 1857, filho de Matheus da Rocha Bezerra e Anna Angélica Bezerra. No seu batismo teve como padrinhos o Padre Vigário Felis Alves de Sousa e a irmã Ana Bezerra da Natividade, mãe de Pedro e Emygdio. Ele nasceu na mesmo ano que a irmã casou. Era um pouco mais velho que Emygdio (1858) e Pedro Avelino (1861). Aureliano faleceu em 12/4/1886, com 29 anos de idade em Macau, pouco menos de um ano dessa carta.
O padre Tote, citado acima, era Antonio Germano Barbalho Bezerra, filho de Antonio Barbalho Bezerra e Ignácia Francisca Bezerra. Fundou a Sociedade Libertadora Assuense a 13 de maio de 1885, com o propósito de libertar os escravos existentes no município de Assú. Foi o seu primeiro presidente. Era irmão do padre Elias Barbalho Bezerra como conta monsenhor Severino Bezerra, em Levitas do Senhor.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Lista de antigos eleitores de Macau, Rn, do 4º Quarteirão


Lista de antigos eleitores de Macau, do 4º Quarteirão
Essa relação encontrada em livros, hoje no Museu José Elviro, contém o nome do eleitor, idade, nome do pai, estado civil, profissão, e ano da qualificação. Brevemente o 6º Quarteirão
1.     Antonio Balsabino Pereira, 25, Felismino Pereira da Silva, solteiro, padeiro, 1890;
2.     Antonio da Silva Sales, 37, Miguel da Silva Sales, casado, marítimo, 1890;
3.     André Ferreira Tetéo, 39, João Teixeira de Barros, casado, marchante, 1890;
4.     Antonio Amâncio de Maria, 57, Felix Peixoto do Espírito Santo, casado, agricultor, 1890;
5.     Antonio de Souza Castro, 51, Antonio de Souza Castro, viúvo, prático, 1890;
6.     Antonio Canuto de Sousa, 26, José Canuto de Sousa, casado, negociante, 1892;
7.     Antonio Ignácio da Costa, 21, Ignácio José da Costa, solteiro, caixeiro, 1892;
8.     Balduino Balbino da Silva, 30, Mathias Francisco da Silva, casado, artista, 1892;
9.     Cassiano José de Oliveira, 58, João Baptista de Oliveira, casado, negociante, 1890;
10. Castor de Oliveira Furrião, 50, José Felix de Oliveira, casado, empr. no Porto, 1892;
11. Emygdio Eneas da Costa, 32, Pedro Nogueira da Costa, solteiro, artista, 1890;
12. Florindo Guedes de Moura, 35, José Antonio de Moura, casado, marítimo, 1890;
13. Floripes Guedes de Moura, 36, José Antonio de Moura, casado, marítimo, 1890;
14. Francisco Alves Guimarães, 23, Pedro Paulo Guimarães, solteiro, caixeiro, 1890;
15. Feliciano Ferreia Tetéo, 40, João Teixeira de Barros, casado, empreg. no Porto,1890;
16. Francisco Rudino, 37, João Rudino, casado negociante,1890, natural da Itália;
17. Geraldo Alves Guimarães, 24, Pedro Paulo Guimarães, casado, negociante, 1890;
18. José Joaquim Correia, 36, José Joaquim Correia, viúvo, marítimo, 1890;
19. João Chrisóstomo Correia, 43, José Joaquim Correia, casado, marítimo, 1890;
20. Joaquim José de Lima, 24, José Joaquim de Lima, solteiro, marítimo, 1890;
21. João Pequeno dos Santos, 40, Francisco Pequeno dos Santos, casado, artista, 1890;
22. José Ventura dos Santos, 26, João Teixeira dos Santos, casado, artista, 1890;
23. Joaquim da Rocha Bezerra, 34, Manoel da Rocha Bezerra, casado, marítimo, 1890;
24. Joaquim Varela Venancio Borja, 68, Policarpo Venancio Borja, casado, empreg. no Porto,1890;
25. José Galvão do Nascimento, 31, Alexandre Galvão do Nascimento, casado, marítimo, 1890;
26. João Estevão de Oliveira, 24, Inocêncio José de Oliveira, solteiro, marítimo, 1890;
27. João Alves Fernandes, 34, João Alves Fernandes, casado, negociante, 1890;
28. Jerônimo de Carvalho Vasques, 56, Domingos de Carvalho Vasques, viúvo, negociante, 1890;
29. Joaquim Maria Venâncio Borja, 37, Joaquim Varella Venâncio Borja, solteiro, negociante, 1890;
30. João Gustavo Moreira, 24, Gustavo Moreira dos Santos, solteiro, marítimo, 1890;
31. José Antonio de Moura, 57, Felipe Guedes de Moura, casado, marítimo, 1890;
32. José Victoriano da Costa Aracaty, 44, Cipriano Ferreira da Silva, casado, artista, 1890;
33. José Cesário das Chagas, 34, Venceslau Bernardo das Chagas, casado, negociante, 1890;
34. Joaquim Antonio de Moura, 26, José Antonio de Moura, solteiro, marítimo, 1890;
35. João Millano Campiello, 23, José Millano Campiello, casado, artista, 1890, natural da Itália;
36. José Teixeira de Barros, 30, João Teixeira de Barros, solteiro, marítimo, 1892;
37. José Ferreira Nobre, 22, Manoel Ferreira Nobre, solteiro, marítimo, 1892;
38. Luis Felis de Sousa, 40, José Felis de Sousa, casado, artista, 1890;
39. Luis Antonio de França, 44, Antonio José dos Santos, casado, marítimo, 1890;
40. Ludgerio, Bernardo de Sousa, 44, Antonio Bernardo de Sousa, casado, marchante, 1890;
41. Luis dos Santos Lima,23, José Victoriano  da Costa Aracaty, casado, artista,1890;
42. Luis Lucas Lins Lopes, 65, Alexandre Lopes Viégas, viúvo, artista, 1892;
43. Manoel Serino Pereira, 26, Felismino Pereira da Silva, solteiro, negociante, 1890;
44. Manoel Ciryaco Dantas, 33, Cosme Ciryaco Dantas, casado, marítimo, 1890;
45. Manoel Jacintho da Fonseca, 25, Jacintho da Fonseca Mello, casado, artista, 1890;
46. Manoel Carlos do Nascimento, 30, João Quirino de Abreu, casado, marítimo, 1890;
47. Manoel Aprígio Rodrigues de Sousa, 46, Cosme Rodrigues da Costa, casado, artista, 1890;
48. Manoel Caetano de Sousa, 49, Manoel Caetano da Costa, casado, negociante, 1890;
49. Manoel Gustavo Moreira, 25, Gustavo Moreira dos Santos, solteiro, marítimo, 1890;
50. Manoel Ferreira Tetéo, 29, João Teixeira de Barros, viúvo, marchante, 1892;
51. Manoel da Circuncisão Queirós, 22, Pedro José Francisco da Hora, solteiro, marítimo, 1892;
52. Manoel Pereira de Sousa, 33, Manoel Joaquim Amereciano, casado, marítimo, 1892;
53. Manoel Barbosa da Silva, 42, João da Silva Borja, casado, catraieiro, 1892;
54. Manoel Barbosa da Silva Filho, 22, Manoel Barbosa da Silva, solteiro, marítimo, 1892;
55. Pedro Rodrigues da Costa, 25, Cosme Rodrigues da Costa, casado, marítimo, 1890;
56. Pedro Getulio de Vasconcelos, 26, Tertuliano Luis de Vasconcelos, solteiro, marítimo, 1890;
57. Pedro José da Silva, 32, José Achilles da Silva, casado, marítimo, 1890;
58. Pedro Francisco de Sousa,32, Francisco Ferreira de Sousa, solteiro, caixeiro,1852;
59. Raymundo Caetano de Sousa, 35, Manoel Caetano de Sousa, solteiro, artista, 1892;
60. Secundes Teixeira de Barros, 52, João Teixeira de Barros, casado, prático, 1890;
61. Thomaz de Sousa Lima, 31, Antonio de Sousa Lima, casado, marítimo, 1890;
62. Thomaz Mendes da Costa, 32, José Mendes da Costa, casado, agencia, 1892;
63. Victor Xavier de Medeiros, 47, João Xavier de Medeiros, casado, artista, 1890;