segunda-feira, 21 de maio de 2012

Notícias de São Romão


Notícias de São Romão
As pesquisas em jornais antigos trazem novas informações sobre nossos antepassados. O site da Biblioteca Nacional está de parabéns ao colocar a disposição do público, na internet, digitalizações de jornais já extintos.
Vejamos duas notícias tiradas do Diário de Natal, do ano de 1909.

Vende-se. No município de Angicos, um sítio excelente de plantar, e criar, com casas, currais, cercados, contendo aguadas permanentes, e muito trato para gados.
Vende-se, no mesmo município gados vacum e cavalar e quem pretender, pode dirigir-se, ao Sr. Miguel Trindade, em São Romão, que fica autorizado a fazer todo negócio.
Natal, 1 de Março de 909. José Anselmo

A esposa de Miguel Trindade, Dona Maria Josefina Martins Ferreira, era prima legítima de José Anselmo. Francisca de Paula Martins Ferreira, mãe de Maria Josefina, era irmã de Maria Ignácia Teixeira do Carmo, mãe de José Anselmo, sendo ambas filha de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Maria Ignácia Rosalinda Brasileira. Encontramos vários registros da Igreja da família de Vicente, em São Romão. Outro detalhe é que meu pai, Miguel Trindade Filho, era afilhado de José Anselmo.

Outro documento é um protesto, na coluna livre do Diário de Natal.
Venho do alto da Imprensa protestar, como protesto, contra o ato arbitrário do Sr. Miguel Baracho de, sem consentimento meu, invadir a minha propriedade, apossar-se de terrenos meus que se achavam cercados há nove anos, sem contestação de quem quer que fosse, demolindo as respectivas cercas, sem respeito ao meu direito, garantido por uma posse ininterrupta de muitos anos e por títulos legítimos, como em tempo os farei. Angicos, 20 de outubro de 1909. Miguel Trindade.

A operação descrédito



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Nós todos, como cidadãos desta cidade do Natal, não podemos deixar de acompanhar, por mais desagradáveis que sejam, as discussões sobre o julgamento das contas municipais do ano de 2008. A operação descrédito orquestrada por sentimentos pessoais não pode prevalecer sobre a lógica, o entendimento, e o conhecimento. Por isso tudo, vamos colocar aqui algumas questões para reflexão dos vereadores da Câmara Municipal de Natal, os fiscais do povo, os legisladores.
Vereadores, por que o parecer do TCE não foi devolvido, para esclarecimento, se ele está incorreto?
Vereador Maurício Gurgel, por que você achou coerente nomear para relator das contas o vereador Enildo se ele é um desafeto do gestor anterior e, portanto, não tem isenção para dar parecer?
Vereador Catarino, por que Enildo não formalizou a denúncia explicitando, um a um, todos os atos considerados irregulares? É possível se responder sobre tantos atos gerados cada um de diferentes processos?
Em 2009, a Administração Municipal se vangloriava de ter despachado mais de 650 processos, o que mereceu de ilustre escriba da nossa terra o seguinte comentário: cada detalhe retrata o passado falsamente moderno e enganador: o Secretário Roberto Lima encontrou e já despachou 650 processos engavetados na pasta da Administração. Era a masmorra dos servidores humildes.
Imaginem o que não se diria da Administração Municipal se aqueles mais de “3.000” atos não tivessem sido providenciados.
Vereador Bispo Francisco, por que a administração que assumiu em 2009 não tornou sem efeito os mais de “3000 atos” da administração anterior, do ano de 2008, se eles eram ilegais e aumentaram a folha? Se a administração que começava estava combalida financeiramente, por que despachou mais de 650 processos?
Vereador Aquino Neto, por que a Câmara Municipal de Natal, em pleno ano eleitoral, aprovou em 2008, mais de 7 leis complementares que beneficiavam os servidores? Por que os fiscais da lei não agiram contra a aprovação dessas leis? Como eles, vereadores, se comportaram diante da TV Câmara, naquela época?
Vereador George Câmara, se as leis complementares aprovadas pela Câmara, em 2008, tinham efeito imediato, e orçamento previsto, por que não se deviam aplicar as alterações previstas naquelas legislações?
Senhores vereadores, por que foi criada a Gratificação Específica de Difícil Execução (GEDE) e o que é a Gratificação Específica de Médico Especialista (GEMESP)? Sabiam que as gratificações de insalubridades são precedidas de laudo pericial?
Vereador Assis de Oliveira, por que os fiscais da lei não agiram imediatamente contra os atos da gestão anterior se tinham disponíveis na Internet, a partir das 22 horas, as edições do Diário Oficial do Município? Houve distração?
Vereador Enildo Alves, por que você insiste em classificar, do ponto de vista da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei Eleitoral, o contrato da administração das Contas da Prefeitura ao Banco do Brasil como operação de crédito, se essa ação administrativa não gerava compromissos financeiros para a Prefeitura, mas ao contrário gerava receitas para o equilíbrio das finanças? As operações de crédito de que tratam as leis citadas, senhor vereador, são aquelas que geram endividamento para o ente que a contrata.
Vereador Edivan Martins, por que a Câmara Municipal aprovou aumento dos subsídios, no início de 2009, para o prefeito, o vice-prefeito e os secretários municipais, comprometendo as finanças da administração que assumia?
Vereador Ney Lopes Junior, por que a Câmara Municipal não se manifesta, de imediato, sobre a retenção de recursos obrigatórios para Educação efetuada pela atual administração?
Vereador Raniere, os repasses da Previdência estão sendo feito regularmente? A hora de verificar é agora, pois o não repasse é apropriação indébita. Além disso, tem que corrigi-los quando enviados fora de época.
Vereador Dickson, você sabia que os enquadramentos, que foram publicados no DOM, seguiam, entre outras coisas, recomendação conjunta da 44ª Promotoria de Justiça da Comarca Natal?
Vereadora Júlia Arruda, as mudanças de níveis dos servidores, que atingiram os requisitos, só deveriam ser dadas depois de 2008?
Vereadora Sargento Regina, se o servidor preencheu os requisitos para incorporar quintos, por que adiar a concessão para 2009?
Vereadores Júlio Protásio e Alberto Dickson, por que as concessões de aumento de carga horária para as áreas de saúde e de educação tinham que esperar a virada do ano se as necessidades eram para 2008? Elas estavam previstas no orçamento de 2008?
Professor Luis Carlos e Franklin, vocês já observaram que as nomeações de concursados são feitas em vagas existentes? Sabiam que os concursos foram homologados em tempo hábil?
Pergunto aos vereadores Lucena e Adenúbio, se a Câmara, como fiscal do povo, já solicitou da Administração Municipal as providências enumeradas pela LRF, para corrigir as despesas de pessoal que ultrapassaram o limite prudencial?
Os atos que constam no Diário Oficial do Município contêm, em sua ementa, a legislação pertinente, e os processos ou ofícios que lhe deram origem. Pelo volume de processos que passavam pela Secretaria de Administração é possível que vários deles tenham erros. Seria preciso examinar um por um para descobrir tais equívocos.
Senhores legisladores, não precisa entender de contas, mas dos atos em si.
O artigo genealógico que preparei sobre Bernardo Pinto de Abreu fica para a próxima semana.






terça-feira, 15 de maio de 2012

Anna Ferreira de Miranda, ascendência em questão



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
No último artigo, neste jornal, traçamos, a partir de informações do testamento de Anna Ferreira de Miranda, a sua ascendência. Pelo referido documento, sabíamos o nome do pai, Manoel Francisco, e o sobrenome da mãe, Paiva da Rocha. Como escrevemos antes, procuramos registros que tinham o nome do pai dela e o sobrenome da mãe. Encontramos, então, Manoel Francisco Rebouças e sua mulher Bibiana de Paiva da Rocha como os mais prováveis pais de Anna. Outras informações nos registros nos levavam a convicção que eram esses os pais dela. Entretanto, um detalhe põe em dúvida tal possibilidade: a idade com que faleceu Anna Ferreira de Miranda. Segundo o registro de óbito, ela tinha cinquenta e seis anos de idade, em 1786. Por isso, o provável ano do seu nascimento seria 1730.
Mas conforme registramos no antigo anterior, Antonio de Paiva da Rocha e Úrsula Ribeiro de Macedo, pais de Bibiana e avós maternos de Anna, contraíram núpcias em 11 de Fevereiro de 1733. Assim Anna teria nascido três anos antes do casamento de seus avós. Como eu já tinha visto muitos erros nos registros de óbitos, tais como os de Antonia da Silva, esposa do capitão Manoel Raposo da Câmara e de Custódia do Sacramento, esposa do sargento-mor Antonio Rodrigues Santiago, imaginei  que fosse mais um equivoco.
Um colega genealogista observou, também,  tal incompatibilidade e aventou a possibilidade de Bibiana ter nascido em 1734, casado em 1749, com a idade de 15 anos, ter sido mãe de Anna em 1750. Com isso Anna Ferreira teria falecido com 36 anos e não 56. Aí tudo se resolveria.
Mas segundo o colega genealogista (ele não permite a sua nomeação), através da Nobiliarquia Pernambucana, Antonio de Paiva da Rocha que foi capitão-mor nesta Capitania, casado com Anna Ferreira (Colaço), tinha um filho de nome Antonio de Paiva da Rocha que casou aqui (com Úrsula Ribeiro). Tinha também uma filha de nome Ângela de Paiva da Rocha que casou com um certo Manoel Francisco. O colega aventa então a seguinte hipótese: Manoel Francisco casou primeiro com Ângela, e daí nasceu Anna Ferreira de Miranda, no tempo certo. Depois, enviuvando, casou com Bibiana, sobrinha da primeira mulher. Isto é, Anna Ferreira de Miranda, não seria neta de Antonio de Paiva e Úrsula, mas de Antonio de Paiva e Anna Ferreira. Continuaríamos no terreno das hipóteses.
Por conta de alguns registros de netos de João Gomes e Anna Ferreira, vimos que eles estiveram em Assu, por um certo tempo, pois alguns filhos nasceram lá, como Alexandre Ferreira, Ana Gomes Carneiro, Antonia e João Gomes.
Tentei mais uma vez examinar o testamento de Anna Ferreira de Miranda, depois de uma foto mais aproximada da parte que fala nos pais dela. Realmente, não se consegue ler o nome da mãe, mas não pode ser Ângela, pois não há nenhuma perna de g para baixo. Quanto ao pai, o sobrenome não parece ser Rebouças, mas algo parecido com Amaro.
Resolvi investigar, então a vida dos seus testamenteiros, em busca de algum detalhe que esclarecesse nossas dúvidas. Eram eles José Rodrigues da Rocha, compadre de Anna, Antonio Rodrigues Santiago, e o sargento-mor Prudente de Sá Bezerra. Todos esses senhores tem vários homônimos parentes, o que torna difícil saber quem era quem. Mas, vejamos os que seriam próximos de Anna Ferreira de Miranda, para situar o tempo em que ela viveu.
Antonio Rodrigues Santiago e sua mulher Ignácia Francisca de Mello casaram em 1773, e foram os pais de Maria Thereza de Mello, que casou com João Gomes Carneiro, filho de João Gomes Carneiro e Anna Ferreira de Miranda, em 4 de novembro de 1800. Foram os pais, também, de Antonia Francisca de Mello, que casou com Alexandre Ferreira, outro filho de João e Anna.
Prudente de Sá Bezerra era irmão de Manoel de Abreu Soares, genro de João Gomes e Anna Ferreira. Manoel casou em 20 de setembro de mil setecentos e oitenta com Anna Maria da Rocha (ou Anna Maria Gomes). A irmã de Anna, Antonia Gomes Carneiro casou com o filho de Manoel de Abreu, Bento Luis, nessa mesma data.
José Rodrigues da Rocha, um dos vários que encontrei, era filho de Antonio de Piava da Rocha e Úrsula Ribeiro, e casou com Izabel Theresa, filha de Prudente de Sá Bezerra e Maria Theresa de Mello.
Examinando mais os registros dessas pessoas, não conseguimos identificar qualquer informação que nos ajudasse a solucionar, por completo, os nomes dos pais de Anna Ferreira de Miranda.
Outro detalhe no testamento, é que Anna Ferreira de Miranda declara que não recebeu dote dos pais. Disse mais, que a dívida deixada pelo marido, João Gomes Carneiro, foi toda paga por ela, pois os filhos não contribuíram com as suas partes.
Assim, vamos aguardar outras informações para descobrir os nomes completos dos pais de Anna Ferreira de Miranda.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Os ascendentes de Anna Ferreira de Miranda


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Os testamentos trazem, muitas vezes, informações que não encontramos nos registros da Igreja. Por isso, são importantes como documentos auxiliares da Genealogia. Muitos deles já se acham com partes comprometidas, mas é possível se extrair algumas preciosidades ou curiosidades. Isso, no futuro, poderá ajudar outros pesquisadores. Vejamos o caso do testamento de Dona Anna Ferreira de Miranda, viúva do Lisboeta, João Gomes Carneiro, cuja descendência se espalha por vários lugares deste Rio Grande do Norte e se entrelaça com várias das nossas famílias, entre elas  Abreu Soares, Araújo Pereira, Rocha Pita, Xavier da Cruz, Rodrigues Santiago,  Gomes Carneiro e tantas outras.
No seu testamento feito em 24 de Maio de 1786, já acamada de tísica, declarou que era natural da Freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres de Goianinha, onde foi batizada. O documento está muito estragado, mas por ele se vê que seu pai se chamava Manoel Francisco, e sua mãe tinha o sobre nome Paiva da Rocha. O sobrenome do pai está ilegível, e nem era Ferreira, nem Miranda.O nome da mãe não é mais possível ler.
Fomos procurar, nos nossos bancos de imagens, todas as pessoas com nome Manoel Francisco e todas as que tinham como sobrenome Paiva da Rocha. Com a ajuda da informática, isso é mais fácil hoje em dia.
As coincidências podem nos pregar uma peça, mas teríamos que buscar um bom número de informações. Um primeiro registro que encontramos nos dá as primeiras pistas.
Eram muitas as pessoas com o nome de Manoel Francisco. Uma das imagens trazia na sua nomeação, Manoel Francisco Barbosa. Abrimos o documento e lá tinha o batismo de Josefa, outro registro, também, difícil de ler, pois a tinta que usaram atravessava o lado do papel, misturando os registros da frente e os do verso. Mas, dava para ver que os avós paternos de Josefa eram Manoel Francisco Rebouças e Bibiana de Paiva da Rocha. Quando registrei aquela imagem, anteriormente, escrevi Barbosa no lugar de Rebouças. Assim, fui com mais precisão em busca dos Rebouças. São muitos, também, mas a pesquisa ia se refinando. Encontramos o casamento de um irmão de Dona Anna Ferreira de Miranda que transcrevemos para cá. É um registro simples, sem as naturalidades das pessoas.
Aos dezoito de agosto de mil setecentos e oitenta e nove às onze horas do dia, na Capela de Santa Ana do Ferreiro Torto, assistiu ao matrimônio que entre si contraíram juxta tridentinum os nubentes supra (deveria ser infra) José Rebouças de Paiva, filho legítimo de Manoel Francisco Rebouças, já defunto, e de Bibiana de Paiva da Rocha, com Anna Rosa de Jesus, filha de Thomé de Sousa de Jesus, e de Josefa Maria Filgueira, o Padre Manoel Antonio de Oliveira, de licença minha, e presente as testemunhas Manoel Antonio da Cunha Calheiros e (Fulano) Gomes de Castro, moradores na Freguesia de São José que assinaram o assento que veio; e logo lhes deu as Santas Bênçãos na forma do Ritual Romano, de que mandei fazer o presente assento em que, por verdade, me assino. Pantaleão da Costa de Araújo.
Precisaríamos de mais registros para, por aproximações sucessivas, como usamos na matemática, confirmar os pais de Dona Anna Ferreira de Miranda. Encontramos o batismo de José, que casou acima. Nele vamos encontrar os pais de Manoel Francisco e os de Bibiana.
José, filho legítimo de Manoel Francisco Rebouças, natural desta Freguesia, e de Bibiana de Paiva, natural da Freguesia de Nossa Senhora do O' de Papary, neto por parte paterna de José Rebouças e Ângela das Neves, naturais desta Freguesia, e pela materna de Antonio de Paiva da Rocha, e de Úrsula Ribeiro, natural de Papary, Freguesia de Nossa Senhora do O', nasceu aos três de outubro do ano de mil setecentos e sessenta, e oito, e foi batizado com os santos óleos, na Capela de São Gonçalo do Potigi, de licença minha, pelo padre Miguel Pinheiro Teixeira, aos vinte e sete de novembro do dito ano, foram seus padrinhos José Rodrigues da Rocha, solteiro, e Bernarda de Araújo, mulher do sargento-mor Rodrigo Álvares. De que por impedimento meu mandei lançar este assento, em que por verdade me assino, Pantaleão da Costa de Araújo.
Manoel Francisco era irmão de Salvador Rebouças de Oliveira, pelo que vimos dos batismos dos filhos deste último. Nos ditos documentos de batismos consta que os pais deles eram o Capitão José Rebouças de Oliveira, natural de Igarassú, e Ângela das Neves, natural da Freguesia de São Pedro de Olinda, portanto, avós paternos de Anna Ferreira de Miranda.
Os avós maternos de Anna, Antonio de Paiva da Rocha e Úrsula Ribeiro de Macedo, casaram em 11 de fevereiro de 1733, na Capela de Nossa Senhora do O'. Ele filho de Antonio de Paiva da Rocha e Anna Ferreira (Velosa?); ela filha de Amaro Dias Moreira e Martha Francisca de Macedo.
Anna Ferreira de Miranda, que morreu no dia 27 de maio de 1786, poucos dias depois de fazer seu testamento, disse que tinha sete filhos do seu casamento com João Gomes Carneiro. Cita apenas Maria Gomes, João Gomes Carneiro, que foi casado com Maria Theresa de Mello, filha de Antonio Rodrigues Santiago e Ignácia Francisca de Mello, e Francisco, que morreu pouco antes dela, em 17 de maio de 1786.  Outros filhos de Anna e João Gomes, citados em outro artigo, eram Anna Maria Carneiro que foi casada com Manoel de Abreu Soares; Antonia Gomes Carneiro, que foi casada com o filho deste último, Bento Luis Gomes de Mello; Alexandre Ferreira que foi casado com Antonia Francisca de Mello, irmã de Maria Theresa de Mello, acima; e Joanna Gomes Carneiro, da qual não obtive maiores informações.
Dia 10 de maio, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, às 19:30, promovido pelo INRG, tem palestra de Anderson Tavares sobre velhos troncos de Macaíba.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A filha de João Machado de Miranda e Rogério de Olanda



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
As informações genealógicas, muitas vezes, se escondem e reaparecem em outros momentos. A partir de um batismo, encontrei mais uma tia-pentavó, irmã do meu pentavô Antonio Dias Machado, lá de Utinga. Vamos conhecê-la através do batismo encontrado, já com algumas correções. Alguns Holandas do Rio Grande do Norte descendem dela.
Joachim, filho legítimo de Rogério de Olanda, natural da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Várzea, e de sua mulher Anna Maria (da Conceição), natural, e moradores ambos desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, neto por parte paterna de Mascal  Pires e Branca da Costa, naturais da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Várzea, e por parte materna de João Machado (de Miranda), e de sua mulher Leonor Duarte (de Azevedo), naturais desta Freguesia; foi batizado com os Santos Óleos aos quatro de abril de mil setecentos e sessenta e dois anos, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, desta dita Freguesia, pelo Reverendo Padre Lourenço Gracy de Mello, de licença minha; foram padrinhos Manoel Rodrigues Santiago, solteiro, e Dona Custódia do Sacramento, viúva, fregueses e moradores todos desta Freguesia; e pela certidão que veio do dito Reverendo Padre, fiz este assento em que por verdade, me assinei. João Freyre de Amorim.
A Capela de Nossa Senhora do Rosário da Várzea data de 1612. Hoje ela é Matriz com a mesma invocação, em Várzea, bairro de Recife. Na Igreja Matriz há uma placa que informa que foi sepultado, em 1648, o bravo Dom Antonio Filipe Camarão, governador dos Índios, que com seus arcos e flechas, defendeu a fé e a pátria contra o batavo inimigo. Escavações recentes, na sacristia, demonstram que os mortos das duas batalhas de Guararapes foram enterrados lá, nessa Igreja. Esse sobrenome Olanda, talvez venha dessa época.
Joachim, que se tornou Joaquim de Olanda Machado, casou aos dezoito de dezembro de 1803, na Capela da Senhora Santa Anna, do Engenho Ferreiro Torto, onde eram moradores, com Maria José da Conceição, natural da Paraíba, filha de André Dias Sargado e Francisca Antonia. Foram testemunhas o tenente-coronel Manoel Álvares Correa, viúvo, e João de Araújo Correa, casado.
A irmã de Joaquim de Olanda Machado, de nome Antonia Maria de Olanda, casou no dia treze de janeiro de 1774, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, com Manoel Pereira de Jesus, filho de Lino das Chagas Ferreira e de Agostinha Moreira, naturais da Freguesia de São José, da Capitania do Rio Grande. Estavam presentes como testemunhas o capitão Francisco da Costa de Vasconcellos e o sargento-mor Lourenço de Góis de Vasconcellos, solteiros. Nessa época o pai de Antonio, Rogério de Olanda, já era falecido, pois seu óbito ocorreu aos vinte e cinco de outubro de 1763, pouco tempo depois do nascimento de Joaquim. Era morador do Sítio Várzea.
Outra filha de Rogério e Anna Maria, de nome Fidélis Maria de Santa Anna, casou em 17 de junho de 1767, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, com Pedro Coitinho de Mattos, filho de Jorge de Mattos Camelo e de Dona Maria do Prado, sendo natural da Freguesia de Taipú, da Paraíba, tendo como testemunhas Joaquim de Morais Navarro e Manoel Álvares Correa.
Vejamos alguns netos de Rogério de Olanda e Anna Maria da Conceição, que encontramos até agora.
Manoel, filho de Pedro Coitinho e Fidélis, nasceu em 7 de maio de 1768, tendo sido batizado, por necessidade, no mesmo dia por João de Araújo, tendo em dois de junho recebido os santos óleos, na Capela de Jundiaí. Seu casamento, já com o nome de Manoel Coitinho de Mattos, foi aos 19 de maio de 1801, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, com Anna Maria, filha natural de Ignácia Maria, escrava de Salvador Maria da Trindade, sendo presentes, como testemunhas, o alferes Antonio José Luiz e Alexandre da Circuncisão, ambos casados.
Pedro, filho de Pedro Coitinho e de Fidélis, nasceu aos 30 de janeiro de 1776, tendo sido batizado aos dois de abril, do mesmo ano, tendo como padrinhos Antonio Rodrigues Santiago, solteiro, e Córdula Rodrigues, filha de Victoriano Rodrigues.
Adrianna, filho de Pedro Coitinho e de Fidélis, nasceu ao 4 de fevereiro de 1773, foi batizada na Capela de Jundiaí aos 29 de junho do dito ano, sendo seus padrinhos Bento do Rego Bezerra, e Bernarda Correa de Araújo, mulher do sargento-maior Rodrigo Álvares Correa.
Bernarda Correa, Antonio Rodrigues Santiago, Salvador Maria da Trindade, Manoel Álvares Correa, João de Araújo Correa, Manoel Rodrigues Santiago, que aparecem acima, são descendentes de Estevão Machado de Miranda e Antonio Vilela Cid, mártires de Uruassú. Dona Custódia do Sacramento era casada com o sargento-mor Antonio Rodrigues Santiago, outro descendente dos mártires. Córdula (ou Córdova) Rodrigues era bisneta de João Machado de Miranda. Há uma forte ligação dos meus hexavós, João Machado de Miranda e Leonor Duarte de Azevedo, com a família dos mártires. Não encontrei, ainda, o elo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Casamento de Dona Adelaide Emília de Miranda Henriques

Aos dezessete de julho de mil oitocentos e trinta e três, em casas de residência do Excelentíssimo Presidente Manoel Lobo de Miranda Henriques, dispensado os proclamas por despacho dos Reverendíssimos Governadores do Bispado, precedendo uma justificação de solteiro, dado por ambos os nubentes, por despacho do Reverendo Vigário Geral; pelas sete horas da tarde em minha presença, se receberam por palavras de presente o Doutor Antonio de Cerqueira Carvalho da Cunha Pinto Junior, e Dona Adelaide Emília de Miranda Henriques, naturais da Cidade da Bahia, e moradores nesta do Natal: o nubente filho de Antonio Cerqueira Carvalho da Cunha Pinto, e de Dona Maria Marcelina Marques de Carvalho, já falecida, e a nubente, filha legitima de Manoel Lobo de Miranda Henriques e de Dona Anna Norberta de Miranda Henriques; e receberam as Bençãos segundo os ritos da Santa Igreja, sendo testemunhas o mesmo Presidente Manoel Lobo, e José Fernandes Carrilho, casados, e moradores nesta cidade: do que fiz este termo que assinei. Antonio Xavier  Garcia de Almeira, Vigário Interino

terça-feira, 17 de abril de 2012

2008. Eu estava lá

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Sem sair da Genealogia e impaciente com as discussões sobre as contas municipais de 2008, resolvi me manifestar. O vereador Enildo Alves acusa seu parente Carlos Eduardo, ambos trinetos de José Alves Martins (meu tio bisavô), de milhares de ilegalidades em 2008, citando, entre elas, as gratificações concedidas nesse dito ano. Eu era Secretário de Administração da Cidade do Natal nessa data, e, por isso, cabe, da minha parte, alguns esclarecimentos, pois era o responsável pela elaboração das portarias.
A Lei de Responsabilidade Fiscal e a legislação relativa ao ano eleitoral de 2008 não vieram para estancar a administração, mas sim para regrar o comportamento dos dirigentes com relação ao último ano do mandato e à própria eleição.  Um exemplo disso são os concursos públicos. Se eles forem homologados antes de uma data limite, do próprio ano eleitoral, fica permitida a contratação durante o referido ano sem problemas. Outro exemplo são as incorporações concedidas às Secretárias Municipais Ana Míriam (descendente direta do meu trisavô, Vicente Ferreira Xavier da Cruz) e Elequicina Santos, servidoras de carreira da Prefeitura. As incorporações estão previstas na legislação municipal, inclusive na Lei Orgânica Municipal. Eram direito delas.
Mais ainda, não se deixa de conceder gratificações, previstas em lei, aos servidores, durante o ano eleitoral. As gratificações de servidores municipais, por conta da burocracia de Secretarias Municipais, grandes como a de Saúde e de Educação, têm tramitação lenta.
Muitas dessas gratificações do ano de 2008 eram de servidores da Saúde que deveriam ter tido suas gratificações concedidas há mais tempo, como, por exemplo, insalubridade e produtividade. Muitas delas só chegaram a Secretaria de Administração no segundo semestre. Nós fizemos um esforço muito grande para examiná-las a fim de que fossem concedidas o mais rápido possível, pois eram direitos líquido e certo dos mesmos servidores. Poderíamos ter concedido muito mais, mas não houve tempo hábil para examiná-las.
Outra questão que se levanta com muita frequência é com relação às contas da Prefeitura. Durante anos anteriores, a administração pública brasileira pagava para que os bancos mantivessem suas contas. Depois se procurou bancos que cobrassem menos para manter tais contas. Isso evoluiu, posteriormente, para alguns benefícios materiais para os governos municipais ou estaduais. Com a disputa acirrada entre os bancos públicos, caminhou-se para as consultas, onde se escolhia os bancos que dessem alguma contrapartida financeira.
A Prefeitura, antes dessa polêmica toda, teve um contrato com a Caixa Econômica Federal para ficar com suas contas, sem contestação de ninguém. Aí em 2008, chegou o Banco do Brasil oferecendo mais vantagens. Em princípio, o Prefeito não se interessou, pois a Caixa era o Banco através do qual vinha o dinheiro de vários projetos do Governo Federal. Mas, com as vantagens do Banco do Brasil, o Prefeito resolveu estimular as disputas entre esses dois bancos públicos. Por fim a melhor vantagem foi do Banco do Brasil. A Prefeitura, não podia se dar ao luxo de rejeitar, pois tinha dificuldades de receitas e muitas obrigações para honrar, principalmente, porque a contrapartida financeira era dento do exercício fiscal. Uma das cláusulas que me opus, nessas negociações, era a obrigação dos servidores fazerem seus empréstimos consignados apenas com o Banco do Brasil. Esse contrato não foi anulado pela administração que se seguiu. Muitas instituições públicas continuam vendendo suas contas para bancos, neste país. Não precisam da autorização da Câmara.
Com relação à Previdência, alertei o Prefeito sobre a impossibilidade de mexer nas suas contas, mas, infelizmente, o Prefeito entendia que podia fazer esse "empréstimo" para sanar dificuldades em setores essenciais para o funcionamento da Prefeitura. A Prefeitura devolveu o dinheiro que sacou, com juros e correções, segundo as taxas que ele deveria receber se estivesse aplicado, dentro do mesmo ano.
Com relação ao Parque da Cidade, ele não foi inaugurado várias vezes como dizem, mas sim, teve inaugurações de setores específicos daquela localidade. Uma obra como aquela não se faz de uma vez só. É como nossa Fortaleza dos Reis Magos, foram anos e mais anos para chegar ao estágio que está hoje.
Várias partes do Parque poderiam permanecer servindo a população, e tão somente aquelas contestadas pelos órgãos de fiscalização é que deveriam ser interditadas. Enildo, por que não devolveram o Parque ao povo até agora?
Outro ponto que chamo a atenção é que o prédio onde funcionava a Secretaria de Administração, Controladoria e Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente, comprado ao Banco do Brasil, passou por uma reforma, com dinheiro financiado, e hoje está abandonado. Por que senhores vereadores?
Enildo é um bom médico, mas politicamente não se comporta de forma política ou técnica, mas puramente pessoal. Está se tornando um tatafóbico.
Discordo da forma como Carlos Eduardo tem respondido a essa polêmica, mas concordo com Metello quando disse que: a paciência quando muitas vezes ofendidas se solta em desatino e loucura.
Cito, também, o capitão J. da Penha que escreveu no seu livro, O espiritismo e os sábios: "A verdade é, para mim, a única razão de ser de nossos ideais. Não sou dos inclementes na punição de nossas fraquezas, mas considero uma das mais puníveis, deixar deliberadamente que a mentira se combine com a tinta para a ocupação caligráfica do papel.
Transmitir a nossos semelhantes ideias deturpadas pela hipocrisia, antolha-se-me uma das mais requintadas vilezas da consciência.
Rebuçar com o vigor do colorido, a intensidade da imagem, a ductilidade da forma de um paramentoso estilo, a sinceridade a nos escapar da pena, é exercitar-se num dos mais repugnantes jogos da inteligência".
O TCE procedeu de forma correta. Os representantes do povo, pela obrigação que tem de conhecer a legislação, devem proceder da mesma forma.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Isabel Gondim, Nísia Floresta e Miguelinho


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Muitos dos nossos ancestrais chegaram ao Rio Grande do Norte há mais de 300 anos. Outros estão aqui desde o início do século XVI.
Quando a viúva Maria da Conceição de Barros fez seu testamento, em 24 de dezembro de 1766, disse que era natural da nova Freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres da Vila de Extremoz, onde foi batizada, sendo filha de Manoel Rodrigues Coelho, e de sua mulher Izabel de Barros, ambos defuntos. Disse mais que foi casada com Francisco Pinheiro Teixeira, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação.
Examinando os documentos mais antigos de batismos da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, encontramos que Maria da Conceição Barros foi batizada em 8 de dezembro de 1694, na Igreja de São Miguel da Aldeia de Guajiru (Extremoz), pelo Padre João de Mattos, da Companhia de Jesus,  tendo como padrinhos o sargento-mor Manoel de Abreu e Maria das Neves. Outros filhos do capitão Manoel Rodrigues Coelho e de sua mulher Izabel de Barros, que aparecem nesses registros são: Ana, batizada em 21 de outubro de 1691; Francisco, em 12 de agosto de 1697; e Manoel,em 23 de abril de 1705. Em alguns outros documentos aparece como madrinha uma filha do casal de nome Paula.
Outra informação contida nos documentos, citados acima, dá conta que em 1710, Dona Maria da Conceição de Barros já era casada com Francisco Pinheiro Teixeira, e batizaram o filho Leonardo em 1711. Francisco Pinheiro Teixeira chegou ao nosso Rio Grande junto com os irmãos Padre Manoel Pinheiro Teixeira e José Pinheiro Teixeira, sendo eles originários de Arrifana de Sousa, Portugal. José Pinheiro Teixeira casou com Maria da Conceição de Oliveira filha do Provedor da Fazenda Real, Manoel Gonçalves Branco, e de Dona Catarina de Oliveira.
No seu testamento Dona Maria da Conceição diz que não houve descendência dos seus filhos Padre José Rodrigues Pinheiro e de Gonçalo Pinheiro. Inclui como herdeiros um filho do seu filho Manoel Pinheiro, já falecido, e os filhos de Leonardo Pinheiro, também falecido. Entre os filhos vivos, cita a viúva Francisca Antonia Teixeira (que foi casada com o lisboeta Manoel das Neves de Oliveira); Tecla Rodrigues, mulher de Francisco de Sousa e Oliveira; Bernardo Pinheiro; Anna Maria da Conceição, casada com o sargento-mor Manoel Antonio Pimentel de Mello; o padre Miguel Pinheiro Teixeira; Antonia Maria da Conceição, casada com o tenente-coronel Felipe Barbosa Tinoco; Francisco Pinheiro Teixeira; e Ignácio Pinheiro.
Alguns dados genealógicos a seguir foram extraídos dos livros de Arisnete Câmara sobre Isabel Gondim, de Adauto Câmara sobre Nísia Floresta, de Câmara Cascudo e Hélio Galvão, com algumas correções.Vejamos agora relação do casal Francisco Pinheiro Teixeira e Dona Maria da Conceição com Nísia Floresta e Frei Miguelinho.
Frei Miguelinho (Miguel Joaquim de Almeida Castro) era filho de Manoel Pinto de Castro, natural do Bispado de Penafiel (um dos testamenteiros de Dona Maria da Conceição) e de Francisca Antonia Teixeira, neto pela parte materna de Francisco Pinheiro Teixeira e Dona Bonifácia Antonia de Mello. Portanto, Miguelinho era bisneto de Francisco Pinheiro Teixeira e Dona Maria da Conceição de Barros.
Nísia Floresta (Dionísia Gonçalves Pinto), por sua vez, era filha de Dionísio Gonçalves Pinto e Antonia Clara, neta materna de Bento Freire de Revoredo e Mônica da Rocha Bezerra. Mônica era filha de Mônica Borges da Rocha Bezerra e de Leonardo Pinheiro (Coelho). Portanto, Nísia era trineta de Francisco Pinheiro Teixeira e Dona Maria da Conceição de Barros. Essa Mônica Borges era filha de Julião Borges e Mônica da Rocha Bezerra. Há registro sobre Julião e Mônica, como padrinhos, em 1705.
Dona Bonifácia Antonia de Melo e Manoel Antonio Pimentel de Mello, citados acima, eram irmãos, filhos de Estevão Velho de Mello e Joanna Ferreira de Mello. Uma filha de Manoel Antonio e Anna Maria, com o mesmo nome da mãe, Anna Maria da Conceição, casou com João Damasceno Xavier Carneiro, que quando enviuvou se tornou padre. No registro de casamento de João Damasceno, ele é dado como filho natural do Provedor da Fazenda Real, Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim. Não aparece o nome da mãe no registro de casamento, mas surge no batismo de seu filho, Joaquim (foi padre, também), de 19 de janeiro de 1785. Ela era Ignez Ritta de Mello Monteiro. Aliás, no artigo que fizemos sobre a intriga do Provedor Antonio Carneiro com o Padre Feliciano Dornelas, noticiamos que Dona Maria da Apresentação, domiciliária no Sertão de Panema, esposa do Provedor acima, em 1783 tinha encaminhado para D. Maria I, solicitação de provisão contra seu marido para libelo de divórcio. Não sei se houve regularização da relação de Antonio Carneiro com Dona Ignez, pois eles foram pais, também, de Ignácia Ignez  Gondim que foi casada com José Ignácio  Marinho Gomes. Do último casal nasceu Clara Monteiro de Mello, que foi casada com José Ignácio Borges que geraram Isabel Deolinda de Mello Albuquerque Gondim que casou com Urbano Egydio da Silva Costa, pais da Professora Isabel Urbana de Albuquerque Gondim.
As professoras e escritoras Isabel Gondim e Nísia Floresta nasceram em Papari (hoje Município de Nísia Floresta). Frei Miguelinho nasceu em Natal. A localidade de Olho d'Água de Onça em Pernambuco teve seu nome alterado e hoje é o município de Frei Miguelinho

terça-feira, 3 de abril de 2012

Gonçalo José Barbosa e os sobrenomes diferentes



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do INRG e do IHGRN
Muitas vezes as pessoas não compreendem porque, em suas famílias do passado, vários irmãos tinham sobrenomes diferentes. Sempre acham que era desleixo por partes dos pais. Entretanto, depois de pesquisar várias famílias, descobri que na verdade eles tentavam dar continuidade aos sobrenomes dos seus ancestrais no lugar de ficar repetindo o mesmo por várias gerações.
Francisco Xavier da Cruz e Lourença Dias da Rosa tiveram os seguintes filhos que detectei: Miguel Francisco da Costa Machado, Vicente Ferreira Xavier da Cruz, Joaquina Maria de Santa Ana, Mathildes Quitéria da Cruz e Gonçalo José Barbosa. Para confirmar essas relações de parentesco de gente com sobrenomes diferentes tive que utilizar várias informações paralelas, pois, ou não tinha o casamento deles ou quando tinha, não havia a informação dos pais. Para essas pessoas acima, utilizei a árvore de Jacob Avelino, documento de 1949, as informações de meu pai, e o casamento de Gonçalo José Barbosa. Neste caso, de onde surgiram esses sobrenomes? As mulheres, em sua maioria, tinham nomes religiosos; Miguel Francisco herdou Costa do avô paterno, João Barbosa da Costa, e Machado do avô materno, Antonio Dias Machado; Gonçalo ficou com Barbosa do avô paterno, citado acima; Vicente carrega o Xavier da Cruz do próprio pai. Uma curiosidade na descendência de João Barbosa da Costa e Damásia Soares é que os sobrenomes Ferreira e Melo, que não aparecem nos filhos, surgem, posteriormente, em vários descendentes, nas mais variadas combinações, entre elas Ferreira Barbosa, Costa Ferreira, Ferreira da Costa e,  Costa e Melo, . Possivelmente havia um Ferreira e um Melo nos ascendentes de João Barbosa da Costa ou de Damásia Soares. O desaparecimento dos livros mais antigos do Assú criou dificuldades para todos os genealogistas da região.
Mais vamos escrever um pouco sobre Gonçalo José Barbosa. Quando estava pesquisando minha família estranhei a presença dele nos eventos religiosos da minha família, pois desconhecia que era irmão de dois bisavós meus, Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Miguel Francisco da Costa Machado
Gonçalo casou três vezes. O registro de casamento dele, em 29 de setembro de 1828, em Santana do Matos, com Maria Francisca das Virgens, dá conta que ele ficara viúvo de Francisca Ritta, de quem não tive maiores informações. Maria Francisca era filha de João Paes e Francisca Xavier. Houve dispensa de segundo grau de consanguinidade atingente ao primeiro, denunciando parentesco com a nubente. Com os sobrenomes reduzidos na forma acima, ficou difícil descobrir como se dava esse parentesco.
Aos 13 de Fevereiro de 1831, de novo viúvo, ele volta a casar, na mesma Matriz de Santana do Matos. Vejamos esse registro na íntegra.
Aos treze dias do mês de fevereiro de mil oitocentos e trinta e um, nesta Matriz de Santa Ana do Mattos, pelas onze horas da manhã, tendo precedido as canônicas denunciações sem impedimento, confissão, comunhão, e exame de doutrina cristã, ajuntei em matrimônio, e dei as bênçãos nupciais aos meus paroquianos Gonçalo José Barbosa, e Marianna Rosa da Silva, naturais e moradores nesta Freguesia, ele viúvo, por falecimento de sua mulher Maria Francisca, e filho legítimo de Francisco Xavier da Costa, e de Lourença Dias, já falecida, ela filha legitima de João de Barros Silva, e Jerônima Francisca da Costa, sendo testemunhas Francisco Xavier de Sousa, e Francisco Sales Sidrim, casados, desta Freguesia; do que para constar fiz este assento, que com as ditas testemunhas assino. João Theotonio de Sousa e Silva, Francisco Xavier de Sousa, Francisco de Sales Sedrinho.
Às vezes os nomes nos registros não batiam com as assinaturas, como ocorreu no caso acima.
 É nesse documento que surgem os nomes dos pais de Gonçalo: Francisco Xavier da Costa (na verdade da Cruz) e Lourença Dias (da Rosa). Os registros nem sempre são fiéis ou completos com relação aos nomes dos personagens presentes neles.
Alguns filhos de Gonçalo e Marianna, que encontrei, tinham, também, diversidades de sobrenomes, a saber: Antonio Francisco Xavier da Costa casado com Anna Joaquina Xavier da Costa; Lourença Silvério Xavier da Costa casada com Alexandre Francisco da Silva Bastos; Luiz Antonio Brasileiro casado com Anna Rosa da Silva; Januário Xavier de Menezes casado com Francisca Xavier da Silva; Francisco Xavier de Oliveira Bello casado a primeira vez com Rita da Natividade Xavier da Costa, e a segunda com Francisca Ritta Xavier de Maria; José Alves Xavier da Silva casado com Francisca Emiliana Xavier de Melo;  Rita Silvina Xavier da Costa casada com Alexandre Xavier da Costa; e João Xavier da Costa casado com Teresa de Jesus Xavier da Silva.
Nos filhos do casal, Gonçalo e Marianna, é possível ver de onde vem os sobrenomes de alguns, mas de outros não.  Oliveira, Brasileiro, Melo e Menezes de onde surgiram?

segunda-feira, 26 de março de 2012

O Conde que arribou na Ilha de Manoel Gonçalves

conde Maurício Augustus, Conde de Benyowsky

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG

Na Penny Cyclopaedia of the Society for the Diffusion of Useful Knowledge, encontramos as seguintes informações: Mauritius Augustus, Conde de Benyowsky, magnata húngaro, nasceu em Worbuena ou Verbowna, domínio hereditário de sua família no condado de Nittria no reino da Hungria, no inicio do ano de 1741 (outros dão seu nascimento como em 20 de setembro de 1746). Era filho de Samuel Conde de Benyowsky, um general da cavalaria no serviço do Imperador da Áustria, e de Rosa, baronesa de Revay.
Na sequência, a dita enciclopédia relata grande parte das aventuras do Conde, com base, principalmente, no livro intitulado Memórias e Viagens de M. A. Conde de Benyowsky, escrito por ele mesmo. Uma das informações importantes para nosso artigo é que, segundo a enciclopédia, ele partiu de Baltimore para o Porto de St. Augustine, na costa leste de Madagascar, em 25 de outubro de 1784, no navio que foi chamado de Intrepid. Devido à gravidez de Madame Benyowsky, o conde deixou sua família na América. A viagem, desde o principio foi lenta e azarada. No inicio de janeiro de 1785, o Intrepid chegou à costa do Brasil, de onde Benyowsky escreveu a última carta que seus amigos tenham recebido. Cerca de um mês depois o navio encalhou na Ilha de Juan Gonçalves (na verdade Ilha de Manoel Gonçalves, como veremos), e não foi antes de abril que ele saiu em boas condições de navegabilidade. Benyowsky partiu, então, pelo Atlântico em direção ao continente Africano.
É no projeto Resgate Barão do Rio Branco, projeto ultramar da UFPE, que vamos encontrar o sumário do que aconteceu com o Navio Intrepid que arribou na Ilha de Manoel Gonçalves.
Em 27 de maio de 1785, o governador da Capitania de Pernambuco, José Cesar de Menezes, enviou ofício ao Secretário de Estado da Marinha e Ultramar, Martinho de Mello e Castro, encaminhando o sumário abaixo, e seus complementos.
"Nas praias de Manoel Gonçalves, distrito da Capitania do Rio Grande do Norte, arribou em princípios de janeiro, próximo pretérito, o navio americano denominado Intrépido, comandado por Lucas David, e mandando eu pelo Doutor Provedor da Fazenda Real da dita Capitania praticar as diligências, que em tais casos determina o Régio Alvará, de cinco de outubro de mil setecentos e quinze, satisfez com o sumário, que ponho com esta na presença de Vossa Excelência, do qual se mostra que saindo o dito navio de Baltimore para o Cabo da Boa Esperança, e Madagascar, por causa dos ventos e correnteza das águas, e também por falta de água e lenha, arribara ao mencionado distrito, de donde continuou sua viagem depois que proveu do necessário; e não fez comércio algum enquanto ali se deteve".
Para praticar as diligências, acima referidas, foram para Ilha de Manoel Gonçalves as seguintes pessoas: Provedor Doutor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim; Escrivão Antonio José de Sousa e Oliveira; Meirinho da Real Fazenda, José Ribeiro da Silva; o seu escrivão João Cardoso Batalha; os oficiais nomeados pelos capitães-mores interinos da Capitania José Barbosa Goveia, militar, Antonio da Rocha Bezerra, vereador mais velho, a saber: o sargento José da Costa Pereira, Comandante da Tropa paga, por não haver outro oficial maior, na dita tropa; o mestre carpinteiro Francisco da Rocha; o mestre calafate Alexo Silva.
Na Ilha de Manoel Gonçalves foram tomados os muitos depoimentos dos tripulantes e passageiros, que praticamente contaram a mesma história relatada no sumário. Entre eles, depoentes, estavam o Conde, já citado acima, várias mulheres, e o comandante na Ilha, José Pereira Vas Botelho. Em síntese, disseram que o navio saiu de Baltimore para o Cabo da Boa Esperança e Madagascar, no início de outubro, mas as correntezas e os ventos dificultaram a viagem. As correntezas levaram para os baixos do Cabo de São Roque, mas não puderam contorná-lo. Por conta da dilatação da viagem, começou a faltar tanto água, como lenha. Procuraram avistar terras para suprir suas necessidades, chegando ao Cabo de Tubarão. Tentaram fazer reparo e o provimento das necessidades fora da Barra, sem intenção de entrar nela. Usaram bandeiras para se comunicar com uns pescadores que estavam numa jangada próxima ao Navio Intrepid. Entretanto, eles fugiram. Mas no outro dia, apareceu um português que subiu no navio e se ofereceu para levar para mais próximo da terra, pois seria melhor para provimento de água e lenha. Mas, o navio encalhou em um banco de areia, aumentando as avarias. Com dez pessoas e duas bombas não conseguiram conter o volume de água que entrava a cada hora cinco pés ou sete palmos. Tiveram que jogar ao mar cinco peças, vários mastros, paus e outros objetos. Para escaparem, o General (conde de Benyowsky) e vários passageiros saíram em um Escaler para a terra. Na Ilha de Manoel Gonçalves pediram auxílio ao capitão mandante José Pereira Vas Botelho, 50 anos, capitão da Cavalaria Auxiliar do Regimento da Ribeira do Assú, residente naquelas praias,  que acudiu, em vista do perigo, e mandou um prático, outro português, para entrar na Barra, onde estavam agora consertando o navio.
Informou, o Conde sobre o material encontrado no navio, que tudo era dele, depoente, que levava para as suas fábricas de açucares, e aguardente, como caldeira de cobre, e ferro, bacias do mesmo; moinhos vários, alguma pólvora, espingarda de caçar para negócio, e uns pretos da África; tijolos para alguma obra, e cal. O Conde fez seu depoimento em Latim que foi vertido no português, e assinou com o Ministro nomeado Antonio Carneiro.
Nas suas credenciais constava, entre outras, como Conde do Sacro Romano Império a Benyowsky, magnata do Reino da Hungria e da Polônia, Comendador da Ordem da Águia Branca, Cavalheiro da Ordem Real Militar de São Luiz, Camarista de Sua Majestade Imperial e General maior da mesma Majestade.

Assinatura posta no depoimento na Ilha de Manoel Gonçalves, Costa do Rio Grande do Norte, em 1785

Vídeo: Pajuçara 360 - Fábio Arruda de Lima, genealogista - TUDO NA HORA - O portal de notícias de Alagoas

 Fábio Arruda é um dos maiores conhecedores dos Engenhos do Nordeste e grande genealogista.
Veja a entrevista dada por ele.

Vídeo: Pajuçara 360 - Fábio Arruda de Lima, genealogista - TUDO NA HORA - O portal de notícias de Alagoas

domingo, 25 de março de 2012

The Courtly Lives - Maurycy August Beniowski

O Conde esteve no Rio Grande do Norte, precisamente, na Ilha de Manoel Gonçalves, por acaso, em virtude de ventos e correntes de água. Ele saiu de Baltimore com destino a Ilha de Madagascar. Teve que fazer uma parada para abastecer de água e lenha. Veja um pouco da vida desse Conde.

The Courtly Lives - Maurycy August Beniowski

segunda-feira, 19 de março de 2012

O batismo de José Georgino Alves de Sousa Avelino

Theodorico Bezerra, Presidente Juscelino e Senador Georgino Avelino

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG

Todos os documentos que pesquisei sobre o Senador Georgino Avelino, até agora, informavam que ele nasceu no dia 31 de julho de 1888. Durante minhas pesquisas, nos livros de batismos de Angicos, não encontrei o referido assento. Supus em alguns momentos que ele pudesse ter se batizado em outra Freguesia.

O Jornalista Pedro Avelino e Maria das Neves Alves de Sousa, pais de Georgino, casaram em 27 de outubro de 1885, ele com 24 anos e ela com 20 anos. Nas proximidades do citado nascimento de José Georgino, o batismo que encontrei foi de sua irmã Maria (possivelmente Maria Albertina Leite), cujo registro transcrevo abaixo.

Aos 4 de janeiro de 1888, nesta Matriz, batizei solenemente a Maria, natural desta Freguesia, sendo padrinhos José Francisco Alves de Sousa e sua mulher Maria Ignácia Alves da Silva (Sousa), nascida a 4 de dezembro de 1887, e filha legítima de Pedro Celestino da Costa Avelino e Maria das Neves Alves Avelino, livres, brasileiros, moradores nesta Freguesia, do que mandei fazer este assento, em que assino. O Vigário Felis Alves de Sousa.

Os padrinhos de Maria eram seus avós maternos. Lembramos que Dona Maria das Neves era irmã do capitão J. da Penha e de José Anselmo.

Recebi de um neto do Senador Georgino Avelino, o Professor George Avelino Filho, pesquisador da Fundação Getulio Vargas, uma biografia extraída do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, do Centro de Pesquisa e Documentos de História Contemporânea do Brasil, da dita Fundação, onde também se repetia a mesma data de nascimento para o Senador.

O tempo foi passando sem que o mistério tivesse se resolvido. Afonso Bezerra Sobrinho, que encontrei no município de Afonso Bezerra, tinha uma cisma que Georgino tinha nascido em Carapebas. Mas mesmo assim, o registro de batismo deveria ter ocorrido em Angicos.

Há poucos dias, ordenando algumas cópias de registros de batismo com o intuito de fotografá-las, encontrei o registro do nosso personagem, que transcrevo para cá.

Aos 5 de setembro de 1886, nesta Matriz, foi, de minha licença, solenemente batizado pelo Reverendo Cônego Antonio Eustáquio da Silva, José, natural desta Freguesia, sendo seus Padrinhos eu – Felis Alves de Sousa, Vigário da Freguesia, e Anna da Natividade Bezerra, nascido aos 31 de julho do dito ano, e filho legítimo de Pedro Celestino da Costa Avelino, e Maria das Neves Alves Avelino, livres, brasileiros, meus fregueses: do que mandei fazer este assento em que assino. O Vigário Felis Alves de Sousa.

O Vigário Felis Alves de Sousa era tio-bisavô de José Georgino pela parte materna. Dona Anna da Natividade Bezerra era filha de Matheus da Rocha Bezerra e Anna Angélica; casou com Vicente Maria da Costa Avelino. Daí nasceu Pedro Avelino. Era portanto, avó de José Georgino Alves de Sousa Avelino.
Dessa forma fica corrigida para todo o sempre a data de nascimento do Senador Georgino Avelino. A imagem do batismo de Georgino Avelino foi postada no blog  http://putegi.blogspot.com.

Você já ouviu falar em Natalópolis, Conde do Rio Grande, no capitão-mor Antonio Fernandes Furna, e no donatário Manoel Jordão? Conheça tudo isso no blog acima.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Natalópolis, já ouviu falar neste nome?


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor de Matemática da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Durante as pesquisas sobre o capitão-mor do Rio Grande, Manoel de Abreu Soares, surgiram muitas outras informações que eu desconhecia. Algumas delas necessitam dos documentos comprobatórios para atestar sua validade, mas como elas vão se repetindo em diversos autores e na internet, trago para esse espaço para conhecimento de todos e uma discussão maior.
Vicente Lemos escreveu no seu livro sobre os capitães-mores do Rio Grande: tinha D. João IV doado nesse mesmo ano (1654) uma parte do território do Rio Grande a Manoel Jordão, do qual não chegou a tomar posse, por ter naufragado na ocasião do desembarque (Coreografia Brasílica de Ayres do Casal, tom. 2º, pag. 185. Thomaz Pompeu, Geografia Geral, 4ª edição.
Câmara Cascudo, no livro História do Rio Grande do Norte, estranhando, disse de Manoel Jordão: de quem desconheço vida e feitos justificativos da mercê de D. João IV, autor de tão curiosa forma de agradecimento aos seus vassalos norte-rio-grandenses.
Júlio Gomes de Senna, no livro Ceará-mirim, exemplo nacional, acrescenta que Aires do Casal quando registrou esse fato, chamou Natal de Natalópolis.
Gottfried Heinrich Handelmann, no livro História do Brasil, traduzido pelo IHGB, e publicado pelo MEC, escreveu: Nos anos 1654-1656 fez o Rei D. João IV doação da capital, Natal, com suas dependências, a Manoel Jordão; porém, quando esse donatário aqui chegou para tomar posse, naufragou a sua embarcação à entrada, no Rio Potengi, ele próprio pereceu, e os seu feudo reverteu à Coroa. Mais tarde elevou o Rei D. Pedro II esta mesma terra à categoria de condado, em favor de Lopo Furtado de Mendonça (1689), resta saber, contudo se com esse título, conde do Rio Grande, acaso estava ligado algum direito de posse, pois não se falou mais nisso.
Júlio Gomes de Senna, no livro citado acima, comenta que o titulo de Conde foi inicialmente para Francisco Barreto de Menezes que passou para sua filha Antonia, e esta por intermédio do casamento, para o seu esposo Almirante Lopo Furtado de Mendonça.
Na internet encontro que Felipe Alberto Folque de Mendonça, um dos pretendentes ao Reino de Portugal, se intitula 3º Conde do Rio Grande.
Encontro através da internet pessoas com o nome de Manoel Jordão. Desconfio que Aires do Casal juntou pedaços de histórias para construir essa sobre a doação de D. João IV. Quanto ao condado, resta saber se esse Rio Grande era o nosso.
Em um de seus artigos em Velhas Figuras, Cascudo diz: Vicente Lemos acreditava que a primeira nomeação de Vaz Gondim para o Rio Grande do Norte tinha sido em janeiro de 1656. Parece ter sido muito antes. Em 8 de abril de 1657, o Governador Geral do Brasil, Francisco Barreto de Menezes, o vencedor de Guararapes, informa a Vaz Gondim: com esta remeto a V. M, patente para continuar no exercício desse posto. Se a nomeação fosse de 1656 não era possível aparecer essa patente, no ano seguinte, mandando continuar no exercício. O prazo mínimo de governo era de três anos. Expirado o prazo legal e o Governador mandava o Capitão-mor continuar. Em 7 de abril de 1659, o mesmo Governador Geral oficiava ao Senado da Câmara do Natal, comunicando que Vaz Gondim continuava na administração. O Senado da Câmara havia solicitado a permanência do capitão mor pelos excelentes trabalhos que havia empreendido.
Continua Cascudo. Governara de 1654 a 1656, de 1657 a 1659 e fora a pedido do Senado da Câmara, reconduzido para 1660-61-62. Ficou até 5 de Dezembro de 1663.
Hélio Galvão, entretanto, diz que para o Rio Grande o primeiro capitão-mor despachado foi Antonio Fernandes Furna (nomeado por carta de 6 de junho de 1654,  parente de Calabar, mas pelo visto de fidelidade provada à causa brasileira. Diz mais adiante, que substituiu-o em princípios de 1656, Antonio Vaz Gondim.
Com relação a esses capitães-mores é possível que todos estejam parcialmente certos e, talvez, as datas de governo sejam diferentes, como também o tempo dos mandatos. Era um período de reconstrução, após a saída dos holandeses. Pode ter acontecido o seguinte: Veio Antonio Fernandes Furna por conta da nomeação em 1654; depois, na sequencia, assumiu Manoel de Abreu Soares, por conta da nomeação de 1656, tendo governado por pouco tempo; Em seguida veio Antonio Vaz Gondim, tendo começado no fim de 1656 ou no começo de 1657, e durado mais de seis anos, nessa sua investidura.
Com relação a esse Antonio Fernandes Furnas, encontramos nos documentos sobre pagamento de tropas, aqui no Rio Grande do Norte,  anotações sobre um filho dele de nome Luiz de Sousa Furna. Ele foi socorrido com pagamento em dois períodos: de 12/10/1729 até 27/8/1731 e de 27/8/1731 até 26/8/1733.

terça-feira, 13 de março de 2012

Uma sesmaria, quase esquecida, para Manoel de Abreu Soares

Dentro do meu projeto de reconhecimento do capitão-mor desta Capitania que foi Manoel de Abreu Soares, noticio aqui mais um documento sobre esse ilustre potiguar, uma sesmaria que quase não é incluida, por esquecimento dos copistas.

No livro das sesmarias, editado pela Fundação Vingt-un Rosado e Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, parte da Coleção Mossoroense, encontramos a seguinte Nota: Ao fazer a conferência geral das cópias e depois de encadernadas, verifiquei que os copistas omitiram esta data, que agora copio e dou numeração intercalada. Jm Ignácio.
A dita sesmaria recebeu o número 3A. Copiamos para cá o trecho inicial da sua petição: O capitão Manoel de Abreu Soares, morador nesta Capitania do Rio Grande que ele tendo seu gado e família para ajudar a povoar a dita Capitania e lhe faltam terras para o poder fazer, e porque tem servido à Majestade há vinte e seis anos contínuos nestas guerras de que até agora não tem recebido mercê alguma, e porque na Ribeira de Goiana estão umas terras que ficaram por falecimento de Francisco Teixeira, morador que foi desta Capitania, de que não ficaram herdeiros, as quais terras partem pelo rio Jacú acima ficando da banda norte o rio O...
A data dessa sesmaria é  16 de maio de 1660.