terça-feira, 23 de setembro de 2014

Do inventário amigável de Francisco José Soares




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
    Dizem os abaixo assinados Luiz Cândido Maciel de Brito, herdeiro inventariante, Manoel Xavier da Cunha Montenegro e Onofre José Soares, também como herdeiros, que, tendo falecido ab-instestato, no dia vinte e cinco de maio do corrente ano de mil oitocentos e setenta e dois, nosso sogro e pai Francisco José Soares, deixando três filhos legítimos, Onofre José Soares, Dona Antonia Francisca Soares de Brito, casada com o primeiro nomeado Luiz Cândido Maciel de Brito, e Dona Maria Francisca Soares Montenegro, casada com o segundo nomeado Manoel Xavier da Cunha Montenegro, todos maiores de 21 anos, e conseguintemente isentos de forma de juízo, por isto temos justo e contratado entre nós de fazermos amigavelmente o inventário e partilha dos bens deixados pelo dito nosso falecido sogro e pai; a fim de que seja afinal julgado por sentença, e para este fim nos louvamos nos senhores: Enéas Barbalho Ferreira do Carmo, Francisco da Silva Bastos para avaliadores dos bens que forem descritos em dito inventário amigável e no senhor Idalino Abílio Pinheiro Monteiro para o escrever; os quais achando-se presentes aceitaram  esta nossa louvação prometendo-nos proceder com inteireza e conforme em suas consciências entendessem, e passamos assim a proceder a descrição e avaliação como nos cumpre sobre os mencionados bens, e declaramos, em tempo, que nos louvamos no herdeiro Luiz Cândido Maciel de Brito para inventariante, o qual aceitando a louvação presente descrever os bens pertencentes ao monte de nosso sogro e pai, havendo-se no desempenho de suas respectivas funções com todo zelo, inteireza e retidão; o que tudo para constar se lavrou o presente termo em que assinam o inventariante, herdeiros e avaliadores. Povoação de Guamaré, 14 de agosto de 1872. Eu Idalino Abílio Pinheiro escrivão louvado o escrevi. Luiz Cândido Maciel de Brito, Manuel Xavier da Cunha Montenegro, Onofre José Soares, Francisco da Silva Bastos, Enéas Barbalho Ferreira do Carmo.

    No inventário, entre as terras descritas, salientamos: Fazenda Carauzinho; lote de terras no Riacho Camurupim, comprada a João Leandro; meia légua de terras, no Sítio Fazenda Nova para o Guajiru; um lote de terras no Sítio Lagoa da Ilha, no Rio Salgado, da Freguesia da Vila de Angicos, comprada a Manoel Vieira da Costa (este, irmão de dois tetravós meus, Agostinha Monteiro de Sousa e Vicente Ferreira da Costa e Mello do O’); um lote de terras no Sítio Canafístula, comprada a Clara Gomes da Silveira; lote de terras na Freguesia de Angicos, no Sítio Assenon, comprada a Alexandre Francisco Pereira Pinto; lote de terras na Fazenda e Sítio Assenon, comprada a Gonçalo Pereira Pinto.

    Francisco José Soares, o inventariado, desposou Izabel Joaquina da Hungria, na capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré, em 21 de julho de 1830, ele, filho de Manoel José Soares, falecido, e Felipa Maria de Jesus, ela, filha de João Francisco dos Santos e Gertrudes Gomes da Silveira, sendo testemunhas o padre José Berardo de Carvalho e Venâncio José da Silva. Em 11 de agosto de 1833, foi batizada na Capela de Guamaré, Antônia, branca, filha de Francisco José Soares e Isabel Joaquina da Hungria, naturais de Extremoz, tendo como padrinhos Venâncio José Rodrigues, casado, e Gertrudes Gomes da Silva, viúva.

    Manoel Xavier da Cunha Montenegro, que nasceu e foi batizado, em 1836, tendo como padrinhos Diogo Velho Cardoso e Catarina de Sena Flora Cavalcante, ambos casados, se casou com Maria Francisca Soares, em 25 de novembro de 1857, na capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré, sendo ele filho de Francisco Xavier da Cunha e Izabel Rodrigues de São Tiago, e ela de Francisco José Soares e Izabel Francisca Soares (os nomes sempre variando de registro para registro), sendo testemunhas Onofre José Soares e Francisco Xavier da Cunha Montenegro (irmão do noivo).

    Em 4 de julho de 1881, em oratório privado na Fazenda Conceição da Mata, residência do tenente-coronel Onofre José Soares, foi realizado o casamento de Onofre José Soares Filho e Maria Francisca Soares Montenegro, com dispensa de parentesco de 2º grau. Embora não constassem os nomes dos pais dos nubentes, sabemos, pelo grau de parentesco (primos legítimos), que ele era filho de Onofre José Soares e Maria do Carmo do Amor Divino, e ela de Manoel Xavier da Cunha Montenegro e Maria Francisca Soares. O registro informa que ele era de Touros, e ela de Macau.

    Luiz Cândido Maciel de Brito nasceu em 9 de julho de 1831, filho do português, de Ponta de Lima, Arcebispado de Braga, Freguesia de Rifogis, Antonio Maciel Pereira de Brito, e Izabel Clara de Macedo, e foi batizado aos 16 do mesmo mês e ano, tendo como padrinhos José Antonio Pereira Maciel de Brito e Antonia Maria de Bastos, da Freguesia de Una, por procuração que apresentaram José Luiz de Araújo Picado e Ana Jacinta Miquelina, solteiros. Do casamento dele, com Antonia Francisca Soares, encontramos, apenas, a filha Izabel, nascida em 8 de maio de 1855,  e batizada aos 14 de agosto do dito ano,  em Guamaré,  tendo como padrinhos Antonio Cândido Maciel de Brito, solteiro, e Severa Francisca Soares, solteira. Este Antônio Cândido Maciel de Brito, irmão de Luiz Cândido,  nasceu aos 27 de agosto de 1833, e foi batizado aos 3 de setembro dito ano, na Matriz do Assú, tendo como padrinhos Jerônimo Cabral Pereira de Macedo, casado, morador em Santana do Matos, por procuração sua que apresentou João Luiz de Araújo Picado, casado, e Maria do Ó de Faria, viúva. Em 10 de novembro de 1834, nasceu João Cândido Maciel de Brito, que foi batizado na Matriz do Assú, aos 23 do mesmo mês e ano, tendo como padrinhos Gonçalo Lins Wanderley e Francisca Xavier de Macedo, ambos casados. Maria, filha de Antônio Maciel e Isabel Clara, nasceu aos 8 de fevereiro de 1845, e foi batizada, aos 12 de abril do dito ano, sendo padrinhos por procuração de Justino Pereira de Faria e Mariana de Faria Bertoleza o senhor Pedro Soares de Macedo e a senhora Ana Teresa de Jesus.

    Lá nos alistamentos eleitorais de Macau do ano de 1906, aparece Luiz Cândido Maciel de Brito, de 50 anos, morador em Barreiros, filho de outro do mesmo nome.
 
    Francisco, branco, filho de Onofre José Soares e Maria do Carmo do Amor Divino, nasceu aos 9 de março de 1847, e foi batizado aos 28 de abril do dito ano, na Capela de Guamaré, tendo como padrinhos Francisco José Soares e Isabel Joaquina Soares; Joana, filha de Onofre e Maria do Carmo, nasceu aos 24 de junho de 1843, e foi batizada aos 16 de julho do dito ano, sendo padrinhos Nossa Senhora da Conceição e Pedro Antônio da Silva, casado, morador em Touros.

P. S. Atualizando nossas informações, vamos inserir a imagem do casamento do pai de Luiz Cândido. Antônio Maciel Pereira de Brito, de 23 anos, com Isabel Clara de Macedo, de 26 anos, em 29 de janeiro de 1828. Em 28 de novembro de 1876, no Estreito, Francisco Cândido Maciel de Brito, filhos de Antônio Maciel Pereira de Brito e Isabel Clara, ambos falecidos, se casou com Maria de Leonarda Bezerra Cavalcante, filha de Leonardo Bezerra Cavalcante, falecido, e Isabel Senhorinha Bezerra Cavalcante, presentes Antônio Soares de Macedo e o capitão Joaquim Bezerra de Araújo Cavalcante.

casamento de Antônio Maciel Pereira de Brito

Capa do inventário de Francisco José Soares



terça-feira, 16 de setembro de 2014

Manoel Jerônimo Caminha Raposo da Câmara


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
De posse de algumas informações do inventário de Manoel Jerônimo Caminha Raposo da Câmara, podemos recompor parte da sua ascendência e descendência. 

No dia 17 de março de 1884, José Irineu da Costa Pinheiro Filho compareceu à casa de residência do Juiz de Órfãos, Doutor Fábio Cabral de Almeida, como procurador de sua sogra, viúva Francisca Xavier Professora, de sua esposa, Maria dos Milagres Raposo da Câmara, e do seu cunhado, filho órfão de maior (20 anos), Domingos Maria Raposo da Câmara, para prestar juramento do inventário do seu sogro, Manoel Jerônimo Caminha Raposo da Câmara.

Os nomes que aparecem aqui mudam a cada registro. Por volta do ano de 1862, muitas pessoas acrescentaram, ao nome, a palavra Maria, inclusive o próprio Manoel Jerônimo, que faleceu em 27 de janeiro de 1878.

Manoel Jerônimo era filho de Francisco de Borja Soares Raposo da Câmara (falecido em 1857, com 64 anos) e Anna Francisca dos Milagres (neta do tenente Antonio Lopes Viegas). Casou, no ano de 1855, na Matriz de São José de Angicos, com Francisca Xavier Professora, filha de Miguel Francisco da Costa Machado e Anna Barbosa da Conceição, tendo como testemunhas José Teixeira de Souza e João Felippe da Trindade. Este último era meu bisavô e era casado com Francisca Ritta Xavier da Costa, irmã de Francisca Professora.

Nesse mesmo ano 1855 nascia a primeira filha do casal, Maria, que teve como padrinhos o avô paterno, Francisco de Borja e a avó materna Anna Barbosa; no ano de 1856, nascia Miguel, que teve como um dos padrinhos o avô materno Miguel Francisco da Costa Machado; em 1859, nasceu Francisco, que teve como padrinhos Cândido Soares Raposo da Câmara e Maria Florência Raposo da Câmara, solteira, ambos do Assú, mas esse filho  faleceu em  1861, de garrotilho, com 2 anos de  idade; João, outro filho,  nasceu em 1873 e teve como padrinhos José Gomes de Amorim e Dona Anna Maria da Conceição, viúva. Em 1862, faleceu outra Maria, com 1 ano de idade, de estupor. Deve ter nascida em 1861. Na época do inventário, só dois filhos restaram do casamento de Manoel Jerônimo com Francisca Professora.

A madrinha acima, Maria Florência, que era irmã de Manoel Jerônimo, casou, em 1867, com o viúvo Joaquim Varella Venâncio Borges; José Gomes de Amorim, também padrinho em um desses batismos, viúvo de Ana Clarinda Soares de Araújo, casou, em 1866, com Luisa de França Raposo da Câmara, filha de Manoel Felippe Raposo da Câmara (natural de São José) e de Henriqueta Leocádia Raposo da Câmara (irmã de Manoel Jerônimo). Anna Maria da Conceição, irmã de Francisca Professora e viúva, nessa época, do meu tio-bisavô Manoel Jacinto da Trindade, casou posteriormente com Manoel Olímpio Dantas Cavalcanti, filho de Michaela Cândida, outra irmã de Manoel Jerônimo.

Manoel de Borja Raposo da Câmara, irmão de Manoel Jerônimo, casou com Umbelina Maria do Espírito Santo, irmã de Francisca Professora.

José Irineu da Costa Pinheiro Jr., genro de Manoel Jerônimo, era filho de José Irineu da Costa Pinheiro e Dona Josefa Cândida de Azevedo. Sua irmã Maria Irineia foi casada com Emygdio Avelino e, portanto, era primo legítimo de Edinor Avelino.

Pelos editais de proclamas, encontro, no ano de 1891: quer casar civilmente o cidadão Domingos de Borja Raposo da Câmara, filho de Manoel Jerônimo Raposo da Câmara e Francisca Xavier Professora, solteiro, com Maria Segunda de Souza Monteiro, filha legítima de Antonio Monteiro de Souza (Jr.) e sua mulher Maria Jacintha da Trindade, solteira. Os contraentes são naturais e moradores nesta Freguesia de São José de Angicos. 

Maria Segunda era bisneta, pela parte paterna, de Mathildes Quitéria Xavier da Cruz e de Joaquina Maria de Santa Anna, ambas irmãs de Miguel Francisco da Costa Machado, pai de Francisca Xavier Professora. Pela parte materna era neta de Anna Francisca da Trindade, irmã de meu bisavô, João Felippe da Trindade.

Câmara Cascudo, no artigo sobre o advogado José de Borja, escreveu: Um irmão de José Borja era Manoel Jerônimo Raposo da Câmara, casado com d. Francisca Xavier, avós da professora Herondina Raposo da Câmara Caldas de inesquecível  dedicação educacional, casada que foi com Perceval de Faria Caldas. Na verdade, Herondina era filha de Domingos de Borja Raposo da Câmara e de Maria Segunda de Souza Monteiro, e seu marido era João Perceval de Faria Caldas. Um dos filhos desse casal é o escritor Fabiano Cristiano Raposo da Câmara de Faria Caldas.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Luiz Carlos de Souza Miranda e mais gente de Aguamaré.



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Alguns inventários encontrados, em alguns Fóruns (muitas vezes pessimamente armazenados), já estão incompletos. Mas juntando um pedaço daqui e outro dali podemos estabelecer alguns elos genealógicos, descobrir alguns sítios e fazendas, e captar algumas peculiaridades das famílias.

Em 28 de julho de 1906, Luiz Carlos de Souza Miranda fez seu testamento declarando que era natural da povoação de “Aguamáre”, pertencente ao município de “Macáo”, criador e residente nessa mesma povoação, filho legítimo de André de Souza Miranda e Silva e de Joaquina Maria da Transfiguração, ambos falecidos; declarou, ainda mais, que tinha 69 anos de idade e, que era casado com Maria Francisca de Mello, de cujo leito teve os seguintes filhos: Nicolau Tibúrcio de Souza Miranda, Luiz Carlos de Souza Miranda Filho, André Corsino de Souza Miranda e Josefa de Souza Miranda, solteira, e morando em sua companhia.

Nas suas disposições testamentárias escreveu: Não obstante o muito amor que consagro por igual a todos os meus filhos, atendendo aos grandes serviços prestados à minha pessoa por meu filho André Corsino de Souza Miranda, e podendo dispor, como me faculta a lei, da minha terça, lego a este meu filho, dentro da minha terça, cinquenta braças de terra e casa de taipa e telha, no lugar denominado Lagoa de Baixo, deste município, começando a terra da cacimba do gado para o poente até alcançar os coqueiros plantados pelo meu filho André, passando este legado aos meus netos, filhos de André, caso este faleça primeiro do que eu.

Luiz Carlos faleceu aos 30 de março de 1916, de congestão cerebral, na idade de 78 anos, no lugar Ponta d’Água, conforme o inventário que foi precedido pelo testamento acima.

André de Souza Miranda e Silva e Dona Joaquina Maria da Transfiguração, pais de Luiz Carlos, contraíram núpcias em 28 de junho de 1835, em Guamaré, sendo ele filho de José Vicente do Carmo e Romana Maria dos Impossíveis, e ela, viúva de José Antonio de Lima (falecido, em 12 de maio de 1832), e filha de Joaquim Álvares da Costa (pessoa notável da região) e Catharina Maria do Espírito Santo. André faleceu em 1851, com 44 anos de idade, sendo sepultado na Matriz de Angicos.

Um filho de José Vicente e Romana, portanto irmão de André, de nome Miguel Ferreira dos Anjos (em alguns registros, Ferreira do Carmo), casou em Touros, aos 10 de julho de 1837, com Rita Córdula do Sacramento, irmã do meu trisavô Francisco Xavier Torres Junior. Em 1849, viúvo de Rita Córdula, aparece um Miguel Ferreira dos Anjos (com o acréscimo Pirá) casando com Maria José Duarte. Mas, já em 1851, Miguel Ferreira do Carmo batiza uma filha, de nome Maria, cuja mãe era Joanna Claudina Lopes Viegas. Foram padrinhos o major Vicente Ferreira Barbosa e Francisca Clara Barbalho Bezerra.

Miguel Ferreira do Carmo faleceu aos 20 de maio de 1881, tendo deixado, segundo seu inventário, quatro filhos: Enéas Barbalho Ferreira do Carmo, 31, casado com Salustiana Cabral de Faria; Maria dos Anjos Ferreira do Carmo, 30, casada com Joaquim Porfírio de Oliveira; Miguel Ferreira do Carmo Filho, 26, casado com Maria Laura Cabral de Faria; e Francisco Alfredo Ferreira do Carmo, 18 anos. Este último faleceu em 1886, solteiro.

É importante salientar, para evitar equívocos que possam gerar transferência de currículo, que existiu outro André de Souza Miranda e Silva, que casou, em Porto de Touros, no ano de 1840, com Perpétua Gomes de Castro e Silva, ele com 25 anos e ela com 22 anos. Assim, o pai de Luiz Carlos deve ter nascido por volta de 1807, enquanto o marido de Perpétua, por volta de 1815. Acredito que esses dois eram parentes e, talvez, o nome comum venha de algum ascendente de ambos.

A família de Luiz Carlos se entrelaçou com a de Cassiano Martins da Silva, lá de Barreiras, como podemos ver da relação dos filhos deste, apresentada no seu inventário, em 15 de outubro de 1900, por Dona Izabel Maria da Conceição, viúva do dito Cassiano, como segue.

Izabel Martins de Miranda, casada com André Corsino de Souza Miranda; e Joanna Martins de Miranda, casada com Luiz Carlos de Souza Miranda Filho, residentes em Guamaré, ambos os maridos filhos de Luiz Carlos de Souza Miranda, nomeados já acima.

Outros filhos casados foram: João Cassiano da Silva; Anna Maria Martins de Miranda, casada com Antonio Lucas de Farias; Maria Amélia da Silva, casada com José Ferreira da Silva; Cassiano Martins da Silva Filho, casado com Anna Martins da Silva; Maria da Glória Martins Borges, casada com Guilherme Sophnes Adolpho Borges; Maria Martins Prazeres Bastos, casada com José da Silva Bastos.

Dos solteiros temos: Emília Martins da Silva, de 24 anos; Felisberta Martins da Silva, de 23; Maria Martins da Silva, de 20 anos; Manoel Cassiano da Silva, de 17 anos; João Martins da Silva, de 15 anos, residentes no Sítio Barreiras. Paulo Martins da Silva, de 22 anos.

É importante, para a reconstituição da nossa História, que os inventários mais antigos sejam, imediatamente, digitalizados. 
Guamaré


óbito de José Vicente do Carmo

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O óbito do capitão Manoel da Silveira Borges

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

O capitão Manoel da Silveira Borges faleceu de ferida cancerosa no rosto, conforme seu atestado abaixo




Você sabe quem é ele?

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Hoje, meu amigo e primo, Jocildo, descendente dos Torres e Avelino, me presenteou com a imagem abaixo. Um documento ímpar.
Georgino

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Joaquim Alves Martins e o rapto de D. Joanna Lins




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Em 1871, quando seu pai foi assassinado, em Rosário, distrito de Assú, Joaquim Alves Martins tinha apenas 11 anos, e sendo já órfão de mãe, foi criado, em Cacimbas do Vianna, pelo seu tio e tutor, Manoel José Martins, e a sua esposa Prudência Maria Teixeira.

No ano de 1876 fez petição dirigida ao Juiz de Órfãos, nos seguintes termos: diz Joaquim Alves Martins, deste termo do Assú, órfão púbere, filho legítimo dos finados José Alves Martins e Dona Francisca Martins de Oliveira, que estando contratado para casar-se com D. Joanna Lins Teixeira de Sousa, e achando-se esta raptada e depositada pelo suplicante em casa do Dr. Ignácio Dias de Lacerda, sendo pessoa de sua igualha, e tendo já o suplicante obtido licença de seu tutor para casar-se com ela, vem impetrar de V. S. a graça de confirmar essa licença dando a sua autorização para o consórcio do suplicante, ouvido o seu tutor e o respectivo Curador Geral dos Órfãos: nestes termos pede  a V. S. lhe defira. Joaquim Alves Martins.

Foram ouvidos, então, o Curador de Órfãos e o tio tutor, que se manifestaram conforme transcrição abaixo.

É de justiça que a petição retro seja favoravelmente deferida, porquanto, além do alegado em relação ao tutor e iguala de que fala o suplicante, para mim tem todo peso de razão, o achar-se raptada a moça e depositada na casa, em que está. Cidade do Assú, 28 de abril de 1876, o Curador Geral dos Órfãos, João Francisco Barbalho Bezerra.

Em reverência do respeitável despacho de V. S. tenho a dizer que é verdade que dei licença de que trata a petição retro, para realizar-se o competente casamento, visto ser o meu sobrinho e tutelado igual a moça e também por que a raptou, depositando-a em casa de pessoa distinta do lugar. Fazenda das Cacimbas, 3 de maio de 1876, o Tutor Manoel José Martins.
Posteriormente, Joaquim Alves Martins dá recibo dos bens que recebeu, apto que estava por conta do casamento, nos seguintes termos: recebi do meu tio tutor, o Snr. Manoel José Martins, meus bens e trastes que tive de herança de meus pais e paguei a ele o alcance de 49.514 réis das contas que prestou em juízo em 7 de março de 1876, assim como recebi meus rendimentos desta data em diante, quando tomei conta de tudo que me pertencia por me ter casado com dezessete anos de idade, e com licença do juiz e do meu tutor, e por estarem recebidos passo este que me assino, Fazenda das Cacimbas, 11 de julho de 1876. Joaquim Alves Martins.

Nos meus registros encontro os batismos, somente, de dois filhos de Joaquim e Joana, ambos de nome Manoel, talvez em homenagem ao tio. Devem ter falecido, pois não aparecem na relação dos herdeiros, quando da morte de D. Joana, como podemos ver adiante. Observe como ficou modificado o nome dela.

Em 1922, dez anos após o falecimento de sua esposa, apresenta o seguinte requerimento: Diz Joaquim Alves Martins, que tendo falecido sua mulher Joanna Teixeira Martins, no dia 9 de abril de 1912, no Sítio Água Branca, deste distrito, onde moravam, sem testamento, deixando herdeiros menores e maiores, quer o suplicante, como meeiro inventariante, cabeça de casal, dar a inventário os bens existentes no monte do casal, e assim requer a V. S. que se digne marcar dia e hora para se proceder ao mesmo inventário, no Sítio Água Branca supracitado, em casa de sua residência, com ciência do doutor Curador Geral de Órfãos. Assú, 11 de novembro de 1922, Joaquim Alves Martins.

No título de herdeiros, foram listadas as seguintes pessoas; o viúvo, Joaquim Alves Martins, inventariante, cabeça de casal; Maria Alves da Câmara, casada, não constando com quem, 42 anos de idade; Rita Alves Martins, já falecida depois da inventariada, solteira; Amélia Alves Martins, já falecida, representada por seus filhos menores, José, Joaquim e Sabina.

Manoel José Martins, tutor e tio de Joaquim Alves Martins, casou com Prudência Maria Teixeira, na Fazenda Cacimbas do Vianna, no dia 28 de novembro de 1850, tendo como testemunhas, o major José Martins Ferreira, seu pai, e João Gomes Carneiro e Mello, de São Gonçalo, mas casado com Anna Joaquina Teixeira de Sousa, de Angicos, e criador na dita Fazenda. Essa Prudência, pode ser a filha de Francisco Antonio Teixeira de Sousa e Marianna Lopes Viegas, que pelo inventário da mãe, tinha 6 anos em 1839. Sendo verdadeiro, ela seria irmã de João Lins Teixeira de Sousa, que foi casado com Izabel Felippina, filha de Antonio Gualberto Lopes Viegas, criador na Fazenda Cacimbas do Vianna. É possível, também, que Joanna Lins, esposa de Joaquim Alves Martins, fosse filha de João Lins e Izabel Felippina, e, portanto, sobrinha de Prudência. Meu tio-bisavô, Miguel Francisco da Costa Machado Junior, foi casado com Maria Izabel, filha de João Lins Teixeira de Souza, e no batizado de Maria filha deles, em 1875, foram padrinhos Joaquim Teixeira de Sousa Pinheiro, irmão do dito João Lins, e Joanna Lins, que nessa época era solteira.

Antonio, filho de João Lins e Izabel, foi batizado em Cacimbas do Vianna, em 1857. Os padrinhos foram Francisco Antonio Teixeira de Sousa, avô, e Anna Joaquina Teixeira de Sousa, esposa de João Gomes Carneiro. Quando Manoel Barbalho, irmão de João Lins, casou em 1856, foram testemunhas Manoel José Martins e João Gomes Carneiro. Mais ainda, Manoel José Martins e Izabel Felippina foram padrinhos, em 1857, de João, filho de Francisco Antonio Teixeira de Sousa, e sua segunda esposa Joaquina Lúcia. Assim, me parece, que a família Alves Martins estava entrelaçada com a família Teixeira de Sousa.

Para conhecimento dos nossos leitores, informo que Joaquim Alves Martins era tio-avô de Diúda e José Gobat.
No documento acima vemos as assinaturas de João Lins Teixeira de Souza e de Manoel José Martins Ferreira, no casamento de escravos de João Gomes Carneiro e de João Teixeira de Souza. Vemos também o Visitador condenando o hábito de usar abreviaturas. Sugere que os assentos sejam como o acima.
Na relação acima dos filhos de José Alves Martins, além de Joaquim Alves Martins, estão: José Alves Martins, João Alves Martins, Francisco Alves Martins, Militão Alves Martins, Josefina Emília Alves Martins, Delfino Alves Martins, Maria e Manoel Alves Martins.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Paiacus da Missão do Padre Phelipe Bourel

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Atendendo pedidos do amigo Marcos Pinto, posto mais imagens de assentamentos de índios Paiacus da Missão do Reverendo Padre Phelipe Bourel.




terça-feira, 26 de agosto de 2014

Guilherme Lopes Viegas e sua descendência




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Os inventários são documentos importantes para os estudos genealógicos. Eles recompõem elos perdidos. Marcos Pinto nos enviou um documento, extraído do auto de arrolamento da falecida Anna Jovina Lopes Viegas, que nos ajudou a encontrar os filhos de Guilherme Lopes Viegas, filho do tenente Antonio Lopes Viegas e Anna Barbosa da Costa. Por Anna Jovina ser solteira os bens dela, que faleceu aos dezenove de setembro de 1870, no Sítio Castelo, foram herdados pelos irmãos ou sobrinhos. A mãe de Anna Jovina é citada nesse auto. Com essa informação, e pela relação apresentada, concluímos que Anna Jovina e os herdeiros, seus irmãos, eram filhos de Guilherme Lopes Viegas e Izabel Maria da Conceição. 

Os herdeiros, segundo o documento enviado por Marcos Pinto, foram os descritos abaixo, que complemento com informações de outros documentos.

Manoel Guilherme Lopes Viegas, que era viúvo em 1870, tinha casado com Maria Francisca Romana, no sítio Castelo, em 1848; em dois de agosto de 1849, nascia o filho Pedro, batizado na Matriz no mesmo ano, tendo como padrinhos Francisco José da Silva e Romana Thereza da Conceição. Ana Jovina morava com Manoel Guilherme.

Antonio Lopes Viegas, que casou, em Poço da Lavagem, em 1829, com Joaquina Gonçalves, filha de Antonio José de Lemos e Joanna Maria de Jesus; um filho de Antonio e Joaquina, de nome João, nasceu em 1841.

Damásia Maria Lopes Viegas, que era casada com João Freire de Amorim, moradores no sítio Castelo; o casamento foi na Fazenda do Saco, em 1834, sendo ele filho de Gonçalo Freire de Amorim e Josefa Francisca da Costa, ambos falecidos.

Guilherme Lopes Viegas (Jr.) que era casado com Maria Belizária Ferreira Ximbinha, moradores no Sitio Saco. Guilherme foi casado, anteriormente, com sua prima legítima, Maria do O’ de Jesus, filha do capitão Alexandre Lopes Viegas e Maria Francisca da Conceição. Esse casamento foi em 1834, na Fazenda do Saco. Nessa mesma localidade, conhecida também como Saco dos Lopes, foi batizado, em 1876, Francisco, filho de Guilherme e Maria Ximbinha, tendo como padrinhos Manoel Geminiano Lopes Viegas e sua mulher Rita Maria Teixeira Ximbinha.

Josefa Maria, viúva, moradora nos Grossos; não localizei seu marido, e pelo visto não tiveram filhos.

Maria do Carmo Lopes Viegas, já falecida em 1870, foi casada com João Reinaldo da Fonseca. Foi representada por seus três filhos: Florência Maria, solteira, 16 anos; Luiz Antonio da Fonseca, de doze anos; João Reinaldo, de dez anos, moradores no Paraú; Florência nasceu, na verdade, em 27 de setembro de 1852, e teve com padrinhos, Manoel Guilherme Lopes Viegas e Josefa Francisca Lopes Viegas.

Joana Francisca Lopes Viegas, já falecida em 1870, foi casada com seu primo legítimo Manoel Francisco Lopes Viegas, filho do capitão Alexandre Lopes Viegas e Maria Francisca da Conceição. Foi representada por seus cinco filhos: Manoel Francisco Lopes Viegas Junior, solteiro, de vinte sete anos; Maria Jovina Lopes Viegas, de vinte e seis anos, solteira; José Francisco Lopes Viegas, solteiro, de 22 anos; Alexandre Francisco Lopes Viegas, solteiro de quinze anos; Guilhermina Maria Lopes Viegas, solteira, de 14 anos, moradores no sítio Acauã.

Maria Izabel da Conceição, falecida em 1870, foi casada com seu primo legítimo João Gualberto Lopes Viegas, como consta no registro a seguir: Aos vinte e seis dias do mês de novembro de mil oitocentos e vinte e sete, pelas nove horas da manhã, nesta Matriz de São João Baptista do Assú, em minha presença, e das testemunhas abaixo nomeadas, se receberam por esposos presentes João Gualberto Lopes Viegas e Maria Izabel, meus fregueses, por se acharem dispensados no parentesco que os ligava e terem cumprido as penitências que lhe foram impostas: o esposo de idade de vinte e cinco anos, filho do capitão Alexandre Lopes Viegas e Maria da Conceição, moradores na Freguesia de Santa Anna do Mattos, donde apresentou banhos desembaraçados: a esposa de idade de vinte anos, filha de Guilherme Lopes Viegas, e Izabel Maria, já falecida, naturais e moradores nesta mesma Freguesia, onde se fizeram as denunciações nupciais sem impedimento, e logo lhes dei as bênçãos matrimoniais, sendo primeiramente confessados, e examinados na doutrina cristã, presentes por testemunhas o alferes Alexandre Lopes Viegas e Alexandre Rodrigues da Costa, casados, este da Freguesia de Santa Anna, e aquele desta do Assú. Joaquim José de Santa Anna, pároco do Assú.

Maria Izabel foi representada por seus noves filhos: Izabel Felippina Lopes Viegas, viúva de João Lins Teixeira de Souza; João Marcolino Lopes Viegas, solteiro, 38 anos; Manoel Januário Lopes Viegas casado com Rita Maria; Francisco Antonio Lopes Viegas, de 27 anos; Francisca Maria da Conceição, solteira, de 18 anos; Josefa Bellarmina Lopes Viegas, casada com Joaquim Teixeira de Souza; Maria Francisca Martins, casada com Joaquim José Martins; Manoel Antonio, solteiro de dez anos, moradores na Fazenda Santa Úrsula; Joana Maria da Conceição, casada com João Nicolau de Souza, moradores em Aracati.

No inventário de Maria Francisca o nome do filho dela com o capitão Alexandre Lopes Viegas era Antonio Gualberto. O nome João só aparece no casamento. Antonio Gualberto foi criador lá em Cacimbas do Vianna.


A naturalidade de Balthazar de Moura e Silva

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Em uma das minhas visitas a Macau, tive acesso a um conjuntos de documentos que estão no Museu João de Aquino. Entre esses documentos estão livros da Câmara Municipal de Macau, de vários anos do século XIX. Em um deles encontrei o que se segue referente a naturalidade de Balthazar de Moura e Silva, que foi casado com duas netas do capitão João Martins Ferreira, lá da Ilha de Manoel Gonçalves e Macau.
Balthazar era natural de Mondim de Basto, Freguesia de São Pedro de Athei, Arcebispado de Braga.




segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Notícias de Juvêncio Tassino

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

O Caixeiro era um dos nossos jornais antigos. Tinha como redator o jornalista Pedro Avelino, pai do senador Georgino Avelino. Vez por outra passo a vista nesse antigo jornal.
Foi de lá que tirei essa notícia sobre o professor Juvêncio Tassino Xavier de Menezes, natural de Imperatriz (hoje Martins). Ele foi casado com uma tia-bisavó, a viúva Thereza Maria de Jesus, irmã de minha bisavó, Francisca Ritta Xavier da Costa, que era casada com o tenente João Felippe da Trindade, meu bisavô. Esse Tassino é ascendentes dos Tassinos aqui de Natal. Segue a imagem.

domingo, 17 de agosto de 2014

Cariris ou Cararis = Um assento de praça

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Há muito que escrever sobre a História do Rio Grande do Norte, embora muitos documentos já desapareceram e outros continuam enfurnados em ambientes de pouco acesso por parte das pessoas. Quem cuida de levar mais conhecimentos para as pessoas? De quem é a obrigação? Por que todos os órgãos que detém informações da História do Rio Grande do Norte não facilitam o acesso e a divulgação desses documentos?

Encontramos muitos assentamentos de praça no IHGRN, que já deveriam ter sido  digitalizados. Nossos índios e negros, também, fizeram parte da nossa força de defesa.

Segue um assento de praça de um índio em 1699.

No documento acima está escrito, que : Manuel, tapuio forro da nação Cararis tem sua Aldeia na jurisdição da capitania da Paraíba, senta praça de soldado nesta companhia desde 22 de outubro de 1699 anos. E vence  mil oitocentos e sessenta e seis de soldo por mês, na forma do assento do Conselho da Fazenda. Lançado no livro 2º a folha 79 verso, e não vencerá mais coisa alguma. Manuel Gonçalves Branco.

Na parte superior consta que houve baixa, por ter falecido em 4 de agosto de 1706. Queiroz