sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Joaquim Fabrício Gomes de Souza



Joaquim Fabrício Gomes de Souza
Por João Felipe da Trindade, ex-aluno e ex-professor do Atheneu
Procurei maiores informações sobre o professor Joaquim Fabrício Gomes de Souza, em antigos jornais da Hemeroteca Nacional. Sua vida não foi fácil.

Fui encontrar seu óbito em um jornal do Pará, “República”, que noticiava que tinha falecido Joaquim Fabrício Gomes de Sousa, rio-grandense do norte, pardo, 45 anos de insuficiência mitral. Seu sepultamento foi no dia 2 de maio de 1900, no cemitério Santa Isabel.
Em março de 1877, a “Gazeta de Notícias” informava sua chegada ao Porto do Rio de Janeiro, e nesse mesmo ano iniciava seus estudos na Academia Imperial de Belas Artes, onde foi premiado, por diversas vezes, com menção honrosa e medalha de prata, até a conclusão do curso. 

Nos seus contratos para servir no Internato do Imperial Colégio Pedro II, como coadjutor de desenho, eram seus endereços, primeiramente, R. General Câmara, 141, e, posteriormente, Largo de São Domingos, 8, sendo um desses contratos do ano de 1882. Foram renovados, pelo menos, até 1886.

Em 1891 foi eleito sócio benemérito do Liceu Engenho Velho, pelos serviços prestados.

Pelos relatórios dos Governadores, descubro que foi contratado para reger por 3 anos a cadeira de Desenho, do Atheneu, em maio de 1893, tendo rescendido o contrato em abril de 1895, por ter sido nomeado auxiliar técnico da Comissão de melhoramento do Porto de Natal, no começo de 1895. Em outubro, desse mesmo ano de 1895, foi exonerado.

Foi novamente contratado em setembro de 1896 para a cadeira de Desenho e Caligrafia, do mesmo Atheneu, por mais três anos. Em abril de 1897 recebeu uma licença de três meses para tratar da saúde.

Em um artigo no Diário do Natal, datado de 1907, seu ex-aluno, no Rio de Janeiro, o polivalente Raul Pederneiras, caricaturista, escritor, advogado, delegado de polícia, professor de Faculdade, escreveu, sob o título “Um Vencido”:

Conheci-o no seu tugúrio modesto, em uma carunchosa mansarda do Largo de S. Domingos, vivendo a vida de isolado, em concentração talvez de incompreendido.

Vivia de lições particulares de desenho, e de um ou outro retrato a óleo, que a burguesia balofa lhe encomendava, de onde em onde.

Pobre, paupérrimo, com a sua infalível sobrecasaca surrada, mas limpa, o seu chapéu de abas largas, afogado na vasta cabeleira negra, e seu perfil de filho do norte, tipo legítimo de caboclo, amorenado e simpático, fazia transparecer um quê de bondade, destacando-se no olhar inteligente e vivo o brilho da audácia incubada, de concepção por vir.
Raramente ria, e quando, no seu mister de professor de desenho aturando as minhas aquarelas ao ar livre  ouvia uma pilhéria inócua ou uma barbaridade de trocadilho, franzia levemente os lábios, em um gesto bondoso de aplauso, para logo depois cerrar o sobrecenho e concentrar-se no trabalho.

Fôra meu primeiro mestre, e como tal achava o discípulo rebelde, desobediente, revoltado. Censurava continuamente a caricatura, chegando a proibi-la por prejudicial ao desenho, mas no fundo, intimamente, deixava-se ficar, mudo, observador, horas e horas apreciando as primeiras manifestações de minhas “charges” e de meus “calungas”, e terminava por ceder, dizendo que isso era “veia”, era “tendência, que não conseguia evitar.

Um ano a fio, depois de deixar a Escola de Belas Artes, tinha eu visita hebdomária desse concentrado mestre que vinha ver o estado de adiantamento do discípulo, estabelecendo um método que me parecia seu, unicamente seu no mistifório dos métodos que pululavam então. Não admitia cópia de estampa, pois, para ele desenhar bem, era ver bem, cópia de estampa era escravizar estilo e reproduzir o que outrem via. Dava preferência para os estudos do natural, para a observação dos objetos e para o fogo das expressões. Forte em anatomia, atirava no papel a “grafite”, em bosquejo certo as contexturas musculares do corpo humano, ou as articulações nervosas de uma rã. Em perspectiva, dizem possuir um livro precioso, adotava um sistema prático e de eficácia provada, que fez nomeada nessa época.

Ganhei, em um ano de aprendizagem, o que não me proporcionara um lustro de trabalho maquinal sem orientação, na escola, onde o lente se limitava a corrigir e passar adiante sem proferir palavras.

Mais tarde, o caboclo desaparecera, não mais dando notícias suas. Saudoso, fui procurá-lo na mansarda, estava deserta. Indaguei dos amigos e conterrâneos; nem uma notícia certa, apenas a indicação vaga de que partira para o norte.

Soube depois, pelos seus colegas de turma, que rompera na arte como uma revelação completa e subitamente desaparecera na concentração intima de incompreendido, procurando evitar sempre as companhias, as reuniões, as palestras, cenobita do espírito enclausurado na ermida branda do silêncio.

Nada deixou definitivo, apenas há, aqui e ali, um ou outro estudo acadêmico, de composição severa e tonalidades seguras.

Passou-se o tempo, a caricatura venceu-me, empolgou-me, e quando, nas horas de lazer, bem raras, atiro-me à fantasia das aquarelas, evoco saudosamente o bom Fabrício Gomes, a cabeça leonina, fronte larga e serena, onde sob um moreno jambo parecia brilhar a concepção esmagada pelas vicissitudes do sofrer terreno. E até hoje ninguém mais soube dele, de seu destino, de seu pouso, mas deixou no espírito dos que sentem a saudade perene de seu temperamento exótico, alheia a vida burguesa, refratário às convenções triviais, alimentando intimamente contra a indiferença mudana, a chama do ódio vivificante, como dizia Pompeia – “não do ódio mau, que ofende e vitima, mas do ódio que reage, do ódio que reivindica, do ódio que reclama, do ódio santo, que é uma forma militante de amor”.

A redação do Diário do Natal comentou sobre o escrito acima de Raul Pederneiras: o Fabrício Gomes, a que se refere o ilustre escritor deve ser o nosso malogrado conterrâneo Joaquim Fabrício Gomes, falecido há anos no Pará na mais extrema pobreza, deixando aqui mulher, que ainda existe, e um ou dois filhinhos. Joaquim Fabrício estudou na Escola de Belas Artes do Rio a custo da antiga Província, que depois retirou-lhe a subvenção. Depois do diploma pela Escola aqui voltou, já na Republica, e casou-se. Não tinha conseguido colocar-se e nada fazendo aqui foi para Belém, onde faleceu na maior indigência.

Na verdade, Joaquim Fabrício trabalhou vários anos, antes de vir para Natal. Raul Pederneiras voltou a escrever sobre o Professor, no Jornal do Brasil, do ano de 1913, com o título de “Conselhos inúteis”.

Era o título do canhenho deixado por Fabrício Gomes, o misterioso artista caboclo, que foi o nosso primeiro mestre de desenho. Entre os raros manuscritos inéditos que deixou consta-nos que havia um bem trabalhado opúsculo sobre perspectiva linear aérea e alguns versos pobres.

Somente conseguimos alcançar um punhado de laudas de papel com o título que encima estas linhas.

O artista ingratamente esquecido, desfavorecido de fortuna, atirado ao limbo do menoscabo, habitava uma água-furtada do largo de São Domingos, onde três vezes por semana íamos buscá-lo para o estudo das paisagens e aquarelas ao ar livre.

Certa vez descobrimos sobre o travesseiro as laudas de papel. Mestre Fabrício quis escondê-los; “não prestavam”.

Eram apontamentos, conselhos, notas para os que desejam viver “tranquilos e seguros”. Instado, rogado, afinal, cedeu, para que passássemos a limpo as suas notas.

É delas o punhado de conselhos que aqui transcrevemos, e onde se poderá observar algo do formoso talento desse artista quase ignorado hoje; talento aliado a um pessimismo e a uma ironia fora do vulgar. São dele as observações que publicamos, para que um dia seja feito a justiça sobre o seu talento, que alguns zoilos tentaram depreciar.

“Serão inúteis estes conselhos. Serão. O certo é que os fiz para mim, e se algum dia virem a luz da grande publicidade, terão o belo consolo de não serem atendidos nem obedecidos.

Fica-me o orgulho da exceção. Ainda bem. Poucos poderão dizer outro tanto, presos aos laços da convenção e do preconceito, sem mais formalidades.

Observei demasiado a vida dos homens e das coisas e as notas esparsas dirão talvez que alguém houve com coragem inaudita de opinião própria.

Pouco importa a opinião dos outros, o exame, a análise dos terceiros – sou de minha escola e de meu pensar, e sigo adiante.
- Quando tiveres algum dinheiro na algibeira, a ninguém convides para qualquer gasto. 

Deixa correr livremente o barco da situação. O dinheiro à ufa dar-te-á amigos e admiradores de ocasião. Passado o período das espigas gordas, dos amigos e admiradores, não encontrarás um só para semente.

- Subiram o preço da xícara de café. Dificuldades do tempo assim o exigem. Para resolver o problema, comprima-se o contribuinte.

Um quilo da rubiácea dá umas setenta xícaras e resolve o problema econômico e onzeneiro do fornecedor – É assim a economia política: traz sempre a felicidade... para os outros.

- Em matéria de arte, despreza sempre as questões de escola. Dize que tudo está muito bem e muito bom. No dia em que notares o mais leve senão em um trabalho artístico terás a certeza de um inimigo pelas costas.

- Todavia se não tens veia para a crítica, se de nada entendes não percas a esperança. Faze-te de critico de arte teatral, que é a maior legião dos pobres de espírito e o consolo supremo dos que nada entendem.

- Quando alguém perorar com gravidade de atirar para contrapeso citações perdidas de autores massudos, acredita, dá toda a fé ao que ouvires e ficarás sendo tão erudito como o alguém que te azucrinou o ouvidos e a paciência.

- Foge de ouvir a leitura de sonetos no meio da rua e dos cães que dormem nas soleiras do casario dos arrabaldes, são dois males que quase sempre se repetem quando nos atacam.

- Nunca invejes o ricaço ou o graúdo do “parvenu”, se tiveres talento. Orgulha-te com a independência do espírito, pois é fácil alcançares o que possui o ricaço e é impossível ao ricaço alcançar o que possues.

- Se tens talento, lapida-o e guarda-o com santidade. Ele chega a inquietar a própria tirania.  Se esta é fraca, há de temê-lo como uma força; se ela é forte há de aborrecê-lo e odiá-lo como uma liberdade.

- A mulher que de tudo se ri, ou não tem o juízo seguro ou então é possuidora de magníficos dentes. É a menos perigosa das mulheres, a que se ri, porque o riso é desarmamento geral dos maus instintos, das más paixões.

- Não sei quem disse que se considerava estulto quando olhava para si próprio e se considerava de muito valor quando se comparava aos outros. Por isso, é que eu me sinto modesto e parvo quando me concentro, mas sinto em mim um vigoroso atleta de sentimento e de ideias quando vejo em torno os conselheiros de Estado e os críticos de arte.

- Em arte plástica, principalmente em pintura, a dificuldade não está na execução e no sentir do artista, está na improvisação que a obra deve causar ao público. Quem assim não pensar que se meta entre quatro paredes e não apareça ao mundo.

- Devo o êxito de minhas ações aos conselhos que não recebi de pessoa alguma. Fico-me muito obrigado por isso e dos meus conselhos neles espero que ninguém se aproveite.

- Se a ociosidade é a mãe de todos os vícios, a burocracia deve se avó. Não há exemplo, em terra latina, de uma iniciativa e intensidade de vida no regimento colossal dos parasitas sociais.

Dou-me muito bem com todos os que não se dão comigo. Ao menos esses, foram sempre a favor da justiça a meu respeito. Os outros, os que me conhecem, tem sempre um “mas” a acrescentar às bondosas referências.

- Quando alguém, para definir qualquer coisa, começa pelas palavras: “por exemplo” – cuidado com ele, não tem certeza do que diz ou não está senhor da praça na matéria.

- Procure ser útil a ti e aos teus se os tiveres. Aos demais procura utilidade que se transborde em seu benefício. Dirás que é um conselho egoísta. Mas que é o altruísmo senão o próprio egoísmo transbordante?

- Na monografia das artes liberais há dois capítulos tremendos. O primeiro é da iniciativa, o segundo o da capitulação.
- Fazer o bem pelo bem que nos sabe é preferível ao desejo de fazer o bem pela recompensa que possa advir. O primeiro ato é um egoísmo são, forte, duradouro; o segundo ato é um epilogo ...de caráter.

Muitos, muitos outros conselhos deixou Fabrício dos papéis perdidos, e se não fora o seu gênio dispersivo e irrequieto, talvez admirássemos uma obra mais sólida, vigorosa, ponderada, que pudesse mostrar com toda verdade o quanto de valor e de merecimento possuía o artista quase ignorado, infeliz e bem depressa esquecido. 

Joaquim Fabrício Gomes de Sousa e sua esposa D. Idalina Leopoldina de Sousa gerou, o também professor do Atheneu, Israel Nazareno de Sousa, nascido aos 3 de julho de 1897, na Rua Santo Antonio, nº 796.

P. S. Este artigo foi publicado no livro: Construtores da Ágora Soberana Potiguar- Múltiplas Memórias- Professores do Atheneu Norte-Riograndense (1892/anos 1960), cujos organizadores foram Diógenes da Cunha Lima e Eva Cristini Arruda Câmara Barros.



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Luiz Eduardo e outras pessoas conhecidas


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Em um artigo anterior informamos que os padrinhos de Therezinha de Morais Lucena eram os pais de Luiz Eduardo Carneiro da Costa. Vamos começar nosso artigo de hoje com este último, fazendo de antemão uma correção. O pai de Luiz não era Aurio, como me pareceu, mas Aério, como veremos a seguir, conforme me confirmou Valdemar, meu irmão, e o próprio Luiz Eduardo.

A quatorze de setembro de mil novecentos e quarenta e seis, nesta Catedral de Nossa Senhora da Apresentação, batizei solenemente a Luiz Eduardo, nascido a vinte e cinco de agosto de mil novecentos e quarenta e seis, filho de Aério Nicolau da Costa e de sua esposa D. Maria Otília Carneiro da Costa, avós paternos Sidrônio Nicolau da Costa e Anna Diamantina Costa; maternos Pedro Carneiro e Germina Morais Carneiro. Padrinhos José Lucena e Georgina Morais Lucena, Av. Rio Branco, 682. E para constar mandei fazer este termo que assino. Monsenhor José Alves Ferreira Landim.

Segundo Luiz Eduardo, seus pais moravam em Nova Cruz, mas por falta de parteira, sua mãe veio para Natal, e ele nasceu na casa de José Lucena e Dona Georgina. Dona Germina, avó de Luiz, era irmã de D. Georgina. Por um jornal, datado de 1911, da Hemeroteca Nacional, vi que Sidrônio Nicolau da Costa foi criador em Alagôa Grande, Paraíba. Casou em 1970 com Walquíria Borges.

Dra. Irandir, ginecologista, é médica de minha esposa. Seu nome, como é comum por estas terras, veio da combinação dos nomes dos pais dela.

Aos dois de fevereiro de mil novecentos e quarenta e sete nesta Catedral de Nossa Senhora da Apresentação de Natal, o Reverendíssimo Monsenhor João da Mata Paiva, Vigário Geral, batizou solenemente a Irandir Maria, nascida a quatorze de setembro de mil novecentos e quarenta e seis, à Travessa Pitimbú, 29, residência dos seus pais, filha de Jandir Dias de Souza e de sua esposa D. Iraci Bezerra de Souza, neta paterna de João Paulino de Souza e Juvina Dias de Souza, e materna de Pedro de Sá Bezerra e Beatriz Campos Bezerra. Padrinhos os avós paternos. E para constar mandei lavrar este termo que assino. Monsenhor Jose Alves Ferreira Landim. Pároco.
Na lateral do registro, há a informação que casou em 26 de agosto de 1973, com Romildo Batista de Farias (ou Faria), na Igreja de Nossa Senhora do O’ de Caicó.
Eurico Alecrim foi colega do Colégio Marista e, depois, contemporâneo, no Governo de Garibaldi Filho. Ocupou a Secretaria Adjunta de Recursos Hídricos. Irmão de Jomar Alecrim, que foi Pró-Reitor na UFRN. Segue batismo.

Aos treze de dezembro de 1946, na Catedral de Nossa Senhora da Apresentação de Natal, o Reverendíssimo Coadjutor Padre Benedito Basílio Alves, batizou solenemente a José Eurico Alecrim Filho, nascido a vinte e dois de janeiro de mil novecentos e quarenta e cinco, à Rua Laranjeiras nº 30, residência dos pais, filho legítimo de José Eurico Alecrim  e D. Maria Anunciada Andrade Alecrim, funcionários federais, naturais do estado, neto paterno de Lourenço da Costa Alecrim e Amélia Ferreira Alecrim, e materno de José Teixeira de Andrade e Cândida (Josefina) Teixeira de Andrade. Padrinhos Manoel Procópio de Moura, Tabelião Público, e sua esposa D. Lídia Pereira de Moura, Rua Vigário Bartolomeu, 606. E para constar mandei lavra este termo que assino. Monsenhor José Alves Ferreira Landim.

Outro colega de marista foi Odemar, irmão do neurologista João Rabelo. Segue o batismo dele.

Aos vinte e três de junho de mil novecentos e quarenta e seis, nesta Catedral de Nossa Senhora da Apresentação de Natal, batizei solenemente a Odemar Guilherme Caldas Junior, nascido a dezesseis de março de mil novecentos e quarenta e seis, à Rua Ceará-mirim, 269, residência dos pais, filho legítimo de Odemar Guilherme Caldas, militar, e de sua esposa D. Laura Rabelo Caldas, doméstica, neto paterno de Alfredo Guilherme de Sousa Caldas, e de Rita Câmara de Sousa Caldas; neto materno de João Batista Ferreira Rabelo e Hercília de Carvalho Rabelo. Padrinhos o 2º tenente Severino de Oliveira Mendes, e esposa D. Maria Amélia Mendes. E para constar mandei fazer este termo que assino. Monsenhor José Landim.

Informação lateral do registro diz que casou em 1 de fevereiro de 1969, com Olga Maria Rodrigues Bezerra, na Igreja Bom Jesus. D. Laura era irmã de Luiz de Carvalho Rabelo, príncipe dos trovadores potiguares.
Outro contemporâneo, no governo do Estado, foi Carlos José, que atuava no Departamento Estadual de Imprensa. É irmão de Isolda Melo Lemos e tio de Rubens Lemos Filho.

Aos nove de novembro de mil novecentos e quarenta e sete, nesta Catedral de Nossa Senhora da Apresentação de Natal, o Reverendíssimo Coadjutor Padre Benedito Basílio Alves, batizou solenemente a Carlos José Carneiro de Melo, nascido a nove de janeiro de mil novecentos e quarenta e seis, à Rua Camboim, 759, residência dos pais, filho legítimo de Joaquim Carlos de Melo, técnico agrícola, e de sua esposa D. Maria do Carmo Carneiro de Melo, neto paterno de Carlos Policarpo de Melo e Maria Calipsa de Melo; e materno de José Calazans Carneiro e Rita Gleyderst (?) Carneiro Padrinhos Bel. Manoel Augusto Bezerra de Araújo e D. Maria Olga Bezerril de Araújo, residentes à av. Rio Branco, 784. E para constar mandei fazer este termo que assino. Monsenhor José Alves Ferreira Landim.
Batismo de Jomar, irmão de Eurico

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Comentários sobre “Velhas Heranças”




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)

Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG


O livro de Hélio Galvão, “Velhas Heranças”, foi fac-similado pelo Sebo Vermelho em 2012. É a partir dele que construo este artigo, fazendo alguns comentários e acrescentando outras informações do meu conhecimento. 


Meu último artigo, neste jornal, foi sobre Valentim Tavares de Mello, filho de Manoel Gonçalves Branco e Catharina de Oliveira e Melo. Pois bem, um dos inventários, do livro de Hélio Galvão, é o de Damiana de Oliveira e Mello, que faleceu em 9 de dezembro de 1748, solteira, não deixando testamento. Foi seu inventariante, o irmão, sargento-mor Gregório de Oliveira e Melo, e habilitaram-se, para receber a herança, os irmãos: ele próprio, Gregório, solteiro, mas que teve uma filha com Suzana Brito Palhano; Maria da Conceição, que era casado com o tenente-coronel, José Pinheiro Teixeira, natural de Arrifana de Sousa; Francisco de Oliveira Ramos, viúvo; Eugenia de Oliveira e Mello, que era casada com o sargento-mor Dionísio da Costa Soares; capitão Miguel de Oliveira e Mello, que foi casado com Ângela Correa da Costa, filha de Fradique Correa da Costa; Cosma de Oliveira dos Santos, solteira; sargento-mor Valentim Tavares de Mello, casado em segundas núpcias com Luzia de Albuquerque Mello, falecido, e, por isso, representado pela filha do casal, Maria Manoela, nessa data com três anos, mas que posteriormente casou com o viúvo Estevão da Cunha de Mendonça.


Em artigo que fiz sobre Manoel Gonçalves Branco, Damiana não apareceu como filha. Pode ter nascido em data posterior ao ano de 1711. Talvez Cosma seja sua irmã gêmea; Francisco de Oliveira Ramos, que aparece acima, deve ser o tenente Francisco de Oliveira Banhos, mesmo nome do avô, que morava em Recife; da mesma forma Cosma de Oliveira dos Santos, deve ser Cosma de Oliveira Banhos.

Outro documento, constante do livro de Hélio, era o testamento (29 de março de 1718) de Joanna de Barros Coutinho, que teve como inventariante, seu marido Manoel Rodrigues Taborda. Nesse testamento ela se diz natural de Olinda, freguesia de São Pedro Martyr, filha legítima do sargento-mor Manoel da Silva Vieira (Hélio só conseguiu ler Manoel) e dona Graçia do Rego, não tendo filhos, nomeou, como herdeira, sua mãe.


Manoel Rodrigues Taborda era português da Villa de Buarcos, e casou com Dona Joanna de Barros Coutinho, em 8 de setembro de 1697.

Dona Gracia, mãe de Joanna, faleceu antes dela, e, por isso, foi representada por filhos e netos: Tereza da Silva, viúva, filha; Luzia Romana da Silva, filha; Joanna de Barros, casada com Cosme de Freitas, neta, filha de Maria de Barros (falecida) e do tenente-coronel Gonçalo Ferreira da Ponte (casamento em 20 de abril de 1697); Francisco (25 anos), neto, irmão de Joanna de Barros; Atanásio, 20 anos, outro irmão de Joanna; Luis (14 anos), neto, filho de Anna do Rego, que foi casada com o primo legítimo, Lázaro de Barros (casamento em 28 de maio de 1703); Manoel e Miguel irmãos de Luis; Josefa, também irmã, com 7 anos.


Outro inventário é o de Cipriano Lopes Pimentel, que era filho do sargento-mor Francisco Lopes e de Joanna Dorneles, esta filha do escabino  Manoel Rodrigues Pimentel e neta de João Lostau de Navarro. Cipriano era casado com Tereza da Silva, filha do alferes Felipe da Silva e de Joana Salema. Nos registros mais antigos, encontro referências, tão somente, sobre escravos de Felipe, de José Gomes Salema e de Domingos Gomes Salema.


Mais outro inventário é do capitão Domingos da Costa (Rocha em alguns registros) Araújo, que foi casado com Brásia Bezerra de Vasconcelos, inventariante. Uma das herdeiras habilitadas é Monica da Rocha, casada com o capitão Julião Borges, ascendentes de Nísia Floresta. Nos registros antigos, encontro batismos de três filhos de Domingos e Brásial: Tereza, batizada em 30 de agosto de 1688; Hieronima, batizada em 8 de outubro de 1690; e João batizado em 19 de setembro de 1694. Todos eles habilitados, além de Álvaro da Rocha; Brásia, Maria Madalena e Bonifácia, órfãos. Segundo Hélio, a sentença final desse inventário data de 20 de janeiro de 1818.


É nesse inventário do capitão Domingos que encontro uma informação que confirma uma questão levantada em um artigo anterior sobre a família Casa Grande do Assú. No livro que foi escrito, constava a seguinte informação de Antonio Soares de Macedo: D. Joanna Martins, filha mais velha do coronel Manoel Lopes de Macedo, minha 3ª avó, casou com o capitão-mor José Ribeiro de Faria, meu 3º avô, o qual era natural do Rio São Francisco e morador na Capitania desta Província, hoje Estado. No artigo que escrevi, eu coloquei dúvidas sobre tal informação, pois supunha  que Joanna era filha do capitão João Martins de Sá e Clara Macedo.


No inventário do capitão Domingos, consta dívidas passivas, ao tenente-coronel Manoel Martins de Sá e a seus cunhados capitão João Marinho de Carvalho e capitão José Ribeiro de Faria, herdeiros do defunto capitão José Martins de Sá, 106$400.  Na transcrição do inventário, mais um equivoco, pois os três eram herdeiros do capitão João Martins de Sá. Assim, se confirma que D. Joana Martins de Sá era filha do capitão João Martins de Sá e não do coronel Manoel Lopes de Macedo. 

Casamento de Manoel Rodrigues Taborda e Joana de Barros Coutinho

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O sargento-mor Valentim Tavares de Mello


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG

Pedro Arruda, lá de Fortaleza, pede notícias de Manoel Gonçalves Branco, seu ascendente, através de Francisco de Oliveira Banhos. Diz, também ser descendente de Tomé Lopes Navarro. Em um dos meus artigos, escrevi sobre o “homem do Reino”, Manoel Gonçalves Branco. Ele é ascendente de muitas famílias deste Brasil. Neste artigo, vamos escrever sobre seu filho, Valentim Tavares de Mello, começando pelo batismo.

Em 27 de fevereiro de 1707, nesta Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, batizou, o Padre Coadjutor, a Valentim, filho do capitão Manoel Gonçalves Branco e sua mulher Catharina de Oliveira. Foram padrinhos o Padre Antonio Rodrigues Fontes e Thomás de Brito Ferrás. Tem os santos óleos. Simão Rodrigues de Sá.

Vinte anos depois, encontramos Valentim sentando praça, como soldado raso, nesta Capitania do Rio Grande. É um registro interessante, pois descreve, fisicamente, o assentado.

Valentim Tavares de Mello, morador nesta Capitania, filho legítimo de Manoel Gonçalves Branco, e natural desta Capitania, de idade de vinte anos pouco mais ou menos, de estatura baixa, seco do corpo, e alvarinho do corpo, digo, do rosto, cabelo crespo e castanho, olhos pardos, sobrancelha grossa, cara redonda, senta praça de soldado raso, nesta Companhia do capitão Francisco Ribeiro Garcia, por sua vontade, e mandato do dito capitão, e intervenção do Provedor e Vedor Geral, o capitão Domingos da Silveira, em quatorze de dezembro de mil e setecentos e vinte e sete, vencendo dois mil e quatrocentos reis/mês, e por ano vinte e oito mil e oitocentos réis, a saber: quinze mil e trezentos e sessenta réis em dinheiro, e, em farda, treze mil e quatrocentos e quarenta réis, na forma da ordem de sua Majestade, em que há por bem o acrescentamento dos soldos que se acha registrada nesta Provedoria a folha 142,verso, do livro 1º do Registro. Caetano de Mello e Albuquerque.

Os pais de Catharina de Oliveira e Mello, eram Francisco de Oliveira Banhos e Antonia Tavares de Mello, por isso, o sobrenome de Valentim.

Em 8 de junho de 1733, Valentim  já era capitão, e apareceu como testemunha, junto com o irmão, sargento-mor Gregório de Oliveira e Mello, no casamento de Victoriano da Frota e Maria Gomes de Sá. Nessa data, ambos eram solteiros, e o pai, Manoel Gonçalves Branco, já era defunto. Em 4 de novembro de 1734, passou a sargento-mor da Cavalaria da Ribeira do Assú, do Regimento do coronel Miguel Barbalho Bezerra, por patente do senhor capitão-mor João de Teive Barreto de Menezes.

Em 1735, ele casa pela primeira vez, pois em outros documentos aparece casado com Luzia de Albuquerque. Vejamos o registro do casamento que encontramos.
Aos dezoito de julho de mil setecentos e trinta e cinco anos, nesta Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, da cidade do Rio Grande do Norte, feitas nela as denunciações, e na Igreja de Nossa Senhora do O’ da Missão do Mipibu, perto de onde morou a contraente, e na capela de Nossa Senhora dos Remédios, próxima a qual é o lugar onde mora, apresentando-se um mandado do Reverendíssimo Vigário Geral, o doutor Antonio Pereira de Castro, em que dava (frase ilegível, mas parece uma liberação ) o impedimento ao contraente da promessa feita a Paula das Quintas, e me mandava os Recibos por palavras, sem se descobrir mais algum, sendo presentes por testemunhas, o Reverendo Padre Manoel Pinheiro Teixeira, o sargento-mor Dionísio da Costa Soares, Dona Eugênia de Oliveira e Mello (irmã de Valentim), mulher do dito, e Catharina de Oliveira, dona viúva, pessoas todas conhecidas, e moradores desta cidade, assisti ao matrimonio que entre si contraíram o sargento-mor Valentim Tavares de Mello, filho legítimo do capitão Manoel Gonçalves Branco, já defunto, e de sua mulher Catharina de Oliveira e Mello, e Angélica de Azevedo Leite, filha legítima do coronel Carlos de Azevedo do Vale, e de sua mulher Izabel de Barros, moradores e naturais desta Freguesia, e logo lhes dei as bênçãos, guardando-se em tudo a forma do Sagrado Concilio Tridentino, do que mandei fazer este assento em que por verdade assino. Manoel Gomes Correa.

Dona Angélica deve ter falecido pouco depois e Valentim casou com Luzia de Albuquerque. Maria Manoela, filha de Valentim e Luzia, casou em 20 de maio de 1766, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, com o viúvo Estevão Cunha de Mendonça. Este último casal gerou um filho que recebeu o nome do avô, Valentim Tavares de Mello, e que casou em 1802, com Thereza Maria de Jesus, filha de Jerônimo da Costa e Anna Maria Pereira. Jerônimo era filho de João da Costa Almeida e Catharina de Oliveira e Melo, sendo esta última filha natural de Gregório de Oliveira e Mello, irmão de Valentim.

Naquela época as pessoas não ficavam viúvas por muito tempo. No dia primeiro de novembro de 1748, o capitão Manoel Gomes da Silveira, viúvo de Florentina de Mello, esta filha de Estevão Velho de Mello e Joanna Ferreira de Melo, casou com Luzia de Albuquerque Melo, viúva do sargento-mor Valentim Tavares de Melo. 
assentamento de praça de Valentim Tavares de Mello



Perdas de arquivos

Por Fábio Arruda de Lima

Amigos,
Como aconteceu ontem comigo, nunca é demais lembrar.

1) Sempre faça backup de seus arquivos de genealogia, com data e versão, pois este detalhamento permitirá a você recuperar com facilidade, pelo menos, a última versão mais atualizada. Mantenha sempre uma cópia atualizada em pendrive, outra em HD Externo e outra no computador, no mínimo;

2) Envie para seu próprio e-mail sempre que for salvar. O Word tem esta opção;

3) Faça cópias em diversas pastas, pois, se corromper a pasta usual, fato natural em informática, você consegue ter outra em diretório distinto daquele que foi corrompido;

4) Não poupe espaços com arquivos repetidos, o tempo que será gasto para recuperar não compensa a economia de espaços que você obtém;

5) Envie cópia para seus amigos, primos, parentes, para que, se ocorrer um desastre, você vai ter como recuperar pedindo uma cópia de volta. Não tenha medo de publicarem o seu trabalho, pois duvido que consigam entender seus rascunhos preliminares de informações genealógicas. Eu envio cópia integral de tudo para todos que conheço e me pedem sem o menor constrangimento;

6) Se ocorrer um problema com seus arquivos, não se desespere, peça ajuda e não faça nada tentando recuperar, pois, você, sem entender bem de informática e no desespero, poderá prejudicar ainda mais a recuperação, danificando permanentemente os arquivos;

7) Não salve um arquivo em cima do outro, ou seja, habitue-se a salvar, semanalmente, no mínimo, sempre com nova data e versão. Salve como novo arquivo, nunca por cima do anterior. Mantenha os dois arquivos diferentes e em, pelo menos, duas pastas diferentes;

8) Crie uma pasta com datas só para fazer a recuperação dos arquivos que estão no desktop (área de trabalho) ou tela inicial do seu computador. De tempos em tempos, no mínimo, semanalmente, salve todos os arquivos da área de trabalho em uma pasta distinta, com cópias para outros diretórios;

Estas dicas fazem você perder pouco tempo em relação ao tempo que seria perdido caso seus arquivos de genealogia venha a ser danificados.
Abçs
Fábio Arruda de Lima
Falando ainda de Olinda e cansado das férias!!!

Mal educados, retornem as ligações!!!



      Públio José – jornalista



                        Uma das maiores e mais constantes reclamações que ouvimos, no contato diário com as pessoas das mais diversas classes sociais, é o desrespeito e a desconsideração que recebem daquelas outras ditas importantes, ocupantes de altos cargos na administração pública e também na iniciativa privada. A queixa envolve a constatação de como é difícil a um integrante do primeiro, segundo, e até mesmo do terceiro escalão da administração pública, seguir as mais elementares noções de educação e etiqueta profissional para com os demais mortais, retornando as ligações e recados a eles dirigidos. Na iniciativa privada o índice de frieza e insensibilidade é bem menor. Porém, mesmo assim, atinge taxas igualmente altas de má educação e má vontade. É impressionante como atualmente por aqui e alhures, sem exceção, alastrou-se essa verdadeira praga de arrogância, soberba e descortesia.
                        E olhe que estamos falando de pessoas comuns. Gente assalariada, que tem problemas e dificuldades na sua rotina diária como qualquer outra. Porque se falarmos das elites, aí enquadrados empresários, autoridades, personalidades do mundo artístico e políticos em geral, o quadro fica pior, muito pior. No caso específico dos políticos, é interessante se notar que, para lograrem êxito, fazem todo tipo de paparico ao eleitor, principalmente aos mais necessitados. Aí, depois de alcançar seus objetivos, montam uma razoável estrutura para se livrar daqueles que os procuram, normalmente constituída de pessoas insensíveis, agressivas, escolhidas a dedo. O que se vê, então, é um quadro humilhante, degradante, de difícil narração. Pessoas, normalmente de condições humildes, perambulando de gabinete em gabinete, de sala em sala, solicitando atenção para suas dores, dissabores, aflições.
                        Recebendo, em troca, de assessores e secretárias, já devidamente instruídos, todo tipo de manifestação de descortesia, indiferença e arrogância. É interessante se observar, por outro lado, que tais profissionais são trazidos para funções importantes, estratégicas no tocante ao atendimento público, sem passar por nenhum preparo da parte daqueles que os nomeiam, que os constituem seus prepostos. Aí é de fazer dó as cenas presenciadas. Umas pessoas se dirigindo a outras – no sentido de terem seus pedidos atendidos; e estas se negando a atendê-las ou praticando um atendimento de péssima qualidade – gerando, com isso, tristezas e decepções de toda ordem. São, em resumo, as pessoas erradas, colocadas nos lugares errados por pessoas erradas, para atender gente que escolhe hora e lugares errados, com gente errada para recebê-las e erradas para encaminhar seus problemas, demandas e aflições.
                        O caos, enfim. Tais pessoas agem como se fossem habitantes de um mundo à parte, como componentes de um extrato social diferente, majestático, desconectadas de responsabilidades e atenções para com o próximo. Retornar recados e ligações para elas é totalmente dispensável. Tanto faz como tanto fez. Insensíveis, não calculam o prejuízo que causam aos outros e aos órgãos que servem em razão da descontinuidade ocasionada pelo seu mau comportamento. Enganam-se, se pensam que estão “abafando”. Na verdade, agindo assim, estão mal diante de si e dos homens – e mais ainda perante Deus. Pois foi Jesus mesmo que disse “Aquele que recebe os que Eu envio, a mim me recebe”. Deu pra entender? É muito séria – e edificante para quem a faz com amor e zelo – a atividade de atender, receber e encaminhar pessoas. Digno e fidalgo é aquele que a cumpre com dedicação, carinho e boa vontade.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

João Bosco e outras pessoas conhecidas


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Ultimamente tenho feito artigos genealógicos sobre pessoas que são nossas contemporâneas, em busca de elos com os mais antigos. Hoje, continuamos nesse caminho, iniciando com meu amigo João Bosco, que morava, quando o conheci, em frente ao Colégio Maria Auxiliadora. Os nomes serão escritos como aparecem nos registros da Igreja.

Aos vinte e três de março de mil novecentos e quarenta e sete, nesta Catedral, batizei, solenemente,  a João Bosco Barreto Duclerc Pinheiro, nascido em Natal, no Hospital Miguel Couto, a dez de fevereiro de mil novecentos e quarenta e sete, filho legítimo de Francisco Duclerc Pinheiro e D. Marta Barreto Pinheiro, residentes à av. Deodoro, nº 277; neto paterno de Joaquim Anselmo Pinheiro e Paulina Generosa do Amor Divino, e materno de Pio Paes Barreto e Maria Carolina Barreto. Foram padrinhos, Dr. Heitor Pereira Carrilho e D. Virgínia Ribeiro Carrilho, residentes no Rio de Janeiro, representados por Carlos Lamas e D. Berta Barreto Lamas, residentes nesta capital. E para constar mandei lavrar este termo que assino. Monsenhor José Alves Ferreira Landim.

Pio Paes Barreto era filho de Juvino Paes Barreto e Ignez Augusta de Albuquerque Maranhão, sendo esta filha de Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão e Feliciana Maria Silva Pedroza.

Meus sogros moravam em Santa Cruz, mas vieram batizar uma de suas filhas, irmã de Graça, minha esposa, aqui em Natal, pois era aqui que moravam os padrinhos. Segue o batismo: Aos dezesseis de abril de mil novecentos e quarenta e sete, nesta catedral, o Reverendíssimo monsenhor João da Mata Paiva, de minha licença, batizou, solenemente, a Joana D’arc, nascida em Santa Cruz, Rio Grande do Norte, a dezoito de fevereiro de mil novecentos e quarenta e sete, filha legitima de Francisco Umbelino Neto, agricultor, e D. Maria Stela Rodrigues, residentes em Santa Cruz; neta paterna de José Umbelino Gomes e Maria do O’ de Medeiros Gomes; e materna de José Rodrigues de Medeiros e Felismina Rodrigues. Foram padrinhos Dr. Fernando Guilherme, farmacêutico, e D. Elima Guilherme Gomes, residentes à rua (ilegível) nº 76. E para constar mandei lavrar este termo que assino. Monsenhor José Alves Ferreira Landim. Joana casou com o cardiologista Nilton Oliveira Mendes Sobrinho, em 1969.

No registro acima, José Umbelino Gomes (de Macedo) era filho de Francisco Umbelino Gomes de Macedo e Felismina Maria de Macedo, enquanto Maria do O’ de Medeiros era filha de Felix Antonio de Medeiros e Thereza Duquesa de Farias. José Rodrigues e Felismina eram filhos: ele de Manoel Rodrigues da Silva e Francisca Mirandalina de Medeiros; ela, de Francisco Rodrigues de Freitas e Salvina Umbelina de Freitas, sendo esta última, irmã de José Umbelino Gomes.

Valdemar, meu irmão, casou com Daisy Lucena, cujo batismo segue: Aos dezoito de março de mil novecentos e quarenta e sete, nesta Catedral, o Reverendíssimo Padre Francisco das Chagas Neves Gurgel, de minha licença, batizou, solenemente, a Daisy Moraes Lucena, nascida em Natal, à av. Rio Branco, nº 682, a quinze de julho de mil novecentos e quarenta e três, filha legítima de José Cordeiro Lucena (Comercial José Lucena) e D. Georgina Moraes Lucena; neta paterna de Tobias Aguiar Lucena e Maria Francelina de Moraes (em outros registros não tem esse Moraes), e materna de Benjamin Moraes e Brasiliana de Moraes. Foram padrinhos José Ribeiro Dantas e D. Helena Vilar Ribeiro Dantas, residentes nesta capital. E para constar mandei lavrar este termo que assino. Monsenhor Landim.

Na mesma data acima foi batizada uma irmã de Daisy, de nome Dalvanira Moraes Lucena, nascida, no mesmo local acima, na data de 31 de dezembro de mil novecentos e trinta e nove, tendo como padrinhos Dr. Sebastião Monte, médico, e D. Nadir Correia Monte. Outro irmão de Daisy, Wellington (José) Moraes Lucena, nasceu aos 13 de março de 1933, em Nova Cruz, mas só foi batizado aos 13 de março de 1938, no Santuário, aqui em Natal, pelo Padre José Dantas Adelino, tendo como padrinhos Noé Lucena e sua esposa D. Luzia de Medeiros Lucena; nesse registro o nome completo do avô materno era Benjamim Constant Costa Moraes, simplificado no registro de Daisy; Wellington casou com Vera Lúcia Gentile, em 1966. Encontro  batismos de mais duas irmãs de Daisy: Therezinha, nascida em 25 de outubro de 1935, em Nova Cruz, batizada em oratório particular em 23 de janeiro de 1936, tendo como padrinhos Aurio (é o que parece) Costa e Maria Otília Carneiro; e Dalva, nascida em 15 de julho de 1937, batizada em 12 de agosto do mesmo ano, na capela do Tirol, tendo como padrinhos Eduardo Gurgel Filho e Djanira de Lucena Gurgel.

Os padrinhos de Therezinha eram os pais de Luiz Eduardo Carneiro da Costa.
Graciela, Bosco e eu


Daisy, Valdemar, e nós

Joana, Nilton e nós


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Comentário de Lúcia Tolson, EUA

Prezado Professor João Felipe,


Lá dos Estados Unidos, Lúcia escreveu: 
Este seu texto de encerramento do ano de 2013 realmente me tocou.  O Brasil precisa de mais vozes como a sua, além de mais educação, saúde e segurança.  Retransmiti seu texto para meus tios no Brasil.  Desejo-lhe daqui das terras distantes do Norte um feliz Ano Novo.  Que o seu trabalho possa ser cada vez mais divulgado!

Um abraço,

Lúcia Tolson

Pirangi do Norte, início de 2014


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
No verão, para fugir da rotina e ver novas paisagens, renovando nossas energias, saímos de Natal para Pirangi do Norte, 22 quilômetros de um lugar para outro. Fugimos do trânsito fatigante da capital, onde os sinais estão constantemente sem sincronia, e não funcionam a onda verde e as vias livres, para os engarrafamentos das praias da costa sul do Rio Grande do Norte.

Na chegada, notícia de um assalto, no dia anterior, praticado por cinco indivíduos contra a casa de um agente da Polícia Rodoviária Federal. As autoridades policiais continuam repetindo a mesma ladainha de sempre e tudo continua como antes. Falta inteligência no setor de segurança deste país.

Os sinais de comunicação já não funcionam bem na capital, e nas praias, mesmo as mais próximas, a coisa desanda. Telefones e internet se tornam um martírio para quem quer se comunicar. Mais ainda, os paredões fazem a festa das novas tribos e o inferno dos veranistas e moradores. Músicas da pior qualidade drogam as mentes jovens e atanazam o sono dos mais velhos.  As únicas coisas que se interiorizam, neste país, são o crime organizado, as aulas online de maldades (novelas), as drogas, com predomínio do crack, e as aulas online de mediocridade (os big brother da vida). É a coisa ruim chegando a todos os lugares.

Pirangi, e as praias vizinhas, mesmo com seus moradores habituais, os veranistas e milhares de turistas transitando por ela, não tem todos os serviços necessários para atender as demandas dos usuários. Nenhuma agência bancária, nem as oficiais estão por aqui. É o retrato do atraso, da falta de visão dos governantes.

O Rio Grande do Norte possui uma grande costa em relação ao seu tamanho. Praias de riquezas naturais e históricas não são aproveitadas pelos seus prefeitos e governador. O discurso do turismo continua pobre e sem ação concreta. As praias beneficiadas pelos royalties de petróleo só atraem políticos aventureiros que não levam benefícios para as mesmas. Carnavais são suas grandes realizações. As roubalheiras são as maiores. Mas os ladrões continuam flanando por aí. O que restou dos PRODETUR I e do PRODETUR II?

Na natureza, temos a noite para descansar nosso corpo físico e reiniciar novos programas instalados na nossa mente. As semanas, os meses e as estações do ano quebram as rotinas do dia a dia e são necessárias para que estejamos sempre recomeçando nossas vidas e nossas visões do mundo. Mas não é isso que acontece. Os condicionamentos são mais fortes que a nossa vontade de mudar. Estamos sempre usando a memória psicológica e as imagens do passado para começar o dia, a semana ou o mês. E por isso, nada muda de verdade.


E assim não avançamos como seres humanos. Tudo se repete, monotonamente. As pessoas contam seu tempo a partir dos eventos. Em 2014, por exemplo, vai ser assim: Veraneio, carnaval, semana santa, copa e eleições. Quando terminar o sonho da copa no Brasil, voltamos para realidade do dia a dia. Vamos ter os infames programas eleitorais, onde tudo vai ser prometido com a maior cara de pau. Os candidatos, que serão os de sempre, vão falar, inicialmente, em saúde, educação, segurança, planejamento estratégico, sustentabilidade, governança solidária, choque de gestão e outros termos novos que seus marqueteiros vão inventar. Depois, vão infernizar a vida dos adversários, dando início a sessão escândalos. Vai ser o sujo falando do mal lavado.

Quando tomarem posse, no início de 2015, os novos mandatários vão reclamar dos seus antecessores, se não foram os reeleitos. Segue o papo furado da governabilidade para justificar as composições partidárias e o preenchimento dos cargos comissionados. Contratam consultorias desnecessárias, pois, tudo que elas propõe, já foi proposto anteriormente, pela prata da casa. E, aí, já começa a próxima eleição. Os que saíram do governo, mas não fizeram o prometido, querem retornar. E o gigante pela própria natureza vai continuar deitado eternamente em berço esplêndido. 

A natureza quebra a monotonia da terra com suas catástrofes. Sensibilizamos-nos temporariamente. Os governos prometem tudo, mas em 6 meses tudo é esquecido. E no ano seguinte as mesmas catástrofes se repetem nos mesmos lugares, causando dores, principalmente, para os menos favorecidos, as principais vítimas.

A genealogia nos mostra que somos frutos de centenas de milhares de pessoas. Os indivíduos não se repetem, mas os condicionamentos de milhares de anos não nos deixam seguir um caminho diferente. Nem as religiões, nem os educadores, nem os filósofos e nem os psicólogos têm ajudado muito a humanidade.

Vez por outra aparece um messias na terra. Mas quando ele se vai, os seguidores esquecem os ensinamentos e o transformam num ídolo, deturpando tudo que foi proclamado. Buda disse que não precisávamos percorrer o mesmo caminho que ele. Seus ensinamentos iluminavam o caminho que tínhamos que seguir; Jesus ensinou que quando quiséssemos conversar com Deus, entrássemos em um quatro, fechássemos a porta e orássemos, dando como o exemplo o pai nosso, mas fazemos o contrário; Krishnamurti ensinou que prestássemos atenção na nossa mente, pois é ela quem tem o comando de tudo, mesmo dos que se dizem livres.  Mas, infelizmente não compreendemos o que eles disseram e a humanidade caminha sem muita evolução, comandada pelos expertos e enganadores.
 
Assim, 2014 vai ser, em essência, a repetição do que tem acontecido até agora. A única novidade é o próprio ano.



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Comentário de Lúcia Tolson


Ainda sobre o artigo de Pirangi, recebi o seguinte comentário de Lúcia Tolson, lá dos Estados Unidos
Prezado Professor João Felipe,

Este seu texto de encerramento do ano de 2013 realmente me tocou.  O Brasil precisa de mais vozes como a sua, além de mais educação, saúde e segurança.  Retransmiti seu texto para meus tios no Brasil.  Desejo-lhe daqui das terras distantes do Norte um feliz Ano Novo.  Que o seu trabalho possa ser cada vez mais divulgado!

Um abraço,

Lúcia Tolson

Comentário sobre artigo, Demétrio Bezerra

Sobre o artigo - Pirangi do Norte, final de 2013, meu amigo lá de Brasília, Demétrio Bezerra, fez o seguinte comentário.

Caro João,
Enquanto isso o país se esmera desesperadamente na produção de soja, desmatando ainda mais o interior, que diante de uma lavoura extremamente "competitiva", mecanizada ao extremo e que só entope de veneno tanto o solo quanto o lençol freático, expulsa os menos preparados, os lavradores e pequenos e médios fazendeiros, que impossibilitados de acompanhar esta loucura dita produtiva, veem-se muitas vezes diante do único caminho possível: arrendar suas terras para ricos plantadores de soja, milho e cana-de-açúcar, que se socorrem muitas vezes do dinheiro público.

Este é hoje o princípio da crescente favelização, que nunca é citada por nossos anaalistas "sociais e econômicos" mas que repetem dia e noite as maravilhas do mercado. Que mercado?

Em contrapartida um pequeno percentual de nossa população, que está empregado em gordas "carreiras especiais", recebe polpudos salários muito maiores que os seus correspondentes menos favorecidos no próprio governo, bem como no setor privado, causando uma inflação que não é medida. E uma enorme especulação imobiliária, que deverá provocar o estouro desta bolha em 2014.

Quanto às drogas, com toda certeza fazem parte de um poderoso plano que vem do exterior, através de uma bem camuflada confusão, corroendo nossa sociedade pela base, tal como os ingleses fizeram com a China no Século XIX, não necessitando de exércitos para dominar aquele enorme e populoso país.

Por aqui ocorre há algumas décadas o mesmo, e esta estratégia dispensa ocupação militar, bastando "ocupar os desocupáveis com muita droga na cuca" e muita inutilidade televisiva.

Este empobrecimento é pior que o financeiro, na verdade trata-se do verdadeiro empobrecimento econômico-cultural.