terça-feira, 24 de setembro de 2013

Gente do nosso tempo (I)

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
De costume, e por preferência, tenho pesquisado e publicado, neste jornal, registros genealógicos dos nossos povoadores mais antigos. Nossos leitores me contam que, mesmo desconhecendo as pessoas citadas, gostam de saber sobre o passado. Talvez, na intenção de encontrar um ascendente. Mas, necessitando buscar maiores informações sobre descendentes de antigos moradores da nossa Freguesia, pesquiso, muitas vezes, registros mais recentes. Aí, encontro gente do nosso tempo, que talvez nem saiba de onde vieram seus ascendentes. Por isso, vou trazer para este espaço, também, registro de pessoas conhecidas. Assim, talvez possamos melhorar o elo com o passado mais antigo. Como algumas dessas pessoas ainda são vivas, evitarei citar a data exata do nascimento.

Zé Eduardo, amigo de muitos anos, e colega, por diversas vezes, na UFRN, Governo do Estado e Prefeitura Municipal do Natal, é o primeiro da lista. José Eduardo de Almeida Moura nasceu, em Natal, no ano de 1947, e foi batizado nesse mesmo ano, na Catedral de Nossa Senhora da Apresentação, pelo seu tio, o Reverendo Padre Pedro de Moura (autor de livros sobre o Rio Grande do Norte), no dia de Nossa Senhora da Conceição. Filho legítimo de Ezequiel Rebouças de Moura, comerciante, e de sua esposa D. Angélica de Almeida Moura, professora (foi diretora do Atheneu), neto paterno de Gonçalo Ismael de Moura e Josefa Rebouças de Moura e, materno de Heitor Góis de Almeida e Maria Alinda Lagrota de Almeida Bastos. Foram padrinhos Ângelo Lagrota de Almeida Bastos e Santa Inez Rebouças de Moura. Nessa época os pais residiam na Rua José de Alencar, 724, como também o padrinho Ângelo. Já Santa Inez residia na General Ozório, 256.

Tó, como era conhecido, amigo de infância, residia na esquina da Hermes da Fonseca com a Ezequias Pegado na casa de seus pais Seu Gaspar e Dona Aparecida. Do seu registro tiramos o que se segue: Antonio Neto Gaspar nasceu em Paulista, Pernambuco, no ano de 1943, e foi batizado nesse mesmo ano na Igreja do Tirol, pelo padre Esmerino Gomes da Silva. Filho legítimo de Henrique Marques Gaspar (português) e de sua esposa D. Maria Aparecida Neto Gaspar. Foram padrinhos, seu tio, José Arnaud Gomes Neto (foi Deputado Federal) e sua esposa D. Elza Câmara (filha do Senador João Câmara).

Zé Wilson, outro amigo de infância, que morava na Hermes da Fonseca, em frente ao Colégio Maria Auxiliadora, era primo de Tó. O pai de Zé era irmão da mãe de Tó. José Wilson Arnaldo nasceu, em Baixa Verde, no ano de 1946, e foi batizado no dito ano, no Santuário do Tirol, pelo monsenhor José Alves Landim. Filho legítimo de José (Wilson) Arnaldo Gomes Neto, funcionário público, natural de Santa Cruz, e de sua esposa D. Maria Terezinha da Câmara Gomes Neto, doméstica, natural de Baixa Verde, onde residiam, neto paterno de Dr. Arnaldo Gomes Neto (Recife) e Anna Carmelita Gomes Neto (Santa Cruz); e materno de Antonio Severiano da Câmara e Ana Soares da Câmara. Foram padrinhos Dr. Arnaldo Gomes Neto, magistrado, viúvo, e D. Ana Pereira da Cunha Mello, casada, residentes em Natal. Anna Carmelita era neta materna (através de Maria Felentina de Medeiros Rocha) de Felix Antonio de Medeiros (São João de Sabugi) e de Thereza Duquesa de Farias. Maria Felentina era irmã de Maria do O’, mãe do meu sogro Francisco Umbelino Neto.

Marco Aurélio, que lança um livro esta semana sobre o pai, Dr. Floriano Cavalcanti, nasceu em 1936, sendo batizado, em oratório privado, no mesmo ano. Filho legítimo de Dr. Floriano Cavalcanti e Dulce de Moura Cavalcanti, teve como padrinho Dr. Luiz Antonio Ferreira Souto dos Santos Lima. Alguns registros são pobres em informações, como é o caso deste de Marco Aurélio.

O deputado estadual Agnelo Alves nasceu em Ceará-mirim, no ano de 1932, mas foi batizado, na Catedral, no ano de 1933. Filho legítimo de Manoel Alves Filho e Maria Fernandes Alves teve com padrinhos Francisco (Quinho) Chaves e Natércia Pinheiro Chaves. Este último casal batizou, em 1933, na Catedral, Elói Chaves, nascido em 1932, sendo os padrinhos Militão Chaves e Britalda Chaves.

Um dos meus professores, no curso de Bacharelado em Matemática, foi Joaquim Elias de Freitas. Ele nasceu em 1941, mas foi batizado, somente em 1943, na Catedral. Era filho legítimo de Joaquim Pinheiro de Freitas, que faleceu em 1942, e de sua esposa D. Maria Carolina de Freitas, natural de São José de Mipibu, neto paterno de Rafael Arcanjo de Freitas e Francisca Ferreira de Freitas; pelo lado materno de Pedro Afonso de Barros e Josefa Rodrigues de Barros. Foram seus padrinhos Pedro José Lagreca, comerciante e sua esposa D. Ignez Freire Lagreca.

Gildecina (nome composto) nasceu aos 24 de outubro de 1932, e foi batizada na Catedral aos 8 de dezembro do mesmo ano. Era filha de Gildenor Monteiro Alves Bezerra e Gercina Henriques Bezerra. Teve com padrinhos João Baptista Alves Bezerra e Felisbella Diniz Henriques. A professora Gildecina Henriques Bezerra faleceu no ano de 1966. Era irmã de Gilda (Gildegerci, outro nome composto) Avelino, viúva do poeta Gilberto Avelino, e sobrinha do escritor Afonso Bezerra. Elas descendem de Ana Jovina da Costa Bezerra, minha tia-bisavó, e seu marido Antonio Pedro Alves Bezerra.
Padre Esmerino no Centro, Felentina, a segunda depois do padre, indo para a direita.






quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Cordeiros e Carneiros


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
As mesmas águas, que fizeram submergir a Ilha de Manoel Gonçalves, expulsaram de lá seus habitantes e visitantes para diversas localidades, como Macau, Pendências, Oficinas, Rosário, Cacimbas do Viana, Curralinho e outras tantas. As coisas da natureza e a natureza das coisas vão tecendo o destino das pessoas, juntando-as e separando-as, tudo ao mesmo tempo. A cada instante, o mundo é redesenhado. O caos reordena a natureza.

Aquele porto, no meio do mar, onde tantas embarcações ancoravam e por onde tantas pessoas, das mais diversas nacionalidades e localidades circulavam, com seus negócios e afazeres, jaz submerso no oceano e esquecido pelas autoridades. Nem um farol e nem um marco está presente onde foi a nossa Atlântida. Por onde andam os remanescentes daquele povo que transitava ou residia na Ilha esquecida? Quantos sabem que seus antepassados passaram por lá?

Pesquisando em velhos livros da Cúria, vou repassando a antiga história do nosso povo e dos nossos heróis esquecidos. Vez por outra encontro, através de seus descendentes, velhos conhecidos. Em uma dessas viagens, nos livros da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, encontro o batismo de Eliziário, que me fez recordar o lisboeta Eliziário Antonio Cordeiro, lá da Ilha de Manoel Gonçalves. Paro e vou examinar o registro, em busca de algum elo com o povo que lá vivia.

Aos vinte e três dias de junho de mil oitocentos e setenta e três, o Reverendo Coadjutor Pro-Pároco Joaquim Francisco do Nascimento batizou solenemente Eliziário, nascido a seis de maio do mesmo ano, filho legítimo de Manoel Martins de Oliveira e Rita Xavier Bezerra. Padrinhos, o Reverendo Padre Francisco Constâncio da Costa e Francisca Jeracina Cordeiro. E para constar fiz este assento. José Herôncio da Silveira Borges, Coadjutor Pro-Pároco.

Esse Manoel, acima, deve ser o filho de Eliziário Antonio Cordeiro e Antonia Silvéria de Oliveira, ele de Lisboa, ela da Serra de Martins, que nasceu aos trinta de outubro de mil oitocentos e trinta, e foi batizado na Ilha de Manoel Gonçalves. Nas minhas hipóteses, Antonia Silvéria de Oliveira era filha do capitão Silvério Martins de Oliveira e Joanna Nepomucena. Dona Joana, que viúva residiu um tempo na Ilha, era filha do capitão Manoel Ignácio de Carvalho e Anna Josepha Joaquina de Albuquerque, residentes na Serra de Martins. Lembramos que o capitão Silvério e Dona Joana  foram sepultados na Igreja do Bom Jesus das Dores, aqui na Ribeira do Potengi.

Um dos filhos de Eliziário, com o mesmo nome, casou em 1869, na Barra de Mossoró, com sua parenta Antonia Cordeiro de Carvalho, filha de Gorgonio Ferreira de Carvalho e Anna Joaquina Cordeiro.

Em outro registro encontro que aos vinte e oito de dezembro mil oitocentos e três, era batizado Raymundo, que nasceu aos vinte e sete de novembro do mesmo ano, filho de José Martins Cordeiro e Victoriana Joaquina Pinheiro, tendo como padrinhos Pedro Liberato Bimont e dona Maximiana Synphronia da Costa. Esse José Martins deve ser, também, um dos filhos de Eliziário Antonio Cordeiro e Antonia Sivéria.

Raymundo, que virou Raymundo Rodrigues Cordeiro, casou em 30 de novembro de mil oitocentos e noventa e cinco, aqui na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, com Francisca Viterbina Gomes Carneiro, filha de João Viterbino Gomes Carneiro e Maria Florentina Carneiro de Mello, perante as testemunhas Nicoalu Bigois e Luis Ferreira França.

Esses Carneiros são velhos conhecidos nossos. João Viterbino e Maria Florentina casaram em 1871, com dispensa de consanguinidade, ele filho de Manoel Gomes Carneiro e Francisca Xavier de Miranda Henriques, e ela filha de João Gomes Carneiro de Melo e Anna Joaquina Teixeira de Souza, que viveram um tempo em São Gonçalo e, depois, foram para Cacimbas do Viana. Francisca Bela, uma irmã de Maria Florentina, foi batizada em Macau, em 1848, e casou na Fazenda Conceição, em 1864, com meu tio-bisavô Cosme Teixeira Xavier de Carvalho. Maria Leocádia, outra irmã de Maria Florentina, casou em Angicos, em 1861, com José Odorico da Costa Ferreira, filho de Antonio Martins Wladislau da Costa e Antonia Teixeira de Sousa.

Em outro artigo já discutimos que João Gomes Carneiro de Melo descendia do lisboeta João Gomes Carneiro e de dona Anna Ferreira de Miranda.
Você que é Cordeiro ou Carneiro pode descender desses portugueses. Você já encontrou seus passos no passado?





terça-feira, 10 de setembro de 2013

A mãe e duas irmãs do padre Manoel de Arruda Câmara

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
A genealogia do polêmico capitão-mor de Pombal, Francisco de Arruda Câmara, ainda tem muitas lacunas e dúvidas. Era filho de Francisco de Arruda Câmara e de Clara Mendonça de Vasconcelos (ou Clara Espínola de Mendonça).

Fábio Arruda, lá das Alagoas, que descende de Vicência, irmã do capitão-mor, me enviou documentos inéditos sobre batismos de netos do capitão-mor e do óbito da esposa dele, Maria Saraiva da Silva.

Raquel foi batizada aos vinte e dois de janeiro de mil setecentos e noventa e dois, na capela de Santa Rita do Engenho Jardim, com vinte e dois anos de nascida. Era filha do Alferes Ignácio José Loyola e Dona Emerenciana de Arruda Câmara, neta paterna do tenente Feliciano Pereira de Lyra e Margarida Gomes da Anunciação, e materna do capitão-mor Francisco de Arruda Câmara e Maria Saraiva de Araújo. Foram padrinhos o capitão-mor Francisco de Arruda Câmara e Dona Margarida Gomes da Anunciação.

Amaro foi batizado aos vinte e quatro dias do mês de setembro de mil setecentos e noventa e três, na capela de Santa Rita do Engenho Jardim, com um mês e meio de nascido. Era filho do comandante Domingos de Abreu e Vasconcelos e Dona Maturniana (parece ser este o nome, no registro) de Arruda Câmara, moradores no Engenho Jardim, neto paterno do capitão João Dias da Silva Coutinho e Dona Maria José dos Prazeres, e materno do capitão-mor Francisco de Arruda Câmara e Maria Saraiva da Silva. Foram padrinhos, por procuração, o mestre de campo Amaro Gomes Coutinho e Dona Maria José dos Prazeres.

Como é comum nos registros da Igreja, houve variação no sobrenome de Dona Maria Saraiva da Silva. Com esses dois registros, acima, os nomes dos filhos do capitão-mor e de sua esposa, até agora reconhecidos documentalmente, são Dr. Francisco de Arruda Câmara, Padre Dr. Manoel de Arruda Câmara (botânico famoso), Maturniana de Arruda Câmara e Emerenciana de Arruda Câmara.

No Roteiro dos Azevedo e outras famílias do Nordeste, Sebastião de Azevedo Bastos cita, como uma das filhas do Capitão-mor Francisco de Arruda Câmara, a esposa de Antonio Ferreira de Macedo, D. Ana de Arruda Câmara. Diz mais, que filhos desse casal, netos, portanto, de Francisco de Arruda Câmara e Maria Saraiva da Silva são Antonio Ferreira de Macedo, Vicente Ferreira de Macedo e Estevão Jose da Rocha (Barão de Araruna). Segundo Ormuz Barbalho, baseado em outros autores e em pesquisa própria, é filho, também, de Antonio e Anna, José Ferreira da Rocha Camporra.

Vejamos agora o óbito de Dona Maria Saraiva. Nesse documento consta que: aos dois dias do mês de setembro de mil setecentos e oitenta e quatro, faleceu na vida presente, sem sacramentos, por não dar tempo a enfermidade e a distância, em idade de trinta e oito anos, pouco mais ou menos Dona Maria Saraiva da Silva, mulher do capitão-mor Francisco de Arruda Câmara e, foi sepultada nesta Paróquia, Igreja de Nossa Senhora  do Bom Sucesso, do arco para dentro, solenemente, com ofício de corpo presente, acompanhada de todos os sacerdotes, encomendada por mim, que fiz este assento, que o escrevi, Francisco Xavier de Viveiros – Cúria de Pombal.

Wilson Seixas Nóbrega, no seu livro Velho Arraial das Piranhas, Pombal, expõe outros documentos sobre o padre Manoel de Arruda Câmara. No testamento do padre Antonio Saraiva da Silva, em 1754, ele deixou parte dos seus bens, incluindo metade da fazenda São João do Apodi, para sua sobrinha Maria Saraiva. Por esse documento e outros, Wilson conclui que nessa data, Dona Maria Saraiva ainda era solteira.

Outro documento, citado por Wilson, é um traslado de procuração, no qual Dr. Manoel de Arruda Câmara informa que o sítio de terras, denominado São João, na Ribeira das várzeas do Apodi, foi do seu avô, coronel Ignácio Saraiva de Araújo. Este último e o padre Antonio Saraiva da Silva eram irmãos de João Ferreira da Silva, primeiro sogro do capitão Manoel Varella Barca.

Na busca por detalhes sobre Anna de Arruda Câmara, temos pesquisado sobre seus descendentes.

De um registro encontrado por Isabel Pinto, extraímos que: aos 2 de fevereiro de mil oitocentos e quarenta e um, na casa de Estevão José da Rocha (futuro Barão de Araruna), e na presença das testemunhas major José Joaquim das Neves e o tenente-coronel Leonardo Bezerra Cavalcanti, casaram, dispensados no segundo grau de consanguinidade, Antonio Cândido Tamaturgo de Farias, filho de João Ferreira de Farias e de Ana Joaquina da Conceição, e Maria Madalena de Jesus, filha do capitão Estevão José da Rocha e de Maria Madalena das Dores, ambos naturais da freguesia de Bananeiras.

Já expomos aqui, em outro artigo, casamentos de filhos de Vicente Ferreira de Macedo e Antonio Ferreira de Macedo. Ainda, nos registros da Freguesia de Santa Cruz, encontramos dois casamentos de filhos de José Ferreira da Rocha Camporra e Anna Joaquina de Mello: em 1870, na Fazenda da Volta, Antonio Ferreira da Rocha casou com Thereza Avelina de Faria, filha de Francisco de Faria Costa e Anna Joaquina do Espírito Santo; e, em 1873, na Fazenda São Bento, Firmino Florentino da Rocha casou com Umbelina Hermelina de Faria, filha do finado(1870) José Ferreira de Faria e Balbina Francelina (Filonila) de Faria.

Observamos que na descendência de Antonio Ferreira de Macedo e Anna Arruda Câmara não encontramos ninguém, até agora, com o sobrenome Arruda Câmara.

Se você tiver documentos ou informações sobre velhas famílias, do Rio Grande do Norte, mande para o e-mail acima. 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Lafaiete Pinheiro de Sousa


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Aqui mesmo, neste jornal, fiz um artigo sobre a ascendência angicana de Micarla de Sousa. Entretanto, tínhamos poucas informações sobre Lafaiete, bisavô dela. Mais do que isso, escrevemos seu nome como Lafaiete Penha de Sousa, desconhecendo, ainda, que ele era descendente dos Teixeira de Sousa, de Angicos. Hoje, com mais documentos vamos corrigir essas falhas, começando pelo registro, na íntegra, do seu 2º casamento.

Aos quatro de maio de mil novecentos e trinta e cinco, pelas 16 horas e três quartos, no Santuário do Tirol (atual Igreja de Santa Terezinha), à Av. Rodrigues Alves, 725, desta cidade episcopal de Natal, depois de feitas as denunciações canônicas e demais formalidades previstas e tendo-se, também, habilitado civilmente no 1º Cartório Judiciário, sem que aparecesse impedimento algum, como se vê do processo que fica arquivado nesta paróquia, com palavras de presente, na forma do ritual romano, em minha presença, e na das testemunhas Francisco Pignataro, casado, funcionário público, natural de Nova Cruz, deste bispado, e sua esposa d. Emília Pessoa Pignataro, de prendas domésticas, natural desta cidade, onde ambos tem residência e domicilio; José Ulisses de Medeiros, casado, comerciante e sua esposa d. Guiomar Mesquita de Medeiros, de serviços doméstico, ambos naturais de Macaíba, e residentes nesta freguesia e todas pessoas muito de mim conhecidas, receberam-se em casamento Lafaiete Pinheiro de Sousa e Zilda de Mesquita Marinho, ambos domiciliados e residentes nesta freguesia. Ele, funcionário público estadual, viúvo de Maria Gonçalves de Sousa, ocorrido nesta cidade, a 30 de novembro de 1930, com 50 anos de idade, nascido a 10 de janeiro de 1885, em Angicos, deste bispado, onde se batizou em tenra infância, filho legítimo de José Paulino Teixeira de Sousa, falecido em 15 de janeiro de 1915, em Angicos, e de d. Ana Cândida de Sousa Pinheiro, viúva, de serviços domésticos, com 69 anos de idade, natural de Angicos, e residente em Macaíba; ela, solteira, modista, com 28 anos de idade, nascida a 29 de setembro de 1906, nesta freguesia, onde foi batizada, em tenra infância, e tem residência e domicilio, filha legitima de Luis Gomes Marinho, casado, agricultor, com cerca de 65 anos de idade, nascido em 16 de agosto de 1870, em Macaíba, e residente em Luis Gomes, do bispado de Mossoró, e de sua esposa Maria Emília de Mesquita Marinho, de serviços domésticos, com 58 anos de idade, nascida em Ceará-mirim, a 1º de novembro de 1877 e residente à rua Indaleto Freitas, 258, desta freguesia, e, em seguida dei-lhe a benção nupcial, conforme o ritual romano. A nubente passa assinar-se, de agora em diante, Zilda de Mesquita Marinho de Sousa. E para constar lavrei este termo que assino com os nubentes e as testemunhas. Seguem as assinaturas de Monsenhor Landim e das testemunhas.
José Paulino Teixeira de Sousa, que era filho de José Vitaliano Teixeira de Sousa e Urbana Maria da Conceição, foi casado duas vezes: a primeira (1874) com Adelaide Amélia Xavier de Menezes, filha de Francisco Xavier de Menezes e Maria Antonia de Fontes Taylor; e a segunda com Ana Cândida de Sousa Pinheiro, filha de José Irineu da Costa Pinheiro e Josefa Cândida de Azevedo Santos. Lafaiete era primo legítimo do poeta Edinor Avelino, pois a mãe deste, D. Irineia, era irmã de Anna Cândida.

Na sequência, o casamento de uma filha de Lafaiete e de sua primeira esposa, Maria Gonçalves, esta filha de Maria Jovelina Bezerra Torres e João de Deus Gonçalves, neta paterna de Francisco Avelino da Costa Bezerra e Josefa Maria da Costa Torres, e materna de João Felippe Teixeira de Sousa e Quitéria Olímpia de Deus Gonçalves.

Aos sete de setembro de mil novecentos e trinta e seis, pelas dezesseis e meia hora, em oratório particular da família da contraente à Rua Indaleto Freitas, 210, desta freguesia de Nossa Senhora da Apresentação e cidade episcopal do Natal, capital do Rio Grande do Norte, depois de feitas as habilitações canônicas e demais formalidades prescritas, tomada a justificação sumária de batismo do contraente, cuja certidão veio negativa do Caicó, não aparecendo impedimento algum, quer canônico quer civil, como se vê do processo, que, sob o nº 16.998, fica arquivado nesta freguesia, por palavras de presente, na forma do ritual romano, em minha presença e na das testemunhas Moacir Medeiros, solteiro, comerciário, e Joana Maria Medeiros, casada, de afazeres domésticos, Floriano Paulino Pinheiro, casado, funcionário público, e de Maria Adelaide Gurgel, viúva, de afazeres domésticos, todos naturais deste estado e residentes nesta capital, e pessoas de mim conhecidas, receberam-se em matrimônio Carlos Augusto de Medeiros e Maria Adelaide de Sousa, ambos solteiros naturais desta diocese e residentes nesta freguesia; ele funcionário público, com 20 anos de idade, nascido a 29 de dezembro de 1915, em São João do Sabugi (Serra Negra), onde se batizou, em tenra infância, residente com a família, filho legítimo de Ademar Romero de Medeiros, viúvo, comerciante, e de sua esposa d. Severina Monteiro de Medeiros, de prendas domésticas, residente a Av. Junqueira Aires, desta freguesia; e ela de prendas domesticas, com 20 anos de idade, nascida a 26 de janeiro de 1916, em Angicos, onde se batizou a 19 de março do dito ano, residente com a família, filha legítima de Lafaiete Pinheiro de Souza, casado pela 2ª vez, funcionário público, com 51 anos, natural de Angicos, e de sua 1ª esposa, D. Maria Gonçalves de Sousa, falecida, nesta freguesia a 30 de novembro de 1930, à rua Indaleto Freitas 210, onde reside Lafaiete, em seguida lhes dei a bênção nupcial com a formula extra missam. Neste mesmo dia, os contraentes se casaram, também, civilmente e a nubente passou a assinar-se, de agora em diante Maria Adelaide de Sousa Medeiros. E para constar, lavrei este termo que assino, Monsenhor José Alves Ferreira Landim. Vigário.

Lafaiete e Maria Gonçalves eram, também, os pais de José Paulino de Sousa que casou com D. Genemar Gomes de Sousa, de Santana do Matos. Este último casal batizou Carlos Alberto de Sousa (o senador), em 10 de março de 1946, nascido aos 26 de dezembro de 1945. Na lateral do registro a informação que Carlos casou com Miriam Garcia de Araújo aos 29 de março de 1969.

P.S.
Recentemente, encontrei o registro de casamento civil de Lafaiete, lá em Angicos, e para variar, os nomes se modificam. De lá extraímos: Em 9 de junho de 1914, em casa de Miguel Pinheiro Gonçalves, se casaram Maria dos Impossíveis de Deus Gonçalves, 19 anos, filha de Maria Jovelina e de João de Deus Gonçalves, com Lafaiete Paulino de Sousa, 31 anos, negociante, filho de José Paulino Teixeira de Sousa e de Ana Cândida de Sousa Pinheiro, tendo havido dispensa de parentesco, no 3º grau, foram testemunhas Joel de Oliveira e Genésio Tibúrcio da Costa Ferreira.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

D. Clara Camarão, uma lenda


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Diversos livros escritos sobre o período do domínio holandês, no nordeste brasileiro, são, quase que totalmente, cópias de outros, escritos anteriormente. Alguns acréscimos, muitas vezes, não passam de invencionices. Isso deve se repetir, com frequência, em outros assuntos históricos. Há, entre esses escritores, alguns que nem viveram por aqui, mas que resolveram escrever, pegando carona em outros autores.

Quando se pesquisa algumas pessoas, em jornais antigos, descobrimos que, dependendo do jornal, seu personagem era um santo ou um bandido, da mesma forma que acontece hoje.

Muitos documentos da nossa história continuam submersos em arquivos de difícil acesso. O governo brasileiro deveria, urgentemente, patrocinar a digitalização e divulgação dos mesmos, para que mais pessoas pudessem ajudar a reescrever a nossa história, acabando com equívocos que se espalham sem nenhuma crítica.

As universidades brasileiras deveriam se dedicar, com mais afinco, aos documentos da nossa história, a fim de trazer, para o grande público, a verdade. Com a internet muito se pode fazer pela educação e, com isso, sair desses índices ridículos que os organismos internacionais nos atribuem. Infelizmente, nossos pesquisadores são muito individualistas.

Muitas informações sobre nossos índios e negros são distorcidas e mereceriam um estudo mais aprofundado, pois eles são parte integrante da nossa identidade. A naturalidade de Dom Antonio Felipe Camarão, por exemplo, é disputadíssima, ainda, por vários estados do Nordeste. O batismo, em 1612, de Antonio e Clara, me parece, é o marco da confusão. Por que não há um esforço conjunto para buscar todos os documentos sobre ele e seus parentes.

Dona Clara Camarão, mesmo com poucas informações sobre sua vida e sem um maior aprofundamento, está perto de se tornar uma heroína brasileira. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que determina a inscrição do nome da índia Clara Camarão no Livro de Heróis da Pátria. O que se sabe de verdade sobre ela?  Que estudos a Câmara Federal encomendou sobre a esposa de Dom Antonio?

Um dos livros mais citados pelos pesquisadores sobre o período holandês, no Brasil, é “O Valeroso Lucideno” de Frei Manuel Calado, que escreveu no prólogo ao leitor: Persuadido (pio, e benigno leitor) de muitas importunações de amigos, e obrigado do amor da Pátria, e levado do primor, e timbre do nome Português e, sobretudo por acudir por a honra, e infalível palavra, e nome de S. Majestade, e dar alento aos moradores de Pernambuco, para levarem com suavidade a carga dos trabalhos, e o peso da guerra, na qual andam em roda viva de dia, e de noite, por libertarem a terra das mãos dos Holandeses: tomei a pena na mão para fazer este tratado, como testemunha de vista, pois em companhia dos tristes e afligidos moradores daquela Província, como amigo, e fiel companheiro, me achei presente, com a espada em uma mão, e com a língua ocupada na propagação, e defensão da Fé Católica. E suposto que esta empresa da liberdade da Pátria, em defensão da Fé de Cristo, pedia outro Escritor mais defecado, e mais douto, pode ser que qualquer outro que seja o escreva com menos evidência, e verdade, pois vai muita diferença entre o que escreve como testemunha de vista, e o de ouvida.

Em todo o livro de Frei Manuel Calado, testemunha viva daquelas lutas, só há uma citação sobre Clara: partiu também Dom Antonio Felipe Camarão, que já então tinha o hábito de Cristo, e S. Majestade lhe tinha dado Dom, e o tinha feito Fidalgo por ser grande valor, e fidelidade, e lhe havia dado título de Governador, e Capitão General de todos os índios do Estado do Brasil; partiu, pois o Camarão e não somente levou todos os índios de sua esquadra, senão que também levou em um cavalo com uma lança na mão, a sua mulher Dona Clara. Frei Manuel, em nenhum momento descreve qualquer batalha da qual ela tivesse participado, somente que partiu com seu marido, com uma lança na mão.

Outro livro famoso é “Castrioto Lusitano” de Frei Raphael de Jesus, que nem por aqui andou. Diz ele, sobre o fato narrado por Frei Manuel Calado: Dom Antonio Phelipe Camarão (título e posto que neste mesmo tempo, lhe deu El Rey, com o hábito em prêmio de seus serviços, tamanhos agora, e tanto maiores depois que defluiram a mercê, e impossibilitam a paga.). A seu lado saiu, também sua mulher Dona Clara montada em um cavalo, e tão clara nesta gentileza, que deixou escurecida a memória das Zenóbias e Semíramis com que tanto se ilustrou a antiguidade. Não ficou atrás dos que mais se adiantaram, o Governador dos Crioulos Henrique Dias, porque tão valente, como zeloso, foi dos primeiros que saíram a investir o contrário com o terço, sempre preto na sorte e da admiração, e inveja sempre alvo.

Diogo Lopes Santiago, outra testemunha da época, escreveu algo a mais sobre a participação de D. Clara nas diversas batalhas? E os cronistas do lado dos holandeses deram notícias da esposa de Dom Antonio?

A vida de D. Clara, na época dos holandeses no Brasil, já está misturada com as vidas das heroínas de Tejucupapo. Nesta, figuram dois nomes, entre as quatro mais citadas: Maria Camarão e Clara, e, talvez, por isso a confusão. A cada momento aparece mais uma batalha da qual D. Clara teria participado. Nos antigos jornais da Hemeroteca Nacional, o nome de Clara é várias vezes citado, já por muitos anos.

A naturalidade de D. Clara, também, já é disputada por Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas. Porto Calvo foi um lugar para onde se dirigiu Dom Antonio Felipe Camarão, levando a esposa Clara.

Acho que a Câmara Federal deveria ser mais cuidadosa nas suas concessões.






domingo, 25 de agosto de 2013

Umberto Concentino e Maria de Lurdes Moura

Por João Felipe da Trindade

Hoje, trago o matrimônio de um casal conhecido que morava na Ezequias Pegado, pais de amigos de infância. Seu Umberto descendia de italianos.

Aos vinte e oito de dezembro de mil novecentos e trinta e cinco, pelas 15 horas, no Santuário do Tirol, a Av. Rodrigues Alves, 725, desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, da cidade episcopal de Natal, depois de feitas as habilitações canônicas e demais formalidades prescritas, não aparecendo impedimento algum, quer canônico, quer civil, como se vê do processo que fica arquivado na paróquia, por palavras de presente, na forma do Ritual Romano, em minha presença, e na das testemunhas David Gurgel Cunha, casado, comerciante, e sua esposa Elita Luz Cunha, de prendas domésticas, por parte do nubente; José Aurino Rocha, casado, comerciário, e sua esposa D. Sara Fernandes Rocha, de prendas domésticas, por parte da nubente, todos naturais deste Estado, residentes nesta capital, e pessoas muito de mim conhecidas; receberam-se em matrimônio Umberto Concentino, e Maria de Lurdes Moura, ambos solteiros, naturais deste bispado e residentes e domiciliados nesta Freguesia; ele comerciário, com 23 anos de idade, nascido a 5 de fevereiro de 1912, em Ceará-mirim, em cuja Matriz se batizou, a 7 de abril do dito ano, filho legítimo de Venerando Concentino, industrial, casado, natural da Itália, e de sua esposa D. Maria Umbelina Concentino, de prendas domésticas, natural de Ceará-mirim, onde tem residência e domícilio; ela, de prendas domésticas, com 19 anos de idade, nascida a 28 de maio de 1916, nesta cidade do Natal, em cuja Catedral se batizou  a 16 de julho do dito ano, filha legítima de Gonçalo Ismael de Moura, casado, funcionário público, e de sua esposa d. Josefa Rebouças de Moura, de prendas domésticas, ambos naturais de Ceará-mirim, e residentes nesta Capital, a Rua José de Alencar, 724, e em seguida dei-lhes a benção nupcial, conforme o ritual. Os nubentes não se casaram civilmente, mas se comprometeram, sob juramento, fazê-lo o mais breve possível. A nubente passa a assinar-se, de agora em diante, Maria de Lurdes Moura Concentino. E para constar lavrei este termo que assino. Monsenhor José Alves Ferreira Landim. Vigário.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

David Trindade e Margarida Fernandes

Por João Felipe da Trindade

Já postamos aqui um artigo sobre Dr. Francisco Ivo Cavalcanti, onde noticiamos que teve como 4ª esposa, Marta Trindade. Depois, postamos o casamento de André Avelino da Trindade, irmão de Marta. Agora, vamos noticiar o casamento de David Trindade, irmão dos dois. Foi funcionário do Banco do Brasil e morava em João Pessoa.

Aos cinco de setembro de mil novecentos e trinta e três, pelas dezesseis e meia hora, no Santuário do Tirol, da Av. Rodrigues Alves, desta cidade episcopal do Natal e paróquia de Nossa Senhora da Apresentação, depois de feitas as habilitações canônicas e tomada justificação sumária do batizamento da nubente, pais de Macau, onde foi batizada, veio certidão negativa, não aparecendo impedimento algum, quer canônico, quer civil, como se vê do processo que, sob o número 16.985, fica arquivado  nesta freguesia, por palavras de presente, na forma do Ritual Romano, em minha presença, e das testemunhas Manoel Alves Filho (seu Nezinho), casado, comerciante, e sua esposa d. Maria Fernandes Alves (dona Liquinha), naturais de Santa Ana do Matos, deste bispado, Mário Coelho Galvão, casado, funcionário público, natural de Goianinha, e sua esposa d. Luzia (ilegível) Galvão, de afazeres domésticos, natural de Macau, todos residentes e domiciliados nesta freguesia, e pessoas de conhecimento meu, receberam-se em matrimônio - David Trindade e Margarida Fernandes, ambos solteiros, naturais deste bispado, e residentes e domiciliados nesta freguesia; ele auxiliar de comércio, com 27 anos de idade, nascido a 11 de dezembro de 1908, em Angicos, onde se batizou a 13 de dezembro, residente à Rua 13 de maio, 523, filho legítimo de André Avelino da Trindade, casado, agricultor, com 71 anos, e de sua esposa d. Isabel Martins da Trindade, de prendas domésticas, com 53 anos, naturais de Angicos e residentes nesta freguesia, à Av. Rio Branco, 521; e ela, de afazeres domésticos, com 21 anos de idade, nascida a 21 de maio de 1915, em Macau, em cuja Matriz se batizou, em tenra infância,  residente no lar paterno, filha legítima de João Amaral Fernandes, casado, comerciante, com 55 anos, e de sua esposa Judite Gomes Ferreira, de afazeres domésticos, com 48 anos, naturais de Macau, e residentes à Av. Afonso Pena, 585, desta freguesia; e em seguida, dei-lhes a benção nupcial, extra missam. Neste mesmo dia  os nubentes casaram-se civilmente e a contraente passa a assinar-se, de agora em diante, Margarida Fernandes da Trindade. E para constar lavrei este termo e assino. Monsenhor José Alves Ferreira Landim. vigário.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Hercília de Araújo Cavalcanti


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Fazer um artigo genealógico é, muitas vezes, montar um quebra-cabeça, onde algumas peças estão perdidas. Se alguns documentos têm seus erros, as informações orais, por sua vez, sofrem mutilações que acabam confundindo o genealogista. Começamos com uma correção do artigo anterior para noticiar, diferentemente do que foi escrito, que a professora Júlia Alves Barbosa teve filhos, dos quais encontramos os registros de dois: Gustavo José Barbosa Cavalcanti, nascido aos 8 de agosto de 1935, e batizado aos 19 de janeiro de 1936, teve como padrinhos Ulisses Cavalcanti e Ione Cavalcanti (tios); e Maria de Fátima Cabral, nascida aos 15 de março de 1939, e batizada aos 21 de fevereiro desse mesmo ano, teve como padrinhos Dr. Jose Ivo Cavalcanti (seu tio) e sua esposa Josefina Maria Cavalcanti, e casou com Marcelo Cabral de Andrade, em 1960. Ecila Cavalcanti me dá notícia de outro: André Luis Barbosa Cavalcanti.

Sobre Hercília, a primeira esposa do Dr. Francisco Ivo Cavalcanti, inicialmente, não encontramos seu batismo, nem seu casamento, mas seu óbito. Neste, encontrei a informação que faleceu aos 13 de março de 1930. Não havia a causa da morte, nem a idade com que faleceu. Mas, dizia que era natural de Angicos.

Com as poucas informações, pedi ajuda para Dodora Rocha e Ecila Cavalcanti, respectivamente, neta e filha do Dr. Francisco Ivo e d. Hercília. Ambas me forneceram a lista dos filhos, a primeira com o ano de nascimento, a segunda com alguns consortes. Com essas referências, encontrei alguns registros de batismos e outros de casamentos, dos quais extraí algumas informações.

Ecila Cavalcanti, a caçula, foi batizada no mesmo dia que João Cadmo Cavalcanti, aos 30 de março de 1930, em oratório particular (d. Hercília já estava muito doente). Ele nasceu aos 6 de abril de 1928, e teve como padrinhos Dr. Octávio Lamartine e Maria Dinorah Cavalcanti; ela, nasceu aos 18 de julho de 1929, e teve como padrinhos Nelson Newton de Faria e Paulina Eugenia Mariz de Faria.

Isolda Cavalcanti nasceu aos 25 de julho de 1926 e foi batizada aos 12 de fevereiro de 1928, e teve como padrinhos Francisco Gonzaga Galvão e Alcina Pinheiro Galvão. Foi casada com um argentino de nome João Manoel Dinis, segundo Ecila.

Hélia Cavalcanti nasceu em 1 de junho de 1925, e foi batizada aos 11 de abril de 1926, e teve como padrinhos Antonio José de Mello e Souza e Maria de Souza Filha. Casou, aos 4 de setembro de 1943, com Alínio Cunha de Azevedo.
Laize nasceu em 1923 e Hercílio José em 1917, mas não obtive mais nada sobre eles.  

Zelda Cavalcanti nasceu aos 23 de janeiro de 1919, e foi batizada aos 10 de março do mesmo ano, teve como padrinhos Antonio Ribeiro de Paiva e Maria Ribeiro de Paiva. Casou aos 7 de fevereiro de 1947 com Murillo Tinoco Carvalho, natural de Martins, filho do Dr José Tinoco Carvalho e Noêmia Tinoco Carvalho. São os pais de Dodora Rocha.

O general Ulisses Cavalcanti nasceu, em 1 de julho de 1915, e foi batizado aos cinco de dezembro do mesmo ano, sendo seus padrinhos o desembargador Joaquim Ferreira Chaves e sua esposa d. Alexandrina Barreto Chaves Ferreira. Casou, aos 25 de setembro de 1940, com Fanny Ferreira Leite, natural de Curitiba, filha de Júlio Ferreira Leite e Adolfina Luiza Volf Ferreira Leite. Foram testemunhas D. Julia Barbosa, 2ª esposa de Francisco Ivo, e Dr. José Ivo Cavalcanti, tio do nubente, e sua esposa Josefina Cavalcanti.

Ione Cavalcanti nasceu, aos 22 de dezembro de 1913, e foi batizada aos 29 de novembro de 1914, e teve como padrinhos Dr. Sebastião Fernandes de Oliveira, e Alice Fernandes de Oliveira. Casou com José Reis, na catedral aos 24 de fevereiro de 1942. O registro de casamento está quase apagado.

Myrthes nasceu em 1912. Casou com Humberto Fernandes.

Maria Dinorah Cavalcanti, a mais velha das mulheres, madrinha de Ecila, nasceu em 1911, e foi casada com Dr. Octavio Lamartine. Dela encontramos o registro de batismos de dois filhos: Jurema, nascida aos 18 de maio de 1932 e, batizada somente em 30 de janeiro de 1938, tendo como padrinhos Olavo Lamartine e Maria Lamartine; e Clóvis, nascido em Acary, em 27 de novembro de 1934, e batizado aos 27 de novembro de 1937, teve como padrinhos Juvenal Lamartine de Faria e sua esposa Silvina Lamartine.

Dr. Ivo Cavalcanti Neto, o mais velhos dos filhos de Francisco Ivo e de Hercília, nasceu aos 26 de novembro de 1909 e, foi batizado, aos 21 de abril de 1910, tendo como padrinhos o comendador José Gervásio de Amorim Garcia e sua esposa.

No registro de batismo de Ivo aparece os nomes dos pais de Hercília. Eram eles João Xavier de Araújo Sousa e Porcina Araújo Sousa. Embora o registro de óbito informe que Hercília era natural de Angicos, Ecila acredita que era de Macaíba.
Batismo de Ivo Cavalcanti Neto





O casamento do centenário André Avelino da Trindade Filho

Por João Felipe da Trindade

André Avelino da Trindade Filho é primo do meu pai, por parte de pai, pois seu pai André Avelino da Trindade era irmão de Miguel Francisco da Trindade, meu avô. André, com mais de cem anos, mora em Angicos. Em homenagem a ele, posto aqui seu casamento, onde encontramos muitas informações:

Aos três de setembro de mil novecentos e quarenta, às 16 horas, na capela do Colégio dos Maristas, desta freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, depois de feitas as habilitações canônicas, não aparecendo impedimento algum, quer canônico, que civil, como se vê, do processo que, sob nº 17355, fica arquivado nesta freguesia, por palavras de presente, na forma do Ritual Romano, em presença do Cônego Luiz Vanderley, devidamente autorizado, e na das testemunhas d. Ana Vanderley, casada, doméstica, natural do Amazonas e Idila Lima, solteira, doméstica, natural do Assú, e ambas residentes nesta freguesia, receberam-se em  matrimonio André Avelino da Trindade Filho, e Maria de Lourdes Batista, ele, solteiro, funcionário público, com 28 anos de idade, nascido em Angicos, aos 22 de novembro de 1911, batizado em tenra infância, e residente na Praça André de Albuquerque, nesta freguesia, filho legítimo de André Avelino da Trindade, casado à 2ª vez, agricultor, com 55 anos, natural de Angicos, e de sua 2ª esposa d. Isabel  Martins da Trindade, doméstica com 52 anos, natural de Angicos, onde se casaram e residem, e, ela, solteira, professora pública, com 25 anos de idade, nascida em Natal, aos 5 de dezembro de 1914, batizada em  tenra infância  e residente a Rua Voluntários da Pátria, 655, desta freguesia, filha legítima de Olympio Batista Filho, casado a 2ª vez, funcionário da Central, com 52 anos, natural de Natal, residente a rua 21 de março, e de sua 1ª esposa d. Maria Luiza, falecida, nesta freguesia, após o casamento a nubente passou a assinar-se Maria de Lourdes Batista da Trindade, e para constar mandei lavrar sete termo que assino.
André Avelino e Thiago, meu filho, em Angicos

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Casamento de Ulisses Cavalcanti e Fanny Ferreira Leite


Por João Felipe da Trindade

Aos vinte e cinco de setembro de mil novecentos e quarenta às 7 e ½ horas, nesta Catedral de Nossa Senhora da Apresentação, depois de feitas as habilitações canônicas e demais formalidades, presentes, dispensados os proclamas pela autoridade diocesana, nos termos da justificação sumária sobre o estado livre e desimpedido dos contraentes, não aparecendo impedimento algum, quer canônico, quer civil, como se vê do processo, que sob o número 17.363, fica arquivado nesta freguesia, por palavras de presente, na forma do ritual romano, em minha presença e na das testemunhas, dr. Francisco Ivo Cavalcanti, advogado, e sua esposa d. Júlia Barbosa Cavalcanti, professora, naturais desta freguesia, onde residem a Av. Rio Branco, 631, Dr. José Ivo Cavalcanti, casado, médico, natural de Natal, e sua esposa d. Josefina Cavalcanti, de profissão doméstica, natural de São Miguel de Jucurutu, e residentes a Av. Rio Branco, 624, desta paróquia, receberam-se em matrimonio tenente Ulisses Cavalcanti e Fanny Ferreira Leite; ele solteiro, militar com 25 anos de idade, nascido nesta freguesia, ao 1º de julho de 1915, batizado a 5 de dezembro do mesmo ano, nesta catedral e residente a R. Otávio Lamartine, filho legitimo de Dr. Francisco Ivo Cavalcanti, casado à 2ª vez, advogado, com 54 anos, natural de Natal, onde reside a Av. rio Branco, 631, e de sua 1ª esposa d. Ercilia (Hercília) de Araújo Cavalcanti, falecida a 13 de março de 1930, à Av. Rio Branco, nº 631, desta Freguesia; ela, solteira, de profissão doméstica, com 24 anos de idade, nascida em Curitiba, capital do Paraná, aos 7 de setembro de 1916, e batizada a 4 de setembro de 1917, e residente nesta cidade, filha legitima de Júlio Ferreira Leite, funcionário público do Estado, com 61 anos, natural do Paraná, e de Aldolfina Luiza Volf Ferreira Leite, de prendas doméstica, com 54 anos, natural de Curitiba, casados civilmente, por ser a mãe da nubente protestante, e residentes na referida Curitiba do Paraná, a nubente passou a assinar-se Fanny Leite Cavalcanti, casou-se civilmente em Curitiba a 6 de julho de mil novecentos e quarenta. E para constar, mandei lavra este termo que assino.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Professora Júlia Alves Barbosa


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
Depois que escrevi o último artigo, que foi postado neste “O Jornal de Hoje”, no dia 6 de agosto de 2013, recebi a notícia, de Dodora Rocha, que seu tio, Leonardo Trindade Cavalcanti, tinha falecido, em Recife, na segunda-feira, dia 5 de agosto. Ele era filho, como vimos nesse artigo, de Dr. Francisco Ivo Cavalcanti e de sua 4ª esposa Marta Trindade.

Quando Francisco Ivo enviuvou da 3ª esposa, Venice Dantas, casou com Marta Trindade. Venice era mãe de meu colega do colégio marista, Francisco Ivo Dantas Cavalcanti, que também mora em Recife.

As histórias de pessoas ilustres ficam mais interessantes quando se conhece os parentes delas. Por isso, fui buscar informações sobre os ascendentes das nossas personagens, em estudo.

A 2ª esposa do Dr. Francisco Ivo era a professora Júlia Alves Barbosa. Seu batismo, conforme o registro, é o que segue: aos oito de janeiro de mil oitocentos e noventa e nove, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, batizei Júlia, nascida aos dezoito de novembro do ano passado (1898), filha legítima de Pedro Alves Barbosa e D. Júlia Alves Barbosa, sendo padrinhos Juvino Barreto e D. Ignez Barreto. Do que faço e assino este termo. O pároco João Maria Cavalcanti de Brito. Na margem do registro de batismo, a informação que ela casou com Francisco Ivo Cavalcanti aos 4 de junho de 1932.

Pelos jornais antigos, encontro que o pai de Júlia era major e foi suplente de intendente da nossa cidade do Natal. Descubro, também, que a mãe de Júlia, que tinha o mesmo nome, faleceu aos 11 de fevereiro de 1907, de eclampsia, com apenas 35 anos de idade, deixando cinco filhos. Nesses mesmos jornais, aparecem os nomes de irmãos de Júlia: Luiz que aniversariava em 24 de setembro e Lucilla, em 2 de agosto. D. Júlia, mãe, aniversariava no dia 14 de outubro; e o major Pedro Alves Barbosa aniversariava no dia 26 de abril.

Pedro Alves Barbosa casou com D. Júlia Alves de Mello, na Capela do Bom Jesus das Dores, aos dez de maio de 1893. Ele, natural de Recife, filho legítimo de José Alves Barbosa e Severiana Alves Barbosa; ela, natural de Goiana de Pernambuco, filha legítima de José Joaquim de Mello e Emília Alves de Mello. Ambos moravam no bairro da Ribeira da cidade do Natal.

O casamento de Francisco Ivo Cavalcanti com Júlia Alves Barbosa foi aos 4 de junho de 1932. O documento de registro, diferentemente de outros que encontrei, é uma tabela, onde nas linhas e colunas são escritas as informações. Embora tenha partes ilegíveis, dá para ler que ele tinha 40 anos e ela 33. As testemunhas parecem ser José Pedro do Monte e Ulisses de Góis. Desse enlace não resultou filhos. Ela faleceu em 17 de novembro de 1942, não havendo no registro informações sobre a causa da morte.

Pela internet vemos que a professora é muito festejada. Foi uma das fundadoras da Associação de Eleitoras Norte-rio-grandense e a segunda eleitora do estado do Rio Grande do Norte. Foi eleita para a Câmara Municipal do Natal, sendo, portanto, a primeira vereadora da Capital (1928). Consta, também, que foi a primeira mulher a lecionar matemática na Escola Normal de Natal.

Sobre Dona Hercília Araújo, 1ª esposa de Francisco Ivo, falaremos em artigo posterior.
Batismo de Júlia
P.S. Há notícias de dois filhos de Francisco Ivo e Júlia. Vamos investigar


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Dr. Francisco Ivo e os Andrades


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
A mais recente “Revista do IHGRN” traz um artigo de Dr. Carlos Gomes, cujo título é “80 Anos da Corporação dos Advogados do RN. Um dos personagens desse artigo é o Dr. Francisco Ivo Cavalcanti, que conheci, pois seu último casamento foi com Marta Trindade, uma prima legítima de meu pai.

 Duas anotações me chamaram a atenção nesse artigo: uma dúvida sobre a data de nascimento de Francisco e o nome do seu pai, Ivo Cavalcanti de Andrade. Este nome tinha aparecido ao lado de Francisco Cavalcanti de Andrade em um jornal antigo, quando pesquisava sobre Adélia, esposa de Leônidas Hermes da Fonseca. Assim, surgiam dois desafios para mim: localizar o batismo de Francisco e descobrir que relação tinha Ivo Cavalcanti com Francisco Cavalcanti.

Francisco foi batizado, pelo Pe. João Maria, aos vinte de quatro de outubro mil oitocentos e oitenta e seis, na matriz de Nossa Senhora da Apresentação, tendo nascido a vinte e seis de agosto do mesmo ano, sendo filho de Ivo Cavalcanti d’Andrade e Vitalina Evangelina Cavalcanti d’Andrade. Não consegui decifrar os nomes dos padrinhos, pois a tinta estava borrada.

Nesse documento de batismo há uma anotação por cima do assento, onde diz que ele, Francisco, casou pela 4ª vez com Marta Trindade, em 20 de dezembro de 1947. Fui buscar o casamento do seu pai, Ivo Cavalcanti, bem como o casamento com Marta.

Do registro de casamento, encontrado, extraí as seguintes informações: aos vinte e dois de outubro de mil oitocentos e oitenta e dois, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, Ivo Cavalcanti d’Andrade casou com Vitalina Evangelina Silva, naturais desta Freguesia, ele filho de João Baptista d’Andrade e de Rosaura Cavalcanti d’Andrade, ela filha de Vicente Ferreira da Silva e Francisca Maria da Conceição. Foram testemunhas Genésio Xavier Pereira de Brito e Thomaz Antonio Nunes Monteiro.

O registro acima confirma que Ivo Cavalcanti de Andrade era irmão de Francisco Cavalcanti de Andrade, e, portanto, Dr. Francisco Ivo Cavalcanti era primo legítimo de Adélia Cavalcanti de Albuquerque, esposa de Leônidas Hermes da Fonseca.

Encontrei outros documentos relativos aos filhos de João Baptista d’Andrade e Rosaura Flora Cavalcanti (como aparece em outros registros).
Aos trinta e um de janeiro de mil oitocentos e oitenta e quatro, na Capela dos Militares, sendo testemunhas Urbano Joaquim Loyola Barata e Paulo Vieira de Melo, casaram Francisco de Paula Moreira e Josephina (ilegível) Cavalcanti, ele filho natural de Cardina Maria de Jesus, ela natural da freguesia de Arez,  filha de João Baptista d”Andrade e Rosaura Flora Cavalcanti.

Aos trinta de maio de mil oitocentos e oitenta e cinco na Matriz, sendo testemunhas José Calistrato de Vasconcelos Carrilho e Francisco Herôncio de Melo, casaram João Nepomuceno de Melo e Emília Etelvina Cavalcanti, ele viúvo de Maria Othília Seabra de Melo, ela filha de João Baptista d’Andrade e Rosaura Flora Cavalcanti d’Andrade.

Aos seis de março de mil oitocentos e oitenta e cinco, na Igreja Matriz, sendo testemunhas Francisco de Paula Moreira e Vestremundo Arthunio Coelho, casaram Olympio Cavalcanti d’Andrade e Joana Virgilia d’Oliveira, ele filho de João Baptista d”Andrade e Rosaura Flora d’Andrade, ela filha de José de Oliveira e Caroline Maria d’Oliveira.
Um nome que aparece nesses livros é o de João Baptista d’Andrade Filho, que deve ser outro irmão de Ivo Cavalcanti.

Quanto ao casamento de Francisco Ivo e Marta Trindade, encontrei o registro, boa parte já se apagando. Mas de lá extraí que Francisco Ivo Cavalcanti, viúvo de Venice Dantas, casou, em 20 de dezembro de 1947, na Igreja Catedral, com Marta Trindade, filha de André Avelino da Trindade (meu tio-avô) e Maria Isabel da Trindade. Consta ainda, nesse documento, que Marta nasceu aos 22 de abril de 1925, em Angicos, e foi batizada aos 9 de junho do dito ano. Francisco Ivo tinha 61 anos e Marta 22 anos, quando se casaram. Hoje, Marta e seu filho,Leonardo Cavalcanti, moram em Recife.

Venice Dantas, a 3ª esposa de Francisco Ivo Cavalcanti, faleceu em 28 de fevereiro de 1947. Era filha do desembargador Virgílio Octávio Pacheco Dantas e Maria Terceira de Melo Alecrim.

Não houve tempo para pesquisar as outras esposas do Dr.  Francisco Ivo.
Marta Trindade e irmãos



terça-feira, 30 de julho de 2013

Por que Leônidas Hermes da Fonseca?


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Está completando 100 anos que houve, aqui no Rio Grande do Norte, a campanha eleitoral mais conturbada, para governador do Estado, de toda nossa existência. Nos jornais do Rio de Janeiro, sede do governo federal, a presença do Rio Grande do Norte era constante no noticiário, com destaques para o capitão J. da Penha e o tenente Leônidas Hermes da Fonseca. Que méritos tinha o jovem Leônidas para ser sugerido como candidato?

Conta Itamar de Sousa, no livro “A República Velha no Rio Grande do Norte”: Dizem os coevos que o desiderato de Dona Orsina Francione da Fonseca, esposa do marechal, era ver o filho Leônidas governador do Rio Grande do Norte. E José da Penha, amigo da família, militar e norte-rio-grandense de Angicos, fora escolhido para cumprir essa missão histórica. Aconteceu, porém, que Dona Orsina falecera em 1912 e a campanha sucessória realizou-se no ano seguinte.

Em outro trecho do seu livro, Itamar diz que a imprensa situacionista lembrava ao capitão José da Penha que a Lei nº 254 impedia ele e Leônidas de serem candidatos ao governo, por não residirem aqui, há pelo menos quatro anos.

Em fevereiro de 1910, J. da Penha era tenente e Leônidas, ainda, aspirante a oficial. Em março do ano seguinte, Leônidas é promovido de aspirante a oficial para 2º tenente e, em setembro, casa com a potiguar Adélia Cavalcanti de Albuquerque. Em fevereiro de 2012, ficou a disposição do Presidente da Republica, Hermes da Fonseca, seu pai, a fim de servir no estado maior do mesmo (casa militar). Em março, do mesmo ano, passou a ajudante de ordem, em substituição ao irmão Mário Hermes, eleito deputado federal pela Bahia. Na data de 29 de setembro de 1913, outra notícia dava conta que no dia 26, daquele mês e ano,  tinha nascido Leônidas, filho do tenente Leônidas.

O 2º tenente Leônidas Hermes aparece, várias vezes, no noticiário do Rio de Janeiro, por conta de seu interesse por cavalos: foi escolhido para representar o Ministério da Guerra, em um concurso hípico; importou cavalos da Inglaterra e comprou junto com Oldemar Lacerda, o potro inglês de três anos, Seythian, filho de Roquelaure e Seythia.

Em nenhum dos jornais antigos apareceu qualquer notícia que enaltecesse as qualidades do jovem Leônidas.

Houve, em janeiro de 1913, um incidente entre o tenente Leônidas Hermes e o deputado Raphael Pinheiro, por conta de acusações feitas por este ao irmão daquele, deputado Mário Hermes. Nesse incidente, Leônidas, fazendo menção de tirar uma arma, avançou para o Sr. Raphael, que, por sua vez, esperou-o de revolver em punho.

 “O Paiz”, de 29 de abril de 1913, noticiava: o povo de Natal, solidário com a maioria dos coestaduanos, que aclamam em todos os municípios o nome do tenente Leônidas Hermes, levantou hoje, em meeting, a sua candidatura, livre e espontaneamente, certo de que evitará com este nome, benquisto aos próprios governistas, as perturbações provocadas por outras candidaturas, sendo ele estranho as lutas regionais e ligado por laços de família ao Estado que não permitirá de forma alguma a continuação da oligarquia com o seu representante senador Ferreira Chaves.

De vários municípios do Rio Grande do Norte saíram telegramas apelativos para o marechal Hermes da Fonseca. Entre eles um de Macau, datado de 26 de abril de 1913, nos seguintes termos: Apelamos para o nobre sentimento e patriotismo de V. Ex. a fim de evitar a perturbação de paz do Estado e de sua liberdade. O povo abraça espontaneamente a candidatura Leônidas Hermes. Respeitosas saudações, Francisco Honório, Manuel Fonseca, Antonio Honório Filho, Joaquim Cardoso, Nicolau Tibúrcio, Eduardo Azevedo, Manuel Caetano, José Brito, José Bezerra e Leocádio Queiroz.

A resposta veio de imediato: Respondendo ao vosso apelo não compreendo que, no interesse da paz do Estado do qual sois filho, procureis um estranho que nem sequer conhece esta região e teria o grande inconveniente de ser descendente do Presidente da República. Não parece, pois, nem digno nem justo o vosso gesto, que viria criar uma grande oligarquia, sistema de governo contra o qual sempre protestei. Hermes Rodrigues da Fonseca.

Mesmo diante da manifestação do Presidente, a campanha prosseguiu. O capitão J. da Penha pretendia lançar a candidatura, no dia 12 de maio, dia do aniversário do Marechal Hermes da Fonseca. Ainda em junho, o capitão declarou que o tenente Leônidas Hermes chegaria brevemente a capital a fim de pleitear a sua eleição ao cargo de governador.
Nesse mesmo 12 de maio, J. da Penha escrevia para as filhas: O nosso Leônidas, filhinho de peixe, nada muito bem. À imprensa uma coisa e para mim outra pelos telegramas. O povo está correto, com entusiasmo e sem medo. Não retirarei mais o nome de Leônidas nem que chova tapioca ou qualquer outra coisa. Há de subir ou cair comigo, a Nação, vendo que tínhamos um pacto. Minha boca não se abre para dizer que ele não quer porque juraria falso.

Em agosto, em outra carta para as filhas: O povo coagido pela polícia começa a desanimar. Tudo se reanimaria, salvando-se, de repente, o que já naufragou, se Leônidas viesse, como se comprometeu e era necessário.

Em outro momento, escreveu sobre Pinheiro Machado, que influenciava o Presidente contra a candidatura de Leônidas: Quanto ao monstro Pinheiro Machado, Senhora Dona Annita (uma das filhas), seu pai ainda viu, agora, melhor do que os politiqueiros e os cobardes. Não é nem será nunca o presidente da República.

Por fim, Leônidas não apareceu por aqui. Por que, então, o capitão J. da Penha escolheu  figura tão apagada?