terça-feira, 12 de junho de 2012

Argumentos de Enildo

Comentário enviado para Daniela Freire
Bom Dia Daniela
Com relação aos rebates do Vereador Enildo, nada melhor de que começar através do Diário Oficial de 2 de dezembro de 2008, citado por ele. Nele, se exemplifica com mais propriedades as naturezas das Gratificações.
A maioria delas, quase a totalidade, é relativa a área da saúde, que por mais que se faça sempre será carente. As gratificações de produtividade, ele sabe, são pagas com recursos do Governo Federal, recursos que não  podemos desconsiderar. As nomeações de médicos, do concurso de 2008, ainda são referentes à termo de ajustamento de conduta (TAC), todos eles já tinham sido chamados, anteriormente, e pediram para ser reclassificados, indo para o fim da fila. Mas, as necessidades da Saúde nos obrigaram a chamar de novo, sem direito a outra reclassificação . As outras gratificações que aparecem tem suas naturezas especificadas nos próprios nomes. Elas são devidas por conta do trabalho específico de cada um, como Gratificação de Risco de Via, Adicional Noturno, Gratificação por Local de Exercício, Gratificação de Plantão e etc. Examinando cada portaria de per si, se observa os considerando, os ofícios e os processos que deram origem. Quem observar os Diários do ano todo, verá que isso é comum. Por isso, Daniela, para cada um dos atos do Prefeito, haverá com certeza uma justificativa. Assim, responder cada um de per si, demandaria certo tempo, pois se buscaria mais detalhes sobre ele.
Quanto a resposta sobre o TCE, discordo. Sendo auxiliar da Câmara, não se negaria a prestar os esclarecimentos que ela solicitasse.
Outro detalhe que chama a atenção é que o terço de férias dos Professores da Educação foram pagos em Dezembro, como ter que ser, onerando a folha em mais de R$700.000,00.
Muitas dessas questões poderiam ter sido respondidas pela própria Administração Municipal, se fosse mais isenta. Encerro por aqui, caso contrário nunca vamos terminar esses questionamentos.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

As contas de Garibaldi, as minhas e as de Carlos


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
As contas do Governador Garibaldi, do seu segundo mandato, já foram aprovadas, mas alguns atos dos seus secretários ainda estão tramitando para julgamento, junto ao TCE. É essa diferença básica, entre as contas do governante e os atos de gestão dos secretários e do próprio governador, que precisa ser entendida. Vou exemplificar com um caso que está acontecendo comigo.
Dia primeiro de junho de 2012, fui citado pelo Tribunal de Contas do Estado para no prazo de vinte dias, apresentar defesa, acompanhar a instrução processual e produzir provas, em razão dos fatos apurados no convênio celebrado entre a Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura - FUNPEC e a Secretaria de Estado da Administração e dos Recursos Humanos do Rio Grande do Norte, no ano de 2000 (há doze anos). O Ministério Público daquele Tribunal manifestou-se pela não aprovação das contas desse convênio e pela aplicação de multa, para mim, como ordenador de despesa, e para Jaime Mariz, como Secretário da pasta, porque não foi apresentada cópia da lei estadual que reconhecia a utilidade pública da FUNPEC, documento necessário para se conveniar com entidades privadas. Pior do que isso, é que a própria superintendência da Fundação dizia que não era de utilidade pública.
Fui ao TCE para examinar o dito processo de convênio, tirei cópias de algumas partes do mesmo, e parti para a FUNPEC em busca de documentos. Felizmente, foram buscar no arquivo cópia da lei estadual 6.221, do ano de 1991, que reconhece como de utilidade pública a FUNPEC. Na segunda, dia 11 de junho, levei minha defesa para Tribunal com a prova a meu favor. Se não provasse seria condenado pelo TCE, sem precisar da manifestação da Assembleia, no caso especifico desse ato de gestão.
As contas de 2008, examinadas pela Câmara, com parecer do TCE, mesmo que tivessem sido aprovadas, não eximiriam os secretários municipais, e o próprio prefeito de responder processos por ato irregulares por eles cometidos, naquele ano. Essa diferença essencial precisa ser entendida por alguns vereadores, alguns jornalistas e alguns especialistas, que dão opiniões sem se aprofundarem na questão. Como a desaprovação é uma raridade por aqui, precisaria de mais tempo para um maior conhecimento das pessoas.
Mas o prefeito foi condenado antes mesmo da votação na Câmara, como se pode ver por diversas declarações antecipadas de alguns vereadores. Nesse caso específico, por não se tratar de um projeto de lei, com natureza ideológica, religiosa ou política, deveria ser examinada, tão somente, de forma técnica. Nem orientação partidária caberia aqui, a menos que tivesse sido precedida de uma análise técnica da questão.
Um vereador disse que antes tinha se reunido com o líder do seu partido que havia orientado para votar contra. Chegou a dizer, com relação à "venda da conta única", que houve um prejuízo de 12 milhões de reais (na verdade, ele deveria está se referindo a um valor que se devolveu a Caixa Econômica Federal, que não era esse) aos cofres públicos, fazendo tão somente conta de subtração, sem levar em conta o que entrou para os cofres públicos. Disse, também, que houve, ainda em relação à conta única, um empréstimo, sem pedido de autorização da Câmara. O contrato com o Banco do Brasil, nem foi um empréstimo, nem foi uma operação de crédito de que tratam as leis invocadas pelos vereadores.
Outro vereador disse que votaria contra o critério e consequentemente, pela não aprovação das contas do prefeito. Se ele era contra o critério, na tramitação dos processos de contas dos prefeitos, se abstivesse, e não, simplesmente, condenasse os gestores, injustamente.
Um vereador, que se diz evangélico, argumenta que analisou junto com os seus advogados e foi aconselhado pelos da sua igreja para votar favorável.
Já outro vereador argumentou que boa parte de sua decisão foi "política", embora a comissão da qual fazia parte não tenha encontrado nada irregular no documento enviado pelo TCE.
Outro detalhe que chamo a atenção é que a Controladoria do Estado do Rio Grande do Norte tem uma diferença, em um aspecto, da Controladoria do Município de Natal. Esta não examina os atos de pessoal, diferentemente daquela. Isso precisa ser corrigido por lei. Se assim for feito, os atos de pessoal da administração serão submetidos à Controladoria Municipal, auxiliar do TCE.
A Comissão de Finanças da Câmara quatrocentona, para ser mais justa, deveria ter proposto a aprovação do parecer do TCE, e sugerido, paralelamente, a abertura de uma CEI, para apurar os mais de 3 000 atos supostamente irregulares, e os outros itens denunciados pelo relator, assim como fez a dita Câmara com os contratos de aluguel da atual administração. Todos os envolvidos seriam ouvidos, como fez no caso dos medicamentos, a Comissão produziria seu relatório que submeteria a Câmara e, depois, enviaria para quem achasse de direito.
Um exemplo: para se concluir que houve aumento irregular da folha era preciso se examinar mês a mês, que fatores contribuíram para aquele aumento, e se estavam previstos nas leis municipais. Não é matéria para chute.
O ofício enviado para o prefeito, pela Comissão de Finanças, Orçamentos e Fiscalização, é bastante informal e solicitava apenas que ele prestasse esclarecimentos sobre três itens. Não houve provas que os atos praticados pelo Prefeito foram irregulares, apenas suposições. A decisão da Câmara não foi com base em fatos devidamente apurados, mas em cima de lista de atos praticados pelo Prefeito. Além do mais, acredito que o artigo 47 da atual lei orgânica não foi observado, ipsis literis, no ano de 2009, caso contrário, os vereadores deveriam, na época, ter questionado as contas, antes de mandar para o TCE, para emitir parecer, como está escrito.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Notícias sobre o Vigário de Angicos, Felis Alves de Souza



Encontramos no Brado Conservador, edições 65 e 66, ano de 1879, duas notícias de saúde sobre o Vigário Colado de Angicos, Felis Alves de Souza
Febres reinantes - Está grassando na Vila de Angicos, esse terrível flagelo, de que acaba de ser vítima o inteligente rábula, Vicente Maria da Costa Avelino, ali residente, achando-se em perigo de vida o vigário da respectiva freguesia, o Reverendo Felis Alves de Souza.
Damos a Exma. Família do Sr. Avelino os nossos sentidos de pêsames; e fazemos ardentes votos pelo restabelecimento do Sr. Vigário Felis, assim pela amizade que lhe tributamos, como pela falta  sensível que ele virá fazer à sociedade, e sobretudo aos seus fregueses, que hão de custar a encontrar um pastor que reúne as qualidades de que é dotado aquele virtuoso sacerdote.
Deus se amerceie  dos angicanos, e que lance o governo as suas vistas para aquele canto da província tão baldo de recursos.
Rev. Vigário Felis - É nos sobremodo agradável noticiar aos nossos leitores que este nosso amigo acha-se quase completamente restabelecido do grave incomodo que sofria, que nos apressamos em levar ao conhecimento do público.
Graças, portanto, sejam dadas ao Altíssimo que se dignou de ouvir as fervorosas súplicas dos aflitos angicanos, restituindo-lhes o seu venturoso pastor, e parabéns ao Sr. Dr. Pedro Amorim, seu ilustre médico, cujos esforços e diligências temos afinal o prazer de ver coroado de feliz êxito.

Uma lágrima vertida sobre o túmulo de Vicente Maria da Costa Avelino



Transcrevemos, para cá, uma homenagem que José Vitaliano Teixeira de Souza fez para seu amigo Vicente Maria da Costa Avelino, quando da morte do mesmo em 14 de fevereiro de 1879. Vicente era o pai do jornalista Pedro Avelino e do deputado Emygdio Avelino, também advogado,  avô de Edinor Avelino e Georgino Avelino, e bisavô do escritor Gilberto Avelino. Essa oração se encontra no Brado Conservador de 14 de abril de 1879, jornal digitalizado pela Biblioteca Nacional.
Vicente Maria da Costa Avelino era irmão do meu bisavô Francisco Avelino da Costa Bezerra. Nasceu em 23 de janeiro de 1837, morrendo, portanto, com 42 anos de idade.
Uma lágrima vertida sobre o túmulo de Vicente Maria da Costa Avelino
O anjo tutelar da negra parca, ante quem nada tem estabilidade, batendo as regaladas asas, voa das regiões celestes, e vem desfechar o prematuro golpe sobre a apreciável existência de um cidadão, que reunia em si as mais belas qualidades, quer como verdadeiro atleta do catolicismo, quer como membro prestimoso da sociedade, a qual, unida à sua inconsolável família, compartilha com ela dos profundos pesares causados por tão sensível perda.
Sim; como católico não só o vimos frequentar os atos religiosos, como recobre com seu óbolo, e até mesmo encarregar-se de agenciar donativos dos demais fiéis, promovendo assim os meios ao seu alcance para a propaganda do culto Divino; tal era o seu zelo e amor que dedicava à santa causa da Religião.
E nem jamais se pode por em olvido os seus bons desejos, desde que o seu coração era um cofre de piedade, sua alma uma dispensadora de benefícios prodigalizados àqueles que eram dignos de compaixão, exercitando-se assim na sublime virtude da caridade, e jamais o vimos ser indiferente aos clamores dos necessitados.
E assim foi a sua norma de vida com referencia a Sacrossanta Religião, esse balsamo consolador da humanidade que eleva o espírito do homem ao seio do Eterno, não menos digno de menção foi o seu preceder no desempenho da espinhosa missão de chefe de família, esposo desvelado, pai extremoso e incansável em curar da educação de seus caros filhos; era um amigo dedicado; e além destas excelentes qualidades, dispunha de uma bela inteligência, do que exibiu exuberantes provas na profissão de advogado, que honradamente exercia no foro deste Termo, aonde especialmente deixou um vácuo impreenchível.
Ah! Vida humana, quanto és precária e ilusória! E quem sou eu que falo de suas cívicas virtudes?
Oh! Com os olhos orvalhados do mais amargurado pranto, com o coração opresso da mais veemente dor, custa-me o expressar-me.
Já não existe o meu caro amigo Vicente Maria da Costa Avelino!
Tendo sido acometido de uma terrível febre gástrica, esta zombou dos recursos da ciência médica, que sem perda de tempo lhe foram ministrados, e infelizmente tornaram-se impotentes para debelar o terrível mal, que progredia de dia a dia, aproximando-o assim de seu termo final, o fez sucumbir no dia 25 do corrente (na verdade, 14 de fevereiro de 1879). E quando o sol surgiu no horizonte, sua alma recolhia-se à mansão dos justos, aonde devemos crer que receberá o premio prometido pelo Divino Mestre àqueles que como ele cumprissem os seus preceitos nesta vida de peregrinação:deixando de seu consócio dez caros penhores na orfandade.
Resta-nos pois, resignados curvar a fronte aos irrevogáveis decretos da Divina Providência, e unidos à sua inconsolável esposa e filhos penetrarmos no templo do Senhor para aí dirigirmos ao Altíssimo nossa humilde súplicas por seu eterno repouso na pátria Celeste; e, encaminhando-nos ao pé do tumulo que guarda seus inanimados restos, ali depormos uma lagrima de dor e de saudade.
Vila de Angicos, 22 de fevereiro de 1879.
José Vitaliano Teixeira de Souza.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Novas notícias de antigos jornais


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
A Biblioteca Nacional está de parabéns pelo fato de disponibilizar, na internet, as digitalizações de jornais já extintos. O acesso a esses jornais nos leva aos nossos antepassados e, por isso, temos novas notícias sobre eles e sobre fatos da época.
No periódico "O Macauense", datado de 14 de março de 1887, tomamos conhecimento de mais uma tia bisavó, através da seguinte notícia: faleceu a 4 na Fazenda Cacimbas (do Vianna), e sepultou-se a 5 nesta cidade, D. Isabel (Cândida) Martins Ferreira, filha do finado Major José Martins Ferreira.
No batismo de José, filho dos meus bisavós, Francisco Martins Ferreira e Francisca de Paula Maria de Carvalho, em janeiro de 1873, apareceram como padrinhos Vicente Ferreira Xavier da Cruz, avô do batizado, e Isabel Cândida Martins Ferreira, que não sabia, até então, que era irmã do meu bisavô.
Em uma carta que escreveu para Ricardo Rodrigues Ferreira, morador em Recife, o escritor Manoel Rodrigues de Melo pediu informações sobre seu avô João Rodrigues Ferreira, e tio paterno de Ricardo, perguntando em que ano os filhos dele voltaram para Macau. Pois bem, no mesmo jornal, citado acima, encontramos, na parte de movimentação do porto, que em 1886 os filhos do finado João Rodrigues Ferreira vieram de Recife.
Outras informações interessantes extraídas de vários jornais são as viagens constantes de membros da família Martins Ferreira. No jornal "Diário Novo", de 9 de fevereiro de 1847, encontramos entrando no Assú, pelo brigue brasileiro Paquete Pernambucano, com carga de sal, João Martins Ferreira, Antonio Joaquim de Sousa, Domingos Antonio de Azevedo, e um escravo, além de Josefa Maria dos Martírios e uma filha menor. No jornal Liberal Pernambucano, de 26 de novembro de 1853, encontramos, saindo do Rio de Janeiro, o Patacho Valente com carga de vários gêneros, e como passageiro o major José Martins Ferreira e um escravo. No mesmo Liberal Pernambucano, de 30 de março de 1854, encontramos entrando no Assú, no Iate Brasileiro Angélica, com carga de vários gêneros, e como passageiro o major José Martins Ferreira.
Outro periódico interessante é o Boletim da Sociedade Libertadora norte-riograndense. Há notícias de várias libertações de escravos, em diversas localidades, como Utinga, Fazenda Arvoredo, Goianinha, Santana do Matos, Acari, Estivas, Macaíba, Ceará-Mirim, Jardim de Angicos, Pau dos Ferros, Santa Cruz e Angicos
No Boletim de 8 de janeiro de 1888 consta a seguinte relação de libertadores de escravos, em Angicos: José Rebouças d'Oliveira Câmara, 5; João Florêncio d'Oliveira Câmara, 5; Alexandre Avelino da Costa Martins (meu trisavô), 2; José Avelino Martins Bezerra (tio bisavô), 2; Joaquim Avelino Martins Bezerra (tio bisavô), 1; José Athanazio da Costa Lima, 2; Alexandre Theodório de Mello, 1; Francisco Machado de Azevedo Costa, 1; Francisco Alexandre Pereira Pinto, 1; Alexandre Francisco Pereira Pinto, 1; Francisco Olyntho Bezerra, 2; Luis Pinheiro de Vasconcelos, 1; José Francisco Alves de Sousa (pai do capitão J. Penha), 2.
Do Boletim de 1 de abril de 1888, extraímos trechos de uma reunião abolicionista em Angicos.
Na segunda-feira, 19 do corrente (março de 1888), quando se achavam na Vila, além da população fixa, muitas pessoas gradas, residente nos arredores, e que vinham para solenizar a festa paroquial do seu santo padroeiro, foi convocada uma reunião abolicionista, que devia ter lugar após a cerimônia religiosa.
Logo por ocasião da missa o reverendo vigário dirigiu aos fiéis palavras de evangélica unção, exortando-lhes a piedade em prol dos cativos.
 À uma hora da tarde a casa do tenente João Felippe (da Trindade, meu bisavô, na época Intendente da Vila de Angicos), que graciosamente oferecera as suas salas para nela efetuar-se a reunião, estava cheia a transbordar de senhoras e cavalheiros, e as janelas disputadas por muitos espectadores, ávidos de compartilhar as generosas emoções daquele grande dia.
O Dr. Pedro Velho, tendo indicado para presidência da sessão o Reverendo Vigário (Felis Alves de Sousa), servindo-lhe de Secretários os senhores José Vitaliano (Teixeira de Sousa) e Juvêncio (Tassino Xavier) de Menezes, proferiu um discurso, dando conta dos motivos da reunião, e declarando que a honrada família, em cuja casa se achavam, já não possuía escravos, por ter o seu digno chefe, o tenente João Felippe, concedido liberdade aos 3 últimos que lhe restavam.
A lista geral de manumissões havidas na Vila de Angicos, na reunião abolicionista do dia 19 de março de 1888, constava como libertadores – tenente João Felippe da Trindade, 3; Bernardo Gama da Silva, 1; tenente-coronel Luis Teixeira Rola, 2; José Pedro da Silveira, 2; Vicente Ferreira Barbosa Neto, 1; Francisco das Chagas de Azevedo Souza, 3; tenente Florencio Octaviano da Costa Ferreira, 1; D. Bernarda Alves Martins dos Santos, 2; Bernardo Martins dos Santos, 1; Joaquim e Antonio Martins, 1; tenente José Pedro Xavier da Costa, 1; Francisco das Chagas de Jesus Maria 1; D. Leonídia Francisca Xavier da Câmara, 1; D. Júlia Francisca Bezerra, 1; José Gomes da Silva, 1; D. Francisca J. de Deus Gonçalves 2; Francisco Xavier de Jesus Maria, 2; Joaquim da Costa Alecrim, 1; capitão Manoel Pedro Maria da Costa, 1; e Cosme Teixeira Xavier de Carvalho (tio bisavô), 1.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

D. Águida Torres e o major Bernardo Pinto de Abreu

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
 Águida Torres, conhecida por tia Dona, era filha de Francisco Avelino da Costa Bezerra e D. Josefa Maria da Costa Torres, lá dos Angicos. Quando escrevi meu primeiro livro, Servatis ex More Servandis, a única informação que tive dela era que seu marido foi o pernambucano Bernardo Pinto de Abreu. Deste último não tive, durante muito tempo, nenhuma informação, por mais que procurasse.

Meu avô, Cícero Avelino, irmão de D. Águida, foi batizado em 8 de junho de 1884, em Angicos, tendo como padrinhos o Bacharel José Moreira Brandão Castello Branco, e sua filha, Justina Deodata Moreira Brandão. Resolvi descobrir quem eram esses padrinhos. Recebi das mãos do Professor Marinho uma cópia do livro "Moreira Brandão", escrito por um sobrinho de mesmo nome. Nesse livro, de ótima qualidade, aprendi muito sobre o ilustre deputado provincial, Moreira Brandão.  Além disso, encontrei referências ao Professor Francisco Pinto de Abreu, casado com Dona Maria Suzana Teixeira de Moura, que por isso, foi, durante um curto espaço de tempo, dono do Ferreiro Torto. Tentei, então, descobrir se havia alguma relação de parentesco entre Bernardo e Francisco, mas nada.

Depois de certo tempo, familiares me disseram que Bernardo era dono do Ferreiro Torto, e imaginei que havia certa confusão por parte dos informantes.
Resolvi então localizar os descendentes de Bernardo e Águida, com a ajuda dos meus tios. Tio Laércio Avelino me passou o telefone de tio Francisco Avelino, que mora no Rio, pois o mesmo convivia com Manoel e Fátima Pantoja, filhos do Raimundo Pantoja d'Oliveira, militar do exército, e Maria Pinto de Abreu, esta última filha de Bernardo e Águida.

Do contato com Fátima e Manoel Pantoja, a primeira informação que recebi era que o Professor Francisco Pinto de Abreu era filho de Bernardo Pinto de Abreu e de Cândida Gonçalves de Oliveira (não havia certeza sobre o sobrenome dela). Desse consórcio, além de Francisco Pinto de Abreu, houve mais três filhos, a saber: Emília Pinto de Abreu, João Pinto de Abreu e Manoel Pinto de Abreu.
Segundo Fátima e Manoel, Bernardo casou, depois de enviuvar de D. Cândida, com D. Águida Torres e dela teve os seguintes filhos: Maria Pinto de Abreu, José Pinto de Abreu, Rosália Pinto de Abreu, a única ainda viva, e, hoje, com 104 anos, e Benedito Pinto de Abreu.

Entrei em contato com D. Rosália, que mora em Recife. Como ela estava um pouco doente pediu para eu falar com Irene, filha dela. Segundo Irene, Bernardo Pinto de Abreu era natural de Goiana, Pernambuco, e lá dono de Usina. Ele foi residir em Angicos, por conselho médico, porque sofria de asma. Lá alugou uma casa, vizinha a de Águida, e por ela se apaixonou.

Conversei com Anderson Tavares, que eu andava no encalço da relação entre Bernardo Pinto de Abreu e o Professor Francisco Pinto de Abreu, sobre quem ele postou uma matéria no seu blog. Pouco dias depois, Anderson me enviou umas notas do antigo Jornal da Manhã, do ano de 1913, que ele trouxera do Rio de Janeiro. A primeira nota é um documento que confirma parte das informações recebidas. Estava escrito: Ontem, pela manhã (27 de fevereiro de 1913), faleceu na vila de Angicos, onde há 14 anos fixara residência, o respeitável cidadão major Bernardo Pinto de Abreu, nosso dedicado amigo e correligionário.

O Major Abreu, que gozava de geral estima pelos seus predicados de caráter e de coração, era natural de Pernambuco, tinha 72 anos de idade e casara-se em segundas núpcias, naquela vila, com a Exma. Sra. D. Águida Pinto. Deixou do primeiro consórcio quatro filhos maiores, e do segundo quatro menores.

A todos da família, enlutada, especialmente à Exma. D. Águida Pinto, Dr. Pinto de Abreu, nosso distinto colaborador, e major Manoel Pinto de Abreu, chefe da Estação Telegráfica do Apodi, viúva e filhos do extinto, apresentamos nossas condolências.

A República da época publicou nota semelhante. A segunda nota, enviada por Anderson, era um convite expedido por Francisco Pinto de Abreu e esposa para a missa, na Sé, às 8 horas do dia 5 de março, pela alma do seu estremecido pai e sogro Bernardo Pinto de Abreu.

Outra informação, extraída do livro "Moreira Brandão", que encontrei recentemente, confirma as conversas com os netos de Bernardo Pinto de Abreu. João Pinto de Abreu, filho do major Bernardo, casou com Anna da Fonseca Moura, irmã de Áurea da Fonseca Moura, que foi casada com Francisco Xavier Pereira de Brito, pais do Ministro da Saúde, no governo de Castelo Banco, Raymundo de Moura Brito.

Sobre o Professor Francisco Pinto de Abreu, que foi, também, diretor do Atheneu, recebi a informação de Irene que ele casou uma terceira vez com uma pernambucana de nome Anunciada e teve desse último consórcio dois filhos, Marcelo e Maria da Apresentação.
Francisco Pinto de Abreu criou seus irmãos menores, filhos de Bernardo e Águida. Dona Águida, depois que enviuvou, teve uma filha de nome Rita, cujo pai não descobri ainda o nome.

Observação - Por fim, encontrei o casamento de minha tia-avó com Bernardo Pinto de Abreu, donde extraio o seguinte -



Águida Avelino Torres, de 22 anos, filha de Francisco Avelino da Costa Bezerra, falecido, e Josefa Avelino Torres, tinha se casado, em 1 de julho de 1902, na Vila de São José dos Angicos, em casa de Francisco das Chagas de Azevedo Sousa, com o capitão Bernardo Pinto de Abreu, de 59 anos, viúvo, natural de Goiana, Pernambuco, filho de José Pinto de Abreu e Francisca Sales Ribeiro, falecidos, sendo testemunhas Vicente Ferreira Xavier da  Cruz, 32 anos, e Cosme Teixeira Xavier da Carvalho Filho, de 38 anos.
Testemunhas do casamento de Águida e Bernardo

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Notícias de São Romão


Notícias de São Romão
As pesquisas em jornais antigos trazem novas informações sobre nossos antepassados. O site da Biblioteca Nacional está de parabéns ao colocar a disposição do público, na internet, digitalizações de jornais já extintos.
Vejamos duas notícias tiradas do Diário de Natal, do ano de 1909.

Vende-se. No município de Angicos, um sítio excelente de plantar, e criar, com casas, currais, cercados, contendo aguadas permanentes, e muito trato para gados.
Vende-se, no mesmo município gados vacum e cavalar e quem pretender, pode dirigir-se, ao Sr. Miguel Trindade, em São Romão, que fica autorizado a fazer todo negócio.
Natal, 1 de Março de 909. José Anselmo

A esposa de Miguel Trindade, Dona Maria Josefina Martins Ferreira, era prima legítima de José Anselmo. Francisca de Paula Martins Ferreira, mãe de Maria Josefina, era irmã de Maria Ignácia Teixeira do Carmo, mãe de José Anselmo, sendo ambas filha de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Maria Ignácia Rosalinda Brasileira. Encontramos vários registros da Igreja da família de Vicente, em São Romão. Outro detalhe é que meu pai, Miguel Trindade Filho, era afilhado de José Anselmo.

Outro documento é um protesto, na coluna livre do Diário de Natal.
Venho do alto da Imprensa protestar, como protesto, contra o ato arbitrário do Sr. Miguel Baracho de, sem consentimento meu, invadir a minha propriedade, apossar-se de terrenos meus que se achavam cercados há nove anos, sem contestação de quem quer que fosse, demolindo as respectivas cercas, sem respeito ao meu direito, garantido por uma posse ininterrupta de muitos anos e por títulos legítimos, como em tempo os farei. Angicos, 20 de outubro de 1909. Miguel Trindade.

A operação descrédito



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Nós todos, como cidadãos desta cidade do Natal, não podemos deixar de acompanhar, por mais desagradáveis que sejam, as discussões sobre o julgamento das contas municipais do ano de 2008. A operação descrédito orquestrada por sentimentos pessoais não pode prevalecer sobre a lógica, o entendimento, e o conhecimento. Por isso tudo, vamos colocar aqui algumas questões para reflexão dos vereadores da Câmara Municipal de Natal, os fiscais do povo, os legisladores.
Vereadores, por que o parecer do TCE não foi devolvido, para esclarecimento, se ele está incorreto?
Vereador Maurício Gurgel, por que você achou coerente nomear para relator das contas o vereador Enildo se ele é um desafeto do gestor anterior e, portanto, não tem isenção para dar parecer?
Vereador Catarino, por que Enildo não formalizou a denúncia explicitando, um a um, todos os atos considerados irregulares? É possível se responder sobre tantos atos gerados cada um de diferentes processos?
Em 2009, a Administração Municipal se vangloriava de ter despachado mais de 650 processos, o que mereceu de ilustre escriba da nossa terra o seguinte comentário: cada detalhe retrata o passado falsamente moderno e enganador: o Secretário Roberto Lima encontrou e já despachou 650 processos engavetados na pasta da Administração. Era a masmorra dos servidores humildes.
Imaginem o que não se diria da Administração Municipal se aqueles mais de “3.000” atos não tivessem sido providenciados.
Vereador Bispo Francisco, por que a administração que assumiu em 2009 não tornou sem efeito os mais de “3000 atos” da administração anterior, do ano de 2008, se eles eram ilegais e aumentaram a folha? Se a administração que começava estava combalida financeiramente, por que despachou mais de 650 processos?
Vereador Aquino Neto, por que a Câmara Municipal de Natal, em pleno ano eleitoral, aprovou em 2008, mais de 7 leis complementares que beneficiavam os servidores? Por que os fiscais da lei não agiram contra a aprovação dessas leis? Como eles, vereadores, se comportaram diante da TV Câmara, naquela época?
Vereador George Câmara, se as leis complementares aprovadas pela Câmara, em 2008, tinham efeito imediato, e orçamento previsto, por que não se deviam aplicar as alterações previstas naquelas legislações?
Senhores vereadores, por que foi criada a Gratificação Específica de Difícil Execução (GEDE) e o que é a Gratificação Específica de Médico Especialista (GEMESP)? Sabiam que as gratificações de insalubridades são precedidas de laudo pericial?
Vereador Assis de Oliveira, por que os fiscais da lei não agiram imediatamente contra os atos da gestão anterior se tinham disponíveis na Internet, a partir das 22 horas, as edições do Diário Oficial do Município? Houve distração?
Vereador Enildo Alves, por que você insiste em classificar, do ponto de vista da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei Eleitoral, o contrato da administração das Contas da Prefeitura ao Banco do Brasil como operação de crédito, se essa ação administrativa não gerava compromissos financeiros para a Prefeitura, mas ao contrário gerava receitas para o equilíbrio das finanças? As operações de crédito de que tratam as leis citadas, senhor vereador, são aquelas que geram endividamento para o ente que a contrata.
Vereador Edivan Martins, por que a Câmara Municipal aprovou aumento dos subsídios, no início de 2009, para o prefeito, o vice-prefeito e os secretários municipais, comprometendo as finanças da administração que assumia?
Vereador Ney Lopes Junior, por que a Câmara Municipal não se manifesta, de imediato, sobre a retenção de recursos obrigatórios para Educação efetuada pela atual administração?
Vereador Raniere, os repasses da Previdência estão sendo feito regularmente? A hora de verificar é agora, pois o não repasse é apropriação indébita. Além disso, tem que corrigi-los quando enviados fora de época.
Vereador Dickson, você sabia que os enquadramentos, que foram publicados no DOM, seguiam, entre outras coisas, recomendação conjunta da 44ª Promotoria de Justiça da Comarca Natal?
Vereadora Júlia Arruda, as mudanças de níveis dos servidores, que atingiram os requisitos, só deveriam ser dadas depois de 2008?
Vereadora Sargento Regina, se o servidor preencheu os requisitos para incorporar quintos, por que adiar a concessão para 2009?
Vereadores Júlio Protásio e Alberto Dickson, por que as concessões de aumento de carga horária para as áreas de saúde e de educação tinham que esperar a virada do ano se as necessidades eram para 2008? Elas estavam previstas no orçamento de 2008?
Professor Luis Carlos e Franklin, vocês já observaram que as nomeações de concursados são feitas em vagas existentes? Sabiam que os concursos foram homologados em tempo hábil?
Pergunto aos vereadores Lucena e Adenúbio, se a Câmara, como fiscal do povo, já solicitou da Administração Municipal as providências enumeradas pela LRF, para corrigir as despesas de pessoal que ultrapassaram o limite prudencial?
Os atos que constam no Diário Oficial do Município contêm, em sua ementa, a legislação pertinente, e os processos ou ofícios que lhe deram origem. Pelo volume de processos que passavam pela Secretaria de Administração é possível que vários deles tenham erros. Seria preciso examinar um por um para descobrir tais equívocos.
Senhores legisladores, não precisa entender de contas, mas dos atos em si.
O artigo genealógico que preparei sobre Bernardo Pinto de Abreu fica para a próxima semana.






terça-feira, 15 de maio de 2012

Anna Ferreira de Miranda, ascendência em questão



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
No último artigo, neste jornal, traçamos, a partir de informações do testamento de Anna Ferreira de Miranda, a sua ascendência. Pelo referido documento, sabíamos o nome do pai, Manoel Francisco, e o sobrenome da mãe, Paiva da Rocha. Como escrevemos antes, procuramos registros que tinham o nome do pai dela e o sobrenome da mãe. Encontramos, então, Manoel Francisco Rebouças e sua mulher Bibiana de Paiva da Rocha como os mais prováveis pais de Anna. Outras informações nos registros nos levavam a convicção que eram esses os pais dela. Entretanto, um detalhe põe em dúvida tal possibilidade: a idade com que faleceu Anna Ferreira de Miranda. Segundo o registro de óbito, ela tinha cinquenta e seis anos de idade, em 1786. Por isso, o provável ano do seu nascimento seria 1730.
Mas conforme registramos no antigo anterior, Antonio de Paiva da Rocha e Úrsula Ribeiro de Macedo, pais de Bibiana e avós maternos de Anna, contraíram núpcias em 11 de Fevereiro de 1733. Assim Anna teria nascido três anos antes do casamento de seus avós. Como eu já tinha visto muitos erros nos registros de óbitos, tais como os de Antonia da Silva, esposa do capitão Manoel Raposo da Câmara e de Custódia do Sacramento, esposa do sargento-mor Antonio Rodrigues Santiago, imaginei  que fosse mais um equivoco.
Um colega genealogista observou, também,  tal incompatibilidade e aventou a possibilidade de Bibiana ter nascido em 1734, casado em 1749, com a idade de 15 anos, ter sido mãe de Anna em 1750. Com isso Anna Ferreira teria falecido com 36 anos e não 56. Aí tudo se resolveria.
Mas segundo o colega genealogista (ele não permite a sua nomeação), através da Nobiliarquia Pernambucana, Antonio de Paiva da Rocha que foi capitão-mor nesta Capitania, casado com Anna Ferreira (Colaço), tinha um filho de nome Antonio de Paiva da Rocha que casou aqui (com Úrsula Ribeiro). Tinha também uma filha de nome Ângela de Paiva da Rocha que casou com um certo Manoel Francisco. O colega aventa então a seguinte hipótese: Manoel Francisco casou primeiro com Ângela, e daí nasceu Anna Ferreira de Miranda, no tempo certo. Depois, enviuvando, casou com Bibiana, sobrinha da primeira mulher. Isto é, Anna Ferreira de Miranda, não seria neta de Antonio de Paiva e Úrsula, mas de Antonio de Paiva e Anna Ferreira. Continuaríamos no terreno das hipóteses.
Por conta de alguns registros de netos de João Gomes e Anna Ferreira, vimos que eles estiveram em Assu, por um certo tempo, pois alguns filhos nasceram lá, como Alexandre Ferreira, Ana Gomes Carneiro, Antonia e João Gomes.
Tentei mais uma vez examinar o testamento de Anna Ferreira de Miranda, depois de uma foto mais aproximada da parte que fala nos pais dela. Realmente, não se consegue ler o nome da mãe, mas não pode ser Ângela, pois não há nenhuma perna de g para baixo. Quanto ao pai, o sobrenome não parece ser Rebouças, mas algo parecido com Amaro.
Resolvi investigar, então a vida dos seus testamenteiros, em busca de algum detalhe que esclarecesse nossas dúvidas. Eram eles José Rodrigues da Rocha, compadre de Anna, Antonio Rodrigues Santiago, e o sargento-mor Prudente de Sá Bezerra. Todos esses senhores tem vários homônimos parentes, o que torna difícil saber quem era quem. Mas, vejamos os que seriam próximos de Anna Ferreira de Miranda, para situar o tempo em que ela viveu.
Antonio Rodrigues Santiago e sua mulher Ignácia Francisca de Mello casaram em 1773, e foram os pais de Maria Thereza de Mello, que casou com João Gomes Carneiro, filho de João Gomes Carneiro e Anna Ferreira de Miranda, em 4 de novembro de 1800. Foram os pais, também, de Antonia Francisca de Mello, que casou com Alexandre Ferreira, outro filho de João e Anna.
Prudente de Sá Bezerra era irmão de Manoel de Abreu Soares, genro de João Gomes e Anna Ferreira. Manoel casou em 20 de setembro de mil setecentos e oitenta com Anna Maria da Rocha (ou Anna Maria Gomes). A irmã de Anna, Antonia Gomes Carneiro casou com o filho de Manoel de Abreu, Bento Luis, nessa mesma data.
José Rodrigues da Rocha, um dos vários que encontrei, era filho de Antonio de Piava da Rocha e Úrsula Ribeiro, e casou com Izabel Theresa, filha de Prudente de Sá Bezerra e Maria Theresa de Mello.
Examinando mais os registros dessas pessoas, não conseguimos identificar qualquer informação que nos ajudasse a solucionar, por completo, os nomes dos pais de Anna Ferreira de Miranda.
Outro detalhe no testamento, é que Anna Ferreira de Miranda declara que não recebeu dote dos pais. Disse mais, que a dívida deixada pelo marido, João Gomes Carneiro, foi toda paga por ela, pois os filhos não contribuíram com as suas partes.
Assim, vamos aguardar outras informações para descobrir os nomes completos dos pais de Anna Ferreira de Miranda.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Os ascendentes de Anna Ferreira de Miranda


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Os testamentos trazem, muitas vezes, informações que não encontramos nos registros da Igreja. Por isso, são importantes como documentos auxiliares da Genealogia. Muitos deles já se acham com partes comprometidas, mas é possível se extrair algumas preciosidades ou curiosidades. Isso, no futuro, poderá ajudar outros pesquisadores. Vejamos o caso do testamento de Dona Anna Ferreira de Miranda, viúva do Lisboeta, João Gomes Carneiro, cuja descendência se espalha por vários lugares deste Rio Grande do Norte e se entrelaça com várias das nossas famílias, entre elas  Abreu Soares, Araújo Pereira, Rocha Pita, Xavier da Cruz, Rodrigues Santiago,  Gomes Carneiro e tantas outras.
No seu testamento feito em 24 de Maio de 1786, já acamada de tísica, declarou que era natural da Freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres de Goianinha, onde foi batizada. O documento está muito estragado, mas por ele se vê que seu pai se chamava Manoel Francisco, e sua mãe tinha o sobre nome Paiva da Rocha. O sobrenome do pai está ilegível, e nem era Ferreira, nem Miranda.O nome da mãe não é mais possível ler.
Fomos procurar, nos nossos bancos de imagens, todas as pessoas com nome Manoel Francisco e todas as que tinham como sobrenome Paiva da Rocha. Com a ajuda da informática, isso é mais fácil hoje em dia.
As coincidências podem nos pregar uma peça, mas teríamos que buscar um bom número de informações. Um primeiro registro que encontramos nos dá as primeiras pistas.
Eram muitas as pessoas com o nome de Manoel Francisco. Uma das imagens trazia na sua nomeação, Manoel Francisco Barbosa. Abrimos o documento e lá tinha o batismo de Josefa, outro registro, também, difícil de ler, pois a tinta que usaram atravessava o lado do papel, misturando os registros da frente e os do verso. Mas, dava para ver que os avós paternos de Josefa eram Manoel Francisco Rebouças e Bibiana de Paiva da Rocha. Quando registrei aquela imagem, anteriormente, escrevi Barbosa no lugar de Rebouças. Assim, fui com mais precisão em busca dos Rebouças. São muitos, também, mas a pesquisa ia se refinando. Encontramos o casamento de um irmão de Dona Anna Ferreira de Miranda que transcrevemos para cá. É um registro simples, sem as naturalidades das pessoas.
Aos dezoito de agosto de mil setecentos e oitenta e nove às onze horas do dia, na Capela de Santa Ana do Ferreiro Torto, assistiu ao matrimônio que entre si contraíram juxta tridentinum os nubentes supra (deveria ser infra) José Rebouças de Paiva, filho legítimo de Manoel Francisco Rebouças, já defunto, e de Bibiana de Paiva da Rocha, com Anna Rosa de Jesus, filha de Thomé de Sousa de Jesus, e de Josefa Maria Filgueira, o Padre Manoel Antonio de Oliveira, de licença minha, e presente as testemunhas Manoel Antonio da Cunha Calheiros e (Fulano) Gomes de Castro, moradores na Freguesia de São José que assinaram o assento que veio; e logo lhes deu as Santas Bênçãos na forma do Ritual Romano, de que mandei fazer o presente assento em que, por verdade, me assino. Pantaleão da Costa de Araújo.
Precisaríamos de mais registros para, por aproximações sucessivas, como usamos na matemática, confirmar os pais de Dona Anna Ferreira de Miranda. Encontramos o batismo de José, que casou acima. Nele vamos encontrar os pais de Manoel Francisco e os de Bibiana.
José, filho legítimo de Manoel Francisco Rebouças, natural desta Freguesia, e de Bibiana de Paiva, natural da Freguesia de Nossa Senhora do O' de Papary, neto por parte paterna de José Rebouças e Ângela das Neves, naturais desta Freguesia, e pela materna de Antonio de Paiva da Rocha, e de Úrsula Ribeiro, natural de Papary, Freguesia de Nossa Senhora do O', nasceu aos três de outubro do ano de mil setecentos e sessenta, e oito, e foi batizado com os santos óleos, na Capela de São Gonçalo do Potigi, de licença minha, pelo padre Miguel Pinheiro Teixeira, aos vinte e sete de novembro do dito ano, foram seus padrinhos José Rodrigues da Rocha, solteiro, e Bernarda de Araújo, mulher do sargento-mor Rodrigo Álvares. De que por impedimento meu mandei lançar este assento, em que por verdade me assino, Pantaleão da Costa de Araújo.
Manoel Francisco era irmão de Salvador Rebouças de Oliveira, pelo que vimos dos batismos dos filhos deste último. Nos ditos documentos de batismos consta que os pais deles eram o Capitão José Rebouças de Oliveira, natural de Igarassú, e Ângela das Neves, natural da Freguesia de São Pedro de Olinda, portanto, avós paternos de Anna Ferreira de Miranda.
Os avós maternos de Anna, Antonio de Paiva da Rocha e Úrsula Ribeiro de Macedo, casaram em 11 de fevereiro de 1733, na Capela de Nossa Senhora do O'. Ele filho de Antonio de Paiva da Rocha e Anna Ferreira (Velosa?); ela filha de Amaro Dias Moreira e Martha Francisca de Macedo.
Anna Ferreira de Miranda, que morreu no dia 27 de maio de 1786, poucos dias depois de fazer seu testamento, disse que tinha sete filhos do seu casamento com João Gomes Carneiro. Cita apenas Maria Gomes, João Gomes Carneiro, que foi casado com Maria Theresa de Mello, filha de Antonio Rodrigues Santiago e Ignácia Francisca de Mello, e Francisco, que morreu pouco antes dela, em 17 de maio de 1786.  Outros filhos de Anna e João Gomes, citados em outro artigo, eram Anna Maria Carneiro que foi casada com Manoel de Abreu Soares; Antonia Gomes Carneiro, que foi casada com o filho deste último, Bento Luis Gomes de Mello; Alexandre Ferreira que foi casado com Antonia Francisca de Mello, irmã de Maria Theresa de Mello, acima; e Joanna Gomes Carneiro, da qual não obtive maiores informações.
Dia 10 de maio, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, às 19:30, promovido pelo INRG, tem palestra de Anderson Tavares sobre velhos troncos de Macaíba.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A filha de João Machado de Miranda e Rogério de Olanda



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
As informações genealógicas, muitas vezes, se escondem e reaparecem em outros momentos. A partir de um batismo, encontrei mais uma tia-pentavó, irmã do meu pentavô Antonio Dias Machado, lá de Utinga. Vamos conhecê-la através do batismo encontrado, já com algumas correções. Alguns Holandas do Rio Grande do Norte descendem dela.
Joachim, filho legítimo de Rogério de Olanda, natural da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Várzea, e de sua mulher Anna Maria (da Conceição), natural, e moradores ambos desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, neto por parte paterna de Mascal  Pires e Branca da Costa, naturais da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Várzea, e por parte materna de João Machado (de Miranda), e de sua mulher Leonor Duarte (de Azevedo), naturais desta Freguesia; foi batizado com os Santos Óleos aos quatro de abril de mil setecentos e sessenta e dois anos, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, desta dita Freguesia, pelo Reverendo Padre Lourenço Gracy de Mello, de licença minha; foram padrinhos Manoel Rodrigues Santiago, solteiro, e Dona Custódia do Sacramento, viúva, fregueses e moradores todos desta Freguesia; e pela certidão que veio do dito Reverendo Padre, fiz este assento em que por verdade, me assinei. João Freyre de Amorim.
A Capela de Nossa Senhora do Rosário da Várzea data de 1612. Hoje ela é Matriz com a mesma invocação, em Várzea, bairro de Recife. Na Igreja Matriz há uma placa que informa que foi sepultado, em 1648, o bravo Dom Antonio Filipe Camarão, governador dos Índios, que com seus arcos e flechas, defendeu a fé e a pátria contra o batavo inimigo. Escavações recentes, na sacristia, demonstram que os mortos das duas batalhas de Guararapes foram enterrados lá, nessa Igreja. Esse sobrenome Olanda, talvez venha dessa época.
Joachim, que se tornou Joaquim de Olanda Machado, casou aos dezoito de dezembro de 1803, na Capela da Senhora Santa Anna, do Engenho Ferreiro Torto, onde eram moradores, com Maria José da Conceição, natural da Paraíba, filha de André Dias Sargado e Francisca Antonia. Foram testemunhas o tenente-coronel Manoel Álvares Correa, viúvo, e João de Araújo Correa, casado.
A irmã de Joaquim de Olanda Machado, de nome Antonia Maria de Olanda, casou no dia treze de janeiro de 1774, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, com Manoel Pereira de Jesus, filho de Lino das Chagas Ferreira e de Agostinha Moreira, naturais da Freguesia de São José, da Capitania do Rio Grande. Estavam presentes como testemunhas o capitão Francisco da Costa de Vasconcellos e o sargento-mor Lourenço de Góis de Vasconcellos, solteiros. Nessa época o pai de Antonio, Rogério de Olanda, já era falecido, pois seu óbito ocorreu aos vinte e cinco de outubro de 1763, pouco tempo depois do nascimento de Joaquim. Era morador do Sítio Várzea.
Outra filha de Rogério e Anna Maria, de nome Fidélis Maria de Santa Anna, casou em 17 de junho de 1767, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, com Pedro Coitinho de Mattos, filho de Jorge de Mattos Camelo e de Dona Maria do Prado, sendo natural da Freguesia de Taipú, da Paraíba, tendo como testemunhas Joaquim de Morais Navarro e Manoel Álvares Correa.
Vejamos alguns netos de Rogério de Olanda e Anna Maria da Conceição, que encontramos até agora.
Manoel, filho de Pedro Coitinho e Fidélis, nasceu em 7 de maio de 1768, tendo sido batizado, por necessidade, no mesmo dia por João de Araújo, tendo em dois de junho recebido os santos óleos, na Capela de Jundiaí. Seu casamento, já com o nome de Manoel Coitinho de Mattos, foi aos 19 de maio de 1801, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, com Anna Maria, filha natural de Ignácia Maria, escrava de Salvador Maria da Trindade, sendo presentes, como testemunhas, o alferes Antonio José Luiz e Alexandre da Circuncisão, ambos casados.
Pedro, filho de Pedro Coitinho e de Fidélis, nasceu aos 30 de janeiro de 1776, tendo sido batizado aos dois de abril, do mesmo ano, tendo como padrinhos Antonio Rodrigues Santiago, solteiro, e Córdula Rodrigues, filha de Victoriano Rodrigues.
Adrianna, filho de Pedro Coitinho e de Fidélis, nasceu ao 4 de fevereiro de 1773, foi batizada na Capela de Jundiaí aos 29 de junho do dito ano, sendo seus padrinhos Bento do Rego Bezerra, e Bernarda Correa de Araújo, mulher do sargento-maior Rodrigo Álvares Correa.
Bernarda Correa, Antonio Rodrigues Santiago, Salvador Maria da Trindade, Manoel Álvares Correa, João de Araújo Correa, Manoel Rodrigues Santiago, que aparecem acima, são descendentes de Estevão Machado de Miranda e Antonio Vilela Cid, mártires de Uruassú. Dona Custódia do Sacramento era casada com o sargento-mor Antonio Rodrigues Santiago, outro descendente dos mártires. Córdula (ou Córdova) Rodrigues era bisneta de João Machado de Miranda. Há uma forte ligação dos meus hexavós, João Machado de Miranda e Leonor Duarte de Azevedo, com a família dos mártires. Não encontrei, ainda, o elo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Casamento de Dona Adelaide Emília de Miranda Henriques

Aos dezessete de julho de mil oitocentos e trinta e três, em casas de residência do Excelentíssimo Presidente Manoel Lobo de Miranda Henriques, dispensado os proclamas por despacho dos Reverendíssimos Governadores do Bispado, precedendo uma justificação de solteiro, dado por ambos os nubentes, por despacho do Reverendo Vigário Geral; pelas sete horas da tarde em minha presença, se receberam por palavras de presente o Doutor Antonio de Cerqueira Carvalho da Cunha Pinto Junior, e Dona Adelaide Emília de Miranda Henriques, naturais da Cidade da Bahia, e moradores nesta do Natal: o nubente filho de Antonio Cerqueira Carvalho da Cunha Pinto, e de Dona Maria Marcelina Marques de Carvalho, já falecida, e a nubente, filha legitima de Manoel Lobo de Miranda Henriques e de Dona Anna Norberta de Miranda Henriques; e receberam as Bençãos segundo os ritos da Santa Igreja, sendo testemunhas o mesmo Presidente Manoel Lobo, e José Fernandes Carrilho, casados, e moradores nesta cidade: do que fiz este termo que assinei. Antonio Xavier  Garcia de Almeira, Vigário Interino