quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Oligarquia, anarquia, ditadura

Recebi de Francisco Augusto, cópia de uma Conferência de J. da Penha. Pela referência, que ele me mandou, consegui o original do Jornal do Ceará, digitalizado através do Projeto Resgate da Memória Hemorográfica Brasileira. Fiz uma transcrição que posto neste blog, pela importância do documento.

Oligarchia, anarchia, dictadura
Conferencia  de  J.  da  Penha,  realizada  no  Pavilhão Internacional - RJ

E  se  maior  não  é o  pasmo  que nos  alcança,  é  que  muito  grande,  por via  de  regra,  é  o  desconhecimento aqui  da  vida  estadual.  Alberto  Maranhão, por exemplo, já  não  encobre suas  trapaças  administrativas.  Tem  o desassombro  dos  temperamentos  improbidosos.  Trapaceia  às  escancaras.
Outrora,  para  comprar,  depois  de governador,  por  conta  do  Estado, a casa  em que residia,  simulou  a  venda a  um  dos  seus  testas  de  ferro  e só alguns  meses  depois  fechado  era  o negócio,  a  seu  contento.
(Vantajoso é bem  de compreender, para todo  o  mundo,  menos  para ele  Alberto  inconcebivelmente  honesto  nas suas  transações,  apostolicamente  desambicioso  em  toda  a  sua vida,  trombeteiam  os  seus  assalariados  de  imprensa).
Hoje,  não.  Alforriou-se de  vez  desses constrangimentos.  Negocia  às claras:  trafica  ao  meio  dia  em  ponto,  alardeia  o  seu  desassombro governamental  e  gaba-se  de  não  ser tolo...
Isso  quanto  a  negócios  bem  se compreende.
O  ano  passado  contraiu  na  Europa  um  empréstimo  de  cinco  mil contos  ao  tipo  de  69,  noticiou  o Jornal  do  Comércio  daqui.
Os juros foram  os  mais  exorbitantes do  mundo.  As  gorjetas  para os  intermediários  foram  elevadíssimas e  o  prazo de  cinquenta  anos.  Em suma:  o  Estado  venturoso  do  Rio Grande  do  Norte  recebeu  três  mil  e tantos  contos  de réis,  vai  pagar fatalmente perto  de  dez  mil  e  sobrecarregou  o  seu  orçamento, que era  de mil  e  duzentos  contos,  com  os  pesadíssimos  ônus  desse  empréstimo  tão malbaratado.
Alberto  reemprestou-o quase todo aos  seus  queridos  parentes e com  eles então  contratou  uns  tantos  melhoramentos    duvidosos para o  Natal dos Pobres,  relativamente,  alguns  desses felizardos  ofereceram  como garantia, o  seu  parentesco rendoso  e  a  indiferença  do povo  por  esses  arranjos ilícitos.
Não  contente  de  tamanhas  desenvolturas,  Alberto  comprou  a  si  próprio e  aos  seus  cunhados, por cem vezes  mais do que  devia,  terrenos  tão valorizados  que  até  nunca  tiveram dono.  E  impossível  ser  mais  impudente  de  que  esse governador  traficante.
O  pretexto  de  escolas  agrícolas  e outros  disfarces  com  que  esse  despejado  governador  enxovalha  a  sua função  e  ludibria  o  povo  complacente,  foi  o  que  veio  a  lume.
E  esse mesmo povo, talvez porque de tempos  remotíssimos  o  venham  flagelando  os vendavais  das secas dolorosas  em  que  se  lhes  depaupera as  crenças  e  as  energias,  ou porque de  fato,  pelas  suas  qualidades  ingênuas  mereça a canga  deste  opróbrio — esse  povo  suporta  sem  indícios palpitantes  do  desagravo,  a que tem  direito,  a  ignomínia  de  tanto despudor,  o  cativeiro  desmoralizante  de  usurpadores  tão  acanalhados.
O  palácio,  até  pouco  tempo,  era uma  como  feira  política.  Em  vez  das autoridades,  dos  funcionários,  dos amigos,  Alberto  só  congregava  em torno  de seu  balcão,  os  agentes  de compras  e os  corretores  seus  associados.  Era,  como  bem  lhe  chamou alguém,  se  a profecia  não falha, o último representante  político  da  cigana de Nazareth.
Dos  Machados,  essa  outra  superfetação  que afeia,  infecciona  e  degrada  os  órgãos essenciais  da  Republica na Paraíba  do  Norte,  eu  não quero tirar o gosto  de  escapela-los com sua mestria ao dr. Coelho Lisboa.
Pernambuco,  Alagoas,  Sergipe, Espírito  Santo,  Goiás  e  Piauí,  rastejam  todos  pelo  mesmo  nível  de decadência, maculando-se  com  a  tisna das mesmas imoralidades,  atascando-se  no  lodo profundo  das  mesmas corrupções.
As  diferenças  locais  não  invalidam esta  sentença,  nem prevalecem  para atenuar-lhe  o  merecido  rigor.  Os exames  em  Maceió,  não  envergonhariam  os  de  Natal, por  exemplo.
Por  toda  parte  a  mesma  desfaçatez  na  desonestidade  impunida,  a mesma  artificialidade  na política  exploradora,  a  mesma  prevaricação  na magistratura  das  oligarquias.  O  mesmo  desbragamento  no  ataque  aos  oposicionistas inermes,  os  mesmos congressos  de  nulos  e  de  servis e para tributar  o  povo,  sem  direitos,  sem liberdades,  céptico  e  de  esperanças amortalhadas,  se  o  honrado  concidadão que hoje governa a  Republica, imitasse — o  que  não  ha  de  suceder — os seus  antecessores  estigmatizados, carcomidos  pela  execração.
Porque  o  sr.  Bulhões,  ou  porque os  seus  companheiros quase todos sem  a  consciência  do  que  deva  ser política republicana,  estômagos  incontentáveis,  monarquistas  descrentes, uns  discípulos  de  Verres,  outros de  Barras, — a  obra  prima  da  corrupção,  como  lhe  chamou  Bonaparte, hão  de perenizar-se  nos  galarins  de um poder,  que  não  é  somente  ilegítimo, senão também  nefasto  ao  princípio  da  ordem  e  as  necessidades  do progresso?
As  oligarquias  devem  morrer.  E hão  de  morrer,  meus  concidadãos. Não  falta  muito.  Conservá-las,  seria  o  mais  inepto,  sobre  ser  o  mais perigoso  do  todos  os  nossos  crimes.
E  ao  que se  vê,  nem  será  possível a  ninguém, por  mais  que  envide  todas  as  suas  forças,  ampará-las  muitos anos,  ou  perpetuá-las  na  história...
Não  se  pereniza  nas sociedades senão  o  que  é  natural  e  se  ajusta  aos interesses  comuns,  seja  como  tendência,  ou  seja  como produto  do espírito  da  coletividade  em  progresso,  em  busca  do  seu  bem  estar, guiando  para  a  verdade  e  a justiça.
Não  há,  nem  houve jamais razão para  desesperar-nos  das  forças  limitativas  do tempo,  nem  das  energias recuperadas  da  Federação  Brasileira, mutilada,  agora  nos  seus  direitos,  cerceada  na  sua  influência.  onerada  nas suas  dívidas,  abalada  nos  seus  destinos, apoucada  na  sua  reputação enquanto  frondescer  a  árvore  maldita,  que  agasalha  a  descendência  dos falsificadores  da  Constituição  de  24 Fevereiro.
Para  desarraigá-lo  do  solo  constitucionalizando  a  Republica,  abatida intercadentemente,  como  todas  as  suas irmãs  da  América  do  Sul,  por  delírios  de  indisciplina  e  alucinação  de revoltas,  há  de  surgir,  na  ocasião mais  propícia,  um  milagroso poder, seja qual for.  E  esse  poder  que  todos  pressentimos  sem  desalentos  que nos desviem ou  sofreguidões,  que nos  decepcionem,  ou  há  de  ser  a força  centrípeta do  Catete,  a  honestidade  perseverante do  Chefe  do  Executivo ou  o  braço  vingador  e  irresistível  da  própria  multidão. E que  sempre  esta  foi  capaz  de  resgatar  pelo  heroísmo,  os  erros  da  pusilanimidade,  os excessos    da  sua  condescendência,  verdade  é  que  ninguém ignora.
Das  oligarquias para a  anarquia não  levamos  nós  dilatados  séculos de  ânsias,  de dúvidas,  nem  de  aviltamentos;  ao  contrário,  já  estamos na  segunda;  esperamos  pouco  para vencer o caminho.
J. da Penha (Jornal do Ceará. Ano VIII. Nº 1382. 07.08.1911)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Antigos Batismos, velhas capelas


Antigos batismos, velhas capelas
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
As nossas capelas são mais velhas do que indicam as datas em seus frontispícios. Muitas dessas datas foram colocadas após alguma reforma, além do que todas as ditas capelas e igrejas foram reconstruídas, pois muitas delas eram de taipa. Hoje vamos dar notícias aqui de alguns batismos do início do século XVIII, em algumas dessas capelas ou igrejas, e conhecer os nossos moradores daquela época.
Durante a Guerra dos Bárbaros, muitas pessoas vieram para cá, algumas delas de São Paulo para compor o Terço Paulista. Entre elas José Porrate de Morais Castro e seus primos, os irmãos Manuel Álvares de Morais Navarro e José de Morais Navarro. José Porrate aqui casou, em 1707, na Capela de Santo Antonio com Dona Margarida da Rocha, filha do capitão Theodósio da Rocha e Dona Antonia de Oliveira. Em 3 de junho de 1713, na Capela de Santo Antonio da Ribeira do Potegi, o Vigário Simão Rodrigues de Sá batizou a Sebastiana, filha do capitão José Porrate de Morais Castro e de sua mulher Dona Margarida da Rocha. Foi padrinho o sargento-mor Joseph de Morais Navarro.
Alguns nomes de pessoas são mais antigos do que pensamos, como podemos observar no batismo seguinte. Em 29 de janeiro de 1713, na Igreja de São Miguel do Guajirú, de licença do Padre Simão Rodrigues de Sá, batizou o Reverendo Padre Superior Pedro Taborda a Fabiana, filha de Manuel Álvares e de sua mulher Andreza Gonçalves. Foram padrinhos o capitão Bento Fernandes e Izabel Gonçalves, filha de Ignácio Gonçalves.
Alguns nomes se repetem com frequência nas descendências de algumas famílias, o que pode causar muitos equívocos, se não forem observadas corretamente as datas dos eventos. Genealogia sem data é um perigo. Em 5 de dezembro de 1712 na Capela do Senhor Santo Antonio da Ribeira do Potegi, o Padre Simão Rodrigues de Sá batizou a João, filho do capitão Manoel Correa Pestana e de sua mulher Joanna de Freitas (da Fonseca). Foram padrinhos o Alferes Felis de Souza e Domingas da Fonseca, mulher do capitão João da Costa de Almeida. Esse que foi batizado era, também,  João da Costa de Almeida que casou em 1739 com Catherina de Oliveira e Mello, filha natural do sargento-mor Gregório de Oliveira e Mello e Luiza de Freitas Palhano.
Uma presença constante nos documentos mais antigos desta capitania é de Estevão Velho de Mello, natural de Igarassú. Em 19 de abril de 1713, na Capela de Jundiaí, de licença do Vigário Simão Rodrigues de Sá, o Padre Pedro Fernandes batizou a Manoel Antonio, filho de Estevão Velho de Mello e de sua mulher Joanna Ferreira de Mello. Foram padrinhos o capitão Domingos de Morais Navarro e Maria Magdanella, filha do coronel Gonçalo da Costa Faleiros. Esse que foi batizado era Manoel Antonio Pimentel de Mello que casou com Anna Maria da Conceição, filha de Francisco Pinheiro Teixeira e Maria Conceição de Barros. Bonifácia Antonia de Mello, irmã de Manoel Antonio, casou com Francisco Pinheiro Teixeira (segundo do nome), irmão de Anna Maria. Francisco Pinheiro e Bonifácia geraram Antonia Teixeira, que gerou, com Manoel Pinto de Casto, ao nosso frei Miguelinho.
Um dos filhos de Theodósio da Rocha tinha o mesmo nome do que foi capitão-mor da nossa Província, Antonio Vaz Gondim. Em 14 de junho de 1713, na Capela do Senhor São Gonçalo do Potigi, de licença do Padre Simão Rodrigues de Sá, o Padre João Fernandes Barbosa batizou a Marcelina, filha de Antonia do Livramento, mulher solteira, e de Antonio Vaz Gondim. Foram padrinhos o sargento-mor Manuel de Abreu Friellas e sua filha Dona Marcelina de Abreu Soares.
Sebastião Pimentel foi presidente da nossa Província. Um dos seus filhos era o alferes Alberto Pimentel que casou, em 1694, com Dona Francisca Tavares de Mello, filha do Francisco de Oliveira Banhos e Antonia Tavares de Mello. Em 29 de junho de 1713, na Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, o Padre Simão Rodrigues de Sá, batizou a Pedro, filho do alferes Alberto Pimentel e de sua mulher Francisca de Oliveira (o nome muda a cada registro). Foram padrinhos Pedro Ferreira de Mello e o coronel Manoel Gomes Torres.
Em 29 de junho de 1713, na Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, de licença do Padre Simão Rodrigues de Sá, batizou o Padre Bernardo de Farias Freire, a Luzia, filha de Manoel da Silva Queiroz e de sua mulher Maria da Silva Freire. Foram padrinhos Manoel Rodrigues Taborda e Francisca de Oliveira, mulher do alferes Alberto Pimentel. Há um outro Manoel da Silva Queiroz, filho de Francisco Fernandes de Carvalho e Maria Gomes da Silva, que talvez seja neto desse mais antigo. Gaspar Freire de Carvalho, que casou com Clara Martins de Macedo, era filho do coronel Manoel da Silva Queiroz e Maria da Silva Freire.
Em 15 de abril de 1713, na Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, de licença do Padre Simão Rodrigues de Sá, batizou o Padre Manoel Pinheiro Teixeira a Joseph, filho de Francisco Pinheiro Teixeira e de sua mulher Maria da Conceição (Barros). Foram padrinhos o Procurador da Fazenda Real, capitão-mor José Barbosa Leal e Dona Domingas de Mello, mulher do alferes Francisco Barbosa da Costa. José Barbosa Leal, depois de ter passado por Angola, Luanda e ter servido por mais de 22 anos ao Reino de Portugal, foi nomeado, em 1696, por Bernardo Vieira de Mello, Comissário Geral de Cavalaria da Capitania do Rio Grande.
Como em muitas histórias genealógicas, chegaram de Arrifana de Sousa, Bispado do Porto,  Portugal, três irmãos: Padre Manoel Pinheiro Teixeira, Francisco Pinheiro Teixeira e José Pinheiro Teixeira.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Fogo de Pedra de Abelhas (I)

Recebi mais uma colaboração de Marcos Pinto

O  "FOGO  DE  PEDRA  DE  ABELHAS". (I).
Marcos Pinto


                      A  primeira  denominação  toponímica  do  atual  município  de  Felipe  Guerra-RN   foi  "PEDRA  D'ABELHAS", que    deriva do fato  histórico  de  que existia,  e  ainda  existe, um  enorme  bloco  calcário  com um buraco  em  sua  estrutura, que  ao  longo  de  remoto  tempo  tem servido como  espécie  de  colméia  natural, proporcionando  a  situação  de  grandes  enxames  de  abelhas  nativas  da  região. Esta  pedra  está  situada  na encarpa  da serra  do  Apodi, ao  lado  da  estrada  que  dá  acesso  ao  sítio  "Brejo  de  Felipe  Guerra", antigo  "Brejo do Apodi". Até  o  ano  de  1948  esta  estrada  constituía  o  caminho  de  todos  os  viajantes  e  comboeiros  que  demandavam  da  região  do  Oeste e Alto Oeste  no  rumo  de  Mossoró.  Daí que  a  antiga  cidade  denominada  de  "Pedra  de  Abelhas"  surgiu  como  núcleo  estradeiro.                                                                                                                                                                                            
                    Com  exceção  da  família  GURGEL  DO  AMARAL, oriunda  de  Aracati-CE,  todas  as  famílias  do  município  de  Felipe  Guerra  tem  origem  na  fértil "Várzea  do  Apodi", cujas  terras  de  aluvião  tem  sido  a  força  motriz  do  progresso  e  do  desenvolvimento   do  Vale  e  do  município  do  Apodi.  Para  adentrar  no  assunto  que  dá  título  à  este  despretensioso  artigo, há que se  ressaltar  que,  desde  o  dia  em que  houve  o  rompimento  político  entre  as  famílias  PINTO  e  GURGEL, ocorrido  no dia  02 de Dezembro  de  1897, entre  os  patriarcas  Coronel  ANTONIO  FERREIRA  PINTO  e  Coronel  FRANCISCO  GURGEL  DE  OLIVEIRA (Bisavô materno  de  Laire Rosado),nasceu  uma  predisposição  político/ belicosa  entre  o  povo de  "Pedra  de  Abelhas" e os  Apodienses.  Neste dia, o  Cel. FERREIRA  PINTO  fez  veemente  protesto  perante  os seus  pares,  na  tribuna  da Assembléia  Legislativa  potiguar (Investido  no primeiro mandato de Deputado Estadual) contra  a  injustificada  atitude  de  rompimento  político  do  Coronel  GURGEL  com  o  Dr.  Pedro  Velho, responsável  pela    instalação   do  regime  republicano  no  RN  em 1889.  Ocorre  que o  patriarca  da  família  GURGEL  em  "Pedra  D'Abelhas" - O  Capitão  TIBÚRCIO  VALERIANO GURGEL  DO  AMARAL (Natural do Aracatí-CE),era  tio  materno  do  Coronel  Francisco  Gurgel  de  Oliveira (Coronel  Gurgel) e, como tal, apoiou  a  tomada  de  decisão  política  do  sobrinho.  Tibúrcio  era  o  pai  de  TILON GURGEL  DO  AMARAL.  A partir  daí, nasceu  o  espírito  de  rivalidades  recíprocas  entre  os  Apodienses  e  os  "Pedrenses  de  Abelhas", cuja  rixa  perdurou  até  o  ano  de  1963,(18.09.1963)  quando  o  então  Distrito  de  "Pedra  de  ABelhas"  foi  elevado  ao  predicamento  de  cidade  e  município, com  o  nome  de  FELIPE  GUERRA, em  homenagem  a  um  cunhado de  Tilon  Gurgel.  Felipe  Guerra  era  casado  com  uma  irmã  de Tilon  Gurgel.  Faço a  observação  de  que  o  Dr. Felipe  Guerra  não  trouxe  nenhum  benefício  para  a  comuna  de  "Pedra  de  Abelhas",  para  tutelar   a  razão  de  ter  o  seu  nome  como  patrono  toponímico  do  novel  município. 
                     Apesar  de  liames  familiares  existentes  entre  os  Coronéis  FERREIRA  PINTO  e  GURGEL -  o  primeiro  tinha  a  avó paterna  como  irmã  do  pai  do  segundo, ou seja, dona  JOAQUINA  MARIANA  DE  JESUS  era  irmã  do  Tenente-Coronel  Antonio  Francisco  de  Oliveira  -  pai  do  Coronel  Francisco  Gurgel  de  Oliveira (Coronel  Gurgel),  a  indisposição  política  foi  se  acirrando  entre  essas  duas  famílias  tradicionais.  No  ano  de  1913  houve  uma  ligeira  trégua, com  os  casamentos  de  dois componentes da  família  PINTO  com  duas moças  da  família  GURGEL:   Dr. Vicente  Ferreira  Pinto, Promotor  Público, filho  do  Coronel  FERREIRA  PINTO, com  a  Srita  FILOMENA  GURGEL, irmã  de  Tilon  Gurgel , e  o  agropecuarista  FRANCISCO DIÓGENES  FILHO (Sêo  Diógenes - pai  de  Zé  Diógenes) casou  com  CAETANA  GURGEL  FILHA (Dona  Caetaninha) também  irmã  de  Tilon  Gurgel.  Sêo  Diógenes  era  sobrinho  materno   do  Dr. Vicente  Pinto.  Em  1919  reacendeu  a  intriga  familiar  e  política  entre  estas famílias, originada  no  fato  de  que  dois  componentes  da  família  PINTO  abriram  dissidência  política  -  Os  Srs. SEBASTIÃO  PAULO  FERREIRA  PINTO  e  seu  primo  JOÃO  DE  DEUS  FERREIRA  PINTO, que  se  aliaram  à  cerrada  oposição  à  família  PINTO, liderada  por  Tilon  Gurgel.  A  partir  deste  ano  de  1919  o  município  de  Apodi  e  seu  povo  passou  a  ser  teatro  de  correrias  e  tropelias  protagonizadas  por  jagunços  componentes  da  milícia  particular  comandada  por  DÉCIO   HOLANDA, cearense  do  Pereiro, onde  em  1927  "acoitou" o bandido  Lampião  e  seu  bando, na  sua  fazenda  de  nome  "Bálsamo".  Neste mesmo  ano  de  1913,  o  Coronel  FRANCISCO  FERREIRA  PINTO  casou  com  sua  prima  MARIA  SALOMÉ  DIÓGENES  PINTO (Irmã  de  Sêo  Diógenes), que  fora  adotada  em  criança  pelo  Coronel  JOÃO  JÁZIMO  DE  OLIVEIRA  PINTO  e  esposa  ISABEL  SABINA  DE  OLIVEIRA  FILHA (Bebela  de  João  Jázimo). Aquí, cabe  fazer  uma  explicação  de  cunho  genealógico:  João  Jázimo  casou  com  uma parente  e  enteada  do  seu  genitor.  Bebela  era  irmã  de  Francisco  Diógenes  Paes  Botão, que  casou  com  Antonia (Toinha - Filha do Coronel  Ferreira  Pinto  e  de  Claudina  Pinto)  e foram  pais  de  Salomé  Pinto  e  Sêo  Diógenes.  Salomé  era, ao  mesmo  tempo, sobrinha  materna  de seus pais  adotivos João  Jázimo  e sobrinha  materna  da  mulher  de  João  Jázimo  - no  caso  Bebela.   Sêo  Diógenes  passou  por  uma  situação de  extremo  vexame  em  02  de  Maio  de  1934,  quando  o  Coronel  Francisco  Pinto  foi  assassinado  em Apodi, tendo  como  mandante o  seu  cunhado  Tilon  Gurgel, mancomunado  com  o  não  menos  truculento  Luiz  Leite.  Sêo  Diógenes  era, ao  mesmo  tempo, cunhado  do  Coronel  Francisco  Pinto (Casado com sua  irmã  Salomé) e  de  Tilon  Gurgel (irmão de  sua  esposa  Caetaninha).

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Nossa Atlântida, por Edgar Barbosa


Nossa Atlântida
Macau nasceu do mar revolto e se estendeu por terra, com o seu povo de salineiros e de pescadores, ouvindo e aprendendo o marulho bravio das ondas. O destino quis que ela tivesse um nome evocativo das longas e aventurosas viagens aos portos do longínquo Oriente. Um nome que se pronuncia imaginando iates, gôndolas, falúas, barcos de velas brancas, gemendo cantigas de gajeiros e arfando nas enseadas de países distantes.
Mas, no burburinho de tantas sugestões românticas que esse nome desperta, ninguém conseguiu fazer ressurgir do abismo em que se afogou, a ilha de Manoel Gonçalves, a nossa perdida Atlântida, que ainda não encontrou o seu Platão.
A Ilha de Manoel Gonçalves, tal como nos parece na imaginação sempre disposta a iludir-se e a sonhar, não foi nenhuma dessas cidades contra as quais a ira oceânica se desmandou implacavelmente. Era uma feliz aldeia de pescadores sem vícios nem crimes que chamassem a si o castigo dos elementos. O mar, em luta com a terra, enrolava parceis e recifes, arrastando-os no dorso das vagas. A humilde ilhota de pescadores, no meio do tremendo campo de batalha, assistia inquieta às escaramuças que arrancavam pedaços do seu solo. E enfim, um dia, apenas viçou sobre a imensidão oceânica o pugilo derradeiro de terra, pedestal de uma cruz que abria os braços, clamando e perdoando. Os habitantes fugidos da ilha condenada e moradores da margem direita do rio foram em procissão de ladainhas e preces, buscar o cruzeiro que o oceano havia respeitado. E em Macau os seus primitivos povoadores continuaram a amar e venerar os velhos santos, as queridas imagens e a cruz que abençoara a agonia da ilha perdida.
Foi assim que morreu, há muitas dezenas de anos, a ilha de Manoel Gonçalves, afogada no delta indomável do Rio Piranhas. Mas, do amarfanhado lençol marinho que a sepulta ela por vezes aparece, como uma Vitória Régia, numa ressurreição. As suas ruínas, as pedras das suas casas, os tijolos das suas calçadas onde tantos meninos brincaram e correram, cantando e sorrindo para o mar, ainda afloram aos olhos supersticiosos dos pescadores, pelas noites de lua.
A Ilha de Manoel Gonçalves morreu para que a cidade de Macau nascesse. Nenhuma semente de terra dessas milhares que Deus semeou pelo mar teve um destino tão lindo. Macau surgiu, cresceu para o oceano revolto, transformou a água invasora em pirâmides de sal que cintilam como um diadema de imperatriz. E já agora não é mais possível trocar por nenhum ouro do mundo toda a pobre existência ignorada da ilha que morreu do mal de ser feliz.
EDGAR BARBOSA

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A escolha do capitão-mor do Rio Grande

A escolha do capitão-mor do Rio Grande
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Transcrevo para este artigo o manuscrito que faz parte do Projeto Resgate, constante do Centro de Memória Digital da UNB. Ele trata da escolha do capitão-mor do Rio Grande, no ano de 1739. Vejamos o que escreveu o Conselho Ultramarino
Por se achar em termos de se prover o posto de capitão-mor do Rio Grande se puseram editais por tempo de vinte dias para que todas as pessoas que o quisessem pretender apresentassem seus papéis correntes em poder do Secretário do Conselho, dentro do dito termo os ofereceram.
Francisco Xavier de Miranda Henriques moço fidalgo da casa de Vossa Majestade consta haver servido a Vossa Majestade neste Reino e na Praça de Marzagão por espaço de dezoito anos, onze meses e vinte e nove dias continuados de vinte e um de junho de mil setecentos e dezenove, até quatro de julho de mil setecentos e trinta e oito, em praça de soldado de Cavalo no Regimento de que foi coronel-brigadeiro, o marquês de Marialva, sem nota alguma, e passando no ano de mil setecentos e trinta e três voluntário a continuar o serviço à Praça de Marzagão sentar nela praça de soldado do Infante, e passar a cavaleiro acobertado com armas, e cavalos às suas custas e outra vez soldado infante com exercício de capitão de infantaria por patente do governador que foi da dita Praça João Jacques Magalhães, e no decurso do referido tempo se achar em várias ocasiões de combates que se tiveram com os mouros acompanhando ao Aldail com valor e assistindo  as suas obrigações com muita pontualidade e obediência. Em setecentos e trinta e quatro se achar em uma escaramuça que houve com os mouros sendo dos primeiros cavaleiros que os acometeram e indo socorrer um cavaleiro que caiu, e se achar em evidente perigo de vida pelo cercar grande multidão de infiéis. Em setecentos e trinta e cinco se achar em vários choques que com os mesmos se teve obrando sempre em grande esforço. Em setecentos e trinta e seis achando-se um barco ancorado para dento do Cabo de Azamor mandar o governador que então era daquela Praça Bernardo Pereira Berredo dois (ou doze) barcos armados em guerra e em um deles o suplicante para que este fosse buscar, e, com efeito, saindo de noite executar esta diligencia com tão bom sucesso que pela manhã o trouxe rendido para a praça com vinte e oito homens, uma boa carga de fazendas, obrando em tudo com grande valor e distinção.
Caetano de Mendonça, cavaleiro fidalgo da casa de Vossa Majestade por fé de oficio, certidões e mais papéis que apresentou, consta haver servido a Vossa Majestade nas capitanias de Pernambuco, Rio Grande e na Cavalaria desta corte por espaço de doze anos, dois meses e oito dias, com interpolação e continuados de quatorze de janeiro de mil setecentos e vinte e dois ate vinte e sete de abril de mil setecentos e trinta e três em praça de soldado Infante, ajudante supra de um dos terços volantes dos moços solteiros, por patente do governador, que então era da dita capitania de Pernambuco, Manoel Rolim de Moura, ajudante também supra da capitania do Rio grande do terço paulista em que foi por Vossa Majestade Reformado, e ultimamente vindo para esta corte continuar o serviço em praça de soldado de cavalo do Regimento de Cascais, no decurso do referido tempo fazer sempre a sua obrigação entrando e saindo de guarda e dando pronta execução às repetidas diligências que lhe foram encarregadas pelos seus oficiais maiores, assim em marchas, como em prisões de criminosos que lhe foram cometidas, ensinando com muito cuidado e destreza aos soldados os exercícios militares, e havendo-se sempre com grande zelo, e na ocasião do levante dos terços de Pernambuco, assistir no Presídio do Arraial do Rio Grande, havendo-se sempre com grande obediência a seus oficiais maiores.
Rafael Ribeiro Pereira, cavaleiro professo da ordem de Cristo que consta haver servido a Vossa Majestade no militar até o posto de capitão-tenente da Fortaleza de São Sebastião do Rio de Janeiro, como no de Alferes em uma campanha da nobreza auxiliar da mesma praça em cujas ocupações se houve com grande zelo do Real Serviço, e nestas cidades por nomeação que lhe fizeram serviu de tesoureiro geral do (ilegível) pelos dinheiros dado a risco, e juro e de todo cabedal que recebeu fez entrega no tesouro, sem ter de todo este trabalho ordenado algum nem conveniência mais que a de servir a Vossa Majestade como tudo consta dos documentos os quais ofereceu.
E sendo visto os serviços referidos, parece ao Conselho propor em primeiro lugar a Francisco Xavier de Miranda Henriques; em segundo lugar a Caetano de Mendonça; e em terceiro lugar a Rafael Ribeiro Pereira. Lisboa ocidental, treze de fevereiro de mil setecentos e trinta e nove. Alexandre Metello de Souza e Menezes, Thomé Gomes Moreira, Manoel Caetano Lopes de Lavre, Joseph Ignácio de Arouche, Manoel Fernandes Vargas e Joseph Carvalho de Abreu.
Francisco Xavier de Miranda Henriques foi nomeado capitão-mor do Rio Grande por tempo de três anos. Na verdade, ele permaneceu como capitão-mor até 1751. No Ceará foi capitão-mor de 1755 até 1759. Em 1761 assumiu o governo da Paraíba, que deixou em 1764.
 Francisco Xavier de Miranda Henriques foi suspenso em 1748, por quatro meses, conforme se observa de uma petição feita pelo procurador Antonio de Miranda Henriques, seu irmão.

Sobre os Dantas Corrrea



Sobre os Correa Dantas
Os documentos aqui apresentados foram enviados por Helder Macedo, em PDF. Ele, posteriormente, enviou em Word. Fiz uma transcrição para o Word, eliminando algumas abreviaturas e corrigindo algumas palavras. Pela importância do assunto para a nossa Genealogia posto neste blog.
Cada um dos documentos apresentados foi tirado do endereço abaixo:
Arquivo Nacional da Torre do Tombo – PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1515
Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitação, Antonio, Mc.203m doc.3025
Diligência sobre a geração, vida e costumes do capitão Antonio Dantas Correa Góes, natural da Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba, e morador na dos Patos, tudo do Bispado de Pernambuco: casado com Dona Josefa Francisca de Araújo ( 1801-1804). 

Casamento de José Dantas Corrêa com Tereza de Gois de Vasconcelos
Certifico que revendo os livros dos assentos de casamentos desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba do Norte em um deles as folhas setenta e seis verso achei o assento do teor seguinte: Aos vinte e dois de novembro de mil setecentos e quarenta e cinco, com licença do Senhor Bispo na Igreja de Nossa Senhora das Neves, digo do Carmo da Paraíba na presença do Padre Frei Luiz de São Jerônimo e das testemunhas o Governador Antonio Borges da Fonseca, e o Juiz Ordinário Manoel Martins Grangeiro, se receberam por palavras de presente na forma que dispensa o Sagrado Concílio Tridentino, o capitão-mor José Dantas Correa, filho legitimo do Alferes José Dantas Correa e de sua mulher Izabel da Rocha Meireles, natural desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves, e morador na Freguesia do Piancó, com Dona Thereza de Góis de Vasconcellos, filha do coronel Lourenço de Góis de Vasconcellos e da sua mulher Dona Maria de Araújo de Vasconcellos, natural e moradora desta Cidade da Paraíba, e receberam as bênçãos nupciais; do que mandei fazer este assento que assinei para constar. O Vigário Antonio da Sylva Mello. E não se continha mais em dito assento que bem e fielmente trasladei do próprio e que tudo afirmo aos Santos Evangelhos. Paraíba, 20 de outubro de 1802. José Elias de Carvalho, Prior.
Batizado de José Dantas Correa, o 2º
Certifico que revendo os livros dos batizados desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba do Norte, em um deles as folhas sessenta e quatro verso achei o assento do teor seguinte: em primeiro de abril de mil setecentos e oito com licença do Muito Vigário na Capela de Nossa Senhora do Desterro batizou o Padre Custódio de Oliveira Pereira, a José filho de José Dantas Correa e de sua mulher Izabel Rocha; foram padrinhos o capitão Domingos de Siqueira da Sylva, e sua mulher Maria das Neves. Não tomou os Santos Óleos, do que fiz este assento dia, e era ut supra. Antonio Dias Monteiro, coadjutor. E não se continha mais em dito assento que bem e fielmente trasladei do próprio ao qual me reporto e tudo afirmo aos Santos Evangelhos. Paraíba, 20 de outubro de 1802. José Elias de Carvalho, Prior.
Batizado de Lourenço de Góis e Vasconcellos
Certifico que revendo os livros dos assentos dos batismos dos livros desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba do Norte não consta do assento do avô do suplicante, coronel Lourenço de Góis, por ser antigo, mas me consta ser o batizado (....) temente a Deus e de bons costumes o que tudo afirmo aos Santos Evangelhos. Paraíba, 20 de dezembro de 1802. José Elias de Carvalho, Prior.
Batizado de José Dantas Correa,o 1º
Certifico que revendo os livros dos assentos dos batismos desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba do Norte, não consta do assento de José Dantas, avô paterno do suplicante, nem achar pessoa alguma que me desse notícia dos nomes dos seus pais, por donde pudesse procurar o dito assento por serem muitos antigos e já terem mais de cem anos, pois seu filho José Dantas, tem noventa e quatro anos como consta do seu batismo e tudo afirmo aos Santos Evangelhos e do mesmo livro de batismos as folhas 64, verso. Paraíba, 20 de outubro de 1802. José Elias de Carvalho, Prior.
Batizado de Antonio Dantas Correa de Góis
Manoel Antonio Rocha, Professo na Ordem de Cristo,  Comissário do Santo Ofício e Vigário Encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba, por Sua Excelência Reverendíssima, Certifico, que revendo os livros de batismos desta Freguesia, em um deles a pagina 91, achei o assento, de que faz menção a petição, do teor seguinte. Aos vinte, e oito dias do mês de outubro de mil setecentos e cinquenta, nesta Matriz de Nossa Senhora das Neves da Paraíba, de licença minha, o Reverendo Padre Manoel de Carvalho batizou e pôs os Santos Óleos ao inocente Antonio, filho do sargento-mor José Dantas, e de sua mulher D. Thereza de Goes: foram padrinhos o coronel Lourenço de Goes de Vasconcellos e sua filha D. Maria de Goes, solteira: do que mandei fazer este assento que assinei = Antonio Soares de Barboza, Vigário. E não se continha mais em dito assento, eu bem, e fielmente copiei do original, a que me refiro e vai sem a siza, que duvida faça. Cidade da Paraíba, 4 de maio de 1807. Manoel Antonio da Rocha, Vigário Encomendado da Paraíba.
Batizado de Tereza de Góis de Vasconcellos
Manoel Antonio da Rocha, Professo na Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício e Vigário Encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba por Sua Excelência e Reverendíssima que Deus Guarde, Certifico que revendo os livros dos batismos desta Freguesia, em um deles a página 58, achei o assento do teor seguinte. Aos vinte, e sete dias do mês de maio de mil setecentos e vinte e sete, com minha licença, na Capela de Santos Cosme e Damião, batizou sem os santos óleos, pelos não haver, o Reverendo Padre Antonio Rodrigues Frazão a inocente Thereza, filha do coronel Lourenço de Goes de Vasconcellos, e de sua mulher D. Maria de Arahujo: foram padrinhos o sargento-mor Simão de Goes de Vasconcellos, e Dona Joanna de Souza Coitinho: de que fiz este assento que assinei para constar. O Vigário Antonio da Sylva Mello. E não se continha mais em dito assento, eu bem, e fielmente copiei do próprio, a que me reporto. Cidade da Paraíba, 4 de maio de 1807.
Batizado de José Dantas Correa, o 1º
Manoel Antonio da Rocha, Professo na Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício e Vigário encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba, por Sua Excelência Reverendíssima que Deus Guarde, certifico que revendo os livros de batismos dos mais antigos da Freguesia, não achei o acima requerido, pelo que recorri aos de casamentos, e com efeito em um deles a página 39v, achei que o dito José Dantas Correa no ano de mil setecentos e onze, fora padrinho com Domingos Siqueira da Sylva no casamento de Matheos Bizerra da Costa com Anna de Abreu Maciel, pelo que se vê dos muitos anos, não se poder achar o assento do dito José Dantas Correia, usando deste meio para ver, se no casamento do dito José Dantas Correia com D. Izabel da Rocha Meireles achava notícia de seus pais. É o que posso informar o suplicante em fé de Pároco. Cidade da Paraíba, 7 de maio de 1807. Manoel Antonio da Rocha, vigário encomendado da Paraíba.
Batizado de Izabel da Rocha Meireles
Manoel Antonio da Rocha, Professo na Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício e Vigário Encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba, por Sua Excelência Reverendíssima que Deus Guarde, certifico, que revendo os livros de batismos dos mais antigos  da Freguesia, não achei o acima requerido, por não declarar, filha de que pais, assim no ano de mil seiscentos, e noventa e seis a 48v do teor seguinte: aos dezesseis de fevereiro de mil seiscentos e noventa e seis, com licença do Reverendo Vigário, batizou o Padre Frei João de Santo Elias, Religioso de Nossa Senhora do Carmo em Nossa Senhora da Guia, a Izabel, filha legitima de Antonio Pereira, e de Ricarda Costa; foram padrinhos João Cardozo, e Iria Soares, de que fiz este assento para constar. O coadjutor Antonio de Souza Ferrão. E não se continha mais em dito assento que bem fielmente copiei do próprio, a que me reporto. Cidade da Paraíba, 7 de maio de 1807. Manoel Antonio da Rocha, Vigário Encomendado da Paraíba.
Casamento de Antonio Dantas Correa de Góis com Josefa Francisca de Araújo
Manoel Rodrigues Xavier Presbítero Secular, Comissário do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, Cura e Vigário da Vara nesta Freguesia de Nossa Senhora da Guia do Lugar dos Patos, termo da Vila do Príncipe e nela Juiz dos Casamentos e (...) tudo por sua Excelência Reverendíssima, Certifico, que revendo o livro dos assentos dos casamentos desta Freguesia, nele achei o assento, de que faz menção o requerimento supra, cujo teor de verbo ad verbum é o seguinte = aos quinze dias do mês de outubro de mil setecentos, e noventa e dois neste sítio de São Gonçalo da Serra do Monteiro desta Freguesia pelo meio dia em minha presença se receberam por esposos presentes os nubentes o alferes Antonio Dantas Correa de Goez, e D. Josefa Francisca de Araújo, esta é filha legítima de Joaquim de Araújo de Almeida, já falecido, e de sua mulher D. Mariana Francisca dos Santos Maiores, e natural do Cariri de fora, e aquele é filho legítimo do sargento-mor José Dantas Correa, e de sua mulher D.Thereza de Goez e Vasconcellos, já defuntos, e natural da Cidade da Paraíba, corridos seus banhos, tanto de suas naturalidades, quanto de seus domicílios, sem impedimento, lhes dei as benções matrimoniais juxt. Rit. Roman., foram confessados, e examinados da Doutrina Cristã, e assistiram por testemunhas o capitão Bento da Costa Vilar, e o Juiz Ordinário José Vicente Rodrigues de Carvalho, que comigo assinaram no assento que fica no arquivo desta Igreja, e para constar fiz este assento em que me assinei. Manoel Rodrigues Xavier, cura dos Patos = e não se continha mais no dito assento, a que me reporto, em fé de pároco. Patos, 24 de setembro de 1793. Manoel Rodrigues Xavier, Cura dos Patos.
Batizado de Mariana Francisca de Souto Maior
Manoel Antonio da Rocha, Professo da Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício, e Vigário Encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba por Sua Excelência Reverendíssima que Deus Guarde, certifico que revendo os livros de batismos desta Freguesia, em um deles se acha a folha 129 o assento do teor seguinte. Aos vinte, e nove dias do mês de Maio de mil setecentos, cinquenta e sete na Matriz desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Paraíba do Norte, de minha licença, o Padre Mathias Mendes Viana batizou e pôs os Santos Óleos a inocente Marianna, filha legítima do sargento-mor Manoel Rodrigues Pires, e de sua mulher Francisca Coelho Barreto: foram padrinhos Vicente Luis da Costa, e Tereza de Jesus, filha de José Rodrigues Pires: de que mandei fazer este assento, que assinei = Francisco Gomes de Mello. Pro Vigário. E não se continha mais em dito assento, que bem e fielmente copiei do próprio a que me refiro. Cidade da Paraíba, 4 de maio de 1807. Manoel Antonio da Rocha, Vigário Encomendado da Paraíba.
Batizado de Maria de Araújo e Vasconcellos
Manoel Antonio da Rocha, Professo na Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício e Vigário Encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba, por Sua Excelência e Reverendíssima que Deus Guarde, certifico, que revendo os livros de batismos desta Freguesia, em um deles a página 72 achei o assento do teor seguinte. Aos vinte e dois do mês de abril de mil setecentos e oito, batizou o Padre Antonio de Andrade Bezerra, da Capela de Santos Cosme e Damião, de Inhobim, com licença do Reverendo Vigário a Maria, filha legítima do capitão Ignácio de Freitas e de sua mulher Guiomar Fernandes: foram padrinhos o dito Padre Antonio de Andrade, e D. Violante de Souza: de que fiz este termo para constar. O Coadjutor, Antonio de Souza Ferrão. E não se continha mais em dito assento, que bem e fielmente copiei do próprio a que me refiro. Cidade da Paraíba, 4 de maio de 1807. Manoel Antonio da Rocha, Vigário Encomendado da Paraíba.
Batizado de José Dantas Correa, o 2º
Manoel Antonio da Rocha, Professo na Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício e Vigário Encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba por Sua Excelência  Reverendissima que Deus Guarde, certifico, que revendo os livros de batismos dos mais antigos da Freguesia, não achei o assento requerido do sargento-mor José Dantas Correa, pai dos Suplicante, porem recorrendo aos livros de casamento em um deles, a página 74 achei que o capitão-mor José Dantas Correia é filho legítimo do Alferes José Dantas Correa e de Izabel da Rocha Meireles, natural desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves, e morador na Freguesia do Piancó, e que fora casado com D. Tereza de Goes, natural desta Freguesia da Paraíba no ano de mil setecentos, quarenta e cinco: é o que posso informar a respeito, a vista do livro a que me reporto em fé de Pároco. Cidade da Paraíba, 6 de Maio de 1807. Manoel Antonio da Rocha, vigário Encomendado da Paraíba.