domingo, 20 de fevereiro de 2011

Alexandre Avelino da Costa Martins


Alexandre Avelino da Costa Martins

O fato de a História ser reconstituída a cada momento é que faz com que, em algum momento, se possa fazer justiça, com alguns dos seus personagens. Muitos ficam durante anos e até séculos sem nenhum mérito perante a humanidade.
Nunca tinha ouvido falar no meu trisavô, Alexandre Avelino da Costa Martins. O nome que me passaram era outro. Somente a pesquisa genealógica que estou empreendendo repôs a verdade sobre isso. No livro Angicos de Aluizio Alves, há uma referência sobre ele, pelo fato de ser o pai do Cadete José Avelino. Há referência a Alexandre Avelino Bezerra que ergueu a capela de Nossa Senhora da Conceição em Carapebas no ano de 1894, mas esse é um dos seus filhos.
Os poucos livros da Câmara Municipal  de Angicos que encontrei traz várias referências a ele. Os livros não são completos e só pudemos ver pedaços de informações referentes aos anos de 1855 e 1856. Em primeiro lugar, nessa legislatura que foi de 1853 até 1856, ele aparece como vereador da Câmara. Pela análise das sessões se verifica uma participação muito efetiva de Alexandre Avelino da Costa Martins nas discussões, nas observações e nas votações. Conhecido na Câmara por Costa Martins, sempre que era voto vencido tinha que assinar o nome completo e ao lado era colocado vencido. Por isso, conheci a sua assinatura completa. É notável suas intervenções a todo o momento.
Uma das discussões que participou foi já no fim do mandato e era referente à eleição para Juiz de Paz. Na data de 17 de novembro de 1856 a Câmara examinou a apuração da eleição realizada em 7 de setembro do mesmo ano. Os resultados para Juiz de Paz traziam os seguintes nomes e votação: Vicente Ferreira Xavier da Cruz, pela sorte, 238 votos, José Alexandre Solino da Costa, pela sorte, 238,  João Miguel da Trindade com 236 e Gonçalo José Barbosa, 234. Os outros candidatos na seqüência obtiveram votos iguais ou  inferiores a 78 votos. Alexandre Avelino e o vereador João Teixeira dos Santos deixaram de assinar os Diplomas por entenderem que houve falsificação na votação do cidadão José Alexandre Solino da Costa, e que este tinha obtido na verdade duzentos e quarenta votos. Reclamava Alexandre ainda, que mesmo os votos sendo iguais teria que ser desempatado através do voto. Pelo que se observa na ata o desempate era pela sorte. Do que resultou Vicente Ferreira Xavier da Cruz em primeiro. Os três primeiros tomaram posse.
Os personagens desse fato Alexandre Avelino, Vicente Ferreira Xavier da Cruz e João Miguel da Trindade eram meus trisavós e José Solino era tio de Anna Francisca Bezerra, esposa de Alexandre Avelino. Tempos depois, Claudiana filha de Solino casou em 1871, com José Avelino, filho de Alexandre Avelino. Miguel Trindade Filho, bisneto de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e de João Miguel da Trindade casou, em 1942, com Dalvanira bisneta de Alexandre Avelino.
Alexandre Avelino ocupou depois o cargo de Juiz de Paz, em 1861 e Delegado de Polícia em 1862. Informações anteriores a 1855 de sua vida profissional  não foi possível localizar.
Era filho de Vicente Ferreira da Costa e Mello do O’ e Joaquina Maria do Rosário. Era casado com Anna Francisca Bezerra, filha do Tenente Coronel Antonio Francisco Bezerra da Costa. Descendia de João Barbosa da Costa e de Antonio Lopes Viégas. Registramos os filhos, Francisco Avelino da Costa Bezerra, Manoel Avelino da Costa Bezerra, José Avelino Martins Bezerra, Alexandre Avelino Martins Bezerra, Joaquim Avelino Martins Bezerra, Agostinha Maria Martins Bezerra, Joanna Martins Bezerra, Maria da Conceição da Costa Bezerra, Anna Jovina da Costa Bezerra, Maria Alexandrina Martins Bezerra, Vicente Maria da Costa Avelino e Guilherme Avelino.
Entre os seus descendentes em linha direta destaco os seguintes: o Jornalista Pedro Avelino, o ex-deputado estadual Emygdio Avelino, o senador Georgino Avelino, o poeta Edinor Avelino, o cadete e herói da guerra do Paraguai José Avelino, o cardiologista e ex-deputado estadual Teódulo Avelino, o Diplomata Vicente Avelino, o senador Carlos Alberto e filha deputada estadual Micarla de Sousa, o poeta Gilberto Avelino e sua esposa Gildegerce Avelino,  o escritor Afonso Bezerra, o Monsenhor Lucilo Machado, os escritores José Bartolomeu Correia de Melo e Paulo de Tarso Correia de Melo, os Promotores de Justiça Pedro Avelino Neto e Afonso Ligório, o  Procurador de Estado  Vital Luiz, o Monsenhor Júlio Bezerra, Jacob Avelino, a poeta Isolina Avelino Waldvogel, Maria Albertina Avelino Leite, o pintor Roosevelt  Avelino Trindade, o comerciante  Vicente Avelino e o bancário Valdemar Avelino Trindade.
Não encontrei a origem desse sobrenome Avelino entre os ascendentes de Alexandre. A outra personagem da região que tinha esse sobrenome era João Avelino Lopes Viégas. Acredito que foi acrescentado ao nome sem nenhuma origem familiar. Fica aqui, para conhecimentos de todos os seus descendentes, o registro da participação de Alexandre Avelino na região de Angicos e Carapebas.

A Noiva da Revolução, a Ilha de Manoel Gonçalves e minha trisavó

A Noiva da Revolução, a ilha de Manuel Gonçalves e minha trisavó.

 "A NOIVA DA REVOLUÇÃO" é o título de um romance do jornalista Paulo Santos de Oliveira, que descreve o movimento patriótico de 1817 com total fidelidade aos acontecimentos. Essa grande aventura, apaixonada e romântica, é narrada pela ótica de Domingos Martins, o principal líder revolucionário, e complementada pela  filha de portugueses Maria Teodora da Costa, que viveram um amor proibido e fizeram o casamento talvez mais importante já realizado no País", segundo o site do livro acima.
Quando comecei minhas pesquisas genealógicas, João Batista de Melo Pinto, meu primo, me escreveu que, Miguel Trindade Filho, meu pai, em carta para ele, falava em um cidadão chamado Bento José da Costa, um português, residente em Recife, grande proprietário de terras, cuja filha Maria Teodora se casou com o chefe da Revolução de 1817, Domingos José Martins, era tio de minha trisavó portuguesa Josefina Maria Ferreira. Fomos, então, eu e Batista atrás de documentos que pudessem comprovar essa afirmação. A primeira referencia que encontrei foi na "Escritura de Venda que Faz D. Francisca Rosa Fonseca, de todos os terrenos e fazendas de gados que possui no Sertão do Assú, a Domingos Afonso Ferreira e ao Tenente-Coronel Bento José da Costa" no livro de Olavo Medeiros Filho, Ribeiras do Assú. Lá encontrei entre as terras, a fazenda Cacimbas do Viana, local onde nasceu minha avó, Maria Josefina Martins Ferreira, neta de Josefina Maria Ferreira. Em seguida encontrei no livro 1º Centenário da Ordenação Sacerdotal do Monsenhor Joaquim Honório da Silveira, que os portugueses capitão João Martins Ferreira, seu filho José, seus quatros genros, José Joaquim Fernandes, Manoel Antonio Fernandes, Manoel José Fernandes e Antonio Joaquim de Souza mudaram-se definitivamente para ilha de Macau, abandonando a pequena ilha de Manuel Gonçalves, tragada pelo mar, e que fazia parte das terras adquiridas pelo Tenente Coronel Bento José da Costa. O sobrenome Martins Ferreira me chamou a atenção por ser o mesmo do meu trisavô José Martins Ferreira, esposo da portuguesa Josefina. Constava ainda no livro do Monsenhor Honório, parte da escritura das terras de Bento, citada ali por Nestor Lima. Havia uma pequena divergência entre a citação de Olavo e a de Nestor. Era quanto ao nome do Administrador das terras de Bento. Na primeira constava como sendo João Alves Ferreira e na segunda como João Moz Ferreira. Já familiarizado com tantas abreviaturas, depois de muitas leituras de livros de casamento, suspeitei de imediato que o João que estavam citando nem era um nem outro, mas João Martins Ferreira. Fui ao Instituto Histórico conferir e lá estava a abreviatura Miz que tanto conhecia. Nas abertura das atas da Câmara Municipal de Angicos do ano de 1855, constava sempre o nome Costa Miz, se referindo ao meu trisavô vereador Alexandre Avelino da Costa Martins. Parece óbvio que o Administrador das terras de Bento era o mesmo que morava na ilha Manuel Gonçalves de sua propriedade e que se mudou para a Ilha de Macau com genros e filhos. Em seguida encontrei o batizado de quatro filhos naturais de José Martins Ferreira e Delfina Maria dos Prazeres que nasceram entre 1830 e 1835, José, Manoel, Josefa e Joaquim e que são reconhecidos como filhos na forma que foi declarado pelo vigário João Teotônio de Souza e Silva: "o qual disse em minha presença reconhecia o dito parvulo por seu filho e me pediu fizesse essa declaração para a todo tempo constar". Foram padrinhos Silvério Martins de Oliveira com Joanna Nepomucena, Pedro Álvares Ferreira, Francisco Martins Ferreira, Antonio Joaquim de Souza com Thomásia Martins Ferreira e Manoel José Fernandes com Anna Martins Ferreira. Thomásia e Anna eram filhas de João Martins Ferreira e por isso acredito que José Martins Ferreira fosse o filho José, de João Martins. Silvério foi o primeiro Administrador da Mesas de Rendas Estaduais de Macau. Em seguida encontrei o batizado de dois filhos legítimos de José Martins Ferreira com Josefina Maria Ferreira. Todos esses batizados em Macau, em 06 de junho de 1842. O primeiro era do meu bisavô Francisco Martins Ferreira que nasceu em sete de outubro de 1841. Foram padrinhos Tenente Coronel José Ramos de Oliveira e sua mulher Maria da Costa por seus procuradores em Macau. Esse Tenente Coronel é citado em um artigo sobre a Ponte D' Uchoa, no Sítio das Jaqueiras, da pesquisadora do Instituto de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco, Samira Adler, que escreve: "da residência de Bento José, não sobrou qualquer vestígio. A última noticia oficial vem de 1858, data em que o Sr. Manoel José da Costa – tutor dos órfãos do comendador José Ramos de Oliveira, o derradeiro dono daquelas terras - manda demolir a construção, loteia a propriedade e vende os terrenos a vários compradores". O cidadão Manuel José da Costa (1809-1885) a que Samira se refere é o Barão das Mercês, filho de Bento que se casou com Caetana Cândida Gomes, Baronesa das Mercês, prima paterna do mesmo (Mística do Parentesco, Edgardo Pires Ferreira). O outro batizado, no mesmo dia, foi de João Martins Ferreira que nasceu em 22 de junho de 1840. Os seus padrinhos foram Pedro Alves Correa e, João Martins Ferreira, por procuração que apresentou de Maria Teodora da Costa Pires da Praça de Pernambuco. As escrituras citadas anteriormente foram feitas em 1897 e nessa época João Martins Ferreira já era o Administrador das terras de Bento. Todas essas relações confirmam como disse Miguel Trindade, que Bento era tio de Josefina Maria Ferreira e que, portanto Maria Teodora, a noiva da revolução era sua prima. No mínimo comadre.

O Cadete José Avelino, o nosso herói da Guerra do Paraguai

Cadete José Avelino, o nosso herói da Guerra do Paraguai (1845-1890)
 
Maria Alice assumiu a direção das Escolas Reunidas Cadete José Avelino, em Afonso Bezerra, com uma disposição muito grande para trabalhar por aquela instituição. Esta semana, dentro daquilo a que ela se propõe, ocorrerá uma programação de homenagem ao Cadete José Avelino, no momento que completa 117 anos de sua morte, que ocorreu em 20 de maio de 1890. José Avelino embarcou, como voluntário, para guerra do Paraguai em nove de maio de 1865. Segundo Aluízio Alves, no livro Angicos, "Classificado no 36º Batalhão de Voluntários, comandado pelo General Osório, tomou parte no combate de Curuzú, a três de setembro de 1866, e na batalha de Curupaití, a 22 do mesmo mês e ano. Nesse último encontro sangrento, recebeu um ferimento no braço, sem gravidade, e outro, mais sério, na perna, que o prostrou, numa depressão do terreno. Dali foi retirado, já quando as forças deixavam o campo, agarrado á coronha do fuzil de um companheiro dedicado." Condecorado, voltou para sua terra e não se escorou na glória que adquiriu. Foi o fundador da feira semanal de Carapebas em 1886. Dedicou-se a política tendo sido eleito para Câmara Municipal de Angicos para o período de 1883 a 1886, assumindo sua Presidência nesse último ano. No Livro das Velhas Figuras, diz Cascudo: "Era com manso orgulho sereno que o mestre-escola da povoação de Carapebas, nos dias solenes, punha ao peito sua medalha de bronze, com a efígie imperial. Naturalmente existem outras reluzentes, de ouro, com fitelhos bonitos, esmalte espelhante. Nenhuma é mais significativa. Nem mesmo o colar da Imperial Ordem da Rosa, que somente o Marquês de Barbacena e o Duque de Caxias possuíram, vence, em valor simbólico, esse disco de bronze que se ostentava, na altura do coração, no Cadete José Avelino Martins Bezerra. É a medalha mandada cunhar pelo decreto de 23 de março de 1868, com nobre dístico: - Recompensa à bravura militar." Conta Cascudo ainda que teve na mão a bala que atravessou o braço, no terço superior. Era de chumbo e pesava 30 gramas. No livro Ensaios, Contos e Crônicas há um artigo de Afonso Bezerra, sobrinho neto do cadete, que diz: "Morando placidamente em terras da família, a mais conceituada no lugar, prestes a desposar D. Claudiana Barbosa com quem se casou ao regressar da guerra, nem o seu sentimentalismo bairrista, nem a sensibilidade de seu coração de noivo, nem ainda o amor de filho obediente detiveram-no, no momento em que centenas de patriotas outros iam hipotecar á pátria magoada o preito de seu acendrado amor e o consolo de seu apoio em todas as ocasiões, e afirmar que aquele mesmo Brasil que, no século XVII, quando ainda não tinha delineada a sua entidade política, já conseguira expulsar de seu território os invasores flamengos, também naqueles dias, guiados pela sabedoria e patriotismo de D. Pedro II, não haveria de curvar-se humilhado ante a ousadia louca de um governo institucional. Lá no âmago da luta, foi sempre um destemido, um patriota, com menos arrodeios, um brasileiro autentico." Durante programação de homenagem ao Cadete, que vai de 15 a 19 de maio, será inaugurado um busto de José Avelino. Haverá, ainda, durante a referida semana, a exibição de dois filmes sobre a Guerra do Paraguai e uma homenagem aos diretores, professores e funcionários que passaram pela Escola.  Parabéns Afonso Bezerra pela homenagem que presta ao seu herói, neste ano do centenário de nascimento do escritor que dá nome a cidade.

Os habitantes da Ilha de Manoel Gonçalves (III)


Os Habitantes da Ilha de Manoel Gonçalves (III)
Não sei até onde o mar tinha avançado, em 1841. Com certeza alguns moradores ainda tinham atividades naquela Ilha de Manoel Gonçalves, pois, naquele ano, foram realizados dois batismos. Foram os últimos registros que encontrei.
Vale registrar, aqui, o falecimento de um Frade que fez batismos na Ilha, o Reverendo Frei Antonio de Jesus Maria Lobo.
“Aos 23 de Agosto de 1846, foi sepultado, na Capela de N. Senhora da Conceição de Macau, o Reverendo Frei Antonio de Jesus de Maria, da Religião Franciscana, branco, com idade de 50 anos, sendo envolto em seu próprio hábito, e encomendado pelo Reverendo Manoel Januário Bezerra Cavalcanti, do que para constar mandei fazer este assento, em que assigno. Felis Alves de Sousa. Vigário Colado de Angicos.”
Frei Antonio de Jesus de Maria batizou na Ilha de Manoel Gonçalves, do meu conhecimento, as seguintes crianças:
Joaquim, filho de Elisiário Antonio Cordeiro e Antonia Silvéria de Oliveira, em 24/9/1832; Justina de Manoel Francisco Monteiro e Ursula Maria das Virgens, em 30/12/1832; Manoel, de Francisco Vieira e Mello e Anna Maria dos Prazeres, em 24/2/1833; Silvéria, de Antonio Francisco Pereira e Ritta Maria da Conceição, em 20/5/1832; Martinha, filha de Antonio José de Deos e Joanna Francisca Bezerra, em 14/7/1833; Luiz, de Manoel Álvares Lessa e Maria Manoella da Costa, em 19/7/1834; e Josefa, filha natural, de José Martins Ferreira e Delfina Maria dos Prazeres, em 18/2/1833.
Em 31/7/1831, há o registro do batismo de Antonio, filho de Francisco Vieira e Mello e Anna Maria dos Prazeres, pelo reverendo Pedro de Tal. Depois, aparecem os seguintes registros, onde o batizante foi o Capellão frei José de Santo Alberto:
Mônica, filha de Daniel Pereira de Brito e Anna Maria da Silva, em 14/6/1835; Maria, filha de Caetano de Lemos da Fonseca e Maria Magdalenna, em 2/6/1835; Joanna, filha de Manoel Thomaz de Araújo e de Maria de Santa Anna, em 4/11/1836; Tertuliano , filho legitimo de Daniel Pereira de Brito e Anna Maria da Silva,em 4/11/1836.
O padre Joaquim José de Santa Annna batizou as seguintes pessoas na ilha: Leonarda, filha de Daniel Pereira de Brito e Anna Maria da Silva, em 18/12/1830; Jesuína, filha de Manoel Joaquim de Medeiros, da ilha de São Miguel, e Francisca de Paula, em 8/12/1830; Luisa, escrava de Carlos José de Sousa, em 7/12/1830
Os últimos registros que consegui, datam de 1841 e os batismos foram realizados pelo Reverendo Manoel Januário Bezerra Cavalcanti.
“Joze filho legitimo de Sabino Alves Pessoa, e Maria Antonia de Jesus, nasceu aos trinta de Abril de mil oitocentos e quarenta e um; foi batizado por mim com os S.S. óleos aos 5 de julho do mesmo ano na Ilha de Manoel Gonçalves. Forão P.P Izaquiel José Bazilio, e Maria Leandra de Farias, do que para constar, fiz este assento, em que me assino. Manoel Januário B. Cavalcanti.”
Felippa, filha legitima de Daniel Pereira de Brito, e Anna Maria da Silva, nasceu aos vinte, e seis de Maio de mil e oitocentos, e quarenta e um; foi batizada a m supra. Foram padrinhos Chistovão de Farias Leite Junior, e Julianna, digo, N.S.”
Daniel Pereira de Brito e Anna Maria da Silva, que aparecem várias vezes, eram naturais de Aracati, Província do Ceará. Felippa faleceu, em 1845.
Os quatro filhos naturais de José Martins Ferreira e Delfina Maria dos Prazeres tiveram vários registros repetidos, com informações diferentes. Há uma folha, no livro de registro, onde todos eles são registrados e reconhecidos como filhos. A única que é batizada na ilha é Josefa. Joaquim, o último deles, teve o seguinte registro que transcrevo pela sua originalidade:
“Joaquim, filho de Delfina Maria dos Prazeres, Casada, e José Martins Ferreira, solteiro, naturais e moradores nesta Freguesia, nascido párvulo aos oito de Abril de mil oito centos e trinta e quatro, foi batizado solenemente no Sítio de Macau, por Frei Antonio de Jesus Maria Lobo, de minha Licença, aos 15 de Maio do dito ano; forão padrinhos Manoel José Fernandes, e Anna Martins Ferreira, do que para constar, mandei fazer este assento que assino. Luiz Teixeira da Fonseca, vigário Interino.”
Em julho de 1835, reaparece José Martins Ferreira, já casado com Josefina Maria Ferreira. Foram padrinhos de Joaquim, filho de Manoel da Rocha Bezerra e Josefa Jacinta Bezerra. Não obtive registro desse casamento. Acredito que o casamento pode ter ocorrido em Recife, pois, Josefina era sobrinha de Bento José da Costa. No registro do primeiro filho legitimo com Josefina, em 1837, a madrinha é a esposa de Bento, Anna Maria Teodora.
O comandante Eugenio de Castro, na obra incentivada por Câmara Cascudo, e intitulada “Ilha de Manuel Gonçalves”, escreveu ao final:
“Si o tempo chegar, - como o gênio de Selma Lageroff soube criar no coração do pequenino Nils Holgersson a certeza de uma cidade de Vineta submersa no Báltico e a ser desencantada – melhor poderá o archeologo tirar de tão inglorioso esquecimento a <Manoel Gonçalves>>, com reconstituir-lhe sua vida, sua geographiapraieiros potiguares, o mystico alvorecer de uma lenda brasileira.”

Os habitantes da Ilha de Manoel Gonçalves (II)


Os Habitantes da Ilha de Manoel Gonçalves (II)

Nestor Lima, no trabalho sobre Macau, diz o seguinte: “Desabitada, a princípio, quando outros pontos como Alagamar e a Ilha de Manoel Gonçalves eram povoados, Macau teve como primeiros habitantes e povoação os portugueses Capitão João Martins Ferreira, seus quatro genros, Antonio Joaquim de Sousa, José Joaquim Fernandes, Manoel José Fernandes e Manoel Antonio Fernandes, além de Manoel Rodrigues Ferreira, João Garcia Valadão, Francisco José da Costa Coentro, Elisiário Cordeiro e o brasileiro Jacinto João da Hora, que habitavam a Ilha de Manoel Gonçalves e de lá se mudaram para a incipiente povoação de Macau”.

Câmara Cascudo, em uma nota inédita, no trabalho de Eugenio de Castro, “A Ilha de Manoel Gonçalves”, acrescenta, na relação acima, José (Martins Ferreira), filho de João Martins. Continuando, reclama, “os quatro genros têm nomes controvertidos. Noutras informações, deram-me gente diversa”. No artigo anterior  falamos sobre alguns desses personagens, dando-lhes mais vida, através de documentos sobre esposas e filhos. Vamos fazer o mesmo com os nomes restantes e outros mais que circulavam pela Ilha.

Jacinto João da Ora (grafia que aparece nos documentos), o brasileiro, era casado com Adrianna (de Jesus) Pereira dos Santos e morreu em 1853, viúvo, e com a idade de 70 anos. Os dois foram padrinhos de batismo, em 1845, de Elmira Perpetua (que casou em 1877, no Taboleiro Alto, com Manoel Correia de Melo Filho), filha de Francisco José de Mello Guerra (Professor de primeiras letras em Macau, em 1844) e Maria Francisca de Miranda. Foram padrinhos, também, de Targino, filho do Capitão e vereador Francisco Trajano Xavier da Cunha e sua mulher Senhorinha Clara dos Anjos, em 1832, em oratório particular.

Elisiário Antonio Cordeiro, português de Lisboa, era casado com Antonia Silvéria de Oliveira, e teve os seguintes filhos: João (padrinhos Silvério Martins de Oliveira e Joanna Nepomucena), Joaquim (padrinhos Silvério e Joanna, na Ilha de Manoel Gonçalves), Manoel (padrinhos Francisco Coentro e Anna Joaquina), Guilherme que morreu com 9 anos, em Macau e Maria . No ano de 1844, em Macau, foi padrinho de casamento de Luis Francisco de Melo e de Manoel Francisco Lima de Oliveira.

 Francisco José da Costa Coentro (Cuentro), português, casado com Anna Joaquina das Neves, teve os seguintes filhos: Cândida (padrinhos Silvério e Joanna), Francisco (padrinho Silvério e Joanna), Emygdio que morreu em 1848 e Horácio (padrinhos José Ignácio de Loyola e Francisca de Loyola).  O casal foi padrinho, em Macau, de Manoel, filho de Francisco Pereira de Santa Anna e Anna Francisca de Santa Anna.

João Garcia Valadão, português, era casado com Isabel Rodrigues de São José, que faleceu em 1830. Eles foram padrinhos do casamento de José Francisco Jorge e Maria Joana da Conceição, em Macau, em 1844. Há, também, registros de batismos de filhos de seus escravos Noberto e Anna, em 1832, na Ilha de Manoel Gonçalves.

Manoel Rodrigues Ferreira, português, era casado com Isabel Martins Ferreira. Os dois eram pais de Félix Rodrigues Ferreira (Fundador da Vila de Pendências) e de Joaquim Rodrigues Ferreira (fundador de Alto dos Rodrigues). Encontramos ainda o registro dos seguintes filhos: Josefa (1839), Luiz (1831), João (1836) que teve como padrinhos Manoel Rodrigues Ferreira Junior e sua irmã Maria Martins, lá em Boa Vista. Há ainda, Anna, que morreu em 1851 com 22 anos.
Sobre os genros obtivemos as seguintes informações que podem nos ajudar a recompor, aos poucos, mais dado sobre a nossa Ilha.
 José Joaquim Fernandes era casado com Maria Martins Ferreira . Eles foram padrinhos de Josefa, filha natural de José Martins Ferreira, em 1833 na Ilha.
 Manoel José Fernandes era casado com Anna Martins Ferreira. Foram padrinhos de Anna, filha de Manoel Alves da Silva e Josefa Martins Ferreira, em 1850, em Macau. Entre os filhos, citamos: Joanna (1851), Manoel (1846), José (1844), Maria Petronilla Fernandes que casou com o português Balthasar de Moura e Silva em 1854.
 Manoel Antonio Fernandes era casado com  Maria Martins de Pureza e os dois foram padrinhos de Joaquim, outro filho natural de José Martins Ferreira, em 1834. Ainda, em 1834, foram padrinhos, na Ilha, de Luiz, filho de Manoel Álvares Lessa (possivelmente, parente de Josefa Clara Lessa)
  Antonio Joaquim de Sousa era casado com Thomásia Martins Ferreira. Eram pais de Antonia que, em 1848, foi batizada tendo como padrinhos Pedro Alves Ferreira e Clara Maria Fernandes. Outro filho era João, que foi batizado em 1845, tendo como padrinhos Balthasar de Sousa e Maria Martins Ferreira.
Silvério Martins de Oliveira, que aparece como padrinho em vários batismos, também veio da Ilha. Foi o primeiro administrador da Mesa de Rendas Estaduais de Macau. Era casado com Joanna Nepomucena de Jesus.

Os habitantes da Ilha de Manoel Gonçalves (I)

Os Habitantes da Ilha de Manoel Gonçalves (I)

Laços familiares e os mistérios me levam de volta a Atlântida de Edgar Barbosa. A Ilha que mergulhou, para fazer crescer a Ilha de Macau, mereceu destaque por parte de várias pessoas ilustres e merece mais estudos sobre a sua existência. Depois do último trabalho, aqui mesmo publicado, surgiram mais informações que necessitam divulgação para os nossos estudiosos. O administrador das 13 léguas de terras de Bento José da Costa, e morador mais famoso da Ilha de Manoel Gonçalves, João Martins Ferreira, que deu início a povoação de Macau, é citado por Manoel Rodrigues de Melo, em um artigo sobre o Saque da Ilha, em 1818: “português rico e qualificado, escrevia diretamente ao Governante José Inácio Borges: Eu tenho aviso de Pernambuco do Coronel Bento Joze da Costa, que nas águas próximas da Lua nova, despedia a Sumaca Xica, e em Janeiro o Brigue São Manoel”.
É importante, para compreender melhor a história das duas Ilhas, algumas informações mais detalhadas da família de João Martins, e da relação dele com o Capitão Bento José da Costa. Iniciemos apresentando sua esposa através do batizado do filho do Capitão e Vereador da Câmara Municipal de Macau, Francisco Trajano :
“José, branco, filho legítimo de Francisco Trajano Xavier da Cunha, e de sua mulher Senhorinha Clara dos Anjos, moradores nesta Freguesia, nasceu aos oito de Setembro de mil oitocentos, e trinta e quatro, e foi baptizado solenemente com os Santos óleos aos dezesseis de mesmo mês e ano em um oratório privado, pelo Reverendo Frei Antonio de Jezus Maria Lobo, de minha licença; foram Padrinhos João Martins Ferreira, e sua mulher Josefa Clara Lessa por procuração que apresentou Antonia Bernarda Achyoles; do que para constar mandei fazer este assento; em que assino. O Vigário João Theotonio de Souza e Silva.”
Em 1832, Josefa Clara Lessa e seu filho, José Martins Ferreira foram padrinhos em um batismo na Ilha famosa:
“Felis, filho legítimo de Joze Felis, e de Francisca Ignácia, moradores nesta Freguesia, nasceu a vinte cinco de Maio de mil oitocentos, e trinta e dois, e foi batizado solenemente com os Santos Óleos, na Capela da Ilha de Manoel Gonçalves, aos dez de Junho do dito ano, pelo Reverendo Frei Antonio de Jezus Maria Lobo, de licença; foram Padrinhos Joze Martins Ferreira, solteiro, Josefa Clara Lessa, casada; do que para constar fiz este assento, e por verdade assinei. O Coadjutor Pro Pároco Ignácio Damazzo Corrêa Lobo.”
Em 1837, José Martins Ferreira e Josefina Maria Ferreira, meus trisavós, batizaram o filho José, tendo como madrinha, a esposa do Capitão Bento José da Costa, Anna Maria Teodora:
“Joze, branco, filho legítimo de Joze Martins Ferreira e Josefina Maria Ferreira, moradores nesta Freguesia, nasceu a cinco de Março de mil oitocentos  e trinta e sete, e foi baptizado com os Santos óleos na Povoação de Macáo pelo Reverendo Frei Joze de Santo Alberto, aos quinze de Maio do dito ano, de minha licença; foram Padrinhos João Martins Ferreira, casado, e Anna Maria Theodora, por Procuração  sua que apresentou Josefa Clara Lessa; do que para constar mandei fazer este assento , e por verdade assinei.
Vigário João Theotonio de Sousa e Silva.”
Bento José da Costa era tio de Josefina e pai de Maria Theodora, esposa do Chefe da Revolução Pernambucana de 1817, Domingos José Martins. No próximo artigo faremos o registro de outros habitantes da Ilha.

domingo, 28 de novembro de 2010

Uma Neta para Francisco Xavier de Miranda Henriques

Uma neta para Francisco Xavier de Miranda Henriques
João Felipe da Trindade (hipotenusa@digi.com.br)
Professor da UFRN e membro do IHGRN

A carta de Data e Sesmaria concedida a João Machado de Miranda, das sobras do sitio da Guanduba, traz escrito no seu início: “Francisco Xavier de Miranda Henriques, Moço Fidalgo da Casa de Sua Majestade, Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo, Capitão Mor e Governador da Capitania do Rio Grande, pelo dito Senhor, faço saber os que esta minha carta de data e sesmaria virem, que quanto a mim me enviou a dizer por sua petição por escrito….”
Diz Adauto Câmara sobre Francisco Xavier de Miranda Henriques: “assumiu o governo da nossa Província a 18 de Dezembro de 1739 e deixou-o a 30 de maio de 1751. Foi muito combatido, em virtude, única e exclusivamente, de sua irredutível integridade, que não vacilava em contrariar interesses prejudiciais à causa pública. O Senado da Câmara de Natal chegou a representar a El Rei contra o Governador, um pouco desprimorasamente, diga-se de passagem, porque ele já estava aguardando substituto quando ocorreu a lembrança da representação.”
O moço fidalgo, depois disso, foi governador do Ceará e da Paraíba. Não encontrei entre nossos autores nenhuma referência aos descendentes, do Capitão mor e Governador, nascidos na nossa Província. Mas quando se trabalha com registros da Igreja, para se construir uma genealogia, todo cuidado é pouco. Os registros eram baseados em informações da família e muitos desses registros eram transcritos de outros assentos. Assim, sempre havia a possibilidade de equívocos. Tenho encontrado diversos erros de transcrição. Há pouco, na busca de informações sobre os Miranda Henriques, me deparei com o seguinte registro que não sei se foi erro ou se é verdade, por não se repetir em outros documentos.
Maria, filha legitima de Joam de Barros Coelho, natural do Recife, e de Luzia Maria desta cidade, neta paterna de José Coelho de Barros e Maria Álvares de Lima, naturais do Recife, e pela materna do Capitão Francisco Xavier de Miranda Henriques e Antonia Maria do Sacramento, natural desta cidade, nasceu aos quatro de Março do ano de mil setecentos e setenta e seis, e foi batizada com os Santos Óleos, de licença minha, nesta Matriz, pelo padre Coadjutor Bonifácio da Rocha Vieira, aos vinte de Março do dito ano; foram padrinhos o Ajudante Antonio Barros Passos e Antonia Maria do Sacramento, viúva. Do que mandei lançar este assento, em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.
Tal registro me chamou a atenção, pois, não tinha notícias de descendentes de Francisco Xavier no Rio Grande do Norte. Fui atrás de informações sobre Antonia Maria do Sacramento e Luzia Maria. Encontrei, inicialmente, o seguinte registro:
Ao primeiro de Junho do ano de mil setecentos e setenta e um, às seis horas da manhã, corridos os banhos juxta tridentinum, sem se descobrir impedimento algum, até a hora do seu recebimento, de licença minha, nesta Matriz, em presença do Padre Francisco Manoel Maciel, e das testemunhas abaixo assinadas, o Sacristão Francisco Álvares e Antonia de Barros, solteiros, e moradores nesta cidade, se casaram com palavras de presente Joam de Barros Coelho, natural do Recife, e já viúvo que ficou de Rosa Maria dos Prazeres, e Luzia Maria do Espírito Santo, natural desta cidade e filha natural de Antonia Maria do Sacramento; e logo receberam, digo, não receberam as bênçãos por ser o nubente viúvo. Do que mandei lançar este assento, em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.
Nesse assento acima, o padre que assina o casamento, é o mesmo que, posteriormente, assinou o registro de Maria, acrescentando Francisco Xavier de Miranda Henriques como pai de Luzia. No registro de casamento, Luzia aparece como filha natural. Nesse mesmo ano faleceu, em 28 de Julho, com a idade de cinco anos, Manoel, filho de Joam de Barros Coelho e de sua primeira esposa, Rosa Maria dos Prazeres.
Um registro de batismo, datado de 22 de Novembro de 1765, dava como padrinhos de Florência, a batizada, João de Barros Coelho e Antonia Maria do Sacramento, mulher de Manoel Gomes de Albuquerque. Fui atrás desse casamento de Antonia, e encontrei o seguinte e confuso registro:
Aos quinze de Janeiro de mil setecentos e cinqüenta e seis na Matriz desta cidade de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande, com a presença do Reverendo Padre Coadjutor Doutor João Freire de Amorim, e na ausência do Reverendo Vigário Doutor Manoel Corrêa Gomes, e das testemunhas que com ele assinaram, o Reverendo Padre Francisco de Albuquerque e Mello (devia ser parente do noivo), e o Padre (palavra ilegível) Joseph Gomes de Mello por mandado (palavra ilegível) do Reverendo Doutor Vigário Geral, Juiz dos Casamentos, Manoel Pires de Carvalho, se casaram, segunda vez, e solenemente, em face da Igreja, por palavras de presente, e revalidaram o matrimônio que entre si, mutuamente, tinham contraído, Manoel Gomes de Albuquerque com Antonia Maria do Sacramento, não havendo impedimento por constar do dito mandado, estar desfeito e com que já tinha sido ao primeiro matrimonio, e logo lhes deu as bênçãos da Santa Madre Igreja Romana. Do que mandou o muito Reverendo Senhor Doutor fazer este assento em que assino. Marcos Lins de Oliveira.
O Capitão mor Francisco Xavier de Miranda Henriques esteve aqui até 1751. Assim, para Luzia ser sua filha, deveria ter sido gerada até essa data. Antonia, mãe de Luzia, pelo que vimos acima, revalidou o casamento com Manoel Gomes em 1756. Não sei se existe um registro anterior de casamento entre os dois. Talvez outros documentos possam desvendar esse mistério.
Outro registro de batismo, posterior ao de Maria, é o de Joaquina, filha de João de Barros Coelho e Luzia
Maria do Espírito Santo, ocorrido em dezoito de Junho de 1785. Nele, aparece Antonia como avó e o avô incógnito. O batizante foi padre Francisco Álvares de Mello, e o registro foi assinado pelo mesmo Pantaleão da Costa de Araújo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Entrevista sobre a 62ª Reunião Anual da SBPC

Notícia


Veja entrevista do presidente da Comissão Executiva Local, João Felipe26/07/2010 10:31

João Felipe Trindade, presidente da Comissão Executiva Local (Foto: Agecom/Saulo de Castro) Entrevista com o presidente da Comissão Executiva Local, João Felipe da Trindade, concedida ao jornalista Osni Damásio, da Agência de Comunicação da UFRN (AGECOM).





Qual foi o seu maior desafio na organização da SBPC?



JOÃ FELIPE: Como matemático, passei parte da minha vida resolvendo problemas. Como administrador público, tive sob minha responsabilidade áreas complexas como finanças, pessoal, incluindo aí a folha de pagamento e licitações. Por isso, não me intimidei com a responsabilidade de presidir a Comissão Executiva Local da 62ª Reunião Anual da SBPC. O sucesso e a qualidade de uma Reunião desse porte dependem, fundamentalmente, de pessoal experiente e bons recursos. Com relação ao primeiro item, a Universidade escolheu pessoas qualificadas que já tinham participado de igual evento em 1998. Entre todas essas, quatro foram fundamentais nesse trabalho: profª. Bernardete, Pinheiro, Nalva e Gustavo Coelho. Com relação ao aporte financeiro, tive minhas apreensões, pois todas as contribuições de financiamento ficaram aquém do solicitado. Para complementar as necessidades da Universidade para realização do evento, o reitor teve que pedir ajuda ao Ministério da Educação e ao Ministério da Cultura.





A missão foi cumprida ou só termina com o encerramento do evento?



JOÃO FELIPE: Assim que termina uma Reunião Anual da SBPC, começam os preparativos para a Reunião seguinte. Assim, desde o ano passado que trabalhamos para realização desse evento e, com certeza, somente com a conclusão do relatório final é que poderemos dizer que a missão foi cumprida, pois, a cada momento, há necessidade de várias intervenções para dar andamento ao evento.



Em sua opinião, qual a importância da SBPC para UFRN?



JOÃO FELIPE: Em primeiro lugar, a UFRN está orgulhosa por ter sido escolhida para sediar um evento dessa magnitude. Em segundo lugar, a autoestima da comunidade universitária aumenta consideravelmente por se sentir capaz de realizar, com qualidade, o evento. Sediar a SBPC é a oportunidade da UFRN colocar a sua comunidade em contato com o que há de mais novo em Ciência e Tecnologia, além de poder mostrar para todo o Brasil o que está realizando.



Quais as parcerias que a Universidade fez para realizar a SBPC?



JOÃO FELIPE: Com o Governo do Estado e a Prefeitura de Natal, a Universidade recebeu apoios financeiro e logístico. Além disso, foram assinados convênios com a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Santander, Petrobras e Cosern. Muitas entidades, localizadas aqui no Estado, contribuíram para o sucesso da Reunião, patrocinando alguns eventos, mesmo sem assinatura de convênios. Outras entidades a nível nacional fizeram parcerias com a SBPC.



Qual o Legado que a UFRN vai receber após o Congresso?



JOÃO FELIPE: Com certeza, os alunos e professores se sentirão mais estimulados em seus estudos e pesquisas pelo que puderam assistir e pelos contatos que fizeram com cientistas de todo o Brasil. Nascerão novas parcerias com entidade financiadoras de pesquisas. Outra coisa importante é que a UFRN estará mais bonita em função das intervenções que fez para receber a Reunião.



O evento está dentro da expectativa da Sociedade?



JOÃO FELIPE: A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência tem feito elogios contínuos ao trabalho desenvolvido pela UFRN na preparação do evento. A experiência da Reunião que ocorreu em 1998, o fascínio que a nossa cidade exerce sobre os visitantes, a disposição de trabalho demonstrada pelos servidores da UFRN, a disponibilidade de várias entidades da sociedade norte-riograndense em contribuir foram elementos fundamentais para que tudo esteja caminhando dentro da expectativa da SBPC. Ademais, a mídia local (não tenho visto nada a nível nacional) tem dado uma cobertura da melhor qualidade ao nosso evento e isso vem despertando o interesse para participar da Reunião.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O Coronel Cipriano Lopes Galvão, da Ribeira do Seridó

O Coronel Cipriano Lopes Galvão, da Ribeira do Seridó
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN

O povo seridoense tem um amor muito grande por sua região. Tudo isso advém, acredito, do fato de muitos dos seus filhos terem preservado a História da Seridó através da Genealogia, o que originou autoestima e identidade para aquele povo. Aproveitando a festa de Santa Anna, vamos transcrever para cá uma carta patente de Coronel concedida a um de seus habitantes ilustres, o Coronel Cipriano Lopes Galvão. Além disso, daremos algumas informações de outro ilustre morador daquela Ribeira, Alexandre Rodrigues da Cruz.
     Pedro de Albuquerque de Mello, Capitão Mor da Capitania do Rio Grande e Governador da Fortaleza da Barra desta Cidade do Natal, por sua Majestade Fidelíssima que Deus Guarde, etc. Faço saber aos que esta minha carta virem que porquanto se acha vaga o posto de Coronel do Regimento de Cavalaria da Ribeira do Seridó, por impedimento de Alexandre Rodrigues da Cruz que o servia, por ele dar ar na boca e na garganta... se acha em perigo evidente da vida na Praça de Pernambuco e desenganado dos médicos e cirurgiões e ser conveniente prover pessoa de qualidade, merecimentos e serviços que possa governar naquela Ribeira do Seridó, por ser um Sertão de muita gente e distante desta Cidade sessenta léguas pouco mais ou menos, pedi informações aos oficiais da Câmara desta Cidade conforme as ordens de Sua Majestade os quais satisfizeram nomeando três homens entre os quais nomearam Sipriano Lopes Galvam em primeiro lugar; e por me constar ter servido a Sua Majestade que Deus Guarde, tanto de Capitão de Cavalos e de Sargento Mor da Ordenanças, tudo por espaço de anos com bom procedimento e muito zelo do Real Serviço, como por ser um dos homens principais e nobres desta Capitania e de conhecida nobreza e muito afazendado: hei por bem de o eleger e nomear como por esta o faço ao dito Sipriano Lopes Galvam, no posto de Coronel da Cavalaria do Regimento da Ribeira do Seridó que vagou por impedimento de Alexandre Rodrigues da Cruz, que o servia e em virtude das ordens de Sua Majestade, de vinte e dois de Dezembro de mil setecentos e quinze, com o que posto não haverá soldo algum da Real Fazenda, mas gozará de todas as honras, graças, privilégios, liberdade, e isenções que em razão do dito posto lhe tocarem; do qual posto o hei por apossado e ordeno a todos os seus oficiais subalternos de seu Regimento o conheçam por seu Coronel e como tal o honrem e obedeçam, cumpram e guardem suas ordens de palavra e por escrito como devem e são obrigados. E por firmeza de tudo lhe mandei fazer a presente Patente por mim assinada e selada com o sinete de minhas armas que se registrará nos livros da Secretaria deste Governo e nas mais a que tocar. Dada e passada nesta Cidade do Natal, Capitania do Rio Grande do Norte, aos três de Novembro do ano do nascimento no Nosso Senhor Jesus Cristo, de mil setecentos e cinquenta e sete. E eu Manoel Pinto de Crasto por ausência do Secretário a fiz//Pedro de Albuquerque Mello// e tinha o selo. Carta Patente pela qual V. Sª foi servido prover a Sipriano Lopes Galvam no posto de Coronel da Ribeira do Seridó, por impedimento de Alexandre Rodrigues da Cruz que o servia, como acima se declara e pelos respeitos acima declarados//para V. Sª ver// e não se continha mais em dita Carta Patente que eu Manoel Pinto de Crasto em ausência do Secretário aqui trasladei bem e fielmente como nela se continha.
     Copiado em 2 de Março de 1922. O Copista Petronillo Edson Pinheiro Joffily.
     Alexandre Rodrigues da Cruz, acima citado, recebeu uma Carta de data e sesmaria, em 23 de Dezembro de 1743. Terras entre as Ilhargas de Acauã e entre as Ilhargas do Quinqué e testadas do Trapiá e o sítio do Acari. Ribeira do Seridó.
     Alexandre Rodrigues da Cruz, que ocupava o cargo de Coronel, era casado como já visto em artigo anterior, com Vicência Lins de Vasconcelos. Eram filhas do casal acima, minhas hexavós Anna Lins de Vasconcelos e Tereza Lins de Vasconcelos, casadas respectivamente com Antonio Garcia de Sá Barroso e o português Francisco Cardoso dos Santos.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Capitão João Leite de Oliveira

O Capitão João Leite de Oliveira
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN
Entre os artigos de Câmara Cascudo do “O Livro das Velhas Figuras” está um sobre Antonio Vaz Gondim. Escreveu Cascudo: “Antonio Vaz Gondim foi o primeiro Capitão Mor que governou o Rio Grande do Norte depois do domínio holandês. Administrou duas vezes a Capitania, permanecendo quatorze anos. Homem prudente, equilibrado, enérgico, prestou serviços reais nesses momentos dolorosos em que a terra e a gente se reorganizavam para viver, depois de vinte e um anos de submissão e martírio”.
Nos registros da Igreja, que examinei, pouca coisa encontrei sobre esse que presidiu nossa província duas vezes. Por isso, fomos procurar alguma informação em outro tipo de registro. Encontramos, nos assentamentos de praça, um registro de um dos seus filhos. Diz o assentamento:
O Capitão João Leite de Oliveira, de idade de trinta e cinco anos, filho do Capitão Maior Antonio Vaz Gondim, natural desta Capitania do Rio Grande, altura comprida, cabelo castanho, rosto redondo, um sinal na maçã do rosto da parte esquerda, olhos pardos, de boa cor no rosto, senta praça de soldado nesta Companhia desde dez de fevereiro de 1699, e vence mil oitocentos e sessenta e seis de soldo por mês, na forma do assento do Conselho da Fazenda, lançado no livro 2 a fls. 79, verso, e não vencerá mais coisa alguma. (aa) Manoel Gonçalves Branco.
Com a informação acima, dando conta que João Leite sentou praça desde 1699, fomos procurar alguma coisa nos registros de batismos da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte. Lá encontramos alguns filhos do Capitão João Leite de Oliveira e de sua esposa Damasia de Morais. São pois netos do Capitão Mor Antonio Vaz Gondim:
Clara, batizada em 12 de Abril de 1710, tendo como padrinhos, José Ferreira e Felizarda Filgueira; José, batizado em 14 de Novembro de 1702, tendo como padrinhos Manoel Rodrigues Taborda e Dona Joana de Barros Coutinho; Tereza, batizada em 27 de dezembro de 1704, tendo com padrinhos Capitão Antonio Dias Pereira e Brízida Rodrigues, filha de Izabel de Sá; e Bonifácio, batizado em 30 de Janeiro de 1707, tendo como padrinhos Carlos da Rocha e Jeronima Serrada, filha de Balthasar Fernandes.
Esse José que aparece acima deve ser José Martins de Oliveira que casou, em 1728, conforme registro abaixo.
Aos quatro de Fevereiro de mil setecentos e vinte e oito anos, na Capela de Nossa Senhora dos Remédios do Cajupiranga deste Rio Grande do Norte, pela manhã, feitas as denunciações na forma do Sagrado Concílio Tridentino, nesta Matriz de Nossa Senhora da Apresentação da Cidade do Natal, do Rio Grande do Norte, donde os contraentes são naturais e moradores, e na Capela do Cajupiranga, dito, onde é assistente a contraente, e na Capela de São Miguel do Guajiru, deste Rio Grande, onde é assistente o contraente, sem se descobrir impedimento, em presença do Reverendo Licenciado João Gomes Freire, Coadjutor da dita Matriz, de licença minha, sendo presente por testemunhas o Coronel Theodosio Freire de Amorim, e Damasia Gomes da Câmara, mulher do dito, o Capitão Bonifácio da Rocha Vieira, e sua mulher Ignácia Gomes Freire, pessoas conhecidas, se casaram em face da Igreja, solenemente, por palavras, José Martins de Oliveira, filho do Capitão João Leite de Oliveira, e de sua mulher Damasia de Moraes, com Catherina de Amorim Freire, filha do Capitão Domingos da Silveira, e de sua mulher Catherina de Amorim Freire, e ambos os contraentes naturais e moradores desta dita Freguesia do Rio Grande. Do que tudo fiz este assento em que por verdade assinei. E logo lhes deram as Bênçãos conforme os ritos da Igreja. Manoel Correa Gomes, vigário.
Esse Bonifácio da Rocha Vieira, acima, era filho do Capitão Theodosio da Rocha. A esposa dele, Dona Ignacia Gomes Freire era filha do Capitão Antonio Dias Pereira, padrinho de Tereza, filha do Capitão João Leite de Oliveira.
Dona Catharina, esposa de José Martins de Oliveira, foi batizada em 2 de novembro de 1704, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, tendo como padrinhos Antonio Lopes Lisboa e Dona Theodosia Freire. Entre seus irmãos encontramos, Gonçalo Freire que contraiu núpcias em 7 de maio de 1748 com Isabel Francisca Rodrigues, exposta na casa do padre Domingos Rodrigues Tilloens; Anna da Silveira que contraiu núpcias, em 1735, com Sebastião Dantas Correa, filho dos portugueses de Ponta de Lima, José Dantas Correa e Isabel Pimenta da Costa; José batizado em 16 de julho de 1708; e Estevão batizado 10 de Setembro de 1702.
Como dito em um artigo anterior, o Capitão Teodósio da Rocha, tinha um filho de nome Antonio Vaz Gondim. Com a precariedade de informações, não sabemos se havia alguma relação de parentesco de Theodósio da Rocha com o Presidente da Província.
Encontramos vários registros com sobrenomes Leite de Oliveira e Oliveira Leite, mas não identificamos nenhum parentesco com o Capitão João Leite de Oliveira. Assim, ele é o único filho que encontrei, até agora, do Presidente Antonio Vaz Gondim.