domingo, 12 de julho de 2015

Você conhece alguém com este sobrenome Solsona?




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.

O imortal Cláudio Galvão, que ainda não está na Academia Norte-Rio-grandense de Letras, me escreveu, via e-mail: Felipe, Marcos Pinto quer me convencer que minha avó, Umbelina Caldas Solsona (depois Solsona Ferreira Pinto) nasceu em Açu. Pode até ter razão, mas isso é fato nunca referido em família. Minha mãe nunca falou nisso. Agora, por falar com você me ocorreu a ideia de que é possível tirar essa dúvida. Os documentos da Igreja de Açu estão lá ou aqui na Arquidiocese? Vou aproveitar para lhe perguntar se o material de Touros, 1875, está aqui em Natal. Procuro notícias do Dr. Varela Santiago, nascido lá naquela data.
Pedindo mais informações, ele me respondeu, que Umbelina Carolina de Caldas Solsona era casada com João Batista Ferreira Pinto, coletor de rendas estaduais, que nasceu em 24 de junho de 1871 e faleceu a 8 de julho de 1907, com a idade de 36 anos. Disse mais, que Dona Umbelina faleceu em Natal, em 1913, com a idade de 42 anos, sendo filha de Maria Carolina de Caldas Solsona e do farmacêutico Solsona, que tinha uma botica na Rua da Conceição, era compositor e teve uma obra tocada em 1922, durante as festa do centenário da Independência.
Na certidão de óbito de Umbelina, enviada por Cláudio Galvão,  constava que ela era viúva, mas não dizia de quem, e que era filha do farmacêutico Solsona. Investigando, descubro que este se chamava, na verdade, João José Solsona. Encontro ainda, no Correio Mercantil e Instrutivo, que em uma exposição nacional, entre os expositores, ele aparece premiado, com menção honrosa, com vinho de ananaz. Não há informação sobre que tipo de exposição era essa. Encontro ainda João José de Solsona, como contínuo da Secretaria de Polícia, mas esse era filho, como veremos adiante.
Os livros de registros da Igreja, hoje, são incompletos, e, muitos deles têm páginas com trechos ilegíveis. Tudo isso torna a composição de uma genealogia mais difícil e, por isso, com falta de vários elos. Baseando-me na idade de dona Umbelina, fui procurar no entorno de seu nascimento, o casamento dos seus pais. Transcrevo para o cá o que foi possível ler. Pena que não tinha os nomes dos pais dos nubentes.
Aos dezesseis de junho de mil oitocentos e sessenta e nove, feitas as denunciações e não constando impedimento, no Oratório Privado de Pompeu Ezequiel de Souza Santiago, e na presença das testemunhas José Antonio de Souza Caldas Junior e Joaquim Francisco de Oliveira Relâmpago, casou Juxta Tridentino João José de Solsona, natural da Vila de Buarcos (parece ser isso) do Reino de Portugal, viúvo de D. Trisfina Rosalina de Paz Solsona, com D. Maria Carolina de Souza Caldas, natural desta Freguesia, e nela moradora; e logo dei as bênçãos na forma do Ritual Romano, e para constar fiz este assento em que assinei. Bartholomeu da Rocha Fagundes, Vigário Colado.
Na “Nação”, de 4 de julho de 1873, está uma informação do Ministério da Guerra: foi aprovada a nomeação pela presidência da Província do Rio Grande do Norte, do farmacêutico João José Solsona, para servir como encarregado da enfermaria militar ali existente; devendo ele ser dispensado logo que se apresente naquela Província o 2º cirurgião do corpo de saúde do Exército Dr. José Marques da Silva Bastos.
Nos registros de Assú, que foi possível fotografar, não encontro nada referente a dona Umbelina. Vou para a internet, onde encontro que ela era professora.
Na Gazeta do Natal, de 13 de junho de 1888, encontro a informação, que foi concedida por ato de 11 do corrente, à professora pública da povoação de Ponta-Negra, D.Umbelina Carolina de Caldas Solsona, uma licença de 3 meses, como respectivo ordenado, para tratar de sua saúde, onde lhe convier. Pelos “Relatórios dos Presidentes”, vejo que sua antiguidade como professora data de 10 de julho de 1886,
O Diário do Natal de 9 de junho de 1906 noticia que: consorciaram-se nesta capital, no dia 7 do corrente, o nosso digno correligionário e amigo capitão João Guilherme de Souza Caldas e a  senhora Dona Zulima Solsona Caldas. Não encontrei o registro da Igreja.
Outra informação que encontro, nas buscas pelos caminhos percorridos pelos Solsonas, é um casamento de uma filha de Umbelina (no registro aparece como Ubaldina): Aos vinte e quatro de julho de 1920 em oratório privado, depois de dispensados os habituais canônicos, assisti o enlace matrimonial de Clinea Solsona Ferreira Pinto e José Romeiro Valle, ele com vinte e quatro anos de idade, e filho legítimo de Abel Domingos Ferreira Valle e Acácia Marcondes Pereira Valle, e ela com vinte e três anos de idade, filha legítima de João Baptista Pinto Ferreira e Ubaldina Solsona Ferreira Pinto, ele natural do Rio de Janeiro e ela natural de Macahyba, residente na capital. Testemunhas Thedorico Guilherme e Jerônimo Moreira. Para constar etc... o pároco Pedro Barbosa.
Agora o casamento do filho de João José e de Trisfina: aos vinte e sete de março de mil oitocentos e oitenta e sete, na Igreja Matriz desta cidade, sendo testemunhas Manoel Gabriel de Carvalho Pinto e João Ferreira Nobre, havendo precedido os proclamas, servatis, servandis, o padre José Paulino de Andrade, de minha licença, assitiu a celebração do sacramento do matrimônio dos meus paroquianos João José Solsona e Joana Baptista Pereira do Lago, ele natural da Paraíba, filho legítimo de João José Solsona e Trisfina Rosalina da Paz Solsona; ela natural desta Freguesia, filha de Antonio Luiz Pereira do Lago e Hermina Cerula Pereira do Lago. Fiz escrever este termo e assinei.
Não foi possível descobrir a naturalidade de Dona Umbelina, mas é possível que este artigo gere caminhos para novas descobertas.

2 comentários:

  1. Olá João, eu não conheço ninguém, mas o sobrenome é espanhol, é um toponímico. A cidade é Solsona e fica na região Catalã, na Espanha.

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  2. Como João José Solsona era português, talvez descenda de alguém da Espanha, Isabela.

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