sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Ascendência da Professora Isabel Ferreira de Melo

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com


No registro de batismo do Desembargador Dúbel Ferreira Cosme, em 1936,  as anotações estão quase ilegíveis, mas com a ajuda dele foi possível identificar os avós. Mas, procurei ir mais além nas minhas pesquisa, pois eu e Dúbel temos netos em comuns. Primeiramente, procurei informações em antigos jornais da Hemeroteca Nacional, onde encontrei vários registros relacionados às movimentações da Professora Isabel, mãe de Dúbel.  Através de informações deste, fui  em busca do óbito de Isabel Ferreira de Melo, que faleceu em São José de Mipibu, no ano de 1942, e por sorte, os registros civis dessa localidade já estavam digitalizados pelos mórmons em parceria com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. Nesse registro constava que Raimundo Cardoso de Melo tinha declarado, que a professora Isabel Ferreira de Melo, de cor branca, residente em São José de Mipibu, tinha falecido na data de 19 de março de 1942, de tuberculose. Disse mais que ela era filha de Silvino Ferreira de Melo e de Francisca Ferreira de Melo, e que era casada com Duclerc Cosme e que desse consórcio tinha deixado 2 filhos de nomes Dúbel Ferreira Cosme, com 5 anos, e Maria da Apresentação Cosme, com 3 anos de idade.
Pelos jornais antigos, vimos que a professora Isabel estava impedida, lá em Lages, em 1937, mas que a pedido foi transferida no ano seguinte para Sacramento (hoje Ipanguassu) e nesse mesmo ano foi substituída, por conta licença especial, possivelmente por ser o ano do nascimento da filha Maria da Apresentação Cosme. No ano de 1941, estava em São Rafael, e nesse ano teve autorização governamental para mudar o nome para Isabel Ferreira Cosme, por ter casado civilmente com Duclerc Cosme.
Pelo registro de casamento de Dúbel, tiramos os seguintes dados -  Ele era filho de Duclerc Cosme de Sousa e de Isabel Ferreira de Melo, o primeiro nascido aos 23 de julho de 1912, e a segunda aos 7 de agosto de 1911, que a esposa dele era Lúcia Marinho Caldas, filha de João de Aracati Caldas, nascido aos 7 de setembro de 1912, e de Albanira Marinho Caldas, nascida aos 6 de janeiro de 1926. 
Procurei informações sobre Francisca Ferreira de Melo, também, nos antigos jornais, e por eles, vi que ela faleceu no mesmo ano da filha Isabel. Lá constavam os nomes dos filhos  vivos dela com Silvino Ferreira de Melo, que eram: José Ferreira de Melo, identificador do Ministério do Trabalho; tenente Elias Ferreira de Melo, servindo na Base Aérea do Recife; Antônio Ferreira de Melo, auxiliar do comércio, e a senhorita Sula Ferreira de Melo. Constava ainda na  notícia que era irmã do militar Severino Elias Ferreira. Este tinha falecido em 11 de agosto de 1969, de trombose cerebral, aos 73 anos de idade, e segundo o registro de óbito era natural de Parelhas, sendo filho de André Elias Ferreira e  Sebastiana Maria da Conceição.
Fui em busca dos registros paroquiais da Freguesia de Jardim do Seridó, que abrigava Parelhas.
Lá nos registros do Seridó, encontramos que: aos 16 dias do mês de novembro de 1874, no Sítio Sussuarana (Parelhas), perante as testemunhas Bernardo Gomes Meira e Antônio Manoel da Silva, se receberam por matrimônio André Elias Pereira e Teresa Maria de Jesus, ele filho legítimo de Félix Gomes Pereira e Úrsula Claudina de Oliveira, e ela filha legítima de José Joaquim de Lima e de Ana Joaquina do Sacramento, os nubentes naturais e moradores na Freguesia de Jardim do Seridó.
 No ano seguinte,  a primeira filha de André e Teresa - Aos 18 de agosto  de 1875, nascia Francisca, filha de André Elias Pereira e de Teresa Maria de Jesus, que boi batizada na Capela, aos 23 do mesmo mês e ano, sendo padrinhos os avós paternos Félix Gomes Pereira e Úrsula Claudina de Oliveira; em 18 de março de 1877, nascia Maria, filha de André e Teresa, que foi batizada na Capela de São Sebastião, em 1 de abril do mesmo ano, sendo padrinhos Antão Elisiário Pereira e Ana Francelina de Lima.
 Francisca Maria de Jesus, a batizada de 1875, filha de André Elias Pereira e de Teresa Maria de Jesus, falecida, se casou, em 26 de setembro de 1893, na Capela de Parelhas, filial da Matriz de Jardim do Seridó, com Silvino Ferreira de Melo, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Luz, de Pedra Lavrada, morador na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cidade de Jardim, filho de Manoel Ferreira de Melo e de Maria Claudina da Conceição, falecidos, sendo testemunhas Bernardo Gomes Meira e Francisco Pereira de Castro. Com o casamento a nubente passou a se chamar Francisca Ferreira de Melo.
Teresa Maria da Conceição (de Jesus, em alguns registros), casada que era com André Elias Ferreira, veio a falecer de parto, na idade de 30 anos, aos 6 de setembro de 1887, e no dia seguinte, falecia a filha desse parto, que tinha recebido o nome de Maria.
Em 13 de fevereiro de 1888, no Sítio Sussuarana, André Elias Pereira, viúvo de Teresa Maria de Jesus, se casou com Francisca Maria da Conceição, filha de Cassiano Ferreira de Lima e de Joana Senhorinha da Conceição, nas presenças de Bernardo Gomes Meira e de Jesuíno Ildefonso de Oliveira Azevedo (casado com Cristina Natália de Oliveira Cunha).
André Elias Pereira ficou viúvo de Francisca Maria da Conceição, pois, em 3 de julho de 1894, no Sítio Sussuarana, se casou com Sebastiana Maria do Sacramento, filha legítima de Cassiano Ferreira de Lima e de Joana Senhorinha de Jesus, falecida, com dispensa de parentesco de afinidade lícita com que estavam ligados, nas presenças de João Cândido de Macedo Junior e de Antão Elisiário Pereira. Essa dispensa era originária do fato dessa terceira esposa ser irmã da segunda.
Encontro nos registros de Jardim, que em 21 de junho de 1912, nasceu José, filho de Félix  Gomes Pereira Neto e de Rita Francisca de Jesus, que foi batizado na Capela de Parelha aos 20 de agosto de 1912, sendo padrinhos Bernardo Gomes Meira (testemunha do casamento de André) e Teresa) e Florinda Maria de Oliveira. Esse Félix devia ser parente do pai de Elias, que por enquanto não foi possível identificar como se dava esse parentesco.
Pelos registros concluí que a mãe do capitão Severino Elias Ferreira, irmão de Francisca Ferreira de Melo (Francisca Maria de Jesus, quando solteira),  era filho da terceira esposa, Sebastiana Maria da Conceição. 
Vejamos o casamento de uma irmã de Francisca e de Severino: Em 18 de abril de 1934, no Sítio Sussuarana, presentes as testemunhas Félix Elias Pereira,  Maria Regina de Melo, Luiz Azevedo da Silva e Maria Ricardina da Silva, se casaram Severino Rodrigues da Silva, de 25 anos, filho de Manoel Antônio Tavares e de Antônia Donata dos Santos, e Ana Elias Pereira, de 27 anos, filha de André Elias Pereira e de Sebastiana Elias Pereira, sendo dispensados no 3º grau, lateral, simples, de consanguinidade.
Depois tentaremos ver maiores informações sobre Félix Gomes Pereira, pai de André Elias Pereira.


 

sábado, 3 de agosto de 2019

Notícias de Pacífico Clementino de Medeiros

Por João Felipe da Trindade

Através de jornais e registro civil foi possível saber mais sobre Pacífico, falecido em 19 de maio de 1944. Era natural de Jardim do Seridó, filho de André Corsino de Macedo e de Cândida de Macedo.



Batismo de André Corsino de Macedo

sábado, 22 de junho de 2019

A família do ilustre José Joaquim Geminiano de Moraes Navarro

Por João Felipe da Trindade


Provocado por Tathiane Navarro Vieira, descendente direta de José Joaquim de Moraes Navarro, resolvi pesquisar sobre esse norte-rio-grandense famoso. Vi que Câmara Cascudo teve um grande trabalho para descobrir pouca coisa sobre ele, que foi o primeiro natalense formado em Direito pela Faculdade de Olinda. Segundo o mestre, ele nasceu em 19 de dezembro de 1799, filho do padre Antônio Caetano do Rego Barros. Pelas informações de Tathiane a mãe de José Joaquim era Inácia Francisca  de Moraes Navarro. Comecei minha procura a partir dessa informação. Governou a província de Sergipe, de 1833 até 1835.
Um registro interessante é o de Inácia Francisca de Moraes Navarro, que foi  batizada pelo Pro vigário Miguel Pinheiro Teixeira, em 18 de abril de 1764. Segundo esse registro, Inácia era filha da viúva Francisca Antônia Xavier, e dizem que do capitão Manoel Álvares de Moraes, neto paterno do sargento-mor José de Moraes Navarro, natural de São Paulo, e de Dona Francisca Bezerra, natural da Paraíba, e pela materna de Antônio Cardoso Batalha e de Ana Maria da Apresentação (dos Anjos, em alguns registros), que teve como padrinhos o capitão José Pedro de Vasconcelos, casado, e Rosa Maria, mulher do alferes Manoel Gonçalves Branco. Essa Francisca Antônia era viúva de Bernardo Pinheiro de Oliveira, com quem tinha se casado em 1754.
Manoel Álvares de Moraes, branco, solteiro de 59 anos, faleceu aos 11 de novembro de 1798, sendo sepultado na Matriz, tendo feito testamento.
No seu testamento, o capitão Manoel Álvares de Moraes Navarro, morador na povoação de São Gonçalo, datado de 3 de novembro de 1798, em casa do Engenho, no Sitio Potengi, de São Gonçalo, disse que nunca foi casado, nem tinha herdeiros forçados, mas que tinha dois filhos naturais, Antônio de Moraes, havido com Margarida de Mendonça, e Inácia, havida com a viúva Francisca Antônia, como dito acima. Além desse filho foi beneficiado o afilhado Lourenço, filho do seu irmão Joaquim de Moraes.
Esse Antônio de Moraes Navarro, pardo, filho natural de Manoel Álvares de Moraes Navarro, falecido, e de Margarida de Mendonça, casou com Francisca Xavier, parda, filha de Antônio Nunes (Duarte) e Ana Teresa, em 26 de novembro de 1800, na Capela de São Gonçalo, na presença do alferes Antônio Rodrigues Santiago, viúvo, e Gonçalo Freire de Amorim, casado. Francisca Xavier era neta paterna de José Figueira e Arcângela Maria, e materna de Estevão Moreno e Adriana Freire. Observo que essa Arcângela Maria era minha tia-pentavó,  filha dos meus hexavós Luiz Duarte de Azevedo e Lourença Lopes.

O Mestre de Campo Francisco Machado de Oliveira Barros, pai do Padre Antônio Caetano do Rego Barros, que veio de Recife para cá, era casado lá no Recife, mas compareceu a vários eventos, na nossa cidade do Natal, na companhia de Antônia Maria Soares de Melo, filha de Dionísio e Eugênia de Oliveira. Teve vários filhos naturais  com ela, Antônia Maria. Ela faleceu aos 7 de agosto de 1784, com a idade de 41 anos. Em 28 de abril de 1795, faleceu o mestre de campo Francisco Machado de Oliveira Barros, viúvo de Antônia Maria Soares de Melo, morador nesta Freguesia, com 72 anos de idade, sendo sepultado na Matriz, e encomendado pelo Reverendo Antônio Caetano do Rego Barros. Ele deve ter nascido por volta 1723.
O testamento deixado pelo Mestre de Campo gerou polêmica. Dona Anna de Mello e Albuquerque contestou o testamento do irmão, que instituiu como herdeiro o filho Joaquim José Barros do Rego, por ser este nascido de punitivo coito, tendo sido excluído do mesmo o Padre Antonio Caetano do Rego Barros e Dona Francisca Xavier de Vasconcelos. Esses também eram filhos ilegítimos do Mestre de Campo Francisco Machado e Antônia Maria. Parece, pelo que se depreende dos documentos, que D. Inácia do Carmo, primeira esposa do dito Francisco Machado, não deixou descendência.  Assim, Dona Anna de Mello e Albuquerque se considerava herdeira do falecido irmão, e por não ter ascendentes e descendentes fez doação aos seus sobrinhos Padre Antonio Caetano e D. Francisca Xavier (esposa do Professor Régio José Leitão de Almeida), incapacitados de herdar por conta da ilegitimidade do nascimento, como se ver nos diversos depoimentos. 
Eram  filhos de Francisco Machado e Antônia Maria: Padre Antônio Caetano do Rego Barros; Padre Miguel Francisco do Rego Barros; Dionísia Romana da Costa Soares, casada com Francisco Antônio Carrilho, Francisca Xavier de Vasconcelos, casada com o professo régio José Leitão de Almeida, Joaquim José do Rego Barros, casado com Maria Angélica da Conceição e Vasconcelos; e Rita Joaquina da Conceição, casada com Alexandre de Melo Andrade.
O bacharel José Joaquim de Moraes Navarro, no ano 1850 dava aulas particulares de Latim, Filosofia e Retórica, na Rua da Cadeia Velha. Também, tendo exercido por anos o lugar de juiz de direito, se ofereceu para advogar nos auditórios da Corte.
José Joaquim de Moraes Navarro faleceu em 24 de agosto de 1858, de apoplexia fulminante. Era casado com Joana Francisca Xavier de Séve, que faleceu em 1886, no Engenho Serinhaém, Pernambuco.  Um dos seus filhos, Antônio Caetano Séve Navarro foi ministro do Superior Tribunal Militar, tendo sido antes, em 1865,  Juiz Municipal e de Órfãos do Termo de Santana do Livramento na província de São Pedro do Rio Grande do Sul, tendo sido deputado geral nessa mesma Província. Antônio Caetano, que recebeu o nome do avô paterno, era casado com Casimira do Nascimento Navarro, e faleceu em 1898.

Um registro inserido nos batismos de 1820, difícil de ler, como se pode observar nas imagens abaixo, transcrevi o que entendi que estava escrito lá:  Nasceu José Joaquim de Moraes Navarro aos 19 de janeiro de 1799, e foi batizado no dia 29 do mesmo mês e ano, e foi seu padrinho o coronel de milícias Joaquim José do Rego Barros e batizou o  Reverendo Vigário da Vila de São José, o Padre Miguel Francisco do Rego Barros, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação  desta cidade do Natal do Rio Grande do Norte, e foi apresentado por....conhecido este assento pelo Tabelião Público sob atestado do dito coronel padrinho do batizado, cujo Tabelião interino se chama Manoel José de Moraes....do requerido ao Reverendo  da Vila pelo batizado para ser lançado o dito assento no competente livro por tomar...