Vamos prestigiar
quinta-feira, 7 de maio de 2015
terça-feira, 5 de maio de 2015
A família Aquilar Bezerra
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do
IHGRN e do INRG
Minha tia-bisavó, Maria da
Conceição da Costa Bezerra, filha de Alexandre Avelino da Costa Martins e Anna
Francisca Bezerra, casou, no Sítio Carapebas, em 1882, com Antonio Machado
Alves Bezerra, filho legítimo de Vicente Machado de Aquilar Bezerra e Ignácia
Maria Xavier Bezerra, com dispensa de consanguinidade. Nos registros da Igreja
não encontrei, até agora, outra qualquer família com esse sobrenome Aquilar,
aqui no Rio Grande do Norte. Esse Alves, que aparece como sobrenome de Antonio,
também, não descobri a origem. No batismo de Antonio e Francisca, a seguir, verificamos como de registro para registro há
variação no nome das pessoas, o que em alguns casos dificulta a pesquisa
genealógica.
Francisca Rita Xavier de Maria,
que nasceu em Macau, era filha de Vicente Machado de Aquilar Bezerra e Ignácia
Francisca Xavier Bezerra, e casou com o viúvo Francisco Xavier de Oliveira
Bello, filho de meu tio-trisavô, Gonçalo
José Barbosa, e Marianna Rosa da Silva.
Vejamos o registro de outro de
Vicente e Ignácia: Antonio, branco, filho legítimo de Vicente Machado de
Aquilar e Ignácia Francisca Bezerra, meus fregueses, nasceu a 22 de setembro de
1851, e foi por mim solenemente batizado no Sítio Curral dos Padres a 29 de
novembro do dito ano, sendo padrinhos Alexandre Francisco da Costa Bezerra e
Maria Catharina de Sena. Felis Alves de Souza.
Um dos filhos do casal Antonio
Machado e Maria da Conceição foi Claudiana, que era avó dos escritores Paulo de
Tarso e Bartola. No dia 13 de abril batizei solenemente no Sítio Curral dos
Padres, nesta Freguesia, a Claudiana, natural desta mesma Freguesia, sendo padrinhos
Vicente Machado de Aquilar Beserra, e Anna Francisca Bezerra, por sua
procuradora Joaquina Francisca Xavier Bezerra, nascida aos 25 de Fevereiro do
dito ano, e filha legítima de Antonio Machado Alves Bezerra, e Maria da
Conceição da Costa Bezerra, livres, brasileiros, e moradores nesta Freguesia,
sendo as profissões, do pai = criador, e da mãe = ocupação doméstica. O Vigário
Felis Alves de Sousa.
Dessa família Aquilar Bezerra, o
registro mais antigo que encontrei foi de Vicência Francisca de Aquilar Bezera,
que casou com meu tio-tetravô José Alexandre Solino da Costa: Aos treze de
agosto de mil oitocentos, e trinta e quatro, pelas doze horas do dia, depois de
obtida a dispensa do impedimento de segundo grau duplicado de sanguinidade e,
atingente ao primeiro, e tendo precedido as canônicas denunciações, sem
impedimento, confissão, exame de doutrina cristã, ajuntei em matrimônio e dei
as bênçãos nupciais aos meus paroquianos José Alexandre Solino, e Vicência
Francisca, naturais, e moradores nesta Freguesia, ele filho legítimo de Antonio
Barbosa, já falecido e sua mulher Claudiana Francisca Beserra, sendo
testemunhas João Evangelista, e Agostinho Barbosa, casados, que comigo
assinaram o assento, que fiz na Fazenda Carapebas, desta Freguesia. Luiz
Teixeira da Fonseca. Vigário Interino.
Infelizmente, no registro acima,
não aparecem os nomes dos pais da nubente, mas pelo grau de consanguinidade, José
Alexandre era primo ou tio de Vicência, ou vice-versa. Como ela faleceu em
1879, com 70 anos, deve ter nascido por volta de 1809. Não pude encontra a
relação de Vicência com Vicente Machado. Os nomes completos dos nubentes
encontramos no batismo a seguir: Francisca, filha de José Alexandre Solino da
Costa e Vicência Francisca de Aquilar Bezerra nasceu aos 26 de agosto de 1848 e
foi batizada aos oito de dezembro do mesmo ano, na Capela de Nossa Senhora da
Conceição de Guamaré, tendo como padrinhos Rufino Álvares da Costa e Joanna
Martins de Miranda.
Uma filha de José Alexandre e de
Vicência tinha o mesmo nome da avó paterna, Claudiana Francisca Bezerra. Ela
foi casada com meu tio-bisavô, o cadete José Avelino Martins Bezerra.
Acredito que Vicente Ferreira de
Aquilar Bezerra era filho de Vicente Machado. Ele e uma irmã de nome Joana
Maria Xavier Bezerra foram padrinhos de batismo em 1873, na capela do Rosário.
Em 1905, casava um Vicente Ferreira de Aquilar Bezerra com Luiza Bezerra Grilo,
em Carapebas.
Em 17 de dezembro de 1891
falecia Joanna Francisca de Aquilar Bezerra, com 38 anos de idade, casada que
era com Leocádio Francisco da Costa Bezerra.
Nos livros de dispensas
matrimoniais, encontrei a dispensa de 4º grau de consanguinidade para o
Francisco Machado Alves Bezerra e
Francisca das Chagas Xavier da Silva. Não encontrei o casamento deles. Tenho
recebido algumas informações desencontradas sobre descendentes deles.
Oportunamente, com mais precisão falarei sobre esse casal. Acredito que esse
Francisco era filho de Antonio Machado Alves Bezerra e Maria da Conceição.
| Bartholomeu em Afonso Bezerra, ao lado do busto do cadete José Avelino |
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terça-feira, 28 de abril de 2015
São Romão no século XIX
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do
IHGRN e do INRG.
Há muitos desencontros nas
informações dessa localidade, que hoje recebe o nome de Fernando Pedrosa. No
próprio site da Prefeitura, encontramos a seguinte informação: Vila de São
Romão era assim chamada devido a uma antiga moradora por nome Crináuria que
doou a imagem de São Romão para a 1ª capela, que fica ao lado da estação
ferroviária, que hoje funciona como armazém. Outros disparates aparecem em
vários textos sobre Fernando Pedrosa.
Por isso, resolvi escrever algumas linhas
sobre São Romão, usando principalmente registros da Igreja do século XIX. Meu
interesse por São Romão vem do fato de alguns ascendentes meus terem vivido por
lá.
Manoel Ferreira Nobre, em suas
“Breves Notícias Sobre a Província do Rio Grande do Norte, não menciona São
Romão, mesmo escrevendo sobre Angicos; Nestor dos Santos Lima, quando escreveu
sobre esse mesmo município, disse o que se segue sobre São Romão: novo e
florescente povoado, a 10 km da Vila, sobre a estrada de Lages-Angicos, fica à
margem direita do Rio de Angicos, tem grande número de casas e uma capela,
recentemente construída e dedicada a São Romão. Tem escola rudimentar (1925) e
feira semanal. Mais adiante, quando tratou da Fazenda São Romão, informou como
pertencente a Joaquim Firmino Filho. Fala também sobre um serrote de mesmo nome.
Aluízio Alves, em “Angicos”,
fala sobre o distrito de Fernando Pedrosa, a partir da construção da estrada de rodagem Lages-Santana do Matos:
São Romão era, a esse tempo, uma extensa mata, propriedade de vários
agricultores, entre os quais Fernando Pedrosa, Joaquim Firmino e Miguel
Trindade.
Minha avó, Maria Josefina
Martins Ferreira, por exemplo, embora tenha nascido na Fazenda Cacimbas do
Vianna, hoje localizada em Porto do Mangue, foi batizada em São Romão, como
podemos ver do registro a seguir: Maria, filha legitima de Francisco Martins
Ferreira, e Francisca de Paula Martins Ferreira, moradores nesta Freguesia,
nasceu aos quatro de dezembro de mil oitocentos e setenta, e foi por mim
solenemente batizada, no sítio São Romão, desta mesma Freguesia, aos 10 de
agosto de mil oitocentos e setenta e um; foram padrinhos, o major José Martins
Ferreira (avô paterno da batizada), por seu procurador Vicente Ferreira Xavier
da Cruz, e Maria Ignácia Rosalinda Brasileira; Vigário Félix Alves de Souza. Dona
Crináuria, citada acima, minha tia, era filha de Miguel Francisco da Trindade e
Maria Josefina Martins Ferreira. Foi casada com Joaquim Firmino de Deus
Gonçalves Filho.
Minha bisavó, Francisca de Paula
Maria de Carvalho (nome de solteira), também foi batizada na mesma localidade
da filha: Francisca, branca, filha legítima de Vicente Ferreira Xavier da Cruz
e Maria Ignácia Rosalinda Brasileira, nasceu aos 13 de fevereiro de 1848, e foi
batizada, no Sítio São Romão, aos 30 de março do mesmo ano, pelo Reverendo
Félix Alves de Sousa, sendo padrinhos João Luis da Rocha, solteiro, e Izabel
Francisca de Sousa, viúva, do que para constar mandei fazer este assento, em
que me assino. Félix Alves de Sousa, Vigário Colado de Angicos.
Minha tia bisavó, Maria Ignácia
Teixeira do Carmo (nome de solteira), também foi batizada em São Romão, como
podemos ver do registro a seguir: Maria, branca, filha legítima de Vicente
Ferreira (Xavier) da Cruz, e de sua mulher Maria Ignácia Rosalinda
(Brasileira), naturais e moradores neste lugar, nasceu a 28 de fevereiro de
1846, e foi por mim solenemente batizada, no Sítio São Romão, a 17 de junho de
mesmo ano, sendo eu mesmo padrinho, digo = Procuração que dei a José Thomas
Pereira, e Rita Teixeira da Conceição; do que para constar, faço este assento,
em que assino. Félix Alves de Sousa, Vigário Colado de Angicos. Maria Ignácia,
quando se casou com José Francisco Alves de Souza, passou a se assinar como Maria
Ignácia Alves de Souza. Era a mãe do capitão J. da Penha, de José Anselmo e de
Maria das Neves, esposa do jornalista Pedro Avelino.
A maioria dos registros que
encontro da época, em São Romão está ligado ao meu trisavô Vicente Ferreira
Xavier da Cruz, e, por isso acredito que ele era o proprietário da Fazenda ou
Sítio São Romão. Vejamos mais um registro de filho de Vicente: Manoel, branco,
filho legítimo de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e de sua mulher Maria Ignácia
Rosalinda Brasileira, nasceu aos 21 de novembro de 1850, e foi por mim
solenemente batizado, no Sítio São Romão, desta Freguesia, aos 10 de dezembro
do mesmo ano, sendo padrinhos Nossa Senhora da Conceição e Hermenegildo
Pinheiro de Vasconcellos, branco, casado, do que para constar fiz este assento,
em que assino. Félix Alves de Sousa; Pouco tempo depois, Manoel, em 27 de
janeiro de 1851, foi sepultado, tinha pouco mais 2 meses. No registro consta
que seus pais eram moradores da Fazenda São Romão.
O registro mais antigo da
Freguesia de Angicos, de um sacramento em São Romão, foi do casamento de Ignez,
escrava de Vicente Ferreira Xavier da Cruz, com Manoel Antonio, no dia 30 de
outubro de 1844, na presença de Joaquim Ignácio Pereira e João Luis da Rocha.
Aos dez de outubro de 1872, quem
casava no Sítio São Romão, com dispensa de afinidade ilícita, e na presença de
Francisco Martins Ferreira e Cosme Teixeira Xavier de Carvalho, era Marcolino
de Freitas Gogó, com Vicência Maria da Conceição, ele do Assú e filho de
Alexandre Nogueira da Silva e Ana Maria da Conceição, falecidos, e ela de São
José de Angicos, e filha de José Teixeira Branquinho e Generosa Maria da
Conceição. Essas testemunhas estavam ligadas ao meu trisavô Vicente Ferreira
Xavier da Cruz: o tenente-cirurgião Francisco Martins Ferreira, meu bisavô, era
genro dele, e Cosme Teixeira Xavier de Carvalho, meu tio bisavô, era filho.
Quando José da Penha falou: “Tabuleiros,
onde minha infância perseguiu borboletas. O meu coração tem a dureza daquelas
pedras, e com este rochedo de carne, hei de esmagar a oligarquia dominante”,
talvez estivesse falando daquelas pedras que circundam São Romão, terra de sua
mãe, Dona Maria Ignácia Alves de Souza.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
José Gomes Camello e Elena da Paixão
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático,
sócio do IHGRN e do INRG.
Nem todos os registros do
passado são confiáveis. Vários deles contêm erros de transcrição. Alguns
assentos da Igreja eram baseados em termos que vinham dos padres que celebravam
as cerimônias. Estes já continham erros e aqueles transcritos, mais equívocos
ainda. Em cada registro de um filho de determinado casal, encontramos
informações diferentes. Nos registros referentes ao nosso personagem de hoje,
José Gomes Camello, encontramos informações diferentes sobre sua naturalidade
ou sobre a legitimidade de sua filiação. Vamos começar, inicialmente, com o
casamento de José e Elena.
Aos nove de junho de 1766 anos,
na capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiahi, filial desta Matriz,
corridos os banhos nesta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação,
naturalidade da nubente, e na Capela do dito Jundiahy, (ilegível) da naturalidade
por parte do nubente, de licença minha, se casaram, pelas três horas da tarde,
Joseph Gomes Camello, natural da Cidade de Olinda, filho ilegítimo de João
Gomes Camello, e de Cosma de Olanda, já defuntos, naturais da mesma Freguesia,
com Elena da Paixão, e Souza, natural desta Freguesia, filha legítima de
Theodósio de Mendonça Luna, e de sua mulher Joanna Gomes de Oliveira, todos
naturais desta Freguesia, na presença de Reverendo Padre Joseph Rodrigues
Ferreira, e logo lhes deu as bênçãos nupciais, conforme os Ritos da Sagrada Igreja,
sendo presentes por testemunhas que na certidão vieram assinadas, e que fica em
meu poder, o tenente Bartholomeu Peres de Gusmão, e Manoel Carvalho de Paiva,
do que mandei fazer este termo pelo Reverendo Padre Coadjutor João Tavares da
Fonseca, por me achar enfermo, pelo teor do dito assento, em que por verdade me
assino. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.
O primeiro filho do casal acima
foi Manoel, que nasceu em 1 de novembro de 1767 e foi batizado aos 21 de
dezembro do mesmo ano, na Capela de São Gonçalo do Potigi, tendo como padrinhos
José Gomes de Mendonça e Maria José da Conceição, mulher de João da Silva.
Nesse documento, José Gomes aparece como exposto e natural da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Várzea, e os avós
paternos não são citados. Em um assentamento de praça, encontro que: Manoel dos
Santos Camello, pardo, solteiro, morador no Ferreiro Torto, de idade de vinte e
oito anos, filho legítimo de José Gomes Camello, senta praça, por ordem do
governador interino, e intervenção do Doutor Vedor Geral, em 27 de dezembro de
1788. Mais adiante, encontro registros de filhos de Manoel dos Santos Camelo,
com sua mulher Francisca da Conceição, moradores da Mangabeira, já nos anos de
1800.
Em 5 de julho de 1769, era
batizado Floriano, na Capela de Jundiahy, tendo como padrinhos o capitão
Francisco Costa Teixeira e sua filha Josefa, não disseram o dia do nascimento,
nem os nomes dos avós paternos.
Em 20 de dezembro de 1771 nascia
Domiciano, mesmo nome do avô. Seu batizado foi no dia 17 de janeiro de 1772, na
Capela de Jundiahy, e teve com padrinhos o capitão Francisco da Costa Teixeira
e sua filha Dona Francisca Bezerra.
Francisco nasceu aos 14 de
janeiro de 1774, e foi batizado aos 5 de fevereiro do mesmo ano, na Matriz,
tendo como padrinhos Theodósio de Mendonça e a filha Leocádia. Sua naturalidade
é dada como sendo a Cidade de Olinda.
Miguel nasceu aos 11 de outubro
de 1874, e foi batizado, não diz em qual Igreja, aos 13 de novembro do mesmo ano, sendo
padrinhos o alferes Domingos João Campos, e dona Maria Joanna, filha de
Bartholomeu Peres. Nesse batismo José e seus pais são dados como naturais de
Apipucos, em Pernambuco.
Bonifácia nasceu aos 4 de
janeiro de 1781 e foi batizada, em São Gonçalo,
aos 11 de fevereiro do mesmo ano, tendo como padrinhos o capitão
Francisco da Costa Jr., solteiro, e Anna Rosa, filha de Thomé de Sousa.
Elias nasceu aos 26 de novembro
de 1784, na Capela da Senhora de Santa Anna do Ferreiro Torto, tendo como
padrinhos o tenente-general José da Costa, filho do coronel Francisco da Costa
de Vasconcellos, e Josefa Maria. Não é citado o dia do batismo.
José foi batizado aos 20 de
junho de 1886, na Capela da Senhora de Santa Anna do Ferreiro Torto, tendo como
padrinhos José Fernandes, filho de Nicácio Sousa, e Anna Antonia, mulher do
dito Nicácio. Nesse batismo José Gomes Camello é dado como natural do Recife,
filho de João Gomes Camello e Luisa Cavalgante.
Maria Angélica da Conceição,
filha de José Gomes Camello e Elena da Paixão, casou com Luiz Gonzaga de
Freitas, natural da Freguesia de São Pedro Gonçalves do Recife, filho legítimo
de José Gomes Pinheiro e sua mulher Josefa da Paz de Freitas, aos 18 de maio de
1803, na Matriz, na presença do Padre Simão Judas Tadeu, e tendo como
testemunhas, o sacristão Gonçalo José
Dornelles e o tenente Alexandre de Mello Pinto.
Agora, o registro de um neto do
casal, José e Elena: Pedro, branco, filho de João Gomes de Oliveira e de Rita
Francisca Tavares, nascido em 31 de março de 1798, foi batizado na Capela de Santa
Anna do Engenho Ferreiro do Torto, em 22 de abril do mesmo ano, neto paterno de
José Gomes Camello e de Elena da Paixão, e pela materna de João Cardoso e Anna
Tavares. Foram padrinhos Balthazar de Souza e sua esposa Joanna Batista. Sua
naturalidade é dada como da Freguesia da Sé.
Theodósio de Mendonça Luna, pai
de Elena, era filho natural de Domiciano da Gama Luna e de Francisca da Costa,
e casou, em 1 de setembro de 1739, na Matriz, com Joanna Gomes de Oliveira, que
era filha de David Rodrigues de Oliveira e Narcisa Gomes da Costa. Domiciano
era filho de Francisco da Gama Luna e de Paula Barbosa. José Barbosa de Sousa,
irmão de Domiciano, foi casado com Maria de Oliveira e Mello, filha de
Francisco de Oliveira e Mello e de Leonor de Mello e Albuquerque. Em 1710,
Francisco da Gama foi padrinho de um filho de Manoel da Costa Bandeira.
Suspeito que Francisco da Gama Luna era filho de Antonio da Gama Luna e Maria
Borges.
David Rodrigues de Oliveira e
sua mulher Narcisa Gomes faleceram no mesmo ano de 1771, ele com cerca de 80
anos, e ela com mais de 70 anos. Entre os irmãos de Joana Gomes de Oliveira,
encontramos, através de assentamentos de praça, Antonio Rodrigues Sepúlvida,
Eugenio Gomes Sepúlvida e Agostinho Rodrigues Gomes. Antonio Rodrigues
Sepúlvida foi casado com Thereza Antonia de Jesus, filha de Maria José de
Mello, segundo o batismo de David, filho do casal. Uma irmã de Joana, de nome
Thereza Maria, foi casada com João da Cruz, filho de João Lins da Silva e
Leonor Lins da Silva, todos de Olinda. No registro do filho Felis, consta que
David Rodrigues de Oliveira (também Sepúlvida), era natural de Igarassú.
Não encontrei irmãos de José
Gomes, mas de Elena da Paixão, sim: Francisco Gomes de Mendonça que era casado
dom Ignácia Gomes da Anunciação, filha de Nicácio Gonçalves e Joanna Francisca
Gomes (Tracunhaém); Maria Gomes, casada com Bernardo Gonçalves, também filho de
Nicácio e Joanna; José Rodrigues Gomes, que casou com Joanna Francisca, filha
de Nicácio Gonçalves e Joana Francisca; Manoel da Costa de Mendonça, que casou
com Maria Felipa, filha de Agostinho Cardoso Batalha e de Thereza de Jesus.
Ainda, em 29 de junho de 1754, nascia Joana, filha Theodósio e Joanna Gomes.
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| Domiciano Gama Luna |
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Quem era Bento Teixeira?
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do
IHGRN e do INRG.
Lá das Alagoas, Fábio Arruda me
enviou um e-mail contendo um documento datado de 1711, onde constava o nome de
Bento Teixeira e queria saber quem era ele e qual era o nome de sua esposa.
Nesse documento, certo João Coelho de Araújo, morador na Capitania da Paraíba
do Norte, requereu a cobrança de uma dívida contraída por empréstimo, por
Christovão de Olanda Figueroa, que se encontrava preso na cadeia da dita Capitania,
e sem bens. Como seu principal fiador era Francisco Camello Valcacer, já
falecido, solicitava demandar os herdeiros, os genros por cabeça de suas duas
filhas, Hierônimo Cavalcanti de Albuquerque, morador na capitania de Itamaracá,
e Bento Teixeira, morador na capitania do Rio Grande.
Sobre Hierônimo, informou que
era pessoa muito poderosa, aposentado, rico e afazendado, e aparentado na dita
capitania, por ter exercido o posto de
capitão-mor e várias vezes o lugar de Juiz Ordinário e ter assentado
praça de soldado só a fim de não ser demandado perante o Corregedor da Comarca,
que ia em Correição; e naquela capitania havia Ouvidor e Auditor Donatário e
tanto este com as mais justiças da dita Capitania lhes eram subordinados.
Quanto a Bento Teixeira, disse
que era sargento-mor, na Capitania do Rio Grande, e que também exerceu várias
vezes o posto de Juiz Ordinário, sendo pessoa poderosa, rica e afazendada.
Fui, então, procurar, entre os
documentos que fotografei, notícias desse Bento Teixeira. Achei, apenas, quatro
informações sobre Bento, todas em documentos que me foram enviados, anos atrás,
pelo próprio Fábio Arruda.
No primeiro registro, Bento foi
padrinho: Em 12 de junho de 1698 anos, na Capela de Nossa Senhora do O’ da
Aldeia de Mipibú, com licença minha, batizou o Reverendo Manoel de Jesus a
Phelippe, filho de Miguel da Rosa (Leitão) e de sua mulher Maria Dias; foram
padrinhos o capitão Bento Teixeira Ribeiro e Maria de Moraes. Tem os santos
óleos. Vigário Simão Rodrigues de Sá.
No documento seguinte,
encontramos o batismo de um filho, cujo nome não foi transcrito para o registro:
Em 10 de setembro de 1699, na Capela de Nossa Senhora do O’ da Aldeia de
Mipibú, com a minha licença, batizou o Reverendo Padre Manoel de Jesus a (em
branco), filho do sargento-mor Bento Teixeira Ribeiro e de sua mulher Joanna
Camello Valcacer, padrinhos o capitão-mor Bernardo Vieira de Mello e (seu
filho) o alferes tenente André Vieira de Mello. Não tem os santos óleos. O
coadjutor Antonio Rodrigues Frazão.
O terceiro documento, com partes
ilegíveis, datado de 5 de julho de 1693, trata
do batismo, em Mipibú, de Joanna, filha de Domingos Camelo e sua mulher
Leonor do Rego, escravos de Bento Teixeira .
O quarto documento é um batismo,
também, em Mipibú, de uma escravinha de Bento: em 27 de dezembro de 1707 anos,
na capela de Nossa Senhora do O’ da Aldeia de Mipibú, de licença minha, batizou
o Padre Antonio de Araújo e Sousa a Luzia, filha de Sebastiana, escrava de Bento
Teixeira Ribeiro, e de Manoel Martins de Sá; foram padrinhos o mesmo padre
Antonio de Araújo e Sousa e Violante Dias. Tem os santos óleos. Vigário Simão
Rodrigues de Sá.
Nada mais encontrei sobre Bento
e Joanna. Segundo Fábio Arruda, a única filha que apareceu para Francisco
Camelo Valcacer e sua esposa Catarina de Vasconcelos, na Nobiliarquia
Pernambucana, foi a esposa de Jerônimo Cavalcante de Albuquerque, com o mesmo
nome da mãe, ou seja, Catarina de Vasconcelos. Joanna Camelo Valcacer não foi
citada.
Quando Dona Anna da Silveira,
mãe de Francisco Camelo Valcacer, fez seu testamento não citou entre os netos
beneficiados, o nome de Joanna, É possível que na data desse dito testamento,
Joanna ainda não tivesse nascido.
Por aqui, encontramos outras pessoas
com sobrenome Valcacer, mas não foi possível estabelecer nenhum parentesco com
os membros das família de Francisco Camelo Valcacer: o sargento-mor Manoel
Camello Valcacer, como testemunha em um casamento,em 1727, de uma escrava do
capitão João Leite de Oliveira; Manoel Valcacer de Morais, padrinho em 1833, lá
no Assú; Antonio Camello Valcacer, Vigário Encomendado em Touros, por volta de
1840; Luiz Valcacer da Rocha Pitta; lá em Santana do Matos; e Francisca Barbosa
Valcacer, natural de Igarassú, esposa do português, da Ilha de São Miguel,
Simão Pereira da Costa; Francisco Carvalho Valcacer, que foi sesmeiro neste Rio
Grande, e era casado com Dona Joana Maria da Fonseca.
terça-feira, 7 de abril de 2015
As dúvidas do Dr. Pares
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do
IHGRN e do INRG.
Recebi do Dr. Pares Ferreira
Pompeu de Sousa Brasil, o seguinte e-mail: Caro Professor João Felipe da
Trindade. Lí com especial interesse seu artigo sobre o testamento de D.Clara
Joaquina escrito pelo Senador Thomaz Pompeu de Sousa Brasil. Causou-me grande
surpresa o comentário sobre a avó do senador que seria Joanna de Melo, casada
com o Cel. Antonio José de Sousa Oliveira, filho de Francisco de Sousa e
Oliveira e Tecla Rodrigues Pinheiro.Em todos os trabalhos sobre o assunto
sempre vejo como esposa de Antonio José a senhora Ana Teixeira de Melo. Gostaria
de saber de seu estudo sobre o nome de Joana de Melo, com sobrenome muito parecido
com o de Ana Teixeira de Melo, seriam filhas do mesmo casal?
Para resolver as dúvidas de
Pares, enviei imagens do casamento de Antonio José com Joanna Ferreira, como
também do batismo de Thomas de Aquino, filho desse casal, e pai do senador.
Pelo registro de casamento,
Antonio José de Souza e Joanna Ferreira contraíram matrimônio, em 21 de maio de
1779, sendo ele filho de Francisco de Souza e de Tecla Rodrigues, e ela de
Francisco Pinheiro Teixeira e Dona Bonifácia Antonia de Mello. Foram
testemunhas o tenente e capitão-mor José Baptista Freire, solteiro, e Antonio
Carneiro Gondim de Albuquerque.
O registro de batismo de Thomas
de Aquino traz os nomes mais completos: Thomas, filho legítimo de Antonio José
de Souza e Oliveira, e de Joanna Ferreira de Mello, neto pela parte paterna de
Francisco de Souza e Oliveira, e de Tecla Rodrigues Pinheiro, pela materna de
Francisco Pinheiro Teixeira e Dona Bonifácia Antonia de Mello, viúva, todos
naturais desta Freguesia, nasceu aos sete de março de 1780, batizado pelo Vigário
de Extremoz Francisco Nunes de Souza (o mesmo que casou Antonio e Joanna), na
Matriz; foram padrinhos o Padre Bonifácio por procuração do Vigário desta
Freguesia, Pantaleão da Costa de Araújo, e Bonifácia Antonia de Mello, aos 20
do mesmo mês e ano.
O nome Joanna Ferreira de Mello
foi herdado da avó, mãe de Dona Bonifácia, que era casada com Estevão Velho de
Mello. Dona Bonifácia faleceu aos 4 de fevereiro de 1807, com 80 anos. Pouco
tempo depois, em 2 de abril de 1807, falecia o capitão Antonio José de
Souza. Maria Joaquina de Souza, que
nasceu em 1782, uma irmã de Thomas de Aquino, casou em 1804, com Estevão José
Dantas, filho do coronel Miguel Ribeiro Dantas e de Antonia Xavier de Barros.
Getrudes Tereza de Souza, outra irmã de Thomas de Aquino, foi casada com o
primo, Antonio Bezerra Cavalcante, filho de João Cavalcante Bezerra, natural de
Olinda, e de sua segunda esposa, Getrudes Tereza Ignácia de Oliveira. Esta
Getrudes era irmã de Antonio José de Souza e Oliveira.
Escreveu depois Pares: consta no
diário do senador Pompeu que seu pai Thomaz de Aquino faleceu, se não me engano
em Guaraciaba do Norte-Ce em 23 de novembro de 1839. Saberia algo mais sobre
Francisco de Sousa Oliveira, pai de Antonio Jose de Sousa e Oliveira que alguns
colocam ainda o Catunda como último sobrenome.
Em seguida, encaminhei para Pares
a imagem do casamento de Francisco de Sousa e Oliveira, que transcrevo para cá:
Aos dezessete de janeiro de mil setecentos e trinta e cinco anos, na
capela do Senhor Santo Antonio do Potegy, desta Freguesia de Nossa Senhora da
Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações nesta Matriz, e na
dita Capela, e na do Senhor São Gonçalo, lugares próximos aonde são moradores os
contraentes, e na Matriz de Nossa Senhora do Rosário de Jaguaribe, onde foi
morador o contraente, sem se descobrir impedimento, sendo presentes por
testemunhas o coronel João Pereira de Veras, casado, o capitão Theodósio da
Rocha, viúvo, Dona Theodósia da Rocha, filha do dito, e Paula Barbosa, dona
viúva, pessoas todas conhecidas, e moradores desta dita Freguesia, de licença
minha, o padre Miguel Pinheiro Teixeira assistiu ao matrimônio que entre si
contraíram o tenente Francisco de Sousa de Oliveira, morador que foi na Ribeira
do Jaguaribe, viúvo, que ficou da defunta Izabel da Costa, filho legítimo do
capitão Felis de Souza e de sua mulher Antonia Leite de Oliveira, já defuntos,
e Tecla Pinheiro de Barros, filha legítima de Francisco Pinheiro Teixeira e de
sua mulher Maria de Barros da Conceição, natural desta Freguesia e nela todos
moradores, e lhes deu as bênçãos, guardando-se em tudo a forma do Sagrado
Concílio Tridentino, e pelo assento que veio do dito Padre, mandei fazer este
assento em que por verdade assinei. Manoel Correa Gomes.
Valéria Ferreira, uma filha do
tenente Francisco de Souza e de Tecla, casou com Antonio Teixeira Coelho, filho
do português Antonio Teixeira Coelho e de Ignácia de Abreu. Em 1765, nasceu
Mariana filha desse casal, que teve como padrinhos o tenente Francisco Pinheiro
Teixeira, casado, e Antonio José de Sousa, solteiro. O padre Pantaleão reclamou
do fato de serem padrinhos duas pessoas de mesmo sexo o que contrariava o
disposto nos Concílios e Constituição.
Vamos encontrar Felis de Sousa,
o pai de Francisco, em 1692, como padrinho de Antonia, filha do capitão Manoel
da Costa Bandeira e de Anna Gomes da Costa, na Matriz de Nossa Senhora da
Apresentação.
Em 14 de julho de 1697, Felis de
Souza e sua esposa Antonia Leite batizaram o filho Felis, tendo como padrinhos
João de Souza Pereira Catunda e Antonia Ferreira; em 16 de maio, batizaram, na
Capela Santo Antonio do Potengi, João, sendo padrinhos o padre Francisco
Bezerra de Góis e D. Margarida da Rocha, filha do capitão Theodósio da Rocha;
em 22 de agosto, na mesma capela, batizaram Pascácio, sendo padrinhos Francisco
Barbosa e Joanna de Freitas, filha do capitão João da Costa de Almeida.
Esse João Pereira de Souza
Catunda, em 14 de dezembro de 1692, foi padrinho, junto com Dona Antonia Leite
de Oliveira, de Lautério, escravinho de Jerônimo Cesar e Águeda de Albuquerque;
em 1697, foi padrinho de Maria, filha de Paschoal de Freitas Costa e Anna Gomes
de Almeida.
Thomas de Aquino, pai do senador
Pompeu, era primo legítimo de Frei Miguelinho.
Jazigo de Thomaz Pompeu de Souza Brasil
terça-feira, 31 de março de 2015
O processo 636
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do
IHGRN e do INRG.
Durante muitos anos fiquei sem
qualquer conhecimento sobre o que tinha acontecido de verdade com meu pai, de
1935 até 1939. Aqui mesmo, neste jornal, escrevi um artigo intitulado “O
telegrafista extremista”, onde retratei os passos dele, Miguel Trindade Filho,
após o levante de 1935, baseado em notícias de antigos jornais da época,
digitalizados pela Hemeroteca Nacional.
Resumidamente, descobri que ele
tinha sido transferido, ainda em janeiro de 1936, da Regional dos Correios de
Pernambuco (estava em Recife desde 1926) para a de Mato Grosso, fato que não
constava na sua ficha funcional. Na viagem para esse estado, no vapor Poconé,
em fevereiro desse mesmo ano, foi impedido de desembarcar em Salvador, acusado
de exercício de atividades comunistas. O vapor seguiu viagem para o Rio de
Janeiro, tendo sido ele, e Wanderlino Vírginio Nunes, presos a bordo, por
investigadores da Polícia Central, no dia 21 de fevereiro. Nesse mesmo ano, em
14 de março, chegavam presos ao Rio de Janeiro, no vapor Manaus, 116
extremistas, estando entre eles, Graciliano Ramos e duas mulheres Maria Joana
de Oliveira e Leonila Félix.
Após essa prisão, a única
informação que tive a mais desse ano, é que o praticante diplomado, Miguel
Trindade Filho, tinha sido exonerado por exercício de atividades subversivas de
ordem política e social, em ato de 25 de junho de 1936. A sua nova prisão em
1938 foi decorrente de duas cartas.
Voltei a encontrar novas
notícias sobre Miguel Trindade Filho, nesses velhos jornais, somente em 1938.
Havia um processo que tratava do julgamento dos participantes do levante de
1935, rolando nesse ano. Era o processo 636, que posteriormente localizei uma
cópia microfilmada, no Arquivo Nacional. Fiz a encomenda desse processo, que
recebi em CD. É nele que encontrei uma ficha do DOPS e um auto de declaração
prestado por Miguel Trindade Filho e outros participantes. Daqui do Rio Grande
do Norte, além de papai, aparecem, também, o veterinário, Dr. Raimundo Gurgel
Cunha, e o estudante de Direito, José Ariston Filho.
Na ficha do DOPS constava que
papai fora preso em 21 de dezembro de 1935, com suspeita de participação no
movimento extremista de novembro daquele mesmo ano; que em 18 de janeiro de
1936 foi posto em liberdade e que procedida uma busca em sua residência, por
ocasião da prisão, fora apreendido livros e boletins de caráter comunista e que
ele confessou-se simpatizante da doutrina marxista; que em 14 de junho de 1938,
fora preso em Natal, à disposição da Delegacia, em Recife, como acusado de
exercer atividades extremistas.
Nessa ficha ainda constava que
em 18 de junho de 1938 fora recolhido ao Presídio Especial; declarou que em
fins de abril desse ano, no escritório comercial Oliveira & Cia, situado à
Rua Chile, número sessenta e três, em Natal, onde trabalhava, foi procurado por
um individuo desconhecido (que se identificou como Cardoso), que lhe disse que
o procurava por indicação de José, pessoa que papai não sabia quem era; que
tinha uma carta que era dirigida ao declarante, mas como Cardoso lhe dissera
para entregá-la a quem procurasse, o declarante assim o fez; que reconhecia na
fotografia que foi mostrada na Delegacia, a pessoa de Cardoso, o que sabia
naquele momento ser conhecido em Recife pelo nome de Hélio Soares ou “Amorim”.
No auto de declaração que
aparece, resumidamente, na ficha, ele conta que dez dias após essa visita
apareceu a pessoa, que ele descreveu como sendo um rapaz de cor morena,
estatura regular, trajado modestamente, o qual solicitou a entrega da carta
deixada pelo tal Cardoso.
Continuando seu depoimento (o
documento tem partes de difícil leitura) Miguel Trindade declarou: que exerceu
neste estado (Pernambuco) as funções de praticante diplomado da Diretoria
Regional dos Correios e Telégrafos; que após o movimento subversivo de novembro
de mil novecentos e trinta e cinco, o declarante foi preso como suspeito, tendo
sido posto em liberdade dias depois; que ao passar ao Rio de Janeiro com
destino ao Estado de Mato Grosso, para onde fora transferido, o declarante foi
detido pela polícia carioca, tendo passado três meses detido, sendo posto em
liberdade sem ser ouvido; que então resolveu voltar ao Rio Grande do Norte e abandonou
o seu cargo; que não sabe se a carta apreendida por esta Delegacia na agência
postal da Praça Maciel Pinheiro e que lhe fora dirigida por Cardoso, também
fora escrita pela mesma pessoa que lhe dirigiu a carta que chegou às suas mãos;
e como nada mais disse nem lhe foi perguntado, a autoridade mandou encerrar o
presente, que lida e achada conforme, me assina com o declarante e comigo
Heitor de Araújo de Sousa, escrivão que a escrevi. Edson Moury, Miguel Trindade
Filho.
Foi no livro “China Gordo” que
Andrade Lima Filho cita papai, com quem esteve preso, em 1938.
Habitavam-na três comunistas que seriam daí por diante meus companheiros de prisão por longo tempo. É curioso: o cárcere, que não conhece a aritmética, soma quantidades heterogêneas. Fizemos logo boa camaradagem. Os polos políticos se encontravam sob aquele meridiano sombrio. Tocavam-se os extremos. Dois deles eram boas praças, idealistas sinceros, a quem, apesar das nossas divergências então acirradas, afeiçoei-me logo. Um, o marinheiro José Leite , que mais tarde eu voltaria a encontrar na Assembleia Legislativa feito deputado. O outro, o Trindade Júnior (na verdade Trindade Filho), um telegrafista norte-rio-grandense, baixote, loquaz, muito lido. Trindade conhecia razoavelmente Marx e sabia de cor todo o "Eu" do Augusto dos Anjos. Mas quando ele vinha com a teoria da "Mais Valia", eu cortava logo a doutrinação, dizendo: - " Marx não, vamos ao Augusto".
quarta-feira, 25 de março de 2015
Roque Rodrigues Correia e Victoriana Maria
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do
IHGRN e do INRG.
Oficinas e Curralinho foram
localidades importantes da História do Rio Grande do Norte. Encontramos vários
registros de batismos nessas povoações. Vamos conhecer, hoje, Roque Rodrigues
Correia e Victoriana Maria da Conceição, através dos registros batismais dos
seus filhos.
O primeiro filho desse casal,
que encontramos, foi batizado na Ilha de Manoel Gonçalves, como podemos ver a
seguir.
Antonio filho legítimo de Roque
Rodrigues Ferreira (na verdade Correia) e Victoriana Maria
da Conceição
naturais do Assú nasceu aos 27 de março de 1832 e foi batizado aos 9 de junho
do dito ano pelo Padre Frei Antonio de Jesus Maria Lobo,
de minha licença, no Oratório de Nossa Senhora da Conceição
de Manoel Gonçalves e lhe conferiu os Sagrados Óleos; foram padrinhos Antonio
Joaquim de Sousa e Thomásia Martins Ferreira casados, todos deste Assú. Joaquim
José de Santa Anna, Pároco do Assú; Antonio Roque Rodrigues Correia casou em
1855, com Francisca Maria de Borges, na presença de Manoel Roque Rodrigues
Correia e Vicente Rodrigues Ferreira.
O pai de Thomásia, meu tetravô,
o capitão João Martins Ferreira, foi padrinho de Joanna, filha legítima de
Roque Rodrigues Correia e Victoriana Maria, ambos naturais do Assú, nascida aos
12 de agosto de 1834, e batizada aos 10 de outubro do mesmo ano, no Curralinho,
sendo madrinha Maria Gomes.
Aos 11 de setembro de 1835,
nascia Francisco, filho de Roque e Victoriana. Ele foi batizado pelo
Ilustríssimo e Reverendíssimo Senhor Visitador e Vigário Confessado no Seridó,
Francisco de Brito Guerra (foi senador), na Fazenda Morro, da Freguesia de
Santa Anna do Mattos, aos 3 de janeiro de 1836, sendo padrinho o mesmo capitão
João Martins Ferreira. Francisco Roque Rodrigues Correia casou com Maria do O’
da Conceição.
Pio, que nasceu aos 4 de maio de
1837, e foi batizado aos 20 de agosto do mesmo ano, na Capela de Nossa Senhora
da Conceição das Oficinas, teve como padrinhos Silvério Martins de Oliveira
(primeiro administrador da Mesa de Rendas de Macau) e Joanna Martins de
Oliveira. No registro de batismo, foi anotado, inicialmente, como esposa de Roque,
Maria Joaquina dos Santos, mas, depois, corrigido para Victoriana Maria da
Conceição.
Em um dos livros de batismos do
Assú, encontramos mais quatro filhos de Roque, em sequência, embora os anos de
nascimento e batismo fossem diferentes. Eles foram anotados de uma vez só. Acredito
que essa transcrição gerou um equívoco, pois em todos eles, aparece com mãe dos
párvulos, Dona Maria Joaquina dos Santos, a mesma que teve seu nome assentado,
erroneamente, no batismo de Pio. Vejamos quem eram os quatro.
Roque nasceu aos 16 de agosto de
1838, e foi batizado na Capela das Oficinas, a 24 de setembro do mesmo ano,
tendo como padrinhos João Baptista dos Santos e Maria Francisca da Luz, casados;
Rosa nasceu aos 25 de novembro de 1839, e foi batizada na Capela das Oficinas,
aos 25 de dezembro do mesmo ano, tendo como padrinhos Eliziário (Antonio)
Cordeiro (português que habitava a Ilha de Manoel Gonçalves) e sua mulher
Antonia Martins de Oliveira; Maria nasceu aos 9 de janeiro de 1841, e foi
batizado aos 2 de fevereiro do mesmo ano, na Capela das Oficinas, tendo como
padrinhos o Vigário Jorge Ferreira Nobre Formiga e Nossa Senhora; Ângelo nasceu
aos 7 de julho de 1842, e foi batizado, na Capela das Oficinas, não consta a
data, tendo com padrinhos o Reverendo Antonio Francisco da Silva e Nossa
Senhora da Conceição.
Ângelo Rodrigues Correia casou
com Maria Floripes, e gerou um filho, que batizou em 1889, com o nome de
Ângelo.
Roque, que nasceu em 1838, casou
em 1861, na Povoação das Oficinas, com Joanna Rodrigues Lessa, na presença de
Vicente Rodrigues Ferreira e Antonio Menezes Correia. Em 1863, nasceu o filho
João, que foi batizado na Capela do Rosário, tendo como padrinhos João Baptista
do Espírito Santo, avô materno, e Dona Victoriana Maria da Conceição, avó
paterna. Joaquim José Lessa, irmão de Joanna Rodrigues Lessa, foi casado com
Rosa Carolina. É possível que essa Rosa fosse a irmã de Roque que nasceu em
1839, pois no batismo de Pio, filho de Joaquim e Rosa, os padrinhos foram os
mesmos de João, filho de Roque e Joanna.
Posteriormente a esses registros,
Dona Victoriana Maria volta a aparecer, como esposa de Roque Rodrigues Correia,
para os filhos Ritta e Pedro.
Ritta, filha legítima de Roque
Rodrigues Correia e Victoriana Maria da Conceição, nasceu a dezesseis de
setembro de mil oitocentos e quarenta e quatro e foi batizado pelo padre
Francisco Theotônio de Seixas Baylon, de minha licença, na casa de oração das
Oficinas, em primeiro de janeiro de mil oitocentos e quarenta e cinco, foram
padrinhos Nossa Senhora e Lopo Gil Fagundes. Manoel Januário Bezerra
Cavalcanti.
Pedro, branco, filho legítimo de
Roque Rodrigues Correia e Victoriana Maria da Conceição, nasceu a oito de junho
de mil oitocentos e quarenta e sete, e foi batizado com os santos óleos, de
minha licença, pelo Padre Coadjutor Elias Barbalho Bezerra, no Sítio
Curralinho, em oratório particular, aos vinte e sete de junho do mesmo ano,
foram padrinhos Nossa Senhora e Lopo Gil Fagundes, por procuração que
apresentou Pedro Pereira da Costa Fagundes, solteiro. Manoel Januário Bezerra
Cavalcanti. Pároco do Assu.
Um possível filho de Roque e
Victorianna seria João Roque Rodrigues Correia. Ele casou em 3 de março de
1851, na Fazenda do Sacco, com Anna Francisca Bezerra, tendo como testemunhas
Vicente Rodrigues Ferreira e Luis Francisco Bezerra. Aos 24 de junho desse
mesmo ano, nascia, João, filho desse casal, que foi batizado aos 21 de agosto
do mesmo ano, tendo com padrinhos Alexandre José de Oliveira e Dona Victoriana
Maria da Conceição.
![]() |
| Pio, filho de Roque e Victoriana |
terça-feira, 17 de março de 2015
Antonio Francisco Braga, das Alagoas, e Joanna Maria, de Cabrobó
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do
IHGRN e do INRG
Muitos dos nossos povoadores
vieram das mais diversas localidades. Hoje, vamos conhecer Antonio Francisco
Braga e Joanna Maria, que viviam na beira do Rio Potengi, em São Gonçalo. É
através dos batismos dos seus filhos, que tivemos conhecimento deles. Observem
as pequenas variações em cada registro.
Ignez, filha legítima de Antonio
Francisco Braga, natural da Vila das Alagoas, e de Joana Maria da Assunção,
natural da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Sertão de Cabrobó, neta por
parte paterna de Manoel Francisco, natural da Vila do Conde, Arcebispado de Braga,
e de Antonia da Sylveira, natural de Santo Antonio do Recife, e pela parte
materna de Joachim Pereira, natural da Vila das Alagoas, e de Úrsula Maria,
natural de Santo Antonio da Vila Nova, Arcebispado da Bahia, nasceu a sete de
janeiro de mil setecentos e sessenta e oito e foi batizada com os santos óleos,
na Capela de São Gonçalo do Potigi, de licença minha, pelo Padre Miguel
Pinheiro Teixeira, aos vinte e cinco do dito mês e ano; foram padrinhos José
dos Santos Lisboa, casado, e morador em Gramació (Vila Flor), e Maria Freyre de
Amorim, solteira, filha de Gonçalo Freyre de Amorim, desta Freguesia. Pantaleão
da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.
Antonia, filha legítima de
Antonio Francisco Braga, natural da Vila das Alagoas, e de Joanna Maria, natural
do Sertão de Cabrobó, neta por parte paterna de Manoel Francisco Braga, natural
do Arcebispado de Braga e de Antonia da Sylveira, natural da Vila do Recife, e
por materna de Joaquim Pereira, natural da cidade de Olinda, e de Úrsula Maria
da Freguesia de Santo Antonio de Vila Nova, Arcebispado da Bahia, nasceu aos
dezenove de julho do ano de mil setecentos e sessenta e nove, e foi batizada de
licença minha, na Capela de Santo Antonio do Potigi, com os santos óleos, pelo
Padre Manoel Antonio de Oliveira, e foram seus padrinhos o capitão Manoel
Álvares de Moraes, solteiro, e Mariana da Rocha Bezerra, mulher de Anselmo José
de Faria, aos doze de agosto do dito ano. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário
do Rio Grande.
Domingos, filho legítimo de
Antonio Francisco Braga, natural das Alagoas, e de Joana Maria, natural da
Freguesia de Cabrobó, neto por parte paterna de Manoel Francisco, natural do Arcebispado
de Braga, e de Antonia da Sylveira, do Recife, Freguesia de São Pedro
Gonçalves, e pela materna de Joaquim Pereira de Brito, natural da cidade de
Olinda, e de Úrsula Maria, natural da Vila Nova do Rio de São Francisco, nasceu
aos quatro de agosto do ano de mil setecentos e setenta e um e foi batizado com
os santos óleos, de licença minha, na Capela de São Gonçalo do Potigi, pelo
padre Manoel Antonio de Oliveira, aos quinze de setembro do dito ano; foram
padrinhos o alferes Antonio Rodrigues de Mello, solteiro, e Arcângela Micaela,
mulher de Vicente Ferreira, desta Freguesia. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário
do Rio Grande.
Francisco, filho legítimo de
Antonio Francisco Braga, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da
Vila de Alagoas, e de Joana Maria da Assunção, natural da Freguesia de Nossa
Senhora da Conceição de Cabrobó, neto paterno de Manoel Francisco Souto,
natural da Vila do Conde, Arcebispado de Braga, e de Antonia da Sylveira,
natural de Santo Antonio do Recife, e materno de Joaquim Pereira de Brito,
natural da Freguesia de Santa Luzia da Villa de Alagoas, e de Úrsula Maria,
natural da Vila Nova Real, Arcebispado da Bahia, nasceu aos vinte e nove de
agosto do ano de mil setecentos e setenta e três e foi batizado com os santos
óleos, de licença minha, na Capela de São Gonçalo, desta Freguesia, aos cinco
de outubro do dito ano, foram padrinhos o sargento-mor Francisco de Araújo
Correa, casado, e Dona Rosa Maria, filha do capitão Jerônimo Pereira da Costa,
morador desta Freguesia. Pantaleão da Costa de Araújo. Vigário do Rio Grande.
Úrsula, nascida a vinte e três
de setembro de mil setecentos e setenta nove, batizada a dezessete de outubro
do mesmo ano, com os santos óleos, de licença minha, o Padre Luis Felis de
Vasconcellos, na capela de São Gonçalo, filha legítima de Antonio Francisco
Braga, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Vila de Alagoas e
de Joanna Maria de Assunção, natural da Freguesia do Sertão de Cabrobó, neta
por parte paterna do capitão Manoel Francisco de Souto, natural da Vila do
Conde, Arcebispado da Bahia, e sua mulher Dona Antonia da Sylveira, natural da Freguesia
de Santo Antonio do Recife, e pela materna de Joaquim Pereira de Brito, natural
da sobredita Vila das Alagoas, e de sua mulher Úrsula Maria, natural da
freguesia de Santo Antonio da Vila Nova Real, do Arcebispado da Bahia; foram
padrinhos o tenente Joaquim de Moraes Navarro e sua mulher Dona Maria Soares,
todos naturais desta Freguesia. Joaquim José Pereira, Pró Vigário do Rio
Grande.
Antonio Francisco Braga, de
idade de cinquenta anos, pouco mais ou menos, casado com Joana Maria, morador
na Freguesia, na beira do Rio do Potigi, em São Gonçalo, faleceu sem
sacramentos aos dezoito de maio de mil setecentos e oitenta e três anos, por
não o chamar a tempo, envolto em hábito de São Francisco, encomendado por mim,
e sepultado na Capela do Senhor Santo Gonçalo, sem testamento, sem acompanhamento.
Francisco de Sousa Nunes, Vigário encomendado do Rio Grande.
Não encontrei mais nenhuma
informação sobre o destino dessa família de Antonio Francisco.
terça-feira, 10 de março de 2015
Eu também sou Lessa
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do
IHGRN e do INRG.
Em artigo anterior, vimos que
Silvério Martins Ramos, quando enviuvou da primeira esposa, casou com Anna
Joaquina de Maria, filha de João Baptista do Espírito Santo e Maria Alves Lessa.
Este último casal casou em 1836, como podemos ver do registro a seguir.
Aos (?) dias do mês de fevereiro
de 1836, pelas duas horas da tarde, na Boca do Rio, em presença do Padre Frei
José de Sam Gualberto, Carmelitano, e das testemunhas abaixo nomeadas, de minha
licença, se receberam por esposos presentes, João Baptista e Maria Gomes Leça,
meus paroquianos: o esposo de idade de 26 anos e filho de João Rodrigues do
Espírito Santo, e Margarida Francisca de Oliveira; a esposa de 22 anos, filha
legítima de Joaquim Álvares Lessa, já falecido e Anna Gomes, naturais e
moradores nesta Freguesia de São João Baptista do Assú, onde se fizeram as
denunciações nupciais, e logo lhes deu as benções nupciais, sendo presentes por
testemunhas o capitão João Martins Ferreira, e Silvério Martins de Oliveira,
casados; todos desta Freguesia do Assú, e para constar fiz este assento em que
me assinei. Joaquim José de Santa Anna, pároco do Assú.
Os registros da Igreja não
mantinham coerência com relação aos nomes dos seus fregueses. A cada momento
alguns nomes eram modificados. No caso do nubente acima, omitiram o sobrenome
Espírito Santo. No caso da nubente, em vários outros registros ela aparece como
Maria Alves Lessa. O pai dela já era falecido em 1829, pois nesse ano houve o
seguinte casamento: Aos dezoito dias do mês de janeiro de 1829, pelas cinco
horas da tarde na Ilha de Manoel Gonçalves, em minha presença, e das
testemunhas abaixo nomeadas, se receberam por esposos presentes Manoel Ignácio
Lima, viúvo de Antonia Maria, e Anna Gomes, viúva de Joaquim Álvares Lessa. O
esposo de idade de sessenta e cinco anos; e a esposa de idade de trinta e dois
anos, naturais e moradores nesta freguesia de São João Baptista do Assú, onde
se fizeram as diligências nupciais, sem impedimento, sendo confessados e
examinados na Doutrina Cristã, presentes por testemunhas Antonio Caetano
Monteiro e Manoel Fernandes Carvalho, casados, todos deste Assú, e para constar
fiz este assento em que me assino Joaquim José de Santa Anna.
Esse Joaquim Álvares Lessa
suponho que era irmão de Josefa Clara Lessa e, que ambos eram filhos do
português de Leça da Palmeira, José Álvares Lessa, que em 1810 comandava a Ilha
de Manoel Gonçalves. No inventário de Domingos Affonso Ferreira Junior consta
que ele tinha falecido sem bens e com muitas dívidas, tendo essas sido herdadas
pelo capitão João Martins Ferreira, meu tetravô, que foi casado com minha
tetravó, Josefa Clara Lessa. Há um batismo, em 1790, em Recife, de Rita filha
de José Álvares Lessa e de Francisca Xavier, onde são nomeados os avós paternos
dela, como Manoel Álvares da Costa e Clara Rodrigues.
Naquele artigo anterior, citamos
como filhos de João Baptista do Espírito Santo e Maria Alves Lessa: Joanna,
nascida em 1843; as gêmeas Cosma e Damiana, nascidas em 1854; e Josefa Rodrigues
Lessa, que casou com Idalino Tranquilino de Sousa.
Dona Maria Alves Lessa faleceu
em 1860, com a idade de 51 anos. João Baptista voltou a casar como se depreende
do jornal Correio do Assú, de 1873. Nele, Padre Elias Barbalho Bezerra declarou
que recebeu de Joaquim José Lessa, procurador de Dona Anna Barbosa de Sousa,
cinquenta mil réis, que estava em poder do seu finado marido, João Baptista do
Espírito Santo, que foi separado no inventario da finada Anna Gomes da Costa
(mãe de Maria Alves Lessa) para celebrar-se por sua alma, meia capela de
Missas. Nesse mesmo jornal, Joaquim José Lessa, pagou a quantia de três mil e
duzentos réis, de que era devedor o seu finado pai, João Baptista do Espírito
Santo a Josefa Damas da Conceição.
Encontramos vários filhos de
Joaquim José Lessa com Rosa Carolina Lessa: Pio, nascido em 1861, teve como
padrinhos João Rodrigues do Espírito Santo e Victoriana Maria da Conceição; Aprígio,
nascido em 1862, teve como padrinhos Manoel Roque Rodrigues Correa e Maria
Juliana da Conceição; Luiza, nascida em 1863, teve como padrinhos José Alves
Martins e Francisca Martins de Oliveira; Maria, nascida em 1864, teve como padrinhos
José Rodrigues Ferreira e Maria dos Passos Lessa.
Um registro de casamento noticia
que em 1859, João Alves Lessa casou com Maria Marcelina da Costa, sendo ele
filho de Joaquim José Lessa e Anna Gomes da Costa. Acredito que houve um
equívoco nesse registro, pois Dona Anna Gomes da Costa foi casada com Joaquim
Álvares Lessa. Nesse casamento, uma das testemunhas foi Joaquim José
Lessa. João Alves Lessa deveria ser,
portanto, tio dessa testemunha. Maria
Marcelina era filha de Manoel da Costa Ramos e Lina Maria da Conceição.
Em 1860, José Alves Lessa casou
com Maria do Ó Fernandes, sendo testemunhas as mesmas do casamento de João
Alves Lessa, isto é, Joaquim José Lessa e José Fragoso de Medeiros. Não
nomearam os pais dos nubentes. Desse casamento nasceram: Marcionila, em 1861,
tendo com padrinhos Francisco Antonio Fernandes Braga e Claudina Maria do
Espírito Santo; Manoel, em 1862, tendo como padrinhos João Baptista do Espírito
Santo e Marciana Rodrigues Lessa; outra Maria, em 1863, cujos padrinhos foram
Francisco Antonio Braga e Maria de Santana Fernandes.
Há, também, um Manoel Alves
Lessa que casou com Maria Manoela da Costa e geraram Luiz em 1834, que morreu
afogado, em 1855, com 21 anos.
O fato de muitos documentos não conterem os nomes dos pais dos nubentes gera dificuldades para quem quer fazer sua genealogia. O desaparecimento de antigos livros é outro empecilho para nosso trabalho. Podemos cometer erros quando deduzimos algumas relações de parentesco.
![]() |
| A dívida de José Álvares Lessa a cargo de João Martins Ferreira |
terça-feira, 3 de março de 2015
Silvério Martins Ramos e as dúvidas de Lúcia Tolson
João Felipe da
Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN,
membro do IHGRN e do INRG
Lúcia Tolson mora nos
Estados Unidos e, de lá, me enviou um e-mail nos seguintes termos: Eu acabo de
topar no nome acima (Silvério Martins de Oliveira) no seu artigo “Cartas da
Ilha de Manoel Gonçalves” de 2/3/2011.
Tenho uma suspeita de que ele seja meu ancestral. Não tenho, porém, os elementos para ligá-lo a
meu trisavô Silvério Martins Ramos, além da semelhança de nomes e da
proximidade no tempo e no espaço em que viveram.
Silvério Martins de
Oliveira parece-me ter sido um dos habitantes da Ilha de Manoel Gonçalves em
seus últimos anos, entre as décadas de 1820 e 1830.
Meu trisavô Silvério
Martins Ramos morreu muito velho em Curralinho na década de 1930. Ele era casado com Leonídia de Oliveira e
tinha, entre outros filhos, um filho também chamado Silvério Martins Ramos
(conhecido em família como Nozinho, que morreu centenário em Pendências no
começo deste milênio).
As únicas informações
que tenho sobre os pais de Silvério Martins Ramos são que seu pai ficou viúvo
de sua primeira mulher e depois casou-se com Anna, a mãe de Silvério, que
morreu centenária em Curralinho na década de 1930. De ambos casamentos esse senhor teve uma
prole imensa, mas hoje não resta sequer lembrança do seu nome na família. Suspeito que ele também fosse Silvério.
Será que o Senhor
teria condições, sem lhe dar demasiado trabalho, de traçar a descendência de Silvério
Martins de Oliveira até ela possivelmente bater em Silvério Martins Ramos? Creio que haja uma ou no máximo duas gerações
entre os dois, se eles são de fato parentes como suspeito.
Espero não estar
abusando de sua boa vontade, mas é que fico animada demais quando encontro uma
possível pista de história familiar nos seus artigos.
Em outro e-mail,
pergunta se Francisca Martins de Oliveira, esposa de José Alves Martins, não
seria uma das filhas do capitão Silvério Martins de Oliveira.
Para responder aos
questionamentos de Lúcia, tenho as seguintes informações: O capitão Sílvério
Martins de Oliveira era compadre do meu trisavô major José Martins Ferreira,
por ter sido padrinho de meu tio-bisavô Manoel José Martins. Esteve em muitos
eventos religiosos, na companhia do meu tetravô, o capitão João Martins
Ferreira. Foi o primeiro Administrador da Mesa de Rendas de Macau e, também,
foi um dos representantes de Apodi, na eleição para Junta Constitucional, em
1821. Sua esposa, dona Joanna
Nepomucena, era filha de Anna
Josepha Joaquina de Albuquerque (que morou um tempo na Ilha de Manoel
Gonçalves) e do capitão Manoel Ignácio de Carvalho.
Sobre a existência de
filhos do capitão Silvério não tenho documentação comprobatória, mas apenas suspeitas
de que seriam: Antonia Silvéria de Oliveira, natural da Serra de Martins, que
foi casada com Eliziário Antonio Cordeiro, natural de Lisboa; Silvéria Martins
de Oliveira, Joana Nepomucena, mesmo nome da mãe; e Francisca Martins de
Oliveira, citada por Lúcia Tolson.
Sobre o outro
Silvério, o que temos é o seguinte: Em 1862, viúvo de Anna Raimunda da Luz,
casou na capela de Nossa Senhora do Rosário da Várzea, com Anna Joaquina de
Maria, filha de João Baptista do Espírito Santo e Maria Alves Lessa, tendo como
testemunhas Manoel Pinto Queiroz e Vicente Barbalho Bezerra. Do seu primeiro
casamento com Anna Raimunda, encontramos os seguintes filhos, segundo registros
da Igreja: Maria, nascida em 1855, em Macau, tendo como padrinhos Christovão
Francisco Gomes e Thomazia Martins Ferreira (irmã do major José Martins
Ferreira); Manoel, nascido em 1856, batizado em Curralinho, teve como padrinhos
José Alves Martins e Maria Gomes Pinheiro; Higino, nascido em 1858, tendo como
padrinhos Marcolino José de Moraes; outra Maria, nascida em 1860, teve como
padrinhos João Coelho da Silva e sua irmã Josefa Clementina de Moraes; Ritta
Martins dos Passos, que casou com José Alves Barbosa (3º grau de
consanguinidade), filho de Manoel Alves Barbosa e Anna Francisca Xavier, no sítio
Curralinho, em 1871, na presença de Manoel Alves Barbosa e Vicente Rodrigues
Ferreira.
No ano de 1904,
faleceu Luis Martins Ramos. Segundo sua inventariante e esposa, Cosma Porcina
Lessa, não tiveram filhos. Seus bens foram herdados pela dita Cosma e os irmãos
dele: Rita Martins Passos, moradora em Boa Vista, com 50 anos, citada acima;
Pedro Martins Ramos, com 55, casado com Alexandrina, moradores em Recife;
Manoel Martins Ramos, com 49 anos, morador em Curralinho, citado acima, e
casado com Maria Gomes dos Santos; José Martins Ramos, com 46 anos, casado com
Maria Silvana de Mello, também morador em Curralinho e, citado acima; e João
Martins Ramos, com 57 anos, casado com Damiana Rodrigues Lessa, moradores nas
Oficinas.
Do casamento com Ana
Joaquina, encontramos, até agora, Silvério, que nasceu aos 22 de outubro 1863, e foi batizado
aos 13 de novembro 1863, na capela das Oficinas, tendo como padrinhos Joaquim
José Lessa e Maria dos Prazeres. Esse
Silvério é justamente o trisavô de Lúcia Tolson, que ela diz que casou com
Leonídia.
Não encontrei nada
que fizesse ligar o capitão Silvério Martins de Oliveira com Silvério, tetravô
de Lúcia.
Sobre João Baptista
do Espírito Santo e Maria Alves Lessa, pentavós de Lúcia, por parte de Anna
Joaquina, encontramos os seguintes filhos: Joanna, nascida em 1843; as gêmeas
Damiana e Cosma, nascidas em 1854; Josefa Rodrigues Lessa, que casou, em 1869,
com Idalino Tranquilino de Sousa. Essas gêmeas, irmãs de Anna Joaquina, casaram
com dois filhos do primeiro casamento de Silvério, pelo que se vê do inventário
de Luis Martins Ramos.
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