terça-feira, 24 de junho de 2014

A viagem de Leão Veloso (II)




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Continuemos o relato de Francisco Othílio, iniciado no artigo anterior. Preparados que foram as cousas, partimos para a Vila do Príncipe (Caicó), chegando nós às 9 horas à fazenda São Paulo, do Sr. Rodrigo de Medeiros Rocha, onde passamos a força do sol.

Aquele lugar merece que eu faça dele especial menção, não só pela notável afabilidade com que fomos obsequiados, mas pelo indizível prazer que mostraram todas as pessoas da família do Sr. Rodrigo com a nossa chegada.

Com efeito, o Sr. Rodrigo, de quem tanto se não esperava, não pela falta de bons desejos, mas em razão de suas circunstâncias pouco lisonjeiras, obsequiou-nos a nada deixar a desejar.

A Vila do Príncipe não há dúvida que é hoje uma das melhores do sertão; e apesar de ser o seu solo nimiamente árido, todavia ali não faltam recursos; porque os seus habitantes empregam todos os seus esforços a fim de lhes serem menos difíceis e penosos os meios de subsistência.

O terreno sobre que se acha ela plantada nada tem de agradável, e ao contrário é feio e bastante pedregoso, porém muito nova e boa a sua edificação. A sua matriz é antiga, porém de boa construção; tem menos cômodos do que a de nossa capital, e é mesmo alguma coisa diferente em sua divisão interior, mas excede-a em asseio. Há um gosto extraordinário na festa da padroeira e tem ela tanta nomeada que muitas pessoas do centro do Ceará, Paraíba e até mesmo de Pernambuco vão ali passá-la com suas famílias. 

Um povo imenso assiste sempre às novenas e às missas cantadas, que ali celebram-se durante dez dias de festas. 

Calculou-se em quatro mil pessoas que acompanham a procissão, inclusive muitas senhoras, que por esse ato não são censuradas em razão de ser costume antigo.

O madamismo apresenta-se sempre com muito luxo, mas esse luxo pouco brilhava, porque muitos dos seus vestidos ainda são feitos por usos que por aqui vão sendo esquecidos.

O bom acolhimento, que prestaram os senhores Vigário Rafael Fernandes, e o Dr. Paulino Ferreira da Silva, é digno do maior elogio.

Depois de quatro dias de folganças passados entre o bulício de uma numerosa população, que igualmente gozava dos prazeres da festa, voltamos ao nosso primitivo estado de insipidez e de incômodos, sócios inseparáveis daqueles que viajam pelos sertões em épocas já um pouco inconvenientes.

E qual não foi a tristeza que infundiu em meu coração o dia 29, em que pela manhã muito cedo vi deixar aqueles lugares tantas famílias que haviam abrilhantado a festa com a sua assistência. A nossa viagem estava destinada para a tarde do dia acima referido. E de feito às 4 horas encetamos a jornada com destino à Serra do Martins, servindo-nos de guia até aquele ponto o Sr, José Bernardo de Medeiros, um excelente companheiro. Ao sairmos acompanharam-nos muitas pessoas, algumas das quais nos fizeram companhia até a – Saudade – Fazenda do comandante superior Mariz, onde pernoitamos e fomos recebidos cavalheiramente. Ali chegamos às 7 da noite.

No dia 30 pela manhã continuamos nossa marcha tocando na povoação de Jardim de Piranhas às 9 horas pouco mais ou menos. Demoramo-nos um pouco enquanto sua excelência examinava a Capela daquela povoação, e depois seguimos. Às 11 horas do dia estávamos na Fazenda Pilões (Distrito da Paraíba), fazenda de uma viúva cujo nome não tivemos a curiosidade de perguntar. Ali descansamos, recebendo-nos ela belissimamente. Às 5 horas da tarde tivemos de partir.

Ainda se viam perfeitamente no horizonte os coloridos raios de sol quando avistamos na eminência de um longo campo dois edifícios; eram a casa do major José Batista Saraiva e uma capelinha que acha-se ainda em obra. Estávamos na fazenda Cachoeira também na Paraíba, uma das mais bonitas que encontramos pelo Centro.

Naquele lugar passamos uma noite bem divertida. Depois de uma lauta ceia, que foi presidida por três filhas e sobrinhas do mesmo major, levamos até uma hora da noite ouvindo-as cantarem várias modinhas; dando eu também nessa ocasião uma prova de que não era muito hóspede no violão.

No dia 31 pela manhã muito cedo estávamos de marcha, passando às 7 horas na povoação de Belém (ainda na Paraíba) e chegando-se ao Patu de fora às nove e meia.

Tomamos a casa do capitão José Severino de Moura, que preventivamente havia mandado um próprio à Cachoeira com uma carta convidando ao Sr. Presidente para descansar lá, no caso de passar por aquele lugar. O Sr. José Severino tratou-nos como permitiam as suas circunstâncias, e convenço-me de que ninguém de nossa comitiva ficou descontente.

Antes de encerrar este artigo, alguns comentários: o dono da fazenda Saudade, citado por Othílio, não era o comandante superior das Legiões da Guarda Nacional da Vila do Príncipe e Acari, Antonio Álvares Mariz, como pensou Câmara Cascudo, pois faleceu em 1854, mas o filho dele, Manoel Monteiro Mariz, comandante superior da comarca do Seridó, que faleceu em 1864; José Bernardo de Medeiros era avô dos ex-governadores Dinarte Mariz e José Augusto; O vigário citado por Othílio devia ser Padre Francisco Rafael Fernandes, sobrinho do senador, Padre Francisco de Brito Guerra; Dr. Paulino Ferreira da Silva, bacharel, foi promotor e deputado da Assembleia Provincial; Havia um Rodrigo de Medeiros Rocha (Rodrigo Gordo), dono da Fazenda São Paulo, mas que em 1834 já era falecido. Talvez o Rodrigo, citado por Othílio, seja descendente daquele; O presidente Pedro Leão Velloso tinha 33 anos de idade, nessa época.





segunda-feira, 16 de junho de 2014

A viagem de Leão Veloso (I)




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Havia, no Rio Grande do Norte, um jornal chamado “O Recreio”, e foi nele que Francisco Othílio Álvares da Silva, secretário de governo desta Província, escreveu um relato da viagem que fez o Presidente da mesma, Pedro Leão Veloso, no ano de 1861, em 44 dias. Foi das 13 edições, digitalizadas pela Biblioteca Nacional, que extraímos alguns trechos do Relatório de Viagem, para recompor esse relato.

Ás quatro horas da tarde do dia 11 embarcamos para o Morro, aonde chegamos às noves da noite. 

Principiaram dali os nossos maiores incômodos de viagem, porque, depois de andarmos de Herodes para Pilatos seguramente uma hora, procurando uma casa onde mais comodamente pernoitássemos, fomos por fim obrigados, em desconto dos nossos pecados, a ir dar com os ossos em um grande e imundo telheiro, que constitui a tão falada Fazenda do Morro: porém que a meu ver mais parece um asilo de cascavéis e jararacas do que habitação de homens! E era a residência de um Comandante Superior!

Ali e pela primeira vez deu sua Excelência exuberante provas de um verdadeiro viajante, não se mostrando enfadado por aquela péssima pousada, e acomodando-se com a refeição que de momento se preparou, já às 11 horas da noite.
Ás 9 do dia 12 chegaram os cavalos que se tinham mandado vir do Assú para nossa viagem e às 4 da tarde para ali partimos.

Ás 7 da noite chegamos ao Poço Verde, Fazenda do senhor Francisco Lins Wanderley, que hospedou-nos como era para esperar e desejar, passando ali a noite, e saindo para o Assú no dia seguinte pela manhã muito cedo.

O senhor coronel Manoel Lins Wanderley foi encarregado de nos hospedar, e louvores lhe sejam dados porque tratou-nos maravilhosamente. Eis-me, pois, na cidade do Assú, de que tão vantajosamente sempre ouvia falar. Em verdade a sua localidade é bela, e a edificação, que de presente está amortecida, revela algum gosto. Situada ao norte do rio do mesmo nome, em cujas férteis margens se fazem muitas e variadas plantações, ela oferece mais amplos recursos para a comodidade da vida, do que outros lugares, de que falarei adiante. Na tarde do dia 16, o excelentíssimo senhor Presidente, a convite de algumas pessoas, deu um passeio ao Piató, e visitou o cemitério. 

Disposta as cousas para a nossa viagem, partimos para o Acary no dia 17, às 4 horas da tarde, acompanhando-nos até a distância de 2 léguas as principais pessoas do lugar. 

Nesse trajeto, que na opinião de muitos consta de 28 léguas de excelente caminho, mas que pela minha tabela são 32, e boas, gastamos dois dias e meio, descansando nós e pernoitando em diversas fazendas.

Por aqueles lugares a ignorância ainda grassa admiravelmente, e tanto é isto uma verdade, que em um deles a – Divisão- onde estivemos uma manhã, um sujeito ouvindo falar no doutor engenheiro, dirigiu-se a mim e perguntou-me quais eram as mágicas que ele fazia.

Ás 8 horas da noite do dia 19 chegamos ao Acari já bem maçados, encontrando ao entrar da rua o Senhor Vigário Thomaz Pereira de Araújo, que sendo avisado já às 6 horas que sua Excelência para ali se dirigia, ia ao seu encontro em companhia de dois homens. A sua casa foi destinada para nossa hospedagem.

 Sem pretender ofender o melindre das pessoas que obsequiaram ao excelentíssimo Presidente e sua comitiva nesta viagem, forçoso é confessar que a jovialidade, franqueza, e maneiras delicadas com que nos tratou o Sr. Vigário Thomaz, conquistaram os nossas puras simpatias, o nosso sincero reconhecimento.

Enganei-me completamente no juízo que fazia da Vila do Acary, supondo ser de péssima edificação; mas não: contém 92 casas, sendo bem sofrível a maior parte delas. Notei, porém, que muitas estivessem fechadas, mas deram-me a razão disso que é – morarem os donos em suas fazendas ao redor da Vila, nas distancias de 2,3,4 e 5 léguas.

Uma matriz de grandes dimensões se está ali construindo, a qual, sendo concluída pelo modo por que deseja o Reverendo Vigário, será incontestavelmente uma das melhores da Província.

No dia 21 ás quatro horas da tarde já íamos no caminho da Vila do Jardim. Apesar, porém, do vagar com que caminhava o sendeiro, sempre às 8 horas da noite estávamos na Vila. Apeiei-me e entrei na casa destinada para nossa pousada, a do Sr. Manoel Ildefonso de Oliveira e Azevedo.

Aquela Vila que presentemente conta 36 casas de boa construção, pode ser um dos lugares importantes do centro, em razão do comércio que entretém com o Ceará e Paraíba.

Em a noite desse mesmo dia, a pedido do Sr. João Carlos, que tinha algumas relações na casa, duas filhas do Sr. Ildefonso nos deram a honra de ouvi-las por algumas horas, tocando algumas peças de difícil execução e cantando varias modinhas de gosto.

Ao término deste 1º artigo fazemos algumas observações: O comandante superior, de que fala Francisco Othílio, era Jerônimo Cabral Pereira de Macedo, dono da Fazenda Morro, falecido em 1860; Manoel Ildefonso era o bisavô do professor Max Cunha de Azevedo; O padre Thomaz Pereira de Araújo era neto pela parte materna do presidente que foi da nossa província, Thomaz de Araújo Pereira (3º do nome). O padre fez uma escritura de perfilhação, em 1869, onde reconheceu seus seis filhos que teve com mulheres solteiras, faleceu em 1893; Manoel Lins Wanderley era o pai da Baronesa de Serra Branca.



sexta-feira, 13 de junho de 2014

O jazigo do capitão J. da Penha

Este ano já completou cem anos que o capitão J. da Penha faleceu, vítima de bandido de aluguel, lá em Miguel Calmon, no Ceará.

Estive em Fortaleza, e no dia 10 de junho fui visitar o cemitério, na companhia de meu primo Luciano Klein, em busca do túmulo onde está enterrado o capitão. Pensávamos encontrar uma edificação mais condizente com a importância que J. da Penha representou para o Ceará, pois estudou lá na Escola Militar, serviu por um bom tempo a esse Estado e era seu deputado estadual quando foi assassinado.

Infelizmente, nem a família cuidou do seu jazigo, com se pode ver das fotos a seguir.



segunda-feira, 9 de junho de 2014

Domingos da Rocha e D. Josefa Maria



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

No artigo sobre o Ajudante Alexandre de Mello Pinto apresentamos D. Josefa Maria de Jesus como filha natural de Brázia Tavares da Fonseca, mas que em um batismo é dada como filha de Alexandre.

Seu marido, Domingos da Rocha, era filho do capitão Domingos Dias e de sua mulher Antonia Borges. Dos seus filhos só localizamos dois: Antonio Dias Ribeiro e Alexandre Borges da Fonseca, que seguem, através dos assentamentos de praças e casamentos.

Antonio Dias Ribeiro, filho de Domingos da Rocha, natural desta cidade, de idade de quatorze anos, de estatura pequena, rosto algum tanto redondo, alvo, olhos grandes pardos e rasgados, testa larga de cantos, nariz mediano, boca algum tanto rasgada, com todos os dentes, a cabeça grande, o cabelo acastanhado e estirado, senta praça por despacho do capitão-mor desta capitania Joaquim Felix de Lima e intercessão do Vedor Geral Doutor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, por sua vontade, em seis de maio de 1772 anos, e vence de soldo e farda, como os mais, e uma quarta de farinha de dez em dez dias. Passou a cabo de esquadra em 24 de março de 1781.

Alexandre Borges da Fonseca, solteiro, filho legítimo de Domingos da Rocha, natural de Goianinha, de idade de dezesseis anos, pouco mais ou menos, de estatura baixa, cheio de corpo, rosto quase redondo, cor alva, com buço, sem ponta de barba, boca pequena, nariz ordinário, sem falta de dentes, olhos pardos, testa de cantos, cabelos acastanhados e corredios, senta praça voluntário, por portaria dos senhores capitães-mores interinos, José Baptista Freyre, e José Pedro de Vasconcellos, e intercessão  do Vedor Geral, o Doutor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, em 22 de dezembro de 1779, e vence de soldo e farda por mês, dois mil e quatrocentos reis e uma quarta de farinha de dez em  dez dias.

O registro de batismo de Alexandre está muito estragado, mas deu para tirar algumas informações; Ele nasceu por volta de 1761, e teve como padrinhos o Ajudante Alexandre de Mello Pinto e esposa Brázia Tavares da Fonseca. 

Do registro de casamento anotamos que: em primeiro de novembro de mil setecentos e oitenta e três, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, na presença do padre Francisco de Souza Nunes, e das testemunhas, sargento José da Costa Pereira e o cabo de esquadra Antonio Dias Ribeiro (irmão do nubente), moradores nesta cidade, se receberam por palavras de presente Alexandre Borges da Fonseca, filho legítimo de Domingos da Rocha (Ribeiro) e de sua mulher Josefa Maria (de Jesus), já defunta, com Anna Caetana de Jesus, exposta em casa de Francisco Pinheiro, no Jundiaí.

De Antonio Dias Ribeiro, só encontramos o segundo casamento, do qual extraímos o que segue: Aos dez de novembro de mil oitocentos e um, na capela de São Gonçalo do Potigi (sempre do Potengi, nunca do Amarante), em presença do Padre Antonio Pedro de Alcântara, de minha licença, e sendo presentes por testemunhas o alferes João Pedro de Sá Bezerra e o alferes Paschoal Gomes de Lima, ambos brancos, casados e moradores nesta Freguesia, se casaram em face da Igreja, Antonio Dias (Ribeiro), branco, viúvo que ficou de Águida Maria, falecida nesta Freguesia, com Luiza Figueira da Costa, branca, filha legítima de Antonio José de Lemos, e sua mulher D. Anna Maria Bezerra, já falecida. Feliciano José Dornelles.

Aos dezesseis de janeiro do ano de mil oitocentos e sete, faleceu Luiza Figueira, casada com Antonio Dias Ribeiro, moradores na Guanduba, desta freguesia, de idade de quarenta e cinco anos, pouco mais ou menos, foi sepultada na capela de São Gonçalo, e encomendada, de minha licença, pelo Padre Antonio Pedro de Alcântara, Feliciano José Dornelles.
As idades que constavam nos registros de óbitos ou assentamentos de praça nem sempre eram verdadeiras. Era comum expressões como: “que parecia ter” e “que dizia ter”.

Dona Luiza, na verdade, nasceu aos dezoito de janeiro de 1768, e foi batizada, na Matriz de São Miguel, e Nossa Senhora dos Prazeres da Vila de Extremoz, aos vinte três de março do mesmo ano, sendo seus padrinhos José de Araújo (Pereira), e Dona Thereza de Jesus, filha de Prudente de Sá. Seu pai era natural de Porto Calvo. Eram seus avós paternos Roque Jacinto de Lemos, natural de Lisboa, da Freguesia de São Julião, e de Luiza Figueira, natural de Porto Calvo, e pela materna de Hipólito de Sá Bezerra, natural da Vila de Vianna, e de Dona Joanna Bezerra de Albuquerque.

Esse José de Araújo Pereira era irmão dos meus pentavós Thomaz de Araújo Pereira (2º) e João Damasceno Pereira. A esposa dele, Helena Barbosa de Albuquerque, era irmã de Anna Maria Bezerra, mãe de Luiza.
assento de praça de Antonio Dias Ribeiro

terça-feira, 3 de junho de 2014

O Ajudante da Fortaleza, Alexandre de Mello Pinto




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Em uma petição de Alexandre de Mello Pinto, do ano de 1754, ele aparece como Ajudante da Fortaleza e das Ordens do capitão-mor da capitania do Rio Grande. Foi o patriarca da família Mello Pinto, do Rio Grande do Norte. Faleceu em 1790, com a idade de 72 anos. 

No dia oito de maio de 1743, depois da meia noite, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, da cidade do Rio Grande do Norte, com a presença do Padre Aurélio José de Mello e do Doutor Cosme de Medeiros Furtado, se casaram o Ajudante Alexandre de Mello Pinto, filho legítimo de José de Mello de Costa e de sua mulher Dona Maria do Espírito Santo, e Brázia Tavares da Fonseca, filha legítima de Luis Alves Tavares e de sua mulher Maria da Fonseca, já defuntos, naturais e moradores desta cidade.

Aos 22 de abril de 1753, era batizada Maria, filha de Alexandre e Brázia, tendo como padrinhos Nossa Senhora da Apresentação e o capitão Bernardo de Faria Freitas; Aos seis de maio de 1755, na matriz, foi batizada Anna Rosa, outra filha do casal, tendo como padrinhos o capitão Pedro Alberto de Mello e Thereza Tavares da Fonseca;  Em 1801, faleceu Maria da Fonseca, solteira, de 40 anos, e, em 1808, faleceu o padre Francisco Álvares de Mello, com 64 anos, ambos filhos de Brázia e Alexandre. 

Em um batismo de 1754, de Manoel, filho de João de Barros e Rosa Maria da Apresentação, compareceu como madrinha Josepha Maria de Jesus, filha do ajudante Alexandre de Mello Pinto. Essa mesma Josepha, é apresentada como filha natural de Brázia, em quatro de outubro de 1759, quando casou, na Matriz, com Domingos da Rocha, filho legítimo do capitão Domingos Dias e de sua mulher Antonia Borges. Ainda mais, Josepha, faleceu em 1737, com a idade de quarenta anos, isto é, ela deve ter nascido seis anos antes do casamento dos pais. Vejamos os outros filhos de Brázia e Alexandre.
Ignácia Úrsula de Mello casou em 1772 com o sargento de infantaria, José da Costa Pereira, filho do português da Ilha de São Miguel, Simão da Costa Pereira, e de Francisca Barbosa Aranha (em alguns registros, Valcácer), natural da Freguesia de Igarassu. Destacamos os seguintes filhos de Ignácia e José: Joanna, que nasceu em 1772, tendo como padrinhos João Coelho e a tia Maria da Fonseca; Elena, que nasceu em 1774, tendo como padrinhos, os avós Alexandre e Brázia; Simão, que foi homenageado como o nome do avô paterno, nasceu em 1777, tendo como padrinhos, Francisco Álvares de Mello  e Anna Rosa, seus tios; Marianna, que nasceu em 1779, e teve como padrinhos, Antonio Dias Ribeiro e a tia Maria da Fonseca; Francisco que nasceu em 1785, tendo sido batizado pelo tio, o padre Francisco Álvares de Mello, sendo padrinhos Antonio José de Sousa e Oliveira e sua mulher Joana Ferreira.

Brázia Tavares de Melo (em vários registros tem sobrenomes diferentes) casou com Luis José Rodrigues Pinheiro, filho de Francisco Pinheiro Teixeira e Bonifácia Antonia de Mello (avós de Frei Miguelinho). Desse casal destacamos os seguintes filhos: Antonio, que nasceu em 1780; Maria, que nasceu em 1785, padrinhos, o provedor da Fazenda, Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim e Francisca Antonia Teixeira; outra Maria, que nasceu em 1787, tendo como padrinhos o capitão Manoel Pinto de Castro e a tia Maria da Fonseca; José, que nasceu em 1797, e teve como padrinhos Ignácio Nunes Correia e sua mulher Antonia Clara das Neves.

Thereza Antonia de Mello casou, em 1761, com Antonio Teixeira da Costa, filho do condestável Carlos de Freitas e de Maria da Assunção; entre seus filhos, encontramos: José, que nasceu em 1763, padrinhos o sargento-mor Francisco Machado de Oliveira Barros, casado, e Ignácia Úrsula de Mello, solteira; Joachim, que nasceu em 1765, padrinhos, o avô Alexandre de Mello Pinto e Thereza Tavares da Fonseca, solteira; Ignez, que nasceu em 1777,  padrinhos, o provedor da Fazenda Real, Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim e Maria José, irmã da batizada; outro José, que nasceu em 1781, padrinhos, o sargento José da Costa Pereira, casado, e Thereza Tavares, solteira. Essa Maria José, que foi madrinha da irmã Ignez, casou com Alexandre Rodrigues da Cruz, filho dos meus hexavós, Francisco Cardoso dos Santos (Tracunhaém) e Thereza Lins (Seridó).

Alexandre de Mello Pinto, filho de Thereza Antonia de Mello e Antonio Teixeira, que nasceu aos 26 de maio de 1769, teve como padrinhos o padre Francisco Manoel Maciel, e Ignácia Úrsula de Mello, solteira. Ele, que recebeu o nome do avô, era tenente de tropa paga, quando casou, em 26 de novembro de 1803, com sua parenta de 3º grau, Josefa Maria da Rocha, filha de José Pereira da Freitas e Maria da Conceição Espínola, tendo como testemunhas Francisco Felipe da Fonseca e o padre Simão Judas Tadeu. Alexandre faleceu, em 22 de abril de 1813, com a idade de 44 anos. Dos filhos de Alexandre e Josefa, encontramos os seguintes:

José Cupertino de Mello Pinto, que casou com sua prima (2º grau), Joana Florência da Silva, filha de José Pereira de Freitas e Anna da Conceição (deve ser Maria da Conceição), na presença do capitão Salvador Maria da Trindade e Bento José Taveira, sendo celebrante o padre Salvador Maria da Trindade. Eles geraram Josefa, em 1830, que teve como padrinhos Francisco José de Carvalho e Thereza Antonia de Mello, tia; e João e Rosa, que nasceram em 1840, e tiveram como padrinhos, daquele, Manoel José Teixeira e Thereza Antonia de Mello, e desta, tenente José Fernandes Carrilho, casado, e Joana Maria da Conceição, solteira. Essa Thereza Antonia, que tinha o mesmo nome da avó paterna, era irmã de Cupertino.

Joaquim José de Mello Pinto, filho de Alexandre e Josefa, já apresentamos antes e foi bisavô do meu primo João Batista de Mello Pinto.
Casamento de Alexandre de Mello Pinto e Brázia Tavares da Fonseca