segunda-feira, 4 de junho de 2012

Novas notícias de antigos jornais


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
A Biblioteca Nacional está de parabéns pelo fato de disponibilizar, na internet, as digitalizações de jornais já extintos. O acesso a esses jornais nos leva aos nossos antepassados e, por isso, temos novas notícias sobre eles e sobre fatos da época.
No periódico "O Macauense", datado de 14 de março de 1887, tomamos conhecimento de mais uma tia bisavó, através da seguinte notícia: faleceu a 4 na Fazenda Cacimbas (do Vianna), e sepultou-se a 5 nesta cidade, D. Isabel (Cândida) Martins Ferreira, filha do finado Major José Martins Ferreira.
No batismo de José, filho dos meus bisavós, Francisco Martins Ferreira e Francisca de Paula Maria de Carvalho, em janeiro de 1873, apareceram como padrinhos Vicente Ferreira Xavier da Cruz, avô do batizado, e Isabel Cândida Martins Ferreira, que não sabia, até então, que era irmã do meu bisavô.
Em uma carta que escreveu para Ricardo Rodrigues Ferreira, morador em Recife, o escritor Manoel Rodrigues de Melo pediu informações sobre seu avô João Rodrigues Ferreira, e tio paterno de Ricardo, perguntando em que ano os filhos dele voltaram para Macau. Pois bem, no mesmo jornal, citado acima, encontramos, na parte de movimentação do porto, que em 1886 os filhos do finado João Rodrigues Ferreira vieram de Recife.
Outras informações interessantes extraídas de vários jornais são as viagens constantes de membros da família Martins Ferreira. No jornal "Diário Novo", de 9 de fevereiro de 1847, encontramos entrando no Assú, pelo brigue brasileiro Paquete Pernambucano, com carga de sal, João Martins Ferreira, Antonio Joaquim de Sousa, Domingos Antonio de Azevedo, e um escravo, além de Josefa Maria dos Martírios e uma filha menor. No jornal Liberal Pernambucano, de 26 de novembro de 1853, encontramos, saindo do Rio de Janeiro, o Patacho Valente com carga de vários gêneros, e como passageiro o major José Martins Ferreira e um escravo. No mesmo Liberal Pernambucano, de 30 de março de 1854, encontramos entrando no Assú, no Iate Brasileiro Angélica, com carga de vários gêneros, e como passageiro o major José Martins Ferreira.
Outro periódico interessante é o Boletim da Sociedade Libertadora norte-riograndense. Há notícias de várias libertações de escravos, em diversas localidades, como Utinga, Fazenda Arvoredo, Goianinha, Santana do Matos, Acari, Estivas, Macaíba, Ceará-Mirim, Jardim de Angicos, Pau dos Ferros, Santa Cruz e Angicos
No Boletim de 8 de janeiro de 1888 consta a seguinte relação de libertadores de escravos, em Angicos: José Rebouças d'Oliveira Câmara, 5; João Florêncio d'Oliveira Câmara, 5; Alexandre Avelino da Costa Martins (meu trisavô), 2; José Avelino Martins Bezerra (tio bisavô), 2; Joaquim Avelino Martins Bezerra (tio bisavô), 1; José Athanazio da Costa Lima, 2; Alexandre Theodório de Mello, 1; Francisco Machado de Azevedo Costa, 1; Francisco Alexandre Pereira Pinto, 1; Alexandre Francisco Pereira Pinto, 1; Francisco Olyntho Bezerra, 2; Luis Pinheiro de Vasconcelos, 1; José Francisco Alves de Sousa (pai do capitão J. Penha), 2.
Do Boletim de 1 de abril de 1888, extraímos trechos de uma reunião abolicionista em Angicos.
Na segunda-feira, 19 do corrente (março de 1888), quando se achavam na Vila, além da população fixa, muitas pessoas gradas, residente nos arredores, e que vinham para solenizar a festa paroquial do seu santo padroeiro, foi convocada uma reunião abolicionista, que devia ter lugar após a cerimônia religiosa.
Logo por ocasião da missa o reverendo vigário dirigiu aos fiéis palavras de evangélica unção, exortando-lhes a piedade em prol dos cativos.
 À uma hora da tarde a casa do tenente João Felippe (da Trindade, meu bisavô, na época Intendente da Vila de Angicos), que graciosamente oferecera as suas salas para nela efetuar-se a reunião, estava cheia a transbordar de senhoras e cavalheiros, e as janelas disputadas por muitos espectadores, ávidos de compartilhar as generosas emoções daquele grande dia.
O Dr. Pedro Velho, tendo indicado para presidência da sessão o Reverendo Vigário (Felis Alves de Sousa), servindo-lhe de Secretários os senhores José Vitaliano (Teixeira de Sousa) e Juvêncio (Tassino Xavier) de Menezes, proferiu um discurso, dando conta dos motivos da reunião, e declarando que a honrada família, em cuja casa se achavam, já não possuía escravos, por ter o seu digno chefe, o tenente João Felippe, concedido liberdade aos 3 últimos que lhe restavam.
A lista geral de manumissões havidas na Vila de Angicos, na reunião abolicionista do dia 19 de março de 1888, constava como libertadores – tenente João Felippe da Trindade, 3; Bernardo Gama da Silva, 1; tenente-coronel Luis Teixeira Rola, 2; José Pedro da Silveira, 2; Vicente Ferreira Barbosa Neto, 1; Francisco das Chagas de Azevedo Souza, 3; tenente Florencio Octaviano da Costa Ferreira, 1; D. Bernarda Alves Martins dos Santos, 2; Bernardo Martins dos Santos, 1; Joaquim e Antonio Martins, 1; tenente José Pedro Xavier da Costa, 1; Francisco das Chagas de Jesus Maria 1; D. Leonídia Francisca Xavier da Câmara, 1; D. Júlia Francisca Bezerra, 1; José Gomes da Silva, 1; D. Francisca J. de Deus Gonçalves 2; Francisco Xavier de Jesus Maria, 2; Joaquim da Costa Alecrim, 1; capitão Manoel Pedro Maria da Costa, 1; e Cosme Teixeira Xavier de Carvalho (tio bisavô), 1.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

D. Águida Torres e o major Bernardo Pinto de Abreu

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
 Águida Torres, conhecida por tia Dona, era filha de Francisco Avelino da Costa Bezerra e D. Josefa Maria da Costa Torres, lá dos Angicos. Quando escrevi meu primeiro livro, Servatis ex More Servandis, a única informação que tive dela era que seu marido foi o pernambucano Bernardo Pinto de Abreu. Deste último não tive, durante muito tempo, nenhuma informação, por mais que procurasse.

Meu avô, Cícero Avelino, irmão de D. Águida, foi batizado em 8 de junho de 1884, em Angicos, tendo como padrinhos o Bacharel José Moreira Brandão Castello Branco, e sua filha, Justina Deodata Moreira Brandão. Resolvi descobrir quem eram esses padrinhos. Recebi das mãos do Professor Marinho uma cópia do livro "Moreira Brandão", escrito por um sobrinho de mesmo nome. Nesse livro, de ótima qualidade, aprendi muito sobre o ilustre deputado provincial, Moreira Brandão.  Além disso, encontrei referências ao Professor Francisco Pinto de Abreu, casado com Dona Maria Suzana Teixeira de Moura, que por isso, foi, durante um curto espaço de tempo, dono do Ferreiro Torto. Tentei, então, descobrir se havia alguma relação de parentesco entre Bernardo e Francisco, mas nada.

Depois de certo tempo, familiares me disseram que Bernardo era dono do Ferreiro Torto, e imaginei que havia certa confusão por parte dos informantes.
Resolvi então localizar os descendentes de Bernardo e Águida, com a ajuda dos meus tios. Tio Laércio Avelino me passou o telefone de tio Francisco Avelino, que mora no Rio, pois o mesmo convivia com Manoel e Fátima Pantoja, filhos do Raimundo Pantoja d'Oliveira, militar do exército, e Maria Pinto de Abreu, esta última filha de Bernardo e Águida.

Do contato com Fátima e Manoel Pantoja, a primeira informação que recebi era que o Professor Francisco Pinto de Abreu era filho de Bernardo Pinto de Abreu e de Cândida Gonçalves de Oliveira (não havia certeza sobre o sobrenome dela). Desse consórcio, além de Francisco Pinto de Abreu, houve mais três filhos, a saber: Emília Pinto de Abreu, João Pinto de Abreu e Manoel Pinto de Abreu.
Segundo Fátima e Manoel, Bernardo casou, depois de enviuvar de D. Cândida, com D. Águida Torres e dela teve os seguintes filhos: Maria Pinto de Abreu, José Pinto de Abreu, Rosália Pinto de Abreu, a única ainda viva, e, hoje, com 104 anos, e Benedito Pinto de Abreu.

Entrei em contato com D. Rosália, que mora em Recife. Como ela estava um pouco doente pediu para eu falar com Irene, filha dela. Segundo Irene, Bernardo Pinto de Abreu era natural de Goiana, Pernambuco, e lá dono de Usina. Ele foi residir em Angicos, por conselho médico, porque sofria de asma. Lá alugou uma casa, vizinha a de Águida, e por ela se apaixonou.

Conversei com Anderson Tavares, que eu andava no encalço da relação entre Bernardo Pinto de Abreu e o Professor Francisco Pinto de Abreu, sobre quem ele postou uma matéria no seu blog. Pouco dias depois, Anderson me enviou umas notas do antigo Jornal da Manhã, do ano de 1913, que ele trouxera do Rio de Janeiro. A primeira nota é um documento que confirma parte das informações recebidas. Estava escrito: Ontem, pela manhã (27 de fevereiro de 1913), faleceu na vila de Angicos, onde há 14 anos fixara residência, o respeitável cidadão major Bernardo Pinto de Abreu, nosso dedicado amigo e correligionário.

O Major Abreu, que gozava de geral estima pelos seus predicados de caráter e de coração, era natural de Pernambuco, tinha 72 anos de idade e casara-se em segundas núpcias, naquela vila, com a Exma. Sra. D. Águida Pinto. Deixou do primeiro consórcio quatro filhos maiores, e do segundo quatro menores.

A todos da família, enlutada, especialmente à Exma. D. Águida Pinto, Dr. Pinto de Abreu, nosso distinto colaborador, e major Manoel Pinto de Abreu, chefe da Estação Telegráfica do Apodi, viúva e filhos do extinto, apresentamos nossas condolências.

A República da época publicou nota semelhante. A segunda nota, enviada por Anderson, era um convite expedido por Francisco Pinto de Abreu e esposa para a missa, na Sé, às 8 horas do dia 5 de março, pela alma do seu estremecido pai e sogro Bernardo Pinto de Abreu.

Outra informação, extraída do livro "Moreira Brandão", que encontrei recentemente, confirma as conversas com os netos de Bernardo Pinto de Abreu. João Pinto de Abreu, filho do major Bernardo, casou com Anna da Fonseca Moura, irmã de Áurea da Fonseca Moura, que foi casada com Francisco Xavier Pereira de Brito, pais do Ministro da Saúde, no governo de Castelo Banco, Raymundo de Moura Brito.

Sobre o Professor Francisco Pinto de Abreu, que foi, também, diretor do Atheneu, recebi a informação de Irene que ele casou uma terceira vez com uma pernambucana de nome Anunciada e teve desse último consórcio dois filhos, Marcelo e Maria da Apresentação.
Francisco Pinto de Abreu criou seus irmãos menores, filhos de Bernardo e Águida. Dona Águida, depois que enviuvou, teve uma filha de nome Rita, cujo pai não descobri ainda o nome.

Observação - Por fim, encontrei o casamento de minha tia-avó com Bernardo Pinto de Abreu, donde extraio o seguinte -



Águida Avelino Torres, de 22 anos, filha de Francisco Avelino da Costa Bezerra, falecido, e Josefa Avelino Torres, tinha se casado, em 1 de julho de 1902, na Vila de São José dos Angicos, em casa de Francisco das Chagas de Azevedo Sousa, com o capitão Bernardo Pinto de Abreu, de 59 anos, viúvo, natural de Goiana, Pernambuco, filho de José Pinto de Abreu e Francisca Sales Ribeiro, falecidos, sendo testemunhas Vicente Ferreira Xavier da  Cruz, 32 anos, e Cosme Teixeira Xavier da Carvalho Filho, de 38 anos.
Testemunhas do casamento de Águida e Bernardo

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Notícias de São Romão


Notícias de São Romão
As pesquisas em jornais antigos trazem novas informações sobre nossos antepassados. O site da Biblioteca Nacional está de parabéns ao colocar a disposição do público, na internet, digitalizações de jornais já extintos.
Vejamos duas notícias tiradas do Diário de Natal, do ano de 1909.

Vende-se. No município de Angicos, um sítio excelente de plantar, e criar, com casas, currais, cercados, contendo aguadas permanentes, e muito trato para gados.
Vende-se, no mesmo município gados vacum e cavalar e quem pretender, pode dirigir-se, ao Sr. Miguel Trindade, em São Romão, que fica autorizado a fazer todo negócio.
Natal, 1 de Março de 909. José Anselmo

A esposa de Miguel Trindade, Dona Maria Josefina Martins Ferreira, era prima legítima de José Anselmo. Francisca de Paula Martins Ferreira, mãe de Maria Josefina, era irmã de Maria Ignácia Teixeira do Carmo, mãe de José Anselmo, sendo ambas filha de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Maria Ignácia Rosalinda Brasileira. Encontramos vários registros da Igreja da família de Vicente, em São Romão. Outro detalhe é que meu pai, Miguel Trindade Filho, era afilhado de José Anselmo.

Outro documento é um protesto, na coluna livre do Diário de Natal.
Venho do alto da Imprensa protestar, como protesto, contra o ato arbitrário do Sr. Miguel Baracho de, sem consentimento meu, invadir a minha propriedade, apossar-se de terrenos meus que se achavam cercados há nove anos, sem contestação de quem quer que fosse, demolindo as respectivas cercas, sem respeito ao meu direito, garantido por uma posse ininterrupta de muitos anos e por títulos legítimos, como em tempo os farei. Angicos, 20 de outubro de 1909. Miguel Trindade.

A operação descrédito



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Nós todos, como cidadãos desta cidade do Natal, não podemos deixar de acompanhar, por mais desagradáveis que sejam, as discussões sobre o julgamento das contas municipais do ano de 2008. A operação descrédito orquestrada por sentimentos pessoais não pode prevalecer sobre a lógica, o entendimento, e o conhecimento. Por isso tudo, vamos colocar aqui algumas questões para reflexão dos vereadores da Câmara Municipal de Natal, os fiscais do povo, os legisladores.
Vereadores, por que o parecer do TCE não foi devolvido, para esclarecimento, se ele está incorreto?
Vereador Maurício Gurgel, por que você achou coerente nomear para relator das contas o vereador Enildo se ele é um desafeto do gestor anterior e, portanto, não tem isenção para dar parecer?
Vereador Catarino, por que Enildo não formalizou a denúncia explicitando, um a um, todos os atos considerados irregulares? É possível se responder sobre tantos atos gerados cada um de diferentes processos?
Em 2009, a Administração Municipal se vangloriava de ter despachado mais de 650 processos, o que mereceu de ilustre escriba da nossa terra o seguinte comentário: cada detalhe retrata o passado falsamente moderno e enganador: o Secretário Roberto Lima encontrou e já despachou 650 processos engavetados na pasta da Administração. Era a masmorra dos servidores humildes.
Imaginem o que não se diria da Administração Municipal se aqueles mais de “3.000” atos não tivessem sido providenciados.
Vereador Bispo Francisco, por que a administração que assumiu em 2009 não tornou sem efeito os mais de “3000 atos” da administração anterior, do ano de 2008, se eles eram ilegais e aumentaram a folha? Se a administração que começava estava combalida financeiramente, por que despachou mais de 650 processos?
Vereador Aquino Neto, por que a Câmara Municipal de Natal, em pleno ano eleitoral, aprovou em 2008, mais de 7 leis complementares que beneficiavam os servidores? Por que os fiscais da lei não agiram contra a aprovação dessas leis? Como eles, vereadores, se comportaram diante da TV Câmara, naquela época?
Vereador George Câmara, se as leis complementares aprovadas pela Câmara, em 2008, tinham efeito imediato, e orçamento previsto, por que não se deviam aplicar as alterações previstas naquelas legislações?
Senhores vereadores, por que foi criada a Gratificação Específica de Difícil Execução (GEDE) e o que é a Gratificação Específica de Médico Especialista (GEMESP)? Sabiam que as gratificações de insalubridades são precedidas de laudo pericial?
Vereador Assis de Oliveira, por que os fiscais da lei não agiram imediatamente contra os atos da gestão anterior se tinham disponíveis na Internet, a partir das 22 horas, as edições do Diário Oficial do Município? Houve distração?
Vereador Enildo Alves, por que você insiste em classificar, do ponto de vista da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei Eleitoral, o contrato da administração das Contas da Prefeitura ao Banco do Brasil como operação de crédito, se essa ação administrativa não gerava compromissos financeiros para a Prefeitura, mas ao contrário gerava receitas para o equilíbrio das finanças? As operações de crédito de que tratam as leis citadas, senhor vereador, são aquelas que geram endividamento para o ente que a contrata.
Vereador Edivan Martins, por que a Câmara Municipal aprovou aumento dos subsídios, no início de 2009, para o prefeito, o vice-prefeito e os secretários municipais, comprometendo as finanças da administração que assumia?
Vereador Ney Lopes Junior, por que a Câmara Municipal não se manifesta, de imediato, sobre a retenção de recursos obrigatórios para Educação efetuada pela atual administração?
Vereador Raniere, os repasses da Previdência estão sendo feito regularmente? A hora de verificar é agora, pois o não repasse é apropriação indébita. Além disso, tem que corrigi-los quando enviados fora de época.
Vereador Dickson, você sabia que os enquadramentos, que foram publicados no DOM, seguiam, entre outras coisas, recomendação conjunta da 44ª Promotoria de Justiça da Comarca Natal?
Vereadora Júlia Arruda, as mudanças de níveis dos servidores, que atingiram os requisitos, só deveriam ser dadas depois de 2008?
Vereadora Sargento Regina, se o servidor preencheu os requisitos para incorporar quintos, por que adiar a concessão para 2009?
Vereadores Júlio Protásio e Alberto Dickson, por que as concessões de aumento de carga horária para as áreas de saúde e de educação tinham que esperar a virada do ano se as necessidades eram para 2008? Elas estavam previstas no orçamento de 2008?
Professor Luis Carlos e Franklin, vocês já observaram que as nomeações de concursados são feitas em vagas existentes? Sabiam que os concursos foram homologados em tempo hábil?
Pergunto aos vereadores Lucena e Adenúbio, se a Câmara, como fiscal do povo, já solicitou da Administração Municipal as providências enumeradas pela LRF, para corrigir as despesas de pessoal que ultrapassaram o limite prudencial?
Os atos que constam no Diário Oficial do Município contêm, em sua ementa, a legislação pertinente, e os processos ou ofícios que lhe deram origem. Pelo volume de processos que passavam pela Secretaria de Administração é possível que vários deles tenham erros. Seria preciso examinar um por um para descobrir tais equívocos.
Senhores legisladores, não precisa entender de contas, mas dos atos em si.
O artigo genealógico que preparei sobre Bernardo Pinto de Abreu fica para a próxima semana.






terça-feira, 15 de maio de 2012

Anna Ferreira de Miranda, ascendência em questão



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
No último artigo, neste jornal, traçamos, a partir de informações do testamento de Anna Ferreira de Miranda, a sua ascendência. Pelo referido documento, sabíamos o nome do pai, Manoel Francisco, e o sobrenome da mãe, Paiva da Rocha. Como escrevemos antes, procuramos registros que tinham o nome do pai dela e o sobrenome da mãe. Encontramos, então, Manoel Francisco Rebouças e sua mulher Bibiana de Paiva da Rocha como os mais prováveis pais de Anna. Outras informações nos registros nos levavam a convicção que eram esses os pais dela. Entretanto, um detalhe põe em dúvida tal possibilidade: a idade com que faleceu Anna Ferreira de Miranda. Segundo o registro de óbito, ela tinha cinquenta e seis anos de idade, em 1786. Por isso, o provável ano do seu nascimento seria 1730.
Mas conforme registramos no antigo anterior, Antonio de Paiva da Rocha e Úrsula Ribeiro de Macedo, pais de Bibiana e avós maternos de Anna, contraíram núpcias em 11 de Fevereiro de 1733. Assim Anna teria nascido três anos antes do casamento de seus avós. Como eu já tinha visto muitos erros nos registros de óbitos, tais como os de Antonia da Silva, esposa do capitão Manoel Raposo da Câmara e de Custódia do Sacramento, esposa do sargento-mor Antonio Rodrigues Santiago, imaginei  que fosse mais um equivoco.
Um colega genealogista observou, também,  tal incompatibilidade e aventou a possibilidade de Bibiana ter nascido em 1734, casado em 1749, com a idade de 15 anos, ter sido mãe de Anna em 1750. Com isso Anna Ferreira teria falecido com 36 anos e não 56. Aí tudo se resolveria.
Mas segundo o colega genealogista (ele não permite a sua nomeação), através da Nobiliarquia Pernambucana, Antonio de Paiva da Rocha que foi capitão-mor nesta Capitania, casado com Anna Ferreira (Colaço), tinha um filho de nome Antonio de Paiva da Rocha que casou aqui (com Úrsula Ribeiro). Tinha também uma filha de nome Ângela de Paiva da Rocha que casou com um certo Manoel Francisco. O colega aventa então a seguinte hipótese: Manoel Francisco casou primeiro com Ângela, e daí nasceu Anna Ferreira de Miranda, no tempo certo. Depois, enviuvando, casou com Bibiana, sobrinha da primeira mulher. Isto é, Anna Ferreira de Miranda, não seria neta de Antonio de Paiva e Úrsula, mas de Antonio de Paiva e Anna Ferreira. Continuaríamos no terreno das hipóteses.
Por conta de alguns registros de netos de João Gomes e Anna Ferreira, vimos que eles estiveram em Assu, por um certo tempo, pois alguns filhos nasceram lá, como Alexandre Ferreira, Ana Gomes Carneiro, Antonia e João Gomes.
Tentei mais uma vez examinar o testamento de Anna Ferreira de Miranda, depois de uma foto mais aproximada da parte que fala nos pais dela. Realmente, não se consegue ler o nome da mãe, mas não pode ser Ângela, pois não há nenhuma perna de g para baixo. Quanto ao pai, o sobrenome não parece ser Rebouças, mas algo parecido com Amaro.
Resolvi investigar, então a vida dos seus testamenteiros, em busca de algum detalhe que esclarecesse nossas dúvidas. Eram eles José Rodrigues da Rocha, compadre de Anna, Antonio Rodrigues Santiago, e o sargento-mor Prudente de Sá Bezerra. Todos esses senhores tem vários homônimos parentes, o que torna difícil saber quem era quem. Mas, vejamos os que seriam próximos de Anna Ferreira de Miranda, para situar o tempo em que ela viveu.
Antonio Rodrigues Santiago e sua mulher Ignácia Francisca de Mello casaram em 1773, e foram os pais de Maria Thereza de Mello, que casou com João Gomes Carneiro, filho de João Gomes Carneiro e Anna Ferreira de Miranda, em 4 de novembro de 1800. Foram os pais, também, de Antonia Francisca de Mello, que casou com Alexandre Ferreira, outro filho de João e Anna.
Prudente de Sá Bezerra era irmão de Manoel de Abreu Soares, genro de João Gomes e Anna Ferreira. Manoel casou em 20 de setembro de mil setecentos e oitenta com Anna Maria da Rocha (ou Anna Maria Gomes). A irmã de Anna, Antonia Gomes Carneiro casou com o filho de Manoel de Abreu, Bento Luis, nessa mesma data.
José Rodrigues da Rocha, um dos vários que encontrei, era filho de Antonio de Piava da Rocha e Úrsula Ribeiro, e casou com Izabel Theresa, filha de Prudente de Sá Bezerra e Maria Theresa de Mello.
Examinando mais os registros dessas pessoas, não conseguimos identificar qualquer informação que nos ajudasse a solucionar, por completo, os nomes dos pais de Anna Ferreira de Miranda.
Outro detalhe no testamento, é que Anna Ferreira de Miranda declara que não recebeu dote dos pais. Disse mais, que a dívida deixada pelo marido, João Gomes Carneiro, foi toda paga por ela, pois os filhos não contribuíram com as suas partes.
Assim, vamos aguardar outras informações para descobrir os nomes completos dos pais de Anna Ferreira de Miranda.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Os ascendentes de Anna Ferreira de Miranda


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Os testamentos trazem, muitas vezes, informações que não encontramos nos registros da Igreja. Por isso, são importantes como documentos auxiliares da Genealogia. Muitos deles já se acham com partes comprometidas, mas é possível se extrair algumas preciosidades ou curiosidades. Isso, no futuro, poderá ajudar outros pesquisadores. Vejamos o caso do testamento de Dona Anna Ferreira de Miranda, viúva do Lisboeta, João Gomes Carneiro, cuja descendência se espalha por vários lugares deste Rio Grande do Norte e se entrelaça com várias das nossas famílias, entre elas  Abreu Soares, Araújo Pereira, Rocha Pita, Xavier da Cruz, Rodrigues Santiago,  Gomes Carneiro e tantas outras.
No seu testamento feito em 24 de Maio de 1786, já acamada de tísica, declarou que era natural da Freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres de Goianinha, onde foi batizada. O documento está muito estragado, mas por ele se vê que seu pai se chamava Manoel Francisco, e sua mãe tinha o sobre nome Paiva da Rocha. O sobrenome do pai está ilegível, e nem era Ferreira, nem Miranda.O nome da mãe não é mais possível ler.
Fomos procurar, nos nossos bancos de imagens, todas as pessoas com nome Manoel Francisco e todas as que tinham como sobrenome Paiva da Rocha. Com a ajuda da informática, isso é mais fácil hoje em dia.
As coincidências podem nos pregar uma peça, mas teríamos que buscar um bom número de informações. Um primeiro registro que encontramos nos dá as primeiras pistas.
Eram muitas as pessoas com o nome de Manoel Francisco. Uma das imagens trazia na sua nomeação, Manoel Francisco Barbosa. Abrimos o documento e lá tinha o batismo de Josefa, outro registro, também, difícil de ler, pois a tinta que usaram atravessava o lado do papel, misturando os registros da frente e os do verso. Mas, dava para ver que os avós paternos de Josefa eram Manoel Francisco Rebouças e Bibiana de Paiva da Rocha. Quando registrei aquela imagem, anteriormente, escrevi Barbosa no lugar de Rebouças. Assim, fui com mais precisão em busca dos Rebouças. São muitos, também, mas a pesquisa ia se refinando. Encontramos o casamento de um irmão de Dona Anna Ferreira de Miranda que transcrevemos para cá. É um registro simples, sem as naturalidades das pessoas.
Aos dezoito de agosto de mil setecentos e oitenta e nove às onze horas do dia, na Capela de Santa Ana do Ferreiro Torto, assistiu ao matrimônio que entre si contraíram juxta tridentinum os nubentes supra (deveria ser infra) José Rebouças de Paiva, filho legítimo de Manoel Francisco Rebouças, já defunto, e de Bibiana de Paiva da Rocha, com Anna Rosa de Jesus, filha de Thomé de Sousa de Jesus, e de Josefa Maria Filgueira, o Padre Manoel Antonio de Oliveira, de licença minha, e presente as testemunhas Manoel Antonio da Cunha Calheiros e (Fulano) Gomes de Castro, moradores na Freguesia de São José que assinaram o assento que veio; e logo lhes deu as Santas Bênçãos na forma do Ritual Romano, de que mandei fazer o presente assento em que, por verdade, me assino. Pantaleão da Costa de Araújo.
Precisaríamos de mais registros para, por aproximações sucessivas, como usamos na matemática, confirmar os pais de Dona Anna Ferreira de Miranda. Encontramos o batismo de José, que casou acima. Nele vamos encontrar os pais de Manoel Francisco e os de Bibiana.
José, filho legítimo de Manoel Francisco Rebouças, natural desta Freguesia, e de Bibiana de Paiva, natural da Freguesia de Nossa Senhora do O' de Papary, neto por parte paterna de José Rebouças e Ângela das Neves, naturais desta Freguesia, e pela materna de Antonio de Paiva da Rocha, e de Úrsula Ribeiro, natural de Papary, Freguesia de Nossa Senhora do O', nasceu aos três de outubro do ano de mil setecentos e sessenta, e oito, e foi batizado com os santos óleos, na Capela de São Gonçalo do Potigi, de licença minha, pelo padre Miguel Pinheiro Teixeira, aos vinte e sete de novembro do dito ano, foram seus padrinhos José Rodrigues da Rocha, solteiro, e Bernarda de Araújo, mulher do sargento-mor Rodrigo Álvares. De que por impedimento meu mandei lançar este assento, em que por verdade me assino, Pantaleão da Costa de Araújo.
Manoel Francisco era irmão de Salvador Rebouças de Oliveira, pelo que vimos dos batismos dos filhos deste último. Nos ditos documentos de batismos consta que os pais deles eram o Capitão José Rebouças de Oliveira, natural de Igarassú, e Ângela das Neves, natural da Freguesia de São Pedro de Olinda, portanto, avós paternos de Anna Ferreira de Miranda.
Os avós maternos de Anna, Antonio de Paiva da Rocha e Úrsula Ribeiro de Macedo, casaram em 11 de fevereiro de 1733, na Capela de Nossa Senhora do O'. Ele filho de Antonio de Paiva da Rocha e Anna Ferreira (Velosa?); ela filha de Amaro Dias Moreira e Martha Francisca de Macedo.
Anna Ferreira de Miranda, que morreu no dia 27 de maio de 1786, poucos dias depois de fazer seu testamento, disse que tinha sete filhos do seu casamento com João Gomes Carneiro. Cita apenas Maria Gomes, João Gomes Carneiro, que foi casado com Maria Theresa de Mello, filha de Antonio Rodrigues Santiago e Ignácia Francisca de Mello, e Francisco, que morreu pouco antes dela, em 17 de maio de 1786.  Outros filhos de Anna e João Gomes, citados em outro artigo, eram Anna Maria Carneiro que foi casada com Manoel de Abreu Soares; Antonia Gomes Carneiro, que foi casada com o filho deste último, Bento Luis Gomes de Mello; Alexandre Ferreira que foi casado com Antonia Francisca de Mello, irmã de Maria Theresa de Mello, acima; e Joanna Gomes Carneiro, da qual não obtive maiores informações.
Dia 10 de maio, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, às 19:30, promovido pelo INRG, tem palestra de Anderson Tavares sobre velhos troncos de Macaíba.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A filha de João Machado de Miranda e Rogério de Olanda



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
As informações genealógicas, muitas vezes, se escondem e reaparecem em outros momentos. A partir de um batismo, encontrei mais uma tia-pentavó, irmã do meu pentavô Antonio Dias Machado, lá de Utinga. Vamos conhecê-la através do batismo encontrado, já com algumas correções. Alguns Holandas do Rio Grande do Norte descendem dela.
Joachim, filho legítimo de Rogério de Olanda, natural da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Várzea, e de sua mulher Anna Maria (da Conceição), natural, e moradores ambos desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, neto por parte paterna de Mascal  Pires e Branca da Costa, naturais da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Várzea, e por parte materna de João Machado (de Miranda), e de sua mulher Leonor Duarte (de Azevedo), naturais desta Freguesia; foi batizado com os Santos Óleos aos quatro de abril de mil setecentos e sessenta e dois anos, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, desta dita Freguesia, pelo Reverendo Padre Lourenço Gracy de Mello, de licença minha; foram padrinhos Manoel Rodrigues Santiago, solteiro, e Dona Custódia do Sacramento, viúva, fregueses e moradores todos desta Freguesia; e pela certidão que veio do dito Reverendo Padre, fiz este assento em que por verdade, me assinei. João Freyre de Amorim.
A Capela de Nossa Senhora do Rosário da Várzea data de 1612. Hoje ela é Matriz com a mesma invocação, em Várzea, bairro de Recife. Na Igreja Matriz há uma placa que informa que foi sepultado, em 1648, o bravo Dom Antonio Filipe Camarão, governador dos Índios, que com seus arcos e flechas, defendeu a fé e a pátria contra o batavo inimigo. Escavações recentes, na sacristia, demonstram que os mortos das duas batalhas de Guararapes foram enterrados lá, nessa Igreja. Esse sobrenome Olanda, talvez venha dessa época.
Joachim, que se tornou Joaquim de Olanda Machado, casou aos dezoito de dezembro de 1803, na Capela da Senhora Santa Anna, do Engenho Ferreiro Torto, onde eram moradores, com Maria José da Conceição, natural da Paraíba, filha de André Dias Sargado e Francisca Antonia. Foram testemunhas o tenente-coronel Manoel Álvares Correa, viúvo, e João de Araújo Correa, casado.
A irmã de Joaquim de Olanda Machado, de nome Antonia Maria de Olanda, casou no dia treze de janeiro de 1774, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, com Manoel Pereira de Jesus, filho de Lino das Chagas Ferreira e de Agostinha Moreira, naturais da Freguesia de São José, da Capitania do Rio Grande. Estavam presentes como testemunhas o capitão Francisco da Costa de Vasconcellos e o sargento-mor Lourenço de Góis de Vasconcellos, solteiros. Nessa época o pai de Antonio, Rogério de Olanda, já era falecido, pois seu óbito ocorreu aos vinte e cinco de outubro de 1763, pouco tempo depois do nascimento de Joaquim. Era morador do Sítio Várzea.
Outra filha de Rogério e Anna Maria, de nome Fidélis Maria de Santa Anna, casou em 17 de junho de 1767, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, com Pedro Coitinho de Mattos, filho de Jorge de Mattos Camelo e de Dona Maria do Prado, sendo natural da Freguesia de Taipú, da Paraíba, tendo como testemunhas Joaquim de Morais Navarro e Manoel Álvares Correa.
Vejamos alguns netos de Rogério de Olanda e Anna Maria da Conceição, que encontramos até agora.
Manoel, filho de Pedro Coitinho e Fidélis, nasceu em 7 de maio de 1768, tendo sido batizado, por necessidade, no mesmo dia por João de Araújo, tendo em dois de junho recebido os santos óleos, na Capela de Jundiaí. Seu casamento, já com o nome de Manoel Coitinho de Mattos, foi aos 19 de maio de 1801, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, com Anna Maria, filha natural de Ignácia Maria, escrava de Salvador Maria da Trindade, sendo presentes, como testemunhas, o alferes Antonio José Luiz e Alexandre da Circuncisão, ambos casados.
Pedro, filho de Pedro Coitinho e de Fidélis, nasceu aos 30 de janeiro de 1776, tendo sido batizado aos dois de abril, do mesmo ano, tendo como padrinhos Antonio Rodrigues Santiago, solteiro, e Córdula Rodrigues, filha de Victoriano Rodrigues.
Adrianna, filho de Pedro Coitinho e de Fidélis, nasceu ao 4 de fevereiro de 1773, foi batizada na Capela de Jundiaí aos 29 de junho do dito ano, sendo seus padrinhos Bento do Rego Bezerra, e Bernarda Correa de Araújo, mulher do sargento-maior Rodrigo Álvares Correa.
Bernarda Correa, Antonio Rodrigues Santiago, Salvador Maria da Trindade, Manoel Álvares Correa, João de Araújo Correa, Manoel Rodrigues Santiago, que aparecem acima, são descendentes de Estevão Machado de Miranda e Antonio Vilela Cid, mártires de Uruassú. Dona Custódia do Sacramento era casada com o sargento-mor Antonio Rodrigues Santiago, outro descendente dos mártires. Córdula (ou Córdova) Rodrigues era bisneta de João Machado de Miranda. Há uma forte ligação dos meus hexavós, João Machado de Miranda e Leonor Duarte de Azevedo, com a família dos mártires. Não encontrei, ainda, o elo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Casamento de Dona Adelaide Emília de Miranda Henriques

Aos dezessete de julho de mil oitocentos e trinta e três, em casas de residência do Excelentíssimo Presidente Manoel Lobo de Miranda Henriques, dispensado os proclamas por despacho dos Reverendíssimos Governadores do Bispado, precedendo uma justificação de solteiro, dado por ambos os nubentes, por despacho do Reverendo Vigário Geral; pelas sete horas da tarde em minha presença, se receberam por palavras de presente o Doutor Antonio de Cerqueira Carvalho da Cunha Pinto Junior, e Dona Adelaide Emília de Miranda Henriques, naturais da Cidade da Bahia, e moradores nesta do Natal: o nubente filho de Antonio Cerqueira Carvalho da Cunha Pinto, e de Dona Maria Marcelina Marques de Carvalho, já falecida, e a nubente, filha legitima de Manoel Lobo de Miranda Henriques e de Dona Anna Norberta de Miranda Henriques; e receberam as Bençãos segundo os ritos da Santa Igreja, sendo testemunhas o mesmo Presidente Manoel Lobo, e José Fernandes Carrilho, casados, e moradores nesta cidade: do que fiz este termo que assinei. Antonio Xavier  Garcia de Almeira, Vigário Interino

terça-feira, 17 de abril de 2012

2008. Eu estava lá

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Sem sair da Genealogia e impaciente com as discussões sobre as contas municipais de 2008, resolvi me manifestar. O vereador Enildo Alves acusa seu parente Carlos Eduardo, ambos trinetos de José Alves Martins (meu tio bisavô), de milhares de ilegalidades em 2008, citando, entre elas, as gratificações concedidas nesse dito ano. Eu era Secretário de Administração da Cidade do Natal nessa data, e, por isso, cabe, da minha parte, alguns esclarecimentos, pois era o responsável pela elaboração das portarias.
A Lei de Responsabilidade Fiscal e a legislação relativa ao ano eleitoral de 2008 não vieram para estancar a administração, mas sim para regrar o comportamento dos dirigentes com relação ao último ano do mandato e à própria eleição.  Um exemplo disso são os concursos públicos. Se eles forem homologados antes de uma data limite, do próprio ano eleitoral, fica permitida a contratação durante o referido ano sem problemas. Outro exemplo são as incorporações concedidas às Secretárias Municipais Ana Míriam (descendente direta do meu trisavô, Vicente Ferreira Xavier da Cruz) e Elequicina Santos, servidoras de carreira da Prefeitura. As incorporações estão previstas na legislação municipal, inclusive na Lei Orgânica Municipal. Eram direito delas.
Mais ainda, não se deixa de conceder gratificações, previstas em lei, aos servidores, durante o ano eleitoral. As gratificações de servidores municipais, por conta da burocracia de Secretarias Municipais, grandes como a de Saúde e de Educação, têm tramitação lenta.
Muitas dessas gratificações do ano de 2008 eram de servidores da Saúde que deveriam ter tido suas gratificações concedidas há mais tempo, como, por exemplo, insalubridade e produtividade. Muitas delas só chegaram a Secretaria de Administração no segundo semestre. Nós fizemos um esforço muito grande para examiná-las a fim de que fossem concedidas o mais rápido possível, pois eram direitos líquido e certo dos mesmos servidores. Poderíamos ter concedido muito mais, mas não houve tempo hábil para examiná-las.
Outra questão que se levanta com muita frequência é com relação às contas da Prefeitura. Durante anos anteriores, a administração pública brasileira pagava para que os bancos mantivessem suas contas. Depois se procurou bancos que cobrassem menos para manter tais contas. Isso evoluiu, posteriormente, para alguns benefícios materiais para os governos municipais ou estaduais. Com a disputa acirrada entre os bancos públicos, caminhou-se para as consultas, onde se escolhia os bancos que dessem alguma contrapartida financeira.
A Prefeitura, antes dessa polêmica toda, teve um contrato com a Caixa Econômica Federal para ficar com suas contas, sem contestação de ninguém. Aí em 2008, chegou o Banco do Brasil oferecendo mais vantagens. Em princípio, o Prefeito não se interessou, pois a Caixa era o Banco através do qual vinha o dinheiro de vários projetos do Governo Federal. Mas, com as vantagens do Banco do Brasil, o Prefeito resolveu estimular as disputas entre esses dois bancos públicos. Por fim a melhor vantagem foi do Banco do Brasil. A Prefeitura, não podia se dar ao luxo de rejeitar, pois tinha dificuldades de receitas e muitas obrigações para honrar, principalmente, porque a contrapartida financeira era dento do exercício fiscal. Uma das cláusulas que me opus, nessas negociações, era a obrigação dos servidores fazerem seus empréstimos consignados apenas com o Banco do Brasil. Esse contrato não foi anulado pela administração que se seguiu. Muitas instituições públicas continuam vendendo suas contas para bancos, neste país. Não precisam da autorização da Câmara.
Com relação à Previdência, alertei o Prefeito sobre a impossibilidade de mexer nas suas contas, mas, infelizmente, o Prefeito entendia que podia fazer esse "empréstimo" para sanar dificuldades em setores essenciais para o funcionamento da Prefeitura. A Prefeitura devolveu o dinheiro que sacou, com juros e correções, segundo as taxas que ele deveria receber se estivesse aplicado, dentro do mesmo ano.
Com relação ao Parque da Cidade, ele não foi inaugurado várias vezes como dizem, mas sim, teve inaugurações de setores específicos daquela localidade. Uma obra como aquela não se faz de uma vez só. É como nossa Fortaleza dos Reis Magos, foram anos e mais anos para chegar ao estágio que está hoje.
Várias partes do Parque poderiam permanecer servindo a população, e tão somente aquelas contestadas pelos órgãos de fiscalização é que deveriam ser interditadas. Enildo, por que não devolveram o Parque ao povo até agora?
Outro ponto que chamo a atenção é que o prédio onde funcionava a Secretaria de Administração, Controladoria e Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente, comprado ao Banco do Brasil, passou por uma reforma, com dinheiro financiado, e hoje está abandonado. Por que senhores vereadores?
Enildo é um bom médico, mas politicamente não se comporta de forma política ou técnica, mas puramente pessoal. Está se tornando um tatafóbico.
Discordo da forma como Carlos Eduardo tem respondido a essa polêmica, mas concordo com Metello quando disse que: a paciência quando muitas vezes ofendidas se solta em desatino e loucura.
Cito, também, o capitão J. da Penha que escreveu no seu livro, O espiritismo e os sábios: "A verdade é, para mim, a única razão de ser de nossos ideais. Não sou dos inclementes na punição de nossas fraquezas, mas considero uma das mais puníveis, deixar deliberadamente que a mentira se combine com a tinta para a ocupação caligráfica do papel.
Transmitir a nossos semelhantes ideias deturpadas pela hipocrisia, antolha-se-me uma das mais requintadas vilezas da consciência.
Rebuçar com o vigor do colorido, a intensidade da imagem, a ductilidade da forma de um paramentoso estilo, a sinceridade a nos escapar da pena, é exercitar-se num dos mais repugnantes jogos da inteligência".
O TCE procedeu de forma correta. Os representantes do povo, pela obrigação que tem de conhecer a legislação, devem proceder da mesma forma.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Isabel Gondim, Nísia Floresta e Miguelinho


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Muitos dos nossos ancestrais chegaram ao Rio Grande do Norte há mais de 300 anos. Outros estão aqui desde o início do século XVI.
Quando a viúva Maria da Conceição de Barros fez seu testamento, em 24 de dezembro de 1766, disse que era natural da nova Freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres da Vila de Extremoz, onde foi batizada, sendo filha de Manoel Rodrigues Coelho, e de sua mulher Izabel de Barros, ambos defuntos. Disse mais que foi casada com Francisco Pinheiro Teixeira, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação.
Examinando os documentos mais antigos de batismos da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, encontramos que Maria da Conceição Barros foi batizada em 8 de dezembro de 1694, na Igreja de São Miguel da Aldeia de Guajiru (Extremoz), pelo Padre João de Mattos, da Companhia de Jesus,  tendo como padrinhos o sargento-mor Manoel de Abreu e Maria das Neves. Outros filhos do capitão Manoel Rodrigues Coelho e de sua mulher Izabel de Barros, que aparecem nesses registros são: Ana, batizada em 21 de outubro de 1691; Francisco, em 12 de agosto de 1697; e Manoel,em 23 de abril de 1705. Em alguns outros documentos aparece como madrinha uma filha do casal de nome Paula.
Outra informação contida nos documentos, citados acima, dá conta que em 1710, Dona Maria da Conceição de Barros já era casada com Francisco Pinheiro Teixeira, e batizaram o filho Leonardo em 1711. Francisco Pinheiro Teixeira chegou ao nosso Rio Grande junto com os irmãos Padre Manoel Pinheiro Teixeira e José Pinheiro Teixeira, sendo eles originários de Arrifana de Sousa, Portugal. José Pinheiro Teixeira casou com Maria da Conceição de Oliveira filha do Provedor da Fazenda Real, Manoel Gonçalves Branco, e de Dona Catarina de Oliveira.
No seu testamento Dona Maria da Conceição diz que não houve descendência dos seus filhos Padre José Rodrigues Pinheiro e de Gonçalo Pinheiro. Inclui como herdeiros um filho do seu filho Manoel Pinheiro, já falecido, e os filhos de Leonardo Pinheiro, também falecido. Entre os filhos vivos, cita a viúva Francisca Antonia Teixeira (que foi casada com o lisboeta Manoel das Neves de Oliveira); Tecla Rodrigues, mulher de Francisco de Sousa e Oliveira; Bernardo Pinheiro; Anna Maria da Conceição, casada com o sargento-mor Manoel Antonio Pimentel de Mello; o padre Miguel Pinheiro Teixeira; Antonia Maria da Conceição, casada com o tenente-coronel Felipe Barbosa Tinoco; Francisco Pinheiro Teixeira; e Ignácio Pinheiro.
Alguns dados genealógicos a seguir foram extraídos dos livros de Arisnete Câmara sobre Isabel Gondim, de Adauto Câmara sobre Nísia Floresta, de Câmara Cascudo e Hélio Galvão, com algumas correções.Vejamos agora relação do casal Francisco Pinheiro Teixeira e Dona Maria da Conceição com Nísia Floresta e Frei Miguelinho.
Frei Miguelinho (Miguel Joaquim de Almeida Castro) era filho de Manoel Pinto de Castro, natural do Bispado de Penafiel (um dos testamenteiros de Dona Maria da Conceição) e de Francisca Antonia Teixeira, neto pela parte materna de Francisco Pinheiro Teixeira e Dona Bonifácia Antonia de Mello. Portanto, Miguelinho era bisneto de Francisco Pinheiro Teixeira e Dona Maria da Conceição de Barros.
Nísia Floresta (Dionísia Gonçalves Pinto), por sua vez, era filha de Dionísio Gonçalves Pinto e Antonia Clara, neta materna de Bento Freire de Revoredo e Mônica da Rocha Bezerra. Mônica era filha de Mônica Borges da Rocha Bezerra e de Leonardo Pinheiro (Coelho). Portanto, Nísia era trineta de Francisco Pinheiro Teixeira e Dona Maria da Conceição de Barros. Essa Mônica Borges era filha de Julião Borges e Mônica da Rocha Bezerra. Há registro sobre Julião e Mônica, como padrinhos, em 1705.
Dona Bonifácia Antonia de Melo e Manoel Antonio Pimentel de Mello, citados acima, eram irmãos, filhos de Estevão Velho de Mello e Joanna Ferreira de Mello. Uma filha de Manoel Antonio e Anna Maria, com o mesmo nome da mãe, Anna Maria da Conceição, casou com João Damasceno Xavier Carneiro, que quando enviuvou se tornou padre. No registro de casamento de João Damasceno, ele é dado como filho natural do Provedor da Fazenda Real, Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim. Não aparece o nome da mãe no registro de casamento, mas surge no batismo de seu filho, Joaquim (foi padre, também), de 19 de janeiro de 1785. Ela era Ignez Ritta de Mello Monteiro. Aliás, no artigo que fizemos sobre a intriga do Provedor Antonio Carneiro com o Padre Feliciano Dornelas, noticiamos que Dona Maria da Apresentação, domiciliária no Sertão de Panema, esposa do Provedor acima, em 1783 tinha encaminhado para D. Maria I, solicitação de provisão contra seu marido para libelo de divórcio. Não sei se houve regularização da relação de Antonio Carneiro com Dona Ignez, pois eles foram pais, também, de Ignácia Ignez  Gondim que foi casada com José Ignácio  Marinho Gomes. Do último casal nasceu Clara Monteiro de Mello, que foi casada com José Ignácio Borges que geraram Isabel Deolinda de Mello Albuquerque Gondim que casou com Urbano Egydio da Silva Costa, pais da Professora Isabel Urbana de Albuquerque Gondim.
As professoras e escritoras Isabel Gondim e Nísia Floresta nasceram em Papari (hoje Município de Nísia Floresta). Frei Miguelinho nasceu em Natal. A localidade de Olho d'Água de Onça em Pernambuco teve seu nome alterado e hoje é o município de Frei Miguelinho

terça-feira, 3 de abril de 2012

Gonçalo José Barbosa e os sobrenomes diferentes



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do INRG e do IHGRN
Muitas vezes as pessoas não compreendem porque, em suas famílias do passado, vários irmãos tinham sobrenomes diferentes. Sempre acham que era desleixo por partes dos pais. Entretanto, depois de pesquisar várias famílias, descobri que na verdade eles tentavam dar continuidade aos sobrenomes dos seus ancestrais no lugar de ficar repetindo o mesmo por várias gerações.
Francisco Xavier da Cruz e Lourença Dias da Rosa tiveram os seguintes filhos que detectei: Miguel Francisco da Costa Machado, Vicente Ferreira Xavier da Cruz, Joaquina Maria de Santa Ana, Mathildes Quitéria da Cruz e Gonçalo José Barbosa. Para confirmar essas relações de parentesco de gente com sobrenomes diferentes tive que utilizar várias informações paralelas, pois, ou não tinha o casamento deles ou quando tinha, não havia a informação dos pais. Para essas pessoas acima, utilizei a árvore de Jacob Avelino, documento de 1949, as informações de meu pai, e o casamento de Gonçalo José Barbosa. Neste caso, de onde surgiram esses sobrenomes? As mulheres, em sua maioria, tinham nomes religiosos; Miguel Francisco herdou Costa do avô paterno, João Barbosa da Costa, e Machado do avô materno, Antonio Dias Machado; Gonçalo ficou com Barbosa do avô paterno, citado acima; Vicente carrega o Xavier da Cruz do próprio pai. Uma curiosidade na descendência de João Barbosa da Costa e Damásia Soares é que os sobrenomes Ferreira e Melo, que não aparecem nos filhos, surgem, posteriormente, em vários descendentes, nas mais variadas combinações, entre elas Ferreira Barbosa, Costa Ferreira, Ferreira da Costa e,  Costa e Melo, . Possivelmente havia um Ferreira e um Melo nos ascendentes de João Barbosa da Costa ou de Damásia Soares. O desaparecimento dos livros mais antigos do Assú criou dificuldades para todos os genealogistas da região.
Mais vamos escrever um pouco sobre Gonçalo José Barbosa. Quando estava pesquisando minha família estranhei a presença dele nos eventos religiosos da minha família, pois desconhecia que era irmão de dois bisavós meus, Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Miguel Francisco da Costa Machado
Gonçalo casou três vezes. O registro de casamento dele, em 29 de setembro de 1828, em Santana do Matos, com Maria Francisca das Virgens, dá conta que ele ficara viúvo de Francisca Ritta, de quem não tive maiores informações. Maria Francisca era filha de João Paes e Francisca Xavier. Houve dispensa de segundo grau de consanguinidade atingente ao primeiro, denunciando parentesco com a nubente. Com os sobrenomes reduzidos na forma acima, ficou difícil descobrir como se dava esse parentesco.
Aos 13 de Fevereiro de 1831, de novo viúvo, ele volta a casar, na mesma Matriz de Santana do Matos. Vejamos esse registro na íntegra.
Aos treze dias do mês de fevereiro de mil oitocentos e trinta e um, nesta Matriz de Santa Ana do Mattos, pelas onze horas da manhã, tendo precedido as canônicas denunciações sem impedimento, confissão, comunhão, e exame de doutrina cristã, ajuntei em matrimônio, e dei as bênçãos nupciais aos meus paroquianos Gonçalo José Barbosa, e Marianna Rosa da Silva, naturais e moradores nesta Freguesia, ele viúvo, por falecimento de sua mulher Maria Francisca, e filho legítimo de Francisco Xavier da Costa, e de Lourença Dias, já falecida, ela filha legitima de João de Barros Silva, e Jerônima Francisca da Costa, sendo testemunhas Francisco Xavier de Sousa, e Francisco Sales Sidrim, casados, desta Freguesia; do que para constar fiz este assento, que com as ditas testemunhas assino. João Theotonio de Sousa e Silva, Francisco Xavier de Sousa, Francisco de Sales Sedrinho.
Às vezes os nomes nos registros não batiam com as assinaturas, como ocorreu no caso acima.
 É nesse documento que surgem os nomes dos pais de Gonçalo: Francisco Xavier da Costa (na verdade da Cruz) e Lourença Dias (da Rosa). Os registros nem sempre são fiéis ou completos com relação aos nomes dos personagens presentes neles.
Alguns filhos de Gonçalo e Marianna, que encontrei, tinham, também, diversidades de sobrenomes, a saber: Antonio Francisco Xavier da Costa casado com Anna Joaquina Xavier da Costa; Lourença Silvério Xavier da Costa casada com Alexandre Francisco da Silva Bastos; Luiz Antonio Brasileiro casado com Anna Rosa da Silva; Januário Xavier de Menezes casado com Francisca Xavier da Silva; Francisco Xavier de Oliveira Bello casado a primeira vez com Rita da Natividade Xavier da Costa, e a segunda com Francisca Ritta Xavier de Maria; José Alves Xavier da Silva casado com Francisca Emiliana Xavier de Melo;  Rita Silvina Xavier da Costa casada com Alexandre Xavier da Costa; e João Xavier da Costa casado com Teresa de Jesus Xavier da Silva.
Nos filhos do casal, Gonçalo e Marianna, é possível ver de onde vem os sobrenomes de alguns, mas de outros não.  Oliveira, Brasileiro, Melo e Menezes de onde surgiram?