O Conde esteve no Rio Grande do Norte, precisamente, na Ilha de Manoel Gonçalves, por acaso, em virtude de ventos e correntes de água. Ele saiu de Baltimore com destino a Ilha de Madagascar. Teve que fazer uma parada para abastecer de água e lenha. Veja um pouco da vida desse Conde.
The Courtly Lives - Maurycy August Beniowski
domingo, 25 de março de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
O batismo de José Georgino Alves de Sousa Avelino
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Todos os documentos que pesquisei sobre o Senador Georgino Avelino, até agora, informavam que ele nasceu no dia 31 de julho de 1888. Durante minhas pesquisas, nos livros de batismos de Angicos, não encontrei o referido assento. Supus em alguns momentos que ele pudesse ter se batizado em outra Freguesia.
O Jornalista Pedro Avelino e Maria das Neves Alves de Sousa, pais de Georgino, casaram em 27 de outubro de 1885, ele com 24 anos e ela com 20 anos. Nas proximidades do citado nascimento de José Georgino, o batismo que encontrei foi de sua irmã Maria (possivelmente Maria Albertina Leite), cujo registro transcrevo abaixo.
Aos 4 de janeiro de 1888, nesta Matriz, batizei solenemente a Maria, natural desta Freguesia, sendo padrinhos José Francisco Alves de Sousa e sua mulher Maria Ignácia Alves da Silva (Sousa), nascida a 4 de dezembro de 1887, e filha legítima de Pedro Celestino da Costa Avelino e Maria das Neves Alves Avelino, livres, brasileiros, moradores nesta Freguesia, do que mandei fazer este assento, em que assino. O Vigário Felis Alves de Sousa.
Os padrinhos de Maria eram seus avós maternos. Lembramos que Dona Maria das Neves era irmã do capitão J. da Penha e de José Anselmo.
Recebi de um neto do Senador Georgino Avelino, o Professor George Avelino Filho, pesquisador da Fundação Getulio Vargas, uma biografia extraída do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, do Centro de Pesquisa e Documentos de História Contemporânea do Brasil, da dita Fundação, onde também se repetia a mesma data de nascimento para o Senador.
O tempo foi passando sem que o mistério tivesse se resolvido. Afonso Bezerra Sobrinho, que encontrei no município de Afonso Bezerra, tinha uma cisma que Georgino tinha nascido em Carapebas. Mas mesmo assim, o registro de batismo deveria ter ocorrido em Angicos.
Há poucos dias, ordenando algumas cópias de registros de batismo com o intuito de fotografá-las, encontrei o registro do nosso personagem, que transcrevo para cá.
Aos 5 de setembro de 1886, nesta Matriz, foi, de minha licença, solenemente batizado pelo Reverendo Cônego Antonio Eustáquio da Silva, José, natural desta Freguesia, sendo seus Padrinhos eu – Felis Alves de Sousa, Vigário da Freguesia, e Anna da Natividade Bezerra, nascido aos 31 de julho do dito ano, e filho legítimo de Pedro Celestino da Costa Avelino, e Maria das Neves Alves Avelino, livres, brasileiros, meus fregueses: do que mandei fazer este assento em que assino. O Vigário Felis Alves de Sousa.
O Vigário Felis Alves de Sousa era tio-bisavô de José Georgino pela parte materna. Dona Anna da Natividade Bezerra era filha de Matheus da Rocha Bezerra e Anna Angélica; casou com Vicente Maria da Costa Avelino. Daí nasceu Pedro Avelino. Era portanto, avó de José Georgino Alves de Sousa Avelino.
Dessa forma fica corrigida para todo o sempre a data de nascimento do Senador Georgino Avelino. A imagem do batismo de Georgino Avelino foi postada no blog http://putegi.blogspot.com.
Você já ouviu falar em Natalópolis, Conde do Rio Grande, no capitão-mor Antonio Fernandes Furna, e no donatário Manoel Jordão? Conheça tudo isso no blog acima.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Natalópolis, já ouviu falar neste nome?
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor de Matemática da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Durante as pesquisas sobre o capitão-mor do Rio Grande, Manoel de Abreu Soares, surgiram muitas outras informações que eu desconhecia. Algumas delas necessitam dos documentos comprobatórios para atestar sua validade, mas como elas vão se repetindo em diversos autores e na internet, trago para esse espaço para conhecimento de todos e uma discussão maior.
Vicente Lemos escreveu no seu livro sobre os capitães-mores do Rio Grande: tinha D. João IV doado nesse mesmo ano (1654) uma parte do território do Rio Grande a Manoel Jordão, do qual não chegou a tomar posse, por ter naufragado na ocasião do desembarque (Coreografia Brasílica de Ayres do Casal, tom. 2º, pag. 185. Thomaz Pompeu, Geografia Geral, 4ª edição.
Câmara Cascudo, no livro História do Rio Grande do Norte, estranhando, disse de Manoel Jordão: de quem desconheço vida e feitos justificativos da mercê de D. João IV, autor de tão curiosa forma de agradecimento aos seus vassalos norte-rio-grandenses.
Júlio Gomes de Senna, no livro Ceará-mirim, exemplo nacional, acrescenta que Aires do Casal quando registrou esse fato, chamou Natal de Natalópolis.
Gottfried Heinrich Handelmann, no livro História do Brasil, traduzido pelo IHGB, e publicado pelo MEC, escreveu: Nos anos 1654-1656 fez o Rei D. João IV doação da capital, Natal, com suas dependências, a Manoel Jordão; porém, quando esse donatário aqui chegou para tomar posse, naufragou a sua embarcação à entrada, no Rio Potengi, ele próprio pereceu, e os seu feudo reverteu à Coroa. Mais tarde elevou o Rei D. Pedro II esta mesma terra à categoria de condado, em favor de Lopo Furtado de Mendonça (1689), resta saber, contudo se com esse título, conde do Rio Grande, acaso estava ligado algum direito de posse, pois não se falou mais nisso.
Júlio Gomes de Senna, no livro citado acima, comenta que o titulo de Conde foi inicialmente para Francisco Barreto de Menezes que passou para sua filha Antonia, e esta por intermédio do casamento, para o seu esposo Almirante Lopo Furtado de Mendonça.
Na internet encontro que Felipe Alberto Folque de Mendonça, um dos pretendentes ao Reino de Portugal, se intitula 3º Conde do Rio Grande.
Encontro através da internet pessoas com o nome de Manoel Jordão. Desconfio que Aires do Casal juntou pedaços de histórias para construir essa sobre a doação de D. João IV. Quanto ao condado, resta saber se esse Rio Grande era o nosso.
Em um de seus artigos em Velhas Figuras, Cascudo diz: Vicente Lemos acreditava que a primeira nomeação de Vaz Gondim para o Rio Grande do Norte tinha sido em janeiro de 1656. Parece ter sido muito antes. Em 8 de abril de 1657, o Governador Geral do Brasil, Francisco Barreto de Menezes, o vencedor de Guararapes, informa a Vaz Gondim: com esta remeto a V. M, patente para continuar no exercício desse posto. Se a nomeação fosse de 1656 não era possível aparecer essa patente, no ano seguinte, mandando continuar no exercício. O prazo mínimo de governo era de três anos. Expirado o prazo legal e o Governador mandava o Capitão-mor continuar. Em 7 de abril de 1659, o mesmo Governador Geral oficiava ao Senado da Câmara do Natal, comunicando que Vaz Gondim continuava na administração. O Senado da Câmara havia solicitado a permanência do capitão mor pelos excelentes trabalhos que havia empreendido.
Continua Cascudo. Governara de 1654 a 1656, de 1657 a 1659 e fora a pedido do Senado da Câmara, reconduzido para 1660-61-62. Ficou até 5 de Dezembro de 1663.
Hélio Galvão, entretanto, diz que para o Rio Grande o primeiro capitão-mor despachado foi Antonio Fernandes Furna (nomeado por carta de 6 de junho de 1654, parente de Calabar, mas pelo visto de fidelidade provada à causa brasileira. Diz mais adiante, que substituiu-o em princípios de 1656, Antonio Vaz Gondim.
Com relação a esses capitães-mores é possível que todos estejam parcialmente certos e, talvez, as datas de governo sejam diferentes, como também o tempo dos mandatos. Era um período de reconstrução, após a saída dos holandeses. Pode ter acontecido o seguinte: Veio Antonio Fernandes Furna por conta da nomeação em 1654; depois, na sequencia, assumiu Manoel de Abreu Soares, por conta da nomeação de 1656, tendo governado por pouco tempo; Em seguida veio Antonio Vaz Gondim, tendo começado no fim de 1656 ou no começo de 1657, e durado mais de seis anos, nessa sua investidura.
Com relação a esse Antonio Fernandes Furnas, encontramos nos documentos sobre pagamento de tropas, aqui no Rio Grande do Norte, anotações sobre um filho dele de nome Luiz de Sousa Furna. Ele foi socorrido com pagamento em dois períodos: de 12/10/1729 até 27/8/1731 e de 27/8/1731 até 26/8/1733.
terça-feira, 13 de março de 2012
Uma sesmaria, quase esquecida, para Manoel de Abreu Soares
Dentro do meu projeto de reconhecimento do capitão-mor desta Capitania que foi Manoel de Abreu Soares, noticio aqui mais um documento sobre esse ilustre potiguar, uma sesmaria que quase não é incluida, por esquecimento dos copistas.
No livro das sesmarias, editado pela Fundação Vingt-un Rosado e Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, parte da Coleção Mossoroense, encontramos a seguinte Nota: Ao fazer a conferência geral das cópias e depois de encadernadas, verifiquei que os copistas omitiram esta data, que agora copio e dou numeração intercalada. Jm Ignácio.
A dita sesmaria recebeu o número 3A. Copiamos para cá o trecho inicial da sua petição: O capitão Manoel de Abreu Soares, morador nesta Capitania do Rio Grande que ele tendo seu gado e família para ajudar a povoar a dita Capitania e lhe faltam terras para o poder fazer, e porque tem servido à Majestade há vinte e seis anos contínuos nestas guerras de que até agora não tem recebido mercê alguma, e porque na Ribeira de Goiana estão umas terras que ficaram por falecimento de Francisco Teixeira, morador que foi desta Capitania, de que não ficaram herdeiros, as quais terras partem pelo rio Jacú acima ficando da banda norte o rio O...
A data dessa sesmaria é 16 de maio de 1660.
segunda-feira, 12 de março de 2012
A petição de Paschoal Gomes de Lima
Em artigo anterior falamos sobre um alvará, de 1681, concedido pelo Príncipe Regente e Governador de Portugal e Algarves, D. Pedro II (irmão do Rei Afonso VI), que comprova que Manoel de Abreu Soares foi capitão-mor do Rio Grande, em 1656. Esse alvará apareceu em uma petição do filho, Pascoal Gomes de Lima, que requereu os benefícios do dito documento, quarenta e oito anos depois de sua expedição.
Em Julho de 1729, o alferes Pascoal Gomes de Lima, morador na Capitania do Rio Grande, requereu ao Rei Dom João V (o Freirático), filho de D. Pedro II, acima, o posto de escrivão da ouvidoria, da cidade da Paraíba que se achava vago, ou, em falta deste, o de oficial da Fazenda Real que é o da abertura, ou de Provedor da Fazenda Real do Rio Grande, que também se achava vago, por ser ele, na época, filho legítimo e único do capitão-mor Manoel de Abreu Soares, com base no sobredito alvará concedido, para filho ou filha do capitão-mor Manoel de Abreu Soares.
A fim de comprovar sua filiação, foram apresentadas testemunhas ao Juiz Ordinário Theodósio de Freire Amorim. Deram seus testemunhos as seguintes pessoas; Comissário Geral Manoel de Mello Albuquerque, casado, 65 anos; licenciado Francisco Alves Bastos, casado, Juiz de Órfãos, 50 anos; Pascoal Freire de Crasto, casado, mestre da Capela, 82 anos; sargento-mor Bento Teixeira Ribeiro, casado, morador na Ribeira do Mipibú, 68 anos. Todos eles confirmaram, sob juramento, que Pascoal Gomes de Lima era filho legítimo do capitão-mor Manoel de Abreu Soares, e que naquela data todos os irmãos do requerente eram já defuntos. Foi dito, também, por alguns, que a esposa de Manoel de Abreu Soares, e mãe de Pascoal, era Dona Maria de Siqueira.
O outro documento que faz menção ao potiguar Manoel de Abreu Soares como capitão-mor de nossa Capitania é o que lhe concedeu o título de capitão-mor de toda a infantaria de soldados pretos e índios, em 1688, por conta do aperto em que várias nações bárbaras tinha posto à capitania do Rio Grande. Foi ordenado, por Mathias da Cunha, do Conselho de Sua Majestade, ao Governador da Capitania de Pernambuco, João da Cunha Souto Maior, que mandasse duzentos infantes com seus capitães e governador dos índios, com quatrocentos arcos, e o terço de Henrique Dias, com cem soldados pretos, para fazerem aos Bárbaros a guerra ofensiva que estava pedindo a sua solução e estrago dos moradores da Capitania do Rio Grande.
Em um dos trechos do documento, complementa: E para isso era necessário nomear capitão-mor de toda essa gente, pessoa de grande valor e experiência. Respeitando eu o bem que estas qualidades na de Manoel de Abreu Soares, que nela assiste, e aos muitos anos que tem servido a Sua Majestade nas guerras de Pernambuco, ocupando todos os postos até o de capitão de infantaria, capitão-mor da mesma capitania do Rio Grande e, ultimamente, da de Sergipe d'El Rei; e tendo consideração o se me representar pelo Procurador dos moradores do Rio Grande, que fosse ele sujeito, a que se remetesse o socorro que se me pedia: esperando que nas obrigações que lhe tocarem em ocupação de tanta importância, se haverá muito conforme a opinião que se tem de sua pessoa e confiança que faço do seu merecimento: hei por bem de o eleger e nomear, como em virtude do presente elejo e nomeio capitão-mor de toda a infantaria soldados pretos e índios.
Em um dos trechos do documento, complementa: E para isso era necessário nomear capitão-mor de toda essa gente, pessoa de grande valor e experiência. Respeitando eu o bem que estas qualidades na de Manoel de Abreu Soares, que nela assiste, e aos muitos anos que tem servido a Sua Majestade nas guerras de Pernambuco, ocupando todos os postos até o de capitão de infantaria, capitão-mor da mesma capitania do Rio Grande e, ultimamente, da de Sergipe d'El Rei; e tendo consideração o se me representar pelo Procurador dos moradores do Rio Grande, que fosse ele sujeito, a que se remetesse o socorro que se me pedia: esperando que nas obrigações que lhe tocarem em ocupação de tanta importância, se haverá muito conforme a opinião que se tem de sua pessoa e confiança que faço do seu merecimento: hei por bem de o eleger e nomear, como em virtude do presente elejo e nomeio capitão-mor de toda a infantaria soldados pretos e índios.
Sobre essa participação de Manoel de Abreu Soares, há várias referências de Taunay, em sua Guerra dos Bárbaros, hoje disponível na internet. Entre elas, citamos: Ao mesmo tempo mandara servir no teatro das operações o experimentado e bravo, embora já muito idoso, Manoel de Abreu Soares, homem de tão bela fé de ofício. Agiria autonomamente procurando socorrer a Albuquerque Câmara. Partira Soares sem detença de Natal para as margens do Piranhas ocupando um lugar chamado de Olho d'Água e depois Poço Verde onde construiu um estacada.
Segundo alguns autores, nessa época Manoel de Abreu Soares, já era octogenário. Em outro artigo trataremos da descendência de Manoel de Abreu Soares.
Os sites sobre São Gonçalo do Amarante informam, erradamente, que Pascoal Gomes de Lima era português, e chegou lá, proveniente de Pernambuco, em 1710, junto com outro português, Ambrósio Miguel Sirinhaém. Mas na verdade, Jerônimo da Cunha, o avô, já tinha sesmaria por aqui em 1605; o pai, Manoel de Abreu Soares, nasceu aqui, no Rio Grande; há vários registros de Pascoal, antes de 1710, por aqui. Antes de se escrever qualquer outro livro sobre São Gonçalo, há necessidade de se consultar as fontes primárias, no lugar de ficar repetindo erros.
Por falar em equívocos, o Senador Georgino Avelino nasceu em 1886, e não em 1888, como se propaga. Escreveremos sobre isso.
Já está nas livrarias, meu livro, editado pela UFRN, Notícias Genealógicas do Rio Grande do Norte, com 119 artigos publicados, no "O Jornal de Hoje".
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
quinta-feira, 8 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
Nós o esquecemos, o Rei não
Nós o esquecemos, o Rei não
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Manoel de Abreu Soares não aparece na relação dos capitães-mores de Vicente de Lemos, e essa omissão se repete nos demais livros de nossos autores. A segunda nomeação de Antonio Vaz Gondim para capitão-mor do Rio Grande contém o seguinte trecho: E com igual procedimento se haver no governo da capitania do Rio Grande em que assistiu por mais de seis anos, procedendo a contento daqueles moradores, fazendo muitas obras necessárias para conservação daquela praça e fortaleza dos Reis Magos. Daí, Lemos deduziu que Vaz Gondim foi nomeado em 1656, e, por isso, foi o primeiro capitão-mor depois da saída dos holandeses. O documento de nomeação de Antonio Vaz Gondim, possivelmente contém um erro, relativamente ao tempo que ele foi pela primeira vez capitão-mor, pois nessa data o nomeado foi outro.
Manoel de Abreu Soares nasceu nesta Capitania do Rio Grande. Seu pai, Jerônimo da Cunha, recebeu três sesmarias, sendo duas em 1605 e outra em 1610, as duas primeiras pelo Pitimbú, no caminho de Cajupiranga, e a terceira pelo Rio Potengi. Os nossos livros dão destaque a sua participação na Guerra dos Bárbaros, nomeado que foi como capitão-mor de toda a infantaria de soldados, pretos e índios, em 1688. Mas, antes disso tudo, teve uma participação heroica nos combates contra os holandeses e, foi nomeado capitão-mor da Capitania do Rio Grande, no ano de 1656, pouco tempo depois da saída dos holandeses. Foi, também, capitão-mor de Sergipe d' El Rei. Dois documentos fazem referência à passagem dele como capitão-mor da Capitania do Rio Grande: um Alvará expedido pelo Rei de Portugal em 1681, e a nomeação como capitão-mor de Infantaria dos soldados, pretos e índios, em 1688. Vejamos o documento de 1681.
Eu, O Príncipe como Regente, e Governador dos Reinos de Portugal, e Algarves: faço saber aos que este meu Alvará virem, que tendo respeito aos serviços, que Manoel de Abreu Soares, filho de Hierônimo da Cunha, e natural da Capitania do Rio Grande, me fez nas guerras do Brasil, em praça de soldado, cabo de esquadra, sargento, alferes, ajudante, capitão de Infantaria, e capitão-mor do Rio Grande, por espaço de vinte e um anos, dez meses, e três dias, desde o primeiro de agosto de seiscentos e trinta e oito, até dez de fevereiro de seiscentos e sessenta e um = e neste tempo se achar em Pernambuco na entrada que se fez pela campanha do inimigo, no encontro do Engenho de Santo André; na peleja que se travou com o Conde de Nassau a vista de Porto Calvo, e mais encontros que com ele houve, na Campanha, passando a nado o Rio São Francisco, e em tudo fazer sua obrigação a que também acudiu no socorro com que o Mestre de Campo Luiz Barbalho Bezerra veio do Rio Una a Bahia. Tornando a Pernambuco, no ano de seiscentos e quarenta e cinco, se achar, outrossim, nos assaltos que se deram aos Holandeses, e Índios na Freguesia de São Lourenço; em várias ocasiões de peleja, em que o inimigo recebeu muita perda, saindo ferido de uma pelourada na perna esquerda; na que sucedeu na fronteira da Força dos Afogados, e Cinco Pontas, indo reconhecer o posto com trabalho, e risco; e assim mais nas marchas das Capitanias do Norte, e sucessos dela.
Por ordem que se lhe deu ir ao Rio São Francisco a conduzir gado para Infantaria; na primeira batalha dos Guararapes assinalar entre os mais; e assistindo por Cabo de cinco Companhias no posto de Salinas, fronteira ao Recife, ter alguns encontros com os inimigos; socorrer por vezes ao Governador Henrique Dias na marcha que fez a Paratibe; e nas jornadas da campanha da Paraíba. Na segunda batalha dos Guararapes obrar com valor, e ser ferido com uma bala por um ombro; no assalto que se deu ao inimigo com a sua Companhia, e outra à sua ordem, em Cunhaú; nas emboscadas do Paço de Barreta, e peleja que travou com os Holandeses, ser ferido de uma pelourada; e nos mais que houve, marchas que se fizeram, e sítios que se puseram ao Forte de Salinas, Casa do Rego, e Forte de Altená, até se recuperarem as Fortalezas do Recife, procedendo de modo, que lhe deram dois escudos de vantagem. Passando depois à Capitania do Rio Grande, marchar quarenta léguas pelo Sertão em seguimento dos Tapuias. E sendo provido no posto de capitão-mor da mesma Capitania no ano de seiscentos, e cinquenta e seis, proceder como muito devia.
Em satisfação de tudo, e de atualmente estar servindo com cuidado e zelo, de capitão-mor de Sergipe, em que tem despedido muito de sua fazenda. Hei por bem de lhe fazer mercê (além de outra que pelos mesmos respeitos lhe fiz) deste Alvará de Ofício de Justiça, ou Fazenda, para filha ou filho. E este se cumprirá inteiramente como nele se conclui, sem dúvida alguma, e valerá, como Carta sem embargos de ordenação do Lº 2º ttº 40, em contrário. E se passou por duas vias, uma só haverá efeito, e pagou de novo direito vinte réis que se carregarão ao Tesoureiro Hieronimo da Nóbrega de Azevedo a folhas quatrocentos e quatorze. André Serrão de Carvalho o fez em Lisboa, a vinte e dois de julho de seiscentos e oitenta e um. O secretário André Lopes de Souza o que escreveu.
Assim, pelo visto acima, nossos livros devem incluir na relação dos nossos capitães-mores, o potiguar Manoel de Abreu Soares.
Esse Alvará foi usado, somente em 1729, pelo seu filho, alferes Pascoal Gomes de Lima, assunto que vamos tratar em outro artigo.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Oligarquia, anarquia, ditadura
Recebi de Francisco Augusto, cópia de uma Conferência de J. da Penha. Pela referência, que ele me mandou, consegui o original do Jornal do Ceará, digitalizado através do Projeto Resgate da Memória Hemorográfica Brasileira. Fiz uma transcrição que posto neste blog, pela importância do documento.
Oligarchia, anarchia, dictadura
Conferencia de J. da Penha, realizada no Pavilhão Internacional - RJ
E se maior não é o pasmo que nos alcança, é que muito grande, por via de regra, é o desconhecimento aqui da vida estadual. Alberto Maranhão, por exemplo, já não encobre suas trapaças administrativas. Tem o desassombro dos temperamentos improbidosos. Trapaceia às escancaras.
Outrora, para comprar, depois de governador, por conta do Estado, a casa em que residia, simulou a venda a um dos seus testas de ferro e só alguns meses depois fechado era o negócio, a seu contento.
(Vantajoso é bem de compreender, para todo o mundo, menos para ele Alberto inconcebivelmente honesto nas suas transações, apostolicamente desambicioso em toda a sua vida, trombeteiam os seus assalariados de imprensa).
Hoje, não. Alforriou-se de vez desses constrangimentos. Negocia às claras: trafica ao meio dia em ponto, alardeia o seu desassombro governamental e gaba-se de não ser tolo...
Isso quanto a negócios bem se compreende.
O ano passado contraiu na Europa um empréstimo de cinco mil contos ao tipo de 69, noticiou o Jornal do Comércio daqui.
Os juros foram os mais exorbitantes do mundo. As gorjetas para os intermediários foram elevadíssimas e o prazo de cinquenta anos. Em suma: o Estado venturoso do Rio Grande do Norte recebeu três mil e tantos contos de réis, vai pagar fatalmente perto de dez mil e sobrecarregou o seu orçamento, que era de mil e duzentos contos, com os pesadíssimos ônus desse empréstimo tão malbaratado.
Alberto reemprestou-o quase todo aos seus queridos parentes e com eles então contratou uns tantos melhoramentos duvidosos para o Natal dos Pobres, relativamente, alguns desses felizardos ofereceram como garantia, o seu parentesco rendoso e a indiferença do povo por esses arranjos ilícitos.
Não contente de tamanhas desenvolturas, Alberto comprou a si próprio e aos seus cunhados, por cem vezes mais do que devia, terrenos tão valorizados que até nunca tiveram dono. E impossível ser mais impudente de que esse governador traficante.
O pretexto de escolas agrícolas e outros disfarces com que esse despejado governador enxovalha a sua função e ludibria o povo complacente, foi o que veio a lume.
E esse mesmo povo, talvez porque de tempos remotíssimos o venham flagelando os vendavais das secas dolorosas em que se lhes depaupera as crenças e as energias, ou porque de fato, pelas suas qualidades ingênuas mereça a canga deste opróbrio — esse povo suporta sem indícios palpitantes do desagravo, a que tem direito, a ignomínia de tanto despudor, o cativeiro desmoralizante de usurpadores tão acanalhados.
O palácio, até pouco tempo, era uma como feira política. Em vez das autoridades, dos funcionários, dos amigos, Alberto só congregava em torno de seu balcão, os agentes de compras e os corretores seus associados. Era, como bem lhe chamou alguém, se a profecia não falha, o último representante político da cigana de Nazareth.
Dos Machados, essa outra superfetação que afeia, infecciona e degrada os órgãos essenciais da Republica na Paraíba do Norte, eu não quero tirar o gosto de escapela-los com sua mestria ao dr. Coelho Lisboa.
Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Goiás e Piauí, rastejam todos pelo mesmo nível de decadência, maculando-se com a tisna das mesmas imoralidades, atascando-se no lodo profundo das mesmas corrupções.
As diferenças locais não invalidam esta sentença, nem prevalecem para atenuar-lhe o merecido rigor. Os exames em Maceió, não envergonhariam os de Natal, por exemplo.
Por toda parte a mesma desfaçatez na desonestidade impunida, a mesma artificialidade na política exploradora, a mesma prevaricação na magistratura das oligarquias. O mesmo desbragamento no ataque aos oposicionistas inermes, os mesmos congressos de nulos e de servis e para tributar o povo, sem direitos, sem liberdades, céptico e de esperanças amortalhadas, se o honrado concidadão que hoje governa a Republica, imitasse — o que não ha de suceder — os seus antecessores estigmatizados, carcomidos pela execração.
Porque o sr. Bulhões, ou porque os seus companheiros quase todos sem a consciência do que deva ser política republicana, estômagos incontentáveis, monarquistas descrentes, uns discípulos de Verres, outros de Barras, — a obra prima da corrupção, como lhe chamou Bonaparte, hão de perenizar-se nos galarins de um poder, que não é somente ilegítimo, senão também nefasto ao princípio da ordem e as necessidades do progresso?
As oligarquias devem morrer. E hão de morrer, meus concidadãos. Não falta muito. Conservá-las, seria o mais inepto, sobre ser o mais perigoso do todos os nossos crimes.
E ao que se vê, nem será possível a ninguém, por mais que envide todas as suas forças, ampará-las muitos anos, ou perpetuá-las na história...
Não se pereniza nas sociedades senão o que é natural e se ajusta aos interesses comuns, seja como tendência, ou seja como produto do espírito da coletividade em progresso, em busca do seu bem estar, guiando para a verdade e a justiça.
Não há, nem houve jamais razão para desesperar-nos das forças limitativas do tempo, nem das energias recuperadas da Federação Brasileira, mutilada, agora nos seus direitos, cerceada na sua influência. onerada nas suas dívidas, abalada nos seus destinos, apoucada na sua reputação enquanto frondescer a árvore maldita, que agasalha a descendência dos falsificadores da Constituição de 24 Fevereiro.
Para desarraigá-lo do solo constitucionalizando a Republica, abatida intercadentemente, como todas as suas irmãs da América do Sul, por delírios de indisciplina e alucinação de revoltas, há de surgir, na ocasião mais propícia, um milagroso poder, seja qual for. E esse poder que todos pressentimos sem desalentos que nos desviem ou sofreguidões, que nos decepcionem, ou há de ser a força centrípeta do Catete, a honestidade perseverante do Chefe do Executivo ou o braço vingador e irresistível da própria multidão. E que sempre esta foi capaz de resgatar pelo heroísmo, os erros da pusilanimidade, os excessos da sua condescendência, verdade é que ninguém ignora.
Das oligarquias para a anarquia não levamos nós dilatados séculos de ânsias, de dúvidas, nem de aviltamentos; ao contrário, já estamos na segunda; esperamos pouco para vencer o caminho.
J. da Penha (Jornal do Ceará. Ano VIII. Nº 1382. 07.08.1911)
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Antigos Batismos, velhas capelas
Antigos batismos, velhas capelas
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
As nossas capelas são mais velhas do que indicam as datas em seus frontispícios. Muitas dessas datas foram colocadas após alguma reforma, além do que todas as ditas capelas e igrejas foram reconstruídas, pois muitas delas eram de taipa. Hoje vamos dar notícias aqui de alguns batismos do início do século XVIII, em algumas dessas capelas ou igrejas, e conhecer os nossos moradores daquela época.
Durante a Guerra dos Bárbaros, muitas pessoas vieram para cá, algumas delas de São Paulo para compor o Terço Paulista. Entre elas José Porrate de Morais Castro e seus primos, os irmãos Manuel Álvares de Morais Navarro e José de Morais Navarro. José Porrate aqui casou, em 1707, na Capela de Santo Antonio com Dona Margarida da Rocha, filha do capitão Theodósio da Rocha e Dona Antonia de Oliveira. Em 3 de junho de 1713, na Capela de Santo Antonio da Ribeira do Potegi, o Vigário Simão Rodrigues de Sá batizou a Sebastiana, filha do capitão José Porrate de Morais Castro e de sua mulher Dona Margarida da Rocha. Foi padrinho o sargento-mor Joseph de Morais Navarro.
Alguns nomes de pessoas são mais antigos do que pensamos, como podemos observar no batismo seguinte. Em 29 de janeiro de 1713, na Igreja de São Miguel do Guajirú, de licença do Padre Simão Rodrigues de Sá, batizou o Reverendo Padre Superior Pedro Taborda a Fabiana, filha de Manuel Álvares e de sua mulher Andreza Gonçalves. Foram padrinhos o capitão Bento Fernandes e Izabel Gonçalves, filha de Ignácio Gonçalves.
Alguns nomes se repetem com frequência nas descendências de algumas famílias, o que pode causar muitos equívocos, se não forem observadas corretamente as datas dos eventos. Genealogia sem data é um perigo. Em 5 de dezembro de 1712 na Capela do Senhor Santo Antonio da Ribeira do Potegi, o Padre Simão Rodrigues de Sá batizou a João, filho do capitão Manoel Correa Pestana e de sua mulher Joanna de Freitas (da Fonseca). Foram padrinhos o Alferes Felis de Souza e Domingas da Fonseca, mulher do capitão João da Costa de Almeida. Esse que foi batizado era, também, João da Costa de Almeida que casou em 1739 com Catherina de Oliveira e Mello, filha natural do sargento-mor Gregório de Oliveira e Mello e Luiza de Freitas Palhano.
Uma presença constante nos documentos mais antigos desta capitania é de Estevão Velho de Mello, natural de Igarassú. Em 19 de abril de 1713, na Capela de Jundiaí, de licença do Vigário Simão Rodrigues de Sá, o Padre Pedro Fernandes batizou a Manoel Antonio, filho de Estevão Velho de Mello e de sua mulher Joanna Ferreira de Mello. Foram padrinhos o capitão Domingos de Morais Navarro e Maria Magdanella, filha do coronel Gonçalo da Costa Faleiros. Esse que foi batizado era Manoel Antonio Pimentel de Mello que casou com Anna Maria da Conceição, filha de Francisco Pinheiro Teixeira e Maria Conceição de Barros. Bonifácia Antonia de Mello, irmã de Manoel Antonio, casou com Francisco Pinheiro Teixeira (segundo do nome), irmão de Anna Maria. Francisco Pinheiro e Bonifácia geraram Antonia Teixeira, que gerou, com Manoel Pinto de Casto, ao nosso frei Miguelinho.
Um dos filhos de Theodósio da Rocha tinha o mesmo nome do que foi capitão-mor da nossa Província, Antonio Vaz Gondim. Em 14 de junho de 1713, na Capela do Senhor São Gonçalo do Potigi, de licença do Padre Simão Rodrigues de Sá, o Padre João Fernandes Barbosa batizou a Marcelina, filha de Antonia do Livramento, mulher solteira, e de Antonio Vaz Gondim. Foram padrinhos o sargento-mor Manuel de Abreu Friellas e sua filha Dona Marcelina de Abreu Soares.
Sebastião Pimentel foi presidente da nossa Província. Um dos seus filhos era o alferes Alberto Pimentel que casou, em 1694, com Dona Francisca Tavares de Mello, filha do Francisco de Oliveira Banhos e Antonia Tavares de Mello. Em 29 de junho de 1713, na Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, o Padre Simão Rodrigues de Sá, batizou a Pedro, filho do alferes Alberto Pimentel e de sua mulher Francisca de Oliveira (o nome muda a cada registro). Foram padrinhos Pedro Ferreira de Mello e o coronel Manoel Gomes Torres.
Em 29 de junho de 1713, na Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, de licença do Padre Simão Rodrigues de Sá, batizou o Padre Bernardo de Farias Freire, a Luzia, filha de Manoel da Silva Queiroz e de sua mulher Maria da Silva Freire. Foram padrinhos Manoel Rodrigues Taborda e Francisca de Oliveira, mulher do alferes Alberto Pimentel. Há um outro Manoel da Silva Queiroz, filho de Francisco Fernandes de Carvalho e Maria Gomes da Silva, que talvez seja neto desse mais antigo. Gaspar Freire de Carvalho, que casou com Clara Martins de Macedo, era filho do coronel Manoel da Silva Queiroz e Maria da Silva Freire.
Em 15 de abril de 1713, na Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, de licença do Padre Simão Rodrigues de Sá, batizou o Padre Manoel Pinheiro Teixeira a Joseph, filho de Francisco Pinheiro Teixeira e de sua mulher Maria da Conceição (Barros). Foram padrinhos o Procurador da Fazenda Real, capitão-mor José Barbosa Leal e Dona Domingas de Mello, mulher do alferes Francisco Barbosa da Costa. José Barbosa Leal, depois de ter passado por Angola, Luanda e ter servido por mais de 22 anos ao Reino de Portugal, foi nomeado, em 1696, por Bernardo Vieira de Mello, Comissário Geral de Cavalaria da Capitania do Rio Grande.
Como em muitas histórias genealógicas, chegaram de Arrifana de Sousa, Bispado do Porto, Portugal, três irmãos: Padre Manoel Pinheiro Teixeira, Francisco Pinheiro Teixeira e José Pinheiro Teixeira.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
O Fogo de Pedra de Abelhas (I)
Recebi mais uma colaboração de Marcos Pinto
O "FOGO DE PEDRA DE ABELHAS". (I).
Marcos Pinto
A primeira denominação toponímica do atual município de Felipe Guerra-RN foi "PEDRA D'ABELHAS", que deriva do fato histórico de que existia, e ainda existe, um enorme bloco calcário com um buraco em sua estrutura, que ao longo de remoto tempo tem servido como espécie de colméia natural, proporcionando a situação de grandes enxames de abelhas nativas da região. Esta pedra está situada na encarpa da serra do Apodi, ao lado da estrada que dá acesso ao sítio "Brejo de Felipe Guerra", antigo "Brejo do Apodi". Até o ano de 1948 esta estrada constituía o caminho de todos os viajantes e comboeiros que demandavam da região do Oeste e Alto Oeste no rumo de Mossoró. Daí que a antiga cidade denominada de "Pedra de Abelhas" surgiu como núcleo estradeiro.
Com exceção da família GURGEL DO AMARAL, oriunda de Aracati-CE, todas as famílias do município de Felipe Guerra tem origem na fértil "Várzea do Apodi", cujas terras de aluvião tem sido a força motriz do progresso e do desenvolvimento do Vale e do município do Apodi. Para adentrar no assunto que dá título à este despretensioso artigo, há que se ressaltar que, desde o dia em que houve o rompimento político entre as famílias PINTO e GURGEL, ocorrido no dia 02 de Dezembro de 1897, entre os patriarcas Coronel ANTONIO FERREIRA PINTO e Coronel FRANCISCO GURGEL DE OLIVEIRA (Bisavô materno de Laire Rosado),nasceu uma predisposição político/ belicosa entre o povo de "Pedra de Abelhas" e os Apodienses. Neste dia, o Cel. FERREIRA PINTO fez veemente protesto perante os seus pares, na tribuna da Assembléia Legislativa potiguar (Investido no primeiro mandato de Deputado Estadual) contra a injustificada atitude de rompimento político do Coronel GURGEL com o Dr. Pedro Velho, responsável pela instalação do regime republicano no RN em 1889. Ocorre que o patriarca da família GURGEL em "Pedra D'Abelhas" - O Capitão TIBÚRCIO VALERIANO GURGEL DO AMARAL (Natural do Aracatí-CE),era tio materno do Coronel Francisco Gurgel de Oliveira (Coronel Gurgel) e, como tal, apoiou a tomada de decisão política do sobrinho. Tibúrcio era o pai de TILON GURGEL DO AMARAL. A partir daí, nasceu o espírito de rivalidades recíprocas entre os Apodienses e os "Pedrenses de Abelhas", cuja rixa perdurou até o ano de 1963,(18.09.1963) quando o então Distrito de "Pedra de ABelhas" foi elevado ao predicamento de cidade e município, com o nome de FELIPE GUERRA, em homenagem a um cunhado de Tilon Gurgel. Felipe Guerra era casado com uma irmã de Tilon Gurgel. Faço a observação de que o Dr. Felipe Guerra não trouxe nenhum benefício para a comuna de "Pedra de Abelhas", para tutelar a razão de ter o seu nome como patrono toponímico do novel município.
Apesar de liames familiares existentes entre os Coronéis FERREIRA PINTO e GURGEL - o primeiro tinha a avó paterna como irmã do pai do segundo, ou seja, dona JOAQUINA MARIANA DE JESUS era irmã do Tenente-Coronel Antonio Francisco de Oliveira - pai do Coronel Francisco Gurgel de Oliveira (Coronel Gurgel), a indisposição política foi se acirrando entre essas duas famílias tradicionais. No ano de 1913 houve uma ligeira trégua, com os casamentos de dois componentes da família PINTO com duas moças da família GURGEL: Dr. Vicente Ferreira Pinto, Promotor Público, filho do Coronel FERREIRA PINTO, com a Srita FILOMENA GURGEL, irmã de Tilon Gurgel , e o agropecuarista FRANCISCO DIÓGENES FILHO (Sêo Diógenes - pai de Zé Diógenes) casou com CAETANA GURGEL FILHA (Dona Caetaninha) também irmã de Tilon Gurgel. Sêo Diógenes era sobrinho materno do Dr. Vicente Pinto. Em 1919 reacendeu a intriga familiar e política entre estas famílias, originada no fato de que dois componentes da família PINTO abriram dissidência política - Os Srs. SEBASTIÃO PAULO FERREIRA PINTO e seu primo JOÃO DE DEUS FERREIRA PINTO, que se aliaram à cerrada oposição à família PINTO, liderada por Tilon Gurgel. A partir deste ano de 1919 o município de Apodi e seu povo passou a ser teatro de correrias e tropelias protagonizadas por jagunços componentes da milícia particular comandada por DÉCIO HOLANDA, cearense do Pereiro, onde em 1927 "acoitou" o bandido Lampião e seu bando, na sua fazenda de nome "Bálsamo". Neste mesmo ano de 1913, o Coronel FRANCISCO FERREIRA PINTO casou com sua prima MARIA SALOMÉ DIÓGENES PINTO (Irmã de Sêo Diógenes), que fora adotada em criança pelo Coronel JOÃO JÁZIMO DE OLIVEIRA PINTO e esposa ISABEL SABINA DE OLIVEIRA FILHA (Bebela de João Jázimo). Aquí, cabe fazer uma explicação de cunho genealógico: João Jázimo casou com uma parente e enteada do seu genitor. Bebela era irmã de Francisco Diógenes Paes Botão, que casou com Antonia (Toinha - Filha do Coronel Ferreira Pinto e de Claudina Pinto) e foram pais de Salomé Pinto e Sêo Diógenes. Salomé era, ao mesmo tempo, sobrinha materna de seus pais adotivos João Jázimo e sobrinha materna da mulher de João Jázimo - no caso Bebela. Sêo Diógenes passou por uma situação de extremo vexame em 02 de Maio de 1934, quando o Coronel Francisco Pinto foi assassinado em Apodi, tendo como mandante o seu cunhado Tilon Gurgel, mancomunado com o não menos truculento Luiz Leite. Sêo Diógenes era, ao mesmo tempo, cunhado do Coronel Francisco Pinto (Casado com sua irmã Salomé) e de Tilon Gurgel (irmão de sua esposa Caetaninha).
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Nossa Atlântida, por Edgar Barbosa
Nossa Atlântida
Macau nasceu do mar revolto e se estendeu por terra, com o seu povo de salineiros e de pescadores, ouvindo e aprendendo o marulho bravio das ondas. O destino quis que ela tivesse um nome evocativo das longas e aventurosas viagens aos portos do longínquo Oriente. Um nome que se pronuncia imaginando iates, gôndolas, falúas, barcos de velas brancas, gemendo cantigas de gajeiros e arfando nas enseadas de países distantes.
Mas, no burburinho de tantas sugestões românticas que esse nome desperta, ninguém conseguiu fazer ressurgir do abismo em que se afogou, a ilha de Manoel Gonçalves, a nossa perdida Atlântida, que ainda não encontrou o seu Platão.
A Ilha de Manoel Gonçalves, tal como nos parece na imaginação sempre disposta a iludir-se e a sonhar, não foi nenhuma dessas cidades contra as quais a ira oceânica se desmandou implacavelmente. Era uma feliz aldeia de pescadores sem vícios nem crimes que chamassem a si o castigo dos elementos. O mar, em luta com a terra, enrolava parceis e recifes, arrastando-os no dorso das vagas. A humilde ilhota de pescadores, no meio do tremendo campo de batalha, assistia inquieta às escaramuças que arrancavam pedaços do seu solo. E enfim, um dia, apenas viçou sobre a imensidão oceânica o pugilo derradeiro de terra, pedestal de uma cruz que abria os braços, clamando e perdoando. Os habitantes fugidos da ilha condenada e moradores da margem direita do rio foram em procissão de ladainhas e preces, buscar o cruzeiro que o oceano havia respeitado. E em Macau os seus primitivos povoadores continuaram a amar e venerar os velhos santos, as queridas imagens e a cruz que abençoara a agonia da ilha perdida.
Foi assim que morreu, há muitas dezenas de anos, a ilha de Manoel Gonçalves, afogada no delta indomável do Rio Piranhas. Mas, do amarfanhado lençol marinho que a sepulta ela por vezes aparece, como uma Vitória Régia, numa ressurreição. As suas ruínas, as pedras das suas casas, os tijolos das suas calçadas onde tantos meninos brincaram e correram, cantando e sorrindo para o mar, ainda afloram aos olhos supersticiosos dos pescadores, pelas noites de lua.
A Ilha de Manoel Gonçalves morreu para que a cidade de Macau nascesse. Nenhuma semente de terra dessas milhares que Deus semeou pelo mar teve um destino tão lindo. Macau surgiu, cresceu para o oceano revolto, transformou a água invasora em pirâmides de sal que cintilam como um diadema de imperatriz. E já agora não é mais possível trocar por nenhum ouro do mundo toda a pobre existência ignorada da ilha que morreu do mal de ser feliz.
EDGAR BARBOSA
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