segunda-feira, 29 de junho de 2020

Notícias da ascendência de Luiz da Rocha Pita Deus-dará

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com
 

Meu tetravô Cosme Teixeira de Carvalho, quando se casou com minha avó, era viúvo de Aldonsa da Fonseca Pita. Por isso, estudo a família Rocha Pita, para ver se encontro algum elo entre a esposa de Cosme Teixeira de Carvalho e o antigo sesmeiro, aqui do Rio Grande do Norte,  Antônio da Rocha Pita. Este foi premiado, além da conta, com terras na nossa Província. 

     Por volta de 1733, os filhos e herdeiros do coronel Antonio da Rocha Pita e de sua mulher Dona Aldonsa de La Penha Deus-dará, coronel Luiz da Rocha Pita Deus-dará, Francisco da Rocha Pita, Simão da Fonseca Pita e Dona Maria Joana requereram e tiveram, posteriormente, confirmação real de duas sesmarias: a de Pau dos Ferros e a de Campo Grande, ambas na Ribeira do Apodi. Os documentos são os de números 196, 197 e 256, do segundo livro de Sesmarias do Rio Grande do Norte da Coleção Mossoroense.

Entre esses filhos estava Luiz da Rocha Pita Deus-dará, que tendo sido agraciado com o título de Cavaleiro da Ordem de Cristo do Rei de Portugal, depois solicitou habilitação definitiva

Na sua petição, declarou que era natural e morador na cidade da Bahia, filho de Antônio da Rocha Pita, natural do Concelho de Coura, e Dona Aldonça de La Penha Deus-dará, natural da cidade da Bahia, neto paterno  de João da Rocha Pita, e de sua mulher dona Brites Serge de Lago, naturais do mesmo Concelho de Coura, Comarca de Viena, e pela materna  de Simão de Afonseca Sequeira, natural da cidade da Bahia, e de Dona Francisca de La Penha Deusdará, natural de Pernambuco.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Notícias de Beatriz Lostau, 1681

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com


João Lostau Navarro era um dos mais antigos moradores deste Rio Grande do Norte, pois já obtinha terras no ano de 1601, e recebeu, até 1608, um total 6 doações no litoral, entre Pirangi e a Lagoa das Guaraíras.
Em 13 de abril de 1626, conforme cita Hélio Galvão, no livro de sua autoria “História da Fortaleza da Barra do Rio Grande” foi lavrada uma escritura de dote, em que ele, João Lostau, dotava de bens sua filha Maria Lostau, que estava noiva de Manoel Rodrigues Pimentel.
O referido dote tinha regras explícitas quanto a sua destinação: proibição de diminuir o patrimônio; deveriam passar à filha mais velha do casal, ou ao filho do casal, se não houvesse filha; caso Manoel Rodrigues e Maria Lostau não tivessem filhos, esses bens passariam à outra filha de João Lostau, de nome Beatriz Lostau.
Do casal dotado, quem continuou com o patrimônio foi Joana Dornelles, que se casou com Francisco Lopes. Na sequência, Paula Barbosa, filha de Francisco Lopes e Joana Dornelles foi a herdeira. Esta última foi casada com Teodósio de Graciman.
Segundo alguns autores, aí incluído Hélio Galvão, Teodósio de Graciman era primo legítimo de Paula Barbosa, por ser filho do holandês Joris Garstman,  que comandou o Forte dos  Reis Magos,  e de Beatriz Lostau, a outra filha de João Lostau. Até agora, nenhum documento foi apresentado que comprove essa tese, mas apenas ilações.
No processo movido contra Garstman, acusado de ser o mandante do assassinato de Jacob Rabi,  entre os vários motivos apresentados pelas testemunhas, no referido processo, estava um que dizia, que Jacob foi assassinado,   por ter sido ele o autor da morte do sogro de Joris Garstman.
No referido processo, em nenhum momento aparece o nome da esposa do acusado. Muitas pessoas foram assassinadas, naquele ano de 1645, sob o comando do Jacob Rabi, começando em Cunhaú, depois Casa Maior de João Lostau e, finalmente, em Uruaçu.
Na descendência de Teodósio não há indícios que nos levem a acreditar que fosse filho de Beatriz Lostau. Os possíveis sobrenomes que surgem desses descendentes sempre estão relacionados a Manoel Rodrigues  Pimentel e Francisco Lopes.
Há outros autores que dizem que Joris Garstman se relacionou com uma portuguesa, filha de pessoa que trabalhava com engenho de açúcar. Nunca foi citado o nome dessa portuguesa, nem sequer do pai dela.
Um registro de batismo me deixou intrigado. Por ele, e por outros motivos, acredito que Beatriz nunca se casou. Vamos ao registro: aos 14 de dezembro do dito ano (1681, data do registro anterior a  este) na Capela de São João (das Guaraíras), batizou o Reverendo Padre Superior Luiz Pinto, e pôs os santos óleos, a Eugênia, filha de Maria, escrava de Brites Lostau, padrinho Antônio Moreira. Aqui, não acompanha nem a palavra viúva, nem casada.
Em nenhum registro, anterior ou posterior a esse acima, encontrei alguma citação a  Dona Beatriz. Nessa data, era possível que ela fosse viva, pois sua irmã mais velha, em 1626, estava prometida para Manoel Rodrigues Pimentel. Talvez, Beatriz tenha falecido uma data posterior e próxima ao ano de 1681.
Em muitos registros que tenho encontrado Brites e Beatriz são as mesmas pessoas.
Vejamos alguns registros nessa área, para no situar no contexto.
No dia 2 de março de 1684, batizou o Reverendo Padre Superior Luiz Pinto, na Capela de São João das Guaraíras, e pós os santos óleos a José, filho de Ana, escrava de Domingos Gomes Salema, padrinhos José Gomes Salema e Catarina, escrava de Felipe da Silva.
Esse Felipe da Silva era casado com Joana Salema. No testamento de Cipriano Lopes Pimentel, ele declarou que era filho de Francisco Lopes e Joana Dornelles, e que era casado com Teresa da Silva, filha de Felipe da Silva e Joana Salema.
Nessa mesma Capela de São João das Guaraíras, 1689 e 1690,  foram batizados, respectivamente,  Luiza e Lázaro, ambos filhos de Cipriano Lopes Pimentel e Teresa da Silva, e Dona Joana Dornelles, avó deles, como consta no registro,  foi madrinha de ambos, e neste último teve ainda Francisco Dornelles como outro padrinho; outro filho do capitão Cipriano Lopes Pimentel e Teresa da Silva, cujo nome omitiram, já foi batizado, posteriormente,  na Capela de Nossa Senhora dos Prazeres de Goianinha, e Dona Joana, também foi madrinha.
No requerimento de Teodósio de Graciman, como herdeiro dos bens de seu sogro Francisco Lopes, por ser casado com Paula Barbosa, constava o Sítio Barra das Guaraíras, onde estava morando o dito seu sogro, que por conta da idade avançada, solicitou que ele, requerente,  fosse o administrado dos bens dela, Paula Barbosa, filha mais velha de Joana Dornelles, conforme as regras ditadas pelo velho João Lostau. Como muitos documentos se perderam, na invasão do inimigo holandês, solicitava nova sesmaria para a mesma sorte de terra da Barra das Guaraíras.
Em todos os documentos associados aos familiares descendentes de João Lostau, exceto o dote para Maria Lostau, não encontrei qualquer menção a segunda filha, Beatriz Lostau, a não ser esse registro de 1681.
Por isso, acredito que Beatriz faleceu solteira, sem descendência, e, portanto, não era a mulher de Joris Garstman.
 
Brites Lostau