domingo, 6 de novembro de 2016

Os abusos do capitão-mor Joaquim Félix de Lima




João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Joaquim Félix de Lima exerceu o cargo de capitão-mor desta Capitania do Rio Grande do Norte no período de 1760 até 1774, quando faleceu aos 60 anos de idade, pouco mais ou menos, sendo casado com Dona Caetana Joaquina.

No projeto Resgate encontramos uma representação de Manoel Fernandes contra o capitão-mor que transcrevemos para cá com as devidas correções, incluindo aí o nome completo dos personagens.

A Vossa Majestade se queixa Manoel Fernandes (do Nascimento), homem branco, e soldado condestável da Fortaleza desta Cidade do Rio Grande do Norte, de Joaquim Félix de Lima, capitão-mor e governador desta mesma, e Comarca da Paraíba do Norte, e as razões de sua queixa as expõem pelos itens seguintes:

1.            Que sendo casado em face da Igreja, e na forma do Sagrado Concílio Tridentino, e lei do Reino, Henrique Telles (de Menezes), soldado de Vossa Majestade, com Maria Manoela, cunhada dele queixoso, fazendo estes vida marital com paz e sossego: o dito capitão-mor se concubinou com a sobredita mantendo-a em sua casa de portas adentro fazendo vida como casados, afastando-a por este modo do seu marido, onde viveu alguns anos naquele concubinato.

2.            Que o dito capitão-mor não contente como referido, se afastou da dita cunhada, dele queixoso, Maria Manoela, e se concubinou com a mulher dele queixoso, Antônia Maria da Silva, irmã da dita sua cunhada, onde, com escândalo público, a tirou da companhia dele queixoso proibindo-lhe por este modo de vida marital, onde está com ela vivendo de portas adentro como casados, e está parindo dele dito capitão-mor.

3.            Que para melhor viver o dito capitão-mor naquele depravado vicio, se tem retirado daquela cidade, faltando ao governo dela para existir em um sitio nos Subúrbios da mesma, distante seis léguas, chamado (ilegível), onde está vivendo com dita sua mulher de portas adentro, e proibindo a ele queixoso para não sair fora daquele presídio, onde o tem sido preso várias vezes pelo referido e (ilegível) uma vez conversando com a dita sua mulher lhe dera aquele capitão-mor varias pancadas, e o levara preso bastante tempo, (ilegível) atormentado e sem baixa lhe quer dar, tendo-lhe pedido várias vezes, pela injúria com  que se vê ele queixoso, e no maior vexame com o serviço de Vossa Majestade pelas razões expendidas por ser ele queixoso uma das principais famílias daquele lugar.

4.            Que o dito capitão-mor se tem procedido e está procedendo semelhantes absurdos é com o respeito do bastão, e cargo que ocupa debaixo da proteção de Vossa Majestade Fidelíssima, e assim

Peço a Vossa Majestade seja servido mandar-lhe entregar a dita sua mulher que obrigada daquele vexame, e violência, se afastou dele dito queixoso, e quando Vossa Majestade Fidelíssima seja servido mandar conhecer do caso, que é notório e escandaloso por ministros sem suspeitas pelo atual do da Comarca da Paraíba ser seu especial amigo, dando-se lhe o castigo que Vossa Majestade fidelíssima parecer, onde pede ele queixoso justiça para exemplo de outros.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
Vejamos aqui algumas informações sobre esses personagens, que foi possível encontrar.

   De um assentamento de praça tiramos que :Henrique Teles de Menezes, homem casado, filho legítimo de Henrique Teles de Menezes, natural dos subúrbios desta cidade, e de idade que disse ser de vinte e dois anos, pouco mais ou menos, homem branco, de ordinária estatura, espigado de corpo, olhos pardos, e acastanhados, com falta de dentes, da parte de cima, assentou praça por despacho do capitão Joaquim Félix de Lima, em 22 de setembro de 1760.
    Em 3 de agosto de 1755, na Igreja de Santa Ana da Aldeia da Missão de Mipibu, onde o Frei Juvenal de Santo Albano estava em missão, Henrique Teles de Menezes, filho de Henrique Teles de Menezes, e Christina Pereira, ambos falecidos, casou com Maria Lopes de Jesus (a mesma Maria Manoela), filha de Antônio Lopes Pilouro, e Josefa Maria de Jesus, na presença de Luís Ferreira de Lima, e Antônio de Albuquerque e Melo Vasconcelos; em 1761, nascia e era batizada Ana, filha de Henrique e Maria Manoela, sendo os avós paternos Henrique Teles de Menezes e Christina Pereira, e maternos Antônio Lopes, natural de Lisboa, e Josefa Maria, foi padrinho o capitão de infantaria Pedro Tavares Romeiro.
   Aos 24 de junho de 1756, de licença do Reverendo Vigário o Doutor Manoel Correia Gomes, na Capela de Nossa Senhora do Mipibu, batizou e pôs os santos óleos o Reverendo Padre Antônio de Araújo e Souza, a Maria Madalena, filha de Henrique Teles e de sua mulher Maria Manoela, foram padrinhos Manoel da Silva Queiroz e Maria Madalena, filha de Antônio Lopes.
   Em 1757, faleceu Maria, escrava de Henrique Teles, que tinha sido batizada em casa de Manoel da Silva Queiroz, era filha de Ana, escrava do dito Henrique Teles.
   Vejamos o registro de casamento do queixoso: Manoel Fernandes do Nascimento, filho natural de Bernarda de Abreu Luna, exposto em casa da viúva Ângela da Costa, casou em 11 de maio de 1764, com Antônia Maria, filha de Antônio Lopes, falecido, e Josefa Maria, sendo testemunhas Antônio de Albuquerque e Melo Vasconcelos, solteiro e o sargento Cosme de Freitas Andrade.  Sogro de Manoel Fernandes do Nascimento e de Henrique Telles de Menezes,  de nome Antônio Lopes, era natural de Portugal.
   As irmãs citadas na queixa de Manoel Fernandes era filha do português Antônio Lopes. Um dos seus irmãos era Manoel Lopes da Costa., Segundo um assentamento de praça: Manoel Lopes da Costa, homem branco, casado, morador nesta cidade, filho legítimo de Antônio Lopes, solteiro, de idade de 25 anos, pouco mais ou menos, de estatura baixa, cor morena, cabelo preto, com uma cova na barba, e não muito abundante dela, olhos grandes, as sobrancelhas direitas e pretas, com todos os seus dentes de diante, assenta praça por sua vontade de soldado pago, nesta companhia. em 20 de outubro de 1763, por despacho do capitão-mor Joaquim Félix de LIma.

 Vejamos batismos de alguns filhos desse irmão das mulheres do capitão-mor: João, filho de Manoel Lopes da Costa, natural de Cajupiranga, e Maria Elena do Espírito Santo, neto de Antônio Lopes, de Portugal, e Josefa Maria de Jesus, neto materno de Custódio Soares, de Portugal, e Luísa Maria de Jesus, sendo padrinhos Francisco Lopes da Costa; Francisco, nasceu e foi batizado em 1774, sendo padrinhos José Fernandes Campos, casado, com procuração do seu irmão Manoel Fernandes Campos; Pedro, nasceu e foi batizado em 1770, sendo padrinhos o tenente-coronel Manoel de Oliveira Barros, casado, e Dona Maria do Corpo de Deus, mulher do sargento João Batista de Melo; Ana, nasceu e foi batizada em 1766, teve como padrinhos o licenciado (cirurgião) Francisco Paulo Moreira, casado, e Ângela Maria de Seabra.

   Em 1768, nasceram e foram batizados dois filhos gêmeos de Manoel Lopes da Costa e Maria Elena, de nomes José e Joaquim, sendo padrinho de José,  o capitão Manoel Pinto de Crasto, e de Joaquim, Albino Duarte de Oliveira, e madrinha dos dois Florência Bezerra, filha do tenente José Barbosa Gouveia.

Em 1790, Manoel Lopes da Costa Junior, filho de Manoel Lopes e Maria Elena, casou com Feliciana Maria da Apresentação, filha de Dionísio Lopes de Araújo e Ana Gomes da Costa, na presença de Felipe Barbosa Romeiro e  José da Costa Pereira.




domingo, 16 de outubro de 2016

A ocupação da zona salineira, 1708


Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com




Pascoal de Freitas de Castro e Domingos Madeira Diniz são pessoas que aparecem relacionadas e que merecem destaque nesta publicação.
Entres os filhos de Pascoal de Freitas e de sua mulher Joana de Almeida, encontramos os seguintes: Agostinho, batizado aos 11 de maio de 1689, teve como padrinhos Domingos Madeira Diniz e sua irmã Izabel Ferreira; Maria foi batizada em 7 de dezembro de 1791, em casa,  teve como padrinho o cabo de esquadra Francisco Simões; Luzia, foi batizada aos 28 de outubro de 1695, tendo como padrinhos Manoel da Costa; outra Maria, batizada aos 21 de novembro de 1697, e foram seus padrinhos João Pereira de Souza Catunda e Dona Catharina Leitão, esta mulher do capitão-mor Bernardo Vieira de Melo.
Esse  Domingos Madeira aparece como padrinho ao lado de uma filha de nome Joana Ferreira, em 1703.
Posteriormente, vou encontrar um Pascoal de Freitas, filho de Manoel de Freitas da Costa e de Custódia de Freitas, falecida, casando, aos 3 de agosto de 1755, na Capela de Nossa Senhora de Santa Ana, da Aldeia de Mipibu, no tempo em que estava de visita por aqui, o Frei Juvenal de Santo Albano, com Maelma Ribeiro, filha natural de Lourenço da Costa, falecido, e Francisca Marinho, na presença do Padre Frei Fidelis de Pastana, e das testemunhas Antônio Moraes Gandarela, solteiro, e Francisco Xavier Torres, casado. Esse Manoel de Freitas, viúvo de Custódia, casou em 15 de junho de 1748, com Lourença Camelo, que tinha ficado viúva de Antônio, do Gentio da Guiné, que era escravo de Domiciano da Gama, sendo ela, a nubente, escrava do capitão Manoel Alves Bastos.
 Pascoal de Freitas da Castro, em 1709, sendo mestre de capela, requereu e lhe foi concedida terras da testada da Ilha de Domingos Madeira, pela costa até a barra do Rio das Conchas, com todas as ilhas entre elas. Alegava, que morava nesta capitania com a mulher e filhos, servindo a Majestade, Dona Maria I, e que essas ditas terras não foram dadas a pessoa alguma e nem era povoada.
De outro documento, também extraído do Projeto Resgate, retiro um trecho: Diz o sargento-mor Gregório de Oliveira e Melo, morador nesta capitania, que ele suplicante tem e está servindo nela a Sua Majestade, Que Deus Guarde, há muitos anos, sem até o presente, 1729, nem por si, nem em vida do defunto seu pai, o capitão Manoel Gonçalves haverem pedido carta de terras nenhuma (ilégivel) e se tem pedido agora é por se achar a seu cargo com obrigações de sua mãe, e irmãos a quem alimentar e vestir, e por assim poder fazer, tem notícias se acha, na Costa das Salinas desta capitania, terras devolutas que compreende em si sítios de pescarias, como sejam Minhoto, Mangue Seco, Tubarâozinho, Tubarão, Cacimbas do Madeira, que suponho se em algum tempo fossem dadas, se acham devolutas, donde ele suplicante quer mandar pescar com suas redes, no que é de utilidade de Sua Majestade nas rendas dos seus dízimos, portanto, pede a Vossa Majestade seja servido com se dar-lhe em nome de Sua Majestade, Que Deus Guarde, por data para ele suplicante, e seus herdeiros ascendentes e descendentes, três léguas de terra de comprido, pegando no dito  Sítio Minhoto, correndo pela Costa abaixo até entestar com terras de Pascoal de Freitas de Castro, que pouco mais ou menos poderão ser as datas três léguas de comprido com uma de largura para o Sertão.
Da Fazenda Real a informação que os Sítios Tubarão e Mangue Seco tinham sido dados em 25 de novembro de 1708 a Belchior de Brito e José de Mendonça, e não constava no cartório se foram povoadas ou não, estando devolutas e desaproveitadas.

sábado, 17 de setembro de 2016

Nicolau Paes Sarmento e Francisco Godinho Mota

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com



Na internet encontramos referências a um militar e religioso de nome Nicolau Paes Sarmento. Aqui, no Rio Grande do Norte, encontramos tanto em assentamentos de praça, como em registros religiosos, notícias de um Nicolau Paes Sarmento, que não sei dizer se tinha alguma relação com o Deão de Pernambuco.  Neste nosso trabalho, chamamos a atenção para o fato de que, muitas vezes, as informações de registro a registro variam, criando dificuldades de entendimento sobre a veracidade dos assentos encontrados, tanto com relação aos nomes, como em relação as naturalidades das pessoas. Não vamos deixar que essas dificuldades nos impeçam de levar adiante nosso intento.
Nicolau Paes Sarmento, filho de José de Almeida Vilanova, natural desta capitania, de idade de 14 para 15 anos, de estatura espigada, seco de corpo, cara comprida e cheia, homem branco, cabelo curto, castanho, olhos pardos, sobrancelhas aparadas, senta praça de soldado por sua vontade, nesta Companhia do capitão Francisco Ribeiro Garcia, em 7 de janeiro de 1739, por mandado do senhor governador general de Pernambuco, Duarte Sodré Pereira, e intervenção do Provedor da Fazenda Real e Vedor da Gente de Guerra, o capitão Domingos da Silveira, com o vencimento de dois mil e quatrocentos réis por mês, e por ano, vinte e oito mil e oitocentos réis por ano, a saber: quinze mil trezentos e sessenta réis em dinheiro, e em farda treze mil quatrocentos  e quarenta réis, na forma da ordem de sua Majestade. Bento Mousinho.
Em seu casamento, cinco anos mais tarde, Nicolau aparece com outro sobrenome: Aos 17 de dezembro de 1744, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, Nicolau José de Almeida, filho legítimo de José de Almeida Vilanova, falecido, e de sua mulher Maria Josefa Pessoa, casou com Maria do Espírito Santo, filha do capitão Francisco Godinho Mota e de sua mulher Clara do Nascimento, dispensados no terceiro grau de consanguinidade, na presença do alferes Marcos de Oliveira, e do cabo de esquadra Estevão Ribeiro da Silva, da companhia do capitão Domingos de Araújo.
Desse Francisco, sogro de Nicolau, temos um assentamento de praça: Francisco Godinho Mota, filho legítimo de José Godinho Mota, natural da Ilha do Faial, de idade de 34 anos, pouco mais ou menos, de estatura alta, cheio de corpo, cara comprida e cheia, cor branca, rosado, cabelo castanho, com volta nas pontas, olhos pardos e grandes, senta praça, nesta Companhia do capitão Francisco Ribeiro Garcia, de soldado raso, em 28 de dezembro de 1733. Mais adiante, falaremos mais sobre ele.
Aos 29 de junho de 1764, nascia Clara, mesmo nome da avó materna, filha de Nicolau José de Almeida e Dona Maria do Espírito Santo, neta por parte paterna de José de Almeida, natural deste Rio Grande, e de Dona Maria Josefa Vieira, natural de Pernambuco, e pela materna de Francisco Godinho Silva, natural da Vila de Faial, e de Dona Clara do Nascimento Xavier, natural desta cidade, tendo sido batizada aos 15 de julho de dito ano, na Matriz, sendo seus padrinhos o sargento-mor Francisco Machado de Oliveira Barros, homem casado, e Elena Archângela de Jesus, filha de Bernardino de Sá.
Nicolau Paes Sarmento, filho de Nicolau Paes Sarmento, natural de Pombal, e morador nesta Ribeira do Assú, branco, casado, de estatura alta, seco de corpo, cabelo curto, e ruivo, pouca barba, olhos pardos, sobrancelhas medianas, com idade de 34 anos, senta praça em revista de 27 de julho de 1789. Deve ter nascido por volta de 1755.
Antônio José de Freitas, filho legítimo de Nicolau Paes, natural das Piranhas, pardo, solteiro, e morador na Ribeira do Assú, de estatura ordinária, cara redonda, boca grande de beiços grossos, olhos fundos, sobrancelhas pequenas, com a idade de 21 anos, senta praça em Revista de 27 de julho de 1789.
Manoel José, filho legítimo de Nicolau José, desta Freguesia, branco, de estatura baixa, oficial de ourives, senta praça por mandado do capitão-mor desta capitania Joaquim Félix de Lima, e intervenção do Vedor de Gente de Guerra, Doutor Antônio Carneiro de Albuquerque Gondim, em 29 de dezembro de 1763.
Essa mudança no sobrenome de Nicolau, como já visto no casamento dele, se repete, posteriormente, em outros registros: Maria, filha legítima de José Antônio de Sá e Mariana Pereira, neta pela parte paterna de Nicolau José de Almeida e de Maria do Espírito Santo, e pela materna de Gonçalo de Barros e Antônia (Vieira), nasceu aos 4 de agosto de 1772, e foi batizado na Matriz, aos 12 do mesmo mês e ano, tendo como padrinhos João de Barros Coelho e sua mulher Luzia Maria do Espírito Santo. Em 16 de agosto de 1770, tinha nascido Ana, filha de José Antônio e Mariana, que foi batizada aos 27 do mesmo mês e ano, tendo como padrinhos Manoel José, e sua mãe Maria do Espirito Santo, mulher de Nicolau José. Nesse último registro, consta que Gonçalo de Barros era natural da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Vila de Goiana e sua esposa, Antônia Vieira, de Goianinha.
Em 1778, na Matriz, Manoel José de Almeida, filho de Nicolau José, e de sua mulher Maria do Espírito Santo, casou com Thereza Maria do Espírito Santo, filha de Antônio Ribeiro de Aguiar e de sua mulher Domingas Ramos; Domingos, filho legítimo de Manoel José de Almeida e Thereza Maria da Conceição, nasceu aos 29 de março de 1788, e foi batizado na Matriz aos 29 de abril do mesmo ano, tendo como padrinhos José Bezerra (de Lira) e sua mulher Genoveva (Maria da Apresentação). Esta Genoveva era filha do tenente José Barbosa Goveia, natural da Ilha de São Miguel, e Quitéria Thereza de Jesus, natural da Paraíba.
 De um registro, já com muitas falhas, extraímos que Desidéria, filha legítima de Nicolau José de Almeida e Maria do Espírito Santo, naturais desta Freguesia, neta por parte paterna de José de Almeida Vilanova, desta, e de Maria Josefa, natural de Pernambuco, e pela materna de Francisco Godinho, natural da Ilha, foi batizada em 1762, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, e teve como padrinhos o capitão José Pedro de Vasconcelos, casado, e Luzia, filha de Antônia Maria, mulher de Manoel Gomes de Albuquerque.
Em 15 de agosto de 1769, faleceu Alexandre, filho de Nicolau e Maria do Espírito Santo, com a idade de 8 anos; Dona Maria do Espírito Santo, mulher de Nicolau, faleceu em 20 de abril de 1778;
Voltando a família de Francisco Godinho, encontramos em um assentamento de praça, que: Francisco Xavier do Nascimento (sobrenome da mãe), natural desta cidade do Natal, capitania do Rio Grande do Norte, moço solteiro, filho legítimo de Francisco Godinho Mota, de idade que disse ter de 21 anos, pouco mais ou menos, de estatura baixa, cara comprida, cor morena, cabelo preto e corredio, com um sinal de ferida no rosto, senta praça na Companhia do capitão Luiz Bernardes de Morais, de soldado raso, em 24 de setembro de 1739.
Vejamos assentamentos de netos de Francisco Godinho Mota: Antônio José de Albuquerque, solteiro, filho de Francisco Xavier do Nascimento, natural desta cidade, de idade de quatorze anos, de baixa estatura, seco de corpo, testa estreita, rosto redondo, olhos pequenos e pardos, nariz comprido, sem buço e falta de dentes , cabelo corredio e castanhado, senta praça de soldado voluntário em 14 de julho de 1781; Bernardo José de Albuquerque, filho legítimo de Francisco Xavier do Nascimento, natural desta cidade, de idade de 15 anos, pouco mais ou menos, cor alvaria, de estatura pequena, sem ponta de barba, testa de cantos redondos, cabelo estirado, rosto algum tanto redondo, seco de corpo, olhos pardos, sobrancelhas grossas, nariz ordinário, boca grande, e com todos os dentes, senta praça voluntário em outubro de 1780.
Aos oito de janeiro de 1750, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, Francisco Xavier do Nascimento, filho de Francisco Godinho Mota e sua mulher Clara do Nascimento Xavier, casou com Maximiana Valéria Tibúrcia de Albuquerque, filha legítima do capitão-mor Caetano de Melo de Albuquerque e de sua mulher Dona Violante de Sá.
Bernardo, filho legítimo de Francisco Xavier do Nascimento e Dona Maximiana Valeriana Tibúrcia de Albuquerque, naturais desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, neto por parte paterna de Francisco Godinho Mota, natural das partes de Portugal, e de sua mulher Clara do Nascimento, natural desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, e pela materna do capitão-mor Caetano de Melo de Albuquerque e de sua mulher Dona Violante  (Dias) de Sá, natural desta Freguesia,  foi batizado aos 28 de agosto de 1763, sendo padrinhos Nicolau José, casado, e Antônia da Silva, mulher de Simão Rodrigues, da Vila de São José.
Ana, filha legítima de Francisco Xavier do Nascimento, e de Maximiana de Albuquerque, natural desta cidade, neta por parte paterna de Francisco Godinho Mota, natural da Ilha de Faial, e de Clara Xavier do Nascimento, natural desta Freguesia, e pela materna de Caetano de Albuquerque de Melo, natural desta cidade, e Dona Violante Dias de Sá, natural de Santo Amaro de Jaboatão, nasceu aos 24 de março de 1770, e foi batizada com os santos óleos, de licença minha, nesta Matriz, pelo padre Francisco Manoel Maciel, aos 28 de abril do dito ano, foram padrinhos Victorino Rodrigues e sua mulher Luiza de Souza. Ana faleceu cinco anos depois.
Em 20 de dezembro de 1761, foi batizada Thereza, e nesse batismo, o nome do pai é Francisco Godinho, a mãe Maximiana de Albuquerque e Melo, a avó paterna é Clara do Sacramento, e avó materna Violante Dias Rodrigues, tendo como padrinhos Vicente Rodrigues, lá do Curato de Papari, e Antônia do Sacramento, mulher de Manoel Gomes de Albuquerque. Se não tivermos atentos, registros com tantas diferenças podem nos confundir.
Tanto Francisco Xavier do Nascimento adotou o sobrenome da mãe, como seus filhos acima adotaram o sobrenome Albuquerque, da esposa dele. Dona Clara Xavier do Nascimento, já viúva, faleceu aos 16 de maio de 1771, com a idade de 60 anos pouco mais ou menos.
Em 5 de maio de 1777, nascia João, filho de Estevão Nicácio de Souza, e Francisca Xavier, naturais desta cidade, neto por parte paterna de Gonçalo Rodrigues de Souza, natural do sertão do Jaguaribe, e Ana Rodrigues de Sá, e pela materna de Francisco Xavier do Nascimento e Maximiana Valéria de Albuquerque e Melo, natural desta cidade, foram padrinhos Antônio de Carvalho e sua filha Ana Rosa.

sábado, 10 de setembro de 2016

A filha natural de João Rodrigues da Costa Junior, 1844

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Aos dois de setembro de 1844, lanço neste livro de assentos dos batismos que serve nesta Matriz de São João Batista de Assú, o assento de batismo de Francisca, parda, filha natural de João Rodrigues da Costa Junior com Marcelina, escrava de João Batista da Costa, já lançado em outro livro dos batizados de folha cento e oitenta e nove, com sentido do despacho abaixo declarado e é da maneira seguinte: 

Ilustríssimo e Reverendíssimo Senhor - Diz João Rodrigues da Costa Junior, solteiro, morador no lugar de Piató desta Freguesia de São João Batista de Assú, que ele tivera de Marcelina, escrava de seu mano João Batista, uma filha de nome Francisca a qual tomou e tem tido em sua companhia desde de sua tenra idade como sua filha que é, e por que fosse batizada nesta Matriz sem declaração de quem era seu pai, por isso requer a  Vossa Senhoria a mande de novo lançar para que em todo tempo haja de constar o de devido = Chama-se Francisca, nascida a 28 de janeiro de 1830, batizada nesta Matriz pelo Padre Joaquim José de Santa Ana; foram seus padrinhos Miguel, escravo do tenente João Rodrigues da Costa e Thereza, escrava de João de Barros de Oliveira, declarando igualmente ser filha natural do suplicante, portanto = Pede ao Reverendo Senhor Vigário Interino da Vara mande lançar o novo assento com a declaração que requer = Sim = Vila da Princesa 2 de setembro de 1844 = Montenegro = 

Francisca, parda, filha natural de João Rodrigues da Costa Junior com Marcelina escrava de João Batista da Costa, nascida a 28 de janeiro de 1830, foi batizada a vinte e um de fevereiro do dito ano por mim e lhe conferi os sagrados óleos; foram padrinhos Miguel, escravo do tenente João Rodrigues da Costa e Thereza, escrava de João de Barros de Oliveira, todos deste Assú, e para constar fiz este assento em que me assino, o Padre Joaquim José de Santa Ana = Pároco do Assú = e para constar a todo tempo, fiz este assento em que me assino = Padre Francisco Urbano de Albuquerque, Vigário interino de Assú.

Outros novos batismos foram lançados a pedido dos pais de filhos naturais, que transcrevemos para aqui.

João, filho natural de José Duarte de Azevedo, e Benta Maria, nasceu aos 2 de novembro de 1832, e foi batizada no dia 7 do mesmo mês e ano, pelo Reverendo Joaquim José de Santa Ana, e lhe pôs os santos óleos; foram padrinhos João de Barros de Oliveira e Nossa Senhora da Conceição, e por me ser pedido pelo pai do adulto, por um requerimento, fiz este novo lançamento, que torna sem nenhum, efeito outro qualquer que apareça, e para clareza me assino. José Ferreira Nobre Formiga, Vigário do Assú.

Josefa, filha natural de João Maurício Pimentel, e Ana Monteiro, nasceu aos 17 de setembro de 1809, e foi batizada nesta Matriz pelo Reverendo Vigário Antonio de Souza Monteiro, a dez de novembro do mesmo ano, e lhe pôs os santos óleos, foram padrinhos Alexandre de Souza Castro, casado, e Aldonsa Maria, solteira, e por me ser pedido a requerimento do mencionado João Maurício Pimentel, fiz este novo lançamento que torna sem nenhum efeito outro qualquer lançamento que aparecer possa, e para constar mandei fazer este assento em que me assinei. José Ferreira Nobre Formiga, Vigário do Assú.


sexta-feira, 9 de setembro de 2016