terça-feira, 31 de maio de 2016

Os batismos do Dr. Amaro Cavalcante e do Padre João Maria





Por João Felipe da Trindade

Pela internet, se percebe que algumas pessoas confundem dois Amaros, um pernambucano, Amaro Carneiro, e outro norte-rio-grandense, Amaro Cavalcante. O nosso é natural de Jardim de Piranhas, como seu, irmão, também famoso, o Padre João Maria, um santo em vida.

Hoje, transcrevo para cá, os batismos dos irmãos célebres, lá de Jardim de Piranhas. Seus batismos foram extraídos dos registros digitalizados dos mórmons, e pertencem a Freguesia de Caicó.

João, filho legítimo de Amaro Soares de Brito, e de Ana de Barros, naturais e moradores, nesta Freguesia, nasceu aos 23 de junho e foi batizado com os santos óleos, aos 14 de julho de 1848, na Capela de Jardim, filial desta Matriz, pelo Padre Domingos Pereira de Oliveira, de minha licença, foram padrinhos Antônio de Barros Cavalcante Junior e Felicidade Francisca, solteiros, do que para constar mandei fazer este assento que assino, Manoel José Fernandes

Amaro, filho legítimo de Amaro Soares de Brito, e de Ana de Barros Cavalcante, naturais e moradores desta Freguesia, nasceu aos 15 de agosto de 1849, e foi batizado, nesta Matriz, com os santos óleos, aos vinte e cinco de outubro do mesmo ano, pelo Reverendo Coadjutor Francisco Justino Pereira de Brito, de minha licença. Foram padrinhos o Padre Domingos Pereira de Oliveira e Alexandrina de Barros Cavalcante, casada, moradores nesta Freguesia; de que para constar mandei fazer este assento em que assino. Cônego Vigário Manoel José Fernandes.
Algumas considerações a partir desses batismos. Em primeiro lugar, nesses dois registros não comparece, no nome do pai, o sobrenome Cavalcante, que me parece vem, unicamente, da mãe. Em segundo lugar, esse padrinho de Amaro, que era solteiro, nesse batismo, pode ser, pelo sobrenome, irmão de Dona Ana de Barros Cavalcante, e, por isso, talvez o pai dela se chamasse Antônio Barros Cavalcante.

Talvez, o sobrenome Cavalcante, tenha se repetido, no nome do pai do Padre João Maria e de Amaro Cavalcante, a partir do óbito dele ocorrido em Natal, como segue.

Aos 21 de outubro de 1891, nesta cidade, faleceu e foi sepultado no Cemitério Público, Amaro Soares Cavalcante de Brito, natural do Seridó, morador nesta mesma cidade, viúvo, na idade de 75 anos, recebendo os sacramentos da Santa Unção, e sendo encomendado. Do que mandei fazer este assento. João Maria Cavalcante de Brito.



P. S. 
Com a informação sobre a idade de Amaro, pai do Padre João Maria, fomos procurar seu batismo. Recuando no tempo, encontramos, inicialmente,  o seguinte registro:
 Joana, filha legítima de Antonio de Barros Cavalcante, e de Luciana Maria, naturais e moradores nesta Freguesia do Seridó, nasceu a quatorze de fevereiro de mil oitocentos e quinze, e foi batizada na Capela de Jardim, a vinte e seis do mesmo mês, pelo Padre José Moreira da Silva, de minha licença, que lhe pôs os santos óleos, sendo padrinhos Francisco de Resende de Carvalho e Paula Maria, solteira. do que para constar fiz este assento. Francisco de Brito Guerra.
Esse registro acima me animou, por dois motivos: primeiro, o pai de Joana era o mesmo pai do padrinho do Padre João Maria. Segundo, por que Monsenhor Severino, quando escreveu sobre o Padre João Maria, citou como avó dele, Dona Luciana.  Fomos, pois, adiante, em busca do registro de batismo do pai do nosso padre.
Mais adiante, encontramos, o seguinte registro: Amaro, filho legítimo de Antônio de Barros, e de Luciana Maria, naturais e moradores neta Freguesia, nasceu em setembro de 1817,  e foi batizado a nove de outubro do mesmo ano, na Capela de Jardim de Piranhas, pelo padre José Moreira, de minha licença, foram padrinhos José Maria de Mello, casado, e Dona Joana Baptista, viúva, do que para constar, fiz este assento, em que assino. O vigário Francisco de Brito Guerra.
Assim, diferentemente do que supunha, Antonio de Barros era avô paterno do Padre João Maria, e, tinha Cavalcante no sobrenome. Portanto, o pai do Padre devia ser parente da mãe dele.






domingo, 29 de maio de 2016

O português Antônio Martins dos Santos, lá em Angicos




Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com




Nestor dos Santos Lima, quando escreveu sobre Antônio Lopes Viegas e João Barbosa da Costa, no seu trabalho sobre o Munícipio de Angicos, disse que as famílias desses dois unidas constituíram o povo dessa localidade e, disse mais, que do Recife, vieram para Angicos três homens de boas famílias, um brasileiro e dois portugueses. Não especificou quem eram esses três homens.

Uma coisa é certa, Felipa Maria Duarte, uma das filhas de Antônio Lopes Viegas, foi casada com o português Antônio Martins dos Santos.

Por um assentamento de praça, lá do Assú, encontramos que Antônio Martins dos Santos, filho de Miguel Martins dos Santos, natural da Freguesia de Santa Eulália de Balazar, em Portugal, branco, casado e morador nesta Ribeira do Assú, de estatura alta, seco de corpo, cor amarela, cabelo corredio e preto, nariz grande, olhos fundos, de idade de vinte e três, anos assenta praça em revista de vinte e sete de julho de 1789.

Na margem há ainda o seguinte registro: Passou a cabo de esquadra desta Companhia. Outra observação é que nessa data Antônio Martins dos Santos já era casado.

Um amigo genealogista foi mais atrás nas suas pesquisas e me passou mais detalhes dos ascendentes desse meu ancestral. Na árvore genealógica desenhada em Carapebas, no Armazém de Jacob Avelino, minha tetravó, Joaquina Maria do Rosário, aparece como filha de Antônio Martins dos Santos e de uma filha de Antônio Lopes Viegas, que lá parece ser Mariana. Entretanto, nos registros da Igreja, a filha de Antônio Lopes Viegas, que era casada com Antônio Martins dos Santos, era Felippa Maria Duarte. Mas, vamos aos ascendentes do português.

Comecemos pelo seu batismo: Antônio, filho legítimo de Miguel Martins dos Santos, e de sua mulher Maria da Silva, da Aldeia de Louzadelo, desta Freguesia de Santa Eulália de Balazar, neto pela parte paterna de Antônio Martins e de sua mulher Lucrécia Domingues, da Aldeia de Casal, e ela natural da Freguesia de São Félix de Gondifelos, do lugar de Peniche, e pela materna , neto de Custódio Gonçalves, e de sua mulher Maria Domingues, da Aldeia de Louzadelo, desta mesma Freguesia de Santa Eulália de Balazar, nasceu aos treze dias do mês de fevereiro do ano de mil setecentos e sessenta e cinco, e foi batizado, por mim, Antônio da Silva e Sousa, Reitor desta mesma Igreja, aos quatorze dias do mesmo mês e ano. Foram padrinhos Joseph, solteiro, filho de Gregório da Costa, de Louzadelo, e Maria, solteira, filha de Manoel André, da Aldeia do Casal, e lhe pus os santos óleos, estando por testemunhas Antônio Martins, Manoel André, ambos do Casal, e José, solteiro, seu padrinho, todos desta mesma Freguesia, e para mim por ser verdade, fiz este termo que assinei era ut supra. Reitor Antônio da Silva e Sousa.

Quanto aos pais de Antônio Martins, temos que Miguel Martins, nasceu aos 5 de dezembro de 1725, e foi batizado aos 9 do mesmo mês e ano; casou com Maria Domingues da Silva, aos 5 de maio de 1749, em Portugal.

O avô paterno, Antônio Martins, foi batizado aos 11 de fevereiro de 1696, e sua primeira esposa, Dona Lucrécia Domingues, que nasceu aos 26 de janeiro de 1696, foi batizada aos 6 de fevereiro desse mesmo anos, em São Félix de Gondifelos, da Vila Nova de Famalicão. Eles casaram aos 27 de novembro de 1724, em Portugal.

O avô materno Custódio Gonçalves foi batizado aos 25 de março de 1703, e casou com Maria Domingues, aos 2 de novembro de 1727, em Portugal.

Os bisavôs paternos, Antônio Martins e Maria Francisca (pais de Antônio Martins), casaram no dia 27 de janeiro de 1676, em Portugal; os outros bisavôs, Antônio Martins e Maria Domingues (pais de Lucrécia Domingues), casaram em 1 de setembro de 1674, em Portugal.
Custódio Francisco e Maria Domingues (pais de Custódio Gonçalves), casaram aos 24 de julho de 1701, em Portugal; Antônio João e Ana Domingues, pais de Maria Domingues, casaram aos 5 de novembro de 1684.

Os Trisavós paternos, Antônio Martins e Maria Antônia (pais de Antônio Martins), casaram aos 13 de agosto de 1635, em Portugal; Francisca Correia e Maria Gonçalves (pais de Maria Francisca); Manoel Francisco e Domingas Martins (pais de Antônio Martins) casaram aos 29 de dezembro de 1645, em Portugal; João Domingues e Maria Francisca (pais e Maria Francisca).

Os trisavôs maternos Domingos Francisco e Domingas Manoel (eram os pais de Custódio Francisco); Manoel Domingues e Maria Francisca (pais de Maria Domingues) casaram aos 27 de fevereiro de 1667, em Portugal; Manoel Gonçalves e Catarina João (eram pais de Antônio João); João Domingues e Domingas Gonçalves (pais de Ana Domingues) casaram em 9 de janeiro de 1659, em Portugal.

Tetravô paterno Martim Fernandes (era pai de Antônio Martins); Antônio João e Catharina Gonçalves (pais de Maria Antônia); Francisco Antônio e Domingas Lopes (pais de Manoel Francisco) casaram em 1 de novembro de 1619, em Portugal; Domingos Martins e Maria Fernandes (pais de Domingos Martins).

Tetravô materno João Domingues (pai de João Domingues); Pedro Martins (pai de Domingas Gonçalves).

Pentavós paternos Antônio Pires e Maria Gonçalves (pais de Francisco Antônio); Domingos Pires e Maria Lopes (pais de Domingas Lopes).

Igreja Paroquial de Santa Eulália de Balasar. Foto de Vitot






     

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O 2º casamento do capitão José Gomes de Mello.

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

O capitão José Gomes de Mello, que deixou larga descendência no Rio Grande do Norte,  particularmente em  Currais Novos e  Santa, casou pela 2ª vez em Araruna, como podemos ver do registro  a seguir da Freguesia de Acari. Do primeiro casamento, destacamos os seguintes filhos: Major Lula, Manoel Salustino, Francisco Umbelino e José Gomes de Melo Junior.

Aos 23 de novembro de 1870, o padre Joel Lins Fialho, de minha licença, no lugar Jardim, Freguesia de Araruna, precedendo dispensa de parentesco, uniu  em matrimônio e deu as bênçãos, observando as disposições civis e eclesiásticas, aos contraentes José Gomes de Melo, viúvo de Úrsula Francelina de Jesus, e Maria Guilhermina da Conceição, filha legítima de Manoel Gomes Pimenta e Maria Francelina da Conceição, em presença das testemunhas João da Matta Lins Fialho e José Manoel Dantas, que com o dito padre assinam o assento...O vigário Thomaz Pereira de Araújo.

domingo, 22 de maio de 2016

Os lendários Thomaz Francês de Araújo e Manoel Lopes Pequeno Cananéa

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Corre entre os seridoenses uma lenda sobre dois irmãos gêmeos, nascidos em 1818,  filhos de Manoel Lopes Pequena e Ana Maria da Circuncisão, netos paternos de Félix Gomes Pequeno e Adriana de Holanda Vasconcelos e, maternos, de Thomaz de Araújo Pereira (3º) e Thereza de Jesus.

Thomaz de Araújo Pereira, meu tio pentavô, que governou esta província do Rio Grande do Norte, não tendo filhos do sexo masculino, resolveu criar esses dois netos, Manoel e Thomaz. Conta a lenda que Thomaz de Araújo Pereira enviou os ditos netos para estudarem na França. Entretanto, Thomaz, um dos gêmeos, se desentendeu com um dos seus mestres e o atacou com uma faca peixeira. Decretada a prisão dos dois, fugiram de volta para o Brasil.

Os pesquisadores não conseguiram comprovar a veracidade dessa história/lenda. Acredita-se que esses netos mudaram de nome para fugir de perseguição. Manoel Lopes Pequeno, passou a ser conhecido como Manoel Lopes Cananéa e o seu irmão, como Thomaz Francês.

Segue a imagem do casamento de Thomaz, cuja transcrição é: Aos vinte e seis de novembro de 1838, pelas dez horas da manhã, no lugar denominado Remédio, da Freguesia de Acari, precedendo dispensa de parentesco, servatis et servandis, sem impedimento, o Padre Joaquim Félix de Medeiros, de minha licença, uniu em matrimônio e deu as bênçãos nupciais aos meus paroquianos Thomaz Francês de Araújo e Maria Edeltrudes de Medeiros, filhos legítimos, ele, de Manoel Lopes Pequeno e Ana Maria da Circuncisão, ela, de José Barbosa  de Medeiros e Ana Violante de Medeiros; foram testemunhas José Jerônimo de Medeiros e Manoel Januário de Medeiros...Vigário Thomaz Pereira de Araújo.

Esse vigário era, também, neto Thomaz, e primo, portanto, do nubente.



Após esse casamento, fui atrás dos batismos desses gêmeos. Embora tenham nascido no mesmo dias, seus batismos foram em dias diferentes. Vejamos.

Thomaz, filho legítimo de Manoel Lopes Pequeno e Dona Ana Maria da Circuncisão, naturais e moradores nesta Freguesia do Seridó, nasceu a 21 de março de 1818, e foi batizado por mim, na Fazenda Mulungú, aos 16 de abril do mesmo ano e lhe pus os santos óleos, foram padrinhos  o capitão Thomaz de Araújo Pereira e sua mulher Dona Thereza de Jesus, avós maternos do mesmo batizado. Do que para constar fiz este assento que assino. Vigário Francisco de Brito Guerra.

Manoel, filho legítimo de Manoel Lopes Pequeno e Dona Ana Maria da Circuncisão, naturais e moradores desta Freguesia, nasceu de um só parto, com Thomaz acima dito, a 21 de março  de 1818, e foi batizado na Fazenda Mulungú, a 23 de abril do mesmo ano, pelo Padre Coadjutor Ignácio Gonçalves de Melo, que lhe pôs, os santos óleos; foram padrinhos, os avos paternos, Félix Gomes Pequeno e sua mulher Ana Lins de Vasconcelos; do que para constar fiz este assento que assino. O Vigário Francisco de Brito Guerra.

P.S. Agora, em 19 de maio de 2019, posto aqui a imagem de um recorte de jornal que notícia a viagem no barco Francês Grand Navigateur, desses dois irmãos, saindo do Brasil, com destino Havre de Grace,  nos Estados Unidos, possivelmente, uma escala da viagem para a França
 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Fernandes Pimenta, Gomes de Mello, Dornelles Bitencourt

Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Quando escrevi sobre alguns netos de João Gomes de Mello, deixei um questionamento sobre a possibilidade de os Fernandes Pimenta terem alguma relação com Gomes de Mello, em virtude da presença comum deles em eventos religiosos.

Coincidentemente, quando estava percorrendo os livros de óbitos de Cuité (aí você encontra informações sobre pessoas mais antigas), me deparei com um registro inserido no livro a pedido do visitador Francisco de Brito Guerra, onde consta a data de nascimento do falecido.

Esses documentos mais antigos tem  partes de leitura mais difícil, por isso extraímos as informações mais úteis e legíveis: Aos vinte e dois de julho de 1839, faleceu de Pleuris, recebeu os sacramentos, e foi sepultado acima das grades, nesta Matriz de Cuité, envolto em branco, e foi encomendado pelo Reverendo Pároco, de então, José Ferreira do Rego Leite, Manoel Gomes Pimenta, nascido a 8 de outubro de 1818, filho de José Gomes de Mello e de sua mulher Ana Delfina da Conceição, moradores desta Freguesia. Do que para constar fiz este termo solicitado por Despacho do Excelentíssimo e Reverendíssimo Visitador Francisco de Brito Guerra, firmado a 9 de março de 1843. Joaquim Álvares da Costa. É possível que esse sobrenome Pimenta, do falecido, venha de Dona Ana Delfina.

Na minha ascendência está o português, segundo tradição oral, natural de Açores, Antonio Garcia de Sá, que foi casado com Maria Dornelles Bittencourt. Pelo seu inventário, faleceu em 27 de agosto de 1754. Uma das filhas desse casal era Ignácia Dornelles Bittencourt, que em 1755, já era casada com José Gomes de Mello, segundo Olavo de Medeiros Filho. Nesse inventário, conta Olavo, que existe a certidão de casamento, em 1756, de  Francisca do Carmo com Antonio Ferreira de Mendonça (ou Macedo), filho de Manoel Ferreira de Macedo e sua mulher Anna dos Prazeres de Mendonça, sendo uma das testemunhas o capitão José Gomes de Mello.

Pois bem, nesse livro de óbito, encontramos uma Dornelles Bittencourt, que pelo registro deve ter nascido por volta de 1756, sendo possivelmente neta de Antonio Garcia e Maria Dornelles; Aos nove de abril de 1846, foi sepultado nesta Matriz, de grades acima, o cadáver de Manoela Dornelles Bittencourt, viúva do finado Manoel Fernandes Pimenta, foi envolta em hábito branco, tendo tomado todos os sacramentos, tendo a idade de 90 anos, e foi por mim encomendado. Manoel Jácome Bezerra Cavalcante.

Em 7 de maio desse mesmo ano, tinha falecido Rosa, escrava de Manoela, também com a mesma idade de 90 anos.