terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Comentários sobre “Velhas Heranças”




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)

Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG


O livro de Hélio Galvão, “Velhas Heranças”, foi fac-similado pelo Sebo Vermelho em 2012. É a partir dele que construo este artigo, fazendo alguns comentários e acrescentando outras informações do meu conhecimento. 


Meu último artigo, neste jornal, foi sobre Valentim Tavares de Mello, filho de Manoel Gonçalves Branco e Catharina de Oliveira e Melo. Pois bem, um dos inventários, do livro de Hélio Galvão, é o de Damiana de Oliveira e Mello, que faleceu em 9 de dezembro de 1748, solteira, não deixando testamento. Foi seu inventariante, o irmão, sargento-mor Gregório de Oliveira e Melo, e habilitaram-se, para receber a herança, os irmãos: ele próprio, Gregório, solteiro, mas que teve uma filha com Suzana Brito Palhano; Maria da Conceição, que era casado com o tenente-coronel, José Pinheiro Teixeira, natural de Arrifana de Sousa; Francisco de Oliveira Ramos, viúvo; Eugenia de Oliveira e Mello, que era casada com o sargento-mor Dionísio da Costa Soares; capitão Miguel de Oliveira e Mello, que foi casado com Ângela Correa da Costa, filha de Fradique Correa da Costa; Cosma de Oliveira dos Santos, solteira; sargento-mor Valentim Tavares de Mello, casado em segundas núpcias com Luzia de Albuquerque Mello, falecido, e, por isso, representado pela filha do casal, Maria Manoela, nessa data com três anos, mas que posteriormente casou com o viúvo Estevão da Cunha de Mendonça.


Em artigo que fiz sobre Manoel Gonçalves Branco, Damiana não apareceu como filha. Pode ter nascido em data posterior ao ano de 1711. Talvez Cosma seja sua irmã gêmea; Francisco de Oliveira Ramos, que aparece acima, deve ser o tenente Francisco de Oliveira Banhos, mesmo nome do avô, que morava em Recife; da mesma forma Cosma de Oliveira dos Santos, deve ser Cosma de Oliveira Banhos.

Outro documento, constante do livro de Hélio, era o testamento (29 de março de 1718) de Joanna de Barros Coutinho, que teve como inventariante, seu marido Manoel Rodrigues Taborda. Nesse testamento ela se diz natural de Olinda, freguesia de São Pedro Martyr, filha legítima do sargento-mor Manoel da Silva Vieira (Hélio só conseguiu ler Manoel) e dona Graçia do Rego, não tendo filhos, nomeou, como herdeira, sua mãe.


Manoel Rodrigues Taborda era português da Villa de Buarcos, e casou com Dona Joanna de Barros Coutinho, em 8 de setembro de 1697.

Dona Gracia, mãe de Joanna, faleceu antes dela, e, por isso, foi representada por filhos e netos: Tereza da Silva, viúva, filha; Luzia Romana da Silva, filha; Joanna de Barros, casada com Cosme de Freitas, neta, filha de Maria de Barros (falecida) e do tenente-coronel Gonçalo Ferreira da Ponte (casamento em 20 de abril de 1697); Francisco (25 anos), neto, irmão de Joanna de Barros; Atanásio, 20 anos, outro irmão de Joanna; Luis (14 anos), neto, filho de Anna do Rego, que foi casada com o primo legítimo, Lázaro de Barros (casamento em 28 de maio de 1703); Manoel e Miguel irmãos de Luis; Josefa, também irmã, com 7 anos.


Outro inventário é o de Cipriano Lopes Pimentel, que era filho do sargento-mor Francisco Lopes e de Joanna Dorneles, esta filha do escabino  Manoel Rodrigues Pimentel e neta de João Lostau de Navarro. Cipriano era casado com Tereza da Silva, filha do alferes Felipe da Silva e de Joana Salema. Nos registros mais antigos, encontro referências, tão somente, sobre escravos de Felipe, de José Gomes Salema e de Domingos Gomes Salema.


Mais outro inventário é do capitão Domingos da Costa (Rocha em alguns registros) Araújo, que foi casado com Brásia Bezerra de Vasconcelos, inventariante. Uma das herdeiras habilitadas é Monica da Rocha, casada com o capitão Julião Borges, ascendentes de Nísia Floresta. Nos registros antigos, encontro batismos de três filhos de Domingos e Brásial: Tereza, batizada em 30 de agosto de 1688; Hieronima, batizada em 8 de outubro de 1690; e João batizado em 19 de setembro de 1694. Todos eles habilitados, além de Álvaro da Rocha; Brásia, Maria Madalena e Bonifácia, órfãos. Segundo Hélio, a sentença final desse inventário data de 20 de janeiro de 1818.


É nesse inventário do capitão Domingos que encontro uma informação que confirma uma questão levantada em um artigo anterior sobre a família Casa Grande do Assú. No livro que foi escrito, constava a seguinte informação de Antonio Soares de Macedo: D. Joanna Martins, filha mais velha do coronel Manoel Lopes de Macedo, minha 3ª avó, casou com o capitão-mor José Ribeiro de Faria, meu 3º avô, o qual era natural do Rio São Francisco e morador na Capitania desta Província, hoje Estado. No artigo que escrevi, eu coloquei dúvidas sobre tal informação, pois supunha  que Joanna era filha do capitão João Martins de Sá e Clara Macedo.


No inventário do capitão Domingos, consta dívidas passivas, ao tenente-coronel Manoel Martins de Sá e a seus cunhados capitão João Marinho de Carvalho e capitão José Ribeiro de Faria, herdeiros do defunto capitão José Martins de Sá, 106$400.  Na transcrição do inventário, mais um equivoco, pois os três eram herdeiros do capitão João Martins de Sá. Assim, se confirma que D. Joana Martins de Sá era filha do capitão João Martins de Sá e não do coronel Manoel Lopes de Macedo. 

Casamento de Manoel Rodrigues Taborda e Joana de Barros Coutinho

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O sargento-mor Valentim Tavares de Mello


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG

Pedro Arruda, lá de Fortaleza, pede notícias de Manoel Gonçalves Branco, seu ascendente, através de Francisco de Oliveira Banhos. Diz, também ser descendente de Tomé Lopes Navarro. Em um dos meus artigos, escrevi sobre o “homem do Reino”, Manoel Gonçalves Branco. Ele é ascendente de muitas famílias deste Brasil. Neste artigo, vamos escrever sobre seu filho, Valentim Tavares de Mello, começando pelo batismo.

Em 27 de fevereiro de 1707, nesta Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, batizou, o Padre Coadjutor, a Valentim, filho do capitão Manoel Gonçalves Branco e sua mulher Catharina de Oliveira. Foram padrinhos o Padre Antonio Rodrigues Fontes e Thomás de Brito Ferrás. Tem os santos óleos. Simão Rodrigues de Sá.

Vinte anos depois, encontramos Valentim sentando praça, como soldado raso, nesta Capitania do Rio Grande. É um registro interessante, pois descreve, fisicamente, o assentado.

Valentim Tavares de Mello, morador nesta Capitania, filho legítimo de Manoel Gonçalves Branco, e natural desta Capitania, de idade de vinte anos pouco mais ou menos, de estatura baixa, seco do corpo, e alvarinho do corpo, digo, do rosto, cabelo crespo e castanho, olhos pardos, sobrancelha grossa, cara redonda, senta praça de soldado raso, nesta Companhia do capitão Francisco Ribeiro Garcia, por sua vontade, e mandato do dito capitão, e intervenção do Provedor e Vedor Geral, o capitão Domingos da Silveira, em quatorze de dezembro de mil e setecentos e vinte e sete, vencendo dois mil e quatrocentos reis/mês, e por ano vinte e oito mil e oitocentos réis, a saber: quinze mil e trezentos e sessenta réis em dinheiro, e, em farda, treze mil e quatrocentos e quarenta réis, na forma da ordem de sua Majestade, em que há por bem o acrescentamento dos soldos que se acha registrada nesta Provedoria a folha 142,verso, do livro 1º do Registro. Caetano de Mello e Albuquerque.

Os pais de Catharina de Oliveira e Mello, eram Francisco de Oliveira Banhos e Antonia Tavares de Mello, por isso, o sobrenome de Valentim.

Em 8 de junho de 1733, Valentim  já era capitão, e apareceu como testemunha, junto com o irmão, sargento-mor Gregório de Oliveira e Mello, no casamento de Victoriano da Frota e Maria Gomes de Sá. Nessa data, ambos eram solteiros, e o pai, Manoel Gonçalves Branco, já era defunto. Em 4 de novembro de 1734, passou a sargento-mor da Cavalaria da Ribeira do Assú, do Regimento do coronel Miguel Barbalho Bezerra, por patente do senhor capitão-mor João de Teive Barreto de Menezes.

Em 1735, ele casa pela primeira vez, pois em outros documentos aparece casado com Luzia de Albuquerque. Vejamos o registro do casamento que encontramos.
Aos dezoito de julho de mil setecentos e trinta e cinco anos, nesta Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, da cidade do Rio Grande do Norte, feitas nela as denunciações, e na Igreja de Nossa Senhora do O’ da Missão do Mipibu, perto de onde morou a contraente, e na capela de Nossa Senhora dos Remédios, próxima a qual é o lugar onde mora, apresentando-se um mandado do Reverendíssimo Vigário Geral, o doutor Antonio Pereira de Castro, em que dava (frase ilegível, mas parece uma liberação ) o impedimento ao contraente da promessa feita a Paula das Quintas, e me mandava os Recibos por palavras, sem se descobrir mais algum, sendo presentes por testemunhas, o Reverendo Padre Manoel Pinheiro Teixeira, o sargento-mor Dionísio da Costa Soares, Dona Eugênia de Oliveira e Mello (irmã de Valentim), mulher do dito, e Catharina de Oliveira, dona viúva, pessoas todas conhecidas, e moradores desta cidade, assisti ao matrimonio que entre si contraíram o sargento-mor Valentim Tavares de Mello, filho legítimo do capitão Manoel Gonçalves Branco, já defunto, e de sua mulher Catharina de Oliveira e Mello, e Angélica de Azevedo Leite, filha legítima do coronel Carlos de Azevedo do Vale, e de sua mulher Izabel de Barros, moradores e naturais desta Freguesia, e logo lhes dei as bênçãos, guardando-se em tudo a forma do Sagrado Concilio Tridentino, do que mandei fazer este assento em que por verdade assino. Manoel Gomes Correa.

Dona Angélica deve ter falecido pouco depois e Valentim casou com Luzia de Albuquerque. Maria Manoela, filha de Valentim e Luzia, casou em 20 de maio de 1766, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, com o viúvo Estevão Cunha de Mendonça. Este último casal gerou um filho que recebeu o nome do avô, Valentim Tavares de Mello, e que casou em 1802, com Thereza Maria de Jesus, filha de Jerônimo da Costa e Anna Maria Pereira. Jerônimo era filho de João da Costa Almeida e Catharina de Oliveira e Melo, sendo esta última filha natural de Gregório de Oliveira e Mello, irmão de Valentim.

Naquela época as pessoas não ficavam viúvas por muito tempo. No dia primeiro de novembro de 1748, o capitão Manoel Gomes da Silveira, viúvo de Florentina de Mello, esta filha de Estevão Velho de Mello e Joanna Ferreira de Melo, casou com Luzia de Albuquerque Melo, viúva do sargento-mor Valentim Tavares de Melo. 
assentamento de praça de Valentim Tavares de Mello



Perdas de arquivos

Por Fábio Arruda de Lima

Amigos,
Como aconteceu ontem comigo, nunca é demais lembrar.

1) Sempre faça backup de seus arquivos de genealogia, com data e versão, pois este detalhamento permitirá a você recuperar com facilidade, pelo menos, a última versão mais atualizada. Mantenha sempre uma cópia atualizada em pendrive, outra em HD Externo e outra no computador, no mínimo;

2) Envie para seu próprio e-mail sempre que for salvar. O Word tem esta opção;

3) Faça cópias em diversas pastas, pois, se corromper a pasta usual, fato natural em informática, você consegue ter outra em diretório distinto daquele que foi corrompido;

4) Não poupe espaços com arquivos repetidos, o tempo que será gasto para recuperar não compensa a economia de espaços que você obtém;

5) Envie cópia para seus amigos, primos, parentes, para que, se ocorrer um desastre, você vai ter como recuperar pedindo uma cópia de volta. Não tenha medo de publicarem o seu trabalho, pois duvido que consigam entender seus rascunhos preliminares de informações genealógicas. Eu envio cópia integral de tudo para todos que conheço e me pedem sem o menor constrangimento;

6) Se ocorrer um problema com seus arquivos, não se desespere, peça ajuda e não faça nada tentando recuperar, pois, você, sem entender bem de informática e no desespero, poderá prejudicar ainda mais a recuperação, danificando permanentemente os arquivos;

7) Não salve um arquivo em cima do outro, ou seja, habitue-se a salvar, semanalmente, no mínimo, sempre com nova data e versão. Salve como novo arquivo, nunca por cima do anterior. Mantenha os dois arquivos diferentes e em, pelo menos, duas pastas diferentes;

8) Crie uma pasta com datas só para fazer a recuperação dos arquivos que estão no desktop (área de trabalho) ou tela inicial do seu computador. De tempos em tempos, no mínimo, semanalmente, salve todos os arquivos da área de trabalho em uma pasta distinta, com cópias para outros diretórios;

Estas dicas fazem você perder pouco tempo em relação ao tempo que seria perdido caso seus arquivos de genealogia venha a ser danificados.
Abçs
Fábio Arruda de Lima
Falando ainda de Olinda e cansado das férias!!!

Mal educados, retornem as ligações!!!



      Públio José – jornalista



                        Uma das maiores e mais constantes reclamações que ouvimos, no contato diário com as pessoas das mais diversas classes sociais, é o desrespeito e a desconsideração que recebem daquelas outras ditas importantes, ocupantes de altos cargos na administração pública e também na iniciativa privada. A queixa envolve a constatação de como é difícil a um integrante do primeiro, segundo, e até mesmo do terceiro escalão da administração pública, seguir as mais elementares noções de educação e etiqueta profissional para com os demais mortais, retornando as ligações e recados a eles dirigidos. Na iniciativa privada o índice de frieza e insensibilidade é bem menor. Porém, mesmo assim, atinge taxas igualmente altas de má educação e má vontade. É impressionante como atualmente por aqui e alhures, sem exceção, alastrou-se essa verdadeira praga de arrogância, soberba e descortesia.
                        E olhe que estamos falando de pessoas comuns. Gente assalariada, que tem problemas e dificuldades na sua rotina diária como qualquer outra. Porque se falarmos das elites, aí enquadrados empresários, autoridades, personalidades do mundo artístico e políticos em geral, o quadro fica pior, muito pior. No caso específico dos políticos, é interessante se notar que, para lograrem êxito, fazem todo tipo de paparico ao eleitor, principalmente aos mais necessitados. Aí, depois de alcançar seus objetivos, montam uma razoável estrutura para se livrar daqueles que os procuram, normalmente constituída de pessoas insensíveis, agressivas, escolhidas a dedo. O que se vê, então, é um quadro humilhante, degradante, de difícil narração. Pessoas, normalmente de condições humildes, perambulando de gabinete em gabinete, de sala em sala, solicitando atenção para suas dores, dissabores, aflições.
                        Recebendo, em troca, de assessores e secretárias, já devidamente instruídos, todo tipo de manifestação de descortesia, indiferença e arrogância. É interessante se observar, por outro lado, que tais profissionais são trazidos para funções importantes, estratégicas no tocante ao atendimento público, sem passar por nenhum preparo da parte daqueles que os nomeiam, que os constituem seus prepostos. Aí é de fazer dó as cenas presenciadas. Umas pessoas se dirigindo a outras – no sentido de terem seus pedidos atendidos; e estas se negando a atendê-las ou praticando um atendimento de péssima qualidade – gerando, com isso, tristezas e decepções de toda ordem. São, em resumo, as pessoas erradas, colocadas nos lugares errados por pessoas erradas, para atender gente que escolhe hora e lugares errados, com gente errada para recebê-las e erradas para encaminhar seus problemas, demandas e aflições.
                        O caos, enfim. Tais pessoas agem como se fossem habitantes de um mundo à parte, como componentes de um extrato social diferente, majestático, desconectadas de responsabilidades e atenções para com o próximo. Retornar recados e ligações para elas é totalmente dispensável. Tanto faz como tanto fez. Insensíveis, não calculam o prejuízo que causam aos outros e aos órgãos que servem em razão da descontinuidade ocasionada pelo seu mau comportamento. Enganam-se, se pensam que estão “abafando”. Na verdade, agindo assim, estão mal diante de si e dos homens – e mais ainda perante Deus. Pois foi Jesus mesmo que disse “Aquele que recebe os que Eu envio, a mim me recebe”. Deu pra entender? É muito séria – e edificante para quem a faz com amor e zelo – a atividade de atender, receber e encaminhar pessoas. Digno e fidalgo é aquele que a cumpre com dedicação, carinho e boa vontade.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

João Bosco e outras pessoas conhecidas


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Ultimamente tenho feito artigos genealógicos sobre pessoas que são nossas contemporâneas, em busca de elos com os mais antigos. Hoje, continuamos nesse caminho, iniciando com meu amigo João Bosco, que morava, quando o conheci, em frente ao Colégio Maria Auxiliadora. Os nomes serão escritos como aparecem nos registros da Igreja.

Aos vinte e três de março de mil novecentos e quarenta e sete, nesta Catedral, batizei, solenemente,  a João Bosco Barreto Duclerc Pinheiro, nascido em Natal, no Hospital Miguel Couto, a dez de fevereiro de mil novecentos e quarenta e sete, filho legítimo de Francisco Duclerc Pinheiro e D. Marta Barreto Pinheiro, residentes à av. Deodoro, nº 277; neto paterno de Joaquim Anselmo Pinheiro e Paulina Generosa do Amor Divino, e materno de Pio Paes Barreto e Maria Carolina Barreto. Foram padrinhos, Dr. Heitor Pereira Carrilho e D. Virgínia Ribeiro Carrilho, residentes no Rio de Janeiro, representados por Carlos Lamas e D. Berta Barreto Lamas, residentes nesta capital. E para constar mandei lavrar este termo que assino. Monsenhor José Alves Ferreira Landim.

Pio Paes Barreto era filho de Juvino Paes Barreto e Ignez Augusta de Albuquerque Maranhão, sendo esta filha de Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão e Feliciana Maria Silva Pedroza.

Meus sogros moravam em Santa Cruz, mas vieram batizar uma de suas filhas, irmã de Graça, minha esposa, aqui em Natal, pois era aqui que moravam os padrinhos. Segue o batismo: Aos dezesseis de abril de mil novecentos e quarenta e sete, nesta catedral, o Reverendíssimo monsenhor João da Mata Paiva, de minha licença, batizou, solenemente, a Joana D’arc, nascida em Santa Cruz, Rio Grande do Norte, a dezoito de fevereiro de mil novecentos e quarenta e sete, filha legitima de Francisco Umbelino Neto, agricultor, e D. Maria Stela Rodrigues, residentes em Santa Cruz; neta paterna de José Umbelino Gomes e Maria do O’ de Medeiros Gomes; e materna de José Rodrigues de Medeiros e Felismina Rodrigues. Foram padrinhos Dr. Fernando Guilherme, farmacêutico, e D. Elima Guilherme Gomes, residentes à rua (ilegível) nº 76. E para constar mandei lavrar este termo que assino. Monsenhor José Alves Ferreira Landim. Joana casou com o cardiologista Nilton Oliveira Mendes Sobrinho, em 1969.

No registro acima, José Umbelino Gomes (de Macedo) era filho de Francisco Umbelino Gomes de Macedo e Felismina Maria de Macedo, enquanto Maria do O’ de Medeiros era filha de Felix Antonio de Medeiros e Thereza Duquesa de Farias. José Rodrigues e Felismina eram filhos: ele de Manoel Rodrigues da Silva e Francisca Mirandalina de Medeiros; ela, de Francisco Rodrigues de Freitas e Salvina Umbelina de Freitas, sendo esta última, irmã de José Umbelino Gomes.

Valdemar, meu irmão, casou com Daisy Lucena, cujo batismo segue: Aos dezoito de março de mil novecentos e quarenta e sete, nesta Catedral, o Reverendíssimo Padre Francisco das Chagas Neves Gurgel, de minha licença, batizou, solenemente, a Daisy Moraes Lucena, nascida em Natal, à av. Rio Branco, nº 682, a quinze de julho de mil novecentos e quarenta e três, filha legítima de José Cordeiro Lucena (Comercial José Lucena) e D. Georgina Moraes Lucena; neta paterna de Tobias Aguiar Lucena e Maria Francelina de Moraes (em outros registros não tem esse Moraes), e materna de Benjamin Moraes e Brasiliana de Moraes. Foram padrinhos José Ribeiro Dantas e D. Helena Vilar Ribeiro Dantas, residentes nesta capital. E para constar mandei lavrar este termo que assino. Monsenhor Landim.

Na mesma data acima foi batizada uma irmã de Daisy, de nome Dalvanira Moraes Lucena, nascida, no mesmo local acima, na data de 31 de dezembro de mil novecentos e trinta e nove, tendo como padrinhos Dr. Sebastião Monte, médico, e D. Nadir Correia Monte. Outro irmão de Daisy, Wellington (José) Moraes Lucena, nasceu aos 13 de março de 1933, em Nova Cruz, mas só foi batizado aos 13 de março de 1938, no Santuário, aqui em Natal, pelo Padre José Dantas Adelino, tendo como padrinhos Noé Lucena e sua esposa D. Luzia de Medeiros Lucena; nesse registro o nome completo do avô materno era Benjamim Constant Costa Moraes, simplificado no registro de Daisy; Wellington casou com Vera Lúcia Gentile, em 1966. Encontro  batismos de mais duas irmãs de Daisy: Therezinha, nascida em 25 de outubro de 1935, em Nova Cruz, batizada em oratório particular em 23 de janeiro de 1936, tendo como padrinhos Aurio (é o que parece) Costa e Maria Otília Carneiro; e Dalva, nascida em 15 de julho de 1937, batizada em 12 de agosto do mesmo ano, na capela do Tirol, tendo como padrinhos Eduardo Gurgel Filho e Djanira de Lucena Gurgel.

Os padrinhos de Therezinha eram os pais de Luiz Eduardo Carneiro da Costa.
Graciela, Bosco e eu


Daisy, Valdemar, e nós

Joana, Nilton e nós


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Comentário de Lúcia Tolson, EUA

Prezado Professor João Felipe,


Lá dos Estados Unidos, Lúcia escreveu: 
Este seu texto de encerramento do ano de 2013 realmente me tocou.  O Brasil precisa de mais vozes como a sua, além de mais educação, saúde e segurança.  Retransmiti seu texto para meus tios no Brasil.  Desejo-lhe daqui das terras distantes do Norte um feliz Ano Novo.  Que o seu trabalho possa ser cada vez mais divulgado!

Um abraço,

Lúcia Tolson

Pirangi do Norte, início de 2014


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
No verão, para fugir da rotina e ver novas paisagens, renovando nossas energias, saímos de Natal para Pirangi do Norte, 22 quilômetros de um lugar para outro. Fugimos do trânsito fatigante da capital, onde os sinais estão constantemente sem sincronia, e não funcionam a onda verde e as vias livres, para os engarrafamentos das praias da costa sul do Rio Grande do Norte.

Na chegada, notícia de um assalto, no dia anterior, praticado por cinco indivíduos contra a casa de um agente da Polícia Rodoviária Federal. As autoridades policiais continuam repetindo a mesma ladainha de sempre e tudo continua como antes. Falta inteligência no setor de segurança deste país.

Os sinais de comunicação já não funcionam bem na capital, e nas praias, mesmo as mais próximas, a coisa desanda. Telefones e internet se tornam um martírio para quem quer se comunicar. Mais ainda, os paredões fazem a festa das novas tribos e o inferno dos veranistas e moradores. Músicas da pior qualidade drogam as mentes jovens e atanazam o sono dos mais velhos.  As únicas coisas que se interiorizam, neste país, são o crime organizado, as aulas online de maldades (novelas), as drogas, com predomínio do crack, e as aulas online de mediocridade (os big brother da vida). É a coisa ruim chegando a todos os lugares.

Pirangi, e as praias vizinhas, mesmo com seus moradores habituais, os veranistas e milhares de turistas transitando por ela, não tem todos os serviços necessários para atender as demandas dos usuários. Nenhuma agência bancária, nem as oficiais estão por aqui. É o retrato do atraso, da falta de visão dos governantes.

O Rio Grande do Norte possui uma grande costa em relação ao seu tamanho. Praias de riquezas naturais e históricas não são aproveitadas pelos seus prefeitos e governador. O discurso do turismo continua pobre e sem ação concreta. As praias beneficiadas pelos royalties de petróleo só atraem políticos aventureiros que não levam benefícios para as mesmas. Carnavais são suas grandes realizações. As roubalheiras são as maiores. Mas os ladrões continuam flanando por aí. O que restou dos PRODETUR I e do PRODETUR II?

Na natureza, temos a noite para descansar nosso corpo físico e reiniciar novos programas instalados na nossa mente. As semanas, os meses e as estações do ano quebram as rotinas do dia a dia e são necessárias para que estejamos sempre recomeçando nossas vidas e nossas visões do mundo. Mas não é isso que acontece. Os condicionamentos são mais fortes que a nossa vontade de mudar. Estamos sempre usando a memória psicológica e as imagens do passado para começar o dia, a semana ou o mês. E por isso, nada muda de verdade.


E assim não avançamos como seres humanos. Tudo se repete, monotonamente. As pessoas contam seu tempo a partir dos eventos. Em 2014, por exemplo, vai ser assim: Veraneio, carnaval, semana santa, copa e eleições. Quando terminar o sonho da copa no Brasil, voltamos para realidade do dia a dia. Vamos ter os infames programas eleitorais, onde tudo vai ser prometido com a maior cara de pau. Os candidatos, que serão os de sempre, vão falar, inicialmente, em saúde, educação, segurança, planejamento estratégico, sustentabilidade, governança solidária, choque de gestão e outros termos novos que seus marqueteiros vão inventar. Depois, vão infernizar a vida dos adversários, dando início a sessão escândalos. Vai ser o sujo falando do mal lavado.

Quando tomarem posse, no início de 2015, os novos mandatários vão reclamar dos seus antecessores, se não foram os reeleitos. Segue o papo furado da governabilidade para justificar as composições partidárias e o preenchimento dos cargos comissionados. Contratam consultorias desnecessárias, pois, tudo que elas propõe, já foi proposto anteriormente, pela prata da casa. E, aí, já começa a próxima eleição. Os que saíram do governo, mas não fizeram o prometido, querem retornar. E o gigante pela própria natureza vai continuar deitado eternamente em berço esplêndido. 

A natureza quebra a monotonia da terra com suas catástrofes. Sensibilizamos-nos temporariamente. Os governos prometem tudo, mas em 6 meses tudo é esquecido. E no ano seguinte as mesmas catástrofes se repetem nos mesmos lugares, causando dores, principalmente, para os menos favorecidos, as principais vítimas.

A genealogia nos mostra que somos frutos de centenas de milhares de pessoas. Os indivíduos não se repetem, mas os condicionamentos de milhares de anos não nos deixam seguir um caminho diferente. Nem as religiões, nem os educadores, nem os filósofos e nem os psicólogos têm ajudado muito a humanidade.

Vez por outra aparece um messias na terra. Mas quando ele se vai, os seguidores esquecem os ensinamentos e o transformam num ídolo, deturpando tudo que foi proclamado. Buda disse que não precisávamos percorrer o mesmo caminho que ele. Seus ensinamentos iluminavam o caminho que tínhamos que seguir; Jesus ensinou que quando quiséssemos conversar com Deus, entrássemos em um quatro, fechássemos a porta e orássemos, dando como o exemplo o pai nosso, mas fazemos o contrário; Krishnamurti ensinou que prestássemos atenção na nossa mente, pois é ela quem tem o comando de tudo, mesmo dos que se dizem livres.  Mas, infelizmente não compreendemos o que eles disseram e a humanidade caminha sem muita evolução, comandada pelos expertos e enganadores.
 
Assim, 2014 vai ser, em essência, a repetição do que tem acontecido até agora. A única novidade é o próprio ano.



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Comentário de Lúcia Tolson


Ainda sobre o artigo de Pirangi, recebi o seguinte comentário de Lúcia Tolson, lá dos Estados Unidos
Prezado Professor João Felipe,

Este seu texto de encerramento do ano de 2013 realmente me tocou.  O Brasil precisa de mais vozes como a sua, além de mais educação, saúde e segurança.  Retransmiti seu texto para meus tios no Brasil.  Desejo-lhe daqui das terras distantes do Norte um feliz Ano Novo.  Que o seu trabalho possa ser cada vez mais divulgado!

Um abraço,

Lúcia Tolson

Comentário sobre artigo, Demétrio Bezerra

Sobre o artigo - Pirangi do Norte, final de 2013, meu amigo lá de Brasília, Demétrio Bezerra, fez o seguinte comentário.

Caro João,
Enquanto isso o país se esmera desesperadamente na produção de soja, desmatando ainda mais o interior, que diante de uma lavoura extremamente "competitiva", mecanizada ao extremo e que só entope de veneno tanto o solo quanto o lençol freático, expulsa os menos preparados, os lavradores e pequenos e médios fazendeiros, que impossibilitados de acompanhar esta loucura dita produtiva, veem-se muitas vezes diante do único caminho possível: arrendar suas terras para ricos plantadores de soja, milho e cana-de-açúcar, que se socorrem muitas vezes do dinheiro público.

Este é hoje o princípio da crescente favelização, que nunca é citada por nossos anaalistas "sociais e econômicos" mas que repetem dia e noite as maravilhas do mercado. Que mercado?

Em contrapartida um pequeno percentual de nossa população, que está empregado em gordas "carreiras especiais", recebe polpudos salários muito maiores que os seus correspondentes menos favorecidos no próprio governo, bem como no setor privado, causando uma inflação que não é medida. E uma enorme especulação imobiliária, que deverá provocar o estouro desta bolha em 2014.

Quanto às drogas, com toda certeza fazem parte de um poderoso plano que vem do exterior, através de uma bem camuflada confusão, corroendo nossa sociedade pela base, tal como os ingleses fizeram com a China no Século XIX, não necessitando de exércitos para dominar aquele enorme e populoso país.

Por aqui ocorre há algumas décadas o mesmo, e esta estratégia dispensa ocupação militar, bastando "ocupar os desocupáveis com muita droga na cuca" e muita inutilidade televisiva.

Este empobrecimento é pior que o financeiro, na verdade trata-se do verdadeiro empobrecimento econômico-cultural.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Pirangi do Norte, final de 2013


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN , membro do IHGRN e do INRG

Daqui, da praia de Pirangi, o francês de Navarra, João Lostau, dominava esta costa até os limites com a Paraíba. Sua principal atividade era a pescaria, e de seus portos exportava para várias localidades do Brasil e do exterior. Talvez tenha chegado por aqui antes dos portugueses construírem o forte dos Reis Magos, foi poupado, e a partir de 1601 recebeu várias sesmarias. Não se sabe o nome de sua esposa, mas uma de suas filhas, Maria, casou com o português Manoel Rodrigues Pimentel, que por sua vez gerou Joana Dorneles esposa de Francisco Lopes, e daí uma larga descendência, incluindo Cipriano Lopes Galvão.

Aqui próximo, em Pium, estava sua Casa Maior, segundo alguns autores, dos quais discordo,  umas das famosas casas de pedra construídas pelos franceses do século XVI. Tombada pelo patrimônio e pelos depredadores, restam apenas ruínas, sem merecer nenhum destaque da Ciência, do Turismo e dos governantes. Por lá esteve Joris Garstman, pouco depois do assassinato de Jacó Rabi. Foi para lá que rumaram os sobreviventes do massacre de Cunhaú, e talvez por isso, João Lostau foi preso e depois trucidado pelos súditos de Jacó Rabi.

Mas o ano está terminando. Um século se passou que o nosso Dom Quixote, capitão José da Penha, dentro de um movimento nacional, veio combater a oligarquia da família Maranhão, que está presente no nosso Rio Grande, através de Jerônimo de Albuquerque, segundo do nome, desde a construção do forte. Mas não se combate uma oligarquia, através de outra. A família Fonseca estava nesse caminho, mas Leônidas Hermes da Fonseca não vingou porque o pai dependia dos sustentadores da nossa oligarquia.

Um novo ano vai começar. E, nesse novo ano, completará um século que o capitão e deputado cearense, José da Penha, tombou vitimado pelos aliados do Padre Cícero Romão. Já se fala, novamente, na canonização deste último, como se a santidade de um indivíduo fosse fruto de milagres alcançados pelas pessoas. O próprio Jesus dizia que a cura nascia da fé do curado.

Nada parece mudar, de verdade, de um ano para outro, através dos séculos. As novidades vêm da ciência e da tecnologia, e nada de novo vem dos seres humanos. A saúde, a educação e a segurança são os retratos do despreparo dos nossos governantes deslumbrados, que não se tocam com a realidade das coisas. Falta sensibilidade. Os cobradores de impostos continuam implacáveis. Os que estão no poder, sejam eles do executivo, legislativo ou judiciário, cuidam primeiro deles próprios. Locupletam-se com as mordomias à custa do povo. Não abrem mão de qualquer vantagem, como tem feito o Papa Francisco.

Não existe educação de fato neste país. As nossas crianças e nossos jovens não são estimulados para a liberdade e, por consequência, para o conhecimento da verdade. Muito pelo contrário, o ensino, as ideologias, as religiões, os partidos, as filosofias, e as mídias concorrem para manter o máximo de indivíduos sob domínio total. Os sistemas se alimentam da dependência dos indivíduos. Vejam o exemplo de Lula. Já está na televisão fazendo terrorismo eleitoral com o programa bolsa família. As religiões, que são criadas dia a dia, usam os pobres recursos de suas ovelhas para construir castelos de enganação e casas de milagres. Tomam contam do espaço político e midiático.

Com as cadeias em petição de miséria, escolas mal instaladas, postos de saúde de quinta categoria, anos seguidos de seca, destruindo nossa agricultura e pecuária, e desnutrindo nossas crianças, se tem o descaramento de destruir um estádio e um ginásio, e, no local, construir outro estádio pomposo, para atender a máfia internacional e a vaidade nacional. Além disso, obras iniciadas ou inauguradas são abandonadas por falta de uso ou de manutenção. O Forte foi para o IPHAN, o Presépio para o Banco do Brasil e, com certeza, a Lagoa Manoel Felipe vai para outra entidade, breve.

O calendário escolar é antecipado para atender o calendário do futebol. Até a comercialização de produtos é alterada para atender as determinações da entidade internacional do futebol.

Em 2013 o Brasil não acordou, apenas levantou sonâmbulo e saiu desvairado pelas ruas. Políticos e bandidos se aproveitaram do movimento.

Terminamos o ano sem nenhum avanço de qualidade, e vamos continuar nos entorpecendo com o futebol, os diversos tipos de bolsa, o crack e as eleições. Os partidos já estão decidindo quem são, entre eles, os candidatos que temos que escolher. Não interessa o desenvolvimento humano do país e do estado, mas simplesmente a sobrevivência deles e dos seus descendentes e aparentados. Vejam o exemplo de nossa Câmara Municipal. Seus vereadores de menos idade não se livraram das práticas dos mais antigos e repetem os mesmos erros. Anteciparam, descaradamente, a eleição da mesa diretora.

A droga (de todo tipo e natureza) ocupa os mais distantes lugares deste país e vai destruindo nossos jovens e tornando a violência uma coisa corriqueira. Os governantes não se juntam para resolver esse mal que neutraliza qualquer ação social que se programe.

Presidente Dilma, a capacidade de comprar mais coisas não melhora a qualidade de vida das pessoas. Muitas vezes piora. Sem uma educação de verdade, uma saúde de verdade e uma segurança de verdade, não vamos para canto nenhum.

Que no ano de 2014, uma onda de energia do Universo invada nossos cérebros e produza em cada um dos governantes e governados mentes mais saudáveis para que possamos viver com mais simplicidade e qualidade de vida. Que todos os governos criem Ouvidorias e Vedorias que funcionem de verdade.
Ruínas da Casa Maior de João Lostau


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Feliz Natal


Baltazar Soares, da Fazenda Curralinho, e a Baronesa de Serra Branca


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
Nos estudos genealógicos de Manoel Américo de Carvalho Pita, sobre as famílias de Santana do Matos, Balthazar Soares aparece como genro do fundador de Angicos, tenente Antonio Lopes Viegas, e como sogro de Luiz da Rocha Pita, nada confirmado até agora. Encontro informações sobre um Balthazar Soares que não sei se é o mesmo.

Pelo livro de óbitos de Santana do Matos,  o cadáver de Balthazar Soares, branco,  foi sepultado aos onze de dezembro de mil oitocentos e vinte e cinco, na Matriz de Santa Ana do Mattos, falecido com a idade de oitenta e quatro anos de idade, casado que era com Isabel Maria de Figueredo; e o da sua esposa, por sua vez, foi sepultado aos vinte de janeiro de mil oitocentos e vinte e seis, na mesma matriz,  falecida com setenta e oito anos de idade.

Pelos registros acima, Balthazar deve ter nascido por volta de 1741, e D. Isabel por volta de 1748. Além desses registros, encontramos, também, assentamentos de praça de dois filhos de Balthazar, no Assú. Em tais registros não aparece a mãe dos assentados.

João Baptista Xavier, filho do capitão Balthazar Soares, natural da Freguesia do Assú, idade de 32 anos, cabelos castanhos, olhos pretos, altura 5p e 2pm, praça na 4ª Companhia em 10 de setembro de 1779, e por despacho do ilustríssimo Sr. Governador, de 26 de junho de 1806, e cumpra-se do Vedor Geral, passou para esta companhia, casado, vive de criar de gado.

Antonio da Silva Barbosa, filho de Balthazar Soares, natural, e morador nesta Ribeira do Assú, branco, solteiro, de estatura baixa, dentes grandes, olhos pequenos, e azuis, nariz grande, sem barba, de idade de dezesseis anos, assenta praça em revista de vinte e sete de Julho de 1789.

Encontramos mais uma referência ao capitão Balthazar em  um “Diário Oficial da União” de 1906, de onde extraímos trechos que o capitão Absalão Fernandes da Silva Bacilon, juiz distrital em exercício da Vila de Santana do Mattos, da comarca do Assú, escreveu: Faço saber aos que o presente edital, com o prazo de 90 dias virem, que, por parte de D. Belisária Wanderley de Carvalho e Silva, baronesa de Serra Branca, me foi dirigida a petição do teor seguinte: Cidadão juiz distrital, em exercício, da Vila de Santana do Matos. A baronesa de Serra Branca, D. Belisária Wanderley de Carvalho e Silva, viúva e ora residente na cidade do Assú, sede desta comarca, diz, por seu procurador e advogado, abaixo assinado: que é senhora e possuidora de uma data ou lote de terras na serra de Santana, deste distrito, e na parte a que ora dão os nomes de Pelado e Lagoinha; que a extensão superficial da área desta terra, conforme a respectiva concessão, é de uma légua de largura sobre três de comprimento, pegando de um olho de água que ali se acha em um riacho, denominado Caiçarinha, que deságua para parte do Assú; que a dita terra estende-se na chapada daquela serra, e tem sido cultivada e possuída, delimitando-se, ao norte, pelas sinuosidades desta mesma serra e quebra das águas, como vulgarmente se diz, ficando neste lado a antiga fazenda Curralinho de Balthazar Soares; limita-se, no sul, com terras da fazenda do riacho  da Areia, que foi do capitão-mor Cypriano Lopes Galvão, ao poente, com terras que foram do capitão Felix Gomes Pequeno, e ao nascente com terras da ribeira do Putegy, onde atualmente está o sítio Bodó e outros, que tendo a suplicante por si e seus antecessores uma posse de longíssimo tempo, se não imemorial, pela povoação e cultura constantes das ditas terras, há menos de um ano, os confrontantes Joaquim Bezerra, viúvo e morador em S. Bento, Antonio Florêncio, morador em Cipós de Leite, João Lopes de Araújo Galvão, morador em Areia ou Furna da Onça e as mulheres destes, cujos nomes a suplicante ignora, bem como Miguel Rodrigues e sua mulher D. Francisca, Antonio Hermógenes e sua mulher D. Constância, e o cidadão Cícero Rodrigues, moradores no lugar Catunda e todos no vizinho distrito de Currais Novos, têm feitos roçados e picadas nos matos dos terrenos sempre possuídos e cultivados pela suplicante e seus antecessores, sob o pretexto de uma linha novamente tirada entre este município e aquele de Currais Novos ter apanhado pequena parte dos mesmos terrenos.
Continuando, mais adiante, a baronesa justifica: A referida terra foi pedida em 1764 por D. Adriana de Hollanda Vasconcellos, e não tendo voltado de Portugal esse pedido com a confirmação, o tenente-coronel Francisco de Souza e Oliveira, em 1804, requereu e lhe foi concedida a mencionada terra por data da sesmaria, com três léguas de cumprimento e uma de largura, tendo o ponto de partida e limites acima descritos; em 1822 o capitão Felix Gomes Pequeno que já havia comprado a mesma terra ao dito donatário, requereu a certidão daquela data pra realizar a sua propriedade.

Adquirindo esta mesma terra o capitão Felix Gomes Pequeno, pela forma por que ficou dito, em 1810 a vendeu ao capitão Antonio da Silva de Carvalho, e esta venda foi ratificada pelos herdeiros do mesmo capitão Felix Gomes, por escritura pública passada em 22 de julho de 1858, com tudo se vê do documento.

Por morte dos sogros da suplicante, o mesmo capitão Antonio da Silva de Carvalho e sua mulher, D. Maria da Silva Veloso, passou essa terra aos seus herdeiros, um dos quais era o falecido marido da suplicante, Felipe Nery de Carvalho e Silva, barão de Serra Branca, e este comprando as partes dos demais, ficou possuindo toda aquela terra.

Falecendo o barão de Serra Branca, sem herdeiros necessários, a suplicante sucedeu-lhe no todo da herança dos bens por ele deixado, não só por sua meação como por ter sido instituída, em testamento, sua herdeira universal, e por isso hoje lhe pertence exclusivamente a terra de que se trata e cuja demarcação ora se requer.

Em “Velhos Inventários do Seridó”, Olavo de Medeiros Filho, tratando do inventário de D. Adriana de Holanda e Vasconcelos, que foi casada com Cipriano Lopes Galvão, Felix Gomes Pequeno e Antonio da Silva e Souza, cita, também, como confrontante da Data de Terra, na Serra de Santa Ana, o capitão Balthazar Soares da Silva, do sítio denominado Curralinho.

Quem sabe mais alguma coisa sobre Balthazar Soares?



domingo, 22 de dezembro de 2013

O que nos falta é ciência e tenência

O que nos falta é ciência e tenência
Tomislav R. Femenick – Mestre em economia e contador

Desde a década de 1990 que o Brasil está situado entre as dez ou quinze maiores economia do planeta, mas não conseguimos entrar no seleto clube das potencias do primeiro mundo. Estamos quase chegando lá, sem nunca chegar. Sempre ficamos da fila do gargarejo. A pergunta inevitável é: O que acontece e qual é causa? Talvez a resposta esteja nas notícias divulgadas recentemente, que colocam o Brasil entre as nações com menor qualidade de ensino e menor índice de produção científica e registro de patentes de novas descobertas. Então o que nos falta? Obstinação para buscar e ciência para alicerçar o nosso desenvolvimento. Sem ciência não há como chegarmos ao céu do primeiro mundo. Somente para confirma essa afirmação, convido os leitores para um passeio pela história do nascimento da ciência.
Os primeiros estudos científicos foram desenvolvidos pelos filósofos que se dedicavam à filosofia da natureza. A história aponta os gregos e chineses como os precursores desses estudos. Podemos dizer que o ponto de partida foi dado quando Leucipo de Mileto (460-380 a.C.) e Demócrito de Abdera (cerca de 460-370 a.C.) desenvolveram a teoria de que todas as matérias são compostas por átomos, cujas propriedades seriam: forma, tamanho, impenetrabilidade e movimento. Até então a opinião predominante era que as matérias eram compostas de terra, água, fogo e ar. Quatro pensadores gregos deram a base para a separação entre o “raciocínio simplesmente lógico” e o “raciocínio lógico ordenado”. Tales de Mileto (624-548 a.C.) exclui os deuses da origem da natureza, Pitágoras (580-507 a.C.) concebeu a relação matemática como base das coisas, Parmênides (515-540 a.C.) criou a lógica formal (alicerçada no princípio da não contradição, segundo o qual o “ser” é e o “não-ser” não é) e Demócrito (460-370 a.C.) formulou a teoria sobre a constituição da matéria. Eles geraram o embrião da ciência atual.
Os chineses da antiguidade adotavam a ideia de cinco elementos básicos: terra, água, fogo (em comum com os gregos), metal e madeira. Essa teoria foi sistematizada pelo filósofo, historiador, político, naturalista, geógrafo e astrólogo Zou Yan, ou Tsou Yen (305-240 a.C.), tido como o fundador de todo o pensamento científico chinês. Das especulações teoréticas, os gregos e chineses migraram para o uso prático.
Na Grécia as descobertas foram o relógio de água, as máquinas movidas com força motriz hidráulica ou de ar comprimido. No campo das ciências naturais, as pesquisas se expandiram pela astronomia, geografia, zoologia, botânica e medicina etc.
Na China antiga os estudos teóricos eram voltados para conceituações morais (confucionismo, taoismo etc.), porém a ação era principalmente voltada para a exploração do mundo natural. As pesquisas no campo da física e da química resultaram na invenção da pólvora, do balão de ar quente e da bússola magnética. Os estudos sobre mecânica levam à construção da besta e do sismógrafo. Na medicina testaram o tratamento da malária. Também, estudaram e fizeram aplicação prática com elementos de engenharia hidráulica, botânica e astronomia.
Outros povos da antiguidade também enveredaram nos estudos das ciências. Na Mesopotâmia e no Egito houve importantes estudos no campo da engenharia de construção, medicina, matemática e astronomia.
Por que não aprendemos com a história? Se quisermos entrar no maravilhoso mundo dos países desenvolvidos há que se melhorar o ensino em todos os níveis, fazer pesquisas e criar condições concretas para uma ciência verde-amarela, sem xenofobismo.

O Mossoroense. Mossoró, 20 dez. 2013.


Gente da Freguesia de Santa Rita da Cachoeira


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG

Hoje iniciamos um passeio pelo Trairi. Vamos encontrar outros lugares como Bananeiras, Brejo de Areia, Guarabira, Araruna, Cuité; outros sítios e fazendas; mais famílias, como Gomes de Mello, Ferreira de Macedo, Arruda Câmara, Fernandes Pimenta e outras mais. Começamos com o livro de casamento. Está escrito no dito livro de abertura de casamentos: Servirá este livro para nele se lançar os assentos de casamentos da Freguesia de Santa Rita da Cachoeira: vai todo numerado e rubricado com a rubrica =Justino = de que uso; e no termo de encerramento, na última página, se vê o numero de suas folhas. Do que para constar faço este termo de Abertura, que assino. Villa de Jardim, em visita, 20 de Novembro de 1859. Francisco Justino Pereira de Brito. Vejamos o primeiro registro de casamento que consta no  livro.

Aos cinco de Maio de mil oitocentos e cinqüenta e nove pelas onze horas da manhã, havidas as Cerimônias Canônicas, e examinados em Doutrina Cristã e Confissão Sacramental, Juxta Sac.Conc. Trid., uni em matrimonio, e dei as Bênçãos Nupciais aos contraentes Olympio Balduíno de Freitas, e Anna Adelina de Faria, aquele natural, e morador na freguesia de Araruna, e esta nesta Freguesia, ele filho legítimo de Antonio de Freitas Chaves e Francisca Romana do Espírito Santo, ela filha legitima de João de Faria Costa, e Maria Alexandrina da Conceição, em presença das testemunhas Manoel Januário  de Faria, e Antonio (ilegível) de Freitas, moradores na Freguesia de Araruna, do que para constar fiz este termo, que assino. Antonio Dias da Cunha, vigário Encomendado da Freguesia.

Segue outro casamento de filho de João de Faria Costa e Maria Alexandrina.
 Aos vinte e dois de Julho de mil oitocentos e cinqüenta e nove, pelas cinco horas da tarde, no lugar denominado, São Bento desta Freguesia, havidas as Cerimônias Canônicas, e exame de Doutrina Cristã, e confissão Juxta Sac. Conc. Trid., não constando impedimento, uni em matrimonio, e dei as bênçãos nupciais aos contraentes João Clementino de Faria, e Cordulina Ursulina da Rocha, aquele natural e morador nesta Freguesia, esta natural da Freguesia de Bananeiras, e moradora nesta, ele filho de João de Faria da Costa, e Maria Alexandrina de Jesus, ela filha legitima de José Pereira da Rocha e Anna Joaquina de Mello, em presença das testemunhas Manoel Thomaz de Faria, e Bernardino Gomes de Faria, aquele morador na Freguesia de Araruna, este nesta Freguesia, do que para constar fiz este assento em que assino. Antonio Dias da Cunha, Vigário Encomendado da Freguesia.

Agora, o casamento de um membro da família Fernandes Pimenta e na seqüência, das famílias Gomes de Mello e Arruda Câmara
Aos vinte e três de Maio de mil oitocentos e cinqüenta e nove, pelas oito horas da manhã, no lugar denominado (ilegível), desta Freguesia, havidas as Cerimônias Canônicas, e exame de Doutrina Cristã, e Confissão Sacramental, Juxta Sac. Conc. Tridentinum, e não constar impedimento, uni em matrimonio e dei as bênçãos nupciais aos contraentes José Felis da Silva, e Cândida Maria da Conceição, naturais e moradores, ele filho legitimo de Joaquim Felis de Lima, e Antonia Maria da Conceição, e ela filha de José Fernandes Pimenta, já falecido, e Rita Maria da Conceição, em presença das testemunhas Honofre Barbosa de Lima, e Pedro Barbosa de Lima, moradores nesta Freguesia, do que para constar fiz este termo em que assino. Antonio Dias da Cunha, Vigário Encomendado da Freguesia.

Aos dezessete de Outubro do ano de mil oitocentos e cinqüenta e nove, pelas onze horas da manhã, no lugar denominado Caiçara de Baixo, desta Freguesia, havidas as Cerimônias Canônicas, e exame de Doutrina Cristã, e confissão sacramental, Juxta Sac. Conc. Trid., não constando impedimento, uni em matrimonio e dei as bênçãos nupciais aos contraentes Manoel Gomes de Oliveira, e Maria Perpétua de Mello, ele natural e morador na Freguesia de Guarabira, e ela natural e moradora nesta Freguesia, aquele filho de João José dos Reis e Maria José Soledade, e esta filha de João d’Arruda Câmara, e Emerenciana Gomes de Mello, em presença das testemunhas Onofre Barbosa de Lima e Francisco de Salles Bezerra, moradores nesta Freguesia, do que para constar, fiz este termo em que assino. Antonio Dias da Cunha, Vigário Encomendado da Freguesia.

Vejamos dois casamentos no mesmo dia, da família Ferreira de Macedo. Vicente e Antonio eram irmãos do Barão de Araruna, Estevão José da Rocha.
Aos vinte e quatro de Novembro do ano de mil oitocentos e cinqüenta e nove, pelas onze horas da manhã, no lugar denominado de Santo Antonio, desta Freguesia, havidas as Cerimônias Canônicas, e exame de Doutrina Cristã, e Confissão Sacramental, Juxta Sac. Conc. Trid., não constando impedimento, uni em matrimonio, e dei as bênçãos nupciais, a Manoel Zacharias de Macedo, e Josefa Felismina de Macedo, aquele natural e morador na Freguesia de Cuité, e esta natural e moradora nesta Freguesia, ele filho legitimo de Vicente Ferreira de Macedo, e Theodora Maria de Jesus, e ela filha legítima de João de Faria Costa, e Maria Alexandrina de Jesus, em presença das testemunhas Olympio Balduíno de Freitas e Trajano José de Faria, aquele morador na Freguesia de Cuité, e esta nesta Freguesia, do que para constar fiz este assento, em que assino. Antonio Dias da Cunha, Vigário Encomendado da Freguesia.

Aos vinte quatro de Novembro de mil oitocentos e cinqüenta e nove, pelas nove horas da manhã, no lugar denominado Santo Antonio, desta freguesia, havidas as cerimônias canônicas, e exame de Doutrina Cristã, confissão, Juxta Sac. Conc. Trid., não constando impedimento, uni em matrimonio, e dei as bênçãos nupciais, aos contraentes Candido José Meira e Maria Avelino de Faria, ele natural e morador na Freguesia de Cuité, e ela natural e moradora nesta Freguesia, aquele filho legitimo de Antonio Ferreira de Macedo, e Thereza Maria de Jesus, e ela filha legítima  de Miguel Rodrigues do Nascimento e Virginia Francelina de Jesus, em presença das testemunhas José Gomes de Mello e João Amâncio de Macedo moradores nesta Freguesia, do que para constar, fiz este termo que assino. Antonio Dias da Cunha, Vigário da Freguesia.


José Gomes de Mello era casado com Úrsula de Macedo, filha de Antonio Ferreira de Macedo e Thereza Maria de Jesus. Francisco Umbelino, filho de José e Úrsula, casou com Felismina, neta de Vicente e Teodora, e, também, de Antonio Ferreira de Macedo  e Thereza e Maria de Jesus