segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Familiares de Domingos João Campos, em Portugal

Um amigo genealogista me manda mais informações sobre a família de Domingos João Campos, em Portuga, em duas partes

1ª parte

Prof. João Felipe,
 
         REGISTRO DE BATISMO DE DOMINGOS JOÃO CAMPOS: 29 DE ABRIL DE 1714.
 
         Página 54 ( Verso ) do Livro Misto ( Batizados, Casamentos e Óbitos ) do período de 1692 à 1728 da Freguesia de Santa Maria Madalena, Freguesia do Campo, Conselho de Viseu, Bispado de Viseu, Portugal.
 
 
        Aos vinte e nove de Abril de Mil e Sete Centos e Quatorze, Baptizei solenemente nesta Igrª do Campo a DºS, filho de Phelipe Francº e de sua lgmª m.er Izabel Frs; foram pp M.el Francº da Laceira,  e Anna, soltrª todos de Mozellos desta Fregª de que fis este termo que assigno hoje, dia, mes, era, ut supra.
 
                                                        Pe. Cura João de Seixas. “
 
        Domingos João Campos era neto paterno de Antônio Simão e de sua 1ª esposa Isabel Paes, e era neto materno de Manoel Fernandes, da Freguesia de Orgens, Viseu, e de Ana Fernandes.
 
        REGISTRO DE CASAMENTO DE FELIPE FRANCISCO E ISABEL FERNANDES: 12 DE JUNHO DE 1704.
 
        Páginas 65 e 65 ( Verso ) Livro Misto ( Batizados, Casamentos e Óbitos ) do período de 1692 à 1728 da Freguesia de Santa Maria Madalena, Freguesia do Campo, Conselho de Viseu, Bispado de Viseu, Portugal. O registro começa bem no final da página 65 e no final dessa página na 5ª e última linha está escrito “ ... Trident. e do Const. do Bispado e por nam averem ... “ , e na página 65 ( Verso ) logo na primeira linha a continuação, estando escrito “ ... Impedimento Canonico PHELIPE FRANCº, filho ... “, e daí o registro continua até o seu final, com a assinatura do vigário Padre Cura João de Seixas.
 
 
       “ Em os doze dias do mês de junho de Mil e Sete Centos e Quoatro annos Se receberam em minha presença nesta Igrª de Sancta Maria Magdalena do Campo, guardado em tudo o Sagrado Concilio Trident. e do Const. do Bispado e por nam averem Impedimento Canonico PHELIPE FRANCº, filho legº de Antonio Simão e de sua prª m.er Izabel Pais, o qual se recebeu com IZABEL FRZ, fª legª de M.el Frz Orgens e de sua m.er Anna Frz, todos moradores no lugar de Mozellos, desta Fregª do Campo, foram testªs prezentes Francº Roiz Barbrº, M.el Frz,  e Gonçalo Joam também de Mozellos. De que fiz este termo q assignei, hoje dia mês era ut supra.
 
                                                     Pe. Cura João de Seixas. “
 
          Na mesma página 65 ( Verso ) o registro de casamento seguinte é o de Antônio Lopes com Maria Marques, em 06 de julho de 1704, mas que não tem nada ver com Domingos João Campos. Logo a seguir, o registro de casamento de Gonçalo João com Domingas Simão. O Gonçalo João que aparece sendo testemunha do casamento de Felipe Francisco com Isabel Fernandes era CUNHADO do Noivo Felipe Francisco ( Pai de Domingos João Campos ), já que Gonçalo João era casado com Domingas Simão, irmã de Felipe Francisco somente por parte de pai, e tia paterna de Domingos João Campos, e na mesma página 65 ( Verso ) já no final da página, e uma parte já iniciando na página 66, consta o registro de casamento em 01 de agosto de 1704 de Gonçalo João com Domingas Simão, filha de Antônio Simão e de sua 2ª esposa Luíza Fernandes, e o Gonçalo João era filho de Manoel João Barondo e de Ana Francisca.  
          Na página 60 ( Verso ) do Livro Misto ( 1665 – 1695 ) tem o casamento em 14 de fevereiro de 1689 de Manoel Francisco com Maria Paes, irmã de Felipe Francisco e filha de Antônio Simão e de Isabel Paes, já falecida na ocasião, e ele Manoel Francisco era filho de Antônio Batista e de Maria Francisca, o celebrante foi o Padre Antônio Correia, e as testemunhas foi Pascoal Francisco, das Eiras, e Simão Francisco.
 
          DOMINGOS JOÃO CAMPOS, natural de Muzellos, Freguesia do Campo, Bispado de Viseu,  Portugal, nascido em 1714 e falecido por volta de 1795, contraiu matrimônio em 24 de novembro de 1745 com  ROSA MARIA DE MENDONÇA, nascida possivelmente em 1730 e falecida em 13 de janeiro de 1797 com 67 anos, pouco mais ou menos, filha de pais ignorados.
 
           REGISTRO DE CASAMENTO DE DOMINGOS JOÃO CAMPOS E ROSA MARIA DE MENDONÇA:  24 DE NOVEMBRO DE 1745.
 
          Livro de Matrimônios da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Natal.
 
 
            “ Aos Vinte e Quatro de Novembro de Mil Sete centos e Quarenta e Sinquo annos, pela manhã, na Capella de Nossa Senhora da Conceição do Jundiahy, desta Freguezia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciaçõens na forma do Sagrado Concilio Tridentino, nesta Matriz, e na dita Capella onde o Contratante he morador e justificando o Contratante ser solteyro livre e desempedido perante o Reverendo Doutor Joze de Almeida Vigário da Praça e do Juiz dos Residentes do Distrito da Parahiba, por comissão nomeiado na visita de Sua Excelencia Reverendissa que se achava vizitando na dita Cidade e dando fiança aos banhos do Contratavel perante mim como constava do mandado que se me apresentou com as sobreditas clausulas, sem se descobrir impedimento como consta nas certidões dos banhos mais documentos que ficam em meo poder, excepto a fiança que foy remetida ao dito juiz a mão do Escrivão, pelo Reverendo Ignacio Pereira de Azevedo, clausula tambem  do dito mandado, e em presença do Reverendo Coadjuntor Licenciado João Gomes Freire de licença minha e sendo presentes por testemunhas o Capitão Mor desta Capitania Francisco Xavier de Miranda Henriques e o Provedor da Fazenda Real Ignácio de Souza Rocha Branco, pessoas conhecidas, se cazarão em face da Igreja solemnemente por palavras de prezente DOMINGOS JOÃO CAMPOS, filho legítimo de Phelipe Francisco já defunto e sua molher Isabel Fernandes, naturais do Lugar Muzelos, Freguezia do Campo, Bispado de Viseu e morador nesta Cidade com Dona ROSA MARIA DE MENDONÇA filha de pais incógnitos, exposta em casa do Sargento Mor Mario de Castro Rocha, natural e morador na ribeira da Cidade desta dita Freguezia e logo lhes dei as bençãos conforme os Ritos e Cerimonias digo as Cerimônias da Santa Madre Igreja do que tudo mandei fazer este assento em que por verdade me assignei.
 
                                                           Manoel Correa Gomes      
                                                                   Vigário. “

2ª parte
  
        O português DOMINGOS JOÃO CAMPOS não pertencia a nenhuma Família CAMPOS, já que o nome Campos nele é relativo ao seu lugar de origem, isto é, a sua terra natal.
        Possivelmente em sua terra natal DOMINGOS JOÃO CAMPOS se chamava apenas DOMINGOS JOÃO, e quando chegou ao Brasil, ele como forma de homenagear o seu lugar de origem, resolveu incorporar o nome CAMPOS ao seu sobrenome, ficando dessa forma o nome completo DOMINGOS JOÃO CAMPOS, e com isso deu origem a uma família CAMPOS em território norte–riograndense.
 
      
         MANOEL ( Tio Paterno do português Domingos João Campos ), filho de Antônio Simão,  e da 1ª esposa Isabel Pais, moradores em Moselos, batizado em 12 de setembro de 1667. Padrinhos: Manoel Simão, e Domingas Rodrigues, esposa de Francisco Rodrigues Barbeiro. Padre Manoel Lopes.
 
         ANTÔNIO, ( Tio Paterno do português Domingos João Campos ), filho de Antônio Simão,  e da 1ª esposa, batizado em 23 de outubro de 1677. Padrinhos Manoel Esteves, solteiro, e Felipa Fernandes, esposa de Manoel Fernandes, de Mozelos. Padre Manoel Figuereido.
 
 
        DOMINGAS SIMÃO ( Tia Paterna do português Domingos João Campos ), foi a 1ª filha do 2º casamento de Antônio Simão com a 2ª esposa Luíza Fernandes, foi batizada aos 20 de agosto de 1680 pelo Padre Antônio Correia, e os Padrinhos de Batismo foram Lourenço João e Madalena Francisca, e Domingas Simão contraiu matrimônio em 01 de agosto de 1704 com Gonçalo João, batizado em 20 de janeiro de 1680 e falecido aos 16 de outubro de 1721, e era filho de Manoel João Barondo e de Ana Francisca, e foi batizado pelo Padre Antônio Correia, e os Padrinhos foram Lázaro Dias, do Paço, da Freguesia de Lordosa, e Maria, solteira, filha de Sebastião Francisco, de Moselos.
      
 
         ANTÔNIO SIMÃO ( Avô Paterno de Domingos João Campos ) faleceu em 19 de junho de 1720, natural da Freguesia de São Pedro de Lordosa e morador na Freguesia de Santa Maria Madalena do Campo, filho de Braz Gonçalves e de Isabel Simão, contraiu 1º matrimônio com Isabel Pais, natural da Freguesia de Santa Maria Madalena do Campo, filha de Domingos Pais e de Isabel Francisca.
 
         ANTÔNIO SIMÃO ( Avô Paterno de Domingos João Campos ), depois de quase 2 meses  de ficar viúvo da 1ª esposa Isabel Pais, ele  contraiu 2º matrimônio aos 20 de novembro de 1679 com Luíza Fernandes, que faleceu em 15 de março de 1730, e o casamento foi celebrado pelo Padre Manoel de Figuereido, e as testemunhas foram Manoel Simão, Domingos Fernandes e João Francisco.
 
 
         REGISTRO DE ÓBITO DE ANTÔNIO SIMÃO, Avô Paterno do português Domingos João Campos: Faleceu em 19 de junho de 1720.
 
         Página 132 ( Verso ) do Livro Misto do período de 1692 à 1728 da Freguesia de Santa Maria Madalena do Campo, Viseu, Portugal.
 
         “ Faleceu ANTÔNIO SIMÃO de Mozellos em dezanove de junho de Mil e Sete centos e vinte. Fes Testamento foi interrado na Igreja por ele sua molher. De que fis este termo q asignei era ut supra.
 
                                                                        O Pe. Cura
                                                                  Miguel Paes da Costa. “
 
       
         ISABEL PAIS, Avó Paterna do português DOMINGOS JOÃO CAMPOS: Faleceu em 22 de setembro de 1679.
 
         Página 92 ( Verso ) do Livro Misto ( Batizados, Casamentos e Óbitos ) do período de 1665 à 1695 da Freguesia de Santa Maria Madalena, Freguesia do Campo, Conselho de Viseu, Bispado de Viseu, Portugal.
 
 
         “ Aos vinte e dous do mes de setembro de seis sentos setenta e nove faleceo ISABEL PAIS m.er de Antº Simão de mozellos não fes testa mento seu marido lhe fez fazer o bem de sua alma e em verdade de tudo fis este asento dia mes e era asima.
                                                                       O Pe. M.el de Figdº.
 
                   
         FELIPE FRANCISCO ( Pai do português Domingos João Campos ) faleceu em 25 de agosto de 1718, quando o seu filho DOMINGOS JOÃO CAMPOS tinha apenas 4 anos de idade.
 
         REGISTRO DE ÓBITO DE FELIPE FRANCISCO: Página 128 ( Verso ) do Livro Misto do período de 1692 a 1728 da Freguesia de Santa Maria Madalena do Campo, Viseu, Portugal.
 
 
         “ Falleceu PHELIPE FRCº de Mozellos em vinte e Sinco de Agosto de Mil e Sete centos e dezoutto foi interrado na igrª  por elle sua m.er  não fes manda de q fis este termo q. assignei era ut supra.
 
                                                  O Pe. Cura Miguel Paes da Costa. “
 
 
        Um Tio Materno de DOMINGOS JOÃO CAMPOS, de nome MANOEL FERNANDES, Soldado, faleceu em 19 de novembro de 1718, filho de Manoel Fernandes Orgens.
        
         ANA ( Tia Materna do português Domingos João Campos ), filha de Manoel Fernandes Orgens e de Ana Fernandes, batizada em 16 de maio de 1677 pelo Padre Manoel Esteves. Padrinhos: Manoel, solteiro, filho de Manoel Esteves, de Muzelos, e Luzia, solteira, de Muzelos, e assistente em Viseu.
 
 
        REGISTRO DE BATISMO DE ISABEL FERNANDES ( MÃE DE DOMINGOS JOÃO CAMPOS ): Batizada em 10 de julho de 1683.
 
        Página 39 do Livro Misto ( Batizados, Casamentos e Óbitos ) do período de  1665 à 1695 da Freguesia de Santa Maria Madalena, Freguesia do Campo, Conselho de Viseu, Bispado de Viseu, Portugal.
 
       “ Baptizei a ISABEL fª de M.el Frs, e de sua molher Anna Frs, mºrs em Mozellos, aos dez dias de julho de 683. forao P.P João Esteves do luguar de abranizes, e Juliana soltrª do dito Mozellos. De q fiz este q assigney.
 
                                                                      O Pe. Antº Correa. “
 
        
         Há o registro de casamento de um DOMINGOS PAIS, filho de Antônio Pais e de Ana João, casado em 26 de janeiro de 1626 na Freguesia de Santa Maria Madalena do Campo com Maria Simões, filha de João Simão e de Ana Martins, mas não sei se este é o mesmo Domingos Pais que foi o Pai de Isabel Pais ( Avó Paterna do português Domingos João Campos ), mas essa dúvida é porque o nome da mãe de Isabel Pais era Isabel Francisca.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

IV Encontro Norte-Rio-Grandense de Genealogia

É Arysson, lá de Caicó, quem avisa
Caicó sediará nos dias 23, 24 e 25 de novembro o IV Encontro Norte-Rio-Grandense de Genealogia. O evento promete reunir historiadores do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Ceará e Alagoas no plenário da Câmara Municipal. Na programação estão previstas palestras, mesa-redonda, intercâmbios e confraternizações.

DESCENDENTES DO ALFERES DOMINGOS JOÃO CAMPOS (TETRAVÔ DO PRESIDENTE CAFÉ FILHO) EM APODI. (I).

Por Marcos Pinto

                  Afirmam  renomados  historiadores,  que  a  genealogia  constitui  um  manancial  de  datas e  nomes  que  guardam  intrínsecos  liames  com fatos  históricos   que  precisam  ser  perfilados  e  elencados pelos  incansáveis  e  abnegados  pesquisadores  e  genealogistas.  Nesse  contexto, os  vetustos  troncos  familiares  da  Ribeira  do  Apodi  assumem  veemência  irrefutável  no  arcabouço  das  árvores genealógicas  vinculadas  às  primeiras  autoridades  da  então  Capitania  do  Rio  Grande.  DOMINGOS  nasceu  no  ano  de  1714, na  Freguesia  de  N. Sra. do  Rosário  do  Campos, Bispado  de  Viseu, em  Portugal, filho  legítimo de  Phelipe  Francisco  e  de  Izabel  Fernandes.  Faleceu no ano de 1795.
                  Na  maioria  dos fatos  históricos,  a  área  territorial  da  Ribeira  do  Apodi  sobressai-se  como  palco de  efervescentes  acontecimentos, a  começar  pelo  levante  indígena  dos  Tapuias  Paiacus,da  nação  Tarairiús,  conhecido como  "A  GUERRA  DOS  BÁRBAROS", no  período  compreendido  entre o  ano  de  1698  a  1720.  Feitas  essas  digressões, oriundas  dos  anais  históricos, reportemo-nos  ao  protagonista-mór  deste  despretensioso  artigo.  Domingos  atuou  como  o  principal  Ajudante  no  cansativo  trabalho de  medição e  demarcação  das  "Datas  de  Sesmarias""  da  região de  Apodi.  Em   21  de  Abril de  1740  encontrava-se  em  Apodi  medindo  e  demarcando  a  famosa  "DATA  DO BOQUEIRÃO", no  tamanho  antigo de  três  léguas  de  comprido  por  uma  de  largo. Essa  "Data  de  Sesmaria"  principia  no  sítio  "Passagem  Funda"  e  termina  nas  ilhargas  das  "Datas  de  Santa  Cruz"  e  de  "Santa  Rosa".  Nesta  labuta, é possível  que  DOMINGOS  JOÃO  tenha  concretizado  algum  relacionamento  amoroso  com uma  índia  Tapuia  Paiacus.  Observe-se  que  só vem  a  casar  aos  31  anos  de  idade,  em  24.11.1745.  Ainda  hoje  é  comum  ouvir-se  pessoas de  idade  longeva (80-90 anos)  afirmar  que  a  bisavó  era  índia, e  que  fora " pega  à  casco  de  cavalo  e  a  dentes de  cachorros", em  clara  alusão à  fatos  reais  ocorridos  durante  o  combate à  indiada  hostil, no  período compreendido   entre o ano de  1698  a  1720.  O  certo  é  que  os  indômitos  ÍNDIOS  DO APODI  foram  objeto de  toda  sorte  de  tropelias.  Em um dos livros de  assento de  batismo  da  Igreja-Matriz  de  N. Sra. da  Apresentação  encontramos  vários assentos  de  batismos  de  crianças  índias  tapuias  paiacus, com  idade  entre  04  e  05  anos, cujos  assentos  constam  que  não se  sabe  os  nomes dos  pais  porque  foram  pegas  na  guerra.  Encontramos, ainda, a  índia  tapuia paiacus  Suzana, batizada  em  1692, com a  idade  de  25  anos, e  que  era  escrava  do  Sargento-Mór  MANOEL DA  SILVA  VIEIRA, que  participou  do  combate  aos   Tapuias  Paiacus  na  margem  da  lagoa do  Apodi  em  1692, daí constar no assento que a  mesma  foi pega  na guerra.
               Uma  filha  do  Sargento-Mór  Manoel da  Silva  Vieira, de  nome  ANTONIA  MARIA DA  CONCEIÇÃO  casou  com  JOSÉ  FERNANDES  CAMPOS,  filho de  Domingos  João  Campos e  de  Rosa  Maria de  Mendonça.  Antonia  e  José  foram pais  de  JOSÉ  FERNANDES CAMPOS ( 2º), nascido  a  15 de  Agosto de  1775,   batizado  que  teve  como  padrinhos  Salvador  Maria da  Trindade  e  Ana  Maria do  E. Santo.  JOSÉ  (2º)  casou  com  JOANA GOMES  DE  JESUS,  tendo  fixado  residência  no  feudo  territorial  dos  FERNANDES CAMPOS, denominado  de  sítio  "Lagoa  Redonda", encravado  na  3ª  légua da  "Data  do  Boqueirão", medida por  Domingos  em  21.04.1740. Essa  tradicional  e  humilde  família  Apodiense  é  popularmente  conhecida  como  sendo  a  família  dos  "FONOM".   
               JOSÉ  FERNANDES CAMPOS (2º)  nascido em Natal,  faleceu  no seu sítio  "Lagoa  Redonda" (Apodi)  no ano de  1848, deixando a  viúva  JOANA  GOMES DE  JESUS  e  os  filhos:
             F.01- JOSEFA  MARIA DA PENHA - Casou com Manuel  de  Paiva  Ferreira.  Residiam  em  Portalegre-RN.
             F.02- LUCIANO  GOMES  DE  MEO - Em  1848  já era  viúvo de  Senhorinha de  Lima.
             F.03- FRANCISCO  FERNANDES  CAMPOS -  Casado  com  Joana  Batista de  Lima.
             F.04- JOÃO FERNANDES  CASADO.
             F.05- ROSA  MARIA. (É  a  mesma  Rosália da  Encarnação).
             F.06- MANOEL  FERNANDES  CAMPOS - Casado  com  Josefa  Maria da  Conceição, filha de  José  Pessoa  e de  Thereza  Pessoa.
             F.07- ANTONIO  FERNANDES  CASADO.
             F.08- NICOLAU GOMES  DE  MELO.
             F.09- ISABEL  MARIA  DA  CONCEIÇÃO.

       
OBSERVAÇÃO:  Quem  interessar  saber  a descendência  destes  09  bisnetos  de  DOMINGOS  JOÃO  CAMPOS,  pode  solicitar  através  do  meu  E-mail:  marcospinto.52@hotmail.com
             

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Domingos João Campos, tetravô de João Café Filho (I)



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Um amigo, colega da UFRN, Domingos Fernandes Campos, foi quem me revelou que seu irmão, João Bosco Campos, escreveu um livro, ainda inédito, cujo titulo é Alferes Domingos João Campos, Senhor do Engenho Jundiahi, História e Genealogia. Estimulei a publicação do livro, mas até agora não foi possível. Por isso, resolvi fazer esse artigo com base nas minhas informações e nas contidas na palestra de João Bosco, quando tomou posse no IHGRN, em 29 de março 1989, ano em que João Café Filho completaria 90 anos de idade, se vivo fosse.
O registro de casamento do português Domingos João Campos é de difícil leitura, mas que completaremos com outros registros. Ele casou com Rosa Maria de Mendonça, na capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, em 24 de novembro de 1745. Foram testemunhas o capitão-mor da capitania do Rio Grande, Francisco Xavier de Miranda Henriques, e o Provedor-mor da Fazenda Real, Ignácio de Sousa Rocha Branco. Vejamos um registro de batismo de um filho de Domingos, que contém informações mais completas.
Bernardo, filho do Alferes Domingos João Campos, natural da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário do Campo, Bispado de Viseu, e de Dona Rosa Maria de Mendonça, natural desta Freguesia, exposta em casa do sargento-mor Hilário de Crasto Rocha, neto por parte paterna de Phelippe Francisco e Izabel Fernandes, naturais da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário de Campo, Bispado de Viseu, nasceu aos vinte e oito de dezembro de mil setecentos e sessenta e cinco e foi batizado, com os santos óleos, de licença minha, na capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, aos treze de janeiro de mil setecentos e sessenta e seis, pelo Reverendo Padre Miguel Pinheiro Teixeira. Foram padrinhos Manoel Álvares Correa, filho do sargento-mor Rodrigo Álvares Correa, e Bernarda de Araújo Correa, mulher do dito Rodrigo Álvares Correa, do que fiz este termo, em que por verdade me assino. Pantaleão da Costa de Araújo. Vigário do Rio Grande.
Entre outros filhos de Domingos e Rosa, encontramos: Lourenço Fernandes Campos, que foi batizado em 6/03/1762; Joaquim Fernandes Campos, nascido em 12/1770 e batizado em 22/12/1770, tendo como padrinhos os irmãos tenente Manoel Fernandes Campos (batizado em 31/07/1749) e Anna Quitéria de Mendonça; Antonio Fernandes Campos, batizado em 1/10/1754; Francisco, batizado em 22/03/1757, que pode ser o Francisco de Borjas que casou, em 22/05/1801, com a preta forra, Bonifácia Maria, filha de José Ferreira e Anastácia da Conceição; João, batizado em 23/07/1759; José Fernandes Campos, que casou com Anna Antonia da Conceição, filha do capitão de infantaria Manoel da Silva Vieira e D. Anna Rita de Jesus; uma menina que faleceu em 15/071769, no mesmo dia que nasceu; Além de Maria, exposta, em 1784, na casa de Domingos João e Rosa.
Um registro que merece destaque é de um filho de Anna Quitéria. Manoel nasceu aos 5/7/1783, e foi batizado em Jundiaí, aos 16/9/1783, filho do capitão João Martins Praça e Anna Quitéria de Mendonça, neto por parte paterna de Antonio Martins Praça, da Villa de Penixe, Patriarcado de Lisboa e Maria Antonia das Neves, desta Freguesia, neto por parte materna de Domingos João Campos, natural de Viseu, e de Rosa Maria de Mendonça, desta. Teve como padrinhos José Vicente Monteiro, da cidade da Paraíba, e Maria Angélica, filha do Coronel Francisco da Costa, solteira.
Outro registro, interessante, é de uma filha do Manoel Fernandes Campos. Maria, filha de Manoel Fernandes Campos e Dona Antonia Maria de Mendonça, foi batizada aos 29 de dezembro de 1767 e teve como padrinhos o Alferes Domingos João Campos e sua filha Anna Quitéria. Antonia Maria de Mendonça, da mesma forma que a mãe de Manoel, foi exposta na casa de Dona Maria Magdalena de Mendonça (esposa de Hilário de Crasto). Era, portanto, em certo sentido,  tia de Manoel.
O tenente Manoel Fernandes Campos teve uma filha natural com Damásia Rodrigues da Silveira, que casou em Jundiaí, com Eugenio Ferreira de Lima, filho natural de Matheus Rodrigues Ferreira e Anna de Nis.
Uma filha de José Fernandes Campos e Anna Antonia da Conceição, de nome Anna Clara de Jesus, casou em 9/07/1789, com Francisco Xavier Câmara, filho do capitão Antonio da Câmara Silva e Anna Maria Torres, tendo como testemunhas, o Provedor da Fazenda Real Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim e Domingos Barbosa Correa. Francisco Xavier da Câmara era neto, pela parte paterna de Manoel Raposo da Câmara e Antonia da Sylva, e pela materna de Manoel Frazão Caldeira e Francisca Joaquina de Sá.
Uma das principais atividades do Alferes Domingos João Campos foi de demarcador de terras. Encontramos várias provisões desse ofício para ele. Foi vereador várias vezes, e em uma delas, como o mais velho, ocupou, temporariamente, o governo do Rio Grande.
No próximo artigo daremos continuidade com informações colhidas pelo pesquisador da família, João Bosco Campos, que nos levará até João Café Filho, a partir do tenente Manoel Fernandes Campos. Cópia da palestra com essas informações foi nos enviada por Domingos Fernandes Campos, pois a que tinha no IHGRN não foi encontrada, nem está publicada em Revista do próprio Instituto.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

João Teixeira de Barros e a família Tetéo de Macau



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Lá de Macau, quem me mandou um e-mail foi Afonso de Ligório Lemos, que atuou na política desse município como vereador, vice-prefeito e prefeito. Como leitor do Jornal de Hoje tem acompanhado meus artigos sobre as origens das cidades e famílias daquela região. Revela que tem uma enorme vontade de escrever um livro sobre Macau e a região. Disse mais, que tinha um bom material sobre a família Lemos e Tetéo, e que colocava a minha disposição, caso me interessasse.
Sobre a família, informa que seu bisavô, Feliciano Tetéo, foi superintendente da Guarda Nacional, e, também, intendente de Macau; que Pedro Tetéo, seu avô, era coronel da Guarda Nacional e delegado da cidade de Macau, por vários anos; que Francisquinha Lemos, conhecida como política, sem ter mandato, teve grande participação nos governos de José Varela e de Aluízio Alves.
Como tudo que se refere à região de Macau me interessa, pedi que me avisasse quando viesse a Natal, pois gostaria de conversar e ver os documentos ofertados. Conversei, posteriormente, com o jornalista Túlio Lemos, seu filho, sobre meu interesse em conversar com Afonso.
Eu já tenho algumas informações sobre a família Teixeira de Barros e Tetéo. Mas essas informações são esparsas e faltam alguns elos que só poderiam ser elucidados por membros da família. Aqui, vou colocar algumas  que já apurei, começando com o bisavô de Afonso.
Feliciano, semibranco, filho de João Teixeira de Barros e Anna Gomes da Costa, nasceu aos vinte e um de março de mil oitocentos e cinquenta e um e foi batizado, solenemente, pelo padre Elias Barbalho Bezerra, na capela das Oficinas, a nove de junho do mesmo ano; foram padrinhos Vicente Rodrigues Ferreira, casado, e Francisca Ferreira, solteira, e para constar fiz este termo em que me assino. Padre Elias Barbalho Bezerra, coadjutor pro pároco do Assú.
Os pais de Feliciano, João Teixeira de Barros e Anna Gomes da Costa, contraíram núpcias em 2 de maio de 1850, na capela de São José das Oficinas, tendo como testemunhas Francisco Moreira da Silva Jr. e Vicente Ferreira Rodrigues, padrinho no batizado acima. Infelizmente no registro de casamento não aparecem os pais dos nubentes. Vejamos o casamento de Feliciano. O livro, onde consta o registro desse casamento, é uma transcrição do original. Encontramos nessas transposições de registros vários erros. Por isso, acredito que escreveram João Ferreira no lugar de João Teixeira, embora alguns filhos do casal apareçam com sobrenome Ferreira.
Aos doze de novembro de 1871, na capela do Rosário, Feliciano Ferreira Tetéo casou com Adelaide Maria do Espírito Santo. Ele, filho de João Ferreira de Barros e Anna Gomes Ferreira. Ela, filha de Pedro Nolasco da Fonseca e Maria Ignácia de Jesus. Foram testemunhas Floriano Ferreira Tetéo e Antonio Barbosa Pimentel.
Temos, também, o registro de batismo do avô de Afonso. Pedro, filho de Feliciano Ferreira Tetéo e Adelaide Maria da Fonseca, nasceu aos 28 de junho de 1881, e foi batizado em 1 de julho de 1881, tendo como padrinhos João Coelho da Silva e Emília Ferreira Tetéo. Essa Emília era irmã de Feliciano. Nasceu aos 12 de fevereiro de 1859.
No livro de alistamento eleitoral, encontrado no Museu José Elviro, há os registros, como eleitores, de alguns filhos de João Teixeira de Barros, que são listados a seguir. Secundes Teixeira de Barros, prático, 52 anos; Feliciano Ferreira Tetéo, empregado no Porto, 40 anos; José Teixeira de Barros, 30 anos, marítimo; Manoel Ferreira Tetéo, 29 anos, marchante; André Ferreira Tetéo, 39 anos, marchante.
Nesses registros eleitorais não aparecem os nomes das mães dos eleitores. Esse Secundes Teixeira de Barros era filho de João Teixeira de Barros e Francisca Xavier da Silva. Casou, na capela de Nossa Senhora da Conceição de Macau, com Juvina Maria da Conceição, filha de José Mendes da Costa e Faustina Maria da Conceição. Além disso, encontramos o batismo de Manoel, filho de Secundes Teixeira de Barros e Juvina Maria da Conceição, nascido aos 5 de março de 1858, e batizado aos 24 do mesmo mês e ano.
No casamento de João Teixeira de Barros com Anna Costa não consta que ele era viúvo. Portanto, não pode ser o mesmo que casou com Francisca Xavier, em 1825. Suspeito que esse segundo João Teixeira de Barros seja filho ou sobrinho do primeiro, cujo registro de casamento segue: Em 15 de abril de 1825, na capela de Nossa Senhora da Conceição da Ilha de Manoel Gonçalves, Frei Francisco de Santa Teresa casou João Teixeira de Barros, 20 anos com Francisca Xavier, 18 anos. Ele, filho de Manoel Teixeira de Barros e Antonia Maria da Conceição, e ela, filha de João Pereira da Silva e Maria dos Santos Rosa. Foram testemunhas João Martins Ferreira (meu tetravô) e Ignácia Teixeira de Barros, casados.
Além de Secundes e, talvez, João Teixeira de Barros, encontramos três  filhos de João e Francisca: Aos 24 de abril de 1831, nasceram Cosma e Damiana, que foram batizadas na capela de São José das Oficinas, em 4 de setembro do mesmo ano; aos 29 de novembro de 1855, na Fazenda Amargoso, Joaquim Teixeira de Barros casou com Anna Senhorinha da Conceição, filha de José Joaquim de Sousa e Maria Joaquina de Jesus.
Os livros e documentos importantes para História de Macau, que estão no Museu José Elviro, já estão sendo digitalizados?




terça-feira, 23 de outubro de 2012

O desabafo de Valério e o efeito borboleta

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Museu Popular Djalma Maranhão
Há poucos dias o presidente do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte fez, neste mesmo jornal, um artigo desabafando todas as suas angústias quanto ao destino dos órgãos de contas, em face dos pronunciamentos de juristas e não juristas desta terra, bem como do entendimento de alguns ministros dos tribunais superiores sobre as competências das Câmaras Municipais para julgamento dos atos de gestão dos prefeitos. Fez uma análise perfeita levando em conta o preparo do órgão técnico e a falta de isenção das atuais câmaras para uma análise correta e um julgamento imparcial. Todos os munícipes, juristas ou não, vereadores ou não, deveriam ler o desabafo de Valério.
Qualquer individuo que tenha acompanhado o pleito eleitoral nos diversos municípios deste Estado viu que a campanha se desenrolou debaixo de paixões avassaladoras sem o mínimo de senso crítico. Toda essa paixão desenfreada contamina as Câmaras e faz delas órgãos sem a menor isenção para julgar qualquer coisa.
As contas de 2008 do prefeito Carlos Eduardo foram examinadas debaixo dessa falta de isenção. Foram os próprios vereadores, em entrevista nos jornais que reconheciam seu desconhecimento sobre contas. Quem não sabe manda para quem sabe, para quem se preparou para examinar devidamente. Mas esses vereadores, sem isenção, não procederam dessa forma. Isso levaria tempo e atrapalharia o plano de tornar o prefeito inelegível. Cada um, a seu modo, tentava exercer sua vingança pessoal, ou não queria se incompatibilizar com os gestores de benesses.
Pior que tudo isso foi o despreparo no julgamento. A Câmara além de não ouvir o órgão técnico auxiliar, que era o Tribunal de Contas, não abriu uma comissão de inquérito para a devida apuração. Não houve, na verdade, apuração dos fatos, um por um, mas simplesmente, como diz o acusador-mor, evidências no Diário Oficial do Município. Ora, indícios sem apuração, implica julgamento incorreto. Nem tudo que parece é. Quantas pessoas foram ouvidas pela Câmara sobre as supostas irregularidades? Quem estava envolvido diretamente nas ditas irregularidades? Para a defesa de qualquer acusado deveria ser apresentado o processo completo com as ditas irregularidades para que se produzissem as devidas defesas. Ou não é assim que tem que ser feito senhores juristas? O prefeito foi convocado para se defender ou mandaram simplesmente um ofício pedindo esclarecimento das vagas insinuações?
Recordamos aqui alguns pontos, da minha compreensão. Não havia necessidade da prefeitura consultar a Câmara sobre a venda, pois ela não gerava nenhum endividamento; muitos dos atos de pessoal publicados no Diário Oficial do Município não eram simples concessão do prefeito, mas direito dos servidores, e tudo isso fazia parte da previsão orçamentária da Prefeitura; a administração municipal não ficou se lamentando dos erros do passado, mas diante de dificuldades financeiras foi em busca de recursos da ordem de 40 milhões. Aritmeticamente, não houve prejuízo de 9 milhões, mas um acréscimo de 31 milhões nos cofres municipais; a administração municipal, mesmo agindo de forma incorreta, não se apropriou dos recursos da previdência municipal, mas se socorreu temporariamente daqueles dinheiros para evitar o caos municipal, tendo devolvido em tempo os recursos, mesmo a Câmara Municipal tendo tentado prejudicar a cidade. O prefeito preferiu se arriscar a ver a cidade caminhar para o abandono. Pergunto aos munícipes de Natal. Houve, realmente, espaço e tempo para o acusado responder com propriedade, e não de forma resumida, como fiz acima, as questões suscitadas?
Entro agora na questão, que denomino o erro de Micarla. Quando cheguei à Administração Municipal em 2003, a situação financeira não era boa, como de costume. Já no segundo semestre participei de reunião com o prefeito com a finalidade de cortar orçamentos e recursos, a fim de equilibrar as finanças, principalmente, por conta de obrigações extras e quedas de receitas no segundo semestre. Esse procedimento se estendeu por todos os anos seguintes. Tudo isso dificultava mais ainda a correção dos diversos planos de cargos e salários dos servidores. O aumento acima da inflação do salário mínimo ia corrigindo algumas situações, mas criava ao mesmo tempo algumas distorções. Todas as projeções que fazíamos para melhorar a situação dos servidores iam além da capacidade financeira da prefeitura.
A prefeita fez uma escolha quando assumiu. Resolveu melhorar o salário dos servidores, como era para ser feito. Só que cometeu um grande equívoco, por falta de assessoramento e incompetência da Câmara, pois não houve previsão das consequências, quando resolveu dar, de uma vez só, muitos benefícios, onerando assustadoramente a despesa com pessoal e encargos, por vários anos pela frente. Como na Teoria do Caos, o efeito borboleta provocou um furacão nas finanças da Prefeitura que impossibilitou a administração municipal de cuidar de outras questões essenciais da população de Natal, agora, e por mais alguns anos pela frente. Já com os dados do orçamento de 2013, constatamos que a despesa realizada com pessoal e encargos em 2011, já ultrapassava em mais de R$ 342 milhões a realizada em 2008. Os investimentos que em 2008 foram de R$ 233.117.000,00 caíram para R$ 78.964.000,00. O item outras despesas correntes evoluiu de R$ 431.690.000,00 para tão somente R$ 594.900.000,00.
Um detalhe que chama a atenção, mas é muito comum na elaboração do orçamento é a previsão, a menos, para os anos seguintes. Para pessoal e encargos, embora a despesa realizada em 2011 já tivesse alcançado mais de 846 milhões, a despesa fixada nesse item, para 2012, foi de aproximadamente 717 milhões e a prevista, para 2013, de aproximadamente 739 milhões.
Infelizmente, a nossa cidade vai ser penalizada por mais alguns anos, a menos que surja algum fato novo que mude essa realidade.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Desabafo - Valério Mesquita

A decisão da Câmara Municipal de Natal de não aprovar as contas do ano de 2008, aprovadas pelo TCE, suscitou uma série de questionamentos sobre o papel dos Tribunais de Contas. O presidente do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte, em artigo no O Jornal de Hoje, chama a atenção para as possíveis consequências desse descaso com esse órgão técnico, se as aprovações ficaram, tão somente, nas mãos das Câmaras Municipais. Por isso, posto na íntegra o artigo do ilustre presidente.



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A parte e o todo - Heisenberg



Von Holst buscou sua viola, sentou-se entre os dois rapazes e juntou-se a eles na execução da Serenata em ré maior, uma obra da juventude de Beethoven. Ela é transbordante de alegria e força vital; a confiança na ordem central dissipa a covardia e o cansaço. Enquanto eu ouvia, fortaleceu-se minha convicção de que, avaliadas pela escala temporal humana, a vida, a música e a ciência prosseguiriam para sempre, ainda que nós mesmos não sejamos mais do que visitantes transitórios, ou, nas palavras de Niels Bohr, simultaneamente espectadores e atores do grande drama da vida. Werner Heisenberg

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A carta de João Ferreira Domingues Carneiro

Complementando o artigo anterior, vejamos na íntegra, a carta do Juiz João Ferreira Domingues Carneiro

João Ferreira Domingues Carneiro, o Juiz

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
A Genealogia já interessa muitas pessoas neste país. Sempre recebo pedido de informações de algumas em busca de seus antepassados.
Mario Bittemilher manda um e-mail com as seguintes informações: minha bisavó, por parte de pai, era filha de escravos em Macau e foi entregue a um padre. O nome dela era Francisca Antônia da Conceição (1894-1991), sendo seus pais biológicos Jerônimo Antônio de Souza e Antonia Maria da Conceição, e teve como pais adotivos João Ferreira Domingues Carneiro e Antonia Joana da Conceição. Com esses dados pedia orientação para pesquisar sobre essas pessoas. Depois, ele mandou mais informações, dizendo que ela foi criada pelo padre Carneiro, filho de João Ferreira Domingues Carneiro e Antonia Joana da Conceição, e que seu pai adotivo era Juiz, e que o padre foi para o Rio de Janeiro.
 Com as informações acima, procurei o livro de Monsenhor Severino, Levitas do Senhor, que trata da biografia de diversos padres, e entre eles encontrei o Padre Francisco Otaviano da Nóbrega Domingues Carneiro. Nesse livro há a transcrição do batismo do padre Francisco, constante do arquivo paroquial de Macau: aos vinte e cinco de outubro de mil oitocentos e noventa e seis, na Igreja Matriz, o Reverendo José Calazans Pinheiro, batizou solenemente a Francisco, nascido a trinta de setembro do dito ano, filho legítimo do Dr. João Ferreira Domingues Carneiro e Josefina da Nóbrega Domingues Carneiro, sendo seus padrinhos Joaquim Álvares da Nóbrega e Francisca Herculana da Nóbrega, representados por Francisco Tertuliano de Albuquerque e Raimunda Adelaide de Saboia Albuquerque, do que para constar fiz este termo que assino. Cônego Vigário Estevão Jose Dantas, encarregado da Freguesia.
O batismo acima corrige a informação sobre a mãe do padre e fica a dúvida se o Juiz Domingues Carneiro teve uma segunda esposa. Pegando carona nas informações de Mário Bittemilher, resolvi descobrir mais sobre o Juiz.
Sem muitas informações nos meus arquivos fui à busca da Hemeroteca da Biblioteca Nacional. O Caixeiro, do jornalista Pedro Avelino, datado de junho de 1893, trata de uma tentativa de assassinato contra o ilustre Juiz de Direito da Comarca do Seridó Dr. Domingues Carneiro. Está registrado: Parece que o bandidismo disfarçado e hipócrita não podia tolerar ali a presença de um magistrado superiormente inteligente e enérgico, como o honrado Dr. Carneiro, que não se quis prestar, nem se prestará jamais a manivela de quem quer que seja. E, como a impunidade do crime e os arranjos judiciários não encontrassem molde no reto espírito do digno moço, tornou-se preciso eliminá-lo.
 Pelas 9/2 horas da noite achava-se a vítima na residência do honrado capitalista e fazendeiro capitão Joaquim Álvares da Nóbrega, e tomara assento á mesa do chá, com a família do seu ilustre hóspede e vários amigos. Corriam cordiais e animadas palestras e refeição, quando, de repente, por uma janela fronteira, sicários mascarados apontam a cabeça do juiz de direito e desfecham as garruchas.
Por um casual e feliz movimento, que então fizera Dr. Carneiro, as balas não o atingem, ficando, porém, ferido por vários bagos de chumbo na cabeça e nos ombros. O Dr. Belarmino Pinagé, que se achava ao lado do juiz de direito, escapou igualmente de ser morto, e bem assim o jovem Josué da Nóbrega, filho do dono da casa.
Mas, essa história não cessou com o atentado, em 24 de junho de 1893. O Juiz escreveu uma longa carta no jornal "O Caixeiro", em 3 de outubro de 1893, respondendo acusações feitas, em outro jornal, por conta de acontecimento ocorridos, em 18 de agosto de 1893, na Vila de Santa Luzia,   por Januncio, Diógenes e Abdon Nóbrega, "parentes ingratos e desprezíveis, que, sem coragem de atacar a descoberto, procuraram aquele meio para incomodar, ridicularizar e caluniar ao seu honrado e respeitável tio o capitão Joaquim Álvares da Nóbrega, que tem o grande crime de ser meu dedicado amigo, e haver por duas vezes estado próximo de ser meu sogro". Nessa carta conta que os inimigos "vendo providencialmente nulificada a ação de bacamarte e de bala posta em ação contra mim na noite de 24 de junho, não hesitaram nem tiveram a mão trêmula, ao propinarem o veneno que devia fatalmente vitimar, como vitimou, as duas inocentes moças, condenadas porque foram sucessivamente minhas noivas".
No mesmo jornal acima, outra edição, encontramos que Dr. João Ferreira Domingues Carneiro casou, em Caicó, em 14 de outubro de 1893. Na notícia não fala quem era a noiva. Pelo batismo de Francisco, acredito que era Josefina Nóbrega, possivelmente, parente, do amigo Joaquim Álvares da Nóbrega, que, aliás, foi padrinho do futuro padre.
Em 25 de junho de 1892, houve uma permuta de Comarcas. Felipe Nery de Brito Guerra saiu de Macau para a Comarca do Seridó e Dr. Domingues Carneiro o caminho contrário. No Diário do Natal, de 3 de dezembro de 1909, Dr. Carneiro Domingues comunica que assumiu, no dia anterior, o Cargo de Chefe de Polícia.
A família parecia ser de Pernambuco, pois, Dr. Domingues foi promotor público da Comarca de Caruaru, pelo menos até 1891. Além disso, através do jornal, A Província, encontramos nota de missa de sétimo dia, de sua mãe Dona Emília Francisca de Lemos Ramos, a ser celebrada em 25 de abril de 1900, na Matriz do Corpo Santo, Recife.



Selos do Capitão José da Penha

De vez em quando aparece uma novidade sobre o capitão J. da Penha. De Recife, João Batista, que trabalhou nos Correios, me envia selos com a efigie do famoso capitão. Vejam