Em alguns registros de batismo mais antigos aparece o Padre Antonio de Andrade de Araújo. Em um desses registros ele apresente seu pai e uma irmã. Vejamos:
Aos 31 dias de julho do ano de 1712 na Igreja de São Miguel da Aldeia de Guajiru, batizei e pus os santos óleos a Antonio, filho de Antonio Teixeira Coelho e sua mulher Ignácia de Abreu Cunha; foram padrinhos meu pai Antonio de Andrade de Araújo e minha irmã Úrsulsa de Abreu da Cunha; e eu o Coadjutor desta Matriz em ausência do Reverendo Vigário fiz este assento em que mi assinei. Antonio de Andrade de Araújo.
Outros irmãos, que encontramos nesse período, do Padre acima eram : Ignácia que foi batizada em sete de agosto de 1688, tendo como padrinhos Padre Eloy de Freitas e Izabel de Barros; João que foi batizado em cinco de junho de 1695, tendo como padrinho João de Mattos; Balthazar que foi batizado em oito de maio de 1698, tendo como padrinhos o padre Ignácio Antonio da Silva e Damiana de Moraes; José que foi batizado em quatro de fevereiro de 1709, tendo como padrinhos Antonio Teixeira Coelho e (ilegível) de Barros; Anna e Francisco batizados no dia doze de março de 1705, tendo como padrinhos de Anna, Manoel de Andrade, seu irmão, e de Francisco, Antonio de Andrade de Araújo ( o padre acima) e Anna de Barros, mulher de Lázaro de Barros.
Ignácia 7/08/1688
João, 5/06/1695
Balthazar 8/05/1698
Ana e Francisco (12/3/1705)
José 4/02/1709
domingo, 16 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
O Provedor, a cadeira rasa e o Reverendo Pároco
Por João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
No fim do século XVIII não havia televisão, computador, máquina fotográfica, e nem campeonato de futebol, e o tempo sobrava para intrigas. Sem e-mail, facebook, fale conosco e 0800, as pequenas coisas subiam, através de cartas, até a Alteza Real, lá em Lisboa.
Pois bem, em 1 de fevereiro de 1798, o Provedor da Fazenda Real e Vedor Geral de Gente de Guerra da Capitania do Rio Grande, Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, expedia duas correspondências, uma para o Ministro do Reino, Marquês da Vila Nova de Cerveira, D. Thomaz Teles da Silva, e outra para a Rainha D. Maria I.
Para D. Thomaz escreveu: A demasia do Reverendo Vigário Feliciano José Dornelles, escandalizando o povo, e caráter dos cargos que ocupo de Provedor Real da Fazenda, e mais anexos, me obriga a representar a Sua Majestade Fidelíssima para evitar a violência de mandar publicamente, em ocasião de solenidade festiva, tirar da Igreja a cadeira rasa de meu assento, sempre costumado aqui, na cidade da Paraíba, e Pernambuco, e humilhado suplico a Vossa Excelência a esmola do despacho para cessar o ímpeto, e odiosa violência do dito Pároco, e para a tranqüilidade necessária, de que abusa, Cidade do Natal, 1 de fevereiro de 1798.
Beija as mãos o mais infeliz e indigno Provedor do Rio Grande do Norte, reverente, fiel e menor servo, Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim.
Para a Rainha D. Maria escreveu o Provedor: Senhora, tenho a honra de servir a mais de trinta e dois anos o cargo de Provedor da Real Fazenda com os anexos, e por Graça de Vossa Majestade Fidelíssima estou conservado e sendo equivalentemente estimado; no ano próximo passado experimentei do Reverendo Vigário da Matriz desta Capitania, Feliciano José Dornelles, a pública desatenção de mandar tirar da Igreja, em dia de Festividade, a cadeira rasa de meu assento, sempre praticado, antiqüíssimo por estilo de mais de cem anos, aqui observado, na cidade da Paraíba, e Pernambuco, com escândalo do Povo, de propósito, e caso pensado do dito pároco, que já havia prometido de o fazer sem me chegar noticia, nem fundamento algum.
Esta violência me tem impedido de ir a Matriz, enquanto não fôr dada a providência devida aos meus cargos, idade, e graduação de licenciado na Faculdade dos Sagrados Cânones pela Universidade de Coimbra, e posse imemorial, pela retidão, e (ilegível) de Vossa Majestade que Deus Guarde, para bem e sossego de seus fiéis vassalos. Cidade do Natal, 1 de fevereiro de 1798. Provedor da Fazenda Real e Vedor da Gente de Guerra, da Capitania do Rio Grande do Norte, Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim.
As providências devem ter sido enviadas para nosso capitão-mor, Caetano da Silva Sanches, através do Secretário de Estado da Marinha e Ultramar, Conde de Linhares, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, pois aquele respondeu a este, como segue:
Recebi a respeitável Carta de Vossa Excelência, de 25 de agosto de 1798, para efeito de ser repreendido o Reverendo Pároco desta Freguesia, Feliciano José Dornelles, por assim ser servida Sua Majestade, pela representação que fizera o Provedor da Fazenda Real desta cidade Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, pela pública desatenção que com ele tinha praticado mandando tirar da Igreja uma cadeira rasa, em que o dito Provedor, e seus antecessores estavam na posse quando assistiam as públicas festividades, ordenando, por fim, a Mesma Senhora, que eu repreendesse ao referido Pároco por este fato e lhe ordenasse que fizesse imediatamente restituir a cadeira ao seu antigo lugar, para que o mesmo Provedor fosse conservado na sua posse.
Em observância da dita Respeitável Carta mandei vir o dito Reverendo Pároco e lhe participei todo o seu contexto, do qual me respondeu que era falso, e que havia mostrar a Sua Majestade o contrário: eu lhe repliquei dizendo-lhe mal poderia ele mostrar o contrário sendo aquele acontecimento tão público em dia de festividade, e nada mais me respondeu.
O dito Reverendo Pároco só poderá pôr na presença de Sua Majestade o contrário, como diz, deste fato, com alguns documentos faltos de verdade, como seja do Padre Miguel Francisco do Rego Barros, seu parcial, e com gênio propenso para intrigas, como o tem mostrado, e de outros da mesma condição. Este acontecimento, Excelentíssimo Senhor, foi todo verdadeiro, menos no ponto de dizer que mandara o dito Pároco tirar da Igreja a cadeira, porque ainda não estava dentro, e sim, chegando o fâmulo do dito Provedor com ela a porta, e o dito Pároco na mesma esperando para dizer não queria a cadeira dentro da Igreja, como o fez, executando o que antes já dizia o havia fazer, e depois de feita a dita desfeita disse que consentiria a cadeira na Igreja se Sua Majestade assim o determinasse. Deus Guarde Vossa Excelência. Cidade do Natal do Rio Grande do Norte, 1 de Março de 1799. Caetano da Silva Sanches.
Esse Caetano foi quem doou, segundo Câmara Cascudo, aquele galo que está na torre da Igreja Santo Antonio.
Dona Maria da Apresentação, domiciliária no Sertão de Panema, esposa do Provedor acima, em 1783, tinha encaminhado para D. Maria I, solicitação de provisão contra seu marido para libelo de divórcio.
Já o Padre Dorneles, nosso conhecido de outro artigo, recebeu de Câmara Cascudo, em Velhas Figuras, comentário que difere do que já vimos por aqui: “A tradição representa-o pequeno e magro, andando depressa, muito pálido, extremamente amável e caritativo”.
O Padre Miguel Francisco do Rego Barros era filho de Mestre de Campo Francisco Machado de Oliveira Barros e Dona Antonia Maria Soares de Mello, e irmão de Joaquim José do Rego Barros que presidiu a nossa Província. Ele faleceu em 1816, com a idade aproximada de 50 anos. Dorneles e Joaquim José foram membros do Governo Revolucionário de André de Albuquerque Maranhão, em 1817.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Nomes compostos na Ribeira do Mipibu
Observando alguns registros da Igreja de Nossa Senhora do O' da Ribeira de Mipibu, vemos que, diferentemente de outras Freguesias, as crianças eram batizadas com dois nomes.Vejamos esses exemplos.
Aos vinte de junho de mil setecentos e quarenta e nove anos, na Igreja de Nossa Senhora do O' de Mipibu, desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, de licença minha, o Reverendo Padre Antonio de Araújo e Sousa, batizou e pôs os Santos Óleos a Antonio José, filho de Ignácio da Rocha e de sua mulher Antonia Barbosa; foram padrinhos o sargento-mor Domingos Pinto Ozorio, e sua mulher Francisca de Macedo, moradores nesta mesma Ribeira desta Freguesia; e pelo assento que veio do dito Reverendo, mandei fazer este em que por verdade me assino, Manuel Correa Gomes, Vigário.
Aos treze de julho de mil setecentos quarenta e nove, na Igreja de Nossa Senhora do O' da Ribeira de Mipibu, desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, de licença minha, o Reverendo Antonio de Araújo e Sousa, batizou e pôs os Santos Óleos João Pedro, filho de Arcenio de Barros Brandão e de sua mulher Maria do O'; foram padrinhos Manoel Martins, filho de Domingos Martins Bayam e Maria José, filha do Alferes Nazareno Lopes da Cunha, moradores na mesma Ribeira de Mipibu, desta Freguesia; e pelo assento que veio do dito Reverendo mandei lançar este, em que por verdade me assino Manuel Gomes Correa, Vigário.
Aos vinte e um de agosto de mil setecentos e quarenta e nove, na Capela de Nossa Senhora do O' da Ribeira de Mipibu, desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, de licença minha, o Reverendo Antonio de Araújo e Sousa batizou e pôs os Santos Óleos, a Anna Maria, filha de João da Rocha e de sua mulher Maria José; foram padrinhos o tenente João de Oliveira e Freitas e Anna Gomes, filha do capitão João Marinho de Macedo, moradores na Ribeira de Mipibu desta dita Freguesia; e pelo assento que veio do dito Reverendo mandei lançar este, em que por verdade me assino. Manuel Gomes Correa, Vigário
Minha tetravó, Agostinha Monteira de Sousa, e três batismos em Mipibu
Uma das minha ascendentes tinha o nome de Agostinha Monteira de Sousa e era casada com Antonio Francisco Bezerra da Costa. Eram meus tetravós. Ela faleceu de parto, ainda nova, em 2 de julho de mil oitocentos e vinte e sete, com trinta e tres anos de idade. Interessante que descobri, em um batismo, outra pessoa com o mesmo nome dela, casada com o capitão João Martins de Sá. Seria a minha tetravó parente da mulher de João Martins de Sá. Aproveito para colocar o batismo acima referido e mais dois outros acontecidos em 1756, em Mipibu. Fica a dúvida.
Aos nove de setembro de mil setecentos e cinquenta e seis de licença do Reverendo Vigário Doutor Manoel Gomes Correa, na Capela de Nossa Senhora do O' de Mipibu, batizou e pôs os Santos Óleos, o Reverendo Vigário Padre Antonio de Araújo e Sousa a Francisco Xavier, filho de Arcenio de Barros Brandão e sua mulher Maria do O'; foram padrinhos o Capitão Francisco de Sousa Gusmão e sua mulher Dona Apolonia Dorneles de Jesus; de que mandou lançar este assento o Muito Reverendo Senhor Doutor Visitador que abaixo assina. Marcos Soares de Oliveira.Visitador.
Aos onze de setembro de mil setecentos e cinquenta e seis, de licença do Reverendo Vigário, o Doutor Manoel Correa Gomes, na Capela de Nossa Senhora do O' de Mipibu, batizou e pôs os Santos Óleos, o Reverendo Padre Antonio de Araújo e Sousa, a Maria Rufina, filha de Angelo Martins e de sua mulher Adriana, foram padrinhos o sargento-mor Lourenço Martins Raposo e sua mulher Damiana Rodrigues de Sá; de que mandou lançar este assento o Muito Reverendo Senhor Doutor Visitador que abaixo assina, Marcos Soares de Oliveira, Visitador
Aos dez de setembro de mil setecentos e cinquenta e seis, de licença do Reverendo Vigário Doutor Manoel Correa Gomes, na Capela de Nossa Senhora do O' de Mipibu, batizou e pôs os Santos Óleos, o Reverendo Padre Antonio de Araújo e Sousa, a João, filho de João Cordeiro e de sua mulher Antonia Duarte; foram padrinhos o capitão Joseph Monteiro e Agostinha Monteira de Sousa, mulher de João Martins de Sá; do que mandou lançar este assento o Muiot Reverendo Senhor Doutor que abaixo assina, Marcos Soares de Oliveira, visitador.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Um comando para Guamaré
Dom José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho do Conselho de Sua Alteza Real, bispo de Pernambuco, Pedro Sheverin, Chefe de Esquadra e Intendente da Marinha, o Dezembargador José Joaquim Nabuco, ouvidor Geral desta Comarca, governadores interinos da Capitania Geral de Pernambuco. Fazemos saber aos que esta Carta Patente virem, que havendo respeito a concorrerem na pessoa de José de Brito de Macedo, as necessárias circunstâncias para exercer o Posto de Comandante do lugar Aguamaré, dividido da Comandância do lugar de Manoel Gonçalves, e por esperarmos dele que nas obrigações, do Real Serviço, se haverá muito como deve a boa confiança que formamos de sua pessoa. Houvemos por bem na conformidade do Capítulo 20 do Regimento deste Governo nomear /como por este nomeamos/ ao dito José de Brito Macedo no Posto de Comandante novamente criado a bem do Real Serviço no lugar de Aguamaré a fim de atalhar as desordens que ali acontecem causadas pelos pescadores, segundo somos informados, a qual Comandânica é dividida da Comandância do lugar de Manoel Gonçalves, em qual posto não haverá soldo algum, mas, servindo como deve, gozará de todas as honras, graças, franquezas, liberdades, privilégios, e isenções que em razão dele lhe pertencerem. Pelo que ordenamos aos governos interinos da Capitania do Rio Grande do Norte, e respectivo Capitão-mor, por tal o reconheçam, honrem, e estimem, conferindo-lhe, o Segundo, a posse e o juramento de estilo de que fará assento nas Cartas deste; e aos oficiais e soldados seus subordinados que lhe obedeçam, e o mesmo deverão praticar as mais pessoas do referido lugar em tudo o que for relativo ao Real Serviço como devem e são obrigado. Em firmeza do que lhe mandamos passar a presente, por nós assinadas, e selada com o selo das Armas Reais, que se registrará na Secretaria deste governo, Vedoria do Rio Grande, e mais partes a que tocar. Dada no Recife de Pernambuco, aos oito de junho. Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e um //Manoel da Cunha de Azevedo Coutinho Souza Chicorro, Secretário deste Governo, a fiz escrever. Dom José, Bispo de Pernambuco, Pedro Sheverin, José Joaquim Nabuco de Araújo.
Extraído do CMD da UNB
Extraído do CMD da UNB
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Intrigas na Capitania do Rio Grande
Intrigas na Capitania do Rio Grande
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG
Viajando ao passado através dos documentos mais antigos, vemos que a intriga esteve sempre presente na História de nossa Capitania. A Corte portuguesa era sempre bombardeada por todo tipo de queixas vindo dos seus vassalos. Hoje vamos transcrever para cá mais um documento extraído do Centro de Memória Digital da Universidade de Brasília.
O capitão-mor do Rio Grande do Norte, José Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque, em 1806, encaminhou ofício ao Secretário de Estado da Marinha e Ultramar, visconde de Anadia, João Rodrigues de Sá e Mello, nos termos que se segue.
No dia em que fui beijar as mãos de Vossa Excelência pelo despacho que Sua Alteza Real me tinha conferido de Governador desta Capitania, fez Vossa Excelência a honra de dizer, que ora preciso que eu partisse logo, pois que nela havia algumas desordens: acelerei a minha viagem, tomando posse do governo, tratei de desterrar a intriga, por todos os modos, já fazendo falas diante de alguns, que eu sabia eram motores dela, e já tratando-os com um total desprezo /método que em tal caso me pareceu melhor/; porém, Excelentíssimo Senhor, enquanto aqui existir um sargento-mor chamado João Rabello de Siqueira Aragão, cujo péssimo gênio, e orgulho é inenarrável, e alguns párocos, cuja materialidade e gênio só propende a fazer o mal, é impossível haver paz nesta terra, e poder-se desvanecer a intriga: qualquer deles me obsequiam extremosamente, e até o presente vou vivendo do bem com eles, na certeza de que brevemente haverá rompimento, pois, talvez pensem captando-me assim, serei capaz de algum dia entortar a justiça: este sargento-mor é aquele, que trazendo-o o Excelentíssimo D. Thomaz José de Mello em paisano de Lisboa para Pernambuco, unicamente para o beneficiar, e acumulando-o de benefícios; pelo seu mau caráter teve a habilidade de indispor todo o povo daquele país contra o dito Excelentíssimo General; e nesta Capitania o mesmo fez com o meu antecessor Lopo Joaquim de Almeida, só porque quis quartar a ferocidade de gênio, em algumas diligências de que estava encarregado; não sei se por máxima ou realidade, pediu ao Excelentíssimo General de Pernambuco passagem para fora desta Capitania, e participando-me o dito Excelentíssimo General, logo que cheguei de Lisboa, eu lhe disse que me fazia grande favor, pois bem conhecia, porém até agora o não tem feito, talvez seja porque ninguém quer um má rês em seu território.
O pároco da Freguesia desta cidade Feliciano José Dorneles, não só viveu sempre intrigado com os meus antecessores, tratando-os com a maior insolência, como com os governadores interinos, que tem havido, e em geral com todo o povo da dita Freguesia, o que faz com que todos vivam em contínuos desgostos, e que absolutamente fujam da sua Igreja, e até da cidade; pois sendo ele um autômato é só movido para uma família, onde dizem ter tratos ilícitos e por ela só é encaminhado para o mal, porque tem a já dita propensão.
O da Freguesia de São José de Mipibu, João Dias Pereira, e o da Vila Flo,r Miguel Joaquim do Rego, concordam igualmente em tudo com o dito Dorneles, pois também são de péssimos gênios, orgulhosos, e intrigantes.
Estes párocos, na minha chegada celebraram um Te Deum em ação de graças, orando um deles por me lisonjearem, desfeitearem o meu antecessor Lopo Joaquim, porém o amor da verdade me faz falar desta sorte, e não dar atenção a podre lisonja.
O pároco da freguesia de Extremoz tão somente por mau gênio trás atropelado aquele povo, que vive nas circunstâncias do das de outras que já tratei; mas este conservo em Diretor de uma Vila de Índios porque para isso tem muita propensão.
Todos os mais párocos estão no mesmo caso de materialidade que os três; porém, vivem em paz com os fregueses; a exceção do da Freguesia da Vila do Príncipe, que sendo novo, é digno de outra melhor, pois além de ter muitas luzes, é muito prudente e amante da paz. Uma das razões, que tenho descoberto porque eles se intrigam com os governadores, é porque /como todos os mais clérigos/ se julgam desligados da sociedade, e pertencentes a outra muita diversa; que os livra de ter a mesma subordinação as autoridades constituídas, civis, ou militares, e enquanto não perderem este prejuízo há de haver desordem; e a outra é não haver a melhor escolha na eleição deles, pois em respondendo a alguns casos de moral, a maneira de adivinhação, já os julgam capazes de curar almas e dirigir povos; no que foi bem infeliz o ex-Bispo de Pernambuco D. José Joaquim de Azevedo /cuja prática era sempre diversa da teoria/; pois os vigários por ele propostos são quase todos da classe do que aqui aponto; portanto, Excelentíssimo Senhor, rogo a Vossa Excelência queira dar sobre este objeto aquela providência que lhe parecer justa a benefício dos povos, e sossego dos Governadores, ficando V. Excelência certo que toda a providência que pretenda dar respectiva a clérigos, por autoridades Eclesiásticas, é infrutífera, e só servirá de me comprometer, pois Vossa Excelência bem conhece, como todos eles pensam a este respeito.
Deus Guarde a Vossa Excelência, Cidade do Natal 5 de setembro de 1806.
José Francisco da Paula Cavalcante.
Esse padre da Vila do Príncipe, pela data, devia ser Francisco de Brito Guerra.
Uruaçu, 366 anos do massacre!
domingo, 2 de outubro de 2011
O massacre de Uruaçu
O massacre de Uruaçu
Nesse dia 3 de outubro é feriado no Rio Grande do Norte. Há 366 anos atrás, ocorreu um massacre na localidade de Uruaçu. Vamos encontrar no livro o Valeroso Lucideno, de Frei Manuel Calado, uma carta do Capitão Lopo Curado, escrita 20 dias após o ocorrido. Ele colheu informações das viúvas e órfãos que foram levadas do Rio Grande do Norte para a Paraíba.
BREVE, VERDADEIRA, E AUTÊNTICA
Relação das últimas tiranias, e crueldades, que os pérfidos holandeses usaram com os moradores do Rio Grande, escrita pelo Capitão Lopo Curado aos dois mestres de campo, e governadores da liberdade de Pernambuco, João Fernandes Vieira, e André Vidal de Negreiros:
Em particular aviso a Vossas Senhorias do memorável sucesso do Rio Grande, depois das duas matanças que fizeram os tiranos flamengos, acompanhados de bárbaros Tapuias e Pitiguares, e nesta derradeira, certo que é incrível a tirania, no qual servirá de maior exemplo, e que escureça todas quantas têm sucedido no mundo em tempo dos imperadores romanos antigos; memória que haverá enquanto durar o dito; pois o sangue derramado de tantos inocentes, clama aos céus justiça, e aos príncipes da terra favor, a tomar vingança de tais tiranos: e para relatar os sucessos, e modos que houve entre os ditos flamengos de suas deslealdades, e traições, é tomar o tempo a Vossas Senhorias, ainda que o mesmo o há de manifestar; porque tais tiranos quer Deus que os conheçam, para que a cristandade veja, que mais vaIe passar por todos os tormentos da morte, que viver morrendo entre o nome de tal gente. Patente é a Deus, e ao mundo, e o será daqui em diante às mais remotas nações dele, a traição que usaram os ditos holandeses com os pobres moradores do Rio Grande, estando em uma cerca recolhidos por se livrarem dos bárbaros Tapuias, e Brasilianos, passando, e padecendo nela havia três meses notáveis misérias, nos quais foram acometidos por muitas vezes dos tais inimigos, que ainda não fartos do sangue, que fizeram derramar ao povo de Cunhaú, e casa forte de João de Lostao, pretenderam esgotar o desta pobre gente cercada, para que nela se acabasse o nome português daquela Capitania, para o que dezesseis dias, e noites os tiveram em cerco, assim Tapuias, como Brasilianos e Flamengos, nos quais lhes deram terríveis baterias sem as poderem levar, usando de um ardil, para com ele fazer a obra que pretendiam. E foi, que armaram uns carros emadeirados, levando-os diante de si, com mosquetaria, e outros instrumentos de guerra para chegarem à dita cerca, mas não foi bastante este artifício, porque setenta portugueses que havia nela, ainda que poucos no número, mas muitos no esforço, os arredaram de si de maneira com quinze armas de fogo, e os mais com paus tostados, que lhe quebraram os carros, e os puseram em fugida com perda do dito inimigo de vinte homens, sem da nossa parte perigar nenhum, e vendo os ditos flamengos que os não podiam render, lhes cometeram que se entregassem, pois eles eram ali vindos da fortaleza, e seu tenente, para os guardarem assim dos ditos selvagens, como dos Flamengos moradores, que com os ditos estavam, os quais lhes tinham feito aquela guerra. E vendo os ditos moradores o tão pouco que se podiam fiar da palavra de tiranos, disseram, que enquanto ali estivessem Tapuias e Brasilianos, queriam antes morrer, que se entregar; e que tinham bom exemplo na traição das mortes, que fizeram no Cunhaú na casa forte de João de Lostao, ao que lhes responderam, que em nome de S. Alteza o Príncipe de Orange, lhes requeriam se entregassem, e não usassem mais de armas, prometendo-lhes vidas, e fazendas, na maneira que até então os gozavam, e fazendo o contrário que mandariam vir uma peça de artilharia da fortaleza, e com ela os bateriam, e não escaparia nenhum, e os teriam por alevantados. E considerando os ditos cercados, que já não tinham mantimentos nenhum, nem munições para sustentar as armas, fiados nas palavras dos ditos Flamengos, lhes disseram que fizessem disso um papel, o qual fez o tenente, e os mais oficiais de guerra, em que se assinaram, e nele lhes prometeram de os guardar dos ditos selvagens Tapuias, e Brasilianos, e conservar com a vida, e fazenda; e feito o sobredito, pediram que em reféns haviam de levar cinco moradores para a fortaleza, o que lhes foi concedido: os quais foram Estêvão Machado de Miranda. Vicente de Souza Pereira, Francisco Mendes Pereira, João da Silveira, Simão Correia, deixando eles dez soldados de guarda da dita cerca, e gente que nela estava; e tomaram todas as armas de fogo, e paus tostados com que os moradores se tinham defendido. Estavam mais recolhidos para segurarem suas vidas na fortaleza o P. Vigário Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela o Moço, Joseph do Porto, Francisco de Bastos, e Diogo Pereira, e prisioneiros João Lostao Navarro, Antônio Vilela Cid. Em dois do presente mês de outubro chegou uma lancha do Recife ao Rio Grande, e conforme a execução que se fez, trouxe ordem para matar a todos os moradores de dez anos para cima, como ao diante se verá; em três do dito mês véspera de S. Francisco mandaram os Flamengos da fortaleza sair a todos os moradores que nela estavam, que foram os acima nomeados, dizendo que já estavam seguros dos Tapuias, porquanto se tinham ido para o sertão, e que fossem em companhia da tropa que ia em sua guarda para a cerca aonde estavam os outros moradores, visto haver lá muitos mantimentos com que se podiam sustentar, e não estando na dita fortaleza passando fomes por falta de mantimentos, e que iam seguros porquanto tinham lá na dita cerca aos ditos dez soldados, que lhes tinham deixado para sua guarda. No mesmo ponto lançaram aos ditos, que estavam na fortaleza, e em batéis os levaram pelo rio acima três léguas, acompanhados dos soldados, e os lançaram fora do porto do dito Rio, chamado de Uruaçu meia légua da dita cerca, na qual acharam passante de duzentos Brasilianos bem armados com Antônio Paraupaba escaramuçando em um cavalo, e tanto que estiveram em terra, os Flamengos despiram nus aos ditos moradores, e os mandaram pôr de joelhos (o que eles receberam com muita paciência, e os olhos em Deus) e logo chamaram aos Brasilianos para os matar, o que se executou logo, fazendo nos corpos destes mártires tais anatomias, que são incríveis; e não contentes com elas, os ditos Flamengos, os ajudaram a matar, assim arrancando os olhos a uns, e tirando as línguas a outros, e cortando as partes vergonhosas, e metendo-lhes nas bocas. No mesmo instante que os acabaram de matar, foram os ditos Flamengos à cerca deixando os Brasilianos no lugar em que tinham feito os martírios nomeados para a segunda execução; e aos moradores disseram, que os senhores do Concelho do Recife os mandavam chamar, para o que estava um barco logo para partirem, e que fossem em sua companhia para os embarcarem, e vendo os sobreditos que era a viagem tão apertada, sem lhes darem demora alguma, e sem saberem dos que eram mortos, e disseram todos juntos, e cada um por si, que eles iam morrer, porque seus corações lhos diziam; e despedindo-se com lágrimas, e suspiros de mulheres, filhos, irmãos e irmãs, foram todos dando graças a Deus, e mui conformes, por morrerem por seu Deus, e por seu Rei, e sua pátria, e dizendo estas mesmas palavras aos tiranos algozes que os levavam; e chegando aonde estavam os sobreditos Brasilianos lhos entregaram, e com a tirania, e desumanidade que em seus corações habita, os mataram, sem ficar nenhum; na qual execução se fizeram as maiores anatomias, e martírios nos corpos destes mártires, que são coisas que a boca não pode pronunciar. E acabante as ditas mortes deixaram os corpos postos ao sol, e sobre a terra, e sem sepultura nenhuma, e os membros tão divididos em partes, que não se conhecia quais eram os de cada um dos ditos mártires. No mesmo instante foram os mesmos tiranos Flamengos, e Brasilianos à cerca, aonde somente ficaram as pobres viúvas, e órfãos, e as acabaram de despojar de todos seus bens, deixando-as a muitas nuas, e com outros opróbrios, que passo em silêncio. Julguem agora Vossas Senhorias o que fariam as pobres viúvas, quando souberam dos mesmos algozes, que todos os homens eram mortos, e tão cruelmente, para que os olhos se aprestaram a fontes, e as bocas, para as funerais lamentações de seus consortes, pois é de ver (meus senhores) que até isto estes tiranos tiraram a esta pobre gente, porque querendo lamentar com suspiros, e lágrimas seus desventurados dias; estes tais lho não queriam consentir, e as fizeram calar, ora com ruins palavras, ora com pés, e mãos, dando-lhe de bofetadas, e coices, e ameaçando-as, que as haviam de matar se choravam; e por não passar em silêncio nas pessoas, e nomes de alguns mártires, os declararei por a constância que tiveram em suas mortes, e martírio, Antônio Baracho casado o amarraram em um poste, e vivo lhe arrancaram a língua, e depois o coração, e desta maneira morreu, cortando-lhe suas partes secretas, e metendo-lhas na boca ainda em vivo. A Mateus Moreira o abriram por as costas, e lhe tiraram também o coração, e as últimas palavras, estando neste martírio, que disse, foram louvar a Deus, dizendo: Louvado seja o Santíssimo Sacramento. E porque na morte destes Inocentes, houvesse admiráveis circunstâncias, relatarei a Vossas Senhorias algumas coisas que sucederam mais milagrosas que humanas. Um mancebo por nome João Martins o levaram para morrer com os mais, e sendo todos mortos à vista do sobredito, lhe cometeram que dariam a vida se tomasse armas contra sua nação, a que ele respondeu com alegre rosto: Não me desampara Deus desta maneira, essas tomei sempre contra os tiranos, e não contra minha Fé, Pátria, e Rei. E que o matassem logo porque estava invejando as mortes de seus companheiros, e a glória que tinham recebido, e quando o não quisessem matar, ele mesmo os persuadiria a que o fizessem.
Dois mancebos casados, um chamado Manuel Álvares IIha, e outro Antônio Fernandes, depois de estarem em terra cheios de feridas, e nus da cinta para cima, meteram as mãos nas algibeiras, e puxando cada um por sua faca, e investindo com os Brasilianos mataram logo a três deles, e feriram a quatro ou cinco, fazendo isto com as ânsias da morte, e logo caíram mortos outra vez. Estêvão Machado de Miranda tinha uma menina de sete anos sua filha na fortaleza em sua companhia, e trazendo-a consigo a receber o martírio, vendo a dita menina que os flamengos queriam matar a seu pai, como aos outros presentes, se abraçou com ele, pedindo a vida do pai com as lamentações, e entendimentos de mulher de muitos anos, e os Flamengos a tiraram dos braços do dito pai, ao que lhe disse o dito: Filha, dize a tua mãe que se fique embora, que no outro mundo nos veremos. E desta maneira o mataram, e a menina tirou a saia depois do pai morto, e se foi para ele, e cobrindo-lhe o rosto, e chorando, e pedindo que a matassem também, a quem os ditos algozes lançaram mão da dita saia, e trouxeram a menina a sua mãe, e ela, e os mais contaram o caso. Uma filha de Antônio Vilela, o Moço, mataram sendo criança pequena, pegando-lhe os Tapuias à vista dos Flamengos em uma perna, e dando-lhe com a cabeça em um pau, e a fizeram em dois pedaços. E a outra filha de Francisco Dias, o Moço, a mataram também, e a abriram em duas partes com um alfange. E a uma mulher casada com Manuel Rodrigues Moura, depois do dito morto, lhe cortaram as mãos, e os pés, e a sobredita mulher em três dias naturais esteve deitada no chão viva, e acabou dando a alma ao Criador.
Diversos martírios deram neste dia aos corpos dos mártires, e houve nele muitos milagres patentes, vistos, que quis Deus mostrar que os tais iam a gozar da bem-aventurança.
Sucedeu, pois, que aquela noite que padeceram se ouvisse uma música no céu sobre a fortaleza do Rio Grande, e ouvindo-a a mulher de um flamengo chamado Gesman governador das armas nesse Recife, se levantou chamando por algumas mulheres, e também por suas escravas para que ouvissem a música que ia no céu, o qual caso testificou a sobredita; certo presságio que foram os anjos que acompanhavam as almas destes mártires para o céu. Na cerca donde tinham saído os ditos mártires estava entre outras meninas uma filha de Diogo Pinheiro, de idade de oito anos, chamada Adriana, e dando-lhe vontade de chorar, entrou para uma camarinha por não ser vista, aonde achou uma mulher com um azorrague na mão, e lhe disse: Cala-te filha, que com este azorrague que aqui vês, hão de ser castigados estes que fazem estas crueldades, como logo saberás.
Atribulada a menina saiu para fora, e vendo as mulheres a mudança dela, lhe perguntaram o que tinha? E como assombrada contou o sucesso, e daí a pouco chegou a nova dos inocentes mortos, que certo bem parece que a Virgem Senhora Nossa tem tomado o castigo destes tiranos à sua conta. Naquela mesma noite houve grande cheiro de incenso na dita cerca, que durou muito tempo, e foi patente a todos, sem se saber donde o dito cheiro procedia senão do céu. Houve também entre estes mártires grandes penitências, sem saberem uns dos outros, e ao dia que padeceram, jejuavam todos a pão, e água, assim os da fortaleza, como os da cerca, não sabendo uns dos outros, ao outro dia por a manhã pediram licença as mulheres para irem a enterrar os corpos mortos, e não lho consentiram; o que os escravos fizeram às escondidas, e não se achou um palmo de pano para os amortalharem a nenhum, por deixarem as ditas mulheres em estado que ficaram despidas de todo, achou-se que todos estes corpos estavam com cilícios, e os que os não tinham com cordas cingidas, e algumas tão metidas por a carne que mal apareciam. E sabe-se que durante o tempo que estavam cercados houve extraordinárias penitências, e até os meninos as faziam, sendo todos nus, e com cordas cingidas, e todos os dias se faziam procissões com um Santo Crucifixo, esperanças claras destas almas estarem gozando da bem-aventurança. Sobre a sepultura aonde foi enterrado o P. Vigário Ambrósio Francisco Ferro se achou quinze dias depois da sua morte uma posta de sangue fresca sem corrupção, como se naquela hora fosse derramado, mostras bastantes, que o tal brada ao céu justiça. Muitas outras coisas milagrosas sucederam, dignas de se recontarem, que deixo ao tempo, no qual fio não passará, e todas acima declaradas foram vistas, e juradas, e autênticas por vinte cinco mulheres que o inimigo botou nesta Paraíba, com suas famílias, as ditas chegaram de maneira, e tão transfiguradas que mais parecem pessoas ressuscitadas que viventes corpos.
O Bolestrate as mandou deitar aqui, e a algumas lhes concedeu alguma roupa que traziam sobre os corpos, mas em as querendo desembarcar em terra as despiram de maneira que apenas trouxeram camisas, as quais lhe largaram por já não terem préstimo para serviço de outro corpo. Vossas Senhorias perdoem o compêndio da carta, que lhes afirmo que se houvera de relatar o que se tem passado naquela Capitania houvera mister muitas mãos de papel, contudo o faço destas sobreditas coisas acima, que não faltarão curiosos para o fazer do mais que falta, porque Deus o permite, e manda que sejam públicas as maldades destes tiranos.
Deus guarde a Vossas Senhorias, hoje vinte e três de outubro de mil e seiscentos e quarenta e cinco anos.Lopo Curado Garro
Casamentos entre índios e portugueses
Manoel Pinto de Castro, secretário deste governo, por ausência do secretário atual, certifica em: Como por ordem do capitão-mor desta Capitania do Rio Grande do Norte Pedro de Albuquerque, e Mello, registrei no livro 18 dos Registros de Ordens e Alvarás Reais, que serve nesta secretaria, o Alvará de Lei porque sua Majestade, que Deus Guarde, é servido declarar que os vassalos deste Reino, e da América que casarem com índios dela não ficam com infâmia alguma, antes se farão dignos de Sua Real Atenção, e serão preferidos nas terras em que se estabelecerem para os lugares e ocupações que conhecerem na graduação de suas pessoas, e seus filhos e descendentes serão hábeis e capazes de qualquer emprego, honra e dignidades sem que necessitem de dispensa alguma em razão deste alcançar em que se compreendem os que já se acham feitos antes desta resolução e que o mesmo se praticará com as portuguesas que casarem com os índios, e a seus filhos e descendentes como se declara no mesmo alvará, o que todo o referido passa na verdade e para constar passei a presente certidão por mim feita e assinada em 28 de abril de 1756. Manoel Pinto de Castro.
Transcrito do Centro de Memória Digital da Universidade de Brasília
Transcrito do Centro de Memória Digital da Universidade de Brasília
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
A Cidade dos Veados e outras notícias
A Cidade dos Veados e outras notícias
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG
Hoje, trago notícias de fatos que extraímos do Centro de Memória Digital da Universidade de Brasília cujo enderêço eletrônico é www.cmd.unb.br. Entramos na Capitania do Rio Grande do Norte e colocamos a palavra Jerônimo na caixa da ementa. Daí, apareceram vários documentos que passamos a noticiar.
Em 1726, o Padre Hieronimo de Souza da Companhia de Jesus, Superior da Aldeia de Guajiru, distante três léguas da Cidade do Natal, Capitania do Rio Grande do Norte, fez requerimento ao Rei de Portugal, solicitando uma légua de terras para os Índios de sua Aldeia. Nas suas justificativas, dizia que seus índios padeciam de falta de mantimentos, por não ter onde plantar, porque as terras onde faziam suas lavouras estavam já muito cansadas, e cheias de formigueiros, e perdiam todo trabalho que nelas faziam. A légua de terras solicitada ficava em um lugar despovoado, que chamavam Cidade dos Veados, distante da Aldeia de Guajiru duas léguas.
Dom João, Rei de Portugal, e dos Algarves, daqui e dalém mar, em África, Senhor da Guiné, comunicou ao Governador e Capitão General da Capitania de Pernambuco, Dom Manoel Rolim de Moura, sua decisão de conceder uma légua de terra no lugar chamado de Cidade dos Veados, porque as poucas reboladas de matos que havia nos tabuleiros sáfios, da área que estava a sua Aldeia, estavam cansadas e cheias de formigueiros, e por que os índios eram merecedores delas, porque a eles se deviam estar hoje a Capitania do Rio Grande desinfestada do Gentio Bárbaro que tantos anos a perseguia.
Quem quiser conhecer mais sobre a localidade acima, há uma monografia na internet, de Jean de Paiva Leite, intitulada Narrativa e memória indígena na Cidade dos Veados.
O segundo documento que encontrei é de Jerônimo Cabral de Macêdo. Ele foi casado com Dona Maria do O' de Faria, filha de Dona Joana Martins e do capitão-mor José Ribeiro de Faria. Lembramos que Dona Joanna era filha mais velha de Manoel Lopes de Macedo e Dona Bárbara Freire de Amorim, embarcados, em 12 de Outubro, da cidade do Porto para o Brasil.
Em Agosto de 1756, Jerônimo Cabral de Macêdo fez requerimento ao Rei Dom José pedindo confirmação de carta patente do posto de sargento-mor da Cavalaria do Regimento da Ribeira do Assú concedida por Pedro de Albuquerque e Melo, em onze de novembro de 1755.
Nesse requerimento, foi anexada a concessão que recebeu. Nela o capitão-mor da Capitania do Rio Grande do Norte, e Governador da Fortaleza dos Santos Reis Magos, em virtude de se achar vago o posto de sargento-mor, da Cavalaria da Ribeira do Assú do Regimento de que era coronel David Dantas de Faria, por ausência de Antonio da Rocha Bezerra para a Capitania do Ceará Grande, escolheu, entre os três homens indicados pelos oficiais da Câmara, o que vinha em primeiro lugar da lista, no caso, o Capitão do mesmo Regimento, Hierônimo Cabral de Macedo.
O terceiro documento é uma carta, datada de 8 de abril de 1801, do 4º filho de Jerônimo Cabral de Macedo e Dona Maria do O' de Faria, que se chamava Jerônimo Cabral de Oliveira.
Nessa carta, enviada para o Príncipe Regente Dom João, ele escreveu: Persuadido de que os Chefes das Tropas de Vossa Alteza Real, que cada um deve olhar, e ter em vista às mãos acontecimentos nos seus respectivos Corpos para lhe procurar o remédio, por isso, havendo-me Vossa Alteza Real confiado o da Cavalaria Auxiliar desta Vila Nova da Princesa, Ribeira e Sertão do Assú, Capitania do Rio Grande do Norte, anexa a de Pernambuco, julgo-me na precisa obrigação e necessidade de fazer subir a Real presença de Vossa Alteza Real os movimentos acontecidos no Corpo do dito meu Regimento, quais vão desconcertando, e desorganizando aquela ordem, que é da intenção de Vossa Alteza Real, se conserve nos Corpos Militares, para se evitarem nocivas, e perigosas conseqüências, que olhadas e vista por Vossa Alteza Real, ditos acontecimentos se fazem assaz dignos, ou não de remédio.
Conta, então, Jerônimo, que estando exercendo o posto de tenente-coronel do seu regimento, e falecendo o chefe do mesmo, foi em seu lugar promovido pelo Governo Interino e Geral de Pernambuco. Estando, portanto, vago o posto de tenente-coronel, foi mandado pelo Governo Interino da Capitania do Rio Grande do Norte que fizesse e remetesse, como de praxe e de lei, a proposta do dito posto. Segundo Jerônimo, com toda a imparcialidade propôs em primeiro lugar Luiz José de Araújo Picado, em segundo a Manoel Antonio de Macêdo, e em terceiro a Manoel Varella Barca, todos capitães do seu Regimento.
Reclama, então, o Chefe da Cavalaria Auxiliar, que se passaram de nove para dez meses sem que tivesse conhecimento dos efeitos da sua proposta. Mais ainda, em seguida tomou conhecimento que sua proposta tinha sido glosada pelo Governo da Capitania do Rio Grande do Norte que propôs em primeiro lugar a Francisco de Souza, e Oliveira, também, capitão do seu regimento.
A carta de Jerônimo Cabral de Oliveira não chegou ao seu destino, pois em 19 de junho de 1801, Francisco de Souza, e Oliveira foi nomeado para o posto de tenente-coronel, obrigando o Chefe Auxiliar de Cavalaria a dar posse e juramento ao mesmo.
Mais uma vez inconformado, escreveu nova carta para Príncipe Regente, datada de 8 julho de 1802, anexando duas vias da carta de 1801. Nela se justifica pelo envio, a fim de que não recaísse sobre ele a reputação de omisso, por não dar conta da nova patente sem que fosse provido pelo Príncipe Regente.
sábado, 24 de setembro de 2011
João Miguel e os Trindades de Angicos (II)
João Miguel e os Trindades de Angicos (II)
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG
Repito e corrijo, a maioria dos Trindades de Angicos é descendente de João Miguel da Trindade e Maria Rosa da Conceição. Além de Manoel Jacintho, Rosa Maria e João Felippe da Trindade, citados em artigo anterior, encontramos outros filhos de João Miguel e Maria Rosa.
No mesmo documento eleitoral onde encontrei o pai de João Felippe da Trindade, constava um outro João Miguel da Trindade, com a idade de 43 anos. Não poderia ser o velho João Miguel. Nesse documento, encontrei que ele era filho de Alexandre Francisco de Azevedo Costa. Um registro de óbito dava conta que Anna Francisca da Trindade, falecida em 29 de julho de 1878 com a idade de 58 anos, era viúva de Alexandre Francisco de Azevedo Costa. Essas informações me levaram a suspeita que Anna era outra filha de João Miguel. Em um batismo, datado de 1835, aparece como procuradores dos padrinhos, do batizado, João Miguel da Trindade e sua filha Anna. Com mais outros batismos e casamentos concluí que Anna Francisca da Trindade era outra filha do casal João Miguel da Trindade e Maria Rosa da Conceição. O João Miguel, neto, casou, em 2 de setembro de 1879, no Sítio Farias, com Maria Catarina das Virgens, filha de Firmino José Porcino Maria da Costa e Catarina Rizina das Virgens.
Michaella Francisca da Trindade casou em 19 de novembro de 1844, na fazenda Santa Luzia, com João Baptista Xavier da Costa. Não aparecem nesse documento os pais dos nubentes. Pedro Antas Filho, neto de Maria Baptista Xavier da Trindade, me contou que sua avó era sobrinha de João Felippe e foi criada por ele. Maria Baptista casou com Alexandre Francisco Pereira Pinto Junior (Capitão Antas), no Sítio Santa Luzia, aos 11 de outubro de 1874, ele, filho de Alexandre Francisco Pereira Pinto e Damásia Francisca dos Santos Leal, e viúvo por falecimento de sua mulher Francisca Guilhermina Xavier de Sousa; ela filha de João Baptista Xavier da Costa e Michaella Francisca da Trindade. Houve dispensa de sanguinidade e afinidade lícita. Logo, pelo que contou Pedro, Michaella era irmã de João Felippe, e, portanto, filha de João Miguel e Maria Rosa.
Há um outro Trindade que aprece nesses documentos que pode ser filho de João Miguel e Maria Rosa. Sei que estava presente o tempo todo no meio dos Trindades, já citados. Ele era José Bonifácio da Trindade, casado com Rosa Maria da Conceição. No seu óbito, em 11 de setembro de 1875, consta que ele faleceu com a idade de 49 anos, portanto, deve ter nascido por volta de 1826. João Felippe, Anna Francisca e Michaella pelas as informações dos seus óbitos tinham nascido por volta de 1820. Esses registros, na maioria das vezes, não eram muito precisos com relação as idades dos falecidos. Portanto, acho que os três nasceram em três anos consecutivos. Manoel Jacintho nasceu em 1833. Como José Bonifácio nasceu em 1826, tinha chance de ser um dos filhos de João Miguel e Maria Rosa.
Foi lá no Sítio Santa Luzia, onde moravam os Trindades, que aos 30 de julho de mil oitocentos e sessenta e um nasceu Josefa, filha de José Bonifácio e Rosa Maria, batizado aos vinte e três de agosto do mesmo ano, tendo como padrinhos José Felix da Silveira Varella e Anna Francisca da Trindade. Outros filhos de José Bonifácio tiveram como padrinhos filhos de João Miguel. João Felippe foi padrinho de Manoel; Manoel Jacintho foi padrinho de Anna. Por sua vez José Bonifácio foi padrinho de Francisca filha de Michaela Francisca da Trindade. Todas essas relações entre José Bonifácio e os filhos de João Miguel e Maria Rosa reforçam a hipótese dele ser, também, um dos filhos do casal. Além disso, dois filhos de José Bonifácio e Rosa Maria casaram com dois filhos de Michaella Francisca da Trindade e João Baptista Xavier da Costa, a saber: Francisco Rosa da Trindade com Francisca Xavier da Trindade e Anna Clementina da Trindade com João Baptista Xavier da Trindade.
Esses Trindades se entrelaçaram, entre outras, com as famílias Xavier de Sousa, Xavier da Costa, Azevedo Costa, Pereira Pinto, Costa Machado, Sousa Monteiro, Xavier de Mello e Rebouças de Oliveira Câmara.
Eu descendo de João Felippe da Trindade e Francisca Ritta Xavier da Costa. Esse casal gerou os filhos, a saber: André Avelino da Trindade, que foi casado em primeiras núpcias com Maria da Penha Barbalho e Silva, e em segundas núpcias com Izabel Martins; Maria Rosa da Trindade, que foi casada com João Baptista de Mello Pinto, aqui de Ceará-Mirim; Joaquim Francisco da Trindade, que foi casado com Ritta Emilianna de Assis Bezerra, irmã de Maria da Penha, acima; Anna da Trindade, irmã gêmea de Joaquim, que foi casada com Manoel de Mello Pinto, irmão de João Baptista; Francisco Xavier da Trindade, que morreu solteiro; José e Manoel, que faleceram crianças; e Miguel Francisco da Trindade, que foi casado com Maria Josefina Martins Ferreira, lá de Cacimbas do Vianna.
Esse último casal gerou Luiz de França da Trindade que foi casado com Milce Carvalho; Salomão Trindade que foi casado com Anna; José Felix da Trindade, que foi casado com Margarida; Francisco Martins Trindade, que foi casado com Deoclécia Veras Bezerra; Aurea Trindade, que foi casada com Francisco de Mello Pinto, seu primo; Crinaura, que foi casado com Joaquim Firmino de Deus Gonçalves Filho; Maria da Soledade, que foi casada com Joaquim Teixeira de Carvalho; e Miguel Trindade Filho, que foi casado com Dalvanira Avelino da Trindade, meus pais.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Família Espínola
Uma das famílias presentes no nosso Rio Grande do Norte é a família Espínola. Vamos a alguns registros.
Aos dezoito de maio do ano de mil setecento e setenta e dois, às sete horas da noite, por concessão do Reverendo Visitador Ignácio de Araújo Gondim, corridos os banhos, Juxta Tridentinum, sem se descobrir impedimento algum até a hora do seu recebimento, de licença minha, nesta Matriz, em presença do Padre Coadjutor Bonifácio da Rocha Vieira, e das testemunhas abaixo assinadas, o capitão Manoel Pinto de Crasto, homem casado, e Manoel do Rego Freire de Mendonça, solteiro, moradores nesta cidade, se casaram os nubentes Francico da Costa Espínola, filho de Carlos de Freitas da Costa, e de Maria da Assumpção, e Margarida da Costa Gomes, filha de Manoel da Costa Coimbra, e de Maria do Carmo de Figueredo, ambos os nubentes naturais desta Freguesia, e logo receberam as benção na forma do Ritual Romano; do que mandei lançar este assento em que me assinei, Pantaleão da Costa de Araújo. Manoel Pinto de Crasto.
Anna, filha legítima de Francisco da Costa Espínola e de Margarida da Costa Gomes, neta por parte paterna de Carlos de Freitas da Costa, e de Maria da Assumpção Espínola, natural desta Freguesia, e pela materna de Manoel da Costa Coimbra, natural de Coimbra, e de Maria do Carmo, desta Freguesia, nasceu aos seis de março do ano de mil setecentos e setenta e três,e foi batizada com os santos óleos, nesta Matriz, de minha licença, pelo Padre Manoel Pinheiro Teixeira, aos vinte e dois de março do dito ano, foram padrinhos Carlos de Freitas da Costa, casado, e Úrsula Patrícia, filha da viúva Maria do Carmo, natural desta Freguesia, do que mandei lançar este assento, em que me assino, Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.
Carlos, filho legítimo de Francisco da Costa Espínola e Margarida da Costa Gomes, neto por parte paterna de Carlos de Freitas da Costa, e de Maria da Assumpção Espínola, todos natuais desta Freguesia, e pela materna, de Manoel Coimbra, natural de Coimbra, e de Maria do Carmo de Figueredo, natural desta cidade, nasceuo aos dezoito de novembro de mil setecentos e setenta e cinco, foi batizada com os santos óleos, nesta Matriz, de licença minha, pelo padre Coadjutor Bonifácio da Rocha Vieira, vinte do dito mês e ano, foram padrinhos Albino Duarte de Oliveira, e Eugenia, filha da Viúva Maria do Carmo, do que mandei lançar este assento, em que assineir. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.
Manoel, filho legítimo do sargento auxiliar Francisco da Costa Espínola e Margarida da Costa Gomes, neto parterno de Carlos de Freitas da Costa e de Maria da Assumpção Espínolla, todos naturais desta Freguesia, e pela materna de Manoel da Costa Coimbra, natural de Coimbra, e de Maria do Carmo de Figueredo, natural desta Freguesia, nasceu a vinte e nove de maio do ano de mil setecentos e setenta e sete, foi batizado com os santos óleos, de licença minha, pelo Padre Coadjutor Bonfácio da Rocha Vieira, aos quinze de junho do dito ano, foram padrinhos Manoel do Rego Freire de Mendonça, e Úrsula Patrícia Gomes, filha da viúva Maria do Carmo de Figueredo; do que mandei fazer este assento em que por verdade me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.
Antonio, nascido aos onze de junho e batizado por mim a quatorze de julho de mil setecentos e oitenta e quatro, nesta Matriz do Rio Grande do Norte, com os santos óleoa, filho legítimo de Francisco da Costa Espinola, e de Margarida da Costa Gomes, naturais e moradores no Poço Verde desta Freguesia, neto do Condestável Carlos de Freitas e Dona Maria da Assumpção, e pela materna de Manoel da Costa Gomes (Coimbra), e de Maria do Carmo de Figueredo, ja defunta, desta freguesia, foram padrinhos Antonio Francisco de Viveiros, homem casado, e Anna Maria da Conceição, solteira, moradora nesta cidade. Do que mandei lançar este assento e me assino, Francisco de Sousa Nunes, vice-vigário do Rio Grande.
Esse Antonio Francisco de Viveiros era filho de Antonio Baptista Espínola
Esse Antonio Francisco de Viveiros era filho de Antonio Baptista Espínola
Vejamos o registro de óbito de Dona Margarida
Aos quinze de março de 1803, faleceu da vida presente, nesta Freguesia, tendo recebido o sacramento da Penitência e Unção, Margarida da Costa, branca, casada com Francisco da Costa Espínola, tendo idade de 55 anos, pouco mais ou menos. Foi sepultada nesta Matriz envolta em mortalha dos religiosos de São Francisco, depois de ser por mim encomendada solenemente, e para constar fiz este assento que assinei. Feliciano José Dornelles, vigário Collado.
Agora o óbito de Francisco da Costa Espínola
Aos nove de fevereiro de mil oitocentos e oito faleceu da vida presente, nesta Freguesia, Francisco da Costa Espínola, de uma maligna, branco, viúvo, com idade de setenta e um anos, tendo recebido todos os sacramentos da Igreja, foi sepultado nesta Matriz, envolto em mortalha dos religiosos de São Francisco depois de ser encomendado solenemente por m im, sacerdote desta Freguesia, e para constar fiz este termo que assino, Feliciano José Dornelles, vigário.
Um dos irmãos de Francisco da Costa Espínola era Luiz da Costa Espinola. Vejamos o registro do casamento dele.
Aos dois de maio de mil setecentos e sessenta e nove, aos onze horas e meia do dia, na Capela de São Gonçalo do Potegi, de licença minha, sem impedimento algum até a hora do seu recebimento, corridos os banhos Juxta Tridentinum, em presença do padre Manoel Antonio de Oliveira, se casaram por palavras de presente Luiz da Costa Espínola e Dona Francisca Maria Barbosa, ele filho de Carlos de Freitas da Costa, e de Maria de Assumpção, e ela filha natural de Dona Thereza de Jesus, naturais desta Freguesia, e logo lhes deu as bençãos conforme os ritos da Santa Madre Igreja de Roma, sendo presentes por testemunhas que assinaram na certidão do dito Padre, o Tenente José de Araújo Pereira e Prudente de Sá Bezerra, casados; do que mandei fazer este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande
Outro irmão de Francisco da Costa Espínola era Manoel da Costa Espínola, como se pode ver do próximo registros
Anna, filha de Manoel da Costa Espínola, e de sua mulher Izabel da Rocha, naturais e moradores desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, neta por parte paterna do Condestável Carlos de Freitas da Costa, e de sua mulher Maria da Assumpção, naturais desta Freguesia, e pela parte materna de avós incógnitos, foi batizada com os santos óleos aos vinte e sete de outubro de mil setecentos e sessenta e cinco anos, na Capela de Santo Antonio do Potegi, desta dita Freguesia pelo Reverendo Manoel Antonio de Oliveira, de licença minha, foram padrinhos o Condestável Carlos de Freitas da Costa, e Dona Anna da Rocha, mulher do Coronel João Pereira de Véras, fregueses e moradores, todos desta Freguesia, e pela certidão que veio do dito Reverendo Padre, fiz este asseno, em que por verdade me assinei. João Freire de Amorim.
Francisco neto de Josefa de Tal, de Angola
Francisco, filho legítimo do Cabo de Esquadra Antonio Francisco de Viveiros e de Maria José, neto por parte paterna de Antonio Baptista Espínola, naturais desta Freguesia e de Francisca do Rosário da Ilha de Sam Miguel, e pela materna de Josefa de Tal, natural de Angola, nasceu a quatorze de julho do ano de mil setecentos e setenta e três, e foi batizada com os santos óleos, na Matriz, de licença minha, pelo padre Coadjutor Bonifácio da Rocha Vieira, aos vinte e dois do dito mês e ano. Foi padrinho o Sacristão Francisco Álvares de Mello; do que mandei lançar este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.
Uma irmão de Antonio Francisco era Maria Francisca, segundo aparece em batismos de 1769 e de 1770
Sobre Antonio Baptista Espínola encontramos o seguinte assentamento;
Antonio Baptista Espínolla, filho de Sebastião Teixeira, naturais desta Capitania, de idade de trinta anos, pouco mais ou menos, de estatura ordinária, seco de corpo, cara comprida, cabelo anelado, olhos pretos, sobrancelhas quase serradas, senta praça nesta Companhia do capitão Francisco Ribeito Garcia, de soldado raso, saindo de praça de Artilheiro no qual até agora exercitava a doze de abril de 1734, por sua vontade e mandado do Senhor Governdro e Capitão General de Pernambuco, Duarte Sodré Pereira, e intervençao do Provedor da Fazenda Real e Vedor Geral de Gente de Guerrra, o capitão Domingos da Silveira, com soldo de dois mil quatrocentos réis por mês e por ano vinte oito mil e oitocentos réis; a saber: quinze mil trezentos e sessenta réis em dinheiro e em farda treze mil e quatrocentos e quarenta réis, na forma da ordem de Sua Majestade, registrado n o livro 1] dos registros a p 142. Bento Mousinho
No mesmo documento acima há o seguinte registro: passou a cabo de esquadra desta Companhia por nomeação do capitão Francisco Ribeiro Garcia e intervenção do Vedor Geral da Gente de Guerra Doutro Thimóteio de Brito Quindeiro a 8 de dezembro de 1734.
Passou do presídio desta Capitania a de Pernambuco por ordem do Senhor General Henrique Luis Pereira Freire, em três de Junho de mil setecentos e trinta e oito.
Antonio Baptista faleceu em 1762, como veremos a seguir.
Aos dez de janeiro de mil setecentos e sessenta e dois, faleceu da vida presente, Antonio Baptista Espínola, com todos os sacramentos, de idade de sessenta e tantos anos, com testamento aprovado, e foi sepultado nesta Matriz envolto em hábito de São Francisco, encomendado solenemente pelo Vigário de Extemoz, Francisco de Sousa Nunes, de licença minha, do que mandei lançar este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo
Uma irmão de Antonio Francisco era Maria Francisca, segundo aparece em batismos de 1769 e de 1770
Sobre Antonio Baptista Espínola encontramos o seguinte assentamento;
Antonio Baptista Espínolla, filho de Sebastião Teixeira, naturais desta Capitania, de idade de trinta anos, pouco mais ou menos, de estatura ordinária, seco de corpo, cara comprida, cabelo anelado, olhos pretos, sobrancelhas quase serradas, senta praça nesta Companhia do capitão Francisco Ribeito Garcia, de soldado raso, saindo de praça de Artilheiro no qual até agora exercitava a doze de abril de 1734, por sua vontade e mandado do Senhor Governdro e Capitão General de Pernambuco, Duarte Sodré Pereira, e intervençao do Provedor da Fazenda Real e Vedor Geral de Gente de Guerrra, o capitão Domingos da Silveira, com soldo de dois mil quatrocentos réis por mês e por ano vinte oito mil e oitocentos réis; a saber: quinze mil trezentos e sessenta réis em dinheiro e em farda treze mil e quatrocentos e quarenta réis, na forma da ordem de Sua Majestade, registrado n o livro 1] dos registros a p 142. Bento Mousinho
No mesmo documento acima há o seguinte registro: passou a cabo de esquadra desta Companhia por nomeação do capitão Francisco Ribeiro Garcia e intervenção do Vedor Geral da Gente de Guerra Doutro Thimóteio de Brito Quindeiro a 8 de dezembro de 1734.
Passou do presídio desta Capitania a de Pernambuco por ordem do Senhor General Henrique Luis Pereira Freire, em três de Junho de mil setecentos e trinta e oito.
Antonio Baptista faleceu em 1762, como veremos a seguir.
Aos dez de janeiro de mil setecentos e sessenta e dois, faleceu da vida presente, Antonio Baptista Espínola, com todos os sacramentos, de idade de sessenta e tantos anos, com testamento aprovado, e foi sepultado nesta Matriz envolto em hábito de São Francisco, encomendado solenemente pelo Vigário de Extemoz, Francisco de Sousa Nunes, de licença minha, do que mandei lançar este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo
O retrato falado de João Vieira de Mello
Esses assentamentos de praça são muito interessantes, pois constam neles detalhes que podem nos ajudar a entender como eram os personagens de uma época. Pena que não conste o nome da mãe, mas tão somente o do pai. Vejamos o seguinte
João Vieira de Mello, filho de José Vieira de Mello, natural e morador nesta Ribeira do Assú, branco, solteiro, de estatura ordinária, cara comprida, pouca barba, com uma cicatriz entre os olhos, com dois sinais pretos pequenos um de cada banda do rosto, com idade de vinte e dois anos, assenta praça em revista de 27 de julho de 17899.
O estranho batizado de Joanna
Aqui e acolá, entre os registros da Igreja, encontramos algumas singularidades. É o caso do batismo a seguir. Nele não se encontra nem a data do nascimento nem a do próprio batizado. Além disso, a pessoa que batizou não parece que era padre. Está no livro de batizados de 1779.
Joanna, filha legítima de Alberto Pimentel, natural desta Freguesia, e de sua mulher Antonia de Freitas, natural de Recife de Pernambuco, neta por parte paterna de Francisco Gomes Pinto, natural da cidade de Olinda, e de sua mulher Placida Rodrigues (ilegível) desta mesma Freguesia, por parte materna do tenente Manoel Pacheco, natural de Pernambuco, e de sua mulher Maria de Freitas, natural de Pernambuco, foi batizada em casa por Domingos Fernandes natural do Recife de Pernambuco, como se costuma, de que mandei fazer este assento e por ausência do Reverendo Vigário me assinei, Joaquim José Pereira, pro-vigario do Rio Grande.
Joanna, filha legítima de Alberto Pimentel, natural desta Freguesia, e de sua mulher Antonia de Freitas, natural de Recife de Pernambuco, neta por parte paterna de Francisco Gomes Pinto, natural da cidade de Olinda, e de sua mulher Placida Rodrigues (ilegível) desta mesma Freguesia, por parte materna do tenente Manoel Pacheco, natural de Pernambuco, e de sua mulher Maria de Freitas, natural de Pernambuco, foi batizada em casa por Domingos Fernandes natural do Recife de Pernambuco, como se costuma, de que mandei fazer este assento e por ausência do Reverendo Vigário me assinei, Joaquim José Pereira, pro-vigario do Rio Grande.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Conservação da memória
Conservação da memória
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do INRG
Há uma preocupação entre os genealogistas em face de uma recomendação do presidente do Conselho Nacional de Justiça, o ministro César Peluso, conforme artigo de Elio Gaspari, na Folha de São Paulo. Tudo por conta do seguinte trecho: Será preservada uma amostra estatística representativa do universo dos documentos e processos administrativos e dos autos judiciais findos destinados à eliminação.
Essa preocupação é válida porque todos nós, que fazemos pesquisas genealógicas, dependemos de documentos que estão nas Igrejas, nos cartórios, nos fóruns judiciais, nos institutos históricos, nos arquivos públicos e privados, e em muitos outros locais que guardam ainda registros do passado.
A preservação de documentos não está nas prioridades dos órgãos públicos deste país. É uma atividade incipiente, mesmo levando em conta os avanços tecnológicos, principalmente, os processos modernos de digitalizações e fotografias.
Alguns inventários, que foram transferidos dos cartórios para alguns Fóruns Judiciais, não estão sendo cuidados com o devido zelo. São amontoados em lugares impróprios e vão se destruindo naturalmente. Eles são necessários a reconstituição da História dos nossos municípios, estados e do próprio país. Para muitos, trata-se só de papéis velhos e, por isso, muitos já foram descartados.
Os mórmons, através das microfilmagens, conseguiram preservar muitos desses documentos de cartórios, de igrejas, e de outros locais e, recentemente, estão disponibilizando aos poucos na Internet. Não fui até Florânia pesquisar, nos livros da Igreja, os meus ascendentes lá do Seridó. Para exemplificar, foi lá no site dos mórmos que encontrei o seguinte registro, em um dos microfilmes: Aos dois de maio de mil novecentos e cinco batizei André, filho legítimo de Pacífico Clementino de Medeiros e Anna Olindina Bezerra Cavalcante, nasceu a vinte e um de abril do dito ano, seus padrinhos José Garcia da Cruz, e Maria Pereira do Nascimento; para constar fiz este assento que assino. Vigário João Borges de Salles. Essa Anna Olindina, que conheci por tia Nana, era irmão do meu bisavô Alexandre Garcia da Cruz.
No registro seguinte é batizado Torquato, filho de José Garcia da Cruz e Maria Pereira do Nascimento, e os padrinhos são Pacífico Clementino de Medeiros e Ana Olindina. Quem vê esses registros, pode observar que já estão bem deteriorados, e só é possível identificar alguns dados se já houver conhecimento de algumas informações anteriores.
Wandyr Soares de Araujo Villar que reeditou, em 2007, um livreto sobre a família Casa Grande, residente na cidade do Assú, de autoria de Antonio Soares de Macedo, escreveu no prefácio dessa edição: grande parte do acervo de Clara Soares foi fragmentada. Uma parte foi subtraída da família por pessoas, conhecidas, sob empréstimos, nunca devolvidos. Uma segunda parte foi igualmente subtraída por outros membros da família; eu mesmo tento recompô-la para juntar com o que me foi doado pelas minhas tias-avós e a terceira parte, a que foi doada para IHGRN é ocasionalmente encontrada em sebos, juntamente com outros artefatos roubados da instituição.
Outro exemplo que coloco vem desse livreto, de 1893, de grande importância para a história do Rio Grande do Norte. Veja o que escreveu seu autor, Antonio Soares de Macedo, no intuito de preservar a grata memória dos seus ascendentes, extraído de um caderno de lembranças do seus 4º avô.
Lembrança que deixo para aqueles, que de mim descenderem, saberem donde vim, porque para onde vou só a Deus pertence. Papary, 24 de dezembro de 1710.
Eu, Manoel Lopes de Macêdo, filho legítimo do capitão de mar e guerra, Manoel Lopes de Macêdo e D. Adelaide Cabral de Macêdo, nasci a 24 de dezembro de 1670; foram meus padrinhos o Dr. Antonio Freire de Amorim e sua mulher D. Bárbara Freire de Amorim, meus ilustres sogros. Embarquei na cidade do Porto em 12 de outubro de 1706 com minha mulher, D. Bárbara Freire de Amorim, oito filhas, a saber: Joanna, Bárbara, Delfina, Maria, Antonia, Josefa, Plácida e Adelaide, e quatro criados, com destino ao Maranhão; mas, tendo minha mulher dado à luz nos mares, fui forçado a desembarcar na capitania do Rio Grande do Norte, no dia 13 de dezembro do mesmo ano. No dia 6 de janeiro de 1707, na freguesia de N. S. da Apresentação foi batizada minha filha, que nasceu nos mares, a qual tomou o nome de Suzana. Foram seus padrinhos o coronel Balthazar da Rocha Bezerra e minha filha mais velha. No dia 20 do dito mês e ano segui pra esta aldeia e cheguei no dia 22, onde me acho com todas as pessoas de minha família, que existem até hoje, graça a Deus. Papary, 23 de dezembro de 1710. Manoel Lopes de Macêdo.
Procurei no livro de batismos da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação o registro de Suzana, mas não encontrei. Esse livro foi salvo, e se encontra, hoje, no Instituto Histórico Pernambucano.
Na sequência, Antonio Soares de Macedo cuida da descendência de sua 3ª avó, Dona Joanna Martins, primeira filha do coronel Manoel Lopes de Macedo. E as outras sete filhas que destino tiveram? Afinal, as preservações são mais cuidadas pelos indivíduos do que pelas instituições.
E você está escrevendo alguma coisa sobre seus ascendentes, para preservar para os seus descendentes?
Vem aí “Notícias genealógicas do Rio Grande do Norte”, editado pela Edufrn, reunindo mais de uma centena de artigos, que escrevi para este jornal.
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