sábado, 24 de setembro de 2011

João Miguel e os Trindades de Angicos (II)

João Miguel e os Trindades de Angicos (II)
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG
Repito e corrijo, a maioria dos Trindades de Angicos é descendente de João Miguel da Trindade e Maria Rosa da Conceição. Além de Manoel Jacintho, Rosa Maria e João Felippe da Trindade, citados em artigo anterior, encontramos outros filhos de João Miguel e Maria Rosa.
No mesmo documento eleitoral onde encontrei o pai de João Felippe da Trindade, constava um outro João Miguel da Trindade, com a idade de 43 anos. Não poderia ser o velho João Miguel. Nesse documento, encontrei que ele era filho de Alexandre Francisco de Azevedo Costa. Um registro de óbito dava conta que Anna Francisca da Trindade, falecida em 29 de julho de 1878 com a idade de 58 anos, era viúva de Alexandre Francisco de Azevedo Costa. Essas informações me levaram a suspeita que Anna era outra filha de João Miguel. Em um batismo, datado de 1835, aparece como procuradores dos padrinhos, do batizado, João Miguel da Trindade e sua filha Anna. Com mais outros batismos e casamentos concluí que Anna Francisca da Trindade era outra filha do casal João Miguel da Trindade e Maria Rosa da Conceição. O João Miguel, neto, casou, em 2 de setembro de 1879, no Sítio Farias, com Maria Catarina das Virgens, filha de Firmino José Porcino Maria da Costa e Catarina Rizina das Virgens.
Michaella Francisca da Trindade casou em 19 de novembro de 1844, na fazenda Santa Luzia, com João Baptista Xavier da Costa. Não aparecem nesse documento os pais dos nubentes. Pedro Antas Filho, neto de Maria Baptista Xavier da Trindade, me contou que sua avó era sobrinha de João Felippe e foi criada por ele. Maria Baptista casou com Alexandre Francisco Pereira Pinto Junior (Capitão Antas), no Sítio Santa Luzia, aos 11 de outubro de 1874, ele, filho de Alexandre Francisco Pereira Pinto e Damásia Francisca dos Santos Leal, e viúvo por falecimento de sua mulher Francisca Guilhermina Xavier de Sousa; ela filha de João Baptista Xavier da Costa e Michaella Francisca da Trindade. Houve dispensa de sanguinidade e afinidade lícita. Logo, pelo que contou Pedro, Michaella era irmã de João Felippe, e, portanto, filha de João Miguel e Maria Rosa.
Há um outro Trindade que aprece nesses documentos que pode ser filho de João Miguel e Maria Rosa. Sei que estava presente o tempo todo no meio dos Trindades, já citados. Ele era José Bonifácio da Trindade, casado com  Rosa Maria da Conceição. No seu óbito, em 11 de setembro de 1875, consta que ele faleceu com a idade de 49 anos, portanto, deve ter nascido por volta de 1826. João Felippe, Anna Francisca e Michaella pelas as informações dos seus óbitos tinham nascido por volta de 1820. Esses registros, na maioria das vezes, não eram muito precisos com relação as idades dos falecidos. Portanto, acho que os três nasceram em três anos consecutivos.  Manoel Jacintho nasceu em 1833.  Como José Bonifácio nasceu em 1826, tinha chance de ser um dos filhos de João Miguel e Maria Rosa.
Foi lá no Sítio Santa Luzia, onde moravam os Trindades, que aos 30 de julho de mil oitocentos e sessenta e um nasceu Josefa, filha de José Bonifácio e Rosa Maria, batizado aos vinte e três de agosto do mesmo ano, tendo como padrinhos José Felix da Silveira Varella e Anna Francisca da Trindade. Outros filhos de José Bonifácio tiveram como padrinhos filhos de João Miguel. João Felippe foi padrinho de Manoel; Manoel Jacintho foi padrinho de Anna. Por sua vez José Bonifácio foi padrinho de Francisca filha de Michaela Francisca da Trindade. Todas essas relações entre José Bonifácio e os filhos de João Miguel e Maria Rosa reforçam a hipótese dele ser, também, um dos filhos do casal. Além disso, dois filhos de José Bonifácio e Rosa Maria casaram com dois filhos de Michaella Francisca da Trindade e João Baptista Xavier da Costa, a saber: Francisco Rosa da Trindade com Francisca Xavier da Trindade e Anna Clementina da Trindade com João Baptista Xavier da Trindade.
Esses Trindades se entrelaçaram, entre outras, com as famílias Xavier de Sousa, Xavier da Costa, Azevedo Costa, Pereira Pinto, Costa Machado, Sousa Monteiro, Xavier de Mello e Rebouças de Oliveira Câmara.
Eu descendo de João Felippe da Trindade e Francisca Ritta Xavier da Costa. Esse casal gerou os filhos, a saber: André Avelino da Trindade, que foi casado em primeiras núpcias com Maria da Penha Barbalho e Silva, e em segundas núpcias com Izabel Martins; Maria Rosa da Trindade, que  foi casada com João Baptista de Mello Pinto, aqui de Ceará-Mirim; Joaquim Francisco da Trindade, que foi casado com Ritta Emilianna de Assis Bezerra, irmã de Maria da Penha, acima; Anna da Trindade, irmã gêmea de Joaquim, que  foi casada com Manoel de Mello Pinto, irmão de João Baptista; Francisco Xavier da Trindade, que morreu solteiro; José e Manoel, que faleceram crianças; e Miguel Francisco da Trindade, que foi casado com Maria Josefina Martins Ferreira, lá de Cacimbas do Vianna.
 Esse último casal gerou Luiz de França da Trindade que foi casado com Milce Carvalho; Salomão Trindade que foi casado com Anna; José Felix da Trindade, que foi casado com Margarida; Francisco Martins Trindade, que foi casado com Deoclécia Veras Bezerra; Aurea Trindade, que foi casada com Francisco de Mello Pinto, seu primo; Crinaura, que foi casado com Joaquim Firmino de Deus Gonçalves Filho; Maria da Soledade,  que foi casada com Joaquim Teixeira de Carvalho; e Miguel Trindade Filho, que foi casado com Dalvanira Avelino da Trindade, meus pais.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Família Espínola

Uma das famílias presentes no nosso Rio Grande do Norte é a família Espínola. Vamos a alguns registros.
Aos dezoito de maio do ano de mil setecento e setenta e dois, às sete horas da noite, por concessão do Reverendo Visitador Ignácio de Araújo Gondim, corridos os banhos, Juxta Tridentinum, sem se descobrir impedimento algum até a hora do seu recebimento, de licença minha, nesta Matriz, em presença do Padre Coadjutor Bonifácio da Rocha Vieira, e das testemunhas abaixo assinadas, o capitão Manoel Pinto de Crasto, homem casado, e Manoel do Rego Freire de Mendonça, solteiro, moradores nesta cidade, se casaram os nubentes Francico da Costa Espínola, filho de Carlos de Freitas da Costa, e de Maria da Assumpção, e Margarida da Costa Gomes, filha de Manoel da Costa Coimbra, e de Maria do Carmo de Figueredo, ambos os nubentes naturais desta Freguesia, e logo receberam as benção na forma do Ritual Romano; do que mandei lançar este assento em que me assinei, Pantaleão da Costa de Araújo. Manoel Pinto de Crasto.

Anna, filha legítima de Francisco da Costa Espínola e de Margarida da Costa Gomes, neta por parte paterna de Carlos de Freitas da Costa, e de Maria da Assumpção Espínola, natural desta Freguesia, e pela materna de Manoel da Costa Coimbra, natural de Coimbra, e de Maria do Carmo, desta Freguesia, nasceu aos seis de março do ano de mil setecentos e setenta e três,e foi batizada com os santos óleos, nesta Matriz, de minha licença, pelo Padre Manoel Pinheiro Teixeira, aos vinte e dois de março do dito ano, foram padrinhos Carlos de Freitas da Costa, casado, e Úrsula Patrícia, filha da viúva Maria do Carmo, natural desta Freguesia, do que mandei lançar este assento, em que me assino, Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.

Carlos, filho legítimo de Francisco da Costa Espínola e Margarida da Costa Gomes, neto por parte paterna de Carlos de Freitas da Costa, e de Maria da Assumpção Espínola, todos natuais desta Freguesia, e pela materna, de Manoel  Coimbra, natural de Coimbra, e de Maria do Carmo de Figueredo, natural desta cidade, nasceuo aos dezoito de novembro de mil setecentos e setenta e cinco, foi batizada com os santos óleos, nesta Matriz, de licença minha, pelo padre Coadjutor Bonifácio da Rocha Vieira, vinte do dito mês e ano, foram padrinhos Albino Duarte de Oliveira, e Eugenia, filha da Viúva Maria do Carmo, do que mandei lançar este assento, em que assineir. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.

Manoel, filho legítimo do sargento auxiliar Francisco da Costa Espínola e Margarida da Costa Gomes, neto parterno de Carlos de Freitas da Costa e de Maria da Assumpção Espínolla, todos naturais desta Freguesia, e pela materna de Manoel da Costa Coimbra, natural de Coimbra, e de Maria do Carmo de Figueredo, natural desta Freguesia, nasceu a vinte e nove de maio do ano de mil setecentos e setenta e sete, foi batizado com os santos óleos, de licença minha, pelo Padre Coadjutor Bonfácio da Rocha Vieira, aos quinze de junho do dito ano, foram padrinhos Manoel do Rego Freire de Mendonça, e Úrsula Patrícia Gomes, filha da viúva Maria do Carmo de Figueredo; do que mandei fazer este assento em que por verdade me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.

Antonio, nascido aos onze de junho e batizado por mim a quatorze de julho de mil setecentos e oitenta e quatro, nesta Matriz do Rio Grande do Norte, com os santos óleoa, filho legítimo de Francisco da Costa Espinola, e de Margarida da Costa Gomes, naturais e moradores no Poço Verde desta Freguesia, neto do Condestável Carlos de Freitas e Dona Maria da Assumpção, e pela materna de Manoel da Costa Gomes (Coimbra), e de Maria do Carmo de Figueredo, ja defunta, desta freguesia, foram padrinhos Antonio Francisco de Viveiros, homem casado, e Anna Maria da Conceição, solteira, moradora nesta cidade. Do que mandei lançar este assento e me assino, Francisco de Sousa Nunes, vice-vigário do Rio Grande.
Esse Antonio Francisco de Viveiros era filho de Antonio Baptista Espínola

Vejamos o registro de óbito de Dona Margarida
Aos quinze de  março de 1803, faleceu da vida presente, nesta Freguesia, tendo recebido o sacramento da Penitência e Unção, Margarida da Costa, branca, casada com Francisco da Costa Espínola, tendo idade de 55 anos, pouco mais ou menos. Foi sepultada nesta Matriz envolta em mortalha dos religiosos de São Francisco, depois de ser por mim encomendada solenemente, e para constar fiz este assento que assinei. Feliciano José Dornelles, vigário Collado.

Agora o óbito de Francisco da Costa Espínola
Aos nove de fevereiro de mil oitocentos e oito faleceu da vida presente, nesta Freguesia, Francisco da Costa Espínola, de uma maligna, branco, viúvo, com idade de setenta e um anos, tendo recebido todos os sacramentos da Igreja, foi sepultado nesta Matriz, envolto em mortalha dos religiosos de São Francisco depois de ser encomendado solenemente por m im, sacerdote desta Freguesia, e para constar fiz este termo que assino, Feliciano José Dornelles, vigário.

Um dos irmãos de Francisco da Costa Espínola era Luiz da Costa Espinola. Vejamos o registro do casamento dele.
Aos dois de maio de mil setecentos e sessenta e nove, aos onze horas e meia do dia, na Capela de São Gonçalo do Potegi, de licença minha, sem impedimento algum até a hora do seu recebimento, corridos os banhos Juxta Tridentinum, em presença do padre Manoel Antonio de Oliveira, se casaram por palavras de presente Luiz da Costa Espínola e Dona Francisca Maria Barbosa, ele filho de Carlos de Freitas da Costa, e de Maria de Assumpção, e ela filha natural de Dona Thereza de Jesus, naturais desta Freguesia, e logo lhes deu as bençãos conforme os ritos da Santa Madre Igreja de Roma, sendo presentes por testemunhas que assinaram na certidão do dito Padre, o Tenente José de Araújo Pereira e Prudente de Sá Bezerra, casados; do que mandei fazer este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa  de Araújo, vigário do Rio Grande

Outro irmão de Francisco da Costa Espínola era Manoel da Costa Espínola, como se pode ver do próximo registros
Anna, filha de Manoel da Costa Espínola, e de sua mulher Izabel da Rocha, naturais e moradores desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, neta por parte paterna do Condestável Carlos de Freitas da Costa, e de sua mulher Maria da Assumpção, naturais desta Freguesia, e pela parte materna de avós incógnitos, foi batizada com os santos óleos aos vinte e sete de outubro de mil setecentos e sessenta e cinco anos, na Capela de Santo Antonio do Potegi, desta dita Freguesia pelo Reverendo Manoel Antonio de Oliveira, de licença minha, foram padrinhos o Condestável Carlos de Freitas da Costa, e Dona Anna da Rocha, mulher do Coronel João Pereira de Véras, fregueses e moradores, todos desta Freguesia, e pela certidão que veio do dito Reverendo Padre, fiz este asseno, em que por verdade me assinei. João Freire de Amorim.

Francisco neto de Josefa de Tal, de Angola

Francisco, filho legítimo do Cabo de Esquadra Antonio Francisco de Viveiros e de Maria José, neto por parte paterna de Antonio Baptista Espínola, naturais desta Freguesia e de Francisca do Rosário da Ilha de Sam Miguel, e pela materna de Josefa de Tal, natural de Angola, nasceu a quatorze de julho do ano de mil setecentos e setenta e três, e foi batizada com os santos óleos, na Matriz, de licença minha, pelo padre Coadjutor Bonifácio da Rocha Vieira, aos vinte e dois do dito mês e ano. Foi padrinho o Sacristão Francisco Álvares de Mello; do que mandei lançar este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.
Uma irmão de Antonio Francisco era Maria Francisca, segundo aparece em  batismos de 1769 e  de 1770

Sobre Antonio Baptista Espínola encontramos o seguinte assentamento;
Antonio Baptista Espínolla, filho de Sebastião Teixeira, naturais desta Capitania, de idade de trinta anos, pouco mais ou menos, de estatura ordinária, seco de corpo, cara comprida, cabelo anelado, olhos pretos, sobrancelhas quase serradas, senta praça nesta Companhia do capitão Francisco Ribeito Garcia, de soldado raso, saindo de praça de Artilheiro no qual até agora exercitava a doze de abril de 1734, por sua vontade e mandado do Senhor Governdro e Capitão General de Pernambuco, Duarte Sodré Pereira,  e intervençao do Provedor da Fazenda Real e Vedor Geral de Gente de Guerrra, o capitão Domingos da Silveira, com soldo de dois mil quatrocentos réis por mês e por ano vinte oito mil e oitocentos réis; a saber: quinze mil trezentos e sessenta réis em dinheiro e em farda treze mil e quatrocentos e quarenta réis, na forma da ordem de Sua Majestade, registrado n o livro 1] dos registros a p 142. Bento Mousinho
No mesmo documento acima há o seguinte registro: passou a cabo de esquadra desta Companhia por nomeação do capitão Francisco Ribeiro Garcia e intervenção do Vedor Geral da Gente de Guerra Doutro Thimóteio de Brito Quindeiro a 8 de dezembro de 1734.
Passou do presídio desta Capitania a de Pernambuco por ordem do Senhor General Henrique Luis Pereira Freire, em três de Junho de mil setecentos e trinta e oito.

Antonio Baptista faleceu em 1762, como veremos a seguir.
Aos dez de janeiro de mil setecentos e sessenta e dois, faleceu da vida presente, Antonio Baptista Espínola, com todos os sacramentos, de idade de sessenta e tantos anos, com testamento aprovado, e foi sepultado nesta Matriz envolto em hábito de São Francisco, encomendado solenemente pelo Vigário de Extemoz, Francisco de Sousa Nunes, de licença minha, do que mandei lançar este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo

O retrato falado de João Vieira de Mello

Esses assentamentos de praça são muito interessantes, pois constam neles detalhes que podem nos ajudar a entender como eram os personagens de uma época. Pena que não conste o nome da mãe, mas tão somente o do pai. Vejamos o seguinte
João Vieira de Mello, filho de José Vieira de Mello, natural e morador nesta Ribeira do Assú, branco, solteiro, de estatura ordinária, cara comprida, pouca barba, com uma cicatriz entre os olhos, com dois sinais pretos pequenos um de cada banda do rosto, com idade de vinte e dois anos, assenta praça em revista de 27 de julho de 17899.

O estranho batizado de Joanna

Aqui e acolá, entre os registros da Igreja, encontramos algumas singularidades. É o caso do batismo a seguir. Nele não se encontra nem a data do nascimento nem a do próprio batizado. Além disso, a pessoa que batizou não parece que era padre. Está no livro de batizados de 1779.
Joanna, filha legítima de Alberto Pimentel, natural desta Freguesia, e de sua mulher Antonia de Freitas, natural de Recife de Pernambuco, neta por parte paterna de Francisco Gomes Pinto, natural da cidade de Olinda, e de sua mulher Placida Rodrigues (ilegível) desta mesma Freguesia, por parte materna do tenente Manoel Pacheco, natural de Pernambuco, e de sua mulher Maria de Freitas, natural de Pernambuco, foi batizada em casa por Domingos Fernandes natural do Recife de Pernambuco, como se costuma, de que mandei fazer este assento e por ausência do Reverendo Vigário me assinei, Joaquim José Pereira, pro-vigario do Rio Grande.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Conservação da memória

Conservação da memória
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do INRG
Há uma preocupação entre os genealogistas em face de uma recomendação do presidente do Conselho Nacional de Justiça, o ministro César Peluso, conforme artigo de Elio Gaspari, na Folha de São Paulo. Tudo por conta do seguinte trecho: Será preservada uma amostra estatística representativa do universo dos documentos e processos administrativos e dos autos judiciais findos destinados à eliminação.
Essa preocupação é válida porque todos nós, que fazemos pesquisas genealógicas, dependemos de documentos que estão nas Igrejas, nos cartórios, nos fóruns judiciais, nos institutos históricos, nos arquivos públicos e privados, e em muitos outros locais que guardam ainda registros do passado.
A preservação de documentos não está nas prioridades dos órgãos públicos deste país. É uma atividade incipiente, mesmo levando em conta os avanços tecnológicos, principalmente, os processos modernos de digitalizações e fotografias.
Alguns inventários, que foram transferidos dos cartórios para alguns Fóruns Judiciais, não estão sendo cuidados com o devido zelo. São amontoados em lugares impróprios e vão se destruindo naturalmente. Eles são necessários a reconstituição da História dos nossos municípios, estados e do próprio país. Para muitos, trata-se só de papéis velhos e, por isso, muitos já foram descartados.
Os mórmons, através das microfilmagens, conseguiram preservar muitos desses documentos de cartórios, de igrejas, e de outros locais e, recentemente, estão disponibilizando aos poucos na Internet. Não fui até Florânia pesquisar, nos livros da Igreja, os meus ascendentes lá do Seridó. Para exemplificar, foi lá no site dos mórmos que encontrei o seguinte registro, em um dos microfilmes: Aos dois de maio de mil novecentos e cinco batizei André, filho legítimo de Pacífico Clementino de Medeiros e Anna Olindina Bezerra Cavalcante, nasceu a vinte e um de abril do dito ano, seus padrinhos José Garcia da Cruz, e Maria Pereira do Nascimento; para constar fiz este assento que assino. Vigário João Borges de Salles. Essa Anna Olindina, que conheci por tia Nana, era irmão do meu bisavô Alexandre Garcia da Cruz.
 No registro seguinte é batizado Torquato, filho de José Garcia da Cruz e Maria Pereira do Nascimento, e os padrinhos são Pacífico Clementino de Medeiros e Ana Olindina. Quem vê esses registros, pode observar que já estão bem deteriorados, e só é possível identificar alguns dados se já houver conhecimento de algumas informações anteriores.
Wandyr Soares de Araujo Villar que reeditou, em 2007, um livreto sobre a família Casa Grande, residente na cidade do Assú, de autoria de Antonio Soares de Macedo, escreveu no prefácio dessa edição: grande parte do acervo de Clara Soares foi fragmentada. Uma parte foi subtraída da família por pessoas, conhecidas, sob empréstimos, nunca devolvidos. Uma segunda parte foi igualmente subtraída por outros membros da família; eu mesmo tento recompô-la para juntar com o que me foi doado pelas minhas tias-avós e a terceira parte, a que foi doada para IHGRN é ocasionalmente encontrada em sebos, juntamente com outros artefatos roubados da instituição.
Outro exemplo que coloco vem desse livreto, de 1893, de grande importância para a história do Rio Grande do Norte. Veja o que escreveu seu autor, Antonio Soares de Macedo, no intuito de preservar a grata memória dos seus ascendentes, extraído de um caderno de lembranças do seus 4º avô.
Lembrança que deixo para aqueles, que de mim descenderem, saberem donde vim, porque para onde vou só a Deus pertence. Papary, 24 de dezembro de 1710.
Eu, Manoel Lopes de Macêdo, filho legítimo do capitão de mar e guerra, Manoel Lopes de Macêdo e D. Adelaide Cabral de Macêdo, nasci a 24 de dezembro de 1670; foram meus padrinhos o Dr. Antonio Freire de Amorim e sua mulher D. Bárbara Freire de Amorim, meus ilustres sogros. Embarquei na cidade do Porto em 12 de outubro de 1706 com minha mulher, D. Bárbara Freire de Amorim, oito filhas, a saber: Joanna, Bárbara, Delfina, Maria, Antonia, Josefa, Plácida e Adelaide, e quatro criados, com destino ao Maranhão; mas, tendo minha mulher dado à luz nos mares, fui forçado a desembarcar na capitania do Rio Grande do Norte, no dia 13 de dezembro do mesmo ano. No dia 6 de janeiro de 1707, na freguesia de N. S. da Apresentação foi batizada minha filha, que nasceu nos mares, a qual tomou o nome de Suzana. Foram seus padrinhos o coronel Balthazar da Rocha Bezerra e minha filha mais velha. No dia 20 do dito mês e ano segui pra esta aldeia e cheguei no dia 22, onde me acho com todas as pessoas de minha família, que existem até hoje, graça a Deus. Papary, 23 de dezembro de 1710. Manoel Lopes de Macêdo.
Procurei no livro de batismos da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação o registro de Suzana, mas não encontrei. Esse livro foi salvo, e se encontra, hoje, no Instituto Histórico Pernambucano.
Na sequência, Antonio Soares de Macedo cuida da descendência de sua 3ª avó, Dona Joanna Martins, primeira filha do coronel Manoel Lopes de Macedo. E as outras sete filhas que destino tiveram? Afinal, as preservações são mais cuidadas pelos indivíduos do que pelas instituições.
E você está escrevendo alguma coisa sobre seus ascendentes, para preservar para os seus descendentes?
Vem aí “Notícias genealógicas do Rio Grande do Norte”, editado pela Edufrn, reunindo mais de uma centena de artigos, que escrevi para este jornal.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Salvador de Antonio Rodrigues de Sá e Maria Rosa da Anunciação

Salvador, filho de Antonio Rodrigues de Sá, e de sua mulher Maria Rosa da Anunciação, naturais desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, neto por parte paterna de Simão Rodrigues de Sá, e de sua mulher Luzia Pereira da Fonseca, naturais desta mesma Freguesia, pela parte materna de Nicácio de Sousa e de sua mulher Anna Antonia de Jesus da Silva, ambos naturais desta mesma Freguesia, nasceu a três de outubro de mil setecento e setenta e oito, e foi batizado aos vinte e seis de novembro do mesmo ano, de licença nossa, pelo Padre Elias, na Capela do Lugar chamando Ferreiro Torto, batizado com os Santos Óleos; foram padrinhos o capitão Manoel Rodrigues de S. Thiago, madrinha Romana, filha de Nicácio Sousa, seu avô, e não se continha mais em dito assento, o qual mandei lançar no qual me assinei, por ausência do Reverendo Vigário, me assinei. Joaquim José Pereira, Coadjutor do Rio Grande.

Casamento de Antonio Francisco da Trindade, em desobriga no Potengi.

Aos seis de outubro de mil oitocentos e trinta e cinco, em desobriga do Pontengi, depois de feitas as denunciações na forma do Sagrado Concílio Tridentino, naturalidade de ambos os nubentes (?), e não constando impedimento algum, como se vê dos banhos, e mais papéis, que ficam em meu poder, em presença do Padre João Soares da Veiga, de minha licença, e das testemunhas Joaquim José de Mello, e Manoel Antonio de Sousa, moradores nesta Freguesia, se casaram em face da Igreja e por palavras de presente, Antonio Francico da Trindade, filho legítimo de Antonio da Trindade, e Maria Francisca, já falecida, que veio de menor de idade da Freguesia de Assú, sua naturalidae, com Josefa Maria da Conceição, natural do Brejo de Areia, donde veio de menor para esta Freguesia, filha legítimia de José Joaquim Pinheiro, já defunto, e Bernarda Maria da Conceição, e logo o dito Padre lhes deu as bençãos segundo os ritos e cerimônias da Santa Madre Igreja; do que tudo, mandei fazer este termo, que assino, Feliciano José Dornelles Vigário Collado.

Miranda Henriques e Moraes Navarro

Aos dezoito de novembro de mil oitocentos e trinta e oito, em São Gonçalo, pelas duas horas da tarde, feitas as denunciações, em minha presença e das testemunhas Joaquim de Moraes Navarro e Bernardo José Freire, se casaram José Barbosa Miranda, filho legítimo de Manoel Machado de Miranda Henriques, e Ignácia Francisca de Mello, com Josefa Joaquina de Moraes, filha natural do Capitão Lourenço José de Moraes Navarro, e Bernardina Muniz de Souza, já falecida, todos desta freguesia, e logo lhes dei as bençãos da Igreja; e para constar mandei fazer este termo em que assino. Candido José Coelho, Vigário Interino.

Antonio Martins Praça da Vila de Peniche, Freguesia de Lisboa

Encontramos dois registros de casamento de  Antonio Martins Praça, da Vila de Peniche, que transcrevo para cá. Os documentos nem sempre são totalmente legíveis, mas de qualquer forma pudemos salvar as informações básicas dos registros.
Aos vinte e nove de Dezembro de mil setecentos e trinta e nove anos, pela meia noite, pouco mais ou menos, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, em cujo lugar os contraentes são moradores, sendo dispensados nas denunciações por licença do Senhor Reverendo Visitador, o Doutor Felis Machado Freyre, que nesta cidade se achava de visita, na qual foram compreendidos os ditos  contraentes, em presença do Revendo Coadjutor da dita Igreja João Gomes Freire, que fazia vezes de Paróco, em minha ausência, sendo presente por testemunhas o sargento-mor Sebastião Cardoso Batalha, e Agostinho Cardoso Batalha, pessoas conhecidas, se casaram em face da Igreja, solenemente, por palavras, Antonio Martins da Praça Amarello, filho legítimo de João Martins da Praça, e de sua mulher Maria Martins França Amarello, naturais da Vila de Penixe, freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, Bispado de Lisboa, com Angela de Oliveira, preta forra, natural da Costa da Mina, moradores na Ribeira desta cidade, fregueses da dita paróquia, e  aos treze de janeiro de mil setecentos e quarenta lhe deu o dito Reverendo Coadjutor as bençãos conforme os ritos cerimoniais da Santa Madre Igreja, do que tudo mandei fazer este assento, que por verdade assinei. Manuel Correa Gomes, vigário. Agostinho Cardoso Batalha. Sebastião Cardoso Batalha.

Embora o registro a seguir não faça menção, acredito que Dona Angela faleceu, pois há um segundo casamento de Antonio Martins, como podemos ver a seguir.
Aos dezoito de abril de mil setecentos e quarenta e seis anos, na Capela de Nosa Senhora da Conceição de Jundiahy, desta freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações na forma do Sagrado Concílio Tridentino, nesta Matriz, e na Igreja do Senhor São Miguel da Missão de Guajiru, (ilegível)  foi a contraente moradora, e na sobredita Capela de Jundiahy, onde de presente  é moradora (ilegivel) desta dita Igreja, sem se descobrir impedimento, em presença do Reverendo Licenciado Antonio de Andrade de Araújo, de licença minha, sendo presente por testemunhas o sargento-mor Hilário de Castro Rocha, e o sargento-mor, Dionísio da Costa Soares, pessoas conhecidas, os quais vinham assinados juntamente com o Reverendo Padre assistente, conforme a licença que dei, segundo o provimento do Reverendo Senhor Doutor Visitador, nos capítulos de visita, se casaram em face da Igreja, solenemente por palavras, Antonio Martins Prassa, homem viúvo (não dize de quem) natural da Vila de Penixe, Arcebispado  de Lisboa, filho legítimo de Joam Martins Praça, e de sua mulher Maria Martins Amarella, já defunta, com Maria Antonia das Neves, filha legítima do capitão Antonio Teixeira Coelho, já defunto, e de sua mulher que foi Ignácia (ilegível), natural desta dita freguesia, e ambos os contraentes dela moradores, e logo lhe dei as bençãos conforme os ritos e cerimonias da Santa Madre Igreja, e pelo assento que me veio do dito Reverendo mandei fazer este em que por verdade me assinei. Manuel Correa Gomes, vigário.

Vejamos agora o casamento de Antonio Martins Praça Junior, filho de Antonio e Maria Antonia. Observe que nessa data, Dona Maria Antonia já era falecida,  e portanto seu marido estava viúvo mais uma vez.
Aos seis de julho de mil setecentos e sessenta e sete, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, pelas quatro horas da tarde, corridos os banhos juxta tridentinum, sem se descobrir impedimento algum, até a hora do seu recebimento, de licença minha, em presença do Padre Antonio de Sousa Nunes, se casaram com palavras de presente in facie Eclesia, Antonio Martins Praça, filho de Antonio Martins Praça, e de Maria Antonia, já defunta, com Josefa Mendonça, filha legítima de Manoel de Sousa Nunes, e Maria da Apresentação, presentes por testemunhas o Alferes Antonio da Sylva, e o cabo de esquadra, José Sylvestre de Morais Navarro, que logo assinaram; e logo lhes deu as bençãos conforme os ritos da Santa Madre Igreja de Roma; do que fiz este termo em que por verdade me assino. Pantaleão da Costa de Araújo. Vigário do Rio Grande.José Sylvestre de Morais Navarro.

A terceira esposa de Antonio Martins Praça foi Dona Catharina Peralta Rangel, como podemos ver do óbito dela a seguir.
Aos vinte e oito de janeiro do ano de mil setecentos e setenta e quatro, faleceu Dona Catharina Peralta Rangel, com seu testamento, casada com Antonio Martins Praça, de idade de sessenta e tantos anos, com todos os sacramentos, e foi sepultada na Matriz, sendo encomendada, de licença minha, pelo padre Coadjutor Bonifácio da Rocha Vieira, envolto em hábito de São Francisco, do que mandei lançar este assento em que me assino. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.


Agora, os óbitos de dois filhos Antonio Martins Praça Junior e Josefa, portanto, netos de Antonio e Maria Antonia.
Aos sete de janeiro do ano de mil setecentos e setenta e oito, faleceu da vida presente, Manoel, de idade de oitos meses, filho legítimo de Antonio Martins Praça Junior e Josefa das Neves de Mendonça, foi sepultado nesta Matriz, envolto em durante preto, encomendado, de licença minha, pelo Coajutor Bonifácio da Rocha Vieira, do que mandei lançar este assento, em que por verdade assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande. 
Ana, filha legítima do capitão Antonio Martins Praça, e de Josefa das Neves de Mendonça, com a idade de três anos, pouco mais ou menos, foi encomendada pelo Reverendo  Coadjutor  o Padre Joam Tavares da Fonseca, sepultada na Igreja do Senhor Bom Jesus das Dores, envolta em hábito de tafetá roxo, aos vinte e sete de junho do mil setecentos e oitenta e quatro; e não se continha mais em dito assento que mandei lançar e para constar me assinei. Francisco de Sousa Nunes, vice-vigário do Rio Grande.

Antonio Martins Junior tinha um irmão, José Martins Praça. Vejamos, através dos batismos  a seguir

Manoel, filho legítimo do capitão José Martins Praça e Dona Anna Quitéria de Mendonça, natural desta Freguesia, neto paterno de Antonio Martins Praça, natural da Vila de Penixe, Patriarcado de Lisboa, e de Maria Antonia das Neves, desta Freguesia,  e materno de Domingos João Campos, natural do Viseu, e de Dona Rosa Maria de Mendonça, natural desta Freguesia, nasceu aos cinco de julho de mil setecentos e oitenta e três, e foi batizado com os Santos Óleos, na Capela de Jundiahy, pelo Reverendo Padre Manoel Antonio de Oliveira, de licença do Reverendo Vice-Vigário, Francisco de Sousa Nunes, a dezessete de setembro do dito ano, foram padrinhos José Vicente Monteiro, da cidade da Paraíba, e Maria Angélica, filha do coronel Francisco da Costa, solteira desa Freguesia; e não se continha mais no assento do que mandei fazer este, e por verdade me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.


Francisco, filho legítimo de José Martins Praça, e de Dona Ana Campos, neto por parte paterna de Antonio Martins Praça, natural de Portugal, e de Maria Antonia, natural desta Freguesia, e pela materna de Domingos João Campos, natural de Portugal, e de Dona Rosa Maria desta Freguesia, nasceu a dez de janeiro, de mil setecentos e oitenta e um, batizado, de licença minha,  com os santos óleos, na capela de Jundiahy, pelo Padre Lus Felis; foram padrinhos Antonio Martins Praça Junior, e Nossa Senhora da Conceição, e não se continha mais no  dito assento, que mandei lançar e me assino, ausente o Reverendo Vigário. Declaro que foi batizado aso vinte e tres de fevereiro do mesmo ano.

Dona Josefa faleceu no ano de 1819, e seu marido um ano depois como podemos ver a seguir;
Aos dezesseis de maio de mil oitocentos e dezenove faleceu da vida presente, nesta freguesia, tendo recebido os sacramentos D. Josefa das Neves, branca, casada com o Capitão Antonio Martins Praça, com a idade de sessenta e cinco anos, foi sepultada na Capela do Senhor Bom Jesus da Ribeira envolto em mortalha dos religiosos de São Francisco, depois de encomendada por mim Reverendo Sacerdote desta Freguesia, e para constar fiz este termo que assino, Feliciano José Dornelles.

Faleceu da vida presente, aos três de julho de mil oitocentos e vinte, o capitão Antonio Martins Praça, viúvo, de idade mais ou menos, de setenta e cinco anos, morador que foi na Ribeira, com todos os sacramentos da Igreja, envolto em hábito de São Francisco, encomendado pelo Reverendo Vigário Francisco Antonio Lumachi de Mello, sepultado solenemente nesta Matriz de grades para baixo, e para constar fiz este termo no qual me assino, Francisco Antonio Lumachi de Mello, Vigário Interino.


sábado, 17 de setembro de 2011

O óbito do capitão-mor Joaquim Felis de Lima

óbito de Joaquim Felis de Lima
Aos vinte oito de setembro de anos de mil setecentos e setenta e quatro, faleceu da vida presente, o capitão-mor desta Capitania, Joaquim Felis de Lima, de idade de sessenta anos pouco mais ou menos, com todos os sacramentos, casado em Lisboa, com Dona Caetana Joaquina, e foi sepultado solenemente, nesta Matriz, encomendado de licença minha, pelo Reverendo Vigário da Vila de Extremoz, Francisco de Sousa Nunes, não fez testamento, e foi envolto em hábito de São Francisco, do que mandei lançar esta assento, em que por verdade me assinei, Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Antonio, filho do tenente Antonio Cardoso Batalha

No postagem anterior, está o casamento do tenente Antonio Batalha Cardoso com Anna Maria da Apresentação. Nesta, fizemos a transcrição do casamento do filho do tenente, de mesmo nome.
Aos vinte de agosto do ano de mil setecentos e setenta e dois, às oito horas do dia, corridos os banhos, juxta trindentinum, sem impedimento algum até a hora do seu recebimento, em minha presença, e das testemunhas abaixo assinadas, o capitão João Luis Pereira, solteiro, e o capitão Francisco Pinheiro Teixeira, homem casado, e morador nesta cidade, se casaram com palavras de presente, Antonio Cardoso Batalha, filho legítimo de Antonio Cardoso Batalha, e Anna Maria da Apresentação, e Luiza Antonia, filha legítima do Alferes Bernardo Pinheiro Teixeira e Damásia Gomes, todos naturais desta Freguesia, e logo receberam as bençãos na forma do Ritual Romano, do que mandei lançar este assento em  que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.

O casal acima teve um filho de nome Bernardo, possivelmente homenageando o avô, que transcrevo para cá.
Bernardo, filho legítimo de Antonio Cardoso Batalha, e de Luiza Antonia, neto por parte paterna de Antonio Cardoso Batalha, e de Anna Maria da Apresentação, e pelo materno de Bernardo Rodrigues Pinheiro, e Damásia de Freitas, todos naturais desta Freguesia, nasceu aos vinte de maio do ano de mil setecentos e setenta e três, e foi batizado com os Santos Óleos, de licença minha, nesta Matriz, pelo Padre Miguel Pinheiro Teixeira, aos vinte e sete de junho do dito ano; foram padrinhos o capitão Francisco Pinheiro Teixeira, e sua filha Joanna Ferreira; do que mandei lançar este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo.

Mas Bernardo não sobreviveu muito tempo, pois, faleceu no ano seguinte como podemos observar pelo óbito do mesmo.
Aos cinco de outubro do ano de mil setecentos e setenta e quatro, faleceu Bernardo, filho de Antonio Cardoso Batalha e de Luiza Antonia, de idade de um ano e quatro meses, e foi sepultado nesta Matriz, envolto em tafetá azul, e encomendado de licença minha pelo padre Coadjutor Bernadro da Rocha Vieira, do que mandei lançar este assento, em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.

O casamento do tenente Antonio Cardoso Batalha

O sargento-mor Sebastião Cardoso Batalha prestou muitos serviços a Capitania do Rio Grande do Norte, o que se ver pelas diversas assinaturas em documentos. Um dos seus filhos mais conhecidos era o tentente Antonio Cardoso Batalha. Por isso transcrevemos seu casamento, onde estiveram presentes diversas autoridades da Capitania.
Aos seis de junho de mil setecentos e trinta e cinco anos, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação da cidade do Rio Grande do Norte, onde foram corridos os banhos, por serem somente os precisos, sem descobri impedimenos, sendo presentes por testemunhas o Capitão-mor desta Capitania João Teive Barreto e Menezes, o Doutor Timotheo de Brito Quinteyro, Provedor da Fazenda Real dela, Dona Eugenia Rodrigues de Sá, mulher do Comissãrio Manuel de Mello de Albuquerque, e Dona Violante Rodrigues de Sá, mulher do Sargento-mor Caetano de Mello de Albuquerque, assisti ao matrimônio que entre si contrairam o Tenente Antonio Cardoso Batalha, filho legítimo do Sargento-mor Sebastião Carodoso Batalha, e de sua mulher Flávia Rodrigues de Sá, e Anna Maria da Apresentação, filha legítima de Francisco de  Gama  Luna e de sua mulher Paula Barbosa de Sousa, ambos naturais desta dita Freguesia e moradores sempre nesta cidade, e os mais todos também pessoas conhecidas, e logo lhes dei as bençãos da Igreja guardando em tudo a forma do Sagrado Concílio Tridentino, do que mandei fazer este assento em que por verdade assinei. Manuel Correa Gomes, Vigário, João Teive Barreto e Menezes e Thimotheo de Brito Guinteiro.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Agostinho Cardoso Batalha, três gerações

Em uma postagem neste blog sobre Felipe Barbosa Romeiro, noticiamos que Pedro Tavares Romeiro teve uma filha que casou com João Cardoso Batalha. Fizemos, depois, a transcrição para cá deste casamento. Por lá vimos que João Cardoso Batalha era filho de Agostinho Cardoso Batalha e de Theresa de Jesus. Vejamos mais sobre os Cardoso Batalha, começando com o casamento dos pais de João Cardoso

Aos quatorze de janeiro de mil setecentos e trinta anos, uma hora depois da meia noite, pouco mais ou menos, nesta Matriz de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, em presença do Reverendo Visitador, o doutor Paulo Teixeira, vigário da Vila de Igarassú, se casou em Face da Igreja, Agostinho Cardoso Batalha, filho do sargento-mor Sebastião Cardoso Batalha e de sua mulher Flávia Rodrigues de Sá, e Thereza de Jesus de Oliveira, filha do Ajudante (ilégivel) e de sua mulher Agueda de Oliveira, já defunta, naturais e moradores deste Rio Grande, os quais foram confessados  na visita que fazia o dito Reverendo Visitador desta Freguesia, e por ele dispensados nas denunciações, sendo presentes por testemunhas (ilegível) Manuel da Fonseca Lima e o Reverendo Licenciado João Gomes Freire, coadjutor desta Matriz por notícia do qual, e do mesmo Reverendo Visitador, mandei lançar este assento em que assina por verdade o dito Reverendo Coadjutor. Manoel Correa Gomes.

Agostinho foi batizado, na Igreja de Nossa Senhora da Apresenação, aos sete de setembro de 1705, tendo como padrinhos o Reverendo Simão Rodrigues de Sá, e D. Eugenia Rodrigues de Sá, mulher do capitão Manoel de Mello Albuquerque. Possivelmente parentes de Dona Flávia

O registro de óbito diz: Aos vinte e sete de outubro do ano de mil setecentos e setenta e oito, faleceu da vida presente, Agostinho Cardoso Batalha, de idade de setenta e três anos, pouco mais ou menos, com todos os sacramentos, foi sepultado nesta Matriz envolto em hábito branco, e encomendado por mim, de que mandei lançar este assento em que me assinei por ausênica do Reverendo Vigário. Bonifácio da Roxa Vieira, Coadjutor do Rio Grande.

Agora o casamento de Agostinho Cardoso Batalha, irmão de João Cardoso Batalha.
Aos oito dias do mês de abril de mil setecentos e oitenta e dois, sendo as nove horas da noite do dito dia, na Igreja do Senhor Bom Jesus desta Cidade, em minha presença, e em virtude do venerando despacho de sua Excelência Reverendíssima, o Senhor Dom Thomaz da Incarnação Costa e Lima, dispensados dos Banhos, desta Freguesia de sua naturalidade, e residência, assisti ao matrimônio que entre si contrairam por palavras de presente, Agostinho Cardoso Batalha, com Thomazia Antonia, naturais e moradores, ambos nesta cidade, e logo lhe dei as bençãos na forma dos Sagrados Ritos, sendo presentes por testemunhas, o Reverendo Padre Joam Tavares da Fonseca, e Manoel Rodrigues de Aguiar, casado, cabo de esquadra da Infantaria paga da guarnição desta cidade, e pessoas conhecidas minhas, do que mandei lançar este assento, em minha presença, e me assinei para constar. Francisco de Sousa Nunes, Vigário Encomendado do Rio Grande.
Através do batismo de Agostinho, filho do casal acima, tomamos conhecimento dos pais do dito casal, que não consta do registro acima.
Agostinho, filho legítimo de Agostinho Cardoso Batalha, e de Thomazia Antonia, naturais desta freguesia, neto paterno de Agostinho Cardoso Batalha, e de Thereza de Jesus, e pela materna de Cosma Damiana, solteira, e de avô incógnito, todos naturais desta freguesia, nasceu aos vinte e oito de maio de mil oitocentos e oitenta e cinco, e foi batizado a quatorze de junho do dito ano, com os santos óleos, de licença minha pelo Reverendo Vigário de Vara, Francisco de Sousa Nunes, nesta Matriz; foram padrinhos o Doutor Provedor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, e Dona Quitéria Theresa de Jesus, desta freguesia, do que mandei fazer este assento, e por verdade me assino. Pantaleão da Costa de Araújo, Vigário do Rio Grande


domingo, 11 de setembro de 2011

Casamento de João Cardoso Batalha e Anna Tavares Romeiro

Aos vinte e três de fevereiro de mil setecentos e sessenta e quatro anos, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação da cidade do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações nesta mesma Matriz, somente, e tendo a nubente justificado vir de sua naturalidade solteira, e desimpedida perante o muito Reverendíssimo Senhor Doutor Vigário Manuel Garcia Velho do Amaral, como constam dos documentos, e que ficam em meu poder, sem descobrir impedimento algum canônico, em minha presença e das testemunhas, abaixo assinadas, os Capitães de Infantaria Pedro Tavares Romeiro, e Manoel da Silva Vieira, homens casados, e moradores nesta cidade, se casaram solenemente, em face da Igreja, com palavras de presente, João Cardoso Batalha, filho legítmo de Agostinho Cardoso Batalha, e de Thereza de Jesus, já defunta, natural e morador nesta cidade, e freguesia, e Anna Tavares Romeiro, filha natural do capitão Pedro Tavares Romeiro, e Luisa Maria, já defunta, natural da cidade de Olinda, e morador nesta dita cidade, e dei as Santas Bençãos na forma do rito cerimoniais da Santa Madre Igreja, do que logo fiz este assento, em que por verdade me assinei. Miguel Pinheiro Teixeira, Provigário do Rio Grande.

João Cardoso morreu velho, como podemos ver do seu óbito.
Aos quatro de abril do ano retro (1820) sepultou-se, nesta Capela de São Gonçalo, João Cardoso Batalha, com idade de noventa e seis anos, envolto em pano branco e encomendado pelo Administrador Manoel de Andrade, para constar fiz este termo e me assino. O Vigário Francisco Antonio Lumachi de Mello