terça-feira, 31 de maio de 2011

João Lostau Navarro e a petição de Francisco Lopes

Ruínas de Pium - casa forte de João Lostau
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG
Entre os ascendentes de famílias do Rio Grande do Norte, talvez, o mais antigo que se conhece e, que morava nesta Capitania, é João Lostau  Navarro. Recebeu várias sesmarias na nossa Capitania, sendo a primeira em 1 de março  de 1601, onde tinha um Porto de pescaria. Há quem diga que chegou aqui com Duarte Coelho, em 1534. Segundo nossos historiadores ele foi sogro de Joris Garstman, holandês que comandava o Forte dos Santos Reis Magos, na época da presença holandesa no Rio Grande do Norte, e de Manoel Rodrigues Pimentel, Escabino dessa mesma época.
Até o presente momento, não estou convencido que Joris Garstman casou com uma filha de João Lostau. Não vi nenhum documento que garantisse a veracidade dessa afirmação. Pela importância desse holandês, aqui no Rio Grande do Norte, algum registro na Holanda, no Brasil ou em Portugal deveria trazer informações desse casamento. Alguns historiadores dizem que ele mandou matar Jacob Rabe, por este ter assassinado seu sogro João Lostau. Segundo Hélio Galvão, Joris Garstman casou com Beatriz Lostau Casa Maior e são os pais de Teodósio de Grasciman e Isabel de Grasciman. Também não sei como Hélio Galvão obteve essa informação. Nos documentos relativos a Teodósio, que ele apresenta no seu livro História da Fortaleza da Barra do Rio Grande, não há nenhuma indicação dessa filiação, embora ele, Teodósio, afirmasse, em 10 de dezembro de 1708, que era morador nesta capitania com mulher e filhos há mais de quarenta anos. Afirmou, também, noutro documento ser casado com Paula Barbosa, filha do sargento-mor Francisco Lopes, neta de Manoel Rodrigues Pimentel e bisneta de João Lostau.
Com relação a outra filha de João Lostau, Maria Lostau Casa Maior, a documentação apresentada por Hélio é convincente, principalmente a escritura de dote, datada de 13 de abril de 1626,  para ela, que estava noiva de Manoel Rodrigues Pimentel.
Outro documento interessante, de conhecimento de muitos, está no livro das Sesmarias do Rio Grande do Norte. É nesse documento que encontramos uma petição do Sargento-mor Francisco Lopes, solicitando alvará de confirmação de terras que foram de João Lostau. José Augusto publicou na Revista do Instituto do Ceará um artigo intitulado Norte-rio-grandense de mais de trezentos anos, onde fala sobre dita petição.
O documento que se encontra no livro das Sesmarias do Rio Grande do Norte é uma cópia, onde faltam partes e há trechos ilegíveis. De qualquer forma pudemos extrair alguns trechos com informações significativas.
O sargento-mor Francisco Lopes, na petição citada acima, morador na Capitania do Rio Grande, afirma que é casado com uma filha legítima de Manoel Rodrigues Pimentel, e neta de João Lostau Navarro, o qual deixou a sua dita mulher, por ser única herdeira, todos os bens. Informa, também, na petição que o  dito João Lostau Navarro foi preso pelos flamengos e morto pelos tapuias. Disso resultaram perdas dos documentos de datas e sesmarias e de compras de terras, também, de seu sogro Manoel Rodrigues Pimentel. Por isso, ele estava solicitando esse alvará de confirmação para tomar posse das terras que pertenceram ao avô de sua mulher e ao seu sogro.  Pelo documento, se vê que ele era casado com Joanna Dornelles, em face da Igreja, filha de Manoel Rodrigues Pimentel e neta de João Lostau, morto pelos tapuias depois de sair da prisão.
 Um dos trechos que gera confusão é a afirmação que aparece na dita petição: Por ser herdeiro de João Lostau e Luiz de Mota (é o que parece escrito) e ser casado com uma neta do mesmo João Lustau Navarro. Para alguns seria Luiza da Mota esposa de João Lostau, para outros poderia ser a esposa de Manoel Rodrigues Pimentel. Entretanto, essa última versão não prospera, pois, como vimos antes, a filha de João Lostau que casou com Manoel Rodrigues Pimentel era Maria Lostau Casa Maior. Como era uma cópia há a possibilidade de ter sido feita uma transcrição errada e no lugar de Luiz de Mota ser outro nome.
Outro documento importante apresentado por Hélio Galvão é um testamento de Cipriano Lopes Pimentel, datado de 19 de dezembro de 1729. Nele Cipriano Lopes declara que é filho do sargento-mor Francisco Lopes e de sua mulher Joanna Dornelles. Apresenta sua esposa Dona Tereza da Silva, filha de Filipe da Silva e Joana Salema. Na sequência nomeia como seus filhos, da sua dita mulher: Lázaro Lopes Galvão, Sipriano Lopes Galvão, Jorge Lopes da Silva, Archangelo Lopes, Estevam Lopes, Manoel Lopes e Dona Luiza da Silva, casada com o sargento-mor Manoel Álvares Maciel. Esses Lopes Galvão encontramos, através dos registros da Igreja, espalhados por várias cidades do Rio Grande do Norte.
João Lostau, por sua importância, merece uma biografia mais extensa.

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