domingo, 3 de janeiro de 2016

Olyntho Lopes Galvão e os Lopes Galvão


Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

O meu blog tem trazido, para meu convívio virtual, pessoas que moram nos mais diversos lugares do país, e, até, de fora dele. Recebi recentemente um e-mail com solicitações genealógicas, onde constava o seguinte: Meu nome é Carlos Roberto Galvão Sobrinho, sou médico e historiador, moro nos Estados Unidos, mas sou brasileiro e filho de potiguares que imigraram para o RS nos anos 60.  O meu pai é de Natal, mas a sua família descende dos Lopes Galvão de Mossoró e Açu.  Estou engajado num projeto de reconstrução genealógica deste ramo da família e escrevendo um artigo sobre a sua contribuição para a história do RN.  Como estou nos EUA (e só ocasionalmente venho ao Brasil), tem sido naturalmente difícil me dedicar ao trabalho em tempo integral e fazer pesquisa arquival etc.  Ainda que tenha conseguido aos poucos levantar muitos dados,  há ainda várias lacunas no meu trabalho.  Enfim, escrevo para saber se teria alguma informação sobre os Lopes Galvão.

Em outro e-mail, ele escreveu: Se não for abusar da sua generosidade, gostaria de consultar mais uma vez a sua sabedoria sobre a matéria, mas desta vez sobre um período mais próximo.  Entre as lacunas que tenho na reconstrução da árvore genealógica paterna figura o parentesco entre os Lopes Galvão do Seridó e os Lopes Galvão de Mossoró; O meu bisavô paterno era Olinto (Olynto) Lopes Galvão de Mossoró.  Olinto nasceu em 1860, foi juiz suplente em Mossoró e intendente em Açú/Assu; casou-se com Cândida Miranda Fontes (descendente dos Miranda Henriques), minha bisavó. 

Aqui vão as minhas perguntas: 1.  Quem foi o pai de Olinto Lopes Galvão? Infelizmente a memória familiar se perdeu, ainda que tenha tios que se recordem do avô; 2. Qual o parentesco - se é que o há - entre Olinto Lopes Galvão e Romualdo Lopes Galvão (n. 1864), também de Mossoró, abolicionista, republicano, comerciante, presidente do Banco de Natal, governador, etc. etc.,  e contemporâneo de Olinto?  Romualdo era filho de João Lopes Galvão (n. 1839 em Mossoró) e irmão de Isabel Lopes Galvão (n.1873), que se casou com Sylvio Policiano de Miranda.  A minha família também não sabe com certeza se há ligação entre eles; 3. Qual a relação entre João Lopes Galvão, pai de Romualdo e Isabel, e os Lopes Galvão do Seridó?

Com os pedidos acima, resolvi buscar o que tenho nos meus arquivos sobre esses Lopes Galvão, que ainda não tinha explicitado em algum artigo. Embora, tenha informações sobre alguns deles, não foi possível encontrar o elo com o Cipriano Lopes Pimentel.

Os Lopes Galvão aparecem espalhados por vários lugares do Rio Grande do Norte. Aqui, vamos apresentar vários deles, que encontrei, através dos registros da Igreja. Inicialmente, lembramos um documento importante apresentado por Hélio Galvão, no seu livro sobre a Fortaleza da Barra do Rio Grande, o testamento de Cipriano Lopes Pimentel, datado de 19 de dezembro de 1729. Nele Cipriano declara que é filho do sargento-mor Francisco Lopes e de sua mulher Joanna Dornelles. Apresenta sua esposa Dona Tereza da Silva, filha de Filipe da Silva e Joana Salema. Na sequência nomeia como seus filhos e da sua dita mulher: Lázaro Lopes Galvão, Cipriano Lopes Galvão, Jorge Lopes da Silva, Archângelo Lopes, Estevam Lopes, Manoel Lopes e Dona Luiza da Silva, casada com o sargento-mor Manoel Álvares Maciel.

Esse Jorge, citado acima, é um deles, que encontramos o registro de casamento: Aos 15 de outubro de 1736, na Igreja de São Miguel da Missão de Guajirú, na presença do Reverendo Antonio Andrade de Araújo, Cura de Goianinha, e das testemunhas capitão Duarte Pinheiro Rocha, tenente Francisco Xavier Ribeiro, Maria Magdalena, esposa do sargento-mor Hilário de Castro Rocha, e Maria Gomes, se casaram Jorge Lopes Galvão, natural de Goianinha, filho legítimo do capitão Cipriano Lopes Pimentel e Thereza da Silva, com Francisca Xavier Figueira, filha do sargento-mor Francisco Rodrigues Coelho, falecido, e Joana Figueira. Manoel Corria Gomes, vigário, Antonio de Andrade de Araújo.

O Cipriano Lopes Galvão, também citado acima, é nomeado em um registro de batismo, onde sua esposa foi madrinha: Em 28 de setembro de 1756, era batizado, aqui na Matriz da Cidade do Natal, pelo padre Francisco de Albuquerque de Mello, Phelippa, filha do capitão Manoel Gomes da Silveira e sua mulher Luzia de Albuquerque de Mello, tendo como padrinhos Manoel de Oliveira Miranda e dona Adriana de Holanda de Vasconcelos, mulher do sargento-mor Cipriano Lopes Galvão, por seu bastante procurador Faustino da Silveira.

Encontramos, também, um registro de casamento de um neto de Cipriano e Adriana: No dia 22 de junho de 1800, na Capela de Nossa Senhora da Guia de Acari, dispensados do parentesco em que estavam ligados, em presença do reverendo padre Manoel Teixeira da Fonseca, de licença minha, e na presença das testemunhas capitão João de Albuquerque Maranhão e capitão Miguel Pinheiro Teixeira, se casaram João Lopes Galvão, filho legítimo do capitão-mor Cipriano Lopes Galvão e Vicência Lins de Vasconcellos, com Joana Francisca da Conceição, filha legítima de José de Freitas Leitão e Francisca Xavier, já defunta. Vigário José Antonio Caetano de Mesquita.

Essa Vicência Lins de Vasconcelos era filha dos meus hexavós, Francisco Cardoso dos Santos e Thereza Lins de Vasconcelos.

Nos registros de Touros, e na localidade de Caiçara, vamos encontrar, também, um Cipriano Lopes Galvão e um Francisco Lopes Galvão: Aos 20 de setembro de 1835, de licença minha, o Reverendo Frei José de Santo Alberto, da ordem dos Carmelitas, assistiu ao matrimônio de Francisco Lopes Galvão, filho legítimo de Cipriano Lopes Galvão e de sua mulher Anna Francisca, já falecida, com Felipa Maria da Conceição, filha legítima de João de Sousa Galvão e Silvana Maria da Conceição, na presença das testemunhas José Ignácio de Miranda e André de Sousa Miranda e Silva, moradores na Ilha de Manoel Gonçalves, onde se fez este sacramento. Felix Alves da Cruz, vigário por oposição.

Aos 10 de maio de 1838, na Capela de Guamaré, na presença do Reverendo David Martins Gomes, de minha licença, e das testemunhas Francisco José Soares, morador em Guamaré, e de Antonio Ferreira de Brito, desta Freguesia, se receberam em matrimonio, João Galvão Lopes, filho legítimo de Cipriano Lopes Galvão e Anna Francisca de Sousa, já falecida, com Maria Freire da Silva, filha legítima de João Freire da Silva e Gertrude Gomes da Rosa. Felix Alves da Cruz, vigário colado.

Aos 2 de setembro de 1842, na povoação de Caiçara, em desobriga, se receberam em matrimônio, Manoel Galvão Lopes de Sousa, filho de Cipriano Lopes Galvão e de sua mulher Anna Francisca de Sousa, já falecida, com Florinda Maria da Soledade, filha legítima de Luiz Correa Chaves, e de sua mulher Joanna Correia da Soledade, brancos, em minha presença, e das testemunhas Pedro José dos Santos, e João Francisco Cacho, moradores em Caiçara. Antonio Camelo Valcácer.

Aos 6 de setembro de 1842, no Sítio das Bicúdas, em desobriga, se receberam em matrimônio Alexandre Lopes de Sousa, filho legítimo de Cipriano Lopes Galvão, e de sua mulher Anna Francisca, já falecida, com Fausta Maria, filha legítima de Luiz Correia Chaves, e de sua mulher Joana Maria da Soledade, brancos, em minha presença, e das testemunhas José Bezerra da Costa e Francisco Ferreira da Costa, brancos, casados, Antonio Camelo Valcácer, vigário apresentado.

Nosso Cipriano, dos registros de Touros, casa novamente, depois de ficar viúvo: Aos três de agosto de 1844, na povoação de Caiçara, em desobriga, se receberam em matrimônio, Cipriano Lopes Galvão, viúvo que ficou de sua primeira mulher Ana Francisca de Sousa, com Francisca Freire da Silva, filha legítima de José Nunes de Oliveira, já falecido, e de sua mulher Izabel Correia de Brito, brancos, em minha presença e das testemunhas Jerônimo Freire de Queiroz e Vicente Ferreira de Brito. Vigário Antonio Camelo Valcacer.

Lá no Assú,  vamos encontrar outros Ciprianos: Aos treze dias do mês de novembro de 1823, pelas cinco horas da tarde, na Matriz de São João Batista do Assú, em presença do Padre Manoel Fernandes Pimenta da Silva, e das testemunhas abaixo nomeadas, se receberam por esposos presentes Cipriano Lopes da Rocha e Rosaura Maria, meus fregueses: O esposo de idade de 22 anos, filho natural de Ana Maria da Rocha, e natural da Freguesia do Seridó, donde apresentou seus papéis desembaraçados; a esposa de idade de 22 anos, moradores neste Assú, onde se fizeram as denunciações necessárias sem impedimento; a nubente viúva que ficou por falecimento de Antonio José de Albuquerque; e logo lhes deu as bençãos matrimoniais, sendo primeiramente confessados e examinados na doutrina cristã, presentes por testemunhas Antonio Caetano Monteiro e Antonio Barroso de Carvalho, casados. Joaquim José de Santa Ana, pároco do Assú.
Desse casal acima,  o registro de mais um nome repetido: Cipriano, filho legítimo de Cipriano Lopes Galvão, natural do Seridó, e Rosa (deve ser Rosaura) Maria da Conceição, natural do Assú, nasceu aos 4 de março de 1832, e foi batizada aos 8 de abril do dito ano, pelo Reverendo Vito Antônio de Freitas, de licença minha, na Capela de Santa Ana de Campo Grande, sendo padrinho o referido Reverendo Vito Antonio. José Joaquim de Santa Ana, vigário do Assú.
Outro filho do casal: Francisca, filha de Cipriano Lopes Galvão, lá do Seridó, e Rosaura Maria da Conceição, do Assú, nasceu aos 29 de janeiro de 1834 e foi batizada na Capela de Santa Ana de Campo Grande, aos 24 de fevereiro do mesmo ano, sendo padrinho Antonio Manoel Barroso, solteiro. Mais uma vez a presença de um Barroso, nessa família.

Em 1832, foi batizado José, filho de Felisberto Barroso de Carvalho e Francisca Maria, tendo como padrinho Cipriano Lopes Galvão.

Aos 30 de novembro de 1833, na Fazenda Adquinhon, em presença do Padre Vito Antonio de Freitas, de licença minha, se receberam por esposos presentes, Raimundo José de Sousa, de 24 anos, natural do Seridó, filho legítimo de Manoel Lopes Galvão e Ana Rosa Pereira, e Tereza Maria de Jesus, de 17 anos, natural do Assú, filha legítima de João Batista de Sousa e Tereza de Jesus Maria, sendo presentes por testemunhas Ignácio Francisco e Idalino de Alexandre Bezerra, casado. Joaquim Jose de Santa Ana, vigário do Assú.

Para os lados de São José e Papari, mais Lopes Galvão. Em 9 de fevereiro de 1836, na Matriz de Santa Ana da Vila de São José, o Reverendo Francisco Antonio de Souza e Silva, batizou Úrsula, branca, nascida aos 5 de janeiro do dito ano, filha de André Lopes Galvão e Senhorinha Mathildes Barbosa, moradores na Boca da Picada, sendo padrinhos Estevão Teixeira Brandão e sua mulher Antonia Clara, naturais e moradores na Freguesia de Papari.

Aos 13 de novembro de 1846, na Matriz de Nossa Senhora do O’ de Papari, em presença do Reverendo Gregório Ferreira Lustosa, vigário da cidade de São José de Mipibu, de licença minha, e na presença das testemunhas Bernardo de Castro Leitão e Francisco Xavier Carneiro, casados, se casaram Joaquim Lopes Guarim, branco, de 25 anos, natural do Assú, de onde veio de menor para a cidade de São José de Mipibu, filho legítimo de Francisco Lopes Galvão, falecido e Thereza Maria de Jesus, com Violante Rozalinda da Silva, branca, de 20 anos, natural de Brejo da Cruz, de onde veio criança para Papari, filha legítima de Francisco Xavier de Macedo, falecido e Catharina Barbosa da Silva, foram dispensados do 2º grau de afinidade ilícita, contraído pelo nubente, em que estavam ligados, Vigário José Manoel dos Santos Brígido.

Aos 26 de janeiro de 1847, na Matriz de Papari, na presença do major José de Araújo Costa e João Porfírio (ilegível), se casaram José Felippe Santiago Jr. natural de Natal, filho legítimo de José Felippe Santiago e Antonia Joaquina de Sousa Santiago, com Ana Joaquina do Sacramento, natural de Acari, filha de Bartholomeu Lopes Galvão e Francisca Alexandrina do Sacramento. José Manoel dos Santos Brígido.

Em março de 1859, no sítio Vista, o padre João Damasceno Xavier Dantas casava José Joaquim Torres Galvão, viúvo que ficou de Leocádia Guedes da Fonseca, com Michelina Guedes de Paiva, filha de Manoel Francisco de Paiva e Francisca Barbosa do Carmo.

Em 6 de fevereiro de 1883, em Ceará-mirim, presentes Ignácio Guedes e Joaquim Guedes, casavam Francisco Lopes Galvão, 32 anos, filho de José Joaquim Torres Galvão e Leocádia Joaquina da Fonseca, com Cândida Belarmina da Conceição, de menor, filha de Belarmino Lins de Vasconcelos e Maria Marculina Monteiro.

Essas informações poderão ser completadas por outras pessoas que descendem dessas ou que tenha tido acesso a outros registros. Infelizmente, não acessei ainda os registros da Igreja de Mossoró.
Sobre Olyntho, encontrei seu óbito no ano de 1930, aqui nos registros da Catedral. Dizia que ele tinha 63 anos e era oriundo de Goiana, Pernambuco, Quanto a Romualdo, que nasceu em Campo Grande, hoje Augusto Severo, encontrei, também, seu óbito, em 1927. Segundo esse registro, faleceu com 74 anos de idade e era filho de João Lopes Galvão.

Diz Carlos, que ele era filho de João Batista Galvão, e neto de José Olinto Galvão. Diz mais que este e mais Joaquim Fontes Galvão, Ercílio Fontes Galvão, Olyntho Lopes Galvão Filho eram filhos de  Olynto Lopes Galvão, e Dona Cândida de Miranda Fontes.

Volto aos registros para buscar algum registro sobre esses membros da família Fontes Galvão.
José Olinto Galvão, com 18 anos de idade, filho de Olintho Lopes Galvão e Cândida Fontes Galvão, casou na Catedral aos 31 de janeiro de 1931, com Maria da Conceição Santos, de 16 anos, filha de João Pedro dos Santos e Elvira Ephigenia Santos.na presença de Nestor dos Santos Lima e Rodrigo Affonso Cunha.

Em outro registro, encontro que Zélia Maria, branca, nascida aos 17 de agosto de 1940, era batizada na Catedral, sendo filha legítima de José Olinto Gomes, funcionário público, natural de Natal, e de sua esposa Dona Maria Conceição Santos Galvão, natural de Natal, neta paterna de Olinto Lopes Galvão e Cândida Fontes Galvão, e materna de João Pedro dos Santos e Efigenia dos Santos, sendo seus padrinhos Hercílio Galvão, casado, funcionário público e sua esposa D. Laura Gambarra Galvão.

João (Batista Galvão), filho legítimo de José Olinto Galvão e de Maria da Conceição Galvão, nasceu aos 3 de julho de 1936, e foi batizado na Catedral em 1 de agosto do mesmo ano, tendo como padrinhos Antonio Coelho e Thereza de Nazareth Santos Coelho.


Este artigo poderá ser reeditado, dependendo de novas informações encontradas.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O sargento-mor Francisco Nogueria

por João Felipe da Trindade
Inez Maria de Araújo casou com o sargento-mor Francisco Nogueira Castello Branco. Não houve sucessão. Na verdade, esse casamento foi no dia 24 de outubro de 1763, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, sendo celebrante o padre Miguel Pinheiro Teixeira, tendo como testemunhas, o capitão-mor Joaquim Felix de Lima, governador desta capitania, e o capitão José Teixeira da Silva. O nubente, natural da Freguesia de São Julião, da cidade de Lisboa, era filho de Daniel Lobo Castelo Branco e de Maria Izabel Lucas. Tinha vindo da Bahia, de menor idade, e era morador da Freguesia de São João Batista do Assú. Na data do casamento, os pais de Inez, Lourenço de Araújo Correia e Elena Duarte de Azevedo, já eram falecidos. No dia seis de dezembro de 1783, o sargento-mor Francisco Nogueira faleceu, na idade de 80 anos, pouco mais ou menos, tendo sido sepultado, no dia seguinte, na Arco do Cruzeiro da Matriz de Nossa Senhora da Apresentação. Por essa informação do óbito, ele deve ter casado com a idade de 60 anos.
Elena Duarte de Azevedo, sogra de Francisco Nogueira, era filha de Manoel Rodrigues Santiago e Catherina Duarte de Azevedo, neta, pela parte materna, de Manoel Duarte de Azevedo e Margarida Machado de Miranda. Esta Margarida era, segundo o genealogista Manoel Maurício, filha de Estevão Machado de Miranda, que por sua vez era genro de Antonio Vilela Cid, e  ambos mártires de Uruaçu.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Antonio de Barros Passos Junior e José Rebouças de Oliveira




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Em artigo anterior, vimos que Antonio de Barros Passo Junior, que foi batizado, na Igreja de Santo São Pedro, Pernambuco, aos trinta e um de abril de mil setecentos e trinta e três, veio para Extremoz, no ano de 1759. Neste artigo veremos os descendentes dele e o entrelaçamento com a família Rebouças de Oliveira.

Em uma certidão, do ano de 1790, do Escrivão da Fazenda Real, do Almoxarifado da Alfândega, e da Vedoria de matrícula de Gente de Guerra, Antonio José de Souza e Oliveira, desta cidade do Natal da capitania do Rio Grande, constava na Companhia de que foi capitão Pedro Tavares Romeiro, do Presídio, que Antonio de Barros Passos, soldado da companhia do sargento-mor do Regimento pago do Recife de Pernambuco, de que foi coronel João Souza de Lacerda, ter vindo, com carta de guia para esta capitania, por soldado Mestre de Escola dos  Índios de Extremoz do Norte, e na dita praça de soldado serviu de Mestre desde o dia vinte e dois de junho de mil setecentos e cinquenta e nove em que se apresentou nesta  vedoria por ordem do Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Luiz Diogo Lobo da Sylva, governador e capitão general de Pernambuco, que foi  desta capitania, até seis de abril de 1770, dia em que passou para Ajudante pago do Terço Auxiliar desta cidade, de que é Mestre de Campo, Francisco Machado de Oliveira Barros, e no ano de 1785, teve quatro meses, dois dias de licença notada, e no de 1789, em 19 de julho, do mesmo ano, saiu desta cidade para fazer revista aos corpos auxiliares de ordenanças do Sertão desta capitania, por portaria dos governadores interinos, em cumprimento de ordem do Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor D.  Thomaz José de Mello, Governador e capitão general de Pernambuco, Paraíba e mais capitanias anexas, e em 3 de novembro de dito ano se recolheu da dita diligência e na dita praça, de Ajudante tem servido até hoje sem mais verbos nem notas, em seus assentos e sem alguma coisa que possa servir de impedimento.

Vale a pena colocar aqui uma contestação contra a indicação de Antonio de Barros Passos Junior, que foi feita pelo Senado da Câmara: José da Costa Pereira, capitão e comandante da tropa paga da cidade do Natal, capitania do Rio Grande do Norte, do continente de Pernambuco, reclamou da indicação de Antonio de Barros Passos para o governo, nos termos seguintes: Pelo Alvará de sucessão de 12 de dezembro de 1770, foi servido sua Majestade de ordenar que falecendo os governadores desta capitania, fossem chamados para o governo interino dela o oficial de guerra de maior patente, o corregedor da Câmara, e o vereador mais velho do mesmo senado. E falecendo presentemente Caetano da Silva Sanches, governador desta capitania, o Senado desta cidade, ou por falta de inteligência, ou por motivos sinistros, contra o entender sempre praticado não só nesta capitania senão também nas vizinhas da Paraíba e Ceará Grande, me privou desta honra, chamando para o governo Antonio de Barros Passos, sargento-mor do Regimento Auxiliar de Cavalaria do Distrito de Cunhaú, distante desta Praça, vinte léguas.

Não sei se resultou alguma coisa dessa reclamação, pois segundo Câmara Cascudo, Antonio de Barros Passos Junior participou do governo interino, em 1800, 1801 e 1802.

 Antonio de Barros Passos Junior e sua esposa Bernardina de Assunção eram naturais de Pernambuco. Vejamos alguns registros dos filhos deles: Ana, filha legítima do Ajudante Antonio de Barros Passo, e de Dona Bernardina de Assunção, naturais do Recife, neta paterna do tenente Antonio de Barros Passos, natural de São Lourenço da Mata, e de Anna de Lima de Abreu, natural do Recife, materna de José da Costa, natural da Ilha de São Miguel, e de Mauricea da Assunção, natural do Recife, nasceu aos dezesseis de março do ano de mil setecentos e setenta e seis, e foi batizada com os santos óleos, nesta Matriz, de licença minha, pelo Padre Miguel Pinheiro Teixeira, aos dois de abril do dito ano, foi padrinho o tenente governador José Baptista Freire, do que mandei lançar este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.

Pantaleão, filho legitimo do Ajudante Antonio de Barros Passos, e de Bernardina de Assunção, naturais da Vila do Recife, neto por parte paterna do tenente Antonio de Barros Passos, natural da Freguesia de São Lourenço da Mata e de Anna de Lima de Abreu, da mesma Vila do Recife, e pela materna  de José da Costa, natural da Ilha de São Miguel e de Mauricia da Assunção, natural Recife, nasceu aos sete de maio do ano de mil setecentos e setenta e dois e foi batizado com os santos óleos de licença minha, nesta Matriz, pelo Padre Francisco Manoel Maciel aos oito de julho do dito ano, foi padrinho o cirurgião Francisco Paula Moreira e sua mulher Rita Maria, desta Freguesia, de que mandei lançar este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo. Vigário do Rio Grande. 

Dona Bernardina de Assunção faleceu no ano de 1795, com a idade de 59 anos de idade. Segundo Câmara Cascudo, Antonio de Barros Passos Junior voltou a casar, e foi com Ignácia Juliana, filha de Salvador Rebouças de Oliveira e Rosa Maria de Oliveira, aos 14 de outubro de 1800. Dessa segunda esposa, vieram os filhos Josefa, nascida a 23 de fevereiro de 1802; Francisca nascido a 9 e batizada a 20 de agosto de 1804. Esse casamento durou pouco tempo, pois, Ignácia Juliana ficou viúva, ainda em 1804, como podemos ver do registro a seguir: Aos dez de outubro de mil oitocentos e quatro faleceu da vida presente, nesta Freguesia, o sargento-mor de Cavalaria, Antonio de Barros Passos, natural de Pernambuco, com a idade de oitenta anos, pouco mais ou menos (na verdade ele deveria ter cerca de 70 anos), casado com D. Ignácia Juliana, tendo recebido o sacramento da penitência e unção, foi sepultado na Igreja de Santo Antonio dos Soldados, envolto na sua farda, depois de ser encomendado pelo Reverendo Vigário de Extremoz, de licença minha, comigo e mais sacerdotes desta Freguesia. E para constar fiz este termo que assino. Feliciano José Dornelles, Vigário Colado. 

Um dos filhos de Antonio de Barros Passos Junior, que não encontrei o batismo, era, também, militar e tinha o mesmo nome dele. Encontrei apenas registro de uma neta: Aos 23 de novembro de 1839, nesta Matriz, batizei, solenemente, a Josefina, branca, nascida a 4 de março do mesmo ano, filha do tenente Antonio de Barros Passos e sua mulher Dona Gertrudes Thereza de Barros. Foram padrinhos Estevão José de Carvalho e Thereza Joaquina de Jesus por procuração que apresentaram Francisco Felipe da Fonseca Pinto, casado, e sua filha Anna da Fonseca Pinto, solteira, moradores nesta cidade, e para constar mandei fazer este assento em que assinei. Alexandre Ferreira Nobre, Vigário Encomendado.

Um amigo fez a seguinte correção, após esta publicação, sobre Antonio e Gertrudes: Casados aos 08 de janeiro de 1824 em Natal. Ele filho de José Rebouças de Oliveira e de Antonia Joaquina de Barros (Filha de Antonio de Barros Passos Junior), e ela de João Cavalcante Bezerra e de Maria Madalena de Jesus.

Em setembro de 1862, faleceu Dona Gertrudes Thereza de Barros, branca, casada com o tenente Antonio de Barros Passo; 5 anos depois, aos dezoito de novembro de 1867, faleceu repentinamente, o tenente Antonio de Barros Passos, branco e viúvo, seu marido.

Antonio de Barros Passos Junior, além de ser sogro José Rebouças de Oliveira tornou-se genro de Salvador Rebouças de Oliveira, como podemos ver dos registros a seguir.

Francisco, filho legítimo do alferes José Rebouças de Oliveira, natural desta Freguesia, e de Antonia Joaquina de Abreu, natural da Vila de Extremoz, neto paterno alferes Salvador Rebouças de Oliveira, natural de Mossoró, e de Rosa de Oliveira, natural desta Freguesia, neto materno do sargento-mor Antonio de Barros Passos, e de Dona Bernardina de Assunção, naturais da Vila de Santo Antonio do Recife, nasceu aos 8 de novembro de mil setecentos e noventa e quatro, e foi batizado com os santos óleos, pelo Reverendo Vigário Coadjutor desta Freguesia, Doutor Pantaleão da Costa de Araujo, nesta Matriz aos dezessete do dito mês e ano; foram padrinhos o sargento-mor Antonio de Barros Passos, e sua mulher Bernardina de Assunção, por seu procurador, o cabo de esquadra Luis Soares, casado, do que por verdade fiz este assento em que assinei. Ignácio Pinto de Almeida Castro. Vigário Encomendado do Rio Grande.

Aos seis de dezembro de 1797, na Igreja de Santo Antonio do Potengi, o Padre José Gonçalves de licença minha, batizou e pôs os santos óleos, a inocente Izabel, filha legítima de José Rebouças e D. Antonia de Barros, neta paterna de Salvador Rebouças e Rosa Maria, e materna do sargento-mor Antonio de Barros Passos e D. Bernardina de Assunção; foram padrinhos Salvador Rebouças e Úrsula Leite, do que para constar mandei fazer este assento em que me assino. Feliciano José Dornelles. Vigário Colado.

Aos trinta dias do mês de setembro de mil oitocentos e três, batizou, de licença minha, e logo lhe deu os santos óleos, na capela de Santo Antonio, o Reverendo Coadjutor Francisco Alves de Mello, a Bernardina, filha do tenente José Rebouças de Oliveira, natural desta Freguesia, e de sua mulher Antonia Joaquina, natural de Extremoz, com vinte dias de nascida, foram padrinhos por procuração, o sargento-mor Antonio de Barros Passos e Bernardina, solteira, filha; e para constar mandei fazer este assento em que me assino. Feliciano José Dornelles, Vigário Colado.

Aos vinte de abril de mil oitocentos e cinco, era batizado na capela de Santo Antonio, Francisco, filho do Alferes José Rebouças de Oliveira e de Antonia Joaquina, sendo padrinhos Antonio da Rocha Bezerra e sua mulher Antonia Izanobre.

Em dezoito de agosto de 1817, na capela de São Gonçalo do Potengi, Manoel Antonio de Oliveira, filho de Joaquim José de Oliveira e Maria Antonia de Oliveira, falecida, casou, com dispensa de 3º grau de sanguinidade, com Antonia Joaquina de Oliveira, filha do capitão José Rebouças de Oliveira e Antonia Joaquina de Barros, falecida, presentes Gaspar Rebouças e Luis Gomes da Silva.

Em três de março de 1821, na Matriz, Antonio de Pádua Silva, filho de Luiz Antonio da Silva e Ignácia Áuria do Coração de Jesus, natural da Ilha Terceira, cidade de Angra, casou com Izabel Maria de Oliveira, filha do capitão José Rebouças de Oliveira e Antonia Joaquina, falecida.

Em doze de novembro de 1829, na capela de São Gonçalo, Antonio Barreto Carvalho, filho de José Ignácio de Morais e Maria de Morais, casou, com Bernardina Rita da Conceição, filha do capitão José Rebouças de Oliveira e Antonia Joaquina de Barros, falecida, com dispensa de 2º grau, por cópula ilícita.

Aos quatro de maio de 1826, na capela de São Gonçalo do Potengi, Joaquim José da Câmara, filho de Joaquim da Câmara e Maria Antonia, casou com Maria Ignácia, filha do capitão José Rebouças de Oliveira e Antonia Joaquina, sendo dispensados do 3º grau de consanguinidade.

Aos quatro do mês de julho de 1809, faleceu da vida presente, nesta Freguesia, D Ana (?) Antonia Joaquina, branca, com a idade de 50 anos, tendo recebido o sacramento da penitência, somente, casada com o alferes José Rebouças de Oliveira, foi sepultada na capela de Santo Antonio do Potengi, envolta em mortalha de pano branco, depois de ser encomendada pelo coadjutor Simão Judas Thadeu, de minha licença, Feliciano José Dornelles. Neste registro, o nome de Dona Antonia é precedido do nome Ana.

José Rebouças de Oliveira, filho do tenente José Rebouças de Oliveira e Mariana Antonia de Oliveira, falecida, casou em casa de morada do capitão José do Rego Bezerra, com Joanna Francisca de Paula Rego, filha do capitão José do Rego Bezerra e Antonia Úrsula de Mello, sendo testemunhas Francisco Antonio de Barros Passos e o alferes Matheus Carvalho de Vasconcelos Monteiro.

Em 15 de janeiro de 1859, em oratório privado, casou José Rebouças de Oliveira Câmara, natural de São Gonçalo com Rita Gomes da Silva. Não constava os nomes dos pais dos nubentes

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Antônio de Barros Passos, Diretor dos Índios da Vila de Extremoz


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG

Pelo Facebook, Manoel de Freitas Filho me interpela querendo saber quem eram os avós de Anna Joaquina de Barros, que foi casada com o alferes José Rebouças de Oliveira. Dizia que ela era filha de Antonio de Barros Passos e de Ana de Lima Abreu.

Fui até as imagens que tinha fotografado na Cúria Metropolitana e no IHGRN. Fiquei confuso, pois, encontrei dois Antonio Passos Barros, e algumas imagens de difícil leitura. Precisei ordenar minhas informações, para evitar informações contraditórias. É importante salientar que até os documentos primários dão informações equivocadas, não sendo garantia total da verdade. Mas vamos ver as informações que reuni.

Em primeiro lugar, vejamos o batismo que encontrei no projeto Ultramar, Antônio de Barros Passos Junior  conforme uma certidão de Antônio Jácome Bezerra, Vigário Colado na Paroquial Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, da Vila do Recife de Pernambuco: Certifico que vendo os livros dos assentos dos batizados desta Freguesia, no livro primeiro, as folhas cento e oitenta da parte de Santo Antonio, achei o assento de teor seguinte: Aos trinta e um de abril de mil setecentos  e trinta e três, batizou, de minha licença, o Reverendo Padre Felipe Ribeiro de Brito, nesta Igreja do Santo São Pedro a Antonio, filho de Antonio de Barros Passos, e de sua mulher Ana de Lima (de Abreu), moradores nesta Freguesia, e lhe pôs os Santos Óleos, e foram padrinhos Domingos de Barros, morador na Freguesia de São Lourenço e Josefa Maria, filha de Mathias (?) Luis de Brito, morador nesta Freguesia. Felis Machado Ferreira, Padre Felippe Ribeiro de Brito, e não continha mais o dito assento, a que me reporto, e afirmo em fé de Pároco, do que mandei passar a presente em que me assino. Recife, 27 de setembro de 1803. O Vigário Antonio Jácome Bezerra.

Tanto pai como filho, ambos militares, vieram de Pernambuco para o Rio Grande do Norte, na mesma data: o pai era sargento e veio para Diretor dos Índios da Vila de Extremoz, o filho era soldado e veio como Mestre de Escola dos Índios da Vila de Extremoz, no ano de 1759. Aqui, Antonio de Barros Passos gerou outros filhos, mas sua esposa não era mais Anna, mas sim Luzia de Abreu e Lima, talvez irmã da primeira. Vejamos alguns assentos das irmãs de Antonio de Barros Passos Junior, que nasceram aqui na nossa capitania.

Inocência, filha legítima do tenente Antonio de Barros Passos, natural da Freguesia de São Lourenço da Mata, e de Dona Luzia de Abreu Lima, natural de Santo Antonio do Recife, neta por parte paterna de Domingos de Barros e de Ângela Vieira de Passos, da Freguesia de São Lourenço da Mata, e pela materna de Domingos Grades de Abreu, natural de Lisboa, e de Dona Caetana de Abreu e Lima, natural do Recife, nasceu aos vinte e oito de dezembro do ano de mil e setecentos e setenta e dois, e foi batizada com os santos óleos, de licença minha, pelo Padre Miguel Pinheiro Teixeira, aos quatro de janeiro do ano de 1773, fui eu padrinho, e madrinha Dona Caetana de Abreu e Lima, por procuração que mandou de Pernambuco, onde é moradora. Do que mandei lançar este assento em que me assino. Pantaleão da Costa de Araújo.

Águida, filha do tenente da Fortaleza, Antonio de Barros Passos, natural da Freguesia de São Lourenço da Mata, e de Dona Luzia de Abreu Lima, natural do Recife, Freguesia de São Pedro Gonçalves, neta por parte paterna de Domingos Barros, e de Ângela Vieira dos Passos, naturais da mesma Freguesia de São Lourenço, e pela materna de Domingos Grades de Abreu, natural de Lisboa, e de Dona Caetana de Abreu Lima, natural do Recife, nasceu aos cinco dias do mês de fevereiro do ano de mil setecentos e setenta e cinco, e foi batizada com os santos óleos nesta Matriz, de licença minha, pelo Padre Coadjutor Bonifácio da Rocha Vieira, aos cinco de março do dito ano; foi padrinho o Doutor Provedor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, casado, do que mandei fazer este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo.

Rita, filha legítima do tenente Antonio de Barros Passos, e de Dona Luzia de Abreu e Lima, foi batizada na Matriz desta cidade, de licença minha, pelo Reverendo Vigário da Vila de Extremoz, Valentim de Medeiros de Vasconcelos, com os santos óleos, neta por parte paterna de Domingos de Barros e de Ângela Vieira, naturais de São Lourenço da Mata, e pela materna  de Domingos Grades de Abreu, e de Dona Caetana de Abreu e Lima, ele natural de Lisboa, e ela natural de Pernambuco; foram padrinhos o licenciado José Ignácio de Brito, e Anna Joaquina Noberta, ambos solteiros e moradores nesta Freguesia, e não se continha mais nada neste assento em que mandei lançar e me assino. Francisco de Sales Nunes, Vigário Encomendado do Rio Grande (ano 1782). Neste registro havia uma troca das naturalidades dos pais de Luzia, com relação aos registros anteriores, além de não conter a data de batismo.

Há uma distância grande entre o nascimento do filho Antonio de Barros Passos Junior e esses que nasceram aqui no Rio Grande. Encontra outra filha de Antonio e Luisa, através de um registro de casamento: Em 10 de setembro de 1783, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Teodósio Luiz da Costa Moreira, filho de José Antonio Moreira e Marta da Costa, da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Vila de Santa Cruz do Aracati, casou com Maria da Apresentação, filha do tenente Antonio de Barros Passos e Luiza de Abreu e Lima, natural de Extremoz.

Em um assentamento de praça, com anotações quase ilegíveis, fora da parte central, consta que Antonio de Barros Passo, sargento da Companhia do tenente-coronel do Regimento de Infantaria paga do Regimento de que é coronel João Lobo de Lacerda, veio por Diretor dos Índios da Vila de Extremoz do Norte, chamada antigamente Guajirú, sentou em 22 de junho de 1759. Passou este sargento para tenente da Barra desta Cidade por patente do Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Conde de Pavolide, governador e capitão-general de Pernambuco, Paraíba e nas capitanias anexas, e fica em praça sentado no livro 3 de matricula do capitão Manoel da Silva Vieira. Consta, ainda, na lateral do assento, que faleceu aos 29 de maio de 1795, tendo se habilitado Dona Luzia, até seu falecimento. Não encontrei, ainda, o óbito de Dona Luzia.

Vejamos mais detalhes da concessão da patente de tenente a ele concedida. No ano de 1769, o Conde de Pavolide, governador e capitão geral de Pernambuco, Paraíba e das capitanias anexas, D. José da Cunha (Grã) Athaíde (e Mello), nomeava Antonio de Barros Passos, na vaga por falecimento de Thomaz Pinheiro, como tenente da Fortaleza dos Santos Reis Magos da Barra da cidade do Natal. Nas considerações que fez para conceder a referida patente constava que o nomeado tinha servido sua majestade durante 31 anos, 10 meses e sete dias, no Regimento de Infantaria paga da Guarnição da Praça do Recife, em praça de soldado, cabo de esquadra, sargento supra e de número, sem nota alguma em seus assentos que lhe servisse de impedimento, indo no dito tempo destacado, uma vez para o presídio do Rio Grande do Norte, duas vezes para o da capitania de Itamaracá, três para o da Ilha de Fernando de Noronha e outra três vezes para o da Fronteira de Itamaracá, procedendo sempre com procedimento, limpeza de mãos, zelo do Real serviço, préstimo, atividade em obediência aos seus superiores, dando inteira conta de tudo, o que lhe foi encarregado do mesmo Real serviço, procedendo igualmente no emprego que lhe foi destinado e escolhido pelo governador Luis Diogo Lobo da Sylva, em 15 de junho de 1753 (na verdade 1759), para Diretor dos Índios, da nova Vila de Extremoz, ereta na capitania do Rio Grande do Norte, de onde ainda se conserva, fazendo com seu desvelo, prudência e cuidado a (ilegível) civilizar os seus habitadores e aumentar a cultura dela, de sorte que me consta da boa economia a que se tem reduzido.

No próximo artigo, escreveremos sobre Antônio de Barros Passos Junior, este sim, sogro de José Rebouças de Oliveira.

domingo, 15 de novembro de 2015

Bartholomeu Nabo Correa e Domingos Paes Botão




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
 Professor da UFRN, sócio efetivo do IHGRN e do INRG
No dia 5 de outubro de 2015, o advogado Kennedy Diógenes lançou o romance Matryoshka. É a saga de seu ascendente, Domingos Paes Botão, patriarca da família Diógenes, que se inicia no século XVII e retorna, neste século, com um jornalista Gian Micetti, encarnação de Diógenes, filho do dito Paes Botão.
Como Domingos Paes Botão esteve um tempo no Rio Grande do Norte, tendo aqui nascido um dos seus filhos,  resolvemos fazer este artigo para contribuir com dados encontrados em arquivos antigos da nossa capitania. É importante informar que com o extravio de muitos documentos do passado, a  história e genealogia do nosso povo está repleta de vazios, que são preenchidos por lendas e informações orais. Ao longo do tempo, muitas dessas informações ou lendas foram se transformando e algumas vezes se afastando da verdade. Por isso, todo documento que possa ajudar a corrigir equívocos deve ser disponibilizados para todos. Juntos, podemos refazer a História deste país com mais fidedignidade.
Com a saída dos holandeses do Brasil, quem veio tomar conta do nosso Rio Grande foi Antonio Fernandes Furna. Posteriormente, Antonio Vaz Gondim, ocupou por três vezes o cargo de capitão-mor desta Capitania. Já em 1659 recomeçou a concessão de sesmarias. Aqui, Vaz Gondim deixou vasta descendência, além de trazer para cá parentes e amigos. Um deles foi Theodósio da Rocha, natural do Rio São Francisco, Vila do Penedo, possivelmente, seu genro.
Segundo a tradição oral, Domingos Paes Botão veio para o Nordeste com outros companheiros, na missão conhecida por “Homens de São Francisco”, comandada pelo capitão Bartholomeu Correa Nabo, entre 1683 e 1686. Segundo consta no romance Matryoshka, lá em Penedo, o comandante fez uma chamada para outorgas das datas de sesmarias destinadas a cada oficial: João Alves Feitosa e Francisco Alves Feitosa: região dos Icós; Estevão Velho de Moura: região de Aquiraz; João da Fonseca Ferreira e Antonio da Fonseca Ferreira: região de Piancó e Sítio Cascavel; Domingos Paes Botão: região de Santa Rosa e Sítio Cascavel. Vejamos informações de alguns desses personagens.
Nos livros das Sesmarias do Ceará, encontramos que Domingos Paes Botão e João da Fonseca Ferreira, moradores no Ceará Grande, receberam terras em Cascavel, em 1694; o capitão João da Fonseca Ferreira e Antonio da Fonseca Ferreira receberam no Rio Salgado, terras no ano de 1704; o capitão João da Fonseca Ferreira recebeu terras em 1706, no Rio Salgado que deságua no Rio Jaguaribe, que há anos vinha povoando com casas e currais, havendo a informação de que na sua petição constava que o suplicante disse ser ereo nas datas dos Homens do Rio São Francisco, no Rio Jaguaribe;
Estevão Velho de Moura, que aparece na relação acima, recebeu, junto com Manoel da Costa Barros, confirmação de data em maio de 1683, no Rio Pacoty, por ele acima. Foi concedida no Rio Grande, no ano de 1681, e confirmada no Ceará. Isto é Estevão já era sesmeiro, pelo menos, desde 1681. Ele e sua mulher Anna da Costa forma padrinhos, em 1705 de Custódia, filha de Manoel Tavares Guerreiro, e de Rosa Maria, filha de Roque da Costa Gomes. Em 1711, foi padrinho de Maria, filha de João Malheiros.
Salientamos que, já em 1680, o capitão-mor Geraldo de Suny concedeu ao capitão Domingos Martins Pereira, ao capitão Bartholomeu Nabo Correia, ao alferes Gonçalo Peres de Gusmão, ao ajudante Manoel Nogueira Ferreira, ao capitão Luiz Braz Bezerra, ao capitão Luiz Antunes de Faria, ao alferes João Ferreira Nogueira, Balthazar Nogueira, Antonia de Freitas e Manoel Rodrigues Rocha, cinquenta léguas de terras no Rio das Piranhas e cinquenta léguas no Rio Guaxinim. No texto da concessão o Provedor informa que, no Rio Guaxinim, há quatro anos, tinha o capitão-mor Antonio Vaz Gondim dado duas datas, uma a Manoel Afonso Fragoso e a sete companheiros e outra ao capitão Theodósio da Rocha e seis companheiros, mas que não foram povoadas e nem cultivadas. Detalhe importante é que em 1682, esses sesmeiros receberam terras nos Rios Panema e Jaguaribe, e Ituhum, registradas na Bahia, mas tiveram que renunciar as terras anteriores dadas no ano 1680.
Sobre Bartholomeu Correa Nabo, há quem acredite na existência de dois com o mesmo nome. Entretanto, não vi justificativa para essa crença. Sei que um dos seus filhos era homem, mas não descobri seu nome.
Bartholomeu Nabo Correa que foi nomeado capitão de infantaria da Bahia, em 1668, e sua mulher D. Luisa (Bixarxe) e filhas D. Vitória da Encarnação e Dona Maria da Conceição e, mais outros, no total de 36, receberam alvará de confirmação em novembro de 1691, no Rio Jaguaribe, capitania do Ceará. Tinha sido concedida em janeiro desse mesmo ano. Vitória da Encarnação e Maria da Conceição eram irmãs Clarissas, tendo a primeira falecido em 1715. Já Bartholomeu Nabo era falecido no ano de 1698. Algumas informações que se repetem sobre Nabo, vem de escritos sobre sua filha famosa, Madre Vitória da Encarnação.
Pelos documentos que estudamos, nos parece que por algum motivo não identificado, até agora, a família Paes Botão e Fonseca Ferreira, se estabeleceu aqui, na nossa capitania, entre o final do século XVII e começo do século XVIII.
Vejamos algumas informações sobre Domingos Paes Botão, começando com o batismo de um filho dele, aqui no nosso Rio Grande: Em 20 de abril de 1698, na Capela de São Gonçalo do Potengi, batizou o padre Francisco Bezerra de Góis a Diógenes, filho de Domingos Paes Botão e de sua mulher Maria da Fonseca. Foram padrinhos o capitão João da Fonseca (talvez João da Fonseca Ferreira) e Bernarda da Fonseca filha da viúva Izabel Ferreira. Assinado pelo vigário Simão Rodrigues de Sá. Por este registro, Domingos vivia por aqui nesse final do século XVII.
Um registro do começo do século XVIII dá notícia da presença de uma enteada de Domingos Paes Botão, o que leva-nos a acreditar que ele foi casado, primeiramente,  com uma viúva, que já tinha essa filha: Em 4 de julho de 1703, na Capela do Senhor Santo Antonio do Potengi, com licença minha, o Padre Francisco Bezerra de Góis, batizou a João, filho de Antonio de Amorim e sua mulher Perpétua de Barros. Foram padrinhos o mesmo padre Francisco Bezerra de Góis e Isabel de Heça, enteada de Domingos Paes Botão.
Mais adiante vamos encontrar Genoveva, filha de Domingos Paes Botão, presente ainda neste Rio Grande: Em 16 de julho de 1705 anos, nesta Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, batizei a Damiana, filha de Isadora, crioula, escrava da viúva Mariana da Costa. Foram padrinhos Manoel Ferreira e sua sobrinha Genoveva, filha de Domingos Paes Botão. Tem os santos óleos, Simão Rodrigues de Sá.
O tio de Genoveva devia ser irmão da esposa de Domingos. Talvez, seu nome completo fosse Manoel Ferreira Fonseca ou da Fonseca Ferreira. Ele deve ser o filho de Augustinho da Fonseca, que aparece no assentamento, mais adiante. No ano seguinte os dois tio e sobrinha aparecem, novamente, sendo padrinhos de outra filha de Isidória, escrava de Marianna da Costa: Em 21 de julho do ano de 1706, na Capela do Senhor Santo Antonio do Potengi, batizou o Padre Francisco de Bezerra Góis, a Luisa, filha de Isidória, crioula, escrava da viúva Marianna da Costa. Foram padrinhos Manoel Ferreira e sua sobrinha Genoveva Ferreira Fonseca. Simão Rodrigues de Sá.
Nas informações encontradas, em alguns autores, sobre Domingos, consta que sua esposa, Maria Fonseca Ferreira, era irmã de Antonio da Fonseca Ferreira e João da Fonseca Ferreira.
Encontramos registros de praça, aqui do Rio Grande, de dois filhos de Agostinho Fonseca, onde os assentados parecem ser parentes desses acima. Observamos que os sobrenomes aparecem invertidos, fato comum em algumas famílias da antiguidade.
Antonio da Fonseca Ferreira, filho de Augostinho da Fonseca, natural do Rio São Francisco, de idade de vinte e três anos, de boa estatura, cheio de corpo, cabelo e olhos negros, pouca barba, cor trigueira, é soldado desta companhia desde 5 de janeiro de 1699; Manoel Ferreira da Fonseca, filho de Augostinho da Fonseca, natural do Rio de São Francisco, de idade de vinte e cinco anos, cabelo e olhos negros, alto de estatura e seco de corpo, pouca barba, cor pálido, é soldado desta companhia desde 5 de janeiro de 1699. Ambos os documentos assinados por Manoel Gonçalves Branco, tendo sido dado baixa em 1703.
Antonio e Manoel, desconfio que eram os irmãos do capitão João da Fonseca Ferreira, cunhado de Domingos Paes Botão.
As informações acima podem ajudar o jornalista Gian Micetti, na sua tarefa de reconstituir a história da família Diógenes.

Antonio da Fonseca Ferreira