![]() |
| José Georgino Alves de Sousa Avelino (nascido em 1886 e não em 1888) |
quinta-feira, 8 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
Nós o esquecemos, o Rei não
Nós o esquecemos, o Rei não
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Manoel de Abreu Soares não aparece na relação dos capitães-mores de Vicente de Lemos, e essa omissão se repete nos demais livros de nossos autores. A segunda nomeação de Antonio Vaz Gondim para capitão-mor do Rio Grande contém o seguinte trecho: E com igual procedimento se haver no governo da capitania do Rio Grande em que assistiu por mais de seis anos, procedendo a contento daqueles moradores, fazendo muitas obras necessárias para conservação daquela praça e fortaleza dos Reis Magos. Daí, Lemos deduziu que Vaz Gondim foi nomeado em 1656, e, por isso, foi o primeiro capitão-mor depois da saída dos holandeses. O documento de nomeação de Antonio Vaz Gondim, possivelmente contém um erro, relativamente ao tempo que ele foi pela primeira vez capitão-mor, pois nessa data o nomeado foi outro.
Manoel de Abreu Soares nasceu nesta Capitania do Rio Grande. Seu pai, Jerônimo da Cunha, recebeu três sesmarias, sendo duas em 1605 e outra em 1610, as duas primeiras pelo Pitimbú, no caminho de Cajupiranga, e a terceira pelo Rio Potengi. Os nossos livros dão destaque a sua participação na Guerra dos Bárbaros, nomeado que foi como capitão-mor de toda a infantaria de soldados, pretos e índios, em 1688. Mas, antes disso tudo, teve uma participação heroica nos combates contra os holandeses e, foi nomeado capitão-mor da Capitania do Rio Grande, no ano de 1656, pouco tempo depois da saída dos holandeses. Foi, também, capitão-mor de Sergipe d' El Rei. Dois documentos fazem referência à passagem dele como capitão-mor da Capitania do Rio Grande: um Alvará expedido pelo Rei de Portugal em 1681, e a nomeação como capitão-mor de Infantaria dos soldados, pretos e índios, em 1688. Vejamos o documento de 1681.
Eu, O Príncipe como Regente, e Governador dos Reinos de Portugal, e Algarves: faço saber aos que este meu Alvará virem, que tendo respeito aos serviços, que Manoel de Abreu Soares, filho de Hierônimo da Cunha, e natural da Capitania do Rio Grande, me fez nas guerras do Brasil, em praça de soldado, cabo de esquadra, sargento, alferes, ajudante, capitão de Infantaria, e capitão-mor do Rio Grande, por espaço de vinte e um anos, dez meses, e três dias, desde o primeiro de agosto de seiscentos e trinta e oito, até dez de fevereiro de seiscentos e sessenta e um = e neste tempo se achar em Pernambuco na entrada que se fez pela campanha do inimigo, no encontro do Engenho de Santo André; na peleja que se travou com o Conde de Nassau a vista de Porto Calvo, e mais encontros que com ele houve, na Campanha, passando a nado o Rio São Francisco, e em tudo fazer sua obrigação a que também acudiu no socorro com que o Mestre de Campo Luiz Barbalho Bezerra veio do Rio Una a Bahia. Tornando a Pernambuco, no ano de seiscentos e quarenta e cinco, se achar, outrossim, nos assaltos que se deram aos Holandeses, e Índios na Freguesia de São Lourenço; em várias ocasiões de peleja, em que o inimigo recebeu muita perda, saindo ferido de uma pelourada na perna esquerda; na que sucedeu na fronteira da Força dos Afogados, e Cinco Pontas, indo reconhecer o posto com trabalho, e risco; e assim mais nas marchas das Capitanias do Norte, e sucessos dela.
Por ordem que se lhe deu ir ao Rio São Francisco a conduzir gado para Infantaria; na primeira batalha dos Guararapes assinalar entre os mais; e assistindo por Cabo de cinco Companhias no posto de Salinas, fronteira ao Recife, ter alguns encontros com os inimigos; socorrer por vezes ao Governador Henrique Dias na marcha que fez a Paratibe; e nas jornadas da campanha da Paraíba. Na segunda batalha dos Guararapes obrar com valor, e ser ferido com uma bala por um ombro; no assalto que se deu ao inimigo com a sua Companhia, e outra à sua ordem, em Cunhaú; nas emboscadas do Paço de Barreta, e peleja que travou com os Holandeses, ser ferido de uma pelourada; e nos mais que houve, marchas que se fizeram, e sítios que se puseram ao Forte de Salinas, Casa do Rego, e Forte de Altená, até se recuperarem as Fortalezas do Recife, procedendo de modo, que lhe deram dois escudos de vantagem. Passando depois à Capitania do Rio Grande, marchar quarenta léguas pelo Sertão em seguimento dos Tapuias. E sendo provido no posto de capitão-mor da mesma Capitania no ano de seiscentos, e cinquenta e seis, proceder como muito devia.
Em satisfação de tudo, e de atualmente estar servindo com cuidado e zelo, de capitão-mor de Sergipe, em que tem despedido muito de sua fazenda. Hei por bem de lhe fazer mercê (além de outra que pelos mesmos respeitos lhe fiz) deste Alvará de Ofício de Justiça, ou Fazenda, para filha ou filho. E este se cumprirá inteiramente como nele se conclui, sem dúvida alguma, e valerá, como Carta sem embargos de ordenação do Lº 2º ttº 40, em contrário. E se passou por duas vias, uma só haverá efeito, e pagou de novo direito vinte réis que se carregarão ao Tesoureiro Hieronimo da Nóbrega de Azevedo a folhas quatrocentos e quatorze. André Serrão de Carvalho o fez em Lisboa, a vinte e dois de julho de seiscentos e oitenta e um. O secretário André Lopes de Souza o que escreveu.
Assim, pelo visto acima, nossos livros devem incluir na relação dos nossos capitães-mores, o potiguar Manoel de Abreu Soares.
Esse Alvará foi usado, somente em 1729, pelo seu filho, alferes Pascoal Gomes de Lima, assunto que vamos tratar em outro artigo.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Oligarquia, anarquia, ditadura
Recebi de Francisco Augusto, cópia de uma Conferência de J. da Penha. Pela referência, que ele me mandou, consegui o original do Jornal do Ceará, digitalizado através do Projeto Resgate da Memória Hemorográfica Brasileira. Fiz uma transcrição que posto neste blog, pela importância do documento.
Oligarchia, anarchia, dictadura
Conferencia de J. da Penha, realizada no Pavilhão Internacional - RJ
E se maior não é o pasmo que nos alcança, é que muito grande, por via de regra, é o desconhecimento aqui da vida estadual. Alberto Maranhão, por exemplo, já não encobre suas trapaças administrativas. Tem o desassombro dos temperamentos improbidosos. Trapaceia às escancaras.
Outrora, para comprar, depois de governador, por conta do Estado, a casa em que residia, simulou a venda a um dos seus testas de ferro e só alguns meses depois fechado era o negócio, a seu contento.
(Vantajoso é bem de compreender, para todo o mundo, menos para ele Alberto inconcebivelmente honesto nas suas transações, apostolicamente desambicioso em toda a sua vida, trombeteiam os seus assalariados de imprensa).
Hoje, não. Alforriou-se de vez desses constrangimentos. Negocia às claras: trafica ao meio dia em ponto, alardeia o seu desassombro governamental e gaba-se de não ser tolo...
Isso quanto a negócios bem se compreende.
O ano passado contraiu na Europa um empréstimo de cinco mil contos ao tipo de 69, noticiou o Jornal do Comércio daqui.
Os juros foram os mais exorbitantes do mundo. As gorjetas para os intermediários foram elevadíssimas e o prazo de cinquenta anos. Em suma: o Estado venturoso do Rio Grande do Norte recebeu três mil e tantos contos de réis, vai pagar fatalmente perto de dez mil e sobrecarregou o seu orçamento, que era de mil e duzentos contos, com os pesadíssimos ônus desse empréstimo tão malbaratado.
Alberto reemprestou-o quase todo aos seus queridos parentes e com eles então contratou uns tantos melhoramentos duvidosos para o Natal dos Pobres, relativamente, alguns desses felizardos ofereceram como garantia, o seu parentesco rendoso e a indiferença do povo por esses arranjos ilícitos.
Não contente de tamanhas desenvolturas, Alberto comprou a si próprio e aos seus cunhados, por cem vezes mais do que devia, terrenos tão valorizados que até nunca tiveram dono. E impossível ser mais impudente de que esse governador traficante.
O pretexto de escolas agrícolas e outros disfarces com que esse despejado governador enxovalha a sua função e ludibria o povo complacente, foi o que veio a lume.
E esse mesmo povo, talvez porque de tempos remotíssimos o venham flagelando os vendavais das secas dolorosas em que se lhes depaupera as crenças e as energias, ou porque de fato, pelas suas qualidades ingênuas mereça a canga deste opróbrio — esse povo suporta sem indícios palpitantes do desagravo, a que tem direito, a ignomínia de tanto despudor, o cativeiro desmoralizante de usurpadores tão acanalhados.
O palácio, até pouco tempo, era uma como feira política. Em vez das autoridades, dos funcionários, dos amigos, Alberto só congregava em torno de seu balcão, os agentes de compras e os corretores seus associados. Era, como bem lhe chamou alguém, se a profecia não falha, o último representante político da cigana de Nazareth.
Dos Machados, essa outra superfetação que afeia, infecciona e degrada os órgãos essenciais da Republica na Paraíba do Norte, eu não quero tirar o gosto de escapela-los com sua mestria ao dr. Coelho Lisboa.
Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Goiás e Piauí, rastejam todos pelo mesmo nível de decadência, maculando-se com a tisna das mesmas imoralidades, atascando-se no lodo profundo das mesmas corrupções.
As diferenças locais não invalidam esta sentença, nem prevalecem para atenuar-lhe o merecido rigor. Os exames em Maceió, não envergonhariam os de Natal, por exemplo.
Por toda parte a mesma desfaçatez na desonestidade impunida, a mesma artificialidade na política exploradora, a mesma prevaricação na magistratura das oligarquias. O mesmo desbragamento no ataque aos oposicionistas inermes, os mesmos congressos de nulos e de servis e para tributar o povo, sem direitos, sem liberdades, céptico e de esperanças amortalhadas, se o honrado concidadão que hoje governa a Republica, imitasse — o que não ha de suceder — os seus antecessores estigmatizados, carcomidos pela execração.
Porque o sr. Bulhões, ou porque os seus companheiros quase todos sem a consciência do que deva ser política republicana, estômagos incontentáveis, monarquistas descrentes, uns discípulos de Verres, outros de Barras, — a obra prima da corrupção, como lhe chamou Bonaparte, hão de perenizar-se nos galarins de um poder, que não é somente ilegítimo, senão também nefasto ao princípio da ordem e as necessidades do progresso?
As oligarquias devem morrer. E hão de morrer, meus concidadãos. Não falta muito. Conservá-las, seria o mais inepto, sobre ser o mais perigoso do todos os nossos crimes.
E ao que se vê, nem será possível a ninguém, por mais que envide todas as suas forças, ampará-las muitos anos, ou perpetuá-las na história...
Não se pereniza nas sociedades senão o que é natural e se ajusta aos interesses comuns, seja como tendência, ou seja como produto do espírito da coletividade em progresso, em busca do seu bem estar, guiando para a verdade e a justiça.
Não há, nem houve jamais razão para desesperar-nos das forças limitativas do tempo, nem das energias recuperadas da Federação Brasileira, mutilada, agora nos seus direitos, cerceada na sua influência. onerada nas suas dívidas, abalada nos seus destinos, apoucada na sua reputação enquanto frondescer a árvore maldita, que agasalha a descendência dos falsificadores da Constituição de 24 Fevereiro.
Para desarraigá-lo do solo constitucionalizando a Republica, abatida intercadentemente, como todas as suas irmãs da América do Sul, por delírios de indisciplina e alucinação de revoltas, há de surgir, na ocasião mais propícia, um milagroso poder, seja qual for. E esse poder que todos pressentimos sem desalentos que nos desviem ou sofreguidões, que nos decepcionem, ou há de ser a força centrípeta do Catete, a honestidade perseverante do Chefe do Executivo ou o braço vingador e irresistível da própria multidão. E que sempre esta foi capaz de resgatar pelo heroísmo, os erros da pusilanimidade, os excessos da sua condescendência, verdade é que ninguém ignora.
Das oligarquias para a anarquia não levamos nós dilatados séculos de ânsias, de dúvidas, nem de aviltamentos; ao contrário, já estamos na segunda; esperamos pouco para vencer o caminho.
J. da Penha (Jornal do Ceará. Ano VIII. Nº 1382. 07.08.1911)
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Antigos Batismos, velhas capelas
Antigos batismos, velhas capelas
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
As nossas capelas são mais velhas do que indicam as datas em seus frontispícios. Muitas dessas datas foram colocadas após alguma reforma, além do que todas as ditas capelas e igrejas foram reconstruídas, pois muitas delas eram de taipa. Hoje vamos dar notícias aqui de alguns batismos do início do século XVIII, em algumas dessas capelas ou igrejas, e conhecer os nossos moradores daquela época.
Durante a Guerra dos Bárbaros, muitas pessoas vieram para cá, algumas delas de São Paulo para compor o Terço Paulista. Entre elas José Porrate de Morais Castro e seus primos, os irmãos Manuel Álvares de Morais Navarro e José de Morais Navarro. José Porrate aqui casou, em 1707, na Capela de Santo Antonio com Dona Margarida da Rocha, filha do capitão Theodósio da Rocha e Dona Antonia de Oliveira. Em 3 de junho de 1713, na Capela de Santo Antonio da Ribeira do Potegi, o Vigário Simão Rodrigues de Sá batizou a Sebastiana, filha do capitão José Porrate de Morais Castro e de sua mulher Dona Margarida da Rocha. Foi padrinho o sargento-mor Joseph de Morais Navarro.
Alguns nomes de pessoas são mais antigos do que pensamos, como podemos observar no batismo seguinte. Em 29 de janeiro de 1713, na Igreja de São Miguel do Guajirú, de licença do Padre Simão Rodrigues de Sá, batizou o Reverendo Padre Superior Pedro Taborda a Fabiana, filha de Manuel Álvares e de sua mulher Andreza Gonçalves. Foram padrinhos o capitão Bento Fernandes e Izabel Gonçalves, filha de Ignácio Gonçalves.
Alguns nomes se repetem com frequência nas descendências de algumas famílias, o que pode causar muitos equívocos, se não forem observadas corretamente as datas dos eventos. Genealogia sem data é um perigo. Em 5 de dezembro de 1712 na Capela do Senhor Santo Antonio da Ribeira do Potegi, o Padre Simão Rodrigues de Sá batizou a João, filho do capitão Manoel Correa Pestana e de sua mulher Joanna de Freitas (da Fonseca). Foram padrinhos o Alferes Felis de Souza e Domingas da Fonseca, mulher do capitão João da Costa de Almeida. Esse que foi batizado era, também, João da Costa de Almeida que casou em 1739 com Catherina de Oliveira e Mello, filha natural do sargento-mor Gregório de Oliveira e Mello e Luiza de Freitas Palhano.
Uma presença constante nos documentos mais antigos desta capitania é de Estevão Velho de Mello, natural de Igarassú. Em 19 de abril de 1713, na Capela de Jundiaí, de licença do Vigário Simão Rodrigues de Sá, o Padre Pedro Fernandes batizou a Manoel Antonio, filho de Estevão Velho de Mello e de sua mulher Joanna Ferreira de Mello. Foram padrinhos o capitão Domingos de Morais Navarro e Maria Magdanella, filha do coronel Gonçalo da Costa Faleiros. Esse que foi batizado era Manoel Antonio Pimentel de Mello que casou com Anna Maria da Conceição, filha de Francisco Pinheiro Teixeira e Maria Conceição de Barros. Bonifácia Antonia de Mello, irmã de Manoel Antonio, casou com Francisco Pinheiro Teixeira (segundo do nome), irmão de Anna Maria. Francisco Pinheiro e Bonifácia geraram Antonia Teixeira, que gerou, com Manoel Pinto de Casto, ao nosso frei Miguelinho.
Um dos filhos de Theodósio da Rocha tinha o mesmo nome do que foi capitão-mor da nossa Província, Antonio Vaz Gondim. Em 14 de junho de 1713, na Capela do Senhor São Gonçalo do Potigi, de licença do Padre Simão Rodrigues de Sá, o Padre João Fernandes Barbosa batizou a Marcelina, filha de Antonia do Livramento, mulher solteira, e de Antonio Vaz Gondim. Foram padrinhos o sargento-mor Manuel de Abreu Friellas e sua filha Dona Marcelina de Abreu Soares.
Sebastião Pimentel foi presidente da nossa Província. Um dos seus filhos era o alferes Alberto Pimentel que casou, em 1694, com Dona Francisca Tavares de Mello, filha do Francisco de Oliveira Banhos e Antonia Tavares de Mello. Em 29 de junho de 1713, na Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, o Padre Simão Rodrigues de Sá, batizou a Pedro, filho do alferes Alberto Pimentel e de sua mulher Francisca de Oliveira (o nome muda a cada registro). Foram padrinhos Pedro Ferreira de Mello e o coronel Manoel Gomes Torres.
Em 29 de junho de 1713, na Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, de licença do Padre Simão Rodrigues de Sá, batizou o Padre Bernardo de Farias Freire, a Luzia, filha de Manoel da Silva Queiroz e de sua mulher Maria da Silva Freire. Foram padrinhos Manoel Rodrigues Taborda e Francisca de Oliveira, mulher do alferes Alberto Pimentel. Há um outro Manoel da Silva Queiroz, filho de Francisco Fernandes de Carvalho e Maria Gomes da Silva, que talvez seja neto desse mais antigo. Gaspar Freire de Carvalho, que casou com Clara Martins de Macedo, era filho do coronel Manoel da Silva Queiroz e Maria da Silva Freire.
Em 15 de abril de 1713, na Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, de licença do Padre Simão Rodrigues de Sá, batizou o Padre Manoel Pinheiro Teixeira a Joseph, filho de Francisco Pinheiro Teixeira e de sua mulher Maria da Conceição (Barros). Foram padrinhos o Procurador da Fazenda Real, capitão-mor José Barbosa Leal e Dona Domingas de Mello, mulher do alferes Francisco Barbosa da Costa. José Barbosa Leal, depois de ter passado por Angola, Luanda e ter servido por mais de 22 anos ao Reino de Portugal, foi nomeado, em 1696, por Bernardo Vieira de Mello, Comissário Geral de Cavalaria da Capitania do Rio Grande.
Como em muitas histórias genealógicas, chegaram de Arrifana de Sousa, Bispado do Porto, Portugal, três irmãos: Padre Manoel Pinheiro Teixeira, Francisco Pinheiro Teixeira e José Pinheiro Teixeira.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
O Fogo de Pedra de Abelhas (I)
Recebi mais uma colaboração de Marcos Pinto
O "FOGO DE PEDRA DE ABELHAS". (I).
Marcos Pinto
A primeira denominação toponímica do atual município de Felipe Guerra-RN foi "PEDRA D'ABELHAS", que deriva do fato histórico de que existia, e ainda existe, um enorme bloco calcário com um buraco em sua estrutura, que ao longo de remoto tempo tem servido como espécie de colméia natural, proporcionando a situação de grandes enxames de abelhas nativas da região. Esta pedra está situada na encarpa da serra do Apodi, ao lado da estrada que dá acesso ao sítio "Brejo de Felipe Guerra", antigo "Brejo do Apodi". Até o ano de 1948 esta estrada constituía o caminho de todos os viajantes e comboeiros que demandavam da região do Oeste e Alto Oeste no rumo de Mossoró. Daí que a antiga cidade denominada de "Pedra de Abelhas" surgiu como núcleo estradeiro.
Com exceção da família GURGEL DO AMARAL, oriunda de Aracati-CE, todas as famílias do município de Felipe Guerra tem origem na fértil "Várzea do Apodi", cujas terras de aluvião tem sido a força motriz do progresso e do desenvolvimento do Vale e do município do Apodi. Para adentrar no assunto que dá título à este despretensioso artigo, há que se ressaltar que, desde o dia em que houve o rompimento político entre as famílias PINTO e GURGEL, ocorrido no dia 02 de Dezembro de 1897, entre os patriarcas Coronel ANTONIO FERREIRA PINTO e Coronel FRANCISCO GURGEL DE OLIVEIRA (Bisavô materno de Laire Rosado),nasceu uma predisposição político/ belicosa entre o povo de "Pedra de Abelhas" e os Apodienses. Neste dia, o Cel. FERREIRA PINTO fez veemente protesto perante os seus pares, na tribuna da Assembléia Legislativa potiguar (Investido no primeiro mandato de Deputado Estadual) contra a injustificada atitude de rompimento político do Coronel GURGEL com o Dr. Pedro Velho, responsável pela instalação do regime republicano no RN em 1889. Ocorre que o patriarca da família GURGEL em "Pedra D'Abelhas" - O Capitão TIBÚRCIO VALERIANO GURGEL DO AMARAL (Natural do Aracatí-CE),era tio materno do Coronel Francisco Gurgel de Oliveira (Coronel Gurgel) e, como tal, apoiou a tomada de decisão política do sobrinho. Tibúrcio era o pai de TILON GURGEL DO AMARAL. A partir daí, nasceu o espírito de rivalidades recíprocas entre os Apodienses e os "Pedrenses de Abelhas", cuja rixa perdurou até o ano de 1963,(18.09.1963) quando o então Distrito de "Pedra de ABelhas" foi elevado ao predicamento de cidade e município, com o nome de FELIPE GUERRA, em homenagem a um cunhado de Tilon Gurgel. Felipe Guerra era casado com uma irmã de Tilon Gurgel. Faço a observação de que o Dr. Felipe Guerra não trouxe nenhum benefício para a comuna de "Pedra de Abelhas", para tutelar a razão de ter o seu nome como patrono toponímico do novel município.
Apesar de liames familiares existentes entre os Coronéis FERREIRA PINTO e GURGEL - o primeiro tinha a avó paterna como irmã do pai do segundo, ou seja, dona JOAQUINA MARIANA DE JESUS era irmã do Tenente-Coronel Antonio Francisco de Oliveira - pai do Coronel Francisco Gurgel de Oliveira (Coronel Gurgel), a indisposição política foi se acirrando entre essas duas famílias tradicionais. No ano de 1913 houve uma ligeira trégua, com os casamentos de dois componentes da família PINTO com duas moças da família GURGEL: Dr. Vicente Ferreira Pinto, Promotor Público, filho do Coronel FERREIRA PINTO, com a Srita FILOMENA GURGEL, irmã de Tilon Gurgel , e o agropecuarista FRANCISCO DIÓGENES FILHO (Sêo Diógenes - pai de Zé Diógenes) casou com CAETANA GURGEL FILHA (Dona Caetaninha) também irmã de Tilon Gurgel. Sêo Diógenes era sobrinho materno do Dr. Vicente Pinto. Em 1919 reacendeu a intriga familiar e política entre estas famílias, originada no fato de que dois componentes da família PINTO abriram dissidência política - Os Srs. SEBASTIÃO PAULO FERREIRA PINTO e seu primo JOÃO DE DEUS FERREIRA PINTO, que se aliaram à cerrada oposição à família PINTO, liderada por Tilon Gurgel. A partir deste ano de 1919 o município de Apodi e seu povo passou a ser teatro de correrias e tropelias protagonizadas por jagunços componentes da milícia particular comandada por DÉCIO HOLANDA, cearense do Pereiro, onde em 1927 "acoitou" o bandido Lampião e seu bando, na sua fazenda de nome "Bálsamo". Neste mesmo ano de 1913, o Coronel FRANCISCO FERREIRA PINTO casou com sua prima MARIA SALOMÉ DIÓGENES PINTO (Irmã de Sêo Diógenes), que fora adotada em criança pelo Coronel JOÃO JÁZIMO DE OLIVEIRA PINTO e esposa ISABEL SABINA DE OLIVEIRA FILHA (Bebela de João Jázimo). Aquí, cabe fazer uma explicação de cunho genealógico: João Jázimo casou com uma parente e enteada do seu genitor. Bebela era irmã de Francisco Diógenes Paes Botão, que casou com Antonia (Toinha - Filha do Coronel Ferreira Pinto e de Claudina Pinto) e foram pais de Salomé Pinto e Sêo Diógenes. Salomé era, ao mesmo tempo, sobrinha materna de seus pais adotivos João Jázimo e sobrinha materna da mulher de João Jázimo - no caso Bebela. Sêo Diógenes passou por uma situação de extremo vexame em 02 de Maio de 1934, quando o Coronel Francisco Pinto foi assassinado em Apodi, tendo como mandante o seu cunhado Tilon Gurgel, mancomunado com o não menos truculento Luiz Leite. Sêo Diógenes era, ao mesmo tempo, cunhado do Coronel Francisco Pinto (Casado com sua irmã Salomé) e de Tilon Gurgel (irmão de sua esposa Caetaninha).
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Nossa Atlântida, por Edgar Barbosa
Nossa Atlântida
Macau nasceu do mar revolto e se estendeu por terra, com o seu povo de salineiros e de pescadores, ouvindo e aprendendo o marulho bravio das ondas. O destino quis que ela tivesse um nome evocativo das longas e aventurosas viagens aos portos do longínquo Oriente. Um nome que se pronuncia imaginando iates, gôndolas, falúas, barcos de velas brancas, gemendo cantigas de gajeiros e arfando nas enseadas de países distantes.
Mas, no burburinho de tantas sugestões românticas que esse nome desperta, ninguém conseguiu fazer ressurgir do abismo em que se afogou, a ilha de Manoel Gonçalves, a nossa perdida Atlântida, que ainda não encontrou o seu Platão.
A Ilha de Manoel Gonçalves, tal como nos parece na imaginação sempre disposta a iludir-se e a sonhar, não foi nenhuma dessas cidades contra as quais a ira oceânica se desmandou implacavelmente. Era uma feliz aldeia de pescadores sem vícios nem crimes que chamassem a si o castigo dos elementos. O mar, em luta com a terra, enrolava parceis e recifes, arrastando-os no dorso das vagas. A humilde ilhota de pescadores, no meio do tremendo campo de batalha, assistia inquieta às escaramuças que arrancavam pedaços do seu solo. E enfim, um dia, apenas viçou sobre a imensidão oceânica o pugilo derradeiro de terra, pedestal de uma cruz que abria os braços, clamando e perdoando. Os habitantes fugidos da ilha condenada e moradores da margem direita do rio foram em procissão de ladainhas e preces, buscar o cruzeiro que o oceano havia respeitado. E em Macau os seus primitivos povoadores continuaram a amar e venerar os velhos santos, as queridas imagens e a cruz que abençoara a agonia da ilha perdida.
Foi assim que morreu, há muitas dezenas de anos, a ilha de Manoel Gonçalves, afogada no delta indomável do Rio Piranhas. Mas, do amarfanhado lençol marinho que a sepulta ela por vezes aparece, como uma Vitória Régia, numa ressurreição. As suas ruínas, as pedras das suas casas, os tijolos das suas calçadas onde tantos meninos brincaram e correram, cantando e sorrindo para o mar, ainda afloram aos olhos supersticiosos dos pescadores, pelas noites de lua.
A Ilha de Manoel Gonçalves morreu para que a cidade de Macau nascesse. Nenhuma semente de terra dessas milhares que Deus semeou pelo mar teve um destino tão lindo. Macau surgiu, cresceu para o oceano revolto, transformou a água invasora em pirâmides de sal que cintilam como um diadema de imperatriz. E já agora não é mais possível trocar por nenhum ouro do mundo toda a pobre existência ignorada da ilha que morreu do mal de ser feliz.
EDGAR BARBOSA
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
A escolha do capitão-mor do Rio Grande
A escolha do capitão-mor do Rio Grande
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
Transcrevo para este artigo o manuscrito que faz parte do Projeto Resgate, constante do Centro de Memória Digital da UNB. Ele trata da escolha do capitão-mor do Rio Grande, no ano de 1739. Vejamos o que escreveu o Conselho Ultramarino
Por se achar em termos de se prover o posto de capitão-mor do Rio Grande se puseram editais por tempo de vinte dias para que todas as pessoas que o quisessem pretender apresentassem seus papéis correntes em poder do Secretário do Conselho, dentro do dito termo os ofereceram.
Francisco Xavier de Miranda Henriques moço fidalgo da casa de Vossa Majestade consta haver servido a Vossa Majestade neste Reino e na Praça de Marzagão por espaço de dezoito anos, onze meses e vinte e nove dias continuados de vinte e um de junho de mil setecentos e dezenove, até quatro de julho de mil setecentos e trinta e oito, em praça de soldado de Cavalo no Regimento de que foi coronel-brigadeiro, o marquês de Marialva, sem nota alguma, e passando no ano de mil setecentos e trinta e três voluntário a continuar o serviço à Praça de Marzagão sentar nela praça de soldado do Infante, e passar a cavaleiro acobertado com armas, e cavalos às suas custas e outra vez soldado infante com exercício de capitão de infantaria por patente do governador que foi da dita Praça João Jacques Magalhães, e no decurso do referido tempo se achar em várias ocasiões de combates que se tiveram com os mouros acompanhando ao Aldail com valor e assistindo as suas obrigações com muita pontualidade e obediência. Em setecentos e trinta e quatro se achar em uma escaramuça que houve com os mouros sendo dos primeiros cavaleiros que os acometeram e indo socorrer um cavaleiro que caiu, e se achar em evidente perigo de vida pelo cercar grande multidão de infiéis. Em setecentos e trinta e cinco se achar em vários choques que com os mesmos se teve obrando sempre em grande esforço. Em setecentos e trinta e seis achando-se um barco ancorado para dento do Cabo de Azamor mandar o governador que então era daquela Praça Bernardo Pereira Berredo dois (ou doze) barcos armados em guerra e em um deles o suplicante para que este fosse buscar, e, com efeito, saindo de noite executar esta diligencia com tão bom sucesso que pela manhã o trouxe rendido para a praça com vinte e oito homens, uma boa carga de fazendas, obrando em tudo com grande valor e distinção.
Caetano de Mendonça, cavaleiro fidalgo da casa de Vossa Majestade por fé de oficio, certidões e mais papéis que apresentou, consta haver servido a Vossa Majestade nas capitanias de Pernambuco, Rio Grande e na Cavalaria desta corte por espaço de doze anos, dois meses e oito dias, com interpolação e continuados de quatorze de janeiro de mil setecentos e vinte e dois ate vinte e sete de abril de mil setecentos e trinta e três em praça de soldado Infante, ajudante supra de um dos terços volantes dos moços solteiros, por patente do governador, que então era da dita capitania de Pernambuco, Manoel Rolim de Moura, ajudante também supra da capitania do Rio grande do terço paulista em que foi por Vossa Majestade Reformado, e ultimamente vindo para esta corte continuar o serviço em praça de soldado de cavalo do Regimento de Cascais, no decurso do referido tempo fazer sempre a sua obrigação entrando e saindo de guarda e dando pronta execução às repetidas diligências que lhe foram encarregadas pelos seus oficiais maiores, assim em marchas, como em prisões de criminosos que lhe foram cometidas, ensinando com muito cuidado e destreza aos soldados os exercícios militares, e havendo-se sempre com grande zelo, e na ocasião do levante dos terços de Pernambuco, assistir no Presídio do Arraial do Rio Grande, havendo-se sempre com grande obediência a seus oficiais maiores.
Rafael Ribeiro Pereira, cavaleiro professo da ordem de Cristo que consta haver servido a Vossa Majestade no militar até o posto de capitão-tenente da Fortaleza de São Sebastião do Rio de Janeiro, como no de Alferes em uma campanha da nobreza auxiliar da mesma praça em cujas ocupações se houve com grande zelo do Real Serviço, e nestas cidades por nomeação que lhe fizeram serviu de tesoureiro geral do (ilegível) pelos dinheiros dado a risco, e juro e de todo cabedal que recebeu fez entrega no tesouro, sem ter de todo este trabalho ordenado algum nem conveniência mais que a de servir a Vossa Majestade como tudo consta dos documentos os quais ofereceu.
E sendo visto os serviços referidos, parece ao Conselho propor em primeiro lugar a Francisco Xavier de Miranda Henriques; em segundo lugar a Caetano de Mendonça; e em terceiro lugar a Rafael Ribeiro Pereira. Lisboa ocidental, treze de fevereiro de mil setecentos e trinta e nove. Alexandre Metello de Souza e Menezes, Thomé Gomes Moreira, Manoel Caetano Lopes de Lavre, Joseph Ignácio de Arouche, Manoel Fernandes Vargas e Joseph Carvalho de Abreu.
Francisco Xavier de Miranda Henriques foi nomeado capitão-mor do Rio Grande por tempo de três anos. Na verdade, ele permaneceu como capitão-mor até 1751. No Ceará foi capitão-mor de 1755 até 1759. Em 1761 assumiu o governo da Paraíba, que deixou em 1764.
Francisco Xavier de Miranda Henriques foi suspenso em 1748, por quatro meses, conforme se observa de uma petição feita pelo procurador Antonio de Miranda Henriques, seu irmão.
Sobre os Dantas Corrrea
Sobre os Correa Dantas
Os documentos aqui apresentados foram enviados por Helder Macedo, em PDF. Ele, posteriormente, enviou em Word. Fiz uma transcrição para o Word, eliminando algumas abreviaturas e corrigindo algumas palavras. Pela importância do assunto para a nossa Genealogia posto neste blog.
Cada um dos documentos apresentados foi tirado do endereço abaixo:
Arquivo Nacional da Torre do Tombo – PT/TT/TSO-CG/A/008-001/1515
Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitação, Antonio, Mc.203m doc.3025
Diligência sobre a geração, vida e costumes do capitão Antonio Dantas Correa Góes, natural da Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba, e morador na dos Patos, tudo do Bispado de Pernambuco: casado com Dona Josefa Francisca de Araújo ( 1801-1804).
Casamento de José Dantas Corrêa com Tereza de Gois de Vasconcelos
Certifico que revendo os livros dos assentos de casamentos desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba do Norte em um deles as folhas setenta e seis verso achei o assento do teor seguinte: Aos vinte e dois de novembro de mil setecentos e quarenta e cinco, com licença do Senhor Bispo na Igreja de Nossa Senhora das Neves, digo do Carmo da Paraíba na presença do Padre Frei Luiz de São Jerônimo e das testemunhas o Governador Antonio Borges da Fonseca, e o Juiz Ordinário Manoel Martins Grangeiro, se receberam por palavras de presente na forma que dispensa o Sagrado Concílio Tridentino, o capitão-mor José Dantas Correa, filho legitimo do Alferes José Dantas Correa e de sua mulher Izabel da Rocha Meireles, natural desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves, e morador na Freguesia do Piancó, com Dona Thereza de Góis de Vasconcellos, filha do coronel Lourenço de Góis de Vasconcellos e da sua mulher Dona Maria de Araújo de Vasconcellos, natural e moradora desta Cidade da Paraíba, e receberam as bênçãos nupciais; do que mandei fazer este assento que assinei para constar. O Vigário Antonio da Sylva Mello. E não se continha mais em dito assento que bem e fielmente trasladei do próprio e que tudo afirmo aos Santos Evangelhos. Paraíba, 20 de outubro de 1802. José Elias de Carvalho, Prior.
Batizado de José Dantas Correa, o 2º
Certifico que revendo os livros dos batizados desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba do Norte, em um deles as folhas sessenta e quatro verso achei o assento do teor seguinte: em primeiro de abril de mil setecentos e oito com licença do Muito Vigário na Capela de Nossa Senhora do Desterro batizou o Padre Custódio de Oliveira Pereira, a José filho de José Dantas Correa e de sua mulher Izabel Rocha; foram padrinhos o capitão Domingos de Siqueira da Sylva, e sua mulher Maria das Neves. Não tomou os Santos Óleos, do que fiz este assento dia, e era ut supra. Antonio Dias Monteiro, coadjutor. E não se continha mais em dito assento que bem e fielmente trasladei do próprio ao qual me reporto e tudo afirmo aos Santos Evangelhos. Paraíba, 20 de outubro de 1802. José Elias de Carvalho, Prior.
Batizado de Lourenço de Góis e Vasconcellos
Certifico que revendo os livros dos assentos dos batismos dos livros desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba do Norte não consta do assento do avô do suplicante, coronel Lourenço de Góis, por ser antigo, mas me consta ser o batizado (....) temente a Deus e de bons costumes o que tudo afirmo aos Santos Evangelhos. Paraíba, 20 de dezembro de 1802. José Elias de Carvalho, Prior.
Batizado de José Dantas Correa,o 1º
Certifico que revendo os livros dos assentos dos batismos desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba do Norte, não consta do assento de José Dantas, avô paterno do suplicante, nem achar pessoa alguma que me desse notícia dos nomes dos seus pais, por donde pudesse procurar o dito assento por serem muitos antigos e já terem mais de cem anos, pois seu filho José Dantas, tem noventa e quatro anos como consta do seu batismo e tudo afirmo aos Santos Evangelhos e do mesmo livro de batismos as folhas 64, verso. Paraíba, 20 de outubro de 1802. José Elias de Carvalho, Prior.
Batizado de Antonio Dantas Correa de Góis
Manoel Antonio Rocha, Professo na Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício e Vigário Encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba, por Sua Excelência Reverendíssima, Certifico, que revendo os livros de batismos desta Freguesia, em um deles a pagina 91, achei o assento, de que faz menção a petição, do teor seguinte. Aos vinte, e oito dias do mês de outubro de mil setecentos e cinquenta, nesta Matriz de Nossa Senhora das Neves da Paraíba, de licença minha, o Reverendo Padre Manoel de Carvalho batizou e pôs os Santos Óleos ao inocente Antonio, filho do sargento-mor José Dantas, e de sua mulher D. Thereza de Goes: foram padrinhos o coronel Lourenço de Goes de Vasconcellos e sua filha D. Maria de Goes, solteira: do que mandei fazer este assento que assinei = Antonio Soares de Barboza, Vigário. E não se continha mais em dito assento, eu bem, e fielmente copiei do original, a que me refiro e vai sem a siza, que duvida faça. Cidade da Paraíba, 4 de maio de 1807. Manoel Antonio da Rocha, Vigário Encomendado da Paraíba.
Batizado de Tereza de Góis de Vasconcellos
Manoel Antonio da Rocha, Professo na Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício e Vigário Encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba por Sua Excelência e Reverendíssima que Deus Guarde, Certifico que revendo os livros dos batismos desta Freguesia, em um deles a página 58, achei o assento do teor seguinte. Aos vinte, e sete dias do mês de maio de mil setecentos e vinte e sete, com minha licença, na Capela de Santos Cosme e Damião, batizou sem os santos óleos, pelos não haver, o Reverendo Padre Antonio Rodrigues Frazão a inocente Thereza, filha do coronel Lourenço de Goes de Vasconcellos, e de sua mulher D. Maria de Arahujo: foram padrinhos o sargento-mor Simão de Goes de Vasconcellos, e Dona Joanna de Souza Coitinho: de que fiz este assento que assinei para constar. O Vigário Antonio da Sylva Mello. E não se continha mais em dito assento, eu bem, e fielmente copiei do próprio, a que me reporto. Cidade da Paraíba, 4 de maio de 1807.
Batizado de José Dantas Correa, o 1º
Manoel Antonio da Rocha, Professo na Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício e Vigário encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba, por Sua Excelência Reverendíssima que Deus Guarde, certifico que revendo os livros de batismos dos mais antigos da Freguesia, não achei o acima requerido, pelo que recorri aos de casamentos, e com efeito em um deles a página 39v, achei que o dito José Dantas Correa no ano de mil setecentos e onze, fora padrinho com Domingos Siqueira da Sylva no casamento de Matheos Bizerra da Costa com Anna de Abreu Maciel, pelo que se vê dos muitos anos, não se poder achar o assento do dito José Dantas Correia, usando deste meio para ver, se no casamento do dito José Dantas Correia com D. Izabel da Rocha Meireles achava notícia de seus pais. É o que posso informar o suplicante em fé de Pároco. Cidade da Paraíba, 7 de maio de 1807. Manoel Antonio da Rocha, vigário encomendado da Paraíba.
Batizado de Izabel da Rocha Meireles
Manoel Antonio da Rocha, Professo na Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício e Vigário Encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba, por Sua Excelência Reverendíssima que Deus Guarde, certifico, que revendo os livros de batismos dos mais antigos da Freguesia, não achei o acima requerido, por não declarar, filha de que pais, assim no ano de mil seiscentos, e noventa e seis a 48v do teor seguinte: aos dezesseis de fevereiro de mil seiscentos e noventa e seis, com licença do Reverendo Vigário, batizou o Padre Frei João de Santo Elias, Religioso de Nossa Senhora do Carmo em Nossa Senhora da Guia, a Izabel, filha legitima de Antonio Pereira, e de Ricarda Costa; foram padrinhos João Cardozo, e Iria Soares, de que fiz este assento para constar. O coadjutor Antonio de Souza Ferrão. E não se continha mais em dito assento que bem fielmente copiei do próprio, a que me reporto. Cidade da Paraíba, 7 de maio de 1807. Manoel Antonio da Rocha, Vigário Encomendado da Paraíba.
Casamento de Antonio Dantas Correa de Góis com Josefa Francisca de Araújo
Manoel Rodrigues Xavier Presbítero Secular, Comissário do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, Cura e Vigário da Vara nesta Freguesia de Nossa Senhora da Guia do Lugar dos Patos, termo da Vila do Príncipe e nela Juiz dos Casamentos e (...) tudo por sua Excelência Reverendíssima, Certifico, que revendo o livro dos assentos dos casamentos desta Freguesia, nele achei o assento, de que faz menção o requerimento supra, cujo teor de verbo ad verbum é o seguinte = aos quinze dias do mês de outubro de mil setecentos, e noventa e dois neste sítio de São Gonçalo da Serra do Monteiro desta Freguesia pelo meio dia em minha presença se receberam por esposos presentes os nubentes o alferes Antonio Dantas Correa de Goez, e D. Josefa Francisca de Araújo, esta é filha legítima de Joaquim de Araújo de Almeida, já falecido, e de sua mulher D. Mariana Francisca dos Santos Maiores, e natural do Cariri de fora, e aquele é filho legítimo do sargento-mor José Dantas Correa, e de sua mulher D.Thereza de Goez e Vasconcellos, já defuntos, e natural da Cidade da Paraíba, corridos seus banhos, tanto de suas naturalidades, quanto de seus domicílios, sem impedimento, lhes dei as benções matrimoniais juxt. Rit. Roman., foram confessados, e examinados da Doutrina Cristã, e assistiram por testemunhas o capitão Bento da Costa Vilar, e o Juiz Ordinário José Vicente Rodrigues de Carvalho, que comigo assinaram no assento que fica no arquivo desta Igreja, e para constar fiz este assento em que me assinei. Manoel Rodrigues Xavier, cura dos Patos = e não se continha mais no dito assento, a que me reporto, em fé de pároco. Patos, 24 de setembro de 1793. Manoel Rodrigues Xavier, Cura dos Patos.
Batizado de Mariana Francisca de Souto Maior
Manoel Antonio da Rocha, Professo da Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício, e Vigário Encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba por Sua Excelência Reverendíssima que Deus Guarde, certifico que revendo os livros de batismos desta Freguesia, em um deles se acha a folha 129 o assento do teor seguinte. Aos vinte, e nove dias do mês de Maio de mil setecentos, cinquenta e sete na Matriz desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Paraíba do Norte, de minha licença, o Padre Mathias Mendes Viana batizou e pôs os Santos Óleos a inocente Marianna, filha legítima do sargento-mor Manoel Rodrigues Pires, e de sua mulher Francisca Coelho Barreto: foram padrinhos Vicente Luis da Costa, e Tereza de Jesus, filha de José Rodrigues Pires: de que mandei fazer este assento, que assinei = Francisco Gomes de Mello. Pro Vigário. E não se continha mais em dito assento, que bem e fielmente copiei do próprio a que me refiro. Cidade da Paraíba, 4 de maio de 1807. Manoel Antonio da Rocha, Vigário Encomendado da Paraíba.
Batizado de Maria de Araújo e Vasconcellos
Manoel Antonio da Rocha, Professo na Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício e Vigário Encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba, por Sua Excelência e Reverendíssima que Deus Guarde, certifico, que revendo os livros de batismos desta Freguesia, em um deles a página 72 achei o assento do teor seguinte. Aos vinte e dois do mês de abril de mil setecentos e oito, batizou o Padre Antonio de Andrade Bezerra, da Capela de Santos Cosme e Damião, de Inhobim, com licença do Reverendo Vigário a Maria, filha legítima do capitão Ignácio de Freitas e de sua mulher Guiomar Fernandes: foram padrinhos o dito Padre Antonio de Andrade, e D. Violante de Souza: de que fiz este termo para constar. O Coadjutor, Antonio de Souza Ferrão. E não se continha mais em dito assento, que bem e fielmente copiei do próprio a que me refiro. Cidade da Paraíba, 4 de maio de 1807. Manoel Antonio da Rocha, Vigário Encomendado da Paraíba.
Batizado de José Dantas Correa, o 2º
Manoel Antonio da Rocha, Professo na Ordem de Cristo, Comissário do Santo Ofício e Vigário Encomendado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraíba por Sua Excelência Reverendissima que Deus Guarde, certifico, que revendo os livros de batismos dos mais antigos da Freguesia, não achei o assento requerido do sargento-mor José Dantas Correa, pai dos Suplicante, porem recorrendo aos livros de casamento em um deles, a página 74 achei que o capitão-mor José Dantas Correia é filho legítimo do Alferes José Dantas Correa e de Izabel da Rocha Meireles, natural desta Freguesia de Nossa Senhora das Neves, e morador na Freguesia do Piancó, e que fora casado com D. Tereza de Goes, natural desta Freguesia da Paraíba no ano de mil setecentos, quarenta e cinco: é o que posso informar a respeito, a vista do livro a que me reporto em fé de Pároco. Cidade da Paraíba, 6 de Maio de 1807. Manoel Antonio da Rocha, vigário Encomendado da Paraíba.
Assinar:
Postagens (Atom)
