segunda-feira, 29 de junho de 2015

Notas de um amigo para Gustavo de Vasconcelos

Recebi de um amigo informações genealógicas que interessam, em particular, a Gustavo  e complementam o artigo anterior.

 Prof. João Felipe,

            O Coronel CARLOS DE AZEREDO DO VALE era natural de Guimarães, Portugal, filho do Desembargador Carlos de Azeredo Leite, falecido em 17 de setembro de 1716 em Quintião, Bispado de Viseu, Portugal, e de Maria Luíza Pereira de Carvalho, veio para o Brasil, onde contraiu matrimônio com Isabel de Barros de Oliveira, filha de Mariana da Costa Travassos, e dos filhos do casal Carlos de Azeredo do Vale e Isabel de Barros de Oliveira pode-se citar outra ISABEL DE BARROS DE OLIVEIRA, falecida aos 17 de julho de 1799 casada em 19 de junho de 1741 na Capela de Nossa Senhora dos Remédios de Cajupiranga com Manuel Gonçalves Rabelo, natural da Freguesia de Santa Justa, Lisboa, Portugal, morador no Piancó – PB, filho de Antônio Gomes e de Joana Maria, e as testemunhas do casamento foram o Sargento Mor Antônio dos Santos Guimarães, morador no Sertão das Piranhas, e o Capitão Antônio de Faria Leite.
              

          FILHOS DE MANUEL GONÇALVES RABELO E DE ISABEL DE BARROS DE OLIVEIRA:

           1- JOANA MARIA DA CONCEIÇÃO, casada em 11 de fevereiro de 1777 na Fazenda BAATALHA COM O Mestre de Campo Antônio Fernandes Jales, nascido por volta de 1735, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Assunção, Arcebispado de Braga, Portugal, filho de Antônio Fernandes Jales e de Isabel da Cruz, neto paterno de Domingos Fernandes e de Catarina Fernandes, o casamento foi celebrado pelo Padre Manoel Nunes da Silveira, e as testemunhas Sargento Mor Manoel Fernandes Jales e Francisco de Sá Cavalcanti.
           2- ISABEL DE BARROS DE OLIVEIRA FILHA, casada em 07 de janeiro de 1775 com Joaquim Gonçalves Lages, natural de Santo Amaro de Jaboatão-PE, filho do Capitão Mor José Gonçalves Lages e de Joana Maria Xavier, neto paterno de Bernardo Gonçalves Lages, natural de Lisboa, Portugal, e de Maria da Conceição, e neto materno de Diogo Antunes Barroso, natural do Porto, Portugal, e de Antônia de Brito, o casamento foi celebrado pelo Padre Estevão Velho de Melo, e as testemunhas Mestre de Campo Antônio Fernandes Jales e João de Oliveira.
          3- JOANA BATISTA DE SANTANA, casada em 08 de janeiro de 1771 na Capela de São Francisco do Bonito filial de Tracunhaém com Amaro Gomes Coutinho, natural de Igarassu-PE, já viúvo de Feliciana Ferraz da Silva, e filho do Capitão Francisco Gomes Pedrosa e de Ana Coutinho da Costa, neto paterno de Manoel da Cunha e de Maria da Luz, e neto materno de Estevão Fernandes Coutinho e de Domingas Gomes, o casamento foi celebrado pelo Padre Francisco Machado Portela, e as testemunhas  Manoel de Lima e Melo e Manoel Martins Campos.
          4- MANUEL GONÇALVES RABELO JÚNIOR, casado em 11 de novembro de 1778 com Ana Joaquina, natural de Aquiraz-CE, filha de João de Oliveira Maciel e de Rosa Maria de Assunção, o casamento foi celebrado pelo Padre Joaquim de Santana, e as testemunhas Mestre de Campo Antônio Fernandes Jales e Antônio Monteiro.
          5- MARIANA DA COSTA DE OLIVEIRA, falecida em 24 de novembro de 1829 com 80 anos de idade, casada com Leonardo Bezerra Cavalcante, falecido em 24 de dezembro de 1812 com 80 anos de idade.
          6- FRANCISCO GONÇALVES RABELO.

          MARIANA DA COSTA TRAVASSOS, outra filha do casal Carlos de Azeredo do Vale e de Isabel de Barros de Macedo, ela contraiu matrimônio em 05 de maio de 1740 na Capela de Nossa Senhora dos Remédios de Cajupiranga com o Capitão José Pedro de Vasconcelos, natural da Freguesia de Nossa Senhora do Alecrim, Atual Freguesia da Encarnação, Lisboa, Portugal, batizado em 27 de abril de 1715, filho de Carlos José de Vasconcelos, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Assunção, Torre de Moncorvo, Distrito de Bragança, Portugal, e de Micaela da Conceição de Seabra, casados em 06 de setembro de 1708, neto paterno de Francisco Madeira Campos e de Maria Pinto da Mota, e neto materno de João dos Santos Nabo e de Joana Ribeiro, e as testemunhas do casamento foram o Coronel Carlos de Azeredo do Vale ( Pai da Noiva ), Lourenço Correia de Melo, Joana Gomes, Viúva, e Angélica de Azeredo do Vale, esposa de Pedro Gonçalves da Nóvoa, e o celebrante foi o Padre Manoel Correia Gomes.


         CARLOS JOSÉ DE VASCONCELOS E MICAELA DE SEABRA: Pais de José Pedro de Vasconcelos.

         Casados em 06 de setembro de 1708.

         Aos seis do mês de septembro de mil sette centos e oito com banhos corridos em prezença do Rdº Pe. Paulino Correa da Foncª de minha licença se receberão por marido e molher por palavras de prezente como manda a Stª Mde Igreja Romana CARLOS JOSEPH PEREIRA, natural da Torre de Moncorvo, baptisado na fregª de N. Srª da Assunção filho de Francº Madeira Campos e de sua molher Maria Pinta da Motta com MICHAELLA DA CONCEIÇÃO DE SIABRA natural desta Cde baptizada na fregª desta ... filha de João de Santos Nabo e de sua m.er Joanna Ribrª ambos os contrahentesm.es nessa fregª. ... forao testemunhas Berndº de Vascº Szª,  o Captªm Jozeph da Silva Azdº Costa, e outras mtªs, dia, e era ut spra.
                                                O Vig Francº ( ? ) ...


          Do casamento de Carlos José de Vasconcelos e Micaela de Seabra nasceu em Portugal o filho JOSÉ PEDRO DE VASCONCELOS, que foi batizado aos 27 de abril de 1715, e que veio para o Brasil, onde casou em 05 de maio de 1740 com Mariana da Costa Travassos.

        “ Aos vinte e sette dias do mes de abril de mil sette centos e quinze baptizei JOZEPH filho de Carlos Joseph Perª e sua m.erMicaella Siabra da Conseição, foi padrinho Joseph Francº Xavier Telles Castro e Silveira, e madrinha Joanna Mª Jozepha de Menezes e tocou com procuração sua o Rdº Conigo Luis de Misquita.

                                           O Coadjutor Raimundo Ferª da Costa. “


          O português JOSÉ PEDRO DE VASCONCELOS e a esposa MARIANA DA COSTA TRAVASSOS foram pais dos seguintes filhos, citados logo abaixo:

            
          1- ANGÉLICA MARIA DE SEABRA, casada com José Silvestre de Morais Navarro, já viúvo de Escolástica Barreto de Mesquita e filho de Sutério da Silva de Carvalho e de Helena de Morais Navarro.
          2- CARLOS JOSÉ PEREIRA DE VASCONCELOS, casado em 27 de fevereiro de 1772 com Josefa Maria da Conceição, filha de Luiz Pinheiro de Oliveira e de Rita Maria da Conceição, neta paterna do português José Pinheiro Teixeira, nascido em 14 de janeiro de 1693, e de Maria da Conceição de Oliveira, batizada aos 08 de dezembro de 1695, e neta materna de Antônio Batista Espínola e de Francisca do Rosário de Melo.

          CARLOS JOSÉ PEREIRA DE VASCONCELOS E JOSEFA MARIA DA CONCEIÇÃO foram os pais de JOANA EVANGELISTA SEABRA, que por sua vez casou com José Alexandre Gomes de Melo, batizado em 01 de novembro de 1763, filho de Antônio Teixeira da Costa e de Tereza Antônia de Melo. O casal José Alexandre Gomes de Melo e Joana Evangelista Seabra deram origem a FAMÍLIA SEABRA DE MELO em território potiguar, e foram os pais do CapitãoJOSÉ ALEXANDRE SEABRA DE MELO.

A investigação de Gustavo de Vasconcelos


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Gustavo Maximiano Sieben de Vasconcelos escreveu, via e-mail, para nosso Arquivo Público Estadual, solicitando algumas informações genealógicas.  O APE, reencaminhou para o Prof. Cláudio Galvão, que por sua vez mandou para mim. A solicitação era a seguinte: Boa tarde! Sou de Porto Alegre/RS, e através de pesquisas desenvolvidas junto ao Arquivo Público deste Estado e da Cúria Metropolitana da Capital, descobri que meu trisavô José Pedro de Vasconcellos era natural do Rio Grande do Norte, assim como seus pais Antônio José Seabra de Vasconcellos e Alexandrina Maria de Siqueira. Em vista disso, eu gostaria de saber se é possível o envio ao meu e-mail de quaisquer informações pertinentes a esses antepassados que constem nesse Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Norte. Antecipadamente agradecido, Gustavo de Vasconcelos.

Fui ao meu banco de imagens procurar alguma pista sobre os ascendentes de Gustavo e para facilitar minha resposta, resolvi, como de costume, escrever um artigo sobre o que encontrei.

Comecemos, pois, pelo casamento de José Pedro de Vasconcelos, avô do trisavô de Gustavo: Aos cinco de maio de mil setecentos e quarenta anos, as onze horas do dia, na Capela de Nossa Senhora dos Remédios do Cajupiranga, desta freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações nesta Matriz e na dita Capela e mais, próximas ao lugar onde são moradores os contraentes, na forma do Sagrado Concilio Tridentino, como consta da certidão  dos banhos que em meu poder fica e apresentando-se um mandado do muito Reverendo Senhor Doutor Provisor, e Juiz das Justificações Frei Francisco de Santo São Marcos, pelo qual mandava receber os contraentes, visto ter   os contraentes  dado fiança dos banhos do seu natural, sem se descobrir impedimento, em presença do Reverendo Padre Francisco Xavier de Barros, de licença do Reverendo Coadjutor, o licenciado João Gomes Freire, que fazia vezes de pároco em minha ausência, e sendo presentes por testemunhas  coronel Carlos de Azevedo do Vale, Lourenço Correa de Mello, Joanna Gomes, dona viúva, e Angélica de Azevedo, mulher do capitão Pedro Gonçalves da Nóvoa, pessoas conhecidas, se casaram em face da Igreja, solenemente, por palavras José Pedro de Vasconcellos, filho legítimo de Carlos José de Vasconcellos e de sua mulher D. Michaela de Seabra, moradores na cidade de Lisboa, Freguesia de Nossa Senhora do Alecrim, com Marianna da Costa Travassos, filha legítima do coronel Carlos de Azevedo do Vale, e de sua mulher Izabel de Barros de Oliveira, natural e moradora desta dita Freguesia e Paróquia, e logo lhes deu as bênçãos conforme os ritos e cerimônias da Santa Madre Igreja, do que tudo mandei fazer esta assento pelo que veio do dito Reverendo Padre, que por verdade assinei. Manoel Correa Gomes, vigário.

 Encontro Antônio José, filho do capitão José Pedro de Vasconcellos, que foi padrinho, em 1780, de Manoel, filho da Índia Paula Pereira. Mais adiante, na pesquisa, encontramos o seu batizado, com mais detalhes sobre os pais de José Pedro e Marianna, além da origem do Seabra: Antônio, filho legítimo do capitão José Pedro de Vasconcellos, natural da cidade de Lisboa, e de sua mulher Marianna da Costa, natural de Petimbu, da parte (palavra ilegível) da Freguesia de Nossa Senhora do O’ de Papary e ambos moradores desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, neto por parte paterna de Carlos José de Vasconcellos, natural de Trás dos Montes, e de Michaella Maria de Ciebra, natural da cidade de Lisboa, e pela parte materna de Carlos de Azevedo do Valle, natural de Guimarães, e de Izabel de Barros de Oliveira, natural da Bahia de Todos os Santos, foi batizado com os santos óleos aos vinte de outubro de 1762 anos, nesta Matriz de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, por mim Vigário encomendado dela, abaixo assinado; foram padrinhos o capitão-mor desta capitania Joaquim Felix de Lima, homem casado.....

 Em seguida, encontramos o batismo de uma irmã de Antônio José: Aos dezessete de dezembro de 1756, de licença do Padre Reverendo, o Doutor Manoel Correa Gomes, na Matriz desta cidade batizou e pôs os santos óleos o Reverendo Padre Theodósio da Rocha Vieira a Anna, filha do capitão José Pedro de Vasconcellos, e de sua mulher Marianna da Costa. Foi padrinho o Reverendo Padre Francisco de Albuquerque e Mello. Marcos Soares de Oliveira, visitador.

Outro irmão de Antônio José era Joaquim: Ao 1 de janeiro de 1755, de licença do Reverendo Vigário o Doutor Manoel Correa Gomes, na Matriz desta cidade, batizou e pôs os santos óleos o Reverendo Padre Francisco de Albuquerque e Mello a Joaquim filho de tenente Joseph Pedro de Vasconcelos e de sua mulher Marianna da Costa. Foram padrinhos o Procurador da Fazenda Real Doutor Dionísio da Costa Soares, e Anna Maria, mulher do sargento-mor Manoel Antonio Pimentel de Mello. Marcos Soares de Oliveira.

Carlos José, outro filho de José Pedro e Marianna casou em 1772, como segue: Aos vinte e sete de fevereiro de mil setecentos e setenta e dois as sete horas da manhã, corridos os banhos juxta tridentino, e sem se descobrir impedimento algum, até a hora de seu recebimento, nesta Matriz, de licença minha em presença do padre Francisco Manoel Maciel, e das testemunhas abaixo assinadas, o capitão Albino Duarte de Oliveira, solteiro, e Luiz José Rodrigues, filho do capitão Francisco Pinheiro Teixeira, moradores nesta cidade, se casaram com palavras de presente, in facie Ecclesiae, Carlos José Pereira de Vasconcellos, filho legítimo do capitão José Pedro de Vasconcellos e de Marianna da Costa, e Josefa Maria da Conceição, filha legítima de Luiz Pinheiro de Oliveira e de Rita Maria da Rosa, ambos os nubentes naturais desta cidade, e logo receberam as santas bênçãos na forma do Ritual Romano, do que mandei lançar este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.

Desse casal acima registramos o batismo de uma de suas filhas, que recebeu o mesmo nome de uma das avós: Rita, filha legítima de Carlos José Pereira e de Josefa Maria da Conceição, todos desta Freguesia, neto por parte paterna de José Pedro de Vasconcellos, natural das partes de Lisboa, e de Marianna da Costa, e por parte materna de Luis Pinheiro, e de Rita Maria da Rosa, todos desta freguesia, nasceu aos 24 de junho de 1786, na capela do Senhor Santo Antonio que serve de Matriz aos quinze de julho do dito ano, com os santos óleos, de licença minha, pelo Reverendo Vigário Francisco Maciel; foram padrinhos Francisco Antonio Casado, e Izabel Francisca mulher de Miguel de Oliveira. Do que mandei fazer este assento em que assino. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.

Rita, mãe de Josefa, era filha de Antonio Batista Espínola e Francisca Antonia (ou Francisca do Rosário). Uma irmã de Rita, que nunca casou, e de nome Maria Francisca da Anunciação, quando fez seu testamento, deixou como sua herdeira, Joana, sua sobrinha neta, filha do Alferes Carlos José Pereira de Vasconcellos. Caso Joanna falecesse, a herança iria para o irmão dela Luiz. Um dos testamenteiros foi o Alferes Carlos José Pereira de Vasconcelos Junior.

Aqui o registro de óbito de Carlos: aos vinte de fevereiro de 1805, faleceu da vida presente, nesta Freguesia o tenente Carlos José Pereira, branco, com idade de cinquenta anos, pouco mais ou menos, casado com Josefa Maria da Conceição, tendo recebido todos os sacramentos da Igreja. Foi sepultado na Igreja Santo Antonio dos Militares desta cidade, envolto na sua farda, depois de ser encomendado pelo padre Simão Judas Tadeu, de minha licença, que por ser nimiamente pobre lhe fez encomendação por esmola. E para constar fiz este termo que assinei. Feliciano José Dornelles, vigário Colado.

José Pedro de Vasconcellos ficou viúvo, aos vinte e um de setembro de mil setecentos e setenta e dois. Dona Marianna, tinha nessa data cinquenta anos, e foi sepultada na Matriz envolta em hábito de São Francisco.

Outro neto de José Pedro e Marianna teve batismo em 1770: José, filho legítimo do cabo de esquadra José Silvestre de Moraes Navarro e de Angélica Maria de Seabra, naturais desta Freguesia, neto por parte paterna de Sutério da Silva de Carvalho, natural desta cidade, e de sua mulher Dona Elenna de Moraes Navarro, natural da cidade de Olinda, e pela materna de José Pedro de Vasconcellos, natural da cidade de Lisboa, e de Marianna da Costa Macedo, desta Freguesia, nasceu aos 23 de dezembro do ano de 1770, e foi batizado com os santos óleos, de licença minha, nesta Matriz, pelo Padre Francisco Manoel Maciel, aos dezessete de janeiro do ano de 1771; foram padrinhos o capitã José Pedro de Vasconcelos e sua filha Anna Francisca. Do que mandei lançar este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo, vigário do Rio Grande.

José Silvestre casou com Angélica, após ficar viúvo de Escolástica Bezerra de Mesquita.

Nos assentamentos de praça, encontramos outros filhos de José Pedro. Vejamos esses registros que são importantes pela descrição física que faz dos assentados.

José Pedro de S(ilegível), solteiro, filho legítimo do capitão José Pedro de Vasconcellos, morador nesta cidade, de idade que disse ser de dezessete anos pouco mais ou menos, de estatura baixa, grosso de corpo, rosto redondo, com uma (?) no olho direito, cabelo estirado, sem falta algum nos dentes e sem barba, por ainda lhe não sair, assenta praça por sua vontade, de soldado, nesta companhia por despacho do capitão-mor desta capitania Joachim Felis de Lima, e intervenção do vedor geral da gente de guerra, o Doutor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, como consta da petição a linha.  Hoje, trinta de maio de mil setecentos e sessenta e cinco, vence de soldo, farda e pão como os demais.

Outro filho do capitão José Pedro aparece com dois assentamentos, como segue.
Manoel José de Vasconcelos, solteiro, filho legítimo do capitão José Pedro de Vasconcellos, natural desta capitania, de idade de dezesseis anos, pouco mais ou menos, de estatura baixa, grosso de corpo, rosto redondo, sobrancelhas grossas e olhos presos, sem falta de dentes adiante, senta praça de soldado, nesta companhia por despacho do capitão-mor desta capitania Joaquim Felix de Lima, e intervenção do Vedor Geral, o Doutor Manoel Teixeira de Moraes, em 17 de junho de 1760.

Manoel José de Vasconcellos, solteiro, filho legitimo do capitão José Pedro de Vasconcellos, de idade de vinte e quatro anos, pouco mais ou menos, homem branco, de estatura ordinária, rosto cheio, com bastante barba, cabelo estirado e preso, olhos negros, sem falta de dentes nenhuma, assenta praça de soldado, por sua vontade, nesta companhia por despacho do capitão-mor desta capitania Joaquim Felix de Lima e intervenção do Vedor Geral da Gente de Guerra, o Doutor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim. Hoje seis de outubro de mil setecentos e sessenta e seis, vence soldo, farda como os demais. Fl 13


Essas foram as informações preliminares que consegui encontrar de familiares de Gustavo.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Esboço biográfico do Barão de Ipojuca




Esboço biográfico do Barão de Ipojuca
Je me viens pas pleurer sur sa cendre; Il me faut pleurer que sur celle des méchants: car ils ont fait le mal, et peuvent plus le reparer. M. Thomas (Elog. De Marco A.)
A morte de um homem notável por serviços e qualidades assinala a época de um grande infortúnio para a geração que o perde. O finamento de uma existência que avultou nas lides políticas de seu tempo, que adquiriu o direito de cidade pela importância do papel que lhe coube representar na área em que floriu é um fato que não deve passar indiferente aos olhos da sociedade contemporânea.
“No meio de lutas microscópicas, das transações interesseiras, das cóleras artificiais, dos antagonismos pigmeus, das ciladas e ardis, das rivalidades e egoísmos, das argúcias e futilidades”, seria requintar o quadro de nossas misérias sociais o olharmos com indiferença para a lápida que cobre as cinzas de um cidadão benemérito, a quem a pátria deveu sacrifícios, os princípios, dedicação, os amigos, lealdade, a lei os cultos do respeito. Valeria tanto como desdenhar a poética religião dos espíritos, grave e saudosa como a do túmulo, piedosa e grata como a do berço. O elogio dos finados é a apologia da civilização, da moralidade de um povo; é a voz de natureza que se exalta na crença do seu destino mortal.
O sepulcro acaba de engolir o invólucro caduco de um grande espírito, de um lidador infatigável, à um soldado destemido da pátria. O barão de Ipojuca, outrora João do Rego Barros, já não vive; cedeu por fim aos direitos da morte! Lutou; mas nesse lutar, sublime de resignação cristã; provou quanto valia a rigidez de seu ânimo! o combate ardeu em campo desigual; a sua luta era com o destino: devia sucumbir!
Apreciar as feições deste grande caráter; designar-lhe os dotes que o enobreceram, as qualidades que o recomendaram à estima pública, é  empenho nimiamente delicado. Ele viveu até ontem. Se numerosas afeições o circundavam, e diziam nele um tipo completo de virtudes cívicas; do outro lado, ódios pequenos, emulações obscuras, calunias, anônimas, que são o limbo expiador das vocações enérgicas, dos méritos superiores, e incompreensíveis à turba dos maldizentes, não raro procuram desbotar-lhe os matizes que realçavam a teia de suas ações.
Mas, em honra de seus êmulos, entre os quais os houve leais e cavaleiros, é força dizer que eles próprios, se no calor das porfias se irritavam com os arranjos de seu  gênio altivo e fogoso, eram os primeiros a fazer justiça aos timbres de seu belo caráter.
João do Rego Barros, homem deveras homem na tempera e na segurança da palavra, era ao mesmo tempo daqueles de quem dizia Sá de Miranda:
De um peito aberto e limpo e fé lavada!
No momento da contrariedade arcava como Leão, e, no medir das armas, muitas vezes saia de si, e irrompia como o raio! Mas, esvaecida a fervura do sangue e apaziguada as paixões que turbilhonavam naquela grande alma, ei-lo tão outro e tão longe do que parecera, quanto vai do Leão ao Cordeiro! Era tão pronto em assomar-se quanto fácil em arrefecer. Não sabia deixar sem perdão qualquer ofensa sofrida, e sem arrependimento qualquer excesso a que seu gênio o arrastava.
Houve uma época em que os sucessos políticos da província nos aproximaram e nos puseram em quase intima convivência. Foi nesses dias de negregada memória, de provocações acerbas, em que os ânimos incendiados no fogo das rivalidades estragavam  em muitas represálias a seiva dos mais nobres instintos, que eu tive ocasião de conhecer de perto os invejáveis predicados de João do Rego Barros. Testemunhei alguns rasgos seus em matéria de beneficência, que incontestavelmente o colocam na gloria dos beneméritos da humanidade.
Ninguém lhe levou a melhoria nas práticas da virtude hospitaleira. Seu engenho era o asilo de quantos, batidos do infortúnio, buscavam os auspícios de seu padroado. Dessa facilidade em acolher desvalidos a malevolência de desafetos seus buscou pretextos  para caluniar suas intenções, inculcando-o como apaniguador de díscolos; mas, no correr dos tempos, logrou convencê-los de que um sentimento mui diverso o guiava, e que jamais o crime encontrou guarida em sua sombra.
Este sistema de proverbial aquiescência a todos que o procuravam; o bom ânimo e singular liberalidade com que abria os cofres de sua benevolência aos seus vizinhos e conterrâneos; o ar de simpática e prazenteira familiaridade que transluzia em sua face para com todos; a pronta e decisiva identificação com os interesses e empenhos de seus amigos; o zelo com que os promovia e sustentava; a probidade austera com que se havia em  todos os seus negócios;  a singeleza expansiva de seus atos e maneiras, o tornaram dentro em pouco o ídolo estimado da população. Seu nome tornou-se o símbolo da popularidade, mas da popularidade espontânea, afetuosa, não mentida e violentada. O povo o amava e o temia. Amava-o porquê tinha nele o patrono de seus infortúnios; temia-o porquê ele em suas afeições, pelo povo, era antes de tudo e mais que tudo homem de justiça, incapaz de transigir com erros e crimes.
Ide a esta hora à Comarca de Cabo! Que vozes sentidas e magoadas não rompem de todos os tugúrios! Por ali andei em dias de janeiro deste ano: testemunhei o vivo interesse em que toda a gente inquiria melhoras  de João do Rego, e a expressão de intima angústia que se lhe divisava no rosto pelo estado indeciso  de seu restabelecimento.
João do Rego nasceu com disposição para viver larga vida; mas seu gênio inquieto e laborioso lhe não permitia resguardo, nem descanso diante da imagem dos deveres, a que o chamava a qualidade de pai de família extremoso e desvelado pela sorte de seus filhos, cujo  futuro procurava abrigar das precisões da indigência. Ele não reconhecia legitimidade na fortuna  que não fosse adquirida com o suor do rosto. Esse lidar incessante, esse arrostar de intempéries em todas as horas do dia e da noite, esse desprezar de sintomas que lhe indicavam uma causa mórbida que cumpria combater, lhe foram manso e manso lacerando os estames da vida. Chegou, porem, um dia em que o cansaço e a fadiga o prostaram enfraquecido.
Forçado então pela dureza das circunstâncias a cuidar de si, entrou em tratamento que, interrompidos a todos os instantes por viagens forçadas, lhe foram completamente ineficazes. Já quase moribundo, procurou nesta cidade, onde esperava que a medicina coletiva operasse o milagre de restituir-lhe o vigor dos músculos, alquebrados pelo longo roçar da enfermidade latente. Tudo, porem, foi baldado. As mais doces esperanças se resolveram em fumo; e a arte se declarou vencida! Ela fez o que pôde; mas ao impossível não se resiste! Os dias do grande lidador se tinham escoados na ampulheta do tempo!  Os médicos lhe aconselharam, como recurso extremo, que procurasse os climas do Ceará, que é hoje o vasto hospital dos inválidos da medicina.
 O ilustre enfermo, conhecendo que sua derradeira hora se achava prestes a soar, e que nenhum abrigo lhe era mais lícito esperar dos esforços humanos, volveu seus olhos ao Supremo Médico das nossas enfermidades espirituais! Com a resignação de homem verdadeiramente cristão, e tão rara nestes dias de materialismo prático, pediu e recebeu os sacramentos de igreja com a mais exemplar edificação! Preenchidos estes santos deveres, João do Rego, mais por condescender com os seus, do que por confiar no resgate dos seus dias, seguiu o destino que lhe indicaram os médicos, em companhia de sua querida esposa símbolo do amor conjugal e um dos seus filhos.
O vapor Igarassú recebeu essa desolada comitiva, e com ela demandou as regiões apetecidas. Até o Rio Grande do Norte o estado do enfermo não apresentou diferenças notáveis, e como que em sua fisionomia luziu por instantes um tênue lampejo de esperança. Eram os derradeiros e pálidos clarões que a luz irradia ao aproximar-se a sua extinção total!
Sua esposa e seu filho desejando pô-lo o mais pronto possível sob a influência e ação dos ares do sertão, resolveram subir pelo Rio Assú, e dali ao interior da província; mas ao chegaram à Ilha  das Cobras, sete léguas acima de Macau, correndo o dia 18 do passado, João do Rego, tendo tomado uma ligeira refeição, exalou o último alento, com a serenidade e placidez de um espírito ungido pelo ósculo do Senhor! A piedosa esposa, o extremoso filho cerralham-lhe as pálpebras e depositaram suas cinzas em um tosco, mas decente jazigo de um pequeno cemitério de Macau, servindo-lhes de eternas sentinelas uma pedra e uma cruz!
Assim acabou um dos mais belos caráteres de Pernambuco, cujo vácuo tarde ou nunca será preenchido no município de sua residência! Na idade de pouco mais de cinquenta e três anos. João do Rego Barros poderia ter cometidos faltas, mas não crimes. Assinalou-se por serviços importantes à sua pátria; ela que o chore, e o seu choro é um justo tributo à sua memória! E eu, que fui quinhoeiro, em sua lidas, em suas glórias e revezes, não poderia eximir-me de pagar-lhe também este último feudo de perenal saudade.
Recife, 4 de março de 1860. P. de C. (Diário de Pernambuco)
Transcrito do Correio Mercantil de 4 de abril do mesmo ano.


Esboço biográfico do Barão de Ipojuca




Esboço biográfico do Barão de Ipojuca
Je me viens pas pleurer sur sa cendre; Il me faut pleurer que sur celle des méchants: car ils ont fait le mal, et peuvent plus le reparer. M. Thomas (Elog. De Marco A.)
A morte de um homem notável por serviços e qualidades assinala a época de um grande infortúnio para a geração que o perde. O finamento de uma existência que avultou nas lides políticas de seu tempo, que adquiriu o direito de cidade pela importância do papel que lhe coube representar na área em que floriu é um fato que não deve passar indiferente aos olhos da sociedade contemporânea.
“No meio de lutas microscópicas, das transações interesseiras, das cóleras artificiais, dos antagonismos pigmeus, das ciladas e ardis, das rivalidades e egoísmos, das argúcias e futilidades”, seria requintar o quadro de nossas misérias sociais o olharmos com indiferença para a lápida que cobre as cinzas de um cidadão benemérito, a quem a pátria deveu sacrifícios, os princípios, dedicação, os amigos, lealdade, a lei os cultos do respeito. Valeria tanto como desdenhar a poética religião dos espíritos, grave e saudosa como a do túmulo, piedosa e grata como a do berço. O elogio dos finados é a apologia da civilização, da moralidade de um povo; é a voz de natureza que se exalta na crença do seu destino mortal.
O sepulcro acaba de engolir o invólucro caduco de um grande espírito, de um lidador infatigável, à um soldado destemido da pátria. O barão de Ipojuca, outrora João do Rego Barros, já não vive; cedeu por fim aos direitos da morte! Lutou; mas nesse lutar, sublime de resignação cristã; provou quanto valia a rigidez de seu ânimo! o combate ardeu em campo desigual; a sua luta era com o destino: devia sucumbir!
Apreciar as feições deste grande caráter; designar-lhe os dotes que o enobreceram, as qualidades que o recomendaram à estima pública, é  empenho nimiamente delicado. Ele viveu até ontem. Se numerosas afeições o circundavam, e diziam nele um tipo completo de virtudes cívicas; do outro lado, ódios pequenos, emulações obscuras, calunias, anônimas, que são o limbo expiador das vocações enérgicas, dos méritos superiores, e incompreensíveis à turba dos maldizentes, não raro procuram desbotar-lhe os matizes que realçavam a teia de suas ações.
Mas, em honra de seus êmulos, entre os quais os houve leais e cavaleiros, é força dizer que eles próprios, se no calor das porfias se irritavam com os arranjos de seu  gênio altivo e fogoso, eram os primeiros a fazer justiça aos timbres de seu belo caráter.
João do Rego Barros, homem deveras homem na tempera e na segurança da palavra, era ao mesmo tempo daqueles de quem dizia Sá de Miranda:
De um peito aberto e limpo e fé lavada!
No momento da contrariedade arcava como Leão, e, no medir das armas, muitas vezes saia de si, e irrompia como o raio! Mas, esvaecida a fervura do sangue e apaziguada as paixões que turbilhonavam naquela grande alma, ei-lo tão outro e tão longe do que parecera, quanto vai do Leão ao Cordeiro! Era tão pronto em assomar-se quanto fácil em arrefecer. Não sabia deixar sem perdão qualquer ofensa sofrida, e sem arrependimento qualquer excesso a que seu gênio o arrastava.
Houve uma época em que os sucessos políticos da província nos aproximaram e nos puseram em quase intima convivência. Foi nesses dias de negregada memória, de provocações acerbas, em que os ânimos incendiados no fogo das rivalidades estragavam  em muitas represálias a seiva dos mais nobres instintos, que eu tive ocasião de conhecer de perto os invejáveis predicados de João do Rego Barros. Testemunhei alguns rasgos seus em matéria de beneficência, que incontestavelmente o colocam na gloria dos beneméritos da humanidade.
Ninguém lhe levou a melhoria nas práticas da virtude hospitaleira. Seu engenho era o asilo de quantos, batidos do infortúnio, buscavam os auspícios de seu padroado. Dessa facilidade em acolher desvalidos a malevolência de desafetos seus buscou pretextos  para caluniar suas intenções, inculcando-o como apaniguador de díscolos; mas, no correr dos tempos, logrou convencê-los de que um sentimento mui diverso o guiava, e que jamais o crime encontrou guarida em sua sombra.
Este sistema de proverbial aquiescência a todos que o procuravam; o bom ânimo e singular liberalidade com que abria os cofres de sua benevolência aos seus vizinhos e conterrâneos; o ar de simpática e prazenteira familiaridade que transluzia em sua face para com todos; a pronta e decisiva identificação com os interesses e empenhos de seus amigos; o zelo com que os promovia e sustentava; a probidade austera com que se havia em  todos os seus negócios;  a singeleza expansiva de seus atos e maneiras, o tornaram dentro em pouco o ídolo estimado da população. Seu nome tornou-se o símbolo da popularidade, mas da popularidade espontânea, afetuosa, não mentida e violentada. O povo o amava e o temia. Amava-o porquê tinha nele o patrono de seus infortúnios; temia-o porquê ele em suas afeições, pelo povo, era antes de tudo e mais que tudo homem de justiça, incapaz de transigir com erros e crimes.
Ide a esta hora à Comarca de Cabo! Que vozes sentidas e magoadas não rompem de todos os tugúrios! Por ali andei em dias de janeiro deste ano: testemunhei o vivo interesse em que toda a gente inquiria melhoras  de João do Rego, e a expressão de intima angústia que se lhe divisava no rosto pelo estado indeciso  de seu restabelecimento.
João do Rego nasceu com disposição para viver larga vida; mas seu gênio inquieto e laborioso lhe não permitia resguardo, nem descanso diante da imagem dos deveres, a que o chamava a qualidade de pai de família extremoso e desvelado pela sorte de seus filhos, cujo  futuro procurava abrigar das precisões da indigência. Ele não reconhecia legitimidade na fortuna  que não fosse adquirida com o suor do rosto. Esse lidar incessante, esse arrostar de intempéries em todas as horas do dia e da noite, esse desprezar de sintomas que lhe indicavam uma causa mórbida que cumpria combater, lhe foram manso e manso lacerando os estames da vida. Chegou, porem, um dia em que o cansaço e a fadiga o prostaram enfraquecido.
Forçado então pela dureza das circunstâncias a cuidar de si, entrou em tratamento que, interrompidos a todos os instantes por viagens forçadas, lhe foram completamente ineficazes. Já quase moribundo, procurou nesta cidade, onde esperava que a medicina coletiva operasse o milagre de restituir-lhe o vigor dos músculos, alquebrados pelo longo roçar da enfermidade latente. Tudo, porem, foi baldado. As mais doces esperanças se resolveram em fumo; e a arte se declarou vencida! Ela fez o que pôde; mas ao impossível não se resiste! Os dias do grande lidador se tinham escoados na ampulheta do tempo!  Os médicos lhe aconselharam, como recurso extremo, que procurasse os climas do Ceará, que é hoje o vasto hospital dos inválidos da medicina.
 O ilustre enfermo, conhecendo que sua derradeira hora se achava prestes a soar, e que nenhum abrigo lhe era mais lícito esperar dos esforços humanos, volveu seus olhos ao Supremo Médico das nossas enfermidades espirituais! Com a resignação de homem verdadeiramente cristão, e tão rara nestes dias de materialismo prático, pediu e recebeu os sacramentos de igreja com a mais exemplar edificação! Preenchidos estes santos deveres, João do Rego, mais por condescender com os seus, do que por confiar no resgate dos seus dias, seguiu o destino que lhe indicaram os médicos, em companhia de sua querida esposa símbolo do amor conjugal e um dos seus filhos.
O vapor Igarassú recebeu essa desolada comitiva, e com ela demandou as regiões apetecidas. Até o Rio Grande do Norte o estado do enfermo não apresentou diferenças notáveis, e como que em sua fisionomia luziu por instantes um tênue lampejo de esperança. Eram os derradeiros e pálidos clarões que a luz irradia ao aproximar-se a sua extinção total!
Sua esposa e seu filho desejando pô-lo o mais pronto possível sob a influência e ação dos ares do sertão, resolveram subir pelo Rio Assú, e dali ao interior da província; mas ao chegaram à Ilha  das Cobras, sete léguas acima de Macau, correndo o dia 18 do passado, João do Rego, tendo tomado uma ligeira refeição, exalou o último alento, com a serenidade e placidez de um espírito ungido pelo ósculo do Senhor! A piedosa esposa, o extremoso filho cerralham-lhe as pálpebras e depositaram suas cinzas em um tosco, mas decente jazigo de um pequeno cemitério de Macau, servindo-lhes de eternas sentinelas uma pedra e uma cruz!
Assim acabou um dos mais belos caráteres de Pernambuco, cujo vácuo tarde ou nunca será preenchido no município de sua residência! Na idade de pouco mais de cinquenta e três anos. João do Rego Barros poderia ter cometidos faltas, mas não crimes. Assinalou-se por serviços importantes à sua pátria; ela que o chore, e o seu choro é um justo tributo à sua memória! E eu, que fui quinhoeiro, em sua lidas, em suas glórias e revezes, não poderia eximir-me de pagar-lhe também este último feudo de perenal saudade.
Recife, 4 de março de 1860. P. de C. (Diário de Pernambuco)
Transcrito do Correio Mercantil de 4 de abril do mesmo ano.


domingo, 21 de junho de 2015

Agostinha Monteiro de Souza


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Meus trisavós, Alexandre Avelino da Costa Martins e Anna Francisca Bezerra, tinham uma filha de nome Agostinha Maria Martins Bezerra, que foi casada com Manoel Antonio da Costa Monteiro, filho de Antonio Caetano Monteiro e Olímpia Maria da Conceição. Deve ter recebido seu nome em homenagem a mãe de Anna Francisca, que se chamava Agostinha Monteiro de Souza. Esta, que foi casada com o tenente-coronel Antonio Francisco Bezerra da Costa, era filha de João Manoel da Costa e Angélica Maria da Conceição. Faleceu nova, com 33 anos, de parto, aos dois de julho de 1827.

Esse nome Agostinha Monteiro de Souza, aparentemente, não tem nada a ver com o nome dos pais. De onde surgiu, pois? Entre seus irmãos, listamos Manoel Vieira da Costa, João Manoel da Costa e Mello, e Vicente Ferreira da Costa e Mello do O’. Como de costume, esse “e Mello” denuncia junção de duas famílias, e, portanto, o Mello deve ter vindo dos pais de Angélica Maria da Conceição. Nos registros, encontrados até agora, um casal que gerou Antonio de Souza Monteiro foi José Antonio de Mello e Mathildes Quitéria Xavier da Cruz. Ela, filha de Francisco Xavier da Cruz e Lourença Dias da Rosa, e prima legítima de Agostinha. Quanto a José Antonio de Mello, na árvore genealógica desenhada do escritor Afonso Bezerra, ele aparece com filho de Thomaz e F. de Tal. Pode ser que o pai de José Antonio fosse um Thomaz Vieira de Mello.

Aqui na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, encontramos uma Agostinha de Souza Monteiro. Vamos aproveitar esse problema, na minha família, que ainda não foi resolvido, para apresentar seu casamento.

Aos sete de janeiro de mil setecentos e cinquenta e dois, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande, feitas as denunciações nesta Matriz e nas partes necessárias, sem haver impedimento, como dos banhos que se acham correntes, consta, de um mandado nas partes do Reverendíssimo Senhor Doutor Visitador, se casaram solenemente em face da Igreja, por palavras de presente, Joam Martins de Sá, filho legítimo de Francisco Pires de Macedo, e de sua mulher Maria do O’, já defuntos, e Agostinha de Souza Monteiro, filha legítima do capitão José Monteyro, e de sua mulher Hylena de Souza, moradores na Ribeira de Mipibú, desta Freguesia, e logo lhes deu as bênçãos conforme os ritos da Santa Madre Igreja, do que mandou o muito Reverendo Senhor Doutor Visitador fazer este assento em que assinou. Marcos Soares de Oliveira. Nesse registro, meio confuso, não aparecem as testemunhas.

Segue o casamento de uma irmã de Agostinha: Aos dezessete de dezembro de mil setecentos e cinquenta e um, na Capela de Nossa Senhora do O’ do Papari, da Ribeira do Mipibu, da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande, feitas as denunciações costumadas, nas Igrejas necessárias, sem haver impedimento algum, como dos banhos, que se acham correntes, consta, de licença do Muito Reverendo Senhor Doutor Visitador Frey Manoel de Jesus Maria, em presença do Reverendo Padre Antonio de Araújo e Souza, capelão da dita capela, e das testemunhas o capitão-mor  Joam de Oliveira e Freitas, casado e morador na dita Ribeira, o sargento-mor Domingos Pinto Zório, casado, e morador na dita Ribeira, pessoas conhecidas, se casaram solenemente em face da Igreja, por palavras de presente, Felizardo Vieira de Mello, filho legítimo de Manoel Vieira, e sua mulher Thereza de Jesus, já defuntos, e Florência Pires de Macedo, filha legitima do capitão Joseph Monteiro, e sua mulher Hylena de Souza, todos naturais desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, e logo lhes deu as bênçãos na forma dos ritos da Santa Madre Igreja, de que mandou o Muito Reverendo Visitador, fazer este assento em que assinou. Marcos Soares de Oliveira, Visitador.

É estranho que uma filha de José Monteiro e Helena de Souza seja Florência Pires de Macedo. Na verdade, o marido de Agostinha era filho de um Pires de Macedo. Nos livros de registros há outra pessoa com o mesmo nome dela, que foi casada com Agostinho de Souza.

Desse casal, encontramos os batismos de dois filhos: Thereza de Jesus que foi batizada aos 15 de junho de 1756, tendo como padrinhos Simão Vieira de Mello, e a viúva Joana da Rocha; e Antonio, batizado aos 29 de setembro, de 1754, tendo como padrinhos o capitão José Monteyro e sua mulher Elena de Souza.

Há alguma relação entre essas duas Agostinhas, ou temos somente meras coincidências?
Árvore Genealógica do escritor Afonso Bezerra