terça-feira, 2 de junho de 2015

Manoel de Carvalho Tinoco, Antonia de Freitas e Apodi







João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG
A repetição de nomes, nas várias famílias brasileiras, acarreta equívocos quando da construção de qualquer genealogia. Há um trabalho de meu amigo Marcos Pinto, lá do Apodi, intitulado “Antonio da Rocha Bezerra, um herói esquecido”, onde encontramos algumas contradições, que precisamos corrigir. Segundo ele, Antonio da Rocha Bezerra que foi assassinado, em 1711, por conta da sua relação com o parente Leandro Bezerra Cavalcante, da Guerra dos Mascates, era filho de José da Rocha Bezerra e Dona Antonia de Freitas Nogueira. Diz ainda, que Dona Antonia quando enviuvou de José da Rocha Bezerra, tinha 28 anos em 1680, e casou com Manoel Carvalho Tinoco em 1681. Diz mais, que Antonio da Rocha Bezerra foi casado com Dona Josefa Leite de Oliveira.

Vamos aos fatos. Dona Antonia Freitas, que casou com Manoel Carvalho Tinoco, não pode ser a mesma Antonia de Freitas Nogueira, pois, em 1708, era batizada sua filha Domingas, e, nessa data, teria 55 anos. Outro fato é que o coronel Antonio da Rocha Bezerra, que casou com Josefa de Oliveira Leite, foi padrinho do neto Antonio, filho de Antonio da  Rocha Bezerra e Maria Gomes Freire, no ano de 1760. Vamos conhecer melhor sobre Manoel Carvalho Tinoco e sua esposa.

Entre os assentamentos de praça, encontramos o seguinte: Manoel de Carvalho Tinoco, filho de Domingues Fernandes, natural da cidade de Braga, de idade de trinta e oito anos, cabelo negro, olhos pardos, barba negra, rosto grande, e comprido, e feito de pequena estatura, senta praça de soldado nesta companhia desde 5 de janeiro de 1699, e vence mil oitocentos e sessenta e seis réis de soldo, por mês, na forma do assento do Conselho da Fazenda, lançado no Lº 2º a fl 77 verso e não vencerá mais coisa alguma. Manoel Gonçalves Branco.

Na margem desse assento há mais algumas informações. Primeiro, a data de assento é corrigida para 21 de outubro de 1699, em Assú; outra anotação dá conta que foi condenado por sentença a servir à sua majestade um ano a sua custa como dela consta no Lº 6º a fl. 26 em que está registrado que começa em 23 de fevereiro de 1703, como consta de sua apresentação; começou a servir em a Companhia do capitão Salvador Amorim que era da Guarnição na Fortaleza dos Santos Reis a sua custa em (sem a data).

Entre os registros mais antigos, ainda existentes, encontramos os batismos de vários filhos de Manoel e Antonia, como segue:

Aos 13 de agosto de 1695, batizou o Padre Pedro Fernandes, de minha licença, na capela de São Gonçalo, a Caetano filho de Manoel de Carvalho Tinoco e de sua mulher Antônia de Freitas. Foram padrinhos Nicácio da Costa e Joana Gomes, filhos do Capitão Pedro da Costa (Faleiro). Basílio de Abreu e Andrade.

Aos 29 de setembro de 1697, batizou e pôs os santos óleos, de minha licença, o Padre Francisco Bezerra, em Santo Antônio do Potengi, a inocente Ana, filha de Manoel Carvalho e de sua mulher Antônia de Freitas. Foram padrinhos Manoel Rodrigues Santiago e Florença de Dornellas. Domingos da Rocha de Figueiredo.

Em 19 de fevereiro de 1700 anos, na capela de São Gonçalo do Potengi, com licença do Reverendo Padre Coadjutor desta Matriz, o licenciado Antonio Rodrigues Frazão, batizou o Padre Francisco Bezerra a Manoel, filho de Manoel de Carvalho Tinoco e de sua mulher Antônia de Freitas. Foram padrinhos Manoel da Gama de Araújo e Bernarda de Oliveira, filha da viúva Mariana da Costa. Simão Rodrigues de Sá.

Em 05 de julho de 1702 anos, na capela do Senhor São Gonçalo do Potengi, batizei a Joseph, filho de Manoel Carvalho e de sua mulher Antônia de Freitas. Foram padrinhos Manoel Gonçalves Pimentel e Maria de Freitas, mulher de Antônio Pinto. Simão Rodrigues de Sá.

Em 4 de abril de 1704, na capela do Senhor Santo Antônio do Potengi, com licença minha, batizou o Padre Francisco Bezerra de Góis, a  Maria, filha de Manoel Carvalho e de sua mulher Antônia de Freitas. Foram padrinhos o Comissário Geral Antônio Gomes de Barros e Custódia de Freitas, filha de Maria de Freitas, mulher de Antônio Pinto. Simão Rodrigues de Sá, Vigário.

Em 11 de maio, na Capela do Senhor Santo Antônio do Potengi, do ano de 1706, batizei a Florinda filha de Manoel Carvalho Tinoco e de sua mulher Antônia de Freitas. Foram padrinhos o tenente-coronel Teodósio de Grasciman e sua mulher Paula Barbosa. Simão Rodrigues de Sá.

Em 06 de agosto de 1708 anos, na capela de São Gonçalo do Potengi, de licença minha, batizou o Padre Antonio de Araújo e Souza a Domingas filha de Manoel Carvalho Tinoco e de Antônia de Freitas. Foram padrinhos o Padre Francisco Bezerra e Custódia de Freitas. Simão Rodrigues de Sá.

Essa Maria de Freitas, mulher de Antonio Pinto, parece ser da família, pois, ela ou sua filha, Custódia,  apadrinharam três filhos de Antonia de Freitas.

O registro de casamento de Caetano já apresenta falhas e, por isso, transcrevemos parte dele. Caetano Gomes de Almeida (o sobrenome não contém, aparentemente, nenhuma relação com os dos pais) casou aos nove de agosto de 1734, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, com Apolônia de Almeida Costa, filha legítima de Mathias da Silva Gayo, e de sua mulher Potenciana Carvalho, já defunta, na presença do capitão de Infantaria Francisco Ribeiro Garcia, do sargento-mor Hilário de Castro Rocha, de sua mulher Maria Magdalena e de Izabel de Barros, mulher do coronel Carlos de Azevedo do Vale. Nessa data Manoel Carvalho Tinoco, seu pai,  já era falecido. As denunciações foram feitas na Matriz e na capela da Senhora Santa Ana do Arraial, onde Apolônia era moradora e na de Nossa Senhora dos Remédios de Cajupiranga, onde morava Caetano. Apresentaram banhos corridos no Curato de Assú, e foram dispensados no quarto grau de sanguinidade atingente ao terceiro.

Outro filho de Manoel Tinoco e Antonia de Freitas, que encontramos o casamento, foi Manoel. Transcrevemos seu registro a seguir.

Aos vinte e oito de novembro de mil setecentos e quarenta e dois anos, na Capela do Senhor Santo Antonio do Potegy, desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações na forma do Sagrado Concilio Tridentino, nesta Matriz e nas mais partes necessárias desta Freguesia, onde os contraentes são naturais e a contraente moradora, e na Freguesia do Assú, onde o contraente é morador, sem se descobrir impedimento, como consta das Certidões dos Banhos, que ficam em meu poder, em presença do Reverendo Padre Manoel Pinheiro Teixeira, de licença minha, e sendo presentes por testemunhas o coronel João Pereira de Veras e Ignácio de Oliveira, pessoas conhecidas, os quais vinham assinados juntamente como o Reverendo Padre Assistente, no assento  que mandou, por eu assim expressar, na licença que dei conforme provimento do Reverendo Senhor Doutor Visitador, se casaram em face da Igreja, solenemente, por palavras, Manoel Carvalho, filho legítimo de Manoel Carvalho Tinoco, já defunto, e de Antonia de Freitas, moradores que foram neste Rio Grande, e por ora moradores na freguesia do Senhor São João Baptista do Assú, com Josefa da Costa de Oliveira, filha legítima de Basílio Lopes Lima e de sua mulher Antonia Leite de Oliveira, moradores nesta Freguesia e dela ambos os contraentes naturais. Manoel Correa Gomes, Vigário.


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Segredos que vem à tona




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Tive algumas dificuldades na descoberta de alguns parentescos, em virtude de segredos que eram mantidos por familiares. Grande parte desses segredos vinha do nascimento de filhos naturais, como se isso não fosse comum nas famílias do mundo todo, desde o começo dos tempos.
A primeira dessas dificuldades veio quando tentei descobrir o parentesco do Senador Georgino Avelino com a nossa família. Todo mundo era parente dele, mas não ninguém sabia explicar como. Através de exaustivas pesquisas em documentos fui me aproximando mais e mais da verdade. Ela somente foi confirmada através do meu parente José Nazareno Avelino, morador no Assú. O avó do Senador Georgino, Vicente Maria da Costa Avelino, era filho bastardo (como se dizia naquela época) do meu trisavô Alexandre Avelino da Costa Martins.
Depois, tentei descobrir como era nosso parentesco com os Alves. Papai deixou escrito que tanto os Alves Fernandes como os Rodrigues do Baixo Assú e Macau eram do clã do velho José Martins Ferreira. Foi uma pesquisa difícil, aonde a maior dificuldade vinha da afirmação que os Alves eram de Santana do Matos. Minha irmã, que conversou mais com minha avó, Maria Josefina Martins Ferreira, afirmava que ela era prima legitima de seu Nezinho. Ninguém mais sabia dizer coisa alguma. Cheguei a conversar com membros da família Alves, incluindo aí, descendentes de Manoel Alves Martins Filho, irmão de seu Nezinho, mas qualquer elo para eles estava distante no tempo. Somente, quando encontrei, lá no Fórum de Assú, o inventário de meu tio-bisavô José Alves Martins, tudo se esclareceu repentinamente. Nele estavam nomeados todos os nove filhos dele e da sua esposa Francisca Martins de Oliveira, incluindo aí Manoel Alves Martins, Josefina Emília, Militão Alves Martins e Delfino Alves Martins.
Minha tia Águida Torres Avelino foi casada com Bernardo Pinto de Abreu. Não tinha nenhuma informação sobre ele. Procurei entre os familiares mais detalhes, mas nada. Com a ajuda de meus tios Francisco Avelino e Láercio Avelino, localizei no Rio de Janeiro, Fátima Pantoja e Manoel Pantoja, filhos de Pintinha (Maria Pinto de Abreu) e netos maternos de tia Águida. Havia um ranço com relação a minha tia-avó, pois ela, quando viúva de Bernardo Pinto de Abreu, teve uma filha natural, conhecida na família com Ritinha. Deram-me o telefone de Rosália Pinto de Abreu, outra filha de Bernardo e Águida, que mora em Recife, e, atualmente está com 107 anos. Como na época estava doente, conversei tranquilamente com Irene filha dela que me deu maiores detalhes dessa descendência, que já comentei em artigo anterior.
Um dia quando meu tio Chiquinho esteve aqui em Natal, perguntei por que ele não tinha o nome completo do seu avô Francisco Avelino da Costa Bezerra. Ele me respondeu que isso aconteceu por conta da existência de um filho bastardo desse referido avô. Agora, quando da vinda de Francisco Avelino Neto, por conta da doença de mamãe, resolvi continuar a conversa. Queria saber mais detalhes, iniciando pelo nome desse irmão de meu avô. Chamava-se Luiz Torres. Foi descrito como um homem alto e moreno. Meus tios lembravam-se de um dos filhos dele, de nome Chico Torres. Tia Francisquinha disse que estudou com ele, no primário, lá em Angicos, e tio Laércio disse que ele, Chico Torres, foi casado com a viúva de um tal Clarindo Dantas.
Uma pergunta que meus tios não souberam responder: Se Luiz era filho natural de Francisco Avelino da Costa Bezerra, porque ele tinha o sobrenome da esposa dele, Josefa Maria da Costa Torres?
Nas pesquisas que tenho feito em livros de registros que começam em 1688, filhos naturais estão sempre presentes. A esposa do português Manoel Raposo da Câmara nasceu antes dos pais se casarem. O coronel Francisco Machado de Oliveira Barros gerou um filho natural que foi presidente de nossa Província, Joaquim José do Rego Barros. Minha tetravó Lourença Dias da Rosa nasceu antes de sua mãe, a viúva Francisca Xavier Lopes, casar com meu tetravô Francisco Xavier da Cruz. Não esperou pelo casamento com o primo. Os padres Thomaz Pereira de Araújo, Francisco de Brito Guerra, Antonio de Souza Martins, Pantaleão da Costa Araújo e tantos outros deixaram larga descendência por aqui. Jerônimo de Albuquerque Maranhão, uma das figuras exponenciais da nossa história, era filho natural de Jerônimo de Albuquerque com uma índia.
Batismo de Lourença Dias da Rosa

Missa de 7ª Dia, Dalvanira Avelino Trindade

Avisamos aos amigos e parentes que a missa de 7ª dia de Dalvanira Avelino Trindade, falecida no dia 21 de maio,  será na próxima quarta-feira, dia 27 de maio de 2015, na Igreja Santa Terezinha, às 19 horas.
nascida em 10,03.1918 em Angicos

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Falecimento de Dalvanira Avelino Trindade

Ontem, às 19:30, faleceu minha mãe, Dalvanira Avelino Trindade, de 97 anos, natural de Angicos e filha de Cícero Torres Avelino e Severina Cláudia. Seu enterro será no Cemitério do Alecrim às 16 horas, saindo o féretro do Centro de Velório São José, às 15 horas. Haverá missa às 14 horas.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O capitão João Cavalcante Bezerra e seus dois Antonios




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Em artigos anteriores já escrevemos sobres membros da família Bezerra Cavalcanti, citando inclusive o capitão João Cavalcante Bezerra, que neste artigo de hoje tem um destaque especial. Os Cavalcantis são antigos aqui no Brasil e se entrelaçam, principalmente, com Barbalho Bezerra, Rocha Bezerra e Albuquerque. No registro a seguir o vigário João Freire Amorim reclama da falta de alguns elementos na certidão que veio para ele.
Antonia, filha legítima do capitão João Cavalcante, natural de Pernambuco, e de sua mulher Dona Josefa Lourença Bezerra, natural da Freguesia de São João Baptista do Curato de Assú, e ambos assistentes e moradores desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, neta por parte materna do coronel Antonio da Rocha Bezerra, natural da capitania da Paraíba, e de Josefa de Oliveira, natural desta dita Freguesia, e por paterna não sei precisar na certidão, e nem o dia, foi batizada com os santos óleos, na capela do Senhor Santo Antonio do Putegy, desta Freguesia, pelo Reverendo Padre Antonio de Sousa Magalhães, Vigário da Vila de Extremoz, de licença minha. Foram padrinhos Gonçalo Freire de Amorim, homem casado, e Maria Gomes Freire, mulher do sargento-mor Antonio da Rocha Bezerra, todos fregueses e moradores desta dita freguesia. João Freire Amorim, Vigário.
Esse registro é do ano de 1761. O sargento-mor Antonio da Rocha Bezerra era irmão de Dona Josefa Lourença. Quando ficou viúvo de Maria Gomes Freire casou  com Joana Cândida Ferreira de Mello, filha do sargento-mor Manoel Antonio Pimentel de Mello e Anna Maria da Conceição.
O capitão João Cavalcante Bezerra, além dessa filha de nome Antonia tinha mais dois filhos de nome Antonio, filhos de mães diferentes, Josefa Lourença da Rocha Bezerra e, depois (1777), Getrudes Thereza Ignácia de Sousa, filha de Francisco de Sousa e Oliveira e Tecla Rodrigues Pinheiro. Vejamos o casamento dos dois Antonios.
Aos trinta de janeiro de 1783, na Capela da Soledade, Antonio Cavalcante Bezerra, filho legítimo de João Cavalcante Bezerra e de Josefa Lourença, já defunta, casou com Maria de São José de Mello, natural desta cidade do Rio Grande, filha legítima do sargento-mor Manoel Antonio Pimentel de Mello e de Anna Maria da Conceição, já defuntos, ambos naturais deste Bispado de Pernambuco, na presença das testemunhas tenente-coronel Antonio da Rocha Bezerra e Manoel João da Silveira, todos moradores nesta Freguesia. Francisco de Souza Nunes, Vigário do Rio Grande.
Aos vinte e um de novembro de 1804, na Matriz, dispensados no segundo e terceiro graus de consanguinidade, Antonio Bezerra Cavalcante, filho legítimo de João Cavalcante Bezerra e de Getrudes Thereza Ignácia de Oliveira, falecida, casou com Getrudes Thereza de Sousa, filha legítima do capitão Antonio José de Sousa e Oliveira e de Dona Joanna Ferreira de Mello, falecida, na presença das testemunhas o capitão Luiz José Rodrigues Pinheiro e Joaquim Felício de Almeida, casados.
Uma filha de Antonio Cavalcante Bezerra e Maria de São José, de nome Mariana, nasceu aos dois de janeiro de 1788, e foi batizada aos dezesseis do mesmo mês e ano, na capela de Nossa Senhora da Aldeia Velha, tendo como padrinhos o alferes Anselmo José de Faria e sua mulher Marianna da Rocha Bezerra. Dona Marianna era filha do coronel Antonio da Rocha Bezerra e Josefa Leite de Oliveira, e, portanto, irmã de Josefa Lourença, mãe de Antonio.
Antonio, filho do tenente Antonio Cavalcante Bezerra, e de Maria de São José, nasceu aos 12 de novembro de 1794, e foi batizado, na capela de Nossa Senhora da Soledade, ao 1 de dezembro do mesmo ano, tendo como padrinhos, Josefa, solteira, filha da viúva Dona Joanna Ferreira de Mello.
Um nome que se repete, por várias gerações, nessa família é Leonardo. Antonio Cavalcante Bezerra e Maria de São José tiveram um filho com esse nome, nascido aos treze de maio de 1788 e batizado, na capela de Santo Antonio do Potegi, aos dois de julho do mesmo ano, tendo como padrinhos Gonçalo Pinheiro Teixeira e dona Mariana da Rocha. Leonardo Bezerra Cavalcante casou com Bernardina Josefa de Moraes filha de Vito Antonio de Moraes e Anna Pedroza.
De Antonio Bezerra Cavalcante e Getrudes Thereza de Souza nasceu João, aos quatorze de fevereiro de 1809 e, foi batizado aos dezesseis de fevereiro do mesmo ano, na capela de São Gonçalo, tendo como padrinhos João Cavalcante Bezerra e Dona Zenóbia Bezerra Cavalcante.
Outro filho de Antonio e Getrudes, Thomas,  foi batizado na Capela de São Gonçalo, aos 9 de março de 1815, sendo padrinhos Antonio Cavalcante Bezerra e sua mulher Maria Cassemira.
Em 19 de novembro de 1779, nasceu João Cavalcante Bezerra, filho de João Cavalcante Bezerra e Dona Getrudes Thereza Ignácia de Oliveira, e foi batizado no mesmo ano, tendo como padrinhos os avós maternos, Francisco de Sousa e Tecla Rodrigues. Vinte anos depois, aos 10 de outubro de 1799, ele casou, na capela do Senhor Bom Jesus das Dores, com Maria Magdalena de Jesus, filha do tenente José Rodrigues Pinheiro e Thereza de Jesus, sendo presentes por testemunhas o capitão Antonio José de Sousa e o capitão João Cavalcante Bezerra.
Dona Getrudes Threza Ignácia de Sousa faleceu seis anos depois do seu casamento com João Cavalcante Bezerra, na idade de 30 anos.




terça-feira, 5 de maio de 2015

A família Aquilar Bezerra




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG
Minha tia-bisavó, Maria da Conceição da Costa Bezerra, filha de Alexandre Avelino da Costa Martins e Anna Francisca Bezerra, casou, no Sítio Carapebas, em 1882, com Antonio Machado Alves Bezerra, filho legítimo de Vicente Machado de Aquilar Bezerra e Ignácia Maria Xavier Bezerra, com dispensa de consanguinidade. Nos registros da Igreja não encontrei, até agora, outra qualquer família com esse sobrenome Aquilar, aqui no Rio Grande do Norte. Esse Alves, que aparece como sobrenome de Antonio, também, não descobri a origem. No batismo de Antonio e Francisca, a seguir,  verificamos como de registro para registro há variação no nome das pessoas, o que em alguns casos dificulta a pesquisa genealógica.
Francisca Rita Xavier de Maria, que nasceu em Macau, era filha de Vicente Machado de Aquilar Bezerra e Ignácia Francisca Xavier Bezerra, e casou com o viúvo Francisco Xavier de Oliveira Bello, filho de meu tio-trisavô,  Gonçalo José Barbosa, e Marianna Rosa da Silva.
Vejamos o registro de outro de Vicente e Ignácia: Antonio, branco, filho legítimo de Vicente Machado de Aquilar e Ignácia Francisca Bezerra, meus fregueses, nasceu a 22 de setembro de 1851, e foi por mim solenemente batizado no Sítio Curral dos Padres a 29 de novembro do dito ano, sendo padrinhos Alexandre Francisco da Costa Bezerra e Maria Catharina de Sena. Felis Alves de Souza.
Um dos filhos do casal Antonio Machado e Maria da Conceição foi Claudiana, que era avó dos escritores Paulo de Tarso e Bartola. No dia 13 de abril batizei solenemente no Sítio Curral dos Padres, nesta Freguesia, a Claudiana, natural desta mesma Freguesia, sendo padrinhos Vicente Machado de Aquilar Beserra, e Anna Francisca Bezerra, por sua procuradora Joaquina Francisca Xavier Bezerra, nascida aos 25 de Fevereiro do dito ano, e filha legítima de Antonio Machado Alves Bezerra, e Maria da Conceição da Costa Bezerra, livres, brasileiros, e moradores nesta Freguesia, sendo as profissões, do pai = criador, e da mãe = ocupação doméstica. O Vigário Felis Alves de Sousa.
Dessa família Aquilar Bezerra, o registro mais antigo que encontrei foi de Vicência Francisca de Aquilar Bezera, que casou com meu tio-tetravô José Alexandre Solino da Costa: Aos treze de agosto de mil oitocentos, e trinta e quatro, pelas doze horas do dia, depois de obtida a dispensa do impedimento de segundo grau duplicado de sanguinidade e, atingente ao primeiro, e tendo precedido as canônicas denunciações, sem impedimento, confissão, exame de doutrina cristã, ajuntei em matrimônio e dei as bênçãos nupciais aos meus paroquianos José Alexandre Solino, e Vicência Francisca, naturais, e moradores nesta Freguesia, ele filho legítimo de Antonio Barbosa, já falecido e sua mulher Claudiana Francisca Beserra, sendo testemunhas João Evangelista, e Agostinho Barbosa, casados, que comigo assinaram o assento, que fiz na Fazenda Carapebas, desta Freguesia. Luiz Teixeira da Fonseca. Vigário Interino.
Infelizmente, no registro acima, não aparecem os nomes dos pais da nubente, mas pelo grau de consanguinidade, José Alexandre era primo ou tio de Vicência, ou vice-versa. Como ela faleceu em 1879, com 70 anos, deve ter nascido por volta de 1809. Não pude encontra a relação de Vicência com Vicente Machado. Os nomes completos dos nubentes encontramos no batismo a seguir: Francisca, filha de José Alexandre Solino da Costa e Vicência Francisca de Aquilar Bezerra nasceu aos 26 de agosto de 1848 e foi batizada aos oito de dezembro do mesmo ano, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré, tendo como padrinhos Rufino Álvares da Costa e Joanna Martins de Miranda.
Uma filha de José Alexandre e de Vicência tinha o mesmo nome da avó paterna, Claudiana Francisca Bezerra. Ela foi casada com meu tio-bisavô, o cadete José Avelino Martins Bezerra.
Acredito que Vicente Ferreira de Aquilar Bezerra era filho de Vicente Machado. Ele e uma irmã de nome Joana Maria Xavier Bezerra foram padrinhos de batismo em 1873, na capela do Rosário. Em 1905, casava um Vicente Ferreira de Aquilar Bezerra com Luiza Bezerra Grilo, em Carapebas.
Em 17 de dezembro de 1891 falecia Joanna Francisca de Aquilar Bezerra, com 38 anos de idade, casada que era com Leocádio Francisco da Costa Bezerra.
Nos livros de dispensas matrimoniais, encontrei a dispensa de 4º grau de consanguinidade para o Francisco Machado  Alves Bezerra e Francisca das Chagas Xavier da Silva. Não encontrei o casamento deles. Tenho recebido algumas informações desencontradas sobre descendentes deles. Oportunamente, com mais precisão falarei sobre esse casal. Acredito que esse Francisco era filho de Antonio Machado Alves Bezerra e Maria da Conceição.
Bartholomeu em Afonso Bezerra, ao lado do busto do cadete José Avelino






.

terça-feira, 28 de abril de 2015

São Romão no século XIX


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Há muitos desencontros nas informações dessa localidade, que hoje recebe o nome de Fernando Pedrosa. No próprio site da Prefeitura, encontramos a seguinte informação: Vila de São Romão era assim chamada devido a uma antiga moradora por nome Crináuria que doou a imagem de São Romão para a 1ª capela, que fica ao lado da estação ferroviária, que hoje funciona como armazém. Outros disparates aparecem em vários textos sobre Fernando Pedrosa.

 Por isso, resolvi escrever algumas linhas sobre São Romão, usando principalmente registros da Igreja do século XIX. Meu interesse por São Romão vem do fato de alguns ascendentes meus terem vivido por lá.

Manoel Ferreira Nobre, em suas “Breves Notícias Sobre a Província do Rio Grande do Norte, não menciona São Romão, mesmo escrevendo sobre Angicos; Nestor dos Santos Lima, quando escreveu sobre  esse mesmo município, disse o que se segue sobre São Romão: novo e florescente povoado, a 10 km da Vila, sobre a estrada de Lages-Angicos, fica à margem direita do Rio de Angicos, tem grande número de casas e uma capela, recentemente construída e dedicada a São Romão. Tem escola rudimentar (1925) e feira semanal. Mais adiante, quando tratou da Fazenda São Romão, informou como pertencente a Joaquim Firmino Filho. Fala também sobre um serrote de mesmo nome.

Aluízio Alves, em “Angicos”, fala sobre o distrito de  Fernando Pedrosa, a partir da construção da estrada de rodagem Lages-Santana do Matos: São Romão era, a esse tempo, uma extensa mata, propriedade de vários agricultores, entre os quais Fernando Pedrosa, Joaquim Firmino e Miguel Trindade.

Minha avó, Maria Josefina Martins Ferreira, por exemplo, embora tenha nascido na Fazenda Cacimbas do Vianna, hoje localizada em Porto do Mangue, foi batizada em São Romão, como podemos ver do registro a seguir: Maria, filha legitima de Francisco Martins Ferreira, e Francisca de Paula Martins Ferreira, moradores nesta Freguesia, nasceu aos quatro de dezembro de mil oitocentos e setenta, e foi por mim solenemente batizada, no sítio São Romão, desta mesma Freguesia, aos 10 de agosto de mil oitocentos e setenta e um; foram padrinhos, o major José Martins Ferreira (avô paterno da batizada), por seu procurador Vicente Ferreira Xavier da Cruz, e Maria Ignácia Rosalinda Brasileira; Vigário Félix Alves de Souza. Dona Crináuria, citada acima, minha tia, era filha de Miguel Francisco da Trindade e Maria Josefina Martins Ferreira. Foi casada com Joaquim Firmino de Deus Gonçalves Filho.

Minha bisavó, Francisca de Paula Maria de Carvalho (nome de solteira), também foi batizada na mesma localidade da filha: Francisca, branca, filha legítima de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e Maria Ignácia Rosalinda Brasileira, nasceu aos 13 de fevereiro de 1848, e foi batizada, no Sítio São Romão, aos 30 de março do mesmo ano, pelo Reverendo Félix Alves de Sousa, sendo padrinhos João Luis da Rocha, solteiro, e Izabel Francisca de Sousa, viúva, do que para constar mandei fazer este assento, em que me assino. Félix Alves de Sousa, Vigário Colado de Angicos.

Minha tia bisavó, Maria Ignácia Teixeira do Carmo (nome de solteira), também foi batizada em São Romão, como podemos ver do registro a seguir: Maria, branca, filha legítima de Vicente Ferreira (Xavier) da Cruz, e de sua mulher Maria Ignácia Rosalinda (Brasileira), naturais e moradores neste lugar, nasceu a 28 de fevereiro de 1846, e foi por mim solenemente batizada, no Sítio São Romão, a 17 de junho de mesmo ano, sendo eu mesmo padrinho, digo = Procuração que dei a José Thomas Pereira, e Rita Teixeira da Conceição; do que para constar, faço este assento, em que assino. Félix Alves de Sousa, Vigário Colado de Angicos. Maria Ignácia, quando se casou com José Francisco Alves de Souza, passou a se assinar como Maria Ignácia Alves de Souza. Era a mãe do capitão J. da Penha, de José Anselmo e de Maria das Neves, esposa do jornalista Pedro Avelino.

A maioria dos registros que encontro da época, em São Romão está ligado ao meu trisavô Vicente Ferreira Xavier da Cruz, e, por isso acredito que ele era o proprietário da Fazenda ou Sítio São Romão. Vejamos mais um registro de filho de Vicente: Manoel, branco, filho legítimo de Vicente Ferreira Xavier da Cruz e de sua mulher Maria Ignácia Rosalinda Brasileira, nasceu aos 21 de novembro de 1850, e foi por mim solenemente batizado, no Sítio São Romão, desta Freguesia, aos 10 de dezembro do mesmo ano, sendo padrinhos Nossa Senhora da Conceição e Hermenegildo Pinheiro de Vasconcellos, branco, casado, do que para constar fiz este assento, em que assino. Félix Alves de Sousa; Pouco tempo depois, Manoel, em 27 de janeiro de 1851, foi sepultado, tinha pouco mais 2 meses. No registro consta que seus pais eram moradores da Fazenda São Romão.

O registro mais antigo da Freguesia de Angicos, de um sacramento em São Romão, foi do casamento de Ignez, escrava de Vicente Ferreira Xavier da Cruz, com Manoel Antonio, no dia 30 de outubro de 1844, na presença de Joaquim Ignácio Pereira e João Luis da Rocha.

Aos dez de outubro de 1872, quem casava no Sítio São Romão, com dispensa de afinidade ilícita, e na presença de Francisco Martins Ferreira e Cosme Teixeira Xavier de Carvalho, era Marcolino de Freitas Gogó, com Vicência Maria da Conceição, ele do Assú e filho de Alexandre Nogueira da Silva e Ana Maria da Conceição, falecidos, e ela de São José de Angicos, e filha de José Teixeira Branquinho e Generosa Maria da Conceição. Essas testemunhas estavam ligadas ao meu trisavô Vicente Ferreira Xavier da Cruz: o tenente-cirurgião Francisco Martins Ferreira, meu bisavô, era genro dele, e Cosme Teixeira Xavier de Carvalho, meu tio bisavô, era filho.

Quando José da Penha falou: “Tabuleiros, onde minha infância perseguiu borboletas. O meu coração tem a dureza daquelas pedras,  e com este rochedo de carne, hei de esmagar a oligarquia dominante”, talvez estivesse falando daquelas pedras que circundam São Romão, terra de sua mãe, Dona Maria Ignácia Alves de Souza.

Ass. de Vicente Ferreira Xavier da Cruz