segunda-feira, 9 de junho de 2014

Domingos da Rocha e D. Josefa Maria



João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

No artigo sobre o Ajudante Alexandre de Mello Pinto apresentamos D. Josefa Maria de Jesus como filha natural de Brázia Tavares da Fonseca, mas que em um batismo é dada como filha de Alexandre.

Seu marido, Domingos da Rocha, era filho do capitão Domingos Dias e de sua mulher Antonia Borges. Dos seus filhos só localizamos dois: Antonio Dias Ribeiro e Alexandre Borges da Fonseca, que seguem, através dos assentamentos de praças e casamentos.

Antonio Dias Ribeiro, filho de Domingos da Rocha, natural desta cidade, de idade de quatorze anos, de estatura pequena, rosto algum tanto redondo, alvo, olhos grandes pardos e rasgados, testa larga de cantos, nariz mediano, boca algum tanto rasgada, com todos os dentes, a cabeça grande, o cabelo acastanhado e estirado, senta praça por despacho do capitão-mor desta capitania Joaquim Felix de Lima e intercessão do Vedor Geral Doutor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, por sua vontade, em seis de maio de 1772 anos, e vence de soldo e farda, como os mais, e uma quarta de farinha de dez em dez dias. Passou a cabo de esquadra em 24 de março de 1781.

Alexandre Borges da Fonseca, solteiro, filho legítimo de Domingos da Rocha, natural de Goianinha, de idade de dezesseis anos, pouco mais ou menos, de estatura baixa, cheio de corpo, rosto quase redondo, cor alva, com buço, sem ponta de barba, boca pequena, nariz ordinário, sem falta de dentes, olhos pardos, testa de cantos, cabelos acastanhados e corredios, senta praça voluntário, por portaria dos senhores capitães-mores interinos, José Baptista Freyre, e José Pedro de Vasconcellos, e intercessão  do Vedor Geral, o Doutor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, em 22 de dezembro de 1779, e vence de soldo e farda por mês, dois mil e quatrocentos reis e uma quarta de farinha de dez em  dez dias.

O registro de batismo de Alexandre está muito estragado, mas deu para tirar algumas informações; Ele nasceu por volta de 1761, e teve como padrinhos o Ajudante Alexandre de Mello Pinto e esposa Brázia Tavares da Fonseca. 

Do registro de casamento anotamos que: em primeiro de novembro de mil setecentos e oitenta e três, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, na presença do padre Francisco de Souza Nunes, e das testemunhas, sargento José da Costa Pereira e o cabo de esquadra Antonio Dias Ribeiro (irmão do nubente), moradores nesta cidade, se receberam por palavras de presente Alexandre Borges da Fonseca, filho legítimo de Domingos da Rocha (Ribeiro) e de sua mulher Josefa Maria (de Jesus), já defunta, com Anna Caetana de Jesus, exposta em casa de Francisco Pinheiro, no Jundiaí.

De Antonio Dias Ribeiro, só encontramos o segundo casamento, do qual extraímos o que segue: Aos dez de novembro de mil oitocentos e um, na capela de São Gonçalo do Potigi (sempre do Potengi, nunca do Amarante), em presença do Padre Antonio Pedro de Alcântara, de minha licença, e sendo presentes por testemunhas o alferes João Pedro de Sá Bezerra e o alferes Paschoal Gomes de Lima, ambos brancos, casados e moradores nesta Freguesia, se casaram em face da Igreja, Antonio Dias (Ribeiro), branco, viúvo que ficou de Águida Maria, falecida nesta Freguesia, com Luiza Figueira da Costa, branca, filha legítima de Antonio José de Lemos, e sua mulher D. Anna Maria Bezerra, já falecida. Feliciano José Dornelles.

Aos dezesseis de janeiro do ano de mil oitocentos e sete, faleceu Luiza Figueira, casada com Antonio Dias Ribeiro, moradores na Guanduba, desta freguesia, de idade de quarenta e cinco anos, pouco mais ou menos, foi sepultada na capela de São Gonçalo, e encomendada, de minha licença, pelo Padre Antonio Pedro de Alcântara, Feliciano José Dornelles.
As idades que constavam nos registros de óbitos ou assentamentos de praça nem sempre eram verdadeiras. Era comum expressões como: “que parecia ter” e “que dizia ter”.

Dona Luiza, na verdade, nasceu aos dezoito de janeiro de 1768, e foi batizada, na Matriz de São Miguel, e Nossa Senhora dos Prazeres da Vila de Extremoz, aos vinte três de março do mesmo ano, sendo seus padrinhos José de Araújo (Pereira), e Dona Thereza de Jesus, filha de Prudente de Sá. Seu pai era natural de Porto Calvo. Eram seus avós paternos Roque Jacinto de Lemos, natural de Lisboa, da Freguesia de São Julião, e de Luiza Figueira, natural de Porto Calvo, e pela materna de Hipólito de Sá Bezerra, natural da Vila de Vianna, e de Dona Joanna Bezerra de Albuquerque.

Esse José de Araújo Pereira era irmão dos meus pentavós Thomaz de Araújo Pereira (2º) e João Damasceno Pereira. A esposa dele, Helena Barbosa de Albuquerque, era irmã de Anna Maria Bezerra, mãe de Luiza.
assento de praça de Antonio Dias Ribeiro

terça-feira, 3 de junho de 2014

O Ajudante da Fortaleza, Alexandre de Mello Pinto




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Em uma petição de Alexandre de Mello Pinto, do ano de 1754, ele aparece como Ajudante da Fortaleza e das Ordens do capitão-mor da capitania do Rio Grande. Foi o patriarca da família Mello Pinto, do Rio Grande do Norte. Faleceu em 1790, com a idade de 72 anos. 

No dia oito de maio de 1743, depois da meia noite, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, da cidade do Rio Grande do Norte, com a presença do Padre Aurélio José de Mello e do Doutor Cosme de Medeiros Furtado, se casaram o Ajudante Alexandre de Mello Pinto, filho legítimo de José de Mello de Costa e de sua mulher Dona Maria do Espírito Santo, e Brázia Tavares da Fonseca, filha legítima de Luis Alves Tavares e de sua mulher Maria da Fonseca, já defuntos, naturais e moradores desta cidade.

Aos 22 de abril de 1753, era batizada Maria, filha de Alexandre e Brázia, tendo como padrinhos Nossa Senhora da Apresentação e o capitão Bernardo de Faria Freitas; Aos seis de maio de 1755, na matriz, foi batizada Anna Rosa, outra filha do casal, tendo como padrinhos o capitão Pedro Alberto de Mello e Thereza Tavares da Fonseca;  Em 1801, faleceu Maria da Fonseca, solteira, de 40 anos, e, em 1808, faleceu o padre Francisco Álvares de Mello, com 64 anos, ambos filhos de Brázia e Alexandre. 

Em um batismo de 1754, de Manoel, filho de João de Barros e Rosa Maria da Apresentação, compareceu como madrinha Josepha Maria de Jesus, filha do ajudante Alexandre de Mello Pinto. Essa mesma Josepha, é apresentada como filha natural de Brázia, em quatro de outubro de 1759, quando casou, na Matriz, com Domingos da Rocha, filho legítimo do capitão Domingos Dias e de sua mulher Antonia Borges. Ainda mais, Josepha, faleceu em 1737, com a idade de quarenta anos, isto é, ela deve ter nascido seis anos antes do casamento dos pais. Vejamos os outros filhos de Brázia e Alexandre.
Ignácia Úrsula de Mello casou em 1772 com o sargento de infantaria, José da Costa Pereira, filho do português da Ilha de São Miguel, Simão da Costa Pereira, e de Francisca Barbosa Aranha (em alguns registros, Valcácer), natural da Freguesia de Igarassu. Destacamos os seguintes filhos de Ignácia e José: Joanna, que nasceu em 1772, tendo como padrinhos João Coelho e a tia Maria da Fonseca; Elena, que nasceu em 1774, tendo como padrinhos, os avós Alexandre e Brázia; Simão, que foi homenageado como o nome do avô paterno, nasceu em 1777, tendo como padrinhos, Francisco Álvares de Mello  e Anna Rosa, seus tios; Marianna, que nasceu em 1779, e teve como padrinhos, Antonio Dias Ribeiro e a tia Maria da Fonseca; Francisco que nasceu em 1785, tendo sido batizado pelo tio, o padre Francisco Álvares de Mello, sendo padrinhos Antonio José de Sousa e Oliveira e sua mulher Joana Ferreira.

Brázia Tavares de Melo (em vários registros tem sobrenomes diferentes) casou com Luis José Rodrigues Pinheiro, filho de Francisco Pinheiro Teixeira e Bonifácia Antonia de Mello (avós de Frei Miguelinho). Desse casal destacamos os seguintes filhos: Antonio, que nasceu em 1780; Maria, que nasceu em 1785, padrinhos, o provedor da Fazenda, Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim e Francisca Antonia Teixeira; outra Maria, que nasceu em 1787, tendo como padrinhos o capitão Manoel Pinto de Castro e a tia Maria da Fonseca; José, que nasceu em 1797, e teve como padrinhos Ignácio Nunes Correia e sua mulher Antonia Clara das Neves.

Thereza Antonia de Mello casou, em 1761, com Antonio Teixeira da Costa, filho do condestável Carlos de Freitas e de Maria da Assunção; entre seus filhos, encontramos: José, que nasceu em 1763, padrinhos o sargento-mor Francisco Machado de Oliveira Barros, casado, e Ignácia Úrsula de Mello, solteira; Joachim, que nasceu em 1765, padrinhos, o avô Alexandre de Mello Pinto e Thereza Tavares da Fonseca, solteira; Ignez, que nasceu em 1777,  padrinhos, o provedor da Fazenda Real, Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim e Maria José, irmã da batizada; outro José, que nasceu em 1781, padrinhos, o sargento José da Costa Pereira, casado, e Thereza Tavares, solteira. Essa Maria José, que foi madrinha da irmã Ignez, casou com Alexandre Rodrigues da Cruz, filho dos meus hexavós, Francisco Cardoso dos Santos (Tracunhaém) e Thereza Lins (Seridó).

Alexandre de Mello Pinto, filho de Thereza Antonia de Mello e Antonio Teixeira, que nasceu aos 26 de maio de 1769, teve como padrinhos o padre Francisco Manoel Maciel, e Ignácia Úrsula de Mello, solteira. Ele, que recebeu o nome do avô, era tenente de tropa paga, quando casou, em 26 de novembro de 1803, com sua parenta de 3º grau, Josefa Maria da Rocha, filha de José Pereira da Freitas e Maria da Conceição Espínola, tendo como testemunhas Francisco Felipe da Fonseca e o padre Simão Judas Tadeu. Alexandre faleceu, em 22 de abril de 1813, com a idade de 44 anos. Dos filhos de Alexandre e Josefa, encontramos os seguintes:

José Cupertino de Mello Pinto, que casou com sua prima (2º grau), Joana Florência da Silva, filha de José Pereira de Freitas e Anna da Conceição (deve ser Maria da Conceição), na presença do capitão Salvador Maria da Trindade e Bento José Taveira, sendo celebrante o padre Salvador Maria da Trindade. Eles geraram Josefa, em 1830, que teve como padrinhos Francisco José de Carvalho e Thereza Antonia de Mello, tia; e João e Rosa, que nasceram em 1840, e tiveram como padrinhos, daquele, Manoel José Teixeira e Thereza Antonia de Mello, e desta, tenente José Fernandes Carrilho, casado, e Joana Maria da Conceição, solteira. Essa Thereza Antonia, que tinha o mesmo nome da avó paterna, era irmã de Cupertino.

Joaquim José de Mello Pinto, filho de Alexandre e Josefa, já apresentamos antes e foi bisavô do meu primo João Batista de Mello Pinto.
Casamento de Alexandre de Mello Pinto e Brázia Tavares da Fonseca

terça-feira, 27 de maio de 2014

D. Anna Joaquina do Nascimento, a índia braba




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Como registrei no artigo anterior, Joaquim José de Mello Pinto casou em 1833, em São José de Mipibú, com Izabel Maria de Alexandria. No ano de 1834, aos três de dezembro, nasceu Francisco Xavier de Mello Pinto, primeiro filho do casal, que foi batizado aos 31 do mesmo mês e ano, na capela do Ferreiro Torto, sendo padrinhos Francisco de Freitas Costa (que foi testemunha do casamento) e Maria José de Jesus, mãe de Izabel. Nessa data, o casal morava em Tabatinga, aqui em Macaíba. Não encontrei outros filhos de Joaquim e Izabel. Mas, aos três de novembro de 1843, Joaquim José de Mello Pinto ficou viúvo de Dona Izabel, moradora, ainda, em Tabatinga, que foi sepultada na Capela de Jundiaí.

Em setembro de 1865, na Tabatinga, foi batizado Cândido, com dois anos de idade, filho natural de Francisco Xavier de Mello Pinto e de Francisca Genuína Ferreira, tendo com padrinhos Joaquim José de Mello Pinto, avô de Cândido, e Maria Teixeira de Mello. Dois anos depois, em 16 de outubro, na Tabatinga, Francisco Xavier de Mello Pinto casou com Francisca, nessa data, viúva de José Alexandre da Silva. No ano seguinte, ainda, morador de Tabatinga, Francisco faleceu e foi enterrado no cemitério de Jundiaí.

Não encontrei um segundo casamento de Joaquim José de Mello Pinto. Viúvo, é possível que esse Joaquim José fosse o mesmo que faleceu, em 1867, na Casa de Caridade, embora constasse como casado no registro de óbito e, portanto, poderia ser o bisavô do meu primo João Batista.

Mas, eu tinha os anos de nascimentos do velho João Baptista de Mello Pinto e dos seus irmãos. Procurei os registros de batismo, da Freguesia Ceará-Mirim, desses filhos de Joaquim José de Mello Pinto, mas nada encontrei. Aí, procurei os registros de casamento de um deles. O registro do avô do meu primo, João Baptista de Mello Pinto, que casou em Angicos, não continha o nome dos pais dos nubentes. Mas, encontrei o registro do casamento de um irmão dele, conhecido por Zumba, de nome José Gomes de Mello Pinto, que me surpreendeu, e que transcrevo para cá.

Aos vinte e nove de dezembro de mil oitocentos e oitenta e seis, depois de feitas as diligências do estilo, sem impedimento algum, nesta Matriz de Ceará-Mirim, em presença das testemunhas capitão Bonifácio Vieira Goveia e João Baptista de Mello Pinto (esse casou com minha tia-avó Maria Rosa), uni em matrimônio os contraentes José Gomes de Mello Pinto e Maria Clotilde Varella Borges; ele filho natural de Anna Joaquina do Nascimento e ela filha legítima de João Varella Borges e de Maria Varella de Oliveira, e assistiram as bênçãos nupciais no dia dois de janeiro de mil oitocentos e sete, ambos os contraentes naturais e moradores nesta Freguesia. O Vigário Frederico A. Raposo da Câmara. 

Com a informação acima, e as que seguem abaixo, descobri que o avô do meu primo e os irmãos deles eram filhos naturais de Anna Joaquina do Nascimento e, por isso, a procura por filhos de Joaquim José de Mello Pinto, tinha sido infrutífera. Voltei aos batismos para procurar os registros dos filhos de Anna Joaquina do Nascimento. Aí, encontrei os batismos, que seguem abaixo, com exceção de Zumba, pois a microfilmagem dos livros de 1863 está ilegível.

João Baptista de Mello Pinto, branco, filho natural de Anna Joaquina do Nascimento, nasceu aos dez de junho de1860, e foi batizado pelo padre Luiz Fonseca Silva, aos 17 de julho do mesmo ano, sendo seus padrinhos Francisco José de Mello e Rita Coralina do Espírito Santo.

Francisco (do qual não encontrei outros registros posteriores), índio, filho natural de Anna Joaquina do Nascimento, nasceu aos três de fevereiro de 1861, e foi batizado aos trinta de agosto do mesmo ano, pelo vigário Luiz da Fonseca Silva, sendo seus padrinhos José Pegado de Oliveira e Joaquina Maria da Conceição, casados.

Manoel de Mello Pinto, branco, filho natural de Anna Joaquina do Nascimento, nasceu aos dezoito de outubro de 1864, e foi batizado pelo vigário Luiz da Fonseca Silva, aos vinte e oito do mesmo mês e ano, sendo seus padrinhos Joaquim Rodrigues da Silva e sua mulher Maria Rosa do Sacramento e Silva.

Francisco de Mello Pinto, branco, filho natural de Anna Joaquina do Nascimento, natural da Freguesia de São José, e moradora na de Ceará-Mirim, foi batizado aos trinta e um de maio de 1866, na casa de oração da Vila de Ceará-Mirim, pelo padre Targínio Pinheiro de Carvalho, sendo seus padrinhos João Victorino Ferreira Nobre e sua mulher Dona Anna Ferreira Nobre Pelinca.

Nos registros acima, é através do primeiro Francisco, que fica confirmado que Anna Joaquina do Nascimento era índia, além de ser natural de São José de Mipibú. Através de velhos jornais do Acre, onde foi morar, descobri que o segundo Francisco nasceu no dia 1 de maio de 1866.

Segundo os bisnetos João Batista de Mello Pinto e José de Mello Pinto, Dona Anna Joaquina do Nascimento, com a morte do pai dos seus filhos, foi lavar e passar, na Vila de Ceará-mirim, para poder sustentar a família. Dizem mais que ela era muito braba, e que Zumba, seu filho herdou essa brabeza. Zumba foi assassinado em Recife.

Para concluir transcrevemos o casamento de Nestor de Mello Pinto, filho de João Baptista de Mello Pinto e Maria Rosa da Trindade, e neto paterno de Dona Anna Joaquina do Nascimento: Aos vinte de novembro de mil novecentos e dezoito, na Fazenda Santa Luzia, em presença das testemunhas André Avelino da Trindade e Manoel de Mello Pinto, servatis servandis, assisti o recebimento matrimonial de Nestor de Mello Pinto e Luisa Rita da Trindade, solteiros, naturais, ele de Ceará-Mirim, e ela desta Freguesia, e previamente dispensados do impedimento de 2º grau de sanguinidade. Padre Júlio Alves Bezerra (tio do escritor Afonso Bezerra).

Luisa era filha de Joaquim Felippe da Trindade e Rita Emiliana de Assis Barbalho, aquele irmão de Maria Rosa da Trindade, e de André Avelino da Trindade. Manoel de Mello Pinto, tio de Nestor, casou a segunda vez com Anna, irmã gêmea de Joaquim Felipe.
Nestor e Luisa






quinta-feira, 22 de maio de 2014

Visitando João Batista de Melo Pinto




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Peguei carona com Dona Graça, que foi participar de um evento da Mary Kay, em Recife, e fui visitar meu primo, João Batista de Melo Pinto, dia 13 de maio próximo passado. Levei para eles os jornais com artigos de Vicente Serejo sobre os irmãos José Anselmo e José da Penha. Serejo, Wandyr Villar, Tarcisio Gurgel e Guaraci, entre outros, sempre me perguntam como vai João Batista e quando ele vem a Natal. O mesmo está se tratando de um coágulo, e completou, ontem, 19 de maio, 87 anos de idade.
João Batista foi bastante importante para a construção da nossa genealogia, principalmente da família Trindade e seus entrelaçamentos, com documentos, fotos e informações, anotadas ao longo da sua vida. Sem intimidade com o computador, suas informações vinham por carta ou através de sua esposa Lúcia Margarida, que, mesmo sem enxergar, usava com habilidade o teclado para escrever e um sistema falado, adaptado ao computador, para ler as mensagens que trocávamos.
Da família Mello Pinto encontramos pouca coisa, mesmo pesquisando em velhos livros de Ceará-mirim. Mas, agora, resolvi fazer nova investida a partir das informações que conhecia dessa família.
João Batista nasceu aos 19 de maio de 1927, filho de Francisco de Mello Pinto (tio Chiquito) e Áurea Martins Trindade, e foi batizado na Igreja de Bom Jesus das Dores, aos 21 de agosto do mesmo ano, pelo monsenhor Joaquim Honório da Silveira, sendo seus padrinhos Miguel Trindade Filho e Elvira de Melo Pinto, o primeiro irmão de Áurea e a segunda, irmã de Francisco Pinto; neto paterno de João Baptista de Mello Pinto e Maria Rosa da Trindade, que casaram em 18 de outubro de 1887, em Angicos; e materno de Miguel Francisco da Trindade e Maria Josefina Martins Ferreira, que casaram em Angicos, em 26 de abril de 1890. Miguel Francisco era irmão de Maria Rosa.
Outros filhos de João Baptista e Maria Rosa, irmãos de Francisco de Mello Pinto (1892), eram Nestor de Mello Pinto (1889), Ulysses de Mello Pinto (1890), Maria Pureza de Mello Pinto (1893), e Elvira de Mello Pinto (1895).
Encontrei, também, nos livros da Igreja, o batismo de Murillo de Melo Pinto, irmão de João Batista. Em nove de maio de 1920, na Igreja Bom Jesus das Dores, Padre José Scholl, batizou solenemente a Murillo, nascido a 28 de março de 1920, filho legítimo de Francisco de Mello Pinto e Áurea de Mello Pinto. Padrinhos João Baptista de Mello e Maria Rosa de Mello Pinto, avós do batizado.
Segundo Batista, eram irmãos de seu avô paterno, João Baptista de Mello Pinto (1860), de quem herdou o nome, os seguintes: José Gomes de Melo Pinto (1863); Manoel de Melo Pinto (1864), que casou em 2ª núpcias com Ana, irmã de Maria Rosa;  e Francisco de Melo Pinto (1866), todos filhos de Joaquim de Mello Pinto e Anna Joaquina de Mello Pinto. Escreveu mais Batista, que sua bisavó era índia, e seu bisavô, Joaquim de Mello Pinto, tinha falecido aqui em Natal, em 1868, no Hospital da Caridade. Usando essas mesmas informações, já dadas anteriormente, fiz novas pesquisas em busca dos ancestrais do meu primo.

Em 15 de novembro de 1894, os filhos de João Baptista de Mello Pinto assinaram a ata da eleição estadual, em Ceará-Mirim. Encontro, também, que em 1893, eles aparecem como oficiais da Guarda Nacional, da Comarca de Ceará-Mirim: tenente-secretário João Baptista de Mello Pinto, tenente Francisco de Mello Pinto, capitão Manoel de Mello Pinto, e tenente José Gomes de Mello Pinto.
Entro no livro de óbitos, da cidade do Natal, e encontro o seguinte registro: Aos sete de novembro de mil oitocentos e sessenta e sete faleceu da vida presente, na Casa de Caridade, com todos os sacramentos, o adulto Joaquim José de Mello Pinto, branco, casado, morador na freguesia de Extremoz, foi sepultado no Cemitério Público, e encomendado por mim. Bartholomeu da Rocha Fagundes, Vigário Colado. Com esse óbito, acredito que a informação recebida por Batista era equivocada, sendo esse registro o mais próximo da sua descrição, isto é, seu bisavô era na verdade Joaquim José de Mello Pinto, que faleceu em 1867, e não em 1868.

Procuro, então, por um Joaquim José de Mello Pinto, e vou encontrar o seguinte registro de casamento: Aos vinte e nove de novembro de mil oitocentos e trinta e três, no Oratório do Retiro, da Freguesia de São José, pelas duas horas da tarde, feitas as denunciações e dispensados os nubentes no terceiro grau duplicado, e no terceiro atingente ao segundo de sanguinidade, pelo Reverendo Visitador Francisco de Brito Guerra (aquele que foi senador), em presença do Padre José Pereira da Ponte, de minha licença, se receberam por palavras de presente Joaquim José de Mello Pinto, e Isabel Maria de Alexandria, naturais e moradores desta Freguesia, o nubente filho legítimo de Alexandre de Mello Pinto e de Josefa Maria da Conceição, já falecidos; e a nubente filha legítima de Alexandre Manoel da Circuncisão e de Maria José de Jesus; receberam as bênçãos, sendo testemunhas Alexandre Francisco de Carvalho e Francisco de Freitas Costa, casado, desta Freguesia. Antonio Xavier Garcia de Almeida, vigário interino.
Pelo ano de casamento, desconfio que esse Joaquim José não era o bisavô do meu primo, João Batista, mas  seu trisavô, que deve ter gerado um filho com o mesmo nome. No próximo artigo vamos continuar com a família Mello Pinto, do nosso Rio Grande do Norte, até chegar ao Ajudante Alexandre de Mello Pinto, ascendente de todos eles, que casou em 1743 com Brazia Tavares da Fonseca.
Francisco, Ulysses e Nestor