terça-feira, 27 de maio de 2014

D. Anna Joaquina do Nascimento, a índia braba




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Como registrei no artigo anterior, Joaquim José de Mello Pinto casou em 1833, em São José de Mipibú, com Izabel Maria de Alexandria. No ano de 1834, aos três de dezembro, nasceu Francisco Xavier de Mello Pinto, primeiro filho do casal, que foi batizado aos 31 do mesmo mês e ano, na capela do Ferreiro Torto, sendo padrinhos Francisco de Freitas Costa (que foi testemunha do casamento) e Maria José de Jesus, mãe de Izabel. Nessa data, o casal morava em Tabatinga, aqui em Macaíba. Não encontrei outros filhos de Joaquim e Izabel. Mas, aos três de novembro de 1843, Joaquim José de Mello Pinto ficou viúvo de Dona Izabel, moradora, ainda, em Tabatinga, que foi sepultada na Capela de Jundiaí.

Em setembro de 1865, na Tabatinga, foi batizado Cândido, com dois anos de idade, filho natural de Francisco Xavier de Mello Pinto e de Francisca Genuína Ferreira, tendo com padrinhos Joaquim José de Mello Pinto, avô de Cândido, e Maria Teixeira de Mello. Dois anos depois, em 16 de outubro, na Tabatinga, Francisco Xavier de Mello Pinto casou com Francisca, nessa data, viúva de José Alexandre da Silva. No ano seguinte, ainda, morador de Tabatinga, Francisco faleceu e foi enterrado no cemitério de Jundiaí.

Não encontrei um segundo casamento de Joaquim José de Mello Pinto. Viúvo, é possível que esse Joaquim José fosse o mesmo que faleceu, em 1867, na Casa de Caridade, embora constasse como casado no registro de óbito e, portanto, poderia ser o bisavô do meu primo João Batista.

Mas, eu tinha os anos de nascimentos do velho João Baptista de Mello Pinto e dos seus irmãos. Procurei os registros de batismo, da Freguesia Ceará-Mirim, desses filhos de Joaquim José de Mello Pinto, mas nada encontrei. Aí, procurei os registros de casamento de um deles. O registro do avô do meu primo, João Baptista de Mello Pinto, que casou em Angicos, não continha o nome dos pais dos nubentes. Mas, encontrei o registro do casamento de um irmão dele, conhecido por Zumba, de nome José Gomes de Mello Pinto, que me surpreendeu, e que transcrevo para cá.

Aos vinte e nove de dezembro de mil oitocentos e oitenta e seis, depois de feitas as diligências do estilo, sem impedimento algum, nesta Matriz de Ceará-Mirim, em presença das testemunhas capitão Bonifácio Vieira Goveia e João Baptista de Mello Pinto (esse casou com minha tia-avó Maria Rosa), uni em matrimônio os contraentes José Gomes de Mello Pinto e Maria Clotilde Varella Borges; ele filho natural de Anna Joaquina do Nascimento e ela filha legítima de João Varella Borges e de Maria Varella de Oliveira, e assistiram as bênçãos nupciais no dia dois de janeiro de mil oitocentos e sete, ambos os contraentes naturais e moradores nesta Freguesia. O Vigário Frederico A. Raposo da Câmara. 

Com a informação acima, e as que seguem abaixo, descobri que o avô do meu primo e os irmãos deles eram filhos naturais de Anna Joaquina do Nascimento e, por isso, a procura por filhos de Joaquim José de Mello Pinto, tinha sido infrutífera. Voltei aos batismos para procurar os registros dos filhos de Anna Joaquina do Nascimento. Aí, encontrei os batismos, que seguem abaixo, com exceção de Zumba, pois a microfilmagem dos livros de 1863 está ilegível.

João Baptista de Mello Pinto, branco, filho natural de Anna Joaquina do Nascimento, nasceu aos dez de junho de1860, e foi batizado pelo padre Luiz Fonseca Silva, aos 17 de julho do mesmo ano, sendo seus padrinhos Francisco José de Mello e Rita Coralina do Espírito Santo.

Francisco (do qual não encontrei outros registros posteriores), índio, filho natural de Anna Joaquina do Nascimento, nasceu aos três de fevereiro de 1861, e foi batizado aos trinta de agosto do mesmo ano, pelo vigário Luiz da Fonseca Silva, sendo seus padrinhos José Pegado de Oliveira e Joaquina Maria da Conceição, casados.

Manoel de Mello Pinto, branco, filho natural de Anna Joaquina do Nascimento, nasceu aos dezoito de outubro de 1864, e foi batizado pelo vigário Luiz da Fonseca Silva, aos vinte e oito do mesmo mês e ano, sendo seus padrinhos Joaquim Rodrigues da Silva e sua mulher Maria Rosa do Sacramento e Silva.

Francisco de Mello Pinto, branco, filho natural de Anna Joaquina do Nascimento, natural da Freguesia de São José, e moradora na de Ceará-Mirim, foi batizado aos trinta e um de maio de 1866, na casa de oração da Vila de Ceará-Mirim, pelo padre Targínio Pinheiro de Carvalho, sendo seus padrinhos João Victorino Ferreira Nobre e sua mulher Dona Anna Ferreira Nobre Pelinca.

Nos registros acima, é através do primeiro Francisco, que fica confirmado que Anna Joaquina do Nascimento era índia, além de ser natural de São José de Mipibú. Através de velhos jornais do Acre, onde foi morar, descobri que o segundo Francisco nasceu no dia 1 de maio de 1866.

Segundo os bisnetos João Batista de Mello Pinto e José de Mello Pinto, Dona Anna Joaquina do Nascimento, com a morte do pai dos seus filhos, foi lavar e passar, na Vila de Ceará-mirim, para poder sustentar a família. Dizem mais que ela era muito braba, e que Zumba, seu filho herdou essa brabeza. Zumba foi assassinado em Recife.

Para concluir transcrevemos o casamento de Nestor de Mello Pinto, filho de João Baptista de Mello Pinto e Maria Rosa da Trindade, e neto paterno de Dona Anna Joaquina do Nascimento: Aos vinte de novembro de mil novecentos e dezoito, na Fazenda Santa Luzia, em presença das testemunhas André Avelino da Trindade e Manoel de Mello Pinto, servatis servandis, assisti o recebimento matrimonial de Nestor de Mello Pinto e Luisa Rita da Trindade, solteiros, naturais, ele de Ceará-Mirim, e ela desta Freguesia, e previamente dispensados do impedimento de 2º grau de sanguinidade. Padre Júlio Alves Bezerra (tio do escritor Afonso Bezerra).

Luisa era filha de Joaquim Felippe da Trindade e Rita Emiliana de Assis Barbalho, aquele irmão de Maria Rosa da Trindade, e de André Avelino da Trindade. Manoel de Mello Pinto, tio de Nestor, casou a segunda vez com Anna, irmã gêmea de Joaquim Felipe.
Nestor e Luisa






quinta-feira, 22 de maio de 2014

Visitando João Batista de Melo Pinto




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Peguei carona com Dona Graça, que foi participar de um evento da Mary Kay, em Recife, e fui visitar meu primo, João Batista de Melo Pinto, dia 13 de maio próximo passado. Levei para eles os jornais com artigos de Vicente Serejo sobre os irmãos José Anselmo e José da Penha. Serejo, Wandyr Villar, Tarcisio Gurgel e Guaraci, entre outros, sempre me perguntam como vai João Batista e quando ele vem a Natal. O mesmo está se tratando de um coágulo, e completou, ontem, 19 de maio, 87 anos de idade.
João Batista foi bastante importante para a construção da nossa genealogia, principalmente da família Trindade e seus entrelaçamentos, com documentos, fotos e informações, anotadas ao longo da sua vida. Sem intimidade com o computador, suas informações vinham por carta ou através de sua esposa Lúcia Margarida, que, mesmo sem enxergar, usava com habilidade o teclado para escrever e um sistema falado, adaptado ao computador, para ler as mensagens que trocávamos.
Da família Mello Pinto encontramos pouca coisa, mesmo pesquisando em velhos livros de Ceará-mirim. Mas, agora, resolvi fazer nova investida a partir das informações que conhecia dessa família.
João Batista nasceu aos 19 de maio de 1927, filho de Francisco de Mello Pinto (tio Chiquito) e Áurea Martins Trindade, e foi batizado na Igreja de Bom Jesus das Dores, aos 21 de agosto do mesmo ano, pelo monsenhor Joaquim Honório da Silveira, sendo seus padrinhos Miguel Trindade Filho e Elvira de Melo Pinto, o primeiro irmão de Áurea e a segunda, irmã de Francisco Pinto; neto paterno de João Baptista de Mello Pinto e Maria Rosa da Trindade, que casaram em 18 de outubro de 1887, em Angicos; e materno de Miguel Francisco da Trindade e Maria Josefina Martins Ferreira, que casaram em Angicos, em 26 de abril de 1890. Miguel Francisco era irmão de Maria Rosa.
Outros filhos de João Baptista e Maria Rosa, irmãos de Francisco de Mello Pinto (1892), eram Nestor de Mello Pinto (1889), Ulysses de Mello Pinto (1890), Maria Pureza de Mello Pinto (1893), e Elvira de Mello Pinto (1895).
Encontrei, também, nos livros da Igreja, o batismo de Murillo de Melo Pinto, irmão de João Batista. Em nove de maio de 1920, na Igreja Bom Jesus das Dores, Padre José Scholl, batizou solenemente a Murillo, nascido a 28 de março de 1920, filho legítimo de Francisco de Mello Pinto e Áurea de Mello Pinto. Padrinhos João Baptista de Mello e Maria Rosa de Mello Pinto, avós do batizado.
Segundo Batista, eram irmãos de seu avô paterno, João Baptista de Mello Pinto (1860), de quem herdou o nome, os seguintes: José Gomes de Melo Pinto (1863); Manoel de Melo Pinto (1864), que casou em 2ª núpcias com Ana, irmã de Maria Rosa;  e Francisco de Melo Pinto (1866), todos filhos de Joaquim de Mello Pinto e Anna Joaquina de Mello Pinto. Escreveu mais Batista, que sua bisavó era índia, e seu bisavô, Joaquim de Mello Pinto, tinha falecido aqui em Natal, em 1868, no Hospital da Caridade. Usando essas mesmas informações, já dadas anteriormente, fiz novas pesquisas em busca dos ancestrais do meu primo.

Em 15 de novembro de 1894, os filhos de João Baptista de Mello Pinto assinaram a ata da eleição estadual, em Ceará-Mirim. Encontro, também, que em 1893, eles aparecem como oficiais da Guarda Nacional, da Comarca de Ceará-Mirim: tenente-secretário João Baptista de Mello Pinto, tenente Francisco de Mello Pinto, capitão Manoel de Mello Pinto, e tenente José Gomes de Mello Pinto.
Entro no livro de óbitos, da cidade do Natal, e encontro o seguinte registro: Aos sete de novembro de mil oitocentos e sessenta e sete faleceu da vida presente, na Casa de Caridade, com todos os sacramentos, o adulto Joaquim José de Mello Pinto, branco, casado, morador na freguesia de Extremoz, foi sepultado no Cemitério Público, e encomendado por mim. Bartholomeu da Rocha Fagundes, Vigário Colado. Com esse óbito, acredito que a informação recebida por Batista era equivocada, sendo esse registro o mais próximo da sua descrição, isto é, seu bisavô era na verdade Joaquim José de Mello Pinto, que faleceu em 1867, e não em 1868.

Procuro, então, por um Joaquim José de Mello Pinto, e vou encontrar o seguinte registro de casamento: Aos vinte e nove de novembro de mil oitocentos e trinta e três, no Oratório do Retiro, da Freguesia de São José, pelas duas horas da tarde, feitas as denunciações e dispensados os nubentes no terceiro grau duplicado, e no terceiro atingente ao segundo de sanguinidade, pelo Reverendo Visitador Francisco de Brito Guerra (aquele que foi senador), em presença do Padre José Pereira da Ponte, de minha licença, se receberam por palavras de presente Joaquim José de Mello Pinto, e Isabel Maria de Alexandria, naturais e moradores desta Freguesia, o nubente filho legítimo de Alexandre de Mello Pinto e de Josefa Maria da Conceição, já falecidos; e a nubente filha legítima de Alexandre Manoel da Circuncisão e de Maria José de Jesus; receberam as bênçãos, sendo testemunhas Alexandre Francisco de Carvalho e Francisco de Freitas Costa, casado, desta Freguesia. Antonio Xavier Garcia de Almeida, vigário interino.
Pelo ano de casamento, desconfio que esse Joaquim José não era o bisavô do meu primo, João Batista, mas  seu trisavô, que deve ter gerado um filho com o mesmo nome. No próximo artigo vamos continuar com a família Mello Pinto, do nosso Rio Grande do Norte, até chegar ao Ajudante Alexandre de Mello Pinto, ascendente de todos eles, que casou em 1743 com Brazia Tavares da Fonseca.
Francisco, Ulysses e Nestor


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Familiares de José da Penha




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Hoje completa 139 anos do nascimento, em Angicos, do capitão José da Penha. Neste ano, por conta dos cem anos da sua morte, no Ceará, ele tem recebido várias homenagens de seus admiradores. Jarbas Martins publicou versos na revista da nossa Academia de Letras, Wandyr Vilar está reeditando o livro “O Espiritismos e os Sábios”, e Vicente Serejo, publicou por toda semana que passou, neste jornal, seis artigos sobre o valoroso capitão.

Na Hemeroteca Nacional, encontro que o alferes José da Penha Alves de Souza fez, em 1901, o registro de um filho, na 7ª Pretoria na Capital Federal. Com essa informação entrei no site dos mórmons para encontrar esse documento. Lá não encontrei Pretoria, mas sim Circunscrição. Por isso pedi ajuda ao grupo de Genealogia na Internet. E quem me atendeu foi Pedro Auler do grupo Geneal, que me mandou o link do site dos mórmons, que abriu exatamente no registro procurado. Lá estava escrito:

Aos oito de maio de mil e novecentos e um, nesta Capital Federal e em  Cartório, compareceu José da Penha Alves de Souza, natural do Estado do Rio Grande do Norte, de vinte e seis anos de idade, casado, alferes do Exército, morador a Rua São Clemente, Avenida Dona Maria Clara, casa dezesseis, e na presença das testemunhas abaixo assinadas, declarou que sua esposa Dona Altina Alves de Souza, natural do Estado da Bahia, de vinte e quatro anos de idade, deu a luz na casa acima referida, onde residem, ontem a uma hora da madrugada, a uma criança branca de sexo feminino, que se deverá chamar, Guiomar, neta paterna de José Francisco Alves de Souza, falecido, e Dona Maria Ignácia Alves de Souza, e materno de Francisco Pedro dos Santos, e Dona Josepha Pessoa dos Santos, que ele declarante casou-se aos vinte de fevereiro de mil oitocentos e noventa e seis, no Estado do Ceará, civilmente, e mais não disse  e assinou com as testemunhas, o alferes do Exército Raphael Benjamim da Fonseca e Maria de Souza Maia. Eu Francisco José Pinto de Macedo, escrivão subscrevo.
Foi nesse documento acima, que tomei conhecimento, pela primeira vez, do nome da mãe de Altina, bem como da existência dessa filha de José da Penha. Mas, ao lado desse registro, havia a informação do óbito de Guiomar. Fui atrás dele, e encontrei o seguinte registro:

Aos dezoito de fevereiro de mil novecentos e dois, nesta Capital e Cartório, compareceu o alferes do Exército João Augusto César da Silva e exibindo atestado do Doutor Antonio Rogério Gouvêa Freire, declarou que faleceu ontem, as onze horas da noite, de infecção gastrointestinal aguda, na casa numero vinte e quatro, da Rua Fernandes Guimarães, onde residia a menor Guiomar, de cor branca, natural desta Capital Federal, com nove meses de idade, filha legítima do alferes do Exército, José da Penha Alves de Souza e Dona Altina Alves de Souza. Vai ser sepultada no Cemitério de São João Baptista, e mais não disse e assinou. Eu Francisco José Pinto de Macedo, escrivão que subscrevo.

Sabendo que José da Penha casou em 1896, fui atrás do seu registro no Ceará, buscando, novamente, pelo site dos mórmons. Registro pobre de informações, que não continha a naturalidade dos nubentes, mas que vale a pena transcrever.
Aos dezenove de fevereiro de mil oitocentos e noventa e seis, o Reverendo José Barbosa de Jesus, de licença minha, assistiu o casamento de meus paroquianos – José da Penha Alves de Souza, alferes aluno, e D. Altina Pessoa dos Santos, filha legítima do capitão Francisco Pedro dos Santos e D. Josepha Pessoa dos Santos Cabral; sendo testemunhas José da Silva Bonfim e Dr. Raymundo de Farias Brito. Para constar fiz este que assino in fide parochi. O Cura, Pe. Pedro Leopoldo d’Araújo Feitosa.

Francisco Pedro dos Santos, sogro do capitão José da Penha, veterano da guerra do Paraguai, era natural de Sobral, tendo lá nascido, em 15 de agosto de 1838, filho de Pedro Alves dos Santos e Helena Maria do Espírito Santo.

Nas cartas do capitão José da Penha para as filhas, lá no Ceará, ele sempre se referia à comadre Zefinha. Acredito que era a sogra dele, Josepha Pessoa dos Santos. Acredito, ainda, que foi ela e o marido que criaram Zaíra, Maria Annita e Murilo Penha, pois em 1916, o Ministro da Fazenda negou o pedido de revisão das pensões, feito pelo avô deles, Francisco Pedro dos Santos, para seus tutelados Maria Annita e outros filhos do finado capitão José da Penha.

Raymundo Farias de Brito, testemunha do casamento de José da Penha e Altina, foi o prefaciador do livro “O Espiritismo e os Sábios”. Mais recentemente fui procurar o nascimentos dos outros filhos do capitão, na antiga Capital Federal e encontrei dois registros civis.

Zaira nasceu no Rio de Janeiro, aos 17 de março de 1899, tendo sido registrado pelo pai José da Penha Alves de Souza, na 7ª Pretoria ou 5ª Circunscrição, com testemunhos de Raphael Arcanjo da Fonseca e Raphael Benjamim da Fonseca. Casou com Luis Pinheiro Filho, que foi dono da Fazenda Santa Cruz, aos pés do Cabugi.

Murilo Penha Alves de Souza nasceu, também, no Rio de Janeiro, aos 14 de fevereiro de 1900, sendo registrado na mesma circunscrição acima, e com as mesmas testemunhas, ambos alferes. Não descobri com quem casou. Era militar do Exército e foi nomeado, em 1944, chefe da 25ª Circunscrição, em Fortaleza.

Não encontrei o registro de Maria Annita Penha Alves de Souza, mas encontrei notícias de seu casamento, em Fortaleza, com Manoel Sadoc Cysne, em 1923.
 
Casamento de José da Penha e Altina

terça-feira, 6 de maio de 2014

Rebouça e Malheiros




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Encontramos, em várias localidades do nosso estado, descendentes das famílias Rebouça (é assim que está na maioria dos registros) e Malheiros, que se entrelaçaram por aqui. Alguns migraram para o Ceará. Há descontinuidades nos registros da Igreja, mas, de qualquer forma, vamos trazer alguma informação sobre eles, neste artigo.

João Malheiros, filho de Diogo Rebouça, natural de Santo Estevão  da Facha, de idade de vinte e oito anos, cabelo liso e louro, olhos pardos, rosto redondo e aflamengado, baixo e grosso de corpo, e bem empinado, é soldado desta companhia desde 5 de janeiro de 1699 anos e vence mil oitocentos e sessenta e seis reis de soldo, por mês, na forma do assento do Conselho da Fazenda, lançado no livro 2º a fls 79v e não vencerá mais coisa alguma. Manoel Gonçalves Branco. Há ajustes nas laterais desse registro que vão até 1703, no Arraial do Assú.

João Malheiros recebeu, junto com Antonio Velho de Brito, no ano de 1706, do capitão-mor Sebastião Nunes Collares, sesmaria no Rio Umary, entre as duas serras de Catolé correndo para a serra de Mãe d’Água.

Nos velhos registros desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, encontramos o batismo de dois filhos de João Malheiros: aos 28 de outubro de 1706, na capela de Santo Antonio do Potengi, foi batizado Diogo, filho de João Malheiros e Beatriz de Castro, tendo como padrinhos Manoel Tavares Guerreiro e Maria Magdanela, filha do coronel Gonçalo da Costa Faleiros; e, em 10 de junho de 1711, no oratório da capela de Jundiaí, foi batizada Maria, filha de João Malheiros e Beatriz de Abreu (outro sobrenome), tendo como padrinhos o sargento-mor Estevão Velho de Moura e Úrsula de Mendonça, viúva (do coronel Gonçalo da Costa Faleiros).

Encontramos outros registros na capela de Jundiaí, onde os batizados eram três tapuias, escravos de João Malheiros, em 1711.

Há outro Malheiros, dessa época, já tratado em outros artigos, que é Gaspar Rebouça Malheiros, português de Viana, casado com Úrsula Leite de Oliveira. Gaspar e Úrsula batizaram os seguintes filhos, a partir de 1703, todos na capela de Santo Antonio do Potengi: Gaspar, em 1703; Damião, em 1705; Ponciano, em 1706; Lourenço, em 1708.

Nos assentamentos de praça, de 1724, encontramos alguns deles, com o nome já completo: Gaspar Pereira Leite, 20 anos; Lourenço de Oliveira, 16 anos; Ponciano Gonçalves, 17 anos; e Antonio Leite de Oliveira, 45 anos. Já Damião Pereira Leite, vamos encontrar na folha de pagamento de tropas de 1720. 

Com todas as informações acima, não conseguimos detectar a ligação de João Malheiros ou Diogo Rebouça com Gaspar. Como dito em artigo anterior, havia um Diogo Malheiros Rebouça que foi casado com Jacinta de Vasconcelos, e depois com Phelippa Rodrigues de Oliveira. No registro do casamento com Phelippa, aparecem como seus pais Diogo Malheiros e Beatriz de Abreu. Acho que houve um erro no registro dos pais, pois acredito que eram João Malheiros e Beatriz de Abreu (ou Castro).

Vejamos outros registros onde aparecem  membros da família Rebouça. Em 2 de setembro de 1761, na capela de Santo Antonio, casaram Salvador Rebouça de Oliveira (natural de Mossoró, da freguesia de São João Batista do Assú) e Rosa Maria de Oliveira; ele, filho do capitão José Rebouça de Oliveira (Igarassu) e Ângela das Neves (Olinda), moradores no Assú; ela, filha do capitão Ignácio de Oliveira (Vilarinhos, São Salvador de Macieira, bispado do Porto) e Brígida Leite de Oliveira. 

Esse casal gerou José, em 1766, que foi batizado na capela de Santo Antonio do Potengi, tendo como padrinhos Manoel Francisco Rebouças, tio paterno, e Brígida Leite, sua avó materna. Em 1774, nasceu Manoel, que teve como padrinhos Antonio Manoel e Anna, filhos da viúva Brígida Leite. Em 1781, era batizado outro Manoel, filho do mesmo casal.

José, depois, alferes José Rebouça de Oliveira, filho de Salvador e Rosa Maria, casou com Antonia Joaquina de Barros, filha do sargento-mor Antonio de Barros Passos e Bernardina de Assunção.

Em 6 de junho de 1801, Gaspar Rebouça de Oliveira, filho de Salvador Rebouça de Oliveira e Maria de Oliveira, falecida, casou com Rosa Maria de Oliveira, filha de Luis Gomes da Silva e de Úrsula Leite de Oliveira, sendo testemunhas tenente Antonio Cavalcante Bezerra e alferes Luis Gomes. Houve dispensa de 2º grau de consanguinidade. Salvador e Úrsula eram irmãos, ambos filhos de Salvador Rebouça de Oliveira e Rosa Maria de Oliveira (que casaram em 1761). Observem como os nomes se repetem, criando, algumas vezes, confusão genealógica. Essa segunda Rosa Maria, esposa de Gaspar, faleceu em 1830, com 41 anos de idade.