quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Francisco Machado de Oliveira Barros


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do INRG e do IHGRN
Voltei à presença do Coronel Paulo Leitão de Almeida em busca de mais detalhes sobre o mestre de campo Francisco Machado de Oliveira Barros, que deveria constar nos documentos que serviram de base para o trabalho sobre o Professor Régio, José Leitão de Almeida. Com 90 anos de idade, Paulo continua dedicado ao trabalho de deixar para filhos e netos memórias de sua vida, através dos fascículos Gotas de Saudades. Recebi para exame a brochura que continha os documentos de pesquisa encomendado por ele.
Nessa brochura estavam documentos relativos ao polêmico testamento deixado pelo mestre de campo. Conforme escrevemos em artigo anterior, Dona Ana de Melo e Albuquerque contestou o testamento do irmão, que instituiu o filho Joaquim José Barros do Rego, por ser este nascido de punitivo coito, tendo sido excluído do mesmo o Padre Antônio Caetano do Rego Barros e Dona Francisca Xavier de Vasconcelos. Esses, ao contrário do que eu pensava, eram filhos ilegítimos do Mestre de Campo. Parece, pelo que se depreende dos documentos, que D. Inácia do Carmo, primeira esposa do dito Francisco Machado, não deixou descendência.  Assim, Dona Ana de Melo e Albuquerque se considerava herdeira do falecido irmão, e por não ter ascendentes e descendentes fez doação aos seus sobrinhos Padre Antônio Caetano e D. Francisca Xavier (esposa do Professor Régio José Leitão de Almeida), incapacitados de herdar por conta da ilegitimidade do nascimento, como se ver nos diversos depoimentos.
Uma das cláusulas de doação era que os beneficiados reservassem para Dona Ana, alguns móveis caso ganhassem a ação.
Os bens estavam quase todos na posse do alferes Joaquim José do Rego Barros, como herdeiro nomeado no testamento do seu defunto pai. Havia uma parte dos títulos dos bens na posse do Padre Antônio Caetano do Rego Barros, incluindo aí uma casa de pedra e cal de sobrado na Boa Vista.  O Padre Miguel Francisco do Rego Barros detinha também parte dos bens, incluindo aí, três canoas velhas no sitio Rodrigo Moleiro. Os genros do mestre de campo Alexandre de Melo Andrade e Francisco Antônio Carrilho detinham, também,  em suas mãos parte dos bens. Alexandre, por exemplo, estava com: uma estante grande em bom uso e, a metade do dote que ficou em si para entrar na herança do defunto, no caso de ser sua mulher herdeira, e como no testamento foi excluída pelo mesmo defunto que não devia dele herdar por ter tido, em tempo de casado, com a primeira mulher Inácia do Carmo, deixando esta metade de dote as suas netas fêmeas, filha do mesmo Alexandre. A mesma forma se aplicou com relação à metade do dote em mãos de Francisco Antônio Carrilho. Em todo o documento, o único momento em que aparece citada D. Inácia do Carmo é o que está acima.
Alexandre de Melo de Andrade, filho de Manoel de Melo de Andrade e D. Joana Gomes de Abreu, ambos falecidos, casou, em 11 de julho de 1780, em casa de oratório de Francisco Machado, com Dona Rita Joaquina da Conceição, filha legítima do tenente-coronel Francisco Machado de Oliveira Barros e D. Antônia Maria Soares de Melo.
Francisco Antonio Carrilho, natural de Beja, da Freguesia de Santa Maria, filho de José Fernandes Carrilho e Esperança Rodrigues, casou na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, em 28 de julho de 1783, com Dona Dionísia Romana da Costa Soares, filha do tenente-coronel Francisco Machado de Oliveira Barros e D. Antônia Maria Soares de Melo, desta Freguesia.
O Coronel de Milícias Joaquim José do Rego Barros, filho do mestre de campo Francisco Machado de Oliveira Barros e D. Antonia Maria Soares de Melo, casou em casa do Coronel Francisco da Costa e Vasconcellos, no lugar chamado Coité, em 25 de fevereiro de 1802, com D. Maria Angélica da Conceição e Vasconcellos, filha do coronel de cavalaria Francisco da Costa e Vasconcellos e D. Maria Rosa Teixeira. No registro aparece como filho legítimo, acho que por ter sido regularizado o casamento do mestre de campo.
Em um dos documentos, aparece como depoente um primo de Ana de Melo e Albuquerque e, portanto, do mestre de campo, de nome João Pita Porto Carrero de Melo e Albuquerque. Esse João Pita foi casado com uma filha legitimada do vigário do Rio Grande do Norte, Pantaleão da Costa de Araújo.
Entre os óbitos que encontrei está o de Francisca Xavier de Vasconcelos, viúva de um Cosme do Rego Barros, que faleceu com 90 e tantos anos, em 1783. É interessante notar que o mestre de campo tinha uma filha com esse nome. Há um Cosme do Rego Barros, que Cascudo não achou o elo com o mestre de campo, mas parece ser um dos filhos de Fernando Antonio Carrilho. Cosme e sua esposa Francisca podem ser ascendentes do mestre de campo. Se encontrássemos o testamento resolveríamos a questão.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Notícias do Livro lançado


 Informamos aos pesquisadores, curiosos, interessados em História do Rio Grande do Norte ou das famílias norte-riograndenses, que já se encontra em várias livrarias o livro de minha autoria Notícias Genealógicas do Rio Grande do Norte. Esse livro foi lançado no III Encontro de Genealogia, em Caicó (novembro), como também, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (dezembro). Segundo a editora da UFRN ele foi distribuído para a Potylivros, Siciliano, Nobel, aqui em Natal.
Além do mais, você pode encontrar o livro na Livraria das Editoras Universitárias (Campus de Convivência da UFRN) e também na própria EDUFRN, cujo endereço eletrônico segue abaixo.
O livro custa R$ 40,00 tem 396 páginas, e 119 artigos. Os títulos dos artigos seguem  abaixo.

EDUFRN = www.editora.ufrn.br; edufrn@editora.ufrn.br
Pode falar com Paulo Eduardo 84 9133 3342 ou 84 3215 3236

Tenho tambem  alguns exemplares para vender.






Afonso Ligório Bezerra – cem anos de nascimento
Vicente Maria da Costa Avelino, o Pai de Pedro Avelino
A noiva da revolução, a Ilha de Manoel Gonçalves e minha trisavó
Cadete José Avelino, o nosso herói da guerra do Paraguai
Faltou, multa de dois mil réis
O Tesouro da Igreja Católica
Miguel Trindade, o comunista que veio de Angicos I
Miguel Trindade, o comunista que veio de Angicos II
A Descendência do capitão José da Penha
As Cartas do capitão José da Penha I
Cartas do capitão José da Penha II
As verdades de José da Penha
Os Habitantes da Ilha de Manoel Gonçalves I
Os Habitantes da Ilha de Manoel Gonçalves II
Os Habitantes da Ilha de Manoel Gonçalves III
Uma viagem a Macau dos Martins Ferreira
Uma viagem ao Município de Macau
Morreu de desconcerto do Sexo
Domingos Affonso Ferreira e Bento José da Costa
José de Borja Caminha Raposo da Câmara e Manoel Olímpio Dantas Cavalcante
Alexandre Avelino da Costa Martins
João Manoel da Costa e Mello e os hábitos de uma época
Porto de Touros: o provimento do Padre Francisco de Brito Guerra
Servatis ex More Servandis: o Livro
Domingos José Martins
Os Pereira Pinto de Angicos
Os Teixeira de Sousa de Angicos
Os Martins dos Santos de Angicos
Os Filhos Naturais
Eles também tinham escravos
Os Teixeira de Carvalho
Casar sem sol, só com licença especial
Um posto de capitão para Antonio da Rocha Bezerra
Frei Miguelinho, da Revolução dos Padres
As raízes angicanas de Micarla de Sousa
Uma lástima, como diria Dom Adelino
Natal no século XIX, segundo Henry Koster
João Barbosa da Costa e Antonio Lopes Viégas
Carta Patente para o alferes Francisco Xavier da Cruz
Notícias do Patriarca de Angicos João Barbosa da Costa
Natal, 409 anos de Fundação
Os Alves e os Fernandes
De volta a Santana do Matos dos Alves e Fernandes
Paulo Leitão de Almeida e a Capela de Utinga
O Ferreiro Torto, Santo Antonio do Potengi e Uruaçu
João Lustau e as ruínas de Pirangi (ou Pium)
Uruaçu, sobreviventes e descendentes I
Uruaçu, sobreviventes e descendentes II
Uruaçu, sobreviventes e descendentes III
Uruaçu, sobreviventes e descendentes IV
Manoel Maurício de Araújo Correa, o Genealogista de Utinga
Comentários Genealógicos
Notícias Genealógicas
Uma visita ao Município de Pedro Avelino
Angicos, Carta aos Deputados Provinciais
A vida curta do tenente-cirurgião Francisco Martins Ferreira
Custódia do Sacramento e os Tavares Guerreiro
Felizarda Coelho Marinho e os Sousa Jardim I
Felizarda Coelho Marinho e os Sousa Jardim II
Os Rocha Bezerra I
Os Rocha Bezerra II
Os Rocha Bezerra III
Alguns registros do início do século XIX
Os Umbelinos
Umbelina = pequena sombra
As Dúvidas do Dr. José Augusto
Descendentes de Thomaz de Araújo Pereira em Florânia
O Barão de Serra Branca e seus irmãos
A descendência do holandês Joris Garstman
A Genealogia do Rio Grande do Norte
A lenda de Damasinha
Damásia Francisca Pereira e a Lenda
A misteriosa Ilha de Manoel Gonçalves
A velha São Gonçalo do Potengi
A viúva e o solteirão
Assentaram praça em Assu, em 1789
Cacimbas do Vianna
Daniel Pereira de Brito, lá do Aracati
De onde surgiu João Alves Martins
Elisiário Antonio Cordeiro
Francisco de Borja Soares Raposo da Câmara
Francisco José da Costa Coentro
Francisco José de Mello Guerra
Genealogia de Afonso de Ligório Alves Bezerra
Inquisição no Rio Grande do Norte – o caso do Padre tarado
João Garcia Valadão
Manoel Rodrigues Ferreira
Meus ascendentes de nome João
Mossoró, Assu, Política e Genealogia
O capitão Francisco Trajano Xavier da Cunha
O capitão Jacinto João da Ora
O capitão mor Bernardo Vieira de Mello
O capitão Silvério Martins de Oliveira
O capitão Theodósio da Rocha
O escrivão da Fazenda Real, Manoel Gonçalves Branco
O óbito do coronel André de Albuquerque Maranhão
Quem eram os pais de José de Borja
Raposo da Câmara
Registros da Freguesia do Assu (I)
Registros da Freguesia do Assu (II)
Ricardo Wiltshire e Caetana da Invenção da Santa Cruz
Saúde e Genealogia: diálogos do além
Theodósio de Graciman no Jaguaribe e Guimarães
Um certo capitão Pedro Álvares Ferreira
Um dia auspicioso para os Martins Ferreira
Um passeio até a Fazenda Catolé, em Lagoa Salgada
Um pulo até Cacimbas do Vianna
Uma visita ao Município de Afonso Bezerra
Acari, uma viagem ao passado
O alferes Florêncio Octaviano da Costa Ferreira
Um Bom Padrinho
Francisca Bella Carneiro de Mello
João Gomes Carneiro, o Lisboeta
O Perfil de Cosme Teixeira de Carvalho
O capitão José Porrate de Moraes Castro
O capitão João Leite de Oliveira
Em que ano Padre Felix veio para Angicos?
Uma neta para Francisco Xavier de Miranda Henriques
O coronel Cipriano Lopes Galvão, da Ribeira do Assu

Deífilo Gurgel

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

MORRE DEÍFILO, NASCE UM NOVA ESTRELA NO CÉU

Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor e advogado

            Veio ao mundo no espaço de Areia Branca, mas a cidade do Natal acolheu o seu corpo físico em vida e no instante final da sua existência nesta dimensão da vida.
            Na verdade DEÍFILO GURGEL foi um cidadão do mundo, das noites e dos dias, dos folguedos, da terra-mãe, dos costumes e da alegria dos seus concidadãos.
           Poucos tiveram tanto merecimento à imortalidade quanto ele, mesmo sem ter alcançado uma cadeira na Academia de Letras do Rio Grande do Norte.       
           A humanidade ficou mais pobre hoje, mas o Céu se rejubila com a sua chegada e sua recepção será exuberante, pois ali encontrará Enélio, que partiu 30 dias antes e já deverá estar agregando os amigos intelectuais e os humildes que ele sempre prestigiou, como  D. Militina, o rabequeiro André, e pelos três Chicos, o coquista Chico Antônio, o mamulengueiro Chico Daniel, o entalhador Chico Santeiro, pelo cantador Fabião das Queimadas, pelo conterrâneo Tico da Costa, e tantos outros que ele soube respeitar e engrandecer na sua simplicidade imortal.

            Todos nós sentimos a sua partida, como se perdesse um ente querido da família. O seu valor ficará registrado na história, pois vai-se o corpo, mas fica o espírito de um dos mais belos filhos desta terra de Poti. Certamente que será louvado por todas as entidades culturais do Rio Grande do Norte, principalmente aquelas das quais foi fundador - União Brasileira de Escritores do RN e o Instituto Norte-Riograndense de Genealogia.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Francisco de Oliveira Banhos e D. Antonia Tavares de Mello

Francisco de Oliveira Banhos e D. Antonia Tavares de Mello
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do INRG
A família Oliveira e Mello aparece com muita freqüência nos registros mais antigos da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação. Desde o princípio, suspeitamos que fosse originária da junção de uma família Oliveira com uma família Mello. Catharina de Oliveira e Mello e Suzana de Oliveira e Mello apareciam com mais freqüência nos registros de batismos do final do século XVII e início do século XVIII. A primeira era casada com Manuel Gonçalves Branco, e a segunda, irmã da primeira, com Antonio da Silva de  Carvalho. Suzana era sogra do capitão Manuel Raposo da Câmara.
Em 1692, encontramos um batismo onde a madrinha era Francisca de Oliveira de Mello, filha do capitão Francisco de Oliveira Banhos. Em um registro de 1693, a madrinha de outro batismo era Ângela de Oliveira de Mello, também filha do capitão Francisco de Oliveira Banhos. Um colega genealogista já tinha me encaminhado uma lista de filhos de Manuel Gonçalves Branco, onde, entre eles, estava um de nome Francisco de Oliveira Banhos. Francisco Augusto, outro colega genealogista, comenta, na transcrição do livro de batismos (encontrado no IAHGP) para Word, sobre um descendente de José Pinheiro Teixeira e Maria da Conceição Oliveira com o nome de Francisco de Oliveira Banhos, com grande descendência no Ceará. Como Maria da Conceição era uma das filhas de Manuel Gonçalves Branco, isso configurava mais um repetição do nome do capitão, pai de Francisca de Oliveira de Mello e Ângela de Oliveira de Mello
Em 1694, Alberto Pimentel, filho de Sebastião Pimentel, que foi presidente da nossa província, e de Anna, casou com Francisca Tavares de Mello, filha do capitão Francisco de Oliveira Banhos e Antonia Tavares de Mello. Essa Francisca Tavares de Mello é a mesma Francisca de Oliveira e Mello já citada acima no registro de 1692. Nos registros de batismos dos filhos de Alberto e Francisca sempre aparece o nome da mãe como Francisca de Oliveira.
Dona Antonia Tavares de Mello aparece com madrinha de Antonia, filha de Jerônimo Gonçalves e Ângela de Oliveira de Mello, em 1698; em 1689, foi madrinha de Antonio, filho de Manuel Gonçalves Branco e de Catharina de Oliveira e Mello; em 1698, foi madrinha de Rosaura, filha de Antonio da Silva de Carvalho e de Suzana de Oliveira e Mello. Naquela época os avós quase sempre eram padrinhos ou madrinhas de algum neto.
Outro detalhe é que um dos filhos de Manuel Gonçalves Branco e Catharina de Oliveira e Mello tinha o nome de Valentim Tavares de Mello.
Juntando todas essas informações e outros registros encontrados, nossa hipótese é que Francisco de Oliveira Banhos e Antonia Tavares de Mello, além de serem os pais de Francisca de Oliveira de Melo e de Ângela de Oliveira de Mello, eram também os pais de Catharina e Suzana, e, portanto são ascendentes de muitas famílias do Rio Grande do Norte e vizinhanças, incluindo aí os Raposo da Câmara.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Miguel Raposo de Mello

Miguel Raposo de Mello
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor de Matemática da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Da Ilha de São Miguel, além de Manuel Raposo da Câmara, veio também Miguel Raposo de Melo, que não era seu irmão. Encontramos registros de dois casamentos dele. O primeiro faz parte dos documentos salvos pelo Major Salvador, tantas vezes já citado aqui. Por sua importância na formação das famílias do Rio Grande do Norte, e por sua participação ativa no exercício de funções públicas merece destaque nos nossos escritos. Vejamos o primeiro registro, na sua íntegra.
Aos 25 de outubro de 1723, nesta Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, em presença do Reverendo Vigário o Doutor Mathias Florencio e do Alferes Vicente Dias da Novoa, o capitão Pedro Gonçalves da Novoa, D. Antonia da Silva, mulher do capitão Manuel Raposo da Câmara e Ignácia de Oliveira, mulher do cabo de esquadra José da Rosa, se receberam com palavras de presente por marido e mulher Miguel Raposo de Mello, filho legítimo de João Cabral de Mello e de sua mulher Maria Pacheco, todos naturais e moradores na cidade de São Sebastião, Ilha de São Miguel, e Maria José de Oliveira, filha legítima do ajudante Mathias Quaresma, e de sua mulher  Agueda de Oliveira de Vasconcellos, natural desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, e nela moradores; em virtude de um mandado do Muito Reverendo Vigário da Vara, o Doutor Bernardo de Paiva Freire, perante o qual justificou o contraente ser solteiro, livre e desimpedido; dando fiança aos banhos até virem corridos da sua pátria, sendo também corridos nesta Matriz, e guardando em tudo o mais a forma do Sagrado Concílio Tridentino, e por verdade, fiz este assento em que assinei. João Gomes Freire, Coadjutor.
Víuvo, voltou a casar com uma viúva. Naqueles tempos, nossos ascendentes não demoravam muito na solidão.
Aos nove de maio de mil setecentos, e quarenta e oito anos, pelas nove horas da noite, pouco mais ou menos, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário desta cidade, Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações nesta Matriz em três dias consecutivos, pelo assim dispensar o Reverendo Padre Mestre Frei Juvenal de Santo Albano, capuchinho missionário apostólico, que se acha de missão atual nesta cidade e apresentando a nubente banhos corridos da Vila do Recife, e Santo Antonio, donde é natural, cujos ficam em meu poder, feitas as demais diligências, sem se descobrir impedimento algum, em presença do meu Reverendo Coadjutor, que fazia vezes de Pároco, em minha ausência, sendo presentes por testemunhas , o Doutor Ignácio de Sousa Rocha Branco, Provedor da Fazenda Real desta Capitania, e o alferes tenente da Fortaleza, Manuel Pacheco, pessoas conhecidas, e moradores desta dita Freguesia, se casaram em face da Igreja, solenemente, por palavras, Miguel Raposo, viúvo que ficou de sua mulher Maria José, escrivão das Execuções da Fazenda Real, natural da Ilha de São Miguel, com Dona Catherina Cardosa, viúva que ficou do seu marido sargento Alves, filha do alferes tenente Manuel Pacheco, e de sua mulher Dona Maria de Freitas, naturais da Praça do Recife, e por ora moradores desta dita Freguesia, do que mandei faze esse assento, em que me assinei. Manuel Correa Gomes.
Entre os filhos de Miguel Raposo de Mello, encontramos: Antonio Raposo de Mello, que casou em 11 de junho de 1749, na Matriz, na presença do sargento-mor Miguel de Oliveira e Mello, e Miguel Raposo de Mello, com D. Thereza de Jesus de Mello, filha do capitão Francisco Pinto e D. Plácida Rodrigues de Mello; Thereza Antonia de Jesus, que casou em 26 de novembro de 1755, na presença do capitão-mor Pedro de Albuquerque e Mello, e do capitão Manuel de Oliveira Miranda, com o cabo de esquadra Manuel de Araújo, natural de Muribeca, filho de Manuel de Araújo Baracho e Antonia de Freitas, viúvo por falecimento de sua esposa Brizida Ferreira; Valentim Raposo de Mello, casado com Maria do Rosário (Rosaura em alguns registros), filha de Matheus Ferreira da Costa e Maria Luiza do Desterro.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Quem era D. Antonia Maria Soares de Mello?


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do INRG e do IHGRN
O mestre Cascudo, em uma das suas Actas Diurnas, escreveu sobre Francisco Machado de Oliveira Barros o seguinte trecho: para aqui veio já casado com a pernambucana D. Antônia Maria Soares de Melo, e ficou, trabalhando, servindo, até que morreu, viúvo, com 72 anos de idade, a 28 de abril de 1795.
Na verdade, observando alguns documentos que pesquisei, tenho outra versão sobre a vida desse casal que vou reconstituir com base em alguns registros que Câmara Cascudo não teve conhecimento. 
Em 1760, Francisco Machado foi nomeado para o posto de sargento-mor da Cavalaria do Regimento de que era coronel, Francisco da Costa de Vasconcellos, na vaga por falecimento de Cosme Medeiros. Ele tinha servido na praça de Recife por mais de 8 anos. Em 1771 foi nomeado, no mesmo Regimento, para o posto de tenente-coronel. Não sei em que ano foi nomeado  Mestre de Campo. Em 1763, o sargento-mor Francisco Machado de Oliveira Barros era casado, e, ainda, morador em Pernambuco, conforme o batismo de Joachim, filho de André Matheus e Rosa Maria de Oliveira. No ano de 1765, no batizado de Félix, filho do tenente-coronel Félix Barbosa Tinoco e Antônia Maria da Conceição, o sargento-mor Francisco Machado de Oliveira Barros, casado, comparece, como padrinho, na companhia de Dona Antônia Maria Soares de Melo, filha de Dona Eugenia de Oliveira e Melo.
Outro documento dá conta que, em 1766, no batizado de Jerônimo, filho de uma escrava de Josefa Gomes, quem estavam como padrinhos eram Miguel, filho do tenente-coronel Francisco Machado, e Maria Jacinta, filha de Eugenia de Oliveira e Melo. Esses padrinhos deviam ser Miguel Francisco do Rego Barros e Maria Jacinta Pródiga da Costa.
O coronel Paulo Leitão de Almeida encomendou algumas pesquisas sobre o ascendente da família Leitão de Almeida, o professor régio José Leitão de Almeida. Com essas informações escreveu um trabalho onde revela que: Dona Ana de Melo e Albuquerque fez doação para dois sobrinhos, Padre Antônio Caetano do Rego Barros e Francisca Xavier de Vasconcelos, filhos de Francisco Machado. Dona Francisca Xavier foi a segunda esposa de José Leitão de Almeida. A primeira foi Dona Maria Felícia dos Santos.
Nas mesmas pesquisas, Paulo Leitão informa que Dona Ana de Melo e Albuquerque contestou o testamento do seu irmão, Francisco Machado, por nomear, como seu herdeiro, o filho Joaquim José do Rego Barros, acusado por ela de ser filho de punível coito. Ora, a mãe de Joaquim era Dona Antônia Maria Soares de Melo. Por isso, suponho que o Mestre de Campo, iniciou um relacionamento com Dona Antônia, ainda casado com D. Inácia do Carmo, e que Joaquim nasceu desse relacionamento, embora, tempos depois tenha oficializado o casamento, pelo se que observa de registros posteriores.
Quem era essa Dona Antônia Maria Soares de Melo? Qual era a naturalidade dela? Os registros da Igreja revelam que ela era natural da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, ao contrário do que imaginava Cascudo, e os indícios nos levam para a hipótese de ser a filha de Dona Eugenia de Oliveira e Melo, citada acima, e do sargento-mor Dioniso da Costa Soares, irmã, portanto, de Anna Maria Soares de Mello, esposa de Gonçalo Soares Raposo da Câmara. O Mestre de Campo Francisco Machado de Oliveira Barros e Dona Antonia Maria Soares de Mello tiveram uma filha de nome Dionísia Soares de Mello, (homenagem ao avô da batizada), que casou com Francisco Antonio Carrilho.
Paulo Leitão de Almeida supõe que quem veio representar José Leitão de Almeida, na questão da doação de bens para sua segunda esposa, Francisca Xavier, foi o filho do dito com Dona Maria Felícia, Agostinho Leitão de Almeida.
Em 1795, ano da morte do Mestre de Campo, os bens em mãos de Joaquim José do Rego Barros foram sequestrados, por decisão judicial. Acredito, porém, que tudo foi resolvido a contento, pois o dito Agostinho Leitão de Almeida casou com Dona Antonia Maria Soares de Mello, filha de Francisco Antonio Carrilho e de Dionísia Soares de Mello, irmã de Joaquim José do Rego Barros, por parte de pai e mãe.
Dona Antonia Maria Soares de Melo faleceu em 1784, com a idade de 41 anos pouco mais ou menos. O óbito do Mestre de Campo, Francisco Machado revela que ele ficou viúvo dela até 1795, ano que faleceu.
É importante salientar que Francisco Machado de Oliveira Barros, Joaquim José do Rego Barros, e Agostinho Leitão de Almeida, três importantes personagens da História do Rio Grande do Norte, foram contemplados por três  Actas Diurnas do Mestre Cascudo, e persistem dúvidas, até hoje, sobre alguns aspectos das suas vidas. 
Quer conhecer mais sobre nossas velhas figuras? Adquira, antes que se esgote, o livro que reúne as Actas Diurnas de Câmara Cascudo lançado há pouco tempo. Serve para toda a família. Todas as escolas de todos os níveis deveriam receber essa preciosidade.

P.S. recentemente encontrei esse registro de batismo: José, filho legítimo do capitão Agostinho Leitão de Almeida e de sua mulher Dona Josefa Martins de Macedo,neto por parte paterna de José Leitão de Almeida e de Maria Felícia, e pela materna de Mathias Cabral de Macedo, e Dona Izabel Francisca da Costa, nasceu aos 9 de junho de 1819, batizado pelo Reverendo Manoel Pinto de Castro, de licença minha  aos 7 de dezembro do mesmo ano; foram padrinhos o alferes Manoel Antonio Cabral de Macedo, e Dona Maria de São José Macedo, na capela do Senhor Bom Jesus da Dores. Francisco Lumachi de Melo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Colonização e povoamento de Apodi (II) - Curraleiros versus gentio indígena

Marcos Pinto

Nos primeiros  tempos  de  colonização  européia  no  RN, via  Bahia (Região do  rio São Francisco)  e  Pernambuco, a  região  do Apodi  não  apresentou  efetiva  ocupação  territorial, tendo  em  vista  a  forte  resistência  indígena  e  as  barreiras  naturais    que  dificultavam  o  acesso.  Foram  duas  as  correntes de  povoamento  do  Apodi:  A  primeira  veio  de  Pernambuco, passando  pela  Paraíba, de  onde  desciam  pela  antiga  "Estrada  Real",  que  demandava  para  a  região  jaguaribana. Manoel  Nogueira  seguiu  o  trajeto  desta primeira  corrente.  A  segunda  veio  pela  região  do  Assu, onde  no  ano  de  1686  ficou  aquartelado  o  famoso  "TERÇO  DOS  PAULISTAS", comandado  pelo  octogenário  Manuel  de  Abreu  Soares.
 No livro  de  REGISTRO  DAS  SESMARIAS  DO  RN, consta  a  concessão  de  Carta  de  Data  de  Sesmaria  concedida  em 19  de  Fevereiro  de  1680  a   Manoel  Nogueira  Ferreira, João  Nogueira Ferreira, Antonia de  Freitas Nogueira, e  seus  companheiros/requerentes   Domingos  Martins  Pereira, Capitão  Bartolomeu  Nabo  Correia, Alferes  Gonçalo  Pires  de  Gusmão, Capitão  Luis  Braz  Bezerra, Capitão  Luiz  Antunes  de Farias  e  Manoel  Roiz  da  Costa, cuja  concessão  doava  três  léguas  de  terras  à  cada  requerente, cujas  terras  englobavam  os  rios  "Piranhas"  e  "Guaxinim", na  região  do  Assu.  Conforme consta  no mesmo  livro  de  sesmaria, estes  requerentes  desistiram  de  povoarem  as  terras  que  lhes  foram  concedidas, no  mesmo  ano.  Ocorre  que, já  no  dia  19  de  Abril  de  1680  Manoel  Nogueira  e  estes  mesmos  companheiros  recebem  a  concessão  em  Apodi, que  os  índios  denominavam  apenas de  "Pody".  Diante  este  cenário, resta  a  indagação:  Teria  Manoel  Nogueira  e  seus  irmãos  e  demais  requerentes  estado  na  região  do  Assu  antes  de  aportarem  em  Apodi ?  No requerimento  dão  a  entender  que  sim, conforme  afirmam: "...Pela  qual  razão  querem  povoar  nesse  sertão  e tem  dado  combate  aos tapuias  para  lhes  mostrar  onde  há  terras  desaproveitadas....querem  povoar  ainda  que  seja  com  risco  de  suas  pessoas  e  fazendas, por serem  paragens  ermas  e  despovoadas, donde  os  antigos  nunca se  atreveram  a  povoar...".   Observe-se  que  também  era  comum  o  fato  de  que  dois  ou  três  bravos  colonizadores  exploravam  as  terras  e  quando  as  requeriam  acrescentavam  nomes  de  amigos  e  parentes, para  açambarcarem  vastas  extensões  de  terras,  que  deram  origem  aos  latifúndios.
A verdade  é  que  o  bravo  MANOEL  NOGUEIRA  e  família, acompanhados  por  alguns escravos  tiveram  uma  vida  de  correrias  e  tropelias, no  enfrentamento  da  indiada  rebelde.  Davam, apanhavam, iam  embora, retornavam, sendo  certo  que  só  tiveram  uma  certa  tranquilidade  quando  o  famoso  "TERÇO DOS  PAULISTAS"  fez  uma  longa  incursão  até  a  lagoa  Pody, no ano de  1689, conforme  afirma  o  celebrado  e  respeitado  historiador  brasileiro  ERNESTO  ENES, no volume  127  da  Coleção "Brasiliana": "...Pedro de  Albuquerque  Câmara, Bernardo  Vieira  de  Melo, Valentim  Tavares  Cabral  e  Agostinho  César  de Andrade  tomaram  parte  na  marcha  que se  fez  do  Olho  d'água  aos  rios  paneminha  e  panema  grande, até  a  lagoa  Pody.  No  combate da  lagoa  do  Apody  estiveram  outros  soldados  como  João  do  Monte" . Vide (pág. 409)  e  Luiz da Silveira  Pimentel (pág. 269).
A saga  dos  NOGUEIRA  teve  início  em  1680, continuando  até  o  dia  11  de  Junho de  1685, quando  retornaram  à  Paraíba  em busca  de  recursos, a  fim  de darem  continuidade  aos  trabalhos  de  exploração  do  novo  território. Em 17  de  Novembro de  1688  ocorreu  o  famoso  embate  entre  a  família  NOGUEIRA  e  os  índios  Paiins, na  margem  da  lagoa  do  "Apanha-Peixe", onde  tombaram  mortos  os bravos  João  Nogueira  e Balthazar  Nogueira, forçando  o  grupo  familiar  a  debandarem  em  fuga  para  a  região  jaguaribana, no  Ceará.  A  indômita  ANTONIA  DE  FREITAS  NOGUEIRA, que  chegara  ao  Apodi  em  estado  de  viuvez, casou  no  ano  seguinte - 1681, com  o  português  Manuel  de  Carvalho  Tinoco, sendo  certo  que  em um  dos  livros  de  registro  de  batizados  constante  do  acervo da  Igreja-Matriz  de  N. Sra.  da  Apresentação, da  cidade  de  Natal, consta  a  presença  deste  casal  residindo  nas  imediações  de  Natal, em  São  Gonçalo  do  Potengi, onde  Antonia  de  Freitas  batizou  cinco  filhos, no  período  1695  a  1706.
 Quando  o  Sargento-Mór  de  Entradas  MANOEL  NOGUEIRA  faleceu  em  sua  fazenda  "Outeiro"(Onde hoje é o "Quadro da Rua")  em  17  de  Janeiro de  1715, toda  a  várzea  do  Apody, do  sítio "Boqueirão" aos  sítios  "Santa  Rosa"  e  "Santa  Cruz"  já  estava  de posse  e  domínio  de componentes  de  sua  família  -  filhos, cunhados  e parentes  afins. Foram  os  primeiros  curraleiros.  Os  índios  do  Apodi, que no início  da  colonização  "fervilhavam  como  formigas"  nas  margens  da  lagoa  Itaú (Depois lago  Pody, e  lagoa  Apody)  e  dos rios  Panema  Grande (Depois  rio  Apody)  e  Paneminha (Depois  rio  Umary), sempre  foram  alvos  da  sanha  dos  conquistadores  e  dos  aventureiros, que  não  sossegaram  enquanto  não  eliminaram  ou  segregaram  o  último  sobrevivente  dessa  raça  nativa.
ÍNDIO TAPUIA PAIACUS(Pintura de Eckhout Ano-1641)

 TAPUIA PAIACUS - ÍNDIOS ANTROPÓFAGOS
(Segundo o Historiador Marcos Pinto,
essas pintura poderiam terem sido pintadas pelo grande pintor
holandês  Alberto van der Eckhout  ao redor da lagoa do Apodi no ano de 1641)
O GENTIO  INDÍGENA  da  região  do  Apodi  era  constituído  de  05  etnias  e  uma  nação:  Tapuias  paiacus, Paiins, Icós, Icosinhos, Janduís  ou  Janduins, e  Canindés ,  da  nação  Tarairiús,  distribuídas  em  várias  tribos  e  malocas  ao  longo  do  território  apodiense.  O criatório  de  gado  bovino  consistiu  na  primeira  atividade  econômica  do  Apodi, tendo  sido  o  principal  argumento constante  dos  requerimentos  das  famosas  "Datas  de  Sesmarias",  quando  alegavam  que  precisavam  situar  seu  rebanho  bovino, ou que  já  se  achava  com  seus  currais  instalados  nas  terras  requeridas.  De um lado os índios eram acossados pelos sesmeiros/curraleiros, exploradores  que,  muito  bem  armados, promoviam  a  guerra  para  expulsá-los  dos seus  territórios, e  vender  os  prisioneiros  aos  fazendeiros  e senhores  de  engenho  de  Pernambuco  e da  Bahia.  Do  outro  lado, eram  subjugados  à  ação  nefasta  dos  padres  e  dos  seus  colaboradores,  que  no  afã  de  impor  a  língua  portuguesa  e  difundir  a  religião  católica, ao tempo  em  que  lhes  ofereciam  proteção, desestruturavam  as  bases  de  sua  cultura,  tanto  do  ponto  de  vista  material  como  espiritual, transmitindo-lhes  ensinamentos  de  obediência  a  um  Deus  diferente  dos seus  -  que  não  permitia  a  nudez, a  poligamia,  a  selvageria, a  antropofagia  e  outras  práticas  por  eles  adotadas  -  e  ao  colonizador, que  nunca  os  entendeu  e sempre  os  perseguiu.