segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Padre revolucionário e os Montenegros de Assú (II)

O Padre revolucionário e os Montenegros de Assú (II)
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do INRG e do IHGRN
        No artigo anterior vimos que Domingos de Mello Montenegro, filho de Manuel de Mello Montenegro e Genebra Francisca de Vasconcelos Pessoa, se casou em 1824, no Assú, com a idade de 46 anos, sendo ele natural de Tejucupapo, Pernambuco. Daí concluímos, pelas informações do Pe. Sadoc,  que Domingos era irmão do Padre João Ribeiro Pessoa de Mello Montenegro e que nasceu por volta de 1778. Portanto, ele era mais velho do que seus irmãos sobralenses. Mais ainda, essa informação confirma que os pais do padre revolucionário só podem ter ido para Sobral depois do ano de 1778 e, por isso, o Padre João Ribeiro deve ter nascido em Tracunháem como dizem os mais diversos autores. Outro detalhe é que o intervalo entre a data do nascimento do Padre e a de Domingos é de 12 anos, e, portanto, Manuel e Genebra devem ter tido outros filhos nesse período. 
 
        Uma das testemunhas do casamento de Domingos foi Mathias Antonio de Oliveira Cabral, na época solteiro. Ele se casou em 17 de novembro de 1827, no Assú, com D. Maria Umbelina Montenegro, 22 anos, natural de Goianinha, filha de Manuel de Mello Montenegro Pessoa, já falecido e D. Ângela Garcia de Araújo Freire. Quem era esse Manuel de Mello Montenegro? É provável que seja Manuel nascido em 1780, em Sobral, irmão de Domingos e do Padre João Ribeiro. Como D. Maria Umbelina nasceu em Goianinha, vemos que tanto Domingos como seu irmão Manuel moraram nessa cidade antes de ir para Assú. Outro fato interessante é que D. Ângela foi madrinha, em 1835, de Ovídio, filho de outro Manuel de Mello Montenegro Pessoa e de Maria Beatriz Paz Barreto. É possível que o genro de Manuel Varella Barca seja filho, portanto, de Manuel de Mello Montenegro e D. Ângela Garcia, e por consequência sobrinho do Padre revolucionário.
 
        P.S Depois deste artigo, anos depois, precisamente, em 2021, encontro a confirmação da filiação de Manoel de Melo Montenegro Pessoa - Nos registros civis dos óbitos de Ceará-Mirim, segundo declarou o tenente-coronel Tomaz José de Sena,  seu sogro, o coronel Manoel de Melo Montenegro, Pessoa, viúvo de 82 anos, faleceu aos 12 de outubro de 1889, sendo filho legítimo de Manoel de Melo Montenegro Pessoa e Ângela Garcia Freire, naturais da Paraíba. Assim, era irmão de Dona Maria Umbelina Montenegro, mulher de Mathias Antônio de Oliveira Cabral.


          Em 16 de agosto de 1846, no Assú, foi batizada Catarina, filha de João Ribeiro Pessoa e Maria Romualda Cavalcante, e teve como padrinhos o Major Mathias Antonio de Oliveira Cabral e sua mulher D. Maria Hermelinda Albuquerque Montenegro. Dona Maria Umbelina Montenegro deve ter falecido, e, portanto, Mathias casou novamente. É provável que essa segunda esposa fosse irmã da primeira. No batismo de Manoel, outro filho de Manoel de Mello Montenegro Pessoa, e Maria Beatriz Paz Barreto, uma das madrinhas foi Maria Hermelinda de Albuquerque, pelas minhas suspeitas, tia do batizado. Nas minhas suspeitas,  Manuel de Melo Montenegro Pessoa,  Maria Umbelina e Maria Hermelinda deviam ser irmãos, filhos todos de Manuel e Ângela, citados acima.
 
        Outro detalhe da vida dos Montenegros vem de um artigo de Vinicius Barros Leal, intitulado O Padre João Ribeiro e o Ceará. Nesse artigo ele noticia a existência de dois filhos do Padre, a saber: Hermano e Filadélfia que no ano de 1831 tinham respectivamente 26 e 21 anos, moravam em lugares separados, o primeiro em Pernambuco e ela, Filadélfia, no Ceará, na companhia de seu tio, o Padre Francisco Urbano Pessoa Montenegro, vigário de Uruburetama. A admiração do Padre João Ribeiro por George Washington o fez por o nome de Filadélfia na filha.
 
        Segundo Vinicius, Filadélfia, em 4 de novembro de 1834, se casou com o baturiteense José Fidélis Moreira Lima, filho de Antonio Moreira Barros e Josefa de Abreu e Lima. No registro do casamento a noiva é dada como nascida no Rio Grande do Norte, e filha natural de Leocádia Cândida Torres. Diz ainda Vinícius que noutro local, precisando melhor o lugar de seu nascimento, o Assú, a sua mãe figura com o nome de Teresa Joaquina Ribeiro. Entre os filhos nascido do casal cita: José, a 1º de abril de 1838; Hermano, a 12 de abril de 1841; João, em setembro de 1842; Tito, a 8 de dezembro de 1843; Francisco Urbano e Maria Hermelinda, que casou com Antonio Joaquim de Melo e foram os pais de José Artur Montenegro, nascido a 29 de fevereiro de 1864 e falecido a 3 de abril de 1901.
 
        Filadélfia homenageou o irmão, Hermano, batizando um dos filhos com esse nome. Da mesma forma homenageou o tio, Padre Francisco Urbano Pessoa Montenegro, outro irmão do Padre João Ribeiro, que não localizei onde nasceu. É oportuno lembrar que havia no Assú um Padre com o nome de Francisco Urbano de Albuquerque Montenegro, que suspeito ser da mesma família do Padre João Ribeiro. Esse Padre Francisco Urbano foi quem celebrou, em 1843, o último batismo que encontrei na Ilha de Manoel Gonçalves. Esse sobrenome Albuquerque que aparece na família vem de Dona Brites Albuquerque, uma ascendente dos Montenegros.
 
        Os Montenegros têm ainda um entrelaçamento com a família Raposo da Câmara. Encontramos que o capitão Cândido Soares Raposo da Câmara era casado com Dona Genebra Philadélfia de Vasconcelos, em outros registros os sobrenomes Montenegro Câmara, Oliveira Câmara, e Cabral de Oliveira Câmara. Toda essa variação de sobrenomes, de Dona Genebra, me faz crer, que ela era uma das filhas de Mathias Antonio Cabral de Macedo e Maria Hermelinda de Albuquerque Montenegro. Foi uma homenagem tanto a mãe, como a filha do Padre. Outros filhos de Mathias e Hermelinda encontrados: Edwiges Emília de Oliveira Cabral, Cassiano Cabral de Oliveira Montenegro e Leocádia Leopoldina de Oliveira Montenegro. Está faltando um livro que trate das famílias do velho Assú. A região merece.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Colonização e Povoamento do Apodi (II) - Curraleiros versus gentio índigena

Marcos Pinto
 Nos  primeiros  tempos  de  colonização  européia  no  RN, via  Bahia (Região do  rio São   Francisco)  e  Pernambuco, a  região  do Apodi  não  apresentou  efetiva  ocupação  territorial, tendo  em  vista  a  forte  resistência  indígena  e  as  barreiras  naturais    que  dificultavam  o  acesso.  Foram  duas  as  correntes de  povoamento  do  Apodi:  A  primeira  veio  de  Pernambuco, passando  pela  Paraíba, de  onde  desciam  pela  antiga  "Estrada  Real",  que  demandava  para  a  região  jaguaribana. Manoel  Nogueira  seguiu  o  trajeto  desta primeira  corrente.  A  segunda  veio  pela  região  do  Assu, onde  no  ano  de  1686  ficou  aquartelado  o  famoso  "TERÇO  DOS  PAULISTAS", comandado  pelo  octogenário  Manuel  de  Abreu  Soares. 
                    No  livro  de  REGISTRO  DAS  SESMARIAS  DO  RN, consta  a  concessão  de  Carta  de  Data  de  Sesmaria  concedida  em 19  de  Fevereiro  de  1680  a   Manoel  Nogueira  Ferreira, João  Nogueira Ferreira, Antonia de  Freitas Nogueira, e  seus  companheiros/requerentes   Domingos  Martins  Pereira, Capitão  Bartolomeu  Nabo  Correia, Alferes  Gonçalo  Pires  de  Gusmão, Capitão  Luis  Braz  Bezerra, Capitão  Luiz  Antunes  de Farias  e  Manoel  Roiz  da  Costa, cuja  concessão  doava  três  léguas  de  terras  à  cada  requerente, cujas  terras  englobavam  os  rios  "Piranhas"  e  "Guaxinim", na  região  do  Assu.  Conforme  consta  no mesmo  livro  de  sesmaria, estes  requerentes  desistiram  de  povoarem  as  terras  que  lhes  foram  concedidas, no  mesmo  ano.  Ocorre  que, já  no  dia  19  de  Abril  de  1680  Manoel  Nogueira  e  estes  mesmos  companheiros  recebem  a  concessão  em  Apodi, que  os  índios  denominavam  apenas de  "Pody".  Diante  este  cenário, resta  a  indagação:  Teria  Manoel  Nogueira  e  seus  irmãos  e  demais  requerentes  estado  na  região  do  Assu  antes  de  aportarem  em  Apodi ?  No  requerimento  dão  a  entender  que  sim, conforme  afirmam: "...Pela  qual  razão  querem  povoar  nesse  sertão  e tem  dado  combate  aos tapuias  para  lhes  mostrar  onde  há  terras  desaproveitadas....querem  povoar  ainda  que  seja  com  risco  de  suas  pessoas  e  fazendas, por serem  paragens  ermas  e  despovoadas, donde  os  antigos  nunca se  atreveram  a  povoar...".   Observe-se  que  também  era  comum  o  fato  de  que  dois  ou  três  bravos  colonizadores  exploravam  as  terras  e  quando  as  requeriam  acrescentavam  nomes  de  amigos  e  parentes, para  açambarcarem  vastas  extensões  de  terras,  que  deram  origem  aos  latifúndios.
A  verdade  é  que  o  bravo  MANOEL  NOGUEIRA  e  família, acompanhados  por  alguns escravos  tiveram  uma  vida  de  correrias  e  tropelias, no  enfrentamento  da  indiada  rebelde.  Davam, apanhavam, iam  embora, retornavam, sendo  certo  que  só  tiveram  uma  certa  tranquilidade  quando  o  famoso  "TERÇO DOS  PAULISTAS"  fez  uma  longa  incursão  até  a  lagoa  Pody, no ano de  1689, conforme  afirma  o  celebrado  e  respeitado  historiador  brasileiro  ERNESTO  ENES, no volume  127  da  Coleção "Brasiliana": "...Pedro de  Albuquerque  Câmara, Bernardo  Vieira  de  Melo, Valentim  Tavares  Cabral  e  Agostinho  César  de Andrade  tomaram  parte  na  marcha  que se  fez  do  Olho  d'água  aos  rios  paneminha  e  panema  grande, até  a  lagoa  Pody.  No  combate da  lagoa  do  Apody  estiveram  outros  soldados  como  João  do  Monte" . Vide (pág. 409)  e  Luiz da Silveira  Pimentel (pág. 269).
                A  saga  dos  NOGUEIRA  teve  início  em  1680, continuando  até  o  dia  11  de  Junho de  1685, quando  retornaram  à  Paraíba  em busca  de  recursos, a  fim  de darem  continuidade  aos  trabalhos  de  exploração  do  novo  território. Em  17  de  Novembro de  1688  ocorreu  o  famoso  embate  entre  a  família  NOGUEIRA  e  os  índios  Paiins, na  margem  da  lagoa  do  "Apanha-Peixe", onde  tombaram  mortos  os bravos  João  Nogueira  e Balthazar  Nogueira, forçando  o  grupo  familiar  a  debandarem  em  fuga  para  a  região  jaguaribana, no  Ceará.  A  indômita  ANTONIA  DE  FREITAS  NOGUEIRA, que  chegara  ao  Apodi  em  estado  de  viuvez, casou  no  ano  seguinte - 1681, com  o  português  Manuel  de  Carvalho  Tinoco, sendo  certo  que  em um  dos  livros  de  registro  de  batizados  constante  do  acervo da  Igreja-Matriz  de  N. Sra.  da  Apresentação, da  cidade  de  Natal, consta  a  presença  deste  casal  residindo  nas  imediações  de  Natal, em  São  Gonçalo  do  Potengi, onde  Antonia  de  Freitas  batizou  cinco  filhos, no  período  1695  a  1706.
 Quando  o  Sargento-Mór  de  Entradas  MANOEL  NOGUEIRA  faleceu  em  sua  fazenda  "Outeiro"(Onde hoje é o "Quadro da Rua")  em  17  de  Janeiro de  1715, toda  a  várzea  do  Apody, do  sítio "Boqueirão" aos  sítios  "Santa  Rosa"  e  "Santa  Cruz"  já  estava  de posse  e  domínio  de componentes  de  sua  família  -  filhos, cunhados  e parentes  afins. Foram  os  primeiros  curraleiros.  Os  índios  do  Apodi, que no início  da  colonização  "fervilhavam  como  formigas"  nas  margens  da  lagoa  Itaú (Depois lago  Pody, e  lagoa  Apody)  e  dos rios  Panema  Grande (Depois  rio  Apody)  e  Paneminha (Depois  rio  Umary), sempre  foram  alvos  da  sanha  dos  conquistadores  e  dos  aventureiros, que  não  sossegaram  enquanto  não  eliminaram  ou  segregaram  o  último  sobrevivente  dessa  raça  nativa.
ÍNDIO TAPUIA PAIACUS(Pintura de Eckhout Ano-1641)
 TAPUIA PAIACUS - ÍNDIOS ANTROPÓFAGOS
(Segundo o Historiador Marcos Pinto,
essas pintura poderiam terem sido pintadas pelo grande pintor
holandês  Alberto van der Eckhout  ao redor da lagoa do Apodi no ano de 1641)
O  GENTIO  INDÍGENA  da  região  do  Apodi  era  constituído  de  05  etnias  e  uma  nação:  Tapuias  paiacus, Paiins, Icós, Icosinhos, Janduís  ou  Janduins, e  Canindés ,  da  nação  Tarairiús,  distribuídas  em  várias  tribos  e  malocas  ao  longo  do  território  apodiense.  O  criatório  de  gado  bovino  consistiu  na  primeira  atividade  econômica  do  Apodi, tendo  sido  o  principal  argumento constante  dos  requerimentos  das  famosas  "Datas  de  Sesmarias",  quando  alegavam  que  precisavam  situar  seu  rebanho  bovino, ou que  já  se  achava  com  seus  currais  instalados  nas  terras  requeridas.  De  um  lado  os  índios  eram  acossados  pelos sesmeiros/curraleiros,  exploradores  que,  muito  bem  armados, promoviam  a  guerra  para  expulsá-los  dos seus  territórios, e  vender  os  prisioneiros  aos  fazendeiros  e senhores  de  engenho  de  Pernambuco  e da  Bahia.  Do  outro  lado, eram  subjugados  à  ação  nefasta  dos  padres  e  dos  seus  colaboradores,  que  no  afã  de  impor  a  língua  portuguesa  e  difundir  a  religião  católica, ao tempo  em  que  lhes  ofereciam  proteção, desestruturavam  as  bases  de  sua  cultura,  tanto  do  ponto  de  vista  material  como  espiritual, transmitindo-lhes  ensinamentos  de  obediência  a  um  Deus  diferente  dos seus  -  que  não  permitia  a  nudez, a  poligamia,  a  selvageria, a  antropofagia  e  outras  práticas  por  eles  adotadas  -  e  ao  colonizador, que  nunca  os  entendeu  e sempre  os  perseguiu.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Padre revolucionário e os Montenegros de Assú (I)

O Padre revolucionário e os  Montenegros de Assú (I)
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do INRG e do IHGRN
Pe. Francisco Sadoc de Araújo escreveu na Revista do Instituto do Ceará, em 1983, que Pe. João Ribeiro Pessoa de Mello Montenegro, o líder e principal mentor da Revolução Pernambucana de 1817, deve ter nascido em Sobral, contrariando outros autores que dizem ter ele nascido em Tracunhaém, aos 28 de fevereiro de 1766.
Diz mais Pe. Sadoc: sabemos hoje, com absoluta certeza, a naturalidade de seus ascendentes mais próximos.  Manuel de Mello Montenegro, seu pai, é natural de Itamaracá e sua mãe, Genebra Francisca Pessoa, de Igarassu. O avô paterno, capitão Domingos de Melo Montenegro, nasceu em Tracunhaém e a avó, Maria Teresa de Melo, em Itamaracá. O avô materno, capitão-mor João Ribeiro Pessoa, é natural de Igarassú, e a avó, Genebra de Vasconcelos Castro, de Goiana.
Nos apontamentos do Major Salvador Drumond encontrei que: Em 21 de novembro de 1731, pelas quatro horas da tarde na Capela de S. Luzia, desta Freguesia de Igarassu, em cuja Matriz donde os contraentes são moradores, e na Capela de Inhaman, donde o contraente é aplicado e na dita Capela de Santa Luzia, onde a contraente é aplicada, e na Matriz da Igreja de Tracunhaém, onde o contraente foi morador, e na Matriz da Vila de Goiana donde a contraente é natural, feitas as denunciações em todas as sobreditas partes sem se descobrir impedimento, como me constou por certidão dos banhos que ficam em meu poder, com licença minha em presença do Rev. Pe. Bernardo de Miranda e Vasconcelos e das testemunhas Pe. Manoel Pessoa, o capitão Luiz da Veiga Pessoa, o capitão-mor João Carneiro da Cunha, o Rev. João Damasceno Soares, e outras, todos desta freguesia, se casaram solenemente por palavras de presente João Ribeiro Pessoa, natural desta Freguesia de Igarassu, filho do capitão João Ribeiro Pessoa, já defunto, e de sua mulher Ignez da Veiga de Brito, com D. Genebra de Vasconcellos e Castro, filha do tenente Francisco de Brito Lira, já defunto, e de sua mulher D. Juliana de Drumond e receberam logo as bênçãos com os ritos da Santa Madre Igreja. Em fé do que se fez este termo que assinei com as testemunhas. Paulo Teixeira, Vigário, Bernardo de Miranda e Vasconcellos, Luiz da Veiga Pessoa, Manoel Pessoa.
Pe. Sadoc pesquisou nos livros originais de batismo e casamentos da Freguesia de Sobral, e, por isso, afirma: as ligações do Pe. João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro com Sobral se devem ao fato de ser sobrinho materno de seu homônimo Padre João Ribeiro Pessoa que foi vigário da freguesia sobralense durante 25 anos, ou mais precisamente, de 20 de dezembro de 1762 a 16 de maio de 1787, dia em que faleceu com 58 anos de idade, sendo sepultado na Matriz. Por essa idade deve ser sido o primeiro filho de João Ribeiro e Genebra de Vasconcelos. Diz ainda Pe. Sadoc, a partir das suas pesquisas, que: para viver em companhia do Paróco, vieram residir em Sobral os seus irmãos José Tavares Pessoa, Gonçalo Novo de Lira e Genebra Francisca Pessoa, esta mãe do Pe. João Ribeiro de Mello Montenegro.
Quanto aos filhos de Genebra Francisca descobriu os termos de batismo de quatro deles, não encontrando o do líder revolucionário. Batizados em Sobral foram: Manuel, em 26/02/1780; José, em 9/09/1784; Brás, em 22/01/1786; e Teresa, em 9/04/1787. Exemplifica através de um deles: Manuel, filho legítimo de Manuel de Mello Montenegro, natural da Freguesia de Itamaracá, e de sua mulher, D. Genebra Francisca Pessoa, natural de Igarassu, e moradores nesta de Nossa Senhora da Conceição da Vila de Sobral, neto paterno do capitão Domingos de Mello Montenegro, natural da Freguesia de Tracunhaém, e de sua mulher Dona Tereza Maria de Melo, natural de Itamaracá, e materno do capitão João Ribeiro Pessoa, natural de Igarassu, e sua mulher dona Genebra de Vasconcelos e Castro, natural de Goiana, nasceu a doze de junho de mil setecentos e oitenta e foi batizado, com os santos óleos a vinte e cinco do mesmo mês e ano, nesta Matriz, por mim cura João Ribeiro Pessoa. Foram padrinhos José Tavares Pessoa, casado, e D. Felicia Teodora d'Ornelas Pessoa, mulher do Gonçalo Novo de Lira, moradores nesta Freguesia. Do que fiz este termo que para constar assinei, João Ribeiro Pessoa. Cura e Vigário da Vila de Sobral.
Nos registros de Assú encontrei: Aos oito dias do mês de janeiro de mil oitocentos e vinte e quatro pelas oito horas da tarde nesta Matriz de São João Batista do Assu, em minha presença e das testemunhas abaixo nomeadas, se receberam por esposos presentes Domingos de Mello Montenegro e Dona Antonia Francisca Correa de Araújo, meus fregueses: o esposo de idade de quarenta e seis anos, filho legítimo do capitão Manuel de Mello Montenegro e Dona Genebra Francisca de Vasconcellos Pessoa, já falecidos, natural de Tejucupapo de donde apresentou seus papéis desimpedidos; e de Goianinha, onde morou: a esposa de idade de quarenta e dois anos, filha legitima do capitão-mor Antonio Correa de Araújo Furtado, já falecido, e Dona Maria Francisca da Trindade, natural deste Assú, e moradores onde se fizeram as denunciações, duas em dois dias feriais, e uma em um domingo por despacho do Ilustríssimo e Reverendíssimo Senhor Cabido, sem impedimento, e logo lhes dei as bênçãos matrimoniais, sendo primeiramente confessados e examinados na Doutrina Cristã, presentes por testemunhas João da Fonseca Silva, e Mathias Antonio de Oliveira Cabral, solteiros, todos deste Assú. E para constar fiz este assento em que me assinei. Joaquim José de Santa Anna, Paróco do Assú.
No próximo artigo faremos considerações sobre as implicações desse último casamento.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Novos sócios tomam posse no IHGRN

Nessa sexta, dia 09 de dezembro de 2011, 24 novos sócios efetivos tomaram posse no IHGRN. Uma das imagens desse evento segue:

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Versos de Manoel Américo de Carvalho Pita

III ENCONTRO DE GENEALOGIA - CAICÓ - RN - 25 a 27 de novembro de 2011.

FOMOS TODOS CONVIDADOS
PARA PASSARMOS TRÊS DIAS
OUVINDO MUITAS PALESTRAS
QUE NOS TROUXERAM ALEGRIA
PARA ENTENDERMOS CONCEITOS
SOBRE A GENEALOGIA.

GENEALOGIA COMPREENDE
O ESTUDO DOS ANCESTRAIS
QUE VIVERAM EM NOSSA TERRA
HÁ MUITOS ANOS ATRÁS
TEMPOS DOS MEUS BISAVÓS
VIVERAM, NÃO VIVEM MAIS.

25 DE NOVEMBRO EM CAICÓ
NA CÂMARA MUNICIPAL
BIBI E NÓS TODOS PRESTAMOS
UMA HOMENAGEM  A SINVAL
PELOS SEUS OITENTA ANOS
E SEU NÍVEL CULTURAL.

A PREFEITURA DE CAICÓ
O EVENTO ORGANIZOU
O PROFESSOR JOÃO FELIPE
FOI O COORDENADOR
DESTE EVENTO MAGNÍFICO
POIS ELE É PESQUISADOR
DA ÁREA E ACERVO GENEALÓGICO
É PERITO E ESCRITOR.

DRA. CLOTILDE TAVARES
POETISA, ESTUDIOSA
DAS COISAS DO MEU SERTÃO
ELA FALA EM VERSO E PROSA
ELA TROUXE AO NOSSO ENCONTRO
CONTRIBUIÇÃO VALIOSA.

A TODOS OS PALESTRANTES
TODA NOSSA GRATIDÃO
O PROFESSOR FABIO ARRUDA
E O DR. SANTINO ENTÃO
QUE TROUXERAM AO NOSSO ENCONTRO
GRANDE CONTRIBUIÇÃO.

O ACADÊMICO MARCOS PINTO
E O CONFRADE ANDERSON TAVARES
QUE ADENTRARAM AS PESQUISAS
VISITANDO NOSSOS LARES
CONSOLIDANDO A PESQUISA
EM INCONTÁVEIS LUGARES.

AGRADECEMOS A TODOS
PELA CONTRIBUIÇÃO
NÃO POSSO FALAR EM TODOS
POIS ME FALTA INSPIRAÇÃO
LEVO DE TODOS VOCÊS
ETERNA RECORDAÇÃO.

E AGORA FINALIZANDO
ESSA MINHA REDAÇÃO
DENTRO DA GENEALOGIA
APRENDI UMA PORÇÃO

ABRAÇOS
DE AMERICO PITA
PESQUISADOR DO SERTÃO.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Impostos, o parecer de Metello

Impostos, o parecer de Metello
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do INRG
A respeito da cobrança de impostos para os desposórios dos príncipes, no ano de 1729, reclamada pela Câmara do Senado do Natal, objeto de um artigo anterior neste jornal, Alexandre Metello de Sousa Menezes, membro do Conselho Ultramarino, emitiu o parecer que se segue. Algumas palavras são ilegíveis e outras podem ter sido lidos de forma errônea, mas sem prejudicar o conteúdo. Vejamos.
Pareceu ao Conselho que como esta matéria é gravíssima por todas as suas circunstâncias e de sumo escrúpulo, e em que as pessoas particulares não costumam falar aos Príncipes com a sinceridade e singeleza que devem por recearem o seu desagrado, eles, Conselheiros, pela obrigação do cargo em que Vossa Majestade foi servido pô-los, e pela fidelidade e zelo, que devem a seu real serviço estavam precisados a representar a Vossa Majestade com o mais profundo respeito, e veneração tudo o que se lhe oferece em matéria tão grave, e escrupulosa, fiados na Real benignidade de Vossa Majestade e no amor, e desejo que mostra ter ao conhecimento da Verdade.
 Pelas notícias que tem os Conselheiros, dadas por pessoas prudentes, e desinteressadas, se fazem críveis estes clamores dos vassalos do Rio Grande, assim pelas razões particulares que ponderam a seu respeito por causa de pobreza geral do país, e da seca de sete anos antecedentes, como porque estas vozes concordam com as de todo o Brasil por não obstante não ser tão destituído de cabedais como o Rio Grande, todo ele geme, e tem por intolerável a carga que lhe acresceu com a imposição do donativo os casamentos de suas Altezas, e consideram por imódica, e insuportável a obrigação de contribuir para eles com a imensa soma de mais de sete milhões, e clamam  que as quantias exorbitantes que lhe foram taxadas não foram neles voluntárias mas extorquidas com temor, e respeito arbitrados somente pelos Governadores que a custa das suas lágrimas, e do seu sangue, quiseram melhorar, na Corte, a sua condição, e as suas pretensões, não atendendo a que tem por Rei um Príncipe que não quer em taça de ouro beber o sangue de seus vassalos, antes deve ser pai benigno de todos, e procurar-lhe alívio das cargas, que suportam. Que eles assim como não duvidam concorrer com as contribuições necessárias às necessidades públicas, assim também devem esperar que Vossa Majestade os não obrigue ao que não é preciso, principalmente, quando o imposto é sem moderação como se vê, na imensa soma de sete ou oito milhões quantia que nunca se ouviu entre os portugueses. E como esta contribuição não pode deixar de durar muitos anos, ela tão sensível, e tão penosa, se fará intolerável porque a paciência quando é muitas vezes ofendida se solta em loucura, e desatino, principalmente vendo que a necessidade para que são compelidos a contribuir tem passado, e já a não há, nem os vassalos eram obrigados a concorrer para as despesas dos dois casamentos reais, mas somente para um que era o da Serenissima Senhora Infanta por assim o disporem os mesmos Senhores Reis de Portugal nas suas leis, não arrogando a si mais que a obrigação dos seus vassalos com tributo para o seu casamento e de suas filhas.
E como o Conselho entende por todas estas razões que o arbítrio com o que o Vice Rei, e governadores do Brasil lançaram este donativo foi imoderado, e se não comensurou com a necessidade para que deviam contribuir os vassalos, teve por justo, e conveniente fazer presente a Vossa Majestade este negócio como tão grave, e de que podem resultar conseqüências e ultima importância, por que se qualquer parte do Brasil entrar em desesperação, e recusar a continuação deste donativo há de ser preciso levantá-lo em todo ele com grande abatimento das disposições do governo, e seria melhor acudir a tempo, e evitar este risco com grande crédito da Real generosidade, e beneficência de Vossa Majestade emendando Vossa Majestade os imprudentes excesso de seus Vice-Rei e governadores  o que exaltaria o Real nome de Vossa Majestade sobre todos os seus grandiosos predecessores.
E quanto a informação do Governador de Pernambuco entende o Conselho que ele não deixa de ser (ilegível), e consta que o arbítrio de um milhão e duzentos e cinqüenta cruzados foi unicamente seu nem os povos tiveram nele parte; e é crível que o queira sustentar, e acreditar o seu serviço nem os seus desserviços satisfazer as queixas daqueles moradores do Rio Grande.
E ainda que o Provedor da Fazenda dê a entender nas suas repostas que como a ordem para esta contribuição não foi expedida pelo Conselho se não deve ele intrometer nela, lhe parece ao Conselho que este ditame só se deve praticar em não dispor nada contra esta matéria, mas não para abandonar do seu cuidado tudo a que a ela pertence, e os seus efeitos e de (ilegível) mas que deve ouvir e atender as representações que fizerem os povos e expor humildemente a Sua Majestade tudo que entender em matéria tão grave e tão escrupulosa e em que tanto se interessa a verdadeira razão de estado, e a conservação daquele de que depende a de toda monarquia. Lisboa, 09/06/1730, Conselheiro Alexandre Metello de Sousa Menezes.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Colonização e Povoamento do Apodi (I) - O Marco Zero

COLONIZAÇÃO   E  POVOAMENTO  DO  APODI (I) -  O  MARCO  ZERO.
Marcos Pinto

                             Processo  histórico  lento  e  gradual  da  ocupação  do  adusto  solo  sertanejo, em  que  consubstancia-se  a  trajetória  de  bravura  e  pujança  da  honrada  família  NOGUEIRA, rasgando  os  sertões  da  Paraíba  para  penetrar  o  "Vale do Jaguaribe", por  onde  alcançaram  a   ignota  serra,  reduto  de  ferozes  indígenas, seguindo  suas  veredas  para, sob  a  tutela dos seus facões, alargarem-nas  e  transformarem-nas  em  picadas, fato  referencial  que  fez com  que  passassem  a  denominá-la  em  batismo  toponímico  de  "SERRA  DA PICADA".  No  silêncio  cheio  de  sol, ao  aproximarem-se  das terras  que  se  estiravam  das   bordas  da  serra  para  uma  piscosa  lagoa, tiveram desse  portal  uma  bela  visão  panorâmica, sedutora  e  misteriosa.  Do  alto da  serra,  o  céu  vestia-se  de  um  azul  intenso, e mais azul  do  que  ele, os  vultos  das  altaneiras  serras  do  Patu, Portalegre  e  Martins, perfilando-se em  aparados  ou  talhados.   Embriagados de  notáveis  emoções, divisaram  o  vasto  carnaubal  cobrindo  de  verde  as  férteis  terras  de  aluvião,que  embalavam  e  ainda  embalam  nas  tardes mornas  o farfalhar  dos seus leques  em  misteriosas  coreografias.  Batizariam  com  o  pomposo  referencial  toponímico  de  "Várzeas  do  Pody", denominação  esta  que,  no  ano  de  1761,  o  Juiz  Miguel  Carlos  de  Pina  Castelo  Branco  ampliara  para  "Povoação  das  Várzeas  do  Apody".  Nesse  cenário  extasiante  sobressaíam-se  as  contagiantes  "vazantes"  da lagoa, ampliando  o  encantamento  do  elemento  branco  povoador.  Aquí  e  alí  cortava  o  silêncio  o  canto  característico  das  seriemas,  em  seu  cacarejo  metálico.                                                                                  Nos  primeiros  e  temerosos  contatos  com a  indiada  tapuias  paiacus, em que  predominavam  as  recíprocas  desconfianças  e  precauções, os  Nogueira  devem  terem  visto  e  ouvido,  curiosos, os  silvícolas  apontarem  para  o  chão  e baterem fortemente  nos  peitos, a  afirmarem  em  sua  linguagem  travada, que  eram  senhores  absolutos  da  terra  PODY.  Amainados os ânimos da  indiada  da  nação  Tarairiús, os  NOGUEIRA  trataram  logo  de  requerem  as   primeiras  "Datas  de  Sesmarias", açambarcando, como lhes  era  de  direito, as  melhores  terras, englobando  toda  a  várzea  até  as  que  margeavam  a  lagoa, estendendo-se  até  o  sopé  da  serra  que  eles  passaram  a  denominar,  em  seus  requerimentos de  sesmarias, de  "SERRA  PODY  DOS  ENCANTOS".  Quando  as  terras  requeridas  eram  distantes, já  vizinhas  ao  Ceará, afirmavam  que  as  terras  eram  situadas  na  "SERRA  PODY  DOS  ENCANTOS  PARA  FORA".  Apos  todos  os  ingentes  esforços  empreendidos  na  conquista  das  terras, os  bravos  NOGUEIRA  depararam-se  com  a  insana  concorrência  dos  sesmeiros  baianos  da  família  ROCHA  PITA, que  pleiteavam  forçosamente  o  senhorio  das  terras  requeridas  pelos  NOGUEIRA, situadas  na  margem  sul  da  lagoa, onde  hoje  situa-se  o  sítio  "Garapa", e outros vizinhos, medindo  três  léguas  de  comprimento  por  uma  de  largura.  Não  havia  como  os  NOGUEIRA  perderem  suas  concessões  sesmeiras, posto  que requereram  em  início  do  mês  de  Maio  de  1680, e  no  dia  19  do  mesmo  mês  e  ano  eram-lhes  concedidas  pelo  então  Capitão-Mór  do  RN.  Os  ROCHA  PITA  requereram  somente  em  Junho  de  1680.                      
                   Na  epopéia  colonizadora, os  indômitos  NOGUEIRA  protagonizaram  incontáveis  fatos  históricos, num  processo  evolutivo  e  audacioso, escrevendo  o  capítulo  especial  do  povoador  inicial,   empregando  a  pólvora  e  o  aço  viril, contra  o arco  e  a  flecha, tão  bem  manejadas  pelas  hábeis  mãos  da  indiada, até  então  com  o  senhorio  absoluto  das  plagas  de  terras  ardentes.                     Como  os  tapuias  paiacus  tinham  sua  taba  principal  situada  nas  terras  onde  hoje  estão  encravados  os  sítios "Barra", "Ponta", "Largo"  e  "Estreito", a  família  NOGUEIRA  optou  por  fixarem  moradia  no  outro  lado  da  lagoa, no  lugar  onde  atualmente  está  encravado  o  sítio  "Garapa", que  os  NOGUEIRA  batizaram  inicialmente  com  o  nome  de  "Braço da lagoa  do  Cajueiro".   Baseado  nesta  minudência  histórica  e  geográfica,  poder-se-á  afirmar  que  este  lugar  assume  a  emblemática  conotação  geográfica  de  ter  sido " O  MARCO  ZERO  DA  COLONIZAÇÃO  E  POVOAMENTO  DO  APODI".  Depois de  inúmeros  embates, os  NOGUEIRA  contaram  com  o  reforço  bélico  do  famoso  "Terço  dos  Paulistas", comandado  pelo  célebre  bandeirante paulista   Manoel  Álvares  de  Morais  Navarro, em  cujas  hostes  figurava  o  não  menos temido  DOMINGOS  JORGE  VELHO.  Na  celebrada  obra  histórica  intitulada  "A  GUERRA  DOS  BÁRBAROS", consta  um  grande  embate  da  indiada  tapuia  paiacus  com  o  "Terço  dos  Paulistas", ocorrido  nas  margens  da  lagoa  de  Apodi, cuja  luta  teve  a  duração  de  três  dias.(Vide págs. 181,230,255 e  277).  Estranha-se  o  fato de  que  os  NOGUEIRA  não  tenham  contado  com  a  ajuda  espiritual  de  um  sacerdote  para  ajudá-los  no  difícil  momento  do  encontro  primeiro  com  a  indiada.                                                                                                                                Quanto  ao  venerando  capítulo  da  CATEQUESE  INDÍGENA  em terras  Apodienses, há  um  longo  hiato  de  20  anos (1680-1700), posto  que, somente  em  10  de  Janeiro  de  1700  os  abnegados  e  virtuosos  padres Jesuítas  PHILIPE  BOUREL  e  JOÃO  GUINCEL  declaram  oficialmente  instalada  a  "MISSÃO  JESUÍTA  DA  ALDEIA  DO  LAGO  PODY". (Vide  livro "HISTÓRIA  DA  COMPANHIA  DE JESUS  NO  BRASIL" - Tomo V -  Autor:  Padre  Serafim  Leite).

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Posse de novos sócios no IHGRN

SÓCIOS EFETIVOS QUE TOMARÃO
POSSE NO DIA 09/12/2011





  1. AUGUSTO MARANHÃO
  2. AURICÉIA ANTUNES DE LIMA
  3. CARLOS ADEL TEIXEIRA
  4. CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES
  5. GEORGE ANTÔNIO DE OLIVEIRA VERAS
  6. GILENO GUANABARA
  7. HOMERO DE OLIVEIRA COSTA
  8. IVAN LIRA DE CARVALHO
  9. JAIR FIGUEIREDO
  10. JOÃO FELIPE DA TRINDADE
  11. JOSÉ ADALBERTO TARGINO
  12. LÍVIO ALVES DE ARAÚJO DE OLIVEIRA
  13. LÚCIA HELENA PEREIRA
  14. LUIZ EDUARDO BRANDÃO SUASSUNA
  15. MARCELO NAVARRO RIBEIRO DANTAS
  16. MARIA DO PERPÉTUO SOCORRO WANDERLEY DE CASTRO
  17. MARIA JANDYR CANDÊAS
  18. ODÚLIO BOTELHO
  19. ORMUZ BARBALHO SIMONETTI
  20. PEDRO VICENTE COSTA SOBRINHO
  21. RACINE SANTOS
  22. SEVERINO VICENTE
  23. UBIRATAN QUEIROZ DE OLIVEIRA
  24. UILAME UMBELINO GOMES

LISTA ENVIADA PELO IHGRN
Em 30/11/2011
Telefone de Jurandir Navarro
88463274

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O inventário de José Alves Martins, 1871

O inventário de José Alves Martins, 1871
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do INRG
No dia 16 de novembro parti para Assú com o intuito de fazer pesquisas sobre alguns documentos antigos, como inventários, no Fórum João Celso da Silveira Filho. Pensava encontrar muitas informações, mas tive uma grande decepção, pois são poucos os documentos mais antigos que estão naquele Fórum. Entretanto, tive uma sorte muito grande, por achar no meio de vários documentos, ainda não classificados corretamente, o inventário de José Alves Martins.
Anteriormente, fiz um artigo neste jornal sobre a morte trágica de José Alves Martins, com base em documentos extraídos do livro Falas e relatórios dos presidentes da Província do Rio Grande do Norte, 1860/1873 e de uma carta de Manoel Rodrigues de Melo para seu parente Ricardo Rodrigues Ferreira, morador no Recife.
Agora, com as informações contidas nesse inventário esclarecemos algumas dúvidas e coletamos mais informações sobre esse descendente do Capitão João Martins Ferreira, um dos fundadores de Macau. No depoimento prestado por seu irmão inventariante e tutor de seus filhos, está escrito: Diz Manoel José Martins morador nesse termo, que tendo sido assassinado seu infeliz irmão José Alves Martins na noite do dia 18 corrente, em casa de negócio na povoação de Rosário, por seu sócio João Rodrigues Ferreira, ficaram os seus bens, negócios e transações em completo desarranjo, porquanto seu finado irmão era viúvo, onerado de 10 filhos órfãos, seus tutelados, e vaqueiro na Fazenda = Cacimbas de Vianna = e posto que nesta circunstância não possam seus bens ser fiscalizados pelo Juízo dos Ausentes, por lhe terem ficado herdeiros necessários, necessita contudo de uma providência pelo Juízo de Órfãos, a fim de prevenir o abandono em que se acham em sua administração, não podendo bastar o simples acautelamento da polícia local, que consta se ter feito; vem pois o suplicante requerer a Vossa Senhoria para que seja nomeado inventariante, que promova a realização do respectivo inventário.  Manoel José Martins.
No dia 29 de setembro de 1871, Manoel José Martins, já nomeado inventariante dos bens do mano José Alves Martins, na residência do finado, na povoação do Rosário, termo do Assú, recebeu as chaves da casa, abrindo-a e tomando conta dos objetos nela existentes e que foram pela polícia local acautelados. Aí, fez o juramento deferido pelo Juiz, onde declarou que seu irmão, assassinado no dia 18 de setembro de 1871, na povoação do Rosário, sem testamento, deixou por seus herdeiros seus filhos José Alves Martins, de dezoito anos; João, de treze anos de idade; Francisco, de 12 anos de idade; Joaquim, de onze anos de idade; Militão, de dez anos de idade; Josefina, de oito anos de idade; Delfino, de sete anos de idade; Maria de cinco anos de idade; e Manoel, de quatro anos de idade, pouco mais, moradores todos na Fazenda Cacimbas do termo de Assú, e que viviam em sua companhia.
Embora, no documento inicial, Manoel José Martins tenha falado em 10 filhos, depois, na sequência, ficou confirmado que eram 9 filhos.
Mais adiante, no ano de 1879, Manoel José Martins, tutor dos seus sobrinhos órfãos Francisco, Militão, Maria, Delfino e Manoel, filhos do falecido José Alves Martins, disse que tendo tocado em herança aos mesmos órfãos a escrava Rita, mulata de 31 anos de idade, e a seus irmãos José Alves Martins, João Alves Martins, Joaquim Alves Martins, e Josefina Emília Alves Martins, que se achavam emancipados, e querendo vender estes as partes que tem do valor da dita escrava, era conveniente que se vendessem, também, as partes dos órfãos, não só pela precisão que estes tinham de algum vestuário, e de alimentos, como porque dita escrava nenhum rendimento dava, e seu valor estava decrescendo.
Nessa informação acima, vemos que os nomes completos só aparecem quando os filhos já estavam emancipados.
Os filhos de Jose Alves Martins e Francisca Martins de Oliveira, quando se casavam ou completavam a maioridade requeriam a entrega dos seus bens.
Nesse inventário não aparece nenhuma informação a mais sobre Maria, uma das filhas. Todos os outros filhos tem como sobrenome Alves Martins. Um dos últimos a solicitar seus bens é Manoel Alves Martins. Esse era o pai de seu Nezinho. No documento, quem recebeu os bens de Josefina Emília foi seu marido, Absalão Fernandes da Silva Bacilon. Ela casou com 16 anos de idade. Absalão e Josefina eram os pais de Dona Liquinha.
Assim a trajetória dos Alves começa na Ilha de Manoel Gonçalves. Depois o Capitão João Martins Ferreira, o filho José Martins Ferreira, e mais quatro genros vão para Macau, quando a ilha começou a ser coberta pelo mar. Posteriormente, o Major José Martins Ferreira segue com seus filhos para Cacimbas de Vianna, antes em Assú, e hoje em Porto do Mangue. Com as enchentes constantes em Cacimbas de Viana e Rosário, alguns seguiram para Santana do Matos. Foi lá onde nasceram Seu Nezinho e Dona Liquinha, primos legítimos, pais do Ministro Aluízio Alves. Também, em Santana do Matos, nasceu a mãe de Aristófanes Fernandes, irmã de Dona Liquinha. Assim, fica confirmado o que deixou escrito meu pai Miguel Trindade Filho, por informação de sua mãe, nascida em Cacimbas de Vianna, Maria Josefina Martins Ferreira, sobrinha de José Alves Martins.
Sobre a origem do sobrenome Alves, desconfio que tenha vindo da esposa do Capitão João Martins Ferreira, Dona Josefa Clara Lessa. Quando Bento José da Costa foi o inventariante dos bens dos sogros, quem administrava a Ilha de Manoel Gonçalves era José Álvares Lessa. Suspeito que esse fosse o pai de Josefa Clara Lessa. Um colega pesquisador descobriu a Genealogia de um português José Álvares Lessa que veio, posteriormente, para Pernambuco. Vamos, agora, buscar esse elo.

Filhos de José Alves Martins