quarta-feira, 2 de março de 2011

Marianna Paschoa Bezerra, Santo Ofício e os Rocha Bezerra

Lá de Brasília, Demétrio Bezerra, descendente de Francisco da Rocha Bezerra Junior, que saiu do Rio Grande do Norte para o Pará, me encaminha um e-mail com um link sobre engenhos pernambucanos. Sabedor do interesse de Fábio Arruda de Lima, lá das Alagoas, pelo assunto, reencaminho o e-mail para ele. De volta, Fábio me pergunta se tenho interesse por mais informações sobre os Rocha Bezerra. Confirmo, e ele me manda dados extraídos da Nobiliarquia Pernambucana e de um processo do Santo Ofício conta Marianna Paschoa Bezerra, acusada de Judaísmo. Vem junto o link da Torre do Tombo, http://digitarq.dgarq.gov.pt/default.aspx?page=regShow&searchMode=as&ID=2303471, onde está o referido processo.
Em 11 de Abril de 1731, na cidade de Lisboa, o inquisidor Phelippe Maciel mandou vir a si, a mulher que em nove do mesmo mês e ano veio de Pernambuco para os cárceres secretos da Inquisição, onde depois dos juramentos disse se chamar Marianna Paschoa Bezerra, mulher solteira, filha de Diogo Nunes Thomas, lavrador da roça, e Vitória Barbalho Bezerra, natural da cidade da Paraíba e moradora no Engenho Novo, distrito da mesma Cidade, de cinquenta anos.
Depois, em 15 de Abril de 1731, dando continuidade a inquisição, começa uma verdadeira Genealogia aonde ela vai descrevendo sobre seus outros familiares. Além dos pais citados acima, nomeia seus avós, todos já defuntos. Os paternos eram Diogo Nunes Thomas e Guiomar Nunes, naturais e moradores na Praça de Pernambuco. Quanto aos maternos eram Antonio Barbalho Bezerra e Joanna Gomes da Silveira, naturais da cidade da Paraíba.
Depois cita os tios pela parte do pai, com vários descendentes, que não descreverei aqui, pois nosso foco é a família Rocha Bezerra; em seguida cita os tios por parte da mãe que eram em número de cinco, a saber: Serafina Moraes, solteira, Antonio Barbalho Bezerra, Antonio Bezerra Monteiro, Duarte Gomes da Silveira e Maria Barbalho Bezerra, todos defuntos, naturais e moradores de Engenho Novo, e Engenho Velho.
Sobre Antonio Barbalho Bezerra, disse que era casado com Maria Teixeira da qual teve os filhos Salvador e Andreza, já defuntos pequenos, e outra filha Dona Joana. Disse que Dona Joana, sua prima, foi casada com João Peixoto que vive do morgado de sua mulher, e que desse casal nasceram nove filhos, a saber: José Gomes, Dona Luzia, Dona Joana, Dona Quitéria, Antonio Barbalho, João Peixoto, Duarte Gomes, e Bartholomeu Peixoto, e outro filho José, naturais e moradores em Engenho Novo.
Quanto ao sei tio Antonio Bezerra Monteiro, disse Marianna, que ele foi casado não sabe com quem e nem se teve filho.
Maria Barbalho Bezerra, outra tia de Marianna, era segundo ela, casada com Balthasar da Rocha Bezerra, lavrador de roça. Tiveram sete filhos, a saber: Antonio da Rocha, Manoel da Rocha, Balthasar da Rocha, Miguel Barbalho, Maria Bezerra Vasconcelos, Dona Archangela da Silveira e Simão da Rocha. Essa família de Maria Barbalho, me parece, é a que se aproxima mais da família Rocha Bezerra que vivia aqui no Rio Grande do Norte, por conta dos documentos que já pesquisamos.
Segundo Marianna, seus primos Antonio e Manoel foram homens de negócio, e Simão sem ofício, todos solteiros e já defuntos. Aqui uma primeira observação: acredito que esse Antonio era Antonio da Rocha Bezerra que em 1711 foi assassinado quando pretendia prestar ajuda aos parentes de Pernambuco.
  Na seqüência surge uma contradição, pois diz Marianna que Manoel da Rocha foi casado com Magdalena Luna, da qual teve um filho chamado Antonio da Rocha, homem de negócios, solteiro, natural das vizinhanças da Cidade da Paraíba, e morador no Sertão do Rio Grande, e também o dito seu primo Manoel da Rocha teve um filho natural de uma irmã da declarante Joana Gomes da Silveira, chamado João Gomes da Silveira, lavrador de roça, solteiro natural e morador de Engenho Novo. Aqui outra observação: esse pode ser o Capitão Antonio da Rocha Bezerra que era casado com Josefa de Oliveira Leite.
E que seu primo Balthasar da Rocha Bezerra é casado com D. Marianna, de quem não teve filhos. Mais uma observação: em 1716 foi posto em leilão um lote de terras de Antonio da Rocha Bezerra, pois ele não conseguiu arrecadar os dízimos para o qual foi contratado para o biênio de 1709/1710, por conta da seca desses anos e, por isso, teve que entrar com seus bens. Tendo falecido em 1711, foi seu irmão o Comissário Balthazar, o seu herdeiro.
Disse ainda que seu primo Miguel Barbalho Bezerra é viúvo de Maria Jacome Barbalho, sem filhos.
Quanto a sua prima Maria Bezerra de Vasconcelos é viúva de Manoel Ribeiro de Carvalho, que já foi homem de negócio e vivia de suas fazendas, e não tiveram  filhos.
Já sua prima D. Archangela da Silveira foi primeiro casada com Ventura Pereira Parente que foi senhor de engenho, de quem teve quatro filhos. Dona Maria Barbalho, D. Ignácia, D. Luzia, e João defunto, e todos de pouca idade, naturais e moradores  de Pacuara, Bispado de Pernambuco.
A segunda vez, D. Arcângela foi casada com Pedro da Rocha Bezerra, homem de negócios de quem teve um filho chamado Marcos de pouca idade, natural e morador de Juazeiro. Mais uma observação. A Sesmaria 552 concedida ao Sargento Mor José Pedro Tinoco, na Ribeira do Assu, pertenceu aos irmãos Capitão mor Balthazar da Rocha Bezerra, Coronel Miguel Barbalho Bezerra e seu cunhado Pedro da Rocha
Quanto aos seus irmãos cita: Antonio Barbalho, já defunto, solteiro, que foi homem de negócio; Luiza Barbalho e Thereza Barbalho, solteiras, Joanna Gomes, Maria da Silveira, Guiomar Nunes, e Diogo Nunes Thomas, naturais do  Engenho do Meio e moradores no Engenho Novo. Como dito antes sua irmã Joana Gomes teve um filho natural com Manoel da Rocha. Sua irmã Maria da Silveira é viúva de Gaspar Henriques, um primo seu.
Conclui sua genealogia dizendo que é cristã, batizada no evangelho, na Freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, pelo Pároco Manoel de Sousa , e foram seus padrinhos Marcos de Oliveira e Izabel de Barros. E que ela é crismada, e o foi no Engenho Birobim, na Igreja de São Cosme e São Damião, pelo Bispo de Pernambuco Dom Mathias e foi sua madrinha Maria da Silveira.

Um comentário:

  1. Meu nome é Felinto Justino Peixoto Filho, filho de Felinto Justino Peixoto,neto de Felix Justino Peixoto e bisneto de José Justino Peixoto. Todos, até aqui identificados e reconhecidos por todos. Gostaria de saber o nome do meu tataravô. O senhor José Justino Peixoto ainda tem um filho vivo que mora em Parnamirim RN e se chama Agnaldo Domingos Peixoto que é tio do meu Pai. Só que ele, Domingos não sabe o nome do seu avô, que é a pessoa que eu gostaria de identificar. Todas essas pessoas são do RN de Macau, Pendências e regiões próximas.

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