segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cacimbas do Vianna

 
Cacimbas do Viana
Há uma teoria na Estatística que diz que os eventos vêm em ondas. Na verdade, eu sou testemunha, ao longo da minha vida, de acontecimentos que parecem escondidos, mas  que quando aparecem, brotam de uma vez. Um dia estava lendo Tavares de Lira e pensando em Utinga. A partir daquela data uma série de informações surgiu sobre essa localidade vinda de diversos lugares. Com Cacimbas do Viana foi a mesma coisa. Depois de muito tempo, surgiram, de uma só vez, várias informações dessa povoação, a partir de uma viagem a Macau: um mapa que continha a localização, uma pessoa que conheceu a fazenda, um livro de Eloi de Sousa que cita a localidade, um amigo cujos familiares viveram por lá.
Eu tinha visto na Internet que havia um livro de Eloi de Sousa, Memórias, que fazia alguma citação de Cacimbas do Viana. Pouco dias depois, encontrei dentro de uma caixa no IHGRN, o livro recentemente editado que tinha sido levado para o Instituto por Olimpio Maciel. Encontrei, escrito no livro, na parte que trata do imbróglio entre o Presidente da Província, Manoel Ribeiro da Silva Lisboa,mais conhecido por Presidente Parrudo, e o coronel Estevão José Barbosa de Moura,  o seguinte trecho:
“Sem perda de tempo, o coronel Estevão, apressadamente alcançou o cais do Rosário, onde estava ancorada sua canoa, tripulada por escravos de confiança, e mandou remar à toda força para o seu engenho Ferreiro Torto. Na altura do Periquito, um dos escravos enxergou um bote que os perseguia.
O fugitivo, à sua maior aproximação, tendo verificado que a embarcação trazia arvorada a bandeira nacional, logo certificou-se que o próprio Parrudo era o seu perseguidor. Mandou, então, remar para uma gamboa, na margem esquerda do rio, onde desembarcou, e, mais tarde, com o auxílio de amigos, seguiu para a Cacimba de Viana, onde ficava uma de suas muitas fazendas.”
Aqui vamos aproveitar este artigo para transcrever o casamento de Estevão José Barbosa de Moura para conhecimento de todos.
“Aos trez de julho de mil oitocentos e trinta e trez na Capella do Ferreiro Torto, pelas oito horas da noite, despensados as denunciações pelo Ordinário Padre, sendo igualmente despensados os nubentes no terceiro grau de sanguinidade attingente ao segundo; e no quarto attingente ao terceiro, tambem de sanguinidade, em presença do padre Manoel Pinto de Castro, de minha licença, se  receberão por palavras de presente Estevão José Barbosa de Moura, e dona Maria Rosa do Rego Barros, naturaes, e moradores desta Freguesia: o nubente filho legitimo do Sargento Mor Manoel Teixeira Barbosa, e de Dona Anna da Costa Vasconcellos, já falecida, e a nubente filha legitima do Coronel Joaquim José do Rego Barros, e de Dona Maria Angélica da Conceição, já falecida, e receberão as Bênçãos, sendo testemunhas  Francisco Machado do Rego Barros, e José Fernandes Carrilho, casados desta Freguesia, do que fiz este termo, que me asigno.  Antonio Xavier Garcia de Almeida Vigário Interino.”
João Batista Machado mandou um e-mail, fazendo referência a Cacimbas do Viana, após ler o artigo, “uma visita ao município de Macau”.  Diz o e-mail: “Como estava afirmando, na fazenda Cacimbas de Viana pertencente ao  meu bisavô coronel Camilo de Lelis Bezerra eram produzidos os famosos "queijos de pescoço"  trazidos da Itália pela família Campielo. Uma das descendentes  casou com um tio-avô meu chamado João Camilo de Lelis Bezerra,  que esposou d. Mariinha, filha do major Amaro Campielo, que morava na localidade de "estrondadeira", onde a família Rosado tinha uma  mina de gesso. Os queijos eram disputadíssimos pelo amigo do velho Camilo  que fazia da distribuição  uma grande festa na fazenda "Alemão", no município do Assu, hoje Carnaubais.
F. F. Araújo no seu artigo Vultos de Macau, escreve sobre João Teixeira de Sousa: “ nasceu a 12 de fevereiro de 1849, em Cacimba do Viana, do município do Açu. Foram seus pais Manoel José de Sousa e D. Cosma Maria de Sousa. transportando-se, em 1859, para Macau, ano em que faleceu seu pai, aí passou a residir, casando-se , pela primeira vez , em 1869, com D. Veneranda Bezerra da Rocha. Ficou viúvo em 1879 e casou-se segunda vez , no mesmo ano, com D. Ana Bezerra da Rocha.”
Cacimbas do Viana, por fazer parte das terras de Bento José da Costa, era administrada, também,  por João Martins Ferreira. Assim, a presença dessa família é maciça nessa localidade. Ai, nasceu minha avó. Maria Josefina Martins Ferreira, filha do Tenente cirurgião Francisco Martins Ferreira e Francisco de Paulo Maria de Carvalho. Em, 1850, casou lá, Manoel Martins Ferreira (em alguns outros documentos, Manoel José Martins), filho de José Martins Ferreira. Façamos a transcrição desse documento:
‘Aos 28 dias de novembro de 1850, pelas 4 oras da tarde, na Fazenda das Cassimbas do Vianna, na Freguesia do Assú, forão unidos e abençoados em Matrimonio de minha licença, pelo Reverendo Silvério Biserra de Menezes, os Contrahentes meus Fregueses, Manoel Martins Ferreira, e Prudência Maria Teixeira, brancos, servatis ex more servandis; foram testemunhas José Martins Ferreira, e João Gomes Carneiro.: do que faço este acento em que assigno. Felis Alves de Sousa, Vigário Collado de Angicos.”
Por fim, mais um registro sobre Cacimbas do Viana de descendentes de João Martins Ferreira.
“Luiza, filha legitima de Francisco Alves Martins, e Maria Teixeira Martins, moradores em Cacimbas de Vianna da Freguesia de Assú, nascida a vinte e seis de Fevereiro de mil oito centos e oitenta e dois, foi solennemente baptizada por mim, na Matriz desta cidade a seis digo, a vinte e hum de maio do dito annno. Sendo Padrinhos = José Alves Martins, por procuração que apresentou João Teixeira de Souza, e Ignez Teixeira de Sousa, também d’aquella Freguesia, sendo que o baptisado foi feito a seis e não a vinte e hum e que para constar mandei fazer este assento em que me assigno. Eu com authorização diocesana assignei este assento. O vigário Estevam José Dantas”
20 de maio de 2009, 119 anos do falecimento do Cadete José Avelino.

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